quarta-feira, 16 de outubro de 2013

CUNHA LEAL – “AS MINHAS MEMÓRIAS. COISAS DE TEMPOS IDOS”


Cunha Leal, “As Minhas memórias. Coisas de Tempos Idos”, Lisboa, Livraria Petrony (Edição do Autor), 1966-67-68 (372+480-432 p.), III vols.

vol. I – Romance duma época, duma família e duma vida de 1888 a 1917
vol. II – Na periferia do tufão. De 1 de Janeiro de 1917 a 28 de Maio de 1926
vol. III – Arrastado pela fúria do tufão. De 28 de Maio de 1926 a 4 de Dezembro de 1930
 
“É toda a História nacional de uma época de grandes convulsões o que temos aqui patente, pela mão de um dos seus protagonistas. Há que sublinhar à cabeça a limpidez literária de exposição com que o Autor nos reporta o que, sendo ele governador do Banco de Angola, o tornou um dos mais notáveis e recalcitrantes opositores à ditadura salazarista.

Obra de crucial importância para se perceber como essa oposição à política posta em marcha por Salazar/Quirino de Jesus teve raízes muito para além do conveniente ‘papão comunista’, e como os ajustes de contas eram distribuídos a torto e a direito por quem quer que, mesmo com razoabilidade, fizesse frente à “direcção única”. E foi nessa qualidade de governador que Cunha Leal, ao recomendar políticas económicas diversas – numa conferência pública proferida na Associação Comercial de Lisboa em 1930, expondo a degradante situação financeiro-produtiva de Angola – acabou por vir a conhecer, sob pretextos vários, ‘em fases sucessivas, o cárcere e a deportação, com o seu cortejo de violências’.

Algumas passagens genéricas:

… estamos sendo arrastados pelo ciclone que teve a longínqua origem em 28 de Maio de 1926. Na sua fase hodierna, os nossos Poderes Públicos já se não limitam a subordinar os graus de liberdade da pessoa humana e os seus correlativos movimentos físicos às determinações dum ditador que a si próprio e talvez – quem sabe? – com sinceridade se alcunhe de paternal, por isso que pretendem impor-nos obediência à fórmula tradicional do misticismo jesuítico – faz o que eu mande, pensa o que eu pense, quer o que eu queira. Irromper pela interioridade deste tufão a expressar desacordos e oposição venho-o fazendo ao longo de quarenta anos e ainda perduram no meu corpo e na minha alma as mataduras desse inconformismo. [...]

A minha presente tentativa explica-se, pura e simplesmente, pela ânsia de concorrer para a salvação duma nau preciosa prestes a naufragar, ou seja Portugal, já sem tripulação susceptível de grandes e oportunas reacções, num alheamento duma mística salutar.

Como é que se conseguiu efectivar esta descomunal constrição duma grei inteira, de modo a convertê-la em rebanho pávido, sorumbaticamente submisso, incapacitado, pelo menos na aparência, para os movimentos das gentes, que, em todas as emergências, sabem preservar a noção de dignidade?

Em boa verdade, não havia, de início, um plano metódico de domesticação colectiva. Havia apenas – isso, sim – o firme intuito do reaccionarismo indígena de suscitar, com o apoio extorquido ao Exército por meios capciosos, um vendaval à custa de cuja força crescente se lhe tornasse possível varrer da superfície de Portugal os mais ligeiros resquícios de democracia, sempre com os olhos fitos, avidamente, na ressurreição, embora longínqua, da Monarquia de estirpe miguelista. [...]

Em que é que consistiu, por conseguinte, o mais valioso trunfo do seu sucesso? Em ter às suas omnipotentes ordens um Exército passivamente obediente para impor o seu receituário financeiro, acertado ou desacertado, sem prévia audiência do País e sem vislumbres de respeito pelos interesses colectivos, ainda quando absolutamente legítimos. A regra de conduta social passou a ser a seguinte: manda quem pode, obedece quem deve. [...]

Quem, neste ano já distante de 1967, meditar, porém, na tragédia angolana desencadeada em princípios de 1961, se for desprovido de cegueira partidarista, haverá de chegar, por certo, à conclusão de que a longínqua génesis desse fenómeno deva ser retrotraída aos erros iniciais de visão do Ditador português no tocante às directrizes da nossa política ultramarina, erros que, em 1930, me afoitei a obstaculizar, sem – ai de mim e ai do País! – ter força bastante para isso...[...]"

 via FRENESI, com a devida vénia
 
J.M.M.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

3º CONGRESSO DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA – 40 ANOS DEPOIS


1973-2013 3º CONGRESSO DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA – 40 ANOS DEPOIS
 
DIA: 7 de Dezembro de 2013
LOCAL: Universidade de Aveiro (Aveiro)
 
 
“Há exactamente um ano, o NAM [Não Apaguem a Memória] decidiu comemorar, em Aveiro, o 40º aniversário do 3º Congresso da Oposição Democrática.
 
 Cá está, numa parceria com várias mãos! Marquem na agenda, que o resto é connosco (transporte a partir de Lisboa, já em organização).
 
 Esta é a Comissão Organizadora:
 
- Centro de Documentação 25 de Abril
 
- Centro de Estudos de Hist Contemporânea do ISCTE
 
- Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Univ de Coimbra
 
- Centro de Estudos Sociais da Univ de Coimbra
 
- Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da Univ de Aveiro
 
- Instituto de História Contemporânea da FCSH da Univ Nova de Lisboa
 
- Não Apaguem a Memória (NAM)
 
- Seara Nova
 
- Delfim Sardo
 
- João Marujo"
 
 
 
 
J.M.M.
 

CHEFES DO GOVERNO QUE FORAM MAÇONS (MONARQUIA CONSTITUCIONAL E REPÚBLICA)



ORADOR: António Ventura [Académico de número da Academia Portuguesa de História];
DIA:
16 de Outubro (15 horas);
LOCAL:
Palácio dos Lilases (Alameda das Linhas de Torres, Lisboa);
 
J.M.M.
 

