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quarta-feira, 17 de junho de 2020

ANTÓNIO NUNES DE CARVALHO (1786-1867) – NOTA BREVE

 
Ao August Seichas, porque sim.

Em 16 Junho de 1786, nasceu em Viseu, António Nunes de Carvalho, aliás, António Nunes de Carvalho da Costa Monteiro de Mesquita. Era filho de Inácio Nunes de Carvalho e de Maria Angélica da Costa. Frequentou os Oratorianos de Filipe de Nery e, em 1804, é nomeado professor substituto da cadeira de latim na cidade.
Pouco depois, pelo honroso convite de Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas, lecionou (1806) Humanidades em Évora, revelando-se um dos mais “doutos e esclarecidos espíritos” desse tempo; em 1808 teve de fugir da cidade, por causa das invasões francesas, salvando a vida do seu protetor Frei Manuel do Cenáculo (incorrendo nos ódios da população), que anos depois, em agradecimento, lhe oferece a maior parte da sua valiosa biblioteca

[Sobre António Nunes de Carvalho consulte-se, com proveito: Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno, 1886, vol. 12, p. 1806 e ss; Dicionário Popular de Manuel Pinheiro Chagas (Suplemento), 1886, Vol 15, p. 159; José Maria de Abreu, Breves Apontamentos …, in O Conimbricense, 1867, nº 2077, 2080/81; Silvestre Pinheiro, Historia dos Estabelecimento …, vol. XVI, pp. 220-222 (acrescentos ao verbete d’O Conimbricense); José Júlio César, Doutor Nunes de Carvalho, in revista Beira Alta, Ano V, ano I a III; Rute Massano Rodrigues, Pitoresco e Romântico: premissas para a conservação do sítio da Arrábida, segundo o doutor António Nunes de Carvalho …, in Artison, 2015, nº1, pp. 223-230].
Em 1813, António Nunes de Carvalho, é nomeado professor interino de Lógica no Real Colégio das Artes de Coimbra e, em 1817, provido definitivamente; matriculando-se na Universidade, conclui a formatura em Cânones (1820) e em Leis (1821), recebendo o grau de doutor em Leis, em 1822, sendo nomeado, por Francisco de S. Luís (futuro Cardeal Saraiva), professor efetivo. Presume-se que tivesse sido iniciado na maçonaria, numa oficina em Coimbra [cf. A. H. de Oliveira Marques, História da Maçonaria em Portugal], que curiosamente reunia (1823) na sua própria habitação (aponta-se a loja como sendo aquela estabelecida na "Rua do Norte", pertencendo as casas à Imprensa da Universidade; a loja seria constituída por muitos lentes e doutores).

A sua adesão à causa liberal levou a que fosse incluído na lista de proscritos, feita pela junta expurgatória de Coimbra, mas a ténue tolerância após a Abrilada evitou a sua (e de outros) expulsão do ensino. A mesma perseguição se passou com vários lentes, estudantes e outros opositores ao absolutismo. Na devassa então feita a António Nunes de Carvalho, refira-se que no dia 7 de Agosto de 1828, os elementos miguelistas “procederam a uma exame nos livros que ele havia deixado”, tomando-se nota dos “trechos considerados impios à doutrina miguelista (Pinho Leal, ibidem). Mais ainda: transcreveram-se cartas dele para Frei Francisco de S. Luís onde estava presente as suas ideias liberais e renovaram a “velha acusação que lhe faziam de pedreiro livre, e de ter em sua casa a loja maçónica dos jardineiros, o que não foi confirmado pelas minuciosas pesquisas nela feita em 1823” (Pinho Leal, ibidem, p. 1809)

António Nunes de Carvalho era um liberal esclarecido e, em 24 de Junho de 1828, no decorrer da sua participação nas lutas liberais, depois do combate perdido em Cruz de Morouços (Antanhol), pelos partidários de D. Pedro, sob comando do general Francisco Saraiva Refoios, deixou Coimbra, “a pé e doente”, acompanhando a tropa liberal a caminho do Porto. Por pouco tempo, dado que o antigo apoiante da revolução de 24 de Agosto de 1820 e ex-deputado constituinte, agora assumido miguelista, o general Póvoas, entra com as suas forças militares na cidade e instala o governo de D. Miguel em todo o país.
Pronunciado por rebelião (o seu nome consta da Lista de Ausentes que foram citados por Cartas de Editos da Alçada a 11 de Julho de 1829) teve que se homiziar, em 1828, partindo para a Galiza e depois seguindo para Inglaterra e, mais tarde, reside em França.

Em Inglaterra tinha residido já o seu irmão, José Nunes de Carvalho, que foi oficial da embaixada portuguesa e cujo lugar, curiosamente foi recomendado ao então conde (depois Duque) de Palmela por José Liberato Freire de Carvalho. José Nunes de Carvalho foi, também um letrado notável e, ao que nos diz Inocêncio F. da Silva (Dicionário Bibliográfico), teve parte ativa na impressão das Odes de António Dinis (Londres, 1820), na Nova Edição da Carta de Guia de Casados (Londres, 1820) e, talvez, na edição de Londres da obra anónima “Arte de Furtar”. No verbete citado de Inocêncio surge-nos José Nunes de Carvalho como “partidário apaixonado do governo do infante D. Miguel” (sem que o sábio bibliógrafo cite a fonte a que recorreu), o que não sendo de todo impossível, nos parece questionável pela documentação oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, principalmente um oficio, datado de Maio de 1834, assinado por Agostinho José Freire onde é possível verificar que José Nunes de Carvalho continuava a trabalhar como oficial da secretaria de Estado, o que nos tempos difíceis que se seguiram à guerra civil, com os ressabiamentos existentes, não seria muito credível.    

