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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA. DISCURSO PRONUNCIADO NA SUA SESSÃO INAUGURAL POR AURÉLIO QUINTANILHA




LIVRO: A Universidade Livre de Coimbra (reed. 1925);
AUTOR
: Aurélio Quintanilha; Prefácio de Paulo Archer de Carvalho
EDIÇÃO: Editora Lema d’Origem (2017); 

APOIOS: Pró-Associação 8 de Maio | União das Freguesias de Coimbra | GAAC | Ateneu de Coimbra




LANÇAMENTO DA OBRA:

DIA: 12 de Outubro 2017 (18,00 horas);
LOCAL: Casa Municipal da Cultura de Coimbra (R. Pedro Monteiro, 64);
ORADOR: Professor Doutor Carlos Fiolhais.

“A formação da Universidade Livre de Coimbra – Instituto de Educação Popular (ULC, 1925-1933) obedeceu ao estratégico desiderato de efectiva instrução pública complementar, gratuita, voluntária e demopédica que anima a acção programática das similares universidades populares que, entre nós e após a instauração da República, se possibilitaram e expandiram. Acção inscrita num movimento europeu muito vasto (Bélgica, França, Inglaterra) de congéneres universidades populares e livres (em rigor, não sinónimas, por vezes mesmo dicotómicas), originado após os meados do século XIX, do qual manterá no fundamental a matriz democrática e laica.

No específico contexto histórico marcado, contudo, pela derrisão da I República, a ULC representou um dos derradeiros programas práticos da militância laica e da livre solidariedade dos intelectuais com o operariado e o pequeno funcionalismo. Não admira, também por isso, que na sua plural circunstância fundadora convirja dúplice e indesmentível influência republicana e maçónica, concatenada na pedagogia, prática, dos direitos, liberdades e garantias fundamentais da cidadania: materializando reivindicações populares de acesso das mulheres à escolarização, de educação sexual, de higiene e implementação de infantários, na exigência de construção do ensino técnico profissional e na formação contínua dos formadores. Propostas estas que a Constituição da República Portuguesa de 1911 não asilara” [Paulo Archer de Carvalho, inAlgumas anotações póstumas: a apresentar a conferência e o conferencista”, p. 9-10]




Trata-se da reedição do raro e estimado opúsculo do cientista, investigador, professor, pedagogo, libertário e maçon, Aurélio Quintanilha (1892-1987) e que transcreve o discurso por si pronunciado na sessão inaugural da Universidade Livre de Coimbra, a 5 de Fevereiro de 1925, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

As Universidades Livres nascem do ideal civilizador, laico e republicano, de ser a instrução um factor, por excelência, de promoção social, moral e intelectual das camadas populares. A educação popular, o ensino e o amparo moral eram, assim, tomadas como “extensões universitárias” e onde os professores, saindo das suas “torres de marfim” uniam o intelectual ao “manual”, espalhavam conhecimentos e sábios ensinamentos, cumprindo o dever de formar e unir homens livres. De facto, os cursos livre, as conferências realizadas e as inúmeras atividades realizadas (visitas de estudo, excursões), despertaram grande interesse, e dizem que estávamos, sem dúvida, na presença do melhor e mais valioso escol intelectual da nossa Primeira República.

ANOTAÇÃO SOBRE AS UNIVERSIDADES LIVRES: a Universidade Livre do Porto aparece em Dezembro de 1903, renovando-se a partir de 1912, com o magistério de Leonardo Coimbra.

