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quinta-feira, 13 de maio de 2021

"A DELEGAÇÃO DE CENSURA À IMPRENSA DE FARO" - CONFERÊNCIA


Realiza-se amanhã, sexta-feira, 14 de Maio de 2021, pelas 18.30h, a conferência A Delegação de Censura à Imprensa de Faro tendo por oradora a Doutora Patrícia de Jesus Palma.

Esta conferência insere-se no ciclo de conferências "Investigar, Conhecer e Valorizar" que tem vindo a ser organizado pelo Arquivo Municipal de Faro.

Assinalando também o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, vai ser apresentado um estudo sobre a Censura na vida cultural algarvia do século XX, tendo por base o fundo documental que se encontra depositado no Arquivo Municipal de Faro. Através da análise dos dados recolhidos pretende-se dar a conhecer as consequências a nível local da circulação das ideias, do desenvolvimento da cultura escrita.

A conferencista, Patrícia de Jesus Palma, é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses), pela Universidade do Algarve e doutorada pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Autora, entre outros dos seguintes estudos:

 - "Tipografia Cácima: a propósito dos cadernos e fascículos que aí se imprimiram", Cultura. Revista de história e teoria das ideias, Lisboa, 2011;

- "Restauração e imprensa no Algarve (1808-1811): um impressor, a independência de duas nações", Promontoria: Revista do Departamento de História Arqueologia e Património da Universidade do Algarve, Faro, 2013;

- "A actividade tipográfica no concelho de Loulé", Al-Ulya, Loulé, 2014;

- "The brazilian book market in Portugal in the second half of the nineteenth century and the paradigm change in luso-brazilian cultural relations" Books and Periodicals in Brazil 1768-1930, 2017;

- "Tipografia Burocrática (1882-1912)", Anais do Município de Faro, 2018;

- O Reyno das Letras: a cultura letrada no Algarve, o lugar do impresso (1759-1910), Direcção Regional de Cultura, Faro, 2019.

É coordenadora científica do projeto Hemeroteca Digital do Algarve, lançado em novembro de 2019, disponível em: hemeroteca.ualg.pt, e é a investigadora proponente do projeto de musealização da Tipografia União (Faro), que visa assinalar e reconhecer Faro como a cidade-berço da imprensa em Portugal (Jun./1487).

É fundadora das marcas Lugar Comum e Moinho d’Ideias, projetos colaborativos que criou para fins de investigação, consultadoria, ação cultural e educativa e é cooperadora da QRER – Cooperativa para o Desenvolvimento dos Territórios de Baixa Densidade, onde coordena o projeto de ação climática e valorização territorial “Rio Arade: Percurso das Fontes Boião-Azilheira” (c. Silves, Algarve).

A conferência vai ser transmitida no canal https://bit.ly/YoutubeCMFaro.

Com os votos do maior sucesso para esta iniciativa.

A.A.B.M.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

A VIOLAÇÃO DE CORRESPONDÊNCIA PELA PIDE - EPISÓDIO

Fig. 1 - Miguel Urbano Rodrigues (1925-2017)

Volto ao processo da PIDE de Fernando Namora, mais cedo do que previsto, com um único intuito: homenagear Isabel Freitas, que nos últimos anos dirigiu a Casa Museu Fernando Namora, em Condeixa. Isabel Freitas deixou-me gravado na minha memória o seu sorriso aberto e franco e a sua simpatia permanente, nos vários contactos que tivemos nos últimos anos, em especial, a partir da preparação do centenário de Fernando Namora. Partiu cedo demais para a viagem que todos havemos de fazer. 

No processo de Fernando Namora saliento que, logo após os recortes e as cópias de jornais, os documentos que ali surgem em maior quantidade são as cartas interceptadas pela PIDE.

A intercepção postal estava integrada no sector da Informação da PIDE, conjuntamente com a escuta telefónica, os ficheiros, a vigilância directa e os informadores, tendo sido aquela, como sabemos, uma prática largamente utilizada.

Durante algum tempo, os CTT colaboraram com a PIDE na violação da correspondência, recorrendo a alguns dos seus funcionários, denominados os “catadores” ou “farejadores”. Na posse de listas de moradas dos suspeitos, fornecidas pela Polícia, os carteiros separavam a correspondência, que depois era remetida para a PIDE.

Posteriormente, segundo a historiadora Irene Pimentel, devido a queixas sobre desvio de dinheiro de emigrantes, entre outras situações, a tarefa dos “catadores” ou “farejadores” terminou. A PIDE passou a tratar directamente desse serviço recorrendo a agentes seus, na Estação Central dos Correios, no Terreiro do Paço.

