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domingo, 8 de março de 2015

DIA 8 DE MARÇO


 
"Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma"
 
[Sophia de Mello Breyner, "O Mar nos meus olhos"]
 
J.M.M.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN


Há sempre um deus fantástico nas casas / Em que vivo …
 
“… O meu reino é meu como um vestido que me serve. E sobre a areia sobre a cal e sobre a pedra escrevo: nesta manhã eu recomeço o mundo”
 
 Pudesse o instante da festa romper o teu luto.
Ó viúvo de ti mesmo
E que ser e estar coincidissem
No um da boda
 
SALVÉ, Sophia!
 
J.M.M.

terça-feira, 10 de junho de 2014

PORTUGAL


«Desfralda a invicta bandeira/Á luz viva do teu ceu,/Brade a Europa á terra inteira/Portugal não pereceu!» [quadra inscrita no prato]
“Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino
nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
(...)
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca”
 
[Jorge de Sousa Braga]
 
O nosso drama de portugueses,
O nosso maior drama entre os maiores
Dos dramas portugueses,
É este apego hereditário à Forma:
Ao modo de dizer, aos pontinhos nos ii,
Às vírgulas certas, às quadras perfeitas,
À estilística, à estética, à bombástica,
À chave de ouro do soneto vazio
- Que põe molezas de escravatura
Por dentro do que pensamos
Do que sentimos
Do que escrevemos
Do que fazemos
Do que mentimos
 
 [Carlos Queirós, Anti-Soneto]
 
“outro é o tempo
outra a medida
 
tão grande a página
tão curta a escrita
 
entre o achigã e a perdiz
entre chaparro e choupo
 
tanto país
e tão pouco”
 
[Manuel Alegre]
 
“Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncios e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades”
 
[Sophia de Mello Breyner]
 
 
“Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...”
 
[Fernando Pessoa]

[J.M.M.]

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

ESTA GENTE - SOPHIA DE MELLO BREYNER



"Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo"


"ESTA GENTE", Sophia de Mello Breyner Andresen, in ”Geografia

J.M.M.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 DE ABRIL DE 1974




Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emrgimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
.

[Sophia de Mello Breyner]

FOTO 1: Salgueiro Maia in [entrevista a Adelino Gomes - AQUI]

FOTO 2: via Maria João Costa Facebook

J.M.M.