quinta-feira, 18 de novembro de 2021

LIVRO - VALONGO NA PRIMEIRA REPÚBLICA

 


LIVRO: Valongo na Primeira República;
AUTOR: Manuel Augusto Dias;
EDIÇÃO: Câmara Municipal de Valongo, Novembro de 2021.

Manuel Augusto Dias, natural de Ansião, licenciado em História pela FLUC e Mestre em História das Instituições e da Cultura Moderna e Contemporânea (Univ. do Minho), docente do ensino secundário, distinto investigador e jornalista, lançou a sua última obra – Valongo na Primeira República.

Este estimado livro, promovido pela Câmara Municipal de Valongo, “relata os acontecimentos políticos e sociais que marcaram o concelho de Valongo, por altura da implantação da República”. Manuel Augusto Dias recorda, ao longo de quinze capítulos, “entre outros factos históricos, o momento da implantação da República no Concelho de Valongo”, bem como destaca o importante papel de Ermesinde nesta implantação, “não só porque aqui estava sediado o único centro republicano do concelho, mas igualmente porque era terra onde vivia Maia Aguiar, que na voz do autor foi uma figura central da proclamação da República em Valongo”.

Dá conta das principais personagens desse período e, ainda, enaltece o “progresso e prosperidade que o concelho conheceu no período da 1.ª República”, da sua “industrialização”, cabendo também aqui, a “Ermesinde mais uma vez um papel de relevo no livro, com a memória da Fábrica da Cerâmica e da Fábrica de Tecidos de Sá, duas das maiores indústrias do concelho criadas na 1.ª República”.

Uma peça bibliográfica da história republicana regional importante e que importa conhecer.

J.M.M.

sábado, 13 de novembro de 2021

REDESCOBERTA DE CARDOSO PIRES – ANTÓNIO VALDEMAR

 


Redescoberta de Cardoso Pires – por António Valdemar, in Tempo Livre

O imaginário de Lisboa na obra de um grande escritor que se empenhou em «ridicularizar os cosmopolitismos, como sinónimo de provincianismo; sacudir os bonzos e demonstrar que a austeridade é uma capa do medo e da ausência de imaginação». Memória do passado, advertência para o presente e aviso para o futuro

José Cardoso Pires é um escritor com lugar muito próprio na literatura portuguesa do século XX. A sua obra, que parecia esquecida, voltou a ser assinalada com a reedição dos seus livros, acompanhados de prefácios de novos escritores, a publicação de novos ensaios críticos e o aparecimento de uma extensa biografia realizada por Bruno Vieira do Amaral. Ficamos a conhecer os vários aspetos da personalidade do homem rebelde e insubmisso, obcecado com a sua independência. E também o processo de criação do escritor que buscou uma «sintaxe citadina», rejeitando os modelos de uma linguagem nostálgica e sofisticada.

O tema central dos livros de José Cardoso Pires (1925-1998) desenvolveu-se em redor dos mais diversos cenários geográficos e humanos de Lisboa, apesar de ser oriundo de São João do Peso, concelho de Vila de Rei, distrito de Castelo Branco. Explicava, sem rodeios, que nascera ali por mero acaso, pois os pais já se tinham fixado em Lisboa. Guardou a reminiscência da aldeia longínqua da Beira Baixa. A formação de José Cardoso Pires decorreu na Escola Primária de Arroios, no Liceu Camões, na Faculdade de Ciências e na Escola Naval para fazer o curso da Marinha Mercante. Tempo marcado pelo fim da Guerra de Espanha e a Segunda Guerra Mundial. Nos anos 40, despertou para a literatura. Fez parte de tertúlias famosas e que já desapareceram: o Café Hermínios, na Almirante Reis, ponto de encontro inicial dos participantes na aventura surrealista; o Café Chiado, um dos lugares dos frequentadores das livrarias Bertrand e Sá da Costa; e o Café Portugal, no Rossio, onde se reuniam os neorrealistas.


Foi a época do MUNAF e do MUD e das Exposições Gerais de Artes Plásticas, encerradas pela PIDE, na Sociedade Nacional de Belas Artes. Marcou o final da década de 50 a candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República. Os anos 60 ganharam contornos políticos escaldantes: a guerra colonial em três frentes de combate; a reabertura do Tarrafal, pelo ministro Adriano Moreira; o encerramento da Sociedade Portuguesa de Escritores, pelo ministro Galvão Teles. Literatura e política estão associadas na criação literária de José Cardoso Pires. Ao definir a sua regra de conduta afirmou que tinha por objetivo: «ridicularizar os cosmopolitismos, como sinónimo de provincianismo; sacudir os bonzos e demonstrar que a austeridade é uma capa do medo e da ausência de imaginação».

Num dos seus principais livros Dinossauro Excelentíssimo disseca o crepúsculo de Salazar e o equívoco da «primavera política» de Marcelo Caetano. Desvenda os labirintos de um País onde tudo se decidia no Terreiro do Paço, nos vários ministérios submetidos ao poder absoluto e discricionário. A pretexto do crime do Guincho, José Cardoso Pires, na Balada da Praia dos Cães, reconstituiu como era Lisboa e como era Portugal. O capitão Almeida Santos foi executado, a 16 de março de 1960, na vivenda Verde Pino, em Rio de Mouro, pelos companheiros que fugiram, com ele, do Forte de Elvas: o médico Jean Jacques Marques Valente, o cabo António Gil e Maria José Maldonado [Sequeira]. Ao conceber uma ficção, a partir de factos reais, Elias Santana – um nome e uma criação do escritor – desencadeia a condução da narrativa no quotidiano de Lisboa: as malhas da clandestinidade política, o espectro da traição, os ódios declarados e reprimidos, os impulsos do sexo, a ansiedade do isolamento, o conflito aberto entre duas polícias, a Judiciária e a PIDE, sempre com uma a tentar sobrepor-se à outra.

Outro romance de José Cardoso Pires, O Delfim – considerado a sua obra-prima – apresenta-nos uma série de metáforas (a lagoa, a caçada aos patos, por exemplo) não apenas dos anos 60, do auge da guerra colonial e do fim de Salazar, mas da realidade portuguesa, dos seus mitos e dos seus fantasmas. Tomaz da Palma Bravo, última abencerragem de uma dinastia de aristocratas, agarrado a usos e costumes senhoriais em extinção, pertence a um grupo que, nos anos 40 e 50, lançava o pânico, nas cenas de pugilato e violência das noites de Lisboa.


Quantos outros cenários, na Cartilha do Marialva, se multiplicam aproximando-nos da Lisboa boémia e maldita? José Cardoso Pires conheceu os marginais do Socorro, do Martim Moniz, do Bairro Alto, do Cais do Sodré e do Parque Mayer. Viu e ouviu os chulos, as prostitutas e os marialvas nos seus ambientes castiços. O vocabulário que uns e outros usavam entrou na sua escrita concisa, depurada, reduzida ao essencial.

