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sábado, 4 de abril de 2015

ARMANDO ADÃO E SILVA (1909-1993)


Armando Adão e Silva nasceu em Lisboa, em 24 de Fevereiro de 1909 [cf. “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo, 1945-1973 – Um Dicionário", Texto, 2009]. Depois dos estudos liceais no Gil Vicente, frequenta a Universidade de Direito de Lisboa, onde se forma [em 1931; foi colega de curso de Acácio Gouveia, Fernando Olavo, José Magalhães Godinho, Teófilo Carvalho dos Santos e Nuno Rodrigues dos Santos – cf. José Ribeiro dos Santos, “Memórias da memória, Rolim, 1986, p. 109], seguindo a profissão de advogado, especializado em questões de matéria comercial.
Adão e Silva é iniciado na maçonaria [n.s.Mestre de Avis”] a 27 de Janeiro de 1935, na Loja Liberdade, nº 197, do qual foi Venerável durante a clandestinidade [a Loja Liberdade foi das poucas lojas que se manteve em actividades durante a clandestinidade – sobre a Loja Liberdade ver AQUI; consultar Adão e Silva e a Loja Liberdade no livro “Uma História da Maçonaria”, de António Ventura, 2013]

Em 1943, Adão e Silva, é membro fundador da União Democrato-Socialista
[UDS – núcleo antifascista, que é criado após a formação do NDAS (Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista, que tem como apoiantes, entre outros, António Macedo, Artur Santos Silva, Costa e Melo, Fernando Valle, Gustavo Soromenho, Manuel Mendes, Mário Cal Brandão, Mário Castro, Paulo Quintela, Teixeira Ribeiro, Vitorino de Magalhães Godinho), de que faziam parte, além de Adão e Silva, Fernando Mayer Garção, José Joaquim Gaita, Carlos Sá Cardoso. Publicou o periódico clandestino “V” – ver “Socialistas na Oposição ao Estado Novo, de Susana Martins, 2005],
que fundindo-se com o NDAS, dá origem, em 1944 [ou finais de 1943?], à União Socialista, mantendo-se em actividade até à década de 50 [cf. “Socialistas …, ibidem]. Refira-se que surge Adão e Silva [juntamente com Teófilo Carvalho dos Santos, Vasco da Gama Fernandes, Carlos Vilhena e Mayer Garção] como filiado num “Partido Trabalhista Português”, que segundo José Pacheco Pereira [citado no "Socialistas …”, ibidem, p. 50] resulta de “uma mistura entre uma organização política clandestina e um grupo de inspiração maçónica   
Armando Adão e Silva integra o MUNAF (1943-44), participa na célebre reunião de 8 de Outubro de 1945, no Centro Escolar Republicano Almirante Reis, que origina a constituição do MUD


