quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

FELIZ FESTIVIDADES – SAÚDE, PROSPERIDADE E FRATERNIDADE


 
Vem, Noite antiquíssima e idêntica
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós …” [F. Pessoa]

Aos leitores do Almanaque Republicano, obreiros respeitosos do espirito Re(s)publicano, animados que estamos no assopro Solsticial e felizes na graça da Grande Alma Lusitana, consintam estes Votos de Feliz Festividades

Saúde, Prosperidade & Fraternidade

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

UMA ESCRITA NA PRIMEIRA PESSOA: JOAQUIM MAGALHÃES

Hoje, sexta-feira, dia 16 de Dezembro de 2016, o Clube Farense e a Âncora Editora procedem à apresentação pública da obra Joaquim Magalhães, Uma Escrita na Primeira Pessoa, recolha e anotações de Joaquim Romero Magalhães.

A apresentação da obra será feita pela Dra. Marília Castro, pelas 18.30h, na sede do Clube Farense, situada na Rua de Santo António, em Faro.

Uma iniciativa que se recomenda e se divulga junto de todos os potenciais interessados.

A.A.B.M.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

PALMA INÁCIO E O ASSALTO AO BANCO DE PORTUGAL DA FIGUEIRA DA FOZ (1967) – LUÍS VAZ




EDIÇÃO: Âncora Editora, 2016, 360 p.

LANÇAMENTO NA FIGUEIRA DA FOZ

DIA: 14 de Dezembro (18,00 horas);
LOCAL: Salão Nobre do Edifico dos Paços do Concelho, Figueira da Foz;
ORADORES: Prof. Doutor Luís Vaz | Pres. CMFF Dr. João Ataíde das Neves

“A vida ensinou-o a questionar os silêncios. Foram os silêncios que lhe deram um controle absoluto de si mesmo. Geria-os com modéstia, astúcia e inteligência. São as raízes operárias, que herdou dos seus antepassados, a despertá-lo para as realidades assimétricas. Foi ainda o ambiente social envolvente, desde o trabalho nas pedreiras de Cascais com tenra idade, às instituições educativas de Faro, onde estudou, que foi moldando a sua consciência de classe e iniciado na contestação, no protesto, nas acções de propaganda, enfim, na conspiração. António José Matias reivindicava apenas dignidade e respeito pelas diferenças. Afinal de contas, coisas tão simples que fazem parte da essência da natureza humana. Qualquer regime que negue estes valores promove a criação das suas próprias antíteses …” [AQUI]
 
Trata-se do lançamento do III volume que o historiador Luís Vaz [Doutorado em Estudos Portugueses pela FCSH da UN de Lisboa] publica sobre a luta antifascista de Hermínio da Palma Inácio [m. 14 de Julho de 2009], do previsto conjunto de IV obras [os volumes saídos foram: Palma Inácio e o Golpe dos Generais (1947)Palma Inácio e o Desvio do Avião (1961); e, agora, Palma Inácio e o Assalto ao Banco de Portugal da Figueira da Foz (1967). Antes tinha publicado, entre outras obras, o muito curioso e valioso trabalho (há muito esgotado) sobre a Associação do Registo Civil e Livre Pensamento, de título “Clericais e Livres Pensadores. O Grande Confronto 1890-1937” [Edição Grémio Lusitano, 2002, 240 p.], bem como “O Pensamento Anticlerical de Brito Camacho” [Hugin, 2004] e o “Centro Escolar Republicano da Ajuda - Cem Anos ao Serviço da República (1906-2006)” [Ed. Centro Escolar Republicano da Ajuda, 2006].

J.M.M.
 

sábado, 10 de dezembro de 2016

FRENESI – CATÁLOGO DE LIVROS ANTIGOS E RAROS


 

FRENESICATÁLOGO DE LIVROS ANTIGOS, RAROS, ESGOTADOS, PERIÓDICOS, MANUSCRITOS

O alfarrabismo – tal como nós o entendemos – é uma actividade de recolha selectiva, limpeza, restauro e classificação de obra que, dado o implacável cuidado de um número cada vez mais restrito de colecionadores, conseguiram sobreviver chegando às nossas mãos. Livros que merecem continuar vivos. Livros, no vertente caso, maioritariamente de cultura portuguesa. Como objectos de cultura substantiva, mas também produtos de arte de imprimir e da arte de encadernar, há que preservá-los do descuido e da destruição dos homens, há que retardar o seu envelhecimento, e empurra-los para o futuro. São os colecionadores contemporâneos o seu agente no tempo – a cultura geral, especializada ou não, depende do respeito e do carinho que nós lhes dedicarmos” [in Catálogo]

 

Paulo da Costa Domingos, poeta, escritor, editor e antiquário de alfarrábios, apresenta-nos (uma vez mais) a sua colheita nestas festividades de final de ano. 363 peças bibliográficas de muita valia e invejável preciosidade, para V. sustento e ilustração. O curioso Catálogo que Paulo da Costa Domingos compôs, leva-nos a um luxurioso garimpar de livros antigos, raros, esgotados, periódicos, manuscritos. O amador de livros irá caprichar na sua ociosidade do papel pintado com tinta. O Catálogo da Frenesi aí está. É bom não esquecer.    

