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sábado, 29 de junho de 2019

NO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE RAMON MACHADO DE LA FERIA (1919-2003)





Ramon Machado de La Feria nasceu na freguesia de São Salvador, concelho de Serpa a 27 de Junho de 1919. Era filho de Helena da Ascensão do Prado Machado e do médico republicano e ilustre maçon Ramon Nonato de La Feria 


[nascido a 18 de Julho de 1886, em Serpa – cf A.H.de Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria, vol. 1, p. 563; bacharel em medicina e republicano militante do partido Unionista, de Brito Camacho; é ele que anuncia a boa-nova da implantação da Republica ao povo de Serpa; combateu em França na I Grande Guerra e foi um íntegro combatente contra o Estado Novo, foi preso por diversas ocasiões (na sequência da revolta da Madeira; entre 1937-1939, curiosamente acusado de integrar a maçonaria - Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 29, registo nº 5776), presidiu (1925) à direcção do Grémio Alentejano; pertenceu ao MUD e esteve sempre presente nos diversos combates eleitorais; Ramon Nonato de La Feria foi iniciado na Maçonaria com o n.s. de Claude Bernard, em 1914, na Loja Cândido dos Reis, onde teve diversos cargos, entre eles de Venerável; pertenceu ao Supremo Conselho do grau 33 do REAA, tendo sido eleito Presidente do Conselho da Ordem para o período de 1927-29 e 1930, demitindo-se, neste ano, a 12 de Setembro; integrou, em 1930, a Comissão de Estudos Profanos do GOLU, que presidiu – cf. António Ventura, Uma História da Maçonaria em Portugal, p, 698, 736; integra, em 31 de Março de 1935, o Conselho da Ordem, então presidido por Maurício Costa, mantendo-se no cargo até ao 25 de Abril de 1974; morre a 10 de Novembro de 1970, em Lisboa]


Frequenta os seus estudos liceais no Liceu Camões (em Lisboa), cursou medicina na Universidade de Lisboa (no Campo Santana), ingressando na carreira médica com a especialidade em Anestesiologia Cardíaca. Chefe de clínica, foi desde 1960 responsável pelos Serviços de Anestesiologia e Reanimação do Hospital Pulido Valente. Teve copiosos trabalhos de investigação publicados e diversos cargos na Ordem dos Médicos  e da Liga dos Direitos do Homem


Como estudante universitário foi preso a 28 de Março de 1947, por mandado de captura do inspector da PIDE, capitão José Catela, e enviado para a cadeia do Aljube. Tinha-lhe sido atribuído o crime de ter assinado em nome da direcção universitária de Lisboa do MUD Juvenil (como outros seus companheiros: José Carlos Gonçalves, Fernando Pulido Valente, Joaquim Ângelo C. Rodrigues e Carlos Gomes) e distribuído, um panfleto ciclostilado intitulado “Em defesa da Universidade” e onde se verbera a iníqua detenção do estudante da Faculdade de Ciências (e também membro do MUD Juvenil – organização ilegal e clandestina para a PIDE) Mário Ruivo. Teve como seu defensor em Tribunal Plenário, o advogado João Manuel da Palma Carlos. Cumpriu pena de prisão em Caxias, com perda de direitos políticos por cinco anos.    




Isto é, desde a primeira hora que Ramon Machado de La Feria marcou a sua posição contra o salazarismo e o Estado Novo. Republicano assumido, pertenceu à direcção do MUD Juvenil e integra ao longo da sua vida diversos centros republicanos, assumindo mesmo a Presidência da Comissão Permanente das Assembleias Gerais dos Centros Republicanos de Lisboa, “procedendo à reestruturação das instituições [republicanas] que chegaram até ao 25 de Abril” – cf. António Valdemar, República, 10 de Dezembro de 2003, p. 8. -, presidindo às Comissões Cívicas da Comemoração do 5 de Outubro até à sua morte. 


Em 1952, estando a cumprir o serviço militar como oficial miliciano, foi de novo detido pela PIDE (no Aljube e Caxias, durante 2 meses e meio) por “envolvimento num movimento de oficiais milicianos ligados a Henrique Galvão” [António Valdemar, ibidem] contra Salazar. Em 1968 é de novo preso no Aljube e em Caxias, acusado de ser um dos responsáveis da tentativa de derrube do regime, com apoio de um grupo de militares. Já em 1973, enquanto presidente da Ordem dos Médicos, Ramon Machado de La Feria é preso por ter denunciado em público a intervenção da PIDE no assassínio do estudante do MRPP, Ribeiro dos Santos. Depois de Abril de 1974, integra o MDP/CDE e depois filia-se no PS.  


