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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

ANTÓNIO VENTURA – SEMEAR TRIÂNGULOS DO MINHO E TIMOR. A EXPANSÃO MAÇÓNICA EM PORTUGAL (1893-1935)

 


LIVRO: Semear Triângulos do Minho a Timor. A expansão maçónica em Portugal (1893-1935)

AUTOR: António Ventura;
EDIÇÃO: Âncora, Janeiro 2026, 223 pags.

LANÇAMENTO:

DIA: 24 de Fevereiro 2026 (17,00 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano (Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa);
ORADORES: Fernando Marques da Costa

ORGANIZAÇÃO: Âncora Editora | Grémio Lusitano

► “[…] Em Portugal, ao longo de mais de 150 anos, nas diferentes fases da existência, enquanto funcionou com Lojas independentes, como a partir do início do século XIX, com a formação e posterior proliferação de Obediências, a Maçonaria considerou sempre a Loja enquanto centro fundamental. Pode haver Maçonaria sem Obediências, mas não há Maçonaria sem Lojas.

Percorrendo a História da Maçonaria em Portugal, encontramos centenas de Lojas e um número significativo de Obediências, em contexto de dispersão e, posteriormente, a partir de 1869, num sentido inverso, de unificação. Nas respectivas constituições e regulamentos ficaram plasmadas as condições necessárias à formação de novas Oficinas, podendo a autorização depender dos critérios definidos pelas Obediências e pelas Câmaras Litúrgicas que dirigiam os ritos; também estabeleciam o número mínimo de Mestres no processo fundacional. Aqui residia a principal dificuldade […]

A criação de novas Lojas em Lisboa ou em localidades onde existissem Oficinas não constituía problema, uma vez que, como sucedeu na maior parte dos casos, resultavam do desdobramento amigável de uma estrutura pré-existente, ou de cisões ditadas por incompatibilidade entre os membros. A dificuldade residia na constituição de Lojas de raiz, noutras localidades. Como seria possível reunir treze Mestres num local onde não existiam maçons?

A Confederação Maçónica Portuguesa, na Constituição de 1850, mantinha os 13 Mestres, como número mínimo de fundadores, porém, abria excepção para localidades distantes, em pelo menos, duas léguas de Lisboa, onde podiam ser instaladas Lojas com apenas sete Mestres […] A Constituição de 1868, do Grande Oriente Lusitano (Conde de Paraty), já não estabelecia diferença de localização, exigindo 13 fundadores, mas apenas sete com o grau de Mestre […]

Apesar de tudo, era difícil criar uma Loja fora de Lisboa, do Porto e de Coimbra, porque seriam necessários sete Mestres fundadores. As viagens eram morosas e não se afigurava exequível a maçons oriundos de uma determinada localidade distante, residentes em grandes centros urbanos, a possibilidade de ajudarem a fundar uma Loja na terra natal e participarem regularmente nos trabalhos […] Perante esta dificuldade, a Constituição do GOLU de 1878, embora mantendo as condições gerais anteriores, retomava a excepcionalidade:

«Fora das localidades onde existam estabelecidas uma ou mais Lojas, poderão ser instaladas outras apenas com sete obreiros, dos quais cinco pelo menos se achem investidos no grau de Mestre. As Lojas assim constituídas serão consideradas perfeitas, e o carácter de regulares só se adquire quanto tenham preenchido o número de treze irmãos nos termos do antecedente. Estas Lojas, contudo, gozarão das mesmas regalias das Lojas regulares».  

A redução do número de Mestres, para cinco, constituía um avanço, mas persistiam dificuldades. Impunha-se aos cinco fundadores a formação noutras Lojas […]

Importava encontrar outa solução, mais expedita, para permitir a desejável expansão maçónica, inverter a evolução pouco positiva do GOLU, quanto ao número de Lojas, mas, principalmente, de reforço à débil implantação regional […]

Foi este panorama desolador que levou o GOLU a tomar medidas para inverter a situação, com a criação de núcleos maçónicos mais pequenos, os Triângulos [formados por um mínimo de três Irmãos regularmente iniciados]. O fundamental deste nosso livro incide sobre o GOLU, no âmbito do qual foi fundada a imensa maioria dos Triângulos maçónicos. Mas também abordaremos outras situações, embora de menor importância, em que também existiram Triângulos: O Grande Oriente de Portugal, o Grémio Luso-Escocês e a Ordem Maçónica Mista Internacional Le Droit Humain […] [in Introdução. Da Loja ao Triângulo – sublinhados nossos]

No total, estão referenciados 391 Triângulos fundados, para além de algumas dezenas, cuja instalação foi autorizada, mas que não se concretizou. Este livro pretende ser um contributo para o estudo e compreensão da expansão da Maçonaria em Portugal, nos espaços continental, insular e ultramarino, entre 1893 e 1935 [AQUI - com sublinhados nossos]

J.M.M.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

[COIMBRA – LANÇAMENTO] A LUZ VINHA DO ORIENTE. COMUNISTAS E MAÇONS EM PORTUGAL (1919-1936)

 


LIVRO: A Luz vinha do Oriente. Comunistas e Maçons em Portugal (1919-1936);

AUTOR: António Ventura;

EDITORA: Âncora Editora


LANÇAMENTO EM COIMBRA


DIA: 9 de Maio de 2024 (18,00 horas);

LOCAL: Casa Municipal da Cultura de Coimbra (Rua Pedro Monteiro);

ORADOR: António Pedro Pita

A não perder

J.M.M.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

COMEMORAÇÕES DO 31 DE JANEIRO DE 1891

 Assinalando o 133º aniversário da Revolta Republicana do Porto, em 31 de Janeiro de 1891, vão realizar-se alguns eventos que rememoram os acontecimentos, os  protagonistas e as circunstâncias que rodearam a efémera proclamação da República na cidade invicta.