Este processo decorria de forma simples: a correspondência suspeita era aberta, lida, fotocopiada e colocada de novo no envelope, que era fechado e devolvido aos CTT, seguindo depois o seu caminho. Outras vezes, o original era interceptado e o destinatário nunca o recebia. Os elementos recolhidos eram depois analisados, sendo a carta posteriormente arquivada no processo do visado.

Ora, a partir de certa altura, os homens ligados à oposição com problemas com o regime, sabiam que a sua correspondência era vigiada e tentavam minimizar o problema, quer não mencionando nelas nada que não se quisesse que a PIDE soubesse, quer utilizando outras estratégias. Vamos verificar um desses subterfúgios, através de um exemplo de uma carta escrita por Miguel Urbano Tavares Rodrigues a Fernando Namora, a partir de S. Paulo, no Brasil, em 17 de Fevereiro de 1968.

Fig.2 - Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013) e Maria Judite de Carvalho (1921-1998)

Miguel encontrava-se exilado no Brasil e o seu irmão, Urbano Tavares Rodrigues, estava preso há cerca de um mês, aqui em Portugal. E, na verdade, esta carta de Miguel dirigia-se à sua cunhada, a mulher de Urbano, Maria Judith. Mas, como Miguel sabia que a correspondência da cunhada estava a ser vigiada, endereçou a carta para Fernando Namora, pedindo-lhe depois que este entregasse a carta e documentação anexa à mulher de Urbano, explicando-se na carta:

“Para escrever a minha cunhada tenho de recorrer de cada vez a um amigo, pois a correspondência que lhe é endereçada está sob vigilância”.

No final da carta, Miguel Urbano indicava, numa nota manuscrita em post scriptum, na margem esquerda, a forma como devia ser contactado no Brasil, caso Namora assim o entendesse, explicando:

“Para me escrever peça um endereço à minha cunhada. Em meu nome não convém fazê-lo”.

 

Fig. 3 - Fernando Namora (1919-1989)

Em suma, o processo era mais ou menos o mesmo. Endereçar a carta para uma morada de alguém conhecido que, supostamente, não estivesse debaixo do olhar das autoridades, e que depois fizesse chegar a carta ao verdadeiro destinatário. O que se tornava necessário era acertar neste critério de análise. E, neste caso concreto, Miguel não acertou, pois a correspondência de Namora também era vigiada, como podemos verificar pela elevada quantidade de cartas existentes no seu processo. E, esta carta a que nos referimos, é mais uma dessas que ficou fotocopiada nos arquivos da PIDE, onde, muitos anos depois, a fomos encontrar.

Publicado originalmente na edição em papel do Jornal Terras de Sicó

Paulo Marques da Silva

sábado, 9 de janeiro de 2021

O PÃO DE CADA DIA

Paulo Silva remeteu-nos mais um artigo sobre a questão da Censura, neste caso envolvendo a Diocese de Coimbra e o Bispo de Coimbra, em 1969, D. Francisco Rendeiro. Agradecendo ao autor a divulgação deste pequeno apontamento, inicialmente publicado na edição impressa do Jornal Terras de Sicó, para se perceber as movimentações que iam acontecendo e os critérios que utilizavam os censores perante situações mais ou menos semelhantes. Curioso este episódio, com alerta do bispo para uma situação que lhe merecia uma reflexão critica e as medidas que os censores utilizaram em Coimbra, já na fase do chamado marcelismo. Para ler abaixo:


D. Francisco Rendeiro (15.12.1915 +19.5.1971)

No dia 29 de Março de 1969, o jornal Correio de Coimbra publicava, numa rúbrica intitulada A Palavra ao Pastor, um artigo do bispo de Coimbra, Francisco Rendeiro, com o título "O pão de cada dia". O texto versava o problema da fome, mas não só da comida propriamente dita. Era a questão da privação, da ausência, utilizando o pão como metáfora. Reflectia igualmente a problemática da sua repartição. Vejamos um excerto do texto:

O pão de cada dia é necessidade que volta a sentir-se poucas horas depois de satisfeita; e como não está à mão de quem precisa, é mira dos trabalhos e preocupações, ao menos de noventa e nove por cento da humanidade. O formigueiro humano que, logo de manhã, sai de casa, para o campo, para a oficina, para o escritório e até para a escola, busca o pão.

