sexta-feira, 11 de abril de 2014

CULTURA HEBRAICA E MAÇONARIA



CONFERÊNCIA: "Cultura Hebraica e Maçonaria

ORADOR: dr. Joshua Ruah;
DIA: 11 de Abril 2014 (19,00 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Sextas de Arte Real”]


Com o advento da maçonaria especulativa, enquanto as Lojas proliferam, os Judeus saem do gueto, beneficiando da introdução de uma forma de sociabilidade fundada na tolerância e, no respeito pela liberdade de consciência, que procura constituir-se como o centro de união de todos aqueles “que poderiam ter continuado a ignorar-se”.
Existem referências da admissão de alguns Judeus, na Grande Loja dos Modernos, incluindo a Constituição da Grande Loja dos Antigos, Ahiman Rezon, disposições específicas para os Irmãos que praticavam esta religião.


São, de resto, numerosos os exemplos de personagens significativas da história da Maçonaria que foram de origem hebraica. Entre outros exemplos, recorde-se que dos nove Irmãos que integraram o primeiro Supremo Conselho do 33º Grau quatro eram Judeus, sendo também de origem judaica os fundadores do Rito de Misraïm e, um dos pais-fundadores da maçonaria rectificada.


As referências veterotestamentárias são numerosas nos ritos maçónicos. As palavras hebraicas, ou inspiradas no hebreu, são muitas, em todos os graus da maior parte dos sistemas. Por outro lado, muitos rituais maçónicos fundamentam-se em conceitos cabalísticos, de clara inspiração hebraica, reflectindo-se os mesmos nos procedimentos litúrgicos, nas construções simbólicas e, na própria disposição dos oficiais em Loja.


Nos domínios do anti-semitismo e, do anti-maçonismo, existe uma linha convergente, que tende a atribuir uma conotação comum a estas duas correntes de pensamento, gerando assim o mito da “Grande Conspiração Judaico-Maçónica”.


Pretende-se, pois, aprofundar todas estas questões, identificando sincretismos que a maçonaria possa ter recolhido na cultura hebraica e, aprofundando historicamente os caminhos paralelos que possam ter sido percorridos por estas duas linhas de pensamento”.

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.

terça-feira, 8 de abril de 2014

ARTUR INEZ (1898-1968)


Artur Lopes Inez nasceu em Lisboa, a 5 de Dezembro de 1898. Tipógrafo, tal como o seu irmão António Lopes Inês [que escrevia, com o pseudónimo de “Antero Lima”, no jornal anarquista “A Batalha” – cf. Jacinto Baptista, “Surgindo vem ao longe a Nova Aurora”, p. 188], começou a sua brilhante carreira jornalística no periódico “A Pátria” [dirigido por Nuno Simões], em 1921. E “repórter ficaria toda a vida” [cf. Diário de Lisboa, 8 de Março de 1968].
Antes mesmo de abraçar o jornalismo, colabora (1919) na revista literária “Trova Popular” [cf. Dicionário Cronológico de Autores Portugueses], publicando “crónicas, versos e letras de fado”, algumas sob o pseudónimo de “Rui de Salvaterra”. Data de 1920 a publicação do seu livro de versos, “Sol de Outono”.   

Novelista, crítico de teatro, e também poeta, foi com a paixão do jornalismo, das artes gráficas e do “jornal popular” que Artur Inez se revelou, sentindo “o jornalismo como povo que era, sem jamais renegar a sua origem e sentindo-se bem entre o povo humilde, sofredor, espezinhado muitas vezes, mas sem jamais estender a cerviz ao cutelo do algoz” [ibidem]. Foi jornalista “desportivo, noticioso, jornalista político e revistas consumiram este homem alegre, combativo, franco e lhano, atacando o adversário a que era capaz de estender a mão de amigo” [ibidem].
Jornalista democrata e republicano, pertenceu ao jornal “A Pátria”, passando, depois, para a redacção do jornal “O Século”, “A Capital”, “Rebate”, “Diário da Tarde” “Republica Portuguesa”, jornal “O Povo” (1928 – era dirigido por Ramada Curto). Foi chefe da redacção de “Os Sports” [em 1924, curiosamente teve, entre outros, como colaboradores do jornal, Henrique Galvão, João Pinto de Almeida, Artur Santos, Armando Ávila. Data de 16 de Março de 1924 uma jornada futebolística patrocinada pelos classe jornalística da capital, onde Artur Inez fez equipa com Cândido Oliveira, Belo Redondo, Felix Bermudes, enfrentando o “Carcavelos Club” – cf. Francisco Pinheiro, “História da ImprensaPeriódica Portuguesa (1875-2000)”], do “Diário Popular” e do diário “República” [em 1945, em substituição de José Ribeiro dos Santos e nesse lugar permaneceu durante 12 anos, tendo-se afastado por doença].

