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terça-feira, 6 de junho de 2017

[INAUGURAÇÃO] RUA PROF. OLIVEIRA MARQUES. HISTORIADOR (1933-2007)



Inauguração da Rua Dr. Oliveira Marques. Historiador (1933-2007)


DIA:
7 de Junho 2017 (12,00 horas);
LOCAL: Transversal à Alameda da Universidade [entre a FLUL e o ANTT], Lisboa;

A Câmara Municipal de Lisboa, pelo Edital nº43/2013, de 2 de Agosto, atribuiu o topónimo de Rua Prof. Oliveira Marques ao arruamento transversal à Alameda da Universidade, que fica entre a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e o Arquivo Nacional da Torre do Tombo.  
 
 

O Prof. Oliveira Marques, inserido na toponímia lisboeta com a legenda «Historiador/1933 – 2007», é o especialista da História Medieval portuguesa, pioneiro na sua vertente económica e social, bem como da História Contemporânea da I República de um ponto de vista estruturalista, tendo publicado fontes, monografias e sínteses gerais. Introduziu em Portugal como temas históricos a vida quotidiana, a urbanização medieval, as técnicas, o clima ou a Maçonaria Portuguesa, para além de ter adaptado ao caso português os conceitos de Feudalismo e de Fascismo. A. H. de Oliveira Marques foi também o primeiro diretor da Biblioteca Nacional após o 25 de Abril de 1974 e como docente trabalhou de 1957 até 1962 na Faculdade de Letras de Lisboa, de 1965 a 1970 nas Universidades americanas de Auburn, Flórida, Columbia, Minnesota, Chicago e, a partir de 1976 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, nos departamentos de História, Estudos Alemães, Ciência Política e Relações Internacionais, tendo ainda sido o primeiro presidente da Comissão Instaladora da Faculdade e fundado o Centro de Estudos Históricos”. [AQUI]

J.M.M.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

AS SOCIEDADES PATRIÓTICAS – PARTE III


 
AS SOCIEDADES PATRIÓTICAS – PARTE III
 

[Extracto] “Os Estados Peninsulares e as Sociedades Patrióticas” - (A propósito do discurso de José Liberato Freire de Carvalho na noite de 24 de Julho de 1822)”

 José Manuel Martins

NOTA: As Sociedades Patrióticas (Parte III) é a continuação do prefácio ao livro “Memória da Liberdade e do Constitucionalismo. Madrid-Lisboa / 1822”, com textos de José Liberato Freire de Carvalho e João Baptista da S. L. de Almeida Garrett, obra republicada pela Comissão Liberato (com assento em terras do Mondego) a 7 de Julho de 2016, em Coimbra - PARTE I pode ser lida AQUI | PARTE II pode ser lida AQUI.
 
► (...) As Sociedades Patrióticas

O primeiro liberalismo associou à sua volta diferentes intervenientes, clubes e sociedades, sendo que acresce, como dos mais relevantes, um importante elemento histórico: as Sociedades Patrióticas. O seu memorial é relativamente pouco conhecido e longe de ser sistematicamente estudado, existindo escassos estudos publicados que lhe são dedicados [31]; porém algumas referências sectoriais a este tipo de sociedades aparecem em periódicos e parcelarmente em obras gerais ou de âmbito específico, quase sempre registando a sua actividade e algum dos seus membros.

As Sociedades Patrióticas emergiram no contexto das lutas liberais, na “falta de partidos políticos organizados” [32] e resultam das profundas alterações do “modo de vida político da sociedade portuguesa”. São portanto datadas em períodos específicos.

Sitiadas nos principais centros urbanos, estes clubes de opinião e agitação pública, trocam informações políticas e filosóficas, propagam nas suas sessões ideias e soluções liberais, vigiando, apoiando e apelando à virtude e ao patriotismo como fundamento da actividade política. Funcionam assim como “caixa de ressonância” da vida pública e parlamentar, difundindo o ideário revolucionário liberal e sustentando um conjunto de actividades organizadas, de carácter político, económico e social, estando, na sua constituição ou por detrás delas, membros de sociedades secretas ou filantrópicas, e em especial as lojas maçónicas - dizia o abade Correia da Serra [33] que elas formavam a “Ordem terceira dos pedreiros livres”.

As Sociedades Patrióticas, frequentadas por burgueses, intelectuais, membros do clero e da nobreza, gente abastada, eram, porém, participadas pelas classes artesanais, que ali encontravam entusiasmo ideológico, sustentáculo do amor da pátria e da liberdade constitucional. Nessa mixagem assistia-se a um curioso contra-poder: por um lado servia de tribuna para o exercício da liberdade de opinião e por outro permitia organizar e enquadrar os cidadãos contra o despotismo realista e influenciar decisões do poder. De algum modo o modelo dessas sociedades podem ser comparadas às sociedades populares ou clubes políticos e jacobinos que surgiram durante a revolução francesa [34] e onde se iniciavam oradores e se debatiam os grandes temas da sociedade.

