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sexta-feira, 2 de março de 2018

MANUEL DE ARRIAGA. INTERVENÇÕES PARLAMENTARES

No próximo dia 6 de Março de 2018, terça-feira, na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, vai ser apresentada esta obra sobre o presidente Manuel de Arriaga.

Os organizadores do livro são  Sérgio Campos Matos e Carolina Rufino.

Vai apresentar a obra o professor Luís Bigotte Chorão.

O Almanaque Republicano não pode deixar de saudar mais uma obra evocando o contributo de uma das figuras fundamentais do movimento republicano em Portugal, o açoriano Dr. Manuel de Arriaga. Ficam também algumas das referências que, ao longo do tempo, fomos fazendo ao ilustre republicano AQUI.

Com os votos do maior sucesso.
A.A.B.M.

domingo, 13 de dezembro de 2015

"MANUEL DE BRITO CAMACHO: UM INTELECTUAL REPUBLICANO NO PARLAMENTO" E "ANTÓNIO MARIA DA SILVA: O ENGENHEIRO DA REPÚBLICA"

Apresentação de mais duas obras da colecção Parlamento no próximo dia 16 de Dezembro de 2015, pelas 18.30, após a sessão do plenário, na Biblioteca da Assembleia da República.

Vão ser apresentadas as seguintes obras:
 - Manuel de Brito Camacho: Um intelectual Republicano no Parlamento, de Maria Fernanda Rollo e Ana Paula Pires;

- António Maria da Silva: o Engenheiro da República, de Ricardo Revez.

Mais duas obras sobre personalidades da República que têm vindo a ser publicadas pelo Parlamento, numa excelente iniciativa de divulgação e investigação biográfica.

Com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

CENTENÁRIO DA GRANDE GUERRA NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

A Assembleia da República, em parceria com o Instituto de História Contemporânea vai levar a efeito amanhã, 20 de Janeiro de 2015, pelas 15 horas, no Centro de Acolhimento ao Cidadão a sessão do Café História, dedicado à participação de Portugal na Grande Guerra, subordinada ao tema: Portugal e a Grande Guerra: História e Memória.

No final da sessão projectar-se-á o filme Pontes de Sarajevo, pelas 18.30 horas.

Uma sessão a divulgar e a acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

CENTENÁRIO DE CARLOS CALLIXTO

Realiza-se no próximo dia 11 de Fevereiro (terça-feira), na Assembleia da República, a cerimónia de apresentação pública da obra intitulada Centenário de Carlos Callixto: primeiro jornalista desportivo português, deputado e senador da República, ter lugar pelas 17.30 h, na Livraria Parlamentar.

O opúsculo vai ser apresentado pelo Dr. António Macieira Coelho.

Este pequeno opúsculo sobre a figura de Carlos Callixto, organizado pelo neto Vasco Callixto, conta com textos da conferência realizada a 5 de Junho de 2013, no Museu Nacional do Desporto, em Lisboa. Contribuíram para esta publicação o Dr. Augusto Fontes Baganha, Dr. Francisco Pinheiro, António Murillo Lopes e o próprio Vasco Callixto. Ao longo dos vários textos abordam-se diferentes facetas de Carlos Callixto, intercalando cada comunicação com múltiplas imagens que ajudam a perceber as várias funções e actividades que esta personalidade foi desenvolvendo pela vida fora. 

Francisco Pinheiro faz um resumo de alguma da nossa imprensa periódica do último quartel do século XIX, chamando a atenção para a necessidade de se estudar mais o tema e os diferentes contributos que alguns periódicos trouxeram para o desenvolvimento da prática desportiva, não só nos diferentes desportos, mas sobretudo fora das grandes modalidades desportivas que arrastam multidões. Refere-se depois aos contributos de Carlos Callixto para a imprensa desportiva desde 1885, sobretudo no Jornal dos Caçadores onde iniciou a sua actividade jornalística. 

Por seu lado, António Murillo Lopes evocou também a criação do Clube Nacional de Imprensa Desportiva e o papel que desempenharam figuras como Victor Santos ou Artur Agostinho, destacando que Carlos Callixto foi um cidadão envolvido, contribuindo para organizar também uma especialidade dentro do jornalismo, como a questão desportiva.