[ALGUMAS REFERÊNCIAS QUE A NÓS DIZ RESPEITO]: Sidónio na Lenda, por António Albuquerque / A execução do Rei Carlos, idem, 1909 / Os Vinculos em Portugal, de D. Antonio de Almeida, IV folhetos / Memorias sobre Chafarizes, Bicas, Fontes, e Paços Publicos de Lisboa, Belem, e Muitos Logares do termo, de José Sergio Velloso d’Andrade, 1851 / O Rapaz de Bronze, de Sophia de Mellho Breyner Andresen, 1956 / Diário da Pátria, por Cesar Anjo, 1932 / As Monjas de Semide, de Tomás Lino d’Assumpção, 1900 / Fundaçao Antiguidades, e Grandezas da mui Insigne Cidade de Lisboa, e seus Varoens Illustres em Santidade, Armas, e Letras, por Luiz marinho de Azevedo, 1753 (2ª ed.) / O Trabalho Rural Africano e o Administração Colonial, do Marquez de Sá da bandeira, 1873 / Evora, Cancioneiro Geral, de Antonio Francisco Barata, 1902 / A Obra Artistica de El-Rei D. Carlos, 1963 / História da Censura Intelectual em Portugal, de José Timoteo da silva Bastos, 1926 / Historia Geral dos Adágios Portugueses, por Ladislau batalha, 1924 / A Corte da rainha Maria I, de William Beckford, 1901 / D. Maria I, por Caetano Beirão, 1934 / O Mandarim, I e II, de Beldemonio, 1883 / Biografia do Remexido, Anónimo, 1838 / Memorias dos anos de 1775, a 1780 Para servirem de historia à analysi e virtudes das Agoas Thermaes da Villa das caldas da rainha, de Joaquim Ignacio de Seixas Brandão, 1781 / Lisboa d’Outros Tempos, de Pinto de carvalho (TINOP) / Lote de livros de Ferreira de Castro /  Gritos, por José Augusto de Castro, 1901 / Colecção A Antologia em 1958, de Mario Cesariny, Antonio Maria Lisboa, Luiz Pacheco, Natália Correia, Antonio Jose Forte, Francisco de Sousa Neves (ilustrações de Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, João Rodrigues e Dinis Salgado), 1958 / Tem Dor e Tem Puta, de Mario Cesariny de Vasconcelos, 2000 / revista Cidade Nova, 33 numrs / lote de livros de Ruy Cinatti / estimada Colecção Miniatura, 170 +1 vols / Colecção Patrícia, 52 vols / Colecção Teatro de Bolso (Contraponto), 18 vols+2 / Um Anno na Corte, de João Andrade Corvo, 1863 / 15 Annos de Obras Publicas, II vols / revista Crónica (integralista e fascizante), II numrs / Senalonga, por Avelino Cunhal, 1965 / Documentos para a Historia da Typographia Portugueza nos Seculos XVI e XVII, 1881-82 / Recordações do Café Royal, por Mario Domingues e Antonio Domingues, 1959 / periódico O Espectro, direcção de Rodrigues Sampaio, 1846 a 1847, 63 numrs+ vários suplementos / O Especto, direcção de Artur Leitão e imagem de Francisco Valença, 1925, 11 numrs+1 especime / Europa Jornal da Cultura, dir de Urbano tavares Rodrigues, 1957 / lote de livros de Virgílio Ferreira / Frenesi 1980-1982 / Da Vida e Morte dos Bichos, por Henrique Galvão et all, 1960 / O Infante d. Afonso de Bragança, por Emygdio Garcia, 1939 / revista Graal, dir Antonio Manuel couto Viana, 1956-57 / lote de livros de Guerra Junqueiro / Historia da Policia de Lisboa, de Albino Lapa / Revista Lusíada, dir Carlos de Passos, 1952-60, 13 numrs / Depois do 21 de Maio, de Bernardino Machado, 1929 (2ª ed.) / 2 livros de Luiz Mardel sobre a Historia de Armas de Fogo e Explosivos / Memorias e Trabalhos da Minha Vida, de Norton de Mattos / Noite Rebelde, de José Ferreira Monte, 1940 / revista literária Mundo Literário, dir. Jaime Cortesão e Adolfo Casais Monteiro, 1946-47, 53 numrs / A Bomba Explosiva, por José Maria Nunes, 1912 / O Caso do Sonambulo Chupista, de Luiz Pacheco, 1980 / Album da Empreza Madeirense de Tabacos Lda (Casa Perestrelos) / periódico Philemporo, redacção de José Maria de Andrade, 1855-62, 20 numrs / revista A Lanterna Mágica por Gil Vaz, dir. Raphael Bordalo Pinheiro, 1875 / revista Portucale, 143 numrs / A Invasão dos Judeus, de Mário Saa. 1924 / Discursos de Oliveira Salazar / revista Sema, 1979-82, IV numrs / lote de livros de Jorge de Sena / revista Sisifo, 1951-52, IV numrs / periódico Sol Nascente, 1937-40, 43 numrs / O Algarve na obra de Teixeira-Gomes, 1962 / revista Ver e Crer, dir José Ribeiro dos Santos e Mário Neves, 1945-50, 57 numrs / Figuras Gradas do Movimento Social Português, por Alexandre Vieira, 1959 / Em Volta da Minha Profissão, por Alexandre Vieira, 1950  

Pedidos AQUI e AQUI. E sejam felizes.

J.M.M.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

TRIBUTO A MÁRIO CESARINY, NOS DEZ ANOS DA SUA MORTE




“Ouvimos esta voz com o poema que nos traz e não sabemos se é a voz que diz o poema ou se é o poema que diz a voz. Esta coincidência do dizer e do dito, do som e do sentido, do corpo e do espírito, da poesia e da vida, do dia e da noite foi sempre o sinal de Mário Cesariny.

