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domingo, 1 de dezembro de 2019

ASILO POLÍTICO EM TEMPOS DE SALAZAR



LIVRO: Asilo político em tempos de Salazar. Os casos de Humberto Delgado e Henrique Galvão;
AUTOR
: Luís Bigotte Chorão;
EDIÇÃO: Edições 70, Novembro de 2019, 336 p.

LANÇAMENTO:

DIA: 5 de Dezembro (18,30 horas);
LOCAL: Livraria Almedina Rato (R. da Escola Politécnica, 225 - Lisboa);
ORADORES: António Araújo | José Pacheco Pereira.

Henrique Galvão e Humberto Delgado assinalaram os difíceis tempos de oposição e luta à ditadura salazarista, tendo deixado um rasto de esperança e de ilusão nas camadas populares. Ambos tinham sido apoiantes da ditadura militar e do Estado Novo, ornamentando as suas fileiras. Na verdade, o tenente aviador Humberto Delgado e autor Da Pulhice do Homo Sapiens (Casa Ventura Abrantes, 1933), virulento escrito antirrepublicano e antimonárquico, acompanhou desde o início a ditadura e teve cargos relevantes no regime salazarista; Henrique Galvão, apoiante sidonista e caloroso adepto do salazarismo, exerceu devotamente cargos institucionais no início do Estado Novo. Essa ainda pouco esclarecida página negra da história contemporânea, levaram-nos, mais tarde, para o campo da oposição a Salazar e à Ditadura, fosse no escolho por uma pacífica luta eleitoral ou no ardor colocado em acções de grande espetacularidade e duro enfrentamento ao regime.

Este último trabalho de Luís Bigotte Chorão, aprofundamento de uma sua intervenção sobre o pedido de asilo político de Henrique Galvão à embaixada argentina, na FLUC, apresenta o enquadramento político e alguns marcos importantes em torno do asilo de Humberto Delgado (Janeiro de 1959) e Henrique Galvão (Fevereiro de 1959), incluindo, ainda, neste no seu estimado estudo outros asilados, como Rodrigo Teixeira Mendes de Abreu, Luís Cesariny Calafate, Manuel Serra, Sebastião Ribeiro, Manuel Sertório, Horácio Augusto Fernandes Gradim, Rogério de Oliveira e Silva, Joana Francisca Fonseca Simeão, Raúl Miguel Marques, Carlos Dionísio, entre outros.

Obra estimada e copiosa, com importantes fontes e demais anotações, apresenta no seu final (pp. 285-325) uns Anexos, provenientes do Arquivo Família Mairal, correspondência epistolar entre Henrique Galvão e Ernesto Pablo Mairal.  

Henrique Galvão e Humberto Delgado foram figuras extremamente populares durante o Estado Novo, nos meios oposicionistas não afetos ao Partido Comunista Português. Adversários destemidos do regime salazarista, viram-se ambos obrigados a pedir asilo político em circunstâncias que merecem a recuperação da memória histórica que este livro lhes concede. Enquanto Humberto Delgado o fez a 12 de janeiro 1959, na embaixada do Brasil, em Lisboa, Henrique Galvão formulou um pedido semelhante a 17 de fevereiro do mesmo ano, na representação diplomática da Argentina. Os dois pedidos de asilo transformaram-se rapidamente em acontecimentos políticos de primeira linha, com uma projeção internacional surpreendente. Em causa estavam duas personalidades que exaltavam, por maus motivos, os meios diplomáticos e a opinião pública. Enquanto o general Humberto Delgado tinha acabado de sair de um confronto violento com o regime, o capitão Henrique Galvão arrastava-se por inúmeras prisões ao longo de sete anos. Luís Bigotte Chorão reflete, assim, sobre um tempo de alta tensão política na história do século [AQUI]

J.M.M.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A MENTIRA MONARCHICA - ALFREDO PIMENTA


ALFREDO PIMENTA, “A Mentira Monarchica: Analyse do Momento Actual da Politica Portugueza”, Centro Republicano de Coimbra, Coimbra, Imprensa Academica, 1906, 19-I p.

Este opusculo é o desenvolvimento logico d’um artigo na Resistencia publicado, em 25 de novembro d’este anno, sob o titulo — O bloco monarchico. O Centro Republicano de Coimbra, publicando este trabalho do sr. Alfredo Pimenta, não alimenta vaidades pessoais, mas manifesta tão só a sua vontade em contribuir, na medida das suas forças, para a reorganização nacional baseada em principios scientificos e progressivos. A decadencia politica a que chegamos, caracterisada tão claramente nas indecizões da realeza, está pedindo um ataque cerrado e constante, para que o velho regime dê logar ao advento de uma organisação nova e completamente harmonica com a s aspirações do paiz. Esse ataque ha-de ser feito, mesmo pelo seu caracter preparatorio para um movimento decisivo, pela imprensa, pelos comicios, pelos livros. Servindo-se d’esta occasião, o Centro Republicano de Coimbra, julga prestar um serviço ao paiz, publicando o presente trabalho

via In-libris   

Trata-se de um dos opúsculos, de juventude, do irrequieto Alfredo PimentaAQUI por nós referido -, nascido em terras de Penouços, alguns anos depois da sua aventura literária e de poetastro (o “EU” data de 1904). Alfredo Pimenta passou, sucessivamente, do anarquismo ao republicanismo radical

[esteve presente no Congresso Republicano de Coimbra de 1904, pertenceu aos estudantes “intransigentes” da greve académica de 1907 em Coimbra, foi chefe de gabinete do Ministro do Fomento no Governo Provisório da República chefiado por Duarte Leite, torna-se apoiante (1908) de António José de Almeida, redigindo o Manifesto Evolucionista de 1912, está, curiosamente, no centro de uma pendência entre o ofendido Afonso Costa e o director do jornal “República”, António José de Almeida, pelo artigo (12 de Junho de 1914) publicado nesse jornal, “O partido dos escândalos”, (cf. Política e Justiça na I República, de Luís Bigotte Chorão, vol 1, p. 389), é candidato a deputado nas eleições de 1913, abandona o partido em 1915],

muda para o campo monárquico (de que é um dos seus doutrinários), é deputado sidonista (1918), adere ao Integralismo (de que se afasta, mantendo a fidelidade a D. Manuel II e fundando a Acção Tradicionalista Portuguesa, depois Acção Realista), manifesta admiração confessa por Mussolini, torna-se germanófilo assumido e salazarista convicto [delicioso é a sua correspondência com venerado Oliveira Salazar – vide “Salazar e Alfredo Pimenta. Correspondência (1931-1950)”, com curioso prefácio de Manuel Braga da Cruz, Verbo, 2008].

Este opúsculo deve juntar-se outros publicados na sua idade libertária, como “O Fim da Monarchia” (1906) e “Factos Sociais” (1908).