Por sua vez, após a terceira tentativa gorada, a Universidade Livre de Lisboa [que teve sede na Praça Luís de Camões, nº42, 2º, Lisboa] surge publicamente em 28 de Janeiro de 1912 [pelo esforço do deputado republicano, mutualista, associativista e benemérito Alexandre Ferreira (pai do poeta José Gomes Ferreira) e maçon (irmão “Verdade”, da Loja Montanha), e seu primeiro presidente e pela dinamização de Tomás Cabreira (propagandista da República, mais tarde ministro das Finanças, ele próprio maçon, o irmão Solon, iniciado na Loja Portugal, de Lisboa, e na altura integrando a Loja Marquês de Pombal]. A sua sessão inaugural decorreu no Coliseu de Lisboa (Rua da Palma) e contou com a presença do presidente da República, Manuel de Arriaga, Queiroz Veloso (diretor da Faculdade de Letras e que presidiu à sessão), capitão Simões Veiga, tenente-coronel Almeida Lima (da Faculdade de Ciências), Tomás da Fonseca (pelas Escolas Normais) e Carneiro de Moura (pela Escola Colonial). Usaram da palavra, além de Queiroz Veloso e Alexandre Ferreira, Agostinho Fortes, Rui Teles Palhinha e Carneiro de Moura. Publicou a Universidade Livre de Lisboa um curioso Boletim [nº1, Janeiro de 1914; em 1916 denomina-se Boletim Patriótico da Universidade Livre], tendo a dirigi-lo Alexandre Ferreira. Cessa, a Universidade de Lisboa, as suas atividades em Março de 1935. O seu valioso património foi legado à Sociedade “A Voz do Operário”.

Em Coimbra, a Universidade Livre, é fundada em 5 de Fevereiro de 1925 e tendo como fundadores, Joaquim de Carvalho, Adolfo de Freitas, Alberto Martins de Carvalho, Alcides de Oliveira, Almeida Costa, Álvaro Viana de Lemos, António Sousa, Aurélio Quintanilha, Darwin Castelhano, Floro Henriques, Manuel Reis e Tomás da Fonseca.

A Universidade Livre teve a sua delegacia na Figueira da Foz, com sessão inaugural a 5 de Abril de 1929 e realizada no salão Nobre dos Paços do Concelho. Abriu a sessão o dr. João Monsanto, lendo uma carta do dr. Joaquim de Carvalho, impossibilitado de marcar presença, estando na mesa o capitão Melo Cabral (presidente da Comissão Administrativa Municipal), José Nicolau Borges (secretário e representante do operariado figueirense) e Francisco Águas de Oliveira (pelo professorado), seguindo-se uma palestra pelo dr. Luís Carriço (figueirense e professor da UC) com o tema “Como se viajava dantes e como se viaja hoje em África”. A delegacia da Figueira da Foz teve a sua sede nas instalações da Biblioteca Municipal e a sua comissão executiva era constituída por António Vítor Guerra, Mário Dias Coimbra, Manuel Neves da Costa, Fausto Pereira de Almeida e Jaime Viana. Abriu, posteriormente, a delegacia, uma escola nocturna de Instrução Primária, bem como cursos de geometria e escrituração comercial, na sede da Associação dos Carpinteiros. Inaugurou, em 1932, uma biblioteca móvel. Comemorou, com dignidade, o 31 de Janeiro, o 5 de Outubro, o 1º de Dezembro de 1640, o centenário de João de Deus. Tomás da Fonseca, Manuel Jorge Cruz, Cristina Torres, Maurício Pinto, comandante Jaime Inso, dr. Rocha Brito, Alexandre Ferreira, Neves Rodrigues, Afonso Perdigão, Afonso Duarte, Manuel Mariano, Manuel Gaspar de Lemos, Fernando Correia, foram alguns dos palestrantes das inúmeras conferências realizadas.       

J.M.M.

A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA (DISCURSO), POR AURÉLIO QUINTANILHA

Título: A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA, Discurso Pronunciado na Sessão Inaugural
Autor: Aurélio Quintanilha
Local: Casa Municipal da Cultura de Coimbra (Rua Pedro Monteiro, 64)
Dia: 12 de Outubro de 2017
Horário: 18h00
Organização: GAAC (Grupo de Arqueologia e Arte do Centro)

A obra será apresentada pelo Professor Doutor Carlos Fiolhais.

A acompanhar com todo a atenção.

