sábado, 31 de dezembro de 2022

VOTOS DE UM 2023 SOLIDÁRIO E FRATERNO

 


“A vida popular portuguesa nada tem de social (…) A Nação ignora-se. De modo que verdadeiramente e no rigor do termo não há pátria portuguesa, por falta de comunicação afectiva entre os que sabem e os ignorantes” [Sampaio Bruno, in O Encoberto]

Aos nossos estimados leitores, amigos e companheiros deste itinerário da Grande Alma Lusitana e Republicana, aceitai os nossos sinceros VOTOS de um 2023 Solidário, Próspero e Fraterno. Vale.

Saúde, Paz & Fraternidade

José Manuel Martins | Artur Barracosa Mendonça

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

HISTORIOGRAFIA CONTEMPORÂNEA PORTUGUESA DE 2022 – A NOSSA ESCOLHA



HISTORIOGRAFIA CONTEMPORÂNEA PORTUGUESA DE 2022

1. A Revolução de 1820. Leituras e ImpactosMiriam Halpern Pereira et al (ICS /Parlamento), 844 pp.

2. O Nascimento do jornalismo português livre. O jornalismo luso-brasileiro em Londres (1808-1822) – Luís Francisco Munaro (Lema d’Origem), 372 pp. | Portugal e a Independência do Brasil. Os artigos de “O Campeão Portuguez em Lisboa” (1822-23)José Liberato Freire de Carvalho (Lema d’Origem – pref. de Daniel Estudante Protásio), 136 pp.

3. Maçonaria Portuguesa. Nas origens do Grande Oriente Lusitano (1802-1806)  – Manuel Pinto dos Santos (Instituto de Estudos Maçónicos), 297 pp.

4. O Jornalismo e a História: Homenagem a Isabel Nobre Vargues – João Figueira e Ana Teresa Peixinho (Imprensa da Universidade de Coimbra), 264 pp. | José da Silva Carvalho e o Bicentenário da Revolução Liberal de 1820. Atas dos Colóquios realizados em Santa Comba Dão a 22 de Janeiro de 2018, 1 e 2 de Junho de 2019 e a 26 de Outubro de 2019 - José da Silva Carvalho (AAV) (Edições Esgotadas), 366 pp.

5. Nuno Rodrigues dos Santos. Coerência e ConvicçãoAntónio Ventura (Assembleia da República), 665 p. | Alexandre Vieira (1884-1973). De Viana a CaminhaPaulo Torres Bento (Caminho), 100 pp. | José Dias Ferreira (1837-1907). Um Académico na Vida Política do Século XIXLuís Doria (ICS), 336 p.

6. Portugal na Europa das LuzesAntónio Borges Coelho (Caminho), 288 pp. | Lutas Laborais e Formação da Classe Operária PortuguesaJosé Tengarrinha (obra póstuma) (Centro de História - FLUL), 297 p. 

7. Brandos Costumes...O Estado Novo, a PIDE e os IntelectuaisLuís Reis Torgal (Temas e Debates), 480 pp. | Os Informadores da PIDE. Uma tragédia portuguesaIrene Flunser Pimentel (Temas e Debates), 592 pp. | A PIDE. Casos e ProcessosPaulo Marques da Silva (Palimage), 146 pp. | Ficaram pelo Caminho (1926-1974)  – Francisco Bairrão Ruivo, João Esteves e Rita Rato (Museu do Aljube), 312 pp.

8. Memórias da Vila da Irmânia. Realidade e utopia por terras de Mortágua nas primeiras décadas do Séc. XXJoão Paulo Gaspar de Almeida e Sousa (Minerva), 337 p. | Coimbra e a República - Da Propaganda à ProclamaçãoCarlos Santarém Andrade (Lápis de Memórias), 160 pp. | A Indústria de Conservas de Peixe do Algarve (1865-1945)Joaquim Manuel Vieira Rodrigues (Arandis), 274 p.

9. Às Urnas. A reivindicação do voto feminino na Península Ibérica (1821-1930)Fátima Mariano (ICS), 225 p. | Ideologia e Propaganda Colonial no Estado NovoJosé Luís Lima Garcia (Palimage), 672 p. | Assim cantava um cidadão do mundoRoberto das Neves (Villa Isaura – ed. fac-sim. de Aires B. Henriques), 158 p.

10. AnaisTácito (Colibri – trad. José Liberato Freire de Carvalho), 480 pp. | O Batalhão Académico de 1846-1847António dos Santos Pereira Jardim (Edições ExLibris – reedição, introd. e notas de Mário Torres), 308 p. | A Religião dos LivrosCarlos Bobone (Fundação Manuel dos Santos), 100 p.

A.A.B.M.

