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terça-feira, 3 de março de 2015

PROENÇA, CORTESÃO, SÉRGIO E O GRUPO SEARA NOVA - LIVRO


Na próxima quinta-feira, 5 de Março de 2015, pelas 18.30 h, na sala D. Pedro V, na Faculdade de Letras de Lisboa, vai ser apresentada a obra cujo título se apresenta em epígrafe e que resultou do Colóquio realizado em 2009 acerca do tema.

Com org. de Amon Pinho, António Pedro Mesquita e Romana Valente Pinho, a obra conta com múltiplas colaborações que é possível perceber através da contracapa.

Pode ler-se no prefácio do Professor António Reis:
"O Colóquio sobre Proença, Cortesão, Sérgio e o Grupo Seara Nova, organizado por Amon Pinho, António Pedro Mesquita e Romana Valente Pinho na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 2009, constituiu um importante acontecimento académico e, sem dúvida, um dos mais fecundos encontros científicos jamais promovidos em torno do grupo seareiro e das suas mais relevantes personalidades. E tantos foram, desde os que ocorreram na década de oitenta do passado século, assinalando os centenários dos nascimentos dessas mesmas personalidades, até ao que se realizou já na primeira década deste século sobre António Sérgio e organizado pelo Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa. E, no entanto, de cada vez que nos aproximamos dos grandes vultos seareiros, somos sempre surpreendidos por novos ângulos de abordagem e originais aprofundamentos das múltiplas dimensões dos respectivos magistérios. Como se fossem filões inesgotáveis a inspirarem sucessivas vagas de pesquisa por parte de renovadas gerações de estudiosos". 
António Reis
do Prefácio

O Professor Doutor António Ventura, do Centro de História da FLUL, foi o convidado para apresentar a presente obra.

[NOTA: clicar na imagem para aumentar e/ou guardar para conseguir ler.]

A.A.B.M.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

BERNARDINO MACHADO


► O Capitão Pina de Morais ao lado do antigo Presidente da República, Dr. BERNARDINO MACHADO, pouco depois do regresso do último a Portugal, em 1940. No segundo plano, o Dr. Ângelo Vaz e uma filha do Presidente.

in SEARA NOVA, nº 1270-1271, Janeiro de 1953

via Casa Comum
 
J.M.M.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

UMA FLOR NA CAMPA DE RAUL PROENÇA

 
Uma Flor na Campa de Raul Proença, de José Rodrigues Miguéis, BNP, 1985 [trata-se da reunião de textos publicados com o mesmo título no jornal “Diário Popular” nos dias 12, 19, 26 de Abril e 3 de Maio de 1979]

“Por essa época (1925-1926), do fundo da minha insignificância de novato, ousei um dia perguntar-lhe [Raul Proença], sem o reforço de elogios, se a polémica – o ‘cacete florido’ na sua expressão – não prejudicaria a obra do escritor de ideias, do organizador sem par que ele era, apto a formar e inspirar uma plêiade de eruditos e investigadores excepcionais. Sem deixar de admirar o combatente, era pela sua obra criadora que eu sobretudo receava, embora sem o confessar. Com o rosto aceso de fervor e a veemência concentrada que lhe era habitual, mas temperada pela brandura (pois nada de magister, do pedante, do bonzo ou padre-mestre havia neste chefe exigente e severo), Proença - lembro literalmente as suas palavras – respondeu: ’Não só não julgo que a Polémica seja o aspecto menos válido da minha obra como até talvez a considere o melhor’. Diante disto curvei-me

(Três anos depois eu poria o mesmo problema a António Sérgio, exilado em Paris: Não seria a Polémica o parasita da sua criação pessoal, de que tantos esperávamos? ‘Para escrever – tornou-se ele exaltado – eu preciso de ter o antagonista aqui na minha frente, como este tinteiro!’ E o tinteiro de estanho, uma antiguidade, espirrou um resto de tinta e algumas moscas mortas a razoável altura)”

inUma Flor na Campa de Raul Proença

J.M.M.

terça-feira, 12 de março de 2013

A REVISTA "SEARA NOVA" NOS ANOS 60 E 70

Hoje, pelas 18 horas, na Biblioteca Museu República e Resistência, vai ter lugar a primeira conferência deste ciclo de conferências subordinado ao tema Das Revistas Políticas e Literárias no Estado Novo.

