quarta-feira, 27 de setembro de 2017

I CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA LOCAL


Inicia-se amanhã, quinta e sexta-feira, 28 e 29 de Setembro de 2017 o I Congresso Internacional de História Local: Conceito, práticas e desafios na contemporaneidade, no Centro Cultural de Cascais.

Pode ler-se na nota de divulgação do congresso:
A história local, desde meados do século XIX, tem despertado o interesse de investigadores e curiosos que estudam o passado de uma determinada região ou comunidade com o propósito de lhes restituir a memória colectiva e individual. A nível científico, essa realidade verifica-se na multiplicação de dissertações de mestrado e teses de doutoramento sobre temáticas relacionadas com a história local, potenciando um manancial de conhecimento científico inovador e uma nova vaga de historiadores interessados em trabalhar temas de diversas zonas dos seus países.

O I Congresso Internacional de História Local propõe criar um espaço de partilha e reflexão interdisciplinar, valorizando a sua importância na historiografia contemporânea para um mais profundo entendimento da História, através de uma abordagem crítica do conceito e abrindo um debate em torno das metodologias e práticas de investigação. Contribuindo para a problematização de várias questões inerentes a uma ponderação teórico-metodológica, no período contemporâneo, pretende-se efectuar um esforço para a confluência de visões e de soluções que ajudem a superar as dificuldades de todos.

Para esclarecimento de dúvidas e esclarecimentos de potenciais interessados recomenda-se a visita à página do congresso AQUI.

O programa do congresso é o seguinte:

Dia 1 – 28 de Setembro de 2017

Recepção dos participantes – 8h30 às 9h00

Abertura – 9h00 às 9h15

Conferência – 9h15 às 9h45

Moderação: João Miguel Henriques
(Câmara Municipal de Cascais e IHC)

“História Local. Percurso e desafios na contemporaneidade” (Margarida Sobral Neto – Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

1º Painel “História Local: Teoria e Prática(s)” – 09h45 às 11h15

Moderação: Alice Cunha (IHC-FCSH/NOVA)
Sarottama Majumdar (University of Calcutta – Jadavpur University) – “The production of local history through comparing disparate texts”
Aaron McArthur (Arkansas Tech University) – “Civic Engagement and the Noble Pioneers”
Serkan Kelesoglu (University of Ankara) / Ismail Güven (University of Ankara) – “Contribution of local history in social studies teacher training programs”
Kanta Chatterjee (Basirhat College – Índia) – “In Lieu of “History” (‘Itihas’): Many Titles of Regional and Local Histories of Bengal 1860-1950”
Vikram Bhardwaj (Centre of Historical Studies – Jawaharlal Nehru University) – “Interface between Oral Narrative and local History: A Case Study of Shimla Hills”

Coffee-Break – 11h15 às 11h30

2º Painel – “A I República nos espaços locais” – 11h30 às 12h45

Moderação: Diogo Ferreira (IHC-FCSH/NOVA)
Jorge Ricardo Pinto (ISCET e UTAD) – “A memória de um lugar desaparecido do Porto republicano do princípio do século XX”
Soraia M. Marques Carvalho (FLUL) – “A República em Sacavém. O movimento político na vida da localidade nos primeiros anos”
João Lázaro (CIES-IUL) – “O Republicanismo na Póvoa de Santa Iria na Alvorada do 5 de Outubro de 1910. Uma história local”
Luís Carvalho (FCSH/NOVA) – “Carlos Rates na história de Setúbal: sindicalismo e imprensa na Iª República”
Isabel Melo (Universidade Complutense de Madrid e LASA) – “Orfanato Municipal Presidente Sidónio Pais em Setúbal”

Almoço – 12h45 às 13h30

3º Painel – “Desafios Metodológicos” – 13h30 às 15h00

Moderação: Ivo Veiga (IHC-FCSH/NOVA)
João Paulo Avelãs Nunes (DHEEAA/FLUC e CEIS20/UC) / Pedro Carvalho (DHEEAA/FLUC e CEIS20/UC) / Ana Isabel Ribeiro (DHEEAA/FLUC e CEIS20/UC) / António Rochette Cordeiro (DGT/FLUC e CEIS20/UC) / Luís Alcoforado (FPCEUC e CEIS20/UC) – “História local, interdisciplinaridade e rentabilização social do conhecimento”
Diogo Ferreira (IHC-FCSH/NOVA) – “História Local: Reflexões em torno do seu percurso, importância e potencialidades”
Marco Oliveira Borges (Centro de História e Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa) – “Historiografia marítima de Cascais (1873-1974): metodologias, divulgação histórica e legado cultural”
Patrícia de Almeida (CEIS20-UC) – “Biblioteca Escolar e História Local: as relações (im)previstas”
Ana Mendes (FLUP) – “O Património dos Condes de Azevedo: usos e funcionalidades na contemporaneidade”
Inês Castaño (IHC-FCSH/NOVA) / Maria Inês Queiroz (IHC-FCSH/NOVA) – “L3-Lisboa Laboratório Comum de Aprendizagem: Uma experiência colaborativa de investigação/aprendizagem em História Local”

Coffee-Break – 15h00 às 15h15

4º Painel – “As Guerras e os seus impactos regionais” – 15h15 às 16h30

Moderação: Pedro Leal (FLUL)
Eunice Relvas (IHC-FCSH-UNL e GEO-CML) – “Governação Municipal de Lisboa na Grande Guerra (1914-1918): Problemas e Soluções”
José Pedro Reis (FLUP) – “O impacto da Iª Guerra Mundial no futuro concelho da Trofa”
Fátima Afonso (C.M. do Seixal) – “O jornal A Voz d’Amora (1916-1919) e o concelho do Seixal durante a Grande Guerra”
Mariana Castro (IHC-FCSH/NOVA) – “O Contrabando em Elvas no Pós I Guerra Mundial (1919-1922): nas malhas da ilegalidade”
Simeone Del Prete (University of Rome «Tor Vergata») – “The “triangle of death”: postwar violence in Emilia-Romagna (1945-1948)”