Ainda em Londres, António Nunes de Carvalho passa a maior parte do seu tempo no Museu Britânico, recolhendo elementos e trabalhando em estudos sobre Portugal. Não por acaso encontra um inédito do Roteiro de D. João de Castro que sai, posteriormente, precedido de uma introdução e notas, em 1833, em Paris, com o título

Roteiro em que se contem a Viagem que fizeram os portuguezes em 1541: partindo da nobre cidade de Goa até Soez, que he no fim, e stremidade do mar Roxo … pelo doutor Antonio Nunes de Carvalho da cidade de Vizeu; À custa de huma sociedade de Portuguezes”, Officina Typographica de Casimir (rue de la Vieille-Monnaie, n0 12), Paris, 1833, L-334-I pags
Contou a obra, que é dedicada ao “honrado Amigo e Benfeitor na Adversidade” senhor Adrião Ribeiro Neves

[1783-1858; importante negociante, assumido liberal, grande admirador de Manuel Fernandes Tomás, membro da Sociedade Literária e Patriótica de Lisboa; tem o seu retrato (1825), feito por Domingos Sequeira, no Ashmolean Museum of Art and Archaeology, de Oxford, curiosamente fundado por Elias Ashmole, no século XVII],

com o auxílio pecuniário de outros portugueses exilados, cujos nomes vêm no final do prefácio, a saber: Marquesa de Nisa, de Palmela, Condessa de Vila Real, D. Leonor da Câmara, D. Ermelindo Monteiro de Almeida, o Marquês do Lavradio, Marquês de Nisa, Conde do Funchal, Conde de Sampaio, D. Francisco de Almeida Portugal, D. Luís da Câmara, Domingos de Saldanha de Oliveira e Daun, José Joaquim da Gama Machado, Nuno Barbosa de Figueiredo, Bernardo Daupias, Adrião Ribeiro Neves, Anselmo José Braamcamp, Custódio Pereira de Carvalho, Domingos de Oliveira Maia, Henrique de Sampaio Osborne, João Ferreira Pinto, Joaquim José de Azevedo, Manuel Inácio da Silveira, Manuel Joaquim Soares e Teodoro Ferreira Pinto Basto.

De Londres partiu para o exílio em França, onde ensina literatura à filha de D. Pedro IV, a futura rainha D. Maria II. No final da guerra civil, regressa a Portugal e a Coimbra, onde lecciona, sendo ao mesmo tempo deputado da Real Junta da Directoria Geral dos Estudos. Em 1835 é nomeado Bibliotecário-Mor da Casa Real. Passos Manuel, em 1836, homenageando o erudito liberal e bibliófilo, fê-lo 41.º Guarda-Mor do Real Arquivo da Torre do Tombo, lugar deixado vago pelo ilustre e erudito Frei Francisco de S. Luís, acumulando a função com o da Comissão de Depósito das Livrarias dos Conventos (cf. José Júlio César, ibidem). António Nunes de Carvalho era de grande erudição (mesmo que tenha sido uma figura excêntrica), versado em diferentes ciências, em linguística e foi “talvez o 1º bibliógrafo que teve Portugal no seu tempo” (cf. Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno, vol. 12, p. 1806)

Anos depois regressa ao ensino e à Universidade de Coimbra, tendo-se jubilado a 25 de Abril de 1861. Em 28 de Setembro de 1864, por escritura pública, doou a sua erudita, copiosa (perto de 9 mil obras) e muito valiosa biblioteca à cidade de Viseu, sua terra natal, em testemunho do seu afecto e amor. Foi comendador da Ordem de Cristo e Cavaleiro da Nossa Senhora da Conceição.
Faleceu, em Coimbra, em 5 de Junho de 1867, estando sepultado no cemitério público local, em mausoléu que lhe foi erigido pelo seu dedicado criado e amigo José Maria Lila que para isso sacrificou todos os seus haveres.

J.M.M.

sábado, 20 de outubro de 2018

O CAVALEIRO DE OLIVEIRA, ALIÁS, FRANCISCO XAVIER DE OLIVEIRA – NOTA BREVE



A 18 de Outubro de 1783 morre, em Hackey (Inglaterra) o Cavaleiro de Oliveira, aliás, Francisco Xavier de Oliveira.
O mundo é a pátria natural, universal de todos os homens” [Cavaleiro de Oliveira, in Carta à Condessa de Roccaberti]
O Cavaleiro de Oliveira nasceu em Lisboa a 21 de Maio de 1702. Era filho do “Contador de Contos do Reino e Casa”, José de Oliveira e Sousa, e de Isabel da Silva Neves [cf. Dicionário de Inocêncio, tomo III; ver, ainda, Portugal, Diccionario  Histórico, …, de Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, 1911, vol. V; Álvaro Manuel Machado, “Dicionário de Literatura Portuguesa"; Aquilino Ribeiro, “O Cavaleiro de Oliveira”; Gonçalves Rodrigues, “O Protestante Lusitano”, 1950], tendo por isso tido educação esmerada [sob os auspícios do padre Lourenço Pinto]. Apenas com 14 anos foi nomeado oficial do Tribunal dos Contos do Reino, cargo que manteve durante longo tempo, o que curiosamente lhe permitiu uma vasta informação acerca dos “homens, das cousas e dos costumes”, servindo-lhe para publicar, mais tarde, as suas memórias, com curiosas observações, quase sempre satirizantes.

Francisco Xavier de Oliveira era visto como um sujeito “pouco ortodoxo”, “um maldito de Deus”, um “protestante” ou mesmo um “ateu”, assunto que evitava de todo debater, mas que o colocava debaixo do exame atento da Inquisição, tendo escapado às suas mãos graças aos (poderosos) amigos que tinha [principalmente o embaixador D. Luís da Cunha, Sebastião José de Carvalho e Melo, Diogo Barbosa Machado, algumas importantes personalidades francesas e inglesas, ou até mesmo o livreiro português Francisco da Silva Sul, fora as inúmeras mulheres com quem “inscreveu a arte de amar”, como, entre elas, a princesa de Valáquia, Maria Elizabeta]. Tal espírito “irreligioso” era o traço de um libérrimo pensador (por mais maquiavélico que tenha sido), um cosmopolita irrequieto, a que se associava um varonil espirito de bon-vivant, um dom juan de “vida solta” (e em constantes “rixas”), “aristocrata libertino” de fina inteligência, graça e humor. Em 1729 é feito Cavaleiro da Ordem de Cristo, tendo por isso assinado muita da sua obra francesa com o nome de “Chevalier d’Oliveira”.