[é um dos subscritores do requerimento ao governador civil de Lisboa a pedir autorização para essa célebre reunião, juntamente com Afonso Costa (filho), Alberto Candeias, Guilherme Canas Pereira, Gustavo Soromenho, José Magalhães Godinho, Luís da Câmara Reis, Manuel Catarino de Castro, Mário Lima Alves, Manuel Mendes, Teófilo Carvalho dos Santos; a reunião, num sala repleta, foi presidida pelo prof. Barbosa de Magalhães - na FOTO acima Adão e Silva é o 3º, a contar da direita, de braços cruzados; a FOTO marca a presença da Comissão Central do MUD na saída do governo civil, a 6 de Novembro de 1945, onde foi apresentar as listas de apoiantes - via Casa Comum],
fazendo parte da sua primeira comissão central. Na campanha de Norton de Matos (1949) apoia o “grupo dos 24” [pró-atlantista e pró-americano], que rompe com o PCP. Participa em 1949, ainda, no Directório Democrato-Social [grupo de republicanos, conhecidos por “Os Barbas”, onde se integravam Acácio Gouveia, António Sérgio, Azevedo Gomes, Carlos Sá Cardoso, Jaime Cortesão, Nuno Rodrigues dos Santos, Raul Rego].
Em Maio de 1953 é um dos fundadores da “Comissão Promotora do Voto”, uma “iniciativa de António Sérgio [e de Luís de Almeida, Manuel Duarte, Mayer Garção, João Pedro dos Santos, Nuno Rodrigues dos Santos], em vésperas da eleições legislativas de Novembro desse ano e quando a oposição de encontrava profundamente dividida” [cf. José Pacheco Pereira, in Ephemera] e que contava com “o apoio do Directório Democrato-Social” [ibidem].
Em 1954, é Adão e Silva um dos subscritores da tentativa de fundação da associação política “Causa Republicana”, que foi indeferida pelo Estado Novo [fez parte da sua comissão fundadora, que integrava, entre outros, Barbosa Magalhães, Azevedo Gomes, Cunha Leal, Marques Guedes, José Domingos dos Santos, Ramada Curto, Câmara Reis, Ramon De La Feria, Dias Amado, Mayer Garção, Casais Monteiro, Sá Cardoso, Acácio Gouveia, Nuno Rodrigues dos Santos, Gustavo Soromenho; do mesmo modo integrava, a 5 de Outubro de 1954, o Secretariado da projectada associação - ver TUDO AQUI]
Curiosamente, Adão e Silva, não integra a Acção Socialista, nem adere à fundação do Partido Socialista. Apoia, sempre, as campanhas eleitorais contra a ditadura, tendo sido candidato nas eleições de 1953, 1965 e 1969.
Foi preso em 1959 e, na sequência de ter sido um dos 62 signatários do “Programa para a Democratização da República” [1961], é de novo levado para a prisão [cf. “Candidatos da Oposição …, ibidem]. Pertenceu à Liga Portuguesa dos Direitos do Homem [fundada em 1923 por Sebastião Magalhães Lima], fazendo parte do seu directório, bem como fez parte dos corpos directivos da Ordem dos Advogados. Foi por diversas vezes advogado dos presos políticos do Estado Novo, nos tribunais plenários.   
Após o 25 de Abril, a 15 de Julho de 1974, faz parte, com Adelino da Palma Carlos [e Almeida Ribeiro, Norberto Lopes, António Waldemar, Paradela de Abreu], do denominado “Partido Social-Democrata Português”, de raiz humanista racionalista, que desaparece, sem êxito. Adere ao Partido Socialista, demitindo-se em 1978, seguindo os “renovadores”, integrando o “Grupo de Acção Renovadora”. É eleito deputado pela Aliança Democrática, nas eleições intercalares de Dezembro de 1979, pelo círculo de Aveiro. Ainda, como curiosidade, registe-se que fez parte do “conselho jurisdicional do Sport Lisboa e Benfica e foi presidente da Associação de Futebol de Lisboa”.
Após o 25 de Abril de 1974, Armando Adão e Silva esteve presente na reorganização do GOL [acompanhando nessa missão outros dedicados maçons, como A. H. de Oliveira Marques, Carlos Sá Cardoso, o comandante Simões Coimbra, Luís Dias Amado, Luís Gonçalves Rebordão, entre outros] e foi importante na restituição do Palácio Maçónico [ver, p. expl., os jornais de 7 de Maio de 1974, onde é apresentado um comunicado assinado por Adão e Silva, Dias Amado e o comandante Simões Coimbra, como representantes do “Grémio Lusitano”. O Palácio Maçónico tinha sido ocupado - como resultado da Lei 1901 contra as Associações Secretas - pela Legião Portuguesa, em 1937, com o confisco dos seus bens. A Lei 1901 foi anulada a 4 de Novembro de 1974 e o Palácio foi restituído aos seus legítimos proprietários]. Foi, Adão e Silva, Presidente do Conselho da Ordem do GOL e em 1981, sucedeu a Dias Amado como Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, mantendo-se no cargo até 1984.
Morre, em Lisboa, a 1 de Abril de 1993.

FOTO de Adão e Silva, via António Ventura Facebook, com a devida vénia.

