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quinta-feira, 28 de maio de 2020

HEMEROTECA DIGITAL DO ALGARVE


Desde há alguns meses que se encontra disponível para consulta online a HEMEROTECA DIGITAL DO ALGARVE (H.D.A.)

Pode ler-se na nota de Apresentação:


A Hemeroteca Digital do Algarve (HDA) resulta de uma ideia de Luís Guerreiro, apresentada a votação no âmbito do Orçamento Participativo de Portugal de 2017 (OPP2017) e tem como objetivo reunir, num único ponto de acesso, uma coleção com mais de 300 títulos de publicações periódicas, que se encontra fisicamente dispersa por várias bibliotecas, arquivos e museus de Portugal.

A Hemeroteca Digital do Algarve oferece o acesso universal aos jornais e revistas produzidos no Algarve a partir de 1810, contando com um sistema que proporciona novas funcionalidades de pesquisa das publicações digitalizadas e dos seus conteúdos.

A base de dados encontra-se ainda em fase de carregamento.
Neste momento estão disponíveis 283 títulos.

Nesta primeira fase, o utilizador poderá aceder aos números disponíbilizados, pesquisando por título, autor (diretor ou redator), data e local de edição. A cada número corresponde um pdf, dentro do qual é possível localizar as palavras que se considerarem relevantes. Para obter uma lista com todos os títulos disponíveis deve pesquisar com num qualquer dos campos (título, data, etc.).

Numa segunda fase, em desenvolvimento, o utilizador terá ao seu dispor a possibilidade de pesquisar, por palavra ou assunto, no texto integral, logo a partir dos módulo de pesquisa.


Para ler toda a nota de apresentação consultar AQUI.

Para se ver a pesquisa deve preencher o título (sem acentos), o director, a localidade (talvez a forma mais simples), ano de publicação e pesquisar como fiz aqui para ver o que se encontra disponível, embora nem todos estejam já integralmente carregados, mas já se encontram muitos títulos disponíveis. Ver AQUI.

Fica a sugestão para uma visita e descoberta desta plataforma digital muito útil que ficou disponível para investigadores, curiosos e interessados nas questões sobre o Algarve.

A.A.B.M.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

HEMEROTECA DIGITAL DA BIBLIOTECA MUNICIPAL DA FIGUEIRA DA FOZ – PEDRO FERNANDES TOMÁS – ESTÁ ONLINE



A Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, Pedro Fernandes Tomás, que tem a gratidão e o apreço dos amantes dos livros & outras letras, tem na sua morada um vasto repositório de peças bibliográficas únicas e valiosas, estimadas e curiosas, em especial a sua colecção de periódicos, legada por homens devotos da historiografia local, homens livres e de sábios costumes.
Despertando a curiosidade dos neófitos & de investigadores ou simples ledores de “papéis pintados com tinta”, a Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás, da Figueira da Foz, começou a disponibilizar online o seu vasto e rico acervo da imprensa local. Nunca será demais o nosso agradecimento e ventura. Vale!     

 
 
 
 