Conferência – 16h30 às 17h00

Moderação: Teresa Nunes (IHC e FLUL)

“História Local – um pretexto de para falar de História” (Maria da Conceição Meireles Pereira – Faculdade de Letras da Universidade do Porto)


Dia 2 – 29 de Setembro de 2017

Conferência – 9h00 às 9h30

Moderação: António Paulo Duarte (IHC e IDN)

“História da Maçonaria numa perspectiva local: fontes e métodos” (António Ventura – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)

5º Painel – “Espaços, Memória e Património” – 9h30 às 11h00

Moderação: Inês José (IHC-FCSH/NOVA)
Maria João Pereira Coutinho (IHA-FCSH/NOVA) / Inês Gato de Pinho (Civil Engineering Research and Innovation for Sustainability – IST-UL) – “Planta da vila de Setúbal em 1793: Das portas e postigos ao edificado religioso e civil”
Alexia Shellard (Universidade Federal do Rio de Janeiro) – “Bororos e a história do Mato Grosso”
Timóteo Cavaco (IHC-FCSH/NOVA) – “A Análise de redes aplicada às famílias nas Igrejas Batistas de Viseu e de Tondela (1930-1945)”
João Santos (IHC-FCSH/NOVA) – “Memória Operária e História Local – O caso da região (pós) industrial de Setúbal”
Luísa Seixas (IHC-FCSH/NOVA) / Filipe Silva (IHC-FCSH/NOVA) – “Memória das Avenidas. História em comunidade – enquadramento e desafios”

Coffee-Break – 11h00 às 11h15

6º Painel – “Identidades na História Local” – 11h15 às 12h30

Moderação: João Pedro Santos (IHC-FCSH/NOVA)
Nulita Andrade (IHC-FCSH/NOVA) – “Visconde da Ribeira Brava na Câmara dos Deputados: o político nas redes que teceu com seus pares (1882-1884)”
Frederico De Sousa Ribeiro Benvinda (FLUL) – “A vereação de Zófimo Consiglieri Pedroso na Câmara Municipal de Lisboa (1886-1889): Propostas e modificações locais”
Cristóvão Mata (FLUC) – “A Casa de Aveiro: entre o estudo do regime senhorial e a história local”
Pedro Pires (FLUL e IDN) – “General Alberto Ilharco e a sua visão da cidade do Porto no ataque à Monarquia do Norte em 1919”
Maria Mota Almeida (IHC-FCSH/NOVA e ESHTE) – “Diz-me como ages, dir-te-ei quem és’: João Couto e a génese do Museu-Biblioteca Condes de Castro de Guimarães-Cascais.”

Almoço – 12h30 às 13h15

7º Painel – “Práticas musicais em contextos locais” – 13h15 às 14h45

Moderação: Soraia Simões (IHC-FCSH/NOVA)
João Pedro Costa (Universidade de Évora) – “Os espaços públicos de sociabilidade musical na Évora Oitocentista: Passeio Público, Rossio de São Braz e Praça do Geraldo”
Rita Faleiro (CESEM – FCSH – Universidade de Évora) – “A presença musical no Algarve oitocentista: o tavirense Tomás de Aquino Abreu e a sua actividade musical sacra da segunda metade do século XVIII.”
Bruno Madureira (IHC-FCSH/NOVA e Conservatório d’Artes de Loures) – “O movimento filarmónico no concelho de Oeiras – tradição, declínio e revitalização”
Luís Henriques (CESEM-Universidade de Évora) – “A ideia de local e global na história musical açoriana: O caso da cidade da Horta na segunda metade do século XIX”
Daniela Alves (CIIIC-ISCET) / Hélder Barbosa (CIIIC-ISCET) / Jorge Ricardo Pinto (ISCET e UTAD) – “Percursos e Lugares da violoncelista Guilhermina Suggia, entre o Porto e a Maia, na primeira metade do século XX”

Coffee-Break – 14h45 às 15h00

8º Painel – “Desafios económicos e sociais locais nos panoramas nacionais” – 15h00 às 16h30

Moderação: Ana Paula Pires (IHC-FCSH/NOVA e Universidade de Stanford)
Mariana Silva (ISCTE-IUL, FCSH-NOVA e CRIA) – “A Cidade do Trabalho: Contributo para uma genealogia dos contextos discursivos da identidade local em S. João da Madeira”
Vanessa Pereira (IHC-FCSH/NOVA) – “Elementos para a história local de sítios mineiros: a penetração do capital estrangeiro e a construção da Mina de São Domingos”
Rúben Lopes (FCSH/NOVA) – “Um «concelho de feição corporativa»: a implementação e o funcionamento dos organismos corporativos no concelho do Seixal (1933-1974)”
Leonardo Aboim Pires (IHC-FCSH/NOVA) – “Dimensões da mudança socioeconómica no mundo rural português: Vinhais, 1950-1974”
Pedro Leal (FLUL) – “«Nem tudo é burguesia, nem tudo é riqueza e luz nesta terra»: a mobilização popular e o conflito social no concelho de Cascais após o 25 de Abril de 1974.”

Conferência de encerramento – 16h30 às 17h00

Moderação: Teresa Nunes (IHC_e FLUL)

“Histoire, histoire locale, histoire économique: de la monographie territoriale à la considération des jeux d’échelle. De quoi «l’histoire locale» peut-elle être le nom aujourd’hui?” (Alexandre Fernandez – Université Bordeaux Montaigne)

A todos os interessados neste interessante congresso fica a sugestão.
Múltiplas abordagens, diferentes interpretações, novas metodologias e temas para trabalhar de forma diferente para o futuro.