J.M.M.

sábado, 26 de janeiro de 2013

LUÍS ERNÂNI DIAS AMADO (Parte III)


Colaborou no Congresso dos Anatomistas em 1933 e no Congresso de Anatomia, realizado em Lisboa em 1941.

A propósito da publicação da sua obra Organização da Matéria Viva foi organizado um relatório pelo Secretariado de Propaganda Nacional, de Maio de 1942 (Relatório nº 1764), devido à censura exercida sobre este título.

Por decreto de 18 de Junho de 1947 foi afastado do serviço de assistente na Faculdade de Medicina por motivos políticos.

Trabalhou também, ainda que oficiosamente, no Instituto Português de Oncologia, onde publicou alguns trabalhos.

Em 1957, era membro do Movimento Nacional de Defesa da Paz e da Comissão Cívica Eleitoral e foi um dos signatários da exposição enviada ao Presidente da República, no dia 1 de Outubro, explicando os motivos pelos quais a oposição não se apresentava a sufrágio. No ano seguinte, foi escolhido para a Comissão Nacional Pró-Candidatura do Eng. Cunha Leal à Presidência da República, candidatura que não vingou. Fez depois parte da comissão central dos serviços de candidatura do general Humberto Delgado à Presidência da República. Foi presidente da Comissão Administrativa da Liga dos Direitos do Homem (1950) e, em 1961, foi um dos subscritores do Programa para a Democratização da República, pelo que foi preso durante alguns dias. Ainda nesse ano foi candidato a deputado pela oposição pelo círculo de Lisboa em 1961, juntamente com João Maria Paulo Varela Gomes, Nikias Ribeiro Skapinakis, Augusto Casimiro dos Santos e Agostinho de Sá Vieira, entre outros.

A 2 de Janeiro de 1960 é reactivada a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, que se filia na Fedération Internationale des Droits de L’Homme. Em Maio desse ano assume a presidência deste grupo para-maçónico Luís Ernâni Dias Amado.

Voltaria a ser preso, em Dezembro de 1963, acusado de «actividades contra a segurança do Estado», por pertencer às Juntas de Acção Patriótica, tendo sido julgado em Outubro do ano seguinte e absolvido.

Até o jornal Avante, órgão oficial do Partido Comunista Português, que se publicava clandestinamente (nº 334, Janeiro de 1964) assinalava no seu artigo "Abaixo a Repressão" (p. 4, col. 2-3) a acção repressiva do governo salazarista que tinha detido nessa mesma altura entre outros: Mário Cal Brandão, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel de Oliveira (realizador de cinema), Jaime Moreira, Pedro Alvim, Manuel Durão, entre muitos outros.
Foi um dos fundadores a Acção Socialista Portuguesa.

Em Fevereiro de 1969 foi um dos subscritores da Exposição da Comissão Promotora do Voto, juntamente com Luís Filipe Lindley Cintra, Henrique de Barros, Gustavo Soromenho, Francisco Lino Neto, Nuno Teotónio Pereira, José de Magalhães Godinho, Rui Grácio, Virgílio Ferreira, Maria Keil Amaral, Álvaro Salema, Fernando Namora, Alberto FerreiraMário Sottomayor Cardia, José Vasconcelos Abreu, João Bénard da Costa, Gonçalo Ribeiro Teles, António Ribeiro Reis, José Gomes Ferreira, José Carlos Serras Gago, Jaime José Matos da Gama, José Luís do Amaral Nunes, José Guimarães, António Galhordas, Nuno Brederode Santos, Nuno Portas, Joel Serrão, Alfredo Barroso, Joaquim Mestre, Francisco Pereira de Moura, Maria Joana de Meneses Lopes, Cascão de Anciães, José Pinto Correia, António Alçada Baptista, José Pinheiro Lopes de Almeida, Eugénio Augusto Marques da Mota, Emídio Santana e Fernando Veiga de Oliveira.

