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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

DESAFIOS DO MAR PORTUGUÊS (SEMINÁRIO) - O BACALHAU: HISTÓRIA E FUTURO

Nos próximos dias 21 e 22 de Outubro no Museu Marítimo de Ílhavo, realiza-se a 5ª edição do seminário Desafios do Mar Português

Pode ler-se na nota de abertura deste seminário:

A 5.ª edição do Seminário Desafios do Mar Português, agendada para 21 e 22 de outubro, será dedicada ao tema “O Bacalhau: História e Futuro”, tendo como parceiro a Associação dos Industriais de Bacalhau.

O tema em discussão na edição deste ano tem por objetivo a reflexão sobre um sector da atividade económica nacional de relevo como é a pesca do bacalhau, nas suas dimensões de captura, transformação, comercialização e sua importância estratégica, sem deixar de fomentar as observações em torno de temas histórico-culturais, onde se tem destacado o contributo do Museu Marítimo de Ílhavo.

O programa do seminário pode ser consultado abaixo:

PROGRAMA

21 OUTUBRO, SEXTA-FEIRA

09h30 Sessão de abertura
Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar (a confirmar)
Fernando Fidalgo Caçoilo, Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo

10h30 PAINEL I - A Pesca e o Património Biológico
Pescadores e homens do bacalhau: um retrato antropológico
Luís Martins (Antropólogo)

O trabalho a bordo e a gestão da pesca longínqua
José Paulo Vieira da Silva (Capitão da Marinha Mercante)

O bacalhau como recurso biológico: sustentabilidade e biopolítica
Carlos Sousa Reis (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa)

debate

pausa para café

11h45 PAINEL II - A Indústria e o Negócio
A economia e política do bacalhau: regulação e atividade económica no século XX
Álvaro Garrido (Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra/Museu Marítimo de Ílhavo)

Política de pescas e economia do bacalhau na Espanha contemporânea
Fernando González Laxe (Universidade da Corunha)

Das secas à indústria e técnicas modernas de transformação do bacalhau
Fernando Chagas Duarte (Direção Geral das Pescas)

Desafios de gestão da atual indústria do bacalhau
Aníbal Paião (Pascoal & Filhos, S.A)

debate

pausa para almoço

15h00 PAINEL III - Mercados e Consumos
O consumo de bacalhau na Península ibérica: uma perspetiva histórica
Jesús Giraldez Rivero (Universidade de Santiago de Compostela)

A indústria de pesca e o negócio exportador de bacalhau da Islândia
Björgvin Þór Björgvinsson (Project Manager da Food – Fisheries and Agriculture and Iceland Responsible Fisheries)

As exportações de bacalhau e os mercados da lusofonia
Ricardo Alves (Riberalves, S.A.)

O Bacalhau, a inovação de produto e a cozinha contemporânea
Ricardo Costa (Chef Executivo no Hotel The Yeatman, Porto)

debate

pausa para café

17h15 Lançamento do n.º 4 da “ARGOS - Revista do Museu Marítimo de Ílhavo
Degustação de bacalhau com espumante da Bairrada

21h30 Espetáculo de teatro “O Lugre 2016”, encenado por Graeme Pulleyn, com base na peça de Bernardo Santareno

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22 OUTUBRO, SÁBADO

09h30 PAINEL IV - Memória e Identidade – o bacalhau como património
Bacalhau, cultura popular e identidade nacional
José Manuel Sobral (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa)

Património do bacalhau em Euskadi
Rosa García-Orellán (Universidade Pública de Navarra)

O Gil Eannes onde naveguei e assisti as tripulações da frota
António Trabulo (Escritor e ex-Médico no Navio Hospital Gil Eannes)

Os navios da frota bacalhoeira
António Manuel Gonçalves (Academia de Marinha)

debate

pausa para café

11h30 Conferência de Encerramento
História e memória da “White Fleet” na Terra Nova
Jean-Pierre Andrieux (Escritor)

12h00 Sessão de encerramento

José Apolinário, Secretário de Estado das Pescas (a confirmar)

12h15 Visita Especial ao Aquário dos Bacalhaus do Museu Marítimo de Ílhavo


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INSCRIÇÕES ATÉ 19 DE OUTUBRO DE 2016
ciemar.mmi@cm-ilhavo.pt
com os seguintes dados: nome, profissão, instituição e contactos

Um evento que merece a melhor divulgação.