A sua colaboração nos jornais desportivos [cf. Francisco Pinheiro, ibidem] é vasta, estando na fundação da revista “Eco dos Sports
[nº1, 7 de Março de 1926 – refira-se que na qualidade de director e jornalista, Artur Inez, juntamente com “mais de 80 jornalistas”, esteve presente, no início de 1929, no apoio e solidariedade com Félix Correia, jornalista do Diário de Lisboa, preso por “ter desrespeitado as indicações da Censura”, conforme fotografia publicada na p. 7 do jornal do dia 10 de Fevereiro de 1929, onde se vê à entrada da cadeia, Artur Inez, Cândido de Oliveira (na altura director de “Os Sports”) e o próprio Félix Correiacf. ibidem];

colaborou no semanário “Jornal de Sports” (nº1, 1 de Maio de 1927); é o fundador e editor da revista desportiva “O Az” [nº1, 14 de Outubro de 1928]; colabora no semanário desportivo “Futebol” [nº1, 9 de Fevereiro de 1935, que tinha como director Moreira Rato e o ilustrador, Vasco].
 
Artur Inez funda e dirige [até 4 de Agosto de 1935] o importante semanário de crítica literária e artística, “O Diabo” [nº1, 2 de Junho de 1934 – ver AQUI], curiosamente um dos primeiros periódicos literários. Pertenceu à Associação dos Trabalhadores de Imprensa, foi director do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa, dirigente de Caixa de Previdência de Profissionais de Imprensa de Lisboa (Casa da Imprensa) .
Polemista desassombrado, publica no jornal República (1945) uma réplica ao artigo de António Ferro, "A Morte do Sebastianismo”, que foi depois editado em [raro] folheto com o título “Oiça, António Ferro” [44 p.], com carta-prefácio de Ribeiro de Carvalho [1ª e 2º ed., Imprensa Beleza, 1933; 3º ed., 1935].

… Nós não pertencemos ao número, elevado por sinal, dos que o consideram simplesmente um imbecil que passa horas trágicas e aflitivas curvado sôbre a sua secretária do Notícias, de mãos fincadas nos parietais, suando, bufando em busca dum adjectivo salvador e bonito.
Não pertencemos a êsse número, porque o sabemos razoavelmente inteligente, embora de raciocínio lento e de precária realização verbalista, ainda que os seus panegiristas imaginem ou digam o contrário.

O senhor, Ferro, é um torturado da forma, que leva duas horas para escrever um período de quatro linhas que levou quatro horas a raciocinar... E nem sequer é original! (...)
O leitor que me perdoe. Fui mais longe do que queria. Com esta facilidade de escrever com que o destino me dotou, fui por aqui fora e não consegui responder ao Ferro.

Deixá-lo. Já agora não respondo. É que entrou, neste instante, no meu gabinete, um camarada a dizer-me que o 1936, da 8.ª esquadra, sem que o chefe lhe encomendasse o sermão, estava ontem, na Baixa, de chanfalho na dextra a arrancar das paredes alguns exemplares do jornal onde lhe ferrei aquela trepa que o deixou a pão e laranjas.

Ora como posso eu responder ao amigo e correligionário do 1936 da 8.ª esquadra? Nessa não caio eu...” [in Oiça, António Ferro” - AQUI]
Publicou várias obras: “Sol de Outono” (1920), “La Intrusa” (1923), “António Luís Lopes, o Cavaleiro Ribatejano” (1930 – com o pseud. de Rui Salvaterra), “Um bodo Indecoroso. A Burla do Açúcar” (1933 – obra muito polémica na época), “Torel Norte. 5853. Reportagem de Rua” (1934 - policial), “Diário de uma Mulher Casada” (1949)

Morre em Lisboa, a 8 de Março de 1968.
J.M.M.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

ALMADA NEGREIROS, REGRESSO AO CHIADO

 
“Os 120 anos do nascimento de Almada Negreiros, que agora se completam, têm constituído pretexto para uma série de manifestações e homenagens que abrangem o artista plástico, o poeta, o romancista, o novelista, o dramaturgo, o panfletário e, simultaneamente, o grupo e a geração de Orpheu, a diversidade de percursos e atitudes que, no seu todo, configuram um momento histórico na procura e afirmação da modernidade.
 
Desde sempre o Chiado e os seus locais mais emblemáticos permanecem associados às múltiplas intervenções de Almada Negreiros. Foi tão íntima e tão longa essa relação física e cultural que do Chiado se poderia dizer que era a sua própria casa, numa Lisboa mergulhada nas guerrilhas da República e numa sociedade imobilizada no seculo XIX e, ao mesmo tempo, com a ambição ilimitada de atingir o mundo para um diálogo com as vanguardas europeias.
 
Partilhou o Chiado com Sónia e Robert Delaunay, quando se refugiaram em Portugal, a fugir a guerra de 14; com Diaguilew e outras figuras dos Bailados Russos que ao chegarem a Lisboa são apanhados de surpresa com a revolução de Sidónio Pais; também num hotel do Chiado, em 1947, falou com Miró, ao passar por Lisboa a caminho de Nova Iorque. O encontro a que também assistiu António Dacosta ficou registado numa fotografia e no Sempre Fixe, na Fita da Semana, de Carlos Botelho.
 