Foi um dos autores da exposição que deu entrada na Assembleia Nacional em 1971 visando a reclamação de um conjunto de liberdades e direitos fundamentais, entre o direito à resistência à violência e ao arbítrio, procurando impedir as situações de deportação ou exílio e limitar as prisões a um período máximo de 24 horas e não por tempo indefinido, como na prática acabava por acontecer.

Em 1973, é um dos subscritores do manifesto "A Nação", onde se insurge contra os falsos sinais de liberalização introduzidos pelo governo de Marcelo Caetano.

Após o 25 de Abril de 1974 foi reintegrado na Universidade simbolicamente como professor catedrático.

Foi iniciado na Loja Madrugada em 1928. Adoptou inicialmente o nome simbólico de Garcia de Orta, e, mais tarde, por motivos de segurança, devido à vigilância e à proibição das sociedades secretas e consequente ilegalização da Maçonaria adoptou o nome simbólico de Zacuto Lusitano. Segundo se consegue saber é dos poucos casos em que tal circunstância foi permitida. Em 1931 atingiu o 7º RF e tornou-se venerável da Loja Madrugada (1931-35). Foi Vice-Pres. Cons. Ordem (1945?-1957) e Grande Secretário das Relações de Justiça (1937-1951). Desempenhou depois, durante a clandestinidade, as funções de Grão-Mestre Adjunto (1957-1974). Depois da renúncia de Luís Gonçalves Rebordão, assumiu de forma interina foi Presidente do Conselho da Ordem (1957-1974) e, mais tarde, Grão-Mestre interino, depois definitivo (1974-81). Segundo o Prof. Oliveira Marques, foi um dos grandes responsáveis pela manutenção da actividade maçónica durante a clandestinidade e desempenhou papel de destaque na reorganização após Abril de 1974.

Um elemento curioso, que deve ser pouco conhecido da maioria dos que conhecem a sua vida, é que sendo ele filho de Luís Dias Amado, farmacêutico com algum sucesso, natural de Portimão e que se radicou em Lisboa, onde desenvolveu a sua actividade profissional. A razão do sucesso deste residiu na criação/invenção, do Depurativo Dias Amado que era preparado na Farmácia Ultramarina, situada na Rua de S. Paulo, nº 99, em Lisboa. Este medicamento acabou por obter reconhecimento do Rei D. Carlos, que concedeu a Luís Dias Amado o título de Visconde de Santa Isabel e que, por direito, devia ser transmitido a Luís Ernâni Dias Amado. Porém, como este era republicano acabou por nunca usar o título e passou-o para seu irmão, Luís Osvaldo Dias Amado, monárquico convicto e também ele médico, que acabou por se dedicar à indústria cinematográfica em Espanha.

Fez parte do Directório Democrático e Social que tinha como líder o Prof. Azevedo Gomes.

