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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA. DISCURSO PRONUNCIADO NA SUA SESSÃO INAUGURAL POR AURÉLIO QUINTANILHA




LIVRO: A Universidade Livre de Coimbra (reed. 1925);
AUTOR
: Aurélio Quintanilha; Prefácio de Paulo Archer de Carvalho
EDIÇÃO: Editora Lema d’Origem (2017); 

APOIOS: Pró-Associação 8 de Maio | União das Freguesias de Coimbra | GAAC | Ateneu de Coimbra




LANÇAMENTO DA OBRA:

DIA: 12 de Outubro 2017 (18,00 horas);
LOCAL: Casa Municipal da Cultura de Coimbra (R. Pedro Monteiro, 64);
ORADOR: Professor Doutor Carlos Fiolhais.

“A formação da Universidade Livre de Coimbra – Instituto de Educação Popular (ULC, 1925-1933) obedeceu ao estratégico desiderato de efectiva instrução pública complementar, gratuita, voluntária e demopédica que anima a acção programática das similares universidades populares que, entre nós e após a instauração da República, se possibilitaram e expandiram. Acção inscrita num movimento europeu muito vasto (Bélgica, França, Inglaterra) de congéneres universidades populares e livres (em rigor, não sinónimas, por vezes mesmo dicotómicas), originado após os meados do século XIX, do qual manterá no fundamental a matriz democrática e laica.

No específico contexto histórico marcado, contudo, pela derrisão da I República, a ULC representou um dos derradeiros programas práticos da militância laica e da livre solidariedade dos intelectuais com o operariado e o pequeno funcionalismo. Não admira, também por isso, que na sua plural circunstância fundadora convirja dúplice e indesmentível influência republicana e maçónica, concatenada na pedagogia, prática, dos direitos, liberdades e garantias fundamentais da cidadania: materializando reivindicações populares de acesso das mulheres à escolarização, de educação sexual, de higiene e implementação de infantários, na exigência de construção do ensino técnico profissional e na formação contínua dos formadores. Propostas estas que a Constituição da República Portuguesa de 1911 não asilara” [Paulo Archer de Carvalho, inAlgumas anotações póstumas: a apresentar a conferência e o conferencista”, p. 9-10]




Trata-se da reedição do raro e estimado opúsculo do cientista, investigador, professor, pedagogo, libertário e maçon, Aurélio Quintanilha (1892-1987) e que transcreve o discurso por si pronunciado na sessão inaugural da Universidade Livre de Coimbra, a 5 de Fevereiro de 1925, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

As Universidades Livres nascem do ideal civilizador, laico e republicano, de ser a instrução um factor, por excelência, de promoção social, moral e intelectual das camadas populares. A educação popular, o ensino e o amparo moral eram, assim, tomadas como “extensões universitárias” e onde os professores, saindo das suas “torres de marfim” uniam o intelectual ao “manual”, espalhavam conhecimentos e sábios ensinamentos, cumprindo o dever de formar e unir homens livres. De facto, os cursos livre, as conferências realizadas e as inúmeras atividades realizadas (visitas de estudo, excursões), despertaram grande interesse, e dizem que estávamos, sem dúvida, na presença do melhor e mais valioso escol intelectual da nossa Primeira República.

ANOTAÇÃO SOBRE AS UNIVERSIDADES LIVRES: a Universidade Livre do Porto aparece em Dezembro de 1903, renovando-se a partir de 1912, com o magistério de Leonardo Coimbra.

