domingo, 6 de outubro de 2013

ALMOÇO REPUBLICANO DE COIMBRA - 5 DE OUTUBRO DE 2013

Hoje, juntaram-se em Coimbra, cerca de seis dezenas de cidadãos e cidadãs, de várias regiões do País, para assinalar o 5 de Outubro e comemorar a data da Implantação da República, organizada pelo Movimento Republicano 5 de Outubro.

Cerca das treze horas os convivas foram-se juntando. Sendo anfitriões iniciais o José Dias e a Anabela Monteiro que nos receberam  e procederam às apresentações iniciais de todos os presentes. Estavam, como seria de esperar, em maior número os residentes em Coimbra e arredores, mas havia também elementos que vieram de Mortágua, de Penacova, Arganil, Condeixa-a-Nova ou Figueira da Foz. Destacaram-se os elementos que vieram de mais longe como Sintra, Salvaterra de Magos ou outras localidades que se juntaram aos elementos do Movimento Republicano 5 de Outubro nesta jornada pela preservação da memória e evocação dos acontecimentos de 1910.

Depois de saborear a refeição que foi servida pelo Restaurante "Cantinho dos Reis" e, enquanto se saboreava o café e os digestivos, alguns dos presentes tomaram a palavra. Os convivas de forma tolerante e fraterna trocaram e emitiram opiniões sobre alguns aspectos que lhes aprouve, demonstrando a pluralidade de opiniões que existem entre os republicanos, que em alguns aspectos pensamos nós, podem ser sinais da nossa fragilidade para alguns ou, para outros, a nossa maior riqueza e capacidade de aceitação da diferença de opiniões.

Fernando Fava recordou a data, a importância dos feriados e a sua simbologia, dando particular enfoque ao de 5 de Outubro, mas lembrou a importância e a responsabilidade histórica das datas que se transformaram em feriados. O 5 de Outubro como festividade cívica, laica e de rememoração dos acontecimentos, lembrando a necessidade de avivar a memória, não só sobre a data, mas também e sobretudo para toda a simbologia que envolve a implantação da República. Termina com os vivas à República.

Segue-se no uso da palavra Carlos Esperança que relembra o papel dos heróis da Rotunda, de Machado Santos e dos seus homens, alerta para os perigos cada vez mais em voga de nos tornarmos um povo sem memória, porque não valoriza o seu passado. Recorda ainda o papel que desempenharam a Maçonaria e a Carbonária nos acontecimentos de há 103 anos. Defende que o regime republicano trouxe uma maior igualdade entre classes sociais porque terminou com os títulos nobiliárquicos e estabeleceu a ponte entre o 5 de Outubro de 1910 e o 25 de Abril de 1974, identificando algumas causas em comum, ou pelo menos algumas das ideias que podem aproximar ambos os acontecimentos. Lembra então, com emoção, a figura do amigo, do militar de Abril e de homem bom e justo que foi o general Augusto Monteiro Valente e o seu papel na luta pela concretização dos ideais de Abril. Advoga para o País um estado republicano, laico e democrático. Manifestando também a sua revolta e tristeza com a actual situação política e contra a falta de memória da maior parte dos nossos principais actores políticos. Por fim, verbaliza de forma decidida a maldição daqueles que atraiçoaram o 5 de Outubro e os seus objectivos, daqueles que traíram de forma deliberada e impune a memória de 1910.

De seguida, José Dias lembrou os trabalhos do Movimento Republicano 5 de Outubro nos próximos tempos e pelo menos até Outubro de 2014, evocando quatro momentos que vão ser assinalados, pelo menos projecta-se evocar o 31 de Janeiro, quadragésimo quinto aniversário da Crise Académica de 1969, que alguns dos presentes viveram de forma intensa, o quadragésimo aniversário do 25 de Abril e ainda as comemorações do Congresso Republicano de Aveiro, onde também alguns dos presentes estiveram envolvidos. Além disso, permita-se-nos também lembrar uma outra efeméride que se avizinha e que convém evocar, porque se assinala o Centenário do Congresso do Partido Republicano Português, realizado na Figueira da Foz, em Maio de 1914. O orador recordou anda e apelou para a importância de se participar nas comemorações do 25 de Abril, criando um movimento de cidadãos que percorra a região evoque e explique o 25 de Abril, que realce os valores e os factos que estavam em questão na altura da revolução que trouxe a Democracia depois de 48 anos de Ditadura. Salientou, nessa altura, o trabalho realizado pelos membros do movimento que participaram em 75 iniciativas aquando das comemorações do Centenário da República, com todas as dificuldades e carências que estas iniciativas cívicas transportam e pelo altruísmo que sobressai de quem as realiza.