Na morte de seu pai (1733), na altura secretário do Conde de Tarouca, e ministro em Viena, tomou o seu lugar, tendo saído, com esse fim a 19 de Abril de 1734, em direção à Alemanha, nunca mais tendo regressado a Portugal. Teve seis anos a [tentar] exercer a função de secretário da embaixada portuguesa [nunca foi empossado do cargo, por razões nunca expostas, tendo por isso reclamado energicamente, como consta num curioso processo e que aqui não cumpre desenvolver], mas, entre outras mais razões, as desavenças pessoais com o Conde de Tarouca fê-lo abandonar o lugar em 1740, refugiando-se na Holanda. Sem recursos monetários, ali passou duras “privações”, tendo recorrido à escrita para o necessário sustento [embora as despesas de impressão dos seus escritos o tenha arruinado], auxiliado por “patrícios” e “judeus portugueses”. Publica, então:
 
Memórias das viagens de Francisco Xavier de Oliveira” (1741 – apenas o tomo I, nunca tendo saído a prelo os restantes volumes, no total de VI); “Cartas familiares históricas, politicas e criticas, discursos sérios e jocosos” (1741-1742, III tomos – foram reimpressas em Lisboa, em 1855; foi obra importante e da maior referência, passe o seu rebuscado mundanismo – ver sobre o assunto Jacinto de Prado Coelho); “Carta ao sr. Isaac de Sousa Brito, …” (1741); “Mille et une observations (ou reflexions) sur divers sujets de morale, de politique, d´histoire et de critique" (1741, II tomos); “Mémoires de Portugal avec la Biblioteque Lusitane” (1741, II tomos – os III e IV ficaram manuscritos); “Reponse à la lettre de mr. C.D.M.M." (1741; folheto que não se conhece qualquer exemplar); “Memoires historiques, politiques, concernat le Portugal” (1743); “Viagem à ilha do amor, escripta a Philandro” (1744; reed. em 1790, Lisboa; é comum aceitar que esta obra é uma tradução livre de uma outra saída anónima, em 1664, mas atribuída ao abade Paul Tallemant, dito o Jovem).
Em 1744, fixa residência em Inglaterra. Data de 1746 (?) a sua “abjuração” ao catolicismo e ligação ao protestantismo luterano, com o casamento (o terceiro) com a inglesa, de ascendência inglesa e huguenote, Françoise Hamon. Porém a vida de exilado não lhe corria de feição, os protectores que tinha abandonam-no, e as inúmeras dividas contraídas levam-no à prisão (21 meses e dez dias), tendo sido amnistiado pelo Acto de Insolvência, em 1748, e libertado.

Publica (1751), em Londres, o muito curioso “Amusement Périodique” (Recreação Periódica, título em português, publicado por Aquilino Ribeiro, em 1922, II vols), saído em fascículos mensais nas Oeuvres Mêlées, “publicação de circunstância" [Aquilino Ribeiro] um conjunto de traços anedóticos sobre a corte portuguesa de D. João V, “armazém de curiosidades e uma obra memorialista importante sobre a sociedade portuguesa e europeia do século XVIII. Não deixa de ser curioso que Francisco Xavier de Oliveira nos diga que tinha em Portugal quatro assinantes, sendo um deles o não menos célebre Jacome Ratton, sendo os outros o dr. Castro Sarmento, o sr. Rabelo de Mendonça e o sr. Abraham Vianna.
 
Esta invulgar e raríssima obra memorialista do Cavaleiro de Oliveira teve a atenção dos bibliófilos, com trabalhos avulsos de Cunha Rivaro [bibliotecário eborense], do dr. Joaquim de Carvalho, de António Francisco Barata (ver Arquivo Histórico Português, vol. I, nº11, Novembro de 1903 e vol. II, 1904], exerceu muito interesse em Camilo Castelo Branco [ver, p. expl. “O Judeu”, “Noites de Insónia”; “A Caveira da Mártir” ou “O perfil do Marquês de Pombal”; o próprio Camilo pretendia biografar o Cavaleiro de Oliveira, mas jamais veio a lume tal pretensão; sobre do que Camilo se “serviu” de Oliveira, consultar a Carta de Camilo a Joaquim de Araújo, 17 de Junho de 1884, in "Cartas de Camilo", por Cardoso Marta, 1918], como anos depois em Joaquim de Araújo [possuidor da raríssima Oeuvres Mêlées, adquirida no leilão da livraria que foi do bibliófilo figueirense Aníbal Fernandes Tomás; Araújo imprimiu numa raríssima edição de apenas 36 exemplares, o “Discours Pathétique do Cavaleiro de Oliveira”, em 1893: do mesmo modo publicou um opúsculo do pai do Cavaleiro de Oliveira, José de Oliveira e Sousa, “No casamento de D. João V”, 1902], Aquilino Ribeiro [veja-se “O Galante Século XVIII”, “Abóboras no Telhado”], observando-se mesmo uma curiosa polémica entre Aquilino Ribeiro e Gonçalves Rodrigues (autor de “O Protestante Lusitano", estudo biográfico e critico sobre o Cavaleiro de Oliveira”, 1950; à polémica suscitada por Aquilino Ribeiro, publicou Rodrigues, “O Cavaleiro de Oliveira, o senhor Aquilino Ribeiro e eu”, 1956).

Depois publica o famoso opúsculo “Discours pathétique au sujet des calamités présentes, arrivés en Portugal. Adressé a mes compatriotes et en particulier a Sa Magesté Três-Fidéle Joseph I. Roi de Portugal”, Londres, 1756 [saíram, posteriormente várias edições: uma em 1757, a que junta um "Extrait d'une lettre de Lisbonne", edição raríssima; a edição de Londres de 1762, também raríssima; outra, muito limitada (36 expls) e muito rara, saída em 1893, sob edição do bibliófilo Joaquim de Araújo, na tipografia Ocidental do Porto; e a rara reimpressão preparada por Joaquim de Carvalho, em 1922, pela Imprensa da Universidade]. Na mesma altura, o Cavaleiro de Oliveira faz sair uma edição em inglês (“A Pathetic Discourse on the present calamities of Portugal, …”) e uma impressão em português, com o título “Discursos patheticos a respeito das calamidades presentes sucedidas em Portugal, dirigidos aos seus compatriotas, e em particular a S.M.F.” (foi reeditado, em 2004, uma nova edição pela Frenesi, de Paulo da Costa Domingos, com 284 pags). A obra inicial teve imediata proibição de leitura e circulação pelo Santo Ofício [por denúncia do dr. Joaquim Pereira da Silva Leal, membro da Academia Real da História], abriu corpo de delito e o seu autor, dito herege, revel e relaxado, foi “condenado a ser queimado em estátua [queima da sua efígie], visto que a sua estada em Londres impedia os inquisidores de terem o gosto de o queimar em carne, como fizeram ao padre Gabriel Malagrida, que padeceu a horrível morte pela fogueira, no mesmo auto da fé de 20 de Setembro de 1761, em que saiu a publico a imagem do cavalheiro de Oliveira para ser devorado também pelas chamas” [ver Esteves Pereira, ibidem]. De imediato (1762), Francisco Xavier de Oliveira, além de reimprimir a obra na sua versão francesa, responde [em francês e português] com o opúsculo “O Cavalheiro de Oliveira, queimado em estatua por herege. Como e porque? Anedotas e reflexões sobre este assumpto, dadas ao publico por elle próprio”.
 