Por sua vez, após a terceira tentativa gorada, a Universidade Livre de Lisboa [que teve sede na Praça Luís de Camões, nº42, 2º, Lisboa] surge publicamente em 28 de Janeiro de 1912 [pelo esforço do deputado republicano, mutualista, associativista e benemérito Alexandre Ferreira (pai do poeta José Gomes Ferreira) e maçon (irmão “Verdade”, da Loja Montanha), e seu primeiro presidente e pela dinamização de Tomás Cabreira (propagandista da República, mais tarde ministro das Finanças, ele próprio maçon, o irmão Solon, iniciado na Loja Portugal, de Lisboa, e na altura integrando a Loja Marquês de Pombal]. A sua sessão inaugural decorreu no Coliseu de Lisboa (Rua da Palma) e contou com a presença do presidente da República, Manuel de Arriaga, Queiroz Veloso (diretor da Faculdade de Letras e que presidiu à sessão), capitão Simões Veiga, tenente-coronel Almeida Lima (da Faculdade de Ciências), Tomás da Fonseca (pelas Escolas Normais) e Carneiro de Moura (pela Escola Colonial). Usaram da palavra, além de Queiroz Veloso e Alexandre Ferreira, Agostinho Fortes, Rui Teles Palhinha e Carneiro de Moura. Publicou a Universidade Livre de Lisboa um curioso Boletim [nº1, Janeiro de 1914; em 1916 denomina-se Boletim Patriótico da Universidade Livre], tendo a dirigi-lo Alexandre Ferreira. Cessa, a Universidade de Lisboa, as suas atividades em Março de 1935. O seu valioso património foi legado à Sociedade “A Voz do Operário”.

Em Coimbra, a Universidade Livre, é fundada em 5 de Fevereiro de 1925 e tendo como fundadores, Joaquim de Carvalho, Adolfo de Freitas, Alberto Martins de Carvalho, Alcides de Oliveira, Almeida Costa, Álvaro Viana de Lemos, António Sousa, Aurélio Quintanilha, Darwin Castelhano, Floro Henriques, Manuel Reis e Tomás da Fonseca.

A Universidade Livre teve a sua delegacia na Figueira da Foz, com sessão inaugural a 5 de Abril de 1929 e realizada no salão Nobre dos Paços do Concelho. Abriu a sessão o dr. João Monsanto, lendo uma carta do dr. Joaquim de Carvalho, impossibilitado de marcar presença, estando na mesa o capitão Melo Cabral (presidente da Comissão Administrativa Municipal), José Nicolau Borges (secretário e representante do operariado figueirense) e Francisco Águas de Oliveira (pelo professorado), seguindo-se uma palestra pelo dr. Luís Carriço (figueirense e professor da UC) com o tema “Como se viajava dantes e como se viaja hoje em África”. A delegacia da Figueira da Foz teve a sua sede nas instalações da Biblioteca Municipal e a sua comissão executiva era constituída por António Vítor Guerra, Mário Dias Coimbra, Manuel Neves da Costa, Fausto Pereira de Almeida e Jaime Viana. Abriu, posteriormente, a delegacia, uma escola nocturna de Instrução Primária, bem como cursos de geometria e escrituração comercial, na sede da Associação dos Carpinteiros. Inaugurou, em 1932, uma biblioteca móvel. Comemorou, com dignidade, o 31 de Janeiro, o 5 de Outubro, o 1º de Dezembro de 1640, o centenário de João de Deus. Tomás da Fonseca, Manuel Jorge Cruz, Cristina Torres, Maurício Pinto, comandante Jaime Inso, dr. Rocha Brito, Alexandre Ferreira, Neves Rodrigues, Afonso Perdigão, Afonso Duarte, Manuel Mariano, Manuel Gaspar de Lemos, Fernando Correia, foram alguns dos palestrantes das inúmeras conferências realizadas.       

J.M.M.

A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA (DISCURSO), POR AURÉLIO QUINTANILHA

Título: A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA, Discurso Pronunciado na Sessão Inaugural
Autor: Aurélio Quintanilha
Local: Casa Municipal da Cultura de Coimbra (Rua Pedro Monteiro, 64)
Dia: 12 de Outubro de 2017
Horário: 18h00
Organização: GAAC (Grupo de Arqueologia e Arte do Centro)

A obra será apresentada pelo Professor Doutor Carlos Fiolhais.

A acompanhar com todo a atenção.

A.A.B.M.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA (1925-1933): CONFERÊNCIA

O Ateneu de Coimbra e a Pró-Associação 8 de Maio promovem amanhã, 14 de Maio de 2016, duas conferências que têm por objecto de estudo a Universidade Livre de Coimbra, que funcionou entre 1925 e 1933.