O aparecimento de Almada, como desenhador e caricaturista, decorreu em 1912, no 1.º Salão dos Humoristas, uma exposição coletiva no Grémio Literário inaugurada pelo Presidente da República, Manuel de Arriaga. Em 14 de Abril de 1917 apresentou no São Luís (antigo Teatro República) O Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX – uma explosão de intenções e chicotadas para romper a indiferença e sacudir a rotina. Uma entrega total de energia para mudar o País.
 
Interveio, no Chiado Terrasse, a 18 de Dezembro de 1921, no Comício dos Novos com Gualdino Gomes a presidir, Aquilino Ribeiro na mesa e, entre a assistência perplexa. Foi outra proclamação futurista contra os modelos dominantes. Expôs na Bobone, uma das raras galerias de Lisboa, com tradições oitocentistas; e depois de regressar de Espanha, nos anos 30, fez uma exposição na UP, uma galeria na rua Serpa Pinto, dirigida por António Pedro, onde Vieira da Silva apresentou os primeiros trabalhos.
 
A editorial Ática, fundada por Luis de Montalvor, um dos participantes do Orpheu – e autor do título da revista – teve a primeira sede na esquina da rua do Carmo, com a rua Garrett. Ao lançar, a partir de 1942, a obra ortónima e heterónima de Fernando Pessoa, Montalvor colocou na capa de cada volume um desenho de Almada, um Pégaso, símbolo mitológico e vivo da poesia em movimento.
 
 
A amizade com Fernando Amado incorporou-o na história do Centro Nacional de Cultura ao debater, em 1946, a “posição do artista na sociedade”. Foi um dos escolhidos para decorar a Brasileira do Chiado que, juntamente com o Bristol Club, introduziu em espaços públicos a consagração da arte moderna.
 
A Brasileira, quase até ao fim, constituiu um dos lugares de convívio diário. Almada, ali se envolveu numa aguerrida cena de pugilato com José de Bragança, a propósito da prioridade da descoberta das perspectivas dos ladrilhos que reuniu num políptico os dois trípticos dos Painéis de São Vicente de Fora.
 
E quando não é no Chiado, é nas suas fronteiras que o deparamos, nos seus primórdios ou nos momentos mais exuberantes da sua carreira. Realizou, a primeira exposição individual, em 1913, na Escola Internacional, na rua da Emenda, a dois passos do largo do Calhariz. A Ilustração Portuguesa referiu a exposição, reproduziu alguns desenhos, publicou a fotografia de Almada. O mais importante, contudo, é que atraiu Fernando Pessoa que, escreveu sobre Almada, na revista Águia: “Eu creio que ele tem talento. Basta reparar que ao sorriso do seu lápis, se liga o polimorfismo da sua arte para voltarmos as costas a conceder-lhe inteligência absoluta.” Começou a visibilidade pública de Almada. Mas começou também o convívio e cumplicidade com Pessoa. Abria-se o caminho para o Orpheu. Vai ser ainda no Largo do Calhariz que Almada faz na Liga Naval, em Maio de 1921, a conferência A Invenção do Dia Claro, um ano depois publicada em livro com a chancela da Olisipo, uma das aventuras editoriais de Fernando Pessoa.
 
Trazia a memória escaldante de Paris. Era uma vedeta da primeira página desde o primeiro número do Diário de Lisboa que principiara há um mês e iria durar 70 anos. Almada desdobrava-se em projetos, no desenho, na ilustração, no cinema, no teatro, na dança, no bailado, no afrontamento, direto com os velhos e com os novos, com os valores, os preconceitos, os códigos morais e as cartilhas estéticas e literárias em circulação.
 
N’ A Cena do Ódio – escrita quando residia na Rua do Alecrim, outra fronteira do Chiado – está em paralelo com a desconstrução criativa e o furor épico de Álvaro de Campos, mas atinge outra dimensão n’ A Invenção do Dia Claro. Estabeleceu o reencontro da poesia com o desenho e a pintura; aprofundou a reflexão sobre a linguagem e através dela sobre a existência humana. Entre o vivido e o escrito desvenda as geografias que a imaginação concebeu. Quer, a todo o custo, recuperar os afetos perdidos. A atenção dirige-se para a memória e o quotidiano. A palavra é concisa ou pujante: as coisas mais vulgares surgem transfiguradas.
 
 
Hoje 7 de Abril, o encerramento do ciclo dos 120 anos do nascimento proporciona, no Grémio Literário, um encontro com a presença e intervenção de alguns que conheceram Almada Negreiros e com ele ainda privaram na intimidade. Também José Quaresma, professor da Faculdade de Belas Artes de Lisboa vai promover, a partir de 6 de Maio, e à semelhança dos últimos cinco anos, um conjunto de iniciativas – em que se destacam a personalidade e a obra de Almada Negreiros e o Chiado – no âmbito da reflexão e da produção artística que problematize as origens e a atualidade da dramaturgia e da performance em estreita relação com as noções de Esfera Pública e de Arte Pública.
 
