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segunda-feira, 5 de março de 2018

VIDA E OBRA DE MARIA LAMAS



DEBATE: “Vida e Obra de Maria Lamas. Atualizar o pensamento, abalar a indiferença”.

DIA: 8 de Março 2018 (10,00 horas);
LOCAL:
Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal (Campo Grande, 83, Lisboa);

Na Comemoração dos seus 50 Anos, o Movimento Democrático de Mulheres (MDM), realiza um Ciclo de Debates – “MDM. Um Movimento de Mulheres em Movimento" -, abrindo o seu Ciclo, no próximo dia 8 de Março, com um sugestivo tema: "Vida e Obra de Maria Lamas. Atualizar o pensamento, abalar a indiferença”. No decorrer da sessão será lançado o livro de “Atas do II Congresso Maria Lamas”, realizado a 12 de Dezembro de 2015, em Almada.

A não perder.

J.M.M.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

MARIA LAMAS (Parte II)

A escritora dirige, a partir de 1928, a convite de Ferreira de Castro, a secção “O Reino dos Miúdos”, da Civilização Magazine, que se publica até 1932. Nesse mesmo ano surge também a possibilidade de assegurar a direcção da publicação Modas & Bordados, ligada ao jornal O Século, conquistando nessa fase visibilidade e reputação enquanto escritora e jornalista, além de que lhe permitir algum desafogo económico. Manteve-se ligada a esta revista até Junho de 1947, sob a acusação de ser um dos elementos mais activos do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Renova a publicação, conquista novos públicos e consegue transformar a publicação, cuja exploração era deficitária numa publicação lucrativa, entretanto altera-lhe o subtítulo que passa a ser Vida Feminina. Prepara, organiza e divulga a exposição Mulheres Portuguesas – Exposição da obra Feminina Antiga e Moderna de Carácter Literário, Artístico e Científico que fica conhecido como O Certame das Mulheres Portuguesas.

Realizou várias reportagens para O Século, viajando pelo estrangeiro como os escritos que fez sobre Marrocos, Argélia, Gibraltar, mas também sobre a Madeira, entre outros.

Participou também em diversas palestras pelo País, com destaque para as que realizou no Porto, Lisboa, na ilha de São Miguel. Realiza, ainda em 1934, a conferência A Viagem do Espírito nas tardes artísticas de O Século. Torna-se sócia do Sindicato dos Jornalistas, com carteira profissional também neste ano. Organizou várias exposições de arte regional, por exemplo em Lisboa, Porto (no Ateneu Comercial); a exposição de livros escritos por mulheres de todo o mundo realizada na Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1947.

Recebe em 1934 a condecoração de Oficial da Ordem de Santiago de Espada atribuída pelo então Presidente da República, Óscar Fragoso Carmona, pelo seu papel em prol das mulheres. No ano seguinte desloca-se à Madeira e aos Açores, onde realiza reportagens, profere conferências. Responde ao Inquérito às Mulheres Portuguesas, organizado por O Diabo em 1936. Nesse ano divorcia-se também pela segunda vez e, novamente, fica com a filha Maria Cândida a seu cargo. Manifesta a sua adesão à Associação Feminina Portuguesa para a Paz e assume a direcção da secção de Educação do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP).

Em 1937, assume a responsabilidade de organizar um ciclo de conferências nos salões do jornal O Século. Leva a efeito também uma exposição de tapetes de Arraiolos, elaborados pelas reclusas na cadeia das Mónicas.

Maria Lamas inicia a sua vida política, em 1945, assinando as listas de apoio à constituição do MUD – Movimento de Unidade Democrática. Nessa mesma época inicia a sua actividade junto à direcção do Comissão Nacional das Mulheres Portuguesas. No ano seguinte é eleita Presidente do CNMP. Em conjunto com Sara Beirão apresenta uma representação à Assembleia Nacional sobre a capacidade eleitoral feminina, prejudicada pelo decreto-lei n.º 35 426, de 31 de Dezembro de 1945. Participa também no primeiro congresso da Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIM). No ano seguinte assiste ao encerramento da sede da Comissão Nacional das Mulheres Portuguesas por despacho do Governador Civil de Lisboa. Nesse mesmo período organiza, em sociedade com mais dois elementos, a Editora Actuális, onde virá a publicar As Mulheres do Meu País. Participa no II Congresso da Federação Internacional das Mulheres, realizado em Budapeste. Envolve-se de forma decidida na campanha presidencial de Norton de Matos, tendo nessa ocasião participado num comício onde denunciava a política do Estado Novo em relação à mulher e à família.