 Universidades Livres e da Universidade Livre de Coimbra
[...] É neste movimento, em prol da instrução popular [...] que se inscreve a criação da Universidade Livre de Coimbra. São instituições hostis a quaisquer privilégios culturais, que defendem um ensino autónomo, independente de poderes religiosos e políticos e despojado de qualquer sectarismo, submetido apenas (submissão crítica e metódica) aos preceitos das ciências (monopólio dos ricos), apoiado numa aprendizagem de saberes aplicados e práticos, tendo como finalidade máxima a emancipação intelectual (iniciativa e autonomia), profissional (aprendizagem ou aperfeiçoamento de um ofício), política (democratização), cívica (cidadania) e moral; acreditam os seus artífices que essa emancipação e o progresso do homem estão, essencialmente, dependentes da expansão da educação e da socialização das ciências aplicadas, que devem privilegiar, como seus destinatários, os que dela são, normalmente, excluídos: os trabalhadores; por isso, a latitude deste ensino deve ser móvel e regionalizada (para que todos a ele tenham acesso), incluir os estudos pós-primários na actividade profissional dos seus destinatários, dar-lhes um carácter vincadamente prático e, se possível, o ensino ser barato, senão mesmo gratuito. De qualquer modo, todos estavam de acordo que não se podia limitar à instrução primária (gratuita): as Universidades Livres deviam ter um carácter profissional e educativo e até profissionalizante e ser uma extensão universitária [...].
Quanto à metodologia, a Universidade Livre (como a de Lisboa, por exemplo) devia procurar o “ensino integral”, ministrá-lo de forma prática, atraente e experimental, recorrendo a conferências, palestras, lições e cursos.

A Universidade Livre de Coimbra não foi, pois, um mero projecto politicamente inocente e inovador de um grupo de intelectuais. [...] Aliás, as universidades livres e populares – ainda que sem esta denominação – já tinham tradição em Portugal, remontando aos fins do século XIX e princípios do século XX, de que são exemplo, entre outros, a Academia de Estudos Livres (fundada em 1889), o Instituto de Coimbra [...]. É neste movimento, em prol da instrução popular [...] que se inscreve a criação da Universidade Livre de Coimbra [...]

Sobre a Universidade Popular, cf. A. H. de Oliveira Marques, «Universidade Popular», in Dicionário de Maçonaria Portuguesa, II, 1458-1461.


Da lição inaugural...

Aurélio Quintanilha fez a “lição inaugural” da nova instituição, no salão nobre da Câmara Municipal, tendo a presidir à sessão, Bernardino Machado que proferiu um discurso sobre a socialização do ensino, que assentava na valorização do trabalho como factor fundamental da formação moral. Aurélio Quintanilha não circunscreveu a sua lição ao estrito âmbito da instrução popular; conectou-a, outrossim, com a política e com a emancipação democrática dos trabalhadores. [...] Na cerimónia de lançamento, disse então: “um ofício é tão imprescindível à moral como a experiência à física”. Partindo deste pressuposto, defendia que todos deviam aprender um ofício, independentemente da sua riqueza e que até no acesso ao ensino superior se devia exigir do candidato prova de que o sabia (e, reciprocamente, exigir-se instrução ao operário).

Era necessário que as Universidades e os seus intelectuais [...] viessem, em primeiro lugar, até à Universidade Livre conviver com os seus camaradas das fábricas, das oficinas e dos campos e, em segundo lugar, que os instruíssem e educassem, especialmente através da socialização das ciências – sobretudo das aplicadas –, para os tornar conscientes dos seus direitos e deveres, intelectualizando, deste modo, as pugnas sociais, retirando-as da violência da rua, das trincheiras, das barricadas e deslocando-as para as batalhas do pensamento. Esta era, segundo disse Quintanilha, a finalidade da Universidade Livre: erradicar o sectarismo, a ignorância e o fanatismo, dando lugar, gradualmente, à tolerância, ao diálogo e ao respeito mútuo, servindo-se, para o efeito, de uma educação matricialmente cientifica, positiva e útil” [...]
Norberto Cunha, Aurélio Quintanilha

São conferencistas amanhã, sábado, 14 de Maio, na Casa da Escrita, pelas 18 horas com a presença dos Professores:
- Norberto Cunha
- Paulo Archer de Carvalho

Sobre a questão das Universidades Livres encontram-se já alguns trabalhos disponíveis que recomendamos a consulta:

Uma sessão muito interessante e que recomendamos a todos os nossos seguidores.

A.A.B.M.