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terça-feira, 3 de março de 2015

PROENÇA, CORTESÃO, SÉRGIO E O GRUPO SEARA NOVA - LIVRO


Na próxima quinta-feira, 5 de Março de 2015, pelas 18.30 h, na sala D. Pedro V, na Faculdade de Letras de Lisboa, vai ser apresentada a obra cujo título se apresenta em epígrafe e que resultou do Colóquio realizado em 2009 acerca do tema.

Com org. de Amon Pinho, António Pedro Mesquita e Romana Valente Pinho, a obra conta com múltiplas colaborações que é possível perceber através da contracapa.

Pode ler-se no prefácio do Professor António Reis:
"O Colóquio sobre Proença, Cortesão, Sérgio e o Grupo Seara Nova, organizado por Amon Pinho, António Pedro Mesquita e Romana Valente Pinho na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 2009, constituiu um importante acontecimento académico e, sem dúvida, um dos mais fecundos encontros científicos jamais promovidos em torno do grupo seareiro e das suas mais relevantes personalidades. E tantos foram, desde os que ocorreram na década de oitenta do passado século, assinalando os centenários dos nascimentos dessas mesmas personalidades, até ao que se realizou já na primeira década deste século sobre António Sérgio e organizado pelo Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa. E, no entanto, de cada vez que nos aproximamos dos grandes vultos seareiros, somos sempre surpreendidos por novos ângulos de abordagem e originais aprofundamentos das múltiplas dimensões dos respectivos magistérios. Como se fossem filões inesgotáveis a inspirarem sucessivas vagas de pesquisa por parte de renovadas gerações de estudiosos". 
António Reis
do Prefácio

O Professor Doutor António Ventura, do Centro de História da FLUL, foi o convidado para apresentar a presente obra.

[NOTA: clicar na imagem para aumentar e/ou guardar para conseguir ler.]

A.A.B.M.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A TOLERÂNCIA – RAUL PROENÇA


Em Portugal não há tolerância, nem governamental nem pessoal. Num certo sentido, Portugal é uma nação de correligionários

… a tolerância (…) é a contra-partida da liberdade de pensamento. É reconhecermos nos outros o que nós queremos e exigimos para nós. É aceitar nos diferentes um igual direito à vida. Se A não tolera as opiniões de B, é porque não reconhece em B a liberdade de pensamento; isto é: A é um reacionário. Direi: o direito de pensar livremente é a liberdade vista por dentro; a tolerância a liberdade vista por fora. Na essência, uma única e uma mesma coisa.

Quem é contra a tolerância é contra a liberdade. E quem me pregar a liberdade, contanto que essa liberdade seja a de defender as sua opiniões e de não tolerar as dos outros, pode ir passear: a liberdade de alguns é a escravidão do resto, e o mais que se pode dizer de s. ex.ª é que é um belo estofo de ditador …

Raul Proença, "Opiniões de Depoimentos – A Tolerância", in “Alma Nacional”, nº 12, 28 de Abril de 1910, p. 189

FOTO: Raul Proença, em 1939, “isto é, após a provação do exílio e da doença”, in “O Pensamento especulativo e agente de Raul Proença”, de Sant’Anna Dionísio, Seara Nova, 1949

J.M.M.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

domingo, 8 de dezembro de 2013

PERFIS DOS HOMENS MAIS NOTÁVEIS DA PARVÓNIA POR UM CONHECEDOR DE ESPÉCIES RARAS – RAUL PROENÇA


[Ms] Perfis dos homens mais notáveis da parvónia por um conhecedor de espécies rarasRaul Proença [Outubro de 1907 ?]

Raul Proença, polemista temível e um dos maiores propagandistas da República, colaborou em diversos periódicos, desde os seus 20 anos. Em alguns, como o semanário “Círculo das Caldas”, “Democracia do Sul” (Montemor-o-Novo), “Semana Alcobacense”, “Heraldo de Tavira”, “O Republicano” (de Alcobaça), “A Vanguarda”, deixou prosa farta, irónica, combativa, mordaz.