As crónicas de José Cardoso Pires reunidas no Livro de Bordo retomam o itinerário do escritor, através das ruas, das tascas e dos cabarés que resistiram, ainda, aos primeiros anos da revolução. Do 25 de Abril que celebrou com entusiasmo e, durante mais de duas décadas, viveu e escreveu em liberdade. Dificilmente se ausentava de Lisboa, da sua casa em Alvalade e do círculo dos amigos. Também se refugiava na Costa de Caparica. O isolamento junto do mar estimulava-lhe a concentração, o exercício da escrita, a escolha das palavras, num exigente trabalho de seleção e elaboração da linguagem. Para escrever o que tinha apenas de dizer.

Aproxima-se o centenário do nascimento de José Cardoso Pires que decorrerá a 2 de outubro de 2025, com as comemorações nacionais devidas a uma das maiores figuras da literatura portuguesa do século XX. Tem um estatuto europeu e universalista e a dimensão do escritor que merecia a consagração do Prémio Nobel. Legou, sem qualquer margem para dúvidas, um dos mais notáveis patrimónios culturais da língua portuguesa.

Redescoberta de Cardoso Pires – por António Valdemar [jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], in Tempo Livre, Novembro/Dezembro de 2021, p.7 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

"A HISTÓRIA FAZ-SE ...

 


A história faz-se de extensas visões e de pontos ocasionais. Quando é possível tocar o documento ou olhar a sua trasladação, estamos perante esse, ou esses, ponto ocasional, a ocasião. O caminho por ela é um modo de fixar a poalha, e é uma paragem concreta, muito embora esse concreto não deva jamais assumir a dimensão de único valor tangivelmente histórico, em desfavor daquilo a que chamo, tateando, os sentidos, os contextos ideológicos/vivenciais, o tencionar e o querer dos homens. Porque nada subsiste nas obras do passado senão os homens, o seu resíduo, e o resíduo dos resíduos que eles, epocalmente, haviam, por sua vez, recebido. Este, um domínio considerado, habitualmente, de interpretação e não de ressurreição, e que para não ser perigosamente alheio ao passado, tem de ser domínio de estudo, pobre e pobre, porque sempre estamos longe, e sem instrumentos totais, daquilo que foi, tal como terá sido ou podia ser …”

Fiama Hasse Pais Brandão, in O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos, 1985, p. 237

J.M.M.

domingo, 7 de novembro de 2021

XV ANIVERSÁRIO DO ALMANAQUE REPUBLICANO

 


As coisas são o único sentido oculto das coisas” [Alberto Caeiro]

O Almanaque Republicano viveria hoje mais que não fosse, para além do (a)braço do seu próprio nome, nos lábios poéticos de “gente civilizada” e liberta. Blog da Grande Alma Portuguesa, “velada d’armas” do ideário republicano e movimento de Saudade do Futuro, o Almanaque Republicano fez ontem 15 Anos.

Entre o olhar de ledores atentos e o espanto de gente de palavras exaustas e fala recta, o Almanaque Republicano abre a memória dessa gesta antiquíssima que connosco habita: a Res Publica. Morada d’escrita, lugar d’amor, língua de Sol, inscrevemos os sentimentos saudosos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A nossa herança é uma viagem sem fim.   

O Almanaque Republicano, feito por 2 (dois) caval(h)eiros prudentíssimos e que praticam conforme o estylo, sem amargura na Alma, tem já 15 Anos no V. aconchego. Cumpre-nos transpor outros tantos. Até lá … o nosso Vale!

Saúde, Paz e Fraternidade!

[traçado algures ao Vale do Mondego]


José Manuel Martins [J.M.M.]

Artur Barracosa Mendonça [A.A. B.M.]

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

[30 DE OUTUBRO, 21.30 HORAS] TERTÚLIA: A MAÇONARIA E A FIGUEIRA FA FOZ

 


TERTÚLIA: TERTÚLIA - A MAÇONARIA E A FIGUEIRA DA FOZ;

DIA: 30 de Outubro 2021;
LOCAL: Assembleia Figueirense (Figueira da Foz);

MODERAÇÃO: José Martins (coautor do blog Almanaque Republicano);

ORGANIZAÇÃO: Diálogos ComSentidos | Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto

“O grupo Diálogos ComSentidos e a Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto anunciam que a moderação da Tertúlia "A Maçonaria e a Figueira da Foz" ficará a cargo de José Martins, professor e coautor do blog "Almanaque Republicano".

Esta tertúlia terá início às 21h30 deste sábado (30/10) na Assembleia Figueirense e enquadra-se no programa Figueira Plural: um projeto de organização conjunta entre mais de uma dezena de organizações sociais, culturais e religiosas do concelho da Figueira da Foz.

A entrada é livre”

J.M.M.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

NOITE SANGRENTA - 100 ANOS

 


19 de Outubro de 1921


Morrem vilmente assassinados alguns dos nossos melhores cidadãos republicanos.

 HONRA a António Granja, Carlos da Maia, Machado dos Santos, Freitas da Silva, Botelho de Vasconcelos.


J.M.M.  | A.A.B.M.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

SEARA NOVA – “EM DEFESA DE UMA DEMOCRACIA SOCIAL”

 


Em Defesa de uma Democracia Social” – por António Valdemar, in Caderno E, Expresso, 9 de Outubro de 2021

Apesar de todas as adversidades da repressão política, no salazarismo e no marcelismo, o impacto da doutrinação e crítica da revista “Seara Nova” constitui um legado cívico e cultural dos mais notáveis do século XX. Esta semana passam 100 anos desde que saiu o primeiro número.

A “Seara Nova” apareceu há 100 anos e num momento de extrema crispação política e social. O desassossego era permanente e nunca se sabia o que reservava o dia de amanhã. A conspiração monárquica principiou no próprio 5 de Outubro de 1910, com a instauração da República. Prosseguiu sem tréguas. As derrotas dos monárquicos nas incursões (1911-1912) chefiadas por Paiva Couceiro repetiram-se na escalada de Monsanto (1919), comandada por Aires de Ornelas, e na implantação no Porto, também em 1919, da Monarquia do Norte.

A fragmentação dos republicanos em três partidos e a formação de grupos divergentes em cada partido geravam uma turbulência permanente. Os partidos instrumentalizavam o Exército e a Marinha. Manipulavam a Guarda Republicana e a Polícia. As revoluções sucediam-se. Os governos duravam meses ou apenas alguns dias. Os debates parlamentares eram intermináveis, sem apresentarem soluções alternativas para resolver os grandes problemas.

A criação, em setembro de 1919, da Confederação Geral do Trabalho (CGT) procurou mobilizar o operariado. Tinha como órgão o jornal “A Batalha”, que impulsionava as reivindicações e chamava a atenção para outros problemas nacionais ou internacionais. Também era fundado, em junho de 1921, o Partido Comunista Português. Todas estas circunstâncias provocavam angústia e sobressalto. Multiplicavam-se as greves. A crise económica era profunda. Faltavam produtos essenciais para o dia-a-dia. Continuavam por sarar feridas causadas pela intervenção de Portugal na guerra.