J.M.M.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

TÁCITO – ANAIS


LIVRO: Anais [trad. de José Liberato Freire de Carvalho];
AUTOR: Tácito;
EDIÇÃO: Colibri [pref. Nuno Simões Rodrigues; Introdução de Ricardo Nobre]


“Talvez seja mais estimulante para o leitor moderno perceber que Tácito o ensina a compreender como Roma conduziu a sua política, interna e externa, administrou as suas províncias (Bretanha, Germânia, Panónia), assegurou a expansão militar.

É dele o relato das grandes revoltas dos exércitos no primeiro século da nossa era, dos funerais de Germânico, das mortes de Cláudio, de Britânico e de Agripina, do grande incêndio de Roma e consequente perseguição dos Cristãos, das mortes de Séneca e de Petrónio, decorrentes da conjura de Pisão para derrubar Nero.

Em suma, a história de Roma, do Reino Unido, da Alemanha, da Áustria, da Hungria, dos Judeus, do Cristianismo e do Próximo Oriente não pode ser escrita sem a obra de Tácito” [AQUI]

(…) Submetido a múltiplas exegeses ao longo dos séculos, a obra de Tácito, e em particular os Anais, foi e é examinada e comentada de diversas perspectivas: as de maior relevo dizem evidentemente respeito à história de Roma e das suas instituições, enquanto a filologia se tem ocupado com a análise da sua forma de escrever, escrutinando a sintaxe e a semântica que configuram um estilo tão diferente do de Cícero ou César, modelos comummente preferidos nas gramáticas da língua latina. Cobrindo interesses tão alargados, no âmbito da história militar, ciência política, ética, antropologia, etnologia, direito, estudos de género, pós-coloniais ou da literatura, Tácito tem sido um objecto de estudo valioso. Artigos, teses, monografias e ensaios iluminam o leitor sobre ideias políticas (em particular a liberdade e a corrupção), processos de construção e organização narrativa, a disposição da matéria histórica, dando atenção às narrativas de mortes, batalhas, doenças, presságios e conspirações; estudam-se, ainda, em Tácito a ironia, a metáfora, a ordenação sintáctica, as ideias militares, a profundidade psicológica na concepção de personagens individuais (imperadores, escritores, filósofos, mulheres, escravos) ou colectivas (o exército, o povo e o senado, por exemplo); a sua obra revela relações entre historiografia, retórica, tragédia e epopeia, realçando-se nela momentos de natureza meta-historiográfica para descrever o autor como austero ou sentencioso; como historiador, é defendido e atacado, fiel à realidade ou manipulador da verdade. Tal como outros autores antigos com algum peso cultural, este estado da arte sumário é o culminar de um processo de saturação de leituras realizadas ao longo de séculos. Na verdade, e independentemente do material produzido pelas universidades, talvez seja mais estimulante para o leitor moderno perceber que Tácito o ensina a compreender como Roma conduziu a sua política, interna e externa, administrou as suas províncias (Bretanha, Germânia, Panónia), assegurou a expansão militar (…)

Continuando o cargo de fornecer à doutrinação liberal um fundamento histórico dos ideais perfilhados, José Liberato Freire de Carvalho compôs, de 1830 a 1834 uma obra que havia de publicar entre 1841 e 1843, em quatro volumes: Memórias com o Título de Anais para a História do Tempo que Durou a Usurpação de D. Miguel (Lisboa: Impr. Nevesiana). Como o título sugere, a obra descreve os acontecimentos ano por ano, de 1829 a 1834, em clara analogia com os Anais, de Tácito, autor que, aliás, tutela a obra, pois dele é a epígrafe, retirada das Histórias 1: Opus aggredior opimum casibus («componho uma obra rica de infortúnios»).  Anotando as semelhanças verbais com a obra de Tácito, cita-se parte do texto prefacial, em que, defensor intransigente da liberdade, Freire de Carvalho (1841: 7-10) anuncia abertamente os seus propósitos:

Proponho-me narrar os factos principais de uma época a mais desastrosa que tem visto Portugal; e, como Tácito, tenho que referir casos atrozes, crimes inauditos, e misérias e desgraças espantosas. Entre os crimes, uma usurpação vergonhosa e infame por todas as baixezas, por todas as intrigas, e por todas as violências que se podem imaginar; e entre as desgraças, essa mesma usurpação coberta de todos os horrores, e de todas as infelicidades, filhas e companheiras de um poder absoluto usurpado, que, para manter-se, julgou que só o podia fazer, tornando-se bárbaro, feroz, e brutal. Direi como a santidade do juramento e a honra da lealdade foram convertidas em crimes, e atrozmente punidas como gravíssimos delitos. Direi como o perjúrio e a deslealdade receberam as honras e o culto das virtudes; e como até houve sacerdotes ímpios e blasfemos que apregoaram, e sancionaram esta moral depravação. Direi como, para manter este sistema de horrores e de crimes, se violaram as mais santas leis da razão e da justiça; como em nome delas se cometeram os actos mais abomináveis; como estes foram ainda enegrecidos pela ferocidade dos insultos que se fizeram às vítimas; e como, por último excesso de uma desnatural fereza, se viram mulheres portuguesas de elevada condição fraternizar com os assassinos e com os algozes, e aplaudir, como Bacantes, as cenas de sangue, de horror e crueldade. E direi ainda enfim, como a influência estrangeira, e particularmente a britânica, apoiaram ora clandestinamente ora às claras, e sem pejo, todos os crimes, todos os delírios, e até toda a brutalidade do tirano usurpador, e seus sicários, e seus cúmplices […]