O primeiro tem lugar em Lisboa, com organização do Centro de História, da Universidade de Lisboa, e coordenação científica do Prof. Doutor António Ventura e da Prof. Doutora Teresa Nunes.

Participam ainda Maria da Conceição Meireles Pereira, Sónia Rebocho, Vanessa Batista e João Lázaro.



Por seu lado, no Porto, far-se-á também a evocação do acontecimento, promovida pela Associação Cívica e Cultural 31 de Janeiro, em parceria com o Ateneu Comercial do Porto e conta com a romaria ao Monumento aos Heróis do 31 de Janeiro de 1891 e conta com intervenções de Luís Cameirão, António Lima Coelho e Rui Moreira.

A acompanhar e a participar civicamente, com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.


quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

OS JUDEUS DO ALGARVE E O HOLOCAUSTO. DO PARAÍSO AO INFERNO, POR MARIA JOÃO RAMINHOS DUARTE

Maria João Raminhos Duarte pesquisou nos últimos anos a questão dos Judeus algarvios e o Holocausto. Dessa investigação, que faltava fazer, entre muitas outras, a investigadora conseguiu reunir os elementos que agora apresenta na presente obra: Os Judeus do Algarve e o Holocausto. Do Paraíso ao Inferno.

Amanhã, 26 de Janeiro de 2024, sexta-feira, no Teatro TEMPO, em Portimão, no espaço Café-Concerto, no Largo 1º de Dezembro, pelas 18 horas, será apresentada a obra editada pelas Edições Colibri.



No dia 27, sábado, a obra será também apresentada em Lisboa, contando ainda com a presença do Prof. Doutor António Ventura. Desta feita a apresentação será na Casa do Alentejo, em Lisboa, que se localiza na Rua Portas de Santo Antão, nº58.

A não perder.

Com os votos do maior sucesso para mais esta publicação.

A.A.B.M.

 

terça-feira, 14 de novembro de 2023

PRELÚDIOS DA GUERRA DE 1801. MANUEL GODOY E LUÍS PINTO DE SOUSA COUTINHO

LIVRO: “PRELÚDIOS DA GUERRA DE 1801. MANUEL GODOY E LUÍS PINTO DE SOUSA COUTINHO";

AUTORAntónio Ventura;
EDITORA: Caleidoscópio, 2023

APRESENTANTE: Prof. Doutor Emílio la Parra Lopez 

DATA: 16 de Novembro de 2023
LOCAL: Anfiteatro III, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
HORÁRIO: 18 HORAS

Com os votos do maior sucesso para esta iniciativa!!
A.A.B.M.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

A LUZ VINHA DO ORIENTE. COMUNISTAS E MAÇONS EM PORTUGAL (1919-1936)


APRESENTAÇÃO:

24 DE OUTUBRO DE 2023 (terça-feira)

HORÁRIO: 17:30 h

LOCAL: TORRE DO TOMBO (LISBOA)

A apresentação da obra vai ser feita pelo Prof. Doutor Fernando Rosas.

Autor: António Ventura

Editora: Âncora Editora 

ISBN 978 972 780 892 2

Páginas: 460

Pode ler-se na sinopse

No presente livro são estudadas as relações entre maçons e comunistas, a partir de 1919, data do surgimento, em Portugal, da primeira organização defensora da Revolução Russa e 1936, um ano após a proibição da Maçonaria e a prisão da cúpula dirigente do PCP. Considerámos duas épocas distintas: a primeira, entre 1919 e 1926, corresponde aos esforços para fundação de uma organização apoiante da Revolução Soviética, que culminou na fundação do PCP, até ao golpe militar de 28 de Maio de 1926; a segunda época, prolonga-se até 1936. Ocorreram contactos, cumplicidades, coincidências e até duplas filiações, num universo matizado, onde convergiam republicanos radicais, libertários, simpatizantes da Rússia Soviética, comunistas e outros opositores à Ditadura, em interacção nas Lojas maçónicas. Essas relações não são fáceis de determinar, aflorando nas memórias, nos depoimentos e também em livros de estudantes finalistas. Criaram- -se laços pessoais, que subsistiram ao longo do tempo e facilitaram a participação longeva de maçons –ou antigos maçons - em estruturas oposicionistas, da década de trinta até 1974.


Com os votos do maior sucesso!!

A.A.B.M.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

NUNO RODRIGUES DOS SANTOS. COERÊNCIA E CONVICÇÃO


LIVRO: Nuno Rodrigues dos Santos. Coerência e Convicção;
AUTOR: António Ventura;
EDIÇÃO: Assembleia da República, 2022.

LANÇAMENTO DA OBRA:

DIA: 16 de Novembro 2022 (18,00 horas);
LOCAL: Biblioteca Passos Manuel (Assembleia da República);

► Trata-se da publicação da biografia de Nuno Rodrigues dos Santos (1910-1984), um dos "republicanos históricos", ativo e convicto lutador anti-salazarista, membro do Grande Oriente Lusitano – o Irmão “Danton” da loja Magalhães Lima (depois da loja Liberdade) -, fundador do MUD, membro da Liga dos Direitos do Homem, da Causa Republicana, Renovação Democrática, União Socialista, Acção Democrata-Social, é candidato a deputado nas listas da oposição em 1953, 1961, 1965, integra as listas de apoio à candidatura de Quintão Meireles, Norton de Matos, Humberto Delgado e deputado à Assembleia Constituinte pelo PPD, depois de Abril 1974.

Nuno Rodrigues dos Santos foi uma figura muito curiosa da vida política portuguesa. Nasceu em Luanda, faz os estudos secundários no Funchal e os universitários na Universidade em Coimbra e Lisboa, terminando a licenciatura de Direito em 1933.


