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terça-feira, 8 de novembro de 2016

EXÍLIOS, TESTEMUNHOS DE EXILADOS E DESERTORES PORTUGUESES NA EUROPA (1961-1974)

No próximo sábado, 12 de Novembro de 2016, na Biblioteca Municipal de Condeixa, Eng. Jorge Bento, pelas 16 horas, realiza-se a apresentação do livro "Exílios, testemunhos de exilados e desertores portugueses na Europa (1961-1974)".

Para apresentar a obra foi convidado José Dias, e o evento conta com a presença de alguns dos que passaram pela situação e a testemunharam na obra que se apresenta: José Torres, Fernando Cardeira, Fernando Cardoso e Rui Mota.

Um tema que começa a ser investigado e acaba por ter uma dimensão até maior do que se pensava, mas que até aqui foi um assunto quase tabu na sociedade portuguesa.

A divulgar e a que desejamos o maior sucesso.

A.A.B.M.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

IN MEMORIAM DE MANUEL AZAÑA (1880-1940) - PRESIDENTE DA II REPÚBLICA ESPANHOLA (PARTE II)


Assim, em Fevereiro de 1936 a Frente Popular vence as eleições e Manuel Azaña é convidado a formar governo, tornando-se depois Presidente da República (Maio de 1936, substituindo Alcalá-Zamora). Porém a desunião e ruptura entre as diferentes forças da aliança republicana no governo [veja-se as posições que tomam o socialista Prieto e o republicano Alejandro Lerroux], o ódio que a direita [e em especial de Delgado Barreto] lhe manifestava vendo nele um obstáculo para os seus propósitos de tomada do poder, as conspirações e intentonas golpistas verificadas, os inflamados pregões antigovernamentais da imprensa católica e de direita [veja-se a influência da organização de Gil Robles nessas campanhas] e, por fim, a sublevação do exército e o reconhecimento do governo do ditador Franco pela Inglaterra e França, ditou o seu exílio em França (Fevereiro de 1939), onde veio a falecer.   
Manuel Azaña é iniciado na maçonaria [segundo o seu cunhado, na Loja “Hispanoamericana” nº2; segundo outros na Loja “La Matritense”, de Madrid, sob Obediência do Grande Oriente Espanhol] já quando era Presidente do Governo [e ao mesmo tempo Ministro de Guerra; diga-se que do primeiro governo da República, dos 11 membros do governo, 6 eram maçons, o que não era o caso de Manuel Azaña, iniciado meses depois], a 2 de Março de 1932, com o n.s. de “Plutarco” [José Antonio Ferrer Benimeli, “Jefes de Gobierno Masones. España 1868-1936”, Madrid, 2007. pp.195-206], não passando do grau de Aprendiz, tendo “adormecido” de imediato.
Segundo Benimeli não só o Grão-Meste do Grande Oriente Espanhol [o GOE foi instalado em 12 de Maio de 1889, sendo seu GM, Miguel Morayta. Nasceu de dissidência do Grande Oriente de Espanha] não esteve presente na iniciação de Manuel Azaña como existiria algum desinteresse de M. Azaña [diz ele nas suas Memórias Políticas: “Em Espanha ninguém sabe guardar segredo. Nem os maçons”] pela organização maçónica e o seu ritual, pelo que o seu ingresso na Ordem foi meramente “circunstancial”, revestindo-se mesmo de alguma “ingenuidade”. O facto de M. Azaña ser maçon (mesmo que “maçon decorativo”) fez avolumar o “mito maçónico” e a “conjura maçónica” na II Republica, assunto que o ditador Francisco Franco soube bem explorar na opinião pública.
[refira-se o facto curioso, e segundo testemunhos credíveis (alguns pelos próprios falangistas, via documentos da própria Loja), que aponta Francisco Franco, já tenente-coronel, como pretendendo entrar (1926) na Maçonaria, na Loja Lixus de Larache, mas a que a isso se opuseram os maçons militares da loja. Mais tarde, já em 1932, de novo Francisco Franco solicita o ingresso na Ordem, e de novo de opuseram membros da Loja, entre eles vários militares de carreira e o seu próprio irmão Ramón (morto durante a guerra civil). Não por acaso, a devassa feita às lojas maçónicas, aos seus arquivos e bibliotecas, e perseguição implacável à Ordem, levada a cabo pela ditadura franquista, toma foros de “santa cruzada”, com a constituição de um corpo policial especial repressor [como a OIPA, “Oficina de Investigação e Propaganda Anticomunista”, Abril de 1937]. Parte dessa documentação retirada das Lojas encontra-se no Fundo Maçónico [que vai de 1882 até 1938] do Arquivo Histórico Nacional de Salamanca – cf. José Antonio Ferrer Benimeli, “La masonería en la España del siglo XX]
Assim, a passagem efémera de Manuel Azaña pela maçonaria, não impediu que os seus inimigos, numa violenta e intensa campanha e propaganda antimasónica levada a cabo pelos fascistas-franquistas e pelos integristas católicos, que atribuíam à maçonaria a origem directa da instauração da República, o atacassem ideologicamente pela sua condição de maçon (mesmo que “decorativo”), a que souberam juntar os slogans costumeiros de um caminhar para uma situação de “anarquia”, “separatismo” e “socialismo”, destruindo a imagem pública do homem liberal e reformista (que assumidamente era) de Manuel Azaña [sobre a curiosa questão – e ainda não totalmente esclarecida - de Manuel Azaña e a Maçonaria, consultar a obra, já citada de José Antonio Ferrer Benimeli, “La masonería en la España del siglo XX", em especial a entrada de Alberto Reig Tapia: “La imagem pública del político, El caso “Azaña” a través de la propaganda antimasónica”]
Iberista romântico [ver Hipolito de la Torre Gómez, “A Relação peninsular na Antecâmara da Guerra Civil Espanhola”, 1998; Fernando Rosas, “Portugal e a Guerra Civil de Espanha”, 1998; Heloisa Paulo, “Imagens de Liberdade. Os exilados portugueses e a luta pela liberdade na península Ibérica”], Manuel Azaña teve contactos com os exilados portugueses em Espanha, como Afonso Costa (de quem era amigo), Bernardino Machado e o Grupo dos Budas [Jaime Cortesão, Moura Pinto, Jaime de Morais, Nuno Cruz, Oliveira Pio, Alexandrino dos Santos, César de Almeida – curiosamente quase todos maçons e fundadores de uma Loja maçónica portuguesa em Espanha, a Loja “República Portuguesa”]. A união de interesses é patente, até pelo denominado “Plano Lusitânia”, plano “audacioso” onde se previa a “invasão e rebelião em Portugal”, contra o colaboracionismo de Salazar com Franco [cf. Heloisa Paula, ibidem – para o qual remetemos a leitura].
Morre Manuel Azaña, a principal referência da II República Espanhola, a 3 de Novembro de 1940, em Montauban, França, onde se encontrava exilado. O féretro foi coberto com a bandeira mexicana, face á proibição do marechal Pétain que o seu enterro tivesse honras de estado.