Almada regressa ao Chiado, aos seus cafés, aos seus restaurantes, aos seus teatros, aos seus clubes, às suas livrarias, a outras instituições, às suas próprias esquinas a todo aquele universo que, desde sempre integrou as duas faces distintas da arte, da literatura e da vida: a tradição e a rutura, o antagonismo das gerações em conflito. Para Almada o Chiado constituiu a arena dos grandes combates que travou enfrentando tudo e todos. Para derramar e explodir: “Luz, a luz, tal e qual, que é, presença de cada qual”. Com essa irradiação de luz mudou a arte e a Literatura. Mudou Portugal.”
 
[António Valdemarin jornal PÚBLICO (7/04/2014), sublinhados nossos]
 
J.M.M.

domingo, 6 de abril de 2014

JOÃO ABEL MANTA

 
 
 
JOÃO ABEL MANTA “nasceu em 1928, em Lisboa. É filho dos pintores Abel Manta e Maria Clementina Carneiro de Moura Manta. Formou-se em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (1951), tendo-se dedicado como artista plástico, à pintura, cerâmica, tapeçaria, mosaico, ilustração, artes gráficas e cartoon. Na área da sua formação académica foi o responsável, com Alberto Pessoa e Hernâni Gandra, pelo projecto dos blocos habitacionais da Avenida Infante Santo, referente de qualidade na arquitectura da cidade, com o qual ganhou o Prémio Municipal de Arquitectura (1957). Recebeu ainda o Prémio Nacional da Sociedade Nacional de Belas Artes (1949), o Prémio da Fundação Calouste Gunbenkian (1961) e a Medalha de Prata na Exposição Internacional de Artes Gráficas, em Leipsig (1965).
 
A sua pintura, numa primeira fase neofigurativa e eivada de ironia surrealista, tomou depois uma feição de carácter abstracto. Foi o autor das tapeçarias do Salão Nobre da sede da Fundação Calouste Gunbenkian. No cartoon, utilizando-o como forma privilegiada de retrato da sociedade, evidenciou-se de forma ímpar, sendo os anos de 1974 e 1975, dos mais fecundos da sua produção. Publicou o álbum Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar (1978), síntese de vincada e sofisticada ironia onde o lápis do artista traça um quadro negro, mas preciso, daquele período da nossa história.
 
No contexto da arte pública interveio nos pavimentos de mosaico para arruamentos na Praça dos Restauradores, em Lisboa, e na Figueira da Foz. No campo da azulejaria concebeu em Lisboa os painéis: do restaurante do Hotel da Avenida Infante Santo (1952), da Escola Primária do Alto dos Moinhos (1955) e do revestimento do monumental mural da Avenida Calouste Gulbenkian, aplicado em 1982 (concebido em 1970). Foi ainda autor da série de painéis cerâmicos para o Teatro Gil Vicente, em Coimbra (1955), dos azulejos para os edifícios da Associação Académica de Coimbra (1959), bem como de uma composição geométrica para a Caixa Geral de Depósitos, em Mafra (1972)” [AQUI - sublinhados nossos]
“… Com um grafismo único, meticuloso, os seus cartoons (veja-se por exemplo Turistas, da série Reportagem Fotográfica, 1972) marcaram a época anterior ao 25 de Abril: "Nenhum pintor daqui e de agora resumiu com tantas subtilezas a temperatura social e política do fascismo agonizante". Nesse "inventário doméstico" cabe praticamente tudo: "estão em causa os desastres e os grotescos duma burguesia, a nossa, com os seus emblemas e heróis". João Abel "aponta à História, ao monumento e em particular à procissão provinciana da nossa burguesia intelectual"
 
A sua intervenção pública intensifica-se em 1974 e 1975, logo após a queda da ditadura, lançando-se "à batalha com redobrado ardor, multiplicando-se em caricaturas, posters e cartazes de orientação vincadamente revolucionária", e tornando-se no "artista máximo, talvez o único afinal, que a revolução de Abril suscitou". É o que vemos em desenhos como "Um problema difícil", de 1975, onde um grupo de notáveis – de Marx e Lenin a Gandhi e Sartre –, se interrogam perante um pequeno mapa de Portugal. João Abel Manta "ficará associado dum modo muito particular ao melhor e ao pior que em Portugal vivemos nesses dois anos"
 
A partir de 1976 "o artista alistado João Abel eclipsa-se: os ventos são outros, o MFA (Movimento das Forças Armadas) dissolveu-se", e só em 1978 "emerge do silêncio e lança ao público um […] novo álbum: Caricaturas dos Anos de Salazar", onde "narra uma história – a nossa história […] onde se encaixam, se alternam ou se encadeiam […] o ridículo e a tragédia da colonização e da guerra colonial, o miguelismo e o liberalismo […] a submissão popular e a sua revolta […] o folclore musical e o artesanato, o teatro, o cinema ou a pintura …" [AQUI - sublinhados nossos]
 
J.M.M.