[…] O pão de cada dia é o padrão de desenvolvimento da humanidade. Ouvimos dizer que nalgumas partes, por maldade dos homens, morrem de fome aos milhares, crianças e adultos. Há fome nas regiões desoladas pela guerra; e para além destas, também há fome em dois terços da superfície da terra.

Não é só de pão de trigo que há fome; há fome de instrução, de cultura, de convivência, de amor.

O pão de cada dia é também o símbolo mentiroso que encobre a ambição daqueles que o buscam para além das legítimas necessidades; são os ganhos desmedidos, são os lucros ilícitos, é a exploração dos fracos, é o tremendo problema da distribuição das riquezas.

O texto é mais longo. Mas é onde termina esta transcrição que está o cerne do problema que viria a eclodir: é que a Censura cortou esta última frase ao texto do bispo.

Valentim Marques (6-03-1937 + 5-06-2015) 

Esta situação gerou a indignação nos responsáveis da Gráfica de Coimbra, e o padre Valentim Marques (1937-2015) entendia que tal corte era inadmissível. O caso chegará ao conhecimento da PIDE, em Coimbra que, por sua vez, fará chegar a informação à sua sede, em Lisboa, através do inspector da delegação, Leite de Faria, nestes termos:

"Junto tenho a honra de remeter a V. Ex.ª a fotocópia da prova tipográfica do artigo intitulado “O PÃO DE CADA DIA”, continuação de outros já publicados no órgão da Diocese “CORREIO DE COIMBRA”, da autoria do Bispo de Coimbra D. FRANCISCO RENDEIRO, no qual os Serviços de Censura eliminaram a expressão “é tremendo o problema da distribuição das riquezas”, que em nada prejudicava o seu contexto.

O facto provocou forte reprovação dos responsáveis da Gráfica de Coimbra, encarregada da impressão do jornal, nomeadamente o Padre VALENTIM MARQUES, vincadamente manifestada na anotação por ele feita à margem: “ISTO É MISERÁVEL! Trata-se de um documento Pastoral, com que a censura nada tem a ver!”.

Como se verifica, até a PIDE achou despropositado o corte efectuado pela Censura

Já muito se escreveu sobre os critérios (ou a sua ausência) utilizados pelos censores.

Como referiu José Cardoso Pires, tal como os próprios escritores, também os censores praticavam a auto-censura, cortando por uma questão de precaução, para não deixar passar algo que a sua hierarquia considerasse depois ser perigoso e, por isso, riscavam quando farejavam a mais longínqua insinuação comprometedora.

No caso concreto, julgo que o teor do texto é bastante sugestivo e creio mesmo que, se não fosse um bispo a escrevê-lo, mas sim um jornalista, por exemplo, todo o texto poderia ter sido cortado. Visto por esta perspectiva, o censor em questão até terá sido benevolente no corte. Afinal, tratava-se do bispo de Coimbra! No entanto, aquele preciosismo na frase em questão terá custado ao censor algum “amargo de boca” posterior. Será?


(O artigo do Correio de Coimbra, 29-03-1969)

Paulo Silva

terça-feira, 24 de novembro de 2020

A PIDE, OS JORNAIS E FERNANDO NAMORA - POR PAULO MARQUES DA SILVA


Se a Censura era uma realidade, e os jornais vinham tão “limpos” que parecia que vinham “de um País onde não acontecia nada”, como se referia na época com vincada ironia, complementada com expressões como aquela que dizia “se queres saber o que se passa em Portugal, compra o Le Monde”, porque estão então os processos da PIDE inundados de recortes de notícias de jornais publicadas? No caso do processo principal de Fernando Namora verificamos que os documentos que estão em maior número são mesmo os recortes ou cópias de páginas de jornais. Mas, o caso de Namora não é único, bem longe disso.

É claro que todos os elementos serviam para compilar um quanto mais robusto processo, melhor. Mas, pergunta-se: mesmo com notícias ditas “inocentes”, que já haviam passado pelo crivo da Censura? A resposta é sim!

Após a análise dos processos da PIDE de Namora verifiquei que, muitas vezes, as notícias publicadas nos jornais pareciam resultar no principiar de diligências ou investigações por parte daquela Polícia. Vejamos alguns exemplos.

O jornal República, de 12 de Junho de 1951, anunciava a exibição no cinema Tivoli do filme Les Visiteurs du Soir, de Marcel Carné, no âmbito das denominadas “terças- feiras clássicas do Tivoli”, com comentário inicial de Fernando Namora. E lá esteve no cinema Tivoli um agente da PIDE que produziu, no dia seguinte, o seu relatório sobre a intervenção do escritor. 



