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sábado, 21 de outubro de 2023

CONDEIXENSES PRESOS PELA PIDE: EXPOSIÇÃO


 Foi inaugurada hoje, 21 de Outubro de 2023, pelas 17 horas, na Biblioteca Municipal Eng. Jorge Bento, em Condeixa-a-Nova, a Exposição Condeixenses presos pela PIDE.

Com organização do investigador, Dr. Paulo Silva, foi preparada a exposição que se encontra patente na Biblioteca Municipal, onde é possível encontrar várias personalidades que passaram pelos calabouços da polícia política do Estado Novo.

Uma exposição a que se recomenda uma visita nos próximos dias.

Com os votos do maior sucesso!!

A.A.B.M.

sábado, 25 de setembro de 2021

CONDEIXA SOB VIGILÂNCIA II Delação… mas, com alguma honra! - por PAULO MARQUES DA SILVA

 

1 - Os cafés, os estabelecimentos comerciais locais, ou a própria rua, eram todos bons locais para a PIDE/DGS tentar obter informações. Vejamos alguns exemplos.

No dia 25 de Março de 1970, um informador encontrava numa mesa do Café Conímbriga, os médicos João Ribeiro e Albano Lencastre, com o comerciante Amílcar Morgado e a sua esposa, todos eles democratas, como sentenciava o colaborador da PIDE. Depois dos cumprimentos habituais, o informador largava o seu “isco” e atirava para os convivas que o movimento oposicionista se encontrava paralisado, pois, após as eleições, não tinha tido conhecimento de mais movimentações. No entanto, nas conversas cruzadas que se seguiram, o assunto que vingou acabou por ser os cursos da cristandade, não permitindo ao nosso informador que aprofundasse o tema que habilmente havia lançado.
Em Agosto desse mesmo ano, o colaborador da PIDE utilizava outro método para tentar obter os comentários que, posteriormente, transmitia nos seus relatórios. Munido de um comunicado sobre a audiência dos guerrilheiros (trata-se da audiência em que o Papa Paulo VI recebeu os líderes dos três movimentos de libertação das colónias portuguesas, no dia 1 de julho de 1970) mostrou-o ao comerciante Manuel Pena, que manifestou o desejo de possuir um exemplar para mostrar ao seu cunhado, chamado João Geraldo, que trabalhava em Angola, e que era, segundo o informador, um protegido de Fernando de Sá Viana Rebelo.
Já num relatório de Março de 1974, sobre José Rasteiro Relvão, comerciante bem conhecido de Condeixa, o informador ficava a saber que era intenção dos operários da Fábrica de Colchões Molaflex efectuar uma greve, referindo que José Rasteiro Relvão estaria bem colocado para obter informações credíveis sobre o assunto, uma vez que fora passar o Carnaval ao Rio de Janeiro, acompanhado de um dos gerentes da Molaflex, de nome Raúl Moreira.
2 – Por outro lado, nas relações entre indivíduos da oposição e apoiantes do regime imperava por vezes uma lógica particular e, por vezes, paradoxal à lógica política, em função das amizades ou dos laços familiares existentes entre os diversos indivíduos. Num trabalho anterior, já fiz referência ao caso de Manuel Deniz Jacinto, homem da oposição, mas que era genro do tenente José Beato, presidente da Comissão Concelhia da União Nacional. Este último será acusado, através de uma denúncia, de se ter deslocado a Lisboa juntamente com elementos oposicionistas, para defender num processo em instrução, o médico João Ribeiro, que se encontrava preso por motivos políticos.
Veja-se agora um exemplo diferente, mas não menos interessante. Um relatório de Dezembro de 1968, sobre o Ateneu de Coimbra, indicava como presidente do Conselho Fiscal desta agremiação, Manuel Pires da Rocha, natural de Condeixa e funcionário do Banco de Portugal, em Coimbra. O informador explicava quem era esta figura e descrevia as ligações de vários dos seus familiares à oposição:
“Seu pai já falecido era juiz de Direito, aposentado, o qual fez parte, com o médico Dr. ALFREDO PIRES DE MIRANDA, da Comissão Concelhia a favor do General NORTON DE MATOS, quando das eleições. Seu tio, Dr. JÚLIO PIRES DA ROCHA, farmacêutico, também é contra a situação e, portanto, é muito possível que ele perfilhe a mesma doutrina da família […]”.
O facto de este colaborador da PIDE/DGS conhecer esta família e de, eventualmente, ter com ela relações de cordialidade, perfeitamente natural para uma pequena vila, não o impediu de efectuar esta denúncia sobre Manuel Pires da Rocha. No entanto, talvez para minimizar alguns problemas de consciência daí decorrentes, veja-se a frase com que o informador termina o seu relatório:
“[…] Trata-se, contudo, de um excelente rapaz”.
Paulo Marques da Silva

(NOTA: Na Foto o Dr. João Ribeiro, um dos oposicionistas identificados em Condeixa, no texto da autoria de Paulo Marques da Silva. Ainda que não venha no texto original fica a ilustrar o interessante apontamento).

domingo, 22 de novembro de 2020

[CATÁLOGO] UM SÉCULO (CON)DEIXAS, LIBERDADE E BONS COSTUMES

 


CATÁLOGO/LIVRO: Um Século (Con)Deixas, Liberdade e Bons Costumes. Colecção Aires B. Henriques | Museu da República e Maçonaria

AUTOR: Aires B. Henriques;

TEXTOS de: Nuno Moita da Costa | Liliana Marques Pimentel | António Lopes

EDIÇÃO: C. M. de Condeixa, Casa dos Arcos, POROS, Museu Villa Isaura;

Trata-se aqui do magnifico Catálogo da ExposiçãoUm Século (Con)Deixas, Liberdade e Bons Costumes”, que foi apresentada no passado 5 de Outubro em Condeixa, e que mostra um acervo notável de peças, livros e documentos de interesse republicano e maçónico, todas pertença de Aires B. Henriques e do seu Museu da República e da Maçonaria, situado na Villa Isaura, Troviscais, Pedrogão Grande.   

