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sábado, 9 de junho de 2018

MEMÓRIAS DE UM ESTRANGEIRADO – JOÃO MEDINA


 
LIVRO: Memórias de um Estrangeirado. Seguidas de Dany le Rouge ou o meu Maio 68 e o meu 25 de Abril;
AUTOR: João Medina;
EDIÇÃO: Colibri, 2018, p. 196.

“ (…) Significativamente, quer Memórias, quer as duas referências que se lhe seguem - Dany le Rouge ou o meu Maio 68 e O meu 25 de Abril - estão enredadas em instituições escolares, portuguesas e estrangeiras, em cujo circuito se processa uma boa parte da vida de João Medina e de sua Família.
 
Este professor universitário que, na qualidade de aluno e de docente, pisou o solo de múltiplas escolas, lembra essa experiência, não como um privilegiado espaço de desenvolvimento cultural, mas, quase sempre de cáustico ânimo, como instituição onde a cultura, se algum dia aí penetrou, acabou por se estiolar, perpetuando-se camufladamente em solenes títulos e em reputadas individualidades.
 
O testemunho de João Medina, sobre a instituição escolar, designadamente a de nível superior, alerta, quase sempre de forma indirecta, não só para articulação da crise da escola com a da cultura como também para prioridade desta sobre aquela, sendo por isso legítimo concluir que a reclamada reforma da escola, sentida nos nossos dias, carecerá de consistência, se não for preparada por uma profunda reflexão sobre a cultura, que não existe no interior da escola, uma vez que a esta se tem pedido a transmissão de um dessorado saber, não uma acção cultural vivificante.
 
É tempo de os reformadores das nossas escolas, os quais aliás abundam, produzidos pelas frequentes alternâncias políticas, olharem para os diagnósticos de muitos dos nossos escritores, particularmente dos que apelam à dinâmica cultural" [Joaquim Cerqueira Gonçalves - AQUI]
 
J.M.M.
 

domingo, 23 de agosto de 2015

DINIZ DA LUZ, RETRATO INCOMPLETO DE UM MICAELENSE COMPLETO


Diniz da Luz, Retrato Incompleto de um Micaelense Completo” – por António Valdemar, in Correio dos Açores

“Torrentes da memória a propósito do jornalista, do poeta, do colega e do amigo, a um mês do centenário do nascimento, onde voltará a ser homenageado. Pelo menos, na sua ilha e na sua terra

Conheci imensas pessoas mas dificilmente encontrei alguém como Diniz da Luz. Fumava, vorazmente, quatro ou cinco maços de cigarros. Julgo que excedia o Cardeal António Ribeiro ou o arquitecto Siza Vieira. Bebia cerca de trinta cafés, por dia. Também suplantava o escritor Ferreira de Castro. Os que assistiam, a seu lado, a um desafio de futebol, e se o Benfica tivesse algum azar, ouviam-no proferir os maiores palavrões contra o adversário. Ultrapassavam o recenseamento e as notas de Carolina Michaelis dos Autos de Gil Vicente e das Cantigas de Escárnio e Maldizer. Assemelhava-se ao pior e melhor da irrupção sarcástica e satírica de outro padre, José Agostinho de Macedo, miguelista ferrenho contra os liberais, autor dos Burros, da Besta Esfolada e da Tripa Virada.

Conheci, pessoalmente, em São Miguel, Diniz da Luz, cujo centenário do nascimento, decorrerá, a 8 de Setembro e voltará a ser homenageado. Pelo menos na sua terra e na sua ilha. Apresentou-nos Silva Júnior, no antigo Bureau de Turismo, um dos locais históricos de Ponta Delgada, onde chegavam jornais e revistas portugueses e estrangeiros, que nos traziam os sinais do mundo. Foi ainda num tempo em que tudo permanecia muito mais longe.