Breton escrevera: “Tudo leva a crer que existe um certo ponto do espírito donde a vida e a morte, o real e o imaginário, o passado e o futuro, o comunicável e o incomunicável, o que está em cima e o que está em baixo deixam de ser apercebidos contraditoriamente”. Cesariny afirmava: “O único fim que eu persigo / é a fusão rebelde dos contrários”.

É por isso que estamos aqui: não apenas para cumprir um acto de homenagem civil e cultural, mas acreditando que Cesariny reconhecia neste lugar onde a sua luz encontra a sua sombra, um sentido sagrado, dando a esta palavra a fundura mais funda e a  liberdade mais livre. A morte é o que resta do sagrado e mesmo isso está a desaparecer, afirmava ele. E, às vezes, falava do osso sacro como de um segredo que é preciso guardar.

Cesariny era distante de tudo o que é oficial, convencional e vazio, mas aceitava os ritos que protegem os mitos. Foi assim que aceitou a Ordem da Liberdade, que lhe foi entregue em sua casa, numa tarde em que tudo se calava para o ouvir. Ele recebeu a Grã- Cruz, beijou-a e gritou: “A Santa Liberdade!”. A liberdade era a sua medida desmedida, o rosto do seu rosto.

Nessa tarde, recordei uma outra tarde passada com Jorge Luis Borges, que acabava de receber a Ordem de Sant’Iago da Espada, que a sua cegueira o impedia de ver. Ele pediu-nos para lhe descrevermos as cores e as figuras do colar. A seguir, num gesto que foi repetindo, levou a mão ao frio do metal, exclamando: “Sant’Iago! Sant’Iago!” Falámos então daquela passagem de São Paulo que diz “Agora, vemos como num espelho, mas um dia veremos face a face”. Borges falava e a nossa visão era o rascunho da sua cegueira.

Senhor Presidente da República: a sua presença torna esta homenagem de muitos numa homenagem de todos

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa: porque Lisboa foi sempre a mais imaginada das cidades de Cesariny

Senhor Ministro da Cultura: hoje e aqui, este título fica mais completo se o ligarmos ao de poeta

Senhores Deputados

Cara Teresa Caeiro, sobrinha de Cesariny

Senhora Secretária de Estado da Inclusão, que tutela a Casa Pia de Lisboa, legatária do poeta

Instituições e Membros da Comissão Organizadora do Tributo a Mário Cesariny

Caro Manuel Rosa, autor do projecto do monumento funerário e seu testamenteiro

Família, amigos e admiradores do Mário (onde incluímos os gatos, também eles família, amigos e admiradores)

Minhas Senhoras e Meus Senhores

Sabemos que esta homenagem nunca conseguirá oficializar, normalizar, naturalizar, neutralizar Cesariny. Ao contrário, e por contraste, torna ainda mais nítido e invencível o seu escárnio selvagem, a fúria firme e feroz, o desassombro ímpio.

A sua vida foi vivida em nome da Liberdade, da Poesia e do Amor, de que os surrealistas fizeram a nova trilogia, juntando ao “transformar o mundo” o “mudar a vida”. Em cada dia e em cada passo dele havia uma grande razão, aquela que num poema reclamava: “Falta por aqui uma grande razão/ uma razão que não seja só uma palavra/ou um coração/ou um meneio de cabeças após o regozijo/ ou um risco na mão…Cesariny procurava o ouro do tempo.

Agora, lembro. O Mário fala de Pascoaes, o velho da montanha, e conta o momento sagrado em que o conheceu. Fala de Lautréamont e de Rimbaud com palavras lentas e acesas. Fala de Artaud e a sua cara coincide com a dele. Já na rua, passa a velha que apanha o que encontra e ele faz-lhe perguntas que guiam respostas assombradas. O Mário ri e diz: “ É a Vieira da Silva!” Agora, estamos nos Açores e ele toca piano, enquanto, da janela, vemos o mar erguer-se como no Moby-Dick, esse livro mágico e trágico, que lia e voltava a ler.

Estar com Cesariny era partir numa nave espacial e olhar cá para baixo com os olhos muito abertos. Havia nas suas mãos um fogo que, quando queimava, mostrava a tragédia, e, quando iluminava, fazia aparecer a comédia. Esse sentimento trágico e cómico da vida é o dos visionários do visível. Ele confessou um dia: “ Para mim, só o momento da criação é linguagem, tudo o mais é baço, não diz, pertence ao sono das espécies, mesmo quando dormem inteligentemente.” Mas em todos os momentos dele havia criação. Nunca o ouvi dizer lugares-comuns, ideias mortas, frases feitas.

Na sua poesia, as palavras têm a exactidão cortante da ponta do diamante sobre o vidro, a velocidade densa dos grandes êxodos, o brilho obscuro dos olhos no amor. Na sua pintura, as cores levam o braço até à proximidade do mar e as formas são as do vento a abrir o portão do castelo.
 
 
Cesariny gostava de anarquistas, videntes, xamãs, usurpadores, hereges, piratas, incendiários e revoltosos. E de reis destronados, deuses abolidos, bruxas acossadas, fidalgos arruinados, heróis vencidos, náufragos salvos no último momento. Detestava tiranos, tiranetes, moralistas, hierarcas, burocratas, preopinantes, instalados, acomodados, calculistas, carreiristas, conformistas, cínicos, convencidos, contentinhos, coitadinhos.