Registaram-se também intervenções de Rosa Lopes Ribeiro, de Horta Pinto, Jorge Antunes, Marco da Raquel e de um cidadão de Sintra onde houve múltiplas referências ao momento actual da vida política portuguesa, ao aumento da pobreza, ao descrédito da classe política e também se referiu a ausência de algumas personalidades que seria esperado que estivessem presentes neste almoço e que se mostraram indiferentes ou mesmo indisponíveis para participar no mesmo.

Por fim, e aguardado por muitos, a intervenção de Amadeu Carvalho Homem. Começa por homenagear de forma emocionada dois amigos e dois democratas: Augusto Monteiro Valente e Alberto Vilaça. Com voz embargada de emoção recordou Monteiro Valente, que também integrou o Movimento Republicano 5 de Outubro, e na presença da viúva lembrou alguns dos traços da personalidade do militar. Lembrou também o advogado e militante comunista Alberto Vilaça que, sabendo das diferenças ideológicas entre ambos, o convidou para apresentar uma das suas obras. De seguida, parte para a análise dos acontecimentos de 1910, das suas causas e sobretudo do seu significado cultural, cívico e político. Lembrou a importância da memória colectiva de um povo, da sua História e do papel que desempenha na formação de uma Nação. Recorda os valores da Revolução Francesa e o seu papel na evolução histórica da Humanidade. Apela à participação de todos, mas também faz referências às ausências notadas, aos que seria suposto estarem presentes e não compareceram à chamada, no fundo, e reforçando a ideia de outros oradores, de se estar no papel do maratonista que sabe manter uma cadência, um ritmo, uma intervenção que se quer contínua e não somente episódica. Sublinha, pessoalmente, a sua fraca capacidade, mas reconhece que em conjunto com outros elementos, e outras vontades, é possível fazer um trabalho que pode ser importante de recuperação da memória, de participação cívica e de descoberta dos fundamentos da liberdade.

Foi uma jornada interessante, com algumas surpresas e imprevistos, onde notamos um trabalho de organização que nos merece elogios, onde se salientam os valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, como pilares de formação de muitos dos presentes. Mostra como com poucos meios, boas vontades e espírito de maratonista se pode pegar numa ideia, fazê-la ganhar forma e transforma-la em realidade. Certamente que ainda não terá correspondido às expectativas que alguns ambicionariam, mas mostra que há um caminho que está a ser percorrido, que no pluralismo das ideias existem pontos que comuns que tornam a IDEIA, num projecto que pode ser concretizado e, a nosso ver mais forte. A LIBERDADE na sua dimensão mais ampla e a capacidade realizadora do Homem podem e devem produzir transformações na vida em comunidade e, por consequência, na vida política.

Uma iniciativa que se saúda e que esperemos que se alargue a outros pontos do País, pode ser um exemplo positivo para outros núcleos e movimentos que existem que continuam, apesar de já não ser feriado nacional a assinalar a data e a lembrar o que foi, porque foi feita e por quem foi feita a REPÚBLICA.

VIVA A LIBERDADE! 
VIVA A REPÚBLICA! 
VIVA PORTUGAL!

A.A.B.M.




sábado, 5 de outubro de 2013

UMA BOFETADA NA REPÚBLICA


“Os Centros Republicanos sempre comemoraram o 5 de Outubro. Sempre junto à estátua de António José de Almeida, quer durante a Primeira República, quer na Ditadura do Estado Novo e agora, ao longo da Segunda República. Mas sempre, arrostando durante a Ditadura com cargas policiais e selváticas.

Agora, acabou-se com o feriado do 5 de Outubro, curiosamente num tempo em que o Sr. Presidente da República louva esta e os seus ideais fazendo apelo à ética Republicana. Os dois anteriores Presidentes, Mário Soares e Jorge Sampaio, também o fizeram e com forte convicção.

Ora, quando os nossos Presidentes assim procedem, a República resulta em exemplo estimulante para os comportamentos que os actores políticos nem sempre, como tal, têm assumido.

Na Ditadura, foi a “República” que aglutinou o combate politico com as intervenções sacrificadas de muitos Republicanos. Os Congressos Republicanos de Aveiro foram disso exemplo notável. A República foi nesses difíceis tempos a voz, o coração e a coragem da Oposição.