[Ricardo Nobre, in Introdução, p. 23 e 30-31]

J.M.M. 

ANAIS DO MUNICÍPIO DE FARO – VOLUME XLIV

 


REVISTA: Anais do Município de Faro, Volume XLIV;
EDIÇÃO: Câmara Municipal de Faro, 2022 (Revisão: Elsa Vaz);
DIRETOR: Guilherme d’Oliveira Martins

COORDENAÇÃO: Paulo Santos | Sandra Martins | Elsa Vaz

[ALGUNS] ARTIGOS DA REVISTA: A Ferrovia no Algarve (José Caramelo), O Club Farense de 1863 a 1997 (António Centeno Serrano Santos), O Círculo Cultural do Algarve a partir do Espólio Documental de Joaquim Magalhães (Sara Santos), «Farenses» que não nasceram em Faro (João Leal), O corso francês no mar das éguas: o caso dos ataques aos mareantes de Faro em 1538 (Fernando Pessanha), Uma notícia sobre a pintura “O menino entre os doutores” de Marcello Leopardi (1791) (Daniel Santana), Faro, um entreposto comercial entre mares: do Mediterrâneo ao mar do Norte nos finais da época moderna (Andreia Fidalgo), Os Deputados do Algarve (1822-1823): entre a Constituição e a Contra-Revolução (Artur Barracosa Mendonça & José Manuel Martins), O contributo da Sociedade Agrícola do Algarve (1848-1876) para o desenvolvimento da cultura científica (Patrícia de Jesus Palma), Subsídios para a História do Movimento de Unidade Democrática no Algarve (Joaquim Manuel Vieira Rodrigues), Arreios do transporte hipomóvel no Sul de Portugal e na Andaluzia: diversidades e analogias (João Pedro Dias Magalhães Silva).   

“Li e reli os textos. Vinte autores apresentam perspetivas distintas sobre o que é o Algarve, o que são os Algarvios e os Farenses, o que nos torna uma região, desde sempre, muito peculiar e diferente do restante território nacional.

Leio e descubro o olhar dos poetas e escritores, dos investigadores da História, da Arqueologia, da Geografia, dos arquivistas, dos arquitetos, dos engenheiros, dos professores, dos jornalistas... Conceções e prismas tão distintos, mas todos eles marcados por uma constante: a identidade que tivemos (e temos) faz-nos procurar - na diversidade, na ânsia de olhar para o mar como um horizonte possível de alcançar, na certeza de que o ponto de partida de qualquer começo está em nós mesmos - a segurança para tudo realizar.

Somos local de encontro de culturas, repositórios de uma miscigenação que nos deu possibilidades infinitas de descoberta, pois na convergência e na pluralidade, está a nossa maior riqueza, que nos garante uma capacidade de aceitação do outro e do que ele nos traz, que poucos povos terão.

Saliento, aqui, a palavra Cultura, pois este é um tema que nos é caro e que nos tem movido, nos últimos anos, constituindo-se como aposta clara de desenvolvimento e planeamento, bem como de promoção do encontro e do espírito de cooperação. A diversificação da oferta cultural, o apoio aos agentes que trabalham na área e apostam na criação artística, a implementação de ações e melhoria dos espaços que possam garantir o aumento da qualidade do que é feito, tornam Faro uma verdadeira “Capital Cultural” …

[Pres. CMF, Rogério Bacalhau Coelho, in Memórias, Cultura e Criatividade, p. 7 - sublinhados nossos]

 (…) A presente edição dos "Anais" apresenta um conjunto de textos que procuram, em continuidade de números anteriores, uma ligação entre a memória e a criatividade, com destaque para as especificidades da identidade algarvia, enquanto ponto de encontro de diversos contributos, nos quais o Mediterrâneo e o Atlântico se encontram naturalmente, demonstrando diferenças e convergências, e uma pluralidade de influências, que revestem uma inesperada riqueza, tantas vezes ainda desconhecida. Não foi por acaso que daqui partiram as navegações a partir do século XV, que o Infante D. Henrique aqui assentou arraiais e que constituiu o ponto de partida para o Atlântico em busca de uma rota alternativa à que passou a ser dominada pelos Otomanos no Levante Mediterrânico com a queda de Constantinopla. Oriente e Ocidente, Sul e Norte, Antiguidade Oriental e Antiguidade Clássica - associam-se à Respublica Christiana...