LEILÃO DA BIBLIOTECA DO CORONEL JOSÉ PINTO FERREIRA

A empresa José Vicente Leilões, está a levar a efeito, hoje, amanhã e depois um interessantíssimo leilão da Biblioteca do Coronel José Pinto Ferreira. As sessões realizam-se no Palácio da Independência, Lisboa, a partir das 21horas.

Com um total de 1017 lotes a leilão, encontram-se muitas obras que interessam ao bibliófilo e apaixonados pelo livro antigo. Entre as obras ligadas à República que podem interessar aos coleccionadores destacam-se:

- 435 GALERIA REPUBLICANA. Proprietario e editor - João José Baptista. Director: Magalhães Lima.Numero 1. 1882. 1º Anno (ao Nº 44- Outubro - 1883. 2º Anno. Lisboa. 1882 (a 1883). 44 Nos. In-Fólio. Encs. em 1. Encerra colaboração de Augusto Rocha, Alexandre da Conceição, Costa Godolphim,Gomes Leal, Teixeira Bastos, Theophilo Braga, etc. Colaborador fotográfico: António Maria
Serra. Cada número com o retrato fotográfico de cada biografado. Com um pequeno furo nos números 43 e 44, que não afectam letras do texto.

- 464 GRAINHA, Prof. M. Borges. - HISTÓRIA DO COLÉGIO DE CAMPOLIDE DA COMPANHIA DE JESUS, Escrita em latim pelos Padres do mesmo Colégio onde foi encontrado o manuscrito. Traduzida e prefaciada pelo... E mandada publicar pela Comissão Parlamentar nomeada pela Câmara dos Deputados da República Portuguesa para proceder ao exame dos papéis dos Jesuítas. Coimbra. Imprensa da Universidade. 1913. In-8º de LXXXI, 148 págs. Br. Pouco frequente. Ilustrada com estampas extratexto.

- 560 MARTINS, Rocha. - D. MANUEL II. História do seu Reinado e da Implantação da Republica. Lisboa. Nas Oficinas do ABC. MCMXXXI. In-Fólio de [10], 674 págs. Enc. Edição luxuosa, ilustrada com gravuras no texto e em folhas e em folhas à parte, sendo algumas destas a cores. Encadernação editorial em tela. Bem conservado.

- 905 HISTÓRIA DA REPÚBLICA. Edição comemorativa do cinquentenário da República. Lisboa. Editorial Século. S. data. In-4º de [2] págs. Enc.Edição monumental. Profusamente ilustrada a negro e a cores. Encadernação editorial em inteira de pele. Bem conservada.

Chamamos ainda a atenção para uma curiosa camoneana, onde existem múltiplas obras do autor dos Lusíadas, bem como um conjunto assinalável de obras sobre o mesmo autor e a obra.

O catálogo completo do leilão pode ser descarregado AQUI.

A.A.B.M.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

PROMONTÓRIA MONOGRÁFICA

O número inaugural da revista Promontória Monográfica, (série História do Algarve), vai ser apresentado no Museu do Trajo, em São Brás de Alportel, no próximo dia 16 de Outubro de 2013, pelas 18.30 h. 

O presente número, dedicado à temática da História da Saúde no Algarve, encontra-se dividido pelos seguintes capítulos, e respectivo elenco de artigos científicos:

- INSTITUIÇÕES
- "Os hospitais de Faro", de Aparício Fernandes;

- "A primeira das obras temporais e a Misericórdia de Monchique", de José Gonçalo Duarte

- "Caldas de Monchique: das Águas Sagradas ao Lugar de Bem-Estar - Um esboço da Instituição através das Personalidades Históricas", de Ana Lourenço Pinto;

- "Sanatório Carlos Vasconcelos Porto - Sanatório de uma empresa", de Cristina Fé Santos;

- "A saúde e o apoio social para a infância no Algarve, em meados do século XX: Os Centros de Assistência Social Polivalente", de Marco António I. Santos


- PERSONALIDADES
- "Francisco Fernandes Lopes, um invulgar médico olhanense", de Andreia Fidalgo;

- "Vida e obra do Dr. João Dias", de Maria Victoria Abril Cassinello

- "Dr. Medeiros Galvão - Uma vida consagrada à saúde pública", de Pe. Afonso da Cunha Duarte;


- VÁRIA
- "José de Beires e os Relatórios do Governo Civil - Fontes para a História da Saúde", de Cristina Fé Santos;

- "O Registo Clínico no Sanatório de Carlos Vasconcelos Porto", de Marisa Caixas

- "Os bons ares do barrocal algarvio: a tuberculose em ferroviários internados no Sanatório Carlos Vasconcelos Porto", de Vítor Matos e Ana Luísa Santos;

- "Radiologia, Arte e Arqueologia no Algarve - Principais estudos. Uma nova forma da Radiologia interagir com a Comunidade", de Jorge Justo Pereira;

- "Processo(s) de patrimonialização e musealização em dois espaços de saúde no Algarve", de Dália Paulo.

Um conjunto muito interessante e até diversificado de assuntos relacionados entre si pela temática geral da saúde. Uma revista desenvolvida pela Universidade do Algarve, com contributos que nos parecem muito importantes para melhorar o conhecimento que existe sobre a temática da saúde e de alguns dos seus protagonistas na região, bem como algumas das instituições mais duradouras.

A acompanhar com toda a atenção e a todos os que colaboram na revista desejamos o maior sucesso, ficando a aguardar por novas iniciativas semelhantes no futuro.