Radicava-me, pouco depois, em Lisboa (com a ilha dentro de mim) e víamo-nos, todos os dias e até várias vezes por dia. Na mesma rua, uma das fonteiras do Chiado e do Bairro Alto, berço e túmulo de tantos jornais. Ele trabalhava n’A Voz e eu no República. Todavia, as diferenças políticas e religiosas não representavam qualquer obstáculo a um convívio aberto e assíduo. Diniz da Luz entrara para A Voz, diário católico e monárquico, ainda dirigido por Fernando de Sousa o mais feroz e sistemático adversário da Maçonaria, e continuado por Pedro Correia Marques, também católico e monárquico, e ainda mais; apoiante do 28 de Maio, da ditadura militar de Gomes da Costa e da ditadura de Salazar. Requisitado à diocese de Angra, esteve no quadro d’A Voz de Janeiro de 1940 até fins de 1970. Não estava sujeito a trabalhos de agenda, nem lhe pediam textos de opinião política. Limitava-se à informação religiosa, mas com os condicionalismos de um jornal ligado ao que havia de mais conservador e comprometido com o salazarismo.

As posições frontais de Diniz da Luz causaram-lhe dissabores profissionais. Durante a Guerra apoiou a causa dos aliados. Terminada a guerra, o rei Jorge VI, da Inglaterra, atribuiu a Diniz da Luz uma condecoração. O rei Leopoldo II da Bélgica também o agraciou. Foi um ativo militante contra Hitler, o nazismo e o fascismo.

Logo que foi anunciado o Vaticano II, Diniz da Luz, embora se mantivesse como redator d’A Voz, passou a escrever artigos de opinião no Diário Popular, acerca das mudanças operadas pelo Concilio na estrutura tridentina da igreja. No seu jornal teriam de ser «amputados em questões fundamentais». «Bastam – disse-me várias vezes – as picardias habituais da Censura».

Encontrávamos-nos na Bertrand e, ao fim da tarde, na mesma leitaria. Recusava a Brasileira. Outras vezes, no Rossio, na Mónaco, à procura de jornais estrangeiros. Tínhamos amigos comuns. Dizíamos mal do Salazar e do salazarismo. Eramos controlados pela PIDE, na própria redação. Ele n’A Voz e eu, pouco depois, no Diário de Noticias e n’A Capital. (Fui notificado, com outros colegas, pela Comissão de Extinção da PIDE e interrogado pelo capitão António Pardal, por causa das denuncias de informadores que eram jornalistas, seguiam os nossos passos e escutavam as nossas conversas. Um dos denunciantes espiou Diniz da Luz, desde o primeiro até ao último dia em que trabalhou n’A Voz e exerceu altos cargos no Sindicato dos jornalistas).

Para todos nós, Diniz da Luz constituía uma das referências emblemáticas dos Açores, onde se destacava a figura tutelar de Vitorino Nemésio. Se bem me lembro – há mais de 50 anos – existiam outros açorianos em jornais e revistas: Rebelo de Bettencourt, amigo próximo de Fernando Pessoa, de Almada Negreiros e de Aquilino Ribeiro, na Gazeta dos Caminhos de Ferro, na revista Viagem e correspondente do Diário dos Açores; Jaime Brasil, a chefiar a redação do Primeiro de Janeiro em Lisboa, após a aposentação de Pinto Quartim (tive a honra de lhes suceder durante 12 anos). Num dos jornais mais antigos, o Portugal Madeira e Açores, trabalhava Breno de Vasconcelos, genealogista empenhado, que principiara no Correio dos Açores – suponho que depois de José Bruno – com Manuel Ferreira, Salomão Adrahy, Dias Júnior e Cícero de Medeiros.

Estavam ligados ao Diário da Manhã, A Voz, ao SNI e à agência ANI, Dutra Faria e Ramiro Valadão. Vinham do jornal e do partido de Rolão Preto. Foram sustentáculos indefetíveis do salazarismo e do marcelismo. Foram fundadores do Diário Popular, dirigido por António Tinoco, neto de Charles Lepierre e com raízes açorianas. No entanto, Tinoco e António Pedro derivaram para a oposição como, aliás, o próprio Rolão Preto.

O Século, entre os seus fundadores, na década de 80, do século XIX, além de Magalhães Lima e outros pilares do regime republicano, teve a participação de António Furtado, irmão do cientista Francisco Arruda Furtado, o único português que se relacionou com Darwin. Contou, muitos anos, com o profissionalismo de Raposo de Oliveira, que havia sido, na transição da monarquia para a Republica, um dos redatores parlamentares da época áurea d’A Lucta de Brito Camacho, historiada no mesmo livro por Ferreira de Mira e Aquilino Ribeiro.

