Trincheira da Flandres: 90 anos depois
O
Corpo Expedicionário Português [
C.E.P.], formado oficialmente em 1917 [
17 de Janeiro] - após a reorganização "acelerada" da tropa portuguesa [no que foi conhecido pelo "
milagre de Tancos"] pelo [então] Ministro da Guerra,
Norton de Matos, e o general
Tamagnini de Abreu -, entra no dia 8 de Fevereiro de 1917 no território da
Flandres, disposto [passe a impreparação e o desconhecimento da situação] a lutar, na guerra que se travava na Frente Ocidental, contra as forças alemães. Foi a 23 de Novembro de 1914 que, em reunião extraordinária, o
Parlamento Português aprova a intervenção, ao lado da "velha" aliada
Inglaterra e a seu pedido [através do
Memorando de Outubro de 1914], contra a
Alemanha.
A declaração formal de guerra da
Alemanha a
Portugal [
9 de Março de 1916] que se seguiu, era o esperado, face à guerra surda que portugueses e alemães travavam no norte de
Moçambique [datavam de Julho de 1914, as "primeiras escaramuças"] e a sul da
Angola.
O aceso debate que então se travou entre os
intervencionistas [como
Afonso Costa,
Bernardino Machado,
João Chagas,
Norton de Matos,
Jaime Cortesão,
Machado Santos] e os
neutralistas [caso de
Brito Camacho,
Freire de Andrade,
Sidónio Pais] no envolvimento de
Portugal na
I Grande Guerra, a par da enorme instabilidade política que então existiu [movimentações monárquicas, queda de governos, dissolução da Assembleia, cisões na Maçonaria, greves e lutas operárias contra a carestia de vida e a fome], tornam este período particularmente difícil e
conturbado.
A
9 de Abril de 1918, a
2ª Divisão do CEP chefiada por
Gomes da Costa [cansada, sem ser reforçada, abandonada pelos oficiais e esquecida deliberadamente pelo então levantamento militar
Sidonista, que era contrário à presença portuguesa na guerra], sofre uma pesadíssima derrota e fica destroçada, pela ofensiva ["
Georgette"] do 6º Exercito alemão, traçada por
Ludendorff, na
Batalha de La Lys. Com milhares de baixas e muitos prisioneiros [7.500] a
Flandres será, no dizer de
Jaime Cortesão [
in Memórias] o novo
Alcácer-Quibir, da nossa memória.
J.M.M.