A.A.B.M.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

MANUEL RIBEIRO: O TRABALHO E A CRUZ


EXPOSIÇÃO sobre MANUEL RIBEIRO até ao dia 18 de Outubro em ÉVORA

LOCAL: Biblioteca Geral da Universidade de Évora, Évora;
ORGANIZAÇÃO: Biblioteca Municipal de Beja José Saramago e Gabriel Silva (CEL)

… Uma mostra que pretende homenagear Manuel Ribeiro, um dos mais prestigiados escritores portugueses do início do século XX, nascido em Albernoa, concelho de Beja.

(…) Poeta, romancista, jornalista, activista político e também um dos mais destacados militantes anarco-sindicalistas da Primeira República, foi um dos percussores do Neo-realismo e também um dos primeiros escritores a introduzir na literatura a linguagem e as vivências da cultura alentejana.

Nesta exposição divulgam-se documentos inéditos do espólio de Manuel Ribeiro, depositado na Biblioteca Municipal de Beja – José Saramago.

Este trabalho resulta da colaboração entre Gabriel Rui Silva, investigador do Centro de Estudos em Letras da Universidade de Évora, que se tem dedicado ao estudo da obra deste escritor, tendo publicado “Manuel Ribeiro, o romance da fé”, em 2011 e “Rosa Mística e outros poemas”, obra inédita de Manuel Ribeiro, em 2013.

A exposição, patente até 18 de outubro na Biblioteca Geral da Universidade de Évora, conta com a organização da Biblioteca Municipal de Beja – José Saramago e Gabriel Rui Silva (CEL – Universidade de Évora)" [LER AQUI]

J.M.M.

I COLÓQUIO REPÚBLICA E REPUBLICANISMO (Parte II)


No sábado, dia 5 de Outubro de 2013, a sessão iniciou-se com a intervenção do Professor Norberto Cunha, analisando alguns aspectos da personalidade controversa e com um percurso sinuoso, que João Chagas, em 1914, considerava "Simplesmente vergonhoso". Apresenta-nos as ideias mais estruturantes do pensamento de Brito Camacho e os autores e temas que mais o marcaram no seu percurso pessoal e político. A influência que sobre ele exerceram os autores ligados ao positivismo, que eram analisados na Escola Médica de Lisboa, o papel de pensadores como Spencer, Darwin e outros que lhe permitiram fazer alguma evolução do seu pensamento. O perturbante, mas inevitável tema da eugenia social e os efeitos que teve em todo um conjunto de políticos do início do século XX. A questão do determinismo e o problema da questão social foram temas analisados com algum detalhe durante a intervenção, bem como a acção política e as posições que foi assumindo ao longo do tempo. Nesse aspecto, a interpretação do Professor Norberto Cunha aponta no sentido de uma evolução em função do contexto que se ia alterando. Assim, Manuel de Brito Camacho foi, em alguns aspectos, um político coerente, mas há necessidade de conhecer melhor as suas ideias e a evolução das mesmas.

De seguida, o Professor Maurizio Ridolfi apresentou uma reflexão acerca dos modelos e culturas republicanas no Sul da Europa, analisando em alguns pontos aquilo que existe em comum entre a Itália, a França, a Espanha e Portugal. Referiu que os estudos sobre a República são plenos de actualidade e, em Portugal, suscitou a discussão e a reactualização dos estudos sobre a República na contradição entre democracia e autoritarismo. Referiu-se ao temas dominantes na historiografia e nos modelos culturais que são transversais aos diferentes países, como por exemplo: o federalismo, o feminismo, a influência da (s) revolução (ões) de 1848 e a importância da escola. Alertou para para a necessidade de esses estudos serem cada vez mais aprofundados e sobretudo vistos numa perspectiva comparativa. Analisou ainda a questão da difusão da cultura republicana: os pontos de unidade, a simbologia utilizada, as personalidades veneradas, a linguagem política, a afirmação do espaço urbano em contraponto ao espaço rural, as cerimónias cívicas, as homenagens e centenários foram ainda tema da reflexão. Concluiu reforçando a necessidade de se realizarem mais estudos nos diferentes campos, mas sobretudo tentando reforçar as análises comparativas locais, regionais e nacionais que são muito importantes para se perceber os traços comuns e a diversidade entre os diferentes espaços.

Seguiu-se depois um período de sessões simultâneas. Assistimos ao painel dedicado à República e Império, onde foi possível perceber como as ideias republicanas começam a circular em Angola a partir de 1880, com a investigadora Cristina Portella. Refere-se aos principais jornais que contribuiram para a difusão do ideário republicano em Angola. De acordo com a investigação realizada localizaram-se 16 jornais republicanos que se publicam na antiga colónia portuguesa, dos quais 12 eram dirigidos por mestiços e negros, que se auto-intitulavam "Filhos do País". Eram uma elite intelectual, cultural, económica e política que se situava sobretudo na região de Luanda, que criticavam a Monarquia e as suas opções e defendiam claramente uma ideia de progresso que para eles se encontrava no regime republicano. Entre os percursores na imprensa dos propagandistas republicanos vamos encontrar José de Fontes Pereira, José de Macedo e Júlio Dinis que colaboravam/dirigiam jornais como O Futuro de Angola, A Província, O Arauto Africano. Nestes órgãos da imprensa republicana já é possível encontrar algumas questões nacionalistas, bem como temas conexos que conduziram, na quase totalidade dos casos ao encerramento forçado dos órgãos da imprensa escrita por parte das autoridades monárquicas portuguesas do tempo.

Na intervenção de Pedro Godinho subordinada ao tema Fomento e Colonialismo: a organização dos serviços de Obras Públicas do Ministério das Colónias durante a República, destacou-se a análise institucional e regulamentadora produzida pelos dirigentes republicanos para conseguirem resolver algumas situações organizacionais que se sobrepunham. Nesse sentido o investigador apresentou um interessante percurso das reformas empreendidas pelos vários Governos e, sobretudo, a questão das Obras Públicas no organograma do Ministério das Colónias. A sua evolução nas reformas que tiveram lugar em 1911, 1918, 1920 e 1924, quando se cria o Conselho Superior de Obras Públicas e Minas, que veio a vigorar até à importante reforma do referido Ministério em 1936, quando estava institucionalizado o Estado Novo.