Em Fevereiro de 1973, seguindo os passos do seu ilustre pai, inicia-se na Maçonaria com o n.s. de Marat, na Loja Simpatia e União [A Loja Simpatia e União, foi das poucas oficinas que não abateram colunas; tinha em Abril de 1974 cerca de trinta e seis obreiros – ver Casa 4. A Loja dos Grão-Mestres Sympathia e União 1859-2009, p. 108], por proposta do então Grão-Mestre Luís Hernâni Dias Amado [n.s. Zacuto Lusitano]. Pertenceu, em 1975, à Loja Cândido dos Reis (ver Manuel Poirier Braz, Eu Maçon me Confesso, p. 38 e ss; foi nesta loja que o seu pai tinha sido iniciado), tendo sido nomeado Grande Secretário das Relações de Justiça do Conselho da Ordem, depois Presidente do Conselho da Ordem Interino (1975 e 1976); atinge o grau 18 (cavaleiro Rosa-Cruz) em 1975, o grau 25, em 1977, grau 30, em 1979 e o grau 33, em 1980, com um curioso trabalho “Maçonaria - Sociedade Iniciática”, integrando o Supremo Conselho do Grau 33 do REAA. Em 1987 pertence ao quadro da Loja José Estêvão. Com um notável curriculum maçónico, é eleito como Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano para o período entre 1990 a 1993, tendo como Adjuntos António [Maria Lobo de Vasconcelos] Corte-Real e Mário de Sousa Dias. Data desse período uma “grave querela” que opõe o REAA e o RF. 


Foi associado do Internato de S. João, integrando por diversas vezes a sua direção, foi sócio da Escola-Oficina nº1, presidiu à Mesa da Assembleia Geral do Centro Republicano Almirante Reis, do Centro Republicano Fernão Botto-Machado, do Centro Republicano da Ajuda e foi membro da Comissão de Romagem aos Heróis de 5 de Outubro (Cemitério do Alto de S. João). A 25 de Julho de 1989 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade.   


Morre vítima de doença prolongada a 25 de Maio de 2003


J.M.M.

sábado, 11 de maio de 2019

CONFERÊNCIA – AQUILINO RIBEIRO, CARBONÁRIA E MAÇONARIA



CONFERÊNCIA: Aquilino Ribeiro, Carbonária e Maçonaria

ORADOR: Prof. António Ventura [Centro de História da FLUL];

DIA: 16 de Maio 2019 (10,15 horas);
LOCAL: Biblioteca Nacional de Portugal (Campo Grande 83, Lisboa);

A Biblioteca Nacional de Portugal acolhe no próximo dia 16 de Maio de 2019 um Colóquio consagrado à figura e à obra de Aquilino Ribeiro. A partir da oportunidade oferecida pelo centenário da primeira edição do romance Terras do Demo (1919), esta iniciativa está centrada na análise dos anos que decorreram entre o regresso de Aquilino a Lisboa, vindo do seu primeiro exílio em Paris, e o início do segundo exílio do escritor, ditado pela sua participação na frustrada tentativa de derrube da ditadura militar, em Fevereiro de 1927.
 
Os participantes no Colóquio estão convidados a explorar a Lisboa de Aquilino, articulada entre os seus diversos lugares de residência na cidade, o Liceu Camões, onde ensinou, e a Biblioteca Nacional, na qual ingressou pela mão de Raúl Proença e Jaime Cortesão. Estarão também presentes a França e a Alemanha que observou nestes anos e veio a transpor para títulos tão importantes como É a Guerra e Alemanha Ensanguentada.
 
Numa época marcada pela I Guerra Mundial e pela implantação da República em Portugal, este é um dos mais sugestivos períodos da vida do grande escritor que foi Aquilino Ribeiro, marcado pela escrita de viagens, pela criação de personagens intemporais como as que dão vida a O Malhadinhas e ao Romance da Raposa ou, ainda, pelos textos que compôs para o Guia de Portugal de Raúl Proença.
 
A par deste Colóquio, será inaugurada uma exposição biobibliográfica ilustrativa da temática debatida no evento. A exposição estará patente na Sala de Referência da Biblioteca Nacional entre 16 de Maio e 30 de Agosto, com entrada livre. O Colóquio «Aquilino, Anos 20: entre o exílio e as geografias de Lisboa» é organizado conjuntamente pelo Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa (CEG-ULisboa) e pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CLEPUL), em parceria com a Biblioteca Nacional de Portugal.

 
Esta iniciativa é realizada no âmbito das actividades do grupo de investigação ZOE – Dinâmicas e Políticas Urbanas e Regionais do CEG e do grupo de Investigação Literatura e Cultura Portuguesas do CLEPUL. A Exposição beneficia da colaboração complementar do Arquivo e da Biblioteca da Escola Secundária de Camões” [AQUI] - sublinhados nossos]
 
A não perder.
 
J.M.M.

terça-feira, 15 de abril de 2014

FRANCISCO XAVIER DA CUNHA ARAGÃO (Parte III)

Em 1924 serve como chefe de gabinete do ministro da Guerra, Ribeiro de Carvalho. Reingressa, a seguir na aviação. Assume as funções de Adjunto da Direcção de Aeronáutica e inspector da nova arma, sendo o responsável pela criação do Conselho Nacional do Ar, onde fica a exercer funções como secretário perpétuo. Foi um dos responsáveis pela criação dos serviços de aviação civil em Portugal.