A REVOLUÇÃO NA ILHA DA MADEIRA


LAVRADOR (José) — A REVOLUÇÃO NA ILHA DA MADEIRA. Depoimento para a história da política portuguesa. Editorial Alba (2ª ed.), Rio de Janeiro, 1931, 176 p.
"Refere-se o Autor – cônsul do Brasil – a acontecimentos ocorridos na vila de Machico, na Madeira, entre Fevereiro e Abril de 1931. Foi assim: quando a banca deixa de cumprir as suas obrigações perante os depositantes, por “falta de liquidez”, e quando os monopólios cerealíferos transformam o comércio em pura extorsão das populações, brota o desespero amotinado, com seus confrontos policiais, o saque de lojas e armazéns, etc... Mas uma ilha é como um barco! – Uma ratoeira sem saída, onde ganha o mais forte, aquele que estiver armado até aos dentes. E como o governo salazarista se achou pouco, ainda fez apelo à armada inglesa, a “invencível”.

Das condições pré-revolucionárias existentes na altura diz-nos, a certo passo, o Lavrador:

«[...] O Governo da Dictadura agglomerava de deportados a Ilha da Madeira. Era para ahi, que, depois de ligeiras estadias pelas possessões africanas portuguezas, seguiam, mais por um acto de benevolencia do proprio Governo, todos os chefes de goradas conspirações, de movimentos abortados ou revoluções vencidas.
Havia, entre os deportados, homens publicos notaveis pelo seu saber e de certo renome no paiz, altas patentes do exercito e da marinha, e tambem jornalistas e alguns funccionarios publicos.


É preciso ter estudado a psychologia das multidões para se poder comprehender o vulto que essas figuras tomavam na imaginação do povo madeirense. Ellas evidenciaram-se como verdadeiros martyres, sacrificadas por um ideal, sendo, assim, acolhidas com admiração, não só na intimidade das familias como tambem – principalmente os officiaes deportados – em fraternal camaradagem pelas forças aquarteladas na Madeira.

Deu-se o que era inevitavel. As idéas anti-situacionistas foram-se alastrando e, creando profundas raizes no espirito da collectividade, diffundiram-se por todas as classes. E o povo ficou completamente empolgado por essas idéas, convencido que nellas estava a sua propria redempção.

O espirito da revolta, que condensou todo o movimento militar, foi inspirado em amistoso convivio numa pensão da rua dos Netos, em Funchal, entre officiaes deportados e especialmente vindos com as tropas do Continente para manter a ordem. [...]»

via FRENESI
 
J.M.M.

sábado, 5 de abril de 2014

EXPOSIÇÃO – “O SONHO AO PODER” MÁRIO VIEGAS


EXPOSIÇÃO – “O SONHO AO PODER” MÁRIO VIEGAS

DIA: 6 de Abril (16,00 horas)
LOCAL: Centro de Interpretação Educação Ambiental do Cais da Vala (Salvaterra de Magos);
ORGANIZAÇÃO: Câmara Municipal de Salvaterra de Magos

PROGRAMA:
- Inauguração da Exposição;
- Tertúlia;
- Música e Poesia pela Associação José Afonso (AJA)
 
J.M.M.


HOMENAGEM A RAÚL REGO – MORAIS (MACEDO DE CAVALEIROS)


HOMENAGEM A RAÚL REGO – MORAIS (MACEDO DE CAVALEIROS)

DIA: 13 de Abril 2014 (15,00 horas)
LOCAL: Sede da Junta de Freguesia de Morais, Macedo de Cavaleiros;

ORGANIZAÇÃO: Nordeste Global (Associação Cívica, Cultural, Social e de Desenvolvimento Regional)

J.M.M.

FRANCISCO XAVIER DA CUNHA ARAGÃO (Parte I)

Nasceu em Pangim, 15 de Maio de 1891 [Fernando de Castro Brandão, Da Monarquia Constitucional à República 1834-1910. Uma cronologia, Europress, Póvoa de Santo Adrião, 2003, p. 221].

Fez os estudos no Colégio Militar e na Escola do Exército. Completa o curso do Colégio Militar em 1907 e o curso de Cavalaria na Escola do Exército em 1911.

Em 5 de Outubro de 1910 foi um dos jovens militares aliciados para participar na revolução republicana, estando colocado no Regimento de Cavalaria 4, juntamente com João Sarmento Pimentel.