A.A.B.M.

terça-feira, 19 de julho de 2016

VISITA - EXPOSIÇÃO BIBLIOGRÁFICA E DOCUMENTAL JOAQUIM DE CARVALHO



VISITA - EXPOSIÇÃO BIBLIOGRÁFICA E DOCUMENTAL JOAQUIM DE CARVALHO

DIA:
20 de Julho de 2016 (19,00 horas);
LOCAL: Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Sala do Catálogo);

VISITA GUIADA pelo prof. Paulo Archer;

Está patente na Sala do Catálogo da Biblioteca Geral da UC a exposição bibliográfica e documental Joaquim de Carvalho, originalmente organizada pelo Departamento de Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz.
Amanhã, dia 20 de Julho, pelas 19 horas, haverá uma visita guiada pelo Doutor Paulo Archer de Carvalho, do CEISXX.
Joaquim de Carvalho (Figueira da Foz, 10 de junho de 1892 - Coimbra, 27 de outubro de 1958) foi um professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde regeu cadeiras de Filosofia e de História da Cultura.
Foi diretor da “Revista da Universidade de Coimbra”, da Biblioteca Geral (1926-1931) e da Imprensa da Universidade. No desempenho destas funções, promoveu a publicação de centenas de livros resultantes da investigação académica. Instituiu igualmente diversas linhas de pesquisa, em particular na história da ciência e do pensamento português e europeu. Em registo de invulgar abrangência, consagrou também ensaios a alguns dos escritores mais representativos do cânone literário português: Gil Vicente, Luís de Camões, Eugénio de Castro, Teixeira de Pascoaes e Antero de Quental.

Dirigiu, ainda, a prestigiada Biblioteca Filosófica (da livraria Atlântida, em Coimbra) e a “Revista Filosófica” (cujo último número sairia postumamente, em 1959). Acalentou o projeto de escrever uma história da Filosofia em Portugal.

É consensualmente reconhecido pela seriedade e fundura do seu labor intelectual.

Obediente à sua própria consciência, foi tenazmente perseguido pelo Estado Novo, a ponto de ter visto extinta a Imprensa da Universidade, que dirigia. No seu tempo, os próprios colegas universitários mais conservadores se referiam a Joaquim de Carvalho como o “sábio”. De entre os discípulos que formou, destaca-se Eduardo Lourenço, que foi seu assistente, entre 1947 e 1953” [AQUI]
J.M.M.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA (1925-1933): CONFERÊNCIA

O Ateneu de Coimbra e a Pró-Associação 8 de Maio promovem amanhã, 14 de Maio de 2016, duas conferências que têm por objecto de estudo a Universidade Livre de Coimbra, que funcionou entre 1925 e 1933.


 Universidades Livres e da Universidade Livre de Coimbra
[...] É neste movimento, em prol da instrução popular [...] que se inscreve a criação da Universidade Livre de Coimbra. São instituições hostis a quaisquer privilégios culturais, que defendem um ensino autónomo, independente de poderes religiosos e políticos e despojado de qualquer sectarismo, submetido apenas (submissão crítica e metódica) aos preceitos das ciências (monopólio dos ricos), apoiado numa aprendizagem de saberes aplicados e práticos, tendo como finalidade máxima a emancipação intelectual (iniciativa e autonomia), profissional (aprendizagem ou aperfeiçoamento de um ofício), política (democratização), cívica (cidadania) e moral; acreditam os seus artífices que essa emancipação e o progresso do homem estão, essencialmente, dependentes da expansão da educação e da socialização das ciências aplicadas, que devem privilegiar, como seus destinatários, os que dela são, normalmente, excluídos: os trabalhadores; por isso, a latitude deste ensino deve ser móvel e regionalizada (para que todos a ele tenham acesso), incluir os estudos pós-primários na actividade profissional dos seus destinatários, dar-lhes um carácter vincadamente prático e, se possível, o ensino ser barato, senão mesmo gratuito. De qualquer modo, todos estavam de acordo que não se podia limitar à instrução primária (gratuita): as Universidades Livres deviam ter um carácter profissional e educativo e até profissionalizante e ser uma extensão universitária [...].
Quanto à metodologia, a Universidade Livre (como a de Lisboa, por exemplo) devia procurar o “ensino integral”, ministrá-lo de forma prática, atraente e experimental, recorrendo a conferências, palestras, lições e cursos.

A Universidade Livre de Coimbra não foi, pois, um mero projecto politicamente inocente e inovador de um grupo de intelectuais. [...] Aliás, as universidades livres e populares – ainda que sem esta denominação – já tinham tradição em Portugal, remontando aos fins do século XIX e princípios do século XX, de que são exemplo, entre outros, a Academia de Estudos Livres (fundada em 1889), o Instituto de Coimbra [...]. É neste movimento, em prol da instrução popular [...] que se inscreve a criação da Universidade Livre de Coimbra [...]