O Governo, da República, decidiu extinguir o feriado do 5 de Outubro e ao fazê-lo, pelo menos, está a esquecer os seus fundadores republicanos, já mortos, companheiros de quem nos lembramos agora, Mário Montalvão Machado, Artur Santos Silva, José Augusto Seabra, Artur Andrade, Artur da Cunha Leal, Olívio França, Nuno Rodrigues dos Santos, entre outros.

Importa dizer NÃO, por Decência".

[texto via VITRIOL, com a devida vénia - sublinhados nossos] 
 
J.M.M. 

HOMENAGEM A LUZ DE ALMEIDA. VIVA A REPÚBLICA!

 
FOLHETO DE HOMENAGEM A LUIZ DE ALMEIDA [3 OUTUBRO 1927]
 
[via Casa Comum, com a devida vénia]
 
J.M.M.

COMEMORAÇÕES DO 5 DE OUTUBRO


O nosso ideal não é construir um mundo – é apenas construir uma casa – a nossa casa – segundo o plano que nos legaram os arquitectos de 89” [João Chagas]

 
ALPIARÇA:  
11.00 – Homenagem a José Relvas e aos Republicanos. Deposição de Coroa de flores;
COIMBRA:  
13.00 – Almoço do 5 de Outubro (no Cantinho dos Reis) – organização do Núcleo de Coimbra do Movimento Republicano5 de Outubro;
LISBOA 
11.30 – Cerimónia/Evocação do 5 de Outubro e deposição de uma coroa de flores na estátua de António José de Almeida – organização do Grande Oriente Lusitano Maçonaria Portuguesa;
12.30 – Inauguração da Exposição de Raul Rego “Vida Num Percurso na Cidade …”, na Câmara Municipal de Lisboa;
PENACOVA 

15.45 – Deposição de flores no busto de António José de Almeida;

16.00 – Palestra “O 5 de Outubro: nascimento, vida, morte e ressurreição de um feriado nacional”, pelo prof. Luís Reis Torgal;
PORTO 

11.30Romagem ao Cemitério do Prado do Repouso e alocuções várias – organização da Associação Cívica e Cultural 31 de Janeiro;
J.M.M.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

GLÓRIA AOS MORTOS DA REPÚBLICA



"A República, nesta hora, vive pela recordação dos seus grandes mortos

Ergamos religiosamente a sua memória e juremos sobre os seus túmulos sustentar através de todas as vicissitudes a obra que eles souberam construir, á custa de tantos sacrifícios, iluminados pelo mais puro ideal"

in "O MUNDO", 3 de Outubro de 1926 [via casa Comum]

J.M.M.

COMEMORAÇÃO DO ANIVERSÁRIO DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA - OUTUBRO DE 1929



"Panfleto relativo à comemoração do aniversário da proclamação da República e romagem pelos mortos"

Data: Outubro de 1929
via Casa Comum, com a devida vénia
J.M.M.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

ROMAGEM REPUBLICANA AO ALTO DE S. JOÃO (1963)


"Este governo, na treva autista do "excel" que o domina, aboliu feriados com referências identitárias nacionais, ferindo ainda mais a memória e a identidade dos Portugueses. Quero acreditar que um dia, tão breve quanto possível, a ignomínia seja reparada por um novo governo.
A 5 de Outubro costumo homenagear os meus dois Avós, ambos implantadores da República: Luís da Costa Santos, e José Summavielle Soares. Como sempre faço, irei pela manhã ao cemitério do Alto de S. João, e depois à estátua de António José de Almeida.

No tempo do Estado Novo dizer "viva a República!" era suspeito, e dava direito a abertura de ficheiro na PIDE. As romagens de 5 de Outubro ao Alto de S. João, eram normalmente brindadas à saída com cargas policiais a cavalo. Mas é curioso constatar que nem Salazar conseguiu abolir o feriado que esta gente limpou assim, sem "ai" nem "ui" que se notasse, salvo as certas, conhecidas, e honradas excepções.
Na foto abaixo (do arquivo do saudoso Diário de Lisboa), de um 5 de Outubro de 1963, na romagem Republicana ao Alto de S. João, está o meu Avô Luís [... da Costa Santos], então presidente do Centro Republicano António José de Almeida, com o ramo de flores na mão. Tempos duros, em que muita mais gente arriscava nessa manifestação, do que hoje, em Democracia, em que poucos são os que ali, todos os anos, não querem deixar que se apague a memória.... Mas lá estaremos, poucos talvez, mas firmes como sempre, pelos valores que defendemos e queremos honrar.

Viva o 5 de Outubro!
VIVA A REPÚBLICA!"

[Elisio Costa Santos Summavielle - via Facebook, com a devida vénia - sublinhados nossos]

J.M.M.
 