“Uma palavra prévia para os organizadores desta exposição: a Câmara Municipal de Condeixa, terra de tradições de Liberdade, e o Museu Republica e Maçonaria, detentor de uma das mais belas coleções dedicadas à Maçonaria e à República, na qual se incluem objetos de raridade assinalável e de comprovado valor histórico e simbólico. Uma exposição de objetos maçónicos é um ato de cultura por dois motivos principais: em primeiro lugar por divulgar uma forma de pensamento filosófico e de atitude cívica que remonta ao período iluminista do século XVIII; em segundo lugar porque, recorrendo às ideias mestras da Maçonaria, representa um contributo cívico importante. Soma-se a isto o esclarecimento dado a este assunto, contribuindo para afastar ideias erradas e mitos, acidentais ou fabricados. Por isso é, para todos os interessados por este tema, um motivo de satisfação e a oportunidade de ver objetos que, por norma, estão em recato nas reuniões maçónicas. Por outro lado, cumulativamente, compreender a Maçonaria significa compreender alguns factos da História portuguesa, do relacionamento entre os seus protagonistas ou da influência que a legislação, o ensino ou os costumes tiveram nos tempos atuais.

Sobre a Maçonaria, um documento com data de 1931 classifica esta de forma tão curiosa como exata, referindo que é uma associação diversa de outras associações, que "não é política porque o seu programa não visa a administração de um Estado; não é uma organização partidária que vise os interesses de uns, nem pode aliar-se com este ou aquele partido, com este ou aquele governo, pois de todos os partidos e de todos os governos ela pode esperar ou receber auxílio; não é uma associação revolucionária que deseja a revolução violenta, mas sim a revolução da ideia, pela palavra pela escrita e pelo exempto”. Quer isto dizer que a tradição maçónica determina que não se discuta política e religião no sentido comparativo do termo. Mais, valorizando o confronto de ideias e a liberdade de pensamento, apela à tolerância e à diferença, segundo um método que é o ritual e um sistema que é o rito, colocando uma particular ênfase na disseminação desses valeres e na formação de cidadãos livres, participativos no todo social e conscientes dos seus direitos e deveres.

Ao reunir em exposição um conjunto de objetos que são usados ritualmente, apresentados segundo um conceito expositivo acessível, permite-se compreender a sua função e o seu significado. A sua compreensão remete-nos para o papel do símbolo, recurso da instrução maçónica, nele se encontrando condensados os valores morais da Maçonaria ou, por outras palavras, a forma de linguagem usada por ela. Por isso também não encontramos símbolos exclusivamente maçónicos, mas antes símbolos com um significado maçónico. Ou seja, símbolos que foram usados pelas corporações de pedreiros ou pela Igreja, que nesse contexto tinham um dado significado, que no contexto maçónico têm um significado diferente ou semelhante. Símbolos que representam uma forma de transmissão apenas acessível aos iniciados e, entre estes, escalonada segundo o percurso maçónico de cada um. Por tudo isto poderíamos também afirmar que o simbolismo é a alma da Maçonaria, onde as lendas evocadas nos remetem para um imaginário com sugestões mais ou menos claras de ordem moral e filosófica, e é a representação visível de ume ideia que transcende aquele momento e aquele espaço.

Nem sempre as decorações e objetos maçónicos tiveram o uso e a exuberância que hoje conhecemos. Se uns remontam às primeiras práticas maçónicas modernas, outros datam do século XIX ou ganharam sofisticação a partir de meados desse século, tornando-se preciosos auxiliares do ritual. Os objetos agora apresentados são também uma forma de afirmação pessoal e política de vincar um pensamento ou a dedicação e identificação de ideias e valores. A maior ou menor decoração de um avental, a virtuosidade do talhe no vidro de um copo ou a beleza decorativa de um estandarte são formas de demonstrar uma atitude e uma paixão pele Ordem maçónica.

Os símbolos associados a estes objetos representam uma forma de transmissão apenas acessível aos iniciados e, entre estes, escalonada segundo o percurso maçónico de cada um. Fazendo parte do património cultural da Maçonaria, os objetos aqui apresentados remetem-nos para diversos momentos do ritual ou do funcionamento administrativo das Lojas, falam-nos do papel da Maçonaria na História do país e do papel de cada maçom na vida da sua Loja. Por isso se torna difícil definir o que é a Maçonaria, onde se junta uma componente do sentir individual que é diferente de pessoa para pessoa, com uma dimensão espiritual e filosófica, com uma preocupação intelectual e social. Ao maçom, recém iniciado ou não, cabe então conduzir a sua vida no sentido de lhe conferir o equilibro da Razão e do coração, respeitar a diferença do outro e amar a Liberdade. Deve conhecer-se a si próprio, atribuir significado ao oculto e admitir que há conhecimentos que vão para além do imediato num caminho de permanente aperfeiçoamento. O recurso ao símbolo e aos objetos a ele associados é uma forma de "revelar uma realidade total, inacessível através dos restantes meios de conhecimento”, não esquecendo que eles conservam una raiz primordial de significado que fazem deles um elemento unificador e uma afirmação simultaneamente psicológica e intelectual com caráter distintivo”

Dr. Antonio Lopes, Ex-Director do Museu Maçónico Português e Director da revista "Grémio Lusitano", in Prefácio - sublinhados nossos. 

