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sexta-feira, 29 de maio de 2020

MANUEL TEIXEIRA GOMES


Foi disponibilizado ontem um interessante trabalho, desenvolvido pelo prof. Carlos Osório, com uma página/site inteiramente dedicada a Manuel Teixeira Gomes, assinalando o 160º aniversário do seu nascimento.

Este interessante projecto, ainda em construção, conta com uma grande variedade de separadores:
De Manuel Teixeira Gomes
- Livros
- Artigos

Sobre Manuel Teixeira Gomes:
- Bibliografia Especifica
- Estudos Biográficos

Iconografia:
- Fotografias
- Desenhos/Pinturas

Imprensa:
- Jornais
- Ficções

Arquivos:
- Fundação Mário Soares
- Biblioteca Nacional

Colecções:
- Pintura (Museu Nacional de Arte Contemporânea/Museu do Chiado)
- Peças Decorativas

Multimédia:
- Arquivos RTP
- Instituto de Cultura Ibero-Americana
- Casa Manuel Teixeira Gomes
- Museu de Portimão
- Outros videos
- Podcasts

Casa Manuel Teixeira Gomes



Na página encontra-se uma nota de abertura com a explicação sucinta do projecto agora apresentado:
A criação de um repositório digital dedicado exclusivamente a Manuel Teixeira Gomes tem como finalidade armazenar, hiperligar e disponibilizar em acesso livre conteúdos digitais sob a forma de recursos multimédia, que podem ser pesquisados e utilizados pela comunidade em geral e, mais especificamente, pela comunidade académica e científica.
 
Este projeto inscreve-se na Missão do Instituto de Cultura Ibero-Atlântica, na medida em que procura promover de forma inovadora o estudo e divulgação da história e da cultura locais, assim como a interculturalidade mediterrânica inspirada nos itinerários mediterrânicos do escritor e viajante portimonense Manuel Teixeira Gomes.

Os estudos recentes têm demonstrado que os dispositivos móveis, utilizados em contextos de aprendizagem, ampliam as dinâmicas educativas motivacionais e permitem uma experiência interativa de imersão em didácticas de aprendizagem, podendo oferecer benefícios ímpares aos alunos, aumentando a sua autonomia face à aprendizagem e à colaboração, comunicação e partilha entre os participantes.

Assim, são nossos objetivos, para além de dar um contributo tecnológico para a divulgação da obra de Manuel Teixeira Gomes, agilizar o acesso à informação dispersa na rede, orientar as pesquisas, sobretudo na comunidade escolar, e impulsionar as instituições para o desenvolvimento de novas plataformas e aplicações digitais que possam ampliar, diversificar e democratizar o acesso ao conhecimento dos contextos histórico-literários em que o nosso escritor-presidente viveu.
Concepção, produção e edição: Carlos Alberto Osório

Muitos parabéns pela iniciativa que esperemos e fazemos votos que continue a  ser enriquecida com novos contributos. Recordo por exemplo a colaboração de Manuel Teixeira Gomes, com alguns jornais, por exemplo no jornal de Manuel de Brito Camacho, A Lucta, onde existem alguns textos da sua autoria, mas há colaborações noutras publicações periódicas tanto em prosa como com alguma  poesia. No Suplemento Literário do Diário de Lisboa, disponível através da Fundação Mário Soares AQUI. Ainda no Diário Popular, dirigido por Celorico Gil (1929-1930). No jornal republicano de Coimbra, A Evolução (1881-1882), disponível AQUI. No semanário O Diabo, também disponível via Casa Comum e que pode ser consultado AQUI. Na Revista da Universidade de Coimbra, consultável AQUI.

São meras sugestões entre múltiplas outras já disponíveis e a explorar online. Haja disponibilidade e vontade.

Com os votos do maior sucesso para a iniciativa de homenagem a Manuel Teixeira Gomes.

A.A.B.M.

domingo, 23 de outubro de 2016

JOSÉ LIBÂNIO GOMES


Numa semana em que se falou bastante de Manuel Teixeira Gomes e se apresentou a sua mais recente biografia, elaborada por José Alberto Quaresma, vimos lembrar alguns aspectos da vida do seu pai: José Libânio Gomes. São breves apontamentos biográficos:

José Libânio Gomes
 
Era natural de Portimão, porém há algumas dúvidas quanto à naturalidade[1] e filho de Manuel Gomes e de Maria Gomes. Nasceu em 6 de Setembro de 1824. Descende de homens do Norte (Mortágua, Viseu) e de mulheres de Portimão e de Alvor. Ao contrário, sua esposa, D. Maria da Glória Teixeira, descendia de famílias de Vila Nova de Portimão e dos concelhos vizinhos (Silves, Lagoa e Monchique). Manuel Gomes Xavier de Ataíde, avô paterno de Manuel Teixeira Gomes, foi alferes da Legião Lusitana ainda antes da ordem de marcha do general Junot para combater na Europa. Decerto que a sua experiência militar nas campanhas napoleónicas lhe possibilitaram a abertura ideológica necessária à futura adesão aos ideais liberais vintistas. Com várias condecorações, era tenente de Infantaria em 1823, e comandante do destacamento de Portimão em 28 de Maio de 1828 quando foi preso por ordem de D. Miguel e encarcerado no Limoeiro onde veio a morrer.

José Libânio Gomes tinha apenas nove anos de idade quando seu pai faleceu. Como ele, também rumaria a França, em 1845, não para a guerra, mas para aprender com um negociante de frutos secos, em Rouen, as artes do comércio. Em 1849 já iniciava em Portimão as bases do negócio que levaria seu filho Manuel a percorrer os mercados da Europa. A qualidade dos seus frutos secos valeu-lhe uma medalha na Exposição Internacional de Londres de 1851. Quatro anos depois é de novo premiado na Exposição Internacional de Paris, vindo a integrar a Comissão da secção Portuguesa à Exposição Universal de Anvers em 1894. Entretanto, já criara uma Parceria para a Exportação de Figos do Algarve com outros comerciantes locais. A sua dinâmica comercial facilitou as suas relações pessoais e políticas. A sua nomeação como cônsul da Bélgica em Portimão, em 1861, é o prelúdio de uma longa era de actividade diplomática que confere a esta família de comerciantes um carisma social que se prolongou durante bastante tempo.

