Mostrar mensagens com a etiqueta Marinha Grande. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marinha Grande. Mostrar todas as mensagens

domingo, 18 de janeiro de 2015

A REVOLTA DE 18 DE JANEIRO DE 1934

A REVOLTA DE 18 DE JANEIRO DE 1934
 
 
«A revolta do 18 de Janeiro de 1934 [ler AQUI] surgiu como movimento nacional de contestação à ofensiva corporativa contra os sindicatos livres, por força do recém-publicado “Estatuto do Trabalho Nacional e Organização dos Sindicatos Nacionais”, em Setembro de 1933, pelo Estado Novo.
 
O movimento saiu para a rua e desenrolou-se, embora desarticulado. Contudo, a falta de apoio militar e a fraca adesão e repercussão nacional condenou-o ao fracasso.

Registaram-se greves gerais de carácter pacífico em Almada, Barreiro, Sines, Silves, e manifestações operárias, mais ou menos violentas na Marinha Grande, Seixal, Alfeite, Cacilhas e Setúbal …» [MAIS AQUI]
 
A rebelião foi duramente reprimida e a lista de presos extensa. Muitos dos operários detidos – principalmente anarquistas e comunistas -, foram inaugurar a Colónia Penal do Tarrafal, criado por Salazar ao abrigo do DL nº 23 de Abril de 1936. Os presos partiram para o Campo de Concentração do Tarrafal a 18 de Outubro de 1936. Muitos ali morreram.  
 
Eis uma lista de presos, resultante da fracassada tentativa da revolta de 18 de Janeiro de 1934 [via “Greve Geral Revolucionária de 18 de Janeiro 1934”, ed. GAPS, Tipografia Duarte, Lisboa, Agosto de 1974]
 
 
J.M.M.

sábado, 18 de janeiro de 2014

18 DE JANEIRO DE 1934 – A REVOLTA NA MARINHA GRANDE


"A revolta do 18 de Janeiro de 1934 surgiu como movimento nacional de contestação à ofensiva corporativa contra os sindicatos livres, por força do recém-publicado “Estatuto do Trabalho Nacional e Organização dos Sindicatos Nacionais”, em Setembro de 1933, pelo Estado Novo.

O movimento saiu para a rua e desenrolou-se, embora desarticulado. Contudo, a falta de apoio militar e a fraca adesão e repercussão nacional condenou-o ao fracasso.

Registaram-se greves gerais de caráter pacífico em Almada, Barreiro, Sines, Silves, e manifestações operárias, mais ou menos violentas na Marinha Grande, Seixal, Alfeite, Cacilhas e Setúbal.


Foram sabotadas estruturas de transportes, comunicações e de energia entre Coimbra e o Algarve, com destaque para Leiria, Martingança e Póvoa de Santa Iria. Registaram-se confrontos armados com forças policiais em Lisboa e Marinha Grande, onde o movimento atingiu grandes repercussões.

Quando, em finais de 1933, se iniciaram os preparativos da insurreição e Greve Geral nacional do dia 18 de Janeiro de 1934, o centro industrial vidreiro da Marinha Grande não ficou de fora.

Em articulação com as organizações sindicais nacionais, o movimento foi liderado por José Gregório, Teotónio Martins, Manuel Baridó, António Guerra, Pedro Amarante Mendes, Miguel Henrique e Manuel Esteves de Carvalho.

Entre a meia-noite e as duas da manhã do dia 18 de Janeiro de 1934, vários trabalhadores da Marinha Grande, na sua maioria vidreiros, reuniram-se em Casal Galego.

Estavam munidos de ferramentas para corte de árvores e vias de comunicação, de espingardas, revólveres, pistolas e bombas. Organizaram-se em brigadas e receberam instruções por parte dos dirigentes do movimento. Cortaram as estradas de acesso à Marinha Grande e a via-férrea.

Ocuparam a Estação dos Correios e Telégrafos e o Posto da GNR, com a consequente rendição e desarmamento dos soldados da Guarda Republicana e distribuição de armas pelos revoltosos.

Foram assim criadas condições para que se pudesse realizar a paralisação geral do trabalho na manhã do dia 18 de Janeiro. Porém, o movimento foi contido logo ao início da manhã. Os insurrectos foram surpreendidos com a chegada à Marinha Grande das forças policiais vindas de Leiria. Seguiram-se o Regimento de Artilharia Ligeira 4 e do Regimento de Infantaria 7.

Os revoltosos ainda resistiram, mas, pela manhã, as autoridades tomaram a cidade, onde declararam o estado de sítio.

Mandaram encerrar as fábricas, iniciando as buscas e detenções daqueles que participaram no movimento, gorando o objectivo da paralisação geral do trabalho.

O número de detidos terá ascendido, a 131 pessoas. 45 revoltosos foram processados e condenados ao desterro pelo Tribunal Militar Especial, com penas entre 3 e 14 anos de prisão e ao pagamento de pesadas multas.

Nesta conjuntura iniciou-se um longo processo de luta contra o Estado Novo, contra a ditadura, a censura e o estado corporativo.