J.M.M.

domingo, 4 de outubro de 2020

[CONDEIXA - DIA 5 OUTUBRO] – EXPOSIÇÃO DA COLECÇÃO AIRES HENRIQUES & LANÇAMENTO DO LIVRO “UM SÉCULO (CON)DEIXAS, LIBERDADE E BONS COSTUMES"

 


EXPOSIÇÃO – Colecção Aires Henriques

LOCAL: Casa dos Arcos (ou Casa das Colunas), Rua da Condeixinha, Condeixa-a-Nova;

DATA: 5 de Outubro (16,00 Horas)


LANÇAMENTO DO


LIVRO: Um Século (Con)Deixas, Liberdade e Bons Costumes;

AUTOR: Aires B. Henriques;


NOTA: O ESPAÇO ESTÁ LIMITADO.

 J.M.M.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

FERNANDO NAMORA CARICATURISTA


APRESENTAÇÃO DO CATÁLOGO

AUTOR: Paulo Marques da Silva

TÍTULO: Fernando Namora Caricaturista

DATA: 12 de Setembro

LOCAL: Museu PORO's  - Condeixa-a-Nova

HORA: 17 Horas

Segue-se a inauguração da Exposição alusiva às caricaturas desenhadas por Fernando Namora e localizadas pelo autor do Catálogo e responsável pela organização da mostra.

A.A.B.M.


sexta-feira, 3 de março de 2017

JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO - EXPOSIÇÃO E CONFERÊNCIA EM CONDEIXA

Inaugura-se no próximo sábado, 4 de Março de 2017, pelas 16 horas, na Galeria Manuel Filipe, em Condeixa-a-Nova, a exposição documental de homenagem a José Liberato Freire de Carvalho.

No momento da inauguração da exposição o Dr. João Pinho profere uma conferência subordinada ao título José Liberato Freire de Carvalho: retratos da vida e obra (1772 -1855) na tela de uma homenagem (2013-2017).

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:
Muitos dos vultos do liberalismo português do século XIX continuam bastante desconhecidos. Tal como Rodrigo Fonseca Magalhães, seu contemporâneo, José Liberato Freire de Carvalho, de Coimbra, dedicou a sua vida à luta contra a tirania absolutista e pela liberdade, pelo direito, independência e progresso de Portugal. O seu jornal "O Campeão Portuguez em Londres" foi um dos mais importantes instrumentos para a ocorrência da Revolução Liberal de 1820. 

Para divulgar a sua vida e a sua obra, vai estar em exibição em Condeixa uma exposição bio e bibliográfica sobre " LIBERATO - vida e obra de um liberal de oitocentos", patrocinada pela Comissão Liberato e acolhida pela CM de Condeixa. 

Um evento que recomendamos para se conhecer melhor um dos homens do Liberalismo em Portugal que passou por Coimbra e foi contemporâneo de Rodrigo da Fonseca Magalhães, foi perseguido pelos absolutistas e refugiou-se em Inglaterra onde publicou um dos mais conhecidos jornais da emigração O Campeão Português em Londres. 

Sobre José Liberato sugerimos a leitura do que já se escreveu AQUI.

A informação sobre o evento pode ser consultada AQUI ou AQUI.

A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

EXÍLIOS, TESTEMUNHOS DE EXILADOS E DESERTORES PORTUGUESES NA EUROPA (1961-1974)

No próximo sábado, 12 de Novembro de 2016, na Biblioteca Municipal de Condeixa, Eng. Jorge Bento, pelas 16 horas, realiza-se a apresentação do livro "Exílios, testemunhos de exilados e desertores portugueses na Europa (1961-1974)".

Para apresentar a obra foi convidado José Dias, e o evento conta com a presença de alguns dos que passaram pela situação e a testemunharam na obra que se apresenta: José Torres, Fernando Cardeira, Fernando Cardoso e Rui Mota.

Um tema que começa a ser investigado e acaba por ter uma dimensão até maior do que se pensava, mas que até aqui foi um assunto quase tabu na sociedade portuguesa.

A divulgar e a que desejamos o maior sucesso.

A.A.B.M.

sábado, 26 de março de 2016

O CASO DOS “DIVODIGNOS” E AS LUTAS ENTRE LIBERAIS E ABSOLUTISTAS



LIVRO: O caso dos “Divodignos” e as lutas entres liberais e  absolutistas. História. Memória e Ideologia;
Autor: Luís Reis Torgal;
EDIÇÃO: Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, 2016.

A Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova promoveu o lançamento do livro 'O Caso dos ‘Divodignos’ e as Lutas Entre Liberais e Absolutistas: História, Memória e Ideologia”, de Luís Reis Torgal, com o objectivo de documentar, preservar e divulgar a importância deste acontecimento histórico, segundo anunciou, hoje, a autarquia.




