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segunda-feira, 7 de março de 2022

ASSIM CANTAVA UM CIDADÃO DO MUNDO – ROBERTO DAS NEVES


LIVRO: Assim cantava um cidadão do Mundo;
AUTOR: Roberto das Neves (1907-1981);
EDIÇÃO: Hora de Ler (reed. da obra publicada em 1952 pela Germinal do Rio de Janeiro – livro proibido pelo Estado Novo), 2022, 160 p.

PEDIDOS: horadelercf@gmail.com

Trata-se da reedição do livro de poemas, de forte inspiração libertária e anticlerical, de autoria do ilustríssimo pedroguense e cidadão do Mundo, Roberto das Neves, anarquista individualista, poeta, espiritualista, maçon (o Irmão Satã, iniciado na Loja Rebeldia, em 29 de Fevereiro de 1930), grafólogo, esperantista, vegetariano, naturista, jornalista e editor [ver, AQUI]. Preso pela polícia política, em 1926 em Coimbra (pela publicação e distribuição de poemas político-satíricos – como o Espectro de Buiça, curiosamente dedicado aos seus amigos e camarada anarquistas como Arnaldo Januário, Afonso de Moura, Mário Castelhano, Lomelino Lentes e José de Almeida), continuou a ser alvo de intensas perseguições políticas desde o inicio do Estado Novo, tendo passado por inúmeras prisões e algumas rocambolescas fugas, empenhado desde sempre no movimento libertário, anarquista e anticlerical. Em 1942 parte para o Rio de Janeiro, falecendo aí a 28 de Setembro de 1981 [consultar, com proveito, esta 2ª ed. do “Assim cantava um cidadão do mundo”, Aires B. Henriques, pp. 17-35].


UMA PÁTRIA PLANETÁRIA

Natural de Pedrógão Grande, ROBERTO DAS NEVES é uma daquelas personalidades cuja vida e obra se fundem. A sua vida (1907-1981) desenrolou-se num tempo pródigo em acontecimentos mundiais de forte impacto global (duas guerras mundiais, a guerra civil de Espanha e, mais próximo, o 25 de abril de 1974). Sem dúvida um tempo pródigo em mudanças globais, mas também em 'debates políticos, culturais, espirituais e artísticos' muito intensos.

ROBERTO DAS NEVES foi um devotado anarquista. Sendo, ainda, esperantista; maçon; ateu; vegetarianista; pacifista; jornalista; anticlerical; antissalazarista e anticomunista (recusando o caráter concentracionário do socialismo real). Foi, sem dúvida, um incansável lutador pela liberdade em todas as suas vertentes.

Depois de conhecer, por diversas vezes, o cárcere salazarista, escolheu o Brasil como terra para tentar realizar os seus sonhos e ideais. Digamos que nessa escolha mostrou muito do seu apego à Língua Portuguesa que tanto amava e que tanto cultivou. ROBERTO DAS NEVES foi um escritor de vasta e multifacetada obra e foi poeta. Alguém lhe chamou de poeta maçónico.


O livro "
ASSIM CANTAVA UM CIDADÃO DO MUNDO", da autoria de ROBERTO DAS NEVES, é reeditado pela mão de um pedroguense da melhor casta: o Dr. Aires B. Henriques. Saúdo aqui, especialmente, esta iniciativa de defesa da memória e do património cultural de Pedrógão Grande, de Portugal e, claro, também do Brasil e da Lusofonia!

Os tempos de hoje precisam de mulheres e de homens que defendam uma Pátria Planetária como ROBERTO DAS NEVES militantemente defendeu no seu tempo.

[MÁRIO MÁXIMO, Escritor e poeta Ex-Presidente da Associação Fernando Pessoa/ Gestor de Assuntos Lusófonas – in contracapa do livro]

RAZÕES DE UMA EDIÇÃO

Jornalista e escritor, maçon, homem culto e de causas, Roberto Barreto Pedras das Neves é porventura um dos cidadãos que em Portugal mais viveu intensamente o curso dos diferentes períodos da política nacional, ao ponto de, pela acção e pelo verbo, nelas pretender intervir a bem dos valores da paz, da livre convivência e do progresso.

Por isso, Roberto das Neves foi lembrado pela Casa (regional) de Pedrógão Grande em Lisboa em 2006, quando se celebrava o centenário do seu nascimento, decorrido a 7 de Setembro de 1907, e quando então presidíamos à sua Direcção.