Sobre a Universidade Popular, cf. A. H. de Oliveira Marques, «Universidade Popular», in Dicionário de Maçonaria Portuguesa, II, 1458-1461.


Da lição inaugural...

Aurélio Quintanilha fez a “lição inaugural” da nova instituição, no salão nobre da Câmara Municipal, tendo a presidir à sessão, Bernardino Machado que proferiu um discurso sobre a socialização do ensino, que assentava na valorização do trabalho como factor fundamental da formação moral. Aurélio Quintanilha não circunscreveu a sua lição ao estrito âmbito da instrução popular; conectou-a, outrossim, com a política e com a emancipação democrática dos trabalhadores. [...] Na cerimónia de lançamento, disse então: “um ofício é tão imprescindível à moral como a experiência à física”. Partindo deste pressuposto, defendia que todos deviam aprender um ofício, independentemente da sua riqueza e que até no acesso ao ensino superior se devia exigir do candidato prova de que o sabia (e, reciprocamente, exigir-se instrução ao operário).

Era necessário que as Universidades e os seus intelectuais [...] viessem, em primeiro lugar, até à Universidade Livre conviver com os seus camaradas das fábricas, das oficinas e dos campos e, em segundo lugar, que os instruíssem e educassem, especialmente através da socialização das ciências – sobretudo das aplicadas –, para os tornar conscientes dos seus direitos e deveres, intelectualizando, deste modo, as pugnas sociais, retirando-as da violência da rua, das trincheiras, das barricadas e deslocando-as para as batalhas do pensamento. Esta era, segundo disse Quintanilha, a finalidade da Universidade Livre: erradicar o sectarismo, a ignorância e o fanatismo, dando lugar, gradualmente, à tolerância, ao diálogo e ao respeito mútuo, servindo-se, para o efeito, de uma educação matricialmente cientifica, positiva e útil” [...]
Norberto Cunha, Aurélio Quintanilha

São conferencistas amanhã, sábado, 14 de Maio, na Casa da Escrita, pelas 18 horas com a presença dos Professores:
- Norberto Cunha
- Paulo Archer de Carvalho

Sobre a questão das Universidades Livres encontram-se já alguns trabalhos disponíveis que recomendamos a consulta:

Uma sessão muito interessante e que recomendamos a todos os nossos seguidores.

A.A.B.M.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

CONFERÊNCIAS JOAQUIM DE CARVALHO NA FIGUEIRA DA FOZ


CONFERÊNCIA: "A Filosofia da Saudade e a Saudade da Filosofia”;

ORADORES: Eduardo Lourenço | José Carlos Seabra Pereira | João Tiago Pedroso de Lima;
MODERADOR: Paulo Archer de Carvalho;

DIA: 9 de Outubro 2015 (21,00 horas);
LOCAL: Centro de Artes e Espetáculos (Figueira da Foz);


Integrado nas “Conferências Joaquim de Carvalho” (que continuará, em próxima sessão, no dia 23 de Outubro) - sob coordenação científica do professor Paulo Archer de Carvalho e o apoio do Município da Figueira da Foz, o C.A.E., a Biblioteca Pública Municipal Pedro Fernandes Tomás, o Museu Municipal Santos Rocha e o Arquivo Fotográfico Municipal -, realizar-se-á uma conferência, subordinada ao tema, “A Filosofia da Saudade e a Saudade da Filosofia”, no próximo dia 9 de Outubro.

A não perder.

J.M.M.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

UMA AUTOBIOGRAFIA DA RAZÃO. A MATRIZ FILOSÓFICA DA HISTORIOGRAFIA DA CULTURA DE JOAQUIM DE CARVALHO




EDIÇÃO: Imprensa da Universidade de Coimbra (2015, 452 p.).