Muito interessante.

A.A.B.M.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

VERGÍLIO CORREIA (1888-1944): UM PERCURSO ÍMPAR NA HISTÓRIA, NA CULTURA E NAS ARTES

Realiza-se na próxima quinta-feira, 28 de Setembro de 2017, nas instalações da Torre do Tombo, em Lisboa, a conferência que marca o encerramento da exposição fotográfica dedicada ao Prof. Vergílio Correia e que foi inaugurada no âmbito da comemoração do Dia Internacional dos Arquivos, realizadas no passado dia 9 de junho, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em colaboração com o Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Centro de Estudos Vergílio Correia, a Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, a Associação Ecomuseu de Condeixa e a Academia Nacional de Belas Artes, que levou a efeito a exposição evocativa do eminente historiador de arte, arqueólogo, etnólogo e professor universitário, Vergílio Correia, a partir do seu arquivo documental e fotográfico. 

O programa da conferência é o seguinte:

10H00 | 11H15 
Silvestre Lacerda (ANTT): Apresentação 
Alexandre Ramires: Vergílio Correia e a fotografia 
Miguel Pessoa (CEVC): A criação do Centro de Estudos Vergílio Correia 

11H15 | 11H30 pausa 

11H30 | 13H00 
Paulo Silva (Centro de Estudos de Investigação do século XX / UC): Vergílio Correia e o Estado Novo - a sua prisão no Aljube, em 1932 
Fernando Grilo (ARTIS-FLUL): A polémica entre Vergílio Correia e Guido Batelli 
Raquel Vilaça (FLUC): Um périplo pelas arqueologias de Vergílio Correia 

13H00 | 15H00 almoço 

15H00 | 16H30 
Vitor Serrão (ARTIS-FLUL): Vergílio Correia historiador de arte 
Vera Mariz (ARTIS-FLUL): O Inventário Artístico de Portugal da ANBA 
Clara Moura Soares (ARTIS-FLUL): O pensamento patrimonial de Vergílio Correia (à luz dos artigos no Diário de Coimbra) 
16H30 | 16H45 pausa 

16H45 | 17H30 
António Ventura (FLUL): Vergílio Correia e a sua filiação maçónica 
Ana Venâncio e Rosário Salema de Carvalho (ARTIS-FLUL): Vergílio Correia e a comissão de inventariação dos azulejos do estado (1920-1928) 
Nuno Moita da Costa (CMCAN): O movimento para a promoção da candidatura de Conímbriga a Património Mundial da UNESCO 

Encerramento da Exposição.

Interessante iniciativa que permite revisitar a personalidade e o trabalho desenvolvido pelo Prof. Vergílio Correia, nas suas diferentes dimensões.

A acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ANAIS DO MUNICÍPIO DE FARO, VOL. XXXIX



No próximo dia 15 de Setembro de 2017, realiza-se a apresentação do novo número dos Anais do Município de Faro, pelas 17.30 h, 

A apresentação deste novo número da revista estará a cargo do Prof. João Pedro Bernardes. 

Assegurou a Direcção dos Anais nos últimos anos e até ao presente número o Professor Joaquim Antero Romero Magalhães, professor jubilado de História Económica e Social da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

A revista apresenta, conforme se pode constatar pelo índice que abaixo se apresenta, um conjunto de artigos muito interessante. 
Permita-se-nos o destaque para o artigo sobre o bispo D. Jerónimo Osório, o texto sobre Cândido Guerreiro, o regionalismo de Mateus Moreno, por ligações familiares e afectivas o texto sobre o canteiros de S. Brás de Alportel, a política de obras públicas na cidade de Faro, durante o Estado Novo e, por último, a questão da localização da estátua de D. Afonso III na cidade de Faro.

Índice:
07 ANAIS: UMA REVISTA QUE SE RENOVA E QUE INOVA  Rogério Conceição Bacalhau Coelho  
09 APRESENTAÇÃO DOS ANAIS 2017  Joaquim Romero Magalhães  
13 A CERÂMICA PÚNICO-TURDETANA DE FARO NO PERÍODO ROMANO  João de Deus Gomes  
43 NUNO FERNANDES DE ATAÍDE, “O QUE NUNCA ESTÁ QUEDO”  DE ALCAIDE DE ALVOR A CAPITÃO E GOVERNADOR DE SAFIM  Fernando Pessanha  
61 BREVES NOTAS SOBRE D. JERÓNIMO OSÓRIO, BISPO DO ALGARVE  Joaquim Romero Magalhães  
71 O CULTO DA CAPELA DE NOSSA SENHORA DO REPOUSO DE FARO:  DE LIMITADO NICHO A CAPELA SETECENTISTA  Marco Lopes  
83 A DESCOBERTA DE UM “TESOURO” NUMISMÁTICO NA CIDADE DE FARO  Francisco Rosa Correia e Eliana Goufa  
97 O ÓRGÃO DA SÉ CATEDRAL DE FARO E O ÓRGÃO DA SÉ CATEDRAL DE MARIANA:    UMA NARRATIVA CONVERGENTE  Aziz José de Oliveira Pedrosa 
113 PINTURA ANTIGA NO MUSEU MUNICIPAL DE FARO  Patrícia Moreira Félix 
137 ESPAÇO, MEMÓRIA E CULTURA  Fernanda Zacarias 
151 CÂNDIDO GUERREIRO, O POETA QUE FARO SOUBE AMAR  Luísa Fernanda Guerreiro Martins 
163 MATEUS MORENO (1892-1970) E O REGIONALISMO ALGARVIO  A. Paulo Dias Oliveira 181 CANTEIROS DE S. BRÁS DE ALPORTEL  José d'Encarnação 
197 O ARQUITECTO JORGE OLIVEIRA E A POLÍTICA DE  OBRAS PÚBLICAS DO ESTADO NOVO NA CIDADE DE FARO  Isabel Cruz 
229 FARO: A ESTÁTUA DE D. AFONSO III E A QUESTÃO DA SUA LOCALIZAÇÃO  Marco Sousa Santos  
VISTOS E VISTAS 
241 DESPEDIDA  Marília Estêvão de Castro 
251 FARO, TEMPOS IDOS  João Leal 
261 O BAILE  José Matos Guita

Uma revista que vai persistindo apesar das dificuldades, com alguns textos de pesquisa muito interessantes e vão chamar a atenção dos leitores.

