domingo, 22 de setembro de 2013

JOSÉ DOMINGUES DOS SANTOS

 
"Ao Ex.mo. Sr. Dr. José Domingues dos Santos, ilustre líder do Partido Republicano da Esquerda Democrática: homenagem de um grupo dos seus correligionários"
 
via Torre do Tombo, com a devida vénia.
 
J.M.M.

A CHOLDRA - SEMANÁRIO REPUBLICANO DE COMBATE




A CHOLDRA. Semanário republicano de combate e de crítica à vida nacional – Ano I, nº 1 (31 de Janeiro 1926) ao nº 21 (19 de Junho de 1926); Propr: José Valentim; Editor: Henrique Jorge Didelet; Adm/Redacção: Rua do Poço dos Negros, 86, 3º (Lisboa); Direcção: Eduardo [Pinto] de Sousa; Impressão: Rua do Século, nº 150; 1926, 21 numrs

[Alguma] Colaboração/Textos/Citações/Gravuras: Adriano Monteiro [prés. U. Ferroviária do Porto], Afonso Correia, Albano Negrão, Ângelo Vaz, Aníbal Torres, António Normando, António Passos, Batista Diniz, Basílio Teles, Bernardino Machado, Deodoro da Fonseca, Eduardo Faria, Eduardo de Sousa, Figueiredo de Lima, Guerra Junqueiro, “J. B.”, José Barbosa, José Domingues dos Santos, Lobo Reimão, Magalhães Lima, Mayer Garção, Máximo Gorki, Mondina de Faria, Nóbrega Quintal [ver uma curiosa Carta Aberta dirigida a Cunha e Costa, nº 5], “O Cão do Cego”, Quirino de Jesus, Raul Proença, Repórter X, Sousa Júnior, Spartacus, Stuart Carvalhais, Teixeira de Queiroz, Trindade Coelho.

► "A CHOLDRA" AQUI digitalizado [Hemeroteca Municipal de Lisboa]

 
“A voz clamorosa e incerta, voz de angustia e de revolta, que é a voz das turbas anónimas, espesinhadas e traídas, vai encontrar éco e expressão gráfica nestas páginas. Vêm de muito longe os protestos e lamentos de baixo, contra os vexames e os crimes de cima. Vêm do fundo das idades. (…)

Em Portugal, como em toda a parte, urge prégar de novo a Liberdade e combater a Reacção. A isso vimos exclusivamente” [A Choldra, nº1]

"A Choldra representa a leitura de um ano de enorme e brutal fractura no tecido político português. O seu último número – de 19 de junho de 1926 –, traduz não já a revolta militante e libertária que os seus textos percorreram, mas um grito de alerta em desespero de causa. Como muitas outras vozes, foi calada pelo golpe militar de 28 de Maio de 1926" [ler AQUI]

NOTA: De uma dissidência do PRP [então liderado por António Maria da Silva] nasce o Grupo da Esquerda Democrática [5 de Agosto 1925], mais tarde chamado “Partido Republicano da Esquerda Democrática” – sob liderança de José Domingues dos Santos [1885-1958]. O semanário “A Choldra” apoia o projecto político do grupo da “Esquerda Democrática” [os “canhotos”], com a curiosidade de igual adesão do jornal “O Mundo” [ver “O Mundo”, de 17 de Outubro 1925] e do próprio diário “A Capital”.

Diga-se que o grupo da “Esquerda Democrática” assume como matriz ideológica o programa do Partido Republicano de 1891. Dele fizeram parte ilustres republicanos como Adriano Brandão (Coimbra), Amadeu Leite de Vasconcelos, António Joaquim e Sousa Júnior, António Medeiros Franco, António Resende, Cristiano da Fonseca, Ezequiel Campos, João de Barros, João Carrington da Costa, João Pedro dos Santos, Joaquim Rodrigues Marinho, Leonardo Coimbra, dr. Luiz Guerreiro, Manuel Gregório Pestana Júnior, Manuel Pedro Guerreiro (Faro), (comandante) Paulino Gomes, Pedro de Castro, (capitão) Pina de Morais, Sá Pereira, Soveral Rodrigues, (coronel) Tavares e Carvalho, Virgílio Saque, e outros mais, como o curioso Carlos Rates [sobre o assunto consultar António José Queirós, "A Esquerda Democrática e o Final da Primeira República", 2008].
 
J.M.M.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

BERNARDINO MACHADO: O PEDAGOGO - EXPOSIÇÃO

Numa organização da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, em colaboração com o Museu BernardinoMachado, a exposição “Bernardino Machado, O Pedagogo” vai ser inaugurada no próximo dia 21 de Setembro de 2013, pelas 17h00, no respectivo Museu, na R. Adriano Pinto Basto. 

A exposição Bernardino Machado, O Pedagogo é constituída por 16 temas, a saber: i) “O Ensino e a sua Importância”; ii) “A Aprendizagem. Entre o Hereditário e o Adquirido”; iii) “Liberdade de Ensino. Público ou Privado?”; iv) Processos de Ensino. Aprendizagem; v) Instrução e Educação”; vi) “Ensino Infantil e Primário”; vii) “A Instrução Popular. Sociedades Particulares de Instrução; viii) “O Ensino Secundário”; ix) “O Ensino Profissional”; x) “O Ensino Comercial e Industrial”; xi) “Ensino Agrícola”; xii) “A Academia e o Ensino Universitário”; xiii) “A Universidade e o Ensino”; xiv) “A Revolta Académica” (1907); xv) “O Ensino e a Política” e xvi) “Cronologia Pedagógica”.

 Cada painel temático terá não só as suas imagens respectivas, como igualmente os textos (fragmentados) teóricos de Bernardino Machado sobre a instrução e a pedagogia, retirados de títulos emblemáticos como, por exemplo, “O Ensino” (1898), “Afirmações Públicas” (1888), “Conferências de Pedagogia” (1900), “Da Monarquia Para a República” (1908), “Notas Dum Pai” (1903), “O Ensino Primário e Secundário” (1899), “Pela República” (1908), “O Estado da Instrução Secundária Entre Nós” (1882), “A Universidade e a Nação” (1904), “A Socialização do Ensino” (1897), “A Indústria” (1898), “A Agricultura” (1900), “O Ensino Profissional” (1899), “A Academia de Coimbra” (1906), entre outros títulos. 