A.A.B.M.

domingo, 5 de julho de 2009


NA APRESENTAÇÃO DA BIOGRAFIA POLÍTICA DE HENRIQUE TENREIRO

Ontem, pelas 18 horas, no Museu Marítimo de Ílhavo, tivemos oportunidade de assistir à apresentação da obra de Álvaro Garrido, “Henrique Tenreiro. Uma biografia política”, publicado pelo Círculo de Leitores. Com uma assistência interessada, a rondar a meia centena de pessoas, com familiares e alguns amigos.

Constituída a mesa, composta pela Dr. Guilhermina Gomes, representante da editora, o Dr. Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Doutor Joaquim Feio, apresentante da obra e finalmente o autor da obra em causa.

Após as palavras de circunstância proferidas pelo edil de Ílhavo, onde salientou os laços de amizade que o ligam ao autor, referindo que assistiu ao “crescimento do Museu Marítimo sob a direcção e trabalho do Dr. Álvaro Garrido”. Seguiu-se a representante da editora que salientou a satisfação com trabalho realizado pelo Dr. Álvaro Garrido, particularmente porque os seus trabalhos têm sido bem acolhidos junto do público, anunciando mesmo que vai ser feita uma nova reimpressão desta obra.

O Dr. Joaquim Feio começou por referir as ligações que tem com a região e como ao longo da sua vida conheceu e contactou com pessoas que de alguma forma estavam ligadas à pesca do bacalhau o que lhe permite compreender muitos dos factos e situações que encontrou narradas na obra supra referida. Reconhecendo que acompanhou a elaboração do livro ao longo do tempo, com longas conversas pelos corredores da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Nos vários pontos que salientou da obra, dois pontos mereceram algum destaque: “o sistema Tenreiro” e o “enigma Tenreiro”. O primeiro, entendido como o “sistema das pescas criado por Tenreiro, que tornou a campanha do bacalhau num enorme sinal simbólico para o Estado Novo, porque recorda a gesta heróica dos Descobrimentos”. Porque todo o cerimonial preparado para assinalar o início das campanhas nos mares do Norte era encenado ao detalhe para lembrar as partidas dos navios na época das Descobertas, desde a bênção da frota até aos discursos da ocasião eram pormenorizadamente estudados, fazendo da faina do bacalhau como a “grande pesca” onde se sugeria a grandeza imperial da Nação.

Por outro lado, o denominado “enigma Tenreiro”, porque a personalidade de Henrique Tenreiro “não deixava ninguém indiferente” como afirmou Joaquim Feio, porque havia dentro do Estado Novo os defensores e os críticos desta personalidade. A obra, que o apresentante considerou como “uma criptobiografia do Estado Novo”, porque a personalidade de Tenreiro acompanha todo o período do salazarismo, “criando ou aproveitando os rituais do regime, tornando-se um guardião ou mesmo um pilar do regime”. Referindo-se às suas estreitas ligações com o Almirante Américo Tomás que lhe valeram para o resguardar de situações mais complicadas no interior da chamada”situação”, em particular na fase final do regime.

Joaquim Feio relatou mesmo situações, de que teve conhecimento, em que Henrique Tenreiro exercia um apertado controlo sobre os capitães e armadores dos bacalhoeiros. Tenreiro, era na opinião de Joaquim Feio, uma figura que entre os armadores “suscitava temor, aprovação e desaprovação”. Porque, aproveitando o corporativismo económico salazarista, surgido como uma terceira via entre o capitalismo e a economia planificada, “construiu no sector das pescas um enorme poder fáctico” tecendo uma complexa e estruturada pirâmide de organizações que lhe permitiram uma posição de destaque na orgânica do Estado Novo. Com a revolução de Abril de 1974, Tenreiro que devia ter sido julgado, acaba por conseguir partir para o Brasil, onde viveu o resto dos seus dias, considerando Joaquim Feio que a parte final da biografia “constitui um excelente material de reflexão sobre o quando tudo acaba enquanto poder”.