A origem da formação e o estatuto destas associações carece de elementos de prova mais concretos que nos permitam afirmar serem ou não elas “sucedâneos” ou sob enquadramento das lojas maçónicas [35]. No entanto existem demasiados aspectos de coincidências ou “íntimos contactos” entre as lojas maçónicas e as sociedades patrióticas, a que decerto a sociabilidade política entre Irmãos não era indiferente, quer na sua norma e estrutura organizativa, quer na utilização de práticas e vocábulos essenciais da liturgia maçónica [36]. Não se estranha, portanto, que em estudos de muitos autores hispano-americanos e, mesmo, brasileiros, se considere existir uma evidência (sempre marcada pela influência maçónica de um ou outro dos seus membros) entre as duas associações. A historiografia liberal e maçónica disso dá conta, ressalvando no entanto as inúmeras diferenças conceptuais entre sociedades secretas, associações maçónicas, sociedades paramaçónicas e sociedades patrióticas. E, decerto, será das diferenças operativas entre elas que reside algumas das dificuldades com que nos deparamos.

Com a “aurora da liberdade” do 24 de Agosto de 1822, constituem-se e proliferam, portanto, instituições e sociedades - entre as quais as Sociedades Patrióticas -, que tiveram muita importância na defesa e consolidação do liberalismo. Das Sociedades Patrióticas estabelecidas neste período conhecem-se inúmeras delas em Portugal, em Espanha [37], nas colónias hispano-americanas e no Brasil.

Em Portugal, durante o período vintista, A. H. de Oliveira Marques anota 18 sociedades patrióticas (ob. cit., p. 268); como foi já salientado, propunham-se trabalhar para defender a Constituição, vigiar o poder político, promover a instrução e conhecimentos úteis. A primeira delas [38] teria sido uma, de que fala o Marquês de Fronteira nas suas Memórias, que existiria antes mesmo do regresso de D. João VI do Brasil (Julho de 1821). Sabe-se que em Setembro desse ano subsistia em Lisboa a Sociedade Patriótica da Casa do Risco [39], ao Arsenal. E que existiu uma outra sociedade patriótica em Setúbal (1820 ?), de que pouco se conhece.

 
Arroladas estão, neste período, as seguintes: a Sociedade Patriótica Filantropia [40] (Angra do Heroísmo, 1821 ?), Sociedade Literária Patriótica de Lisboa [41] (2 de Janeiro de 1822), a Sociedade Literária Patriótica da Covilhã [42] (26 de Janeiro de 1822), a Sociedade Patriótica Promotora da Indústria Nacional [43](16 de Maio de 1822), a Sociedade Patriótica dos Amigos das Ciências e Artes [44] (Funchal, 16 de Maio de 1822), Sociedade Patriótica de Alfândega da Fé [45] (27 de Maio de 1822), a Sociedade Filarmónica [46] (antes de Agosto de 1822), a Sociedade Patriótica Portuense [47] (24 de Agosto de 1822), a Sociedade Patriótica Constituição [48] (15 de Setembro de 1822), a Sociedade Patriótica Constitucional O Gabinete de Minerva [49] (Outubro de 1822), a Sociedade Patriótica [Literária ?] de Coimbra [50] (anterior a 3 de Dezembro de 1822), a Sociedade Patriótica Agricultura [51] (Santarém, 16 de Dezembro de 1822), a Sociedade Filarmónica de Faro [52] (1822 ?), a Sociedade Patriótica de Faro [53] (1822 ?), a Sociedade Patriótica Instrutiva da Juventude Portuense [54] (6 de Janeiro de 1823), a Sociedade Patriótica Marte [55] (Porto, 26 de Fevereiro de 1823), a Sociedade Patriótica Vigilante [56] (antes de Março de 1823), a Sociedade Patriótica Fortaleza [57] (antes de Abril de 1823). Fora já do período vintista, a partir de 1834, ressurgem novas associações e recrudescem de novo as Sociedades Patrióticas, marcando com combatividade a vida política e social.