Recorde-se que a Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, as Edições Húmus e o Museu Bernardino Machado já editaram os três tomos de Pedagogia da Obra de Bernardino Machado, respectivamente em 2009 e 2010, tendo o primeiro uma introdução de Rogério Fernandes e os outros dois de Norberto Cunha, coordenador científico não só do respectivo Museu, como igualmente das Obras do patrono.

Uma exposição que se recomenda.

A.A.B.M.

ROTEIROS DA MEMÓRIA URBANA - LISBOA


LIVRO: "Roteiros da Memória Urbana – Lisboa (Marcas deixadas por libertários e afins ao longo do século XX)”;
AUTORES: João Freire & Maria Alexandre Lousada;
EDIÇÃO: Colibri (2013).
 
APRESENTAÇÃO /LANÇAMENTO:
 
DIA: 24 de Setembro (18,00 horas);
ORADOR: António Valdemar;
LOCAL: Gabinete de Estudos Olisiponenses [Palácio do Beau Séjour, Estrada de Benfica, 368]

No primeiro terço do século XX, Lisboa era, como desde há muito, a maior cidade do país, com o principal volume de força-de-trabalho dependente, e também a urbe mais sensível e avançada do ponto de vista cultural. Logicamente, o movimento social atingiu aqui a sua expressão pública mais visível e influente, alicerçado no operariado e num sindicalismo orgulhoso da sua independência e afirmação própria, ao qual as doutrinas anarquistas acrescentavam uma sedutora composição ideológica. Mas também foi um movimento mais diversificado e menos coeso do que em outras regiões do país, acusando mais cedo os efeitos das grandes mudanças externas. No último quarto de século, com o 25 de Abril de 1974, Lisboa voltou a sentir os tremores revolucionários e viu emergir os ‘novos movimentos”  
J.M.M.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

FARIA DE VASCONCELOS (1880-1939): PIONEIRO E PROMOTOR DA PEDAGOGIA CIENTÍFICA E DA EDUCAÇÃO NOVA, NA EUROPA, NA AMÉRICA LATINA E EM PORTUGAL

Realiza-se no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, no próximo dia 20 de Setembro de 2013, pelas 21.30 h, mais uma sessão do ciclo Pedagogos e Pedagogia em Portugal, desta vez a personalidade em foco é o pedagogo Faria de Vasconcelos (1880-1939), que promoveu a pedagogia científica e e a Educação Nova.

O conferencista é o professor José Marques Fernandes. Natural de Vieira do Minho, onde nasceu em 1946. Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa, onde se licenciou em Filosofia, mais tarde realiza o mestrado em Filosofia da Educação com a tese intitulada Pedagogia Científica e Educação Nova em Portugal, contexto da I República - Costa Ferreira, Alves dos Santos, Faria de Vasconcelos, com orientação do Prof. Doutor Norberto Cunha.

Integrou o projecto de investigação "Proudhon nas elites portuguesas oitocentistas - da Regeneração ao limiar da Primeira República" iniciado em 2002.

Desde 1986 a 2009, foi docente de diversas cadeiras na Universidade do Minho, com destaque para a de Filosofia e de Mentalidades e Cultura Portuguesa.

Realizou inúmeras conferências pelo País, visitando Escolas Secundárias e apresentando comunicações em colóquios científicos.

Algumas das publicações do conferencista: Rui Carrington da Costa ou a sobrevivência da Educação Nova em Braga - 1932-1964 (1996); «COSTA, AFONSO Augusto da» (Dicionário de Educadores Portugueses, 2003); «SANTOS, Augusto Joaquim ALVES DOS» (Dicionário de Educadores Portugueses, 2003); «Entre o ideal da harmonia e o real da antinomia. Mundividência social e política de Manuel de Arriaga» (2004); «Mundividência federalista de Magalhães Lima – Da Federação Ibérica à Federação humana pela Federação europeia» (2004); «Matriz proudhoniana da Geração de 70» (2008); «Reler Proudhon (1809-1865) - No bicentenário do seu nascimento, em tempo de globalização económica e de crise financeira» (2009); «Proudhon em Portugal. Recepção e Projecção» (2009); «Para uma leitura geracional da cultura portuguesa» (In Caminhos da cultura em Portugal. Homenagem ao Professor Doutor Norberto Cunha, 2009); «O proudhonismo como termo lógico do pensamento de Herculano. Individuo e Sociedade» (2011); «Atualidade e performatividade da questão do contrato social. Rousseau - 1712-1778 / Proudhon - 1809-1865 (2012).

Uma louvável e interessante iniciativa que recomendamos aos nossos ledores.

A.A.B.M.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

CONFLITOS SOCIAIS EM PORTALEGRE NO TEMPO DOS ROBINSON

 
EDIÇÃO: Publicações da Fundação Robinson, nº 23.
 
Nesta edição das Publicações da Fundação Robinson focam-se os conflitos sociais e laborais ocorridos no concelho de Portalegre entre os finais do século XIX e 1920, tendo por base documental a imprensa local e nacional. Durante este período destacam-se no tecido industrial portalegrense a indústria corticeira e de lanifícios, ambas de tradição secular e empregando milhares de operários. É sobretudo no seio destas unidades industriais que, a par das novas sociabilidades promovidas pelo liberalismo, se vão formando movimentos organizados de classes – como os corticeiros – que reivindicam direitos sociais compatíveis com sua condição operária e que manifestam uma solidariedade de classe até então desconhecida”.
 
 
 
No passado dia 17 de Setembro de 2011, em brilhante, sintética, original e valorativa intervenção, lembrava o Professor Julián Sobrino (Universidade de Sevilha) que todas as Fábricas são um conflito, de interesses, de saberes, de sexos, de pequenos e grandes poderes. Afinal, as Fábricas dão corpo às realidades da vivência humana dos grupos e das suas sociabilidades, as Fábricas são corpos sociais vivos!
 
Na sua constante colaboração com a Fundação Robinson o Professor António Ventura (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) dá-nos agora conta dessa vida na conflitualidade nascida das realidades laborais em que se opõem Operários e Patrões. O estudo e a riquíssima antologia que o suporta, enriquecem o nosso conhecimento da Fábrica Robinson na dimensão humana do operariado e, ao mesmo tempo, dão conta da sua integração no tecido local através da amostragem feita a partir da assinalável riqueza da imprensa periódica em Portalegre.
 