E a história liga-se à realidade. O testemunho de António Ramos Rosa sobre o céu algarvio e sobre o caráter próprio das casas demonstra a existência de uma realidade de uma riqueza inesgotável, que torna o Algarve um paraíso para os arqueólogos e para os estudiosos da difusão europeia das culturas e das influências orientais. (…)

[Guilherme d’Oliveira Martins, in Um regresso de lembranças …, p. 10 - sublinhados nossos]

J.M.M.

FELIZ FESTIVIDADES – SAÚDE, PROSPERIDADE E FRATERNIDADE

 


Vem, Noite antiquíssima e idêntica
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós …” [F. Pessoa]

Saúde, Prosperidade & Fraternidade

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

A RELIGIÃO DOS LIVROS. ALFARRABISTAS, LIVRARIAS E LIVREIROS


LIVRO: A religião dos livros. Alfarrabistas, livrarias e livreiros;
AUTOR: Carlos Maria Bobone;
EDIÇÃO: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2022.

 “ … Iria contra a essência do negócio não começar pelos livros. Acontece que os livreiros, talvez por hábito de prezarem a raridade dos seus canhenhos, poucas vezes os escrevem. São poucas as memórias de livreiros, os relatos do quotidiano numa livraria, ou as gabarolices impressas sobre grandes negócios. Mesmo como matéria de estudo, os livreiros são esquivos. Se há ensaios sobre história do livro, livros sobre tipografia — a bela «arte negra» — e uma tentativa de preservar a memória das casas editoriais mais emblemáticas, a verdade é que o livreiro parece sempre encarnar o parente pobre do livro. Os impressores antigos já foram estudados por Fernando Guedes e por Artur Anselmo, os modernos têm a atenção de Pedro Piedade Marques, Paulo da Costa Domingos ou João Luís Lisboa, mas os livreiros continuam sem Boswell que documente as suas façanhas.


Só entre estes autores citados, há estudos sobre as editoras &etc, Afrodite, Romano Torres, e sobre editores como Serafim Ferreira; houve também uma agência literária que começou uma colecção de livros com entrevistas a editores, que resultou num livro sobre Fernando Guedes, da Verbo, e noutro sobre Carlos da Veiga Ferreira, da Teorema. Sobre livreiros, porém, a matéria é muito mais escassa. Há uns estudos bem documentados mas muito localizados de Luís Farinha Franco, as notas possíveis à volta dos Bertrand e do grupo francês que, no século XVIII, dominou o comércio livreiro em Lisboa, e pouco mais. Também é certo, porém, que os livreiros pouco fazem pela sua causa. Se temos as já referidas memórias do editor Henrique Marques, se tivemos João Hermínio Monteiro, da Assírio e Alvim, a escrever nos jornais, como temos agora Manuel Alberto Valente, onde estão as memórias de livreiros tão emblemáticos como o Ferin, ou de um que fosse dos irmãos Bertrand

Teríamos certamente muito a ganhar com as memórias de Tarcísio Trindade, o fundador da Livraria Campos Trindade, que, de um poeta promissor referido na primeira edição da História da Literatura Portuguesa de António José Saraiva e Óscar Lopes, se transforma num reputado livreiro, responsável pelo achamento do Tratado de Confissom, primeiro livro impresso em Portugal (cuja venda, aliás, motivou uma história mirabolante, com prisões e muito secretismo à mistura). Ainda hoje se fala com saudade da Livraria Histórica e Ultramarina, de José Maria Costa e Silva (Almarjão), que reunia uma famosa tertúlia aos sábados, e do seu armazém na Travessa da Queimada, gerido com mão de ferro pelo alemão Fritz Berkemeier, e sob cuja alçada o meu pai começou a sua actividade […]

De facto, há livreiros que fazem do negócio quase uma colecção pessoal. Não é preciso chegar ao ponto de Tavares de Carvalho, durante vários anos o grande alfarrabista português, que recebia os clientes em casa, casa essa em que todos os livros estavam à venda, contando que fosse pelo preço que ele queria

Lourenço Lancastre de Sousa e Sérgio Moreno são também livreiros sem livraria aberta, em que o negócio e a bibliofilia andam de mão dada. Lourenço Lancastre de Sousa coleccionou, durante anos, livros sobre a Arrábida, que acabou por vender em conjunto; pratica, também ele, cuidados de bibliófilo — como identificar até, quando é possível, os encadernadores dos livros que compra, sejam portugueses ou estrangeiros — que fariam inveja a muito coleccionador. Estes livreiros cultivam, normalmente, um perfil mais discreto. São livreiros pessoais, cujo lugar na rede de contactos se conquista, e que escolhem os clientes e os livros com refinado critério. O cliente pode sentir-se um privilegiado por comprar um livro a um destes livreiros, por ser admitido no armazém ou no escritório do seu vendedor. A partir do momento em que recebe uma chamada de um destes livreiros, pode o aspirante a bibliófilo dormir descansado — conseguiu uma reputação de coleccionador de pleno direito …”