Com a colaboração do seu genro, o coronel Manuel Pedroso Marques, também ele refugiado no Brasil, e que com Roberto mais de perto convivera, tivemos a oportunidade de publicar uma primeira nota biográfica sobre o homem e o cidadão, as suas convicções, as suas lutas e os seus desfechos, que o forçaram a procurar refúgio no Brasil após o período dramático da Guerra Civil de Espanha e o início da II Guerra Mundial em que a repressão policial mais se agudizava em Portugal.

 


Ora, que se celebram 40 anos sobre a data do falecimento de Roberto das Neves no Rio de Janeiro, não podemos deixar de mais uma vez o relembrar, encontrando na reedição deste seu livro de poemas - "Assim Cantava um Cidadão do Mundo" - porventura a mais grata forma de o fazer, homenageando o cidadão e o escritor, enquanto fazemos prova do seu imenso talento, imbuído de ardentes palavras de paz e amor às comunidades por quem, não escusando a liça, sempre se empenhou.

Irmanado dos mesmos propósitos cívicos de muitos outros concidadãos amigos e de ideal - como Tomás da Fonseca, Francisco Barata Dias, o Padre Joaquim Alves Coreia e Vasco da Gama Fernandes -, Roberto das Neves esmerou-se ao longo de toda a sua vida por que o trabalho de burilamento do seu ser - a sua pedra “milheira" beirã – se convertesse numa imensidão de reluzentes "grãos” ou tocantes partículas capazes de iluminar o mundo à sua volta, de preferência sem iníquas fronteiras e falando urna só língua universal.

A leitura da sua obra e mensagem é para nós por demais gratificante. Por isso, depois de "Pestana Júnior, Profeta Republicano" (2010) e de "Leiria no Reviralho - João Lopes Soares às Avessas" (2020), o Museu da República e Maçonaria não poderia deixar de promover mais uma honrosa edição que verdadeiramente atesta do melhor que a nossa "História & Memória" colectiva do republicanismo tem para nos presentear. E que com ela, ora 70 anos após a edição brasileira, bem possamos ainda sublinhar os dotes poéticos de Roberto das Neves a iluminar um caminho mais fraterno, de esperança, justiça, tolerância e paz, inspirador dos cidadãos de boa vontade.

Dotes poéticos esses que o também poeta Tomaz da Fonseca sublinha ao caracterizar o "Assim Cantava um Cidadão do Mundo" como "um livro que esmaga quem o lé", pois "jamais se escreveu em língua portuguesa nada mais arrasador contra os privilégios e os preconceitos", como "um grito a favor dos humilhados"; como um livro a que está "destinado um lugar inconfundível na história da literatura mundial e, particularmente, na da literatura libertária e da resistência ao totalitarismo em Portugal, que encontrou em (Roberto das Neves) o seu épico".

[O Editor (Aires B. Henriques), Villa Isaura, 7 de Dezembro de 2021, pp.7-8]

 J.M.M. 

domingo, 22 de novembro de 2020

[CATÁLOGO] UM SÉCULO (CON)DEIXAS, LIBERDADE E BONS COSTUMES

 


CATÁLOGO/LIVRO: Um Século (Con)Deixas, Liberdade e Bons Costumes. Colecção Aires B. Henriques | Museu da República e Maçonaria

AUTOR: Aires B. Henriques;

TEXTOS de: Nuno Moita da Costa | Liliana Marques Pimentel | António Lopes

EDIÇÃO: C. M. de Condeixa, Casa dos Arcos, POROS, Museu Villa Isaura;

Trata-se aqui do magnifico Catálogo da ExposiçãoUm Século (Con)Deixas, Liberdade e Bons Costumes”, que foi apresentada no passado 5 de Outubro em Condeixa, e que mostra um acervo notável de peças, livros e documentos de interesse republicano e maçónico, todas pertença de Aires B. Henriques e do seu Museu da República e da Maçonaria, situado na Villa Isaura, Troviscais, Pedrogão Grande.   