O Professor José Luís Lima Garcia apresentou uma conferência intitulada República e Império: Utopia ou anacronismo?. Dessa interessante conferência retiram-se alguns pontos que nos chamaram a atenção. A questão do discurso demagógico utilizado pelo Partido Democrático, que controlava o poder, que propagandeava um conjunto de ideias que depois não conseguia concretizar. Alerta para a importância da legislação produzida em Agosto de 1914 e o problema da sua aplicação no contexto de uma época que já era marcada pela Grande Guerra. Por outro lado, evoca a tentativa centralizadora de Sidónio Pais que revoga a legislação anterior e volta ao centralismo das decisões em Lisboa. Explica alguns dos principais problemas que produziu a questão da nomeação dos comissários coloniais e o seu papel, recordando a acção de Norton de Matos e de Brito Camacho que são enviados já no período pós-guerra, mas que poucas alterações estruturais conseguiram introduzir. Conclui alertando para a contradição apologética entre os problemas do contexto da época e os micro-contextos regionais que tornam muito complicadas as mudanças que se queriam nalguns casos introduzir.

Ainda neste painel interveio a investigadora Célia Reis, analisando a questão da Revolta de Satari, em 1912. Começou por explicar que estas revoltas no território português na Índia foram relativamente frequentes com revoltas mais ou menos conseguidas em 1895 e 1901, mas que acabavam quase sempre em situações de perdão por parte da autoridades portuguesas. A palestrante alertou para a questão do contraste civilizacional muito grande entre as várias regiões da Índia para poder situar a questão de Satari. As descrições da época mostram uma região inculta, de assassinatos, roubos e pilhagens, de falta de falta de civilização que se destacavam naquela área territorial. O problema começa com a questão das alvidrações (espécie de sistema de aforamento) dos terrenos do Estado. A situação seria vigiada pelos regedores que por sua vez informariam o governador da taxa a aplicar em cada terreno sujeito a alvidração. Normalmente essa taxa rondava os 15% do rendimento da colheita, mas haveria sempre a possibilidade de alguns desmandos das autoridades. Assim, Gonçalo Cabral, que era um dos envolvidos na questão acaba por ser acusado de utilizar mão-de-obra local que depois não pagaria. As populações locais revoltam-se contra esta situação. Em Portugal, no Parlamento, Gouveia Pinto trata a questão das ocorrências na Índia. Nessa altura, as autoridades portuguesas anunciam e fazem eco da estratégia portuguesa ter sido alterada e já não existirem situações de perdão como no passado. Existem confrontos militares envolvendo algumas colunas onde participam soldados que já tinham experiência em África, que agora iriam aplicá-las na Índia. A estratégia dos revoltosos consiste em ataques de guerrilha, roubos, saques, incêndios que provocam preocupação. O Governador Colonial nomeia comandante das tropas o capitão Velez que consegue capturar alguns dos envolvidos nos acontecimentos, outros refugiam-se noutras regiões da Índia e a revolta passado pouco tempo é considerada dominada.

Por último, a intervenção da professora Lia Ribeiro, abordando a questão "Sob o Signo de Marianne- o ensino no universo da popularização republicana". Tema que segundo a autora muito do seu agrado porque se assinala também a 5 de Outubro o Dia do Professor, porque é professora e porque se considera republicana. A sua apresentação consistiu na escolha dos principais temas do ensino republicano, feito nas escolas controladas pelo republicanos ainda antes de se estabelecer a República. Analisa a questão da História e dos Grande Homens que o ensino republicano procurava exaltar. Recordando a questão do laicismo, da separação da Igreja das questões do ensino e mostrando a necessidade de fazer a ligação às festividades que os republicanos começaram a tentar introduzir, como foi a questão do Dia da Árvore. Mas, realçou, e bem, que esta questão era já um ritual que vinha de França e que estava a chegar a Portugal através do ideário republicano. Salientou ainda que para conseguir passar a sua mensagem, o ensino republicano assentava num conjunto de pressupostos que já tinham sido desenvolvidos em França e que se tentava aplicar num quadro e num contexto diferentes. Concluiu que o papel do ensino foi fundamental para conseguir atingir camadas da população que até ali não tinham proximidade com essas ideias e que elas desenvolveram um conjunto de novas capacidades e competências, aliando também a maior experimentação nas escolas a uma necessidade de contacto com a Natureza, agora explicada cada vez mais racionalmente.

Na sessão da tarde de sábado, registam-se as intervenções do Professor Joaquim Romero Magalhães dedicada às rebeliões monárquicas contra a República em 1911 e 1912. Falou também o professor Ernesto Castro Leal sobre o movimento da Seara Nova na criação dos chamados governos técnicos, com realce para Álvaro de Castro. Àngels Carles-Pomar referiu-se aos inimigos da I República Portuguesa, nas diferentes áreas políticas. Paulo Bruno Alves abordou o papel da imprensa católica, referindo-se à oposição quase sistemática de jornais católicos sobre a governação republicana ao longo de todo o período da República. Eunice Relvas analisou os resultados das eleições municipais em 1925, os diferentes partidos que concorreram, os principais vencedores e vencidos. Por último, o professor Paulo Filipe Monteiro apresentou o projecto do filme/documentário sobre o Presidente da República, Manuel Teixeira Gomes, o seu percurso, a sua acção e o mistério do seu abandono da vida política, bem como a sua acção político-cultural durante o fascismo, tendo culminado com a trasladação dos seus restos mortais para a sua terra natal (Portimão) em 1950.