Em 1935 foi iniciado na maçonaria, com o n.s. de “Danton”, na Loja ”Magalhães Lima” [loja do RF instalada em Lisboa em 1929], transitando depois, durante a clandestinidade, para a Loja “Liberdade” [do REAA e que se manteve em exercício até ao derrube do fascismo], tendo atingido o 30º grau do REAA. Colaborou na imprensa, principalmente no jornal “República”, “O Povo”, na revista Seara Nova, tendo sido um dos fundadores do jornal clandestino antifascista “Resistência”. Foi um distinto advogado, defensor de presos políticos no Tribunal Plenário, pertenceu à direcção da Ordem dos Advogados  

Depois do 25 de Abril, aderiu ao Partido Popular Democrático, pelo qual foi eleito deputado à Assembleia Constituinte nas eleições de 25 de Abril de 1975, e, depois, nas eleições subsequentes à Assembleia da República, até à sua morte. Membro do Conselho de Estado, presidiu a todos os congressos do PSD realizados entre 1976 e 1981 e foi presidente do partido até à sua morte.

J.M.M.

domingo, 29 de agosto de 2021

COMEMORAÇÕES DO FERIADO MUNICIPAL DE LAGOA (8 DE SETEMBRO)

 

NO ÂMBITO DAS COMEMORAÇÕES DO FERIADO MUNICIPAL DE LAGOA (DIA 8 DE SETEMBRO)
REALIZA-SE NO DIA 7 DE SETEMBRO - TERÇA-FEIRA
18.15H
CONFERÊNCIA:
- "FONTES PARA A HISTÓRIA DA MAÇONARIA NO ALGARVE"
COM O PROF. DOUTOR António Ventura
-APRESENTAÇÃO DO LIVRO:
"LAGOA, PODER LOCAL E MUNICIPALISMO: 245 ANOS DA CRIAÇÃO DO CONCELHO DE LAGOA (1773 -2018). ATAS DO COLÓQUIO"
19H.
LOCAL:
CENTRO CULTURAL CONVENTO DE S. JOSÉ
LAGOA

Com os votos do maior sucesso para esta iniciativa.

A.A.B.M.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

A MAÇONARIA AO VAL. DE ÂNCORA E A LOJA VEDETA DO NORTE (1903-1929)

 


LIVRO: A Maçonaria ao Val. de Âncora e a Loja Vedeta do Norte (1903-1929);
AUTOR: Paulo Torres Bento (pref. de António Ventura)      
EDIÇÃO: Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora | Câmara Municipal de Caminha, Junho de 2021

«O estudo da História da Maçonaria enfrenta algumas dificuldades, a principal das quais é a carência de documentos, que pode ser minimizada com recurso a outro tipo de fontes artísticas, iconográficas e até, para épocas mais próximas, de depoimentos orais, mau grado o seu subjectivismo. Os documentos são um ponto de partida fundamental, embora careçam da necessária análise crítica. No que concerne à Maçonaria em Portugal, as fontes são escassas para o século XVIII, praticamente limitadas aos processos do Santo Ofício, isto é, aos textos produzidos por urna instituição persecutória, mas que preservou, para fins processuais, depoimentos, testemunhos e a até a transcrição de documentos incriminatórios. No século XIX, embora com maior abundância documental, ela está condicionada pelo carácter efémero de Lojas e Obediências, que surgiam e desapareciam com uma frequência inusitada, ostentando por vezes o mesmo título distintivo, o que alimenta a confusão. Essa volatilidade prejudicou a preservação dos seus arquivos, sujeitos a destruições voluntárias, por razões de segurança, em momentos de perseguição, por simples eliminação de papéis considerados inúteis, ou resultantes de actos vandálicos, como o assalto ao Palácio Maçónico ocorrido em Dezembro de 1918. Nesta incursão, verdadeiramente catastrófica, pereceu documentação preciosa pertencente a Obediências maçónicas portuguesas do século XIX, livros de actas, de tomadas de posse de dignitários e correspondência da Confederação Maçónica Portuguesa, do Grande Oriente Português, do Grande Oriente Lusitano, Grande Oriente Lusitano Unido, e também de Lojas cujos arquivos eram guardados no edifício. Foi uma perda irreparável, dado o carácter único dessas fontes. Na sua maior parte, tratava-se de documentação central, isto é, produzida pelos órgãos dirigentes da Maçonaria – livros de actas, decretos, circulares, cópias de correspondência para as Lojas e para Obediências estrangeiras e também toda a correspondência recebida das Oficinas. Paralelamente, cada Loja tinha o seu próprio arquivo, com as actas das sessões dos diferentes graus, contas, correspondência recebida, copiadores da expedida, legislação e processos de iniciação. Para um estudo mais completo, o ideal seria cruzar os materiais existentes no arquivo central com os do arquivo da Loja, o que permitiria um estudo mais detalhado e eficaz da História da Maçonaria, nomeadamente a nível local, mas também, como sucede no presente trabalho de Paulo Torres Bento, recorrer aos arquivos públicos e privados, familiares, de instituições como câmaras municipais, misericórdias, associações sindicais, religiosas, políticas, desportivas, mutualistas, de bombeiros, de beneficência, recreativas e culturais, sem esquecer a imprensa periódica.

Não posso deixar de sublinhar a importância dos estudos regionais e locais no âmbito da historiografia em geral. Incidindo sobre um objecto circunscrito, geográfica e cronologicamente, permitem um aprofundamento muito profícuo […]



O presente trabalho de Paulo Torres Bento insere-se, assim, no quadro de outros que têm surgido sobre a Maçonaria numa determinada localidade ou região, com a vantagem de se basear num fundo documental precioso, o arquivo da Loja Vedeta do Norte nº 384 - número de ordem das Oficinas do Grande Oriente Lusitano Unido Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa – de Âncora, que felizmente foi preservado e chegou aos nossos dias. O autor completa a sua investigação com a recolha de informações complementares, nomeadamente dados biográficos que permitem traçar um quadro mais preciso dos membros da Maçonaria local, sua caracterização social […]

[António Ventura, in Prefácio, pp. 7-8 – sublinhados nossos]

► “Pesquisando desde há quase duas décadas a história contemporânea do concelho de Caminha, nomeadamente o período da Primeira República, foi-nos dada a certa altura a oportunidade de conhecer o espólio da Loja Vedeta do Norte, uma Oficina maçónica que esteve ativa ao Val. de Âncora entre 1915 e 1929, evolução de um Triângulo formado no ano anterior e, como entretanto apurámos, sucessora distante de outro Triângulo que esteve ativo na Praia de Âncora entre 1903-1905.