As Publicações da Fundação Robinson, mais uma vez, dão a lume trabalho científico e possibilidades de investigação futura e continuam a mostrar como a Fábrica era o pólo socioeconómico de um grande Espaço Robinson
[in revista da Fundação Robinson, “Nota de Abertura”]
 
J.M.M

terça-feira, 17 de setembro de 2013

AS ORIGENS DA FRANCO-MAÇONARIA DE 1717


CONFERÊNCIA / DEBATE: "As Origens da Franco-Maçonaria de 1717” [segue-se a projecção do vídeo “The Scottish Key”] 
ORADOR: José Manuel Anes;
DIA: 27 de Setembro (18,30 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano [Palácio Maçónico – Sala Magalhães Lima];
ORGANIZAÇÃO: Museu MaçónicoPortuguês [Ciclo “Sextas de Arte Real”]

“Nesta conferência [com o Orador José Manuel Anes] será analisada a criação da Grande Loja de Londres e Westminster, em 24 de Julho de 1717, em reunião havida em Londres,  na “Taberna”  Goose and Gridiron, onde as 4 Lojas desta cidade, Goose and Gridiron (O ganso e a grelha), Queen’s head (A cabeça da Rainha), Apple Tree (A macieira) e a Rummer and grapes (O copo e as uvas), decidem constituir uma Grande Loja pro-tempore, iniciando as bases do que virá ser a actual Maçonaria, elegendo como Grão-Mestre Anthony Sayer e como  Grande Vigilantes o capitão Joseph Elliot e o carpinteiro Jacob  Lambal.
 
 
Serão analisadas entre outras questões
 
 
- as diversas influências de pensamento e prática emergentes nesta época em Inglaterra
- o contexto histórico da sua criação;
- a importância da Revolução Científica em Inglaterra e a emergência do experimentalismo científico;
- o contributo do Invisible College e da Royal Society;
- a publicação da “Carta Sobre a Tolerância”, de John Locke, em 1689, retendo a influência do modelo de funcionamento das suas tertúlias/associações (frequentadas por Isaac Newton) na afirmação dos novos valores e práticas da Maçonaria de então;
- a influência do pensamento e práticas dos templários e rosacruzes;
- a Maçonaria Operativa Escocesa e os Estatutos de Schaw;
- as principais personagens na emergência da Nova Maçonaria;
- a evolução (!?!) da Franco-Maçonaria-Operativa para a Franco-Maçonaria Especulativa;
- a evolução da Grande Loja de Londres e Westminster nas suas primeira décadas;
- fontes históricas, desde a formação da Grande Loja de Londres e Westminster, até 1738 (publicação do “Massonry Dissected” de Samuel Prichard)"
 
 
 
 
J.M.M.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

NOVA HISTÓRIA DA IMPRENSA PERIÓDICA PORTUGUESA, DE JOSÉ TENGARRINHA

No próximo dia 3 de Outubro de 2013, pelas 18.30h, vai ser apresentada ao público a Nova História da Imprensa Periódica Portuguesa. Das Origens a 1865, do Professor José Manuel Tengarrinha, na Galeria Fernando Pessoa, nas instalações do Centro Nacional de Cultura, em Lisboa.

Esta nova obra actualizada e aumentada, conta com um extenso e prolongado trabalho de investigação no domínio da imprensa desde as origens até ao aparecimento do Diário de Notícias. Considerado um dos primeiros especialistas portugueses no domínio da História da Imprensa, o Prof. José Tengarrinha já tem uma vasta bibliografia ligada a este tema, sendo um reputado e incansável investigador nesta área.

Uma obra imprescindível, de consulta obrigatória, que recomendamos a todos os nossos ledores.

A.A.B.M.

domingo, 15 de setembro de 2013

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS EM PORTUGAL (Apontamentos Históricos – Parte III)


Em Bragança constituiu-se o corpo de Bombeiros Voluntários em 31 de Outubro de 1890, mas esta corporação viria a enfrentar várias dificuldades e desapareceu. Mais tarde, em 1 de Setembro de 1932, reuniu-se em casa de José Miguel Peixoto a “Comissão nomeada em reunião de proprietários na câmara municipal deste concelho a fim de organizar nesta vila uma Corporação de Bombeiros”. Esta Comissão era constituída por José Manuel de Campos, Abílio António de Campos, Alberto Augusto Cardoso, António Joaquim Cautela, Herculano Augusto Fabião, dr. José de Abreu e José Miguel Peixoto.

No distrito de Bragança, em Alfândega da Fé, foram os bombeiros fundados já no período do Estado Novo, em 20 de Dezembro de 1933, sendo possível encontrar uma pequena nota histórica sobre a criação desta corporação AQUI; em Carrazeda de Ansiães, em 7 de Fevereiro de 1930; em Mirandela formaram-se em 15 de Abril de 1883; em Miranda do Douro, que recentemente ficou sem dois dos operacionais do seu corpo de bombeiros, foi fundada em 4 de Junho de 1960; em Freixo de Espada à Cinta, foi fundada a 5 de Dezembro de 1927; A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vimioso foi fundada em 12 de Setembro de 1932, por um grupo de ilustres Vimiosenses, com destaque para Dr. Artur Alberto Geraldes Coelho que viria, posteriormente, a ser o 1.º Presidente da Direcção desta Associação. Ver informações adicionais AQUI; em Vila Flor, a corporação foi fundada em ll de Agosto de 1949; em Moncorvo, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários foi fundada em 13 de Maio de 1933. Consultar mais informações AQUI .

Em Castelo Branco, inicialmente foi fundada a Associação de Bombeiros Voluntários de Castelo Branco e publicados os Estatutos da Associação dos Bombeiros Voluntários de Castelo Branco, aprovados no Governo Civil, como era hábito na época, em 8 de Janeiro de 1905 e que terão perdurado até 1920. Até porque existem folhetos com os estatutos que então se publicaram. Mais tarde, constitui-se a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Castelo Branco, que foi fundada em 7 de Janeiro de 1933, tendo sido construída a sede em 1935. Porém, os projectos para se organizar a corporação começaram numa deliberação da câmara, datada de 23 de Abril de 1888, quando um vereador municipal se lamentava que não existia uma corporação na cidade, mas existiam duas mangueiras, um bom sistema de bombas, agulhetas montadas num carro, baldes, cântaros e algum outro material, pelo que a partir daí terão sido organizados ainda que sem estatutos.