Em 1926, já com a patente de tenente-coronel, foi nomeado sub-director de Aeronáutica. Com a queda da I República nesse mesmo ano, Cunha Aragão adopta uma atitude expectante face à Ditadura Militar durante algum tempo. Ainda em Dezembro de 1925, tinha sido nomeado para uma comissão que procurava estudar a reorganização militar colonial e a que pertenciam os coronéis Luís Augusto Ferreira Martins, Manuel Rodrigues da Silva Lopes, pelos majores António Germano Ribeiro de Carvalho e pelo capitão Paulo Augusto do Rego e presidida pelo general Massano de Amorim. Logo após a revolução de 28 de Maio (21 de Junho de 1926), a comissão foi demitida e nova comissão foi constituída que era presidida pelo general Ernesto Maria Vieira da Rocha e a que pertenciam também os coronéis Ferreira Martins, António Baptista Júnior, Manuel Rodrigues da Silva Lopes, Aberão César Faria Graça, os majores Genipro da Cunha de Eça Costa Freitas e Almeida, António Leite de Magalhães, entre outros.

Segundo Sarmento Pimentel, nas suas Memórias, já na tentativa revolucionária de Fevereiro de 1927 teria tentado juntar ao grupo dos revolucionários, dois dos homens, que em sua opinião teriam maior influência na zona da Guarnição de Lisboa, que eram precisamente Cunha Aragão e Ribeiro de Carvalho, que nessa altura estariam politicamente próximos de Mendes Cabeçadas e de Cunha Leal. Hesitando muito quanto à posição a adoptar, o certo é que Cunha Aragão faz publicar no jornal Portugal "entendo que não devo ser partidário do actual governo. Considero pernicioso para a República e para o Exército a vitória dos homens que se revoltaram no Porto e os meus deveres de lealdade obrigam-me a cumprir as ordens que me forem dadas"[apud Luís Farinha, O Reviralho. Revoltas Contra a Ditadura e o Estado Novo, 1926-1940, Editorial Estampa, Lisboa, 1998, p. 38]. A situação de Cunha Aragão começa a definir-se mais claramente quando ele se assume claramente como um critico do Acto Colonial, manifestando o seu crescente desencanto com a Ditadura Militar. Concomitantemente, a ordem de prisão de Cunha Leal nos Açores, em Maio de 1930, torna inevitável que um conjunto de militares até ali próximos dele se afastem da Ditadura Militar e passem a defender cada vez mais uma via revolucionária.

O Governo da Ditadura Militar verificando que era importante apaziguar as Forças Armadas, procura reforçar a ligação a um conjunto de figuras de prestígio da instituição, agraciando com várias comendas personalidades que tendo demonstrado a sua fidelidade ao regime republicano, mantinham o respeito pelos objectivos enunciados pela Ditadura Militar. Assim, Cunha Aragão foi agraciado com a Ordem Militar de Avis [Diário do Governo, II Série, nº 256, de 31-12-1927, p. 4408].

A portaria de 26 de Julho de 1928, no governo presidido pelo general Vicente de Freitas, estudava-se a possibilidade de construir um aeroporto nos Açores. Constituiu-se então uma comissão para estudar essa possibilidade, uma vez que a aviação era um meio cada vez mais utilizado para aproximar o continente das ilhas. Essa comissão era presidida pelo general Sinel de Cordes, com a vice-presidência do general Roberto Baptista, como vogais constavam o contra-almirante Gago Coutinho, o capitão de fragata Afonso de Cerqueira, o Dr. Alberto Xavier, como secretário-geral do Ministério das Finanças, o Dr. José Duarte Pedroso, como director dos negócios políticos e diplomáticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Dr. Diocleciano Feio de Carvalho, secretário-geral do Ministério do Comércio e Comunicações [Diário do Governo, II Série, nº 171, de 28 de Julho de 1928, p. 2665].

O poder político reconhecendo o poder cada vez maior da aviação decide criar no início de 1929 o Conselho Nacional do Ar [Decreto nº 16 424, de 22 de Janeiro, Diário do Governo, I série, nº 22, de 26 de Janeiro de 1929, p. 289-290) de que Francisco Xavier da Cunha Aragão viria a ser secretário-geral. Este órgão dispunha de amplos poderes em matéria consultiva como transportes, defesa nacional, correios, relações coloniais e comerciais, acordos diplomáticos, entre outros aspectos.

A aviação portuguesa começava a ser reconhecida internacionalmente e Cunha Aragão era um dos pioneiros nessa tarefa. Assim, em Junho de 1929, foi convidado a participar na Comissão Internacional da Navegação Aérea, que se realizou em Paris. Além do aviador português, o Governo português enviou também o Professor José Lobo de Ávila Lima para o assessorar nas questões jurídicas, já que era catedrático na Faculdade de Direito de Lisboa e trabalhava como adido do Ministério dos Negócios Estrangeiros [Diário do Governo, II série, nº 132, 11 de Junho de 1929, p. 1974].