De Raul Proença há um manuscrito de 9 pgs que “representa um documento vivo sobre a sociedade alcobacense da época”. De referir que Raul Proença vai residir em Alcobaça a partir de 1906, onde lecciona um curso particular. Num artigo seu publicado no “Círculo das Caldas”, em Novembro desse ano, afirma: “Sou republicano e livre-pensador por um ditame de consciência ou, por outras palavras, por um mandamento de moral” [in “O teatro”, nº 549 – cf. Daniel Pires, “Raul Proença. Polémicas”, 1988]

Desse manuscrito, que só se conhece o I fascículo, possivelmente datado [cf. Daniel Pires, ibidem] de Outubro de 1907, há uma curiosa referência que foi publicada no jornalDiário de Lisboa”, de 13 de Julho de 1978. [ver AQUI e AQUI] 
 
J.M.M.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

JAIME CORTESÃO NO EXÍLIO (1929)


JAIME CORTESÃO e esposa, Filipe Mendes e esposa, e Raul Proença, no exílio de Jaime Cortesão, em Boulogne-sur-Mer (1929)
FOTO via Casa Comum
J.M.M.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

AQUILINO RIBEIRO & RAUL PROENÇA [1921]


O meu avô Aquilino [Ribeiro] com o seu amigo Raul Proença, em 1921.

De Raul Proença, entre incomensuráveis qualidades, uma superlativa: a coordenação dos primeiros fascículos do "Guia de Portugal". Para mim será sempre o "Sr. Guia de Portugal", este extraordinário Raul Proença

[Aquilino Machado, via Facebook – com a devida vénia]
 
J.M.M.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

UMA FLOR NA CAMPA DE RAUL PROENÇA

 
Uma Flor na Campa de Raul Proença, de José Rodrigues Miguéis, BNP, 1985 [trata-se da reunião de textos publicados com o mesmo título no jornal “Diário Popular” nos dias 12, 19, 26 de Abril e 3 de Maio de 1979]

“Por essa época (1925-1926), do fundo da minha insignificância de novato, ousei um dia perguntar-lhe [Raul Proença], sem o reforço de elogios, se a polémica – o ‘cacete florido’ na sua expressão – não prejudicaria a obra do escritor de ideias, do organizador sem par que ele era, apto a formar e inspirar uma plêiade de eruditos e investigadores excepcionais. Sem deixar de admirar o combatente, era pela sua obra criadora que eu sobretudo receava, embora sem o confessar. Com o rosto aceso de fervor e a veemência concentrada que lhe era habitual, mas temperada pela brandura (pois nada de magister, do pedante, do bonzo ou padre-mestre havia neste chefe exigente e severo), Proença - lembro literalmente as suas palavras – respondeu: ’Não só não julgo que a Polémica seja o aspecto menos válido da minha obra como até talvez a considere o melhor’. Diante disto curvei-me

(Três anos depois eu poria o mesmo problema a António Sérgio, exilado em Paris: Não seria a Polémica o parasita da sua criação pessoal, de que tantos esperávamos? ‘Para escrever – tornou-se ele exaltado – eu preciso de ter o antagonista aqui na minha frente, como este tinteiro!’ E o tinteiro de estanho, uma antiguidade, espirrou um resto de tinta e algumas moscas mortas a razoável altura)”

inUma Flor na Campa de Raul Proença

J.M.M.

domingo, 30 de junho de 2013

GUIA DE PORTUGAL


GUIA DE PORTUGAL. Organização de Raul Proença [até ao vol II] e Sant’anna Dionísio. Oficinas Gráficas da Biblioteca Nacional de Lisboa [depois, a partir do vol III, Fundação Calouste Gulbenkian], Lisboa, 1924-1970, V vols em VII tomos [foi feita reedição de todos os volumes pela Fund. Calouste Gulbenkian – apresentação e notas de Sant’ana Dionísio]; responsável gráfico, Raul Lino.