As origens da “Seara Nova” datam dos finais de 1920 e primeiros meses de 1921. Jaime Cortesão, diretor da Biblioteca Nacional, reuniu-se com Raul Proença e Luís da Câmara Reys e juntos conceberam a formação de um grupo, com a edição de uma revista periódica, para responder às preocupações que se manifestavam em todo o país. A eles se juntaram Aquilino Ribeiro, Augusto Casimiro, Faria de Vasconcelos, Ferreira de Macedo, Francisco António Correia, Raul Brandão e, levado por Aquilino Ribeiro, o jovem advogado José de Azeredo Perdigão.

Começou a publicação da “Seara Nova” a 15 de outubro de 1921. Era uma revista quinzenal de doutrinação e crítica, para “criar uma opinião pública nacional que exija e apoie as reformas necessárias”, para garantir “os interesses supremos da nação, opondo-se ao espírito de rapina das oligarquias dominantes e ao egoísmo dos grupos, classes e partidos”. Reclamava a urgência de “protestar contra todos os movimentos revolucionários e, todavia, defender e definir a grande causa da verdadeira revolução”. “Contribuir acima das Pátrias” — outra questão fundamental —, “a união de todas as Pátrias — uma consciência internacional bastante forte para não permitir novas lutas fratricidas”.


A NOITE SANGRENTA

Quatro dias depois do aparecimento da “Seara Nova”, a 19 de outubro de 1921, a revolta dos marinheiros espalhou o pânico em Lisboa, que se estendeu a todo o país. A Legião Vermelha assassinou o primeiro-ministro António Granjo e o fundador da República Machado Santos. Também assassinou o comandante Carlos da Maia, outra figura já histórica da República, o comandante Freitas da Silva, secretário do ministro da Marinha, e o coronel Botelho de Vasconcelos, que apoiara Sidónio Pais. Arrancados das suas casas, seguiram numa “camioneta fantasma” que os levou até ao Arsenal. Ali foram sumariamente abatidos a tiro.

Ficou na história como “A Noite Sangrenta”, uma das páginas negras de toda a Primeira República. Raul Proença, no nº 2 da “Seara Nova”, de 5 de novembro de 1921, referiu que o país mergulhara “na epilepsia da desordem”. E comentou: “Já o tínhamos previsto. Nem foi surpresa para ninguém (...).” Os homens que tombaram às mãos dos assassinos — acentuava com veemência — eram “vítimas de tudo o que fizemos e não fizemos; do que dissemos e do que calamos, do que praticamos e do que consentimos”.

Um dos motivos aparentes do 19 de outubro terá sido a demissão do governo de Liberato Pinto — ligado ao Partido Democrático — e a sua condenação a um ano de prisão, confirmada a 21 de setembro de 1921 pelo Conselho Superior de Disciplina do Exército. Quem se movimentou para organizar esta chacina e quais os seus objetivos? A Legião Vermelha, um grupo de marinheiros radicais influenciado por oficiais da Armada e do Exército e políticos de várias tendências. Inclusive monárquicas e católicas. O cabo Abel Olímpio, tristemente célebre com a alcunha “Dente de Ouro”, arregimentou os marinheiros, mas — e para vingar o Regicídio, executado em 1908 pela Carbonária — houve a intervenção das Juventudes Monárquicas Conservadoras. Houve também a colaboração do padre Maximiano Lima, da administração do jornal “A Época”, de cuja redação faziam parte jornalistas como Manuel Múrias, Pedro Correia Marques e Leopoldo Nunes, que, a 28 de maio de 1926, acompanharam o golpe militar chefiado por Gomes da Costa, em Braga; que avançou para o Porto e para Lisboa e abriu caminho para a entrada de Salazar no governo.

No livro de Berta MaiaAs Minhas Entrevistas com Abel Olímpio, ‘O Dente de Ouro’”, confirmam-se as cumplicidades de militares monárquicos e de figuras da banca. O jornalista Bourbon e Meneses reuniu outros contributos no livro “Os Crimes do 19 de Outubro: Revelações & Interrogações Sensacionais” (1929), ao aprofundar os meandros da conspiração e a concretização do crime. A situação política diagnosticada por Raul Proença na “Seara Nova” desvendava as causas da agitação nas ruas e da incerteza e da perplexidade que se instalara na população. Jaime Cortesão, a propósito, afirmou: “Diga-se a verdade toda. Os crimes que se praticaram não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa.”


POLÉMICAS MEMORÁVEIS

A entrada, em 1923, de António Sérgio para a redação e direção intensificou as grandes intervenções polémicas. Para um público em especial, os jovens universitários, a “Seara Nova” tornara-se leitura obrigatória. Denunciava erros e omissões de política nacional e internacional nas áreas da educação e da economia. Questionou o fascismo e o comunismo.

Desencadeou polémicas memoráveis. Raul Proença fez a desmontagem do Integralismo Lusitano e da Cruzada Nuno Álvares; definiu as responsabilidades dos intelectuais. Desmascarou as acrobacias políticas de Alfredo Pimenta, Martinho Nobre de Melo. Enfrentou Cunha Leal — que ascendera a primeiro-ministro na crise resultante do 19 de outubro — a propósito da incompatibilidade da política com o mundo dos negócios.

António Sérgio insurgiu-se contra Malheiro Dias acerca do Sebastianismo e sobre os métodos da divulgação científica preconizados por Abel Salazar. Também não hesitou em escrever juízos críticos a propósito da obra de Teófilo Braga e Guerra Junqueiro, ambos considerados intocáveis.

A missão do artista foi outra polémica que se arrastou entre José Régio e Álvaro Cunhal. Mais intervenções com repercussão: de Adolfo Casais Monteiro em torno da arte e da vida e de Mário Dionísio a respeito do neorrealismo. A demissão de António Sérgio, em 1939, resultou das divergências em matéria de orientação ideológica e dos critérios da administração adotados por Câmara Reys. Contou com a adesão de Mário de Azevedo Gomes, de Álvaro Salema e de Castelo Branco Chaves. Mas não impediu uma participação intensa, em alturas decisivas, quando Jaime Cortesão e António Sérgio foram presos e exilados; e Raul Proença ficou doente e totalmente incapacitado para escrever.

A “Seara Nova” atravessou a Guerra de Espanha, a Segunda Guerra Mundial e, no plano interno, a consolidação do regime de Salazar; as repercussões e as consequências do MUNAF (1942) e do MUD (1945); a nova expulsão de catedráticos nas universidades de Lisboa, Coimbra e Porto; os conflitos, as desistências, os avanços e recuos desencadeados em face das candidaturas de Norton de Matos, de Rui Luís Gomes, de Quintão Meireles, de Arlindo Vicente e de Humberto Delgado. Sempre em luta frontal contra o regime e a suportar ameaças tremendas.