Em 1949 passa a integrar a Comissão Central do Movimento Nacional Democrático (MND). Nesse mesmo ano foi detida passando algum tempo na cadeia de Caxias e dirige a revista As Quatro Estações. Submetida a julgamento em 1950 acaba por ser condenada juntamente com os restantes elementos da Comissão Central do Movimento Nacional Democrático acabando por ser amnistiada. Realiza a conferência A Paz e Vida. A Polícia Internacional de Defesa do Estado descobre novos envolvimentos de Maria Lamas nas actividades oposicionistas e volta a ser detida em Caxias, onde se manifestam alguns problemas de saúde. Envia correspondência a Oliveira Salazar onde protesta contra a detenção dos elementos dirigentes do Movimento Nacional Democrático. Enquanto dura esta detenção começa a escrever um diário em que narra as condições quotidianas experienciadas na cadeia. Devido a razões de saúde acaba por ser transferida, ainda sob prisão, para o Hospital de Santo António dos Capuchos. No ano seguinte, volta à liberdade e dedica-se à tradução das obras da Condessa de Ségur, João que Chora, João que Ri.

[EM CONTINUAÇÃO]

A.A.B.M.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

VIDAS COM SENTIDO: MARIA LAMAS

Amanhã, quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2015, pela 18 horas, continua o conjunto de sessões subordinada do tema Vidas Com Sentido, organizado pela Fundação Mário Soares, dedicado desta vez a Maria Lamas (1893-1985).

Esta iniciativa conta com a colaboração e a participação de Maria Antónia Palla, José Gabriel Pereira Bastos e Mário Soares.
Uma iniciativa que divulgamos e aproveitamos para traçar os dados biográficos da homenageada na sessão, ao longo destes próximos dias.

Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas, era filha de Maria da Encarnação Vassalo e de Manuel Caetano da Silva. Em 1900 ingressa, como aluna interna, no Colégio das Teresianas de Jesus, Maria e José, em Torres Novas.

Em 1911, casa com o tenente Ribeiro da Fonseca, tornando-se no primeiro casamento civil que se realiza em Torres Novas. Como o marido era militar foi enviado em comissão de serviço para Angola onde se mantém até 1913. No período em que regressa a Portugal nasce a primeira filha do casamento, Manuela. Também nessa época começa a colaborar na imprensa local com pequenas poesias, quase todas tendo por base o tema da Guerra e utilizando o pseudónimo Serrana d'Ayre.

Quando Portugal entra efectivamente em guerra com a Alemanha e se inicia o envio de tropas para o centro da Europa, Maria Lamas realiza trabalho voluntário com a Cruz Vermelha. Organiza eventos para angariar fundos que seriam enviados para os soldados na frente de batalha. No final da Grande Guerra divorcia-se, já com duas filhas para educar e acompanhar, tendo sido ela a desenvolver as iniciativas para encontrar meios de sustento, mas vive em casa dos pais em Lisboa. Entra assim no circuito do meios de comunicação de grande tiragem. Começa por colaborar com a Agência Americana de Notícias e depois começa a colaborar com os jornais Correio da Manhã, Época e mais tarde O Século, A Capital e o Diário de Lisboa.

Na vida pessoal casa novamente, em 1921, com Alfredo da Cunha Lamas e volta novamente a ser mãe. Ingressa novamente na escola e realiza o Curso Geral dos Liceus, desenvolve em simultâneo um trabalho de combate ao analfabetismo entre as operárias da Fábrica Simões, em Benfica. Literáriamente começa a utilizar o pseudónimo Rosa Silvestre. Em 1924 começa a leccionar no Instituto Luso-Belga, em Carnide. Dirige também nesse ano a revista infantil O Pintainho, com o pseudónimo atrás referido, continuando ao longo dos anos seguintes uma intensa actividade literária em diversas publicações. Com a instauração da Ditadura Militar continua a desenvolver diversas colaborações ao nível da escrita e a publicar várias obras dirigidas ao público infantil.


[EM CONTINUAÇÃO]

A.A.B.M.