Devemos este raro privilégio — mais valioso por se tratar de uma sociedade conhecida por saber preservar o segredo — à generosidade e confiança do nosso amigo João Morais Cabral, rigoroso arquivista da documentação herdada de seu pai, João de Barros Morais Cabral, último dos Obreiros da Loja ancorense e seu fiel guardião quando as trevas do fascismo caíram sobre a Maçonaria portuguesa.

Com um estudo ainda incompleto, apresentámos publicamente os primeiros resultados da nossa pesquisa numa conferência subordinada ao título A Maçonaria e a Loja ancorense Vedeta do Norte, que se realizou no dia 16 de novembro de 2018, no Salão Nobre do Cineteatro da Associação Humanitária dos Bombeiros de Vila Praia de Âncora, no âmbito do evento Do Armistício da Grande Guerra ao Assassinato de Sidónio Pais, organizado pela Câmara Municipal de Caminha, o Agrupamento de Escolas Sidónio Pais e a União de Freguesias de Caminha e Vilarelho. Posteriormente, desta vez limitados pelo âmbito cronológico, inserimos parte da história da Vedeta no nosso livro República em Tumulto. O concelho de Caminha nos anos da Grande Guerra, de Sidónio Monarquia do Norte e da Pneumónica (1914-1919), editado em 2019 pelo Jornal Digital Caminh@2000. Desde então, tivemos acesso a novos documentos do espólio entretanto aparecidos, que vieram preencher alguns hiatos documentais que subsistiam, e, graças à cooperação do Professor Doutor António Ventura, historiador da Maçonaria portuguesa — cuja obra seguimos muito de perto para contextualizar o nosso estudo de caso — e, com a ajuda da Helena Coelho Serpa, responsável pelo Arquivo do Grémio Lusitano, foi-nos dado o ensejo de consultar os registos da Loja ancorense aí existentes, escassos mas preciosos.


Chegou agora o tempo de devolver a Vila Praia de Âncora e ao concelho de Caminha, aos ancorenses e caminhenses do presente, todo o conhecimento acumulado e interpretado com o necessário rigor histórico sobre uma parte tão importante e menos conhecida do seu passado recente. Em simultâneo, desvendando uma documentação assaz completa de uma Loja maçónica e da presença da sociedade iniciática no Alto Minho, procurar contribuir para a mais ampla história da Maçonaria portuguesa e da nossa contemporaneidade […]   

[Paulo Torres Bento, maio de 2021, in Prefácio, pp. 11-12 - – sublinhados nossos]

J.M.M.

domingo, 7 de março de 2021

JOSÉ DE JESUS GABRIEL – LIBERTÁRIO, CARBONÁRIO E MAÇON (NOTA BREVE)

 


“Um fundador do Partido Comunista Português quase desconhecido. José de Jesus Gabriel: torneiro mecânico, carbonário e maçon Entre os fundadores do PCP, em 1921, estava José de Jesus Gabriel, nascido em Lisboa em 1879. Membro do seu Conselho Económico em 1921 integrou em 1923 a Comissão Reorganizadora. Quem era este homem que não ficou na História?

José de Jesus Gabriel, operário metalúrgico do Arsenal do Exército, dirigente da Associação de Classe dos Fabricantes de Armas e da Confederação Metalúrgica, fundou o jornal O Metalúrgico e foi redactor e administrador de A Obra (1905).

Era em 1905 dirigente da Federação Socialista Livre, organização de cariz anarquista intervencionista que colaborou com os republicanos. Nas páginas de O Metalúrgico, onde os intervencionistas, maioritários na Confederação Metalúrgica, detinham grande influência, José de Jesus Gabriel criticava, em 1904, os que recusavam colaborar com os republicanos «sorrio-me do fanatismo de vários elementos propagandistas dos ideais avançados, que intolerantes nas suas vastas concepções, consideram como inimigos terríveis os que pronunciam doutrinas que mais se aproximam na síntese dos seus ideais». Curiosa afirmação…

Jesus Gabriel recusou um convite para ingressar na Carbonária Portuguesa, acabando por ser iniciado na Carbonária Lusitana, apadrinhado por Benjamim Rebelo e Júlio Dias, ascendendo a chefe de barraca. A Carbonária Portuguesa – também conhecida como Carbonária dos Anarquistas -, foi fundada em 1897, com sede na Rua 24 de Julho, próximo da Rocha do Conde de Óbidos.

Segundo informações prestadas pelo próprio a José Nunes «quase todos os carbonários mais graduados desta instituição [Carbonária Lusitana] pertenciam ao Grémio Obreiros do Futuro e à Confederação Metalúrgica, como delegados de algumas associações de classe. Gabriel, em vista de manter uma certa afinidade com esses elementos, foi também convidado a pertencer a esse Grémio, tendo-se efectuado a sua iniciação em Fevereiro de 1905» (José Nunes, «E Para Quê?», p. 47).