“Uma palavra prévia para os organizadores desta exposição: a Câmara Municipal de Condeixa, terra de tradições de Liberdade, e o Museu Republica e Maçonaria, detentor de uma das mais belas coleções dedicadas à Maçonaria e à República, na qual se incluem objetos de raridade assinalável e de comprovado valor histórico e simbólico. Uma exposição de objetos maçónicos é um ato de cultura por dois motivos principais: em primeiro lugar por divulgar uma forma de pensamento filosófico e de atitude cívica que remonta ao período iluminista do século XVIII; em segundo lugar porque, recorrendo às ideias mestras da Maçonaria, representa um contributo cívico importante. Soma-se a isto o esclarecimento dado a este assunto, contribuindo para afastar ideias erradas e mitos, acidentais ou fabricados. Por isso é, para todos os interessados por este tema, um motivo de satisfação e a oportunidade de ver objetos que, por norma, estão em recato nas reuniões maçónicas. Por outro lado, cumulativamente, compreender a Maçonaria significa compreender alguns factos da História portuguesa, do relacionamento entre os seus protagonistas ou da influência que a legislação, o ensino ou os costumes tiveram nos tempos atuais.

Sobre a Maçonaria, um documento com data de 1931 classifica esta de forma tão curiosa como exata, referindo que é uma associação diversa de outras associações, que "não é política porque o seu programa não visa a administração de um Estado; não é uma organização partidária que vise os interesses de uns, nem pode aliar-se com este ou aquele partido, com este ou aquele governo, pois de todos os partidos e de todos os governos ela pode esperar ou receber auxílio; não é uma associação revolucionária que deseja a revolução violenta, mas sim a revolução da ideia, pela palavra pela escrita e pelo exempto”. Quer isto dizer que a tradição maçónica determina que não se discuta política e religião no sentido comparativo do termo. Mais, valorizando o confronto de ideias e a liberdade de pensamento, apela à tolerância e à diferença, segundo um método que é o ritual e um sistema que é o rito, colocando uma particular ênfase na disseminação desses valeres e na formação de cidadãos livres, participativos no todo social e conscientes dos seus direitos e deveres.

Ao reunir em exposição um conjunto de objetos que são usados ritualmente, apresentados segundo um conceito expositivo acessível, permite-se compreender a sua função e o seu significado. A sua compreensão remete-nos para o papel do símbolo, recurso da instrução maçónica, nele se encontrando condensados os valores morais da Maçonaria ou, por outras palavras, a forma de linguagem usada por ela. Por isso também não encontramos símbolos exclusivamente maçónicos, mas antes símbolos com um significado maçónico. Ou seja, símbolos que foram usados pelas corporações de pedreiros ou pela Igreja, que nesse contexto tinham um dado significado, que no contexto maçónico têm um significado diferente ou semelhante. Símbolos que representam uma forma de transmissão apenas acessível aos iniciados e, entre estes, escalonada segundo o percurso maçónico de cada um. Por tudo isto poderíamos também afirmar que o simbolismo é a alma da Maçonaria, onde as lendas evocadas nos remetem para um imaginário com sugestões mais ou menos claras de ordem moral e filosófica, e é a representação visível de ume ideia que transcende aquele momento e aquele espaço.

Nem sempre as decorações e objetos maçónicos tiveram o uso e a exuberância que hoje conhecemos. Se uns remontam às primeiras práticas maçónicas modernas, outros datam do século XIX ou ganharam sofisticação a partir de meados desse século, tornando-se preciosos auxiliares do ritual. Os objetos agora apresentados são também uma forma de afirmação pessoal e política de vincar um pensamento ou a dedicação e identificação de ideias e valores. A maior ou menor decoração de um avental, a virtuosidade do talhe no vidro de um copo ou a beleza decorativa de um estandarte são formas de demonstrar uma atitude e uma paixão pele Ordem maçónica.

Os símbolos associados a estes objetos representam uma forma de transmissão apenas acessível aos iniciados e, entre estes, escalonada segundo o percurso maçónico de cada um. Fazendo parte do património cultural da Maçonaria, os objetos aqui apresentados remetem-nos para diversos momentos do ritual ou do funcionamento administrativo das Lojas, falam-nos do papel da Maçonaria na História do país e do papel de cada maçom na vida da sua Loja. Por isso se torna difícil definir o que é a Maçonaria, onde se junta uma componente do sentir individual que é diferente de pessoa para pessoa, com uma dimensão espiritual e filosófica, com uma preocupação intelectual e social. Ao maçom, recém iniciado ou não, cabe então conduzir a sua vida no sentido de lhe conferir o equilibro da Razão e do coração, respeitar a diferença do outro e amar a Liberdade. Deve conhecer-se a si próprio, atribuir significado ao oculto e admitir que há conhecimentos que vão para além do imediato num caminho de permanente aperfeiçoamento. O recurso ao símbolo e aos objetos a ele associados é uma forma de "revelar uma realidade total, inacessível através dos restantes meios de conhecimento”, não esquecendo que eles conservam una raiz primordial de significado que fazem deles um elemento unificador e uma afirmação simultaneamente psicológica e intelectual com caráter distintivo”

Dr. Antonio Lopes, Ex-Director do Museu Maçónico Português e Director da revista "Grémio Lusitano", in Prefácio - sublinhados nossos. 