No distrito de Castelo Branco, na Sertã fundou-se uma corporação de bombeiros em 26 de Agosto de 1916. Na cidade da Covilhã, a Associação Humanitária dos Bombeiros da Covilhã foi fundada em 21 de Junho de 1875. Os Bombeiros Voluntários no Fundão foram fundados em 23 de Maio de 1927. Nos restantes concelhos as corporações de bombeiros vão sendo organizadas sobretudo por meados do século XX. Curiosamente, neste distrito, quase nenhuma das corporações tem uma breve nota histórica sobre a fundação dos bombeiros nos respectivos municípios.

[NOTA:Na imagem uma fotografia do corpo de Bombeiros de Mirandela]

[Em Continuação]

A.A.B.M.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

AQUILINO RIBEIRO [N. 13 SETEMBRO DE 1885]


Primeiro, uma declaração de interesses: tenho pelo meu grande mestre, uma relação onomástica e familiar. O meu mestre é também meu avô. Posto isto, aquilo que vos posso afiançar é que nada é comparável ao meu mestre, Aquilino Ribeiro.

Na sua vida, nada foi fácil: exílios em França, regresso clandestino, participação na Revolta do Regimento de Pinhel, prisões e fugas aventurosas. Tudo isto, e muito mais, até 1932. Tinha então, 47 anos.

Depois disto, sem outra fonte de receita que a dos seus livros, fez da sua vida uma labuta constante pela sobrevivência. A censura foi a sua pior ameaça. Inúmeras vezes a censura discricionária do regime fascista tolheu a difusão da sua lavra, demoradamente escrita pelo labor glorioso do seu trabalho.

A moldura da sua geografia sentimental encontra-se nas Terras do Demo. 'Eu sou um artista rude', diz ele, 'filho da minha serra. Nasce-se com o berço às costas. A Beira Alta não tem símile no mundo Em poucas dezenas de quilómetros reproduz-se a terra toda: amenidade e avareza, a colina e o vale, a civilização e a selvajaria'.

Mas construiu outras paisagens literárias, todas elas admiráveis e luminosamente belas. A mais perfeita e prodigiosa encontra-se no Alto Minho, 'no antigo solar de Montenegros e Meneses', onde terá criado o mais belo território romanesco da literatura portuguesa, “A Casa Grande de Romarigães”.

O meu grande mestre chama-se Aquilino Ribeiro. Nasceu há 128 anos, no dia 13 de Setembro

[FOTO e TEXTO de Aquilino Machado, via  Facebook, com a devida vénia - sublinhados nossos] 

J.M.M.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

JOSÉ JORGE LETRIA – “E TUDO ERA POSSÍVEL – RETRATO DE JUVENTUDE COM ABRIL EM FUNDO”


LIVRO: "E Tudo Era Possível - Retrato de Juventude com Abril em Fundo";
AUTOR: José Jorge Letria;
EDIÇÃO: Clube do Autor, 2013, 288+16 p.

É um livro de revisitações. Fundo, sentido, e sério. Desassombrado, ao exprimir opinião. Sem ensombramentos, quando aborda o melindroso” [José Barata-Moura, in Posfácio]

Livro de memórias de José Jorge Letria que cobre o período compreendido entre o final dos anos sessenta e meados dos anos oitenta do século XX.

O livro, com posfácio de José Barata-Moura, amigo e companheiro de canções de José Jorge Letria, tem quase 300 páginas, várias fotografias e abarca as actividades do autor como jornalista, cantor-autor, escritor e militante político, representando um testemunho vivido, sentido e desassombrado sobre a nossa História Contemporânea, com destaque para os últimos anos da ditadura, para o  25 de Abril, o 25 de Novembro e período pós-revolucionário que Letria viveu em vários domínios.
"E Tudo Era Possível" fala de figuras como José Afonso, Carlos Paredes, José Carlos Ary dos Santos, Mário Viegas, David Mourão-Ferreira, Mário Henrique Leiria, Fernando Assis Pacheco, Álvaro Guerra, Luís de Sttau Monteiro e muitos outros com quem o autor trabalhou e conviveu"

J.M.M.

JOSÉ MARIA HERMANO BAPTISTA. UM HERÓI NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Na próxima sexta-feira, 13 de Setembro de 2013, pelas 18.30h, vai ser apresentada em Vila Franca de Xira, a obra do Coronel José Custódio Madaleno Gonçalves, sobre José Maria Hermano Baptista.

A segunda edição desta obra vai ser apresentada pelo filho do biografado, no Museu Municipal de Vila Franca de Xira.

Pode encontrar-se uma pequena entrada sobre José Maria Hermano Baptista AQUI, bem como uma apreciação ao livro AQUI

Uma iniciativa que se saúda no momento em que se aproxima, a passos largos, a data que assinala o início da I Guerra Mundial.

A.A.B.M..


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

CONGRESSO INTERNACIONAL DOS MUSEUS MARÍTIMOS

Iniciou-se ontem 8 de Setembro, e prolonga-se até ao próximo dia 15, o Congresso Internacional dos Museus Marítimos que se realiza em Cascais.

Este congresso, que visa comemorar a nossa herança marítima e valorizar a cultura marítima (Celebrating our Maritime Heritage: Making Maritime Culture Relevant), conta com uma quantidade muito significativa de oradores internacionais e alguns especialistas nacionais. Entre as figuras nacionais presentes contam-se: Joana AmorimJorge Leonel Vaz FreireJorge CustódioCarlos Sousa ReisAntónio Bossa DionísioJosé Picas do ValeAdelina Domingues, António CarvalhoInês BrandãoJoão Paulo Oliveira e Costa, entre outros

Entre os oradores internacionais destacam-se personalidades ligadas a museus dos E.U.A, Hong Kong, Noruega, Holanda, Austrália, Reino Unido, Suécia, Namíbia, Alemanha, Bélgica, Nova Zelândia, Canadá, Chile, Polónia, Finlândia, Dinamarca, China, Taiwan e Espanha, numa quantidade muito significativa de museus marítimos espalhados pelo mundo que marcam presença nesta iniciativa.

Ao longo de oito dias vão debater-se todo um conjunto de problemas e temáticas relacionadas com os museus marítimos espalhados pelos mais diversos continentes, descobrindo problemas comuns, soluções encontradas, propostas de trabalho, parcerias a desenvolver, temas a aprofundar, etc. Nos dias 14 e 15 de Setembro contam-se as visitas a alguns dos museus marítimos em Portugal, por exemplo o Eco-Museu do Seixal, ao Museu Marítimo de Ílhavo ou ao Museu de Portimão.