[31] Sobre as Sociedades Patrióticas tenha-se em conta, principalmente, as seguintes obras: A. H. de Oliveira Marques, História da Maçonaria em Portugal, 1ª parte (pp. 147-167) e 2ª parte (pp. 265-276), 1997 – decerto a mais documentada exposição, em Portugal, sobre as sociedades patrióticas e os seus membros; Alberto Gil Novales, Las Sociedades Patrióticas (1820-1823), Madrid, 1975, II vols; Graça e J. S. da Silva Dias, Os Primórdios da Maçonaria em Portugal, vol I, tomo II, p. 785 e segs; José de Arriaga, História da Revolução Portuguesa de 1820, vol III, livro VIII, cap. IV, p. 248 e vol IV, livro XVII, cap. VI, p. 455; José Silvestre Ribeiro, Historia dos Estabelecimentos Scientificos Litterarios e Artisticos de Portugal, 1874, vol. IV; Maria Carlos Radich, Formas de organização política: sociedades patrióticas e clubes políticos (1820-1836), in O Liberalismo na Península Ibérica na primeira metade do século XIX, 1982, vol I, pp. 117-141.
[32] Em sentido moderno, os partidos políticos surgem no final do século XIX. Nos EUA aparecem já em 1830 e em Inglaterra por volta de 1832. Compreende-se que assim fosse dado a herança do filosofismo iluminista, para quem “a lógica da unicidade da razão”; isto é, a crença que só existia uma racionalidade, necessariamente una, de uma só verdade e de uma só concretização política, impossibilitaria a existência de partidos, cada um com a sua racionalidade própria – cf. José Miguel Sardica, Os partidos políticos no Portugal oitocentista, Análise Social, 1997, vol XXXII, nº 142, p.558.
[33] Cf. Graça e J. S. Silva Dias, ob. cit, p 791 (aliás via Francisco Manuel Trigoso, Memórias) - O abade Correia da Serra (1750-1823), figura notável e apaixonante, estrangeirado por motivos políticos, pois perseguido por Pina Manique por ser liberal e maçon, estudou botânica, história natural, agricultura e comércio, foi conselheiro da delegação portuguesa em Londres, ministro plenipotenciário do Reino Unido e de Portugal nos EUA, deputado às Cortes em 1822; pertenceu a inúmeras e reputadas sociedades internacionais, foi um dos fundadores da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio da Royal Society e da Sociedade Lineana, amigo especial de Thomas Jefferson.
[34] A. H. de Oliveira Marques (ob.cit., p. 266) considera que a origem destas associações foram em França “muito menos maçónicas do que as associações portuguesas correspondentes”. Refira-se, entre elas, o “Clube Bretão” (Abril de 1789; reunia-se no café Amaury, em Versailles), que se reconstitui como Sociedade dos Amigos da Constituição ou Clube dos Jacobinos (nome mais conhecido por estar instalado no convento dos jacobinos, que tinha sido pertença dos dominicanos de Saint-Jacques; foram seus membros Mirabeau, Robespierre, La Fayette, Bailly), A Sociedade Patriótica de 1789, etc.
[35] A. H. de Oliveira Marques, embora entenda que a articulação entre as sociedades patrióticas e as lojas “não é hoje muito clara por falta de documentação pertinente” (ob. cit., p. 267), integra-as nas  instituições paramaçónicas, referindo que na sua origem estariam deliberações das próprias lojas. Cita, em defesa, um curioso e importante documento da loja União Açoriana (Ponta Delgada) – Artigos Secretos e Regulamentares da R[espeitavel] L[oja] União Açoreana para instalação e direcção da Sociedade Patriótica Michaelense (1833 ?) - onde está transcrito  a redacção dos artigos visando a instalação da Sociedade Patriótica Michaelense; ainda Oliveira Marques, refere que a Sociedade Literária Patriótica de Lisboa enviou uma carta á Sociedad Constitucional de Madrid (12 de Junho de 1822) que se iniciava com “Gloria ao Supremo Senhor do Universo”, citando o Jornal da Sociedade Literária Patriótica de 23 de Junho de 1822, o que, de facto, é significativo; refere, ainda, os regulamentos da Sociedade Keporática (ou dos Jardineiros), que se desenvolveu entre os estudantes de Coimbra entre 1820-1823 e da qual Almeida Garrett foi entusiástico membro, onde se mencionava o “controle por aquela sociedade secreta de associações patrióticas, gabinetes literários e toda a espécie de corpos morais e úteis” (ibidem, p. 268). Por sua vez Graça e J. S. da Silva Dias (ob. cit) consideram que “nada nos permite estabelecer que os clubes fossem órgãos inspirados e dirigidos, ocultamente, pela Sociedade [Maçónica]”, mas que “parece difícil excluir a presença de mações nos clubes e, pela sua prática na condução de assembleias e no uso da palavra, que exercessem neles uma influência importante e canalizadora das directivas emanadas das lojas” (p. 791).
[36] Está neste caso, por exemplo, o curioso debate feito na Sociedade Patriótica Portuense, a 12 de Dezembro de 1822, à volta da questão da admissão de sócios de outras Sociedades correspondentes e da participação, intervenção, voto e, mesmo, do lugar que ocupariam esses membros visitantes (vide a Borboleta Constitucional, 1822, nº 293). O mesmo se pode observar nos Estatutos da Sociedade Literária Patriótica de Lisboa, nomeadamente se observarmos a redacção do Regimento das Sessões (cap. V dos Estatutos), onde persistem algumas similitudes ritualísticas em loja maçónica.
[37] Em Espanha, as sociedades patrióticas foram amplamente estudadas durante o período do Triénio Liberal por Alberto Gil Novales, ob. cit, pelo que se remete a sua consulta.