Com os votos do maior sucesso para o evento.

A.A.B.M.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

[COIMBRA – 7 DE SETEMBRO] COMEMORAÇÕES DOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE CAMILO PESSANHA



DIA 7 DE SETEMBRO - COIMBRA  COMEMORAÇÕES dos 150 Anos do Nascimento de Camilo Pessanha.

PROGRAMA
 
 
J.M.M.

ENCONTRO DE HISTÓRIA DE LOULÉ

Nos próximos dias 8 e 9 de Setembro de 2017, sexta-feira e sábado, realiza-se o Encontro de História de Loulé, no Auditório do Convento do Espírito Santo.

Este encontro conta com vários investigadores que analisam a História de Loulé desde a Antiguidade Romana, passando pela Idade Média, pela Época Moderna, ao Liberalismo. Estudaram-se acontecimentos, personalidades, marcas e transformações que ocorreram em Loulé ao longo dos tempos e que alteraram a sua configuração e o comportamento dos seus habitantes ao longo do tempo.

O evento é gratuito para todos os interessados, embora seja necessário realizar uma inscrição cuja hiperligação pode ser encontrada mais abaixo.

08 SETEMBRO 
 09h30 Sessão de Abertura 
10h00 Sessão Inaugural 
- Loulé e o Algarve nas Cortes medievais portuguesas, Luís Miguel Duarte 10h30 Debate 
10h45 Pausa
11h15 Painel 1: Património e Legados 
Moderação: Susana Gómez Martínez 
O acervo conquífero romano do vicus portuário Cerro da Vila, Vilamoura, Loulé, Filipe Henriques, Ana Pratas 
Pontes romanas em Loulé?, Isabel Luzia 
As muralhas de Loulé, Alexandra Pires 
12h15 Debate 
12h45 Almoço livre 

14h20 Painel 2: Sociedade, Poderes e Economia 
Moderação: Fátima Botão 
A conquista, o orago e os priores de Loulé, Luís Filipe Oliveira
Judeus de Loulé nos séculos XIV-XV: no prolongamento do al-Andalus, José Tavim 
A produção de figos e passas entre cristãos, judeus e muçulmanos em Loulé, no século XV, Maria Filomena Barros 
15h20 Debate 
15h50 Pausa 

16h20 Painel 3: Espólio Documental - Valorização e Preservação 
Moderação:  Nelson Vaquinhas 
Marcas de água do Arquivo Municipal de Loulé (séculos XIV e XV), Maria de Fátima Machado 
A carta de curso inédita de um bacharel louletano do século XVI (1539), Marco Sousa Santos Recuperação e valorização de documentos do Arquivo de Loulé - Desafios e metodologias de intervenção, Helena Nunes 
17h20 Debate 
17h50 Lançamento do Caderno do Arquivo Loulé e a Grande Guerra, de Ana Paula Pires.


09 SETEMBRO

09h30 Painel 4: Instituições e Quotidiano 
Moderação:  Andreia Fidalgo 
Dinâmicas confraternais seiscentistas na Misericórdia de Loulé: assistência, culto e cultura, Joana Pinho 
Loulé em processos da Inquisição (sécs. XVI-XVIII), Daniel Giebels 
A terra tremeu e a vida continuou. Quadro da vida quotidiana do concelho de Loulé em meados do século XVIII, Luísa Martins 
10h30 Debate 
11h00 Pausa 

11h30 Painel 5: Os Homens, os Conflitos e os Movimentos Migratórios 
Moderação: Joaquim Rodrigues 
Loulé e as lutas liberais, José Carlos Vilhena Mesquita 
Marçal Pacheco. Um político algarvio do século XIX, Artur Barracosa Mendonça 
A imigração de Andaluzes para a vila de Loulé ao longo do século XIX, João Romero Chagas Aleixo 
12h30 Debate 
13h00 Almoço livre 
14h30 Visita à Estação Arqueológica do Cerro da Vila 

Arquivo Municipal 
18h00 Lançamento do Livro O Município de Loulé nos finais da Época Moderna: economia, sociedade e administração, de Teresa Fonseca 
18h30 Sessão de Encerramento

A inscrição no Encontro de História de Loulé pode ser feita AQUI.
O programa pode ser consultado abaixo (Clicar na imagem para aumentar):
Uma iniciativa que se saúda e que temos todo o gosto em divulgar junto de todos os interessados na temática da História Local. O evento conta com a organização da Câmara Municipal de Loulé e o apoio do CEPAC-Universidade do Algarve e do CIDEHUS - Universidade de Évora.

Com os votos do maior sucesso para a organização e para todos os intervenientes.

A.A.B.M.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

LUÍS GUERREIRO


Provavelmente, como muitos, posso dizer que conhecia o Luís Guerreiro desde sempre, já que pouco mais de uma década nos separava em idade. Cresci em Clareanes, a meio caminho entre Loulé e Querença e os meus familiares conheciam o Luís. Além disso, a colaboração regular que ele mantinha na “Voz de Loulé” era sempre lida com atenção lá em casa, ou não houvesse uma assinatura do jornal local há muitos anos.