A todos os que não desejam fazer perpetuamente justa a frase célebre de Montesquieu, ao dizer dos portugueses que tinham descoberto o Mundo, mas desconheciam a terra em que nasceram; este livro, inventário das riquezas artísticas que ainda se não sumiram na voragem, e das maravilhas naturais que ainda não conseguimos destruir, antologia de paisagistas, «vade-mecum» de beleza, roteiro dos passos dos portugueses enamorados, indículo das pequenas e grandes coisas, que requerem o nosso amor – pelo passado, pelo presente e pelo futuro – é Oferecido e Dedicado” [Raul Proençain edição primeva do I Vol., 1924] 

Trata-se de uma estimada obra de trabalho/memória colectiva, de minuciosos estudos monográficos, de grande valia e merecimento, levada a cabo pela iniciativa dinamizadora e o espírito luminoso de RAUL PROENÇA [vide o Prefácio, pelo próprio Raul Proença, no volume inaugural, publicado em Novembro de 1924 ou o curioso prefácio do II volume – 1927 -, já com Raul Proença perseguido pela Ditadura Militar e o Fascismo], quando Jaime Cortesão dirigia a Biblioteca Nacional, e que teve o apoio do “Grupo da Biblioteca” [António Sérgio, Aquilino Ribeiro, Câmara Reys e Raul Brandão] e o grupo da “Seara Nova” [cf. João B. Serra – ler texto AQUI].

O GUIA DE PORTUGAL [“monumento de patriotismo cultural” – cf. José Rodrigues Miguéis, “Uma Flor na Campa de Raul Proença"] contou com COLABORAÇÃO de valiosos autores, especialistas nos mais diversos domínios, os “melhores do seu tempo”, como:

A. Nogueira Gonçalves, Aarão de Lacerda, Abade de Baçal, Afonso Lopes Vieira, Alberto Oliveira, Almeida Fernandes, Amorim Girão, António Mendes Madeira, António José Teixeira, António Sérgio, Aquilino Ribeiro, Azevedo Gomes, Brito Camacho, Carlos Selvagem, Carrington da Costa, Diogo de Macedo, Egas Moniz, Eugénio de Castro, Félix Alves Pereira, Ferreira de Castro, Francisco Keil do Amaral, Garcês Teixeira, Gustavo Matos Sequeira, Hernâni Cidade, J. Pereira Barata, Jaime Cortesão, João Barreira, João de Barros, Jorge Dias, José de Figueiredo, José Rodrigues Migueis, Júlio Dantas, Luís Teixeira de Sampaio, Manuel Oliveira Ramos, Miguel Torga, Montalvão Machado, Orlando Ribeiro, Paulo Freire, Pedro Vitorino, Pina de Morais, Raul Brandão, Raul Lino, Reynaldo dos Santos, Rocha Madahil, Ribeiro de Carvalho, Rodrigues Lapa, Sant’ana Dionísio, Sarmento de Beires, Sarmento Pimentel, Silva Teles, Teixeira de Pascoais, Tomás da Fonseca, Vergílio Correia, Vítor Guerra, Vitorino Nemésio.

ORGANIZAÇÃO:

- I vol: “Generalidades. Lisboa e Arredores”, 1924 [org. por RAUL PROENÇA];

- II vol: “Estremadura, Alentejo e Algarve”, 1927 [org. por RAUL PROENÇA];  

- III vol: “Beira Litoral, Beira Baixa e Beira Alta”, 1944 [org. por “um grupo de amigos de Raul Proença” (R. P. morre a 20 Maio de 1941), que assinavam, Afonso Lopes Vieira, António Sérgio, Aquilino Ribeiro, Câmara Reys, Ferreira de Castro, Raul Lino, Reynaldo dos Santos, Samuel Maia e Sant’Anna Dionísio” e sob coordenação de Sant’ana Dionísio [a reed. do III vol dividiu-se em 2 tomos: tomo I (1993), “Beira Litoral” e tomo II (1994), “Beira Baixa e Beira Alta”];

- IV vol: “Entre Douro e Minho”, 1964/1965 [II tomos: I (1964), “Douro Litoral” e II (1965) “Minho”] [org. por Sant’ana Dionísio];

- V vol: “Trás-os-Montes e Alto Douro”, 1969/1970 [II tomos: I (1969), “Vila Real, Chaves e Barroso” e II (1970) “Lamego, Bragança e Miranda”] [org. por Sant’ana Dionísio].
 
FOTO via IN-Libris
 
J.M.M.

sábado, 18 de maio de 2013

O LIBELO – PELA REPÚBLICA! PELA LIBERDADE!


