Mostrar mensagens com a etiqueta Stuart Carvalhais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Stuart Carvalhais. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

STUART CARVALHAIS, "O ILUSTRADOR DAS VIDAS SOMBRIAS"


 
 
 
"Stuart Carvalhaes, o ilustrador das Vidas Sombrias", por FERREIRA DE CASTRO
in revista ABC, 18 de Março de 1926
 
[clicar nas FOTOS para ver/ler]
 
J.M.M.

domingo, 7 de julho de 2013

STUART CARVALHAIS. O GÉNIO EM DISPERSÃO



O português sabe rir, gosta de rir e consegue fazer rir. Stuart Carvalhais - ou, simplesmente, Stuart - foi um dos mais notáveis artistas que transformou o riso numa arma satírica que ajudou a resistir a situações autoritárias e a atitudes vexatórias que, durante décadas, asfixiaram a política portuguesa e restringiram a liberdade dos cidadãos.

A intervenção de Stuart multiplicou-se, torrencialmente, nos salões artísticos e nos órgãos de comunicação social que lançaram entre nós o modernismo; colaborou em todas as publicações humorísticas e principais jornais de Lisboa e do Porto; fez capas de livros, de revistas e de discos; cartazes e maquetas para teatro e cinema; e, ainda, a decoração das primeiras edições, em Lisboa, da Feira Popular.

Acordou para a vida sob o signo das gargalhadas provocadas pelos desenhos de Bordalo. Habituou-se a conviver com o Zé Povinho. Era um símbolo, criado por Bordalo, que se insurgia contra as desgraças que atingiam Portugal e os portugueses. Foi um companheiro de luta pela causa republicana

Mas ao contrário de Manuel Gustavo, Francisco Valença e Manuel Monterroso, que se mantiveram fiéis à lição do mestre, Stuart libertou-se da linguagem de Bordalo. Pertenceu à geração de Christiano Cruz, Almada Negreiros,  Jorge Barradas, Emmerico Nunes, António Soares, Milly Possoz. Esta geração, ao tempo, conduzida por Christiano Cruz, que acompanhara a trajectória parisiense de Leal da Câmara no L'Assíette ao Beurre e embora não tenha partilhado o diálogo com as vanguardas europeias que motivou Amadeu de Souza-Cardoso, optou por outro grafismo e introduziu outro processo de abordagem das figuras e acontecimentos políticos e sociais. Proclamada a República, sucederam-se os pretextos para despertar o humor, estimular a ironia, atiçar a mordacidade. Os caricaturistas não precisavam de ser republicanos ou monárquicos para afirmar a sua irreverência.

Stuart criou um estilo pessoal. E intransmissível. Com ele, retratou o dia a dia. O traço instintivo, rápido e decidido de Stuart fixou-se em cartões reciclados de revistas e caixas de camisas, em guardanapos e utilizando bilhetes enrolados de eléctrico e paus de fósforos para desenhar - com tinta da china, lápis, carvão, graxa, vinho, borra de café - a gente simples que via na rua: bêbados, prostitutas, mendigos, crianças, varinas, costureiras. Sem esquecer as pernas das mulheres, desde que não fossem gordas e tivessem varizes, e os gatos vadios nas esquinas e nos telhados.

Os cenários repetiam-se, porque tudo se repetia: as pessoas, os animais, as situações, os lugares; à porta das casas e janelas dos bairros castiços; nos jardins, nas tabernas e nos cafés e livrarias do Chiado. Quase sempre nos desenhos há pormenores inconfundíveis: o olhar das personagens (incluindo ele próprio) representado por dois pontinhos, ora negros e cheios de vida, ora muito arregalados, ora, ainda, semicerrados mas repletos de bonomia.

Stuart deixou uma obra de incalculável extensão. Quase todos os humoristas portugueses, a partir da segunda metade dos anos 20, com a afirmação pública, nos painéis da Brasileira do Chiado e nas decorações do Bristol Club, começaram a enveredar por outros caminhos: na pintura, na cerâmica, no fresco, no vitral, na estatuária monumental. Vão ficar associados à integração das artes, nas obras públicas: nos palácios e outros edifícios, nas grandes exposições nacionais e internacionais; e na renovação da arte religiosa. Stuart - tal como Leal da Câmara e Bernardo Marques - permanece na caricatura, no cartoon e na ilustração. Disto fez, orgulhosamente, um modo de vida e de afirmação criativa.