Negociante importante em Vila Nova de Portimão, dedicando-se especialmente ao comércio dos frutos secos, tão típicos da região. Casou com Maria da Glória Teixeira Gomes em 21 de Fevereiro de 1854. Terá sido educado em França, onde assistiu à Revolução de 1848, já que o seu pai tinha estado envolvido nas campanhas napoleónicas tendo mesmo participado na Batalha de Waterloo. Tendo aí contactado com as ideias republicanas, que procurou preservar e ajudar já em Portugal. 

Em 1878, participou activamente na escolha dos elementos que deveriam compor a lista de vereadores da Câmara Municipal de Portimão, fazendo acordo com o outro influente político local, o senhor Visconde de Bivar. Em 1884, era considerado por Magalhães Lima como “o mais velho republicano do Algarve”. Fez parte do Conselho Provincial do partido que então se organizou na região, desempenhando as funções de vogal. Em 1889, era apontado como um dos mais antigos e sinceros democratas de Portimão, quando procurou dinamizar a criação de um centro republicano naquela vila. 

Em 1891, fundou o Sindicato dos Exportadores de Figo do Algarve, juntamente com Salvador Vilarinho, José Duarte de Almeida, A. J. Júdice & Irmãos e José Joaquim Serpa que visava colocar mais facilmente no exterior a produção excedentária do Algarve. Durante três anos o representante desta sociedade na Europa foi Manuel Teixeira Gomes, filho de Libânio Gomes, que percorreu nessa altura vários países europeus em busca de mercados para os figos algarvios. A partir do momento em que a sociedade se desfez, Libânio Gomes continuou as suas actividades exportadoras, mantendo o seu filho como representante da empresa no estrangeiro. Na fase final da vida exerceu também as funções de cônsul da Grécia em Portimão. Padecendo de doença grave foram frequentes as notícias sobre o agravamento do seu estado de saúde. Faleceu a 16/03/1905, com 80 anos[2].

A.A.B.M.



[1] Nuno Campos Inácio, “Apontamento Genealógico de Manuel Teixeira Gomes”, Cadernos Barão de Arêde. Revista do Centro de Genealogia e Heráldica Barão de Arêde, nº1, Julho-Setembro de 2014, p. 125 e ss. [Disponível online aqui: http://arede.eu/img/CADERNOS_BARAO_DE_AREDE_1.pdf]
Faleceu a 16/03/1905, com 81 anos[1].



[2] “José Libânio Gomes”, Diário Ilustrado, Lisboa, 20-03-1905, Ano 34, nº 11510, p. 1, col. 3.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

PROMONTÓRIA, Nº 2 - FRAGMENTOS PARA A HISTÓRIA DO TURISMO NO ALGARVE

Realiza-se no próximo sábado, dia 27 de Fevereiro de 2016, pelas 16 horas, na cafetaria do Museu de Portimão, a apresentação do 2º número da revista Promontória, subordinada ao título Fragmentos para a História do Turismo no Algarve. que contou com a coordenação de Alexandra Rodrigues Gonçalves, Paulo Dias Oliveira e Cristina Fé Santos.

A Promontoria é editada pelo Centro de Estudos em Património, Paisagem e Construção (CEPAC) da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve e tem como objetivo principal a divulgação de trabalhos de investigação na área das Ciências Humanas e Sociais, realizados por investigadores cujo âmbito geográfico se centre no sudoeste peninsular.

O presente número conta com os seguintes textos e autores:

Índice
Cultura e turismo
Vitor Neto
A experiência turística e os museus a Sul
Alexandra Gonçalves
Portimão - O Desafio Museológico Entre Turismo e Património
José Gameiro I Ana Ramos
Património Arqueológico e Turismo na Região Algarvia
João Pedro Bernardes I António Faustino Carvalho
A institucionalização do Turismo - Contributos para o estudo dos primórdios do Turismo no Algarve
Artur Barracosa Mendonça
A primeira acção de propaganda externa do Algarve - A visita dos jornalistas ingleses em 1913
Luís Guerreiro
O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)
Miguel Godinho
Contributo para o estudo do Turismo de Saúde no Algarve
Cristina Fé Santos
O Património Histórico-Artístico das Caldas de Monchique na valorização
do destino turístico algarvio

Ana Lourenço Pinto
Os primeiros Operadores Turísticos no Algarve
Alberto Strazzera
O turismo balnear em Albufeira: Uma história recente
Patrícia Batista
As vias de comunicação terrestres no Algarve e a sua evolução nos últimos 170 anos
Aurélio Nuno Cabrita
Estrada da Fóia - Da vila ao coropito
José Gonçalo Duarte
O aeroporto de Faro como infraestrutura principal do desenvolvimento
turístico da região

António Correia Mendes
O Turismo como fator de Crescimento Regional: a noção de “BeachDisease”
João Romão I João Guerreiro I Paulo M. M. Rodrigues

Um conjunto variado de assuntos e de autores, para se descobrir aspectos novos sobre a História do Turismo naquela que é a região portuguesa que mais se dedica a esta actividade. 

Para ler com toda a atenção.

A.A.B.M.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

1915 - O DESPERTAR DO ALGARVE: EXPOSIÇÃO NO MUSEU DE PORTIMÃO

Inaugura-se no próximo sábado, dia 12 de Dezembro de 2015, pelas 16 horas no Museu de Portimão, assinalando o Centenário do Congresso Regional Algarvio, a Exposição 1915 - o Despertar do Algarve

Pode ler-se na nota de divulgação da exposição:
A exposição “1915 – O Despertar do Algarve”, que também integra a programação oficial das Comemorações do Dia da Cidade, pretende transmitir as fortes emoções despertadas no início do século XX em que, pela primeira vez num gesto de grande afirmação regionalista, o Algarve foi palco de uma iniciativa pioneira de reflexão e debate sobre os principais problemas e desafios que condicionavam o desenvolvimento da região.
A importância histórica desta iniciativa republicana e o que ela representou num período tão conturbado, em plena 1ª Grande Guerra Mundial, é refletida através da contextualização da situação do Algarve, uma região então bastante esquecida que se debatia com graves problemas de acessibilidade, isolamento e comunicação, face às restantes regiões do país.
O percurso expositivo através de imagens, documentos e peças referentes àquela época, onde não falta a saudosa carrinha, o mais utilizado meio de transporte dos participantes e congressistas, desde a estação de Ferragudo–Parchal até ao Casino da Praia da Rocha, pretende dar a conhecer as principais razões e iniciativas que estiveram na base deste autêntico grito regionalista que despertou o Algarve, em 1915.
O resto da nota de divulgação pode ser encontrada AQUI.
Já se encontram disponíveis em formato digital algumas (quatro) das teses apresentadas ao Congresso Regional Algarvio AQUI.