O LIBELO – Pela República! Pela Liberdade! [depois, “O jornal clandestino de maior circulação"] – nº 1 (31 Outubro de 1926) ao nº 8 (23 Agosto de 1927), Lisboa, VIII numrs.

Director: “Doutor X”; Redactor: “Libert Bell'.

Trata-se do periódico clandestino de oposição à ditadura militar saída do 28 de Maio de 1926. Tem colaboração (não assinada) de Raul Proença [cf. Raul Proença panfletário e jornalista de folhas clandestinas, 1984]. Refira-se que Raul Proença participou (se não foi ele o único redactor) no também periódico clandestino “Pelourinho”. Pelo “actividade” revelada teve de fugir a mandato de captura e passar à clandestinidade [sobre este assunto “Raul Proença” consultar o curioso “O Caso da Biblioteca”, editado pela BNP] e depois para o exílio.

1 (pdf) digitalizado AQUI [Hemeroteca Municipal]
1 ao nº6 AQUI digitalizado [Fundação Mário Soares]
7 digitalizado AQUI [Torre do Tombo]

J.M.M.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

EMENTA NUM ALMOÇO DE REPUBLICANOS (28 MAIO 1927)


"EMENTA autografada por presentes num almoço de republicanos a 28 de Maio de 1927 (enviada ao então exilado Raul Proença)" [via Biblioteca Nacional] 

J.M.M.

sábado, 20 de outubro de 2012

PELA GREI - ÓRGÃO DA LIGA DE ACÇÃO NACIONAL


PELA GREI. Revista para o Ressurgimento Nacional. Pela Formação e Intervenção de uma Opinião Pública Consciente: órgão da Liga de Acção Nacional

Ano I, Vol. I, nº 1 (Março 1918) ao nº 7 (20 de Maio 1919); Administração e Redacção: Rua do Salitre, 55, 3º, Lisboa; Editor e Director: António Sérgio; Secretário: Augusto Reis Machado; Impressão: Tipografia do Anuário Comercial, Praça dos Restauradores, 24 [ao nº 4, na Tip. da Renascença Portuguesa, R. dos Mártires da Liberdade, Porto]; 1918-19, 7 numrs

Colaboração: António Arroyo, António Sérgio, Augusto Celestino da Costa, Augusto Reis Machado, Constantino José dos Santos, Ezequiel de Campos, F[rancisco] Reis Santos, Jayme de Magalhães Lima, João Perestrello, Pedro José da Cunha, Raul Proença, Silva Telles.

"Publicada em Lisboa entre Março de 1918 e Maio de 1919, sob direcção de António Sérgio, Pela Grei assume-se como veículo para a regeneração nacional, inicialmente através do apoio ao Sidonismo (instaurado em 8 de Dezembro de 1917), mas evoluindo rapidamente para uma proposta autónoma (…)

No geral, a revista Pela Grei manteve sempre a mesma estrutura ou organização gráfica: um editorial a abrir, não assinado, seguido depois por artigos de fundo, assinados, sobre questões políticas, económicas, sociais, financeiras, educativas, demográficas, culturais (embora em menor número, merecendo destaque um artigo de Raul Proença, “O problema das bibliotecas em Portugal”, publicado nos números 1 e 3); finalmente, a fechar, incluía os ‘Depoimentos’ e sobretudo os ‘Comentários’, mais regulares, sobre a actualidade nacional e estrangeira, quase sempre da responsabilidade de António Sérgio e Ezequiel de Campos

[Álvaro Costa de Matos, in Ficha Históricaler TUDO AQUI]

Ficha Técnica LER AQUI.

J.M.M.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A SITUAÇÃO POLÍTICA


A política parece ter chegado entre nós – porque se não há-de dizer toda a verdade? – ao último grau da barafunda … O quadro é na verdade desolador … Toda a gente dá a impressão de gaguejar. Ninguém diz as coisas nítidas, precisas, leias, inteligentes – ninguém exprime a ideia justa e necessária, aquela que todos nós sentiríamos talhada na própria realidade, e que não traria ou amarca do interesse egoísta, ou a falha do simplismo unilateral, ou a inflação grotesca da retórica …

A moral política dia a dia mais se relaxa e perverte. As câmaras são já como que as antecâmaras das casas bancárias, e a política um meio e fazer fortuna. Quem entra na carreira começa por bramar contra as Finanças, adere depois ao conservantismo, penitenciando-se das verduras da mocidade, e acaba por se introduzir na gerência dos bancos, como fruto da idade madura. Esta evolução é por vezes acelerada, e só pode explicar-se, á face da biologia, por verdadeiro cataclismo de convicções …

Ou pensarão que só os esfarrapados e os que não tem de comer têm o dever de ser honestos?