J.M.M.

domingo, 4 de outubro de 2020

[CONDEIXA - DIA 5 OUTUBRO] – EXPOSIÇÃO DA COLECÇÃO AIRES HENRIQUES & LANÇAMENTO DO LIVRO “UM SÉCULO (CON)DEIXAS, LIBERDADE E BONS COSTUMES"

 


EXPOSIÇÃO – Colecção Aires Henriques

LOCAL: Casa dos Arcos (ou Casa das Colunas), Rua da Condeixinha, Condeixa-a-Nova;

DATA: 5 de Outubro (16,00 Horas)


LANÇAMENTO DO


LIVRO: Um Século (Con)Deixas, Liberdade e Bons Costumes;

AUTOR: Aires B. Henriques;


NOTA: O ESPAÇO ESTÁ LIMITADO.

 J.M.M.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA ENCERRA EM PEDRÓGÃO GRANDE



MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA ENCERRA EM PEDRÓGÃO GRANDE, por A.B.H.
Depois de há praticamente duas décadas desempenhar uma relevante função turística e cultural na unidade de turismo rural “Villa Isaura”, na aldeia dos Troviscais, no concelho de Pedrógão Grande, em pleno Centro do país, o MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA encerra definitivamente as suas portas ao público no próximo dia 31 de Dezembro.

Trata-se de um dos três raros museus no seu género existentes em Portugal e Espanha, sendo os outros dois em Lisboa e Salamanca. O MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA ganhou notoriedade a partir de 13 de Outubro de 2012, quando formalizou com a Maçonaria Portuguesa/Grande Oriente Lusitano (GOL) um protocolo de colaboração, o qual contou em Pedrógão Grande com a presença do Poderoso Grão-Mestre do GOL, Dr. Fernando Lima.
Mas a sua actividade e colaboração com diversas outras instituições nacionais é muito anterior, designadamente através da cedência de peças e documentação, e reporta-se às comemorações dos 200 anos da Maçonaria em Portugal em 2002 (CM de Lisboa), 1º Centenário da República (em 2010-2011, no Palácio de Belém / Presidência da República e Casino da Figueira da Foz), Museu José Malhoa (Caldas da Rainha), Câmaras Municipais de Miranda do Corvo, Ansião, Condeixa-a-Nova, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Oliveira do Bairro. Nos últimos anos beneficiaram ainda do seu apoio e acervos o Museu do Aljube em Lisboa (2015) e o Panteão Nacional / Direcção Geral do Património Cultural (2017).
Contudo, apesar da sua manifesta importância nos domínios histórico e cultural, o MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA tem vindo sistematicamente a ser ignorado em termos de apoios financeiros e institucionais por parte dos poderes públicos, designadamente por parte do Ministério da Cultura que, desprezando a qualidade e real importância dos seus acervos, acentua o seu carácter particular e a sua pequena dimensão para negar os apoios de que carece para se manter aberto ao público.
Não compreendem os proprietários do MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA tal desinteresse público quando:
 1 - ele é actualmente o Museu mais significativo a nível nacional no seu género, a avaliar pelas sucessivas visitas de técnicos e requisições de materiais para documentarem exposições organizadas inclusive pela RPM (Rede Portuguesa de Museus);
2 - o Estado Português se dispõe a despender em Peniche – no Litoral português - quase quatro milhões de euros na instalação do Museu da Resistência e Liberdade, sabendo que idênticos princípios e objectivos são defendidos – no Interior / na Região Centro – pelo MUSEU DA REPÚBLICA E MAÇONARIA, a um custo (autárquico) que certamente não chegaria aos 5% daquele dispêndio público.
Contra esta disparidade de poderes, que beneficia sobretudo o Litoral rico em desfavor do Interior pobre, bem assim como os Museus da RPM contra os Museus particulares, não nos resta outra hipótese que não seja rendermo-nos nesta luta desproporcionada, assumindo a nossa relativa pouca importância, na guarda de um património próprio que amamos, mas que lamentamos não poder pôr ao serviço das gerações futuras, a quem gostaríamos de proporcionar uma outra história de amor e luta pelos sagrados princípios da liberdade, igualdade, fraternidade, justiça e tolerância.
Pedrógão Grande, em 12 de Novembro de 2018
Aires B. Henriques [AQUI - sublinhados nossos]
 