A notícia sobre a exposição pode ser encontrada AQUI.

Um evento que o Almanaque Republicano não pode deixar de saudar e divulgar junto dos que nos vão acompanhando nestas deambulações pelo espaço virtual, depois de já termos tratado do assunto em vários artigos AQUI.

A.A.B.M.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

1915 - O ALGARVE REVISITADO: CONFERÊNCIA NAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DO CONGRESSO REGIONAL ALGARVIO



Realiza-se amanhã, 10 de Outubro de 2015, no Auditório do Museu de Portimão, pelas 15.30 h, a conferência que marca o inicio das comemorações do 1º Centenário do Congresso Regional Algarvio.

Vão apresentar o resultado das suas investigações:
- Maria João Raminhos Duarte
- Carlos Osório
- José Gameiro

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:

No âmbito das comemorações do centenário do 1º Congresso Regional Algarvio, realizado no Casino da Praia da Rocha, em 1915, terá lugar no próximo dia 10 Outubro, às 15h30, no Auditório do Museu de Portimão, a Conferência «1915- O Algarve revisitado».
Com o objetivo de relembrar, debater e divulgar a importância histórica desse momento para o conhecimento do contexto político e social da época e homenagear esta singular ação dos republicanos algarvios e as suas propostas para o progresso da região, serão apresentadas três comunicações intituladas: “Congresso Regional Algarvio: Realidade e Utopia”, “Victorino da Fonseca Dias, o fotógrafo do 1º Congresso?” e “O barítono portimonense Alfredo Mascarenhas”.
A primeira comunicação, da autoria de Maria João Raminhos Duarte, doutorada em História Contemporânea, contextualizará a particularidade deste congresso, considerado, na sua perspetiva, um evento único na história do Algarve e do país em que pela primeira vez uma região promoveu um Congresso Regional com o intuito de estudar as suas potencialidades e refletir sobre todas as matérias essenciais ao seu desenvolvimento, chamando à colaboração, pela sua reconhecida competência técnica e científica, as mais reconhecidas personalidades.
Ambiciona-se nesta comunicação divulgar o conhecimento deste acontecimento ímpar da nossa História e, sobretudo, evocar os que para ele trabalharam incansavelmente, os que sonharam e acreditaram num outro Algarve que ficou por cumprir.
Carlos Osório, professor e investigador nas áreas da fotografia, da produção, edição e comunicação de conteúdos multimédia, apresentará um retrato biográfico de Victorino da Fonseca Dias, o fotógrafo republicano de Vila Nova de Portimão, que registou com a sua câmara raras imagens do CRA – 1915, contribuindo para eternizar um dos mais importantes eventos realizados na época.
Por último, José Gameiro, Diretor Científico do Museu de Portimão, dará a conhecer a história do cantor lírico Alfredo Mascarenhas, reconhecido e prestigiado barítono portimonense, que se destacou nas sessões musicais programadas para o Casino da Praia da Rocha, pela organização do Congresso. Este será igualmente o momento para, 100 anos depois, se voltar a ouvir a “CANÇÃO DA ROCHA “, cuja música e letra foram feitas propositadamente para apoiar aquela iniciativa republicana.
A moderação da conferência ficará a cargo de Elisabete Rodrigues, diretora do jornal Sulinformação.
As comemorações, que culminarão no dia 12 de Dezembro com a inauguração da exposição “O Congresso Regional Algarvio”, no Museu de Portimão, serão marcadas por uma edição comemorativa de postais da Praia da Rocha no início de século, pelo GAMP-Grupo de Amigos do Museu de Portimão, tertúlias, encontros de reflexão e debates tendo como tema “100 ANOS DEPOIS QUE ALGARVE?”.

1º Congresso Regional Algarvio
Traduziu-se no grande momento de afirmação e reflexão regionalista onde, pela primeira vez, foi feito o levantamento das potencialidades e constrangimentos do Algarve. A imprensa regional da época deu grande cobertura ao acontecimento, de que a revista “Alma Nova“ (órgão oficial do Congresso) e os semanários republicanos “O Heraldo”, “A Alma Algarvia” e “O Algarve” constituem um bom exemplo.

Uma excelente iniciativa que não podemos deixar de saudar e de divulgar junto de todos os interessados. Além disso, um evento que marcou a região na época.

A.A.B.M.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

18 de JANEIRO DE 1934: HISTÓRIA E MITIFICAÇÃO, POR JOÃO VASCONCELOS


No próximo domingo, 20 de Setembro de 2015, no Auditório do Museu Municipal de Portimão, pelas 16 horas, vai proceder-se à apresentação do livro de João Vasconcelos.

A obra resulta da dissertação de mestrado, realizada na Universidade de Lisboa, agora editada pela Arandis Editora.