[Carlos Maria Bobone, in A religião dos livros …, pp. 23-25 - sublinhados nossos]

J.M.M. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

DIA DA AUTONOMIA DA PÁTRIA PORTUGUESA

 


Vi Anjos, toquei Anjos, mas não sei
Se Anjos existem. Tal me achei ao fim
Desse caminho de que regressei
E vi que nunca sairei de mim.

Tracei os signos certos, invoquei!
Obedeceram Anjos ao que eu quis...
Nada sou, nada fiz e nada sei!
Quantos se orgulhariam do que eu fiz...

[Fernando Pessoa]

J.M.M.

terça-feira, 29 de novembro de 2022

[CONFERÊNCIA - VIEIRA DE LEIRIA] DEPOIS DE GUILHERME STEPHENS – ANOTAÇÕES À MARGEM DA HISTÓRIA

 


CONFERÊNCIA: Depois de Guilherme Stephens - anotações à margem da História;

ORADOR: Alfredo João Gouveia Tomé;

DIA: 30 de Novembro de 2022 (21,00 horas);

LOCAL: Biblioteca de Instrução Popular(R. Pires de Campos , Vieira da Leiria);

ORGANIZAÇÃO: BIP-Vieira de Leiria  

Trata-se de uma Conferência, comemorativa do 90.º aniversário da Biblioteca de Instrução Popular da Vieira de Leiria, a cargo de Alfredo João Gouveia Tomé, intitulada “Depois de Guilherme Stephens - anotações à margem da História”.

Como é sabido Guilherme Stephens (Londres 1731-1803) teve um princípio de vida acidentada: vem rapaz para Lisboa, perdendo o seu emprego de contabilista pelo terramoto de 1755 e, depois da tentativa de “erguer” uma fábrica de cal (1757) em Alcântara (apresentada ao Marquês de Pombal), aceita o convite do Marquês de Pombal (e do próprio rei D. José) para reativar a fabricação de vidro do Pinhal do Rei (Marinha Grande – existia no local, desde 1748, uma insipiente indústria vidreira por iniciativa de um irlandês, John Beare). Aceita Stephens a difícil tarefa (inicia-se a laboração a 16 de Outubro de 1769), conhecendo-se as condições e privilégios estabelecidos por decreto régio (todos bem leoninos) para o sucesso da operação – que consegue. O seu legado industrial, associativo e cultural (que é pouco referido) é absolutamente notável – funda escolas para operários, organiza os socorros aos trabalhadores e estipula fundos de ajuda por motivos de doença, estabelece plano de pensões, promovendo o teatro e a música [in Diário de Notícias, 2019].

A Biblioteca de Instrução Popular de Vieira de Leiria, fundada a 1 de Dezembro de 1932, teve os seus Estatutos aprovados a 18 de Dezembro de 1932. A instituição desempenhou ao longo do tempo uma importante função na leitura e instrução popular, “contra o analfabetismo”, seu principal objetivo.

J.M.M.

INTERNATO DE SÃO JOÃO DE LISBOA – 160 ANOS

 


LIVRO: Internato de São João de Lisboa – 160 Anos;
AUTOR: Nuno Martins Ferreira;
EDIÇÃO: Internato de S. João, 2022.

Trata-se de uma curiosa monografia sobre o estimado Asilo de S. João (Lisboa) – atual Internato de S. João -, instituição de ensino, assistência e beneficência para a “infância feminina desvalida”, fundada por José Estêvão Coelho de Magalhães [e por António de Sousa e Meneses, José Isidoro Viana, Francisco Maria Énea, José Maria Lobo d’Avila, Gilberto António Rola, Inácio Januário Avelino e José Joaquim de Abreu Viana] em 1862, sob os auspícios da Confederação Maçónica Portuguesa, sita na Travessa do Loureiro (a Santa Marta). Instituição escolar [instrução primária, dactilografia, desenho, aulas de comércio, aulas de bordados, cozinha, etc.] e filantrópica, laica e liberal, procurou a formação de alunas sempre de acordo com o ensino ministrado na valorização do livre pensamento. As suas receitas consistem “em legados, doações, donativos e quotas” dos seus associados.