Refira-se que, mesmo considerado herege, relaxado e “ter sido queimado em estatua”, tal não impediu de ter sido encarregado (possivelmente !?) pelo Marquês de Pombal [diga-se que Pombal não o tinha em boa simpatia; porém veja-se o “Elogio historico do Marquês de Pombal”, sob a pena de Cavaleiro de Oliveira, na Revista Litterraia do Porto, nº 67] de escrever uma obra contra “os abusos da curia romana”, pelo que o Cavaleiro de Oliveira deu á estampa (1767) a luminosa [tomada aqui não no sentido iluminista, que, de facto, Cavaleiro de Oliveira  nunca foi, mas sim como cuidada reflexão e livre-exame em matéria de religião]  Reflexões de Felix Vieyra Corvina dos Arcos, …” (que é o anagrama dele próprio), obra publicada em Londres, na Oficina de Jacob Lister, em 1762. Nesta obra está presente uma forte critica à Inquisição e a práticas da Igreja [de notar que só em 1942 é publicado os “Opúsculos Contra o Santo Ofício”] e em defesa da liberdade de consciência. Como curiosidade, é registado (via Barbosa Machado, in Biblioteca Lusitana) ter existido um conjunto de obras manuscritas do Cavaleiro de Oliveira, sendo que algumas delas (bem como parte da sua livraria) ficaram na posse do liberal Duarte Lessa, exilado em Inglaterra nos tempos do infausto governo miguelista, e que pela sua morte se lhes perdeu o rasto. Dessa colecção manuscrita, é refrido o “Tratado do Princípio, Progresso, Duraçam, e Ruína do Reinado do Anti-Christo” e é aceite a obra com o título “Oliveyriana”, não citada por Barbosa Machado, mas que Inocêncio Francisco da Silva (ver Dicionário) diz possuir e dele dando breve anotação.    

Morre Francisco Xavier de Oliveira, o Cavaleiro de Oliveira, a 18 de Outubro de 1783, em Hackey (Inglaterra).

J.M.M.

domingo, 18 de janeiro de 2015

O RATO DE BIBLIOTECA - POR MANUEL MENDES

 
 
MANUEL MENDES, “O Rato de Biblioteca”, in Diário de Lisboa, 8 de Março de 1965

FOTO via Casa Comum, com a devida vénia

J.M.M.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

LEILÃO DA BIBLIOTECA DO CORONEL JOSÉ PINTO FERREIRA (6ª PARTE)



DIAS: 19/20/21 de Janeiro 2015 (21 horas);
LOCAL: Palácio da Independência (Largo de S. Domingos, 11 – ao Rossio), Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: José Vicente, Leilões


Nos próximos dias 19 a 21 de Janeiro haverá lugar ao curioso e valioso Leilão (6ª parte) da Biblioteca do Coronel José Pinto Ferreira, elaborado com a competência de José Vicente, estimado alfarrabista da livraria Olisipo, que reúne, nesta sua 6ª parte, um conjunto de peças raras sobre a Restauração, uma Camoneana e Camiliana curiosa, combinada com valiosas monografias, a que se junta obras invulgares sobre Constitucionalismo, História e Guerra Peninsular, volumes de Literatura, uma Brasiliana, colecções de desenhos e gravuras. Está o seu Catálogo online para essa “viagem de espírito” que é sempre o do amador de livros e nossa glória.

[ALGUMAS REFERÊNCIAS NOSSAS]: Catalogo Alfabetico das Obras Impressas de José Agostinho de Macedo (1849) / Album das Glorias …, 1880-1902, 37 numrs / Estudos de História, de Luís de Albuquerque, VI vols / Discurso Breve sobre o Estado da Administracao da Fazenda Publica …, por Antonio Jose Pedroso de Almeida, 1822 / Introducao a Convocação das Cortes …, por Francisco José de Almeida, Outubro de 1820 / Artes e Letras, Lisboa, 1872-75, IV vols / Notas e Documentos Ineditos para a Biographia de João Pinto Ribeiro, pelo Visconde de Baena, 1882 / Penafiel. Hontem e Hoje …, por Coriolano de Freitas Beça, 1896 / Bibliografia Geral Portugueza …, 1941, III vols / Anacephaleoses da Monarquia Luzitana, por Manuel Bocarro, 1809 [rara obra do médico, astrólogo e sebastianista Manuel Bocarro) / uma extensa, interessante e estimada Camoneana [registe-se o “The Lusiad or The Discovery of India na Epic Poem …, Oxford, 1776; Os Lusiadas, 3ª ed., 1779-80, III vols; Homenagem a Camões …, 1883] / a rara Carta ao Mui Reverendo padre José Agostinho de Macedo (de interesse maçónico), 1822, nº1 a nº3 (completo) / um conjunto de peças Camilianas / obras de Ferreira de Castro / o bem curioso Catalogo da Valiosa e Estimada Livraria do bem conhecido e afamado bibliophilo Agostinho Vito Pereira Merello (com invulgar pref. de Teófio Braga), 1898 / a estimada e completa Colecção Patrícia, 52 numrs / Constituiçoens Synodaes do Arcebispado de Braga, 1697 (2ª ed.) / rara peça de José Daniel Rodrigues da Costa, Comboy de Mentiras, Vindo do Reino petista com a fragata verdade encoberta por capitania, 1801, 24 numrs / Decadas da Asia …, por Diogo do Couto, 1736, III vols / A Biblia dos Bibliophilos …, por Xavier da Cunha, 1911 / raro livro de Tomás da Fonseca, Sermões da Montanha, 1909 / Brasões da sala de Sintra, de Anselmo Braamcamp Freire, 1921-30 82ª ed.) / lote valioso sobre a Guerra Peninsular / obras de Alberto Pimentel, Agustina Bessa-Luís, Alexandre Herculano, Almada Negreiros, Antero de Quental, Antero de Quental, Carolina Michaelis de Vasconcelos, Damião Peres, Eça de Queiroz, Emanuel Ribeiro, Garcia da Orta, Guerra Junqueiro, Joaquim Leitão, José Régio, Maurício de Oliveira, Miguel Torga, Nuno Alvares Pereira Pato Moniz, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Ruy de Pina, Sousa Viterbo / conjunto notável de peças raras de José Agostinho de Macedo [registe-se o Epidecio na Morte de Manoel Maria Barbosa Du Bocage; o curioso Exorcismos contra periódicos e outros malefícios …; o raro Manifesto do Grande Oriente Lusitano Contra a Loja Regeneração (de evidente interesse maçónico); o tb raro opúsculo Refutação do Monstruoso e Revolucionario Escripto Impresso em Londres Intitulado Quem He Legitimo Rei de Portugal; a Refutação methodica das Chamadas Bazes da Constituição Politica da Monarquia Portugueza; o invulgar Sandoval Nu, e Cru; a já rara (qd completa) Tripa Virada (III numrs) / Lote de Manuscritos

CATÁLOGO ONLINE AQUI

J.M.M.         