Desses, ria com um riso que era sal insolúvel e tinha a grandeza escura da tempestade no Verão. O país dos risinhos, das piadinhas, das gracinhas, e das graçolas, não aguentava um riso tão livre: enorme e desassombrado. Não suportava esse riso cheio de amargura e desdém, de raiva e protesto. Nesse riso, passavam o riso antigo de Rabelais e o riso moderno de Artaud, o riso dos funâmbulos e das feiticeiras.

Num país em que o medo gerava cobardia e obediência, do medo dele nasciam coragem, insubmissão, subversão. No fim, estava ainda mais desencontrado com aquilo com que sempre se desencontrou: a vida pequenina, a vidinha de que falava o seu amigo Alexandre O’ Neill. E agora ( “O tecto está baixo”, avisava-nos ele) só se fala da vidinha - e só a vidinha fala.

Afinal, é preciso repetir a pergunta de Holderlin: “Para quê os poetas em tempos de indigência?” Afinal, é preciso repetir a resposta de Holderlin: “O que permanece os poetas o fundam”. E a resposta de Cesariny: “A palavra poética é a palavra verdadeira. É a única que diz.” Então, os poetas, se os houver, são para dizer o que ninguém diz, mesmo que ninguém oiça. Mas nesse dizer que ninguém ouve salva-se a honra de um tempo em que tudo se perde.

De Mário Cesariny, não basta afirmar que a sua poesia é das maiores do nosso século XX. Nem que a sua pintura é das mais originais desse tempo. É preciso reafirmar que, nele, pessoa, vida, morte, obra, atitude, ímpeto tinham a força que nos atira para um abismo de claridade.

Nestes 10 anos da sua morte, ouvir a voz de Cesariny é olhar o céu naquele momento em que o sol ainda não partiu e a lua já chegou.

Tributo a Mário Cesariny, nos dez anos da sua morte – por José Manuel dos Santos [Texto lido na cerimónia que assinalou a transladação dos restos mortais de Cesariny de um gavetão anónimo para um jazigo individual do Cemitério dos Prazeres dez anos depois da sua morte, jornal i, 8 de Dezembro de 2016 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SEBASTIÃO MAGALHÃES LIMA - O SEU TESTAMENTO

 
 
 
 
 
in Boletim Oficial do Grande Oriente Lusitano Unido
Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa,
Suplemento ao nº 12, 31 de Dezembro de 1928
 
J.M.M.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

PORTUGALA ESPERANTISTO: ORGÃO DO MOVIMENTO ESPERANTISTA PORTUGUÊS



PORTUGALA ESPERANTISTO. Órgão mensal do Movimento Esperantista Português. Ano I, nº 1 (Janeiro de 1936) ao nº 8 (Agosto de 1936); Propriedade: L.E.S Nova Vojo, Liga dos Esperantistas Ocidentais e L.E.S. Antauen [no nº1]; Administração e Redacção: Rua Jardim do Regedor, nº5, 4 º, Lisboa; Editor: Joaquim Costa; Director: Manuel de Jesus Garcia; Impressão: Sociedade Industrial de Tipografia (Rua Almirante Pessanha, 5, Lisboa) [ao nº3, Tip. A Montanhesa (Rua Luz Soriano, 71, Lisboa]; Lisboa; 1936, 8 numrs

Colaboração: A. Couto, Afonso de Castro, Alsácia Fontes Machado, António Alves, Carvela Ribeiro, Costa Júnior, Jacinto Benavente, José Antunes, José Vicente Júnior, Júlio Baghy, Júlio Dantas, Justinho Carvalho, L. Beaufront, Lígia de Oliveira, Luzo Bemaldo, Manuel de Jesus Garcia, Mário Pedroso de Lima, Ramiro Farinha, Saldanha Carreira [importante impulsionador do esperantismo português], [Simões Raposo – entrevista].

Trata-se de um periódico esperantista (bilingue), que se dizia “órgão do movimento esperantista”, que se publicou em 1936, em Lisboa. Foram fundadores e proprietários três organismos esperantistas: a “L[aboristas] E[sperantistas] S[ocieto] Nova Vojo”, a “Liga dos Esperantistas Ocidentais” e a “L.E.S. Antauen”.
PORTUGALA ESPERANTISTO AQUI DIGITALIZADO
► «Esta "língua internacional auxiliar", cuja história remonta (também em Portugal) aos finais do século XIX, conhece um ressurgimento na década de 30 do século XX, e é nesse contexto que este jornal, bilingue, se apresenta em editorial: "Ao publicarmos o primeiro número (...), cumpre-nos dizer duas palavras sobre o seu aparecimento. É muito difícil, quási impossível, por nos faltarem elementos, determinar com precisão as causas do desenvolvimento do Esperanto no país, depois de 1931. Certo é que, dessa data em diante, as sociedades, as secções e cursos de Esperanto se multiplicaram de uma maneira assombrosa, não só na capital como na província, num ritmo com tendência a acelerar-se. Só em Lisboa, o número de esperantistas filiados nas organizações citadinas duplicou e, constatando êsse número salta logo à vista que, paralelamente, nada estava feito que pudesse unificar e coordenar os esforços de todos, dando-lhes consciência de uma finalidade a atingir."
Essa coordenação, lê-se no editorial do número seguinte, fazia parte da missão do Portugala Esperantisto, que se propunha como "instrumento de aproximação entre as sociedades esperantistas e consequentemente entre os esperantistas", com vista à futura constituição de uma entidade coordenadora, não um "organismo de carácter associativo ou federativo", antes uma "comissão que interrelacione os grupos".
Saiba mais na ficha histórica da publicação, por Rita Correia, aqui.
 