CONGRESSO EM COIMBRA – I REPÚBLICA E REPUBLICANISMO

 

 

I CONGRESSO – I REPÚBLICA E REPUBLICANISMO [COIMBRA]

 


DIAS: 4 e 5 de Outubro;
LOCAL: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra;
 

 
O Centro República tem por missão garantir a preservação e a disponibilização do património digital, bibliográfico e documental produzido e reunido no âmbito do Programa das Comemorações do Centenário da República e realizar iniciativas destinadas a promover a investigação e a elaboração de estudos científicos sobre a I República e o Republicanismo (…)
 
O I Congresso do Centro República [é] organizado pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20), e pelo Instituto de História Contemporânea (IHC) da FCSH – UNL (…)
 
Este importante fórum de discussão aberto e pluridisciplinar, decorridos que foram três anos sobre as comemorações do primeiro centenário da implantação da I República em Portugal, procurará analisar o caminho percorrido pela investigação em resultado das mais recentes conclusões, contribuindo ainda para que, a partir destas, se alargue o espaço de reflexão e de conhecimento sobre o republicanismo enquanto movimento político, ideológico, filosófico e cultural, mas também para que se renovem as interpretações sobre as experiências históricas concretas de afirmação e/ou rejeição do modelo republicano.
 
O encontro I República e Republicanismo reúne intervençõesproferidas por conferencistas internacionais e nacionais convidados, bem como a apresentação de comunicações submetidas através de call for papers
 

 
J.M.M.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

CICLO DE CINEMA LIBERTÁRIO



DIAS: 4, 11, 18 e 25 de Outubro (18 horas) | 6 de Novembro;
LOCAL: Espaço Grandela (Estrada de Benfica, 419, Lisboa);
ORGANIZAÇÃO: Biblioteca-Museu República e Resistência [parceria Tertúlia Liberdade].


J.M.M.

domingo, 29 de setembro de 2013

ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 19 DE AGOSTO DE 1906


PAINEL DE AZULEJOS de Pereira da Silva (Vidraria Progresso, R. do Amparo, 108, Lisboa) alusivo ao resultado das eleições municipais de 19 de Agosto de 1906 [Autor: Pereira da Silva (Vidraria Progresso)]

► “Figuram os retratos dos republicanos eleitos para a Câmara Municipal de Lisboa (Afonso Costa, António José de Almeida, João de Menezes e Alexandre Braga); a figura da República segurando um facho e o brasão de armas do município (versão da época); um panorama da Torre de Belém; um galo saudando o sol nascente; os jornais ‘A Lucta’, ‘O Paiz’, ‘O Mundo’ e ‘A Vanguarda’; ramagens de acácia e oliveira; e diversos instrumentos profissionais usados na época; 1906

Via Casa Comum, com a devida vénia.
J.M.M.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

RAUL RÊGO (1913-2002): A VIDA NUM PERCURSO NA CIDADE… - EXPOSIÇÃO

No próximo dia 5 de Outubro de 2013, a Câmara Municipal de Lisboa vai inaugurar a exposição que também assinala o centenário do nascimento de Raul Rego.

Pode ler-se na nota de divulgação da exposição:

RAUL RÊGO (1913-2002)
A Vida num Percurso na Cidade…

Raul Rêgo foi uma figura que marcou o nosso tempo, dando um relevante contributo ao advento e consolidação da nossa democracia. No centenário do nascimento de Raul Rêgo (1913-2013), a CML lembra o homem e a marca que deixou, tornando presentes as ideias por que lutou e as causas que defendeu. A exposição organizada pela CML propõe-nos um percurso pela vida de Raul Rêgo, dando-nos a sua vida num percurso pela cidade de Lisboa – uma ideia que certamente lhe agradaria, até porque Raul Rêgo era um homem atento aos símbolos, conhecedor da importância do espírito dos lugares. Ao prestar homenagem a Raul Rêgo, a Câmara Municipal de Lisboa evoca ainda, a par do grande jornalista, do resistente à ditadura, do combatente pela liberdade, do cidadão exemplar, do republicano, socialista e laico, o primeiro Presidente da sua Assembleia Municipal, eleito em 1977. Ao homenagear um Homem que fez da sua escrita uma forma de defender e afirmar a Liberdade, Lisboa presta homenagem a todos quantos lutaram e lutam pela Liberdade, pela Democracia e pela Justiça.

Galeria de Exposições dos Paços do Concelho

5 Out > 31 Dez 2013 | 2.ª a 6.ª feira: 10H > 19H


ENTRADA GRATUITA

Uma exposição que não podemos deixar de recomendar a todos os que nos visitam regularmente.

