As
Universidades Populares tiveram origem em França nos finais do séc. XIX, procurando difundir os conhecimentos entre as massas populares e tentando ultrapassar as barreiras existentes entre as classes intelectuais e a classe operária.
Em Portugal, esta associação, criada pela iniciativa de
Feio Terenas, em 1906, com o apoio e influência da Maçonaria, tinha por objectivo "desenvolver o ensino popular pela mútua educação dos cidadãos".
Procurava seguir os mesmos moldes das organizações congéneres criadas no estrangeiro e organizou cursos livres, conferências, leituras, palestras, concertos, visitas a museus, fábricas, exposições, etc. Os resultados acabaram por ficar aquém das expectativas, porque até 1910 a sua acção foi muito localizada no tempo e no espaço. A partir de 1911, conhece um período de reorganização a que se segue uma intensificação das actividades. Nesse contexto, emerge então a
Universidade Popular no Porto, já em 1912.
Faziam parte da Comissão Promotora da Universidade Popular:
Sebastião de Magalhães Lima (presidente);
José de Castro;
António Joaquim Ribeiro;
Adelino Furtado;
João de Barros;
José António Simões Raposo (Filho);
Carneiro de Moura;
João Teixeira Simões;
Ernesto de Vasconcelos e
Damásio Ribeiro.
O plano de estudo elaborado por esta comissão incluía as seguintes áreas de estudo a desenvolver: matemáticas, as ciências físico-químicas, as ciências biológicas e as ciências sociais (história, economia, direito, educação, etc).
Com a eclosão da 1ª Guerra Mundial, a situação agrava-se bastante em Portugal, e, somente após o final do conflito surgem novos esforços para recuperar esta forma de promover a cultura. Assim, em 1919, funda-se em Lisboa a
Universidade Popular Portuguesa, que o governo republicano da época logo reconheceu a utilidade e decide apoiar de forma mais empenhada com um subsídio para apoiar as actividades a desenvolver. A
Universidade Popular renasce e floresce até 1922, tendo publicado por essa altura uma revista de instrução e cultura intitulada
Educação Popular.
Várias personalidades de destaque estiveram ligadas à Universidade Popular como
Bento de Jesus Caraça,
Tomás Cabreira,
Manuel de Arriaga,
Ferreira de Macedo entre muitos outros.
A
Universidade Popular entra em crise com o advento da
Ditadura, as desconfianças com o apoio dado aos opositores ao regime conduzem a perseguições declaradas. A instituição termina a sua actividade em 1950, tendo entregue todo o seu património à
Sociedade Voz do Operário.
A.A.B.M.