Na já longínqua década de oitenta, do século XX, encontrava-o por Loulé. Lembro-me que a sede da “Voz de Loulé”, em dada altura (penso que nos últimos anos da década de oitenta), esteve instalada numa sala das Galerias D. Leonor e ele andava por lá juntamente com o Neto Gomes, até porque já tinha regressado dos seus estudos de engenharia em Lisboa e já trabalhava na Câmara Municipal de Loulé.

No início da década de noventa fui eu que abandonei Loulé para ir estudar História, na Faculdade de Letras, em Coimbra. Logo no meu segundo ano de curso, 1991/1992, aproveitei as férias de Natal e de Páscoa para realizar uma pesquisa no Arquivo Municipal de Loulé, sobre as “Migrações internas a partir do concelho de Loulé (1810-1820)” com base nos livros de passaportes. Texto que alguns anos mais tarde foi publicado na revista Al-Úlyá. No ano letivo seguinte fiz uma abordagem ao final da Monarquia Constitucional e aos confrontos políticos em Loulé nos anos conturbados da transição entre a Monarquia Constitucional e a I República, artigo também publicado na mesma revista com o título “Publicidade, Política e Cultura na Imprensa Louletana (1907-1912)”.

Este gosto pela história local, os livros e publicações antigas sobre o Algarve foram os pontos de contacto que acabaram por nos aproximar. A partir de meados da década de noventa passei a contactar regularmente com o Luís. Depois começamos da contactar via telefone, mais tarde via email e depois via facebook.

Durante as férias fazíamos sempre os nossos encontros. Desculpem a inconfidência, mas excepto dois ou três amigos mais chegados e a família, era dos poucos com quem mantinha um contacto regular e gostava muito das nossas trocas de ideias e de conhecimentos. Um café aos sábados no Calcinha, em Loulé, ou noutros espaços eram habituais durante os meses de Verão e, muitas vezes, no período do Natal, e conversas que eram como as cerejas, sobre os mais variados temas, incidindo quase sempre sobre as figuras, os episódios e as fontes sobre a história de Loulé e do Algarve. As edições que cada um de nós tinha e que encontrávamos nas nossas deambulações pelas feiras de velharias e pelos alfarrabistas. Numa dessas conversas começou a falar-se da necessidade de existir de forma acessível um local onde se reunissem as publicações periódicas algarvias. Nós que adoramos os papéis velhos, que para muitos são lixo, sentíamos que era importante reunir e estudar essa informação/documentação. Os arquivos e museus do Algarve, tal como a própria Universidade do Algarve, na maior parte dos casos, são recentes e a informação da imprensa regional onde se encontra informação inestimável está muitas vezes em Lisboa, Coimbra e Porto, longe dos investigadores que têm vindo a aumentar. Pode parecer estranho, para alguns menos informados, mas alguma colecções mais antigas de periódicos não existem no Algarve, ou se existem são muito incompletas. Esta situação obriga os investigadores a partir para a Biblioteca Nacional, em Lisboa, para a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra ou para a Biblioteca Pública Municipal do Porto, para se poder consultar os jornais e revistas que se publicaram pelo Algarve. Não fazia e não faz sentido!!! Isto tornava e torna bastante onerosa qualquer investigação que obrigue a estas deslocações.

Estes interesses comuns e o gosto pelos mesmos temas levaram a que me convidasse a participar para uma conferência no Arquivo Municipal de Loulé, em Abril de 2003, numa altura em tentava ultimar o texto da dissertação de mestrado sobre “Os Republicanos e o Republicanismo no Algarve (1870-1910)”, que infelizmente acabou por nunca ser concluída. O texto dessa conferência acabou por nunca ser publicado, mas existe em papel e já foi citado em vários trabalhos sobre a temática “A Organização do Partido Republicano no Algarve: o caso de Loulé (1881-1910)”. Mais tarde, através do Luís, participei no I Curso Livre de História Contemporânea do Algarve (2008), organizado pela Fundação Manuel Viegas Guerreiro. Encontramo-nos também entretanto na última edição do Congresso do Algarve em 2007 e, mais tarde, no Congresso Outras Vozesna República, realizado na Figueira da Foz em 2011, entre vários outros.

Foi este interesse do Luís pela I República, em particular no Algarve, que o terá levado a convidar-me para o ajudar na realização da Exposição sobre “Mendes Cabeçadas e a República no Algarve”[ver nota AQUI.]. O seu entusiasmo neste empreendimento, o sucesso que a mesma teve na época e a edição do catálogo da mesma foram momentos que partilhamos entre nós. Fica a memória dos episódios, das conversas e das partilhas de informação.

Pessoalmente, estivemos juntos pela última vez no Verão de 2016, quando a doença já se tinha manifestado. Estivemos juntos durante um bom bocado à conversa. Chegou acompanhado pela esposa, com um sorriso nos lábios, aquele sorriso simpático, afável que cativava, e trazia um conjunto de livros para oferecer. Eu estava um pouco temeroso na abordagem, era normal, depois de saber da doença, mas a conversa à volta de um chá e de um café foi normal. Porém, a dada altura manifestou o seu cansaço. Os tratamentos ainda duravam, mas havia esperança.

Trocamos algumas mensagens até Maio de 2017, na altura da 2ª edição do FLIQ, quando através de amigos comuns soube que tudo se tinha complicado. Infelizmente, apesar do combate, da resistência, dos tratamentos, o Luís partiu. Perdi um AMIGO, mas a família perdeu um ente querido. É estranho estar em Loulé e não fazermos as nossas tertúlias…


Cabe-nos a nós levarmos a bom termo alguns dos projectos que tinha entre mãos, sobretudo a questão da Hemeroteca Digital do Algarve, obtendo financiamento através do orçamento participativo.

Este texto e muitos outros que foram convidados a participar na homenagem por ocasião do aniversário do nascimento de Luís Guerreiro podem ser consultados AQUI.