Já o Diário de Lisboa, de 17 de Março de 1957, destacava um encontro de escritores, realizado na Casa do Alentejo, com a presença de cerca de 60 escritores portugueses, para debater assuntos relacionados com a actividade literária. A notícia terminava com a indicação de que se passaria a realizar, entre os escritores nacionais, uma reunião mensal a ocorrer no primeiro Domingo de cada mês. Quando, no dia 28 de Abril, se realiza novo encontro dos escritores, já será sob a vigilância do agente da PIDEFernando Moutinho, cujo relatório também podemos apreciar no processo de Fernando NamoraTambém, muito provavelmente, a notícia publicada na imprensa diária nacional, sobre um banquete de homenagem a Fernando Namora, por este ter conquistado o prémio Ricardo Malheiros, atribuído pela Academia das Ciências, a realizar no Salão de Chá Imperium, no dia 19 de Dezembro de 1953, terá originado um acompanhamento muito próximo do evento por parte da PIDE, com um primeiro relatório sobre os preparativos do banquete, e a presença no referido jantar de um agente da PIDE, cujo relatório, com seis páginas, sobre quem esteve presente e o que ali se disse, foi elaborado nos dias seguintes. Mas, sem qualquer sombra de dúvida, é a partir de um apontamento noticioso veiculado pelo Diário de Notícias, de 5 de Fevereiro de 1957, que publica uma notícia com origem na Rádio Moscovo, anunciando a participação de obras de escritores portugueses, entre os quais Fernando Namora, numa exposição de livros em Moscovo que, dois dias depois, os serviços de informação americanos, referindo expressamente aquela notícia de jornal, solicitam à PIDE elementos sobre os escritores mencionados na notícia, sobre quem confessam nada saber: Fernando Namora, Manuel Mendes, Carlos de Oliveira e António José Saraiva.



Concluindo, e talvez paradoxalmente, se a Censura cortava cerce, a PIDE ainda conseguia, após o viso daquela, desenvolver investigações e vigilâncias a partir da leitura da imprensa.

PAULO MARQUES DA SILVA

[NOTA  IMPORTANTE: 

Este artigo foi publicado originalmente no jornal Terras de Sicó, 2ª Quinzena de Novembro de 2020Ano 7, nº 139, p. 16, com a epígrafe - Pequenas histórias da PIDE e da Censura.

Itálico, negritos e tratamento da imagem da responsabilidade de A.A.B.M.]

terça-feira, 2 de junho de 2020

O CORREIO INTERCEPTADO – JOSÉ FERREIRA BORGES



[José Ferreira Borges] O Correio Interceptado, Ano I, nº 1 (1 de Novembro 1825) ao nº 63 (24 de Agosto 1826); Londres, Imprensa de M. Calero, nº17, Frederick Place, Goswell Road, 1825, 297-I-VI-II págs.

Trata-se de um curioso periódico publicada em Londres por José Ferreira Borges, em forma de cartas (63 cartas, sem contar com a do prólogo) e publicado sob anonimato. Faz parte, portanto, da importante e poderosa imprensa da emigração, seguindo, como será evidente, a linha liberal de D. Pedro. Inocêncio Francisco da Silva considera que nestas Cartas “são examinados com crítica chistosa e severa diversos actos do governo daquelle tempo, e se tratam muitos assumptos de interesse para a historia contemporanea”.

Uma das Cartas publicadas expõe uma censura feita ao médico (liberal e maçon), Bernardo José de Abrantes e Castro, pelo fundibulário absolutista e, na época, censor, o padre José Agostinho de Macedo. Diga-se que o dr. Bernardo Abrantes interveio a favor da concessão de uma pensão anual vitalícia (pela Oração proferida pelo padre nas exéquias de D. João VI) ao truculento Agostinho de Macedo. Porém o furibundo padre injuriava sistematicamente o dr. Abrantes, em escritos e sátiras várias. Aconteceu que o Censor Ordinário, o padre José Agostinho de Macedo, na análise e censura a uma obra introduziu um “paragrapho final, tão intempestivo quanto impertinente, em que o Dr. Abrantes era atrozmente enxovalhado” [cf. Inocêncio F. da Silva, Memórias de José Agostinho de Macedo, p. 127]. Porém, uma cópia dessa censura foi enviada para Londres, tendo sido publicada no periódico de José Ferreira Borges, O Correio Interceptado. Curiosamente esse jornal chegou a Lisboa no momento em que o dr. Abrantes prestava ao padre o assinalado serviço referente à sua pensão vitalícia. O ingrato padre, sem qualquer vergonha, recorreu a “uma falsidade, negando que tivesse escrito na Censura o período em que se revelava a baixeza do seu ânimo, e n'este sentido fez imprimir o pequeno folheto": Resposta aos colaboradores do infame papel intitulado correio interceptado numero 6 impresso em londres, Typ. de Bulhões, 1826, 16 p.
 