J.M.M

domingo, 27 de dezembro de 2015

MAÇONS DE PEDRA E CAL. A MAÇONARIA AO VALE DO ZÊZERE


LIVRO: Maçons de Pedra e Cal. A Maçonaria ao vale do Zêzere;

AUTORES: Aires B. Henriques | Nuno R. Soares;
EDIÇÃO: Villa Isaura / Museu da República e Maçonaria (Pedrógão Grande), 2015, p. 577 [pref. de António Ventura]

“ […] Quando estudamos a História de um país, é condição fundamental, para que se consiga um desiderato o mais positivo possível, que esse estudo seja estribado numa pesquisa exaustiva de bibliografia – o chamado estado da arte – e das fontes. Mas tudo será mais facilitado se existirem previamente diversos estudos monográficos sectoriais. A elaboração de estudos a nível regional e local permite ter uma visão mais correcta e rigorosa do todo nacional, evitando assim certos trabalhos que se propõem conclusões gerais, sem que exista uma investigação suficiente para tal. O mesmo sucede no que respeita à História da maçonaria, onde as fontes são escassas. Quantos mais estudos existirem a nível regional e local maior será a possibilidade de cobertura do todo nacional, evitando generalizações

(…) o livro agora publicado, da autoria de Aires Henriques e Nuno R. Soares, insere-se nesse quadro de estudos regionais que possibilitam um grau de aprofundamento e de pormenor que os estudos de âmbito mais geral não permitem

(…) O presente livro incide sobre uma região relativamente circunscrita, mas vasta, classificada como ‘Vale do Zêzere’, englobando Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Sertã. Nesta obra, os autores procuram reconstituir as relações entre movimento republicano e maçonaria, se bem que nem sempre essa relação seja evidente. De facto, encontramos frequentemente, na mesma localidade, destacados republicanos que nunca forma maçons e, inversamente, maçons que nunca assumiram lugares proeminentes no republicanismo. Identificam-se as estruturas maçónicas que laboraram na região, Loja e Triângulos, com o máximo de informações biográficas que completem o currículo maçónico, sempre sintético. Estas notas são enriquecidas com uma iconografia rica, directamente ligadas aos biografados, como fotografias, reprodução de documentos ligados aos biografados, como fotografias, reproduções de documentos ou outros objectos. Naturalmente que alguns merecem um destaque maior, caso de Roberto das Neves, e as relações familiares, como as de Hermano Neves e Mário Neves. Mas também encontramos informações sobre naturais da região que forma iniciados em Oficinas de outras localidades, no espaço continental e no Ultramar, alguns dos quais tiveram um grande protagonismo político e maçónico.

No final da obra encontramos algumas páginas dedicadas ao Museu da República e Maçonaria, na Villa Isaura e um glossário de expressões e conceitos maçónicos. Este livro constitui assim mais um valioso contributo para o melhor conhecimento da História da maçonaria na região sobre a qual incide.  É mais uma pedra, e muito significativa, na construção da História da Maçonaria em Portugal” [António Ventura, in prefácio, pp. X-XII - sublinhados nossos]

PEDIDOS DA OBRA PODEM SER FEITOS PARA: Villa Isaura - Museu da República e Maçonaria - R. Capela, 131 - Troviscais - 3270-154 Pedrógão Grande ou AQUI.

J.M.M.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

CONDEIXA – HUMOR, MONARQUIA E REPUBLICANOS


EXPOSIÇÃO: Humor, Monarquia e Republicanos;
DIAS: 10 de Outubro a 29 de Novembro;
LOCAL: Galeria Manuel Filipe (Condeixa);
ORGANIZAÇÃO: Câmara Municipal de Condeixa | Galeria Manuel Filipe | Villa Isaura (Troviscais).

CONFERÊNCIA

DIA: 10 de Outubro (18,00 horas);
ORADORES: Amadeu Carvalho Homem | Aires Barata Henriques;

“O final do século XIX e inicio de XX viu aparecer caricaturistas e humoristas que souberam interpretar na perfeição as incongruências da sociedade portuguesa. Rafael Bordalo Pinheiro, Francisco Valença, Leal da Câmara foram alguns desses geniais artistas.