Nos meus verdes anos de Lisboa, recordo-me n’O Seculo de Geraldo Soares, natural do Pico, colecionador de livros, apaixonado de Natália Correia, até ao delírio. Remédios de Bettencourt, chefiava a seção internacional. Agostinho Vieira de Areia Remédios de Bettencourt, de seu nome completo – como se escrevia em algumas necrologias de luxo – natural da Terceira, também era tradutor dos Livros do Brasil onde assinava Vieira d’Areia.

Entre todos, Diniz da Luz distinguia-se por várias singularidades. Era jornalista e padre, mais jornalista do que padre e, fundamentalmente, pelo seu açorianismo irredutível. Ele próprio se definia: «Em Lisboa sou dos Açores, nos Açores sou de S. Miguel; em São Miguel sou do Nordeste; no Nordeste sou do Nordestino. E no Nordestino sou do Burguete». Na reta final, ao sentir-se sem amigos mesmo à porta de casa, acrescentava: «no Burguete – ai de mim! – sou … de Lisboa que me não sai do pensamento, nem nos sonhos de cada noite. Em Lisboa vivi a minha vida, quase trinta e um anos, pelo que me apetece voltar ao princípio. No Burguete sou de Lisboa».

Observava ainda: «Podia escrever: Porque me orgulho de ser Açoriano. Porém, o que tenho passado por doença e sem família, fez estremecer essa ideia, embora as terras não tenham culpa dos males dos seus filhos. Mas tinha tempo para respirar e ver o Benfica. O cargo anedótico de Cônsul Geral dos Açores tirava-me o sono e o melhor das folgas de tempo útil. Orgulho-me – concluía – de uma coisa: nunca deixei de receber um açoriano ou o fiz esperar. Nunca fui dos açorianos encobertos em Lisboa».

Mas Diniz da Luz era também arisco e refratário às receções e conveniências mundanas. Habituara-se a uma modéstia excessiva. Morava no Rossio, num quarto alugado, de uma velha pensão, onde chovia de Inverno. Almoçava e jantava na cantina da Guarda Republicana, no quartel do Carmo. Tomava o pequeno-almoço no café Gelo quando ainda não estavam os surrealistas. Exatamente o contrario do Padre Moreira das Neves, chefe de redação do jornal as Novidades, órgão do episcopado, outro amigo excelente de muitos anos, de convívio também quase diário, ao almoço, no mesmo restaurante, próximo da redação do Novidades e do Hospital de Santa Marta. Homem de confiança absoluta do Patriarca e dos sucessivos Núncios Apostólicos, Moreira das Neves era autor de muitos textos que saíram com a assinatura do Cardeal Cerejeira. Precursor de Tolentino da Nóbrega, Moreira das Neves, celebrava batizados, casamentos funerais de pessoas importantes. Também era capelão do Visconde do Botelho.
 
 

Por seu turno, Diniz da Luz era capelão de António Medeiros de Almeida que residia muito perto da minha antiga casa, na rua Barata Salgueiro. De manhã, muitas vezes com o ar mais desconsolado do mundo, surpreendia o vulto esguio e trepidante de Diniz da Luz:

«Você não pode calcular» – gritava-me a esbracejar - «o que é dizer missa, todos os dias, com a capela vazia. Não dá tusa nenhuma. O motorista ajuda a missa. Peço-lhe para trazer ao menos a mulher. Responde-me. Só pode ser ao domingo…». «E não há vizinhos para virem à missa? Perguntei-lhe: «Ao domingo vão a outras missas. Até para casa do Visconde Botelho. Ficam deliciados com o Moreira das Neves» …

Foi numa destas manhãs de Lisboa, enquanto eu avançava para o Diário de Noticias, na esquina da rua Barata Salgueiro para o a Avenida da Liberdade (seria, anos depois, a sede do Banco Espírito Santo) que vi Diniz da Luz, depois de celebrar missa, eufórico com o volume da Antologia da Poesia Erótica e Satírica de Natália Correia, já apreendido pela Pide e pela Censura.

«Então que tal? Com um riso luciferino exclamou: – Está aqui tudo. Ofereceu-me com esta dedicatória que você não tem. Sou amigo e admirador da Natália desde que vim para Lisboa. Estou com a Antologia a atualizar o vocabulário para quando as coisas correrem mal ao Benfica…»

Riu. Riu muito. Rimos os dois. Muitíssimo.