O lançamento da obra coincidiu com a inauguração de um memorial, na sexta-feira, no lugar do Cartaxinho, freguesia de Ega, uma vez que nesse lugar, a 18 de Março de 1828, deu-se o recontro entre estudantes liberais da associação secreta designada por “Divodignos” e uma comitiva universitária e eclesiástica que ia a Lisboa prestar homenagem ao proclamado “Rei Absoluto” D. Miguel, que se opusera à Carta Constitucional.

Nesse acontecimento morreram dois lentes da Universidade de Coimbra, tendo sido posteriormente executados nove estudantes, em 20 de Junho de 1828, no cais do Tojo, em Lisboa.

 

Com esta inauguração e com a apresentação do livro, o executivo da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova 'pretende colocar em prática uma das mais nobres missões do poder autárquico, que é estar ao serviço da preservação e divulgação da micro-história local, que consiste muitas vezes em pequenos episódios e acontecimentos cujo alcance, se não têm repercussão fora de portas, falam todavia no íntimo à comunidade autóctone', justifica a vereadora Liliana Pimentel no prefácio da obra.

O caso dos 'Divodignos', nomeadamente, o recontro entre a associação secreta dos estudantes liberais e a comitiva universitária e eclesiástica, acontecimento vulgarmente conhecido por 'assassinato dos lentes', tem sido fortemente divulgado pela literatura, pois os acontecimentos subjacentes ao drama atingiram notoriedade nacional, tanto assim que despertaram imediato interesse literário, sob a forma de ficção literária, cénica, telenovelística e popular', refere a autarquia condeixense”

 [LER AQUI | AQUI | AQUI ]

FOTOS via Pró-Associação 8 de Maio, com a devida vénia

 

Sociedade dos Divodignos" [Divodigus] ou Divodis (1828) - Era composta, na quase totalidade, por estudantes liberais - o seu presidente era Francisco Cesario Rodrigues Moacho -, e de onde saíram os estudantes que participaram nos assassinatos e ferimentos aos lentes e cónegos [Jeronymo Joaquim de Figueiredo e Mattheus de Sousa Coutinho, foram os lentes mortos], no dia 18 de Março de 1828, além de Condeixa [sítio do Cartaxinho]. Tinham as reuniões na Rua do Loureiro, em umas casas pequenas do lado esquerdo logo acima do Arco de D. Jacintha" [in, Apontamentos para a História Contemporânea, p. 93]. Tinham os Divodignos "uma constituição, uma lei orgânica, que prescrevia a obrigação de actos violentos, e nestes, até o assassinato" [cf. Alberto de Sousa Lamy, A Academia de Coimbra 1537-1990].

Segundo um elemento pertencendo à sociedade [conta Joaquim Martins de Carvalho] faziam os Divodigus as assembleias num casarão quase subterrâneo, sito nos Palácios Confusos. Foi, aí, que se resolveu a trama de Condeixa, isto é, o cumprimento da deliberação de tirar do caminho de Lisboa os "membros das duas deputações " que levavam felicitações ao rei d. Miguel.

Assistiram a essa sessão dos Divodignos, 200 académicos liberais, tendo sido sorteados 13 deles para o cumprimento da missão. Segundo Joaquim Martins de Carvalho [op. cit], os membros dos Divodignos que "desfecharam as armas" foram: Delfino Antonio de Miranda e Mattos [de Barcelos], Bento Adjuto Soares Couceiro e Antonio Correia Megre.

Perante a descoberta ocasional do crime ocorreram populares e uma força de Cavalaria, que ali passava, pondo em debandada os Divodignos. Foram presos e enforcados [cf. Joaquim de Carvalho, op. cit, p. 96] nove deles [Bento Adjuto Soares Couceiro, Delfino Antonio de Miranda e Mattos, Antonio Correia Megre, Domingos Barata Delgado, Carlos Lidoro de Sousa Pinto Bandeira, Urbano de Figueiredo, Francisco do Amor Ferreira Rocha, Domingos Joaquim dos Reis e Manuel Inocêncio  de Araújo Mansilha]. Foram conduzidos para Lisboa e do processo resultou na sentença [muito contestada juridicamente] de morte por "enforcamento" no dia 20 de Junho de 1828, no "cais do Tejo, a Santa Apolónia" [cf. Lamy, op. cit].

Ainda segundo J. Martins de Carvalho evadiram-se os quatro restantes [diga-se que José Germano da Cunha, nos "Apontamentos para história do Concelho do Fundão" (Lisboa, 1892) diz-nos que foram enforcados 10 dos membros dos Divodignos e que escaparam 3, referindo: Bernardo Nunes, o padre Bernardo Antonio Ferreira e Francisco Sedano Bento de Mello], registando Martins de Carvalho os seguintes:

Antonio Maria das Neves Carneiro (do Fundão, e que acabou por ser enforcado em 1830), Francisco Sedano Bento de Mello (Caldas da Rainha), José Joaquim de Azevedo e Silva (Lisboa) e Manuel do Nascimento Serpa (falecido na Misericórdia de Lagos, com o nome de "Fresca Ribeira"- ver obra citada e, principalmente, o Capitulo XII, "Sentença  que condenou à morte os 9 estudantes enforcados a 20 de Junho de 1828"; do mesmo modo, consultar os "Grande Dramas Judiciários", de Sousa e Costa; idem para Oliveira Martins, in Portugal Contemporâneo, vol I.; ou Teófilo Braga, "História da Universidade de Coimbra", tomo IV; tb Camilo Castelo-Branco, in "O Retrato de Ricardina.”