A.A.B.M.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

[ASSOCIAÇÃO CULTURAL 24 DE AGOSTO] NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES THOMAZ – FIGUEIRA DA FOZ



DISCURSO PROFERIDO NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS NO DIA 24 DE AGOSTO DE 2017, NA FIGUEIRA DA FOZ, pela Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto

“A Figueira da Foz continua a celebrar orgulhosamente os aniversários da Revolução Liberal de 24 de Agosto de 1820. Sob a luz que nos é proporcionada pelo nosso conterrâneo Manuel Fernandes Tomás continuamos, nesta terra, a reunir-nos, neste momento simbólico, e a assinalarmos, em conjunto, esse momento único da história da pátria em que de súbditos passámos a cidadãos.

E este encontro anual continua a ser importante. É importante porque uma cidade também se faz das tradições que se vão construindo. Das suas figuras históricas mais relevantes. Da marca cívica que elas tenham deixado. Do exemplo que tenham legado às gerações seguintes. E a Figueira da Foz tem muitas dessas personagens de quem se pode orgulhar e a quem deve prestar culto. A cidade e as suas instituições têm-no feito e é caminho que deve ser continuado. É a cidade que se une e se revê na vida e na obra dos seus mais ditosos filhos.

E à cabeça desse grupo de personalidades está, evidentemente, a figura quase tutelar de Manuel Fernandes Tomás.

Não valerá a pena repetir os aspectos centrais da sua biografia. Ela é razoavelmente conhecida e a sua valentia, probidade e a inteligência estão bem inculcadas nas mentes e nos corações da grande maioria dos figueirenses. Para isso, vale a pena dizer, em muito contribui a majestosa estátua que, há mais de 100 anos, um grupo de homens generosos lhe quis erigir.

A propósito da majestosa estátua convém dizer – e isso nem sempre é notado – que o topónimo da Praça onde está se encontra não poderia ser mais adequado. O 8 de maio de 1834, com a chegada, a Coimbra, do contingente de tropas liberais comandadas pelo Duque da Terceira colocou, praticamente, um ponto final num dos mais sangrentos períodos da história portuguesa. Passado poucos dias, a 26 de maio, a chamada “Convenção de Évoramonte” deu letra de forma a esse armistício, consumando a instituição, entre nós, de uma monarquia de índole liberal.

Mas voltando ao 197º aniversário que hoje assinalamos, importa dizer que a distância temporal a que já estamos dos acontecimentos retira-nos, talvez, alguma capacidade para captar, na íntegra, a importância da revolução liberal no curso da história do país.

O levantamento de agosto de 1820 colocou, naquele então, o nosso país na linha frente, no concerto ocidental, no plano da consagração legal dos direitos civis e políticos, na liberdade de expressão e de reunião e na separação de poderes.

E hoje, desde o 25 de abril, esses adquiridos são-nos tão familiares que nem nos apercebemos bem de quão revolucionários eles foram nos alvores do séc. XIX.

É também importante lembrar que as conjuras contra o absolutismo exigiam uma coragem bem diferente daquela que hoje, comodamente, sentados em frente ao computador, através das redes sociais, se usam para criticar tudo e mais alguma coisa. Se acaso fosse preciso prova, menos de três anos antes da revolução liberal, o martírio do Gomes Freire de Andrade estava aí para o comprovar.

E é por isto. É por tudo isto, que, na Figueira da Foz, continuamos a celebrar o 24 de agosto e exaltamos a memória de Manuel Fernandes Tomás. Porque o seu exemplo nos ilumina o caminho. Porque queremos ser cidadãos livres num país livre.

Viva a liberdade!”
 
[Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto, 24 de Agosto de 2017] - | sublinhados nossos
J.M.M.

domingo, 27 de agosto de 2017

[GRANDE ORIENTE LUSITANO – MAÇONARIA PORTUGUESA] NA EVOCAÇÃO DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES THOMAZ – FIGUEIRA DA FOZ



DISCURSO PROFERIDO NA EVOCAÇÃO DA REVOÇUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES THOMAZ NO DIA 24 DE AGOSTO DE 2017, NA FIGUEIRA DA FOZ, pelo Grande Secretario Geral do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa

“Em nome do Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano quero expressar a todos os presentes a satisfação de estarmos aqui para lembrarmos o nome de Manuel Fernandes Tomás ilustre cidadão a quem nós, hoje, neste dia e em todos os dias do ano muito devemos: o direito de sermos cidadãos com direitos e deveres perante o todo social. O direito do primado da lei, da separação de poderes, de uma Constituição ter plasmado um conjunto de normas que constituem a garantia de um Estado de direito.

Não queremos deixar de destacar a importância deste momento e que vai muito além de comemorarmos uma data. Ao estarmos aqui reunidos lembrando um filho desta terra, ao destacarmos a figura do cidadão Fernandes Tomás, estamos a dar referências de valores e de cidadania às gerações atuais. Saudamos, por isso, a Câmara Municipal da Figueira da Foz, a Associação 24 de Agosto e a Associação Manuel Fernandes Tomás por este ato. Saudamos todos os maçons de todas as Obediências, homens e mulheres, e saudamos também, e naturalmente de uma forma muito especial, a Loja Fernandes Tomás do Grande Oriente Lusitano, ao ter como patrono este nome ímpar da história portuguesa e ao encontrar nele um exemplo para o seu trabalho de todos os dias.