Em paralelo, disponibilizamos, aqui, a Grammatica da lingua internacional auxiliar Esperanto, editada no Porto em 1907, da autoria de José Augusto Proença e o Curso completo (elementar, médio e superior) de Esperanto, aqui, em 16 fascículos, editado pelo Portugala Instituto de Esperanto entre 1934 e 1935.
Para assinalar a disponibilização destes materiais, iremos realizar na Hemeroteca, amanhã, 7 de dezembro, pelas 17:30h, a sessão O Esperanto como veículo de paz e amizade entre os povos : do Portugala Esperantisto aos nossos dias. Rita Correia falará do passado do Esperanto e Miguel Boieiro, orador convidado, falará do seu presente e das perspetivas de futuro. Mais informações aqui» [via Hemeroteca]

J.M.M.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

[ANGRA DO HEROÍSMO] TEOTÓNIO DE ORNELAS BRUGES


 
INAUGURAÇÃO do Monumento Urbano – Teotónio de Ornelas Bruges


DIA:
2 de Dezembro 2016 (17,00 horas);
LOCAL: Angra do Heroísmo;


"Dia 2 de dezembro, sexta-feira, pelas 17h00, a autarquia de Angra do Heroísmo associa-se ao Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa na inauguração, no lugar da Memória, de um Monumento Urbano Para Informação (MUPI) de homenagem a Teotónio de Ornelas Bruges (1807-1870), primeiro Presidente de Câmara eleito em Portugal e ilustre filantropo e liberal angrense que foi o grande responsável pela edificação desse monumento em memória de D. Pedro IV" [AQUI]
 
 

Teotónio de Ornelas Bruges (1807-1870), aliás Teotónio Simão de Ornelas Bruges Paim da Câmara de Ávila e Noronha Ponce de Leão Borges de Sousa e Saavedra, 1º Conde da Praia da Vitória e 1º Conde de Bruges, foi um notável intérprete da causa do liberalismo. Natural da Ilha Terceira, rico terratenente da ilha, foi oficial das milícias liberais de Angra, liderando a regeneração liberal de 1828, tornando a Ilha Terceira um baluarte de resistência da causa liberal em Portugal, assumindo a administração da Ilha à custa da sua fortuna, pois era o único território sob ocupação das forças fieis a D. Pedro IV. Teve diversos cargos governativos nos Açores (Secretario de Estado da Regência, Pres. da Camara de Angra de Heroísmo, deputado às Cortes, Par do Reino).

Pertenceu à ala Setembrista do liberalismo, aderindo ao Partido Histórico. Foi-lhe concedido, por carta regia (6 de Agosto de 1863), o título de Conde da Vila Praia da Vitória, sendo fidalgo cavaleiro da Casa real, comendador da Ordem de Cristo.

Teotónio de Ornelas Bruges foi carbonário e maçon. Foi um dos fundadores da Barraca Carbonária 22 de Junho com o n.s. de Leónidas [cf. António Lopes, A Maçonaria Portuguesa e os Açores 1792-1935, 2008 – a Barraca foi fundada por maçons pertencentes à Loja 11 de Agosto de 1829]. Foi maçon, iniciado possivelmente em 1828 [António Lopes, ibidem, p. 60] na Loja 15 de Setembro (loja extinta no continente em 1823), integrou a Loja “11 de Agosto de 1829” [loja de Angra do Heroísmo, pertencente ao GOL, e que depois se integra na Maçonaria do Sul], com o nome simbólico de Aníbal, vindo posteriormente a pertencer à Loja União e Segredo [GOL] e à Loja União Terceirense.  

Faleceu a 25 de Outubro de 1870.     

J.M.M.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

1º DE DEZEMBRO – FESTA DA AUTONOMIA DA PÁTRIA PORTUGUESA


 
Ó visão, visão triste e piedosa,
Fita-me assim calada, assim chorosa
E deixa-me sonhar a vida inteira!” [Antero de Quental]
 
 “Tudo o que abraça o mar, tudo o que alumia o Sol, tudo o que cobre e rodeia o Sol, será sujeito a este Quinto-Império; não por nome ou titulo fantástico, como todos os que até agora se chamaram Impérios do Mundo; senão por domínio, e sujeição verdadeira (…)

Todos os reinos de unirão em um ceptro, todas as cabeças obedecerão a uma suprema cabeça, todas as coroas se rematarão em um só diadema, e esta será a peanha da Cruz de Cristo” [P. António Vieira]

Uns agem sobre os homens como a terra, enterrando-os e abolindo-os, e esses são os mandantes do mundo. Uns agem sobre os homens como o ar, envolvendo-os e escondendo-os uns dos outros, e esses são os mandantes do além-mundo. Uns agem sobre os homens como a água, que os ensopa e converte em sua mesma substancia, esses são os ideólogos e os filósofos, que dispersam pelos outros as energias da própria alma. Uns agem sobre os homens como o fogo, que queima neles todo o acidental, e os deixa nus e reais, próprios e verídicos, e esses são os libertadores” [F. Pessoa]

“O tempo tem dous hemisférios: um superior e visível, que é o passado; outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisférios ficam os horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que vamos vivendo, onde o passado se termina e o futuro começa” [P. António Vieira]
 
 
 Vem, Galaaz com Pátria, ergue de novo
Mas já no auge da suprema prova
A alma penintente do teu povo
Á Eucaristia Nova” [F. Pessoa]


“Os Homens morrem por não juntarem o começo ao fim” [
Alcmeón de Crotona]

J.M.M.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

DO IMPÉRIO POR CUMPRIR – JOSÉ ADELINO MALTEZ



LIVRO: Do Império por Cumprir, II vols;
AUTOR: prof.
José Adelino Maltez
;
EDIÇÃO: ISCSP, 2016.

