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domingo, 16 de dezembro de 2018

LUÍS BIGOTTE CHORÃO – POLÍTICA E JUSTIÇA NA I REPÚBLICA VOL.II (1915-1918)




AUTOR: Luís Bigotte Chorão;
EDIÇÃO:
Letra Livre, Dezembro de 2018.

LANÇAMENTO:

DIA: 18 de Dezembro (18,30 horas);
LOCAL:
Espaço Justiça do Ministério da Justiça (Praça do Comércio), Lisboa;
ORADORES: António Araújo (Jurista e Historiador) | Sérgio de Campos Matos (prof. FLUL)

Trata-se do II volume da trilogia “Política e Justiça na I República”, importante e estimada obra do jurista e investigador Luís Bigotte Chorão, em boa hora publicada. Este interessante estudo do dr. Luís Bigotte Chorão, que compreende a experiência política iniciada com a fundação da I República e se estende até ao seu trágico fim, compreende um conjunto de III volumes, a que se irá acrescentar, ainda, “três estudos autónomos sobre a Constituição Politica de 1911, a liberdade e a e a censura e, por fim, sobre a política colonial republicana”.

É obra copiosa, de subido merecimento para o estudo e história da ligação e influência entre o elemento jurídico, tomado na sua própria especificidade, e a experiência política constitucional da Primeira República; interessantíssima no opulento trabalho bibliográfico recolhido, recomeça o livro o exacto momento da eleição presidencial de Teófilo Braga (29 de Maio de 1915), ocasião que marca o momento de “consolidação” e o “regresso à normalidade constitucional” saída do movimento revolucionário de 14 de Maio [de influência dos “jovens turcos” liderados por Álvaro de Castro e Sá Cardoso, que derruba o gabinete de Pimenta de Castro e conduz à resignação do presidente Manuel de Arriaga] e termina com o movimento de 5 de Dezembro de 1917 [golpe sob orientação do chefe unionista Brito Camacho contra o ministério de Afonso Costa/Norton de Matos e que, curiosamente, surge após o regresso do ministro de Portugal em Berlin, Sidónio Pais] que constitui a Junta Revolucionária Militar, presidida por Sidónio Pais (e, entre outros elementos, Machado Santos, Feliciano da Costa Júnior), que dissolve o Congresso e destitui o presidente da República, Bernardino Machado. O novo executivo, chefiado por Sidónio Pais (de que faziam parte, Machado Santos, Moura Pinto, Santos Viegas, Aresta Branco Francisco Xavier Esteves, Tamagnini barbosa, Alfredo Mendes de Magalhães e Feliciano da Costa Júnior) é ponto essencial da afirmação do sidonismo e da conspiração monárquica, um “ajuste de contas com o Partido Democrático e com a fórmula constitucional de 1911”.      

Este II volume de Luís Bigotte Chorão, investigador muito "cá de casa", é obra de muito apreço, com lúcidos e inteligentes critérios bibliográficos (que se assinalam), um importante trabalho de reflexão sobre alguns particulares aspectos da problemática historiográfica da Primeira República. A ler e não perder.      

 


"Com a publicação do volume II de Política e Justiça na I República, Um regime entre a legalidade e a excepção, dá-se continuidade a um plano de publicação que muito fica a dever à compreensão da Letra Livre a respeito de outros compromissos profissionais e académicos do autor, que não permitiram dar mais cedo por concluído o presente volume.

Planeado inicialmente para corresponder aos anos de 1915-1920, a Guerra Mundial justifica que tenha sido alterado o quadro cronológico inicialmente pensado, ocupando-se este volume dos anos de 1915-1918. Também esta alteração, logo aceite pela Letra Livre – fazendo aliás jus ao espírito da chancela –, justifica o nosso reconhecimento aos editores e Amigos.

Como toda a produção historiográfica, a que agora se apresenta padece de lacunas, tanto mais que corresponde ao estudo de um período muito complexo, ainda insuficientemente conhecido em muitos aspectos, alguns centrais.

Como foi recentemente observado por David Deroussain, se as consequências sociais, políticas e económicas da Guerra Mundial se encontram já bem documentadas, aliás como a sua história militar, as implicações desse conflito no domínio do jurídico carecem ainda de múltiplos aprofundamentos.