[38] Cf. A. H. Oliveira Marques, ibidem, p. 269. Continuaremos a seguir muito de perto o seu importante trabalho ao longo das nossas notas e para o qual se remete a informação não assinalada. Diga-se que estão referenciadas sociedades patrióticas, muito antes do Vintismo, como a Sociedade Patriótica, ou dos Bons Compatriotas, estabelecida em Ponte de Lima, com Estatutos de 5 de Janeiro de 1780 – cf. Joaquim José Caetano Pereira e Sousa, Esboço de hum diccionario jurídico, theoretico, e practico …, 1825, vol III. Da Associação Patriótica (como é referida nas Memórias do Marquês de Fronteira, Parte II, p. 237), fariam parte o capitão Bernardo de Sá Nogueira, capitão Gil Eanes da Costa, o coronel João Galvão Mexia de Origini, com o “patrocínio” do general Póvoas (cf. Silva Dias, ob. cit., p. 788).
[39] Dataria a sua instalação a 12 de Setembro de 1821, tendo-se extinguido em 1823 (?). Fariam parte dela Eusébio Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado, João Loureiro, José Xavier Mouzinho da Silveira e Simão da Rocha Loureiro; a sociedade deve ter organizado as comemorações do 1º aniversário da revolução liberal, solenizou o dia 15 de Setembro, além de um bodo aos pobres, com um “esplêndido jantar” presidido por Manuel Fernandes Tomás e tendo como vice-presidente António Freire. Nesse jantar participaram muitos militares convidados, deputados da Corte de Espanha e Manuel Fernandes Tomás fez sete brindes: à soberania da Nação, ao sábio Congresso Nacional, a El-Rei Constitucional, aos Irmãos do Ultramar, aos sempre leais Exércitos da Nação Portuguesa, aos Portugueses que preferem a morte à escravidão, a todos os fundadores da Grandeza deste Diain, Gazeta do Rio de Janeiro, 1821, nº 116.
[40] A sociedade supõe-se ligada á Loja Filantropia; participou na revolta liberal de 1 de Março de 1821que ocorreu em Ponta Delgada; vide António Lopes, A Maçonaria Portuguesa e os Açores (1792-1935), Lisboa, 2008, pp. 303-305.
[41] A mais importante e com maior numero de associados, de que falaremos mais adiante.
[42] Tinha correspondência com a Sociedade Literária Patriótica de Lisboa e propunha além dos seus intentos político-literários “praticar generosos actos de beneficência, tais como os de subministrar socorros pecuniários (…) e de prever a instrução gratuita das crianças pobres de ambos os sexos” (José Silvestre Ribeiro, ob. cit, p. 134). Fizeram dela parte, António Gabriel Pessoa de Amorim, como Presidente, F. Pessoa e Cassiano José Joaquim Alves. No Diário do Governo (11 de Fevereiro de 1822) há referência a esta Sociedade, pelo anúncio que foi enviado (e lido) à Sessão das Cortes, de 9 de Fevereiro, pelo Presidente da Sociedade, tendo a exposição motivado imediato debate entre os deputados, em especial Pinto de Magalhães, Sarmento, Borges Carneiro e Vilela; este último considerou que uma vez que se deve ter precauções com essas Sociedades, opina para que “haja toda a cautela para com as sociedades secretas e clandestinas, por muito mais perigosas”.
[43] A sua finalidade era “favorecer a investigação e as experiências de tipo económico, promover a indústria, propagar a instrução industrial (…) socorrer os agricultores e os operários em apuros”; o seu programa foi apresentado ao Rei a 18 de Abril de 1822; tinha como Presidente e Vice-Presidentes, Cândido José Xavier, Hermano José Braamcamp e Francisco Duarte Coelho, todos maçons; tinha em Maio de 1823 listados 400 sócios; sobre esta sociedade, consultar José Silvestre Ribeiro, ob. cit, tomo IV, p. 142 e segs.
[44] Espécie de Academia, teve vida curta devido aos acontecimentos políticos de 1823. Tinha Estatutos (1822, 23 p.), onde constam a lista de sócios (foram 28 sócios efectivos, o que não seria mera causal numeração, porque simbolizava o dia 28 de Janeiro de 1821, quando a revolta do Porto foi secundada na Madeira). A.H.O.M. (ob. cit.) diz que pode ter correspondido a um “autêntico grémio maçónico”, com ligações à loja funchalense. O visconde de Porto da Cruz (História Literária da Madeira, II vol.) refere que foi [a Sociedade] o “principal elemento que trabalhou para a implantação dos princípios da rebelião de 1820, na Madeira”. Fizeram dela parte, João Pedro Freitas Pereira Drumond, Francisco Ferreira de Abreu (secr.), Paulo Dias de Almeida, João Agostinho Pereira d’Agrela e Câmara, etc.
[45] Na sua sessão inaugural, a sociedade debateu os seguintes assuntos: instrução pública, vantagens de um governo constitucional, inconvenientes da acumulação da propriedade numa só mão e a usurpação que a cúria romana tem feito das atribuições episcopais” – cf. José Silvestre Ribeiro, ob. cit; idem nas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, do Abade de Baçal.
[46] O seu grande divulgador foi João Domingos Bomtempo. Bomtempo, assistiu (1812) aos trabalhos da Sociedade Filarmónica de Londres e quando regressa a Portugal (1815) constitui formação idêntica; propunha a Sociedade “o desenvolvimento da cultura musical através da realização de concertos de música clássica”; AHOM, refere que foi considerada “perigosa e suspeita de sociedade secreta, sendo pedreiros-livres muito dos seus cerca de 200 sócios”, pelo que foi extinta em 1828. Refira-se que reaparece, agora com o nome de Academia Filarmónica, em 1838.