Em 1931, participa na Revolta da Madeira, e sendo tenente-coronel de Aeronáutica, recebe um louvor do ministério presidido por Domingos de Oliveira em 30 de Janeiro de 1931, “pela maneira inteligente, grande dedicação e inexcedível actividade” com que exerceu as funções de secretário do Conselho Nacional do Ar [Diário do Governo, II série, nº 28, 4 de Fevereiro de 1931, p. 414]. Tinha elaborado então um relatório sobre a importância dos Açores para os progressos da Aeronáutica. Foi demitido das suas funções porque passou ao exílio em Espanha e mais tarde a França, onde se juntou aos exilados da Liga de Paris

Durante o episódio revolucionário da Madeira, em 11 de Abril de 1931 percorre alguns pontos da província, lançando panfletos e manifestos onde se apelava à revolta das populações contra a Ditadura Militar. Segundo os relatórios enviados pela embaixada inglesa nesse período e recolhido na obra de João Soares, sobre os acontecimentos, refere-se à fuga do Chefe de Serviço da Aviação (Francisco Xavier da Cunha Aragão) pelo aeródromo da Amadora e às prisões ocorridas, que levaram quase à paragem completa das actividades da aviação [João Soares (recolha e org.), A Revolta da Madeira, Perspectivas & Realidades, Lisboa, 1979]. 

No entanto, as afinidades de Francisco Aragão com as organizações revolucionárias foram recorrentes. Logo em 1932, ele e Ribeiro de Carvalho informam Bernardino Machado de que se encontravam desligados daquele tipo de movimentos. Aproveitando uma suposta amnistia em Dezembro de 1932, muitos exilados e deportados políticos regressam a Portugal, entre eles regressa também o nosso biografado que em Julho de 1933 vem a ser preso e colocado com residência fixa. Volta a reaproximar-se dos movimentos contestatários do regime e desloca-se a Vigo, para participar na reunião realizada em Setembro de 1933, a que assistiram também José Domingues dos Santos, Sarmento de Beires, Ribeiro de Carvalho, o coronel José Mascarenhas e o tenente João Pereira de Carvalho, procurando formar uma "Frente Única", conciliando interesses divergentes e partindo, sobretudo, dos ideais dos líderes políticos exilados em Paris. Em Dezembro desse ano, os chefes revolucionários, entre eles Cunha Aragão, encontram-se em Madrid para retirar conclusões de mais uma tentativa de revolta fracassada em meados de Novembro, em Portugal. Nessa reunião estiveram presentes também Ribeiro de Carvalho, Carlos Vilhena, Júlio Lapa, Prestes Salgueiro e Agatão Lança. Sobre alguns destes episódios podem encontrar-se documentos comprovativos destas situações na CASA COMUM AQUI.

Em 1933 acabou por ser demitido do Exército.

Procurando em permanência reanimar os diferentes grupos revolucionários, em 1935, aproveitando a vitória de Frente Popular em Espanha, muitos conspiradores voltam a sonhar com o derrube da Ditadura em Portugal. Sobretudo no Norte de Espanha concentrava-se um grande número de oposicionistas. Em Abril deste ano, após a constituição do Comité dos Amigos de Portugal, que reunia cerca de três dezenas de personalidades de várias influências políticas que procurava-se organizar várias formas de manifestação para protestar contra as violências cometidas pelo fascismo em Portugal. Uma dessas formas de protesto era a realização de um ciclo de conferências radiofónicas sobre a situação em Portugal. Porém, a intervenção enérgica do embaixador português em Madrid evitou que as conferências a emitir na Union Radio de Madrid tivessem sido canceladas. Segundo Luís Farinha as conferências seriam de Cunha Leal, Cunha Aragão, Agatão Lança e Prestes Salgueiro e estavam previstas serem emitidas entre finais de Abril e inícios do mês de Maio de 1935 [ Luís Farinha, O Reviralho. Revoltas Contra a Ditadura e o Estado Novo, 1926-1940, Editorial Estampa, Lisboa, 1998, p. 239, nota 131].

No entanto, em 1936, com o início da Guerra Civil de Espanha, torna-se complicada a situação dos exilados políticos. Alguns partem para Paris, poucos permanecem em Madrid, outros ainda aproveitam as amnistias de Salazar e regressam a Portugal ou vão para para o degredo para as colónias. Alguns dos resistentes vão defender a completa neutralidade face à Guerra Civil que se desenrolava no País, mas consideravam que havia um perigo eminente de perda de independência tanto de Portugal, como das colónias.

Cada vez mais desiludidos com os constantes fracassos e tentativas falhadas, alguns dos dirigentes revolucionários como Francisco Aragão ou Ribeiro de Carvalho acabam, em Setembro de 1939, por dar por finda a sua luta contra o regime, adoptando uma posição pacífica. Em meados de 1940 vamos encontrar várias dezenas de antigos exilados e antigos conspiradores a regressarem a Portugal. Entre eles encontramos o tenente coronel Cunha Aragão que acabou por ser detido tal como Jaime Cortesão e a esposa, depois do seu exílio em Espanha e França. Foi preso pela PVDE em 27 de Maio de 1940 juntamente com Jaime Cortesão, Álvaro Poppe, Maria Judith Zuzarte Cortesão, quando foi forçado a regressar do exílio em França devido à invasão das tropas nazis.