Este volume constitui apenas um contributo para esse estudo no quadro geral que é o da história da I República. Ao afirmá-lo, desejamos sublinhar a consciência das nossas limitações e da relatividade da obra. Essa consciência é própria de quem se vê colocado perante uma impressionante vastidão de fontes e ancora nos critérios próprios da ciência histórica, precavendo pulsões ou derivas literárias, que podendo talvez até resultar muito atractivas, andam por regra determinadas por pré-compreensões prejudiciais ao exercício de apreensão e interpretação da realidade histórica. E isto porque introduzem o preconceito dogmático num domínio que só ganha em ser livre”


J.M.M.

domingo, 5 de novembro de 2017

[CONFERÊNCIA] O ALMIRANTE AUGUSTO EDUARDO NEUPARTH (1859-1925). CIÊNCIA E RAZÃO DE ESTADO



CONFERÊNCIA: O Almirante Augusto Eduardo Neuparth (1859 – 1925) Ciência e Razão de Estado;
DIA: 7 de Novembro 2017 (17,30 horas);

ORADOR: [Académico] Carlos Manuel Baptista Valentim;
LOCAL: Auditório da Academia de Marinha [Rua do Arsenal, porta H], Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: Academia de Marinha.

Augusto Eduardo Neuparth, ilustre oficial da Marinha, engenheiro hidrógrafo (de que foi notável especialista, com vários e valiosos trabalhos realizados e publicados), republicano e maçon, Ministro da Marinha e Colónias (pertenceu ao último governo de Bernardino Machado), Director-Geral da Marinha e das Obras Públicas, presidente da Comissão de Pesca, director da revista “Pesca Marítima”, um conhecedor e apaixonado de assunto navais e da pesca marítima, nasceu em Lisboa a 11 de Outubro de 1859 e era filho de Virgínia Júlia de Oliveira Basto e do músico Augusto Neuparth (1830-1887)

[Augusto Neuparth (1830-1887) foi músico da Real Câmara, professor do Conservatório Real de Lisboa e da Real Academia dos Amadores de Música. Presidente da Associação de Musica 24 de Junho e do Montepio Filarmónico. Era filho de Eduardo Neuparth, também músico, e da sua segunda mulher, Margarida Boehmler (cf. Esteves Pereira, Diccionario historico, chorographico, heraldico, biográfico, vol1). Augusto Neuparth seguiu os ensinamentos de seu pai e aos 17 anos, estreia-se como concertista, entrando depois (1848) para a orquestra do Teatro de S. Carlos. Extraordinário executante de diferentes instrumentos musicais e excelente compositor (estudou música em Leipzig e Paris – aqui aprendeu saxofone, tornando-se exímio nessa arte), deixou-nos um curioso livro, “Lições de Harmonia, Contraponto e Fuga, …” (1853), além de várias composições. Foi professor do Conservatório (1862), seu secretário e delegado ao Conselho Superior de Instrução Pública, proprietário de um estabelecimento de musica na rua Nova de Almada, redactor (e proprietário) da revista musical “O Amphion”. Morre a 20 de Junho de 1887 e o seu funeral foi “imponentíssimo”]  

Augusto Eduardo Neuparth tomou praça na Companhia dos Guardas-Marinhas (1879), cursou na Escola Politécnica de Lisboa, na Escola do Exercito e na Escola Naval, obtendo carta de engenheiro hidrógrafo.
 
 

Seguiu a carreira de oficial da marinha (foi promovido a contra-almirante em 1917 e a vice-almirante em 1919), estagiou nas colónias portuguesas de Africa, dedicando-se ao estudo de assunto geodésicos, hidrográficos, topográficos e de pesca marítima. Embarcou como oficial de guarnição em diferentes navios, serviu de secretário de Brito Capelo na expedição ao Zaire, tomou parte em outras várias expedições. Em todas elas apresentou trabalhos de grande competência e valia científica. Refira-se, o serviço realizado no Real Observatório Astronómico de Lisboa, na direcção dos Trabalhos Geodésicos, Topográficos, Hidrográficos e Geológicos. Fundou e dirigiu a revista “A Pesca Marítima”. A sua obra bibliográfica é importante, pelos vários estudos sobre Moçambique, sobre a implantação de “faróis” ao longo da nossa costa (foi chefe da secção de faróis no Ministério da Marinha).