[texto nosso, publicado no Almocreve das Petas (ver Associações de Coimbra), a 24 de Novembro de 2003 | outra Anotação nossa]

J.M.M.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

CONDEIXENSES NA GRANDE GUERRA (1914-1918): EXPOSIÇÃO


EXPOSIÇÃO: CONDEIXENSES NA GRANDE GUERRA (1914-1918)
LOCAL: Centro Cultural, Recreativo e Desportivo da Barreira
HORÁRIO: Visitas nos Dias Úteis 18-20 horas/ Sábado e Domingo: 14-20 horas
DATA: Termina no próximo domingo 22 de Novembro de 2015


Fica a sugestão a todos os interessados no tema para realizarem uma visita à exposição nos horários que constam no cartaz. Interessará sobretudo aos naturais de Condeixa, que podem tentar descobrir 
se os antepassados constam nos registos, já que se reuniram mais de uma centena de nomes de condeixenses que combateram na Grande Guerra de todas as freguesias do concelho: Anobra, Belide, Bendafé, Condeixa-a-Nova, Condeixa-a-Velha, Ega, Furadouro, Sebal, Vila Seca e Zambujal.

Para acompanhar com atenção.

A.A.B.M.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

REVISITAR GOA: EXPOSIÇÃO BIBLIOGRÁFICA E APRESENTAÇÃO DE LIVRO EM CONDEIXA

Na próxima sexta-feira, 6 de Novembro pelas 17.30h, nas instalações da Casa Museu Fernando Namora, em Condeixa-a-Nova, inaugura-se uma interessante exposição bibliográfica subordinada ao título Revisitar Goa. Esta exposição é feita a partir da colecção particular do Dr. Joaquim Filipe Soares Rebelo, que se tem dedicado apaixonadamente à recolha de obras que se debruçam  sobre este tema, devido às suas origens familiares, mas também ao conhecimento e gosto que herdou de seus pais: Domingos José Filipe Inácio dos Remédios Roque da Conceição Soares Rebelo (1916-2013), nascido em Margão - Goa, investigador, bibliófilo e publicista ligado a este tema e sua mãe D. Rosalina Filomena da Cunha Soares Rebelo (1908-2007), também ela escritora, professora e feminista com grande visão humanista.

Pelas 18 horas, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, realiza-se a apresentação do livro Goa, de Helena Rainha Coelho, editado pela Imprensa da Universidade de Coimbra. Podendo ler-se na sinopse da obra AQUI:
A acção da obra Goa decorre entre os finais da Segunda Guerra Mundial e os últimos anos da década de sessenta do séc. XX, abrangendo, com a devida relevância, a integração do Estado Português da Índia na União Indiana. Este facto irá alterar, com grande sofrimento, o destino das personagens. Apesar de se ocupar de acontecimentos relevantes dessa época, o livro não se enquadra na especificidade do romance histórico. É, antes, uma obra situada no tempo e nos espaços próprios, de acordo com a vida e a circunstância das personagens ficcionadas, e da influência de outras que são reais. Partilham, entre si, os factos descritos e suas consequências, vivendo as suas exacerbadas paixões, os amores, as amizades e os tormentos a que, como pessoas que são, não podem fugir.

Uma iniciativa que se saúda e se divulga entre os ledores do Almanaque Republicano e que merece a melhor atenção entre os bibliófilos e os interessados nos temas da História e da Cultura Portuguesa na Índia.

A.A.B.M.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

CONDEIXA – HUMOR, MONARQUIA E REPUBLICANOS


EXPOSIÇÃO: Humor, Monarquia e Republicanos;
DIAS: 10 de Outubro a 29 de Novembro;
LOCAL: Galeria Manuel Filipe (Condeixa);
ORGANIZAÇÃO: Câmara Municipal de Condeixa | Galeria Manuel Filipe | Villa Isaura (Troviscais).

CONFERÊNCIA

DIA: 10 de Outubro (18,00 horas);
ORADORES: Amadeu Carvalho Homem | Aires Barata Henriques;

“O final do século XIX e inicio de XX viu aparecer caricaturistas e humoristas que souberam interpretar na perfeição as incongruências da sociedade portuguesa. Rafael Bordalo Pinheiro, Francisco Valença, Leal da Câmara foram alguns desses geniais artistas.

Jornais como O , Sempre Fixe, A Paródia e o Século Cómico, foram os veículos utilizados para de forma mordaz e contundente pôr a nu acções de figuras políticas, situações de injustiça e acontecimentos políticos e sociais que muitas vezes tocavam o ridículo. A cerâmica foi também um dos géneros artísticos utilizados: aqui foi Bordalo Pinheiro o génio maior. A figura do “Zé Povinho” ultrapassou gerações, sendo ainda hoje do um ícone sociedade portuguesa.

Nesta Exposição é possível ver algumas dessas caricaturas, desenhos e peças de cerâmica de uma época que foi rica em acontecimentos político-sociais.

É nosso desejo que consigam sorrir com elas”

 J.M.M.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

MANUEL DENIZ-JACINTO (Parte II)


Manuel Deniz-Jacinto era um homem de baixa estatura, bigode bem aparado, olhos brilhantes que conseguia cativar as audiências que assistiam às suas representações. Manifestou desde cedo particular interessa na obra de Gil Vicente, tendo adaptado diversas peças.
Para aumentar a subsistência da família dedicou-se à tradução de peças de teatro, especialmente da antiguidade grega, onde se tornou um reconhecido tradutor. Realizou conferências sobre teatro em variadíssimos locais.