Um novo ciclo se abriu nos anos 60 com a morte inesperada de Câmara Reys, candidato a deputado numa lista da oposição para deputados à Assembleia Nacional. A “Seara Nova” ampliou, entretanto, a visão crítica e analítica — quase sempre abafada pela censura — perante a Guerra Colonial, os apelos possíveis para a independência das colónias, a emigração, a saúde, as greves estudantis. É a década em que dois membros do governo de Salazar provocam dois incidentes de enorme gravidade — Adriano Moreira, ministro do Ultramar, reabriu o Tarrafal, com o nome de Campo do Chão Bom; e Inocêncio Galvão Teles, ministro da Educação, encerrou a Sociedade Portuguesa de Escritores. A história da “Seara Nova”, nestes e em muitos outros aspetos, já foi estudada na sua amplitude e dimensão por António Rafael Amaro, António Reis, Sottomayor Cardia, Fernando Catroga, António Pedro Pita, em investigações rigorosas e pormenorizadas.

ORIENTAÇÃO LITERÁRIA

Os principais responsáveis pela criação da “Seara Nova” derivam do grupo da Renascença Portuguesa e da revista “Águia” e surgiram no Porto, em 1910, depois da instauração da República. Teixeira de Pascoaes e Leonardo Coimbra faziam parte — e em lugar de maior evidência — deste movimento cultural. Contudo, Jaime Cortesão, Raul Proença e António Sérgio optaram por outra posição filosófica e outra orientação doutrinária.

Elegeram na “Seara Nova”, entre as suas preferências literárias, os escritores, os poetas, os ensaístas e os críticos mais representativos da segunda metade do século XIX: Antero de Quental, Oliveira Martins, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. Quase todos selecionados como paradigmas nas “Questões Morais e Sociais da Literatura”, para citar o título de uma série organizada por Luís da Câmara Reys.

Outra componente da “Seara Nova” residia na oposição ao modernismo, que se manifestou a partir do “Orpheu”, em termos de criação poética e na aceitação de princípios e valores. Jaime Cortesão é categórico, em 1922, numa das “Cartas à Mocidade” e a propósito da formação dos caracteres e do carácter. Recomendava aos jovens que não se deixassem atrair pelos “corifeus da última grande camada literária que deram extremos foros de desequilíbrio no estilo”. Outra advertência — sem mencionar nomes, mas eram óbvios — incidia no conteúdo da obra de poetas como António Botto, Judite Teixeira e Raul Leal, na chamada “literatura de Sodoma”, que Fernando Pessoa defendeu publicamente.

GRAFISMO E ILUSTRAÇÃO

A configuração da “Seara Nova” não tem qualquer relação com as revistas do modernismo. Tais como “Orpheu”, “Centauro”, “Portugal Futurista”, “Athena” e “Contemporânea”, associadas às inovações introduzidas por Luís de Montalvor, Amadeo de Souza-Cardoso, Christiano Cruz, Santa-Rita Pintor, Almada Negreiros e José Pacheco. Foi encomendado por Luís da Câmara Reys a Leal da Câmara o modelo da “Seara Nova”, enquanto revista e, ainda, de papel para cartas e envelopes da redação e dos serviços administrativos. Leal da Câmara notabilizara-se em Paris, em plano de igualdade com os maiores caricaturistas e cartoonistas que marcaram a transição do século XIX para o século XX.

Ao regressar a Portugal, após a implantação da República, Leal da Câmara exerceu influência nos primórdios de Almada Negreiros, Christiano Cruz e Stuart Carvalhais, em Lisboa, e de Abel Salazar, no Porto. O seu magistério no ensino industrial e comercial foi relevante em várias gerações que frequentaram a Escola Fonseca Benevides. Realizou uma obra pioneira na edição de livros e de revistas, na criação de mobiliário e de objetos decorativos e na montagem de exposições.

A “Seara Nova” tem capas de Leal da Câmara, episodicamente, de Jorge Barradas e de Stuart Carvalhais; nos anos 20, a presença assídua de José Tagarro (que faleceu prematuramente) é da maior importância. Outras referências: Diogo de Macedo, Arlindo Vicente e Roberto de Araújo; nos anos 40 e 50, salientam-se Júlio Pomar e Lima de Freitas.

O reconhecimento dos vários surtos da modernidade encontra-se na crítica de arte de José Ernesto de Sousa e, pouco antes do 25 de Abril, em Rocha de Sousa, enquanto José-Augusto França se distinguiu, muitos anos, na crítica de cinema. Nesta retrospetiva bastante sumária não se podem ignorar a crítica de teatro de João Pedro de Andrade e a crítica de música de Fernando Lopes Graça. Só que Lopes Graça ultrapassou este domínio, ocupando -se de outros sectores culturais e políticos.

CENSURA, ASSALTOS, PRISÕES

A censura, desde que foi instituída e legalmente estruturada — na sequência da implantação da ditadura militar e da chefia do governo presidido por Salazar —, teve intervenção drástica na “Seara Nova”. Os motivos de combate permanente à “Seara Nova”, um dos órgãos de comunicação mais contundentes, ressaltaram nos temas da comemoração do 40º aniversário do 28 de Maio, através das intervenções de políticos, de militares e de um representante da igreja. Estão reunidas em dois volumes. Justificaram e exaltaram as políticas adotadas e que se vão manter até ao 25 de Abril. Também a União Nacional, no âmbito desta comemoração, lançou outros livros, um dos quais “A ‘Seara Nova’ e o Pensamento da Revolução Nacional”, da autoria de Mário Matos e Lemos e publicado na Panorama, a editora do SNI.

A anunciada Primavera Marcelista, de setembro de 1968 a 24 de abril de 1974, continuou a encarar a “Seara Nova” como um perigo político, um dos inimigos a abater e a condenar ao ostracismo. José Tengarrinha estudou na história da “Seara Nova” os dois períodos em que a censura foi mais radical: coincidiram com a direção de Câmara Reys (1927-1960) e, de 1961 a 1974, com as direções de Augusto Casimiro, de Rogério Fernandes, de Augusto Abelaira e de Manuel Rodrigues Lapa. Além da intervenção da censura, também se registaram, ao longo de décadas, os assaltos, os confiscos e as prisões da PIDE, que prendeu e torturou intelectuais marcados pelo estigma da “Seara Nova”.

Entre numerosos casos gritantes, em novembro de 1958, recordam-se as prisões de seareiros históricos como António Sérgio, Jaime Cortesão e Mário de Azevedo Gomes, todos eles com mais de 70 anos. O pretexto era que, fora do tempo de “liberdade suficiente” da campanha eleitoral de Humberto Delgado, promoviam a organização para a vinda a Portugal de Aneurin Bevan, deputado trabalhista britânico, e de Pierre Mendès France, a fim de fazerem conferências sobre democracia.