Raul Proença, in Seara Nova, nº 49, de 15 de Dezembro de 1925.

J.M.M.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

RAÚL PROENÇA: EVOCAÇÃO


Assinala-se hoje o nascimento de um dos intelectuais republicanos mais influentes (10de Maio de 1884): Raúl Sangerman Proença.

A vida e obra de Raúl Proença, como publicista, professor e escritor marcou uma época. Porque colaborou em inúmeras pubicações desde as Caldas da Rainha ao Algarve, porque foi o principal animador da Seara Nova, bibliotecónomo na Biblioteca Nacional e introduzindo as novas regras de catalogação, pensador e político. Republicano, foi um dos grandes apologistas da participação de Portugal na Grande Guerra. Ligado ao movimento da Renascença Portuguesa, acaba por se afastar devido a divergências com Teixeira de Pascoais. Entretanto, conhece e começa a conviver com António Sérgio, Jaime Cortesão, David Ferreira, entre outros e formam o denominado Grupo da Biblioteca que depois colaboraram com ele na elaboração do Guia de Portugal.

Com a queda da República, Proença assume uma posição crítica face à Ditadura Militar e começam os problemas com o regime. Em 1927 é obrigado a exilar-se e apesar do seu regresso passado algum tempo surgem (4 anos de exílio, primeiro, em Madrid e depois Paris), os problemas de saúde e a partir de 1931 agravam-se e é mesmo internado numa instituição de saúde mental.

Vem a falecer, no Porto, em 20 de Maio de 1941.

Mais do que analisarmos os seus dados biográficos, que existem com alguma qualidade AQUI, AQUI ou AQUI, interessa divulgar o seu pensamento, as suas ideias e as suas polémicas, como estas AQUI, AQUI, ou AQUI.

Uma efeméride para recordar.
A.A.B.M.

domingo, 22 de abril de 2012

LIVROS PROIBIDOS NO REGIME FASCISTA (I)


O EXPRESSO (por José Pedro Castanheira) apresenta na edição de 21 de Abril (pp 22-23) uma inventariação de obras proibidas durante 1933-1974 – “Os 900 livros que o Estado Novo censurou” – recorrendo ao trabalho encetado (em 2003) por José Brandão. A listagem já tinha sido anteriormente publicada pela Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista (Maio de 1981, 124 pgs), mas na verdade não esgotou o rol de publicações censuradas e apreendidas pela Ditadura.

De outro modo, há um curioso zelo (ou enfado ... será?) na não divulgação da opiniosa, quanto sublime, prosa presente nos despachos dos censores (sob este assunto acompanhe-se o trabalho porfiado de José Pacheco Pereira na Ephemera). E, o que é admirável nisto tudo, é a inexistência (que se saiba) de qualquer investigação sobre as recomendações publicados nos jornais (ou em Cartas ao Director) pelos “nossos” censores indígenas (alguns escreviam sob pseudónimo) que em artigos se insurgiram contra a circulação dessas obras ditas “blasfemas”, que “minavam a juventude”, o regime e a civilização. Seria curioso testemunhar esse apostolado reaccionário, bem como entender a ligação que mantinham com sectores institucionais ligados à perpetuação da ditadura. O branqueamento desta questão (como de outras) é quase total. O silêncio é d’oiro!



[a continuar]

J.M.M.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

DOS SALVADORES!


O que mais me importa na Sociedade é que ela seja para mim uma garantia, que me inspire confiança. ‘Com o que eu posso contar?’ – eis a questão essencial.

Tenho necessidade de me sentir em segurança, de pisar um mundo sólido, consistente, que se me não furte debaixo dos pés, que não me reserve surpresas, ciladas, armadilhas, alçapões. Portanto, antes de mais nada, antes dos caminhos de ferro, das estradas, das quedas de água, dos canais: o sentimento de segurança. O direito garantido, protegido – real, concreto, eficaz. Fim dos guet-apens, das escaladas nocturnas, dos golpes de Estado, das salvações.