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

VERITAS - LEILÃO DE LIVROS, MANUSCRITOS E FOTOGRAFIAS


DIA: 18 de Dezembro 2014 (21 horas);
LOCAL: Av. Elias Garcia, 157 A/B, Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: Veritas Art Auctioneers

CATÁLOGO ONLINE – AQUI  

No próximo dia 18 de Dezembro há lugar ao interessante Leilão de Livros, Manuscritos e Fotografias, estimado conjunto de obras antigas, raras e valiosas que diz respeito a assuntos literários, históricos, científicos ou artísticos, e que vão a prego pela Leiloeira Veritas Art Auctioneers. O Catálogo – decerto sobre o judicioso e competente parecer do livreiro Luís Gomes (Artes & Letras) - é belo, profusamente ilustrado e de interesse bibliográfico. Está online para glória do amador de livros & outros distintos bibliófilos.

[ALGUMAS REFERÊNCIAS NOSSAS]: Almanach dos Caçadores (Zacarias d’Aça) / [Alcorão manuscrito Mughal Iluminado (sec. XVII/XVIII) / Almanaques [conjunto curioso] / Memoria sobre os Chafarizes, Bicas, fontes, … (José Sérgio Velloso de Andrade) / Luz da Liberal e Nobre Arte da Cavalaria, …, 1790 [estimada e valiosa obra de Manuel Carlos Andrade) / Manual de confessores & peninentes, …, 1552 (rara ed. de Martin Azpilcueta) / La chiere nuictee d’amour, …, de Balzac / Aguarelas do Comandante Pinto Basto … / Vocabulario portuguez e latino, …, de Bluteau / Ode a Charles Fourier (1947), de André Breton / MANUSCRITOS de interesse genealógico / Lote de obras de Camilo Castelo-Branco / Oaristos (1890), de Eugénio de Castro / Diario ecclesiastico, histórico, e astronómico para o reyno de Portugal, …, anno de 1744 / Historia e Genealogia (1923-26), por Afonso Dornellas / Poemas Lusitanos (2º ed.), de António Ferreira / interessante e valioso conjunto de Fotografias / A Arte e a Natureza em Portugal (1902-08), por Emilio Biel / Lote de (8) obras de Henrique Galvão / Folhas Cahidas (1853), de Garrett / Gazeta de Lisboa (1788-1797) / Critik der Urtheilskraft (1790), de Immanuel Kant / Portugal Antigo e Moderno, de Pinho Leal / Ortigões (1876-77), de Urbano Loureiro / (4) invulgares Aventais Maçónicos do sec. XIX, do REAA (emoldurados) / Le Capital (1ª ed. francesa, 1875), de Karl Marx / Les Essais de Michel, Seigner de Montaigne (1659, III vols) / Obras autografadas (e ms) de Vitorino Nemésio [conjunto muito raro e valioso] / Obras de António de Vasconcelos, Bernardim Ribeiro, Camilo Pessanha, Garcia de Resende, João do Rio, José Leite de Vasconcelos, José Queiroz, Manuel Teixeira-Gomes, Reinaldo dos Santos, Sousa Viterbo, Vítor Pavão dos Santos, Wenceslau de Moraes.

J.M.M.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

HOMENAGEM A RAÚL RÊGO: CONFERÊNCIAS/EXPOSIÇÕES NO CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO

 

HOMENAGEM A RAÚL RÊGO no Centenário do seu Nascimento
 
"Raul d’Assunção Pimenta Rêgo (Morais, Macedo de Cavaleiros, 15.04.1913 - Lisboa, 1.02.2002). Formado em Teologia (1936), mas nunca ordenado padre, afastou-se cedo da Igreja. Começou a sua actividade como professor - profissão que teve de abandonar por pressão do Governo – enveredou pelo jornalismo: Seara Nova (1937), Agência Noticiosa Reuters (Portugal), Jornal do Comércio (1942-1971) e Diário de Lisboa (1959-1971). Uma nova fase da sua vida de jornalista começou no jornal República, em 1971, quando integrou a direcção deste vespertino lisboeta (um dos principais jornais defensores dos direitos cívicos e democráticos durante o Estado Novo) que acaba, em 1975, devorado pela própria Revolução, por não querer abdicar dos seus princípios. Raul Rêgo passa a dirigir A Luta, jornal criado em 1975, tendo por base os mesmos valores.
 
Desde sempre democrático e republicano, a sua presença foi uma constante nas principais manifestações cívicas e anti opressão, tendo conhecido a cadeia por mais de uma vez. Ajudou a fundar o Partido Socialista, em 1973. Foi deputado, ministro e presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, depois da Revolução de Abril (1974). Entrou para a Maçonaria, quando esta organização se encontrava em clandestinidade (1971), sendo Soberano Grande Comendador (1984-1988) e Grão-Mestre (1988-1990), no Grande Oriente Lusitano.
 
Conciliou a sua vida de jornalista e de político com a de homem da cultura, como escritor e como historiador. Como Humanista que era, tinha como exemplo Erasmo e como paixão os livros – que coleccionava e estudava, sendo um dos principais bibliófilos portugueses.
 
No mínimo que fazia, colocava sempre e sempre os valores da dignidade humana acima dos seus interesses. Tome-se, apenas como exemplo: a denúncia dos actos da Inquisição aproveitando, assim, para denunciar os procedimentos da polícia política. Entre as muitas obras que escreveu destaquem-se três, como exemplos das suas preocupações e interesses: História da República, Lisboa, 1986; O último regimento da inquisição portuguesa, Lisboa, 1971; O processo de Damião de Goes na Inquisição, (2.ª ed, Lisboa, 2007)" [João Alves Dias - ler MAIS AQUI]

CONFERÊNCIAS/EXPOSIÇÕES:

DIA: 15 de Abril de 2013 (18 horas);
CONFERÊNCIA/MOSTRA: “Raúl Rêgo Bibliófilo” [com emissão do “Selo do Centenário de Nascimento”;
LOCAL: Biblioteca Nacional de Lisboa.

DIA: 16 de Abril de 2013 (18 horas);
CONFERÊNCIA/EXPOSIÇÃO: “Raúl Rêgo – Pena de Ouro, Jornalista da Liberdade”;
LOCAL: Biblioteca Museu República e Resistência.

DIA: 7 de Maio a 29 de Junho de 2013;
MOSTRA BIBLIOGRÁFICA: “Raúl Rêgo Jornalista”;
LOCAL: Hemeroteca Municipal de Lisboa.