O conferencista hoje é o Prof. António Reis, que vai analisar a revista Seara Nova no contexto das décadas de sessenta e setenta, com as posições dos autores sobre os acontecimentos políticos e culturais na época.

Com os votos do maior sucesso para a iniciativa.

A.A.B.M.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A SITUAÇÃO POLÍTICA


A política parece ter chegado entre nós – porque se não há-de dizer toda a verdade? – ao último grau da barafunda … O quadro é na verdade desolador … Toda a gente dá a impressão de gaguejar. Ninguém diz as coisas nítidas, precisas, leias, inteligentes – ninguém exprime a ideia justa e necessária, aquela que todos nós sentiríamos talhada na própria realidade, e que não traria ou amarca do interesse egoísta, ou a falha do simplismo unilateral, ou a inflação grotesca da retórica …

A moral política dia a dia mais se relaxa e perverte. As câmaras são já como que as antecâmaras das casas bancárias, e a política um meio e fazer fortuna. Quem entra na carreira começa por bramar contra as Finanças, adere depois ao conservantismo, penitenciando-se das verduras da mocidade, e acaba por se introduzir na gerência dos bancos, como fruto da idade madura. Esta evolução é por vezes acelerada, e só pode explicar-se, á face da biologia, por verdadeiro cataclismo de convicções …

Ou pensarão que só os esfarrapados e os que não tem de comer têm o dever de ser honestos?


Raul Proença, in Seara Nova, nº 49, de 15 de Dezembro de 1925.

J.M.M.

domingo, 20 de maio de 2012

DAS REVISTAS POLÍTICAS E LITERÁRIAS NA I REPÚBLICA


CICLO de CONFERÊNCIAS: Das Revistas Políticas e Literárias na I República

CONFERÊNCIA: "A Seara Nova (1921-1926) e a refundação da República";
ORADOR: António Reis (UNL-FCSH);
DIA: 22 de Maio (18 horas);
LOCAL: Biblioteca-Museu República e Resistência/Cidade Universitária, Lisboa);
ORGANIZAÇÃO: Biblioteca-Museu República e Resistência & Hemeroteca Municipal de Lisboa.

J.M.M.

terça-feira, 17 de abril de 2012

II CONGRESSO REPUBLICANO DE AVEIRO


II Congresso Republicano de Aveiro – Teses e Documentos. Textos Integrais, AA.VV. (capa de Santos de Almeida), Impressão Bertrand (Irmãos), Rua Sacadura Cabral, Edição Seara Nova, Lisboa, 1969, II vols (516+360 pgs)

Trata-se da Edição "sob patrocício e direcção do Secretariado do Congresso" - II Congresso Republicano de Aveiro - "segundo a ordem por que apareceram no programa das sessões".

Documentos dos seguintes Intervenientes: Álvaro Seiça Neves, Helder Ribeiro, Ferreira de Castro, Cunha Leal, Elina Guimarães, Rodrigues Lapa, Rui Grácio, José Rodrigues, José Esteves, César Anjo, J. Simões, Fernando Mouga, José Alberto Rodrigues, Manuela Azevedo, José Tengarrinha, Augusto da Costa Dias, António Macedo, Santos Simões, Raul Rego, Veiga Pires, Veloso Pinho, J. E. Anção Regala, Orlando de Carvalho, Vasco da Gama Fernandes, Virgínia Moura, Lobão Vital, M. da Costa e Melo, F. Abranches Ferrão, Limdim Ramos, Salgado Zenha, Duarte Vidal, Raul de Castro, Eduardo Ribeiro, José Rabaça, Rogério Fernandes, Flávio Martins, Alberto Pedroso, José Gaspar teixeira, Luís Francisco Rebelo, José Magalhães Godinho, A. Marcelino Mesquita, Vitor Sá, Armando de Castro, M. Dinis Jacinto, Urbano Tavares Rodrigues, Vitorino Magalhães Godinho, Armando Bacelar, José Henriques Varela, Óscar Lopes, Marta Cristina Araújo, Edito Gonçalves, Mário Soares, Sottomaior Cardia, Marcelo Campos, Blasco Hugo Fernandes, Manuel Augusto Araújo, Sérgio Ribeiro, Júlio Almeida Carrapato, Emídio Santana, Humberto Lopes, Aida Loureiro Magro, Álvaro Salema, Manuel Rodrigues Lapa, Rui Luís Gomes, José Morgado, Maria Lamas, F. Ramos da Costa, Flausino Torres, António Borges Coutinho, Augusto César Araújo, Manuel Sertório, Joaquim de Matos Pinheiro, Joaquim Mestre, Rui José Nobre Teixeira Filho, Manuel Teixeira Ruela.