Agora, lembro-me, de súbito, da última visita que lhe fiz em São Miguel. Mantinha a palavra rebelde e solta. Como sempre. Mas as frases, de vez em quando, não tinham sentido. Nenhum de nós se riu. Como era costume.

Estava outro. Irreconhecível. Quase um fantasma. Quase como as hortenses na antiga estrada para o Nordeste, na voragem galopante do Outono para o Inverno. Tristemente desbotadas, envelhecidas, exaustas da cor, da explosão de cor que derramaram. Esgotara-se a exuberância, a energia, o viço que Diniz da Luz exaltara na Ponta da Madrugada: «pingos de céu e mar que a terra/ troca em onda de azul que não se perde/nem ao bater de encontro às serranias».

Ao aproximar-se o centenário do nascimento, não consigo afastar a imagem de Diniz da Luz, tal qual o conheci, anos e anos seguidos, igual a si próprio como jornalista, como poeta, como amigo, 25 horas por dia açoriano, voz irreprimível de São Miguel, do Nordeste, do Nordestino e do Burguete, dividido entre a rotina e as solicitações de Lisboa e a presença dominadora do Pico da Vara e, sobretudo, do horizonte vivido e sentido no alto das rochas abertas para o mistério e fascínio do mar absoluto.

[NOTA: nasceu Diniz da Luz a 8 de Setembro de 1915 em S. Pedro Nordestino (S. Miguel), frequentou o seminário em Angra, foi ordenado sacerdote em 1938, trabalhou como prefeito num colégio de Ponta Delgada; foi jornalista, poeta, cronista, ensaísta … e morre a 20 de Dezembro de 1988]







Diniz da Luz, Retrato Incompleto de um Micaelense Completo – por António Valdemar [Jornalista, carteira profissional nº24], jornal Correio dos Açores, 19 de Agosto de 2015, p.16 – com sublinhados nossos.
 
J.M.M.
 
 

 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

IDEIAS E PRÁTICAS DO COLONIALISMO PORTUGUÊS DOS FINS DO SÉCULO XIX A 1974: CICLO DE CONFERÊNCIAS NO MUSEU BERNARDINO MACHADO, EM FAMALICÃO

Inicia-se na próxima sexta-feira o ciclo de conferências organizado pelo Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, desta vez dedicado ao tema genérico Ideias e Práticas do Colonialismo Português.

O primeiro convidado é o Prof. Doutor Adriano Vasco Rodrigues que vai abordar a temática Vivências de Angola nos finais da colonização.
Poder ler-se um resumo curricular do conferencista no blogue Do Presente, de Amadeu Gonçalves:

Director Jubilado da Schola Europaea (Bélgica) e Ex-Professor Associado da Universidade Portucalense, o Prof. Adriano Vasco Rodrigues trabalhou em Angola entre as décadas de 1960/70 como Inspector Provincial Adjunto da Educação, colaborando com o Instituto Superior de Investigação Científica de Angola. Estas funções levaram-no a percorrer de automóvel mais de trezentos mil quilómetros naquele território, adquirindo profundo conhecimento do mesmo. Além de responsável pela planificação de cursos de aperfeiçoamento e de actualização de docentes do Ensino Secundário e Básico, realizou prospecções e escavações arqueológicas e subaquáticas no mar de Luanda, realizando também estudo no Deserto de Namibe. Com a Dr.ª Maria da Assunção Carqueja Rodrigues, organizou a Secção de Arqueologia do Museu de Angola e a primeira Carta da Pré-História daquele país. Publicou vários trabalhos sobre educação, pré-história, arqueologia e arte africana, estudos relacionados com Angola. É autor do livro de memórias “De Cabinda ao Namibe” (2010), o qual teve uma segunda edição em 2011.

Mais uma iniciativa que se saúda do Museu Bernardino Machado, coordenado pelo Prof. Norberto Cunha

Além desta estão previstas as seguintes conferências:
- Miguel Santos (“O pensamento e a acção colonial de Paiva Couceiro”);
- Paulo Jorge Fernandes (“As ideias colonialistas de Aires de Ornelas”);
- Sérgio Neto (“As ideias colonialistas de Brito Camacho”);
- Ernesto Castro Leal (“As ideias colonialistas de José de Macedo”);
- Pedro Miguel Sousa (“As ideias colonialistas de Salazar”);
- Pedro Aires de Oliveira (“As ideias colonialistas de Armindo Monteiro”);
- Luís Reis Torgal (“As ideias colonialistas de Marcello Caetano”).