Na sua actividade profissional, foi chefe dos Serviços de Análise Clínica dos Hospitais Civis de Lisboa. Conferencista e articulista, com colaboração em diversos jornais e revistas.
Pertenceu à Sociedade Portuguesa de Anatomia; Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais; Sociedade Portuguesa de Biologia; Universidade Popular Portuguesa.
Em plena sessão parlamentar de 22 de Janeiro de 1981, o então deputado José Luís Nunes, formula os seus votos de pesar e recordava:
Combatente antifascista, grande professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, demitido pelo Governo Salazar, fiel aos princípios de liberdade do espírito, da razão, do racionalismo, do livre exame, da filosofia das luzes, grão-mestre da maçonaria é uma grande perda para o nosso país, para todos nós, para todos os antifascistas portugueses, para todos os democratas e para todos aqueles para quem a tolerância, o diálogo de ideias, a compreensão humana e os direitos do homem não são uma palavra vã.
Foi graças a homens como o Prof. Luís Hernâni Dias Amado que nós hoje podemos estar aqui presentes; foi graças a homens como o Prof. Luís Hernâni Dias Amado, que depois de 28 Maio de 1926 souberam manter no mais alto grau a luta cultural pela tolerância e pelos direitos do homem, que não caímos numa ditadura totalitária de sinal contrário; foi graças a homens como o Prof. Luís Hernâni Dias Amado que se apostou, desejou e conseguiu lutar pela construção de um mundo novo, pela construção de uma ideia nova e pela construção de uma cidade nova, que hoje nos encontramos também aqui a construir uma cidade nova, um mundo novo para Portugal.
O Prof. Luís Hernâni Dias Amado não pertence a nenhum partido político porque a sua mensagem espiritual vai para além daquilo que possa ficar em cada um dos partidos políticos. Creio que toda a sua vida política, toda a sua vida profissional, todo o exemplo que foi para todos nós se pode encerrar numa palavra: defesa dos direitos do homem, tolerância, respeito pela diversidade, dentro daquele célebre princípio enunciado por Saint-Exupéry, que dizia "Irmão, se diferes de mim, não me empobreces, antes me enriqueces." São estas as palavras que creio era dever de todos nós dizer nesta Assembleia. E porque Luís Hernâni Dias Amado nunca foi bandeira de qualquer partido político, ouso pedir a esta Assembleia que aprove um voto de profundo pesar pela sua morte e que guarde um minuto de silêncio por aquele que foi o Prof. Doutor Luís Hernâni Dias Amado, cuja memória, comovidamente, hoje evocamos.
Todos os outros grupos parlamentares acompanharam este deputado na sua evocação a que se seguiu um minuto de silêncio.

Publicações de índole científica:
- Contribuição para o estudo das células de Nicolas;
- Sur l'existance de cellules argentaffines dans le tissu conjuntiv des villosités intestinales;
- Sur la signification des cellules de Nicolas;
- Un processus de regéneration de l'epithelium intestinal;
- L'élimination du rouge neutre par l'estomac;
- Micoses do aparelho respiratório;
- Exame Laboratorial das discrasias sanguíneas;
- Organização da Matéria Viva,1942;
- Argentofilia e Argentafinidade, 1944;
- Étude du noyau des cellules argentofiles de l'intestin du Cobaye, et ses relations avec ceux des autres cellules de l'epithelion intestinel;
- L'injection souscutanné d'hydroquinne (étude citologique);
- Mácula Densa - Estudo Citológico, 1943;
- Tumores Carcinóides do Apêndice, 1944;
- A Organização Fundamental dos Seres Vivos, 1944;
- Mecanismos Reguladores da Secreção Renal, 1944;
- Images Citologiques obtenues par des Injections souscutanées d' Hydroquinone, 1944;
- Les Élements Argentophiles de la Parathyroidée (colab. Carlos Correia), 1944;
- L'Étude du Noyau des Céllules Argentaffines, 1945;
- Breves Considerações sobre um caso de Quistadenoma Pseudomuscoso do Ovário, 1945;
- Les Amas Céllulaires de Beches du Rein de Herisson, 1945;
- Aspectos Morfológicos e Fisiológicos da Circulação dos Ossos Fetais do Coelho (colab. Augusto Lamas e Celestino da Costa), 1946;
- L'Épithelium Placentaire du Cobaye, 1947;
- Colheita dos Produtos e Interpretação dos dados das Análise Clínicas, 1948;
- O Exame Funcional do Intestino pela Análise Coprológica, 1949;
- Doseamento fraccionado das Proteínas, 1950;
- O Prof. Egas Moniz e a investigação científica, 1950;
- Bioquímica do Terreno Canceroso, 1951;
- Morfologia e Histoquímica Placentária e suas relações com o cancro, 1951;
- O Adenograma normal e Patológico, 1951;
- Cancro e Hereditariedade, 1952;
- O Laboratório nas alterações funcionais da Tiroideia, 1953;
- Actualização dos Nossos Conhecimentos sobre  a Substância Fundamental, 1953;
- Vitaminas e Avitaminosas, 1953;
- Diagnóstico Laboratorial em Endicrinologia, 1954;
- A Irrigação dos Ossos, 1954;
- Laboratório e Clínica, 1956;
- Enciclopédia Médico-Cirúrgica Luso-Brasileira, 1960;
- Líquidos Orgânicos: Metabolismo da Água, Electrólitos e Ácido-Base, 1968;
- Reografia Intracardíaca: fundamentos teóricos e experimentais e algumas das suas contribuições hemodinâmicas, Lisboa, 1980.
- Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira;