Em conclusão foi um fim de semana pleno de conhecimento sobre a I República, haveria certamente outros temas que faltaram no debate como a questão da literatura e da arte(s), outras questões poderiam ainda ser suscitadas. Foi uma organização que correu de forma positiva, com algumas intervenções muito interessantes, que foram desde a história local, à regional, passando por alguns dos grandes temas da República em Portugal. Uma iniciativa que se saúda e que esperemos que o Centro República continue a impulsionar e a realizar nos próximos anos e, já agora, que as actas do colóquio consigam ser publicadas.

A.A.B.M.

SALAZAR, PORTUGAL E O HOLOCAUSTO, DE IRENE PIMENTEL E CLÁUDIA NINHOS

No próximo sábado, 12 de Outubro de 2013, pela 15.30h, no Espaço Memória dos Exílios, em Cascais, vai proceder-se à apresentação da obra Salazar, Portugal e o Holocausto, da autoria de Irene Pimentel e de Cláudia Ninhos.

A apresentação da obra está a cargo do Professor Doutor Fernando Clara.

Uma obra com um tema deveras interessante e que pode garantir uma sessão enriquecedora para todos os presentes, pela troca de ideias que pode suscitar e pelas interpelações que podem ser feitas às autoras da investigação que resultou neste livro.

Uma sessão a acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

I COLÓQUIO REPÚBLICA E REPUBLICANISMO (Parte I)




Realizou-se em Coimbra, ao longo de dois dias (4 e 5 de Outubro) um importante e interessante colóquio dedicado à temática da República e do Republicanismo, resultante da parceria de dois centros de investigação: o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra e o Instituto de História Contemporânea, da Faculdade de Ciências Sociais de Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

A organização do evento foi assegurada pelos seguintes investigadores do CEIS 20: António Rafael Amaro, João Paulo Avelãs Nunes e Vítor Neto. E pelo IHC estavam presentes: Luís Farinha, Maria Fernanda Rollo e Ana Paula Pires.

Com alguns investigadores estrangeiros como Ángel Duarte, Jon Penche, Sergio Sánchez Collantes, Unai Belaustegi, Gilda Nicolai, Àngels Carles-Pomar e Maurizio Ridolfi que suscitaram problemáticas interessantes, apresentando perspectivas novas e fontes menos acessíveis aos investigadores portugueses.

Das sessões a que nos foi possível assistir, iniciamos no dia 4 de Outubro, com a conferência do Prof. Luís Reis Torgal sobre a questão dos feriados, em especial a questão da “ressurreição” do 5 de Outubro, depois da morte imposta por decreto, como foi dito “por omissão”, porque deixaram de constar nos feriados nacionais obrigatórios. No entanto, o professor Torgal chamava a atenção para as várias alterações que foi sendo necessário introduzir para se chegar ao modelo que esteve em vigor até agora e que, este ano, sofreu as alterações que se conhecem. Em especial as de 1948 e as de 1952, sendo que neste ano surgem as festividades claramente religiosas e desaparecem alguns feriados cívicos.

Depois de algumas intervenções, comentários e questões, prosseguiram os trabalhos com a reflexão de João Esteves, sobre a questão “Mulheres, República e Republicanismo”. Uma intervenção marcada pela análise das recentes publicações que abordam o universo feminino e a sua intervenção em eventos políticos, sociais e económicos durante a I República, estudos que por vezes se apresentam como se fossem estudos pioneiros quando, na verdade, demonstram um conhecimento diminuto sobre aquilo que já se publicou sobre o tema. As mulheres, na opinião deste historiador do universo feminino, sempre estiveram presentes em todos os eventos, mas por vezes a sua participação não foi devidamente valorizada. Hoje assiste-se ao problema de se recorrer de forma quase sistemática às mesmas fontes, falar sobre as mesmas personalidades e as mesmas ideias. Elas foram determinantes em alguns aspectos do regime republicano, mas não se pode esquecer que eram fortemente minoritárias, letradas e urbanas (por ex. as professoras primárias).

De seguida, a Professora Fátima Nunes e Quintino Lopes apresentaram um contributo com base nos “congressos, republicanismo e construção de identidades”, partindo sobretudo o papel de Mendes Correia nesse período. Referem-se alguns dos congressos que se realizam nessa época e o papel que desempenharam no contacto com o conhecimento científico do estrangeiro e na vulgarização de algumas descobertas feitas pelos investigadores portugueses. Nesta altura, a atenção tem sido muito centrada nos congressos de antropologia e arqueologia (mas não o eram em exclusivo) que recebiam apoios da Junta de Educação Nacional para viagens ao estrangeiro.

O Professor António José Queirós apresentou uma investigação em curso sobre “O Republicanismo Português em meados do século XX”, focado em particular na figura de José Domingues dos Santos. Começa por explicar a questão do anticomunismo entre os republicanos portugueses que, nos anos trinta, passaram por França e, sobretudo, à falência da tentativa de dinamizar a Frente Popular Portuguesa em França. A esse propósito esclareceu uma citação que por vezes aparece, na sua opinião, erroneamente citada, quando Salazar afirma que realizaria “eleições livres em Portugal, tão livres como na livre Inglaterra”. Afirmação feita numa entrevista que concedeu a O Século e ao Diário de Notícias. Porque esta afirmação foi feita a quatro dias da realização de eleições (14 de Novembro de 1945) quando Salazar já sabia que toda a oposição tinha desistido de ir a eleições. Refere-se ainda a todo um conjunto de organizações criadas ou participadas por republicanos em meados do século XX.

Na última sessão de dia 4 de Outubro, a que tivemos oportunidade de assistir, apresentaram as suas comunicações a Doutora Teresa Nunes que analisou “A questão da propriedade na Assembleia Constituinte de 1911”. A este propósito analisou os diferentes documentos que deram entrada no período de discussão da Assembleia Constituinte referindo-se em particular aos projectos de Brito Camacho, de Sebastião de Magalhães Lima, de Fernão de Boto Machado, António Macieira, José Barbosa, Ezequiel de Campos e Tomás Cabreira. Procedeu a uma análise e leitura comparativa e analítica dos diferentes projectos, procurando encontrar traços comuns e principais pontos de divergência entre os múltiplos autores. Por último, procurou perceber os traços fundamentais em cada um dos autores quanto ao problema da fiscalidade sobre a terra e, também, as diversas formas de conseguir o aumento da área cultivada.