Por último Vasco Callixto dá a conhecer um pouco mais dos traços biográficos da personalidade de Carlos Callixto, recordando os seus pais, as suas dificuldades e opções que condicionaram a própria vida. A actividade como professor, a como colaborador de "A Vanguarda", mais tarde de "O Século", na Revista Republicana, no Tiro Civil, na Pátria, como dinamizador de provas de automóvel e de bicicleta. Traça também o espírito dinâmico e empreendedor do avô ao recordá-lo como dirigente e organizador de diferentes associações.

Encontram-se algumas notas biográficas sobre Carlos Callixto AQUI e AQUI, entre várias outras.

A.A.B.M.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

SESSÃO DE HOMENAGEM AOS ADVOGADOS DOS PRESOS POLÍTICOS NOS TRIBUNAIS PLENÁRIOS

Promovido pelo Movimento Cívico Não Apaguem a Memória e pela Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, realiza-se amanhã, 28 de Janeiro de 2014, na Sala do Senado da Assembleia da República, pelas 9.30h, a Sessão de Homenagem aos Advogados dos Presos Políticos nos Tribunais Plenários.

Na sessão estarão presentes com intervenções:
- Irene Pimentel;
- Francisco Teixeira da Mota;
- Mário de Carvalho;
- Jorge Sampaio;
- Elina Braga;
- António Borges Coelho.

Uma sessão a acompanhar com toda a atenção.
Quem não puder estar presente pode acompanhar a sessão no Canal Parlamento que vai transmitir o evento.

A.A.B.M.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

MACHADO DOS SANTOS: O INTRANSIGENTE DA REPÚBLICA

Vai ser apresentado, na Biblioteca da Assembleia da República, amanhã, 14 de Novembro de 2013, pelas 18 horas, o livro Machado dos Santos: O Intransigente da República, inserido na colecção Parlamento, série Parlamentares da I República.

Esta obra analisa em três perspectivas, de diferentes autores, o papel, a importância e a actividade de Machado dos Santos em prol da causa da República, desde os antecedentes, aos dias conturbados do 5 de Outubro de 1910, ao período da guerra, a luta que desenvolveu através do seu jornal O Intransigente, durante vários anos para consolidar o regime que tinha ajudado a implantar.

Colaboraram nesta obra: Armando Malheiro da Silva, Carlos Cordeiro e Luis Filipe Torgal (clicar nos links para aceder às notas curriculares dos autores).

Vai apresentar a obra o Professor Doutor Luís Reis Torgal.

Uma obra de grande interesse para se conhecer melhor o homem, o político e as ideias que marcaram o seu pensamento.

A.A.B.M.

terça-feira, 28 de maio de 2013

PARLAMENTARES DA REPÚBLICA EM LIVRO



No próximo dia 30 de Maio de 2013, pelas 18.30 h, vão ser apresentadas três obras, publicadas na colecção Parlamento, editada pela Assembleia da República. As três obras referem-se a três figuras incontornáveis da I República Portuguesa: António Granjo, Bernardino Machado e José Domingues dos Santos.


Os títulos e autores completos são os seguintes:
- Ernesto Castro Leal e Teresa Nunes, António Granjo: República e Liberdade;
- Maria Alice Samara, Bernardino Machado: Uma Vida de Luta;
- António José Queiroz, José Domingues dos Santos.

As três obras vão ser apresentadas pelo Prof. António Reis.

Uma sessão a não perder e três obras que também desejamos conhecer melhor,com os nossos votos de muito sucesso para a sessão.

A.A.B.M.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

PEÇA DO MÊS NO MUSEU DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Está patente no Museu da Assembleia da República, como peça do mês de Outubro, o busto da República, feito pelo escultor Francisco Santos.

As restantes peças do Museu do Parlamento podem ser consultadas AQUI.