Enquanto alferes esteve integrado no Regimento de Cavalaria nº 11, tendo aí sido requisitado para a realização de comissão de serviço no Ministério das Colónias. A partir de 1913, já com a patente de tenente, é colocado em Angola. Nesse período de permanência em terras africanas Francisco Aragão participa nos primeiros confrontos com as topas alemãs tomando parte no combate de Naulila. No dia 30 de Julho de 1915, foi um dos que combateu nos duros confrontos com as tropas alemãs Era comandante do 1º Esquadrão dos Dragões do Planalto, no sul, onde realiza tarefas de fiscalização da fronteira luso-alemã ao sul do rio Cunene. Comandado por Alves Roçadas, participou nos combates juntamente com o corpo de tropas formadas pelas forças expedicionárias portuguesas e pelo corpo de tropas de landins como eram chamados aos combatentes locais. 

Foi capturado e aprisionado pelos alemães. Durante algum tempo foi considerado morto, mas esteve prisioneiro dos alemães. As aventuras que viveu nesse período ficaram documentadas AQUI. Recuperada a liberdade regressa a Portugal. Depois desse episódio e do seu regresso, a Ordem do Exército, de 14 de Agosto de 1915, abria concurso a 10 oficiais do Exército e da Armada para iniciarem no estrangeiro cursos de instrução para pilotos de aviação, porque em Portugal nessa altura ainda não havia escolas de pilotagem, nem aviação militar.

Foram então admitidos para frequentarem o primeiro curso de pilotagem que se fez com militares portugueses e que se tornaram a base para a formação de novos pilotos, as novas gerações os seguintes militares:
Capitão de Cavalaria - Salvador Alberto Cifka Duarte [Curso nos E.U.A]
Tenente de Cavalaria -Francisco Xavier da Cunha Aragão [Curso nos E.U.A]
Alferes de Cavalaria - João Barata Salgueiro Valente [Curso nos E.U.A.]
Alferes de Infantaria - Carlos Esteves Beja [Curso nos E. U. A]

Este curso, realizado nos Estados Unidos da América, durante alguns meses, foi feito numa fase ainda inicial no Signal Corps Aviation School, em S. Diego, na Califórnia, pilotando hidroaviões e, depois, em aviões com trem.  Estavam assim a ser formados os primeiros pilotos daquilo que viria a ser a Força Aérea Portuguesa.


Com a entrada de Portugal na 1ª Guerra Mundial (1914-1918), os pilotos foram depois tranferidos para França, onde frequentaram a Escola de Aviação de Juvisy e de Chartres. A 6 de Novembro de 1916, Francisco Xavier da Cunha Aragão obteve o brevet de piloto na Escola de Aviação Militar de Chartres.

[Em continuação]

A.A.B.M.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

CONFERÊNCIA – A PARTILHA DE ÁFRICA, O 31 DE JANEIRO E A MAÇONARIA EM PORTUGAL



CONFERÊNCIA: "A Partilha de África, o 31 de Janeiro e a Maçonaria em Portugal

ORADOR: prof. Amadeu Carvalho Homem;
DIA: 5 de Abril 2014 (16,00 horas);
LOCAL: Auditório Mirita Casimiro (Rua Alexandre Lobo, 53),
Viseu;
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Novos Paradigmas”]

“Nos finais do século XIX, com os trabalhos pioneiros de etnografia e antropologia de James Frazer, Franz Boas e Malinowski, entre outros, a Europa descobre “o outro”, “o bom selvagem”, “os povos primitivos”,as civilizações de África. Os países industrializados da Europa descobrem outras culturas, outros modos de vida, mas também a importância dos recursos naturais de África, tão necessários ao seu processo de industrialização.

A Alemanha entra nesta “corrida” na segunda metade do século XIX sob a liderança de Bismark e inicia a sua expansão mundial, encorajada pela burguesia nacional, instituindo uma verdadeira política imperialista, conhecida como Welpolitik.

Começa a corrida a África, principalmente, por parte de Inglaterra, França e Alemanha. Esta disputa foi, entre outros, um dos principais factores que esteve na base das causas da Primeira Guerra Mundial.

Em Portugal, Alexandre Herculano profundamente marcado pelos dramáticos acontecimentos da sua época - as invasões francesas, o domínio inglês e o influxo das ideias liberais, vindas sobretudo de França, que conduziriam à Revolução de 1820 - publica a sua História de Portugal.

Leite de Vasconcelos, pioneiro nos estudos de arqueologia, etnografia e antropologia e sociolinguística, publica importantes trabalhos de investigação na procura da essência da portugalidade (Etnologia Portuguesa e Religiões da Lusitânia, entre outros).

Portugal económico, estrutural e espiritualmente exaurido com as invasões francesas, o domínio inglês e as lutas liberais, enfrenta graves dificuldades neste processo de luta pela ocupação de África.

Sob influência do Marquês Sá da Bandeira, entre 1836 e 1865, dá-se uma viragem na política portuguesa para África. O interesse governamental de então pelos territórios africanos depara, no entanto, com a fraca implantação portuguesa no terreno. O interior era mal conhecido, e apenas nas regiões costeiras existiam zonas de ocupação que serviam de meio de escoamento de produtos coloniais.