A Loja Obreiros do Futuro era o núcleo central, reservado, ao qual só pertenciam «os carbonários mais graduados», o que justifica o seu papel nos preparativos revolucionários. Tal como Jesus Gabriel declarou, fora no interior da própria oficina maçónica que ele, Rebordão, Brito Bettencourt, Cerqueira, António Alcochetano e outros fabricaram umas duzentas bombas destinadas à revolução republicana…

No rescaldo do Regicídio, José de Jesus Gabriel foi preso, juntamente com outros anarquistas. José Nunes conforma que Jesus Gabriel também teve parte activa no movimento que implantou a República. Foi administrador do jornal O Sindicalista e opôs-se firmemente à lei da greve, subscrevendo uma moção, aprovada em reunião na Caixa Económica Operária, em 22 de Dezembro de 1910, com a presença de 62 associações sindicais, proclamando a intenção de «saltar por cima dessa lei quando for preciso» e de «iniciar uma forte e activa propaganda contra o governo entre as classes trabalhadoras». Foi delegado ao Congresso Sindicalista de 1911 e teve sempre uma participação muito activa na vida da sua classe, desempenhando os cargos de Presidente da Assembleia Geral Associação de Socorros Mútuos do Pessoal do Arsenal do Exército e da Associação de Classe (1918, 1924), Delegado à Liga das Associações de Socorros Mútuos (1923).

Foi um dos fundadores do Partido Comunista Português. Em Março de 1923 esteve envolvido na enorme confusão que o PCP então conheceu, com expulsões entre facções adversas. Subscreveu em Maio de 1923, na qualidade de delegado do seu sindicato à Confederação Geral do Trabalho, o manifesto «A Questão das Internacionais - Berlim ou Moscou?» onde apoiou a Internacional Sindical Vermelha. Esteve presente no I Congresso do PCP (10, 11 e 12 de Novembro de 1923), onde participou activamente, presidindo à 3ª sessão.

Em Abril de 1932 – segundo o jornal O Arsenalista – encontrando-se numa situação económica e de saúde muito difícil, que levou os seus camaradas a promoverem um sorteio em seu benefício, cujo produto foi entregue a sua mulher e que ele agradeceu em carta publicada no jornal, na qual refere a «liberdade que me foi vergonhosamente roubada», pelo que deduzimos que estava preso. Ao referir-se a «antigos camaradas» leva-nos a crer que já não trabalhava no Arsenal. Em 1937 era empregado de escritório, sendo preso em 22 de Abril daquele ano; deu entrada no Forte de Caxias e foi libertado em 9 de Novembro.

 


Um facto curioso é que José de Jesus Gabriel entrou para a Maçonaria em 1913, na Loja Obreiros do Trabalho. Era então membro da Associação de Classe dos Fabricantes de Armas e Ofícios Acessórios e Metalúrgicos de Lisboa, da Associação do Registo Civil, de Associação Crécherie e da Academia de Estudos Profissionais Humanidade Futura. Os inquéritos produzidos no âmbito do processo, para aquilatar das suas qualidades, apresentam diversas informações sobre o candidato: «para além de torneiro mecânico dava explicações de Matemática»; era considerado «um bom cidadão que tem trabalhador bastante a bem da República e da Humanidade»; «republicano, ou mais alguma coisa», «livre-pensador», «parece ter elevados conhecimentos literários e serem suficientes para compreender os elevados princípios maçónicos»; «conquanto o seu ideal político seja bastante avançado, trabalhou bastante para a queda do antigo regime, chegando por vezes a ser perseguido pelos agentes da Bastilha monárquica»; «foi um grande revolucionário e foi um dos presos que estiveram na esquadra do caminho-de-ferro nos dias da revolução que proclamou a República», «dizem ser anarquista e livre-pensador».

Iniciado em 17 de Fevereiro de 1913 com o nome simbólico de «Lisippo», foi, em 22 de Maio de 1916, um dos fundadores da Loja Integridade, do Rito Simbólico, assumindo as funções de Venerável, na qual se conservou até à dissolução da mesma em 1919. Reproduzimos a fotografia da sua prisão em 1937 e a última página do questionário que preencheu em 1913, ao solicitar a entrada na Maçonaria”

[ADENDA"… O único texto de cariz maçónico conhecido da autoria de José de Jesus Gabriel, foi a sua intervenção, em 22 de Maio de 1916, na sessão de instalação da Loja Integridade, fundada por antigos membros da Loja Obreiros do Trabalho.

Significativamente, e revelador do seu prestígio, foi ele eleito Venerável e não o capitão José Marcelino Carrilho, o mais antigo maçon do grupo, velho republicano federalista e venerável da Loja Obreiros do Trabalho durante vários anos.

Olhando para os membros da nova Loja, o grupo era constituído por uma dúzia de elementos, dois dos quais italianos, Amadeo d'Alassandro, serralheiro mecânico, Domenico de Domenico, agente comercial, dois farmacêuticos, vários funcionários públicos, um comerciante, um alfaiate, um maquinista fluvial, um maquinista da Empresa Nacional de Navegação, um telegrafista, Luís Cipriano de Araújo, que desempenhava as funções de Orador, e um companheiro de trabalho de José de Jesus Gabriel, Manuel José da Silva Lúcio, um dos mais respeitados dirigentes sindicais do Arsenal do Exército”

[António Ventura, via Facebook, com a devida vénia – sublinhados nossos]

J.M.M.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

V CONGRESSO REPÚBLICA E REPUBLICANISMO

 

Realiza-se amanhã e depois, 1 e 2 de Outubro de 2020, realiza-se a 5ªedição do Congresso República e Republicanismo, na Fundação Mário Soares, em Lisboa.

As sessões decorrem em ambiente presencial e via plataforma online conforme o endereço acima e na ligação também disponibilizada abaixo para potenciais interessados nos temas a abordar no congresso.