Enfrentando os condicionalismos resultantes do exercício diário da censura instaurada, a partir de 1926, pela ditadura militar e, a seguir, pelo regime salazarista, Stuart, na dispersão prodigiosa do seu talento, conseguiu, com relâmpagos de génio, transmitir através dos episódios triviais do quotidiano a comédia e tragédia de Lisboa. Que era, também, a comédia e tragédia do país.

ANTÓNIO VALDEMAR [jornalista, sócio efectivo da Academia das Ciências e Presidente da Academia Nacional de Belas-Artes] – “STUART CARVALHAIS. O génio em dispersão”, in Revista do EXPRESSO (100 Anos 100 Portugueses), 6 de Julho de 2013, p. 23 - sublinhados nossos.

J.M.M.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

SÉCULO CÓMICO


Continuando no seu excelente trabalho de digitalização e disponibilização online de algumas das coleções de periódicos que a Hemeroteca Municipal de Lisboa dispõe, foi hoje colocado uma parte da publicação Século Cómico (1918-1919).

Nesta publicação, agora disponibilizada, colaboravam entre outros: Acácio de Paiva, Amarelhe, Hipólito Collomb, Rocha Vieira, Jorge Barradas e João Valério.

A coleção pode ser consultada AQUI.

Uma chamada de atenção para alguns dos primeiros personagens de Banda Desenhada portugueses, criados por Stuart de Carvalhaes, Quim e Manecas, que podem ser vistos nesta publicação.

Um retrato picaresco sobre o período do sidonismo e os momentos que se seguiram.

A consultar com atenção.
A.A.B.M.

terça-feira, 1 de março de 2011

STUART CARVALHAES 50 ANOS DEPOIS



Amanhã, dia 2 de Março de 2011, pelas 18 horas, na Hemeroteca de Lisboa, vai realizar-se uma conferência para assinalar os 50 anos do desaparecimento de um dos grandes artistas do início do século XX, em Portugal.

Para relembrar José Herculano Stuart Torrie de Almeida Carvalhais, a Hemeroteca de Lisboa convidou um dos mais veteranos jornalistas portugueses ainda em actividade: António Valdemar.

Um acontecimento a não perder.

A.A.B.M.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A SÁTIRA - REVISTA HUMORÍSTICA DE CARICATURAS



A SÁTIRA. Revista humorística de caricaturas - [Anno I, nº1 (1 de Fevereiro 1911) ao nº 4 (1 de Junho 1911)] Lisboa; Director e Proprietário: Joaquim Guerreiro; Administrador: Salomão Guerreiro [ao nº2]; Editor: José Stuart de Carvalhais; Colaboradores: A. Faria, A. Sobral de Campos, Abel Moreno, Alberto de Castro, Alberto Souza, Albino Forjaz de Sampaio, Alfredo França, André Brun, Augusto Gil, Augusto Pinto, Cândido Silva, Carlos Simões, Cristiano Cruz, Delfim Guimarães, Eduardo Schultz, Fan-Fan, Francisco Valença, Humberto de Luna, João Ratão, Joaquim Guerreiro, Job, Júlio Dantas, Leal da Câmara, Luiz Felippi, Luna Oleira, M. Cardoso Martha, Marçal Vaz, Maria O’Neill, Nobre de Mello, R. Xavier da Silva, Saavedra, Salomão Guerreiro, Santos Vieira, Silva Pinto, Stuart Carvalhais; Redacção e Administração, Rua da Madalena, 125, 2º, Lisboa; Impressão na Typ. A. M. Antunes, Calçada da Glória, 6 a 10, Lisboa [nº3, Typ. Pelourinho, 14 a 17, Lisboa].



ver TODOS os números digitalizados AQUI.

ADITAMENTO: ler AQUI o verbete histórico de Rita Correia sobre a Revista; e AQUI a nota biográfica dedicada a Stuart de Carvalhais.

J.M.M.