De referir que, também na cidade do Porto, foi fundada uma instituição similar, direccionado para rapazes órfãos ou desamparados – Asilo de S. João no Porto, Rua da Alegria – e, de igual modo, foi promovido pela maçonaria local, e em especial com o grande incentivo do professor e maçon António dos Santos P. Sequeira Ferraz [com o n.s. de Littré, António de Sequeira Ferraz, pertenceu à loja Independência Lusitana e, depois, Ave Labor, ambas do Porto]. Teve o Asilo S. João do Porto os seus Estatutos aprovados em 1891 e foi inaugurado a 24 de Junho de 1892.


► “A investigação baseou-se na consulta do espólio documental e iconográfico guardado pelo ISJ. Os muitos relatórios e contas, as atas das reuniões dos órgãos sociais, sobretudos estas massas documentais, permitiram mergulhar nos dias da vida da instituição, conhecer a proveniência e a passagem das educandas, episódios caricatos protagonizados pela irreverência própria da idade e a preocupação, desde a primeira hora, com a instrução e educação das jovens.

Este livro tem, por isso, como objetivo dar a conhecer o contexto em que a instituição foi instalada e quais os principais aspetos que caracterizaram o seu funcionamento durante 160 anos. Dá-se especial destaque à sua organização interna, à dimensão educativa, aos espaços físicos, à presença da religião católica e a momentos de sociabilidade protagonizados pelas educandas. Procura-se, assim, contribuir para o conhecimento de uma instituição que, durante largas décadas, proporcionou assistência, educação e formação a gerações de jovens e crianças, bandeiras justamente mantidas pelos sucessivos corpos sociais.

A atividade do ISJ não teria sido possível erguer e manter sem a ajuda da Maçonaria. Aliás, o ISJ é extemporâneo no que toca à ação social e educativa suportada pela Maçonaria. Apenas nas últimas décadas do século XIX é que se assiste ao aparecimento de iniciativas de procuraram instruir e educar gerações de jovens e adultos, num contexto em que os valores do republicanismo influenciaram a praxis profana da Maçonaria” [do Livro]

J.M.M.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

[GRÉMIO LUSITANO] – MAÇONARIA PORTUGUESA. NAS ORIGENS DO GRANDE ORIENTE LUSITANO (1802-1806)

 


LIVRO: Maçonaria Portuguesa. Nas origens do Grande Oriente Lusitano (1802-1806);
AUTOR: Manuel Pinto dos Santos;
EDIÇÃO: Instituto Português de Estudos Maçónicos, 2022.

LANÇAMENTO

LOCAL: Grémio Lusitano (11,30 horas)

Trata-se de uma edição do Instituto de Estudos Maçónicos, curiosamente em torno do tema da fundação do Grande Oriente Lusitano (GOL), justamente pela Grand Lodge of England, procurando dar a público novas e estimulantes abordagens. 

Manuel Pinto dos Santos, que foi docente da FCSH na Universidade Nova, é um profundo estudioso da maçonaria em Portugal, tendo publicado obra estimada e valiosa. Decerto nos dará pistas para uma melhor reflexão sobre a datação fundacional do GOL (1802 de acordo com carta-patente, como alguns asseguram; ou antes, em 1801, segundo outros), as oficinas que o integraram e as que não vêm referenciadas, e os seus oficiais e grandes dignitários. O período em estudo (1802-1806) termina justamente com a promulgação da primeira Constituição do GOL (18 de Julho) e que esteve em vigor até 1821. Conjunto de assuntos, já se vê, muito curiosos e a seguir.

J.M.M.

[MUSEU MUNICIPAL DE FARO] – ISOLINO VAZ. UM HOMEM DIFERENTE (1922-1992)

 


NO CENTENÁRIO DE ISOLINO VAZ (1922-1992)


EXPOSIÇÃO: Isolino Vaz. Um Homem diferente (1922-1992);

DIA: 26 de Novembro de 2022 (17,00 horas);

LOCAL: Museu Municipal de Faro;

Isolino Vaz. Um Homem Diferente (1922-1992)" é uma Exposição que assinala o centenário do “artista multifacetado, personagem benévola e sensível, apaixonadamente ligado à Arte”. Mestre “Isolino Vaz (Vila Nova de Gaia, 1922 - Lisboa, 1992) foi discípulo de Dórdio Gomes e Joaquim Lopes, e colega de Júlio Pomar, Júlio Resende e Fernando Lanhas na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde se formou em Pintura (1956). Concebeu obras neorrealistas dotadas de sensibilidade e humanismo, em coerência com os seus princípios.

Numa nota autobiográfica escreveu:

“O povo anónimo, sofredor e humilde na sua vivência (...), no seu dramático realismo, sempre me emocionou. Pode dizer-se que toda a trajetória de quanto realizei tem por base a injustiça, a angústia do homem de rua, a sua luta sem esperança…”

Dedicado pedagogo (na Escola Soares dos Reis do Porto, na Marquês de Pombal de Lisboa, entre outras), transmitiu noções artísticas a gerações de jovens, incentivando o percurso inicial de Álvaro Siza Vieira ou de Joana Vasconcelos. Explorou o desenho, a pintura, a escultura, a gravura, a cerâmica, entre outras técnicas artísticas, encontrando refúgio regular na Ilha do Farol (Faro), onde cultivou amizades e obras de arte.