O programa está organizado da seguinte forma:

Programa

1 de Outubro de 2020

09:30 Receção dos participantes

09:45 Abertura

Maria Fernanda Rollo, HTC -NOVA FCSH/CEF-UC

10:00 António Ventura – CH, FLUL – Refletir sobre a República a 14000 quilómetros de

distância

11:15h Pausa


Painel I

Republicanismo e Municipalismo

Moderação – Ana Paula Pires, HTC -NOVA FCSH/CEF-UC

11:30 Eduardo Higueras Castañeda, Universidade de Castilla-La Mancha- Federación y

Colectivismo: el município em la obra de Correa y Zafrilla (1842-1888)

12:00 Álvaro Costa de Matos, Câmara Municipal de Lisboa – Republicanismo e

Municipalismo no pensamento político de José Félix Henriques Nogueira: uma

aproximação histórica ao problema

12:30 Frederico Benvinda – CH, FLUL– Da confederação ibérica de municípios ao

município como pátria da humanidade – o pensamento de Consiglieri Pedroso e

Carrilho Videira (1874-1875)

13:00 Nuno Simão Ferreira – CH, FLUL – O município segundo a proposta integralista de

Alberto de Monsaraz

13:30 João Fortes Rocha – ISCTE – O Congresso Municipalista de 1909

13:45 Pausa para almoço


Painel II

Construir a República no espaço ibero-americano

Moderação – Luís Farinha, IHC – NOVA FCSH

15:00 Sérgio Sanchez Collantes, Universidade de Burgos – “Los símbolos em el

republicanismo histórico español”

15:30 Alicia Mira Abad, Universidade de Alicante - "El discurso republicano en la Gloriosa

(1868-1873): cristianismo, universalismo y utopia

16:00 Luísa BarbosaConstrução da República: o ideário republicano nas relações entre

Brasil e Portugal 1889-1910

16:30 Soraia Carvalho, FLUL – A República na periferia de Lisboa: Sacavém entre o

município de Loures e as questões político-administrativas no novo regime

(1907-1919)

17:00 David Luna de Carvalho, IHC-NOVA FCSH – Expectativas, resistências e apoios à I

República no espaço municipal: o caso de Angra do Heroísmo (1910-1917)

17:30 Sandra Patrício, Arquivo Municipal de Sines e CEC, UL – República, Restauração

do concelho e a identidade local: o concelho de Sines

18:00 Debate

18:15 Lançamento do livro República e Republicanismo III, Coordenado por Maria

Fernanda Rollo e Teresa Nunes


2 de Outubro de 2020

Painel III

Eleições e poder municipal no Alentejo

Moderação – Joaquim Rodrigues, HTC -NOVA FCSH/CEF-UC

10:00 Pedro Leal, FLUL – As eleições constituintes de 1911, as eleições suplementares

de 1913 e as eleições legislativas de 1915 no Alentejo

10:30 António José Queiroz, CEPESE – As eleições legislativas de 1918 e 1919 no Alentejo

11:00 Manuel Baiôa, CIDEHUS – UÉ – As eleições legislativas de 1921, 1922 e 1925 no

Alentejo

11:30 Debate

11:45 Pausa


Painel IV

República, Autonomia e Economia

12:00 Paulo Miguel Rodrigues, Universidade da Madeira – A questão da autonomia da

Madeira durante a I República: uma síntese

12:30 Alcino Pedrosa, HTC -NOVA FCSH/CEF-UC - A educação como garante do capital

humano: a economia política de Rodrigues de Freitas

13:00 Leonardo Aboim Pires, CEIS20-UC – A “sociedade civil” da República: grupos de

pressão e modalidades de intervenção pública sobre a agricultura

13:30 Fábio Emanuel Oliveira, FLUL – Vila Nova de Ourém e a crise do azeite de 1921

14:00 Debate

14:15 Pausa para almoço


Painel V

Mulheres, autonomia municipal e republicanismo

15:30 Maria Lúcia Serralheiro, CEMRI – UA – Republicanas de norte a sul – o papel das

mulheres na implantação da República em Portugal

16:00 Sónia Rebocho, NOVA FCSH – A defesa da autonomia municipal pelo

republicanismo radical: o caso paradigmático do jornal A Emancipação e da

figura de Angelina Vidal

16:30 Debate

16:45 Pausa


Painel VI

Império, espaço e administração

17:00 Aléxio Eliano Poléri, FLUL – As relações entre a Companhia de Moçambique e a I

República na administração do seu território

17:30 Célia Reis, HTC-NOVA FCSH/CEF-UC – A Regulamentação do trabalho indígena em

Timor entre a Monarquia e a República

18:00 Debate

Encerramento


18:15 Norberto Cunha, Museu Bernardino Machado e Universidade do Minho – A Ideia

Municipalista na I República

(por razões de ordem técnica a palestra não se realizará, contudo, a comunicação será publicada em texto no volume

do encontro.)

Modalidade de funcionamento

O Congresso realizar-se-á́ num modelo híbrido, combinando o formato presencial, em

particular para os oradores/conferencistas – que terá́ lugar na Fundação Mário Soares,

em Lisboa – e a modalidade virtual, através da plataforma Colibri/Zoom:

https://videoconf-colibri.zoom.us/j/83919991242).


Com os votos do maior sucesso para a iniciativa.

A.A.B.M.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A MAÇONARIA NO ALTO ALENTEJO (1821-1936) - LANÇAMENTO EM PORTALEGRE



LIVRO: A Maçonaria no Alto Alentejo (1821-1936);
AUTOR
: António Ventura;
EDIÇÃO: Caleidoscópio.

LANÇAMENTO:

DIA: 11 de Janeiro 2020 (16,30 horas);
LOCAL: Centro de Congressos da Câmara Municipal de Portalegre (R. Guilherme Gomes Fernandes, 28 - Portalegre);
ORADOR: Maria de Fátima Nunes (Universidade de Évora).

Apontamento Musical: Escola de Artes do Norte Alentejano

Trata-se de uma nova edição, revista e muito aumentada do estimado livro «A Maçonaria no Distrito de Portalegre», do professor António Ventura, publicado em 2007, pela Editora Caleidoscópio, e desde há muito esgotado.

Esta reedição, de manifesto interesse regional, conta com o patrocínio de diversas instituições: autárquicas, académicas, culturais, económicas e associativas [cf. António Ventura].

Tem, desde logo, o apoio de “todas as 15 câmaras municipais do distrito de Portalegre: Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteiro, Gavião, Marvão, Monforte, Nisa, Ponte de Sor, Portalegre e Sousel”, numa unanimidade que honra a historiografia local e regional, pelo que julgamos estar na presença de um outro olhar e um novo pensar em torno das investigações históricas locais. O que, e não poucas vezes, pela recuperação da memória histórica podem corrigir e enriquecer mesmo a história geral.   