 
 
J.M.M.

domingo, 20 de novembro de 2016

ENCONTROS DE OUTONO 2016: CENSURA EM PORTUGAL (1910-1974)

Nos próximos dias 25 e 26 de Novembro de 2016, realiza-se em Famalicão, no Museu Bernardino Machado, mais uma das edições dos ENCONTROS DE OUTONO, desta vez subordinado ao tema: Censura em Portugal (1910-1974).

Uma edição com muitos investigadores de renome que vão apresentar os resultados das suas pesquisas, reflexões e análises sobre o tema em análise. 

O programa do colóquio é o seguinte:


25 de Novembro (6ª Feira)

9h30
Abertura
Dr. Paulo Cunha
Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão

Doutor Norberto Ferreira da Cunha
Coordenador Científico do Museu Bernardino Machado

10h00
A censura na I República (1910-1926)
Doutor José Manuel Tengarrinha
Faculdade de Letras
Universidade de Lisboa

10h30
A censura nos governos republicanos "bloquistas" (1911-1913)
Doutor Norberto Ferreira da Cunha
Universidade do Minho


11h00
Debate

Intervalo

11h30
A censura no Governo de Afonso Costa (1913)
Doutor Jorge Pais de Sousa
Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20)
Universidade de Coimbra

12h00
A censura em Portugal durante a I Guerra Mundial (1914-1918)
Coronel Doutor Luís Alves de Fraga
Universidade Autónoma de Lisboa

12h30
Debate

Almoço

15h00
A proibição da censura e a repressão a periódicos durante o Governo Provisório (1910-1911)
Doutor Ernesto Castro Leal
Faculdade de Letras
Universidade de Lisboa

15h30
A censura no ocaso da I República (1919-1926)
Doutor António José Queiroz
Centro de Filosofia
Universidade Católica Portuguesa (Porto)

16h00
Debate

Intervalo

16h30
A censura salazarista: a lei e a prática
Doutor Alberto Arons de Carvalho
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa

17h00
Debate

Conclusão


26 de Novembro (Sábado)

10h00
A censura durante a Ditadura Militar e os primeiros anos do Estado Novo (1926-1939)
Doutor Luís Farinha
Instituto de História Contemporânea da FCSH
Universidade Nova de Lisboa

10h30
Censura e publicações periódicas infanto-juvenis no Estado Novo (1954-1974): O Papel da Comissão para a Literatura e Espetáculos para Menores
Mestre Ricardo Leite Pinto
Faculdade de Direito da Universidade Lusíada de Lisboa
Vice-Chanceler das Universidades Lusíada

11h00
Debate

Intervalo

11h30
A censura ao teatro durante o Estado Novo
Doutora Ana Cabrera
Instituto de História Contemporânea da FCSH
Universidade Nova de Lisboa


12h00
Censura e cinema durante o Marcelismo
Doutora Ana Bela Morais
Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras
Universidade de Lisboa

Debate

Encerramento

NOTA: As inscrições e a participação nas conferências são gratuitas e dão direito a Certificado de Participação.

Creditação pelo CFAE (Centro de Formação de Associação de Escolas de Vila Nova de Famalicão).
Acreditado pelo Centro de Formação Científica. Grupos: Português e HGP (200); Português e Francês (210); Português e Inglês (220); Português (300); História (400). 
Duração: 13h
Créditos: 0,5.

Um colóquio muito interessante e que se recomenda aos seguidores do Almanaque Republicano, que nos últimos anos tem divulgado este evento, porque nos parece de grande qualidade.

A.A.B.M.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A CENSURA E OS MANUAIS ESCOLARES DO ENSINO PRIMÁRIO: CONFERÊNCIA NO MUSEU BERNARDINO MACHADO

Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, realiza amanhã, 16 de Setembro de 2016, pelas 21.30 h, uma conferência incluída no ciclo dedicado ao tema da Censura na Ditadura Militar e no Estado Novo, desta vez tem como convidado o Prof. Augusto Monteiro.