Pode ler-se a dado passo da obra:

A chamada «greve geral revolucionária», como ficou conhecido o movimento, vai eclodir apenas na Marinha Grande, Leiria, Coimbra, Almada, Cova da Piedade, Barreiro, Lisboa, Cacém, Vila Boim, Sines, Martingança, Póvoa de Santa Iria, Silves e Algoz. Este movimento, conduzido por uma Frente Única, composta pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), Comissão Inter – Sindical (CIS), Federação das Associações Operárias (FAO), Comissão dos Sindicatos Autónomos e pela Comissão dos Trabalhadores do Estado, as três primeiras filiadas em organizações sindicais internacionais , vai envolver acções de vários tipos: «(...) sabotagens das vias férreas, cortes de linhas telefónicas e telegráficas, atentados e assaltos a um ou outro local económica e politicamente importante, lançamento de bombas em lugares públicos e movimentos de greve propriamente dita. Embora, no plano dos revoltosos, sabotagens, atentados e greve andassem a par e devessem completar-se, nem por todo o lado assim aconteceu. Sabotagens e atentados não foram em número suficiente, nem atingiram centros verdadeiramente nevrálgicos do poder. A greve esteve muito longe de ser geral, começando por falhar rotundamente em Lisboa. Não conseguindo estender-se a todo o território, nem mobilizar o operariado urbano e industrial e, muito menos, atrair outros grupos e classes sociais, o movimento fracassou» . Efectivamente, registaram-se descarrilamentos de comboios em Braga e Póvoa de Santa Iria, este efectuado por comunistas, interrompendo as comunicações nas linhas do Norte e Leste; em Coimbra, os anarquistas fizeram explodir os transformadores de corrente da central eléctrica, levando à paralisia dos transportes públicos e ficando a cidade às escuras; verifica-se a sabotagem da via férrea próximo de Algoz; uma bomba explode na linha férrea, próximo da estação de Martingança; uma bomba é lançada no Barreiro provocando alguns feridos ligeiros; outras duas bombas são lançadas contra um comboio, em Benfica; ocorrem cortes de linhas telefónicas e telegráficas em Leiria, Marinha Grande, Cacém, Almada, Vila Boim e Silves; verificam-se confrontos e troca de tiros entre operários armados de bombas que queriam assaltar uma fábrica de pólvora, e as forças policiais, em Chelas e Xabregas, com lançamento de uma bomba; há manifestações de operários e greves no Barreiro, Sines, Almada, Silves, Seixal, Alfeite, Cacilhas, Setúbal e Portimão; na Marinha Grande a situação é mais espectacular atingindo características insurreccionais – os revoltosos, armados com caçadeiras, revólveres, pistolas e bombas, cortam as comunicações com Leiria, bloqueiam as vias de acesso, atacam à bomba o Posto da GNR desarmando os soldados desta corporação, ocupam a Estação dos Correios e Telégrafos, reabrem o Sindicato Vidreiro e ocupam a Vila por algum tempo . Mais acções estavam para acontecer, mas não se verificaram. A projectada greve geral foi reduzidíssima a nível nacional. Mesmo no que diz respeito a confrontos violentos, sabotagens, atentados e ocupações, ficaram muito aquém do que fora planeado. Salazar, sem grandes dificuldades, consegue restabelecer a ordem em pouco tempo. Como alguns previram, não havia condições em Portugal para desencadear um movimento de características operárias insurreccionais contra o «Estado Novo». A excepção foi a Marinha Grande, não obstante as grandes limitações e dificuldades ali sentidas. Caso os operários armados, cujos principais dirigentes eram comunistas, não tivessem ocupado a Vila, mesmo por um brevíssimo período de tempo, o «18 de Janeiro de 1934» não teria sido porventura aquilo que foi, circulando e perdendo-se por entre as veracidades da História e as brumas do Mito.

Desloca-se a Portimão para proceder à apresentação da obra o Professor Doutor António Ventura, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Sobre João Vasconcelos, autor do estudo que agora se publica, deixamos uma pequena nota biográfica:

João Vasconcelos é natural de Portimão e professor de História na mesma cidade. Licenciado em História e Mestre em História Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Desde 2010 tem sido um dos principais dinamizadores e porta-voz da Comissão de Utentes da Via do Infante, na luta contra as portagens. Desenvolvendo actividade política no Bloco de Esquerda, foi membro da Assembleia Municipal e vereador pela mesma força política em Portimão.

A nível científico, é autor de vários artigos e estudos no âmbito da História local e regional e de cariz político e sindical. Participou em congressos, conferências, seminários e colóquios pelo País, mas sobretudo no Algarve. Realizou alguns estudos como: João Bonança – Subsídio para um Estudo Crítico do seu Pensamento e Obra, 1990; Regionalização Administrativa do Continente, 1997; A Resistência Operária ao «Estado-Novo» em 1934-Análise de um Processo (co-autor) e Património em Portimão, Que opção: Preservar ou Destruir? (co-autor),1999; O 18 de Janeiro de 1934 – Anarqueirada ou Acção de Massas?, 2001; A Comuna de Paris, 2003; Fascismo, Crise e Revolta Operária no Algarve nos Anos 30 – Interpretações, Polémicas e Controvérsias, 2004; O Dia que abalou Salazar, entre outras publicações.

Uma obra que merece a melhor divulgação, com os nossos votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

domingo, 7 de setembro de 2014

I CONGRESSO REGIONAL ALGARVIO: PRAIA DA ROCHA - 99 ANOS


Assinala-se hoje, 7 de Setembro de 2014, o 99º aniversário da conclusão do I Congresso Regional Algarvio, realizado no Casino da Praia da Rocha, em Portimão, entre 3 e 7 de Setembro de 1915, devido ao interesse e empenho de António Teixeira Bicker, representante local da Sociedade de Propaganda de Portugal.
















A Comissão Executiva era presidida por Tomás Cabreira (na fotografia da esquerda), secretariado por Jaime de Pádua Franco (na fotografia da direita) que contava com mais personalidades como: Fernando da Silva David, Jacinto Parreira, Martins Mateus Moreno. Além disso, contava com A. Aboim Inglês, Agostinho Lúcio da Silva, Alberto Carrasco da Guerra, Alberto Macieira, Aníbal Lúcio de Azevedo, António Júdice Magalhães Barros, João Viegas Paula Nogueira, João Vasconcelos, José Francisco da Silva e José Parreira.

Os trabalhos estruturaram-se da seguinte forma:
Secção I – Agricultura algarvia: arborização de serras e dunas; irrigação; posto agrário do Algarve; crédito agrícola; ensino agrícola, móvel e fixo; escolas femininas e agrícolas; utilização dos salgados.