J.M.M.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

[SANTA COMBA DÃO] COLÓQUIO JOSE DA SILVA CARVALHO E O BICENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820 - PARTE II




DIA: 26 de Outubro de 2019;
LOCAL: Casa da Cultura de Santa Comba Dão (S. Comba Dão);

INTERVENÇÕES/ORADORES:

- Nuno Camarinhas [José da Silva Carvalho na Magistratura Territorial, entre a sua Formatura e a Revolução de 1820];

- Samuel de Paiva Pires [José da Silva Carvalho e o pensamento económico-filosófico britânico];

- António Ventura [José da Silva Carvalho e a Maçonaria];

… e ainda

- Apresentação do livro de BD sobre a Vida e a Obra de José da Silva Carvalho, de Santos Costa e António Neves

A não perder esta excelente iniciativa da Câmara Municipal de Santa Comba Dão a um dois seus mais ilustres filhos e dedicado obreiro da revolução liberal de 1820.
 
J.M.M.

sábado, 12 de outubro de 2019

120 ANOS DE MAÇONARIA NO ALGARVE (1816-1936)


LIVRO: 120 Anos de Maçonaria no Algarve (1816-1936);
AUTOR: António Ventura;
EDIÇÃO: Sul, Sol e Sal, Setembro de 2019, 520 p.

Este último trabalho do professor António Ventura compreende e descreve - desde a instalação da 1ª Loja de pedreiros-livres no Algarve (Loja Filantropia, 1816) até um ano depois da promulgação da célebre Lei nº 1901 de 21 de Maio de 1935 (Lei José Cabral), que ilegalizou e dissolveu as “sociedades secretas” - a fundação, expansão e consolidação da Ordem Maçónica na região algarvia. Obra copiosa, publicação virtuosa e recenseadora das oficinas neste período, está ornamentada com breves biografias dos seus obreiros, acompanhada de competentes fotografias. Pena é que o livro não apresente um imprescindível Índice Analítico, para uma necessária e rápida consulta.

Neste trabalho (considerado pelo autor “em aberto”) é possível observar que estamos presentes um conjunto de simples e desconhecidos cidadãos que viveram, amaram e souberam engrandecer os locais que habitaram. E por isso, alguns encontram-se evocados na “toponímia ou equipamentos públicos locais” e deste modo “reconhecidas na sua terra”. Outros, como o curioso caso do advogado republicano Basílio Lopes Pereira (o Irmão Fernão Vasques), natural de Mortágua e combatente contra a Ditadura e o Estado Novo, abundantemente referenciado como instalador do triângulo nº 333 de Castro Marim (pp. 84-92), estiveram na região para instalar oficinas da Obediência ou em trabalhos profissionais esporádicos. Por fim, a obra dá-nos conta de um vasto e importante grupo de maçons que pertenceram a oficinas fora da região algarvia, de proveitosa consulta. 

   


“Este livro começou a ser esboçado há anos atrás, numa conversa com o Engenheiro Luís Guerreiro, que entusiasticamente acarinhou o projecto. Infelizmente as Parcas não o deixaram ver a sua concretização.

Creio que é desnecessário salientar a importância dos estudos regionais e locais no contexto dos estudos históricos. Tendo um objecto mais limitado, em termos geográficos e eventualmente cronológicos, possibilitam um aprofundamento que pode e deve contribuir para o melhor conhecimento da História em geral. No que concerne à História da Maçonaria, fazer incidir o seu estudo sobre uma localidade ou uma região permitirá reconstituir as estruturas, as biografias e a acção dos maçons nas comunidades onde estavam inseridos e, a partir daí, traçar uma perspectiva mais ampla e precisa da Maçonaria a nível nacional. Essa dimensão local, já a encontrámos nos estudos pioneiros de Cabral do Nascimento [“Os Pedreiros-Livres na Inquisição e Corografia Insulana”, Lisboa, Arquivo Histórico da madeira, 1959], Aníbal de Passos e Sousa [“Subsídios para o estudo do movimento maçónico em Elvas”, Arquivo Transtagano, 2º ano, nº16, 30 de Agosto de 1934; “Devassas em Elvas no ano de 1823. A Devassa à conspiração de Agosto”, idem, nº 19, 30 de Outubro de 1934] e António Loja [A Luta do poder contra a Maçonaria. Quatro perseguições no Século XVIII, INCM, 1986] para citarmos apenas os mais antigos.

Para essa reconstituição, é fundamental a investigação e o cruzamento da documentação existente nos arquivos distritais e noutros arquivos locais, públicos e privados, familiares, de instituições como câmaras municipais, misericórdias, associações sindicais, religiosas, políticas, desportivas, mutualistas, de bombeiros, de beneficência, recreativas e culturais. Partindo do levantamento das estruturas maçónicas locais, com elementos normalmente sintéticos, imprecisos e até equívocos, o grande desafio é completar o mais possível as informações biográficas com recurso não só às fontes documentais mas também à bibliografia local, com destaque para as numerosas monografias publicadas nos finais do século XIX e primeiras décadas do seguinte, e a imprensa periódica. Com uma dificuldade acrescida: na sua maior parte, os maçons eram pessoas comuns que não ficaram na História, estando por isso mesmo ausentes das enciclopédias e dos dicionários biográficos. Muitas vezes, as únicas informações que encontramos são pequenas notas necrológicas publicadas num obscuro semanário regional […]