LANÇAMENTO EM LISBOA

DIA: 30 de Novembro (18,30 horas);
LOCAL: ISCSP (Sala Monsanto), Rua Almerindo Lessa, Lisboa;
ORADOR: Dr. Fernando Seara

“Era uma vez um pequeno e velho reino medieval que, há mais de seiscentos anos, se lançou numa sucessão de impérios, procurando o "d’além", para salvar o "d’aquém". Depois da ascensão e queda dos impérios marroquino e do indiano, veio o império brasileiro. Um insustentável peso do passado que sofreu com o grito do Ipiranga e foi obrigado a gerir dependências na balança da Europa. Nas possessões coloniais, onde se conjugava o verbo ter, foi continuando o tráfico de escravos, mas não deixou de tentar o de mercadorias, indeciso, entre o sonho do fomento e a tentativa de venda das colónias. Assim, chegou o capitalismo colonial e até se procurou a ciência da colonização, com a partilha de África. Sofreu-se a bancarrota, gerou-se o protecionismo e sempre em guerras de ocupação, que se prolongaram com o patriotismo imperial dos republicanos. Não há mundo que nos chegue, nem Índia que tenha sítio na nossa esfera armilar. Portugal sempre foi mais do que o seu próprio lugar” [do I volume]
 
“Portugal que partiu já não pode regressar. Quem foi além de si mesmo, nunca mais pode voltar. Entre 1926 e 1976, a mesma entidade assistiu ao regresso ao d’aquém. O salazarismo, primeiro, ensaiou um Ato Colonial, que durou até às consequências da Segunda Guerra Mundial. Seguiu-se uma tentativa de regresso às províncias ultramarinas, com a oficialização de uma nova doutrina, o luso-tropicalismo. Finalmente, sucedeu-se a última das guerras coloniais. Com o Vinte e Cinco de Abril, deu-se o fim do Império da terra, pela descolonização, mas não tardou que se entrasse numa corrida à integração europeia, uma espécie de sucedâneo do velho Quinto Império. Mas a história continua. Fomos o princípio do caminho marítimo para o sonho de um novo mundo, fomos a primeira partida para todas as sete partidas e o último regresso de além mar. Somos ainda quem fomos e, na raiz do mais além, continuamos a procurar o mistério de um império, que não foi mas há de ser …”[do II volume]
 

J.M.M.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

50 ANOS DA MORTE DE DELFIM SANTOS (1907-1966)



50 ANOS DA MORTE DE DELFIM SANTOS (1907-1966)

► “No ano em que se assinalam os 50 anos da morte de Delfim Santos (1907-1966), a Hemeroteca associa-se ao ciclo de iniciativas com o dossier digital DELFIM SANTOS NA IMPRENSA PERIÓDICA DE GRANDE CIRCULAÇÃO, que reúne colaboração do autor – professor, filósofo, pedagogo, ensaísta –, a partir das existências na coleção da Hemeroteca Municipal de Lisboa.

 Importa salientar que esta limitação temática impõe, à partida, excluir desta recolha uma parte muito substancial da colaboração de Delfim Santos em revistas e jornais especializados. E são várias dezenas os títulos em que publicou artigos e ensaios, desde que se estreou, com 18 anos, num efémero Diário de Sport, publicado no Porto: mencionem-se A Águia, a Princípio, a Presença, a Litoral, a Variante, a Revista de Portugal,... A lista exaustiva pode ser consultada em Delfiniana : o site de estudos sobre Delfim Santos, no separador Obra.

Longe de fragilizar o produto que se apresenta, esta opção permite revelar a faceta do dinamizador e promotor cultural, junto de um público indiferenciado. É também demonstrativa de um panorama em que a intelectualidade era ativamente convocada a participar, com textos de opinião, na comunicação social escrita, num processo de democratização da cultura, rompendo com a exclusividade de uma audiência de elites e dirigindo-se ao cidadão comum, interpelando-o, estimulando-o, numa tentativa de o elevar cultural e civicamente.
 
Consulte o dossier aqui.

J.M.M.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

RETALHOS DA VIDA DE UM MÉDICO, DE FERNANDO NAMORA - NOVA EDIÇÃO

Realiza-se amanhã, 23 de Novembro de 2016, pelas 18.30h, na Pousada de Condeixa a apresentação da reedição da obra de Fernando Namora, Retalhos da Vida de um Médico, numa organização da Casa Museu Fernando Namora e do Município de Condeixa-a-Nova.

O evento conta com a participação de António Arnaut, José Manuel Mendes, António Pedro Pita e Zeferino Coelho, além do Presidente da Câmara Municipal Nuno Moita da Costa e da Vice-Presidente, Liliana Marques Pimentel.

Uma excelente oportunidade para se voltar a falar de uma das obras e dos autores marcantes do século XX, em Portugal, agora em reedição pela Editorial Caminho e com um conjunto de intervenções que se aguardam com curiosidade.