Segundo José Pacheco Pereira, Deniz-Jacinto terá pertencido aos Grupos Anti-Fascistas de Combate que existiram na cidade de Coimbra nos anos 40 e que englobariam cerca de 35 membros, de acordo com um relatório do próprio partido. O GAC a que Deniz-Jacinto pertenceu fora organizado pelo “Batista dos GAC” e tinha como objectivo tentar controlar as comunicações, proceder ao corte de fios telefónicos [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal. Uma Biografia Política. «Duarte», O Dirigente Clandestino (1941-1949), vol. II, Círculo de Leitores, Lisboa, 2001, p. 463]. Estes grupos tinham sido organizados em finais de 1944 com o objectivo de desencadear um golpe em Janeiro de 1945, que nunca avançou e estas células acabaram por se restringir somente a um papel de discursos revolucionários mais ou menos exaltados.
Durante a sua ligação Teatro Experimental do Porto, afirma Carlos Porto “Deniz-Jacinto jogou um papel muito importante na história do CCT/TEP, em especial na direcção da escola”, além disso, “ reconhece “as suas capacidades de pedagogo, apoiadas na sua formação científica (fora condiscípulo de Redondo Júnior, igualmente com formação na área das Ciências), com a sua fascinante capacidade de comunicação e os seus conhecimentos, transformava as aulas em momentos apaixonantes, como pude testemunhar” [Carlos Porto, O TEP e o teatro em Portugal. Histórias e Imagens, Fundação Eng. António de Almeida, Porto, 1997, p. 92].Até à reforma, Deniz Jacinto continuou essa missão de espalhar saber, com base em especial na obra de Gil Vicente, de que é um grande especialista, além de desenvolver na imprensa colaboração como teorizador das artes cénicas, trabalhos que reuniu em três volumes, sob o título Teatro.

Como bem relembrou Paulo Silva no capítulo sobre as “«Estórias» da Oposição em Condeixa no Tempo de Salazar” na obra Condeixa. Paisagem, Memória e História, onde se recorda o papel de Deniz-Jacinto como uma das figuras incontornáveis da oposição na região de Coimbra. Baseando-se num documento sobre a organização da oposição na cidade de Coimbra, fornecido pela Legião Portuguesa à Polícia Internacional de Defesa do Estado [ANTT-PIDE/DGS, Procº nº 304/45, doc. 48 e reproduzido em Paulo Silva, “«Estórias» da Oposição em Condeixa no Tempo de Salazar” Condeixa. Paisagem, Memória e História, Paróquia de Condeixa-a-Nova, Condeixa, 2010, p. 160-161], chega-se à conclusão que esta personalidade desempenhava funções de destaque. Para além disso, os relatórios enviados pelos informadores, pelas autoridades policiais confirmam essa importância. Um relatório de Agosto de 1946, produzido por um informador da PIDE que utilizava o pseudónimo de Inácio, dá conta que das reuniões que se realizaram na Livraria do Café Conímbriga, em Condeixa, entre os dias 10 e 17 de Agosto [???]. Eram indicados por participar nessas reuniões para além de Deniz-Jacinto, Joaquim Namorado, Alfredo Miranda, João Pimentel, Evaristo Pereira Moreira, Júlio Rocha, António Mateus e Joaquim da Silva Bandeira.

Em termos familiares Deniz-Jacinto que era proveniente de uma família modesta, acaba por estabelecer relações familiares com José Pires Beato, militar que participou na I Grande Guerra, ascendeu à patente de tenente e que exerceu as funções de presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova no período entre a Ditadura Militar e o Estado Novo, de que viria a ser genro, sendo a figura de destaque da União Nacional no concelho.


Devido à sua intensa actividade cultural e política acabou por ser agraciado com diversas homenagens. Recebeu a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, entregue pelo Presidente da República, Mário Soares, em 6 de Abril de 1988, reconhecendo-lhe a sua “notável actividade em prol da divulgação e expansão do teatro em Portugal, bem como da intervenção cívica e política em defesa da democracia”. Foi também condecorado com a Medalha de Mérito Cultural, da Câmara Municipal de Coimbra, em 30 de Novembro de 1996. Por último, foi-lhe entregue a Medalha de Honra da Universidade de Coimbra, em Março de 1997, pelo respectivo Reitor, Rui Alarcão.


Faleceu vítima de doença prolongada a 08 de Janeiro de 1998 em Coimbra, tendo sido sepultado dois dias depois em Condeixa-a-Nova, sua terra natal.