[47] Importante sociedade do Porto, fundada a 24 de Agosto de 1822; seria uma versão correspondente à sua congénere Sociedade Literária Patriótica de Lisboa; os seus projectos de Estatutos (Os Estatutos foram depois publicados em opúsculo), relação geral dos sócios e actividades desenvolvidas, encontram-se muito bem transcritos no periódico do Porto, Borboleta Constitucional, a partir do nº 191, de 26 de Agosto de 1822, em diante. Publicou alguns dos discursos proferidos nas suas sessões e alguns folhetos. Sobre esta sociedade e as outras duas que se lhe seguiram, na cidade do Porto, consultar Maria Carlos Radich, ob. cit., p. 122 e segs. Ver, também, o Diário do Governo (13 de Março de 1823), onde está transcrito uma lista de sócios da Sociedade.
[48] Tinha como objectivos “a defesa do sistema constitucional e a promoção do bem da Pátria”; conhecem-se os seus Estatutos; Oliveira Marques diz que é plausível a sua ligação á loja maçónica 15 de Setembro, pelo facto de nos seus Estatutos se apresentar como finalidade comemorarem esse dia. Publicou alguns folhetos, como a Oração Fúnebre consagrada à Memoria dos Martyres da Patria, 1822. Vem no Diário do Governo (4 de Março de 1823) uma extensa lista dos seus associados, no final de uma exposição apresentada nas Cortes.
[49] Sociedade das mais activas, vigilantes e combativas; conhece-se os seus Regulamentos, onde consta uma lista de 77 fundadores. A ela pertenceu José da Silva Carvalho, Marcos Pinto Soares Vaz Preto, José Tomás Branco, entre outros – ver A. H. de Oliveira Marques, ob. cit. p. 271. Moura Coutinho, um dos seus sócios fundou em Coimbra o periódico Minerva Constitucional. No Diário do Governo (21 de Janeiro de 1823), no que diz respeito ao relato das Cortes, é referido um pedido enviado a El-Rei pela Sociedade Minerva para que fosse agraciado o seu sócio José Anastácio Falcão, que se encontrava preso há 55 dias. O pedido foi concedido. Curiosamente, o jornal publica alguns desses documentos (7 de Janeiro de 1823) como prova do pedido feito, tendo como assinatura pela Sociedade Minerva: João Silvério da Cunha Lobo (Pres.), José Thomas Branco (Secr.) e Manoel Antonio de Vasconcelos (Secr.). No dia 16 de Janeiro (dia comemorativo da reunião das Cortes Constituintes), a Sociedade Minerva celebrou uma Sessão evocativa desse dia, onde estiveram presentes membros da Sociedade Literária Patriótica e da Constitucional (ver Diário do Governo, 7 de Fevereiro de 1823).     
[50]  De que pouco se conhece.
[51] Correspondia-se com a Sociedade Promotora da Indústria. Propunha-se “promover a instrução pública em todos os seus ramos, especialmente em aquele da Agricultura”. Foram sócios, António Salinas de Benevides, Anselmo José de Matos, João António Pereira, José Diogo Mascarenhas Neto (A.H.O.M., ibidem). Ver, também o Diário do Governo (8 de Março de 1823) está registado uma extensa lista dos sócios.
[52] A data é incerta. Segundo A.H.O.M., “parece ter sido um Grémio, correspondente à loja maçónica local Fraternidade”, que era composta com grande número de clérigos.
[53] De data incerta (1822 ou 1823 ?), era uma sociedade de instrução e recreio. Na sessão das Cortes de 12 de Março de 1823, apresenta “felicitações e protestos de adesão ao sistema constitucional” (Diário das Cortes). Tinha na data 21 sócios.
[54] Nos seus Estatutos (Porto, 1823) a Sociedade visava que os jovens portuenses se exercitassem “a falar em público com decente desembaraço, exactidão de ideias e pureza de linguagem” de modo a “expender razões sobre as vantagens deduzidas do sistema constitucional”. Dirigida por adultos, contou na sua direcção com Duarte Lessa (Pres.), José Rodrigo Passos, João Nogueira Gandra (1º Secr.), José Joaquim Ferreira de Moura, com um total de 77 sócios jovens (A.H.O.M., ibidem, p 273). Os jovens associados distribuíam folhetos, promoviam a beneficência e realizavam sessões de esclarecimentos. Caetano José de Abreu, estudante e sócio da sociedade, publicou um curioso opúsculo, A Sociedade Patriótica Instructiva da Juventude Portuense aos Transmontanos, Porto, Imprensa da Gandra, 1823. Ver sobre esta sociedade, Isabel Nobre Vargues, A Aprendizagem da Cidadania em Portugal (1820-1823), Minerva, 1997, p. 194.  
[55] Curiosa sociedade que pretendia “militarizar os seus membros”, em 1823.
[56] No Diário do Governo (10 de Fevereiro de 1823), quando é salientado o trabalho das Cortes, há referência à “abertura” dessa Sociedade (26 de Janeiro), e onde o bacharel José Manuel Antunes Monteiro, na qualidade de Presidente da Sociedade, usou da palavra. Está publicado, no mesmo jornal, o discurso do seu Presidente, e é acompanhado da assinatura dos seguintes sócios: Luís António Gonçalves de Mesquita, Alexandre Balbino Proença, Silvestre Rodrigues dos Santos Valadas, Manuel Joaquim Mascarenhas, Henrique Daniel Wenk, Desiderio Joaquim de Oliveira, José Joaquim leal (capitão tenente), Rafael Arcangelo de Santa Ana, José Pedro de Melo, Gregório Joaquim Gomes Aronca, Francisco Zacarias Ferreira de Araújo.
[57] Fundada em Lisboa (Belém), poderá estar associada à Loja maçónica Fortaleza (foram dela membros, Manuel Fernandes Tomás, José Liberato Freire de Carvalho, José da Silva Carvalho, João Maria Soares Castelo Branco, José Aleixo Falcão de G. F. Vanzeller, entre outros); há uma referência a esta Sociedade no nº 100 (de 2 de Maio de 1823) do periódico Borboleta Duriense (A.H.O.M., ibidem). Uma extensa listagem de sócios aparece no Diário do Governo (29 de Março de 1823), numa nota onde se diz que um grupo de cidadãos “acaba de se reunir” em Sociedade, com o título de Fortaleza. 