FOTO via In-Libris

J.M.M.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O ESPIRITO ERRANTE – CARLOS BABO


CARLOS BABO, “Espírito Errante. Retalhos de um Diario” (capa de Manuel Monterroso), Lisboa, Tipografia do Comercio (Rua da Oliveira, 10 – ao Carmo), 1916, 112 p.

► “- Olá, mestre! … Vae o diabo lá fora … Tiros, pranchadas, correrias, gritos, assaltos a esquadras de policia... desasocego perigoso! Isto vae mal, mestre! O trabalho escasseia, o comercio encolhe-se numa crise exhaustiva, a industria não dá um passo, o retraimento geral lança-nos a todos numa situação desesperada... Isto vae mal.

Quem assim falava' era um rapaz com aparencia de vinte anos, vestindo blusa de operario, alto, forte, de cabeça descoberta, cabelos negros anelados, olhar vivo, rasgado, inteligente.

Aquele a quem ele chamava mestre, estava sentado junto de uma mesa pequena e tôsca de pinho, numa ampla oficina de tanoaria. Era um operaria tambem e aparentava ter cinquenta anos. Usava barba grande, naturalmente frisada e que lhe chegava até meio do peito espaçoso e saliente. Tinha a fronte larga, aberta em sulcos transversaes, sob uma farta cabeleira grisalha, onde ele nesse momento sucessivamente mergulhava os dedos enclavinhados da mão direita, branca e nervosa […]

- Isto vae mal, mestre. Os homens são ferozes. Bem dizia o mestre que eu era uma creança, quando olhava todos os meus sonhos como possiveis realidades côr de rosa ...
- Creanças ... creanças ... Repetiu o mestre, num intimo recolhimento, esparso o olhar na mesma nesga de céo.

Passados instantes de silencio, voltou se o mestre para o rapaz e disse:

Quem governa Babylonia? O Trabalho, a Honra, o Direito? Não; a licença. A patria do guerreiro e monge, do audaz navegador e do epico sublime, tem sido alma da lenda na elegia dolente do passado.
A blusa tomou o logar das armaduras de aço, e a grande epopeia do futuro seria o Cantico dos Canticos do trabalho á Liberdade...

Liberdade! Como ousaram manchar meus labios esta palavra santa, que paira em silêncios de luz, muito alem das torturas da terra, das infamias do mundo, das imperfeições dos homens e das minhas apagadas esperanças?!...

Esperanças! Bronzeos grilhões de refulgências enganadoras, que arrastaes o homem pela longa tormenta da vida, em busca da terra da promissão, sem que jamais logre encontra-la, e por fim o deixaes, inexoravelmente, á borda do tumulo, clamando em suplice desespero pelo descanço misterioso da... inconsciencia! […]

E quem tem governado a moderna Babylonia? Os homens, defendendo a pureza dos principies? Tem governado os melhores? Não. Governam os homens integrados na lucta dos interesses.

Governa a maioria, - mentira que a nossa fantazia morbida engendrou? Não. E' sempre uma minoria autocráta que domina e governa, aferindo os seus actos mais incoerentes e contradictorios pelas necessidades da Patria na aparencia, mas de facto pelas necessidades de seus interesses em lucta …

NOTA BREVE: Este “Espírito Errante”, de Carlos [Cândido dos Santos] Babo (1882-1959), foi publicado em Março de 1916. Trata-se da republicação de um conjunto de crónicas (1913-1916) escritas no jornal “República”.

Diga-se que Carlos Babo [AQUI, AQUI e AQUI já referido por nós] escreveu inúmeras crónicas e artigos nos periódicos [como A Mocidade Livre, A Plebe, A Vitória, Ala Esquerda, Alma Nova, Diário Liberal, Diário de Lisboa, Humanidade, Liberdade, Montanha, O Mundo, O Clarim, O Laico, O Norte, O Povo, O Raio, Pátria, Pensamento, República, Voz da Justiça, etc.], tendo sido, mais tarde, completamente silenciado [caso raro e suponho único], por ordem pessoal do ditador Oliveira Salazar

[curiosamente, o ditador Oliveira Salazar permite-lhe, bem como a Tomás da Fonseca, a publicação de artigos anticlericais, como estratégia política de consolidação do poder pessoal. De facto a campanha anticlerical que a Censura (Major Barradas) e o ditador permitiu, pretendia insinuar ter o ditador “pouco poder” para combater o jacobinismo e a maçonaria (da qual, Carlos Babo e Tomás da Fonseca, eram obreiros dedicados. Babo foi iniciado em 1903, em Coimbra, no seu 4º ano de Direito. E Tomás da Fonseca em 1906, também em Coimbra). A “armadilha”, ao que parece, resultou e rapidamente, e após a “guerra anticlerical” verificada, consolidado o seu poder pessoal com a “eliminação das resistências” por parte dos sectores da Igreja e do grupo em torno do presidente Carmona, Salazar combate e persegue ferozmente os mais ardoroso publicistas dessa contenda. Parece que o ditador, chamando o major Barradas (censor-mor), disse-lhe o seguinte sobre Carlos Babo: “esse senhor (sic), a partir de agora, não escreve nem mais uma linha” – refª ms inédito de J.B.. E assim foi, salvo alguns artigos que Carlos Babo publica no jornal “República”. Ao mesmo tempo, Carlos Babo é aposentado compulsivamente]    

O livro “Espírito Errante” publica-se quando Carlos Babo se encontra em trabalho administrativo, em S. Tomé e Príncipe (Julho de 1915 a 1916). Durante esse “interregno colonial” em S. Tomé, escreve, além do já referido “Espírito Errante”, os opúsculos, “A Pérola do Atlântico” e “Pela Colónia de S. Tomé”. 

A sua estadia em S. Tomé e o seu labor no apoio às governações republicanas, deve-se a ter sido um amigo pessoal, indefectível e até ao fim de António José de Almeida.