ENCENOU:
- “O Médico à Força”, de Moliére, Grupo de Teatro dos Modestos, 23-12-1958;
- “O Gebo e a Sombra, 3ª – O Avejão, Cena III – O Doido e a Morte”, de Raúl Brandão, Teatro de Bolso [encenação em parceria com Sinde Filipe], 28-07-1960;

TRADUZIU:
- “O Jogador”, de Ugo Betti, Teatro de Algibeira, 24-04-1959;
- “A Sombra da Ravina”, de J. M. Synge, 1963;

PUBLICOU:
- “Ionesco no Teatro São João do Porto”, Vértice, Vol. 19, nº 190/191 (Jul/Ago 1959), p. 451-453;
- “«Antígonas»de Sófocles, pelo TEUC”, Vértice, Vol. 21, nº 216 (Set 1961), p. 574-576;
- “As «Coéforas» e «O Processo de Orestes», pelo Groupe de Théatre Antique de la Sorbonne”, Vértice, Vol. 21, nº 216 (Set 1961), p. 579-581;
- “«Menaecmi» de Plauto, pelo Centro Universitário di Parma”, Vértice, Vol. 21, nº 216 (Set.1961), p. 585-587;
- Santareno, Bernardo, O Pecado de João Agonia, pref. Manuel Deniz-Jacinto, Divulgação, Lisboa, 1962.
- O Testamento de Maria Parda/Auto da Feira/Auto da Índia/Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, encenação de Carlos Avilez, Texto de Apresentação de Manuel Deniz-Jacinto, Teatro de Bolso, 09-02-1965;
- Teatro, 3 vols., Ed. Lello Lda., Porto, 1991;
- “«O Vagabundo das Mãos de Oiro» rejeitado pelo conselho de leitura do Teatro Nacional, estreou-se com grande êxito no TEP (Porto)”, Vértice, Vol. 22, nº 225 (Jun. 1962), p. 335-337;
- “Charlot e Bip: uma estética, duas técnicas, duas finalidades”, Vértice, Vol. 22, nº 228 (Set. 1962), p. 474-476;
- “«A Electra», de Sófocles, pelo Teatro do Pireu, no Rivoli do Porto”, Vértice, vol. 23, nº 239 (Ago.1963), p. 436-439;
- “O actor numa encenação de Gil Vicente”, Vértice, Vol. 25, nº 264/266 (Set/Nov 1965), p. 799-805;
- “No rescaldo do XXVI Festival de Avinhão”, Vértice, Vol. 33, nº 349 (Fev. 1973), p. 166-170;
- “No rescaldo do XXVI Festival de Avinhão”, Vértice, Vol. 33, nº 352 (Maio 1973), p. 427-432.

"[Recensão crítica a 'O Jogo dos Homens', de Luiz Francisco Rebello]" / Deniz-Jacinto. In: Revista Colóquio/Letras. Recensões Críticas, n.º 7, Maio 1972, p. 95-96. 

- "[Recensão crítica a 'O Passado e o Presente', de Vicente Sanches]" / Deniz-Jacinto. In: Revista Colóquio/Letras. Recensões Críticas, n.º 11, Jan. 1973, p. 78-80. 

- "[Recensão crítica a 'Para o Estudo do Teatro em Portugal (1946-1966)', de Fernando Mendonça]" / Deniz-Jacinto. In: Revista Colóquio/Letras. Recensões Críticas, n.º 13, Maio 1973, p. 86-87.

- "[Recensão crítica a 'António Vieira', de Fernando Luso Soares]" / Deniz-Jacinto. In: Revista Colóquio/Letras. Recensões Críticas, n.º 17, Jan. 1974, p. 89-90. 

- "[Recensão crítica a 'A Engrenagem', de José Fernandes Fafe]" / Deniz-Jacinto. In:Revista Colóquio/Letras. Recensões Críticas, n.º 21, Set. 1974, p. 97-98

- “Saudação a Paulo Quintela”, Homenagem a Paulo Quintela, Editorial Inova, Porto, 1974, pp. 37-41

Colaborou ainda com várias publicações com inúmeros artigos sobretudo sobre temas teatrais. Entre elas destacam-se: Boletim do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (1944), Biblos, O Diabo, Gazeta Musical e de Todas as Artes (1951-1957), Informação Literária (1945-1949), entre outras publicações.


Deniz-Jacinto, em 1982, em momento de lazer.

Os responsáveis do Almanaque Republicano não podiam deixar de se associar à evocação desta figura da cultura portuguesa, apesar de tudo pouco conhecida. Assinalando a data do centenário do seu nascimento e divulgando a homenagem que lhe vai ser feita no próximo sábado em Condeixa-a-Nova. O seu papel como encenador, actor, crítico, tradutor, ensaísta, e autor de diversas publicações merece ser estudado e divulgado.

A.A.B.M.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

MANUEL DENIZ-JACINTO (PARTE I)


Manuel Deniz-Jacinto nasceu em Condeixa-a-Nova a 8 de Janeiro de 1915. Assinalando amanhã o centenário do seu nascimento, organiza-se no próximo dia 10 de Janeiro, sábado, uma homenagem no Cine-Teatro de Condeixa, conforme se pode ver no cartaz abaixo.

Manuel Deniz-Jacinto frequentou as licenciaturas em Ciências Matemáticas, Engenharia Geográfica e Ciências Pedagógicas, entre 1933 e 1943. Num dos livros de curso é possível encontrar uma curiosa caricatura desta personalidade conforme podemos ver abaixo.

Apaixonado pelo teatro, começou por ingressar no Grupo Cénico do Fado Académico da Universidade de Coimbra e, algum tempo depois (1938), fundou com o Professor Paulo Quintela o Teatro dos Estudantes da Universidade (TEUC), onde ainda se recordam as suas representações de Diabo nas peças vicentinas e os cenários desenhados por Tossan. Enquanto estudante foi ainda Presidente do Orfeon Académico de Coimbra e Presidente da Associação Académica de Coimbra.