Colaborações na Imprensa:
- O Diabo;
- Globo;
-Técnica;

O médico e combatente antifascista faleceu em Lisboa, a 22 de Janeiro de 1981. Para ver alguns depoimentos sobre o biografado ver o que se dizia nas páginas do jornal A Capital de 23 de Janeiro de 1981 AQUI.

Bibliografia consultada:
- GODINHO, José de Magalhães, "Dias Amado, uma vida ao serviço da liberdade", Diário de Lisboa, Lisboa, 27-11-1980, p. 3 e p. 22.
- LEMOS, Mário Matos, Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário, Col. Parlamento, Lisboa, Assembleia da República/Texto Editores, 2009, p. 101;
- MARQUES, A. H. de Oliveira, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. I, Lisboa, Editorial Delta, 1986, col. 56-57;
- MATEUS, Luís Manuel, Franco-Mações Ilustres nas Ruas de Lisboa, Biblioteca-Museu República e Resistência, Lisboa, 2003, p. 47;
- GEPB, vol. 8, Editorial Enciclopédia, Lisboa/Rio de Janeiro, s. d., p. 943;
- GEPB, vol. 39, Editorial Enciclopédia, Lisboa/Rio de Janeiro, s. d., p. 477-478;
- Rosas, Fernando; BRITO, José Maria Brandão de (direcção). Dicionário de História do Estado Novo. Venda Nova: Bertrand Editora, 1996. 2 vol. vol. I, pgs 41-42 (sv Luís Hernâni Dias Amado, por Luís Farinha)

[NOTA IMPORTANTE: A data do falecimento do Prof. Luís Ernâni Dias Amado surge em alguns locais publicada com lapsos. Alguns apontam 1 de Janeiro de 1981, e outros referem Junho de 1981, outros apontam o ano de 1991. A referência que apresentamos é segura porque a confrontamos com a imprensa da época que nos dá conta do infausto acontecimento, bem como o excerto da citação do Diário da Assembleia da República onde se homengeia o combatente da Liberdade e pela Democracia.]

A.A.B.M.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

LUÍS ERNÂNI DIAS AMADO (Parte II)






















Em 1934 participa na Liga Contra a Guerra e o Fascismo. Tendo sido um dos primeiros participantes do Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista (1942) que se viria a transformar na União Socialista em 1944, de que viria a ser um dos fundadores. Participou no Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista (M.U.N.A.F.), 1943-44, e no Movimento de Unidade Democrática (M.U.D.) em 1945.

Estando já referenciado pela polícia política em 1946, que o considerava um dos dissidentes do antigo Partido Socialista Português.

Envolve-se activamente nas campanhas de 1948 (Norton de Matos), 1951 (Quintão Meireles) e 1958 (Humberto Delgado). Na sequência do seu apoio a Norton de Matos foi preso em 19 de Agosto desse ano. No ano seguinte (1949), é um dos apoiantes de dois manifestos publicados sob o título Aos Democratas Portugueses, documento assinado por vários indivíduos, sendo o primeiro signatário Afonso Costa (filho), sobre criação de uma organização oposicionista com vista a actuar nas eleições à Assembleia Nacional em Novembro desse ano.

(NOTA: Clicar nos documentos para aumentar.
Os documentos foram, com a devida vénia, retirados da Casa Comum via Fundação Mário Soares)



A.A.B.M.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

NORTON DE MATOS: NOTAS BREVE - PARTE III


Norton de Matos: nota breve – Parte III

José Mendes Ribeiro Norton de Matos parte para Angola onde desempenha o cargo de Governador-Geral (1912-1915). É eleito deputado entre 1915-1917 e 1921-1925, sendo membro do Directório do Partido Democrático. Entretanto surge como Ministro das Colónias em 1915, depois Ministro da Guerra (1915-17) e "interinamente Ministro dos Negócios Estrangeiros" [1915; 1916. cf. Oliveira Marques, 1986]. Faz parte da Junta Revolucionaria da revolta de 14 de Maio de 1915, conspirando contra a ditadura de Pimenta de Castro. Não por acaso exila-se (1917-1919) no consulado Sidonista, ao mesmo tempo que é demitido de exército.