No âmbito do centenário do artista, a exposição “Isolino Vaz. Um Homem Diferente (1922-1992) ” reaviva a memória do seu notável percurso plástico e oferece a oportunidade de ver, rever ou descobrir obras que se encontram em coleções particulares e que, por isso, raramente podem ser apreciadas. [AQUI e AQUI]

J.M.M.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

[GRANDE ORIENTE LUSITANO – MAÇONARIA PORTUGUESA] BICENTENÁRIO DA MORTE DE MANUEL FERNANDES TOMÁS

 


A PERENIDADE DE MANUEL FERNANDES TOMÁS (1771 – 1822)

«A afirmação de Ortega & Gasset: “Eu sou eu e a minha circunstância” é um convite à interpelação, ao que de mais profundo resiste dentro de nós, aos exemplos daqueles que fizeram o caminho para estarmos aqui. Muitos o fizeram antes, somos herdeiros da cultura Greco-Latina a que devemos juntar a matriz judaico-cristã.

Agora que a Universidade de Coimbra vai ter um polo na Figueira da Foz faz todo o sentido lembrar que Manuel Fernandes Tomás frequentou a Universidade de Coimbra entre 1785 e 1791, tendo-se formado em Cânones. Talvez tenha recebido aí o seu primeiro banho de dialética, a reforma pombalina trouxe a Coimbra o melhor de uma Europa que se exprimia no pensamento e nas artes.

Sabemos que trabalhou cerca de cinco anos no município da Figueira da Foz, que passou por Arganil, Coimbra e Porto (1816), onde foi um dos militantes mais convictos das causas liberais, tendo fundado o Sinédrio (1818), com José Ferreira Borges, João Ferreira Viana e José da Silva Carvalho. O Sinédrio teve o apoio de lojas maçónicas de Lisboa, e de maçons que viviam em Coimbra, Santarém e na Figueira da Foz. Manuel Fernandes Tomás era maçon, com o nome simbólico Valério Publícola, tendo chegado a ser Venerável (1821) da Loja Patriotismo, nº7, ao Vale de Lisboa.

Participa nas Cortes Constituintes (1821) e no desenho da 1ª Constituição Portuguesa. A sua morte em Novembro de 1822, não lhe permitiu assumir o mandato nas Cortes Legislativas.

Estamos aqui a evocar o homem, o seu pensamento e o legado de Manuel Fernandes Tomás, quando passam 200 anos da sua morte, aquele que foi o “Patriarca da Liberdade Portuguesa”, aquele que não hesitou em erguer o verbo para contra os que recusavam jurar a Constituição (inclusive o Patriarcado de Lisboa). Aquele que elegeu a Liberdade como um dos vértices da trilogia da Revolução Francesa: Igualdade e Fraternidade. Considerava que é a Liberdade é o maior dos direitos do homem, aquele que permite pensar e escolher, o que ousa a sua condição pela dignidade.

Nesse arco de 200 anos nasce, em 1900, a Loja Fernando Tomás, que adota o seu nome como patrono. Nessa mesma loja, importa lembrar a data de 24 de Agosto de 1904, já em plenos trabalhos maçónicos, em sessão especial, o irmão Bernardino Machado, recebe a insígnia de Venerável Honorário. O povo maçónico associa-se para que o monumento da Praça 8 de Maio fosse uma realidade, tendo a loja Fernandes Tomás um papel determinante, ainda que com o apoio do Grande Oriente - tendo sido inaugurado no dia 24 de Agosto de 1911. É esta transmissão dos valores da liberdade, da igualdade e fraternidade que une os que se reveem na maçonaria universal. A cadeia de união que junta homens e mulheres que acreditam que é possível construir uma sociedade mais justa e igualitária, respeitando as diferenças é aquilo que nos une há séculos. Os melhores de nós morreram por nós, lembro Gomes Freire de Andrade.

Manuel Fernandes Tomás atravessa o tempo, esse grande escultor, de que falava Marguerite Yourcenar. O que fazemos na Maçonaria? “Trabalhamos para a construção de um homem novo e de uma sociedade nova, ou seja, para dar à vida um sentido ético e solidário. Praticamos o livre pensamento, a tolerância e a filantropia. “ Essa filantropia que permitiu, também, erguer o monumento a Manuel Fernandes Tomás. Como escreveu António Arnaut, “Queremos um mundo mais livre, justo e fraterno. A utopia que alimenta a nossa fome de perfeição é a certeza de que o futuro está nas mãos de todos os homens e mulheres de boa vontade. Por isso, a Maçonaria é hoje tão indispensável como no passado.”

