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segunda-feira, 11 de abril de 2022

[LANÇAMENTO DO LIVRO] – ASSIM CANTAVA UM CIDADÃO DO MUNDO DE ROBERTO DAS NEVES

Reedição do livro de Roberto das Neves, Assim Cantava um Cidadão do Mundo

DIA: 13 de Abril de 2022 (18,00 horas);

LOCAL: Bombeiros Voluntários de Pedrogão-Grande (Pedrogão-Grande);

PRESENÇA: Dr. Mário Máximo (Orador) | Aires B. Henriques (editor)

ORGANIZAÇÃO: Museu da República e Maçonaria| Editora Hora de Ler 

“É com o maior gosto que vos convido para na próxima quarta-feira, dia 13 de Abril, participarem da reedição deste excelente livro de poemas do pedroguense Roberto Pedroso das Neves, refugiado no Brasil a partir de 1942:

ASSIMCANTAVA UM CIDADÃO DO MUNDO, um livro simultaneamente de um homem de firmes ideais, mas tolerante e de paz, que fez da poesia e da escrita uma arma fraterna.

O acto terá lugar na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, pelas 18 horas, tendo como apresentador um outro escritor e poeta de renome - Mário Máximo – ligado ao mundo lusófono” 

A não perder!

J.M.M. 

segunda-feira, 7 de março de 2022

ASSIM CANTAVA UM CIDADÃO DO MUNDO – ROBERTO DAS NEVES


LIVRO: Assim cantava um cidadão do Mundo;
AUTOR: Roberto das Neves (1907-1981);
EDIÇÃO: Hora de Ler (reed. da obra publicada em 1952 pela Germinal do Rio de Janeiro – livro proibido pelo Estado Novo), 2022, 160 p.

PEDIDOS: horadelercf@gmail.com

Trata-se da reedição do livro de poemas, de forte inspiração libertária e anticlerical, de autoria do ilustríssimo pedroguense e cidadão do Mundo, Roberto das Neves, anarquista individualista, poeta, espiritualista, maçon (o Irmão Satã, iniciado na Loja Rebeldia, em 29 de Fevereiro de 1930), grafólogo, esperantista, vegetariano, naturista, jornalista e editor [ver, AQUI]. Preso pela polícia política, em 1926 em Coimbra (pela publicação e distribuição de poemas político-satíricos – como o Espectro de Buiça, curiosamente dedicado aos seus amigos e camarada anarquistas como Arnaldo Januário, Afonso de Moura, Mário Castelhano, Lomelino Lentes e José de Almeida), continuou a ser alvo de intensas perseguições políticas desde o inicio do Estado Novo, tendo passado por inúmeras prisões e algumas rocambolescas fugas, empenhado desde sempre no movimento libertário, anarquista e anticlerical. Em 1942 parte para o Rio de Janeiro, falecendo aí a 28 de Setembro de 1981 [consultar, com proveito, esta 2ª ed. do “Assim cantava um cidadão do mundo”, Aires B. Henriques, pp. 17-35].


UMA PÁTRIA PLANETÁRIA

Natural de Pedrógão Grande, ROBERTO DAS NEVES é uma daquelas personalidades cuja vida e obra se fundem. A sua vida (1907-1981) desenrolou-se num tempo pródigo em acontecimentos mundiais de forte impacto global (duas guerras mundiais, a guerra civil de Espanha e, mais próximo, o 25 de abril de 1974). Sem dúvida um tempo pródigo em mudanças globais, mas também em 'debates políticos, culturais, espirituais e artísticos' muito intensos.

ROBERTO DAS NEVES foi um devotado anarquista. Sendo, ainda, esperantista; maçon; ateu; vegetarianista; pacifista; jornalista; anticlerical; antissalazarista e anticomunista (recusando o caráter concentracionário do socialismo real). Foi, sem dúvida, um incansável lutador pela liberdade em todas as suas vertentes.