Depois deixamos de encontrar vestígios da actividade política de Francisco Xavier da Cunha Aragão. Sabe-se que foi casado com D. Georgina Pereira de Vasconcelos, oriunda de uma ilustre família açoriana que nasceu  na Sé de Angra a 2 de Setembro de 1892 e faleceu em Lisboa a 11 de Outubro de 1974. 

Nos anos cinquenta, vamos encontrá-lo na gerência Fábrica de Pirolitos ou Fábrica da Rocha, ainda com interesses na União das Fábricas Açoreanas de Alcool, da Ilha Terceira, quando em 1953, sob a direcção do tenente-coronel Francisco Xavier da Cunha Aragão, o edifício foi adaptado à instalação de novos equipamentos que prolongaram a sua actividade até ao sismo de 1 de Janeiro de 1980, em que foi destruída quase por completo [Valdemar Mota, "A Família Frederico de Vasconcelos na Economia Açoriana e no Museu de Angra", Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 2004, p. 262].

Condecorações recebidas:
- oficial de Legião de Honra;
- medalha de Torre e Espada;
- medalha da vitória com estrela; 
- medalha militar comemorativa da expedição, com a legenda »Sul de Angola, 1914-1915»;
- medalha de prata da classe de de Valor Militar;
- medalha militar de ouro de bons serviços;
- medalha militar de prata de comportamento exemplar;
- grau de cavaleiro, oficial e comendador das Ordens de Avis e de Cristo.
[GEPB, vol. 38,  Lisboa /RJ, p. 470].

Colaborou na Seara Nova, Luso Colonial e pontualmente em outros órgãos da imprensa.

PUBLICOU:
- Tropas Negras : as forças ultramarinas na defesa nacional, Lisboa, Ed. autor, 1926. - 166p.;
- Linhas aéreas em Angola, Lusocolonial,  Nº 16-17 (1928), p. 243-244.

Faleceu em 26 de Fevereiro de 1973.

[NOTAA fotografia que ilustra este texto foi retirada da Torre do Tombo e mostra Francisco Aragão a discursar durante o funeral do general Alves Roçadas em 29 de Abril de 1926 e pode ser encontrada AQUI].

A.A.B.M.

domingo, 6 de abril de 2014

A REVOLUÇÃO NA ILHA DA MADEIRA


LAVRADOR (José) — A REVOLUÇÃO NA ILHA DA MADEIRA. Depoimento para a história da política portuguesa. Editorial Alba (2ª ed.), Rio de Janeiro, 1931, 176 p.
"Refere-se o Autor – cônsul do Brasil – a acontecimentos ocorridos na vila de Machico, na Madeira, entre Fevereiro e Abril de 1931. Foi assim: quando a banca deixa de cumprir as suas obrigações perante os depositantes, por “falta de liquidez”, e quando os monopólios cerealíferos transformam o comércio em pura extorsão das populações, brota o desespero amotinado, com seus confrontos policiais, o saque de lojas e armazéns, etc... Mas uma ilha é como um barco! – Uma ratoeira sem saída, onde ganha o mais forte, aquele que estiver armado até aos dentes. E como o governo salazarista se achou pouco, ainda fez apelo à armada inglesa, a “invencível”.

Das condições pré-revolucionárias existentes na altura diz-nos, a certo passo, o Lavrador:

«[...] O Governo da Dictadura agglomerava de deportados a Ilha da Madeira. Era para ahi, que, depois de ligeiras estadias pelas possessões africanas portuguezas, seguiam, mais por um acto de benevolencia do proprio Governo, todos os chefes de goradas conspirações, de movimentos abortados ou revoluções vencidas.
Havia, entre os deportados, homens publicos notaveis pelo seu saber e de certo renome no paiz, altas patentes do exercito e da marinha, e tambem jornalistas e alguns funccionarios publicos.


É preciso ter estudado a psychologia das multidões para se poder comprehender o vulto que essas figuras tomavam na imaginação do povo madeirense. Ellas evidenciaram-se como verdadeiros martyres, sacrificadas por um ideal, sendo, assim, acolhidas com admiração, não só na intimidade das familias como tambem – principalmente os officiaes deportados – em fraternal camaradagem pelas forças aquarteladas na Madeira.

Deu-se o que era inevitavel. As idéas anti-situacionistas foram-se alastrando e, creando profundas raizes no espirito da collectividade, diffundiram-se por todas as classes. E o povo ficou completamente empolgado por essas idéas, convencido que nellas estava a sua propria redempção.

O espirito da revolta, que condensou todo o movimento militar, foi inspirado em amistoso convivio numa pensão da rua dos Netos, em Funchal, entre officiaes deportados e especialmente vindos com as tropas do Continente para manter a ordem. [...]»

via FRENESI
 
J.M.M.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

SEBASTIÃO JOSÉ DA COSTA

A propósito do que escreveu o Prof. António Ventura via Facebook, lembramos um dos homens do denominado Reviralho, que participou nas principais revoltas contra a Ditadura Militar (1927 e 1931), marinheiro, republicano, bibliófilo, seareiro, oposicionista e uma figura muito esquecida na cultura algarvia. Para ficarmos com uma breve ideia conviveu com António Sérgio, Raúl Proença, Afonso Costa, Camilo Pessanha e, recentemente, descobri também a sua paixão pela música, tendo trocado correspondência com o Maestro Viana da Mota ao longo de vários anos.

