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sexta-feira, 29 de abril de 2011

MEMÓRIAS DE UM RESISTENTE ÀS DITADURAS


LIVRO: "Memórias de um resistente às Ditaduras";
AUTOR: Manuel António Correia [introdução de Irene Flunser Pimentel];
EDITORA: Temas & Debates.

Combatente do 5 de Outubro de 1910 e da geração dos que foram mobilizados no Corpo Expedicionário Português para a França e a Flandres durante a Grande Guerra e participaram depois em inúmeras sublevações contra a ditadura militar e o Estado Novo, o coronel Manuel António Correia (1893-1987) escreveu estas memórias aos 91 anos, levado pela constatação de «que a maior parte dos nossos jovens, e mesmo alguns adultos, desconhecem quase completamente tudo que se relaciona com a implantação da República em Portugal» e também porque a maioria dos portugueses «ignora o que foi a comparticipação portuguesa na Grande Guerra, o que motivou a nossa ida para França e as consequências daí advindas», bem como desconhece «o que foi a prolongada luta contra a ditadura fradesca de Salazar». [ler AQUI]

J.M.M.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

DAS TRINCHEIRAS COM SAUDADE



Foi recentemente publicado por Isabel Pestana Marques mais um estudo sobre a participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial, abordando-se desta vez a questão numa perspectiva de História da Vida Quotidiana.

Os testemunhos deixados pelos militares que participaram nos confrontos, seja na Europa ou em África, juntamente com um conjunto de documentação existente nos Arquivos e fornecida por particulares, permitiram tentar reconstituir as dificuldades, os medos, as diversões e os sentimentos partilhados por alguns dos intervenientes. Um dos principais núcleos documentais tratados é as cartas enviadas pelos soldados. A autora reconhece que se esforça por "dar voz aos combatentes, mostrar o lado humano da guerra, que é aquele que verdadeiramente a decide".

Uma obra inovadora da chancela da Esfera dos Livros que tem dedicado algum do seu espaço editorial à História, nesta caso concreto à História da participação de Portugal na Guerra.

Informação retirada da editora:

«De noite é que é o inferno. […] os telefones retinem, os estafetas põem-se a andar e o S.O.S. sobe ao céu, no vinco luminoso dos very-lights […] até que se apagam e o mundo é apenas escuridão. […] Ouve-se o crac-crac das metralhadoras que o boche despeja e que nós despejamos. E transida, bafejando as mãos, sem sono, a gente escuta o ecos e o nosso coração doente como um velho relógio tonto oscilando entre a saudade dos que estão longe e a ideia de morrer ali, armado e equipado, sonolento e triste, com um cão sem forças.»

Albino Forjaz Sampaio, oficial português na Flandres.


A partir de Janeiro de 1917, o cais de Alcântara assiste aos sucessivos embarques de tropas portuguesas rumo à Flandres. Em França reúnem – -se aos aliados ingleses para combaterem, na I Guerra Mundial, contra o inimigo comum: a Alemanha. A 2 de Abril de 1917, a coberto da bruma da madrugada, entraram nas trincheiras os primeiros soldados portugueses que iriam participar na campanha da I Guerra Mundial, num total de 55 mil expedicionários. Na Flandres, em França, encontraram um novo tipo de guerra. Enfrentaram o frio, a lama pegajosa, o barulho ensurdecedor dos bombardeamentos, habituaram-se ao «corned beef» que os fazia suspirar pelo bacalhau e o pão escuro nacional, adoeceram, sentiram medo, desolação e cansaço. Na frente de batalha, combateram ao lado dos ingleses, com coragem e heroísmo, outros desertaram ou foram aprisionados pelos alemães, e nos momentos de descanso aproveitavam para fugir ao terror dos ataques, jogando às damas, cantando, escrevendo cartas aos familiares ou namorando com francesas, belgas e inglesas, mesmo sem saber uma palavra do seu idioma.

A autora:

Isabel Pestana Marques é Mestre em História Contemporânea na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Investigadora de História Contemporânea, colabora no Instituto de História Contemporânea e da Comissão Portuguesa de História Militar. Publica artigos em revistas especializadas e participa em colóquios e congressos nacionais e internacionais. Publicou Memórias do General – Os Meus Três Comandos, de Fernando Tamagnini, abordou a participação portuguesa na I Guerra Mundial (1914-1918), assim como as revoltas monárquicas durante a Primeira República. Colaborou ainda na obra Nova História Militar de Portugal, coordenada por Nuno Severiano Teixeira (actual Ministro da Defesa).Encontra-se a ultimar o seu próximo trabalho - sobre o diário de guerra do general Tamagnini de Abreu -, que aguardamos com alguma expectativa. A autora foi galardoada com o prémio Defesa Nacional, em 1996, com a tese de mestrado "Os Portugueses nas Trincheiras - Um quotidiano de Guerra".

Mais uma novidade ao nível historiográfico que o Almanaque Republicano recomenda aos seus leitores.

A.A.B.M.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A TRINCHEIRA DA FLANDRES: 90 ANOS DEPOIS


Trincheira da Flandres: 90 anos depois

O Corpo Expedicionário Português [C.E.P.], formado oficialmente em 1917 [17 de Janeiro] - após a reorganização "acelerada" da tropa portuguesa [no que foi conhecido pelo "milagre de Tancos"] pelo [então] Ministro da Guerra, Norton de Matos, e o general Tamagnini de Abreu -, entra no dia 8 de Fevereiro de 1917 no território da Flandres, disposto [passe a impreparação e o desconhecimento da situação] a lutar, na guerra que se travava na Frente Ocidental, contra as forças alemães. Foi a 23 de Novembro de 1914 que, em reunião extraordinária, o Parlamento Português aprova a intervenção, ao lado da "velha" aliada Inglaterra e a seu pedido [através do Memorando de Outubro de 1914], contra a Alemanha.

A declaração formal de guerra da Alemanha a Portugal [9 de Março de 1916] que se seguiu, era o esperado, face à guerra surda que portugueses e alemães travavam no norte de Moçambique [datavam de Julho de 1914, as "primeiras escaramuças"] e a sul da Angola.

O aceso debate que então se travou entre os intervencionistas [como Afonso Costa, Bernardino Machado, João Chagas, Norton de Matos, Jaime Cortesão, Machado Santos] e os neutralistas [caso de Brito Camacho, Freire de Andrade, Sidónio Pais] no envolvimento de Portugal na I Grande Guerra, a par da enorme instabilidade política que então existiu [movimentações monárquicas, queda de governos, dissolução da Assembleia, cisões na Maçonaria, greves e lutas operárias contra a carestia de vida e a fome], tornam este período particularmente difícil e conturbado.

A 9 de Abril de 1918, a 2ª Divisão do CEP chefiada por Gomes da Costa [cansada, sem ser reforçada, abandonada pelos oficiais e esquecida deliberadamente pelo então levantamento militar Sidonista, que era contrário à presença portuguesa na guerra], sofre uma pesadíssima derrota e fica destroçada, pela ofensiva ["Georgette"] do 6º Exercito alemão, traçada por Ludendorff, na Batalha de La Lys. Com milhares de baixas e muitos prisioneiros [7.500] a Flandres será, no dizer de Jaime Cortesão [in Memórias] o novo Alcácer-Quibir, da nossa memória.

J.M.M.