quarta-feira, 1 de maio de 2019

quinta-feira, 25 de abril de 2019

QUE VIVA ABRIL! – 25 DE ABRIL SEMPRE!


CAMARADA

“A asa não quebra
vibra
às vezes
como lâmina solitária
Separa-se do corpo
e parte
pelo espaço
que a aceita como é
foi assim camarada
assim será.”
[Mário-Henrique Leiria
 
 
 
 

quinta-feira, 18 de abril de 2019

DIA 20 ABRIL - HOMENAGEM A EDUARDO GAGEIRO


Homenagem a Eduardo Gageiro em Côja


DIA: 20 de Abril de 2019 (15,00 horas);
LOCAL: Editorial Moura Pinto, Côja;

PROGRAMA:

15,00 HORAS: Casa Santa Clara (casa do Dr. Fernando Valle) – Recepção a Eduardo Gageiro;

15,15 HORAS: sede da Editorial Moura Pinto – Percurso a pé até ao Espaço Fernando Valle (sede da Editorial Moura Pinto);

15,30 HORAS: Sessão Solene e Inauguração da Exposição de Fotografia de Eduardo Gageiro.

No próximo dia 20 de Abril, num evento promovido pela Editorial Moura Pinto, vamos evocar a Revolução dos Cravos de 1974 com uma homenagem ao fotógrafo Eduardo Gageiro.

Para tal convocamos os arganilenses e outros antigos a estarem nesse dia, por volta das 15h00, em Santa Clara, Côja, junto à casa que foi de Fernando Valle para assim evocarmos também esta lídima figura da democracia portuguesa que Eduardo Gageiro já igualmente homenageou num belíssimo retrato que está na sede da, Editorial Moura Pinto.

Aí, nesse sítio de forte simbologia, esperamos a chegada do fotógrafo de Abril. E de lá seguiremos a pé até ao Espaço Fernando Valle, sede da Editorial, onde se inaugurará uma belíssima exposição deste mestre da fotografia portuguesa.

Nesse local, decorrerá uma sessão solene de homenagem com uma intervenção do presidente da Editorial Moura Pinto, Carlos Teixeira, que fará o elogio do fotógrafo já há muito reconhecido e laureado.

Após esta cerimónia haverá uma merenda no parque de Côja. Desde já, a direcção da Editorial Moura Pinto agradece a disponibilidade da Câmara Municipal de Tábua e da Tuna Mouronhense, de Mouronho. Agradece também à Câmara Municipal de Arganil e à União das Freguesias de Cója e Barril de Alva e ao seu presidente João Tavares pelo empenho e ajuda na concretização desta jornada de cultura e de agradecimento.
 
 
Nesse mesmo dia será distribuído gratuitamente um jornal celebrativo de Eduardo Gageiro, que nasceu em Sacavém, a 16 de Fevereiro de 1935, e é autor, entre outros trabalhos em jornais, livros e exposições, do magnífico volume "Revelações", livro que tem uma mensagem de Mário Soares, um dos ilustres retratados, em que afirma que "Gageiro bem merecia - ele próprio - figurar no álbum que, com tanta mestria, ofereceu à Arte Portuguesa".

Figura agora nesse jornal da Editorial Moura Pinto lançado numa região a que o artista está ligado por fortes laços familiares. Esse jornal conta com contribuições de diversos artistas e escritores nacionais e constituirá no futuro um objecto interessantíssimo para qualquer bibliófilo atento, ao mesmo tempo que será uma referência para a biografia de Eduardo Gageiro e para o estudo e a história da fotografia em Portugal […]”

[Carlos da Capela - com sublinhados nossos].

J.M.M.

VASCO A REGRA DE OURO – POR ANTÓNIO VALDEMAR


Vasco a Regra de Ouro” – por António Valdemar

[Texto de António Valdemar para o Catálogo da ExposiçãoVasco de Castro Cartoons. Ena pá … cá está ele outra vez!”, a decorrer até ao próximo dia 30 de Abril de 2019, no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, ao Campo Grande] 

Vasco, no seu melhor, nas várias dimensões da sua energia criativa, na visceral contundência da intervenção satírica, dispersa em jornais, em revistas e outras publicações, encontra-se, a partir de agora, no Museu Rafael Bordalo Pinheiro.