A.A.B.M.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

MINISTRO DA FAZENDA


"Marquez de Sá prometteu a Bébé que Bébé havia de ter futuro. Bébé então quer ter"

"O último discurso do sr. ministro da fazenda”, in O António Maria, 10.02.1881, p. 48 [via BNP - Materiais para a História Eleitoral e Parlamentar Portuguesa 1820-1926]

J.M.M.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PARLAMENTO E PASTELARIA



"Tendo o governo e a oposição resolvido de comum acordo que voltem este ano à Câmara os mesmos deputados do ano passado, nós propomos, visto serem os mesmos, que pelo menos, como se faz nos pastéis da véspera, os polvilhem com canela"

Parlamento e Pastelaria, in A Paródia, 23.06.1904, p. 4-5 [via BNP - Materiais para a História Eleitoral e Parlamentar Portuguesa 1820-1926]

J.M.M.

sábado, 12 de julho de 2008

JOSÉ RELVAS, O CONSPIRADOR CONTEMPLATIVO



A exposição, que decorre no Parlamento, subordinada ao título supra referido, e que o Almanaque Republicano procurou divulgar na blogosfera, mostra como é importante recuperar a memória. Neste caso, a memória sobre uma figura da República e esperemos que outras sejam a seu tempo recordadas.

Um povo sem memória e consequentemente sem história é, sempre, a nosso ver, um povo sem futuro, porque não conhece o seu passado. Não acreditamos que isso venha a acontecer em Portugal, mas assiste-se a uma tendência cada vez maior para se valorizar só o momento que se vive, como se nada do que acontece tenha a ver com o que já passou. Quer se queira quer não, o passado projecta-se sempre no futuro. É uma inevitabilidade, mas que muitos, em particular os órgãos de comunicação, tendem a fazer-nos esquecer. Os assuntos tratados consomem/absorvem a vida das populações que depressa viram as suas atenções para novos temas, mesmo que muitas vezes não conheçam o epílogo dos assuntos. As consequências dos acontecimentos são muitas vezes omitidas ou mesmo esquecidas porque o frenesim é permanente.

Neste momento, quando se avizinha o centenário da República é fundamental não esquecer que a História não procura fazer julgamentos a posteriori, como ainda se vê em alguns sítios. Todos temos consciência que qualquer ser humano tem atitudes, comportamentos, decisões com as quais podemos ou não concordar, mas procuraremos estar afastados dessas atitudes mais radicais que ainda vão por aí pontuando a paisagem. Não estamos a viver em 1930, estamos em 2008, e somos capazes de analisar o que consideramos correcto e o que podemos designar de erros, mas muitas vezes os participantes nos acontecimentos não conseguiram o distanciamento para admitir ou reconhecer a falha cometida.

Temos elaborado diversas biografias ao longo deste tempo, e esperamos conseguir criar bastantes mais, mas tentamos sempre manter a figura que estamos a dar a descobrir a alguma distância. Evitaremos o elogio simples, porque também sabemos que não estamos perante seres perfeitos, nem nós somos perfeitos, mas que, no seu tempo, procuraram fazer o que podiam e sabiam, condicionados que estavam, como todos nós, por uma sociedade e uma economia que não conseguiam controlar.

José Relvas foi um homem que viveu intensamente a sua época. Envolveu-se politicamente e tomou opções sobre os mais variados assuntos. Concordamos com João Bonifácio Serra quando afirmou, na abertura da Exposição sobre a personalidade em causa: uma figura singular, das mais fascinantes do Portugal das últimas décadas do século XIX e primeiras do século XX, José Relvas. Porque era um homem que podia fazer a sua vida sem grandes perturbações, já que os seus meios económicos eram significativos e não procurava na política mais do que uma forma de melhorar o país onde vivia. Para além disso, era uma pessoa com maturidade (50 anos) quando decidiu envolver-se na vida política de forma activa, quando, normalmente, as pessoas iniciam essa actividade bastante mais jovens.

A pesquisa elaborada pelo Doutor João B. Serra para construir a biografia de José Relvas, que ficamos a aguardar com expectativa, mostra que ainda existem muitos dados pouco conhecidos sobre a personalidade. Afirmou este investigador na sessão inaugural da exposição: Para José Relvas, a existência tinha uma ética e uma estética. A ética cumpriu-a na acção associativa e política e no programa de mudança do regime e reforma das instituições – o conspirador. A estética cumpriu-a na reunião de um património artístico – o contemplativo.