Terminados os estudos universitários e terminada a II Guerra Mundial envolve-se com as actividades oposicionistas e adere ao MUD Juvenil, facto que lhe provou logo problemas com a polícia política. Foi ainda membro do MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Antifascista) e do Partido Comunista Português onde passou a integrar o sector intelectual do PCP na região de Coimbra.

Em 1945 assume temporariamente funções como director do Diário de Coimbra, onde permanece entre 2 de Fevereiro e 4 de Julho, tendo o jornal sido suspenso de publicação entre 7 de Julho de 1945 e 4 de Julho de 1946. Tudo indica que o motivo desta suspensão foi a publicação em 29 de Junho de 1945 de um artigo sobre a história de um trapezista de nome Max, que já com idade avançada e depois de já ter deixado o trapézio quis regressar à actividade, contrariando todas as indicações que lhe davam. No entanto, o episódio terminou de forma trágica já que o trapezista morre. Esta história aparentemente inocente e aceite para publicação pelos serviços de Censura acaba por ser associada à figura do reitor da Universidade, Maximino Correia. Visado na história seria também o próprio chefe de Governo da época (Salazar), facto que acabou por conduzir à suspensão que atrás fizemos referência [Mário Matos e Lemos, Jornais Diários Portugueses do século XX. Um Dicionário, Coimbra, Ariadne Editora/CEIS 20, 2006, p. 248-252]. Porém, a publicação de alguns artigos polémicos levou a que os Serviços de Censura do Estado Novo o suspendessem do cargo e posteriormente o demitissem das funções que tinha assumido.

No ano seguinte foi identificado pela PIDE como elemento com actividade política que interessava vigiar e acaba por ser preso na Figueira da Foz em 30 de Setembro de 1949 tendo cumprido pena até 1953 na Cadeia do Aljube e no Forte/Prisão de Caxias. Nessa ocasião foram presos também Mário Temido, Albano Cunha, Brito Amaral, António Júdice e Pinto Loureiro, facto que representou o desmantelamento quase total do Sector Intelectual do Partido Comunista na região de Coimbra (José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal. Uma Biografia Política. O Prisioneiro [1949-1960], vol. 3, Círculo de Leitores, Lisboa, 2005, p. 53). Na sequência destas prisões conhece a tortura e diversos castigos físicos.

Estabelece-se na cidade do Porto, em 1953, onde desenvolve a sua ligação ao teatro, aprofundado os seus conhecimentos. Nessa época ingressa no Teatro Experimental do Porto (TEP), onde desempenhou as funções de director da Escola de Teatro do TEP. Paralelamente foi leccionando as disciplinas de História do Teatro e Arte de DizerAs tarefas pedagógicas e do ensino foram uma constante na sua vida. Dedicou-se à encenação e procurou transmitir aos actores que dirigia os ensinamentos que foi recolhendo ao longo dos tempos. O reconhecimento da sua actividade na cidade invicta levou-o a ser convidado para dirigir o Curso de Teatro da Escola Superior Artística do Porto (ESAP), desde o momento da sua criação.

[em continuação]

A.A.B.M.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

EVOCAÇÃO DO CENTENÁRIO DA GRANDE GUERRA EM CONDEIXA-A-NOVA


No próximo sábado, dia 1 de Novembro de 2014, realiza-se em Condeixa-a-Nova uma Evocação do Centenário da Grande Guerra.

As cerimónias iniciam-se às 10.30 horas, no Largo Artur Barreto, frente à Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, junto ao Monumento de Homenagem aos Mortos, segue-se depois a conferência sobre "Técnicas e Táticas da 1ª Grande Guerra", pelo Dr. João Peixoto.

Pelas 11.30h, no Salão Nobre da Câmara Municipal, realiza-se a Cerimónia Evocativa do Centenário da Grande Guerra, com a Homenagem ao Capitão Augusto dos Santos Conceição.

Nos dias seguintes inauguram-se as exposições na Junta de Freguesia de Condeixa subordinada ao tema "1ª Grande Guerra em Miniaturas", bem como outra exposição documental na Casa Museu Fernando Namora sobre "A Grande Guerra".

A propósito de Augusto dos Santos Conceição que vai ser recordado nesta cerimónia, sabe-se que nasceu na Figueira da Foz em 1885. Enveredando pela carreira militar vai ser mobilizado para o combate em França, onde chegou a ser prisioneiro de guerra, na sequência dos combates em La Lys. Devido à sua participação no Corpo Expedicionário Português recebeu várias condecorações e louvores.

Foi vereador da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Colaborador regular da imprensa e monografista deixou publicadas as seguintes obras de carácter monográfico:
- Condeixa-a-Nova, 1941;
- Soure, 1942;
- Terras de Montemor-o-Velho: terras de lendas e bastas façanhas, terras de beleza pela sua paǐsagem e seus monumentos, 1944;
- Santa Clara de Coimbra, 1954.

Deixou ainda inéditos os seguintes textos:
Infantaria 15 de Tomar na Flandres", [localizou-se uma versão policopiada do manuscrito de 1936, depositada na biblioteca do Arquivo Histórico Militar, com o nº de registo 7894.];
- Memórias de Um Prisioneiro de Guerra [cujo paradeiro se desconhece];

Foi presidente do Núcleo Local da Liga dos Combatentes.

Faleceu em 9 de Março de 1976.

Com os votos do maior sucesso para estas iniciativas.

A.A.B.M.