Não é possível estudar os últimos 200 anos da História de Portugal sem reconhecer a importância da Maçonaria, dos maçons que como Manuel Fernandes Tomás construíram um edifício constitucional que alimentou a chama de um futuro que ainda nos aquece e desafia. Talvez, seja fácil reconhecer que uma enorme parte da Humanidade mais válida lhe pertenceu ou pertence. Hoje estamos aqui a lembrar Manuel Fernandes Tomás, que dizia: “tirar ao homem e ao cidadão a liberdade é o maior castigo que se lhe pode dar, porque o priva de maior direito”.

É impossível esquecermos neste momento a guerra na Ucrânia. Por isso, “Pátria é sinónimo de Liberdade. Onde está a Pátria aí está também a Liberdade”, dizia Magalhães Lima, em 1928, então Grão-Mestre.

Em nome do Grão-Mestre, Fernando Cabecinha, e do Grande Oriente Lusitano, Maçonaria Portuguesa, presto a mais sentida homenagem ao homem, ao seu pensamento, ao cidadão, cuja perenidade evocamos ao lembrar os seus ideais e valores, Manuel Fernandes Tomas, duzentos anos depois do seu desaparecimento.

“Nos quase 300 anos de história maçónica, nos mais de 270 dessa mesma história em Portugal e nos quase 200 anos de existência do Grande Oriente Lusitano, o combate pela Liberdade tem sido um denominador comum.” (Oliveira Marques, há 20 anos). É por essa liberdade que aqui estamos e estaremos sempre, mesmo que isso tenha um preço elevado. Agradecemos o convite do senhor Presidente da Câmara, Dr. Pedro Santana Lopes, para esta evocação de um dos nossos que é, também, da pátria.

[Discurso proferido por António Vilhena, em representação do Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, Maçonaria Portuguesa, na Figueira da Foz a 19 de Novembro de 2022 - sublinhados nossos]

 J.M.M.

sábado, 19 de novembro de 2022

[19 DE NOVEMBRO DE 2022] 200 ANOS DO NASCIMENTO DE JOAQUIM MARTINS DE CARVALHO

 



200 ANOS DO NASCIMENTO DE JOAQUIM MARTINS DE CARVALHO

Joaquim Martins de Carvalho foi um notável jornalista conimbricense – talvez o mais admirável do seu tempo – e ocupa, por mérito próprio, um singular relevo na imprensa liberal da segunda metade do século XIX. Os trabalhos jornalísticos, disponibilizados nas “páginas faladas” do periódico O Conimbricense (nº 1, 24 de Janeiro de 1854) que sabiamente administrou e redigiu, permitem-nos antever a eloquência e generosidade do seu saber, compreender o seu infatigável combate e firmeza pela causa da liberdade e testemunhar o seu enorme afecto e amor a Coimbra.

O seu fecundo labor pelas belas letras e em prol das associações operárias retrata um inquieto “filho do seu tempo”, um homem de acção, de combate e de sonhos. De facto, em tempos de grande agitação política e onde se combatia e morria pela liberdade, Joaquim Martins de Carvalho “simbolizou a luta do homem pela vida. Pertenceu a essa raça privilegiada de batalhadores que devem tudo o que são a si mesmo, à sua perseverança, ao seu trabalho e à sua dedicação pela causa que perfilham e defendem" (revista do Grémio Lusitano, Ano IX, n.20) [AQUI]

J.M.M.

[19 DE NOVEMBRO 2022] IN MEMORIAM DE MANUEL FERNANDES TOMÁS

 




200 ANOS DO FALECIMENTO DO PATRIARCA DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820

“Manuel Fernandes Tomás foi a “alma e o cérebro” do levantamento regenerador de 24 de Agosto de 1820, na cidade do Porto, memorável página do nosso primeiro liberalismo político. A coerência do seu pensamento, a superioridade e eloquência do seu saber, a sábia palavra que a todos iluminava, são testemunhos insuspeitos para laurear o seu nome entre os Homens de 1820 e esculpir uma página mais à “história das idades”.

Manuel Fernandes Tomás faleceu no dia 19 de Novembro de 1822: uma vida de probidade e integridade, um pensamento político e obra pública notável, materializada nos ideais de liberdade, justiça e luta contra o despotismo. E foi assim na cidade do Porto quando organizou um grupo de amigos da verdade e da liberdade à volta de uma associação patriótica, denominada Sinédrio. E, depois, quando plantou uma semente mais do edifico do primeiro liberalismo pátrio, a Constituição de 1822.

Isto é, o exemplo benemérito e civilizador de Manuel Fernandes Tomás deve ser rememorado, merece ser evocado no dia do seu passamento. Vale!”  [AQUI]

J.M.M.