DIA: 23 de Maio de 2013 (18 horas);                                                
CONFERÊNCIA: “O 'caso República' na 'imprensa de direita'. Uma aproximação histórica ao problema a partir do semanário Tempo (1975)";                       
LOCAL: Hemeroteca Municipal de Lisboa.

DIA: 24 de Junho de 2013 (18 horas);
CONFERÊNCIA /EXPOSIÇÃO: “Raúl Rêgo – Maçon e Grão-Mestre do GOL”;
LOCAL: Museu Maçónico Português.

DIA: 5 de Outubro de 2013 (18 horas);
CONFERÊNCIA /EXPOSIÇÃO: “Raúl Rêgo – Percurso, Vida e Obra”;
LOCAL: …a definir.

J.M.M.

domingo, 21 de outubro de 2012

LEILÃO DE LIVROS DE JOSÉ F. VICENTE

A partir de amanhã e até quarta-feira, entre 22 e 24 de Outubrode 2012, a firma José F. Vicente Leilões, vai levar a efeito um IMPORTANTE LEILÃO DE LIVROS, MANUSCRITOS, FOTOGRAFIA, GRAVURA, DESENHO E PINTURA. Este leilão vai realizar-se no Palácio da Independência, no Largo de São Domingos, em Lisboa, a partir das 21horas e apresenta um conjunto de 1440 lotes.

Apesar dos tempos não serem muito favoráveis para estes eventos, os apaixonados pelos livros, gravuras e fotografias muitas vezes não conseguem resistir a algumas peças que são apresentadas. Entre muitas peças de merecimento salientamos um conjunto de fotografias e gravuras, em particular sobre assuntos africanos, uma camiliana apreciável e um conjunto de revistas e jornais do século XIX e XX pouco vulgar e certamente procuradas por muitos apreciadores. Realizamos uma análise ao catálogo e seleccionamos algumas espécies que sugerimos aos nossos ledores que a seguir apresentamos:

022 ALMEIDA, António José de. - EM HONRA DOS SOLDADOS DESCONHECIDOS. Discursos. Na sala e no átrio do Palácio do Congresso, em 7 de Abril de 1921. Lisboa. Imprensa Nacional. 1921. In-4º de 27 págs. Enc.
Pouco vulgar. Encadernação modesta.

071 ARQUIVO NACIONAL. Director: Rocha Martins. Editor: Américo de Oliveira. Ano I - Nº 1. Lisboa. 15 de Janeiro de 1932 (ao Ano XI - Nº 522. 7 de Janeiro de 1942). 522 Números. In--Fólio. Encs. em 11 Vols. Colecção completa. Repositório da vida nacional, relatando tudo o que de importante se passou em Portugal e no Mundo, no campo das artes, literatura, história, etc. Encadernações uniformes em tela. Bem conservados.

073 ARTE. Archivo de obras de arte. Director e Gravador: Marques Abreu. 1º Anno - 1905 (ao Anno VIII. 1912). Porto. 1905 (a 1912). 8 Anos. Encs. em 2 Vols.
Colecção completa desta Rara publicação. Edição luxuosa, ilustrada com centenas de gravuras que representam desenhos, esculturas, monumentos, pinturas, etc. Encadernações mais recentes em sintético, com ferros a ouro nas lombadas
e pastas.

259 CATALOGUE DE LA BIBLIOTHÈQUE DE MM. FERNANDO PALHA. Première Partie (a Quatrième Partie). Lisbonne. Imprimerie Libanio da Silva. 1896. 4 Partes. Encs. em 2 Vols. Brs. Catálogo precioso. Colecção completa.

279 CLARO, António. - MEMÓRIAS DE UM VENCIDO... que são a pintura fiel, quanto possível, das minhas recordações desde 1882 a 1921. Porto. Livraria e Imprensa Civilisação - Editora. 1924. In-8º de 258, [1] págs. Enc. De grande importância para a história académica e política da época. Encadernação meia de pele. Com capas.

300  CONTEMPORANEA. Grande Revista Mensal. Director: José Pacheco. Números 1, 2 e 3. Lisboa. Oficinas: Imprensa Libânio da Silva. 1922. 3 Nos. In-4º Encs. em 1.
São apenas os números 1 a 3 desta rara revista de índole modernista de que se publicaram 13 números. Ilustrados no texto e em separado. Bem conservados. Encadernação inteira de pele. Conservam as capas de brochura.


503  FRANÇA, José Augusto. - A ARTE EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX. Volume I - Primeira Parte (1780-1835) e Segunda Parte (1935-1880). Volume II - Terceira Parte (1880-1910) e Quarta Parte (depois de 1910). Lisboa. Livraria Bertrand. 1966. 2 Vols. In-8º Encs. Primeira edição. Profusamente ilustrados a negro e a cores. Encadernações editorias em tela, com as sobre-capas.

506 FRANÇA, José Augusto. - ZÉ POVINHO NA OBRA DE RAFAEL BORDALO PINHEIRO. 1875/1904. 120 estampas seleccionadas nas publicações: A Lanterna Mágica. O António Maria. Pontos nos II A Paródia. Álbum de Glórias. Design Gráfico de José Cândido. Lisboa. Livraria Bertrand. 1975. In-4º de 121 págs. Cart. Comemorativa do Centenário. Cartonagem editorial

597  HISTÓRIA DA LITERATURA PORTUGUESA ILUSTRADA. Publicada sob a direcção de Albino Forjaz de Sampaio. Volume Primeiro (ao Volume Terceiro). Paris-Lisboa. 1929 (a 1932). 3 Vols. In-4º. Encs. Edição monumental, impressa sobre papel couché e ilustrada com centenas de gravuras, no texto e em separado, algumas a cores. Encerra colaboração de Afonso Lopes Vieira, Fidelino de Figueiredo, Fortunato de Almeida, José Joaquim Nunes, José Leite de Vasconcelos, Amzalak, Reinaldo dos Santos, Vitorino Nemésio, Damião Peres, etc., etc. Encadernações editoriais em tela com ferros a ouro e a seco nas lombadas e pastas. Colecção com falta do volume 4º publicado anos mais tarde. Assinatura de antigo proprietário nos anterrostos. Bem conservados.

598 HISTÓRIA DE PORTUGAL. Edição monumental. Comemorativa do 8º Centenário da Fundação da Nacionalidade. Profusamente ilustrada e colaborada pelos mais eminentes historiadores e artistas portugueses. Direcção literária de Damião Peres. Direcção artística de Eleutério Cerdeira. Volume I (ao Volume VII + 2 Suplementos e Índices). Barcelos. Portucalense Editora. MCMXXVIII (a MCMLXXXI). 10 Vols. In-8º Encs.Colecção completa. Contém o volume de Franco Nogueira, História de Portugal. 1933:1974. II Suplemento, publicado em 1981. Ilustrada no texto e em separado a negro e a cores. Encadernações editoriais inteiras de pele.