Depois de conhecer, por diversas vezes, o cárcere salazarista, escolheu o Brasil como terra para tentar realizar os seus sonhos e ideais. Digamos que nessa escolha mostrou muito do seu apego à Língua Portuguesa que tanto amava e que tanto cultivou. ROBERTO DAS NEVES foi um escritor de vasta e multifacetada obra e foi poeta. Alguém lhe chamou de poeta maçónico.


O livro "
ASSIM CANTAVA UM CIDADÃO DO MUNDO", da autoria de ROBERTO DAS NEVES, é reeditado pela mão de um pedroguense da melhor casta: o Dr. Aires B. Henriques. Saúdo aqui, especialmente, esta iniciativa de defesa da memória e do património cultural de Pedrógão Grande, de Portugal e, claro, também do Brasil e da Lusofonia!

Os tempos de hoje precisam de mulheres e de homens que defendam uma Pátria Planetária como ROBERTO DAS NEVES militantemente defendeu no seu tempo.

[MÁRIO MÁXIMO, Escritor e poeta Ex-Presidente da Associação Fernando Pessoa/ Gestor de Assuntos Lusófonas – in contracapa do livro]

RAZÕES DE UMA EDIÇÃO

Jornalista e escritor, maçon, homem culto e de causas, Roberto Barreto Pedras das Neves é porventura um dos cidadãos que em Portugal mais viveu intensamente o curso dos diferentes períodos da política nacional, ao ponto de, pela acção e pelo verbo, nelas pretender intervir a bem dos valores da paz, da livre convivência e do progresso.

Por isso, Roberto das Neves foi lembrado pela Casa (regional) de Pedrógão Grande em Lisboa em 2006, quando se celebrava o centenário do seu nascimento, decorrido a 7 de Setembro de 1907, e quando então presidíamos à sua Direcção.

Com a colaboração do seu genro, o coronel Manuel Pedroso Marques, também ele refugiado no Brasil, e que com Roberto mais de perto convivera, tivemos a oportunidade de publicar uma primeira nota biográfica sobre o homem e o cidadão, as suas convicções, as suas lutas e os seus desfechos, que o forçaram a procurar refúgio no Brasil após o período dramático da Guerra Civil de Espanha e o início da II Guerra Mundial em que a repressão policial mais se agudizava em Portugal.

 


Ora, que se celebram 40 anos sobre a data do falecimento de Roberto das Neves no Rio de Janeiro, não podemos deixar de mais uma vez o relembrar, encontrando na reedição deste seu livro de poemas - "Assim Cantava um Cidadão do Mundo" - porventura a mais grata forma de o fazer, homenageando o cidadão e o escritor, enquanto fazemos prova do seu imenso talento, imbuído de ardentes palavras de paz e amor às comunidades por quem, não escusando a liça, sempre se empenhou.

Irmanado dos mesmos propósitos cívicos de muitos outros concidadãos amigos e de ideal - como Tomás da Fonseca, Francisco Barata Dias, o Padre Joaquim Alves Coreia e Vasco da Gama Fernandes -, Roberto das Neves esmerou-se ao longo de toda a sua vida por que o trabalho de burilamento do seu ser - a sua pedra “milheira" beirã – se convertesse numa imensidão de reluzentes "grãos” ou tocantes partículas capazes de iluminar o mundo à sua volta, de preferência sem iníquas fronteiras e falando urna só língua universal.

A leitura da sua obra e mensagem é para nós por demais gratificante. Por isso, depois de "Pestana Júnior, Profeta Republicano" (2010) e de "Leiria no Reviralho - João Lopes Soares às Avessas" (2020), o Museu da República e Maçonaria não poderia deixar de promover mais uma honrosa edição que verdadeiramente atesta do melhor que a nossa "História & Memória" colectiva do republicanismo tem para nos presentear. E que com ela, ora 70 anos após a edição brasileira, bem possamos ainda sublinhar os dotes poéticos de Roberto das Neves a iluminar um caminho mais fraterno, de esperança, justiça, tolerância e paz, inspirador dos cidadãos de boa vontade.