[A CONTINUAR] - sublinhados nossos
 
J.M.M.

terça-feira, 14 de julho de 2015

AFONSO COSTA E O REVISIONISMO EM HISTÓRIA


Afonso Costa e o revisionismo em história” – por Jorge Pais de Sousa, in jornal Público

Sou leitor assíduo da crónica Consoantemuda, que Rui Tavares assina no jornal PÚBLICO, a qual, normalmente, expressa pontos de vista singulares sobre a complexa realidade política que nos envolve.

Todavia, no dia 24 de junho, escreveu uma crónica histórica que intitulou de “Tempos elétricos.” E nela abordou dois episódios da vida de Afonso Costa (1871-1937) que, na sua leitura, caraterizavam a sua personalidade: a cobardia política, referindo-se ao episódio da queda do elétrico em andamento que lhe causou um traumatismo craniano e o impediu de assumir de imediato a presidência do governo, pois julgou estar a ser alvo de um atentado à bomba, em resultado de um curto-circuito que produziu um clarão e um estrondo; e a corrupção, que estaria na origem da sua prisão, na Fortaleza de Elvas, entre dezembro de 1917 e 30 de março de 1918. Neste último caso, para lembrar, alegadamente, que não seria a primeira vez que os portugueses tiveram um ex-primeiro-ministro detido por corrupção.

Considero muito infeliz a escolha destes dois episódios para caraterizar o perfil moral do político Afonso Costa. Será que o ministro da Justiça do Governo Provisório, enquanto autor da Lei da Separação do Estado das Igrejas (1911), não teve coragem política para promulgar e aplicar esta lei, típica de um Estado moderno, causadora de enormes clivagens políticas na sociedade portuguesa, mas que nem o ditador Salazar se atreveu a revogar?

E se Afonso Costa, ainda hoje, é o único presidente do Governo e ministro das Finanças português que, em contexto democrático, obteve dois superavites 1912-13 e 1913-14 (cf. Nuno Valério - Os Orçamentos no Parlamento Português, 2001), isso é típico de um político corrupto? É que se os conseguiu foi porque os preparou com, entre outras medidas, a chamada “Lei Travão”, pela qual nenhum deputado, em sede de discussão do OGE, poderia propor medidas que aumentassem a despesa pública ou diminuíssem as receitas sem pedir, previamente, a autorização da Comissão de Finanças e do ministro das Finanças. Esta defesa acérrima, e sobretudo a sua concretização, de políticas de finanças públicas equilibradas caraterizam o comportamento de um político corrupto? Nessa altura, o que dizer das dezenas de ministros das Finanças que de então para cá ocuparam o cargo e só conseguiram défices?

Importa recordar que no final do ano de 1917, Portugal participa na I Guerra Mundial e tem a combater mais de 100 mil homens. Cerca de metade defendiam, desde  o verão de 1914, as fronteiras das colónias de Angola e Moçambique. Enquanto os outros 50 mil portugueses combatiam na Flandres. Nesta altura, Afonso Costa é presidente do Governo e regressa a Portugal depois de ter participado na Conferência dos Aliados de Paris, quando em Lisboa, entre 5 e 7 de dezembro, Sidónio Pais chefia um golpe de Estado que instaura a ditadura “dezembrista” durante um ano, o tempo necessário para realizar a sua política de contramobilização que conduziu ao desastre militar em La Lys. Suspendeu, de imediato, a Constituição da República de 1911, exila o presidente Bernardino Machado e detém no Porto, no dia 8, Afonso Costa, o presidente legítimo do Governo. Na véspera, as autoridades sidonistas tinham sido cúmplices no assalto e destruição em Lisboa, pela populaça, da casa onde vivia a sua família e também do seu escritório. O ditador Sidónio Pais vai manter Afonso Costa detido no Forte de Elvas durante mais de três meses sem nunca lhe ter promovido um inquérito, feito uma acusação, instaurado um processo, político ou criminal, e, portanto, nunca o levou a julgamento. Tudo na mais flagrante violação dos mais elementares direitos humanos e das leis de um qualquer Estado de direito. Onde estão, pois, as provas de que Afonso Costa era um presidente do Governo corrupto?

Esta foi, contudo, apenas a primeira de uma série longa e continuada no tempo de violações dos direitos, garantias e liberdades, em relação ao primeiro português que não só foi fundador (1920), mas também, na qualidade de representante de Portugal, foi eleito para presidir a uma assembleia da Sociedade das Nações (1926). É que, em 1927, por exemplo, a Ditadura Militar demite-o, sem a instauração de qualquer inquérito disciplinar, de diretor e de professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, dando origem a um exílio e a uma longa luta antifascista que marcaram os seus últimos onze anos de vida, numa altura em que integra a Junta Diretiva da Liga de Defesa da República.

Não foi por acaso que Salazar o declarou, na nota oficiosa de 1934, seu inimigo político e do Estado Novo, mas em momento algum desse extenso texto o acusa de cobarde e de corrupto. E não obstante, quando Afonso Costa morre no exílio de Paris, em maio de 1937, era o único político que tinha capital e prestígio político para conseguir a formação da Frente Popular Portuguesa e aglutinar nela o PCP.
 
 
 

Se Afonso Costa é apresentado como um político cobarde e corrupto é porque a história contemporânea é objeto, nos tempos que correm, de um processo acelerado de revisionismo. Isto porque Rui Tavares cita, e recomenda, a “curta e ótima” biografia “Afonso Costa” de Filipe Ribeiro de Meneses. Porém, e se não encontrou lá esta e muita outra informação sobre Afonso Costa, eu pensaria duas vezes em a recomendar publicamente. Tenho grandes dificuldades em perceber, por exemplo, como se pode recomendar um livro que nem sequer compila a bibliografia da autoria do biografado, enquanto professor universitário, advogado, deputado, governante e lutador antifascista? É que pelo menos aquela que é conhecida e foi publicada pelo historiador Oliveira Marques, desde os anos de 1970-8O, ali deveria constar.