[tornam-se amigos quando Carlos Babo integra a Comissão Republicana de Felgueiras e a partir daí, pela militância republicana e a comunhão maçónica, a amizade ficou para sempre; na verdade, Carlos Babo é (1908) nomeado advogado do Directório (PRP), sob pedido de A. José de Almeida a Bernardino Machado, tendo sido incumbido, em especial, de defender em tribunal os elementos da Carbonária; não por acaso, a casa onde, na ocasião, viveu com o seu (também) amigo de sempre, Manuel Bravo, foi-lhe acertada por Albertino da Costa Feio, seu futuro sogro, amigo de A.J.A. e maçon da Loja “Comércio e Indústria” (a casa ficava na rua dos Correeiros, 205, antigo templo maçónico); depois, a 6 de Outubro de 1910, torna-se chefe de gabinete de A.J.A, ministro do Interior do governo provisório, continuando a ser sucessivamente, ao longo das várias governações republicanas, seu secretário pessoal, ao mesmo tempo que chefiou a Repartição da Direcção geral de Instrução Primária e, também, secretário Geral do Ministério; foi A.J.A. que, por volta de Maio de 1915, lhe “preparou” a nomeação para o cargo de Chefe dos Serviços de Curadoria Geral dos Serviçais, acumulando com Juiz da 2ª Vara, em S. Tomé e Príncipe; refira-se, ainda, que António José de Almeida foi padrinho no seu casamento com Judite Costa Feio, realizado a 19 Julho de 1911 – refª J.B., ibidem]

J.M.M.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

REVISTA "NAÇÃO PORTUGUESA" – ÓRGÃO DO INTEGRALISMO LUSITANO


NAÇÃO PORTUGUESA. [Pola Ley e Pola Grey]. Revista de Filosofia Política [depois, Revista de Cultura Nacionalista] [Órgão do Integralismo Lusitano]; Editores: França e Arménio (Arco de Almedina, 2-4, Coimbra; Impressão: Tip. Teixeira de Mário Antunes Leitão (Rua da Cancela Velha), Porto; 1914-1938, XI Séries:

- I Série, nº 1 (8 de Abril de 1914) ao nº 12 (Novembro de 1916); Dir. Alberto de Monsaraz (Secretário, Nuno de M. Teixeira) [NOTA: A revista “Nação Portuguesa” interrompe-se, sendo substituída pelo diário integralista da tarde “A Monarquia” – 12 de Fevereiro de 1917, com Alberto de Monsaraz na direcção e redactor-chefe, João do Amaral -, reaparecendo depois em Julho de 1922, já sob a direcção de António Sardinha]; Composição: Rua Serpa Pinto, 38, 2º; Impressão Largo do Calhariz, 29 e a partir do nº 8 (Junho 1915) na Tip. Minerva, Av. Trovisqueira, Famalicão;

- II Série [subtítulo: “Revista de Cultura Nacionalista"], nº 1 (Julho de 1922) ao nº 12 (1923);Dir. António Sardinha (Secretario, Domingos de Gusmão Araújo); [NOTA: Alfredo Pimenta sai, em 1924, formando a Acção Realista Portuguesa]; Editor: J. Fernandes Júnior; Propr: a partir do nº 2, Empresa da “Nação Portuguesa” e a partir do nº5 (Novem 1922), da “Sociedade Integralista Editora, Lda”; Composição: largo do Directório, nº8, 3º; Impressão: Largo do Calhariz, 29 [no nº 9 – por dificuldades (!?) de tipografia – e no nº 12, na Typ. Tirsense, Santo Tirso];

- III Série [subtítulo: “Revista de Cultura Nacionalista"], nº 1 (1924) ao nº 12 (1926); Dir. António Sardinha [apenas nos 2 primeiros números, tendo, pela morte de A. Sardinha a 10 de Janeiro de 1925, assumido a direcção da revista Manuel Múrias e Rodrigues Cavalheiro (nº3) no lugar de secretário] (Secretário, Manuel Múrias); Editor e Propr.: J. Fernandes Júnior; Impressão: Rua da Horta Seca, 7, Lisboa [no seu nº3, na Imprensa Beleza, R. da Rosa, 99-107, Lisboa];

- IV Série [subtítulo: “Revista de Cultura Nacionalista"], de 1926 a 1928; Dir. Manuel Múrias (Secretário, Marcelo Caetano, a partir de Novembro de 1927); Editor e Propr.: J. Fernandes Júnior; Redacção: Largo do Directório, 8, 3º; Impressão: Imprensa Beleza, R. da Rosa, 99-107, Lisboa;

- V Série, nº1 (Julho de 1928) ao nº12 (Junho de 1929); Dir. Manuel Múrias (Secretário, Marcelo Caetano); idem

- VI Série, nº1 (1929) ao nº12 (1931); Dir. Manuel Múrias (Secretário, Marcelo Caetano);
 
DEPOIS, a revista passa a publicar-se em volumes:

- Volume VII, nº1 (1932) ao nº 12 (1933); Dir. Manuel Múrias (Secretário, Fernando Campos);

- Volume VIII, 1933 a 1934 (seis fasc.); Dir. Manuel Múrias (Secretário, Fernando Campos);

- Volume IX, 1934 (seis fasc.); Dir. Manuel Múrias (Secretário, Fernando Campos);

- Volume X, 1936 a 1937 (seis fasc.); Dir. Manuel Múrias (Secretário, Fernando Campos);

- Volume XI, 1937 a 1938 (seis fasc.); Dir. Manuel Múrias (Secretário, Fernando Campos);
 
[Alguma] Colaboração/Artigos: A. Botelho da Costa Veiga, Adriano Xavier Cordeiro, Afonso Lopes Vieira, Afonso Lucas, Alberto de Monsaraz, Alfredo Pimenta, Álvaro Maia, Amadeu de Vasconcelos (Mariotte), António Ferro, António Pedro, António Sardinha (António de Monforte), Ayres de Ornelas, Augusto da Costa, Avelino Soares, Bettencourt Rodrigues, Caetano Beirão, Carlos Malheiro Dias, Carlos de Passos, Castelo Branco Chaves, Cunha Saraiva, D. Luís de Castro, Domingos Garcia Pulido, Domingos de Gusmão Araújo, Eduardo Brasão, Feliciano Ramos, Fernando Amado, Fernando Campos, Fernando Pires de Lima, Ferreira Deusdado, Francisco L. Vieira de Almeida, Francisco de Sousa Gomes Veloso, Francisco Vieira de Almeida, Gonçalves Cerejeira, Gustavo Ferreira Borges, Henrique Galvão, Hipólito Raposo, J. Lúcio de Azevedo, João do Amaral, João Ameal, João de Castro, João da Rocha Páris, José de Azevedo Castelo Branco, José Osório de Oliveira, José Rebelo, Luís de Almeida Braga, Luís Cabral Moncada, Luís Chaves, Manuel Múrias, Marcelo Caetano, Mário de Albuquerque, Martinho Nobre de Melo, Mussolini, Nuno de Montemor, Pedro Teotónio Pereira, Pequito Rebelo, Rodrigo de Sá Nogueira, Rodrigues Cavalheiro, Rolão Preto, Silva Rego, Simeão Pinto Mesquita.
 
► Precedida pela revista “Alma Portuguesa” [Lovaine, 1913] - onde aparece pela primeira vez a expressão “Integralismo Lusitano” sob a pena de Luís de Almeida Braga - e pelos “Meus Cadernos” (1913-1916), de Mariotte [aliás, padre Amadeu de Vasconcelos], a revista “Nação Portuguesa” assume o projecto e a “direcção do movimento de que foi órgão” [cf. Carlos Ferrão, O Integralismo e a República, vol. I] - o “Integralismo Lusitano” [de 1914 a 1922, ano em que a sua Junta Central decreta a auto-dissolução do movimento].
 
