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sábado, 19 de julho de 2014

[PORTO] PAPINIANO CARLOS … O T.E.P.


Saudades de um certo Porto

Na FOTO: na frente (pernas flectidas), Luís Veiga Leitão e Vasco da Lima Couto. De pé, a partir da esquerda: Papiniano Carlos [1918-2012] e esposa (Olívia), Fernando Gaspar (sogro do dr. Alberto Castro Ferreira) … e actores do T.E.P. [Teatro Experimental do Porto - refira-se que Papiniano Carlos fez parte dos dirigentes do T.E.P.]

NOTA (dos comentários): "esquerda para a direita , e de joelhos flectidos estão o Poeta Luís Veiga Leitão e o Grande Actor, também Grande Declamador Vasco de Lima Couto (TEP e FENIANOS no Porto);de pé, e também da esquerda para a direita, Papiniano Carlos e Olívia Valente de Vasconcelos(meus Pais)a seguir Sr. Fernando Gaspar e Esposa, D. Mira Gaspar, depois um Tio meu, Irmão de Olívia, Manuel Valente Bispo seguido pela Esposa, minha Tia portanto, Maria Augusta Monteiro Valente Bispo, a seguir,uma Senhora de quem não lembro o nome mas que era familiar do casal que está a seguir: Arquitecto Aristeu Ravásio (um Grande Anti-fascista ) e Esposa D.Zina (viviam em São Martinho da Gândara).Abaixo do Sr. Gaspar está a Escritora Maria Almira Medina e o Filho Tóju. Eu, Maria Salomé, estou de pé,com os meus sete anitos!  [Maria Salomé V.de Vasconcelos]

FOTO e TEXTO via Alberto Castro Ferreira Facebook, com a devida vénia
 
 

Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas,
caminhemos serenos.

De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniquidade,
caminhemos serenos.

Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
dos que nem com a morte podem vencer-nos,
caminhemos serenos.

O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia connosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.

No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas,
caminhemos serenos.
 

[Papiniano Carlos, “Caminhemos Serenos”]
 
J.M.M.