Um congresso com uma marca de qualidade que parece inegável, além do mais pontifica pelo ecletismo e diversidade dos participantes, pelo que a aconselhamos aos nossos ledores que se interessam pelas temáticas da museologia, em particular da museologia marítima.

Para saber mais pormenores sobre este congresso internacional convém fazer uma visita à página oficial do congresso AQUI.

Para aceder ao programa completo e detalhado do congresso ver AQUI.

Uma actividade a acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

STUART CARVALHAIS, "O ILUSTRADOR DAS VIDAS SOMBRIAS"


 
 
 
"Stuart Carvalhaes, o ilustrador das Vidas Sombrias", por FERREIRA DE CASTRO
in revista ABC, 18 de Março de 1926
 
[clicar nas FOTOS para ver/ler]
 
J.M.M.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

DIA ROBINSON EM PORTALEGRE 2013

Realiza-se no próximo dia 17 de Setembro de 2013, em Portalegre, as comemorações do Dia Robinson, organizado pela Fundação Robinson.

Contando com várias iniciativas e convidados como o Professor António Ventura, o Professor António Camões Gouveia, Diogo Júlio, Graça Correia e Manuel Eustáquio.

Consultar o programa que se apresenta acima [clicar na imagem para aumentar] ou consultar AQUI.

A.A.B.M.

SOBRE A INAUGURAÇÃO DO MONUMENTO AO MARQUÊS DE POMBAL – PARTE III


FOTO: grupo de “admiradores da obra” de Sebastião José de Carvalho e Melo [1699-1782], na inauguração do monumento ao “divino” Marquês de Pombal [in Arquivo Nacional, nº 123, 18 de Maio de 1934]:

“Da esquerda para direita: Dr. Ramiro Reis e Sousa, general Norton de Matos, dr. Álvaro Costa, general Estêvão Águas, dr. Maurício Costa, capitão de mar e guerra Mário Costa, dr. Ramon de La Feria, tenente-coronel Veiga e Sousa, capitão José Bernardo Ferreira e tenente-coronel Pires de Carvalho” [ibidem]

No dia 13 de Maio de 1926 “foi solenemente inaugurado a primeira pedra do corpo do monumento, presidindo ao acto o Presidente da República, dr. Bernardino Machado” [Almanaque Humanidade, ibidem]. O Grémio Liberdade lança, nesse mesmo dia, um folheto de homenagem ao Marquês na inauguração da primeira pedra da base do seu monumento: “… É a primeira prestação que se paga dessa divida em aberto para com o intemerato Reformador e que um grupo de homens, tomando sobre os seus ombros, como que um mandato imperativo de todos os patriotas portugueses, pretendem saldar, acabando de vez com esta autêntica ingratidão pela memória de tão insigne estadista” [Grémio Liberdade].

Com o falecimento do escultor Francisco dos Santos, a 27 [ou 29?] de Abril de 1930, os trabalhos que lhe pertenciam ficaram a cargo dos escultores José Simões de Almeida (sobrinho) e de Leopoldo Neves de Almeida.

A 10 de Maio de 1933 realizou-se uma romagem ao túmulo do Marquês de Pombal, promovida pela Comissão Executiva do Monumento, estando presentes, além dos membros da comissão (Oliveira Simões, Estêvão da Silva, Custodio José Vieira e José Pedro Moreira), um grupo de cidadãos, entre os quais se regista a presença de Simões Raposo, Adães Bermudes, Daniel Rodrigues [in D.N, 11 de Maio 1933].

A configuração da praça, de forma estrelada, data desse ano, mas a estátua só é erguida a 2 de Dezembro de 1933 e depois inaugurada por Duarte Pacheco a 13 de Maio de 1934, sem a presença de Salazar e o general Carmona, mas com a presença de enorme multidão e sob fortes medidas de segurança por parte da polícia e da GNR.

Pelas 14 horas [cf. Ilustração Portuguesa, nº 202, 16 de Maio 1934] desse dia 13 de Maio de 1934, aniversário da morte do Marquês de Pombal, o general Norton de Matos [na altura Grão-mestre do GOL] “depõe um ramo de flores, com fitas das cores nacionais, no pedestal do monumento”, a que se seguiu idêntica cerimónia da parte de representantes da Escola Oficina, nº1, Cantina Escolar de S. Miguel, Centro Escolar Democrático de Campo de Ourique, Grémio Popular, Grémio Escolar Republicano de Alcântara, Grémio Escolar Republicano Tomaz Cabreira, Asilo de São João [representado pelo seu director, Libânio Santos Jorge], operários da C. M. de Lisboa, etc…  

Por fim, na cerimónia oficial usaram da palavra [cf. Duarte Rodrigues, ibidem, p. 279] o general Vieira da Rocha e o tenente-coronel Linhares de Lima, como representante da comissão administrativa do município [diga-se que os publicistas monárquicos e reaccionários reclamaram do apoio financeiro prestado ao evento pelo então governo de Salazar, e, como sempre, a figura quixotesco de Fernando de Sousa (Nemo), do jornal A Voz, encabeçou a lista do opinioso protestatório]. Marcaram presença [cf. Diário de Lisboa, 13 Maio de 1934], António Maria da Silva, Pereira Bastos, Sá Cardoso, Manuel Maria Coelho, Correia Barreto, entre muitos outros. 
 
 

A 13 de Maio de 1934, um ano antes da proibição da Maçonaria, teve lugar a inauguração do monumento ao marquês de Pombal. Foi a última grande manifestação pública onde Maçonaria se fez sentir em força. Ao acto assistiram milhares de pessoas, bem como entidades oficiais, civis e militares, e também numerosas figuras identificadas com a Maçonaria a começar pelo Grão-Mestre, Norton de Matos, e Grão Mestre Adjunto, coronel Oliveira Simões, que sempre esteve ligada ao projecto. Os grandes animadores foram Magalhães Lima e José Pinheiro de Melo. A Comissão organizadora era constituída maioritariamente por maçons: generais Vieira da Rocha e Estêvão Águas, o coronel Oliveira Simões, José Bernardo Ferreira, Veiga e Sousa, Alexandre Ferreira, Germano Martins e Daniel Rodrigues. Outros marcaram presença, como António Maria da Silva, Roman Navarro, Manuel Maria Coelho, Correia Barreto e o general Sá Cardoso” [via AntónioVentura Facebook - sublinhados nossos]

J.M.M.