Não mais sermos salvos por mais ninguém – que impressão de inefável serenidade! Como será bom quando tivermos a repousante certeza de estarmos, enfim, salvos dos salvadores


Raul Proença, Seara Nova, nº 246, 16 de Abril de 1931

J.M.M.

terça-feira, 26 de abril de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

CRUZADA NUN’ÁLVARES – PARTE II


Inspirada e tutelada por Martinho Nobre de Melo [1891-1985, ministro da Justiça de Sidónio Pais, prof. de Direito, embaixador e director do Diário Popular], a Cruzada Nun’Álvares contará nas suas fileiras com personalidades tão diferentes entre si como os cruzados Abel de Andrade, Afonso Lopes Vieira (monárquico integralista e autor da letra da "Canção da Reconquista"), Afonso Lucas, Afonso Miranda (da Vanguarda Nacional, 1936), Alberto Pinheiro Torres (no Porto), Alfredo Pinto Sacavém (Lisboa), Almeida d’Eça, Anselmo de Andrade, Anselmo Braamcamp Freire (foi presidente da Direcção Geral em 1921), Antero de Figueiredo (no Porto), António Bivar de Sousa, António Homem de Gouveia (no Funchal), António Pereira de Matos (presidente), António Teixeira Lopes (escultor), Armindo Monteiro (Vice-presidente), Assis Gonçalves (secretário de Salazar e antigo vogal da Cruzada), Beleza dos Santos (em Coimbra), Caeiro da Mata, Canto e Castro, Carlos Malheiro Dias, Costa Lobo (foi presidente), Cunha e Costa, Egas Moniz, Farinha Beirão (general), Ferreira do Amaral, Filomeno da Câmara, Fortunato de Almeida (em Coimbra), Gomes da Costa, Gonçalves Cerejeira (em Coimbra), Henrique Trindade Coelho (fundador e um dos seus principais obreiros), Hermano José de Medeiros (Unionista), Hipólito Raposo (da sua Junta Consultiva), Jacinto Nunes, João de Barros, João de Castro Osório, João de Deus Ramos, José Alberto dos Reis, José Nunes da Ponte (no Porto), José Pereira de Sousa (nacional-sindicalista), Manuel Rodrigues (Vice-presidente), Mário Pessoa da Costa (Estremoz), Oliveira Salazar (pertenceu à distrital de Coimbra), Óscar Carmona, Pacheco de Amorim, Pequito Rebelo (presidente), Pinto Coelho, Schiappa de Azevedo, Sidónio Pais (membro honorário), Tamagnini Barbosa, Tomas de Mello Breyner, Zuzarte de Mendonça (fundador), entre muitos outros – ler uma análise detalhada da sua estrutura dirigente, e ao longo das diferentes fases da organização, AQUI]

Percorrendo diversas fases na sua expansão, a Cruzada Nun’Álvares, vai conseguindo uma ampla convergência entre republicanos e monárquicos, tornando-se numa poderosa organização elitista conservadora, em que a palavra de ordem era o velho ideário de "ressurgimento nacional" [lema muito antes enunciado pelo Congresso Nacional – incentivo à intervenção cívica das elites sociais para superar a crise. De referir que este "intervencionismo elitista" não é, como bem refere Miguel Dias Santos (“A Contra Revolução na I República”), um exclusivo do pensamento indígena, podendo encontrar-se em pensadores tão diferentes como Tocqueville, Spengler, Maurras ou Schmitt - promovido pela Liga Naval Portuguesa, em 1910, e posteriormente avançado pela União Patriótica (1913, promovida por Lino Neto, Pereira de Matos, Costa lobo, entre outros), pela Liga Nacional (1915-18, com Aires de Ornelas, Luís de Magalhães, adeptos da “democracia aristocrática” e do “governo de competências”), Liga de Acção Nacional (1918-19, onde pontificavam António Sérgio e Ezequiel de Campos), depois pela Cruzada Nuno Álvares, pelo Núcleo de Ressurgimento Nacional, pela União Cívica ou, mais tarde, pela própria União Nacional – ver Ernesto Castro Leal, ibid].