Tal como nos restantes ciclos de conferências, também este está a aguardar a acreditação junto do Conselho Científico e Pedagógico de Formação Contínua, para as disciplinas de História (200 e 400), Filosofia (410), Geografia (420) e Economia (430). 

A sessão realiza-se próximo dia 14 de Fevereiro, pelas 21h 30, sendo a entrada gratuita e com entrega de certificados de presença a todos os participantes.

A.A.B.M.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

MEMORIALISMO E LITERATURA AUTOBIOGRÁFICA

Realiza-se no próximo dia 31 de Outubro de 2013, na Academia das Ciências de Lisboa, uma sessão conjunta das Classes de Letras e de Ciências, pelas 14.30h.

Pode ler-se na nota de divulgação da sessão:
Sessão especial, conjunta das duas Classes, dedicada ao tema Memorialismo e Literatura Autobiográfica, a propósito da publicação, em curso, das memórias Acta est fabula, de Eugénio Lisboa.

Intervirão, entre outros, os académicos Senhores Adriano Moreira, José-Augusto França (a confirmar), Raul Rosado Fernandes, João Bigotte Chorão, Augusto de Ataíde, Fernando Dacosta e Marcello Duarte Mathias, todos autores de obras de carácter memorialístico, assim como, a encerrar o debate, o próprio confrade Eugénio Lisboa.

Quando se assiste de forma recorrente a publicações de carácter memorialístico torna-se fundamental perceber a razão de ser deste interesse de alguns autores e editores em preservar essas memórias com alguma perenidade. Os escritores, por via das suas relações pessoais e profissionais, convivem, conhecem e trocam ideias com outros intelectuais e artistas que os aconselham, que os criticam ou que os ajudam a resolver/ultrapassar determinadas situações. Apesar de as memórias serem quase sempre selectivas e muitas vezes justificativas de determinadas opções, elas deixam um retrato, um perfil, uma marca das personalidades envolvidas. São quase sempre de muita utilidade para a História, sobretudo quando problematizam e mostram os dilemas de determinadas escolhas que todos os indivíduos são obrigados a fazer.

Uma sessão que nos parece muito interessante, sobretudo com a grande qualidade dos intervenientes que certamente proporcionarão uma troca de impressões salutar e sobretudo a discussão da qualidade de algumas obras memorialísticas que recentemente chegaram às livrarias e outras que estejam a ser preparadas.

A.A.B.M.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

JOSÉ JORGE LETRIA – “E TUDO ERA POSSÍVEL – RETRATO DE JUVENTUDE COM ABRIL EM FUNDO”


LIVRO: "E Tudo Era Possível - Retrato de Juventude com Abril em Fundo";
AUTOR: José Jorge Letria;
EDIÇÃO: Clube do Autor, 2013, 288+16 p.

É um livro de revisitações. Fundo, sentido, e sério. Desassombrado, ao exprimir opinião. Sem ensombramentos, quando aborda o melindroso” [José Barata-Moura, in Posfácio]

Livro de memórias de José Jorge Letria que cobre o período compreendido entre o final dos anos sessenta e meados dos anos oitenta do século XX.

O livro, com posfácio de José Barata-Moura, amigo e companheiro de canções de José Jorge Letria, tem quase 300 páginas, várias fotografias e abarca as actividades do autor como jornalista, cantor-autor, escritor e militante político, representando um testemunho vivido, sentido e desassombrado sobre a nossa História Contemporânea, com destaque para os últimos anos da ditadura, para o  25 de Abril, o 25 de Novembro e período pós-revolucionário que Letria viveu em vários domínios.
"E Tudo Era Possível" fala de figuras como José Afonso, Carlos Paredes, José Carlos Ary dos Santos, Mário Viegas, David Mourão-Ferreira, Mário Henrique Leiria, Fernando Assis Pacheco, Álvaro Guerra, Luís de Sttau Monteiro e muitos outros com quem o autor trabalhou e conviveu"

J.M.M.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

I ENCONTRO DA RED(E) IBERO-AMERICANA RESISTÊNCIA E (Y) MEMÓRIA


Realiza-se nos próximos dia 28 e 29 de Junho de 2013, na FCSH-UNL, o primeiro encontro da rede de investigadores ibero-americanos que tratam a questão da resistência e memória das ditaduras.