A.A.B.M.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

MUD – CIRCULAR DA COMISSÃO DOS ESCRITORES, JORNALISTAS E ARTISTAS DEMOCRÁTICOS


Circular da Comissão dos Escritores, Jornalistas e Artistas Democráticos do MUD, “Solicitando a sua adesão à Comissão” [Novembro de 1945] - clicar na FOTO

Signatários: Adolfo Casais Monteiro, Álvaro Salema, Alves Redol, Aquilino Ribeiro, Armindo Rodrigues, Carvalhão Duarte, Fernando Lopes Graça, Ferreira de Castro, Flausino Torres, Irene Lisboa, João Gaspar Simões, João da Silva, José Bacelar, Manuel Mendes, Manuel Rodrigues Lapa, Mário Dionísio, Mário Neves, Rocha Martins [via Casa Comum]
J.M.M.

ALVES REDOL – FOTOBIOGRAFIA – FRAGMENTOS BIOGRÁFICOS


AUTOR: António Mota Redol [com selecção de fragmentos autobiográficos por Vítor Viçoso];
EDITORA: Althum.

LANÇAMENTO:

DIA: 25 de Setembro (18 horas);
LOCAL: espaço Equuspolis (Golegã);
ORADORES: Maria Alzira Seixo & António Monteiro Cardoso.

Todas as costelas que me arqueiam o esqueleto vêm de camponês.” De camponeses e da Golegã!! Na realidade, Alves Redol é goleganense pela sua ascendência e terá sido, certamente, também, por essa circunstância que elegeu o berço dos seus avós paternos, o maioral João Redol e a avieira Ana da Guia, como cenário e sede de Fanga, obra básica do neo-realismo português, fruto da sua vivência na nossa terra, na década de 40 do século passado, e dedicada aos “fangueiros dos campos da Golegã”. O autor fez deste seu romance um instrumento de preocupação e de contestação, denunciando os conflitos sociais da época. Um documentário humano sobre o ribatejano, sobre o povo goleganense, ao qual o escritor estava preso pelas suas raízes. De igual modo, o da sua narrativa em Barranco de Cegos (considerado por alguns como a sua obra-prima), sobre os grandes lavradores do Ribatejo, que foi província e encruzilhada de saberes, de sabores, de hábitos e de costumes, tão bem retratada em Gaibéus, pelo encontro dos camponeses do minifúndio com os do latifúndio. A Golegã, com Alves Redol, entrou nos anais da literatura portuguesa …” [ler MAIS AQUI]
J.M.M.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ANTÓNIO RAMOS ROSA (1924-2013)


“Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
È um arco-iris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol”

[ARR, in A Palavra e o Lugar]

ANTÓNIO RAMOS ROSA nasce em Faro a 17 de Outubro de 1924. Fez estudos secundários, não concluindo “por questões de saúde”, e trabalha [cf. A.R.R, A Palavra e o Lugar, 1977] como empregado comercial, explicador e tradutor [traduzindo Éluard, Brecht; Pasternak, Camus, Hervé Bazin, Richard Bach, Sanguinetti, André Gide], Marguerite Yourcenar, ...]. Reside em 1945 em Lisboa, exercendo a profissão de empregado comercial, mas regressa cedo á sua terra de origem, só se radicando definitivamente na capital a partir de 1962.

A palavra é uma estátua submersa, um leopardo
que estremece em escuros bosques, uma anémona
sobre uma cabeleira. Por vezes é uma estrela
que projeta a sua sombra sobre um torso.
Ei-la sem destino no clamor da noite,
cega e nua, mas vibrante de desejo
como uma magnólia molhada. Rápida é a boca
que apenas aflora os raios de uma outra luz.
Toco-lhe os subtis tornozelos, os cabelos ardentes
E vejo uma água límpida numa concha marinha.
É sempre um corpo amante e fugidio
Que canta num mar musical o sangue das vogais” [in Acordes]

Publica (em 1958) no jornal “A Voz de Loulé” o seu poema “Os dias, sem matéria” e no mesmo ano deu inicio á sua vasta obra poética [ver AQUI] com o livro “O Grito Claro” [editado em Faro, em 1958]. Um ano antes, Adolfo Casais Monteiro faz referência [no jornal do Brasil – ACM estava exilado] à “profunda autenticidade” poética de Ramos Rosa, que aliás situa na síntese entre o surrealismo e neo-realismo [e que os Cadernos de Poesia são disso exemplo – sobre este curioso assunto ver Ana Paula Coutinho Mendes, “Poesia do Séc. XX com António Ramos Rosa ao fundo”, 2005]