Falou de seguida, Daniela dos Santos Silva sobre a questão da política assistencial da I República Portuguesa perante um problema preexistente. Sobre a questão da interferência do Estado na esfera de acção das Misericórdias. Analisa a produção legislativa sobre o tema e as várias repartições que vão interferir na assistência à população. Por fim, chega a algumas conclusões sobre a questão como a questão da tentativa de interferência do poder político sobre as Misericórdias, mas a sua eficácia foi muito reduzida. Estas instituições continuaram com a sua autonomia, embora com alguma supervisão por parte do Estado, mas sempre algo limitada.

Apresentou também a sua comunicação João Lázaro, abordando o desenvolvimento das ideias republicanas na Póvoa de Santa Iria. Explicando os vários contextos administrativos por onde passou a freguesia ao longo do tempo. Aborda as iniciativas republicanas e da propaganda republicana que tiveram lugar na localidade bem como as ligações que existiram entre alguns dos líderes locais do partido com figuras de âmbito nacional. Refere-se ainda à ascensão social e política de algumas personalidades políticas locais ao plano administrativo concelhio.


Por último, David Luna de Carvalho alertou para a importância dos números das revoltas que ocorreram durante a I República. Recolhendo cerca de um milhar de referências de “alevantes” que se desenvolveram pelo País, em especial no período entre 1910 e 1917. Com esses dados foi possível fazer um tratamento estatístico claro sobre as preocupações que dominavam essas revoltas. Por outro lado, alertou ainda para a necessidade de aprofundamento deste trabalho para o período final da República para se perceber se as razões apresentadas seriam as mesmas que na fase inicial, onde se chega à conclusão que não razões fundamentadas para se falar em “guerra religiosa” no País. Houve alguns episódios, mas não foi um problema generalizado, nem atingiu dimensões tão alarmantes como a questão social ou política.

[em continuação]

A.A.B.M.

domingo, 6 de outubro de 2013

ALMOÇO REPUBLICANO DE COIMBRA - 5 DE OUTUBRO DE 2013

Hoje, juntaram-se em Coimbra, cerca de seis dezenas de cidadãos e cidadãs, de várias regiões do País, para assinalar o 5 de Outubro e comemorar a data da Implantação da República, organizada pelo Movimento Republicano 5 de Outubro.

Cerca das treze horas os convivas foram-se juntando. Sendo anfitriões iniciais o José Dias e a Anabela Monteiro que nos receberam  e procederam às apresentações iniciais de todos os presentes. Estavam, como seria de esperar, em maior número os residentes em Coimbra e arredores, mas havia também elementos que vieram de Mortágua, de Penacova, Arganil, Condeixa-a-Nova ou Figueira da Foz. Destacaram-se os elementos que vieram de mais longe como Sintra, Salvaterra de Magos ou outras localidades que se juntaram aos elementos do Movimento Republicano 5 de Outubro nesta jornada pela preservação da memória e evocação dos acontecimentos de 1910.

Depois de saborear a refeição que foi servida pelo Restaurante "Cantinho dos Reis" e, enquanto se saboreava o café e os digestivos, alguns dos presentes tomaram a palavra. Os convivas de forma tolerante e fraterna trocaram e emitiram opiniões sobre alguns aspectos que lhes aprouve, demonstrando a pluralidade de opiniões que existem entre os republicanos, que em alguns aspectos pensamos nós, podem ser sinais da nossa fragilidade para alguns ou, para outros, a nossa maior riqueza e capacidade de aceitação da diferença de opiniões.

Fernando Fava recordou a data, a importância dos feriados e a sua simbologia, dando particular enfoque ao de 5 de Outubro, mas lembrou a importância e a responsabilidade histórica das datas que se transformaram em feriados. O 5 de Outubro como festividade cívica, laica e de rememoração dos acontecimentos, lembrando a necessidade de avivar a memória, não só sobre a data, mas também e sobretudo para toda a simbologia que envolve a implantação da República. Termina com os vivas à República.

Segue-se no uso da palavra Carlos Esperança que relembra o papel dos heróis da Rotunda, de Machado Santos e dos seus homens, alerta para os perigos cada vez mais em voga de nos tornarmos um povo sem memória, porque não valoriza o seu passado. Recorda ainda o papel que desempenharam a Maçonaria e a Carbonária nos acontecimentos de há 103 anos. Defende que o regime republicano trouxe uma maior igualdade entre classes sociais porque terminou com os títulos nobiliárquicos e estabeleceu a ponte entre o 5 de Outubro de 1910 e o 25 de Abril de 1974, identificando algumas causas em comum, ou pelo menos algumas das ideias que podem aproximar ambos os acontecimentos. Lembra então, com emoção, a figura do amigo, do militar de Abril e de homem bom e justo que foi o general Augusto Monteiro Valente e o seu papel na luta pela concretização dos ideais de Abril. Advoga para o País um estado republicano, laico e democrático. Manifestando também a sua revolta e tristeza com a actual situação política e contra a falta de memória da maior parte dos nossos principais actores políticos. Por fim, verbaliza de forma decidida a maldição daqueles que atraiçoaram o 5 de Outubro e os seus objectivos, daqueles que traíram de forma deliberada e impune a memória de 1910.