LANÇAMENTO:

DIA: 16 de Junho (17,30 horas);
LOCAL: Biblioteca Geral Universidade de Coimbra (Sala S. Pedro);
ORADOR: Professor Fernando Catroga
«Uma autobiografia da Razão» é um estudo de significação da opera omnia de Joaquim de Carvalho (1892-1958), historiador das ideias, da cultura e da filosofia,  catedrático em Coimbra e o grande animador e director (1921-1934) da Imprensa da Universidade, obra estabelecida dentro daquela grande inquietude do nosso tempo, à qual só uma resposta humanista aniquiladora da cultura sem alma ‘puramente técnica’ e superadora do ‘tipo intelectual, que apenas se move no reino dos meios’ se impunha.
Ora, esse repto só seria perceptível se reconduzisse à via compreensiva o pensamento racional, crítico e analítico; e o incorporasse numa hermenêutica da contemporaneidade,  para a qual a escola se deveria autoconstituir como aparelho privilegiado ao aprofundar, como criação paidêutica, um estilo de pensamento dialógico que reconhecesse à alteridade os mesmíssimos direitos de cidade que à ipseidade outorgava.
A esta epistemologia da cultura democrática, de fuga espinosiana e leibniziana  (pois não é só o de jure transcendental kantiano mas a outridade monadológica que atravessa o prisma de luz), se entregou em busca de uma clara formulação política que ele mesmo enunciou na praça pública e continuaria a repetir, por vezes na surdina epistolar, aos exaustos ouvidos epocais – matraqueados internamente pelo desumano volume das demonstrações da evidência e da evidência da força e pela salvífica pressão e repressão totalitária que incendiando a Europa, na propaganda, na proibição, na polícia, na morte, matava as expectativas da liberdade cerradas à parede pelo voluntarismo das «democracias orgânicas» völkish ou pela fantasia perfeccionista da cientificidade das ‘democracias populares’»
J.M.M.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

IV ENCONTRO DE JOVENS INVESTIGADORES DO CEIS 20

Vai realizar-se na Casa da Escrita, em Coimbra, entre 14 e 16 de Novembro de 2013, o IV Encontro de Jovens Investigadores do CEIS 20, da Universidade de Coimbra.

O encontro decorre entre o Auditório do CEIS 20, o Café Santa Cruz e e a Casa da Escrita, com temas que vão desde a Sociologia, o Direito, a Antropologia, a Comunicação Social, a História, entre outros.

De entre os temas de História que vão ser apresentados permita-se-nos o destaque para os seguintes trabalhos em curso ou em fase de conclusão:

14 de Novembro

Estado, Soberania e Nação (Auditório do CEIS 20)
Moderação: Jorge Pais de Sousa
Oradores:
Vera Matos: “Do Risorgimento à República”
Daniel Gomes: “A problemática da construção do Estado-nação africano”

Arquivo, Memória e Imaginação (Casa da Escrita)
Moderação: Clara Serrano
Oradores:
Nuno Coelho: “O design da embalagem em Portugal no século XX”
Joana Duarte Bernardes: “O horizonte azul: a escrita da vida, linhas da história nas trincheiras da Grande Guerra”
Sérgio Neto: “Pagine di Guerra: Imaginários Musicais da Grande Guerra”

16h30 Mesa Redonda - Nos corredores do Ministério dos Negócios Estrangeiros: caminhos e percursos da investigação diplomática
Moderação: Sérgio Neto
Oradores:
Clara Serrano, Isabel Valente e Lina Madeira

15 de Novembro 
Ciência da História e História da Ciência (Auditório do CEIS 20)
Moderação: Joana Duarte Bernardes
Oradores:
Paulo Archer: “Joaquim de Carvalho e a historiografia das ciências”
Pedro Ricardo Fonseca: “Darwin em Portugal: contribuições para a metodologia dos estudos receção”
Geórgia Lima: “Oliveira Vianna e Estado Novo Brasileiro”
Inês Cruz: “Crime, insanidade e jurisprudência”

O programa completo e detalhado do evento pode ser consultado AQUI.
Com os votos de sucesso para esta iniciativa.

A.A.B.M.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

SÍLVIO LIMA [1904-1993]


Não há maior tortura que a solidão forçada” [Sílvio Lima – citado por Carlos Leone]

Sílvio Lima [Sílvio Vieira Mendes Lima] nasce em Coimbra a 5 de Fevereiro de 1904. Depois de fazer os seus estudos secundários [escreve um livro de poemas, "Maldades", 1921] ingressa na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, mudando posteriormente para a Faculdade de Letras, onde se licencia (9 de Julho de 1927) em Ciências Históricas e Filosóficas, com o seu incontornável "Ensaio sobre a ética de Guyau nas suas relações com a crise moral contemporânea".