INTRANSIGÊNCIA DE PRINCÍPIOS

O enquadramento da “Seara Nova” coloca-nos perante várias “Searas Novas” com diferenças políticas e culturais muito assinaláveis. Até ao último número manteve-se fiel a “regras básicas de conduta” — esclareceu Rodrigues Lapa —, como, por exemplo, em não “agrupar todos os seareiros sob um mesmo credo e uma só bandeira”. Especificava que a “Seara Nova” “guardou sempre avaramente a sua independência. Daí a sua autoridade cívica. Contra a política aventureira dos improvisadores da velha democracia. (...) Veio substituir e muitas vezes combater uma forma de radicalismo, muito em moda, que só tinha de avançado o modo truculento como atacava os padres e a religião, mas que se mancomunava, podendo ser, com os príncipes da plutocracia e da finança, tradicionais inimigos da democracia”.

“Essa posição intransigente na defesa dos princípios de uma democracia social” — acentuava Rodrigues Lapa — “teve por consequência a hostilidade dos partidos republicanos que então disputavam o poder”. Durante a ditadura, de 1926 a 24 de abril de 1974, a “Seara Nova” travou “um ferrenho combate, com armas desiguais, mas com o vigor desesperado dos que preferem morrer a ceder um palmo de terreno”.

Um dos “pequenos dramas da vida íntima da ‘Seara’” — observou ainda Rodrigues Lapa — consistiu no “espírito de elite, que cava abismos quase intransponíveis entre o agente e o objeto da cultura”. No entanto, a “Seara Nova” opunha-se “à cultura como privilégio de classe, inacessível ao cidadão vulgar”. Assim, procedeu, desde os anos 30 aos anos 60, à publicação e ampla divulgação dos “Cadernos da ‘Seara Nova’” e dos “Textos Literários”. Rodrigues Lapa e António Sérgio foram os principais responsáveis pela seleção dos autores, a introdução de cada opúsculo e a organização de uma antologia sumária. Procurando sempre — afirmou Rodrigues Lapa — “um estilo claro, que fuja à retórica tradicional e a um gongorismo retorcido, em que o português culto ou semiculto de ordinário se compraz com delícia”.

Todas estas circunstâncias em momentos particularmente atribulados, com a sistemática repressão da censura e da polícia política, a PIDE e a DGS, estabeleceram uma filosofia e uma moral. Apesar de todas as adversidades e de todas as polémicas, a “Seara Nova” deixou um legado cívico e cultural dos mais notáveis dos últimos 100 anos.

Em Defesa de uma Democracia Social – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], revista E, Expresso, 9 de Outubro de 2021, pp. 34/39 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

CICLO DE ATIVIDADES NO ÂMBITO DO CENTENÁRIO DA "SEARA NOVA"

Ao longo do mês de outubro, assinalando o Centenário do início da publicação da revista "Seara Nova", conforme se pode ver no cartaz acima, realizam-se várias actividades entre palestras, visionamento de documentários e exposições sobre a revista.

DIA 14 DE OUTUBRO DE 2021

18 HORAS
BIBLIOTECA DE ALCÂNTARA - LISBOA
Conferência:
"Irene Lisboa", pela Prof. Doutora Paula Morão.

Para quem gosta, fica também a ligação para a revista já digitalizada e disponível a todos os interessados e que pode ser consultada/descarregada AQUI.

Fica a sugestão.

A.A.B.M.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

CONGRESSO INTERNACIONAL DO BICENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO DE 1820

 

Realiza-se hoje, 11 de Outubro, a partir da Assembleia da República e amanhã e quarta-feira, no auditório da Fundação Calouste Gulbenkian o CONGRESSO INTERNACIONAL DO BICENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO DE 1820.

O programa do congresso pode ser consultado AQUI.


11 OUTUBRO

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

9:30 Horas – Entrada Principal

Acolhimento dos participantes


10:00 Horas – Sala 1

AS REVOLUÇÕES NA EUROPA DO SUL (1)

Coord. Javier Fernandez Sébastian e Maurizio Isabella

Javier Fernández Sébastian (Universidad del País Vasco) - Cádiz, Oporto, Calcuta. Ecos bengalíes

de las revoluciones ibéricas (1820-1823) (P)

Gonzalo Capellán (Universidad de La Rioja) - La imagen de Fernando VII y las caricaturas

políticas difundidas desde Londres durante el Trienio (1820-1823) (P)

Gian Luca Fruci (Dipartiment di Civiltà e Forme del Sapere – Universitàdi Pisa) - Un moment

espagnol? Pratiques électorales et culture constitutionnelle dans les deux Siciles, 1820


10:00 Horas – Sala 3

CORTES E CONSTITUIÇÃO (1)

Coord. Zília Osório de Castro e Luís Bigotte Chorão

Pedro Barbas Homem (Universidade de Lisboa) - Modelos de constitucionalismo liberal (P)

Manuel Clemente (Universidade Católica Portuguesa) - Os bispos e a liberdade, ou a liberdade e

os bispos (1820 ss)

António Araújo (Universidade Nova de Lisboa) - D. Carlos da Cunha (1759-1825), um patriarca anticonstitucional (P)

11:15 Horas | Pausa


11:30 Horas – Sala 1

AS REVOLUÇÕES NA EUROPA DO SUL (2)

Coord. Javier Fernandez Sébastian e Maurizio Isabella

Peter Hill (Northumbria University) - The Mount Lebanon Uprising of 1821: Reconceptualising a

Revolutionary Age

Maurizio Isabella (Queen Mary University of London) - Petitioning in the name of the

constitution: corporate privileges and individual rights in Portugal, Spain, Naples and Greece during the 1820s revolutions

Alda Dialla (Athens School of Fine Arts, Department of Theory and History of Art) - Russia

and the Revolutions of 1820’s in Southern Europe

Michalis Sotiropoulos (British School at Athens) - The multiple projects of a political crisis:

sovereignty and government during the Greek revolution (1821-28)


11:30 Horas – Sala 3

CORTES E CONSTITUIÇÃO (2)

Coord. Zília Osório de Castro e Luís Bigotte Chorão

Ángeles Lario (Universidad Nacional de Educación a Distancia) - Revolución y Constitución.

