
Nasceu em 12 de Janeiro de 1877, em Lisboa. Seguiu a carreira das armas, ingressando no Exército, na arma de Artilharia.
O seu percurso na hierarquia militar foi o seguinte: 1893, assenta praça no regimento de Lanceiros de El-Rei; alferes em 1897; tenente em 1897; capitão em 1911; major em 1917; tenente-coronel em 1917; coronel em 1919.
Foi professor na
Escola de Guerra entre 1912 e 1919. A partir de 1914, passou a integrar o
Corpo Expedicionário Português, chefiado por
Gomes da Costa. Integra, em Outubro de 1914, a missão militar enviada para conferenciar com o Estado Maior britânico, composta ainda por Ivens Ferraz e Azambuja Martins. Fez parte da Comissão encarregue de receber em França as tropas expedicionárias portuguesas. Foi combatente na Flandres.
Em 1919, no regresso a Portugal, foi nomeado Chefe de Estado-Maior da Divisão encarregada de dominar os revoltosos da Monarquia do Norte.
Dirigiu o Instituto Central de Oficiais em 1920 e no ano seguinte o Instituto dos Pupilos do Exército. Foi professor no Instituto de Odivelas.
A partir de 1922 passou a integrar o Governo de Cunha Leal. Ocupou a pasta da Guerra, cargo que desempenhou entre 16 de Dezembro de 1921 e 6 de Fevereiro de 1922 e, mais tarde, entre 7 de Dezembro de 1922 a 21 de Julho de 1923.
Foi eleito deputado por Viana do Castelo entre 1922 e 1925 e director geral dos transportes. Durante um episódio grevista dos transportes tomou a decisão de chamar os soldados para conduzir os carros eléctricos e os comboios sendo ele próprio o primeiro a sair numa coluna que estava sob ameaça de bomba.
Durante o período em que ocupou a pasta de guerra pela segunda vez teve uma pendência de honra com o então deputado e depois brigadeiro António Maia.
Em 1926 era comandante do Regimento de Infantaria nº 16, de Santarém. Dizia Fernando Freiria em nota para Adelino da Palma Carlos: “Santarém, pela minha acção e dos oficiais de Infantaria 16 e da Guarda Nacional Republicana que sempre lealmente me acompanharam e esforçadamente actuaram, foi o último reduto armado da Constituição, como foi o único que, com êxito, e de armas na mão, se opôs à marcha triunfante dos de 28 de Maio” [Chorão, Luís Bigotte, A Crise da República e a Ditadura Militar, Sextante Editora, Lisboa, 2009, p. 202]
Assumiu a oposição à ditadura militar imposta pelo golpe de 28 de Maio de 1926 e participa activamente na revolta de 7 de Fevereiro de 1927. Foi deportado para S. Tomé e Príncipe entre 1927 e 1928, passando depois a viver na Madeira, entre 1928 e 1929. Neste último ano passou ainda pelo presídio militar de Elvas, sendo novamente encaminhado para o Funchal, onde lhe foi imposta residência. Na Madeira, foi um dos organizadores da revolta militar de 1931. Enquanto residiu na Madeira dedicou-se ao professorado criando e dirigindo o Instituto de Instrução Secundária. Em 1931 foi, de novo, chefe de Estado-Maior das Forças sublevadas. Foi novamente preso e passando a residir em Cabo Verde como deportado. Em Maio de 1931 foi um dos subscritores do manifesto intitulado “Ao Povo Liberal e ao Exército Republicano”.
Em 1935, após a morte do General Sousa Dias, o governador português da colónia de Cabo Verde enviou um telegrama ao Ministério do Interior propondo o seu repatriamento, juntamente com João Manuel Carvalho, Lobo Pimentel, Mendes Reis, Filipe Sousa, Inácio Severino, António Varão e Tavares de Carvalho.
Foi casado com Germana de Alcântara de Albuquerque e Castro Freiria, era pai de Rui Freiria, engenheiro; Renato Freiria, comandante da Marinha Mercante; e Mário Freiria, funcionário em Moçambique.
Regressou ao continente em 1936, já doente. Foi reformado, abandonando a actividade política.
Faleceu a 13 de Abril de 1955. O seu funeral realizou-se para o cemitério do Alto de S. João, no talhão dos Combatentes da Grande Guerra.
NOTAS BIOBIBLIOGRÁFICAS:
Publicou:
- Os Portugueses na Flandres (1918).
Colaborou:
-“Surge et ambula”, O Eco de Cabo Verde. - Nº 1 (1933), p. 2;
- “A massa de artilharia e o seu emprego em presença do material de tiro rápido”, Revista Militar, Lisboa, nº 1, 1905, Ano LVII;
- “A artilharia no combate”, Revista Militar, Lisboa, nº 9, 1905, Ano LVII;
Bibliografia Consultada:
Diário de Lisboa, 13-04-1955, p. 8 e 11.
CHORÃO, Luís Bigotte, Um processo judicial contra a Ditadura: a defesa de Sousa Dias e Fernando Freiria, in: "Colóquio: A Revolução de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura: Oitenta anos depois" no Arquivo da Universidade de Coimbra, 2007
CHORÃO, Luís Bigotte, A Crise da República e a Ditadura Militar, Sextante Editora, Lisboa, 2009.
FARINHA, Luís, O Reviralho. Revoltas republicanas contra a Ditadura e o Estado Novo.1926-1940, Editorial Estampa, Lisboa, 1998.
MARQUES, A. H. de Oliveira, Parlamentares e Ministros da 1ª República, col. Parlamento, Edições Afrontamento, Porto, 2000, p. 222.
A.A.B.M.