Uma iniciativa a que não podemos deixar de desejar o maior sucesso.

A.A.B.M.


[DEBATE EM COIMBRA] 25 DE NOVEMBRO DE 1975. REFLEXÕES



COLÓQUIO/DEBATE: "25 de Novembro de 1975. Reflexões.

DIA:
24 de Novembro 2016 (18,00 horas);
LOCAL: Casa da Cultura (Rua Pedro Monteiro), Coimbra;


ORADORES : Coronel Vasco Lourenço | Coronel Diamantino Gertrudes da Silva | Moderação de Manuela Cruzeiro (investigadora do CES)

Trata-se de um debate/reflexão sobre os acontecimentos incontornáveis que envolveram o 25 de Novembro de 1975. Passados 41 anos sobre esse dia que reconfigurou o tecido militar-político-económico saído da revolução de Abril, será de boa utilidade fazer um debate desapaixonado sobre os seus antecedentes e observar a problemática em causa nesse momento em que irá culmina todo o PREC. Golpe militar radical, como dizem uns, ou golpe da facção moderada do MFA, segundo dizem outros, o 25 de Novembro de 1975 marca decisivamente uma viragem na política portuguesa, que não mais terá retorno. Saber quantos “golpes”, tantas quantas as forças militares e políticas em presença, existiram será porventura uma questão curiosa. Mas, o que politicamente mudou a partir desse dia terá de ser uma questão, necessariamente, de reflexão.     

J.M.M.

"NA LONJURA DE TIMOR" DE JOSÉ ANTÓNIO CABRITA

Na próxima quarta-feira, 23 de Novembro de 2016, pelas 17 horas, na Biblioteca Municipal de S. Brás de Alportel, realiza-se a apresentação da obra "Na Lonjura de Timor", de José António Cabrita.

A obra reúne vários elementos sobre uma das personalidades importantes e, hoje, algo esquecidas da nossa história, porque desempenhou papel de relevo na construção de Timor no século XX e deixou uma importante herança familiar para o século XXI: Manuel Viegas Carrascalão.

Manuel Viegas Carrascalão era natural de S. Brás de Alportel.

Manuel Viegas Carrascalao foi tipógrafo, foi Secretario-Geral das Juventudes Sindicalistas Portuguesas, foi varias vezes preso, a ultima das quais em 1925 (durante a I Republica), sendo condenado a 6 anos de degredo pelo Tribunal Militar. 
Fonte: João Freire,"As Juventudes Sindicalistas: Um Movimento Singular", 1989,

Manuel Viegas Carrascalão seguiu para Timor "metido" numa leva de deportados que, amontoados no navio "Pêro de Alenquer", largaram de Lisboa a 14 de Abril de 1927 e aportaram em Díli em 25 de Setembro do mesmo ano.

Numa carta de Manuel Viegas Carrascalão, datada de 24.07.1949, da «Fazenda Algarve- Liquiçá» e dirigida à Casa do Algarve em Lisboa , solicitava a sua inscrição como sócio. A carta está publicada no Boletim daquela associação regionalista. Dela extraímos as seguintes passagens:
«Pelo nome da minha fazenda , uma das mais importantes e belas deste maravilhoso Timor, tirarão Vossas Excelências a ilação de que não esqueci a formosa provincia onde nasci e que sinto imenso orgulho em ser algarvio» (...)«Vinte anos estive sem visitar o meu Algarve, de 1925 a 1945, mas, relembrava constantemente, as fontes, os valados, os moiroços, os montes e os caminhos da minha terra e a sua gente, essa inconfundível e boa gente de São Brás de Alportel, onde todos são petas e parentes. E mal que pude , mal que regressei à metrópole, ido do inferno que foi Timor durante a guerra , lá fui eu, em romagem à minha terra natal e à formosa cidade de Faro, onde me criei e me fiz homem.»(...)«Voltei , mas comigo voltou a saudade do meu Algarve, e logo que pude dei o seu nome à minha fazenda, homenageando assim a minha província e dando-me ligeiramente a impressão de que nela vivo.» (...)«E aqui vivo, aqui moirejo, acompanhado de minha mulher e dos meus dez filhos, que embora nascidos em Timor, amam também o nosso Algarve, um porque já o visitou e os outros porque... são filhos dum algarvio.» (...)
ALGARVE - Boletim Informativo da sua Casa Regional em Lisboa. 3ª série. Outubro 1953.


O apresentante da obra será o Dr. José do Carmo Correia Martins.

Uma obra que merece a melhor atenção e divulgação.

A. A.B. M.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

COLÓQUIO INTERNACIONAL "DETENÇÃO, DEGREDO E DEPORTAÇÃO NO IMPÉRIO COLONIAL PORTUGUÊS: HISTÓRIA E MEMÓRIA


Realiza-se nos próximos dias 23 a 25 de Novembro de 2016, com organização do Instituto de História Contemporânea, realiza-se no Museu de Angra do Heroísmo, nos Açores, o Colóquio Internacional "Detenção, Degredo e Deportação no Império Colonial Português: História e Memória".

Pode ler-se na nota de apresentação do colóquio:
O colóquio internacional Detenção, Degredo e Deportação no Império Colonial Português. História e Memória visa debater o papel e a importância da prisão e do degredo no quadro da repressão e da brutalidade no espaço imperial, expressão dos múltiplos níveis e manifestações da violência dos regimes políticos vigentes de finais do século XIX ao terceiro quartel do século XX.