Estamos perante cerca de uma centena de trabalhos a propósito de figuras e acontecimentos nacionais e internacionais das últimas décadas e, ainda, de comentários a episódios do quotidiano. Pertenciam à coleção de um amigo de há longos anos, e sempre presente nas horas boas e más, Mário Beja Santos, que decidiu oferecer este espólio tão diversificado ao Museu Rafael Bordalo Pinheiro. É um contributo muito significativo para a valorização do património cultural de Lisboa.

Referência obrigatória do desenho de imprensa, Vasco [Agostinho Vasco da Rocha e Castro], nos anos 40, enquanto frequentava o liceu, em Vila Real de Trás-os-Montes, despertou a sua vocação através da leitura d’O Mosquito (criação inovadora de Eduardo Teixeira Coelho, o inesquecível ETC, um açoriano universal cujo centenário do nascimento decorre em 2019), ao mesmo tempo que, também, descobria Picasso. A Guernica comunicou-lhe o gosto radical e excessivo das formas. No Paris Match, conheceu os desenhos de Siné, Bosc e Chaval. Durante os anos 50, na Faculdade de Direito de Lisboa, em vez de estudar os manuais, as sebentas e os códigos preferiu o Grupo Cénico da Faculdade de Direito, os Jograis de Lisboa e a tertúlia surrealista do Café Gelo.

Logo que principiou a guerra colonial Vasco radicou-se em Paris e só regressou a Lisboa, após o 25 de Abril. Viveu e sentiu com intensidade a Revolução dos Cravos. De 1961 a Abril de 1974 residiu, quase sempre, em Montparnasse. Ali chegavam notícias de Portugal. Embora visado pela censura, o suplemento do Diário de Lisboa, A Mosca trazia as Cartas da Guidinha, assinadas por Manuel Pedroso, um dos pseudónimos de Luis de Sttau Monteiro. Fazia a autópsia possível da esclerose múltipla do regime, em desespero com a Guerra Colonial, sem controlar a emigração crescente de intelectuais e de trabalhadores; a resolver com a polícia de choque, os gorilas e a prisão em Caxias, no Aljube e em Peniche, o recrudescimento das manifestações sindicais e dos protestos nas universidades.

Foi no tempo irrepetível dos textos malditos de Luís Pacheco e Mário Cesariny; da rebeldia poética de Alexandre O’Neill, de Alberto Pimenta, da ferocidade de Natália Correia; das crónicas panfletárias de Artur Portela, do sarcasmo escaldante de José Vilhena, na História Universal da Pulhice Humana, na Branca de Neve e os 700 Anões, no Tenha Maneiras e no Filho da Mãe. Custou-lhe o vexame e as torturas nos interrogatórios da PIDE, a prisão no Aljube, em Caxias, a apreensão dos livros.

No Dinossauro Excelentíssimo, Cardoso Pires desmascarou Salazar e a classe política que o sustentava. No Delfim, Cardoso Pires também desmentiu as falsas promessas anunciadas por Marcelo Caetano. Permanecíamos, orgulhosamente sós, com a mesma política e as mesmas instituições repressivas. Apenas mascaradas com outros nomes.

Nos jornais, no parlamento e nos púlpitos – de quase todas as dioceses – manifestavam regozijo com a reabertura do Tarrafal pelo ministro do Ultramar Adriano Moreira e aplaudiram o encerramento pelo ministro da Educação Galvão Teles da Sociedade Portuguesa de Escritores, pela atribuição do Grande Prémio da Novela a Luandino Vieira, na altura preso político no Tarrafal, já com a designação de Campo de Chão Bom, conforme os termos do decreto governamental, para a reclusão dos implicados na luta pela autonomia e a independência das colónias.