Augusto Eduardo Neuparth foi um republicano independente (porém perto de António José de Almeida, que curiosamente acompanha em missão ao Brasil, em 1922, na qualidade de representante da Marinha), adversário de Sidónio Pais, tendo sido preso, por isso, quando se encontrava a chefiar o cruzador Vasco da Gama (ao que parece, estaria integrado na revolta de 8 de Dezembro). Ao longo da sua carreira prestou importantes serviços à República desempenhando cargos navais nos Açores e na India, foi presidente da Comissão de Pescas, Ministro da Marinha e Colónias (1914), chefiou a base Naval dos Açores (1918), comandou o cruzador Vasco da Gama e foi diretor-geral da Marinha e Obras Públicas. Teve inúmeras condecorações pelos serviços distintos que realizou [ver Esteves Pereira, ibidem]

Augusto Eduardo Neuparth integrou o Grande Oriente Lusitano Unido, tendo sido iniciado na loja “Cruzeiro do Sul”, nº211 [Lourenço Marques; a loja praticava o REAA e foi fundada em 1900, mantendo-se em atividade até á clandestinidade; a loja maçónica “Cruzeiro do Sul” foi importante, tendo tido uma valiosa atividade profana, nomeadamente na fundação da Associação dos Velhos Colonos (1919), no criar da Escola Industrial de Artes Decorativas, ao patrocinar a Escola Comercial, bem como no fomento de associações de caracter social relevante] a 10 de Janeiro de 1900, passando a coberto no final desse mesmo ano [cf. António Ventura, A Marinha de Guerra Portuguesa e a Maçonaria, p. 79]

Morre em 24 de Agosto de 1925, na sua residência (rua Rodrigues da Fonseca) em Lisboa.        
 
J.M.M.

sábado, 24 de setembro de 2016

SIDÓNIO PAIS: ALGUMAS NOTAS SOBRE A INTERVENÇÃO DE PORTUGAL NA GRANDE GUERRA


 
 
LIVRO: Sidónio Pais: algumas notas sobre a intervenção de Portugal na Grande Guerra;
AUTOR: Augusto Casimiro (1889-1967)
;
EDIÇÃO: Livraria Chardron, Porto, 1919, p. 347

Augusto Casimiro (Amarante, 1889-Lisboa, 1967) foi um dos mais prolíficos escritores, contemporâneos, a contribuir com títulos sobre a I Guerra Mundial. Este seu Sidónio Pais, editado em 1919, subintitulado Algumas notas sobre a intervenção de Portugal na Grande Guerra, é uma compilação de artigos do autor, publicados no jornal A Vitória, no verão de 1919.

São textos de intervenção e comentário político, já posteriores ao atentado que vitimou Sidónio Pais, mas que giram em torno do que o autor considera as consequências ruinosas de que se revestiu este breve consulado nas condições do Corpo Expedicionário Português na frente de batalha: “o governo, absolutamente desinteressado de nós, deixava sem resposta os telegramas instantes do general Garcia Rosado, sob cujo comando se havia conseguido, contra e apesar do criminoso silêncio de Lisboa, aproveitar, para pôr um remate nobre a tanta miséria, o que restava ainda de fé, de esperança e de patriotismo eficiente, no mutilado, abandonado e mil vezes negado Corpo Expedicionário Português”.

Grande parte dos textos constitui uma contestação expressa à carta de Cunha e Costa no jornal Época, de 29 de Julho de 1919, intitulada “Sidónio Pais!”, e que se estende ao longo de 47 artigos que enaltecem a ação do Presidente, e que podem resumir-se à conclusão afirmada: “Sidónio Pais no capítulo relativo à nossa intervenção na guerra está limpo de toda a suspeição”.

Augusto Casimiro, por seu turno, reúne nas suas apreciações argumentos que tendem para reputar Sidónio Pais de “germanófilo e não intervencionista”, para o que se suporta ainda, no final do volume, em textos de outros autores publicados também n’A Vitória.

 [AQUI DIGITALIZADO - Hemeroteca Municipal de Lisboa]

J.M.M.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

CONFERÊNCIA – O PAPEL DE BRITO CAMACHO E DOS UNIONISTAS PERANTE A GUERRA


ORADORA: Professora Maria Fernanda Rollo (I.H.C.);

DIA: 17 de Julho 2015 (21,30 horas);
LOCAL: Museu Bernardino Machado (Vila Nova de Famalicão);

ORGANIZAÇÃO: C.M. de Vila Nova de Famalicão | Museu Bernardino Machado;

Integrado no “Ciclo de Conferências 2015: Portugal na I Guerra Mundial” (que decorrerá até Dezembro deste ano), o Museu Bernardino Machado promove uma conferência, subordinada ao tema, “O papel de Brito Camacho e dos Unionistas perante a Guerra”, a cargo da professora e investigadora do I.H.C. da  FCSH/U.N.L, Maria Fernanda Rollo.
 