Jornais como O , Sempre Fixe, A Paródia e o Século Cómico, foram os veículos utilizados para de forma mordaz e contundente pôr a nu acções de figuras políticas, situações de injustiça e acontecimentos políticos e sociais que muitas vezes tocavam o ridículo. A cerâmica foi também um dos géneros artísticos utilizados: aqui foi Bordalo Pinheiro o génio maior. A figura do “Zé Povinho” ultrapassou gerações, sendo ainda hoje do um ícone sociedade portuguesa.

Nesta Exposição é possível ver algumas dessas caricaturas, desenhos e peças de cerâmica de uma época que foi rica em acontecimentos político-sociais.

É nosso desejo que consigam sorrir com elas”

 J.M.M.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

COMEMORAR A REPÚBLICA | OLIVEIRA DO BAIRRO - 5 DE OUTUBRO 2014 | OS BUSTOS DA REPÚBLICA

 
 
 

Realizou-se no Domingo [5 de Outubro] em Oliveira do Bairro, no belíssimo auditório do Quartel das Artes, Dr. Alípio Sol, o lançamento do livro de António Pedro Vicente [Prof. Catedrático aposentado de História Contemporânea da UNL, Académico de Número da Academia Portuguesa de História e sócio correspondente de várias instituições, com valiosos trabalhos publicados sobre história portuguesa do século XIX, a que junta estimados contributos para a História da Fotografia e na História da 1ª República], “Os Bustos da 1ª República”.
 
Sob o patrocínio da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro - que na pessoa do seu presidente João Oliveira apadrinhou esta preciosa obra – o lançamento do livro, que coincidiu com a Comemoração da República, foi ornamentada com a participação, de incontestável virtude, dos professores Amadeu Carvalho Homem e de Luís Bigotte Chorão, que cumpriram com acrisolado saber, competência e distinção a apresentação da Obra e assim dilataram a fé e o ideário republicano.
 
Entre uma assistência dedicada, que soube tributar os aplausos merecidos, estiveram presentes alguns dos proprietários da valiosa colecção de bustos da República, representados na obra de António Pedro Vicente, como os drs. Emílio Rincon Peres e Aires Henriques e que sob os melhores auspícios colaboraram para a sua realização. 
          
Os Bustos da 1ª República” remete-nos para o interessante conhecimento, leitura e entendimento da iconografia e simbologia republicana, numa apologética e didáctica virtuosa, porque contextualizado, acompanhando o “surto da propaganda republicana”. Dividindo-se em diversas partes, desde o Tricentenário de Camões, ao 31 de Janeiro de 1891 e à Implantação da República, toda uma iconografia ligada ao regime republicano emerge, marcando desde logo presença o “busto da República”, ícone e símbolo da “nova era”, dum novo mundo que “resolveria as injustiças e transportaria, para o futuro, a justiça social, a liberdade, a igualdade e que iria acrisolar o amor fraterno entre os seres humanos” [p. 43].     
 
Os Bustos da 1ª República” (177 p.) é uma obra copiosa, profusamente ilustrada e em excelente papel, que reúne reproduções de peças de alguns dos nossos mais luminosos coleccionadores do período da 1ª República – António Pedro Vicente (ver Fundação Mário Soares), Emílio Rincon Peres, Aires Henriques e Luís Bigotte Chorão – e, decerto, será uma incontornável peça da rica bibliografia republicana.    
 
Os Professores Luís Bigotte Chorão e o Amadeu Carvalho Homem abrilhantaram a sessão de lançamento do livro com peças oratórias ilustradas e que deixaram viva impressão no vasto público presente.
 
Como curiosidade registe-se o debate, à margem ou talvez não, sobre o enigmático “bicho” [sic] ou “insecto” presente no busto [e conhece-se 3 versões diferentes], abaixo do pescoço da peça, pertença de Emílio Rincon Peres, e que é capa da obra, que marca uma sã e fraterna controvérsia que se estende no Facebook [AQUI e AQUI] e mesmo fora dele. Trata-se de saber quebicho” é aquele, qual a razão de estar lá colocado e, evidentemente, que simbólica (a ter uma) representa. Várias hipóteses foram entretanto levantadas: centopeia [hipótese Emílio Rincon Peres], joaninha (simbolizando a Boa Nova, da República), escorpião. Da simbologia registe-se a da já citada “República da Boa Nova” [joaninha, hipótese Aires Henriques], passando pela identificação de uma “facção” ou partido [reorganização do PRP, facção Afonso Costa: vidé o caso citado de António Martins e a reorganização do PRP em Castro Daire, 1917, referido por Abílio Pereira de Carvalho] e, até mesmo, uma outra que faz referência à alegoria simbólica [no caso de ser um escorpião] presente no grau 22.º ao 24.º do REAA. De facto, o “bicho” que adorna alguns bustos da República é uma controvérsia bem curiosa.
  