[“O Integralismo Lusitano, como o seu nome indica, pretende reformar integralmente a vida social portuguesa (…) não somos retrógrados, nem somos conservadores – não queremos voltar atrás, nem conservar o que está -; somos, sim, reaccionários e renovadores, - reagimos contra o presente tal qual é e desejamos restabelecer, não o passado que tivemos, mas o presente que hoje teríamos, se influências não portuguesa nos não houvessem desviado do rumo natural da nossa evolução” (Alberto Monsaraz), in Raul Proença. Polémicas, org. Daniel Pires, 1988]
 
Nacionalista, doutrinariamente antiliberal e anti-parlamentar, contra a Democracia e a República, o Integralismo Lusitano decalca a “Action Française” [com evidentes conflitos com o então exilado maurrasiano Mariotte], embora muitos pretendam - em escusa do alto pensamento intelectual e filosófico evidenciado (?) pelo escol, putativamente encarnado na figura recorrente de António Sardinha ou em textos de Hipólito Raposo e outros bons espíritos da época - não ter nenhum fundamento. Como, aliás, a germanofilia assumida de António Sardinha é, de igual modo, e para os seus apaniguados, não provada.  
 
O Integralismo apoia o Sidonismo, participa na revolta de Monsanto (1919) e na Monarquia do Norte, acolhe esperançoso o “28 de Maio”. Ao mesmo tempo desvincula-se da obediência a D. Manuel II. Extingue-se em 1932, integrando-se na Causa Monárquica, se bem que o seu ideário se tenha mantido ao longo de gerações, configurando uma curiosa mixagem de teor neo-integralista.
 
Diga-se que o seu “organicismo tradicionalista” estabelece um conflito com a corrente salazarista [muitos integralistas são demitidos de cargos públicos, como Hipólito Raposo, Afonso Lucas; ou presos, caso de Hipólito Raposo, César de Oliveira; deportados, como o mesmo Hipólito Raposo e Rolão Preto; ou passado á oposição, como Rolão Preto, Pequito Rebelo ou Luís de Almeida Braga], passe o facto de muitos se terem submetido a Salazar (como Costa Leite, Marcelo Caetano, Manuel Múrias, Pedro Teotónio Pereira). Curiosamente, Pequito Rebelo considera [cf. José Manuel Quintas, Filhos de Ramires, 2004, p. 19] que “o salazarismo viria a ser um integralismo pervertido e invertido porque democratizado (embora sob a espécie da democracia cristã) e maçonizado”, contrariando a tese avançada por Braga da Cruz [idem] para quem o salazarismo era uma “democracia-cristã pervertida e invertida, porque integralizada e fascizada”.
 
[ALGUMAS OBRAS A CONSULTAR]: António Costa Pinto, “A formação do integralismo lusitano 1907-17”, revista Análise Social, 72-73-74, 1982 | António Sardinha, “Ao Principio era o verbo”, 1939 | Carlos Ferrão, “O Integralismo e a República”, III vols, | Cecília Barreira, “Sindicalismo e integralismo: o jornal A Revolução 1922-23”, revista Análise Social, 67-68, 1981 | Cecília Barreira, “Três nótulas sobre o integralismo lusitano”, revista Análise Social, 72-73-74, 1982 | Jacinto Ferreira, “O Integralismo Lusitano. Uma doutrina política de ideias novas”, 1991 | João Medina, “Salazar e os Fascistas”, 1978 | José Manuel Quintas, "Filhos de Ramires. As origens do Integralismo Lusitano”, 2004 | Manuel Braga da Cruz, “As origens da Democracia Cristã e o Salazarismo””, 1980 | Manuel Braga da Cruz, “Monárquicos e Republicanos no Estado Novo”, 1986 | Mariotte (Amadeu de Vasconcelos), “O Nacionalismo Rácico do Integralismo Lusitano”, 1917 | Miguel Dias Santos, “A Contra-Revolução na I República (1910-1919)", Impr. U. Coimbra, 2010“ | “Raul Proença, “Obra Política de Raul Proença”, Seara Nova, 1972 | Raul Proença, “Polémicas”, D. Quixote, 1988 | ...| ...|]
 
J.M.M.

sábado, 24 de novembro de 2012

"SALAZAR E O PODER. A ARTE DE SABER DURAR" DE FERNANDO ROSAS

Amanhã, domingo, no espaço FNAC ao Chiado, vai ser apresentado o livro do Professor Fernando Rosas, Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar.

A apresentação terá lugar pelas 18 horas e estará a cargo do também historiador e comentador político José Pacheco Pereira.

Uma oportunidade para ouvir as opiniões de dois dos mais reconhecidos historiadores portugueses, em especial sobre o período salazarista, que ambos combateram na sua juventude. Num momento em que também se encontram alguns sinais que alertam para os perigos e para a fragilidade da liberdade e da democracia é importante percebermos esses sinais, sobretudo com os exemplos que nos chegam do passado não muito recuado para se perceber o presente.

Uma apresentação e uma obra a não perder.

A.A.B.M.

domingo, 23 de setembro de 2012

IN MEMORIAM CÂNDIDO DE OLIVEIRA - TARRAFAL. O PÂNTANO DA MORTE


LIVRO: Tarrafal. O Pântano da Morte;
AUTOR: Cândido de Oliveira [pref. José Magalhães Godinho; capa com ilustração de Stuart Carvalhais];
EDITORA: Editorial "República", Lisboa, 1974, 153 p.

► "... Curvo-me, respeitoso, comovido, e com a maior saudade perante a memória do meu querido amigo e companheiro Cândido de Oliveira, homem íntegro, lutador intemerato, um dos sacrificados e uma das grande vítimas, pelo muito que sofreu, pelas brutalidades inumanas de que foi objecto, nesse negregado período do salazarismo que só por ironia, maldade e má fé, ainda há quem teime em considerar um regime meramente paternalista!

Honra e glória à memória do grande cidadão, do grande democrata que foi Cândido de Oliveira

[José Magalhães Godinho, in Nota Prévia ao “Tarrafal. O Pântano da Morte" - sublinhado nosso”

J.M.M.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

VISÃO HISTÓRIA - CONSPIRAÇÕES CONTRA O REGIME


No mais recente número da revista Visão História, subordinada ao tema Conspirações Contra o Regime, Os momentos marcantes e as figuras-chave que abalaram a ditadura militar, Salazar e Marcelo Caetano é possível encontrar os seguintes artigos:

Pedro Caldeira RodriguesO grande desafio à ditadura militar , p. 10-13
Nove meses após o golpe militar de 28 de maio de 1926, a revolta republicana de 3a 9 de fevereiro de 1927, centrada no Porto mas com focos em todo o País, será o mais sério desafio à ordem nova militar-nacional. A sua derrota abrirá caminho para a emergência do Estado Novo de Salazar.