Secção II – Indústria algarvia: indústria de conservas e outras indústrias; crédito industrial; ensino industrial; parques; e viveiros piscícolas.

Secção III – Meios de transporte: estradas; pontes; vias férreas; tarifas económicas e de exportação; portos e barras.

Secção IV – Comércio Algarvio: crédito comercial; tratados comerciais; alfândegas; produtos algarvios.

Secção V – Turismo: hotéis; estações termais e marítimas; zonas de turismo; regulamentação do jogo; taxa de turismo; desportos.

Secção VI – Clima algarvio: climatologia; sanatórios; estações de repouso; postos meteorológicos.

Ao longo das várias sessões de trabalho foram propostas ao congresso 25 teses a saber:
- Aproveitamento dos Salgados do Algarve, pela exploração de gado lanígero, de João Viegas Paula Nogueira;

-Arte Algarvia, por João de Mello de Falcão Trigoso;

- Assistência à Mendicidade no Algarve, por Julião Quintinha;

- Caminhos de Ferro do Algarve, por A. de Vasconcellos Correia;

- O Clima do Algarve, por João Bentes Castel-Branco;

- O Clima do Algarve e as suas indicações, por Geraldino Brites;

- Contos, Músicas, Danças (Escorço), por José Parreira;

- Crédito Comercial e Industrial, por Tomás Cabreira;

- O Ensino Elementar Industrial, por Aníbal Lúcio de Azevedo;

- Ensino Industrial, por D. Sebastião Pessanha;

- As Escolas Industriais, por A. L. de Aboim Inglês;

- Escola Primária Agrícola, por Tomás Cabreira;

- Estradas, por Agostinho Lúcio da Silva;

- Fontes para a História do Algarve, por António Baião;

- Hotéis, pela Comissão de Hotéis da Sociedade de Propaganda de Portugal;

- Indústrias do Algarve, por Luís de Mascarenhas;

- Kurtaxe, por Manuel Emídio da Silva;

- A Luta contra o Analfabetismo e o problema do Ensino no Algarve, por Mateus Martins Moreno;

- Pesca, Escolas de Pesca, por José Francisco da Silva;

- Portos e Barras do Algarve, por José Francisco da Silva;

- Posto Agrário e Ensino Móvel, por Tomás Cabreira;

- Primícias Agrícolas e Plantas Subtropicais no Algarve, por Mário Paes da Cunha Fortes;

- A Questão Corticeira, por  Tomás Cabreira;

- Tarifas Ferroviárias, por Tomás Cabreira;

- Zonas de Turismo, por Tomás Cabreira.

O evento contou com a elite algarvia, mesmo a que vivia em Lisboa deslocou-se a Portimão para participar e assistir ao congresso. Desde deputados, altos funcionários da administração pública, senadores, médicos, advogados, professores, engenheiros, militares, agrónomos, etc. O congresso serviu para chamar a atenção do Governo Central para alguns assuntos que eram importantes resolver com alguma celeridade, mas que as condições políticas, a conjuntura económica, a guerra mundial, a burocracia e a ineficácia das organizações acabaram por não produzir o resultado esperado.

Outra iniciativa semelhante a esta só viria a repetir-se em 1950 e depois viria a ser retomado em 1980 (9 a 11 de Maio, na Aldeia das Açoteias), por iniciativa do Racal Clube de Silves. Com esta organização realizaram-se congressos ainda em 1982 (Hotel da Balaia), 1984 (19 a 22 de Janeiro no Hotel Montechoro), 1986 (19 a 23 de Fevereiro no Hotel Montechoro), 1988 (20 a 23 de Junho no Hotel Montechoro), 1990 (14 a 17 de Fevereiro no Hotel Montechoro), 1995 (7 a 9 de Abril em Vilamoura), 1997 (7 a 9 de Março, em Vilamoura), 1999 (16 e 17 de Abril, em Vilamoura), 2004 (28 a 30 de Outubro, em Tavira) e 2007 (15 a 17 de Novembro, em Lagos). 

De todos estes congressos resultaram actas que contribuiram para discutir algumas das decisões regionais, definir prioridades e estabelecer um conjunto de temas que, mesmo que não se concorde, ajudaram a tornar a região aquilo que ela é hoje. Além do mais são um excelente repositório de conhecimentos sobre a região nos últimos 34 anos.

A.A.B.M.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

CARBONÁRIOS E OUTROS REVOLUCIONÁRIOS



EDITORA: Arandis, 2014.

“Carbonários e Outros Revolucionários resulta de uma investigação completamente inédita sobre esta temática, com uma visão geral da Carbonária Portuguesa e uma análise do caso da Carbonária Portimonense.

Uma obra de cariz histórico, mais um contributo para a elaboração de uma História de Portimão.

Quem foram os carbonários e revolucionários portimonenses, que vestígios há da sua presença em Portimão e que relação havia entre eles são algumas questões que terão resposta nesta obra”. [AQUI]

J.M.M.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

MANUEL TEIXEIRA GOMES


"A 18 de Outubro de 1941 morre em Bougie, na Argélia, onde se havia exilado depois de resignar ao cargo, o 7º Presidente de Portugal, Manuel Teixeira Gomes.

Em 1950, no aniversário da sua morte o corpo é trasladado para a cidade de Portimão de onde era natural, numa cerimónia a que assistiram as suas duas filhas".

via Museu da Presidência da República Facebook

J.M.M.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O MUNDO DO TRABALHO NO SUL DE PORTUGAL


Como já referimos AQUI, vai realizar-se nos próximos dias 3 e 4 de Junho, o encontro de investigadores que se dedicam ao estudo do tema em epígrafe, cujo programa já apresentamos anteriormente.

Esta iniciativa resulta da parceria estabelecida entre o Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL em colaboração com a Universidade Popular do Porto, o CEIS XX, o Museu de Portimão e o ISMAT estão a organizar um conjunto de Encontros subordinados ao tema Áreas industriais e Comunidades operárias.

A 1ª Sessão destes encontros, que terá lugar no Museu de Portimão entre 3 e 4 de Junho de 2011.