[…] Este é um livro em aberto, aguardando o contributo dos leitores para que, no futuro, se possam completar os percursos de vida aqui plasmados. Muitas das figuras consideradas neste trabalho notabilizaram-se nos mais diversos campos da vida nacional e local, ou simplesmente porque foram consagradas na toponímia local; no entanto, tratam-se na sua grande maioria, de pessoas desconhecidas. É totalmente errada a ideia de que a Maçonaria era formada por pessoas muito importantes política, social e economicamente. Na sua maior parte, eram comerciantes, caixeiros, empregados, funcionários públicos, ferroviários, tipógrafos, militares, professores do ensino primário, industriais, assalariados de todo o tipo que tinham de ter, entre outras, uma condição indispensável para a admissão: saber ler e escrever. Note-se gue o analfabetismo em Portugal era de 73% em 1900 e de 69% em 1911... […]

[…] Uma justificação para o título deste livro e para as suas balizas cronológicas: 1816 é o ano de levantamento de colunas da primeira Loja maçónica no Algarve; 1936, um ano após a proibição da Maçonaria em Portugal, porque comprovámos a existência de actividade maçónica documentada da Loja Estrela do Sul, de Olhão e dos Triângulos de Tavira, Castro Marim, Portimão e Loulé.



A primeira Loja algarvia surgiu em Lagos, em 1816, seguindo-se outra em Faro em 1822. Porquê naquelas duas localidades? Porque Lagos era uma importante praça militar e Faro a sede do bispado. Ambas desaparecem em 1823. Só a partir de 1841 voltamos a encontrar actividade maçónica na região, muito esporadicamente e com escassas informações. De facto, se temos elementos sobre as duas primeiras Lojas, o mesmo não acontece as 11 seguintes, identificadas entre 1841 e 1860, em Faro, Tavira, Lagos e Vila Real de Santo António. Sobre elas pouco mais sabemos além do nome e da data provável de fundação. É uma época volátil, com a proliferação de Obediências, algumas de curta duração, cisões e fusões, e, acima de tudo, uma falta tremenda de documentos que nos permitam reconstituir quadros de membros e acção. Por isso, as informações sobre essas Lojas são limitadas e muito incompletas, ficando a aguardar que, no futuro, aparecimento de novos documentos permita preencher vazios que não dizem em respeito apenas às Lojas do Algarve ...

A situação altera-se a partir de 1869, com a fundação do Grande Oriente Lusitano Unido Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa (GOLU). Se bem que não sejam abundantes os documentos dos seus primeiros anos, existe um Boletim, publicado com regularidade a partir daquele ano, e alguns textos impressos e manuscritos, nomeadamente mapas com as Lojas, estatísticas sobre entradas e saídas. Tudo o que sabemos da Loja Democracia, de Faro, fundada em 1872 e que laborou até 1877,encontramo-lo no Boletim. Infelizmente, não se conhecem registos de admissões, para essa época; o assento sistemático e centralizado dessas informações só começou a ser feito a partir de 1892, embora alguns retroactivamente. Por outro lado, os arquivos das Lojas perderam-se na sua quase totalidade, foram destruídos deliberadamente por razões de segurança, por incúria, ou então jazem olvidados em algum sótão, à espera de serem descobertos e salvos, como sucedeu em Olhão...

Entre 1892 e 1914,os registos são relativamente completos e fiáveis. Com a cisão de 1914,que provocou a saída de diversas Lojas do Rito Escocês do GOLU, perde-se a informação sobre essas Lojas dissidentes. Alguns elementos foram recuperados em 1926, data do regresso da grande parte dessas estruturas ao Grande Oriente Lusitano Unido em vésperas do 28 de Maio. Depois desta data, mais precisamente após 1928, com o endurecimento da Ditadura Militar, as revoltas contra ela e a repressão que se abateu sobre os que a contestaram de armas na mão e não só, perturbaram a vida da Maçonaria, o que provocou novas falhas nos registos até 1935, data da sua proibição em Portugal.

No que respeita às Oficinas do Algarve - Lojas e Triângulos - os elementos informativos são fiáveis a partir de 1899, com a tentativa falhada de criação de um Triângulo em Portimão. Depois, a partir do grande surto de 1904-1905, segue-se um novo momento de crescimento com a proclamação da República. Existiram estruturas maçónicas nos concelhos de Albufeira. Castro Marim, Faro, Lagos, Lagoa, Olhão, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António. Foram instaladas Lojas em Faro, Lagos, Loulé, Olhão, Silves, Tavira, e Vila Real de Santo António bem como Triângulos em Albufeira, Paderne, Castro Marim, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Olhão, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Algoz, Pera, S. Bartolomeu de Messines, Tavira e Vila Real de Santo António. Todas estiveram ligadas ao Grande Oriente Lusitano Unido Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa, com uma deriva: os Triângulos de Silves, Pera, Portimão e Tavira aderiram à cisão de 1914. Abordamos cada uma dessa; estruturas por ordem alfabética e cronológica, com as informações que foi possível reunir, quanto a fundação e extinção, actividade e membros. Neste último caso, as dificuldades em recolher dados biográficos é manifesta por se tratarem, como já referi, na maior parte dos casos, de pessoas que não ficaram na História. O mesmo sucedeu com as fotografias, mais fáceis de encontrar quando se trata de militares do Exército e da Marinha, mas mesmo assim com algumas falhas.

Finalmente, incluímos uma relação de algarvios que pertenceram a Lojas ou Triângulos fora do Algarve, apresentados por ordem alfabética do concelho de naturalidade. Haveria ainda a considerar outras situações muito mais difíceis de detectar: maçons naturais de outras regiões do país que se fixaram no Algarve, onde viveram e trabalharam. Um caso exemplar é o do Dr. Arnaldo Cardoso Vilhena (1907-1968), médico em Faro, onde deixou marca profunda como clínico e homem de cultura, consagrado na toponímia local. Pertenceu à Loja A Revolta, de Coimbra, onde ingressou em 15 de Janeiro de 1928, enquanto estudante de Medicina, com o nome simbólico de «Cristo».

Esperemos que este livro possa contribuir para o melhor conhecimento do Algarve e da sua História na época contemporânea"

[António Ventura, in Introdução ao livro, pp. 11-15]


J.M.M.