Pedro Caldeira Rodrigues - O último combate do sindicalismo livre, p. 20-23
A tentativa de greve geral revolucionária de 18 de janeiro de 1934 foi um dos mais importantes atos de protesto unitário do movimento sindical organizado, em confronto aberto com o Estado Novo em processo de institucionalização. O Reviralho também esteve envolvido, mas o rescaldo foi uma "ferida funda".

Álvaro Garrido - Marinheiros amotinados no Tejo, p. 24-27
Em setembro de 1936, o levantamento dos sargentos e praças de diversos navios da Armada provocou as maiores dores de cabeça ao governo de Salazar, que reprimiu a revolta de forma sangrenta.

Alexandra Correia - Uma bomba à porta da missa, p. 28-31
A explosão foi espetacular, mas Salazar escapou sem um arranhão. Os anarquistas entraram para a história da resistência ao Estado Novo à força de dinamite.

Miguel Carvalho - O milionário e o golpe, p. 32-33
A 10 de abril de 1947, um levantamento militar tentou derrubar Salazar. Todos os conspiradores foram presos. Todos? Não. Salvou-se um famoso industrial, acusado de financiar a revolta. Chamava-se Lúcio Tomé Feteira.

Vânia Fonseca Maia - Herói amordaçado, p. 34-35
A candidatura do general Norton de Matos à Presidência parecia trazer os ventos democráticos necessários à abertura do regime. Uma ilusão desfeita longe da boca das urnas.

Filipe Luís - A saga do general sem medo, p. 42-47
Em 1958, um ciclone chamado Humberto Delgado varreu o País. E uma geração de portugueses nasceu então para a cidadania. Foi preciso esperar 16 anos. Mas do legado do candidato independente às eleições presidenciais de 1958 fica o primeiro passo decisivo no caminho para a liberdade. Acompanhe esta aventura vertiginosa.

Ana Margarida de Carvalho - A grande evasão, p. 48-51
O dia em que dez comunistas, um guarda coadjuvante e um romance único escaparam da prisão-fortaleza mais inexpugnável do fascismo. Um alento para a resistência, um rude rombo na autoestima do regime.

Francisco Galope - Um navio chamado liberdade, p. 52- 57
De como um punhado de guerrilheiros abalou a ditadura ao tomar o controlo do Santa Maria.

Francisco Galope - O mistério do doce de goiaba, p. 58-59
O regime receou que os operacionais do desvio do Santa Maria transformassem as serranias entre o Alentejo e o Algarve na Sierra Maestra peninsular.

Luís Almeida Martins - A tarde dos generais, p. 60-61
Sem o apoio popular que não procurara, terminaria ingloriamente o golpe palaciano de abril de 1961.

J. Plácido Júnior - A revolução que veio do céu, p. 62-67
Uma ordem de Salazar, de abate de um avião da TAP, desviado por um grupo de insurrectos para arremesso de panfletos antirregime sobre Lisboa e outras zonas do País, foi sabotada pelo comando da Força Aérea. Sub-repticiamente. A aventura ao pormenor.

Emília Caetano - E não lhe deram um quartel, p. 68-71
Delgado acreditava que bastaria tomar uma unidade militar, para que todas se sublevassem. O assalto ao quartel de Beja foi uma das mais espetaculares operações contra o regime.

Paulo Pena - Dezoito anos que abalaram a ditadura, p. 72-73
A oposição estudantil a Salazar não parou de crescer desde 1956.
As universidades foram uma "fábrica" de politização
.

Luís Almeida Martins - O aventureiro da liberdade perdida, p. 74-80
Palma Inácio teve uma vida autêntica pelo menos tão aventurosa como a do imaginário Indiana Jones, com a diferença de que a colocou por inteiro ao serviço da luta altruísta contra a ditadura de Salazar e Caetano.

Luís Almeida Martins - Entrevista Camilo Mortágua: 'A luar era um cozido à portuguesa', p. 81-83
Um ativista "lendário" faz revelações sobre a luta armada contra o Estado Novo.

João Pacheco - Quando o partido se armou, p. 88-91
Nos últimos anos da ditadura, o País acordou várias vezes ao som de atentados da ARA. Com a Acção Revolucionária Armada, o PCP tinha-se decidido por fim a combater o Estado Novo com bombas.

Paulo Chitas - Bombas contra o regime, p. 92-95
Os operacionais das Brigadas Revolucionárias comandados por Carlos Antunes e Isabel do Carmo realizaram 15 ações armadas. Não sitiaram Marcelo Caetano, mas contribuíram para acossar a ditadura.

Nuno Miguel Guedes - Entre o céu e o mundo, p. 96-97
A ocupação da Capela do Rato, em Lisboa, por um grupo de católicos progressistas que ali promoveu uma vigília contra a Guerra Colonial abalou o regime e marcou o fim da "Primavera Marcelista".

Lápis azul
Uma das armas do regime foi o controlo total do que era publicado na Imprensa. Provas tipográficas de todos os textos eram enviadas à Censura, que as devolvia com os cortes a introduzir, e que muitas vezes eram a totalidade do texto .

Um número particularmente interessante da Visão História que apresenta também um excelente conjunto de infografias a separar os períodos por que passou o Estado Novo, acompanhado de iconografia bastante interessante para documentar os artigos e ilustrar a época.

A.A.B.M.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

AS BULAS DO SR. OLIVEIRA SALAZAR E A SUA INFALIBILIDADE



AS BULAS DO SR. OLIVEIRA SALAZAR E A SUA INFALIBILIDADE. Arranque-se a Máscara - por Um Oficial do Exército [clicar para ler]

via Torre do Tombo

J.M.M.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

SALAZAR - A POLITICAL BIOGRAPHY


Salazar: A Political Biography, por Filipe Ribeiro de Meneses, Enigma Books, 2009.

" (...) - Salazar quis apenas deixar um legado político? Na sua investigação, refere que ele parece ter tomado precauções para que ficasse registado apenas o que considerava essencial.

[Filipe Ribeiro de Meneses] Salazar queixava-se frequentemente de não poder deixar uma obra, ou um monumento, que marcasse a sua estada no poder. No seu entender, muito se tinha feito em Portugal e em África, mas eram sobretudo obras pequenas. O mais que conseguiu foi a Ponte Salazar. Por duas vezes, em épocas bem distintas, lançou a ideia de um grande monumento em Sagres, em honra do Infante Dom Henrique - e por duas vezes a tentativa se saldou por um fracasso.

Quanto ao legado político, houve uma nítida tentativa de criar uma imagem de Salazar, e de fazê-la perdurar na história: foi essa a principal missão do SPN [Secretariado de Propaganda Nacional] e de algumas publicações, tais como os "Discursos", os "Dez Anos de Política Externa" e até o livro de Christine Garnier, "Vacances avec Salazar".