Ao longo de dois dias, vão abordar-se situações e vivências em diferentes contextos de resistência a movimentos autoritários, desde a Argentina, Espanha, Portugal, Brasil.

Entre os investigadores presentes com trabalhos para apresentar contam-se:
Paula Godinho (IELT/FCSH-UNL), «Tempo, memória e resistência»;
- Miguel Cardina (CES-UC e IHC/FCSH-UNL), «O silêncio como tema de investigação e desafio epistemológico: observações a partir de um estudo sobre violência política no Estado Novo»;
Sónia Vespeira de Almeida (CRIA/FCSH-UNL), «Memória: um estaleiro aberto, em contínua operação - Reflexões sobre uma etnografia retrospectiva a partir das Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do Movimento das Forças Armadas (1974-1975)»;
Ana Ferreira (IHC/FCSH-UNL), «Memória – potencialidades e interditos entre os dirigentes da luta armada»;
Bruno Monteiro (Instituto de Sociologia – Universidade do Porto, Albert Ludwigs Universität Freiburg), «Inspiração doméstica. As formas familiares de transmissão da militância política entre o operariado portuense durante o Estado Novo»;
Inês Fonseca (CRIA/FCSH-UNL), «“Sobre isso, você devia era entrevistar a minha irmã” – a família Flor e os ditos e não ditos sobre a crise da Lisnave na década de 1980»;
-Sónia Ferreira (CRIA/ISCTE-IUL),  «Memórias Femininas em Regimes Repressivos: resistência e contra-hegemonia»;
- Vanessa de Almeida (IELT/FCSH-UNL), «O mergulho na clandestinidade – riscos, motivações e permanências»;
- Cristina Nogueira (CIIE/IELT/IHC-UNL), «Literatura sem cordel: 3 Páginas e A Voz das Camaradas das Casas do Partido. Espaços de formação na clandestinidade comunista!»;
António Monteiro Cardoso (CEHCP/ISCTE-IUL), «Núcleos de sociabilidade juvenil e resistência nos anos finais do fascismo em Portugal»;
Luísa Tiago Oliveira (CEHCP/ISCTE-IUL), «De uma rede clandestina ao MFA da Marinha»;
- Ana Mouta Faria (CEHCP/ISCTE-IUL) e Sandra Cunha Pires (CEHCP/ISCTE-IUL), «Os Militares do MFA estacionados em África: acabar com a guerra, passar à descolonização»;
Marta Silva (IHC/FCSH-UNL), «Contribuições para o estudo do auxílio ilegal à emigração em contexto rural e repressivo (1957-1974)»;
- Maria Alice Samara (IHC/FCSH-UNL), «Lisboa, cidade de resistência»;
Dulce Simões (INET-MD/FCSH-UNL), «A História Oral e a Guerra Civil de Espanha: memórias e silêncios»;
- Eduarda Rovisco (CRIA-IUL), «Fronteira, nacionalismo e usos da memória na raia central luso-espanhola»;
- Maria Paula Meneses (CES – UC), «Quem fala pelos passados de Moçambique? O 7 de Setembro no processo de descolonização»;
- Emília Margarida Marques (CRIA-IUL), «Usos do passado, política industrial e reprodução social operária: o bicentenário da Fábrica Stephens na Marinha Grande»;
- Rui Bebiano (FLUC/CES/CD25Abril), «Memória da resistência ao Estado Novo num tempo sem tempo para a memória (do 25 de abril ao 25 de novembro)»;
- Luciana Soutelo (IHC/FCSH-UNL, FLUP), «O revisionismo histórico em Portugal: origens e efeitos na memória da Revolução e do Estado Novo»;
- Manuel Loff (IHC/FCSH-UNL, Faculdade de Letras da Universidade do Porto), «Ditadura e Revolução: democracia e memória da opressão em Portugal».