Uma personalidade como José Relvas, marcada por uma vida que poderia ser adaptada a cinema ou televisão, porque viveu um pouco de tudo. O sucesso na política e nas finanças e a tragédia na vida famíliar. A vida é, de facto, cheia de contradições, mesmo muitas vezes para os mais famosos.

Recomendamos portanto, novamente, uma visita ao Parlamento, para conhecer melhor a figura de José Relvas, o conspirador contemplativo.

NOTA FINAL: O agradecimento público ao Doutor João B. Serra, que amavelmente nos forneceu a sua declaração na abertura da exposição.

A.A.B.M.

domingo, 29 de junho de 2008

JOSÉ RELVAS, O CONSPIRADOR CONTEMPLATIVO



Foi inaugurada no passado dia 26, na Assembleia da República, uma grande exposição sobre José Relvas. Esta exposição enquadra-se já no programa comemorativo do Centenário da República que o Parlamento procura levar a efeito.

Esta exposição pretende dar a conhecer o trajecto deste dirigente associativo e político. Sendo um dos conspiradores que contribuiu de forma marcante para a queda do regime monárquico, foi um homem de grande sensibilidade e gosto artísticos, reunindo e coleccionando obras de arte de vários géneros.
Esta exposição procura sobretudo mostrar o papel de José Relvas para a revolução republicana antes do 5 de Outubro de 1910 e, na fase imediata, no Governo e na embaixada em Madrid, até 1914.

A exposição organiza-se em 11 secções. As diferentes secções tentam mostrar as várias vertentes da personalidade em questão, salientando aspectos mais ou menos conhecidos da figura e, tentando perceber as transformações que vai sofrendo ao longo do tempo com a erosão a que o regime republicano esteve sempre sujeito até às vésperas da 1ª Guerra Mundial.

Aproveitando esta iniciativa do Parlamento, a que o Almanaque Republicano dá o seu humilde contributo divulgando o evento, nos próximos dias dedicaremos alguma atenção a esta personalidade marcante na história da República: José Mascarenhas Relvas, o homem que proclamou a implantação da República em Portugal na varanda da Câmara Municipal de Lisboa.

É comissário desta exposição o Professor João Bonifácio Serra, que pertence à Comissão que organiza as comemorações para o Centenário da República. A exposição estará patente até 29 de Novembro de 2008 em diferentes espaços da Assembleia da República onde poderá encontrar outras informações úteis.

Os votos de grande sucesso para uma iniciativa sempre digna de louvor.

A.A.B.M.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

FERNÃO BOTTO MACHADO NO PARLAMENTO


"... dizem que eu sou anarquista. O que eu sou acima de tudo, é um grande crente e um grande idealista. Anarquista não o sou, porque infelizmente não o posso ser.

O tipo ideal do anarquista é um tipo tão superior, tão bom, tão abnegado, tão altruísta, tão perfeito, que bem longe de estar já à face da terra, é incompatível com a actual psicologia humana, e só pode resultar pela evolução da raça, pela instrução e educação lentas e pelo refinamento de psicologias e psicologias sucessivas, duma espécie bem superior à actual ..."

[Fernão Botto Machado em discurso parlamentar, citado in "Fernão Botto Machado”, de Abílio Mendes do Amaral, sep. Notícias de Gouveia, 1965-68, pp. 44 - sublinhados nossos]

"Sr. Presidente: tendo apresentado, ha dias, á Constituinte um projecto de Constituição, que tem pelo menos a vantagem de não ser a copia servil de qualquer outra, fui beber uma grande parte do meu estudo á Republica romana, e, principalmente á fonte inexaurivel que foram as republicas gregas e a grande democracia dos tempos de Demosthenes. E, ao fazer esse estudo, eu fiquei maravilhado com o respeito que então se tributava á liberdade individual, e o altissimo sentimento que defendia a personalidade humana. Vi então que longe de se proceder como entre nós, onde cada detentor do poder e da autoridade faz da liberdade uma rodilha, e da personalidade humana um capacho a que limpa os pés, essa extraordinaria democracia tinha chegado a um grau de cultura e civilização não attingido ainda hoje por qualquer democracia moderna.