Nas décadas de 1870 e 1890, verifica-se um aumento do interesse dos países europeus pelo continente africano. A ocupação de vastas zonas do litoral pelos portugueses era um obstáculo às pretensões dos outros países, mas as zonas do interior eram ainda muito pouco conhecidas.

Os problemas políticos e financeiros portugueses facilitaram uma mudança de poderes instalados neste continente e uma alteração da política dominante, que se altera do direito tradicional da prioridade das Descobertas, para um direito de ocupação efectiva, estabelecido internacionalmente na Conferência de Berlim de 1884-1885, convocada por Bismark.

Inicia-se a ocupação do interior de África. Criam-se as sociedades de geografia europeias durante a primeira metade do século XIX, e desenvolvem-se trabalhos de exploração geográfica e científica com ampla divulgação nos periódicos e livros da época. As informações obtidas, apresentadas de forma atractiva, com mapas, imagens exóticas com reprodução da fauna e flora, atraem a atenção de um público cada vez maior. Estas explorações chamam também a atenção dos poderes políticos para as possibilidades de exploração económica das vastas riquezas desse continente e da sua mão-de-obra barata.

Em Portugal, em 10 de Novembro de 1875, um grupo de cerca de 74 subscritores, entre os quais se encontravam os maçons Luciano Cordeiro, Pinheiro Chagas, Sousa Martins, Cândido de Figueiredo e Teófilo Braga, requerem junto do Rei D. Luís a criação da Sociedade de Geografia de Lisboa, com o objectivo de promover e auxiliar o estudo e progresso das ciências geográficas e correlativas, possibilitando deste modo, no contexto do movimento europeu de exploração e colonização, desenvolver um particular contributo na ênfase dada à corrida de exploração do continente africano. Nos primeiros anos da sua existência foi criada a Comissão Nacional Portuguesa de Exploração e Civilização da África, com o objectivo de apoiar cientificamente o esforço colonial português em África, particularmente no contexto da crescente competição europeia na apropriação de territórios naquele continente.

Entre os exploradores europeus mais famosos de então estavam Livingston que traçou os planos do vasto interior africano e Stanley no Congo.

Entre os exploradores portugueses depois de Serpa Pinto, que a cruzou numa complicada expedição e traçou mapas do seu interior, destacaram-se Capelo e Ivens.

Face às mais que previsíveis decisões da Conferência de Berlim era preciso demonstrar a presença portuguesa no interior da África austral, como forma de sustentar as reivindicações constantes do mapa cor-de-rosa entretanto produzido. Para realizar tão importante projecto, são nomeados Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, que depois de terem sido dados como mortos ou perdidos, por não haver notícias deles durante cerca de um ano, concluem com êxito a expedição. Ao longo de toda a viagem, Roberto Ivens escreve, desenha, faz croquis, levanta cartas; Hermenegildo Capelo recolhe espécimes de plantas, rochas e animais.

A 21 de Junho 1885, é concluída uma nova expedição em Moçambique, em que foram percorridas 4500 milhas geográficas (mais de 8300 km), 1.500 das quais por regiões ignotas, tendo-se feito numerosas determinações geográficas e observações magnéticas e meteorológicas.

Estas expedições, para além de terem permitido fazer várias determinações geográficas, colheitas de fósseis, minerais e de várias colecções de história natural, tiveram como objectivo essencial afirmar a presença portuguesa nos territórios explorados e reivindicar os respectivos direitos de soberania, já que os mesmos se incluíam no famoso mapa cor-de-rosa que delimitava as pretensões portuguesas na África meridional.

O chamado Mapa cor-de-rosa seria o documento representativo da pretensão da soberania de Portugal sobre os territórios sitos entre Angola e Moçambique, nos quais hoje se situam a Zâmbia, o Zimbabwe e o Malawi.

A disputa com a Grã-Bretanha sobre estes territórios levou ao ultimato britânico de 1890, a que Portugal cedeu, causando sérios danos à imagem do governo monárquico português.

A Sociedade de Geografia de Lisboa, defendeu sem sucesso a necessidade de formar uma barreira às intenções expansionistas britânicas que pretendiam a soberania sobre um território que, do Sudão, se prolongasse até ao Cabo pelo interior da África, organizando uma subscrição permanente para manter estações civilizadoras na zona de influência portuguesa do interior do continente, definida num mapa como uma ampla faixa da costa à contra-costa, ligando Angola a Moçambique. Nascia assim, ainda sem sanção oficial, o chamado "Mapa Cor-de-Rosa".

O resultado foi o ultimato britânico de 11 de Janeiro de 1890 sendo exigido a Portugal a retirada de toda a zona disputada sob pena de serem cortadas as relações diplomáticas.

Portugal isolado protestou, mas seguiu-se a inevitável cedência e recuo. E assim acabou o "mapa cor-de-rosa", mas não sem que antes tivesse deixado um legado de humilhação nacional e frustração (bem patente no Finis Patriae de Guerra Junqueiro) que haveria de marcar Portugal durante muitas décadas. Na sequência deste episódio, Alfredo Keil compôs a portuguesa (Hino Nacional Português).