O universo intelectual e a formação artística de Vasco desenvolveram- se e consolidaram- se em Paris. Seguiu de perto a Figuration Narrative, o pop francês. Participou em seis ou sete filmes, envolveu-se nos movimentos underground, nas barricadas do Maio de 68, no ativismo da extrema-esquerda. Colaborou, lado a lado, com os maiores cartunistas e em jornais e revistas de prestígio. Por exemplo, em Le Monde, no Fígaro, no Canard Enchainé, no Hara-kiri. O Canard Enchainé acolheu o rasgo de gerações sucessivas. O grupo Hara-Kiri/ Charlie-Hebdo e L'Enragé, acompanharam o Maio de 68. Época áurea, na Europa e nas Américas, da caricatura e do cartum, assinalada com a agressividade de Siné, o inconformismo de Chaval e de Bosc; a estilização sofisticada de Sempé, o imaginário de Topor, de Steidman e de Scarfe. E, ainda, a irradiação de Steinberg e de Levine.

Mal chegou a Lisboa, Vasco continuou a militância política. No jornal Página Um foi tudo e fez tudo, na fase explosiva do PREC. É no final dos anos 70 que atingiu a maturidade e uma expressão própria ao privilegiar as virtualidades da linha e do pingo da tinta-da-china, numa síntese entre o grafismo satírico e a pintura a negro, numa reinterpretação contínua do expressionismo.

Foi no decurso dos anos 80 que Vasco ganhou notoriedade no Diário de Notícias. O jornal ainda não perdera a expansão que o levava a todo o pais. Estabelecemos fortes relações de convívio e uma sólida amizade que resistiu a inúmeras vicissitudes. Ao fim da manhã debatíamos temas de ilustrações para a página de opinião e para o suplemento Artes e Letras. Vasco encontrava-se em pleno apogeu, e enviava em tempo útil, retratos, caricaturas e cartunes solicitados e que saiam quase todos os dias com o maior destaque.
 
 
Fernando Pessoa motivou sucessivas e arrojadas interpretações de Vasco, com uma visão original (celebrada por Vergílio Ferreira) e que ultrapassaram a iconografia imposta por Almada Negreiros e também pelas fotografias de Horácio Novais, ao surpreender Pessoa nas ruas de Lisboa umas vezes só, outras com amigos íntimos.

Mas não foi apenas Pessoa. A pretexto de efemérides do fim do século passado Vasco recriou escritores como Herculano, Eça, Aquilino, Nemésio, Jaime Cortesão e Teixeira Gomes; poetas como Antero, Junqueiro, António Nobre, Cesário Verde e Camilo Pessanha; artistas como Stuart Carvalhais e Amadeu de Souza- Cardoso; e, sobretudo, Camilo, uma das suas indisfarçáveis paixões literárias, para aprofundar, no homem e no escritor, o sentimento trágico de vida.

Vasco fez parte dos fundadores do Público, da equipa escolhida pelo diretor Vicente Jorge Silva. Colaborou, assiduamente, e não se limitou ao retrato e à caricatura de protagonistas e fantoches políticos e sociais. Os recursos imaginativos de Vasco abrangeram as consequências da poluição, os efeitos da tecnologia, as desigualdades sociais, o capitalismo selvagem, o consumismo desenfreado, as situações e perplexidades da condição humana.

Todavia, a direção em exercício do Público, a partir de 1 de Setembro de 2008, prescindiu a colaboração de Vasco e cortou-lhe a remuneração mensal que recebia, desde o início do jornal. Vasco ficou sem a sua única fonte de subsistência e sem espaço de intervenção nos jornais e revistas.

Num balanço sumário da obra e da vida de Vasco podemos concluir que procurou manter-se fiel à diretriz de Rafael Bordalo ao salientar na apresentação do programa editorial do António Maria o propósito firme de «ser oposição declarada e franca aos governos e oposição sistemática às oposições».

O legado de Bordalo, patrono desta Casa Museu, o seu distanciamento sempre dos poderosos, dos interesses instalados, dos lugares de privilégio, também se deparam na posição crítica de Vasco e que tem sido a regra de ouro da sua conduta pessoal e profissional em face da prepotência e o arbítrio da classe política, dos comportamentos dúbios, dos negócios escuros e das rotinas confortáveis.

A memória e a identificação com as origens - e esta circunstância nunca poderá deixar de ser mencionada - incutiram em Vasco as raízes cósmicas, os vínculos ancestrais, toda a força telúrica que se transmite no ar que se respira, penetra no sangue, circula nas veias e impulsiona um sopro criador de liberdade e um sentido de amplitude universal que, onde quer que esteja, o evidencia sempre como trasmontano, português, ibérico, europeu e cidadão do mundo”.