 
Poeta, ensaísta e crítico literário, colabora em inúmeros periódicos [Diário de Lisboa, Diário popular, capital, O Comércio do Porto, Diário de Noticiais, Diário de Coimbra, Artes e Letras] e publicações variadas. Co-dirige as revistas literárias Árvore (1952-54), Cassiopeia (1956), Cadernos do Meio-Dia (1958-1960). Colabora na revista Seara Nova, Vértice, “O Tempo e o Modo”, Ler, Colóquio Letras, Raiz e Utopia, Silex. Está traduzido em diversas antologias no estrangeiro [ler mais AQUI]

António Ramos Rosa militou no MUD juvenil (1945), ainda em Faro [tendo como companheiros, no grupo do Algarve, Raul Martins Veríssimo e Manuel Madeira], tendo sido preso pela Ditadura [ler mais AQUI]

No nosso tempo havia cegos e surdos que falavam
e nos queria cegar e ensurdecer.
Mas nós mantínhamos nos pulsos a tensão vertical
de um fogo verde de um outra vida.
Era um horizonte de palavras novas, de árvores reverentes.
Escrevíamos panfletos que às vezes nos fugiam dos bolsos
em revoadas que se confundiam com as aves.
Acampávamos em pinhais, cantávamos e dançávamos,
saudando o sol de um novo dia
e às vezes a polícia surpreendia-nos
com as metralhadoras aperradas contra nós.
Devorávamos os livros proibidos apaixonadamente
reunidos em exíguos quartos ou solitariamente.

Não importa se muitos se enganavam adorando um déspota como um deus
porque a verdade estava na sua oposição
à tirania que nos roubava o sol,
à liberdade e à justiça da palavra viva.
Vivemos duramente com obstinada paixão
mas vivíamos solidários e lúcidos na sombra
e a fraternidade era a nossa força e o prémio da nossa luta.
Vencemos finalmente mas a madrugada da nossa liberdade
foi apenas um momento. O que se seguiu depois
é um sistema que não sabemos combater
porque a sua teia é anónima, de uma violência esparsa
que nos impede a defrontação
com os seus disfarces e os seus estratagemas.

Diz-me meu querido Manuel, os nossos sonhos diluíram-se apagaram-se
ou resta ainda um tronco verde com duas ou três folhas
e a nossa sede não morreu, ela é a nascente viva
tal como eu te procurava para partilhar o meu fogo ansioso
entre as anelantes aranhas da minha angústia obscura?
Será que resta uma centelha insubmissa
desse lume fascinante que nos deslumbrava como se fôssemos náufragos
que procuravam um madeiro ou uma giesta incendiada
para que sentíssemos que a vida era a vida com o seu horizonte azul?”

[António Ramos Rosa, in Manuel Madeira, No Encalço do Real Inalcançável, Editorial Minerva, 2004 - ler AQUI]
 
J.M.M.

ESTADO NOVO E UNIVERSIDADE: A PERSEGUIÇÃO AOS PROFESSORES


AUTORES: Fernando Rosas & Cristina Sizifredo;
EDITOR: Tinta-da-China (Setembro 2013), p. 144.

A Perseguição aos Professores conta a história de todos aqueles que,  por motivos políticos, se viram impedidos de aceder à docência  universitária, foram afastados dos seus centros de investigação,  impossibilitados de progredir nas carreiras académicas ou  compulsivamente exonerados das suas funções como investigadores ou  professores das universidades portuguesas durante a Ditadura Militar e  o Estado Novo.

A depuração política do corpo docente universitário ou de quem a ele  pretendia aceder, quase sempre fundamentada em informações da polícia  política, atingiu um largo espectro de investigadores ou docentes,  muitos dos quais representavam, nos seus sectores – na matemática, na  medicina, na economia, na física, na agronomia, nas ciências humanas  –, o escol do pensamento científico português. A perseguição política  desses elementos por parte de um regime que considerava a liberdade de  opinião e de expressão, e portanto a liberdade científica, como  incompatíveis com a segurança do Estado, acarretaria nefastas e  duradouras consequências para o desenvolvimento científico em Portugal.

Muitos dos investigadores e docentes perseguidos pelas suas convicções  políticas viram-se forçados ao exílio em vários países da Europa e da  América Latina, ou nos EUA, onde livremente puderam exercer o seu  múnus científico. E aí semearam a marca indelével do seu saber,   deixando aos países que os acolheram aquilo que foram impedidos de  oferecer ao seu.