O Colóquio toma como objecto a prisão e o degredo do ponto de vista do movimento social e político no espaço imperial, mas também como local de destino agravado para muitos dos que, a partir do centro do império, resistiam e combatiam pela liberdade e pela justiça social. Assim, esta iniciativa procurará estimular a discussão em torno da preservação da Memória, de lugares de sofrimento no império português e a sua transformação em lugares de liberdade.

Partindo do facto de se assinalarem os 110 anos da morte de Ngungunhana, imperador de Gaza no Forte de S. João Baptista na Ilha Terceira, nos Açores, os 80 anos da abertura do campo de concentração do Tarrafal e os 20 anos de criação da CPLP, o encontro decorrerá no período entre 23 e 25 de novembro de 2016.

O colóquio pretende analisar o processo histórico, nas suas vertentes do passado, presente e futuro, a partir de um ponto de vista inter e transdisciplinar, as linhas de pensamento colonial, as orientações ideológicas, o modo como o regime encarou os territórios insulares e coloniais como locais de deportação e os rumos que o império trilhou, assim como as estratégias, desafios e as expectativas dos novos Estados – Português e Africanos, na construção de uma Nova História.

Propõe-se que o colóquio reúna investigadores de diferentes países no sentido de darem o seu contributo em torno das várias temáticas, designadamente:

I – Tempo colonial: um inventário de homens e lugares (1875-1975)

- Revisitando arquivos no continente, ilhas e colónias;
- Os locais de sofrimento e de liberdade – património material e imaterial;
- Deportados e degredados: movimentos colectivos e percursos individuais.

II – Rota de Lugares: História e Memória (1875-2016)

- Uma arqueologia da violência e uma epistemologia da Memória;
- Os desafios da Democracia, uma nova museologia e o papel da CPLP na preservação do património.

PROGRAMA
Quarta-feira, 23 de Novembro
 Manhã 
10h00-11h00 – Sessão de Abertura 
Doutor Avelino Freitas de Menezes - Secretário Regional da Educação e Cultura 
Dr.º José Gabriel do Álamo de Meneses - Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo Dr.º Jorge Augusto Paulus Bruno - Director do Museu de Angra do Heroísmo 
Doutor Luís Farinha – Director do Museu do Aljube/Membro do Instituto de História Contemporânea 

Moderador: Sérgio Rezendes
11h00-11h15 – Coffe-Break 

11h00-13h00 
Mesa I 
Em África também se come pão!” Ou não... - Miguel Romão 
Deportação em massa - da I República à Ditadura Militar: arcaísmo e modernidade de uma prática de expulsão dos «indesejáveis» - Luís Farinha 
Degredo perpétuo do Imperador de Gaza em Angra do Heroísmo (1896-1906): reflexos no conto “Os ossos de Ngungunhana” (2004), de Marcelo Panguana. - Denise Rocha 

Moderador: Ana Sofia Ferreira 

Debate 

13h00-15h00 – Almoço Casa do Jardim, sito no Jardim Duque da Terceira 

Tarde 
15h00 -16:30h00
Mesa II 
Consulta ao Arquivo Historico da Direcção Geral do Ultramar: o registo central dos degredados para o Ultramar , 1870-1910 Sónia Henriques 
German Deportees in Portuguese Hands, Portuguese Prisoners in German Hands. Scenes from the First World War in Southern Africa” - Jacob Zollmann 
Carlos Rates e Mário Castelhano - duas diferentes experiências de degredo no Império Colonial Português - Luís Carvalho 

Moderador: Olga Iglesias 
Debate 

Quinta-feira, 24 de Novembro 
Manhã 
10h00-12h30 

Mesa III 
10H00-11H00: Da deportação sem aviso à falta de condições: a receção dos <criminosos políticos>nos AçoresSérgio Rezendes 
<Amanhã, será para ti>: Ditas e Desditas dos deportados algarvios em Angra do Heroísmo e no Tarrafal - Maria João Raminhos 
Tarrafal: os presos e a vida prisional (1936-1954) - João Madeira 

11h00-11h15 – Coffe-Break 

11h15- 12h30 
O grito da oposição goesa (1946)Filipa Sousa Lopes 
Escaping from social banishment: Amílcar Cabral and the war of liberation in west Africa portuguese colonies (1924-1975) - Ludovic Boris Pountougnigni Njuh 

Moderador: Susana Martins 
Debate 12:30 – 14:30 

Almoço 

Tarde 14h30-16h00 
Mesa IV 
Desterro, repatriamento e construção de memórias pós-coloniais em torno de Ngungunyane - Matilde Muocha 
Prisões de Mabalane e Sommerchild: locais de sofrimento, de sangue e morte, de solidariedade e fraternidade, de identidade e consciência política (1960-1974)Alda Saíde 
A “Vila Algarve” - Olga Iglésias 
Debate Moderador: João Madeira 

16h00-16h30 
Sessão de Encerramento Coronel Sebastião Joaquim Rebouta Macedo – Comandante do Regimento de Guarnição n.º 1 
Doutor João Maria Mendes - Instituto Histórico da Ilha Terceira 
Doutora Ana Sofia Ferreira - Instituto de História Contemporânea 
Moderador: João Madeira 
16:30 – Visita ao Forte de São João Baptista 

Sexta-Feira, 25 de Novembro 
10h00-17h00 - Visita guiada à Ilha Terceira (mediante inscrição)


O programa do congresso pode ser descarregado AQUI.

Com os votos do maior sucesso para mais esta interessante iniciativa.

A.A.B.M.