Lá, entendia-se, e muito bem, que a liberdade era o dom mais precioso do homem, e que eram os bens e não o corpo, que deviam responder por delictos, transgressões ou contravenções. Antes de condemnados por sentença, só os exactores da fazenda infieis ou os parricidas entravam na cadeia. Criminoso, ou presumido criminoso, que tivesse bens suficientes para responderem pelas suas faltas ou que offerecesse tres fiadores idóneos, não entrava na cadeia preventivamente. Entre nós, é o que se tem visto. Cada autoridade permitte-se o direito de dispor da liberdade do cidadão como cousa despresivel. Não pode nem deve continuar assim, sob pena de a Republica atraiçoar a sua missão.

Se a melhor lei é a, que facultar menos arbitrio, a melhor autoridade é a que menos se approveitar do arbitrio que a lei lhe confere. Mas entre nós, na maioria dos casos, as autoridades, paraphraseando Luiz XIV, em regra dizem: a lei sou eu! Não pode ser, e não ha de ser, pelo menos sem o meu energico protesto"

[Fernão Botto Machado na sessão parlamentar de 4 de julho de 1911 - sublinhados nossos]

J.M.M.

quinta-feira, 8 de março de 2007

OS ACONTECIMENTOS DE 1907, EM COIMBRA, VISTOS NO PARLAMENTO


A primeira referência aos acontecimentos,de Coimbra, no Parlamento, encontramo-la em Alfredo Vieira Coelho Peixoto Pinto de Vilas-Boas, ou seja o Conde de Paçô Vieira que logo no dia 1 de Março de 1907, confronta João Franco Pinto Castelo Branco com a questão da revolta dos estudantes em Coimbra, num texto que pode ser lido aqui, basta procurar a data (1907-03-01) e, na página 6, é possivel encontrar este texto que a seguir colocamos a parte inicial:

O Sr. Conde de Paçô-Vieira: - O assunto para que desejo chamar a attenção do Governo e da Camara é da mais alta importancia.
Consta-me que o Sr. Presidente do Conselho está nos corredores da camara e, como o assunto de que me vou occupar prende com a pasta de S. Exa., peço a V. Exa. o favor de lho fazer communicar para que S. Exa. venha á Camara.
Trata-se dos acontecimentos de Coimbra.
(Entra na sala o Sr. Presidente do Conselho).

Pela leitura dos jornaes de hoje tive conhecimento, como toda a gente, de que em Coimbra occorreram hontem acontecimentos muito graves, provocados pela reprovação de um candidato no seu acto de theses.
Esses conflictos que hontem começaram, parece que se aggravaram hoje, tendo-se dado em Coimbra factos da maior gravidade sobre os quaes eu desejava que o Governo fornecesse esclarecimentos á Camara, para socegar todos aquelles que teem em Coimbra parentes a estudar.
V. Exa., que frequentou a Universidade, como eu, conhece a anciedade em que se está quando longe da nossa vista temos filhos ou parentes aos quaes a generosa mocidade e a inexperiencia irreflectida podem levar mais longe do que convenha, e do que elles mesmos queiram.
Pelas noticias recebidas, sabe-se que foram apupados alguns professores e apedrejadas as suas janellas.
Ao mesmo tempo requisita-se força militar. E perante tudo isto, eu, que não sei de que lado está a razão, não conhecendo o assunto senão pelos telegrammas publicados nos jornaes, limito-me a pedir ao Sr. Ministro do Reino que me esclareça sobre o assunto.
Tenho dito.