El liberalismo revolucionario y la monarquía constitucional: 1812 y 1822 (P)

Luís Bigotte Chorão (CEIS20, Universidade de Coimbra); Zília Osorio de Castro (FCSH,

Universidade Nova de Lisboa) - História e Memória do vintismo. Olhares académicos sobre a

Constituição de 1822 (P)

Fernando Catroga (Universidade de Coimbra) - A Revolução e a Soberania Nacional (P)

13: 00 Horas | Almoço


15:00 Horas – Sala 1

CULTURA E REDES POLÍTICAS DE EXÍLIO

Coord. Grégoire Bron e Gladys Ribeiro

Juan Luis Simal (Universidad Autónoma de Madrid) - Armar una como en el 20: las autoridades

españolas frente a la colaboración entre exiliados españoles y portugueses, 1823-1832 (P)

Carmine Cassino (Centro de História – Universidade de Lisboa) - À procura da nação: a

comunidade italiana em Lisboa e o exílio político na altura do vintismo

Grégoire Bron (École Pratique des Hautes Etudes) - La révolution portugaise de 1820 et l'exil

politique

Gladys Sabina Ribeiro (Universidade Federal Fluminense) - Emigrados portugueses: antilusitanismo e participação política no Brasil às vésperas da Abdicação de D. Pedro I


15:00 Horas – Sala 3

NAÇÃO E IMPÉRIO

Coord. Sandra Ataíde Lobo e Cristina Nogueira da Silva

Maria Luísa Ferreira de Oliveira (Departamento de História – Universidade Federal de São

Paulo) - Lisboa, Rio de Janeiro, Moçâmedes: política e negócios nas conexões atlânticas em meados do

século XIX (P)

Augusto Nascimento (Centro de História – Universidade de Lisboa) - Eleições em São Tomé e Príncipe em oitocentos: da disputa pela vontade dos súbditos da Coroa até à febre do cacau (P)

Andréa Slemian (Universidade Federal de São Paulo) - “Todos são cidadãos brasileiros”: a garantia dos direitos como problema no Império do Brasil

Cristina Nogueira da Silva (Faculdade de Direito – Universidade Nova de Lisboa e, Centro de Investigação em Direito e Sociedade) - Construir nações a partir de impérios. Reflexões sobre os

conceitos de Nação, de Império e de cidadania imperial

Sandra Ataíde Lobo (Centro de Humanidades, FCSH – Universidade Nova de Lisboa);

Luís Cabral de Oliveira (Instituto Politécnico de Leiria e Centro de Investigação Direito e

Sociedade, Faculdade de Direito – Universidade Nova de Lisboa) - A originalidade da Goa

liberal-constitucional: as bases teóricas do perismo

16: 30 Horas | Pausa


SESSÃO SOLENE DE ABERTURA

SALA DO SENADO

17:00 Horas | Abertura pelo Presidente da Assembleia da República

Eduardo Ferro Rodrigues


17:10 Horas | Intervenção do Presidente das Comemorações do Bicentenário do Constitucionalismo Português

Guilherme d’Oliveira Martins


17:20 horas | Intervenção da Presidente da Comissão Organizadora do Congresso Internacional do Bicentenário da Revolução de 1820

Miriam Halpern Pereira

17:30 Horas | Encerramento pelo Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa


12 OUTUBRO

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN

9:30 Horas – Auditório 3

EDUCAÇÃO, CULTURA E CIÊNCIA

Coord. Luís Alberto Alves e Fátima Nunes

Ricardo Ferreira de Almeida (Instituto Politécnico de Viseu) - Teatro e gestão de corpos em palco:

notas biográficas e sistematizações

António Henriques (Instituto de Educação – Universidade de Lisboa) - Um rasgo discreto: a invenção da herança cultural sob o regime monárquico liberal como aprendizagem técnica, valor educativo e veneração dos povos (P)

Víctor-Manuel Núñez-García (Universidad de Sevilla); Darina Martykánová (Universidad

Autónoma de Madrid) - Medicina como una ciencia útil: las transformaciones del discurso profesional

de los médicos españoles en el marco del Trienio constitucional (P)

Cristina Joanaz de Melo (IHC, FCSH – Universidade Nova de Lisboa) - Ausências historiográficas: regeneração de floresta na paz e na guerra em Portugal 1800-1824

Madalena Costa Lima (CLEPUL/Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) - Noções de património: os conceitos de monumento histórico e monumento nacional no período vintista


9:30 Horas – Sala 1

ESTADO, IGREJA E RELIGIÃO

Coord. Ana Mouta Faria e Sérgio Ribeiro Pinto

Paulo Alexandre Alves (IHC, FCSH – Universidade Nova de Lisboa e Centro de Estudos de História Religiosa) - Uma relação ambígua: os bispos de Portugal metropolitano e a revolução de

1820 (P)

Francisca M. C. Branco Veiga (Centro de História – Universidade de Lisboa) - Miguelismo e Jesuitismo: descontinuidade no processo político para o Liberalismo (P)

Teresa Ponces - Um olhar sobre a Revolução: o combate do cardeal-patriarca de Lisboa, D. Carlos da

Cunha (P)

Jaime Ricardo Gouveia (Centro de História da Sociedade e da Cultura – Universidade de Coimbra) - As políticas liberais e a sustentação do clero no bispado de Viseu 1820-1910 (P)


11:00 Horas | Pausa


11:30 Horas – Sala 2

INDIVÍDUOS, GRUPOS E MOVIMENTOS SOCIAIS (1)

Coord. Jorge Fernandes Alves e José Viriato Capela

João Paulo de Jesus Martins Luz (Escola Superior de Educação do Porto) - As Faces da Revolta (P)

Aires Gomes Fernandes (Centro de História da Sociedade e da Cultura – Universidade de Coimbra) - Joaquim José da Costa de Macedo visto à luz da sua correspondência

Adília Fernandes (CITCEM – Universidade do Porto) - General Claudino Pimentel (1776- 1831) - Um liberal nos caminhos da glória e do infortúnio (P)

Fernando Augusto Machado (Universidade do Minho) - Com Garrett pelos caminhos da Revolução (P)


11:30 Horas – Sala 1

ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS (1)

Coord. José Luís Cardoso e Jorge Pedreira

Jaime Reis (Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Lisboa) - Do economic factors

explain the 1820 liberal Revolution in Portugal? (P)

José Vicente Serrão (Iscte – Instituto Universitário de Lisboa) - Agricultura e vintismo: relações imperfeitas (P)

José Luís Cardoso (Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Lisboa) - O Banco de Lisboa e o contexto político do vintismo (P)


11:30 Horas – Auditório 3

IDEOLOGIAS E CORRENTES DE PENSAMENTO POLÍTICO (1)

Coord. Ana Cristina Araújo e Luís Reis Torgal

Diana Tavares da Silva (Centro de História da Sociedade e da Cultura, Faculdade de Letras  – Universidade de Coimbra) - A Sociedade Literária Patriótica de Lisboa (1820-1823)- contributos para a cultura política do Vintismo

Nere Basabe (Universidad Autónoma de Madrid) - La Revolución Liberal de 1820-1823 en Francia: reacciones al modelo constitucional español e intentos insurreccionales de la “internacional liberal”

Luís Reis Torgal (Faculdade de Letras – Universidade de Coimbra e fundador do CEIS20)

- O “Liberalismo económico” dos antiliberais. reflexões sobre José Acúrsio das Neves e José da Gama e Castro (P)

Maria Luisa Sánches-Mejia (Universidad Complutense de Madrid) - La educación ciudadana:

Ramón Salas y la prensa afrancesada en la difusión de la doctrina liberal


13:00 Horas | Almoço Livre

14:30 Horas – Sala 1


AS REVOLUÇÕES NA AMÉRICA DO SUL (1)