O Almanaque Republicano marcou presença e agradece, a todos, a magnifica recepção e a excelente sessão.
 
J.M.M.      

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

COMEMORAR A REPÚBLICA | CONDEIXA-A-NOVA - 4 DE OUTUBRO 2014





Realizou-se ontem, sábado, 4 de Outubro pelas 18 horas, em Condeixa-a-Nova. na Galeria Manuel Filipe, a anunciada conferência e inauguração da exposição sobre a Maçonaria e República.

Contando com a presença do Prof. Doutor António Ventura e de Aires Henriques que cedeu os objectos para a exposição, estiveram também presentes o Presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, Nuno Moita da Costa e a vice-presidente, Liliana Pimentel. Com uma audiência inesperadamente grande, visto que parte da assistência acabou por ficar à porta, mas o sistema de som permitiu acompanhar as palavras que então foram proferidas.

O Prof. António Ventura começou por lançar a provocação à audiência "que relação entre República e Maçonaria? - Nenhuma", mas esclarece de seguida que esta relação parte de uma análise institucional, porque a Maçonaria se assume como como acima da política partidária, não só no passado como nos nossos dias. Mas reconhece que muitos republicanos que eram maçons, a título individual participaram nos acontecimentos que eclodiram em 5 de Outubro de 1910. Para isso socorreu-se de documentos fundadores da Maçonaria como as Constituições de Anderson e outros textos onde se definia que a Maçonaria não podia discutir política partidária, mas pode e discute, como reconheceu, questões políticas desde a assistência social até à saúde, do ensino até ao problema da defesa nacional.

Explicou rapidamente o processo de constituição do Grande Oriente Lusitano Unido com homens como o José Elias Garcia, Conde de Paraty (João Inácio Francisco de Paula de Noronha), Bernardino Machado, Francisco Gomes da Silva, Luis Augusto Ferreira de Castro, Sebastião de Magalhães Lima e António José de Almeida (todos Grão-mestres da Maçonaria). Deu particular destaque à figura de Sebastião de Magalhães Lima, tendo recorrido a vários documentos produzidos no interior do GOLU durante o período em que esteve à frente da maior obediência maçónica em Portugal.

Estabeleceu vários paralelismos entre os problemas políticos actuais e os do passado, com a preocupação de contextualizar sempre as afirmações feitas em determinado período fruto de uma conjuntura específica que as determinou. Alertou a assistência para aquelas que considera as grandes marcas da prática maçónica: Liberdade, Fraternidade e Justiça. Abordou ainda de forma superficial algumas das questões da sociedade actual em que se olha criticamente a Maçonaria, mas explicou que pelo facto de muitos terem sido iniciados não significa que tenham entendido os princípios que lhe foram sendo ensinados e que esses são afastados da organização tendo explicado como esse processo se realizava no passado.

Falou ainda Aires Henriques que explicou o papel da Villa Isaura e do Museu da República e da Maçonaria em Troviscais, Pedrogão Grande. A sua paixão pelo tema ao longo do tempo e as dificuldades na construção deste museu numa pequena localidade do interior do País. Porém, pela dimensão e importância que conseguiu alcançar já cedeu exposições para várias entidades públicas e privadas em Portugal, sendo considerada das mais interessantes e importantes.

Na fase de intervenção do público o Prof. António Ventura tentou explicar a questão do secretismo da Maçonaria na actualidade e apresentou alguns notas sobre o triângulo nª 175, criado em Condeixa-a-Nova em 1911, os obreiros que o integravam e outras pessoas que de Condeixa ou que vivendo em Condeixa, integraram a Maçonaria como os Presidentes da Câmara Manuel Simões Alegre, António Pires da Rocha, Fortunato Carvalho Bandeira e o Dr. João Cardoso Moniz Bacelar.

Por fim, procedeu-se à inauguração da exposição organizada pela autarquia com a coordenação do Dr. Rui Miranda, com destaque para um pequeno catálogo editado pelo município com os objectos expostos, com uma pequena nota de lamento pela ausência de um pequeno texto explicativo/orientador tanto ao nível das biografias como dos objectos patentes na exposição.