Título da conferênciaA Censura e os Manuais Escolares do Ensino Primário (De Carneiro Pacheco aos fins da década de 60).

Conferencista: Augusto Monteiro
Local: Museu Bernardino Machado

Contactos
Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79
4760 - 114 Vila Nova de Famalicão


Telefone: 252 377 733
E-mail: museu@bernardinomachado.org
Vila Nova de Famalicão

Entrada Livre

Data: 16 de Setembro de 2016

Horário: 21:30 h

O conferencista Augusto José Rodrigues Martins Monteiro é professor aposentado, colabora com o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidade de Coimbra, onde integra o grupo Políticas e Organizações Educativas e Dinâmicas Educacionais.

Natural de Bragança, onde nasceu em 1947, mas residindo em Coimbra há muitos anos, foi professor de História do ensino básico e secundário, orientador de estágio e formador de professores na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde leccionou disciplinas ligadas à Didáctica da História.

Publicou diversas obras e artigos como:
- Manteigas na segunda metade do século XVIII: os homens e a indústria, Manteigas, 1992;
Três estórias (pouco) doces, 1992 (Prémio da Associação Portuguesa de Escritores e Prémio da literatura infanto-juvenil da APE);
- Imaginação e criatividade no ensino da história : o texto literário como documento didáctico, APH, Lisboa, 1997;
25 de Abril uma aventura para a democracia : texto para os alunos, (org.), Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, Coimbra, 2000;
- 25 de Abril : outras maneiras de contar a mesma história (co-autoria com Maria Manuela Cruzeiro), Editorial Notícias, Lisboa, 2000;
Em Abril, histórias mil... : (as do 25 de Abril e outras), Coimbra, Lápis de Memórias, 2012;

Conta ainda vários artigos publicados e conferências realizadas.

Uma iniciativa a que desejamos o maior sucesso.

A.A.B.M.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

CENSURA CONTINUA A SER TEMA DE INVESTIGAÇÃO NO MUSEU BERNARDINO MACHADO

No âmbito do ciclo de conferências A Censura na Ditadura Militar e no Estado Novo realiza-se amanhã, 15 de Julho de 2016, pelas 21.30h, no Museu Bernardino Machado uma nova sessão.

O convidado será Henrique Barreto Nunes.

O tema desta conferência é Estes Escritores Morreram.

Sobre o conferencista Henrique Barreto Nunes podemos dizer que nasceu em Monção, em 1947. Fez o curso de História na FLUC, que terminou em 1972, frequentando depois o curso de Bibliotecário-Arquivista, que terminou em 1974. Desde 1986 foi Assistente Convidado do Curso de Especialização em Ciências Documentais da Faculdade de Letras do Porto e docente da disciplina de Leitura Pública em cursos similares das Universidades de Lisboa e de Coimbra. Dedicou-se à defesa da causa do Salvamento da Bracara Augusta, fundador e dirigente da ASPA (Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural) e envolveu-se na luta  por outras outras causas cívicas.

Desempenhou as funções de director da Biblioteca Municipal de Braga até 2010, quando se aposentou.

Foi ainda membro da Assembleia da Universidade do Minho, foi eleito para o referido Senado Universitário, membro do  Conselho Cultural e da Comissão Instaladora da Casa-Museu de Monção, ainda do Conselho Científico da Sociedade Martins Sarmento (Guimarães), Conselho Consultivo da associação literária “Autores de Braga”, integrou o Conselho Superior das Bibliotecas Portuguesas, o Conselho Consultivo do Instituto Português do Livro e da Leitura e o Núcleo de Apoio do Serviço de Bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian, foi ainda membro da Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura.

Foi dirigente da BIBLIOMÉDIA, da Secção Portuguesa do IBBY e da LITTERA, pertenceu em diferentes períodos aos corpos dirigentes da BAD.
Tem colaborado regularmente na imprensa minhota, como “Notícias do Minho” (Braga), “A Terra Minhota” (Monção) e “Diário do Minho” (Braga). Dirigiu as revistas “Mínia” (ASPA) e "Bibliomédia", foi coordenador editorial da revista “Forum” (Conselho Cultural da Universidade do Minho) e director do “Solta Palavra : Boletim do CRILIJ” (Porto).

Publicou:

- “Da Biblioteca ao Leitor” (Braga : Autores de Braga, 1996; 2ª ed. 1998);
- “Tradições académicas de Braga” [coord. e co-autor], (Braga : AAUM, 2001).