Não parece possível abordar o problema da depuração política das  universidades sem se compreenderem as relações do Estado Novo com o  saber científico e académico e, portanto, com as universidades, depositárias tradicionais desse conhecimento e órgãos por excelência  da sua reprodução. Tenhamos presente que no projecto político, ideológico e cultural da 'política do espírito', delineado no rescaldo  do plebiscito constitucional de 1933 com a criação do Secretariado de  Propaganda Nacional (SPN), virá a ser atribuído um papel claramente  periférico e subalterno ao saber académico, à cultura científica e às   universidades de uma forma geral”.  [ler AQUI - sublinhados nossos]
 
 J.M.M.

CONTRA O FASCISMO - ORGANIZAÇÃO DA ESQUERDA DEMOCRÁTICA



Contra o Fascismo. Organização da Esquerda Democrática [s.d.]

Assunto: Panfleto da comissão provisória para a organização da Esquerda Democrática sobre reunião a realizar no Grémio Recreativo Operário. 
 

J.M.M.

domingo, 22 de setembro de 2013

JOSÉ DOMINGUES DOS SANTOS

 
"Ao Ex.mo. Sr. Dr. José Domingues dos Santos, ilustre líder do Partido Republicano da Esquerda Democrática: homenagem de um grupo dos seus correligionários"
 
via Torre do Tombo, com a devida vénia.
 
J.M.M.

A CHOLDRA - SEMANÁRIO REPUBLICANO DE COMBATE




A CHOLDRA. Semanário republicano de combate e de crítica à vida nacional – Ano I, nº 1 (31 de Janeiro 1926) ao nº 21 (19 de Junho de 1926); Propr: José Valentim; Editor: Henrique Jorge Didelet; Adm/Redacção: Rua do Poço dos Negros, 86, 3º (Lisboa); Direcção: Eduardo [Pinto] de Sousa; Impressão: Rua do Século, nº 150; 1926, 21 numrs

[Alguma] Colaboração/Textos/Citações/Gravuras: Adriano Monteiro [prés. U. Ferroviária do Porto], Afonso Correia, Albano Negrão, Ângelo Vaz, Aníbal Torres, António Normando, António Passos, Batista Diniz, Basílio Teles, Bernardino Machado, Deodoro da Fonseca, Eduardo Faria, Eduardo de Sousa, Figueiredo de Lima, Guerra Junqueiro, “J. B.”, José Barbosa, José Domingues dos Santos, Lobo Reimão, Magalhães Lima, Mayer Garção, Máximo Gorki, Mondina de Faria, Nóbrega Quintal [ver uma curiosa Carta Aberta dirigida a Cunha e Costa, nº 5], “O Cão do Cego”, Quirino de Jesus, Raul Proença, Repórter X, Sousa Júnior, Spartacus, Stuart Carvalhais, Teixeira de Queiroz, Trindade Coelho.

► "A CHOLDRA" AQUI digitalizado [Hemeroteca Municipal de Lisboa]

 
“A voz clamorosa e incerta, voz de angustia e de revolta, que é a voz das turbas anónimas, espesinhadas e traídas, vai encontrar éco e expressão gráfica nestas páginas. Vêm de muito longe os protestos e lamentos de baixo, contra os vexames e os crimes de cima. Vêm do fundo das idades. (…)

Em Portugal, como em toda a parte, urge prégar de novo a Liberdade e combater a Reacção. A isso vimos exclusivamente” [A Choldra, nº1]

"A Choldra representa a leitura de um ano de enorme e brutal fractura no tecido político português. O seu último número – de 19 de junho de 1926 –, traduz não já a revolta militante e libertária que os seus textos percorreram, mas um grito de alerta em desespero de causa. Como muitas outras vozes, foi calada pelo golpe militar de 28 de Maio de 1926" [ler AQUI]

NOTA: De uma dissidência do PRP [então liderado por António Maria da Silva] nasce o Grupo da Esquerda Democrática [5 de Agosto 1925], mais tarde chamado “Partido Republicano da Esquerda Democrática” – sob liderança de José Domingues dos Santos [1885-1958]. O semanário “A Choldra” apoia o projecto político do grupo da “Esquerda Democrática” [os “canhotos”], com a curiosidade de igual adesão do jornal “O Mundo” [ver “O Mundo”, de 17 de Outubro 1925] e do próprio diário “A Capital”.