617 IN MEMORIAM DE CAMILLO. Coordenado por E. A. e V. A. Direcção artística de Saavedra Machado. Lisboa. Casa Ventura Abrantes. MCMXXV. In-Fólio de [8], 851, [4] págs. Br. Encerra colaboração valiosa. Profusamente ilustrado. Bem conservado.

618 IN-MEMORIAM DE HENRIQUE MARQUES. 1859-1933. Organizado por seus filhos. Lisboa. 1934. In-4º de 218 págs. Enc. Valioso livro de memórias deste famoso editor e livreiro. Muito ilustrado. Encadernação em meia de pele. Com capas.

619 IN MEMORIAM DE JOSÉ RÉGIO. Porto. Brasília Editora. 1970. In-8º de 558, [1] págs. Br. Encerra colaboração de Adolfo Casais Monteiro, Agustina Bessa Luis, Alberto de Serpa, Ana Hatherly, Couto Viana, Fernando Namora, Jorge de Sena, José-Augusto França, Natália Correia Ruy Belo etc. Ilustrado.

652  JURISCONSULTOS PORTUGUESES DO SÉCULO XIX. Volume I (e Volume II). Direcção e colaboração de José Pinto Loureiro. Lisboa. Edição do Conselho Geral da Ordem dos Advogados. 1947 (e 1960). 2 Vols. In-4º Brs. Colaboração de Alberto Martins de Carvalho, Alfredo Ary dos Santos, Guilherme Braga da Cruz, Paulo Merêa, Adelino da Palma Carlos, Cabral Moncada, João Gaspar Simões, etc. Bem conservados. 

809 MARQUES, A. H. de Oliveira. - AFONSO COSTA. Lisboa. Editora Arcádia. 1972. In-8º de 429 págs. Br. Da colecção A Obra e o Homem. Ilustrada extra--texto. Assinado pelo autor. Exemplar manuseado

839 MARTINS, Rocha. - PIMENTA DE CASTRO. Lisboa. Oficinas Gráficas do "A B C". In-4º de 319, [1] págs. Enc. Biografia importante. Rara. Profusamente ilustrada. Encadernação moderna em material sintético. Conserva as capas de brochura.

841  MARTINS, Rocha. - VERMELHOS, BRANCOS E AZUIS. Homens de estado, homens de armas homens de letras. (Portugal dos nossos dias). Lisboa. Vida Mundial Editora. 1948 (a 1951). 4 Vols. In-4º Encs. Colecção completa. Publicada primitivamente em fascículos. Revestidos de boas encadernações meias de pele.

864 MESQUITELLA, D. Bernardo da Costa. - MARINHEIROS DE PORTUGAL. Lisboa. Portvgalia Editora. 1923. In-8º de 302, [2] págs. Enc. Com cartas-prefácio de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Com ilustrações do Comandante Pinto Basto,Capitão Menezes Ferreira e Carlos da Moita e Silva. Encadernação meia de pele. Sem capas. Assinatura no frontispício.

894  MUSEU ILLUSTRADO. Album Litterario. Sociedade Athena. Director geral: David de Castro. Administrador: Arnaldo Rocha. Primeiro Anno. Porto. Typographia Commercial Portuense. 1878. In-4º de [4], 312 págs. Enc. É apenas o primeiro dos dois volumes publicados desta importante obra. Encerra colaboração de Antero de Quental, Alberto Pimentel, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Tomás Ribeiro, etc. Ilustrado com o retrato dos colaboradores e estampas extra-texto, abertas a aço. Encadernação moderna meia de pele.

936  NOTAS SOBRE PORTUGAL. Volume I (ao Volume II). Lisboa. Imprensa Nacional. 1908. In-4º 2 Vols. Encs.Edição apresentada à Exposição Nacional do Rio de Janeiro em 1908. Colaboração de António Arroio, Joaquim de Vasconcelos, João Barreira, Ernesto Vieira, etc. Bons exemplares. Ilustrada com mapas a cores extra-texto e fotogravuras no texto. Boas encadernações meias de pele. Conservam as capas de brochura.

941 OCCIDENTE (O). REVISTA ILLUSTRADA DE PORTUGAL E DO ESTRANGEIRO. Anos de 1880, 1881 e 1882. Lisboa. 1881 (a 1882). 3 Vols. In-4º Encs. Encadernações editoriais com defeitos. Ilustrados.

965  PAIS, Sidónio. - DISCURSO PRONUNCIADO PELO PRESIDENTE DA REPUBLICA PORTUGUESA DR. SIDONIO PAES, NA CAMARA MUNICIPAL DE LISBOA, NO ACTO DA SUA PROCLAMAÇÃO. Lisboa. Impressão Africana. S. data. 1 Folha. In-Fólio.

1009  PIMENTEL, Alberto. - FIGURAS HUMANAS. Lisboa. Parceria António Maria Pereira. 1905. In-8º de 199, [1] págs. Enc. Edição primeira. Encadernação editorial em tela.

1025 PINHEIRO, Rafael Bordalo. - ÁLBUM DAS GLÓRIAS. Textos de João Rialto, João Ribalto e outros. Edição fac-similada do original. Prefácio de José-Augusto França. Lisboa. Mores Editores. 1969. In-4º [12] págs. e 39 Estampas. Enc. Edição numerada. Encadernação editorial em tela. Bom exemplar.

1026 PINHEIRO, Rafael Bordallo. - RAPHAEL BORDALLO PINHEIRO. I - O CARICATURISTA Desenhos escolhidos por Manuel Gustavo Bordallo Pinheiro. Com um estudo de Manoel de Sousa Pinto. Lisboa. Livraria Ferreira. 1915. In--4º de LXXXVII, 155 págs. Enc. Muito ilustrado. Pouco frequente. Encadernação meia de pele, com capas.

1109  REVISTA CONTEMPORANEA DE PORTUGAL E BRAZIL. Primeiro Anno. 1 de Abril de 1859 (ao Volume V). Lisboa. Typographia do Futuro. 1859 (a 1865). 5 Vols. In-4º Encs. Encerra colaboração valiosa, sendo de destacar a de Camilo Castelo Branco. Ilustrados com retratos dos escritores mais destacados da época, entre os quais Camilo e gravuras reproduzindo trabalhos dos nossos melhores artistas e desenhos do Rei D. Fernando e de Annunciação. Encadernações meias de pele. Bons exemplares. O volume V não possui o frontispício.