J.M.M.

domingo, 23 de março de 2014

POLÉMICA – REVISTA DO GRUPO “REVOLUÇÃO SOCIALISTA”


POLÉMICA. Revista do Grupo “Revolução Socialista” – Ano I, 1 (21 Novembro 1970) ao nº 4 (1973).

Revista publicada pelo Grupo “Revolução Socialista”, publicada na Suíça e impressa em Itália [cf. Armas de Papel, José Pacheco Pereira, p.445]. O grupo fundador da revista era composto [ibidem] por estudantes que participaram na crise académica de 1962 e que se tinham exilado, como Ana Benavente, António Barreto, Carlos Almeida, Eurico Figueiredo, José Medeiros Ferreira, José Pinto Nogueira, Manuel Lucena. Alguns dos artigo foram publicados debaixo de pseudónimo, como “João Quental” [J. Medeiros Ferreira], “Marco”, “Fontana”, “A. Garcia” [ibidem]

Dispersos no exílio, “um grupo desses estudantes estabeleceu-se na Suíça, onde conseguiram obter um estatuto de refugiados políticos e onde optaram por conjugar as actividades políticas” [ibidem]. Fora os nomes citados, que integraram a revista “Polémica”, registe-se, também, a presença em Genebra de Valentim Alexandre, Francisco Delgado, Eduardo Chitas, Joaquim Fernandes, Luís Monteiro, Manuel Areias, Manuela Pinto Nogueira, Maria Emília Brederode, Mário Borges, Paula Coutinho [cf.Pátria Utópica. O Grupo de Genebra revisitado”, 2011]