O ódio à democracia [“essa enfermidade do século”], o esquecimento da “soberania divina” e os “deveres para com Deus”, a defesa da “tradição” [tradição providencialista] e da “raça” ou o “regionalismo” fizeram escola entre os movimentos católicos [em especial o Centro Católico], os integralistas e (neo)monárquicos [atente-se em José Fernando de Sousa (Nemo), Pacheco de Amorim, Pinheiro Torres, Pinto Coelho, Luís de Magalhães, Aires de Ornelas, Alfredo Pimenta, Cunha e Costa, António Sardinha, Almeida Braga, Caetano Beirão, Homem Cristo Filho, Vasco de Carvalho, João de Almeida, Paiva Couceiro, Azevedo Coutinho ou Sinel de Cordes – ver Miguel Dias Santos, op. cit.] e, deste modo, o pensamento antimoderno assim espargido faz ressuscitar os teóricos da contra-revolução [Marquês de Penalva, padre Agostinho de Macedo, Fortunato de S. Boaventura, José da Gama e Castro, por exemplo], trazendo consigo o reforço do autoritarismo, a opção ditatorial e a propaganda do fascismo.

A Cruzada Nun’Álvares foi, sem margem para dúvidas, um desses pólos aglutinadores da construção ideológica autoritária e fascista do Estado Novo. Dela se ocupou Raul Proença (já a partir de 1921 e até 1926), que nas páginas da revista Seara Nova antecipadamente (e solitariamente) a combate [”O Manifesto da Cruzada Nun’Álvares", de 4/5 Dezembro 1921; “O Fascismo e as suas repercussões em Portugal”, de 6 de Março 1926; “O Fascismo”, artigo de 15 de Abril 1926; ou “Uma apologia do Fascismo”, datado de 13 de Maio desse ano], polemizando com os “nacionalistas fascizantesFilomeno da Câmara, Trindade Coelho e Martinho Nobre de Melo, que lhe responderam no Diário da Manhã [Trindade Coelho, Resposta ao sr. Raul Proença, de 13 Dezembro de 1921] e na Reconquista [ver p. ex. Martinho Nobre de Melo, O sr. Raul Proença e as minhas ideias, nº1; ou O Antifascismo de Raul Proença. Crocodilos Humanitários, nº5], entrando curiosamente na polémica o inefável monárquico integralista Leão Ramos Ascensão ao publicar o opúsculo “O Fascismo e o Anti-Fascismo e a Monarquia Hereditária” (Coimbra, 1926), onde Raul Proença é apodado de “enraivecido adversário do fascismo” [ver sobre todo este assunto, João Medina, Os Primeiros Fascistas Portugueses, separata da Vértice, Coimbra, 1978].

FOTO: "Delegados da Confederação Académica e da Cruzada Nuno Álvares, com o sr. presidente da República", em 24 de Março de 1927 - viaTorre do Tombo.

[a continuar]

J.M.M.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

RAUL PROENÇA – OBRA POLÍTICA


RAUL PROENÇAObra Política, Seara Nova, Lisboa, 1972 (1975), IV vols

"Uma República nova? Sim, uma República nova, mas que, ao contrário da do Sidónio Pais, se prepare em plena luz, e não na escuridão e no silêncio das alfurjas revolucionárias; viva do apoio dos republicanos, e não do dos monárquicos; trabalhe para a realização das ideias radicais, e não das conservadoras; e seja, enfim a salvação definitiva da República, e não a mise-en-scène da restauração monárquica. Sidónio quis renovar a República, e, em vez de caminhar no sentido do futuro, pôs-se aos recuos para o passado. Não há talvez maior exemplo de ininteligência política do que a obra desse pobre grande homem amado das condessas, que ara salvar a República a entregou nas mãos dos seus inimigos!"

Raul Proença, in Obra Política de Raul Proença, vol II, p. 123 (aliás in Seara Nova, nº2, 5 de Novembro de 1921)

J.M.M.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

RAUL PROENÇA - PANFLETO


Raul Proença, "Perdoar, Não! Carta Aberta ao director de O Século", panfleto datado de 20 de Fevereiro de 1927

via Ephemera, com a devida vénia.

J.M.M.