Na audiência destacavam-se entre outros o Dr. António Arnaut, bem como pessoas dos mais diversos quadrantes da vida política e cultural condeixense, bem como muitos visitantes de vários locais desde Coimbra, Aveiro, Figueira da Foz entre outros.

O Almanaque Republicano esteve presente e assistiu com com agrado a este evento que divulgamos.

A.A.B.M.


sábado, 20 de setembro de 2014

COMEMORAR A REPÚBLICA – CONDEIXA-A-NOVA: EXPOSIÇÃO & CONFERÊNCIA


EXPOSIÇÃO: “República e Maçonaria”;

DIAS: de 4 de Outubro (18,00 h) a 12 de Dezembro;
LOCAL: Galeria Municipal Manuel Filipe (Condeixa-a-Nova);

CONFERÊNCIA: “República e Maçonaria – Que relação?”;
ORADOR: Prof. António Ventura;
DIA: de 4 de Outubro (18,00 h);
LOCAL: Galeria Municipal Manuel Filipe (Condeixa-a-Nova);

ORGANIZAÇÃO: Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova | Museu da Republica e Maçonaria de Aires Henriques [Troviscais, Pedrógão Grande].

«A Câmara de Condeixa-a-Nova inaugura, no dia 4 de outubro, uma exposição de homenagem à Maçonaria pelo seu papel na implantação da República, em 1910, e "na transformação das mentalidades" ao longo dos séculos.

A exposição "República e Maçonaria" inclui a reconstituição de um templo maçónico, na galeria municipal Manuel Filipe, onde serão exibidas 30 peças do espólio privado do Museu da República e da Maçonaria, situado em Troviscais, concelho de Pedrógão Grande.
 
"Pensámos comemorar a revolução do 5 de Outubro com um tema diferente que despertasse a atenção das pessoas", disse hoje à agência Lusa a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, Liliana Pimentel.

Organizada com a colaboração de Aires Henriques, proprietário daquela unidade museológica, a mostra de símbolos maçónicos permite "analisar a relação entre a Maçonaria e a República" em Portugal, adiantou.




"A exposição pode ser visitada até ao dia 12 de dezembro, estando a comunidade escolar envolvida no projeto", realçou a vereadora Liliana Pimentel.
A abertura da exposição, no dia 4, às 18:00, coincide com a realização da conferência "República e Maçonaria - Que relação?", por António Ventura, professor da Universidade de Lisboa e autor do livro "Uma História da Maçonaria Portuguesa (1727-1986)".

"Pretende-se recordar e homenagear o trabalho dos republicanos, maçons e demais cidadãos livres e de bons costumes que, na Região Centro - no eixo Coimbra, Miranda do Corvo, Condeixa e Leiria - ajudaram a firmar um ideal de liberdade, igualdade, fraternidade, justiça e tolerância", declarou à Lusa o investigador Aires Henriques.

Esse ideal, segundo o responsável do Museu da República e da Maçonaria, "expandiu-se para o interior serrano e pobre, onde, precisamente na vertente ocidental da Serra da Lousã, labutavam as populações" de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos.

Entre as "figuras porventura mais emblemáticas" do republicanismo na região, "salientam-se os republicanos e maçons Belisário Pimenta e José Falcão", ligados a Miranda, mas, no concelho de Condeixa-a-Nova, "não se podem ignorar, entre outros, os seus irmãos de ideal Fortunato Pires da Rocha, João Bacelar, Abílio Roque de Sá Barreto e Manuel Alegre", alguns dos quais desempenharam as funções de presidente da Câmara Municipal.
"A exposição apresenta um acervo museológico raro na Península Ibérica, de momento só suscetível de usufruir em Lisboa, no Museu Maçónico, e em Salamanca, no âmbito do Arquivo Distrital da Guerra Civil de Espanha", salientou Aires Henriques.
A mostra é composta por paramentos, malhetes de condução dos trabalhos maçónicos, espadas de ritual, um bastão de mestre de cerimónias, certificados de iniciação e outros documentos, joias de diferentes graus, relógios de algibeira e viagem, insígnias, uma campânula de luminária do Palácio Maçónico, uma cadeira de "mestre venerável", carimbos de lojas extintas e bustos da República Portuguesa com estrela maçónica.

Numa publicação a apresentar no dia da abertura, a organização enaltece a ação dos maçons na revolução republicana, os quais "decisivamente contribuíram para fazer cair um regime socialmente injusto".

via LUSA (aliás, via Diário das Beiras, 20/09/2014, p. 18| idem via Aires Henriques)

J.M.M.