 

De referir que a conferência sobre Brito Camacho, inicialmente agendada para o passado mês de Abril (dia 17 de Abril) – conforme AQUI sinalizamos –, não se realizou por diversos motivos e foi aprazada, deste modo, para o próximo dia 17 de Julho.  

A não perder.

J.M.M.

domingo, 17 de maio de 2015

ALFREDO ERNESTO DE SÁ CARDOSO (1864-1950) E O 14 DE MAIO DE 1915 (Parte II)


Durante o seu percurso militar e depois do regresso de Angola, em 1901, apresenta-se no Ministério da Guerra e no Quartel-General da 1ª Divisão. Em Fevereiro desse ano foi incumbido de realizar uma pequena tarefa na fábrica de armas. Em Julho de apresentou-se no Regimento de Artilharia nº 5, e no final de Dezembro apresentou-se no Grupo de Artilharia de Guarnição nº4.

Transferido em 1902 para o Estado-Maior de Artilharia e foi nomeado adjunto da 2ª Repartição da Direcção-Geral do Serviço de Artilharia. Em Dezembro desse ano foi transferido para o Campo de Tiro de Alcochete onde se manteve até Maio de 1907, tendo realizado diversas tarefas como o exame dos terrenos e dependências do Campo, inventariar as construções e material ali existentes. Estudando a forma mais económica e prática de juntar a Escola Prática de Artilharia com a instrução do Exército.

Com a extinção do Campo em Maio de 1907, passou a desempenhar as funções de vogal da comissão de serviço balístico e da comissão encarregada de proceder à elaboração de um regulamento de tiro e armamento, para armas portáteis e à redacção do respectivo manual.

Em Outubro de 1910, após a implantação da República foi nomeado Chefe Interino de Repartição do Gabinete da Secretaria da Guerra. Participou nos acontecimentos da Rotunda, mas quando soube do suicídio de Cândido dos Reis acabou por fazer uma retirada estratégica. Integrou também a comissão encarregada de reunir num único diploma legal as directivas sobre uniformes do Exército, procurando simplificar e adaptar às novas realidades, em especial em caso de guerra.

Promovido a major e nomeado Chefe de repartição do Gabinete do Secretariado da Guerra em 29 de Junho de 1911. Exonerado destas funções foi transferido para o comando do Grupo do 2º Batalhão de Artilharia de Costa. Em 1913 foi colocado na Repartição Técnica do Arsenal do Exército e nomeado vogal da comissão técnica de fortificações.

Em 1914 presta serviço no Regimento de Artilharia nº2, exercendo as funções de comandante do 1º Grupo e, em 1915, foi transferido para o Regimento de Artilharia nº1, tendo nessa altura sido promovido a tenente-coronel. Foi nomeado Inspector do Material de Guerra do Arsenal do Exército. Em Setembro de 1915 passou a integrar o quadro de Artilharia de Campanha, assumindo em Dezembro de 1916 o comando do 1º Batalhão de Obuses de Campanha.

Em correspondência de João Chagas para Sá Cardoso, em Janeiro de 1915, é possível encontrar uma recomendação ao militar no sentido de se conseguir o reforço do poder governamental. Mas o político republicano [João Chagas], referia que não era partidário de uma ditadura, antes seu adversário e Sá Cardoso, sendo militar, sabia as dificuldades e conflitualidades que se faziam sentir no seio da instituição militar a favor e contra a intervenção dos mesmos na vida política.

Participou na preparação do 14 de Maio de 1915, fazendo parte da Junta Revolucionária que preparou a revolução onde pontuavam António Maria da Silva [único civil], Norton de Matos e Sá Cardoso [majores] além de Freitas Ribeiro [capitão-tenente] e Álvaro de Castro [capitão].

Parte para França, integrado no Corpo Expedicionário Português, em Março de 1917. Durante esta fase é promovido a coronel para o Estado-Maior de Artilharia e, em Outubro de 1917 passa a desempenhar as funções de Comandante-Geral de Artilharia e Comandante de Artilharia da 1ª Divisão, mas em Janeiro de 1918 regressa a Portugal, porque entretanto tinha subido ao poder Sidónio Pais.