O Sr. Presidente do Conselho de Ministros e Ministro do Reino (João Franco Castello Branco): - Sr. Presidente: tenho a declarar ao illustre Deputado, Sr. Conde de Paçô-Vieira, que ácerca dos acontecimentos de Coimbra só recebi informações telegraphicas das quaes se não deprehende que tenha havido qualquer facto grave de caracter individual.
O que d'essas informações apenas consta é que numa defesa de theses, o individuo que as sustentou foi reprovado por unanimidade, resultando desse facto varias manifestações a favor do candidato que as tinha defendido e hostis para os lentes que intervieram nessas theses.
Essas manifestações não deram, comtudo, logar á intervenção da força publica, a não ser para dispersar grupos; mas, á noite, ellas fizeram-se por forma que a força publica teve de intervir.
Parece que tambem nessa noite, em alguns pontos onde a policia não podia acudir de pronto, foram apedrejadas as casas de dois lentes.
Isto passou-se hontem.
Quanto ao dia de hoje, sei que os estudantes de direito não entraram á primeira aula e parece que impediram tambem a entrada dos professores.
V. Exa. sabe que sendo a policia interna da Universidade feita pela sua guarda privativa,, evidentemente o que eu concluo d'aquellas informações é que da parte da Universidade não foi requisitada a intervenção da força publica com o fim de manter e assegurar o respeito devido aos lentes.
Posteriormente a estes factos reuniu-se o claustro pleno, tendo sido suspensas as aulas na faculdade de direito, conforme me communicou o Sr. Reitor.
Por outro lado o Sr. Governador Civil do districto requisitou uma força de cavallaria e outra de policia de Lisboa, que já foi mandada seguir para Coimbra.
As instrucções que mandei ao Sr. Governador Civil,, são no sentido de que elle proceda com a máxima moderação, com a maxima cordura, mas tambem com a firmeza necessaria, de maneira a manter a ordem e a fazer respeitar os professores. (Apoiados).

Mandei tambem dizer ao Sr. Governador Civil que procurasse o Sr. Reitor da Universidade para lhe offerecer todo o apoio de que carecesse durante os acontecimentos e para lhe communicar que eu desejaria que a suspenção fosse o menos dilatada possivel e que já amanhã as aulas pudessem funccionar, marcando-se falta aos que não comparecerem.
V. Exa. e a Camara comprehendem que eu não encaro-os assuntos relativos á ordem publica em Coimbra pela mesma forma por que os encararia em qualquer outro ponto do país. (Apoiados).
Fui tambem estudante e sei muito bem quanta ponderação e quanta cordura é necessario observar em conflictos d'esta natureza.
Alem d'isto basta dizer que tenho a estudar na Universidade um filho, que é maior alegria da minha vida. Desejo que o meu filho proceda por forma que, sendo um bom camarada, seja ao mesmo tempo um homem que respeite os seus professores. (Apoiados na esquerda e na direita). O procedimento que desejo que tenha meu filho é o procedimento que desejo que seja tomado por todos os estudantes da Universidade. (Apoiados).

E claro que o respeito á Universidade e a manutenção da ordem publica se impõem, como sendo cousa que é necessario realizar, mas entendo que para esse fim se deve proceder com a maxima tolerancia e ao mesmo tempo com absoluta firmeza. (Apoiados).
Espero que os acontecimentos não tenham consequencias desagradaveis. A disposição em que se acha b governador civil, era harmonia com as minhas instrucções, consiste em conseguir manter a ordem, sem quaesquer consequencias desagradaveis, e nesse sentido empregarei todos os esforços.


No dia 4 de Março de 1907, António José de Almeida, deputado republicano, e João Pinto dos Santos enviam uma nota solicitando que a questão dos estudantes de Coimbra seja discutida com urgência no Parlamento, mas a Câmara dos Deputados rejeita a proposta, não a considerando urgente. Porém, no dia seguinte, com o deterioramento da situação em Coimbra, os deputados vão mesmo debater o problema. As intervenções de António José de Almeida, com muitas referências à sua própria experiência nas lutas académicas pós-ultimato, são muito interessantes. Acompanham-no nestas discussões João Pinto dos Santos, Teixeira de Abreu e outros deputados que tomam posição contra ou a favor dos estudantes.
O debate prolonga-se durante várias sessões durante os meses de Março e de Abril sendo os estudantes condenados às penas a que já fizemos referência anteriormente.

A.A.B.M.