Quanto ao Arquivo Salazar, é-nos impossível saber se houve uma selecção cuidadosa do que nele foi guardado. A doença surpreendeu-o enquanto era presidente do Conselho, sem nenhuma intenção de se retirar, e o seu arquivo estava em pleno funcionamento. Se alguma "limpeza" se deu ao arquivo, ter-se-á dado depois da doença, ou da morte.

Há ainda outro ponto a referir: embora no arquivo existam milhares de relatórios e informações oriundas da PIDE [Polícia Internacional e de Defesa do Estado], são poucos os registos de contactos directos entre Salazar e os directores da polícia secreta para discutir casos concretos, estudar opções. Voltamos aqui à sua maneira de trabalhar, à distinção entre o público e o privado. Ou Salazar discutia o caminho a seguir com Silva Pais [director da PIDE de 62 a 74] e os seus antecessores de forma directa, em pessoa ou pelo telefone, ou então dava-lhes carte blanche para agirem como melhor entendessem. De qualquer forma, não nos podemos iludir sobre um ponto essencial: a responsabilidade suprema pelas acções da PIDE cabia-lhe a ele, Salazar. Quando lhe chegavam às mãos queixas sobre o tratamento de prisioneiros políticos, por exemplo, a quem é que encomendava uma investigação sobre o assunto? À própria PIDE.
(...)

ler toda a entrevista AQUI.

J.M.M.

quinta-feira, 9 de julho de 2009


SALAZAR, FRANCO E A PROPAGANDA CONTRA A ESPANHA DEMOCRÁTICA

"O título deste livro, "O Que Parece É", não foi inventado por mim, nem tão-pouco foi retirado de um anúncio publicitário. Trata-se de uma frase de Salazar, um dos muitos aforismos que ele tanto gostava de integrar no seu discurso e que serviam de 'slogans' com enorme eficácia propagandística, funcionando como mandamentos explícitos para orientar as directrizes ideológicas do seu novo modelo político. (...) O objectivo científico deste livro consiste em compreender o discurso salazarista no que diz respeito aos meios de comunicação, os quais ele considerava como um veículo de transmissão da ideologia, essencial para doutrinar a sociedade. (...)

Salazar acreditava que o controlo férreo da opinião pública portuguesa era a chave para fazer prevalecer os seus princípios políticos. Isso mesmo manifestou num dos seus discursos: 'A verdade é que politicamente tudo o que parece é, quer dizer, as mentiras, as ficções, os receios, mesmo injustificados, criam estados de espírito que são realidades políticas: sobre elas, com elas e contra elas se tem de governar'

Esta visão totalitária da sociedade portuguesa fez com que temesse o contágio ideológico através da Espanha democrática que nascera com a fundação da Segunda República, a 14 de Abril de 1931, um regime que poderia prejudicar o Estado Novo. A rebelião franquista de Julho de 1936 pareceu-lhe ser o melhor para Espanha e para Portugal. Por isso, era necessário prestar o maior auxílio propagandístico possível a Franco, de modo a difundir a verdade, a sua verdade" [in, Nota Prévia - ler AQUI]

O Que Parece É. Salazar, Franco e a Propaganda Contra a Espanha Democrática - de Alberto Pena, Edições Tinta da China.

J.M.M.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

CONTRA SALAZAR


Contra Salazar – 25 de Outubro em Coimbra, 18 horas

Nos 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, a Editora Angelus Novus publica "tudo" o que o poeta escreveu – em prosa e verso – sobre Oliveira Salazar. Com organização de António Apolinário Lourenço, a obra "Contra Salazar", reúne um conjunto de textos dispersos, mas já anteriormente publicados por Fernando Pessoa. Curioso será acompanhar a posição política do poeta face à Ditadura e a Salazar, procurando entender (parte) (d)o que motiva a sua concordância e sua posterior discordância.

"CONTRA SALAZAR - 25 DE OUTUBRO, 18.00h na Livraria ALMEDINA ESTÁDIO - COIMBRA



J.M.M.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

SALAZAR, 40 ANOS?




«Aproximava-se o ano de 1966, quando passavam quarenta anos do 28 de Maio de 1926 e a ideia surgiu naturalmente. Era necessário participar mais directa e empenhadamente na denúncia de um regime que parecia eternizar-se no poder; que, apesar do desgaste e do isolamento internacional, continuava a enviar milhares de jovens para as matas africanas e encarcerar todos aqueles que tinham ideias divergentes. Os desenhos começaram a sair envolvidos por vezes num sorriso mordaz, ou apressadamente esquematizados num discurso incipiente. Para organizar um texto justificativo e coerente recorri ao meu pai, Flausino Torres, já então exilado em Argel, onde colaborava com a Frente Patriótica de Libertação Nacional. Foi dele a ideia de seleccionar dos discursos de Salazar algumas frases e afirmações que, de certa forma, enquadrassem os desenhos.» [Cláudio Torres]

Salazar, 40 Anos? - Cláudio Torres (desenhos) & Flausino Torres (colaboração). Edições Afrontamento, 2008.

J.M.M.

sábado, 23 de junho de 2007

OLIVEIRA SALAZAR


Oliveira Salazar

"Salazar modesto cidadão de Coimbra", capa do Notícias Ilustrado, Fevereiro de 1935.

J.M.M.

JORNAL NACIONAL-SINDICALISTA "REVOLUÇÃO" [1932-1933]


Revolução - diário nacionalista da tarde

O "Diário académico nacionalista da tarde "Revolução" [nº1 (15 de Fevereiro 1932) a nº 418 (23 de Setembro de 1933)], veio da dissidência integralista [o periódico foi fundado pelo mesmo grupo de estudantes que anteriormente publicava o jornal "Política", órgão da Junta Escolar de Lisboa do Integralismo Lusitano, 1929-31] e integrou o chamado "nacional-sindicalismo" português.

Foi editado por José de Almeida Carvalho; redactores, Amaral Pyrrait, António Pedro, António Tinoco, Alberto de Monsaraz [fundador e director do órgão integralista "Nação Portuguesa"], Chaves de Almeida, Dutra Faria. A partir de 28 de Maio de 1932 (nº66), o diário passa a ser dirigido por Rolão Preto. A redacção e administração estavam situadas na Rua Serpa Pinto, 25, 3º, Lisboa. Publicou, ainda, sob forma de suplemento o semanário "Revolução dos Trabalhadores" [nº1, separata de "Revolução" nº 279, saiu a 4 de Fevereiro de 1933 e trazia na capa um “artigo ditirâmbico dedicado ao Fuhrer" – vidé João Medina, Salazar e os Fascistas, Bertrand, 1979]

No seu nº 261 (13 de Janeiro de 1933) publica-se uma foto dos homens do "nacional-sindicalista" e amigos, entre os quais; Sebastião Martins, Dutra Faria, Almeida Carvalho, Mário Lyster Franco, Rodrigo de Sousa Pinto (director do semanário algarvio "O Nacional-Sindicalista", 1932-33), José Pacheco, José Serrano, Gama Pinto, Ciríaco da Trindade, Alexandre Barbosa, H. Brás Leote.