Dotes poéticos esses que o também poeta Tomaz da Fonseca sublinha ao caracterizar o "Assim Cantava um Cidadão do Mundo" como "um livro que esmaga quem o lé", pois "jamais se escreveu em língua portuguesa nada mais arrasador contra os privilégios e os preconceitos", como "um grito a favor dos humilhados"; como um livro a que está "destinado um lugar inconfundível na história da literatura mundial e, particularmente, na da literatura libertária e da resistência ao totalitarismo em Portugal, que encontrou em (Roberto das Neves) o seu épico".

[O Editor (Aires B. Henriques), Villa Isaura, 7 de Dezembro de 2021, pp.7-8]

 J.M.M. 

domingo, 3 de agosto de 2008

ROBERTO DAS NEVES: NOTA BREVE


Roberto das Neves

Roberto das Neves, aliás Roberto Barreto Pedroso Neves, é uma personagem bem curiosa da luta anti-salazarista e do movimento libertário português. Cidadão do Mundo – como se assumia – anarquista individualista, poeta, socialista libertário, espiritualista, maçon, grafólogo, esperantista, vegetariano, naturista, jornalista e editor (Editora Germinal, Rio de Janeiro), Roberto das Neves foi sempre um espírito rebelde, de forte convicção individualista e de rara singularidade.

Existe já uma excelente nota bio-bibliográfica sobre Roberto das Neves, de autoria de Manuel Pedroso Marques [com apoio biográfico do filho do biografado e da professora Heloisa Paulo], que pode ser consultada online na página criada em homenagem e testemunho do prestigiado libertário e na comemoração do Centenário do seu nascimento [nasce em Pedrógão Grande, no dia 7 de Setembro de 1907]. Pode, ainda, ser lida a mesma nota na revista do Grémio Lusitano [nº11, pag. 76-81] ou, de novo, consultada online no blog Pimenta Negra. No site, que atrás referimos, de Roberto das Neves (Filho), pode ler mais sobre a sua vida e obra (poemas e textos) e, em especial, remetemos o leitor para a entrevista feita a Roberto das Neves, publicada pela revista Planeta nº 104, de Maio de 1981. Conhecemos, ainda, uma pequena anotação bio-bibliográfica no Dicionário dos Autores do Distrito de Leiria [de Agostinho Gomes Tinoco e pref. de Hernâni Cidade, Leiria, 1979, pag. 452-453].

Registe-se que Roberto das Neves foi ateu e maçon [se for correcto o que é referido na entrevista supra-citada, foi iniciado na "Loja Rebeldia" (?),com o nome simbólico Satan ou Satã], pertencendo a um grupo pouco numeroso de anarquistas que foram, em Portugal, ao mesmo tempo libertários e membros da maçonaria, como Campos Lima [iniciado na Loja Fernandes Tomás, nº 212 da Figueira da Foz, com o nome simbólico de Kropotkine], Emílio Costa [que pertenceu à maçonaria académica, fez parte da Loja Montanha e da Alta Venda da Carbonária], o "velho" maçon Pedro Ferreira da Silva [ref. Roberto das Neves, "Entre Colunas", Germinal, 1980] e outros mais.

Por ultimo anote-se que Roberto das Neves, que fundou, dirigiu e colaborou em diversos periódicos - semanário Igualdade, de Coimbra; jornal Rebelião (órgão da Federação dos Anarquistas Portugueses, 1932-1938), o Portugala Instituto de Esperanto, o Brazilia Instituto de Esperanto, jornal A Batalha, República, O Comércio do Porto, O Rebate, o Diário da Noite, O Século, O Povo (de Lisboa), no Suplemento de A Batalha, no Diabo, A Comuna, Revolta, A Aurora (Porto, 1929-1930), no Sennaciulo e Sennacieca Revuo (ambos de Paris), Rio Esperantista, Ação Directa, Oposição Portuguesa, O Vegetariano, Cidadão do Mundo - tem obra farta, quer na escrita quer na tradução, tendo escrito sob variados pseudónimos, como por exemplo o de Ernst Izgur, em nome do qual publica um curioso livro intitulado "Assim Falaram Profetas" (Rio de Janeiro, 1934).

J.M.M.