Existem maçons hoje na Figueira da Foz? Sim, existem e têm orgulho nisso. Tal como no passado existiram associações de apoio aos mais desfavorecidos, aqui a Maçonaria criou escolas e exerceu uma profunda influência cultural e cívica através de associações e jornais. Na história da cidade existe o registo da atividade de diversas Lojas que honraram a memória de inúmeros cidadãos naturais da cidade, ou que a ela estiveram ligados pela sua atividade profissional ou política. Nomes como António Augusto Esteves, escritor e bibliófilo, Maurício Águas Pinto, fundador dos Rotários figueirenses, Joaquim de Carvalho, ilustre professor universitário, Joaquim António Feteira, comerciante, Goltz de Carvalho, professor e naturalista, António dos Santos Rocha, advogado, arqueólogo e cujo nome se perpetua no Museu da cidade, do poeta João de Barros, ou de Gentil da Silva Ribeiro, simultaneamente operário, dirigente republicano e impulsionador do associativismo e da imprensa local têm além da sua condição de figueirenses a qualidade de terem sido maçons do Grande Oriente Lusitano.

Qual a relação de tudo isto com Manuel Fernandes Tomás? O Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa sente particular orgulho em ter contado de entre os seus membros um Homem com a grandeza de Manuel Fernandes Tomás tal como sente orgulho nos maçons que hoje, como nos trabalharam na Figueira da Foz.

Ao evocarmos Fernandes Tomás e celebrarmos o dia 24 de agosto estamos a recuar à Revolução Liberal de 1820. Estamos a relembrar o homem que encarnou a alma dessa revolução, cuja matriz era a elaboração de uma Constituição, expressão de uma cidadania composta pela participação de todos da vida da sociedade, moldada em direitos e deveres para com o todo social. Estamos também a manter vivas as ideias do Bem Comum e do bom governo que fizeram história a partir do século XVIII, com as teorias de Locke, Hobbes, Montesquieu ou Rousseau. Aliás, é este quem afirma que a Lei depois de aprovada pelo soberano, sendo este o povo reunido em assembleia, se converte em vontade geral, que será posteriormente executada pelo governo, grupo de homens particulares a quem cabe a aplicação concreta das leis, e que naturalmente nunca vai contra o Bem Comum”.
 
[Grande Secretario Geral do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa, 24 de Agosto de 2017] | sublinhados nossos
 
J.M.M

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

[FIGUEIRA DA FOZ] 24 DE AGOSTO (18,00 H) – CELEBRAÇÃO EVOCATIVA DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS


FIGUEIRA DA FOZ - HOMENAGEM a Manuel Fernandes Tomás e à Revolução Liberal de 1820.

 
PROGRAMA PARA O DIA 24 DE AGOSTO:

 
18.00 Horas - Deposição de uma coroa de flores junto à estátua de Patriarca da Revolução Liberal, Manuel Fernandes Tomás, na Praça 8 de Maio;

 
18.30 HorasSessão Solene Evocativa da Revolução Liberal e do Percurso Cívico e Político de Manuel Fernandes TomásSalão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho.

 


INTERVENÇÕES: Presidente da Associação Cívica e Cultural 24 Agosto | Grande Oriente Lusitano | Presidente da Associação Manuel Fernandes Tomás | Câmara Municipal da Figueira da Foz | Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Juiz Conselheiro Dr. António Silva Henriques Gaspar [que preside às Celebrações]


 
J.M.M.

domingo, 20 de agosto de 2017

VERGÍLIO FERREIRA, NOS FICHEIROS SECRETOS DO SEMINÁRIO DO FUNDÃO



Ficheiros Secretos” – por António Valdemar, in Caderno E, Expresso
 
O escritor, o poeta, o filósofo e outras figuras intelectuais e artísticas deverão ser estudados, a partir da sua vida real, de actos e factos concretos que surgiram desde o nascimento á morte; ou os estudos e interpretações deverão, apenas, circunscrever-se às circunstâncias que se tornam evidentes através da sua obra?
 
Arnaldo Saraiva, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tem adotado a primeira destas metodologias numa série de folhetos acerca de figuras públicas. O último intitula-se: "Vergílio Ferreira, Seminarista nos seminários do Fundão e da Guarda".
 
Uma investigação de extrema minúcia permitiu-lhe reconstituir o que se ignorava das origens familiares: o pai, fogueteiro, a mãe, doméstica, emigrantes nos Estados Unidos e que emprestavam dinheiro a juro; a criança a cargo da avó e das tias; Vergílio Ferreira estudante aplicado na escola primária e com aproximação diária à igreja (o tio-avô era o pároco), a ajudar à missa, e em latim, antes dos seis anos; a tocar violino e a participar nas atividades de organizações católicas (Congregação dos Filhos de Maria e Agregação do Santíssimo Sacramento).
Com a classificação de Muito-Bom, no exame geral da quarta classe do ensino primário, entrou, aos 10 anos, em 1926, no Seminário do Fundão. Arnaldo Saraiva procurou, fundamentalmente, apurar tudo o que vem (e não vem) na obra de mons. Alfeu dos Santos Pires, "História e Vida dos Seminários da Guarda e do Fundão", noutros estudos monográficos e em depoimentos de contemporâneos.
Evitou Vergílio Ferreira, na "Manhã Submersa", na "Estrela Polar", no "Diário" e na "Conta Corrente" descrever situações degradantes que lhe marcaram a infância e adolescência até aos 16 anos. Tentou resumir esse submundo de reacionarismo e de intolerância numa frase abrangente: «solidão, desconforto, rigidez de internato».
 
CULTURA DE HIPÓCRISIA
 
No entanto, a investigação de Arnaldo Saraiva reuniu elementos esclarecedores: «o dia-a-dia do seminário do Fundão favorecia por vezes menos a firmeza ou o fortalecimento da vocação do que a hipocrisia e os sentimentos de medo, culpa, frustração, desamparo e tristeza, que nem podiam ser expressos em cartas, porque estas eram obrigatoriamente entregues abertas; e, é claro, que nenhum seminarista recebia correspondência que não tivesse sido aberta e lida por um superior» E acrescenta: «os seminaristas não eram tão incentivados a usar ou a desenvolver as suas capacidades criticas como a cumprir e valorizar os deveres de obediência e de humildade». (pag. 22).
 