A Comissão Organizadora é constituída por:
Inês Fonseca (CRIA - FCSH/UNL)
Luísa Tiago de Oliveira (CEHC-ISCTE/IUL)
Manuel Loff (IHC-FCSH/UNL e FLUP)
Miguel Cardina (CES-UC e IHC-FCSH/UNL)
Paula Godinho (IELT-FCSH/UNL)

A Comissão Executiva é constituída por:
Joana Alcântara (IELT-FCSH/UNL)
João Baía (IELT-FCSH/UNL)
João Edral (IELT-FCSH/UNL)

Contacto: riarm2013@gmail.com

O programa completo com as diferentes sessões pode e deve ser consultado AQUI.

Um conjunto muito interessante de investigadores, alguns abordando temas aliciantes, muito próximos temporalmente de nós e polémicos, como muitas destas discussões acabam por ser.

A.A.B.M.

domingo, 26 de maio de 2013

A MEMÓRIA COMO CAMPO DE BATALHA: CONFERÊNCIA

No próximo dia 28 de Maio de 2013 (terça-feira), pelas 18.30 h, realiza-se a última conferência deste ciclo, subordinado ao tema As Portas que Abril Abriu - Abordagens dos processos de transformação no período pós-25 de Abril realizado na Biblioteca Museu República e Resistência (espaço Grandella).

Nesta sessão vão trocar opiniões sobre A Memória como campo de batalha as investigadoras Joana Pereira Bastos, Raquel Varela e Paula Godinho.

Num período em que muita bibliografia memorialística sobre o 25 de Abril tem sido publicada, seja por intervenientes directos, seja por aqueles que sejam que assistiram aos acontecimentos, com maior ou menor distanciamento, seja os que investigam e consultam documentação e colocam-se alguns problemas: toda a informação será fidedigna? Todos os ângulos de análise serão válidos, mas as interpretações serão inocentes? Quando se escolhe determinados autores e perspectivas de análise, seria importante ou não um esclarecimento prévio por parte dos autores? Existirão leituras e análises dos acontecimentos muito condicionadas por questões ideológicas? Distinguindo o tipo de documentação e os relatos já anteriormente produzidos temos uma quantidade imensa de documentação produzida sobre os acontecimentos, que critérios utilizar para seleccionar a informação?

Certamente algumas destas questões acabarão por ser abordadas pelas intervenientes, porque certamente são problemas e dúvidas que nunca serão completamente resolvidos e alguns seguirão um percurso e outros adoptarão outros critérios, mas pelo menos a reflexão sobre o assunto merecerá a atenção dos investigadores.

A.A.B.M.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

HISTÓRIA E MEMÓRIA DA DITADURA: O CASO PORTUGUÊS (WORKSHOP)

A Faculdade de Letras da Universidade do Porto vai levar a efeito na próxima sexta-feira e sábado, dias 8 e 9 de Fevereiro, um workshop subordinado ao ao tema: História e Memória da Ditadura: o Caso Português.

Este workshop realiza-se no âmbito do Curso de Doutoramento em História da FLUP e integra-se no projecto de investigação intitulado Estado e Memória: políticas públicas da memória da ditadura portuguesa (1974-2009).

A Coordenação Científica do workshop está a cargo do Doutor Manuel Loff e conta com intervenções de Paula Godinho, Isabel Menezes, Luciana Soutelo, Susana Ferreira, Cristina Nogueira e Silvestre Lacerda.

Um interessante workshop organizado pela FLUP sobre um tema sempre importante no domínio da História: a preservação da memória e neste caso da memória ainda recente dos acontecimentos, com muitos protagonistas dos acontecimentos ainda vivos e a publicarem a suas memórias dos acontecimentos, auto-justificando-se, distanciando-se, valorizando-se ou escondendo-se. Um tema muito interessante e, por vezes, envolto em polémica.

Uma louvável iniciativa e que merece a melhor divulgação.

A.A.B.M.

sábado, 30 de junho de 2012

ABEL SALAZAR - DIGRESSÕES EM PORTUGAL


LIVRO:Digressões em Portugal [vol. 1 e único publ.], Abel Salazar, Porto, Imprensa Portuguesa, 1935, 220 pgs

"Este livro data do ano em que o médico e pintor neo-realista Abel Salazar começa a ser perseguido pelas polícias do regime fascista por 'delito de opinião'. Trata-se da reflexão de um intelectual extremamente culto acerca do seu país, acerca dos lugares, do tempo e do modo; exemplo estimável de memorialismo" [AQUI]

via FRENESI

J.M.M.