SOBRE A INAUGURAÇÃO DO MONUMENTO AO MARQUÊS DE POMBAL – PARTE II


No dia 1 de Abril de 1901, um grupo de 15 confrades da Sociedade de Geografia, à frente do qual se encontrava José Pinheiro de Melo, propôs, em sessão da Sociedade, que se “obtivesse do governo” a reorganização da comissão para “urgente cumprimento da missão que lhe incumbia”. Mas só a 9 de Março de 1905 [sob nomeação do ministro do reino, Pereira de Miranda] foi constituída essa comissão executiva, ficando na sua presidência, Veiga Beirão e na vice-presidência, Ferreira do Amaral. Foi, então, aberta uma subscrição pública a 6 de Maio desse ano, a que se seguiu mais reforços em 1908.

A 19 de Março de 1911 foi aberto concurso para a “elaboração do projecto a adoptar na sua execução”, aparecendo um único concorrente [Raul Lino], que foi rejeitado pelo júri [ibidem; refira-se que presidiu ao júri Alfredo da Cunha como representante da comissão – cf. Duarte Rodrigues, ibidem]. Nomeado novo júri, a 26 de Maio de 1911, o novo concurso [Decreto de 29 de Maio de 1911], distinguiu e estabeleceu os seguintes prémios: , “Glória progressus – delenda reatio” [assinado pelos arquitectos Adães Bermudes (Ir. Afonso Domingues) e António do Couto e pelo escultor Francisco dos Santos]; , “Cuidar dos Vivos” [Alves de Sousa e Marques da Silva]; , “Pró memória” [Maximiano Alves e Eduardo Tavares]. Após várias peripécias, com protestos e pedidos de exoneração de membros da comissão, por portaria de 16 de Agosto de 1913, uma nova comissão executiva foi constituída: na presidência, Sebastião Magalhães Lima e na vice-presidência, Luís Filipe da Mata [Ir. Marius da L. Tolerância, de Lisboa, mais tarde presidente do Conselho da Ordem em vários ocasiões]. 

Sob reclamação do 2º classificado, “Cuidar do Vivos”, que “não se conformava com a decisão do júri”, e tendo tido parecer favorável do Ministério da Instrução Pública e Procuradoria Geral da República, foi dado provimento à reclamação, a 4 de Setembro de 1914 [ibidem]. Foi então nomeado novo júri [16 de Setembro 1914], ao qual foi feita suspeição pelos “reclamantes” anteriores, pelo que foi reformulado o júri, que ficou definitivo a 18 de Novembro de 1914. Em reunião, o júri atribui ex aequo como vencedores os projectos que, anteriormente, ficaram nas duas primeiras posições. Novas reclamações se lhe seguiram, novas explicações pelo júri foram feitas [no principal, a questão do elevado custo da execução do 2º projecto, “Cuidar do Vivos”, foi apontada como determinante para o seu afastamento], e foi considerado vencedor o projecto “Glória progressus – delenda reatio”.  

Não acabaria aqui a controvérsia em torno dos projectos a concurso [sobre o debate, veja-se a posição de António Arroyo, “O caso do monumento ao Marquez de Pombal, Lisboa, 1914“; ou também a posição tomada por Guerra Junqueiro, Manuel Sousa Pinto, Joaquim Costa], seguindo-se-lhe novas reclamações, suspeições, inúmeras questiúnculas e “calorosas polémicas entre artistas nacionais, na imprensa e em folhetos”, que fizeram com que o governo não homologasse a decisão. Só a 21 de Janeiro de 1917, o Ministro da Instrução [Pedro Martins] mandou reunir o júri para votação de acordo com novas premissas, pelo que a 7 de Junho de 1917 foi atribuído definitivamente o 1º prémio aos autores do projecto “Glória progressus – delenda reatio” [Oliveira Simões, ibidem]. Da memória descritiva do monumento o arquitecto Adães Bermudes faz o seguinte relato:

"Erecto no seu pedestal de glória que as águas triunfalmente elevam ao fastígio do monumento, o Marquês de Pombal procurando sacudir do vil letargo secular a alma generosa e forte da nação, simbolizada por um leão que se levanta rugindo, e esmaga reacção teocrática e a reacção feudal que a traziam subjugada. Do seu alto posto, o genial reformador dirige e domina a grande obra de transformação mental, económica e social que se realizou sob o influxo da sua clarividência, do seu saber e da sua indómita energia.

Ele traça a dinâmica da nação decadente, desnorteada e exausta a nova rota da sua natural evolução histórica: - "O Trabalho" que devia resgatar-nos da escravidão económica e valorizar o nosso vasto Império; e o "Estado" a que devia redimir a mentalidade da nação dos preconceitos, fanatismos e ignominiosa ignorância que a sequestravam à civilização. O nosso projecto de monumento visa a representar o Marquês de Pombal na sua complexa figura de genial estadista, de reformador audaciosíssimo, de emancipador da consciência e vontade nacionais, de assombroso precursor da moderna civilização …” [ler MAIS AQUI]

Passados cinco anos, os trabalhos de execução do monumento pouco tinham avançado, a Comissão tinha deixado de reunir e o Governo, sob presidência de António Maria da Silva, nomeou nova comissão [pela portaria de 2 de Junho de 1923], sob presidência de Sebastião Magalhães Lima, na vice-presidência o general Ernesto Maria Vieira da Rocha, como 1º secretario, José Pedro Moreira, 2º secretario, dr. Custódio José Vieira, na qualidade de tesoureiro, o dr. José de Pádua e entre os vogais, registe-se a presença de Joaquim Maria de Oliveira Simões, dr. António Augusto da Veiga e Sousa, capitão José Bernardo Ferreira, Alexandre Ferreira, almirante Ernesto de Vasconcelos [exonerado, depois, a seu pedido], dr. Germano Lopes Martins, brigadeiro João Estêvão Águas, José Pinheiro de Melo, Fernão Botto Machado. Pelo falecimento de Magalhães Lima, José de Pádua e alguns dos vogais, a Comissão foi posteriormente reconstituída, servindo de Presidente o general Vieira da Rocha, vice-presidente, Filipe da Mata, e tesoureiro, Oliveira Simões.   