Sendo oposicionista da revolta sidonista de 5 de Dezembro de 1917, tendo sido preso em 1918 em situações degradantes que provocaram mesmo a sua queixa junto das autoridades. Segundo relato que nos chegou através do testemunho do seu filho, Carlos Ernesto Sá Cardoso, seu pai teria sido preso em sua casa e conduzido ao Governo Civil de Lisboa. Ali foi detido numa enxovia com outros detidos e depois transferido para o Castelo de São Jorge, tendo depois sido novamente transferido para o forte da Graça, em Elvas. Só viria a ser libertado durante o período conhecido como Traulitânia, comandando nesse período das forças republicanas em operações pelo Alentejo.

Em 1919, fiel à sua índole republicana, participou na ofensiva contra a Monarquia do Norte. Nesse mesmo período foi eleito presidente da Câmara dos Deputados. Em Junho desse mesmo ano assumiu a presidência do governo, acumulando as pastas do Interior e dos Negócios Estrangeiros até 1920. Nessa fase afasta-se do Partido Republicano e, juntamente com Álvaro de Castro, funda o Partido Reconstituinte. Em 1923, transita para os Nacionalistas, que resultaram da fusão com os liberais. Voltou a ser Ministro do Interior entre 18 de Dezembro de 1923 e 6 de Julho de 1924. Participa ainda com Álvaro de Castro na criação da Acção Republicana, onde desenvolve actividade até 1925.

Em 1926, com a Ditadura Militar instaurada em Portugal, Sá Cardoso foi preso e deportado. Inicialmente neutral face ao movimento de 28 de Maio, acaba pouco tempo depois por se manifestar claramente contrário à Ditadura Militar. Combatendo-a com firmeza acaba por ser preso, primeiro para Cabo Verde e depois para os Açores. 

[em continuação]

A.A.B.M.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

CONFERÊNCIA – SIDÓNIO, O SIDONISMO E A 1ª GUERRA MUNDIAL


CONFERÊNCIA: Sidónio, Sidonismo e a 1ª Guerra Mundial;

DATA: 8 de Maio 2015 (21,30 horas);
LOCAL: Museu Bernardino Machado [Vila Nova de Famalicão];
ORGANIZAÇÃO: Museu Bernardino Machado

ORADOR: Prof. dr. Armando Malheiro da Silva 

“… O Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, promove mais uma conferência do ciclo “As Grandes Questões da I República”, dedicada ao tema “O republicanismo autoritário e a posição dos católicos: uma leitura do caso singular de Sidónio Pais e do Sidonismo (1917-1918) ”. O debate terá como orador convidado o investigador Armando Malheiro [da Silva], historiador com diversas obras publicadas sobre Sidónio Pais e o Sidonismo.

Doutorado pela Universidade do Minho, onde a 17 de Maio de 1999, defendeu a dissertação de doutoramento, sob orientação do Professor Doutor Luís Reis Torgal, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, intitulada “Sidónio e Sidonismo. História e Mito”, tendo sido aprovado com distinção e louvor. É professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e docente na Licenciatura em Ciência da Informação desde Outubro de 2002, sendo ainda colaborador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra.


Nos últimos anos, Armando Malheiro tem proferido diversas conferências em estabelecimentos de ensino e de cultura, para além de uma participação intensa em vários seminários, colóquios, encontros e congressos no âmbito das Ciências Sociais e Humanas.


Dos diversos trabalhos publicados destaque para “Síntese do Projecto Sidónio e Sidonismo. História e Mito”. Itinerarium, Braga (1999); “António Cândido, Sidónio Pais e a elite política amarantina 1850-1922”; “Egas Moniz e a Política. Notas avulsas para uma biografia indiscreta”, entre muitos outros.


Refira-se que o ciclo de conferências “As Grandes Questões da I República” insere-se nas comemorações municipais do Centenário da República. Depois do Verão, as conferências regressam no dia 17 de Setembro, com o convidado Sérgio Campos Matos e o tema “Alternativas à esquerda da I República: Os seareiros” [AQUI]


J.M.M.

domingo, 1 de junho de 2014

O DR. SEBASTIÃO RIBEIRO [1894-1979] PARTE I


Sebastião José Ribeiro [1894-1979] foi republicano e socialista (segundo o próprio), um opositor (muito próximo de Cunha Leal) à ditadura e ao Estado Novo, revelando um espírito combativo, porém indisciplinado, tendo-nos deixado, na sua faceta de panfletário implacável e obstinado, um vasto conjunto de livros e opúsculos (de importância memorialista), repleto de aspectos muito curiosos.
Veja-se só esta pérola sobre o “génio do século” [assim escrito por S. Ribeiro, citando Marcelo Caetano], o ditador Salazar, seu companheiro de Curso na Universidade de Coimbra:

… Conheci Salazar em Coimbra. Frequentávamos a faculdade de direito, ele, mais antigo, caminhava pelo período transitório; e nós, mais modernos, abrimos a reforma de 1911. Avesso a expansões, Salazar convivia pouco com os camaradas. Entrou na universidade de aspecto grave, munido do curso completo do seminário, desprovido das últimas ordens, talvez se podendo dizer padre mal acabado. Como oportunamente explicou, desistiu do sacerdócio, porque, fora dele, servia melhor a igreja, na parte política queria ele significar, duvidosa como trazia a crença. Cursando o período transitório e formado como os outros em menos de cinco anos, saiu um prematuro bacharel em direito. Mais tarde, resolveu tentar a entrada no corpo docente da universidade. Procurou, com êxito, escalar a cátedra por via do grupo de cadeiras mais fáceis á aventura premeditada (… ) Aberto concurso para o grupo de cadeiras económicas, concorreu Salazar, sem competidor a fazer-lhe sombra. Apresentou-se desprovido da conveniente preparação, caso estranho para mim, porque, seja dito em abono da verdade, Salazar foi um aluno aplicado, embora desprovido de facilidade de exposição. Capaz de reproduzir, expunha sem originalidade, e era avesso a qualquer discussão …” [in “Anotações do Presente, vol II, p. 69-70 – delicioso e contundente livro-parecer sobre Salazar, o Estado Novo e as figuras do regime]
Exerceu profissionalmente as funções de advogado, assumindo também a magistratura, como delegado do procurador da República e juiz, em diversas comarcas do continente e colónias,

Sebastião Ribeiro nasce em Podence (Macedo de Cavaleiros) a 14 de Janeiro de 1894 [cf. Enciclopédia Luso-Brasileira]. Era filho do juiz Salvador Ribeiro e de Beatriz Ernestina Carneiro e sobrinho de António Máximino Carneiro, chefe poderoso do Partido Democrático em Valpaços. Depois dos seus estudos liceais ingressa na Universidade de Coimbra (em 1911, na nova reforma), onde se forma em Direito (6 de Dezembro de 1916). Vai exercer a advocacia para Resende (Viseu). Ai foi sub-delegado do procurador da República e, posteriormente, notário interino em Valpaços [cf. Sebastião Ribeiro, “Recordações do Passado”, 1967 – livro apreendido pela PIDE].
Com a investida monárquica (traulitânea ou monarquia do norte) vai procurar refúgio em Valpaços, onde pontificava o seu tio, o republicano Máximino Carneiro, aderindo à coluna de voluntários republicanos, que caminhavam para a defesa de Chaves. Em Chaves, para onde se desloca, encontra alguns republicados amigos, o dr. Gualter Rodrigues, o médico Júlio Martins, o comandante Agatão Lança, tendo conhecido António Granjo, o coronel Ribeiro de Carvalho, e outros mais, como nos relata no seu curioso livro, “Recordações do Passado”.       

Com a ditadura de Sidónio Pais foi demitido das suas funções [ibidem]. Depois de ter concorrido a concurso público, foi nomeado delegado do procurador da República para a comarca de Portel (Évora), em Outubro de 1919, tendo ali permanecido, apenas, durante um mês, por “impossibilidade de levar a bom termo a minha acção, por falta de juiz” [assim o refere, ibidem, p. 31]. Regressa a Lisboa com a ideia de ir trabalhar para África, tal era o seu desejo de conhecer aqueles territórios.
[A CONTINUAR]
J.M.M.

sábado, 28 de julho de 2012

BANDALHEIRA [OU ... SIDONISTAS & NOVOS MONÁRQUICOS]


"BANDALHEIRA", de Silvério M.[áximo] de Figueiredo Lobo e Silva, Gouveia, Comp. e Imp. Tip. Motta & Irmão, 1919, 86[2] p.[Ed. Autor]

"Opúsculo publicado num período de grande turbulência da vida nacional, após o assassinato de Sidónio Pais ocorrido em Dez. 1918, e na sequência da revolta ocorrida no Porto, pouco tempo depois, em 19 de Janeiro de 1919, ocasião em que foi proclamada a monarquia - golpe efémero que viria a ser conhecido pela Monarquia do Norte.

Em tom cáustico, o autor ataca os sidonistas e ‘novosmonárquicos em geral, não poupando nos adjectivos para classificar o seu comportamento ‘vil’ e errante, mas também particulariza, ‘chamando os bois pelo nome’. Denuncia a situação política do país, de compadrio e corrupção, pincelando o livro com exemplos da ‘podridão’ que grassava, sobretudo em casos que o envolveram a ele pessoalmente, enquanto Delegado do Procurador da República.