 


Vasco a Regra de Ouro – por António Valdemar [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências] – com sublinhados nossos.

J.M.M.

quinta-feira, 28 de março de 2019

MAÇONARIA DE PORTAS ABERTAS – 6 E 7 DE ABRIL 2019


DE: 6 a 7 de Abril 2019;
LOCAL: Museu Maçónico Português [Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa];

ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português.

O Museu Maçónico Português vai promover nos próximos dias 6 e 7 de Abril o evento “Maçonaria de Portas Abertas” com o objectivo de dar a conhecer o seu património cultural e material.

O visitante poderá comprar um livro, assistir a uma conferência ou até viajar numa Cápsula do Tempo através de uma visita guiada, onde poderá conhecer várias figuras marcantes da História do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa.


 
P R O G R A M A


 
6 Abr. 2019 - Sab.
 
 
10h00
Feira do Livro  (até às 18h30)
 
Exposição Temporária «O Património Cultural do Grande Oriente Lusitano»
10h00 
Visita Livre  (até às 18h00)
11h00 
Visitas Guiadas
11h30
Conversas sobre Maçonaria com Nuno Cruz
15h00
Cápsula do Tempo – Visita Guiada com personagens históricos 
 
Conferência «Olhares sobre o Antigo Egipto – Iniciação», Rogério Sousa
16h30
Conferência «Olhares sobre o Antigo Egipto – A Eternidade», Luís Araújo
 
Visitas Guiadas
18h00
Conferência «Introdução ao Esoterismo Ocidental», José Manuel Anes
 
 
 
7 Abr. 2019 - Dom.
 
 
10h00
Feira do Livro  (até às 18h30)
 
Exposição Temporária «O Património Cultural do Grande Oriente Lusitano»  
10h00 
Visita Livre  (até às 18h00)
11h00
Cápsula do Tempo – Visita Guiada com personagens históricos
11h30
Conversas sobre Maçonaria com António Ventura
15h00
Visita Guiada com António Lopes (Antigo Director Museu Maçónico Português)
 
Conferência «Olhares sobre o Mundo Clássico Elesius – Mistério e Rito» Nuno Simões Rodrigues
16h30
Visita Guiada com Fernando Sacramento (Director Museu Maçónico Português)
 
Conferência «Olhares sobre o Mundo Clássico Mitra, Sol e Toiros», Rodrigo Furtado
18h00
Concerto de Encerramento - Cristiano Holtz, cravo – As obras de Bach

A não perder.

J.M.M.

domingo, 10 de março de 2019

[EXPOSIÇÃO] CIDADÃOS ILUSTRES. MAÇONS DA LOJA “A REVOLTA” DE COIMBRA


EXPOSIÇÃO: Cidadãos Ilustres. Maçons da Loja “A Revolta” de Coimbra

DE: 9 de Março a 30 de Junho 2019;
LOCAL: Casa da Escrita [R. Dr. João Jacinto, nº8], Coimbra;

A exposição Cidadãos Ilustres, maçons d’A Revolta Coimbra, dá a conhecer a importância desta Loja e de seus prestigiados membros na história do Grande Oriente Lusitano e do país. Para compreender bem o presente é preciso conhecer e entender o passado, no caso da Loja d’A Revolta e dos seus membros, um passado de reflexão e conhecimento, de contributos para formação de homens e cidadãos mais livres, e de uma sociedade liberta de toda a sorte de tiranias, mais justa, mais igualitária, mais fraterna.

Hoje, guardiã desse rico passado, a Loja A Revolta mantém a sua idiossincrasia de mais de um século, em luta constante pela divisa Liberdade, Igualdade, Fraternidade, sempre e cada vez mais actual num mundo de sombras ameaçadoras de retrocessos político e sociais, mais, contribuindo para o conhecimento e pensamento das questões que as mudanças de paradigma civilizacional colocam prementemente sobre novas leituras do mundo, seja sobre o que os jovens hoje por esse mundo fora se indignam e revoltam quanto às questões ambientais, seja sobre a intensificação da crise de confiança e forma de pensar a democracia e os sistemas económicos e sociais, seja em novas controvérsias sobre o trabalho, o rendimento universal, u numérico, as novas tecnologias de comunicação, a inteligência artificial, o transhumanismo, as relações sociais e afectivas.