Segue os estudos académicos [sob proposta do dr. Joaquim de Carvalho – de que foi assistente - e curiosamente de Gonçalves Cerejeira, com quem polemiza mais tarde – vide o ensaio filosófico, “Notas críticas ao livro do Sr. Cardeal Cerejeira, A Igreja e o pensamento contemporâneo”, Livraria Cunha, 1930, livro aliás, que, pela sua posição crítica, conduz a exoneração posterior de Sílvio Lima da Universidade], onde atinge raro brilhantismo na área da psicologia, estudando a “problemática da vida do inconsciente” (área pouco comum de análise académica), frequenta estágios no estrangeiro [Paris, Genebra, Bruxelas] e apresenta a sua dissertação para Doutor, com o tema, “O problema da recognição – estudo teórico-experimental”, nas provas do dia 29 de Junho de 1929, com aprovação de 19 valores. Torna-se professor auxiliar de Ciências Filosóficas [onde rege a cadeira de Psicologia Escolar e Medidas Mentais, na secção de Ciências Pedagógicas] em 1931. O ex-estrangeirado Sílvio Lima irá marcar o estudo e o ensino das ciências sociais em Portugal. O seu livro (raríssimo), logo apreendido pela censura, “O Amor Místico. Noção e Valor da Experiência Religiosa” (vol I) [Impr. U. Coimbra, 1935] trouxe ao debate anti-dogmático [temerário, diga-se, pelo impacto que teve na época] que manteve com o cardeal Cerejeira [seu antigo proponente, à iniciação académica] o inefável cónego Trindade Salgueiro [na altura professor de teologia no Seminário e mais tarde bispo de Elvas], que, de imediato [na revista "Estudos", do CADC, nº 93-96] condenou a obra ["invectivando o racionalismo" e sugerindo uma pretensa filiação maçónica de Sílvio Lima - cf. Miguel Real, Sílvio Lima - Filósofo sem Filosofia] e o autor [como todos os do meio católico fizeram], tornando-o objecto da repressão do regime.  

Republicano [“libertário, na sua perspectiva intelectual e sergiana, de tipo social e reformista” - cf. Luís Reis Torgal, “Estados novos, estado novo: ensaios de história política e cultural”, vol I] colabora no jornal “Gente Nova” [1927-28], órgão do Centro Académico de Coimbra (sob edição de Carlos Cal Brandão, e colaboração de Vitorino Nemésio e Paulo Quintela). Opositor ao regime da ditadura saída do 28 de Maio de 1926, é demitido – com base do Decreto-Lei nº 25317, como aconteceu a outros professores e intelectuais – pelo Estado Novo, do seu lugar da Faculdade, em 13 de Maio de 1935. Afastado de toda a vida escolar e universitária, escreve nos periódicos [O Primeiro de Janeiro, Diário de Lisboa], publica diversos ensaios sobre educação cívica e desporto, sempre numa abordagem filosófica.

É reintegrado [pelo então ministro Mário de Figueiredo, estando na pasta da Justiça o seu cunhado Adriano Vaz Serra] na Universidade a 22 de Janeiro de 1942, aí regendo a cadeira de “Teoria da História” [lições que circulam via sebentas, porque nunca foram publicadas], tendo-se aposentando em 1961. Durante esse período de regresso à Universidade a sua produção teórica na psicologia, pedagogia e teoria da história manifesta-se profícua, com a publicação de novas obras, intervenções em conferências e congressos, revelando mesmo uma curiosa atenção à produção literária nacional, com diversas recensões aos novos escritores.

Democrata, integra em 1945 o MUD, assina petições de oposicionistas presos (caso de Ruy Luís Gomes), fez parte da Comissão Nacional de Defesa da Liberdade de Expressão [cf. Luís Reis Torgal, ibidem], apoia em 1962 a luta dos estudantes da Universidade de Coimbra, participa nas comemorações do 5 de Outubro. Em 1975 (1 6de Abril) é reintegrado como professor catedrático, aposentado, no que foi uma homenagem “ainda em vida” ao professor e intelectual.