Tomou por fim a palavra o Doutor Álvaro Garrido que agradeceu aos membros da mesa, aos familiares e amigos presentes. Assumindo, logo de início que não se referiria à obra em si, explicou os escolhos e problemas que se levantam a quem se propõe escrever biografias políticas que considerou ser mais um género literário que historiográfico. Considerou importante o papel das biografias, porém também reconheceu que a valia de algumas das que recentemente têm sido publicadas podem ser discutíveis.

Referiu que começou a interessar-se pelo tema da pesca do bacalhau a pedido do Professor Romero de Magalhães. Este, juntamente com o Professor Reis Torgal ,desempenharam um importante papel na sua formação de historiador, aproveitando para agradecer a ambos, porque estavam presentes na sala e mais uma vez o acompanhavam na apresentação pública de um novo trabalho.

Para finalizar e aproveitando já alguns ecos recebidos sobre a obra solicitou à editora que numa segunda edição se conseguisse a integração de um índice onomástico que seria muito útil a quem deseje consultar a obra. Já agora, se nos é permitido, partilhamos em absoluto dessa opinião, pois para mais fácil pesquisa das pessoas que são referidas tornava-se fundamental um instrumento desse género, por outro lado permitiria também estabelecer a teia de relações pessoais que se conhecem de Henrique Tenreiro, a importância que as mesmas tinham e abrir caminhos a novas pesquisas no campo das influências sociais e políticas.

Foi um fim de tarde passado no Museu Marítimo de Ílhavo visitando um espaço que já não visitávamos havia algum tempo, onde é possível agora visitar a exposição temporária intitulada "Frota de Paz nos Mares em Guerra" que merece a pena ser visitada pelos nossos ledores.

A.A.B.M.

quinta-feira, 14 de maio de 2009


FICHA DE PESCADOR DO BACALHAU

Ficha do pescador Remígio Andrade Bilhau, da freguesia de Lavos, concelho da Figueira da Foz, via Museu Marítimo de Ílhavo.

clicar na foto, para aumentar.

J.M.M.

HOMENAGEM AOS BACALHOEIROS – EXPOSIÇÃO

"Em Lavos existiram centenas de bacalhoeiros e a junta de freguesia entendeu que era da mais elementar justiça prestar uma homenagem a esses destemidos homens do mar que, decididamente, deram uma contribuição para aguentar a nossa economia" [Isabel Oliveira]

Decorre neste mês de Maio e prolonga-se até Junho uma EXPOSIÇÃO, na Junta de Freguesia de Lavos, em homenagem aos "Homens Bacalhoeiros", espaço de memória dos lavoenses que andaram na "faina" do bacalhau. Com um conjunto de eventos diversificado – exposição de fotografias de bacalhoeiros e de bacalhoeiros lavoenses (inaugurada no dia 10 de Maio e com o apoio do Museu Marítimo de Ílhavo), um curioso encontro de "Homens Bacalhoeiros” (17 a 24 de Maio), palestra sobre a "Odisseia da Pesca do Bacalhau" (no dia 31 de Maio, dia Nacional do pescador, a cargo de Miguel Viqueira), inauguração do monumento aos "Homens Bacalhoeiros Lavoenses" (autoria de António Nogueira) e uma visita ao magnífico Museu Marítimo de Ílhavo –, a homenagem a esses rostos, práticas e lutas na/da arte do arrasto é de grande merecimento.

Uma palavra para o Museu Marítimo de Ílhavo (e em especial para o seu director, Álvaro Garrido) que tem feito um trabalho notável para honrar essa memória de antanho.

Sobre o assunto, consultar:

- fichas de pescadores, na base de dados do Museu Marítimo de Ílhavo;
- o estimado trabalho, publicado online, de Álvaro Garrido, Os bacalhoeiros em revolta: a «greve» de 1937.

J.M.M.