No entanto, estou à vontade para escrever sobre esta matéria, pois no passado dia 9 de abril tive a oportunidade de debater em público sobre Afonso Costa, enquanto investigador, que o elege como tema de Pós-Doutoramento, com o historiador Filipe Ribeiro de Meneses, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, em sessão repleta e muito participada. E ali, tal como no seu livro, ficou claro que desconhece a natureza socialista integral do seu pensamento jurídico-político e a programática pela qual orientou toda a sua ação política, expressas, sobretudo, nas teses universitárias que apresentou em 1895 à Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Nesta começou por lecionar Economia Política para assumir, entre 1899 e 1910, a cátedra de Organização Judiciária. O mesmo se diga para os quinze títulos de livros jurídicos que entretanto identificámos, bem como o teor doutrinário dos mais de 300 artigos, também da autoria de Afonso Costa, que estão publicados em diferentes jornais republicanos.

Em suma, está por fazer com Afonso Costa - e o mesmo é valido, entre outros, para figuras centrais da 1.ª República como António José de Almeida e Brito Camacho - um trabalho semelhante ao que, de há muito, o historiador Norberto Ferreira da Cunha desenvolve no Museu Bernardino Machado em Vila Nova de Famalicão, ou seja, criar uma unidade de interpretação que reúna, conserve e difunda, para o grande público e para a investigação, a memória documental e iconográfica, que com ele se relaciona, e que, entre outras iniciativas, organize a publicação das suas “Obras”.

Afonso Costa e o revisionismo em história – por Jorge Pais de Sousa [bolseiro de pós-doutoramento na FCT], jornal Público, 13 de Julho de2015, p.46 – com sublinhados nossos.
 
J.M.M.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

AFONSO COSTA - DISCURSOS PARLAMENTARES


AFONSO COSTA, "DISCURSOS PARLAMENTARES" [compil., pref. e notas de A. H. de Oliveira Marques], Publicações Europa-América/Livraria Bertrand, 1973, 1976 e 1977, III vols (completo).

"... Do ponto de vista da luta de classes, o que nos parece bem mais realista encontrar nesse período – para lá de fenómenos ocasionais – é antes um conflito intenso entre média e pequena burguesia, por um lado, e grande burguesia (incluindo nesta os aristocratas e os latifundiários), pelo outro. O proletariado, porventura na sua maior parte, foi a reboque desta última. Serviu os interesses dela, mais do que os seus, nesse combate que travou contra aqueles que, no fundo, estavam bem mais próximos das suas aspirações e dos seus desejos ...

Os proletários que se julgavam mais cônscios da sua classe e dos seus interesses fizeram, quase sempre, o jogo da reacção, sem o saberem. Aplaudiram os movimentos reaccionários, quando não contribuíram eficazmente para a sua organização e triunfo. Atacaram sem descanso a corrente mais radical e mais progressiva do Partido Democrático – a única que lhes poderia dar apoio e que, por seu turno, precisava do seu apoio –, inutilizando todos os esforços de consolidação do regime numa via esquerdista, contribuindo para a instabilidade e, nestes termos, para o fracasso da Revolução com que sonhavam ...

[...] em Afonso Costa, vemos exactamente o representante mais acabado dessa corrente progressiva que marcava o rumo que a República teria de seguir para se converter em regime democrático e popular. O seu pensamento político [...] foi sempre o da unidade das forças de esquerda que pudesse consolidar o regime e vibrar um golpe mortal aos seus inimigos – não apenas os monárquicos e o clero como tais, mas também os grandes possidentes, detentores do grosso da riqueza nacional. [...]
"

via FRENESI
J.M.M.

sábado, 18 de setembro de 2010

A PRIMEIRA REPUBLICA PORTUGUESA - DE A. H. DE OLIVEIRA MARQUES


LIVRO: A Primeira Republica Portuguesa
AUTOR: A. H. de Oliveira Marques
EDITORA: Texto Editora, 2010

"Este livro não conta a história da Primeira República Portuguesa como sucessão de factos cronologicamente encadeados e politicamente desenvolvidos. Tal história, que é aliás indispensável, constituirá outro volume dentro desta colecção.

O objectivo único deste livro foi desvelar um pouco os bastidores, analisando estruturas de base e conjunturas menos conhecidas. Procurou-se fazê-lo sem pretensões, de maneira resumida e fácil, pronta a ser assimilada por qualquer tipo de público, medianamente instruído
" [ler AQUI]

J.M.M.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

A. H. DE OLIVEIRA MARQUES [1933-2007] - MOSTRA DOCUMENTAL


Mostra Documental - A. H. de Oliveira Marques (1933-2007)

A Biblioteca Nacional apresenta - de 21 de Junho a 14 de Setembro de 2007 na Sala de Referência - uma Mostra Documental sobre o prof. A. H. de Oliveira Marques, recentemente falecido (23 de Janeiro de 2007).

A Exposição pode ser vista ao longo da semana (das 10h às 19h) e, também, ao sábado (10h às 17h) na Sala de Referência da Biblioteca Nacional.

Ler mais aqui.