Reclamou-se o direito elementar à liberdade, do qual resultaram milhares de presos políticos, considerados de “especial perigosidade”. Alguns foram deportados para a ilha de Santiago, no arquipélago de Cabo Verde, nomeadamente para a Colónia Penal do Tarrafal, conhecida como o “campo da morte lenta”.

Os revolucionários do 18 de Janeiro foram derrotados num combate em que a heroicidade não bastava para vencer a enorme desigualdade de forças"
 
FOTO e TEXTO via VITRIOL Associação, com a devida vénia.

 J.M.M.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

18 DE JANEIRO DE 1934


Assinala-se hoje, 18 de Janeiro de 1934, uma das efemérides históricas importantes no combate contra o regime salazarista que se afirmava em Portugal nessa altura.

Na Marinha Grande, um conjunto de operários vidreiros revoltaram-se contra a aplicação do Estatuto do Trabalho Nacional que tinha sido aprovado pelo Governo de António de Oliveira Salazar.

Mais do que recordarmos a efeméride e descrevê-la com todos os detalhes, convém verificar onde e como é recordada nos nossos dias, passados 79 anos sobre os acontecimentos, que memória existe sobre o tema. Assim, verifica-se que a Câmara Municipal da Marinha Grande assinala a revolta operária ocorrida a 18 de Janeiro de 1934, através da realização da exposição “Figuras do 18 de Janeiro de 1934” e do ateliê educativo “Histórias da nossa terra: o 18 de Janeiro de 1934”, que decorrem no Museu Joaquim Correia, situado no Largo 5 de Outubro, na Marinha Grande.

O objectivo das actividades é o de homenagear os operários que participaram na revolta de 18 de Janeiro de 1934, na Marinha Grande. A insurreição nacional levada a cabo em 18 de Janeiro de 1934 resulta indirectamente de um longo processo de luta social e sindical pela melhoria das condições de vida da classe trabalhadora e surge como movimento nacional de contestação à ofensiva corporativa contra os sindicatos livres, por força do então recém-publicado Estatuto do Trabalho Nacional e Organização dos Sindicatos Nacionais, em Setembro de 1933. 

A Exposição “Figuras do 18 de Janeiro de 1934”está patente no Museu Joaquim Correia, de 18 de janeiro a 9 de fevereiro de 2013, e apresenta fichas de registo de alguns dos operários da Marinha Grande presos e condenados pelo Tribunal Militar Especial, no seguimento da insurreição nacional de 18 de Janeiro de 1934, procedentes do livro de Registo Geral de Presos da Policia de Vigilância e Defesa do Estado - PVDE/PIDE.

Ao todo são 48 homens, marinhenses de gema e operários de profissão, que vão ser hoje evocados na Marinha Grande, a propósito do 79.o aniversário da revolta de 18 de Janeiro de 1934. Protagonistas daquela que poderá ser considerada uma das maiores insurreições operárias de que o concelho, e mesmo o País, terá memória, deram voz ao descontentamento de uma classe social fustigada pela crise económica e acabaram perseguidos, presos e condenados ao desterro pelo Tribunal Militar Especial.

O movimento liderado por José Gregório, Teotónio Martins, Manuel Baridó, António Guerra, Pedro Amarante Mendes, Miguel Henrique e Manuel Esteves de Carvalho, apelou ao associativismo operário do concelho em prol da paralisação generalizada das fábricas da cidade. Muitos destes operários inspiravam-se nas ideias comunistas e anarquistas do final da República e acabaram por ser desterrados ou presos. Segundo Fátima Patriarca foram presos no dia dos acontecimentos e até final desse ano de 1934,  531 cidadãos, mais 42 detidos em Lisboa no dia 18, mais 20 dirigentes sindicais no dia seguinte em Almada, a que acrescem mais 6 militantes presos em Campo Maior.


Os acontecimentos foram encadeados com episódios que ocorreram noutros locais como: a explosão da Central Eléctrica de Coimbra, a sabotagem na Fábrica de Braço de Prata, o corte de comunicações telefónicas em algumas cidades e o descarrilamento de um comboio na Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira.

Estes acontecimentos encontram-se já documentados e analisados em várias obras das quais destacamos:
Fátima Patriarca, Sindicatos contra Salazar. A Revolta do 18 de Janeiro de 1934, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, 2000;
- Emídio Santana et. al., O 18 de Janeiro de 1934 e Alguns Antecedentes, Lisboa, Regra do Jogo, 1978;
- L. H. Afonso Manta, O 18 de Janeiro de 1934. Do Movimento de Resistência Proletária à Ofensiva Fascista, Lisboa, Assírio &Alvim, 1975;
- Fátima Patriarca publicou ainda um artigo na Análise Social que pode ser consultado AQUI.

Na blogosfera encontraram-se alguns artigos recentes sobre a temática e alguns blogues dedicam-se em exclusivo à recolha de informação sobre o tema. Permita-se-nos destacar os seguintes:

A.A.B.M.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

18 DE JANEIRO DE 1934


Comemorações do 18 de JANEIRO de 1934

A Câmara Municipal da Marinha Grande e o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira comemoram o 75º Aniversário da revolta do 18 de Janeiro de 1934. Especial atenção à Exposição sobre a efeméride que decorre na Galeria Municipal da Marinha Grande.

J.M.M.