A exposição e o que nela se contém e sugere é a garantia que os maçons continuarão a trabalhar para o bem da Humanidade” 

[Fernando Lima, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, in folheto da Exposição]      

 


► [LOJA “A REVOLTA” – PEQUENA ANOTAÇÃO]

 A Loja “A Revolta” foi [conforme já AQUI dissemos] inicialmente fundada em Coimbra, justamente em 1909 [6 de Março] na “condição de independente”. A Loja teve, desde a sua instalação, um importante papel na constituição das estruturas carbonárias em Coimbra e na região (como em Soure, Cantanhede e na Figueira da Foz), dado principalmente o trabalho organizativo de um dos fundadores e seu primeiro Venerável, Amílcar da Silva Ramada Curto [Irmão Elysée Réclus, iniciado em 1903 na Loja Elias Garcia, de Lisboa]. Ramada Curto era possuidor das credenciais da Alta Venda da Carbonária e tinha plenos poderes para organizar, na cidade e na Academia, um grupo revolucionário que trabalhasse para o derrube da monarquia.

A Loja "A Revolta", do RF, instalada em Coimbra em 1909, na "condição de independente" integra-se, mais tarde, na Obediência do Grande Oriente Português [que nasce, em 1908, da dissidência de várias lojas do GOL, em Coimbra e que se mantém em atividade até Maio de 1911, sendo Grão Mestre, Francisco José Fernandes da Costa; a desinteligência das lojas com o GOL e que constituíram o Grande Oriente Português – lojas Perseverança, Portugal e Pro-Veritate - resultou da não aceitação da regularização do dr. Hermano de Carvalho, membro do partido franquista, na loja Gomes Freire, de Leiria e que, no mesmo ano se torna Venerável da loja de Coimbra, Estrela de Alva; diga-se que existia entre 1908 e 1910, nove lojas maçónicas a trabalhar na cidade de Coimbra, tendo duas delas abatido colunas já em 1909 – voltaremos mais tarde a este curioso assunto].

Em 3 de Maio de 1911, a loja “A Revolta”, pelo Decreto nº100, é regularizada no Grande Oriente Lusitano, com o nº 336. Torna-se Augusta e Benemérita pelo Decreto nº27, de 26 de Novembro de 1925, e durante a ditadura foi objeto de assaltos e perseguições várias, mas sobrevive à clandestinidade, mantendo-se em trabalho até aos dias de hoje.