O currículo do conferencista pode ser consultado AQUI.

A divulgar e participar com todo o empenho.

A.A.B.M.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

A CENSURA NO ESTADO NOVO SOBRE O TEATRO UNIVERSITÁRIO: CONFERÊNCIA

Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, tem vindo a realizar ao longo deste ano um ciclo de conferências dedicado ao tema da Censura na Ditadura Militar e no Estado Novo, desta vez tem como convidado o Professor José Oliveira Barata.

Título da conferência: A Censura do Estado Novo sobre o Teatro Universitário.

ConferencistaJosé Oliveira Barata

Local: Museu Bernardino Machado

Contactos
Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79
4760 - 114 Vila Nova de Famalicão


Telefone: 252 377 733
E-mail: museu@bernardinomachado.org
Vila Nova de Famalicão

Entrada Livre

Data: 27 de Maio de 2016

Horário: 21:30 h

Uma iniciativa a que desejamos o maior sucesso.

A.A.B.M.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A CENSURA DO ESTADO NOVO SOBRE O JORNAL DE NOTÍCIAS: CONFERÊNCIA

O Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, tem vindo a realizar ao longo deste ano um ciclo de conferências dedicado ao tema da Censura na Ditadura Militar e no Estado Novo, desta vez tem como condidada a jornalista e investigadora Isabel Forte.

Título da conferênciaA Censura do Estado Novo sobre o Jornal de Notícias

Conferencista: Isabel Forte

Local: Museu Bernardino Machado

Contactos
Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79
4760 - 114 Vila Nova de Famalicão


Telefone: 252 377 733
E-mail: museu@bernardinomachado.org
Vila Nova de Famalicão

Entrada Livre

Data: 29 de Abril de 2016

Horário: 21:30 h

Uma iniciativa a divulgar e a que desejamos o maior sucesso.

A.A.B.M.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

BOLETIM DA DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE CENSURA RELATIVO À CAMPANHA ELEITORAL

 
 
Boletim da Direcção dos Serviços de Censura - [CONFIDENCIAL] Boletim n.º 16/61 da Direcção de Censura dando instruções aos censores para o período relativo à campanha das eleições para deputados [13 de Outubro de 1961]

via Casa Comum, com a devida vénia

J.M.M.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

HENRIQUE GALVÃO - MINHA CRUZADA PRÓ-PORTUGAL. SANTA MARIA

 
 
Henrique Galvão, "A Minha Cruzada Pró-Portugal. Santa Maria" [ed. fac-similada], Livraria Martins, São Paulo, 1961, p. 201.
 
Trata-se do volume nº 9, da colecção “Livros Proibidos do Estado Novo” (do jornal PÚBLICO), em versão facsimile, que vem acompanhado do respectivo relatório oficial da censura. O livro, de imediato proibido de circular “conta a história do sequestro do luxuoso paquete Santa Maria, pelo Capitão Galvão, o próprio autor, a 23 de Janeiro de 1961. O objectivo era chamar a atenção do mundo para a longa ditadura portuguesa e denunciar o regime ditatorial franquista de Espanha" [ler AQUI]
 
Sobre a obra, publicada inicialmente no Brasil (1961) e posteriormente editada em Portugal com o título “Assalto ao Santa Maria” (Edição Delfos, 4 de Julho de 1973), transcrevemos o artigo publicado no mesmo jornal, por Álvaro de Matos, coordenador da Hemeroteca Municipal de Lisboa [onde tem desempenhado um elevado trabalho de serviço público, que todos lhe reconhecem] e Investigador Centro de Investigação Media e Jornalismo.
 
«A primeira “libertação de uma parcela do território nacional”…», jornal PÚBLICO, 4 de Junho de 2014, p. 47 – por Álvaro de Matos (sublinhados nossos)
 
“Na ressaca do assalto ao Santa Maria, e aproveitando o seu impacto mediático, Henrique Galvão (HG) publica no Brasil, em 1961, Minha Cruzada Pró-Portugal. Uns anos mais tarde, em 1973, já depois da morte do autor, o livro sai em terras lusas, com outro título, O Assalto à “Santa Maria”, com a chancela da Delfos. A obra conta a história da “Operação Dulcineia”, nome pelo qual ficou conhecido o plano de sequestro do luxuoso paquete transatlântico português Santa Maria, orquestrada pelo próprio autor. Por sua vez, “a acção deveria servir de rastilho a um levantamento popular que, no caso português, poderia ser iniciado, segundo HG, em qualquer ponto vulnerável do Império, onde começavam a surgir então os primeiros fermentos de rebelião nacionalista contra a “política colonial tirânica de Salazar” (Barreto, 1999).
 