FOTO via FRENESI

J.M.M.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

DOS SALVADORES!


O que mais me importa na Sociedade é que ela seja para mim uma garantia, que me inspire confiança. ‘Com o que eu posso contar?’ – eis a questão essencial.

Tenho necessidade de me sentir em segurança, de pisar um mundo sólido, consistente, que se me não furte debaixo dos pés, que não me reserve surpresas, ciladas, armadilhas, alçapões. Portanto, antes de mais nada, antes dos caminhos de ferro, das estradas, das quedas de água, dos canais: o sentimento de segurança. O direito garantido, protegido – real, concreto, eficaz. Fim dos guet-apens, das escaladas nocturnas, dos golpes de Estado, das salvações.

Não mais sermos salvos por mais ninguém – que impressão de inefável serenidade! Como será bom quando tivermos a repousante certeza de estarmos, enfim, salvos dos salvadores


Raul Proença, Seara Nova, nº 246, 16 de Abril de 1931

J.M.M.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

CINQUENTENÁRIO DA REPÚBLICA - SEARA NOVA


SEARA NOVA: Número Comemorativo do Cinquentenário da República, nº 1378-79-80. Agosto-Setembro-Outubro de 1960

Na Capa: Foto do Comício republicano realizado em Lisboa "para tratar de assuntos municipais" (21 de Março de 1909)

SUMÁRIO: Editorial [sobre o cinquentenário da República, com curioso desenho (1955) de Lima de Freitas] / "República Desconhecida", por António José Saraiva / "As primeiras leis da República e a mulher", de Maria Lamas / "José Félix Henriques Nogueira o primeiro republicano português", por José Tengarrinha / Jaime Cortesão [com um desenho "alusivo à tomada do forte de Monsanto ocupado pelos sediciosos monárquicos em 1919", de Francisco Valença] / "Passado e Presença da Seara Nova", por Câmara Reys / "Uma obra republicana fracassada: as Escolas Primárias Superiores", de J. Sant'Ana Dionísio / "A República e o Ensino Superior Científico", de J. Sant'Ana Dionísio / "Recordações de há meio século", por Galino Marques [curioso texto rememorativo da instauração da República] / "4 de Outubro de 1910", por Alexandre Miranda / "Unidade Republicana", de José Magalhães Godinho [com foto de Machado Santos] / "Cinquentenário da República e cinquenta anos de evolução económica portuguesa", de Armando de Castro / "O 5 de Outubro comemorado em França, Inglaterra e Brasil" [com fotos da deposição de flores no túmulo de Afonso Costa e do banquete que reuniu, em França, "centena e meia" de democratas portugueses] / "O Velho Gervásio", por Mayer Garção / "Jaime Cortesão - Notas para o estudo da sua figura e obra", por A. H. de Oliveira Marques / "Angelina Vidal e a sua contribuição para a implementação da República", de Lília da Fonseca / "Subsídios para o estudo do movimento Democrático em Portugal", por Alexandre Cabral / "Os homens da República e o ensino de teatro em Portugal", de Rogério Paulo / "A República e o Ultramar", por Augusto Casimiro [um texto bem curioso] / ... /