Pela loja de Coimbra “A Revolta” (que teve um dos seus templos na rua Borges Carneiro,15) passaram ao longo destes 110 anos um rol de combativos cidadãos, merecedores de reconhecimento público, como Ramada Curto (Elysée Réclus), Agatão Lança (Robespierre), Emílio Maria Martins, Manuel Pestana Júnior (Bakunine), Bissaya Barreto (Saint Just), Francisco Lino Gameiro, João Garraio da Silva, Carlos Amaro, José Frederico Serra (foi VM 1912, 1914), José Diogo Guerreiro (foi VM em 1912), Zacarias da Fonseca Guerreiro (foi VM em 1916), António Nunes de Carvalho (Mendes da Maia), José Alves Ferreira Neves (Buiça), Manuel de Sousa Coutinho Júnior (Elmano), Eduardo Rodrigues Dias Correia (Koch), Joaquim de Carvalho (Guyau), António Lúcio Vidal, Henrique Videira e Melo (Afonso Costa), Basílio Lopes Pereira (Fernão Vasques), Luís Gonçalves Rebordão (João de Barros; foi GM entre 1957-75), Aurélio Quintanilha (Brotero), Gustavo Nolasco da Silva (Jean Jacques), Armando Celorico Drago (Karl Marx), Carlos Cal Brandão (Manuel de Arriaga), Mário Cal Brandão (Antero de Quental), Silo José Cal Brandão (Olislac), António Ribeiro dos Santos, Luís Baeta de Campos (Antero de Quental), Fernando Valle (Egas Moniz), Vitorino Nemésio (Manuel Bernardes), Manuel Luís da Costa Figueiredo (Ruy Barbosa; fundador da loja Silêncio e Combate, em Estarreja), Jaime Alves Tomaz Agria (Egas Moniz), José Maria de Castro Freire de Andrade (João de Deus), António Augusto Pires de Carvalho, António de Freitas Pimentel, Mário de Azevedo e Castro (Abraham Lincoln), Meliço Silvestre (Santiago da Beira), Fernando Nolasco da Silva (Sun Yat Sen), Emídio Guerreiro (Lenine), Artur Santos Silva (pai) (Camille Desmoulins), Mário Dias Coimbra (Magalhães Lima), António César Abranches (Spinozza), Flausino Esteves Correia Torres (Protágoras), Albano Correia Duque de Vilhena e Nápoles (Vigny; marido de Cristina Torres e um dos fundadores da loja Germinal, da Figueira da Foz), Raul Soares Pessoa (António José de Almeida), Frutuoso Soares Pessoa (Adamastor), Fausto Pereira de Almeida (D. Fuas), Manuel Lontro Mariano (António José de Almeida), Francisco de Freitas Lopes (José Relvas), Turíbio de Matos (João de Deus), César Alves (Magalhães Lima), Raul Gaspar de Oliveira (Fernandes Tomás), Manuel Mendes Monteiro (Teófilo Braga), Henrique da Silva Barbeitos Pinto, António Pais de Sousa, Abílio Fernandes, José de Barros Pinto Bastos, António de Sousa, Rodrigo Rodrigues dos Santos, António Arnaut (Jeaneanes), Fausto Correia (Gomes Freire), António Luzio Vaz (Domingos) e outros tantos mais.

J.M.M.

terça-feira, 5 de março de 2019

A IMPORTÂNCIA DE SE CHAMAR PORTUGUÊS: JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO NA DIRECÇÃO DO INVESTIGADOR PORTUGUÊS EM INGLATERRA, 1814-1819



LIVRO: A importância de se chamar português: José Liberato Freire de Carvalho na direcção do Investigador Português, 1814-1819;

AUTORA: Adelaide Maria Muralha Vieira Machado;
EDIÇÃO: Lema d´Origem, Março de 2019.

NOTA: Trata-se da publicação do estimado e importante trabalho de Adelaide Maria Muralha Vieira Machado, para obtenção do grau de Doutor (Abril de 2011) em História e Teoria das Ideias, sob orientação científica da professora doutora Zília Osório de Castro.   

LANÇAMENTO:

DIA: 7 de Março (18,00 horas);
LOCAL: Casa da Escrita (Coimbra);
ORADORA: Profª Doutora Isabel Nobre Vargues;

ORGANIZAÇÃO: Lema d’Origem, C. M. de Coimbra, Comissão Liberato

“Em Fevereiro de 1819, há 200 anos, encerrou definitivamente o jornal "O INVESTIGADOR PORTUGUEZ EM INGLATERRA", dois meses/números depois da saída de José Liberato Freire de Carvalho da sua direcção e redacção.

Assinalar este facto é igualmente sublinhar a importância de [José] Liberato à frente dos destinos deste jornal, o que apenas aconteceu entre 1814 e 1819. José Liberato, recém exilado em Londres, fugindo da perseguição movida pelo "trono e pelo altar", viria a descobrir nesta sua nova ocupação de publicista/jornalista o meio ideal de difusão das novas ideias e ideais do tempo, bem como de denúncia e combate ao (des)governo da corte no Rio de Janeiro e do consulado persecutório de Beresford em Lisboa.

Um jornal que nasceu para utilidade da corte portuguesa viria a transformar-se, pela pena de Liberato, num dos seus mais incómodos admoestadores” [Comissão Liberato]

A Europa, na viragem do século 18 para o 19, fazia o primeiro balanço das revoluções norte-americana e francesa. Reunidos em Viena, após a derrota de Napoleão, o poder político e a diplomacia europeia procuravam a melhor forma de garantir um justo equilíbrio entre nações, e com ele, novos rumos para a paz na Europa. Ligando a actualidade com as heranças intelectuais dos séculos anteriores, várias propostas foram surgindo, mas cedo se percebeu uma nova realidade, que obrigava a ter em conta as nacionalidades e as respectivas opiniões públicas.