[CONTINUA]

J.M.M

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

SOBRE A INAUGURAÇÃO DO MONUMENTO AO MARQUÊS DE POMBAL – PARTE I


[Breve anotação a propósito do post sobre “a inauguração do monumento ao Marquês de Pombal” a 13 de Maio de 1934, via António Ventura Facebook]

O Centenário do Marquês de Pombal tem origem numa “reunião de estudantes das escolas superiores de Lisboa” [cf. Inocêncio F. Silva, Dicionário Bibliográfico; encontram-se abundantes e valiosas notas bibliográficas e documentais sobre o Centenário de Pombal no Dicionário] e que, de imediato, teve a adesão da Academia de Coimbra, do Porto e de muitas agremiações, grupos de cidadãos, governo e municípios.

No centenário da morte do Marquês de Pombal [8 de Maio de 1882], pensou então um grupo de liberais [com “a mocidade académica de Lisboa” à frente da iniciativa – cf. Occidente, Vol.V, nº 122] erigir um monumento à memória e glorificação do Marquês. A 26 de Janeiro de 1882 a “Comissão Académica” constituída por estudantes das várias escolas de Lisboa lança um Manifesto, “Aos Estudantes e à Colónia Portugueza do Brazil” onde é afirmado que se trata de “consagrar para a imortalidade um homem que, há cem anos, marcou no meio social português o vestígio indelével da sua administração”.  

No dia 27 de Abril de 1882 saiu um Diploma, assinado por D. Luís, onde se autoriza “o governo a conceder dos arsenais do exército e da marinha o bronze que for necessário para um monumento consagrado à memória de Sebastião ….” (inO Marquês de Pombal e os seus biógrafos, de Alfredo Duarte Rodrigues, 1947, p. 192)

[Curiosamente Duarte Rodrigues, na obra citada, atribui os esforços para o levantamento do monumento a Pombal à maçonaria, que cita abundantemente. Na verdade, sabe-se que o Conselho da Ordem do GOLU, sob o malhete de Miguel Baptista Maciel (que sucedeu ao conde de Parati, 1º Grão-mestre do GOLU), através do Manifesto de Junho de 1881 apela à adesão nas comemorações do centenário de Pombal e de combate anti-jesuítico. Em Janeiro de 1882 a Comissão Académica de Lisboa publica de igual modo um manifesto invocando a obra de Pombal e anunciando um cortejo cívico, manifesto que rapidamente é editado pelo Boletim Oficial do GOLU (1881-82). O próprio Conselho da Ordem, nesse mesmo Boletim, lança a ideia de se erguer uma “estátua ao Marquês de Pombal”, sugerindo a formação de comissões profanas para o efeito e mobilizando os obreiros. A homenagem ao Marquês de Pombal foi, de facto, solenizada por todo o país: Porto, Lisboa, Aveiro, Viseu, Setúbal, Oliveira de Azeméis, Tomar, Alcácer do Sal, … Na véspera do dia do Centenário, José Pinheiro de Melo (Irmão Pelayo, grau 33º do REAA, na época pertencente á Loja “União Independente”, da qual era Venerável, antes de transitar para L. Simpatia e União, em 1899) profere uma curiosa conferência na Associação de Lojistas de Lisboa em louvor de Pombal. Em Coimbra, na véspera do dia da Celebração Pombalina tem lugar um comício anti-jesuítico, usando da palavra Luís Magalhães, Feio [Terenas?], Silva Cordeiro, Alfredo Vieira e Trindade Coelho. Ainda nesta cidade, a Associação Liberal de Coimbra imprime um opúsculo, “As leis de Secularização em Portugal”, apresentando um curioso Manifesto. De igual modo, a Comissão de Estudantes de Coimbra publica um valioso jornal comemorativo do evento. Por sua vez, o Centro Republicano de Coimbra editou uma litografia onde se lia: “Centro Eleitoral Democrático de Coimbra – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – ao Grande Cidadão Sebastião José de Carvalho e Melo”. No dia da celebração do Centenário, durante o grandioso cortejo cívico de Lisboa e Porto, participou entusiasticamente a corrente laicista e anticlerical, bem como os principais elementos do Grémio Lusitano].

No dia seguinte [28 de Abril 1882] é nomeada a “primeira comissão, encarregada de abrir uma subscrição nacional para angariar os fundos necessários à execução” do monumento [cf. Coronel Oliveira Simões, Almanaque Humanidade, p.120 e ss]. Faziam parte dessa primeira comissão 44 membros, presidida por António Rodrigues Sampaio e secretariada por Luciano Cordeiro e por Francisco Augusto Florido da Mouta e Vasconcelos [A. Humanidade, ibidem]. Porém a comissão pouco avançou no trabalho. De referir que a 6 de Maio de 1882 a Câmara Municipal de Lisboa, reunida extraordinariamente, deliberou, por proposta do vereador José Gregório da Rosa Araújo, que se dê o nome “à grande rotunda próxima do Valle Pereiro, porque termina a avenida da Liberdade, Praça Marquez de Pombal" [edital de 7 de Maio de 1882]
 
 
 
Nos dias 7, 8 e 9 de Maio de 1882 decorreram com grande entusiasmo os festejos Pombalinos, com total apoio das forças liberais e republicanas, e em que o chefe do governo deliberadamente se afastou. Enquanto tal se verificava, el-rei D. Fernando, “dando o braço a sua esposa, sem aparato e sem comitiva, vai na noite das iluminações misturar-se à multidão e tomar parte nas festas populares", pelo que foi recebido com simpatia e entusiasmo pelo povo [sobre este assunto ver Occidente,vol. V, nº 123 e nº 124]. No dia 7 de Maio houve a inauguração da Exposição da Escola Politécnica, em Lisboa. Á noite principiaram as “fantásticas iluminações das ruas da baixa de Lisboa e os brilhantes festejos na cidade do Porto”. No dia 8 de Maio, “ao meio-dia realizou-se na Avenida da Liberdade o lançamento da primeira pedra do monumento à memória do marquês de Pombal” [ver Occidente, nº123], festa oficial onde compareceu el-rei D. Fernando. Seguiu-se-lhe um cortejo cívico majestoso “promovido pela mocidade académica” [de Lisboa, de Coimbra, da Escola Militar e Médica] “briosa, trabalhadora e liberal” e de inúmeras outras corporações, perante uma imensa multidão, uma “parada brilhante das nossas forças sociais” [ibidem]. No dia 9 de Maio um cortejo fluvial e no fim os estudantes de Coimbra e outras escolas fizeram “uma marcha aux flambeaux” pelas ruas da cidade de Lisboa [que deu lugar a prisões pela polícia].