Apresentou, também, com grande aparato, os banquetes de homenagem a Rolão Preto [Lisboa e Porto], publicando uma curiosa lista de adesões ao "nacional-sindicalismo", entre os quais registe-se: José Cabral [o protagonista da lei contra as sociedades secretas, e a quem Fernando Pessoa responde dura e ironicamente], Luís Pastor de Macedo [arqueólogo], capitão Teófilo Duarte, João Ameal, Rui de Andrade, brigadeiro João de Almeida, Eusébio Tamagnini [prof. de Coimbra e futuro ministro da Educação de Salazar], António Pedro, capitão Mário Pessoa, capitão David Neto, António Tinoco, Neves da Costa, Alberto de Monsaraz, Mário Cárdia [médico], Alçada Padez, Manuel Rodrigues [cf. Medina, 1979].

Registe-se, ainda, a adesão ao "nacional-sindicalismo" em Coimbra: Luís Cabral de Moncada, Carlos Moreira e João da Costa Leite Lumbrales [profs. de Direito]; Lopes de Almeida e Gonçalves Rodrigues [profs. de Letras]; Augusto Pires de Lima [Medicina].

O "Revolução" é suspenso no seu nº 418 (23 de Setembro de 1933) por Salazar e surgiu, depois, sob o nome de "Revolução Nacional", dirigido por Manuel Múrias, e faz a ponte entre os "nacionais-sindicalistas" desavindos e o salazarismo. Por isso, Manuel Múrias escrevia [nº1, 1/03/1934] o seguinte:

"O Nacional-Sindicalismo, nas suas aspirações tantas vezes inquietas e indefiníveis, busca ir mais longe – sempre mais longe … Talvez, decerto por isso, não tem podido ocultar de vez em quando as suas preocupações ansiosas ao verificar a lentidão, que as circunstanciais impõem às realizações, na metódica segura do Sr. Dr. Oliveira Salazar"

Pouco depois, no nº 146 (18/06/1934) do jornal "Revolução Nacional", Manuel Múrias despede-se, escrevendo: "Lealdade para Salazar – que reconhecemos e aclamamos aqui desde a primeira hora Chefe da Revolução Nacional".

J.M.M.

ALFREDO PIMENTA E MUSSOLINI


Alfredo Pimenta e o "Testamento Político de Mussolini"

Falámos aqui de Alfredo Pimenta. Na curta nota biográfica, então feita, referimos o entusiasmo demonstrado por Alfredo Pimenta pelo fascismo italiano, salientando o prefácio feito por ele à edição portuguesa do "Testamento Político de Mussolini".

Eis, um brevíssimo registo do que prefaciou a 3 de Abril de 1949:

"... Mussolini, criador do Império italiano; Hitler, criador do Império germânico; Salazar, espírito singularmente positivo, restaurador de uma consciência nacional que naufragava a olhos vistos no cepticismo e no mais absurdo complexo de inferioridade que jamais se viu.
Concedeu-me Deus a ventura de ser contemporâneo destes três gigantes políticos (...)

Esses três homens forjaram pelas suas próprias mãos o bronze das suas estátuas que nem as forças de Nuremberga, sinistras ignominias, nem os massacres de Dongo, torpezas hediondas, nem a morte natural e distante que todos nós esperamos que seja o fim de Salazar, poderão destruir. (…)

... a guerra que as Democracias provocaram, procurando cercar, para as abafar, a Alemanha hitleriana e a Itália mussolínica.
Ao fim de cinco anos de luta, em que nem a Alemanha nem a Itália deram tudo quanto podiam dar, porque cedo começaram a sofrer as consequências da traição dos generais, na Alemanha, e da traição da Corte, na Itália, ao fim de cinco anos de luta, as Democracias venceram, morrendo Hitler sob os escombros da Chancelaria do Reich, morrendo Mussolini, assassinado às mãos de agentes da Democracia ..."

[Alfredo Pimenta, in pref. ao "Testamento Político de Mussolini. Ditado, corrigido e rubricado pelo Duce em 22 de Abril de 1945", Edições Ressurgimento (2ª ed.), trad. António Garrido Garcia, Lisboa, 1949 - sublinhados nossos]

J.M.M.

terça-feira, 22 de maio de 2007

SEMANÁRIO "IMPARCIAL"


Semanário "Imparcial"

Semanário dos estudantes católicos de Coimbra, ligado ao C.A.D.C., [Centro Académico de Democracia Cristã] e seguidor da anterior revista ceadecista Estudos Sociais; Edição e Direcção de Gonçalves Cerejeira (1888-1977), posteriormente D. José Manuel de Noronha, Pestana Reis, Manuel de Lemos e, por fim, Bento Coelho da Rocha; Propriedade e Administração de Carneiro Mesquita; nº1 (22 de Fevereiro de 1912) ao nº 341 (12 de Maio de 1919); Impressão na Tipografia Silva (A Vapor), Aveiro. A redacção era, inicialmente, na Rua da Matemática, passando depois no seu 2º ano para a rua da Trindade, em Coimbra.

O jornal Imparcial é importante para o estudo "tanto dos movimentos católicos, enquanto tais, quer mesmo da forma como estes se organizaram no combate ao regime republicano" [António Rafael Amaro, O Imparcial, um Jornal de Combate (1912-1919)]. A elite ou "nova geração" católica que daí resultou "marcou a linha divisória entre o predomínio das ideias avançadas (entenda-se liberais e socialistas – nota de António R. Amaro) e o das ideias conservadoras" [cf. A. R. Amaro]. O estudo e divulgação de Maurras, a abertura às teses integralistas [que aliás foram introduzidas desde 1908 no circulo do C.A.D.C. (cf. Supra) - vidé ainda na obra citada os conflitos entre o jornal e os monárquicos e integralistas], o seu posicionamento conservador e reacionário [com o qual plenamente se identificavam – vide nº6, Março 1912] revelam o papel de "combate" e de liderança contra "o novo poder republicano". Não por acaso, na passagem do seu 1º aniversário era dito por Manuel Gonçalves Cerejeira que a publicação revelou "uma geração moça confiante no futuro e forte na fé, esperança auroral de uma amanhã mais ditoso” [nº 54, 8 de Abril 1913 - cf. supra].