Áreas Industriais e comunidades operárias
Encontros de investigadores locais: divulgação de estudos monográficos
Comissão Científica: Ana Nunes de Almeida, Bruno Monteiro, Frédéric Vidal, Joana Dias Pereira, Manuel Loff, Maria João Raminhos Duarte e Silvestre Lacerda

I Sessão – O Mundo do Trabalho no sul de Portugal: bolsas industriais e comunidades rurais: (Junho no Museu de Portimão)
II Sessão – o mundo do trabalho na grande Lisboa: industrialização e suburbanização (Outubro na Voz do Operário)
III Sessão – o mundo do trabalho no grande porto: urbanidade e ruralidade (Dezembro na Casa Sindical)

Um conjunto de iniciativas a acompanhar com todo o interesse.
A.A.B.M.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O MUNDO DO TRABALHO NO SUL DE PORTUGAL



Vai realizar-se nos próximos dias 3 e 4 de Junho de 2011, no Museu de Portimão, o colóquio O Mundo do Trabalho no Sul de Portugal. Bolsas Industriais e Comunidades Rurais, que conta entre os organizadores o Museu de Portimão, a Câmara Municipal de Portimão e o Instituto de História Contemporânea.

Pode ler-se na sinopse do colóquio:
A organização dos encontros Áreas Industriais e Comunidades Operárias, que terão lugar em Portimão, Lisboa, Porto e Ponta Delgada, teve como motivação a necessidade absoluta da permuta de dados empíricos, análises e reflexões entre os vários autores que se dedicam ao estudo do Mundo do Trabalho em Portugal. Tendo em consideração as entidades e os investigadores envolvidos, este evento constituirá para além disso um balanço da produção científica portuguesa
referente a esta temática.

Nesta sessão dedicada ao Sul do país procuramos reunir abordagens essenciais à compreensão dos processos históricos, sociológicos e antropológicos que estão na base
da consolidação de diversificadas comunidades trabalhadoras e do desenvolvimento de fenómenos socioculturais específicos, indissociáveis do património material e imaterial legado pelas mesmas. A comparação destes estudos monográficos e a discussão dos seus resultados trarão uma nova luz à análise social.


Na comissão organizadora encontramos Maria João Raminhos Duarte, Raquel Varela e Joana Dias Pereira.

Esta actividade também pode ser acompanhada AQUI.

Uma actividade a não perder com um painel de investigadores assinalável.

Nota: Clicar na imagem para aumentar.

A.A.B.M.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

II ENCONTRO DE ARQUIVOS DO ALGARVE


Vai realizar-se, na cidade de Portimão, amanhã, dia 20 e 21 de Maio, o II Encontro de Arquivos do Algarve, subordinados ao tema "Sistemas de Gestão Integrada da Informação".

Pode ler-se na sinopse de divulgação do Encontro:
O século XXI traz aos arquivistas grandes desafios, tais como a necessidade de centrar o serviço de arquivo numa única unidade orgânica, de promover a implementação da Gestão de Qualidade e de apoiar o progresso do Sistema Electrónico de Gestão de Arquivo nas diversas instituições algarvias. Estando já algumas instituições, entre outras iniciativas, a implementar o Sistema Electrónico de Gestão de Arquivo há que integrar no planeamento destes projectos os arquivistas, já que para além da tecnologia, os procedimentos a adoptar são arquivísticos.
Estamos a lidar com a mesma informação que já possuíamos, a diferença é o suporte do documento e a tecnologia associada, de resto temos as mesmas tipologias documentais, tais como os ofícios, as actas, as certidões, os processos e os contratos. No entanto, será necessário ter Planos de Preservação Digital para prevenir, entre outras complicações, a obsolescência tecnológica e a durabilidade dos suportes electrónicos, de modo a que o acesso à informação não nos fique a prazo inacessível e irremediavelmente perdido.

Dr. João Sabóia, Director Arquivo Distrital de Faro

Conta o encontro com um conjunto de palestras a proferir por alguns responsáveis pela arquivística local como:
- Dr. João Sabóia;
- Dr. João Henriques;
- Dra. Sílvia Duarte;
- Dr. Maranhão Peixoto;
- Dra. Gabriela Salgado;
- Dra. Luísa Pereira;
- Dra. Isabel Salvado;
- Dra. Dora Pereira;
- Eng. João Barbosa;
- Dra. Marta Nogueira;
- Dra. Isabel Dias, Dr. Nuno Marques, Dr. António Monteiro;
- Dr. Pedro Penteado.

Um tema interessante para discutir entre os participantes:
- Como preservar muita da documentação que hoje é produzida online sobretudo pelos dirigentes políticos e da administração?

Para um historiador é fundamental ter acesso a documentação para poder comprovar determinadas hipóteses que só podem ser validadas com recurso a documentos. Ora, se hoje conhecemos alguma coisa mais sobre o modo de pensar dos nossos políticos dos séc. XIX e XX foi porque se conseguiu salvaguardar as cartas pessoais. Aí exprimiam-se dúvidas, problemas, abordavam-se questões delicadas que hoje conhecemos melhor.

O problema, coloca-se agora com toda a sua dimensão, porque quase ninguém utiliza cartas, mas mails, que são pessoais, mas onde se trocam informações, se pedem opiniões, conselhos, se reflecte sobre determinado comportamento ou personalidade, mas tudo num mundo virtual que cada vez desaparece com grande rapidez, não só devido à evolução tecnológica, mas também devido a outros problemas. No futuro vamos ter dificuldade em conhecer o pensamento, as dificuldades, as dúvidas dos nossos dirigentes.

Uma situação preocupante que urge reflectir e procurar dentro do que é possível tentar resolver.

O programa deste encontro pode ser descarregado AQUI.

A.A.B.M.

domingo, 3 de abril de 2011

ÁREAS INDUSTRIAIS E COMUNIDADES OPERÁRIAS - CALL FOR PAPERS


O Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL em colaboração com a Universidade Popular do Porto e o Museu de Portimão estão a organizar um conjunto de Encontros subordinados ao tema Áreas industriais e Comunidades operárias.