De seguida, José Dias lembrou os trabalhos do Movimento Republicano 5 de Outubro nos próximos tempos e pelo menos até Outubro de 2014, evocando quatro momentos que vão ser assinalados, pelo menos projecta-se evocar o 31 de Janeiro, quadragésimo quinto aniversário da Crise Académica de 1969, que alguns dos presentes viveram de forma intensa, o quadragésimo aniversário do 25 de Abril e ainda as comemorações do Congresso Republicano de Aveiro, onde também alguns dos presentes estiveram envolvidos. Além disso, permita-se-nos também lembrar uma outra efeméride que se avizinha e que convém evocar, porque se assinala o Centenário do Congresso do Partido Republicano Português, realizado na Figueira da Foz, em Maio de 1914. O orador recordou anda e apelou para a importância de se participar nas comemorações do 25 de Abril, criando um movimento de cidadãos que percorra a região evoque e explique o 25 de Abril, que realce os valores e os factos que estavam em questão na altura da revolução que trouxe a Democracia depois de 48 anos de Ditadura. Salientou, nessa altura, o trabalho realizado pelos membros do movimento que participaram em 75 iniciativas aquando das comemorações do Centenário da República, com todas as dificuldades e carências que estas iniciativas cívicas transportam e pelo altruísmo que sobressai de quem as realiza.

Registaram-se também intervenções de Rosa Lopes Ribeiro, de Horta Pinto, Jorge Antunes, Marco da Raquel e de um cidadão de Sintra onde houve múltiplas referências ao momento actual da vida política portuguesa, ao aumento da pobreza, ao descrédito da classe política e também se referiu a ausência de algumas personalidades que seria esperado que estivessem presentes neste almoço e que se mostraram indiferentes ou mesmo indisponíveis para participar no mesmo.

Por fim, e aguardado por muitos, a intervenção de Amadeu Carvalho Homem. Começa por homenagear de forma emocionada dois amigos e dois democratas: Augusto Monteiro Valente e Alberto Vilaça. Com voz embargada de emoção recordou Monteiro Valente, que também integrou o Movimento Republicano 5 de Outubro, e na presença da viúva lembrou alguns dos traços da personalidade do militar. Lembrou também o advogado e militante comunista Alberto Vilaça que, sabendo das diferenças ideológicas entre ambos, o convidou para apresentar uma das suas obras. De seguida, parte para a análise dos acontecimentos de 1910, das suas causas e sobretudo do seu significado cultural, cívico e político. Lembrou a importância da memória colectiva de um povo, da sua História e do papel que desempenha na formação de uma Nação. Recorda os valores da Revolução Francesa e o seu papel na evolução histórica da Humanidade. Apela à participação de todos, mas também faz referências às ausências notadas, aos que seria suposto estarem presentes e não compareceram à chamada, no fundo, e reforçando a ideia de outros oradores, de se estar no papel do maratonista que sabe manter uma cadência, um ritmo, uma intervenção que se quer contínua e não somente episódica. Sublinha, pessoalmente, a sua fraca capacidade, mas reconhece que em conjunto com outros elementos, e outras vontades, é possível fazer um trabalho que pode ser importante de recuperação da memória, de participação cívica e de descoberta dos fundamentos da liberdade.

Foi uma jornada interessante, com algumas surpresas e imprevistos, onde notamos um trabalho de organização que nos merece elogios, onde se salientam os valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, como pilares de formação de muitos dos presentes. Mostra como com poucos meios, boas vontades e espírito de maratonista se pode pegar numa ideia, fazê-la ganhar forma e transforma-la em realidade. Certamente que ainda não terá correspondido às expectativas que alguns ambicionariam, mas mostra que há um caminho que está a ser percorrido, que no pluralismo das ideias existem pontos que comuns que tornam a IDEIA, num projecto que pode ser concretizado e, a nosso ver mais forte. A LIBERDADE na sua dimensão mais ampla e a capacidade realizadora do Homem podem e devem produzir transformações na vida em comunidade e, por consequência, na vida política.

Uma iniciativa que se saúda e que esperemos que se alargue a outros pontos do País, pode ser um exemplo positivo para outros núcleos e movimentos que existem que continuam, apesar de já não ser feriado nacional a assinalar a data e a lembrar o que foi, porque foi feita e por quem foi feita a REPÚBLICA.

VIVA A LIBERDADE! 
VIVA A REPÚBLICA! 
VIVA PORTUGAL!

A.A.B.M.




sábado, 5 de outubro de 2013

UMA BOFETADA NA REPÚBLICA


“Os Centros Republicanos sempre comemoraram o 5 de Outubro. Sempre junto à estátua de António José de Almeida, quer durante a Primeira República, quer na Ditadura do Estado Novo e agora, ao longo da Segunda República. Mas sempre, arrostando durante a Ditadura com cargas policiais e selváticas.

Agora, acabou-se com o feriado do 5 de Outubro, curiosamente num tempo em que o Sr. Presidente da República louva esta e os seus ideais fazendo apelo à ética Republicana. Os dois anteriores Presidentes, Mário Soares e Jorge Sampaio, também o fizeram e com forte convicção.

Ora, quando os nossos Presidentes assim procedem, a República resulta em exemplo estimulante para os comportamentos que os actores políticos nem sempre, como tal, têm assumido.

Na Ditadura, foi a “República” que aglutinou o combate politico com as intervenções sacrificadas de muitos Republicanos. Os Congressos Republicanos de Aveiro foram disso exemplo notável. A República foi nesses difíceis tempos a voz, o coração e a coragem da Oposição.

O Governo, da República, decidiu extinguir o feriado do 5 de Outubro e ao fazê-lo, pelo menos, está a esquecer os seus fundadores republicanos, já mortos, companheiros de quem nos lembramos agora, Mário Montalvão Machado, Artur Santos Silva, José Augusto Seabra, Artur Andrade, Artur da Cunha Leal, Olívio França, Nuno Rodrigues dos Santos, entre outros.

Importa dizer NÃO, por Decência".

[texto via VITRIOL, com a devida vénia - sublinhados nossos] 
 
J.M.M. 

HOMENAGEM A LUZ DE ALMEIDA. VIVA A REPÚBLICA!