Aqui fica uma nota breve sobre a personalidade de Sebastião José da Costa.

Nasceu em Faro, em 2 de Junho de 1883. Desde bastante jovem alinhou politicamente ao lado dos republicanos (1905[1]). Quando se deu a implantação da República, Sebastião da Costa estava no Extremo Oriente, a bordo do cruzador Rainha D. Amélia, com a patente de 2º tenente. Este afastamento tinha já a ver com a sua actividade política, porque eram bem conhecidos os seus sentimentos republicanos e o ardor com que os propagandeava entre os oficiais da Armada, sendo um dos responsáveis pela rede de aliciamentos que existia neste ramo das forças armadas.


A carreira militar foi iniciada em 2 de Outubro de 1902, quando se alistou. No final desse mês ascendia a aspirante (29/10/1902), alcançando o posto de guarda-marinha em 21 de Setembro de 1906, foi depois promovido a 2º tenente em 19 de Março de 1909 e a 1º tenente em 24 de Agosto de 1917. Em 9 de Setembro de 1926 ascende ao posto de capitão-tenente, atingindo a situação de reforma em 2 de Junho de 1953[2]. A sua carreira militar foi também consagrada com variadas condecorações onde se destacam a de Oficial da Ordem de Avis, a medalha de prata militar, da classe de comportamento exemplar, a medalha da Vitória, medalha de prata do Ultramar, de campanha e diversas medalhas comemorativas das campanhas do exército português.

Em 1908, participou nas operações militares desenvolvidas na Guiné, o que lhe conferiu louvores por parte do Governador-geral daquela antiga colónia portuguesa.
Quando das invasões monárquicas no Norte do País, deu provas de dedicação, zelo e arrojo, o que lhe conferiu um louvor por parte do ministro da Marinha em 1912.
Durante a 1ª Guerra Mundial fez parte da guarnição do contra-torpedeiro Guadiana, onde participou em numerosos comboios para Inglaterra, França e outras regiões. Participou em serviços em zonas patrulhadas por submarinos inimigos e infestadas de minas.

Prestou serviço em numerosos navios, foi também instrutor na Escola de Alunos Marinheiros do Sul, capitão do porto de Olhão, director do posto radiotelegráfico de Faro, da primeira estação radiogoniométrica de Sagres e no Departamento Marítimo do Sul.

Comandou a canhoneira Cuanza, em 1921, mostrando-se muito activo no serviço de fiscalização da actividade pesqueira na região sul do País, realizando numerosas apreensões por transgressão dos regulamentos de pesca. Neste ano, fundou e dirigiu um jornal intitulado União Militar publicado em Tavira.

Durante a República, Sebastião da Costa exerceu o cargo de chefe de gabinete do Dr. Rodrigo Rodrigues, quando este foi governador de Macau entre 1923 e 1925.

A sua actividade política contra a ditadura foi iniciada com a participação no movimento revolucionário de Fevereiro de 1927. Sebastião da Costa foi um dos membros do comité revolucionário em Faro e considerado o chefe dos militares sublevados[3]. Devido a esta iniciativa foi  preso na Quinta da Torre, em Cacela. Foi afastado do serviço activo por força do decreto 13 137, de 28 de Maio de 1927.

Participou activamente na preparação e na revolta do Funchal em 1931[4], fazendo mesmo parte da Junta Central da Revolta. Segundo o Prof. Veríssimo Serrão, o 1º tenente Sebastião José da Costa, foi incumbido duma missão fundamental: foi enviado como delegado da Junta para obter o reconhecimento por parte da Inglaterra e da Espanha e, por outro lado, tentar obter um barco e armas de guerra[5].

Porém, devido ao fracasso deste evento, foi obrigado a exilar-se, sendo demitido da armada por envolvimento nos acontecimentos revoltosos da Madeira e dos Açores no dia 14 de Maio de 1931[6]. Algum tempo depois foi preso e julgado no Tribunal Militar de Santa Clara, sendo seu defensor nesta ocasião o brigadeiro Tamagnini Barbosa.

Em 1951 foi reintegrado na armada, quando era Ministro da Marinha o almirante Américo Tomás. Em 1 de Julho desse ano foi colocado na situação de reserva e mais tarde nomeado para fazer parte da Comissão de Domínio Público Marítimo, na qual se manteve até à reforma, quando fez 70 anos em 2 de Junho de 1953.