Coord. Ana Frega, Lúcia Bastos P. Neves e M. Beatriz Nizza da Silva

Juan Marchena Fernandez (Universidade Pablo de Olavide) - O impacto das revoluções liberais

de 1820 de Portugal e Espanha nos processos de independência latino-americana. O caso do Peru, Equador e Bolívia (P)

Wilson González Demuro (Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación- Universidad de la República) - El impacto del constitucionalismo ibérico en las prácticas políticas y

culturales rioplatenses. Actividad de prensa y debate conceptual en la Provincia Oriental/Cisplatina (1820-1830)

Flavio José Gomes Cabral (Universidade Católica de Pernambuco) - O exemplo da Revolução do Porto “brotará” no Brasil desejo de imitação”: Uma sedição malograda em 1820 em Pernambuco

Lucia Maria Bastos Pereira das Neves (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) - O raiar da “aurora política” no Rio de Janeiro – leituras do movimento constitucional de 26 de fevereiro de 1821


14:30 Horas – Auditório 3

IDEOLOGIAS E CORRENTES DE PENSAMENTO POLÍTICO (2)

Coord. Ana Cristina Araújo e Luís Reis Torgal

Diego Palacios Cerezales (Universidad Complutense de Madrid) - La utopía peticionaria. Derecho de petición y gobierno representativo durante la era de la revolución (P)

Cláudio DeNipoti (Universidade Estadual de Londrina) - Percursos pessoais e posições políticas em 1820; como os agentes da cultura impressa portuguesa viveram os anos revolucionários

Ana Cristina Araújo (Faculdade de Letras – Universidade de Coimbra e Centro de História da Sociedade e da Cultura) - Representação e direitos civis no triénio liberal português. Ideias e linguagens políticas (P)

José M. Portillo (Universidaddel País Vaco/Euskal Herido Unibersitatea) - La emancipación como revolución conservadora. España y América, 1814-1825 (P)


14:30 Horas – Sala 2

INDIVÍDUOS, GRUPOS E MOVIMENTOS SOCIAIS (2)

Coord. Jorge Fernandes Alves e José Viriato Capela

José Viriato Capela (Universidade do Minho); Henrique Matos (Agrupamento de Escolas

de Vila Verde) - Reforma, revolução e contrarrevolução nos Levantamentos Nacionais contra os Franceses em 1808. Horizontes de 1820.

Francisco Miguel Araújo (CITCEM, Faculdade de Letras – Universidade do Porto) - Nas brumas do Sinédrio: João Ferreira Viana (P)

Joaquim António Gonçalves Guimarães (Gabinete de História, Arqueologia e Património, Vila Nova de Gaia) - Os negociantes da praça do Porto e a Revolução de 1820 (P)

Ana Cardoso de Matos (CIDEHUS – Universidade de Évora) - Os engenheiros portugueses e o liberalismo: atuação política, social e económica (P)

16:00 Horas | Pausa


16:30 Horas – Sala 1

AS REVOLUÇÕES NA AMÉRICA DO SUL (2)

Coord. Lúcia Bastos P. Neves, Ana Frega e M. Beatriz Nizza da Silva

Alexandre Mansur Barata (Universidade Federal de Juiz de Fora). Das capitanias às províncias: discussões em torno do estabelecimento da província como unidade político-administrativa no Império do Brasil (1820-1834)

Camila Borges da Silva (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). A soberania em debate: discursos políticos no alvorecer do Império do Brasil (1822-1824)

Marcelo Cheche Galves (Universidade Estadual do Maranhão). Maranhão, abril de 1821: a Revolução de 1820 no norte da América portuguesa

Ana Frega Novales (Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación -Universidad de la República) Proyectos de unión confederal en el Rio de la Plata en la década de 1820 (P)


16:30 Horas – Sala 2

INDIVÍDUOS, GRUPOS E MOVIMENTOS SOCIAIS (3)

Coord. Jorge Fernandes Alves e José Viriato Capela

Maria Otília Pereira Lage (CITCEM, Faculdade de Letras – Universidade do Porto) - «A Conspiração de 1817- Gomes Freire» de Raul Brandão: mundividência histórica brandoniana

José António Barreto Nunes (Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, jubilado) – José António Guerreiro, o Liberal de Lanhelas – de vintista a cartista (1789-1834) (P)

Jorge Martins Ribeiro (Faculdade de Letras – Universidade do Porto) – Os pensadores que influenciaram os homens que promoveram a Revolução Liberal de 1820


16:30 Horas – Auditório 3

ECONOMIA E FINANÇAS PÚBLICAS (2)

Coord. José Luís Cardoso e Jorge Pedreira

Cláudia Maria das Graças Chaves (Universidade Federal de Ouro Preto) - As instituições fazendárias no contexto liberal e constitucional: o território brasileiro no debate das Cortes portuguesas

Miguel Dantas da Cruz (Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Lisboa) - Tempos de incerteza: A Mesa do Bem do Comum dos Mercadores e a agenda liberal (P)

Daniel Alves (FCSH – Universidade Nova de Lisboa) – O que oferecia a Revolução liberal aos homens de negócios do Antigo Regime? O caso dos rendeiros de dízimos (P)

Jorge Miguel Pedreira (FCSH – Universidade Nova de Lisboa) – Os negociantes e a Revolução liberal: tempos de mudança

18:00 Horas

ENCERRAMENTO DO 2.º DIA DO CONGRESSO



13 OUTUBRO

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN

9:30 Horas – Sala 1

ESTADO E PODERES PERIFÉRICOS (1)

Coord. Paulo Jorge Fernandes e Susana Serpa Silva

Teresa Fonseca - O impacto do pronunciamento militar vintista nos municípios do Sul (P)

Fernando Dores Costa (IHC, FCSH – Universidade Nova de Lisboa) - Os “mitos” sobre a presença britânica em Portugal nos anos entre 1815 e 1820 revisitados a partir da correspondência do duque de Wellington (P)

Nuno Camarinhas (Centro de I&D sobre Direito e Sociedade, Faculdade de Direito – Universidade Nova de Lisboa) - O aparelho judicial na transição do Antigo Regime para o período Constitucional

Maria João Vaz (Iscte – Instituto Universitário de Lisboa) - Reforma do sistema penal e prisional em debate, c. 1820-1823 (P)


9:30 Horas – Auditório 3

PROCESSO POLÍTICO:

REVOLUÇÃO E CONTRARREVOLUÇÃO (1)

Coord. Maria Alexandre Lousada e Nuno Gonçalo Monteiro

Madelaine Irene Salvador (Faculdade de Letras – Universidade do Porto) - A relação entre Portugal e a França no período da restauração dos Bourbons de 1815 a 1830: consequências na política portuguesa (P)

Manuel Marques Caiado (Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design e FCSH – Universidade Nova de Lisboa) - António Saldanha da Gama: Do pensamento contrarrevolucionário à ação diplomática no contexto ibérico (1820-1823) (P)

Ramon Arnabat Mata (Universitat Rovira i Virgili) - Contrarrevolución y antirrevolución en Portugal y España durante los trienios constitucionales (1820-1823): una visión ibérica (P)