J.M.M.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

CARTA DE ÁLVARO DE CASTRO AO GENERAL SOUSA DIAS


"Paris, 1-4-1927

Meu Caro Camarada:

Embora esta carta vá dirigida a uma pessoa certa e amiga, pode ser também recebida por outra qualquer, em virtude da indicação que leva, visto não haver a certeza onde se encontram os deportados pois o Governo tem feito o possível para ocultar os locaes de deportação.
É certo que a matéria da carta se destina a qualquer oficial deportado. Esta carta tem por fim levar aos deportados as minhas vivas e entusiásticas saudações pela sua heróica actuação em Lisboa e no Porto [‘durante a revolta de 3-9 de Fevereiro de 1927’] e transmitir-lhes a certeza de uma próxima vitória em que se está trabalhando. Portanto, a quem esta carta receber peço-lhe para comunicar o que deixo escrito e o mais que vae seguir-se.
Está-se preparando o movimento e tudo nos faz prever que a vitória não vem longe. Estamos aqui preparando o manifesto que se há-de dirigir ao país quando a revolução rebentar e entendemos que esse manifesto deveria ser assinado também por todos os oficiais deportados. Logo que esteja pronto se enviará, mas antes é preciso que venha resposta a esta carta. É urgente. Tem-se aqui reunido todos os exilados e com a presença do Dr. Afonso Costa e Jayme de Moraes, Álvaro Poppe (...), etc. O 1º ponto que se resolveu foi o seguinte: Saber se se devia, depois da revolução vitoriosa, convocar o Parlamento que foi dissolvido pela Ditadura; ou antes, organizar um Governo Provisório com amplos poderes para governar um período determinado até à reunião do Futuro Parlamento, abrindo-se o período eleitoral em prazo previamente marcado. Votou-se por unanimidade que se organizasse um governo provisório. Concordaram com esta solução todos os exilados que se encontram em Aymonte, Vigo, Badajoz e Madrid. De Portugal temos tido opiniões no mesmíssimo sentido. Aqui, a deliberação foi tomada porque se partiu do princípio que é necessário proclamar a Segunda República e que, portanto, não há que atender ao que existiu anteriormente ..."

[Carta de Álvaro de Castro ao general Sousa Dias, in "O General Sousa Dias e as Revoltas Contra a Ditadura 1926-1931", por A. H. de Oliveira Marques, Dom Quixote, 1975]

J.M.M.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

A IMPRENSA CLANDESTINA [1926-1928]




Imprensa clandestina [1926-1928]

1926

- O Libelo, Lisboa, nº1 (Out. 1926) ao nº 8 (23 Agosto 1927). Director 'Doutor X' e redactor 'Libert Bell'.

- A Revolta (1ª série), Lisboa, nº 1 (2 Nov. 1926) a nº 3 (5 Dez. 1926). Colab. de Álvaro de Castro.

- O Pelourinho, Lisboa, nº 1 (21 Nov. 1926) a nº 2 (9 Dez. 1926). Era impresso nas oficinas gráficas da Biblioteca Nacional.

1927

- A Revolução, Lisboa, nº 1 (único?, 20 Jan 1927).

- Avante!, Lisboa, nº 1 (único?, 4 Fev. 1927).

- A Revolta (2ª série), Lisboa-Paris, nº1-2 (23/30 Abr.1927) ao nº 7-8 (5 Out. 1927). O nº 6 (Agosto de 1927) é editado em Paris, com "textos de António Sérgio, Álvaro de Castro, Lopes Martins, Gumercindo Soares, Afonso Costa, Jaime Morais, Bernardino Machado, Pina de Morais, Américo Buisel". Era órgão da Liga da Defesa da República.

- O Rancho, Lisboa, nº 1 (Jun. 1927).

- O Dever, Lisboa, nº 1 (22 Jul. 1927).

- A Lanterna, Lisboa, nº 1 (25 Jul. 1927) ao nº 2 (1 Ag. 1927).

- O Reviralho, Lisboa, nº 1 (Ag. 1927) ao nº 7 (Dez. 1927). A partir do nº 2 (20 de Agosto 1927), "passa a órgão do Comité de Defesa da República".

- Rebelião, Lisboa, nº 1 (18 Ag. 1927) ao nº 2 (4 Set. 1927). Órgão do grupo "Rebelião".

- O Chicote, Lisboa, nº 1 (Ag. 1927).

- O Facho, Porto, nº 1 (Ag. 1927) ao nº 3 (Set. 1927). Com subtítulo: 'Um por todos, todos pela República'.

- O Rebelde, Lisboa, nº 1 (10 Nov. 1927) ao nº 3 (20 Dez. 1927).

- A Victoria, nº 1 (Nov. 1927) ao nº 2 (19 Nov. 1927).

1928

- O Combate, Portugal, nº 1 (Jan. 1928).

- Fogo Vivo, Lisboa, nº 1 (7 Fev. 1928). Subtítulo: 'Panfleto contra a tirania'.

- A Camorra, Lisboa, nº 1 (Abr. 1928).

Fonte: A. H. de Oliveira Marques, A Literatura Clandestina em Portugal 1926-1932, Ed. Fragmentos, 1990

J.M.M.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

A. H. DE OLIVEIRA MARQUES (1933-2007)


A. H. de Oliveira Marques morreu ontem, dia 23 de Janeiro, em Lisboa. O professor Oliveira Marques doutorou-se em História pela FLUL, tendo sido aí professor. Considerado "especialista em história da Idade Média" (com abundante produção teórica), trabalhava nos últimos anos no âmbito da história contemporânea, com relevo para os trabalhos sobre a I República e o Estado Novo, a par dos trabalhos historiográficos (e de divulgação) da Maçonaria em Portugal. Aliás, o professor Oliveira Marques, era um dos seus membros ilustres, tendo sido grão-mestre adjunto do GOL entre 1984 e 1986 e seu Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33, entre 1991 e 1994. [Fonte: aqui]

J.M.M.