J.M.M.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

CRUZADA NUN’ÁLVARES – PARTE II


Inspirada e tutelada por Martinho Nobre de Melo [1891-1985, ministro da Justiça de Sidónio Pais, prof. de Direito, embaixador e director do Diário Popular], a Cruzada Nun’Álvares contará nas suas fileiras com personalidades tão diferentes entre si como os cruzados Abel de Andrade, Afonso Lopes Vieira (monárquico integralista e autor da letra da "Canção da Reconquista"), Afonso Lucas, Afonso Miranda (da Vanguarda Nacional, 1936), Alberto Pinheiro Torres (no Porto), Alfredo Pinto Sacavém (Lisboa), Almeida d’Eça, Anselmo de Andrade, Anselmo Braamcamp Freire (foi presidente da Direcção Geral em 1921), Antero de Figueiredo (no Porto), António Bivar de Sousa, António Homem de Gouveia (no Funchal), António Pereira de Matos (presidente), António Teixeira Lopes (escultor), Armindo Monteiro (Vice-presidente), Assis Gonçalves (secretário de Salazar e antigo vogal da Cruzada), Beleza dos Santos (em Coimbra), Caeiro da Mata, Canto e Castro, Carlos Malheiro Dias, Costa Lobo (foi presidente), Cunha e Costa, Egas Moniz, Farinha Beirão (general), Ferreira do Amaral, Filomeno da Câmara, Fortunato de Almeida (em Coimbra), Gomes da Costa, Gonçalves Cerejeira (em Coimbra), Henrique Trindade Coelho (fundador e um dos seus principais obreiros), Hermano José de Medeiros (Unionista), Hipólito Raposo (da sua Junta Consultiva), Jacinto Nunes, João de Barros, João de Castro Osório, João de Deus Ramos, José Alberto dos Reis, José Nunes da Ponte (no Porto), José Pereira de Sousa (nacional-sindicalista), Manuel Rodrigues (Vice-presidente), Mário Pessoa da Costa (Estremoz), Oliveira Salazar (pertenceu à distrital de Coimbra), Óscar Carmona, Pacheco de Amorim, Pequito Rebelo (presidente), Pinto Coelho, Schiappa de Azevedo, Sidónio Pais (membro honorário), Tamagnini Barbosa, Tomas de Mello Breyner, Zuzarte de Mendonça (fundador), entre muitos outros – ler uma análise detalhada da sua estrutura dirigente, e ao longo das diferentes fases da organização, AQUI]

Percorrendo diversas fases na sua expansão, a Cruzada Nun’Álvares, vai conseguindo uma ampla convergência entre republicanos e monárquicos, tornando-se numa poderosa organização elitista conservadora, em que a palavra de ordem era o velho ideário de "ressurgimento nacional" [lema muito antes enunciado pelo Congresso Nacional – incentivo à intervenção cívica das elites sociais para superar a crise. De referir que este "intervencionismo elitista" não é, como bem refere Miguel Dias Santos (“A Contra Revolução na I República”), um exclusivo do pensamento indígena, podendo encontrar-se em pensadores tão diferentes como Tocqueville, Spengler, Maurras ou Schmitt - promovido pela Liga Naval Portuguesa, em 1910, e posteriormente avançado pela União Patriótica (1913, promovida por Lino Neto, Pereira de Matos, Costa lobo, entre outros), pela Liga Nacional (1915-18, com Aires de Ornelas, Luís de Magalhães, adeptos da “democracia aristocrática” e do “governo de competências”), Liga de Acção Nacional (1918-19, onde pontificavam António Sérgio e Ezequiel de Campos), depois pela Cruzada Nuno Álvares, pelo Núcleo de Ressurgimento Nacional, pela União Cívica ou, mais tarde, pela própria União Nacional – ver Ernesto Castro Leal, ibid].

O ódio à democracia [“essa enfermidade do século”], o esquecimento da “soberania divina” e os “deveres para com Deus”, a defesa da “tradição” [tradição providencialista] e da “raça” ou o “regionalismo” fizeram escola entre os movimentos católicos [em especial o Centro Católico], os integralistas e (neo)monárquicos [atente-se em José Fernando de Sousa (Nemo), Pacheco de Amorim, Pinheiro Torres, Pinto Coelho, Luís de Magalhães, Aires de Ornelas, Alfredo Pimenta, Cunha e Costa, António Sardinha, Almeida Braga, Caetano Beirão, Homem Cristo Filho, Vasco de Carvalho, João de Almeida, Paiva Couceiro, Azevedo Coutinho ou Sinel de Cordes – ver Miguel Dias Santos, op. cit.] e, deste modo, o pensamento antimoderno assim espargido faz ressuscitar os teóricos da contra-revolução [Marquês de Penalva, padre Agostinho de Macedo, Fortunato de S. Boaventura, José da Gama e Castro, por exemplo], trazendo consigo o reforço do autoritarismo, a opção ditatorial e a propaganda do fascismo.