Morre a 6 de Janeiro de 1993.

[A CONSULTAR]: Biblos, vol IV, Coimbra, 1979 | Paulo Archer de Carvalho, “Sílvio Lima, um místico da razão crítica (Da incondicionalidade do amor intellectualis”, Impr. U.Coimbra, 2009 | Obras Completas de Sílvio Lima, II vols, FCG, 2002 | Sílvio Lima, por Carlos Leone | Sobre Sílvio Lima, de EduardoLourenço | Sílvio Lima - Filósofo sem Filosofia, de Miguel Real

J.M.M.

sábado, 7 de abril de 2012

O MUNDO DAS SETE PARTIDAS DE FERNANDO NAMORA


Vai realizar-se na próxima quinta-feira, 12 de Abril de 2012, pelas 18 horas, na Casa Museu Fernando Namora, em Condeixa, uma conferência assinalando o 93º aniversário do nascimento do escritor Fernando Namora.

Pode ler-se na sinopse do evento:
A Casa Museu Fernando Namora celebra, no próximo dia 12 de Abril, o 93º Aniversário deste vulto da cultura portuguesa, que nasceu a 15 de Abril de 1919, com uma palestra "O mundo das sete partidas de Fernando Namora".

Esta sessão será apresentada pelo Doutor Paulo Archer de Carvalho, que abordará a relação de Fernando Namora com Condeixa e de Condeixa na obra escrita e pictórica do jovem Namora.

Neste dia será, ainda, inaugurada uma exposição "Dedicatórias de Namora a Urbano Tavares Rodrigues", resultante de um novo acervo documental adquirido pela Câmara Municipal de Condeixa.


A informação e o convite para o evento que retiramos daqui.

Um evento a acompanhar com atenção e com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

PAULO ARCHER NO "CAFÉ COM HISTÓRIAS"


III SESSÃO DO "CAFÉ COM HISTÓRIAS" [COIMBRA - LIVRARIA ALMEDINA]

PALESTRA: "Presença e presencistas (um vão da escada na Cidade Proibida)";
ORADOR: Paulo Archer;
DIA: 13 de Outubro (18 horas)
LOCAL: Livraria Almedina (Coimbra)

"A revista Presença e aqueles que nela fizeram parte vai servir como mote à sessão do Café com História, "Protagonistas, memórias e realidades de Coimbra dos séculos XIX e XX", que se realiza dia 13 de Outubro, pelas 18h. Com entrada livre, a apresentação está a cargo do investigador Paulo Archer de Carvalho.

'Presença e presencistas (um vão da escada na Cidade Proibida)' é o tema da sessão, que se centra na publicação Presença, lançada em Coimbra em 1927, uma das mais influentes revistas literárias portuguesas do século XX, sendo publicados 54 números até à sua extinção em 1940.

Paulo Archer de Carvalho refere-se à Presença como 'um dos últimos baluartes da autónoma intervenção cultural e artística coimbrã no século XX". A publicação defendeu a criação de uma literatura mais viva, oposta ao academismo e jornalismo rotineiro.

E é exactamente sobre isso que Paulo Archer de Carvalho vai falar na sua intervenção: 'a Presença como resistente liberdade, no momento em que a ditadura se abate sobre a sociedade portuguesa e se constitucionaliza como «viver habitualmente'.

Dos 'presencistas', destaca-se o espírito crítico não só dos fundadores, como também de Joaquim de Carvalho, José Régio, Gaspar Simões, Casais Monteiro.

Paulo Archer de Carvalho, na sessão, fala ainda de Eduardo Lourenço e a tese da 'contra-revolução' modernista, para além da participação de Fernando Pessoa na Presença.

Próximas sessões [do Café com Histórias]:

27 de Outubro - 'Protecção social em Coimbra no século XIX', com Maria Antónia Lopes
10 de Novembro - 'António Aires Gouveia, um bispo maçónico?', com Vítor Neto
24 de Novembro - 'A cultura de oposição em Coimbra nas décadas de 50 e 60. Testemunho de um tempo de esperança', com António Arnaut" [ler AQUI]

J.M.M.