O debate em torno da restauração francesa extravasou largamente o âmbito do congresso e percorreu a imprensa europeia. Com larga expressão nessa imprensa, destacava-se uma corrente moderada e reformista, nascida da primeira fase da revolução francesa e da discussão em torno da Constituição de 1791, que entendia os despotismos, reais ou revolucionários, como algo a evitar. Inserindo-se nessa linha o Investigador Português em Inglaterra, ao abrigo da liberdade de imprensa vigente em Inglaterra, divulgou e participou nesse debate procurando transmitir uma mensagem propedêutica aos portugueses, consubstanciada na defesa da segurança e liberdade individuais, no quadro da monarquia constitucional e sob o império da lei.

Da autonomia do político e do seu discurso, foram-se formando as correntes políticas contemporâneas surgidas precisamente da ligação entre pensamento e acção, entre práticas e teorias políticas. Independente da validade de genealogias futuras, liberais e conservadores vão-se legitimando na procura de respostas moderadas aos desafios que se colocavam à construção de uma sociedade civil livre e participativa, cujas desigualdades sociais e económicas tinham agora a mobilidade de uma justificação moral e política”. [in Resumo da Tese]  

J.M.M.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

COIMBRA – VITORINO NEMÉSIO! 40 ANOS DE SAUDADE (20 FEVEREIRO 2019)



VITORINO NEMÉSIO! 40 ANOS DE SAUDADE

DIA: 20 de Fevereiro 2019 (17,30 horas);
LOCAL: Coimbra (Penedo da Saudade);

Vitorino Nemésio nasceu na Praia da Vitória nos Açores a 19 de dezembro de 1901, tendo falecido em Lisboa no dia 20 de fevereiro de 1978. Foi um poeta, romancista, cronista, académico e intelectual, cuja alma mater foi Coimbra!

2018 assinalou a efeméride dos 40 anos do falecimento de Vitorino Nemésio. Coimbra, cidade de cultura e conhecimento, com forte tradição literária, não pode deixar de celebrar e recordar este conimbricense numa data especialmente importante e simbólica.

Justifica esta pretensão a forte ligação de Nemésio a Coimbra, onde chegou em 1921, terminou os estudos secundários e iniciou os universitários, publicou o seu primeiro romance, onde casou, viveu e nasceram os seus filhos, integrou o Orfeão Académico de Coimbra e a ACE (actual ACM), dirigiu o Centro  Republicano, disputou as eleições académicas, fundou e colaborou em revistas culturais decisivas no panorama português, conviveu com grandes figuras e referências intelectuais daquele tempo - Joaquim de Carvalho, José Régio, Sílvio Lima, Paulo Quintela, Fernando Vale, Miguel Torga e mais -, e mesmo quando lecionava já em Lisboa como professor catedrático, manteve residência em Coimbra. E, como se não bastasse, fez questão de aqui ficar definitivamente em repouso, estando sepultado no cemitério dos Olivais em Coimbra.

Por ser um dos mais importantes escritores e comunicadores do século XX português e por tudo o que foi descrito referente à sua relação com Coimbra, o GAAC - Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, decidiu promover uma série de iniciativas que marquem esta efeméride de uma forma honrosa e adequada, reavivando a memória de Vitorino Nemésio na nossa cidade com o objetivo de celebrar e homenagear a sua obra. Deste modo, o GAAC tomou a iniciativa de congregar esforços e vontades para a mesma se realizar no próximo dia 20 de fevereiro com o seguinte programa:

PROGRAMA

COIMBRA, 20 de Fevereiro de 2019

17h30:PENEDO DA SAUDADE

- Ponto de encontro, seguido de momento evocativo com a instalação de uma escultura simbólica de Vitorino Nemésio.

- Distribuição do jornal “Viva Nemésio!.

- Declamação de poesia!”.

A não perder.

J.M.M.