Sebastião José da Costa sendo um homem dedicado às questões culturais deixou essa faceta bem marcada, colaborando em diversas publicações e jornais. Segundo foi possível apurar colaborou entre outras: nos Anais do Clube Militar Naval, de Lisboa; na revista Alma Académica, número único, publicado em Faro por ocasião do aniversário de João de Deus, em Março de 1922; na Alma Nova, dirigida por Mateus Martins Moreno, nos primeiros números. Foi ainda um dos membros fundadores da redacção da revista Seara Nova, dirigida inicialmente por Raul Proença; colaborou ainda n’ A Revista, dirigida por José Pacheco, em Lisboa, entre 1929 e 1931. Colaborou esporadicamente com o Correio do Sul, de Faro; com A Ideia Republicana, da mesma cidade, entre 1928 e 1929; O Nosso Algarve, publicado na mesma cidade, entre 1925 e 1927; Vida Algarvia, entre 1929 e 1930; Correio Olhanense, publicado em Olhão entre 1921 e 1933. Foi o redactor principal do A União Militar, que se publicou em Tavira no início de 1922.

Trabalhou ainda alguns anos na agência noticiosa Reuters, dedicou-se a estudos sobre orientalismo e budismo. Estes interesses terão sido adquiridos aquando da sua passagem por Macau, onde conviveu com Camilo Pessanha, escrevendo artigos sobre a saudade enquanto sentimento e vocábulo tão utilizado pelos portugueses, pondo assim em questão, de forma elucidativa, um dos mitos construídos pelo nacionalismo literário português.

Na fase final da sua vida consagrou grande parte do seu tempo e dinheiro na aquisição de livros. Possuidor de uma vasta e rica biblioteca entrega parte da mesma para o Museu Marítimo de Faro. Nos últimos anos tinha deixado de escrever ou de publicar o que escrevia, pois não se encontram vestígios de textos da sua autoria, nem há indicações disso.

Faleceu em Lisboa, no Hospital da Marinha, em 2 de Julho de 1965, realizando-se o seu enterro para o cemitério do Alto de S. João.
 
A nota biográfica mais desenvolvida e a biobibliografia já se encontram publicadas nos Anais do Município de Faro, 2009-2010, vol. XXXVI, p. 216-239.

A.A.B.M.

[1] António Henrique de Oliveira Marques, A Literatura Clandestina em Portugal (1926-1932), vol. II, Fragmentos, Lisboa, 1990, p. 236
[2] Lista da Armada. Referida a 31 de Dezembro de 1954, Ministério da Marinha – Superintendência dos Serviços da Armada, Lisboa, 1954, p. 198.
[3] Libertário Viegas, Histórias à Solta nas Ruas de Faro, Faro, AJEA Edições, 2004, p. 141-142.
[4] Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal. Do 28 de Maio ao Estado Novo (1926-1935), Lisboa, Editorial Verbo, 1997, p. 203 nota 758. Constituíam a Junta Governativa da Madeira, chefiada por Adalberto Gastão de Sousa Dias os seguintes oficiais: coronéis Fernando Freiria e José Mendes dos Reis, majores Filipe de Sousa e Carlos Bragança Parreira, capitães Carlos Vilhena e Augusto Casimiro, 1º tenente Sebastião Costa, tenente Manuel Ferreira Camões e alferes Armando Hasse Ferreira.
[5] Joaquim Veríssimo Serrão, idem, p. 204.
[6] Joaquim Veríssimo Serrão, idem, p. 211.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

7 de FEVEREIRO DE 1927


"Em Fevereiro de 1927 ocorreram as mais importantes e sangrentas revoltas contra a Ditadura Militar.

No dia 3 no Porto, no dia 4 no Algarve e no dia 7 em Lisboa. No Porto houve uma centena de mortos e 500 feridos e em Lisboa 70 mortos e 400 feridos. Os presos, deportados, exilados, separados do serviço com metade do vencimento e demitidos da função pública ascenderam a muitas centenas.

Esta fotografia é muito conhecida e mostra dois dos chefes operacionais dos insurrectos republicanos no Porto, a serem conduzidos vendados para negociarem a rendição, depois de esgotadas todas as hipóteses de resistência: o oficial médico da Armada Jaime de Morais e o oficial do Exército Inácio Severino, ambos maçons.

Em Lisboa a revolta foi chefiada pelo coronel José Mendes dos Reis que tinha sido iniciado um mês antes na Loja Liberdade.

Em Faro, a revolta teve como principais elementos Vítor Castro da Fonseca, Inspector Maçónico do Algarve, e o oficial da Armada Sebastião José da Costa, que assumiu o comando da canhoneira «Bengo», e bombardeou as forças governamentais; não era então maçon, mas sê-lo-á em 1930. Da Junta Revolucionária de Tavira fizeram parte o conservador do Registo Civil Frederico António de Abreu Chagas e o comerciante Francisco Martins Entrudo Júnior, membros do Triângulo maçónico local"


J.M.M.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O REVIRALHO: REVOLTAS REPUBLICANAS CONTRA A DITADURA E O ESTADO NOVO: CONFERÊNCIA


No âmbito do ciclo de conferências Memória e Cidadania, organizadas pela Fundação Mário Soares, vai realizar-se na próxima quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013, pelas 18 horas, uma nova conferência.