ENCONTROS DE INVESTIGADORES LOCAIS: DIVULGAÇÃO DE ESTUDOS MONOGRÁFICOS
COMISSÃO CIENTÍFICA: ANA NUNES DE ALMEIDA, BRUNO MONTEIRO, FRÉDÉRIC VIDAL, JOANA DIAS PEREIRA, MANUEL LOFF, MARIA JOÃO RAMINHOS DUARTE E SILVESTRE LACERDA

I SESSÃO – O MUNDO DO TRABALHO NO SUL DE PORTUGAL: BOLSAS INDUSTRIAIS E COMUNIDADES RURAIS: (JUNHO NO MUSEU DE PORTIMÃO)

Os encontros que se pretende dinamizar têm como objectivo contribuir para a permuta de dados empíricos, reflexões e análises entre os autores que se debruçam sobre os Mundos do Trabalho no seu enquadramento geográfico, demográfico, económico, social e cultural. Dada a complexidade desta análise, que se julga indispensável para a compreensão global do fenómeno, considera-se essencial a observação monográfica, sobretudo das regiões onde ainda hoje são perceptíveis os vestígios materiais e socioculturais da industrialização e da formação da classe operária portuguesa – a actual Grande Lisboa, o actual Grande Porto e outras bolsas industriais dispersas pelo território nacional, nomeadamente no Algarve bem como das comunidades rurais, nas quais a dominância da proletarização terá determinado a participação do operariado rural no movimento reivindicativo dos trabalhadores.
A profusão além-fronteiras de estudos monográficos referentes ao enquadramento no qual este movimento germinou trouxeram uma nova luz à história social. Como Michelle Perrot faz notar, ao contrário do que acontecia nos países ocidentais mais desenvolvidos, como a Alemanha ou os Estados Unidos, onde a consciência de classe é forjada na grande fábrica moderna, nos países de industrialização tardia a autonomia da vila ou do bairro popular providenciaram o cadinho necessário à reprodução de já tradicionais solidariedades de classe.

Todavia, o mundo do trabalho está pouco estudado em Portugal. Entre as excepções contam-se algumas teses académicas e escassos artigos científicos. As monografias que se debruçam sobre os mais destacados bairros e vilas operárias portugueses são sem dúvida os principais contributos à compreensão deste fenómeno, de um ponto de vista histórico, no entanto as abordagens sociológicas, antropológicas e até geográficas deste processo têm também fornecido dados incontornáveis para a reconstrução histórica.

O conhecimento do mundo do trabalho conta ainda com a contribuição de estudos na área da arqueologia industrial e mesmo da arquitectura, que ilustram e analisam as evidências materiais, destacando a insalubridade das condições de vida e trabalho que marcavam a vivência quotidiana nestes contextos.

Em suma, os estudos actualmente existentes demonstram inequivocamente que o mundo do trabalho exige uma abordagem interdisciplinar e comparativa. De facto, se a sua complexidade exige uma análise monográfica, a confrontação dos resultados dos diferentes contextos urbanos e rurais é essencial para a caracterização geral, para a definição de um máximo denominador comum e das especificidades mais relevantes.
Neste sentido, convida-se todos os autores que se interessam e estudam estes fenómenos a partilhar os resultados da sua investigação nestes três encontros, através da apresentação de uma síntese do seu trabalho e da participação nos debates. Encoraja-se a participação dos investigadores e estudiosos locais, devendo-se sublinhar que o enfoque dado à classe operária e ao seu movimento reivindicativo não exclui de forma alguma os trabalhos que se direccionam para outras formas de associativismo popular, já que o tecido organizativo e as redes sociais formadas na decorrência da industrialização e da urbanização são fundamentais para a caracterização do Mundo do Trabalho.


A todos investigadores interessados em apresentar as suas propostas de comunicação sobre o tema em apreço devem apresentar:

Resumo (300 palavras) e biografia do autor (1 pág.)
Enviar para: encontrosinvestigadoreslocais@gmail.com até 15 de Abril de 2011
Resposta de aceitação até 20 de Abril
Papers:
Máximo 3000 palavras.
Enviar para: encontrosinvestigadoreslocais@gmail.com até 15 de Maio de 2011

A acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

ENCONTROS COM O PATRIMÓNIO - O MUSEU DE PORTIMÃO


A TSF tem vindo a apresentar um programa aos sábados, entre as 12 e as 13 horas, que resulta de uma parceria com o IGESPAR,onde se fala de sítios com história, paisagens e pessoas, o passado e o presente. Pelo microfone do repórter Manuel Vilas-Boas, e pela conversa com diferentes especialistas, ficamos a conhecer Portugal na sua variedade de monumentos, locais, sítios muitas vezes escondidos.

Neste programa já se têm dado a conhecer vários monumentos, museus, lugares de memória que por um motivo ou outro merecem a visita e a divulgação junto dos portugueses, conforme se pode constatar pelos programas guardados pela estação de rádio que podem ser consultados e ouvidos em qualquer momento AQUI.

Desta vez, Manuel Villas-Boas deslocou-se a Portimão para conhecer melhor o processo de transformação da antiga fábrica da Feu Hermanos no actual Museu de Portimão. A acompanhá-lo nesta visita contou com a companhia de José Gameiro, António Rosa Mendes, Maria João Raminhos Duarte e António Magalhães Barros Feu.

A ouvir com toda a atenção, consultando este e outros programas disponibilizados pela TSF.

A.A.B.M.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

PORTIMÃO E A REVOLUÇÃO REPUBLICANA


TÍTULO: Portimão e a Revolução Republicana;
AUTOR(es): José Tengarrinha (coord.) et al;
EDITOR: Texto Editora;
ANO: 2010.

Esta interessante peça bibliográfica da história local de Portimão, que teve o apoio da sua Câmara Municipal e edição via Texto Editora, "é um notável trabalho de investigação … feito por especialistas" [Manuel da Luz, in Nota Introdutória, p. 9] que nasceram ou aí viveram e “vem revelar muito do que foi, em Portimão, esse tempo que precedeu a República e as grandes transformações a que assistiu nos anos subsequentes” [ibid.].