1112 REVISTA DE PORTUGAL. Eça de Queiroz Director. Volume I (ao Volume IV). Porto. Editores, Lugan & Genelioux, Successores de Ernesto Chardron. 1889 (a 1892). 4 Vols. In-8º Encs. Colecção completa. Reimpressão. Encerra colaboração de Fialho de Almeida, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Antero de Quental, Raul Brandão, António Feijó, Leite de Vasconcelos, etc. Encadernações em material sintético. Com capas.

1113 REVISTA ESTRANGEIRA. Um Volume contendo muitas biographias de contemporaneos illustres; artigos relativos á memorável campanha do Oriente; viagens; contos; narrativas; costumes; poesias; etc. E mais de 80 gravuras e lithographias. 1853-1862. Lisboa. Typographia de Castro & Irmão. 1853-1862. In-4º de 406 págs. Enc. Colecção completa, composta de 12 fascículos. Revista de grande interesse literário, apresentando nas suas páginas biografias de homens ilustres, contos, narrativas, costumes, poesia, viagens, teatro, etc. Reportagens da guerra do Oriente, viagem da Rainha Victória a França e a Exposição Universal de Paris. Ilustrada com gravuras, retratos, figurinos, etc. Assinatura antiga no frontispício. Encadernação da época meia de pele.

1349 UNIVERSO (O) ILLUSTRADO. Semanario de Instrucção e Recreio. Publicado por uma sociedade. 1877 (a 1884). Lisboa. Typographia de Mattos Moreira & Cª. 1877 (a 1884). 5 Vols. In-4º Encs. Colecção incompleta. Publicou-se até 1887. Encerra colaboração valiosa. Ilustrada. Encadernações meias de pele.

O catálogo completo, para os interessados pode ser descarregado AQUI.

Uma oportunidade muito interessante para muitos dos apreciadores do livro antigo que não podíamos deixar de recomendar.

A.A.B.M.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

18 DE JULHO - LEILÃO DE LIVROS E MANUSCRITOS



18 DE JULHO - LEILÃO DE LIVROS E MANUSCRITOS

LEILÃO: Livros e Manuscritos;
LOCAL: Av. Elias Garcia, 157 A/B, Lisboa;
DIA: 18 de Julho de 2012 [21 horas];
EXPOSIÇÃO: 12-15 Julho 2012 [10h-22,30h];
CATÁLOGO: AQUI online.

Trata-se do XII Leilão da VERITAS ART Auctioneers, a realizar no próximo dia 18 de Julho, sob direcção de Dolores Segrelles e notas bibliográficas de Luís Gomes.

ALGUMAS ANOTAÇÕES: Memória das armadas que de Portugal passaram à Índia …, de Luís de Albuquerque, 1947 / Aqui d’el-rei!, nº1-5, Lisboa, 1914 [publicação “onde pela primeira vez forma difundidos os fundamentos do … Integralismo Lusitano"] / Subsídios para a História do jornalismo nas províncias ultramarina portuguesas, por Brito Aranha, 1895 / Relação de obras cuja circulação esteve proibida em Portugal durante o regime de Salazar/M. Caetano …., Junho 1974 / Memoria histórico-desciptiva das linhas que cobriram Lisboa em 1833, de Cláudio Monteiro de Barbuda, 1840 / Ásia, de João de Barros, 1945 / Catálogo da Exposição Bibliográfica da Restauração, 1940, II vols / A Arte e a Natureza em Portugal, de Emílio Biel, 1902 / Na Introduction to the História Trágico-Marítima, de C. R. Boxer, 1957 / Sketches of Country …, por William Bradford, 1812 / Bibliographia Camoniana, de Teófilo Braga, 1880 / Colecção Camoniana de José do Canto, de José do Canto, 1895 / Bibliografia dos sermões de Autos-da-fé impressos, por Affonso Cassuto, 1955 / Catálogo da preciosa livraria do eminente escriptor Camillo Castello Branco …, 1883 / Bibliografia da Grande Guerra (Resenha das publicações portuguesas), por Vitorino José César & Vicente de Almeida de Eça, 1922 / Le gibier poil. Les quadrupèdes de la chasse …, de Marquis de Cherville, 1885 / Memórias da marquesa de rio maior, por Branca de Gonta Colaço, 1930 / Libro de phisonomia natural …, por Jerónimo Cortês, 1598 / Trattato di Christofano Acosta Africano …, por Cristovão da Costa, 1585 / Comedia di Dante Aligheri .., por Dante, 1529 / Documentos para a história da typographia portugueza nos séculos XVI e XVII, de Venâncio Deslandes, 1881-2, II vols / Projecto de código político …, por Silvestre Pinheiro Ferreira, 1838 / Bibliographia histórica portugueza …, de Jorge Figanière, 1970 / Manuel de Bibliophilie …, por Christian Galantaris, 1997, II vols / Da Educação, de Garrett, 1829 / A Voz do Propheta, de Alexandre Herculano, 1836(7), II ops / Biblioteca Lusitana, de Barbosa Machado, 1930, IV vols / Livros Antigos Portuguezes 1489-1600 da Bibliotheca de …, D. Manuel II, 1995, II vols / Manual Bibliographico Portuguez …, de Pinto de Mattos, 1878 / Catalogue de la Biblioteque de M. Fernando Palha, 1896, IV vols / Guerra da Successão em Portugal, de Charles Napier, 1841 / A Guerra Civil em Portugal, o sitio do Porto …, de Hugh Owen, 1836 / Colecção de alguma ruínas de Lisboa causadas pelo terramoto …, por Miguel Tibério Pedegache, 1757 / Os Modernistas Portugueses, de Petrus (Pedro Veiga), VI vols / Claudill Pyolemaei geographicae …, de Ptolemeu, 1552 / Travel and Exploration. Portugal and Spain, [LEILÂO na Alemanha em 1898] Reiss & Auvermann / O ágio do ouro, de Oliveira Salazar, 1916 / José dos Santos [lote de catálogos estimados e raros] / No Leilão do Ameal, por Gustavo de Matos Sequeira, 1924 / Dicionário Bibliográfico Português …de Inocêncio Francisco da Silva, 1858-1912, XXV vols / Antiguidades monumentais do Algarve …, de Estácio da Veiga, 1886, IV tomos / Verdadeiro Método de Estudar .., pelo Pe António Vieira, 1791 / Sermões … do Pe António Vieira, 1679-1748, XV vols / História do Futuro, pelo Pe António Vieira, 1718.

J.M.M.