A Cruzada Nun’Álvares foi, sem margem para dúvidas, um desses pólos aglutinadores da construção ideológica autoritária e fascista do Estado Novo. Dela se ocupou Raul Proença (já a partir de 1921 e até 1926), que nas páginas da revista Seara Nova antecipadamente (e solitariamente) a combate [”O Manifesto da Cruzada Nun’Álvares", de 4/5 Dezembro 1921; “O Fascismo e as suas repercussões em Portugal”, de 6 de Março 1926; “O Fascismo”, artigo de 15 de Abril 1926; ou “Uma apologia do Fascismo”, datado de 13 de Maio desse ano], polemizando com os “nacionalistas fascizantesFilomeno da Câmara, Trindade Coelho e Martinho Nobre de Melo, que lhe responderam no Diário da Manhã [Trindade Coelho, Resposta ao sr. Raul Proença, de 13 Dezembro de 1921] e na Reconquista [ver p. ex. Martinho Nobre de Melo, O sr. Raul Proença e as minhas ideias, nº1; ou O Antifascismo de Raul Proença. Crocodilos Humanitários, nº5], entrando curiosamente na polémica o inefável monárquico integralista Leão Ramos Ascensão ao publicar o opúsculo “O Fascismo e o Anti-Fascismo e a Monarquia Hereditária” (Coimbra, 1926), onde Raul Proença é apodado de “enraivecido adversário do fascismo” [ver sobre todo este assunto, João Medina, Os Primeiros Fascistas Portugueses, separata da Vértice, Coimbra, 1978].

FOTO: "Delegados da Confederação Académica e da Cruzada Nuno Álvares, com o sr. presidente da República", em 24 de Março de 1927 - viaTorre do Tombo.

[a continuar]

J.M.M.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

RAUL PROENÇA – OBRA POLÍTICA


RAUL PROENÇAObra Política, Seara Nova, Lisboa, 1972 (1975), IV vols

"Uma República nova? Sim, uma República nova, mas que, ao contrário da do Sidónio Pais, se prepare em plena luz, e não na escuridão e no silêncio das alfurjas revolucionárias; viva do apoio dos republicanos, e não do dos monárquicos; trabalhe para a realização das ideias radicais, e não das conservadoras; e seja, enfim a salvação definitiva da República, e não a mise-en-scène da restauração monárquica. Sidónio quis renovar a República, e, em vez de caminhar no sentido do futuro, pôs-se aos recuos para o passado. Não há talvez maior exemplo de ininteligência política do que a obra desse pobre grande homem amado das condessas, que ara salvar a República a entregou nas mãos dos seus inimigos!"

Raul Proença, in Obra Política de Raul Proença, vol II, p. 123 (aliás in Seara Nova, nº2, 5 de Novembro de 1921)

J.M.M.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A SEARA NOVA E OS PROBLEMAS NACIONAIS DA I REPÚBLICA



CONFERÊNCIA: "A Seara Nova e os problemas nacionais da I República"
DIA: 17 de Setembro de 2010 (21,30 horas)
LOCAL: Museu Bernardino Machado (Vila Nova de Famalicão)
CONFERENCISTA: Prof. Dr. Sérgio Campos Matos
ORGANIZAÇÃO: Museu Bernardino Machado (Ciclo de Conferências 2009-2010)

J.M.M.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

COLÓQUIO - O GRUPO E A REVISTA SEARA NOVA



Colóquio - Proença, Cortesão, Sérgio e o Grupo Seara Nova: dias 28, 29 e 30 de Outubro, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Anfiteatro III). Org. pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa.

“Em comemoração dos 125 anos de nascimento de Raul Proença e de Jaime Cortesão e da passagem dos 40 anos da morte de António Sérgio, o Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa promove o Colóquio Proença, Cortesão, Sérgio e o Grupo Seara Nova.