Oriundos de diferentes sectores ideológicos – como o denominado grupo da Suíça, intitulado “1º de Maio” e que publicava os “Cadernos Lenine”, em volta dos militantes comunistas António Barreto, Eurico Figueiredo e Ana Benavente, que entram mais tarde (1968/69) em ruptura com o PCP; caso de Manuel Lucena, envolvido na greve académica de 1962, e com o curioso percurso político de ter sido militante da JUC, importante dirigente da “RIA” [Reunião Inter-Associações], fundador da revista “O Tempo e o Modo” (1963), militante do MAR [Movimento de Acção Revolucionária, 1962, que agrupou personalidades como Nuno Bragança, Lopes Cardoso, Jorge Sampaio, João Cravinho, Nuno Brederode dos Santos, Trigo de Abreu, Vasco Pulido Valente, A. H. de Oliveira Marques, Rui Cabeçadas] e, por isso, dirigente (de 1964 até 1968) da FPLN [Frente Patriótica de Libertação Nacional], tendo militado na “Aliança Democrática” no período pós-25 de Abril; ou de José Medeiros Ferreira, preso (1962) e expulso da Universidade em 1965, sendo desertor por ser contra a guerra colonial e exilando-se (1968-1974) na Suíça – a revista “Polémica” teve um papel importante na “formação de uma nova elite intelectual na área das ciências humanas que a ditadura impedia de ter expressão na universidade, como era o caso da sociologia, ou da história contemporânea” [ibidem, p. 446]  

 

A revista circulava entre os sectores da emigração política portuguesa e entrava clandestinamente em Portugal, distribuída por vários grupos de socialistas e antifascistas como [ibidem] Vítor Wengorovius, César de Oliveira, Manuel Lopes ou José Dias. 

FOTOS via Ephemera, com a devida vénia.


J.M.M.

quinta-feira, 6 de março de 2014

COLÓQUIO INTERNACIONAL: OPOSIÇÕES E EXÍLIOS

Durante a próxima semana, nos dias 12, 13 e 14 de Março de 2014, vai realizar-se na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra o Colóquio Internacional Oposições e Exílios.

Numa organização do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, 

Pode ler-se na nota de divulgação do colóquio:
O século XX foi marcado por grandes êxodos humanos, frutos de perseguições religiosas e políticas. A ascensão dos regimes de cariz autoritário e dos fascismos levaram ao exílio levas de opositores que procuravam fugir da morte pela execução sumária ou pelo confinamento nos campos de concentração. Portugal conhece um dos mais longos regimes de força no poder, o governo de Salazar. Continuidade de uma ditadura militar, o Estado Novo impôs aos seus opositores um longo degredo que para uma grande maioria durou toda uma vida. Estes exilados e emigrados políticos buscaram refúgio nas mais diferentes partes do mundo, quer nos antigos núcleos de emigração portuguesa ou em países onde o Estado democrático favorecia o seu acolhimento. No exílio, a luta contra o regime tomou forma em associações, jornais, manifestos e eventos, partes de uma história ainda por construir. Em 1974, com a Revolução dos Cravos, retornam os exilados e a democracia inverte a caracterização de Portugal com relação aos exílios. Centenas de opositores das ditaduras latino-americanas fazem do território português o destino de uma nova diáspora de exilados democratas. O objetivo do presente Colóquio é debater e conhecer a investigação realizada acerca destas diásporas políticas, não só através dos estudos acerca das organizações de exilados no exterior e as suas formas de luta, mas também do relacionamento que estabelecem com as comunidades locais, os governos e sociedades dos países de acolhimento. 


 Chamaram-nos a atenção as seguintes comunicações, entre as muitas que vão ser apresentadas:

- Luís Bigotte Chorão (CEIS20),  O Exílio na sua relação com o Direito, a problemática do asilo
- Heloisa Paulo (CEIS20),  História de Exílios e exilados: problemas metodológicos
- Susana Martins (IHC/UNL),  Uma cartografia do exílio português nos inícios da década de sessenta
Adelino Cunha (Universidade Europeia),  Os Comunistas Portugueses no Exílio entre 1960 e 1974 – Conceito de exílio funcional
- Sérgio Neto (Universidade de Coimbra),  Um Exílio Literário. O Caso de Carlos Selvagem
- João Paulo Avelãs Nunes (Universidade de Coimbra/CEIS20), Portugal, o Estado Novo e os emigrantes/refugiados judeus nos anos trinta e quarenta.