Em resultado desta humilhação nacional, perca de soberania de territórios africanos a favor de Inglaterra e de outras potências estrangeiras, criam-se as bases de sublevação, de afirmação de independência nacional e do espírito republicano no Porto, com a malograda Revolta Republicana do 31 de Janeiro de 1891, liderada pelo Dr. Alves da Veiga.

Portugal apenas recupera a sua auto estima depois da implantação da República em 5 de Outubro de 1910, bem como as suas debilitadas finanças de então.

Neste momento o nosso país encontra-se, igualmente, por razões diversas, perante a humilhação de uma situação de intervenção financeira estrangeira, mas como outrora, com determinação, trabalho e perseverança, estamos certos os portugueses saberão encontrar caminhos de esperança e recuperar a auto-estima e a sua autonomia financeira nacional.

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu MaçónicoPortuguês]

J.M.M.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

DE GOA A LUANDA: PENSAMENTO E ACÇÃO DE NORTON DE MATOS - CONFERÊNCIA

Realiza-se amanhã, 4 de Abril de 2014, em Vila Nova de Famalicão, no Museu Bernardino Machado, mais uma sessão do ciclo dedicado ao tema Ideias e Práticas do Colonialismo Português.

Desta vez o orador convidado é o professor Sérgio Neto, que vai apresentar uma reflexão sobre o papel de Norton de Matos no contexto da colonização portuguesa dos inícios do século XX e algumas das ideias que tentou aplicar, sobretudo na colonização de Angola.

Sobre o palestrante pode ler-se na divulgação do evento feita pelo blogue de Amadeu Gonçalves, Do Presente...

O orador convidado para a próxima conferência do Ciclo “Ideias e Práticas do Colonialismo Português” é o professor Sérgio Neto, com o título “De Goa a Luanda: pensamento e acção de Norton de Matos”. A conferência, que se realiza no Museu Bernardino Machado (V. N. de Famalicão) no próximo dia 4 de Abril pelas 21h30, é de entrada livre e os participantes receberão o certificado de presença. O professor Sérgio Neto é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (2000), tendo-lhe sido então atribuído o prémio Eng.º António de Almeida. Investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), concluiu o Mestrado em História Contemporânea (2007) e encontra-se inscrito no Doutoramento em Altos Estudos Contemporâneos (Universidade de Coimbra), com uma dissertação que versa o pensamento colonial de Norton de Matos, aguardando a marcação das provas públicas. Professor do ensino básico e secundário, lecionando presentemente no Agrupamento de escolas Domingos Sequeira (Leiria), Sérgio neto tem vindo a desenvolver investigação sobre a história político-cultural de Cabo Verde desde 2001, ganhando o prémio “Estímulo à Investigação”, do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian. Publicou “Colónia Mártir, Colónia Modelo. Cabo Verde no pensamento ultramarino português (1925-1965) (Coimbra, 2009), obra que foi distinguida com uma Menção Honrosa do prémio Victor de Sá de História Contemporânea para Jovens Investigadores (Universidade do Minho).

Uma nota curricular do conferencista pode também ser consultada AQUI.

Um evento de muito interesse, que temos vindo a divulgar junto de todos os que nos vão acompanhando nestas demandas pela recuperação da memória histórica do nosso País.

A.A.B.M.

terça-feira, 1 de abril de 2014

OS SERVIÇAES DE S. THOMÉ – WILLIAM A. CADBURY


CADBURY (William A.) — OS SERVIÇAES DE S. THOMÉ. Relatorio d'uma visita ás ilhas de S. THOMÉ E PRINCIPE e a ANGOLA, feita em 1908, para observar as condições da mão d'obra empregada nas roças de cacau da AFRICA PORTUGUEZA. Traducção, ordenada pelo auctor, de Alfredo H. da Silva. 1910. Livrarias Depositarias Livraria Bertrand, Lisboa - Livraria Chardron, Porto, 128 p.

"Este livro foi escripto e publicado em inglez logo apoz o meu regresso de Africa, na primeira metade de 1909. A sua circulação, porém, foi retardada em virtude do processo que corria no tribunal de Birmingham, motivado n’um artigo diffamatorio do STANDARD, visto as leis inglezas não permittirem que nenhuma das partes d’um processo, antes d’este ser julgado, dê a publico seja o que fôr relacionado com a questão. Desde que concebi a ideia de escrever este livro, foi minha intenção fazel-o traduzir em portuguez. Julguei isso um dever de lealdade para com os portuguezes, a que me não devia furtar, coherente com o meu procedimento para com elles desde que fui obrigado a intervir no assumpto (...).

"Livro que vem no seguimento das denuncias de sociedades antiesclavagistas inglesas que acusavam Portugal de praticar escravatura nas colónias, sendo a de W. Cadbury (industrial inglês de cacau) a mais conhecida. O assunto embaraçaria a República nos anos seguintes" [AQUI]

via In-Libris

J.M.M.