Congregando especialistas e investigadores que se dedicam ao estudo do pensamento histórico-filosófico português contemporâneo, o colóquio visará proceder a uma análise aprofundada da vida e da obra destes três autores e discutir a relevância que o Grupo e a Revista Seara Nova tiveram na vida social, política, económica e cultural do país na primeira metade do século XX e até à actualidade.” [ler tudo, AQUI]

Consultar o Programa - AQUI.

J.M.M.

quinta-feira, 26 de março de 2009


LUÍS ANTÓNIO VERNEY - "VERDADEIRO MÉTODO DE ESTUDAR"

"O verdadeiro espírito patriótico, isto é, o zelo pelos verdadeiros interesses da Pátria e não pelas vantagens quiméricas, não só não se extinguiu em mim como aumentou sempre com o melhor entendimento que adquiri dos despropósitos nacionais e dos modos de corrigi-los ... Quanto ao resto, conheço o mundo como é, como vai, e como caminhará ..." [L. A. Verney]

in SEARA NOVA, Número Comemorativo do Segundo Centenário da Publicação do Verdadeiro Método de Estudar de Luís António Verney, nº 1016-7, 25 de Janeiro de 1947

J.M.M.

quarta-feira, 18 de março de 2009



O ADVENTO DA REPÚBLICA EM ESPANHA

in Seara Nova, Ano XI, nº 246, 16 de Abril de 1931

J.M.M.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

SEARA NOVA


SEARA NOVA - A perenidade do neo-realismo

Capa da revista Seara Nova, nº1497, de Julho de 1970

J.M.M.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

REGICÍDIO - UM TESTEMUNHO "SUSPEITO" (CONCLUSÃO)




Neste artigo final, com extractos dos textos publicados por Aquilino Ribeiro em 1922 e 1923, na revista Seara Nova, procuramos trazer a público as impressões, que um dos participantes directos nos acontecimentos, deixou como testemunho. Sabemos de antemão que não é imparcial nas suas análises, mas é um autor muito conhecido e que no ano passado o Almanaque Republicano dedicou alguma atenção a propósito da trasladação dos seus restos mortais para o Panteão Nacional.

Hoje pegamos no artigo publicado em 1 de Março de 1923, no nº 9, da referida revista, p. 226-229, para retirarmos algumas opiniões de Aquilino Ribeiro sobre D. Carlos e a família real. Dizia então Aquilino:

[...] Um rei com mão forte e inteligente poderia ter desviado o curso dos acontecimentos, e ter aproveitado essa pleiade que se nirvanizou ou se perdeu em guerrilhas singulares? De certo. Mas tudo se conjurava para que D. Carlos não fôra esse príncipe necessário e salvador.
Era um Bragança na acepção pejorativa do nome. «Os meus defeitos procedem de duas causas: - confessava ele, segundo os termos de Ramalho [Ortigão] - primeira, a hereditariedade na gestação do meu ser; segunda, a influência do meio em que nasci e me criei». Em D. Carlos, a matéria vibrátil - aquela sua timidez nativa, gosto da comodidade, prespicácia que não inteligência, bonomia pachorrenta e tolerante, todo aquele «não te rales» para tudo o que estivesse fora da sua esfera particular, pois aí não arregimentada a usos e preceitos, a sua actividade mostrava-se viva e expedita - era de todo Bragança. Coburgo no físico, na sensibilidade e carácter neto bem herdado daquele a quem a esposa bradava, num acesso de cólera contra o pusilânime: antes rainha uma hora que duquesa a vida inteira.

Tão pouco teve a educação do príncipe providencial. Qual poderia ser? De certo não essa que lhe ministraram, mecânica de todo, sem presa na alma, Tito Lívio, as armas, a dança, as línguas, de mistura com esse leccionário, todo de vitral, depressivo que não elevador, das glórias passadas dos seus avós e vassalos dos seus avós. Estou a ver o professor de história percorrer com dedo trémulo o mapa, em que poucas são as enseadas e terras remotas, que, no dizer de Vieira, se não infamassem do sangue português. Estou a ver o velho António Augusto de Aguiar penetrando-se e ao discípulo do veneno subtil que levanta o sacudir de todos esses brocados e nobres velharias duma história majestosa. E sinto o adolescente encher-se de ânsia e de inconsolável amargura. [...]