O PECADO DA CARNE
 
Todavia, ao caracterizar o espaço fechado e asfixiante do seminário do Fundão, Arnaldo Saraiva escreve: «o tempo diário gasto, sobretudo, em rituais religiosos» (...) «missa, terço, rezas, prédicas, exames de consciência e retiros, mais valorizados do que o tempo das aulas ou das salas de estudo». (...) «a regra do silêncio se impunha até nas horas das refeições». (...) E também as punições frequentes: «a imposição de uma disciplina militar ou militarista e castigando severamente mesmo pequenas infrações, que podiam merecer palmatoadas, verdascadas e bofetadas, ou largos minutos de joelhos e de pé virados para as paredes». (pags. 21 ,22).
 
Menciona a vigilância nos corredores e nas camaratas para afastar «o fantasma do pecado da carne» (sic): «as calças (obrigatoriamente pretas, como o casaco e a gravata) tinham de ser vestidas e despidas entre os lençóis; as mãos não podiam ser aquecidas nos bolsos; o entendimento entre colegas tinha de ser limitado para não conduzir a perigosíssimas amizades particulares». (pag. 23)
Estas medidas repressivas no domínio sexual e afetivo, e a que foram submetidas gerações sucessivasconcluiu Arnaldo Saraiva – não impediram, decorridos 90 anos, que o seminário do Fundão fechasse «as suas portas, em 2015,já depois de um escândalo que envolveu um seu vice-reitor». (pag. 51).
 
 
NOTAS CONFIDENCIAIS
Apesar do encerramento, amplamente noticiado na comunicação social, das declarações contraditórias de bispos da diocese, de processos-crime de pedofilia julgados em Tribunal e a aguardar decisões de instâncias judiciais superiores, perdura o arquivo do Seminário do Fundão. Possui fontes documentais, até agora, consultadas por um número muito restrito de eclesiásticos como Alfeu dos Santos Pires e de que só chegaram ao público informações escassas e muito filtradas.
 
Ao ter acesso aos livros de registos, Arnaldo Saraiva extraiu notas manuscritas e que constam de fichas de comportamento e aproveitamento (19281937). Trata-se de avaliações de reitores e professores, advertências de diretores espirituais e denúncias de confessores que seguiam, de perto, o percurso de cada aluno, em cada ano escolar. Também se destinavam a informar o bispo da diocese da Guarda José Alves Matoso.
 
Entre as observações mais significativas a propósito de Vergílio Ferreira destacam-se, nomeadamente; inteligência e aplicação «regulares»; caráter «afeminado e voluntarioso; tem muitos nervos, é um histérico»; e, ainda, por exemplo, faz «tratamento antissifilítico. É hereditária a doença». (pags.24 a 29)
 
Em Vergílio Ferreira, Seminarista nos seminários do Fundão e da Guarda, Arnaldo Saraiva desfez tabus, esclareceu equívocos, desmontou opiniões falsificadas, corrigiu datas e, em especial, recolheu numerosos documentos inéditos com revelações surpreendentes. Tudo isto porque Arnaldo Saraiva reconhece que, apesar dos livros sobre Vergílio Ferreira da autoria de Maria da Glória Padrão e Helder Godinho, de Serafim Ferreira e Fernanda Irene Fonseca, entre outros estudiosos, Vergílio Ferreira «espera ainda e merece, uma biografia digna», (pag. 7)

MANANCIAL PRODIGIOSO
O universo cadaveroso dos seminários - viveiro dos precursores da delação premiada – proporcionou a largos milhares de antigos alunos, que foram expulsos ou desistiram do sacerdócio, as habilitações indispensáveis para ingressar no funcionalismo público (Câmaras Municipais, correios, tribunais, Policia Judiciária, PIDE, etc) ou, então, nos cursos do magistério (primário, secundário e superior). No caso de Vergílio Ferreira serviu-lhe para fazer o liceu, entrar na Universidade de Coimbra, formar-se em Letras e lecionar, em diversos liceus, Português, Latim e Grego. A repetir, durante décadas, sempre o mesmo do mesmo.

O «exercício burocrático do ensino» – assim me declarou várias vezes – assegurava-lhe a subsistência económica e o equilíbrio financeiro. Cinco ou seis anos de vexames e de humilhações, nos seminários do Fundão e da Guarda, deram-lhe um prodigioso manancial de conhecimento vivido, para reflexões angustiantes em torno da natureza humana. Abriram caminho para se afirmar como um dos mais notáveis escritores portugueses do século XX e com legítima ambição ao Prémio Nobel da Literatura.

Ficheiros Secretos – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], revista E, Expresso, 19 de Agosto de 2017, pp. 68/69 – com sublinhados nossos.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

[EXPOSIÇÃO] FIGUEIRA DA FOZ – 300 ANOS DE MAÇONARIA


 
300 Anos de Maçonaria. Símbolos e Ritos 1717-2017
 
DE: 5 de Agosto a 7 de Outubro 2017;
LOCAL: Museu Municipal Santos Rocha [Figueira da Foz];

 

 
Na Comemoração dos 300 Anos da Maçonaria dita “Moderna”, o Museu Municipal Santos Rocha, da Figueira da Foz, realiza uma Exposição Temporária sobre a efeméride. A sedutora Exposição, que está patente até ao dia 7 de Outubro, apresenta, além de peças do seu valioso núcleo maçónico, espécies bibliográficas raras (retiradas do seu acervo), uma curiosa linha de tempo maçónica (no mundo e nacional), descreve e percorre toda a rica historiografia maçónica no concelho (até aos dias de hoje) e mostra um templo maçónico, que merece um olhar atento. Haverá, em Setembro e Outubro, lugar a conferências e debates.
 
 

A não perder.

J.M.M.