Diga-se que o grupo da “Esquerda Democrática” assume como matriz ideológica o programa do Partido Republicano de 1891. Dele fizeram parte ilustres republicanos como Adriano Brandão (Coimbra), Amadeu Leite de Vasconcelos, António Joaquim e Sousa Júnior, António Medeiros Franco, António Resende, Cristiano da Fonseca, Ezequiel Campos, João de Barros, João Carrington da Costa, João Pedro dos Santos, Joaquim Rodrigues Marinho, Leonardo Coimbra, dr. Luiz Guerreiro, Manuel Gregório Pestana Júnior, Manuel Pedro Guerreiro (Faro), (comandante) Paulino Gomes, Pedro de Castro, (capitão) Pina de Morais, Sá Pereira, Soveral Rodrigues, (coronel) Tavares e Carvalho, Virgílio Saque, e outros mais, como o curioso Carlos Rates [sobre o assunto consultar António José Queirós, "A Esquerda Democrática e o Final da Primeira República", 2008].
 
J.M.M.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

BERNARDINO MACHADO: O PEDAGOGO - EXPOSIÇÃO

Numa organização da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, em colaboração com o Museu BernardinoMachado, a exposição “Bernardino Machado, O Pedagogo” vai ser inaugurada no próximo dia 21 de Setembro de 2013, pelas 17h00, no respectivo Museu, na R. Adriano Pinto Basto. 

A exposição Bernardino Machado, O Pedagogo é constituída por 16 temas, a saber: i) “O Ensino e a sua Importância”; ii) “A Aprendizagem. Entre o Hereditário e o Adquirido”; iii) “Liberdade de Ensino. Público ou Privado?”; iv) Processos de Ensino. Aprendizagem; v) Instrução e Educação”; vi) “Ensino Infantil e Primário”; vii) “A Instrução Popular. Sociedades Particulares de Instrução; viii) “O Ensino Secundário”; ix) “O Ensino Profissional”; x) “O Ensino Comercial e Industrial”; xi) “Ensino Agrícola”; xii) “A Academia e o Ensino Universitário”; xiii) “A Universidade e o Ensino”; xiv) “A Revolta Académica” (1907); xv) “O Ensino e a Política” e xvi) “Cronologia Pedagógica”.

 Cada painel temático terá não só as suas imagens respectivas, como igualmente os textos (fragmentados) teóricos de Bernardino Machado sobre a instrução e a pedagogia, retirados de títulos emblemáticos como, por exemplo, “O Ensino” (1898), “Afirmações Públicas” (1888), “Conferências de Pedagogia” (1900), “Da Monarquia Para a República” (1908), “Notas Dum Pai” (1903), “O Ensino Primário e Secundário” (1899), “Pela República” (1908), “O Estado da Instrução Secundária Entre Nós” (1882), “A Universidade e a Nação” (1904), “A Socialização do Ensino” (1897), “A Indústria” (1898), “A Agricultura” (1900), “O Ensino Profissional” (1899), “A Academia de Coimbra” (1906), entre outros títulos. 

Recorde-se que a Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, as Edições Húmus e o Museu Bernardino Machado já editaram os três tomos de Pedagogia da Obra de Bernardino Machado, respectivamente em 2009 e 2010, tendo o primeiro uma introdução de Rogério Fernandes e os outros dois de Norberto Cunha, coordenador científico não só do respectivo Museu, como igualmente das Obras do patrono.

Uma exposição que se recomenda.

A.A.B.M.

ROTEIROS DA MEMÓRIA URBANA - LISBOA


LIVRO: "Roteiros da Memória Urbana – Lisboa (Marcas deixadas por libertários e afins ao longo do século XX)”;
AUTORES: João Freire & Maria Alexandre Lousada;
EDIÇÃO: Colibri (2013).
 
APRESENTAÇÃO /LANÇAMENTO:
 
DIA: 24 de Setembro (18,00 horas);
ORADOR: António Valdemar;
LOCAL: Gabinete de Estudos Olisiponenses [Palácio do Beau Séjour, Estrada de Benfica, 368]

No primeiro terço do século XX, Lisboa era, como desde há muito, a maior cidade do país, com o principal volume de força-de-trabalho dependente, e também a urbe mais sensível e avançada do ponto de vista cultural. Logicamente, o movimento social atingiu aqui a sua expressão pública mais visível e influente, alicerçado no operariado e num sindicalismo orgulhoso da sua independência e afirmação própria, ao qual as doutrinas anarquistas acrescentavam uma sedutora composição ideológica. Mas também foi um movimento mais diversificado e menos coeso do que em outras regiões do país, acusando mais cedo os efeitos das grandes mudanças externas. No último quarto de século, com o 25 de Abril de 1974, Lisboa voltou a sentir os tremores revolucionários e viu emergir os ‘novos movimentos”  
J.M.M.