Estava-lhe na massa do sangue esse desinteresse pela causa pública, senão fastio atávico, que a pedagogia ad usum Delphini não saberia corrigir, e um concurso de cousas, uma péssima herança tanto social como política, a noção de pequenez da sua terra, ao compará-la - a piolheira - com outras de intenso trato e vulgo desconforme, noção que conta para todo o portuguesinho e muito mais para um neto de megalómanos, e desalenta, isso e a peia constitucional, esse temível contra-senso que ou torna o soberano logro dos governantes ou o povo logro de soberano, sempre em prejuizo do povo, vieram agravar esse mal ingenito dos Braganças - o desdém pela grei. Podia a Corte, como um crisol de nobreza e virtude, depurar esses vícios de de conformação ou externos do príncipe. Mas a Corte, espelho fiel daquela que cem anos antes Mme. Junot cobriu de ridículo e seu marido de ultrajes, carecia de inteligência e tacto diplomático e até de graça. Exultando parvoinhamente, tanto se não mais que o governo então no poder, subscreveu ao casamento de D. Carlos com D. Maria Amélia de Orleans, destronada e odiosa ao piovo sobre que reinou muitos séculos. E erro foi este com repercussões nefastas na vida doméstica dos Braganças e nos negócios políticos e internacionais da nação.

Uma maquinação surda, de longo folego, simulaneamente empenhada junto do princípe e da princesa, devia determinar essa aliança que a cortesania fácil baptisou de romance de amor. [...]


No domínio da política internacional, o consórcio Bragança-Orleans foi um lamentável desvio. Sob o ponto de vista de política interna, teve também a sua repercussão perniciosa, se não tão sensível, não menos eficiente. D. Carlos, se não era um liberal determinado, não vergava também aos preconceitos religiosos dos seus avós. Não era papa-hóstias como a caterva de D. Joões, nem um timorato perante os juizos de Deus como D. Pedro. Em alguma coisa, já que não em riquezas ou prestígio, devia ser herdado D. Carlos pela linha materna. Às cerimónias religiosas concorria como rei por obrigação. Escreveu Guerra Junqueiro, não sei com que fundamento, que, enquanto se celebravam exéquias por alma do pai, D. Carlos caçava.

Não era fanático, a princesa, ao contrário, conservava viva a tradição de piedade e de fervor que reinavam na família. D. Carlos tinha recebido uma acção educação laica, ministrada por homens que professavam as liberdades do século; D. Maria Amélia tinha sido formada pelas irmãs do Sacré-Coeur.[...]


Na personalidade de D. Carlos há todavia uma distinção a fazer: o rei e o homem. O rei era péssimo, o homem, pelo que li, pelo que ouvi, era óptimo.

No Campo das Salésias pude divisá-lo à vontade seguindo com visível desvanecimento e orgulho as evoluções duma companhia de artilharia, ao lado de Kaiser Guilherme II, seu hóspede. Era um homem sólido, de estrutura maçiça sobre o obeso, todavia não desprovido de agilidade. Pisava com facilidade e potência. Olhos móveis e maliciosos; filamento vermelhos de sangue a sulcarem-lhes a tez rósea do rosto, duma gordura reluzente e simpática; cabelos com leves relfexos ruivos, ligeiramente encaracolados. Em tudo um desses Coburgo que veem nas oleografias, cada vez mais acentuado à medida que os anos passavam por ele.

Guardei esta imagem do homem, a qual, mais tarde, quando a paixão política arrefeceu e me deixou a faculdade de exame, veio ilustrar luminosamente actos seus do domínio particular, tornados públicos, de bonomia, de delicadeza, de compreensível altivez.


Nos próximos dias propomo-nos continuar a trazer outras fontes da época e os acontecimentos vistos por outros intervenientes. Para concluir propomo-nos elaborar uma bibliografia detalhada sobre os acontecimentos, desde a época até aos nossos dias.

A.A.B.M.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

REGICÍDIO - UM TESTEMUNHO "SUSPEITO" (PARTE II)


Continuando a trazer à luz do dia o conjunto de artigos publicados por Aquilino Ribeiro, na Seara Nova, intitulados O Regicídio e os Regicidas. Neste caso, um artigo públicado no número 6, de 14 de Janeiro de 1922, sobre o Alfredo da Costa.

