AO PAÍS -
Manifesto da Liga dos Estudantes Republicanos de Lisboa, 5 de Outubro de 1927 [
via Torre do Tombo]
NOTA: Em 1900 é constituída a
Liga Académica Republicana [
os associados reuniam-se nas instalações do jornal de Magalhães Lima, A Vanguarda], que publica (no dia 31 de Janeiro de 1901) o periódico "
A Liberdade" [
alguns colaboradores foram Magalhães Lima, Agostinho Fortes, Brito Camacho, França Borges, Heliodoro Salgado, João Chagas, Sampaio Bruno, Manuel Coelho, Mayer Garção, Alexandre Braga, Guerra Junqueiro, Celestino de Almeida, Jacinto Nunes], aparecendo como "
Jornal dos Estudantes Livres" e com o subtítulo (1 de Maio de 1901) de "
Diário Republicano Académico" [
cf. Ana M. Caiado Boavida, "
Tópicos sobre a prática politicas dos estudantes republicanos (1890-1931)",
Análise Social, Vol. XIX, 77-78-79, 1983].
O
Centro Republicano Académico de Coimbra data de 1906 e o
Centro Democrático Académico de Lisboa, de 1909.
Em
Abril de 1918 há lugar a uma reunião, convocada por uma "
comissão de alunos da Universidade de Lisboa", visando fundar uma "
Liga Republicana" [
Liga Nacional da Mocidade Republicana] onde se possam congraçar ‘todos os republicanos da nova geração, com ou em filiação partidária’ [
idem]. Curiosamente, em
Coimbra os republicanos estão organizados no
Bloco Académico Republicano e no
Porto o trabalho era a "
organização do respectivo Grémio Académico Republicano" [1918]. A luta contra a ditadura sidonista e a "
arrogância dos monárquicos de todos os matizes" sobressaia. Porém as graves divisões entre os republicanos foram fatais.
Em Agosto de 1918 "
ainda decorre a discussão do programa da Liga" e o jornal porta-voz da
Liga Nacional da Mocidade Republicana, "
A Mocidade", sai nesse mesmo ano [
colaboram Nóbrega Quintal, João Camoesas]. Entretanto a
Cruzada Nun'Álvares Pereira, formada por estudantes nacionalistas e conservadores, é fundada a 18 de Julho de 1918 [
dela fazem parte o tenente João Afonso de Miranda]
Em
1924 procura-se formar a
União da Mocidade Republicana, com
José Rodrigues Miguéis (ligada à
Seara Nova) como presidente.
A
9 de Abril de 1927 um "
grupo de rapazes republicanos de Coimbra, mais ou menos dispersos e confundidos no seio dum grémio de estudantes de fama reaccionária, resolveram desfazer esse equívoco e definir, num momento notoriamente difícil da vida nacional, que coisa é o seu republicanismo e em que princípios basilares se sustenta uma consciência cívica de que se ufanam" [
idem – texto publicado na Gente Nova, n.º 1, de 9 de Abril de 1927] relança as actividades do
Centro Republicano Académico de Coimbra, a partir do jornal
Gente Nova [1927-1928; lideram
Carlos Cal Brandão,
Paulo Quintela,
Sílvio Lima,
Vitorino Nemésio (que foi seu Presidente),
Joaquim Cordeiro e colaboram no jornal
José Rodrigues Migueis e
António Sérgio (exilado em Paris)]. Entretanto os
monárquicos e
integralistas de Coimbra organizam-se à volta do periódico "
A Ide’a Nova" [nº1, 8/12/1927; dir.
Bento Caldas,
José Adriano Pinto Coelho,
António Quitério], defensor da "
Igreja, da Pátria, da Ditadura Militar e da necessidade do Rei" [
idem]
Em
Dezembro de 1927 a
Liga dos Estudantes Republicanos de Lisboa participa nas manifestações do dia da Restauração e em Maio de 1928 sai o mais importante jornal da academia republicana, "
Liberdade" [
1928-1933; participam Virgílio Marinha de Campos (dir.),
Vasco da Gama Fernandes,
Fernando de Morais Cabral,
Alberto Pinto de Sousa,
Carlos Bana,
Serra Frazão], que no seu nº de 12 de Janeiro de 1933 aparece como "
Semanário Republicano de Esquerda"]. No final do ano constitui-se o
Batalhão Académico Anti-Fascista ou
BAAF [
dele faziam parte António Maldonado de Freitas, Asdrúbal de Aguiar, Heliodoro Caldeira, Teófilo Carvalho dos Santos, Alberto Pinto de Sousa, Vasco da Gama Fernandes]
Ainda em
1928, é reactivado o
Centro Académico Republicano do Porto [
entre eles estavam Emídio Guerreiro,
Jaime Gouveia], que "
publica o primeiro número do seu jornal", "
Democracia", no dia do aniversário do 31 de Janeiro de 1891. A oposição republicana á Ditadura tornava forma.
Não por acaso, no ano lectivo de
1930-31 as "
eleições nas três associações académicas do País são ganhas por estudantes republicanos" [em Lisboa a Direcção eleita era composta por
Ernesto Carvalho dos Santos,
Bernardino Machado Vaz,
Heliodoro Caldeira,
Eugénio Higgs Ribeiro e
João de Brito Terenas –
cf. Cristina Faria,
As Lutas Estudantis contra a Ditadura (1926-1932),
Colibri, 2000]. E acreditava-se num "
retorno rápido à República liberal e parlamentar" [
idem]. Curiosamente uma parte importante dos dirigentes que enquadravam as várias organizações de estudantes republicanos na luta contra a ditadura, nas três Academias do país, foi iniciada em
lojas maçónicas, sendo as principais, a
Loja Acácia e
Rebeldia, ambas de
Lisboa, a
Loja A Revolta, de
Coimbra, e a
Loja Comuna, da cidade do
Porto [
sobre o assunto ver a obra citada de Cristina Faria, 2000].
J.M.M.