Paulo Jorge Fernandes (FCSH, Universidade Nova de Lisboa); Evaristo Caixeta Pimenta (Universidade Federal de Minas Gerais) - A representação dos proscritos: ideologia e conflito nas eleições para as cortes ordinárias portuguesas de 1822 (P)

11:00 Horas | Pausa


11:30 Horas – Sala 1

ESTADO E PODERES PERIFÉRICOS (2)

Coord. Paulo Jorge Fernandes e Susana Serpa Silva

Joana Vieira Paulino (IHC, FCSH – Universidade Nova de Lisboa) - A assistência aos expostos enquanto problema de Saúde Pública e os particularismos do contexto lisboeta (P)

Joaquim Melon Ribeiro Simões (IHC, FCSH – Universidade Nova de Lisboa) - A saúde pública nos trabalhos parlamentares em Portugal e Espanha (1821-1823) (P)

José Guilherme Reis Leite (Faculdade de Letras – Universidade do Porto) - Os Açores e a Revolução de 1820. Aspirações políticas de mudança

Paulo Miguel Rodrigues (Centro de Investigação em Estudos Regionais e Locais, Universidade da Madeira) - A Madeira e o Vintismo: das cinco vias à Constituição de 1822

11:30 Horas – Sala 2

LINGUAGENS, REPRESENTAÇÕES E OPINIÃO PÚBLICA (1)

Coord. Fátima Sá e Melo Ferreira, Telmo Verdelho e Sérgio Campos Matos

Milton Pedro Dias Pacheco (Centro de Humanidades – Universidade Nova de Lisboa e Universidade dos Açores e Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos – Universidade de Coimbra) - Proscénios triunfais: As arquiteturas efémeras celebrativas da Revolução Liberal de 1820 (P)

Susana Serpa Silva (Centro de Humanidades – Universidade Nova de Lisboa/Universidade dos Açores) - A evocação do centenário da revolução de 1820 no arquipélago dos Açores

João Pedro Ferreira (Centro de Humanidades, FCSH – Universidade Nova de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa e Universidade dos Açores) - Periódicos e folhetos humorísticos de José Daniel Rodrigues da Costa desde a Revolução de 1820 até ao início da Guerra Civil (P)

Patrícia Gomes Lucas (IHC, FCSH – Universidade Nova de Lisboa) - A «orquestra satírica» de Francisco de Assis Mendonça e Castro: o humor de um legitimista disfarçado de liberal (P)

Pedro Couceiro (Instituto Politécnico de Bragança, CITCEM – Universidade do Porto); Elisabete Silva (Instituto Politécnico de Bragança, Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa) - Liberalismo e opinião pública - representações da imprensa liberal britânica em torno da revolução portuguesa de 1820 (P)

13:00 Horas | Almoço Livre


14: 30 Horas – Auditório 3

PROCESSO POLÍTICO:

REVOLUÇÃO E CONTRARREVOLUÇÃO (2)

Coord. Maria Alexandre Lousada e Nuno Gonçalo Monteiro

Maria Alexandre Lousada (Centro de História – Universidade de Lisboa) - A construção da cultura política contrarrevolucionária em Portugal, 1820-1834 (ensaio de definição e caracterização) (P)

Josep Escrig Rosa (Universitat de València) - El mito contrarrevolucionario de la conspiración universal y las independencias iberoamericanas

Andréa Lisly Gonçalves (Universidade Federal de Ouro Preto) - Liberalismo, contrarrevolução e exílio político no reinado de D. Miguel: Portugal e Brasil (1828-1834)

Daniel Estudante Protásio (Centro de História – Universidade de Lisboa e Ceis20 – Universidade de Coimbra) - Conservador, Contra-revolucionário… Miguelista? O ideário político do Visconde de Santarém (1819-1834) (P)


14: 30 Horas – Sala 1

AS REVOLUÇÕES NA AMÉRICA DO SUL (3)

Coord. Maria Beatriz Nizza da Silva, Ana Frega e Maria Lúcia Bastos P. Neves

Adriana Pereira Campos e Kátia Sausen da Motta (Universidade Federal do Espírito Santo) - Petições atlânticas: brasileiros dirigem-se às cortes de Lisboa por direitos de justiça

Paulo Roberto de Almeida (Ministério das Relações Exteriores do Brasil e Centro Universitário de Brasileiro) - A revolução liberal de 1820 como precursora da independência do Brasil: o papel do Correio Braziliense de Hipólito da Costa

Rafael Cupello Peixoto - “Como soldado, como Português, e como filho de uma Ilustre Pátria por quem ainda darei a vida, e fazenda [...]”: Felisberto Caldeira Brant e a Revolução do Porto de 1820

Maria Beatriz Nizza da Silva (Universidade de São Paulo) - 1820: Luís do Rego Barreto governador de Pernambuco (P)

14: 30 Horas – Sala 2

LINGUAGENS, REPRESENTAÇÕES E OPINIÃO PÚBLICA (2)

Coord. Fátima Sá e Melo Ferreira, Telmo Verdelho e Sérgio Campos Matos

Bruno Santos Sobrinho (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Universidade de São Paulo) - Noções da Revolução nos periódicos servis durante as Cortes de Cádis (1811-1814)

Ricardo Brito (Centro de História – Universidade de Lisboa) - Revoluções de rosto janico: experiências, modernidade(s) e o conceito de revolução na Península Ibérica (1808-1823) (P)

Telmo Verdelho (Universidade de Aveiro) - A revolução liberal de 1820 na história externa da língua portuguesa

Jordi Roca Vernet (Universitat de Barcelona) - Inventarse los mitos del Trienio Liberal para frenar el discurso revolucionario en la cultura liberal progresista


16:00 Horas | Pausa

16:30 Horas

MESA REDONDA - ENCERRAMENTO

Miriam Halpern Pereira, Gabriel Paquette e Guilherme d’Oliveira Martins

- O Antigo Regime em questão: continuidades e mudança


As sessões do congresso podem ser acompanhadas online nas seguintes ligações:

11 out – AR Sala 1 (ICS):  https://youtu.be/Xtx3qctg2eE 

11 out – AR Sala 3 (CIES):   https://youtu.be/kawba9aTc98 

11 out – AR Sala do Senado:  https://canal.parlamento.pt 

12 out – FCG Audit 3 (IHC):  https://youtu.be/j0atdrudhhg 

12 out – FCG Sala 1 (CH):  https://www.youtube.com/watch?v=uuE8IQQ9I3Q 

12 out –  FCG Sala 2 (CIES):  https://youtu.be/wVk3ipv80rU 

13 out – FCG Audit 3 (IHC): https://youtu.be/IDks_KnEwsQ 

13 out – FCG Sala 1 (CH):   https://www.youtube.com/watch?v=HB7HPSc8W2E 

13 out – FCG Sala 2 (CIES):  https://youtu.be/-SFcISLT2XU 


Com os votos do maior sucesso para a iniciativa e para todos os participantes.

A.A.B.M.