Adrião Cunha (Universidade do Porto), Humberto Delgado e seu exílio no Brasil
Débora Dias (Universidade de Coimbra), Joaquim de Carvalho e a missão portuguesa no Brasil
- Cristina Clímaco (Universidade Paris 8),  Oposição e exílio: redes e conexões antifascistas
nos anos 30.
- Marie Christine Volovitch-Tavares (Centre d’études et de recherches sur les migrations Ibériques - CERMI), Exilés portugais et liens avec la société française, à travers la presse portugaise d’opposition à la dictature publiée en France de 1963 à 1974
- Luis Farinha (Universidade Nova de Lisboa), O Exílio no Novo Mundo. José Rodrigues Miguéis, o “Companheiro Pombo”
- Alberto Pena-Rodríguez (Universidade de Vigo), Um Ex ministro contra Salazar: o exilio de João Camoesas nos Estados Unidos (1929-1951)

Filipa Alexandra Carvalho Sousa Lopes (Universidade do Porto), A voz da oposição exilada no Seminário de Nova Deli (1961).
- Fernando Tavares Pimenta (CESNOVA/CEIS20), A Frente de Unidade Angolana no Exílio em França e na Argélia (1962-1963)
- Julião Soares de Sousa (CEIS20), “Os movimentos de libertação da Guiné no exílio de Dakar e de Conakry. Problemas e rivalidades em tempos de anticolonialismo”
Mariana Lagarto dos Santos (CEIS20),  Fernando Vale – Percursos de um exílio interno
- Ángel Rodríguez Gallardo (Universidade de Vigo),  Exiliados y refugiados gallegos en Portugal desde la guerra civil española.

A informação detalhada sobre este colóquio pode ser encontrada AQUI.

Com os votos do maior sucesso para mais esta iniciativa.

A.A.B.M.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

JAIME CORTESÃO NO EXÍLIO (1929)


JAIME CORTESÃO e esposa, Filipe Mendes e esposa, e Raul Proença, no exílio de Jaime Cortesão, em Boulogne-sur-Mer (1929)
FOTO via Casa Comum
J.M.M.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

COLÓQUIO EXÍLIOS CONTRA A DITADURA


Vai realizar-se nos próximos dias 7 e 8 de Maio de 2010 o colóquio com o título em epígrafe, numa organização do Instituto de História Contemporânea.

Nesta iniciativa participam vários investigadores com obra publicada sobre o tema, entre eles: Luís Farinha, Helena Pinto Janeiro, Maria João Raminhos Duarte, Heloísa Paulo, Pedro Oliveira, Susana Martins, João Madeira, Sofia Ferreira, Miguel Cardina e José Manuel Lopes Cordeiro.

Uma iniciativa importante para se conhecer alguns combatentes do regime salazarista no exterior, as dificuldades e problemas que atravessaram, os contactos com o interior e as relações que estabeleceram entre eles no exterior, as formas de organização ou as actividades solitárias, mais ou menos visíveis que foram desenvolvendo ao longo do tempo.

Um colóquio a não perder e que recomendamos a todos os nossos ledores.

A.A.B.M.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

EXÍLIO E EXILADOS POLÍTICOS 1926-1974



A Câmara de Vila Nova de Famalicão, em parceria com o Museu Bernardino Machado, vai organizar nos dias 24 e 25 de Novembro, o colóquio "EXÍLIO E EXILADOS POLÍTICOS - 1926-1974", no ambito do projecto Encontros de Outono. Neste encontro, coordenado pelo Prof. Dr. Norberto Cunha, vão participar com comunicações, entre outros: Fernando Rosas, António José Queiróz, Heloísa Paulo, Eurico de Figueiredo, Susana Martins, António Reis, António Ventura,Elisa Neves Travessa, Fernando Guimarães, António Pedro Pita, Bernardo Pinto de Almeida e Natália Providência. Veja o programa detalhado aqui.

Parece-nos um programa bastante diversificado e interessante, que aconselhamos, pela qualidade dos membros que vão apresentar comunicações.

AABM