‘Esses torpes políticos, essa vil canalha, esterco ambulante, poeira mortífera, vilões d’origem, só de mães nascidos, mordendo com o rabo como os lacraus, que da republica velha foram para a nova, com as mesmas caras, surgindo-lhes agora a monarquia, como os cães, alçam a perna, mijam sobre a republica e saltam para a monarchia onde ocupam os mesmos logares; os mesmos tal e qual. Vêm assim desde 1911 alguns e outros desde as eleições de 1917. Republicanos sem partido, republicanos do Pimentismo, republicanos do democratismo, republicanos da união sagrada, voltando ao democratismo d’ahi passando ao unionismo e sidonismo e de tudo isto para a monarchia restaurada…’

Silvério Máximo de Figueiredo Lobo e Silva, advogado e deputado [?], natural de Sever do Vouga. Delegado do Procurador da República quando escreveu a presente obra
" [via Livreiro Monasticon, com a devida vénia (sublinhados nossos) – refª á peça bibliográfica colhida no Memória da República]

NOTA: Silvério Máximo de Figueiredo Lobo e Silva era filho de Cesar de Figueiredo Lobo e Silva, sendo natural de Senhorinha, concelho de Sever do Vouga (Aveiro). Foi bacharel pela Universidade de Coimbra no ano de 1898-99, tendo entrado no ano lectivo de 1892-93. Existem escassas referências a Silvério Máximo de Figueiredo Lobo e Silva: de facto, foi Delegado ao Procurador da República em Macedo dos Cavaleiros (1912), em Oliveira de Azeméis [1923, onde foi objecto de um processo de sindicância e, portanto, já posterior à publicação deste opúsculo], depois em Lisboa [ao que parece, pertencia a 5ª vara cível e 2º distrito criminal, quando é “afastado temporariamente do exercício das suas funções”, por Despacho do Diário do Governo, de 8 de Agosto de 1925, que não tivemos ocasião de consultar]. Sobre o autor há na Biblioteca Nacional o registo de 13 opúsculos [todos de interesse jurídico], sem que subsista qualquer indicação sobre esta peça bibliográfica, que deverá ser de muito reduzida tiragem e rara. Diga-se, por último, que existe alguma controvérsia [ou, talvez, não tão bem assim] sobre a sua [pretensa] vinculação ao título dos "Condes de Sever do Vouga", que falta redimir.

J.M.M.

domingo, 3 de julho de 2011

SETE ANNOS DEPOIS … A REPÚBLICA NOVA - EDUARDO BURNAY


LIVRO: Sete Annos Depois... A República Nova. Carta ao Sr. Sidónio Paes, ínclito e invicto restaurador da ordem
AUTOR: Anónimo [Eduardo Burnay];
EDITORA: Lamas, Motta & C.ª [Rua da Alegria, 100, Lisboa], 1918, 93 p.

"Os livros de autor anónimo, ou editados como tal, sempre me fascinaram: este era um deles! Que eu saiba, foi o Prof. Dr. Armando Malheiro da Silva [in, Sidónio e Sidonismo. História de um caso político, p. 83] o primeiro a atribuir a autoria a Eduardo Burnay: aquando da elaboração da sua tese sobre Sidónio Pais, na consulta ao arquivo deste, descobriu um exemplar do livro com uma dedicatória de EB [de facto, um dos pseudónimos de Eduardo Burnay seria E.B. – ver, Dicionário de Pseudónimos, de Adriano da Guerra Andrade] para SP [Sidónio Paes]. Era uma pista, penso que quase definitiva. A confirmação surgiu-me há dias, pelo neto: O bibliófilo e alfarrabista, Luís Burnay, confirmou-me a autoria do livro, referindo-me, inclusivé, que ainda tinha consigo o manuscrito de seu avô ..." - ler MAIS AQUI.

via Memória da República, com a devida vénia [sublinhado nosso]



NOTA: Eduardo Burnay [n. 3 de Julho 1853-m. 8 de Dezembro 1924] foi médico, bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra, lente de Zoologia (na Escola Politécnica de Lisboa: refira-se que E. Burnay foi um dos primeiros adeptos do evolucionismo, entre nós) e depois lente de Química Mineral e Orgânica na mesma instituição, delegado de saúde, professor, escritor e jornalista [cf. Enc. Luso-Brasileira] e deputado [pelo círculo de Tomar, 1894; depois eleito por Loures em 1901; idem para círculo de Lisboa Ocidental em 1902; idem em 1904, 1905 e 1906; depois em 1908 e 1910; com trabalho feito (veja-se as "Bases da reorganização do ensino secundário apresentadas em sessão de 14 de Janeiro de 1903 na Câmara do Senhores Deputados") na secção de Instrução Pública Superior – cf. Dicionário Bibliográfico Parlamentar].