Na cidade do Porto os festejos iniciaram-se no dia 6 de Maio de 1882, com a inauguração solene, no Palácio de Cristal, da Sociedade Filantrópica-Académica do Porto a que se seguiu um passeio fluvial [ver Occidente, nº 124]. No dia seguinte fez-se uma imponente procissão cívica ao longo das ruas ornamentadas, com desfile de diversas agremiações e carros alegóricos. Dos “espectadores saíam incessantes saudações às Academias do Porto e de Coimbra, à Imprensa e à Liberdade” [ibidem]

[CONTINUA]

J.M.M.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS EM PORTUGAL (Apontamentos Históricos – Parte II)

Em Aveiro, organiza-se a primeira companhia de Bombeiros em Janeiro de 1882, porém depois de múltiplas situações de combate a incêndios e devido a cisões internas a corporação entra em declínio. Sobretudo no início do século XX, a crise agrava-se muito e acabou por conduzir à demissão dos comandantes e membros da direcção da corporação, segundo tudo indica por divergências entre os dirigentes e os praças devido a questões disciplinares. Assim, em 23 de Maio de 1907, os bombeiros de Aveiro ficam sem o primeiro e segundo comandante e sem os membros da direcção da associação. No ano seguinte, pelo menos desde 20 de Março de 1908 que se procurava fundar uma nova corporação que vai dar origem aos denominados Bombeiros Novos de Aveiro, que viriam a organizar-se em reunião realizada em 28 de Novembro de 1908. A Comissão Instaladora era composta por João Maria da Naia Graça, Presidente; José Augusto, secretário; João do Amaral Fartura, tesoureiro; Luís Soares, Luís Benjamim, João da Silva Júnior, José de Oliveira Barbosa, Jorge Pereira da Silva, vogais. Seria a 30 de Novembro desse ano que se lavrou a acta da criação, fundação e instalação da companhia, tendo por patrono o patrono dos Bombeiros Portugueses Guilherme Gomes Fernandes. A comissão organizadora e administrativa era composta por Jorge Pereira da Silva, José Augusto, João do Amaral Fartura, Roque Ferreira Júnior, José Maria de Carvalho Júnior, Manuel Nogueira, João Silva, José de Oliveira Barbosa, João Maria da Naia Graça, Carlos Augusto José Mendes, Luís Soares, Luís Benjamim.

A sede da corporação foi instalada em Fevereiro de 1909 na Rua da Corredoura, em Aveiro, numa casa de António Félix Ferreira, mais tarde, em 1912 passou para a Praça Luís Cipriano. Em 1920 inicia-se a construção do quartel no Largo Maia Magalhães que foi concluída em 1922. Era comandante da corporação nesse período Carlos Augusto José Mendes [nasceu a 13-08-1869, filho de famílias modestas estudou na Academia Portuense de Belas Artes, em Arquitectura Civil, em 1889, tendo concluído o curso em  1894. Foi comandante dos Bombeiros entre 1 de Dezembro de 1909 e Outubro de 1913. É da sua autoria o desenho do auto de posse da Comissão Administrativa Republicana em Aveiro em 1910. Foi ainda chefe da repartição de Obras Municipais de Aveiro e procurou ainda a sorte nas colónias estabelecendo-se durante algum tempo em Moçambique tendo sido da sua autoria o Mercado Municipal da então Lourenço Marques. Faleceu em Aveiro a 25 de Maio de 1922] que traçou a planta do quartel que então se instalou. Os comandantes da instituição podem ser consultados AQUI .

Para se acompanhar a evolução histórica e fotográfica da instituição aconselha-se uma visita demorada (porque muito bem documentada) pelo site da instituição AQUI.

A Associação de Bombeiros Voluntários de Braga foi fundada em 1877. A 18 de Março de 1877 reúne-se a Comissão Fundadora e da sua Constituição fazem parte os seguintes nomes de cidadãos ilustres de Braga: Adolfo da Cunha Pimentel, António José da Silva, António José Henriques de Mattos, António de Oliveira Campos, António Luís Rodrigues, Domingos Gonçalves Gouveia, Jerónimo da Cunha Pimentel, José Borges Pacheco Pereira de Faria, Joaquim Maria da Costa Rebello, José Alves Laroto, José Lopes da Silva, Júlio Augusto Henrique de Mattos, Manuel José de Mattos. Dias mais tarde, a 27 de Março, surge então a Comissão Instaladora que, numa reunião, que inicia, de facto, as actividades da Real Associação. Esta Comissão Instaladora era constituída pelos seguintes cidadãos: Albino Ferreira Carmo, António Dias Ricardo Ferreira Braga, António Joaquim Pereira de Moraes, António José Gonçalves Costa, Eduardo Magalhães d' Araújo Pimentel, José Francisco da Costa, Lourenço de Magalhães Júnior, Manuel Ribeiro de Carvalho Júnior, Manuel dos Santos Miza.
Para primeiro Comandante foi escolhido o mais entusiasta pela criação do corpo activo, o Dr. José Borges de Faria, da Casa de Infias, pai dos heróis portugueses - Irmãos Roby.
Para o Corpo Activo de Bombeiros inscreveram-se inúmeros voluntários, de entre os quais é justo destacar os nomes de Luís Leite Vilaça, Alvim Braga, Vasconcelos, da Sêda, Matias José Antunes, António Alves e muitos outros.

Foram Comandantes dos Bombeiros Voluntários de Braga: Dr. José Borges Faria, Armando Baptista Ribeiro, Joaquim Braga, Manuel António da Silva Braga, Alfredo Braga, Domingos da Conceição, Nuno Faria Roby, Jerónimo Palafox, Tenente Luciano Fernandes, Tenente Armindo de Almeida, entre outros comandantes até à actualidade. Os locais de aquartelamento funcionaram na Rua Nova de Sousa, na Avenida Central (junto ao prédio Inatel), na Rua Visconde de Nespereira (próximo ao actual Mercado Municipal), na Rua do Castelo e na Rua D. Paio Mendes, junto à Sé Primaz (daí a corporação ainda hoje ser conhecida pelos mais antigos como os ‹‹Bombeiros da Sé››, e por último no Largo Paulo Osório (actuais instalações).


Num concelho do distrito de Braga, Vizela, poucos meses depois desta iniciativa organizou-se também a 8 de Maio de 1877, a Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vizela. Ainda neste distrito, em 19 de Abril de 1890 fundaram-se os Bombeiros Voluntários em Fafe.

[Em continuação].
A.A.B.M.