E assim, de facto, é. O estudo aqui reunido – sob organização e coordenação escrupulosa do dr. José Tengarrinha – reconstitui, como nota o Coordenador [in Prefácio],"com bastante intensidade", a revolução e o ideário republicano, acompanha a organização do Partido Republicano no Algarve e o papel influente do notável cidadão e figura intelectual que foi Manuel Teixeira Gomes, regista a relevância da actividade de propaganda e a resistência da imprensa algarvia, distingue a importância e implantação das associações secretas (Carbonária e Maçonaria). Por outro lado, as profundas "mudanças estruturais" verificadas, e que desde finais de Oitocentos se observa pelo agonizar da monarquia, em particular a indelével presença de "novas elites" comerciais, industriais, sociais e políticas que dominam e revitalizam a sociedade local [veja-se, em pormenor, o texto "A Elite Política Local" (pp. 129-145) do nosso camarada de blog, Artur Mendonça e os contributos estimáveis de Valdemar Coutinho sobre a estrutura económica, o associativismo, a educação e as actividades culturais], acentuam uma curiosa "continuidade e ruptura", a que não foi de todo alheio a "clientela", justamente criada pelos "benefícios" dessa mesma elite. Assim, a melhoria das condições de vida das populações ocorrida desde os "primeiros anos da revolução" - e que estão consagradas nos trechos apresentados na II parte da obra -, revelam o empenho dos republicanos locais e marca a integração activa de Portimão (e do Algarve) "num projecto nacional que configurou, para o futuro, uma nova dimensão da relação entre região e nação" [José Tengarrinha, p.16].

Parabéns pela surpreendente iniciativa que, em boa hora, a C. M. de Portimão, proporcionou aos seus munícipes e a todos nós.

Do Sumário:

I: Portimão e a República - A Monarquia e os Monárquicos [Maria João Raminhos Duarte] / O Algarve no virar do século: o despertar [idem] / A Recepção da Revolução [Valdemar Coutinho] / A República e os Republicanos [M.J.R.D.] / Os Monárquicos no novo regime [idem] / A Igreja, os católicos e o movimento anticlerical [idem] / A Maçonaria em Portimão [António Ventura] / Topografia e Toponímia portimonense. Lugares de memória republicanos [Alberto Piscarreta; Luís Vidigal; M.J.R.D.; Artur Mendonça];

II: As mudanças estruturais – A elite política local [Artur Mendonça] / A evolução na estrutura da sociedade [Valdemar Coutinho] / A estrutura económica: agricultura, pescas, oficinas, fábricas e comércio [V.C.] / Os meios de comunicação marítimos e terrestres. A circulação de mercadorias, pessoas e ideias [V.C.] / Ensino oficial e particular. As actividades culturais [V.C.] / O Associativismo em Portimão [V.C.] / Urbanismo e Património Arquitectónico [V.C.];

III: Política – O quadro político: Análise comparativa dos resultados eleitorais antes e depois do 5 de Outubro (a nível nacional e local) [Luís Vidigal] / Os deputados do Algarve na Constituinte de 1911 [Artur Mendonça];

IV: Manuel Teixeira Gomes e a oposição ao Estado Novo [Maria João Raminhos Duarte].

J.M.M.

domingo, 5 de dezembro de 2010

ENCRUZILHADAS - MANUEL TEIXEIRA GOMES, LUZ E SOMBRA NO HORIZONTE INCERTO


Na próxima sexta-feira, dia 10 de Dezembro, no Auditório do Museu de Portimão, vai realizar-se o colóquio Encruzilhas - Manuel Teixeira Gomes: Luz e Sombra no Horizonte Incerto, que conta com a coordenação científica do Prof. José Manuel Tengarrinha.

Afirma-se na nota informativa deste colóquio:
O Colóquio Manuel Teixeira Gomes, Luz e Sombra no Horizonte Incerto, é um importante encontro científico que vai juntar alguns dos melhores investigadores em História Contemporânea e que contribuirá para lançar luz sobre a participação de Manuel Teixeira Gomes neste período crucial para o nosso país que cobre os últimos anos da Monarquia, a implantação da República, a participação de Portugal na Grande Guerra e as complexas negociações que levaram à Paz; e igualmente a instabilidade política e as vicissitudes dos governos da Primeira República, nomeadamente os do mandato presidencial do escritor e diplomata portimonense.

Participam no colóquio:
- Fernando Rosas: Teixeira Gomes e a Nova República do pós-guerra
- Maria João Raminhos Duarte: Teixeira Gomes e a Oposição ao Estado Novo
- António Ventura: A Maçonaria e a I República
- Duarte Ivo Cruz: Manuel Teixeira Gomes e as negociações do Tratado de Versalhes (1919)
- Isabel Nobre Vargues: O jornalista Norberto Lopes e o cidadão de Bougie, Teixeira Gomes: um encontro no exílio e um estudo para a história e memória política e cultural da República
- Fernanda Rollo: A República e o Desenvolvimento
- Mostafa Zekri: Mediterrâneo e Mediterraneidade
- António Valdemar: Temporalidade e Intemporalidade de Manuel Teixeira Gomes

No final do colóquio, proceder-se-á à apresentação da obra Portimão e a Revolução Republicana, coordenada pelo Prof. José Tengarrinha.

A.A.B.M.

sábado, 27 de novembro de 2010

COLÓQUIO ENCRUZILHADAS: MANUEL TEIXEIRA GOMES, LUZ E SOMBRA NO HORIZONTE INCERTO


No próximo dia 10 de Dezembro, em Portimão, vai realizar-se o Colóquio Encruzilhadas: Manuel Teixeira Gomes, Luz e Sombra no Horizonte Incerto, com coordenação científica do Professor Doutor José Tengarrinha, professor jubilado da Universidade de Lisboa.

Uma iniciativa realizada pela Câmara Municipal de Portimão, que vai decorrer nas instalações do Museu Municipal de Portimão. Serve o presente colóquio para assinalar os 150 anos do nascimento de Manuel Teixeira Gomes, para assinalar o Centenário da República e realiza-se no dia em que Portimão foi elevada à categoria de cidade em 1924.

Uma actividade a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.