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sábado, 24 de abril de 2010

AO POVO PORTUGUÊS



"Ao Povo Português" - panfleto assinado pelo General Sousa Dias, Jaime de Morais (Comité Militar Central), Jaime Cortesão (Capitão médico miliciano e delegado do C.M.C. no Norte), Capitão Sarmento Pimentel (delegado do Comité Militar do Norte), João Pereira de Carvalho (do Comité Militar do Norte) - clicar para ler.

via Torre do Tombo.

J.M.M.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

CARTA DE ÁLVARO DE CASTRO AO GENERAL SOUSA DIAS


"Paris, 1-4-1927

Meu Caro Camarada:

Embora esta carta vá dirigida a uma pessoa certa e amiga, pode ser também recebida por outra qualquer, em virtude da indicação que leva, visto não haver a certeza onde se encontram os deportados pois o Governo tem feito o possível para ocultar os locaes de deportação.
É certo que a matéria da carta se destina a qualquer oficial deportado. Esta carta tem por fim levar aos deportados as minhas vivas e entusiásticas saudações pela sua heróica actuação em Lisboa e no Porto [‘durante a revolta de 3-9 de Fevereiro de 1927’] e transmitir-lhes a certeza de uma próxima vitória em que se está trabalhando. Portanto, a quem esta carta receber peço-lhe para comunicar o que deixo escrito e o mais que vae seguir-se.
Está-se preparando o movimento e tudo nos faz prever que a vitória não vem longe. Estamos aqui preparando o manifesto que se há-de dirigir ao país quando a revolução rebentar e entendemos que esse manifesto deveria ser assinado também por todos os oficiais deportados. Logo que esteja pronto se enviará, mas antes é preciso que venha resposta a esta carta. É urgente. Tem-se aqui reunido todos os exilados e com a presença do Dr. Afonso Costa e Jayme de Moraes, Álvaro Poppe (...), etc. O 1º ponto que se resolveu foi o seguinte: Saber se se devia, depois da revolução vitoriosa, convocar o Parlamento que foi dissolvido pela Ditadura; ou antes, organizar um Governo Provisório com amplos poderes para governar um período determinado até à reunião do Futuro Parlamento, abrindo-se o período eleitoral em prazo previamente marcado. Votou-se por unanimidade que se organizasse um governo provisório. Concordaram com esta solução todos os exilados que se encontram em Aymonte, Vigo, Badajoz e Madrid. De Portugal temos tido opiniões no mesmíssimo sentido. Aqui, a deliberação foi tomada porque se partiu do princípio que é necessário proclamar a Segunda República e que, portanto, não há que atender ao que existiu anteriormente ..."

[Carta de Álvaro de Castro ao general Sousa Dias, in "O General Sousa Dias e as Revoltas Contra a Ditadura 1926-1931", por A. H. de Oliveira Marques, Dom Quixote, 1975]

J.M.M.

DEPORTADOS DA REVOLTA DE FEVEREIRO DE 1927


"Transporte 'Infante de Sagres'

Em 6 [6 de Março de 1927], saiu de Lisboa, às 16 H 45, transportando forças descritas no 'Século' de 17.
Chegou a Leixões às 13 H de 7, começando o desembarque às 14 H. - o qual se concluiu às 21 H 30. Entraram os prisioneiros para bordo, permanecendo em Leixões até ao dia 13 às 19 H; quando foi levantado ferro para Lisboa, ancorando a O. Da Torre de Belém às 10 H do dia 14.
às 21 H 40 do dia 17 levantamos de Lisboa com rumo ao Sul indo fundiar na Baía da Baleeira (Sagres) às 11 H 35 de 18. Levantamos ferro em 19, às 13 H, com ordem superior para o Comandante de bandeira perder de vista terra e só então caminhar para Norte (?). O Com.te explica que é por causa dos boatos que circulam em Lisboa, e, portanto, para que, ao longo da costa, não se consiga seguir o 'Infante de Sagres' - dando margem a boatos de revolta no navio (!!!...).
Fundeamos a O. Da Torre de Belém às 4 H 30 de 20. Efectuei transbordo para o 'Lourenço Marques' às 10 H 45 deste dia.
Às 15 H, o meu filho, com os pequenos, vieram visitar-me, sendo-lhe recusada a entrada pelo Com.te João Batista de Barros (um 2º ten. foi-lhe pedir dizendo-me que estava renitente)"

[A Deportação para S. Tomé (Notas do general Sousa Dias), in, "O General Sousa Dias e as Revoltas Contra a Ditadura 1926-1931", org. por A. H. de Oliveira Marques, Dom Quixote, 1975, p. 55.

FOTO - 'Deportados políticos. Lazareto, Funchal, Dezembro de 1927. O general Sousa Dias é o 4º (sentado) a contar da esquerda' - retirada do livro, com a devida vénia]

J.M.M.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

SOUSA DIAS: " O RESISTENTE QUE FEZ TREMER A DITADURA"


"... O General Sousa Dias encontrava‑se no Porto, sob prisão e com baixa no Hospital Militar, quando eclodiu naquela cidade a revolta militar de 3 de Fevereiro de 1927, iniciada com a saída, pelas 04h30, do Regimento de Caçadores 9, seguido por uma Companhia da Cavalaria 6 e outra de Infantaria 18, por forças de Sapadores Mineiros e da GNR da Bela Vista, parte da Polícia Civil do Porto e muitos civis armados. Não considerando as prematuras e pontuais tentativas de revolta militar de 11 de Setembro, em Chaves, e de 21 do mesmo mês, em Lisboa, pode considerar‑se que o movimento de 3 de Fevereiro foi o primeiro, e o único, a constituir uma verdadeira ameaça para o novo regime emergente. Sendo um dos mais prestigiados generais opositores ao novo regime, Sousa Dias foi convidado pelos revoltosos a assumir a chefia da revolta, comando que de imediato aceitou.

O Comité Militar Revolucionário então formado integrava outras figuras de republicanos ilustres, como o Coronel Fernando Freiria, José Domingues dos Santos, o Comandante Jaime Morais, o Capitão‑médico Jaime Cortesão e o Capitão Sarmento Pimentel. Os propósitos da revolta são claramente expressos no manifesto «Ao Povo Português», assinado e divulgado por aquele comité:

'Os oficiais revoltosos decidiram reintegrar o País dentro do regimen democrático constitucional, com a formação de um Governo Nacional que afirmasse a supremacia do poder civil, guardado e defendido pela força armada, que assim teria restituído as funções de que a desviaram' ..." [ler todo o texto, aqui]

[Augusto José Monteiro Valente, in Em Memória do General Adalberto Gastão de Sousa Dias, Revista Militar, Dezembro 2005]

J.M.M.