Dizia Aquilino Ribeiro:

[...] Foi no corrente de 1906 que R. P. [personalidade ligada à Carbonária que Aquilino não identifica - nota nossa] apresentou no Gelo esse rapaz de vinte e oito anos, alto, desengonçado de corpo, duma fisionomia séria, quase triste, a que ninguém ligou importância. Grandes olhos castanhos, lentos a mover-se, com uma fixidez por vezes de desvario, um nada de bardba loura no queixo, o nariz levemente amolgado sobre a esquerda. Provavelmente uma tuberculose descurada, que traiçoieiramente seguisse caminho, achatara-lhe o torax, aguçando-lhe os ombros e imprimindo-lhe já às costas uma quebratura perceptível. [...]

Alfredo da Costa foi este homem, lançado para a a cidade da sua aldeia alentejana, e que, dobrando-se sobre si, batido dos baldões, "se viu a marchar". Atrás, todo o atavismo da alma popular, opressões, tristeza, fatalismo, mansidão. Pela frente, o torvelinho do século, luz e sombras, ideias confusas, ideias desordenadas, ideias; a vida com as suas facetas; o homem em todos os seus planos.

Educou-se como pôde, que mais não foi do que abrir os olhos ao que via e tratar de compreender. Tudo o que era imediato recebeu-o; tudo o que era bradado alto, ouviu-o. Nada mais receptivo que a simplicidade do camponês; nada, ao mesmo tempo, que mais precise de síntese. Para a improvisação intelectual de Costa,a revolução prégada em 1906-1907 devia ser o fecho de abóbada, a ideia adequada. [...]


O seu republicanismo acabara por tornar-se exclusivamente num estado de consciência, soberano e despótico. Não lhe faltava nada para carrasco ou herói; coragem, decisão, porque não duvidava, o fanatismo que existe sempre que acima do espírito de flora paire um só pensamento.

Em Angra do Heroísmo fundou um jornal para defesa da classe dos empregados do comércio, e tão bem conduziu a campanha das suas reivindicações que, ao cabo de tempos, vigorava ali o repouso hebdomadário. Em 1903, em Extremoz, fez intensa propaganda republicana e daí começou a colaborar nos jornais de classe da capital, sempre o mesmo homem de fé e de dedicação sem limites. Foi caixeiro viajante, e presidiu à Associação dos Empregados do Comércio de Lisboa. Depois, mediante um pequeno capital, emprestado por mão amiga, fundou uma vaga empresa de livraria, A Editora Social, onde foram editados alguns folhetos contra o regime.

Encetou ainda a publicação em fascículos, distribuídos aos domicílios, dum romance de índole popular: A Filha do Jardineiro. Nele se pretendia aproveitar a voga duma quadra que ainda hoje corre pelas aldeias em que se recorda um pecado ou suposto pecado da juventude de D. Carlos. Os seus autores F. R. [siglas que escondiam nomes de figuras públicas que não queriam ser reconhecidas], um que já foi ministro da República e outro que assentou banca de publicista [alguns autores apontam o próprio Aquilino Ribeiro], propunham-se sob pseudónimo de Miguel Mirra agitar as multidões e atraí-las ao credo republicano. Apenas vieram a lume três capítulos. Nesta empresa embrionária e mal sucedida consumiu Costa o seu pecúlio, que não era muito. [...]


A 30 de Janeiro [1908], dia em que foi assinado o decreto da proscrição pura e simples, Alfredo da Costa, teve um encontro com o oficial da marinha, M. da C. [provavelmente Marinha de Campos] que lhe disse:
-Matem João Franco e dou-lhes a minha palavra que a revolução sai para a rua. A marinha e infantaria da marinha só esperam um sinal.
Costa busca reunir um bando de homens capazes. Furtam-se todos. [...]


Nos próximos dias concluiremos este conjunto de artigos, com muita informação sobre os regicidas e o regicídio que, certamente alguns estudiosos julgaram interessante e oportuno, enquanto alguns dos nossos ledores nunca teriam ouvido falar.

A.A.B.M.