 
FOLHETO DE HOMENAGEM A LUIZ DE ALMEIDA [3 OUTUBRO 1927]
 
[via Casa Comum, com a devida vénia]
 
J.M.M.

COMEMORAÇÕES DO 5 DE OUTUBRO


O nosso ideal não é construir um mundo – é apenas construir uma casa – a nossa casa – segundo o plano que nos legaram os arquitectos de 89” [João Chagas]

 
ALPIARÇA:  
11.00 – Homenagem a José Relvas e aos Republicanos. Deposição de Coroa de flores;
COIMBRA:  
13.00 – Almoço do 5 de Outubro (no Cantinho dos Reis) – organização do Núcleo de Coimbra do Movimento Republicano5 de Outubro;
LISBOA 
11.30 – Cerimónia/Evocação do 5 de Outubro e deposição de uma coroa de flores na estátua de António José de Almeida – organização do Grande Oriente Lusitano Maçonaria Portuguesa;
12.30 – Inauguração da Exposição de Raul Rego “Vida Num Percurso na Cidade …”, na Câmara Municipal de Lisboa;
PENACOVA 

15.45 – Deposição de flores no busto de António José de Almeida;

16.00 – Palestra “O 5 de Outubro: nascimento, vida, morte e ressurreição de um feriado nacional”, pelo prof. Luís Reis Torgal;
PORTO 

11.30Romagem ao Cemitério do Prado do Repouso e alocuções várias – organização da Associação Cívica e Cultural 31 de Janeiro;
J.M.M.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

GLÓRIA AOS MORTOS DA REPÚBLICA



"A República, nesta hora, vive pela recordação dos seus grandes mortos

Ergamos religiosamente a sua memória e juremos sobre os seus túmulos sustentar através de todas as vicissitudes a obra que eles souberam construir, á custa de tantos sacrifícios, iluminados pelo mais puro ideal"

in "O MUNDO", 3 de Outubro de 1926 [via casa Comum]

J.M.M.

COMEMORAÇÃO DO ANIVERSÁRIO DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA - OUTUBRO DE 1929



"Panfleto relativo à comemoração do aniversário da proclamação da República e romagem pelos mortos"

Data: Outubro de 1929
via Casa Comum, com a devida vénia
J.M.M.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

ROMAGEM REPUBLICANA AO ALTO DE S. JOÃO (1963)


"Este governo, na treva autista do "excel" que o domina, aboliu feriados com referências identitárias nacionais, ferindo ainda mais a memória e a identidade dos Portugueses. Quero acreditar que um dia, tão breve quanto possível, a ignomínia seja reparada por um novo governo.
A 5 de Outubro costumo homenagear os meus dois Avós, ambos implantadores da República: Luís da Costa Santos, e José Summavielle Soares. Como sempre faço, irei pela manhã ao cemitério do Alto de S. João, e depois à estátua de António José de Almeida.

No tempo do Estado Novo dizer "viva a República!" era suspeito, e dava direito a abertura de ficheiro na PIDE. As romagens de 5 de Outubro ao Alto de S. João, eram normalmente brindadas à saída com cargas policiais a cavalo. Mas é curioso constatar que nem Salazar conseguiu abolir o feriado que esta gente limpou assim, sem "ai" nem "ui" que se notasse, salvo as certas, conhecidas, e honradas excepções.
Na foto abaixo (do arquivo do saudoso Diário de Lisboa), de um 5 de Outubro de 1963, na romagem Republicana ao Alto de S. João, está o meu Avô Luís [... da Costa Santos], então presidente do Centro Republicano António José de Almeida, com o ramo de flores na mão. Tempos duros, em que muita mais gente arriscava nessa manifestação, do que hoje, em Democracia, em que poucos são os que ali, todos os anos, não querem deixar que se apague a memória.... Mas lá estaremos, poucos talvez, mas firmes como sempre, pelos valores que defendemos e queremos honrar.

Viva o 5 de Outubro!
VIVA A REPÚBLICA!"

[Elisio Costa Santos Summavielle - via Facebook, com a devida vénia - sublinhados nossos]

J.M.M.
 

CONGRESSO EM COIMBRA – I REPÚBLICA E REPUBLICANISMO

 

 

I CONGRESSO – I REPÚBLICA E REPUBLICANISMO [COIMBRA]

 


DIAS: 4 e 5 de Outubro;
LOCAL: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra;
 

 
O Centro República tem por missão garantir a preservação e a disponibilização do património digital, bibliográfico e documental produzido e reunido no âmbito do Programa das Comemorações do Centenário da República e realizar iniciativas destinadas a promover a investigação e a elaboração de estudos científicos sobre a I República e o Republicanismo (…)
 
O I Congresso do Centro República [é] organizado pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20), e pelo Instituto de História Contemporânea (IHC) da FCSH – UNL (…)
 
Este importante fórum de discussão aberto e pluridisciplinar, decorridos que foram três anos sobre as comemorações do primeiro centenário da implantação da I República em Portugal, procurará analisar o caminho percorrido pela investigação em resultado das mais recentes conclusões, contribuindo ainda para que, a partir destas, se alargue o espaço de reflexão e de conhecimento sobre o republicanismo enquanto movimento político, ideológico, filosófico e cultural, mas também para que se renovem as interpretações sobre as experiências históricas concretas de afirmação e/ou rejeição do modelo republicano.
 
O encontro I República e Republicanismo reúne intervençõesproferidas por conferencistas internacionais e nacionais convidados, bem como a apresentação de comunicações submetidas através de call for papers
 

 
J.M.M.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

CICLO DE CINEMA LIBERTÁRIO



DIAS: 4, 11, 18 e 25 de Outubro (18 horas) | 6 de Novembro;
LOCAL: Espaço Grandela (Estrada de Benfica, 419, Lisboa);
ORGANIZAÇÃO: Biblioteca-Museu República e Resistência [parceria Tertúlia Liberdade].


J.M.M.