Era um dos filhos do médico Henrique Burnay e de Lambertine Josephine Forgeur (ambos de nacionalidade belga). Foi, ainda, membro da Academia das Ciências (substituindo o sócio Agostinho Vicente Lourenço, tendo-lhe feito o elogio póstumo a 1 de Dezembro de 1893), presidente de Conselho de Administração da Companhia dos Tabacos e do Conselho Fiscal do Banco de Portugal (1908-1924), vice-governador do Crédito Predial (1897-1908), administrador da Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta, do Jornal do Comércio [que dirigiu politicamente: o director principal era Augusto de Castro] e o Jornal do Comércio e das Colónias. Casou com a filha de Ramalho Ortigão [a correspondência epistolar com Ramalho é acervo importante, alguma de importância queirosiana], Maria Feliciana Ortigão. Em 1886 foi a Paris, para acompanhar o processo Pasteur da luta contra a raiva [juntamente com Eduardo de Abreu, com quem manteve uma acesa polémica sobre a validade dos métodos de Pasteur] e representou Portugal no Congresso Internacional de Medicina de Madrid, em 1893. Fez parte da Comissão das Comemorações do II Centenário de Lavoisier. Publicou vários opúsculos, de interesse científico (em revistas de Coimbra e Lisboa) e literário ["Um retrato de José Agostinho de Macedo"; “In Memoriam a Sousa Martins” (1904); “Elogio histórico do Conde de Ficalho” (1906); “O Doutor Manuel Dias Ortigão” (1922; sep. Instituto); “O Conde de Castel-Melhor: as suas presumidas relações com os alquimistas, mágicos, filósofos, moedeiros-falsos e envenenadores do século XVII” (1923, sep. Instituto)]. Homem do mundo, foi dos primeiros a ter automóvel, ao mesmo tempo que era tido como grande coleccionador de arte. Curiosamente, aparece caricaturado no romance célebre, porque escandaloso na época, "Marquês da Bacalhoa" [por António de Albuquerque, 1908], como a figura do Silveirinha ["degenerado cínico" – cf. José- Augusto França, in "Marques da Bacalhoa", INCM, 2002, p. 15].

Era irmão [cf. Enc. Luso-Brasileira] do importante e influente financeiro Henrique Burnay ou "o senhor Milhão"

[Henrique Burnay (1838-1909), ou 1º Conde de Burnay (1886, conferido por D. Luís I), empregado do banqueiro Carlos Krus (com cuja filha casou), fundador da casa bancária Henry Burnay & C.ª (1875; mais tarde, em 1939, Banco Burnay), notável empresário e hábil especulador e investidor em vastas actividades comerciais, industriais e financeiras (os seus empréstimos para cobrir os défices orçamentais são bem curiosos de se seguir): como a exploração dos caminhos-de-ferro e das redes marítimas (1884), na Companhia dos Tabacos, em companhias mineiras e distintas fábricas (vidros na Marinha Grande, p.ex.), dono dos Armazéns Hermínios, da casa Havaneza, do Casino ou do Jornal do Comércio, deputado em 1894 pelo circulo de Pombal e em 1900 por Setúbal; foi um curioso filantropo e a ele se deve a construção do bairro Camões, aliás escritor que tinha em boa conta, de tal modo que participa e preside às Comemorações do Centenário de Camões em 1880 (bem como contribui para o do Marquês de Pombal (1882)), tendo ainda fundado várias escolas e albergues e sendo um dos patrocinadores do Jardim Zoológico de Lisboa (na ocasião cedeu o parque do seu palácio das Laranjeiras, para o efeito), coleccionador compulsivo (e desordenado) de obras arte e pintura, que manteve no seu palácio da Junqueira (antigo palácio do Patriarca); a sua copiosa colecção e o recheio do palácio foi vendido em leilão pelos herdeiros (1936), tendo o Estado adquirido parte, agora depositada no Museu Nacional de Arte Antiga].

FOTOS: retrato de Eduardo Burnay (esquerda) e do Conde de Burnay (Henrique Burnay)

J.M.M.