O periódico dos estudantes católicos conservadores tinha uma mensagem política intencional de "ruptura", doutrinando e organizando os católicos contra as medidas tomadas pela jovem República. Nesta "conquista das almas" contra "o liberalismo, a democracia e o socialismo" [cf. supra], os "imparcialistas" assumem a luta, em 1912, contra as leis laicizadoras (Lei da Separação), ao mesmo tempo que "defendem e reclamam" o aparecimento de uma organização política católica [o Centro Católico Português, aparece em Agosto de 1917, mas havia antes a União Católica que fez eleger dois deputados em 1915] que, curiosamente, haveria de não entrar nas boas graças de Salazar, por mera razão de estratégia de distribuição de poder.

Não espanta, portanto, que este centro político de estudantes católicos, agregados no Imparcial, polemize (1914), por vezes violentamente. Caso de Gonçalves Cerejeira, contra a acusação feita por Bernardino Machado de "provocar conflitos e divisões entre os estudantes" e contra o seu fecho pela Universidade. Do mesmo modo, argumentam contra a posição monárquica a propósito da ida a eleições e da opinião daqueles que viam nisso uma divisão das forças conservadoras. E, como seria de esperar, assumem nas suas páginas a luta contra as leis laicizadoras da República, a Lei de Separação.

Principais colaboradores: Alberto Diniz da Fonseca, António Oliveira Salazar [assina com o pseud. Alves da Silva], Augusto Morna, Bento Coelho da Rocha, Carneiro Mesquita, D. José Manuel de Noronha, Diogo Pacheco de Amorim, Francisco Veloso [assina com o pseud. Éfevê], João de Castro [assina com o pseud. de Ruy], Joaquim Diniz da Fonseca, José Nosolini [assina com o pseud. Val d’Oleiros], Luís Teixeira Neves, [Cardeal] Manuel Gonçalves Cerejeira, Manuel de Lemos, Pestana Reis, Sousa Veloso.

Fonte principal consultada: "O CADC de Coimbra, a democracia cristã e os inícios do Estado Novo (1905-1934)", de Jorge Seabra et al, Colibri, 2000]

J.M.M.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

SALAZAR - MINISTRO DAS FINANÇAS


Salazar - Ministro das Finanças a 4 de Julho de 1926

Foto: Oliveira Salazar, Mendes dos Remédios (1867-1932) e Manuel Rodrigues (1889-1946), no dia da posse de Salazar como Ministro das Finanças [4/06/1926)

J.M.M.

domingo, 13 de maio de 2007

SALAZAR E A "REVOLUÇÃO NACIONAL"


Salazar - 'As diferentes forças políticas em face da Revolução Nacional'

"... Os que fundaram a União Nacional tinham em mente promover uma grande reforma política, económica e social do País e com ela e por meio dela resolver os maiores problemas ou preparar-se para enfrentar as maiores dificuldades (...) Nos vários sectores da politica portuguesa, deformada pela noção de partido, nem sempre se tem feito uma ideia exacta do que queremos e daquilo que eles próprios representam ou podem significar na orgânica do Estado futuro (...)

A causa monárquica tem ainda no País força considerável. A sua importância provém da tradição, das deficiências de funcionamento do regime republicano e do facto de, em quase todas as suas correntes, constituir, num País fundamentalmente conservador, uma autêntica força conservadora: todas as reacções contra a demagogia tiveram de ter a sua colaboração ou o seu apoio (...)

A agremiação denominada Centro Católico ou seja a organização independente dos católicos para trabalharem no terreno politico, vai revelar-se inconveniente para a marcha da Ditadura (...) e estaria naturalmente indicado que a sua actividade se dirigisse à acção social (...)

O processo da democracia parlamentarista está feito; a sua crise é universal; supõem ainda alguns que esta é passageira e provocada pelas dificuldades igualmente transitórias do presente momento; os restantes crêem que findou para sempre a sua época.

A Ditadura Nacional, precursora em mais de um ponto dum largo movimento de renovação política, declarou dissolvidos os partidos; estavam porém neles, pode-se dizer, as maiores forças políticas da Nação. Alguns homens públicos tiveram a intuição do momento e vieram colaborar com a Ditadura; muitos alhearam-se, cuidando que a roda da fortuna os reporia no seu lugar ou que um entendimento com os governos os traria de novo à actividade politica; muitos seguiram clara ou encapotadamente o caminho das conspirações e das revoltas e têm sido sucessivamente reduzidos pelo Exercito à impotência (...)

A todos os que são nossos ou desejam sê-lo havemos de dizer, claro e alto, em nome da Nação a reconstruir, que às forças da Ditadura se exige disciplina, homogeneidade, pureza de ideal (...)

[Oliveira Salazar, 'As diferentes forças políticas em face da Revolução Nacional', discurso pronunciado em 23 de Novembro de 1932, no acto de posse dos corpos directivos da União Nacional, in Discursos, Vol. I 1928-34 - sublinhados nossos]

J.M.M.

OLIVEIRA SALAZAR


Oliveira Salazar

"A serenidade com que Salazar dominou o tempo, imprimindo-lhe a sua marca já agora indelével, seria porém incompreensível se não traduzisse uma vontade de ferro. Uma vontade constante, que não quebra, não dobra, nem sequer vacila. Uma vontade que vai fazendo o seu curso por entre os acontecimentos, atenta às oportunidades de agir e procurando não as desperdiçar. É essa vontade resoluta, servida por um altíssimo sentido de autoridade, que tem constituído o mais sólido alicerce da sua obra gigantesca. Vontade serena, pois: a vontade de um homem de pensamento que sabe o que quer e para onde vai ..."

[Marcelo Caetano, Discurso em 1958, in Vida Mundial, nº1530, 4/10/68]

"Inteligente sem maleabilidade, religioso sem espiritualidade, ascético sem misticismo, este homem é de facto um produto duma fusão de estreitezas: a alma campestremente sórdida do camponês de Santa Comba só se alargou em pequenez pela educação do seminário, por todo o inumanismo livresco de Coimbra, pela especialização rígida do seu destino desejado de professor de Finanças. É um materialista católico (há muitos), um ateu-nato que respeita a Virgem.

Para governar um país como chefe, falta-lhe, além das qualidades próprias que fazem directamente um chefe, a qualidade primordial - a imaginação. Ele sabe talvez prever, ele não sabe imaginar. Ele mesmo mostrou desdém por aquilo a que chamou 'os sonhadores nostálgicos do abatimento e da decadência' (Discurso de Salazar de 21-II-1935). A frase não é clara; e as suas frase, sempre nítidas, raramente são claras. Não se sabe se os sonhadores nostálgicos sonham com abatimento e decadência, ou se são os sonhadores que vivem em abatimento e decadência que sonham nostalgicamente não se sabe muito bem de quê. Retenhamos o essencial - o tom e o estilo da frase, cuja aplicação política escapou aliás a todos.
Ele odeia os sonhadores, não, note-se bem, porque são sonhadores, mas simplesmente porque sonham (...)"

[in História de Portugal, coord. de João Medina - sublinhados nossos)

J.M.M.