 
Através do choque provocado na opinião pública internacional, HG, com um grupo de exilados políticos espanhóis liderados pelo Capitão Sotomayor, pretendia chamar a atenção das democracias ocidentais para a situação política ibérica. Mas O Assalto ao “Santa Maria” não se fica pelo registo dessa acção verdadeiramente quimérica que, apesar de não ter atingido os seus fins, constituiu um duro golpe na credibilidade do Estado Novo, mostrando o seu crescente isolamento internacional. O livro incorpora também um dos mais violentos ataques políticos feitos ao regime e ao carácter de Salazar.
 
Aquilo que HG classifica como “cenário político e moral” que, no seu entender, justificava a tomada do Santa Maria. Esta devia ser vista como “um propósito político e bem claro de rebelião”, e não como um acto de pirataria, como pretendeu o regime. Salazar é pois descrito como um homem “devoto, mas não genuinamente religioso”, fabricador de “uma falsa personalidade”, que lhe serviu “de disfarce para ocultar a verdadeira, que era incapaz de actos democráticos”; portanto, um “impostor habilidoso”, que centralizou “nas suas próprias mãos todos os instrumentos de poder arbitrário e irresponsável”; que chegou ao poder reduzindo a população “a uma obediência de rebanho” e perseguindo “toda a oposição”; criou, assim, um “Estado totalitário”, assente num “único partido político”, numa polícia política “copiada da Gestapo”, na “censura prévia aplicada a todas as manifestações de pensamento político ou vida intelectual”, e noutros pilares conhecidos.
 
Segue-se a desconstrução veemente dos “reais feitos” de Salazar que, na realidade, para HG, traduziam-se antes na “degradação do povo português” (sujeito “à miséria moral dos povos párias dos países totalitários”), na corrupção generalizada da sua administração (“No actual Portugal de Salazar, tudo é comprado e vendido”), na transfiguração do exército numa “guarda pretoriana servil” (logo, inútil para a defesa nacional), na existência de um governo medíocre (responsável pela “miséria de mais de 80% da população portuguesa nos aspectos vitais da sua existência como seres humanos”), numa educação plasmada num “imbróglio mental e organizacional” e, por fim, numa justiça que não primava pela independência, transformada no “negócio mais monstruoso” do país.
 
O retrato era arrasador, feito por um homem que tinha desempenhado um papel importante no 28 de Maio, como militar, e no regime, como funcionário colonial e deputado por Angola, mas que rompera com o Estado Novo no final dos anos 40 devido às suas críticas às condições da colonização angolana (Março de 1949).
 
 
 
 
Sem surpresa, a circulação do livro foi proibida. O editor ainda amenizou “certas expressões mais incisivas do autor”, exercício que não influiu na apreciação do censor:
 
Na primeira parte deste livro faz-se um relato da história política do regime. A segunda parte é o relato da operação. Em ambas se insulta fortemente o governo, as instituições em geral, muitas pessoas, etc.
 
E acrescentava, antes de concluir pela apreensão provisória do livro:
 
Entre outros, há aqui ofensas à magistratura, às forças armadas e à administração em geral que é acusada de corrupção. Além disso, o livro, tal como está escrito, parece constituir um forte incitamento à violência política”.
 
A sentença é bastante expressiva do que era a censura nesta altura, muito preocupada com as críticas que mais pudessem afectar a segurança e o prestígio do regime, ou as suas principais figuras políticas, de que os temas abordados por HG eram caso sintomático. Daí a reacção repressiva, a priori, no caso da imprensa escrita, e a posteriori, no caso dos livros, mas articulada com outra vertente não raras vezes esquecida da acção da censura: a tentativa, que vinha de trás, de formação de um bloco de opinião nacional favorável ao Estado Novo, incompatível com a “Cruzada Pró Portugal” do nosso autor. Mas 6 meses depois, com o 25 de Abril de 1974, o objectivo último da aventura do rebaptizado Santa Liberdade era concretizado: “o desmoronamento do regime salazariano”.
 
[Álvaro Costa de Matosin «A primeira “libertação de uma parcela do território nacional”…», jornal PÚBLICO, 4 de Junho de 2014, p. 47
 
J.M.M.