A conferência está subordinada ao título O Reviralho: Revoltas Republicanas contra a Ditadura e o Estado Novo e estará a cargo do Prof. Luís Farinha.

Um evento a acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

3 FEVEREIRO DE 1927

Assinala-se hoje o início de uma das revoltas que procuravam impedir o curso dos acontecimentos iniciados com o 28 de Maio de 1926: o 3 de Fevereiro de 1927.

Esta revolta e outras que se seguiram até meados dos anos trinta, manifestam a oposição à Ditadura e muitos dos envolvidos nestes acontecimentos foram presos, deportados ou passaram pelo exílio longe de Portugal. Alguns afastaram-se destas contendas ao longo do tempo, outros continuaram a conspirar, de forma mais ou menos continuada para derrubar a Ditadura.




 


 


As imagens sobre os acontecimentos de 3 a 7 de Fevereiro de 1927 têm vindo a ser assinaladas no Almanaque Republicano desde o seu início, e marcam uma corrente de opinião que se opunha tenazmente contra a Ditadura Militar e continuou depois durante o Estado Novo a tentar restaurar a República, a Democracia e a Liberdade em Portugal. Os interessados podem consultar a etiqueta Reviralhismo  e Fevereiro de 1927, na parte direita do blogue.

Com a devida vénia, as imagens que relembram os acontecimentos foram retirados do Arquivo Fotográfico de Lisboa.

[actualizado]

A.A.B.M.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

JACINTO SIMÕES (FILHO) 1925-2010 – PARTE I


Jacinto Simões (filho), aliás José Jacinto de Sousa Gonçalves Simões, nasceu em Lisboa a 1 de Novembro de 1925. Seu pai, Jacinto Simões, com agitada vida política, era um indefectível republicano, com participação nas lutas em defesa da República e contra a ditadura.

[Jacinto Simões (pai), nasceu na Figueira da Foz a 7 de Novembro de 1886, tirou o curso de oficial miliciano (em 1918, era alferes do Serviço de Administração Militar) e licenciou-se (1920) em Direito [cf. Grande Enciclopédia Luso-Brasileira]. Republicano e maçon [cf. Jacinto Simões, in Pedro Manuel Pereira & António Neves Pereira, Casa 4 A Loja dos Grão-Mestres Sympathia e União 1859-2009, p.127], participa nas forças republicanas que combateram a revolta monárquica de 1919, em Monsanto e no Norte do País. Entre 1921 e 1926 é administrador do Porto de Lisboa [cf. Gr. Enc. Port-Bras.]. Com o pronunciamento militar de 28 de Maio de 1926, de Gomes da Costa, que põe termo à I República e estabelece a ditadura, Jacinto Simões (pai), conspira e na sequência da malograda revolta do Castelo (revolta dos Caçadores 7, no Castelo de S. Jorge, do dia 20 de Julho de 1928) é preso (ver Diário de Lisboa, 21 de Julho de 1928, capa) e enviado (em 1929?) para o exílio em Angola (cf. Casa 4, ibidem). Foge para França (1931?) e em Paris convive com os exilados políticos, Raul Proença, Jaime Cortesão, António Sérgio, Agostinho da Silva, ao mesmo tempo que frequenta os cursos livres de Sociologia, Filosofia e Direito Público na Sorbonne. Regressa a Portugal em 1933 (?Nota: nas escassas obras por nós consultadas, Casa 4 e Gr. Enc. Port-Bras., as datas, quer da sua ida para Paris, quer do seu regresso do exílio, não são coincidentes, o que levanta inúmeros problemas), e "exerce funções na Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal entre 1933 e 1936" (cf. Gr. Enc. Port-Bras.). Fez parte (Dezembro de 1943) da Comissão Executiva do MUNAF (juntamente com Piteira Santos, Bento de Jesus Caraça, José Magalhães Godinho, Francisco Ramos da Costa, José Moreira de Campos e Manuel Serra), que era presidido pelo general Norton de Matos e participa (após a célebre reunião política de 8 de Outubro de 1945 no Centro Escolar Republicano Almirante Reis) na constituição do MUD, fazendo parte da sua Comissão Central. Agastado pela divisão entre os oposicionistas, durante a campanha de Norton de Matos, decide abandonar a "política activa", regressando á Escola Veiga Beirão e exercendo a advocacia. Colaborou em várias publicações, como a Seara Nova, O Povo de Viana de Castelo e A Luta. Apoiou, ainda, a campanha de Humberto Delgado. Morre em Lisboa a 12 de Novembro de 1958]

Após completar os estudos liceais no liceu Camões, em 1943, Jacinto Simões (filho) ingressou na Faculdade de Medicina de Lisboa, participa no associativismo estudantil e conclui a licenciatura, em 1949, com 18 valores. Em 1946, Jacinto Simões entra para o MUD Juvenil e, no seu 4º ano de curso, é membro da Comissão Nacional Estudantil do MUDJ. Na data colabora na revista Seara Nova, "pela mão de Câmara Reis que tinha sido seu professor do liceu Camões" [cf. Casa 4, ibidem, p. 130].

[continua]

J.M.M.