Em 1919 é delegado à Conferencia da Paz e, de novo, tem importante função em Angola, agora como Alto-Comissário (1920-1924). De 1924 a 1926 é o Embaixador de Portugal em Londres. Após a revolução de 28 de Maio de 1926, aparece como tendo acções de resistência, pelo que foi preso e colocado sob residência fixa (1927-1929) nos Açores.

[vidé sobre este período, e a propósito, a correspondência entre Norton de Matos, o General Sousa Dias e os combatentes de Fevereiro de 1927 in "O General Sousa Dias e as Revoltas Contra a Ditadura 1926-1931", por A. H. de Oliveira Marques, Dom Quixote, 1975. Note-se, ainda, a tentativa de criar um Comité Militar para fazer a "revolução", que seria chefiado por Norton de Matos, o que para o efeito levou à entrada clandestina de Jaime de Morais (em Junho de 1927) em Portugal (estava exilado na Galiza), para estabelecer acordos com o grupo do tenente-coronel Ribeiro de Carvalho]

Regressa Norton de Matos a Lisboa, mas de novo volta a exilar-se (1931-1932) no decorrer do 26 de Agosto de 1931. Nessa altura (Julho de 1931) liderava Norton de Matos a Aliança Republicana e Socialista

[movimento formado sob iniciativa de Sá Cardoso, que juntava várias correntes políticas unidas contra a Ditadura, pretendendo obter direitos como partido político e apostando na via legal contra a ditadura, de que faziam parte, além do General Norton de Matos, Mendes Cabeçadas, Hernâni Cidade, Duarte Leite, Ramada Curto, Mário de Azevedo Gomes, Mário de Castro e Tito de Morais, entre outros. A iniciativa de formar uma organização partidária, que aliás colhe alguma abertura por parte do general Carmona não tem efeito, dado a repressão verificada após a tentativa de revolta de 26 de Agosto de 1931, que põe fim às putativas intenções “pluralistas e liberais” do regime, sendo portanto "o canto do cisne do reviralhismo republicano" (cf. História Portugal, de José Mattoso, Vol. VII, 1994)]

Retorna Norton de Matos, em 1933, à sua casa em Algés, passando à reforma compulsiva da Função Pública em 1935. Surge como Presidente do Conselho Nacional do MUNAF (1943-45)

[Movimento de Unidade Nacional Antifascista, constituído em 1943, que editava o jornal Libertação Nacional. Diga-se que só aparece a sigla MUNAF em 1946. Até então o movimento assina CNUAF, ou Conselho Nacional Unidade Antifascista, de que faziam parte, além de Norton de Matos, Bento de Jesus Caraça, Mário de Azevedo Gomes, António Sérgio, Barbosa de Magalhães, José Magalhães Godinho, Fernando Piteira Santos, Moreira de Campos, Dias Amado (via GOLU), Alberto Candeias (via Seareiros), elementos do PCP, do Partido Socialista, da União Socialista, do Partido Republicano, da CGT, entre outros. Desaparece em Outubro de 1945, quando face à inoperância verificada é "lançado" o MUD (cf. Mattoso, 1994). Voltaremos, oportunamente, a este curioso tema]

Candidata-se o General Norton de Matos à Presidência da República (1948-1949) pela Oposição Democrática, vindo a desistir nas "vésperas das eleições". Intervém, ainda, nas eleições de 1953 para a Assembleia Nacional.

Morre em Ponte de Lima, a 2 de Janeiro de 1955.

[a continuarParte IV . A candidatura do General Norton Matos à Presidência da República]

J.M.M.M