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sábado, 24 de abril de 2010

AO POVO PORTUGUÊS



"Ao Povo Português" - panfleto assinado pelo General Sousa Dias, Jaime de Morais (Comité Militar Central), Jaime Cortesão (Capitão médico miliciano e delegado do C.M.C. no Norte), Capitão Sarmento Pimentel (delegado do Comité Militar do Norte), João Pereira de Carvalho (do Comité Militar do Norte) - clicar para ler.

via Torre do Tombo.

J.M.M.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

JOÃO MARIA SARMENTO PIMENTEL (1888-1987)

"O capitão João Sarmento Pimentel não só foi testemunha como participou em alguns actos da tragi-comédia que se representou entre nós no decurso desse agitado período que vai desde a implantação da República em Portugal e dos anos conturbados que se lhe seguiram até à instauração da ditadura que o movimento militar de 28 de Maio de 1926 nos impôs. Acompanhou ou tomou parte, mesmo durante a sua permanência no Brasil, onde se exilou após o malogro da revolta militar que teve começo no Porto em 3 de Fevereiro de 1927 e foi tardiamente secundada pelas forças que em Lisboa tinham dado a sua adesão, comprometeu-se, como íamos dizendo, em todos os movimentos que se tentaram para derrubar o regime autocrático instituído em 28 de Maio e que Salazar consolidou e endureceu quando assumiu, mais tarde, a presidência do Conselho. Sarmento Pimentel lutou, depois, sem descanso, em todas as frentes, na Pátria e no exílio, pela palavra e pela acção, para ajudar a libertar o País do longo cativeiro que nos privou dos direitos inerentes à condição humana e acarretou outras calamidades que desacreditaram o sistema, criando-nos, deploravelmente, uma vergonhosa situação de povo tutelado ao qual foi negada a maioridade política ..."

[Norberto Lopes, in Sarmento Pimentel ou a uma Geração Traída, 1976]

Locais: João Maria Sarmento Pimentel / Sarmento Pimentel ou a uma Geração Traída / Biblioteca Municipal Sarmento Pimentel

J.M.M.

SARMENTO PIMENTEL E O FEVEREIRO DE 1927


"[Norberto Lopes] ... Em que circunstâncias tomou parte no 3 de Fevereiro?

- [Sarmento Pimentel] A convite de amigos e companheiros da Flandres. O Jaime Cortesão e o Jaime de Morais foram ao Porto falar comigo. Disse-lhes que só tomaria parte do movimento, se as coisas fossem organizadas com cabeça, se Lisboa secundasse o grito de revolta do Porto, onde tudo parecia estar bem preparado de modo a assegurar a vitória. Não aconteceu assim. Lisboa hesitou, não aderiu logo e a revolta falhou. Por culpa de quem? Dos conjurados de Lisboa, que não vieram logo para a rua, como estava combinado, e que comprometeram, assim, irremediavelmente, o levantamento do Norte. Por culpa dos tímidos, dos pusilânimes, dos cobardes e daqueles que viram que a revolução não servia os seus interesses, e, sendo republicanos, contrariaram o movimento. Arrependeram-se depois. Mas já era tarde. Quando o general Simas Machado me procurou, alegando que a minha adesão traria para o lado dos revolucionários dois amigos meus com influência decisiva na guarnição militar de Lisboa - o major Ribeiro de Carvalho e o capitão Francisco Aragão -, voltei a dizer que a revolta só podia triunfar se rebentasse simultaneamente em Lisboa e no Porto. Não aconteceu assim e a revolução perdeu-se. Ribeiro de Carvalho e Aragão não saíram, alegando que a revolta do Porto era nitidamente partidária, contra o exercito, e que, além disso, o momento não se prestava para tomarem qualquer atitude. Anos depois, tanto o Aragão, demitido e exilado, como o Ribeiro de Carvalho, que chegou a passar fome, tiveram a franqueza de me dizer que se haviam enganado e que a revolta do Porto se perdeu por falta de apoio dos republicanos de Lisboa. A capital acordou quatro dias depois, mas já não serviu de nada. Àquele levantamento tardio chamámos nós, mais tarde, 'a revolução do remorso'. Quando me encontrei com o Aragão no exílio, ele caiu-me nos braços a chorar, dizendo: 'Tu é que tinhas razão!' E eu limitei-me a responder-lhe: 'Agora é tarde e Inês é morta', como se dizia em Suçães quando se representava o drama da mísera e mesquinha ..."

[in Sarmento Pimentel ou uma Geração Traída. Diálogos de Norberto Lopes com o autor das ‘Memorias do Capitão’ pref. de Vitorino Nemésio, Áster, 1976 - sublinhados nossos]

J.M.M.