ALGUNS PERIÓDICOS DIGITALIZADOS: Desafronta: Homenagem aos caixeiros figueirenses. – N.º único (1 Nov. 1903) - Figueira da Foz: [s.n.], 1903 Ginásio Clube Figueirense: comemorativo do seu cinquentenário - Nº único (1945) - Figueira da Foz: G.C.F., 1945 Jornal de cinema: quinzenário de cinéfilos e para cinéfilos / dir. e red. Miguel da Mota Veiga Gaspar. - A. 1, s. 1, nº 1 (15 Nov. 1929) - a. 3, s. 3, nº 10 (10 Jul. 1932). - Figueira da Foz: Eduardo Paulo de Macedo, 1929-1932 – Quinzenal O Palhinhas / dir. ErnestoTomé. – S. 2, n.º 1 (30 Ago. 1930). - Figueira da Foz: [s.n.], 1930 [trata-se da nova edição que vem publicada com o jornal O Figueirense, porque na verdade O Palhinhas é um curioso periódico com o seu 1º nº publicado em 25 de Julho de 1915, sendo proprietário do jornal José dos Santos Alves e diretor Augusto Pinto] Sport Cine / dir. M. da Costa Luz. A. 1, n.º 12 (20 Jun. 1935) - Figueira da Foz: Tip. de O Figueirense imp., 1935 A Voz da Justiça: bi-semanário republicano da Figueira da Foz / dir. Manuel Jorge Cruz [apenas está online 2 numrs deste importante jornal local, porventura um dos mais valiosos periódicos republicanos saídos da imprensa regional portuguesa – aguardando-se a sua plena digitalização] À cidade da Figueira da Foz: homenagem ao Exercito Portuguez/Empreza do Casino Peninsular. - Número único (Fev. 1897) - Figueira da Foz: Empresa do Casino Peninsular, 1897 Album Figueirense: revista mensal regionalista/dir. João de Oliveira Coelho. - Ano 1, n° 1 (Jun. 1934) - ano 4, n° 7 (Maio 1940). - Figueira da Foz: J. O. Coelho, 1934-1940 Almanaque illustrado do jornal A praia da Figueira: secção literaria, informações, anuncios etc / Director e proprietario Carlos Idães. - Ano 1 (1909). - Figueira da Foz: Typ. Popular de Manuel J. Cruz, [1908] A alvorada [Copiografado]: semanario de caricaturas / Redactor F. S. Morgado; [desenhos de António Piedade]. - Ano 1, nº 1 (4 Maio 1903) -ano 1, nº 6 (8 Jun. 1903). - Figueira da Foz: [Miguel Rodrigues], 1903 Anuario Figueirense: cronologico, topografico, burocratico, comercial, agricola, estatistico, biografico e literario / Coordenado por João O. Coelho. - Ano 1 (1918) -ano 2 (1920). - Figueira da Foz: J.O. Coelho, 1917-1919 A arte nova [Copiografado] / Director AV-LI-6; proprietário Ole-e-Ole. - Ano 1, n.º 1 (29 Jun. 1902). - Figueira da Foz: [s.n.], 1902. - il. ; 22 cm. - Desconhecida. - Apenas foi publicado o ano 1, n.º 1. - Essencialmente caricaturas Diário da Praia: actualidades / prop. ed. e dir. Albano Duque e Adriano Santos. - Ano 1, n.º 1 (4 Ago. 1929) -ano 2, n.º 124 (4 Out. 1936). - Figueira da Foz: Albano Duque: Adriano Santos, 1929-1936. - il. ; 33 cm ; 41 cm. - Diário. - O texto do n.º 1 do ano 1 é datiloscrito e policopiado, com a publicidade impressa no verso de cada folha. - Editado durante a época estival. - No ano de 1929 é editado apenas em agosto, com periodicidade mais irregular. - Publicado nos anos 1929, 1935-1936 Echos da Figueira / [Dir.] José Carlos da Silva Pinto, Cassiano Diniz Corte Real. - Ano 1, n.º 1 (16 Jul. 1882) -ano 1, n.º 11 (30 Out. 1882). - Figueira da Foz: Casa Minerva, 1882. - 23 cm. - Mensal. - Alterações de formato: n.º 2, 26 cm ; n.º 3 a 5, 38 cm ; n.º 6 a 11 Europa: quinzenário de informações e propaganda / Red. António Amargo; propriedade da empresa Neto de Carvalho. - Ano 1, n.º 1 (15 Abr. 1925) -ano 3, n.º 7 (1 Ago. 1927). - Figueira da Foz : Café Casino Europa, 1925-1927 Evolução: pela Pátria e pela liberdade / Director J. Alves Miranda. - Ano 1, nº 1 (22 Ago. 1909) -ano 1, nº 14 (30 Out. 1910). - Figueira da Foz: Imprensa Lusitana, 1909-1910. - Semanal. - Periódico maçónico, órgão da loja figueirense Evolução Figueira: litteratura, sciencia e arte / Redactores Pedro Fernandes Thomás e Eloy do Amaral; secretário e editor Francisco Martins Cardoso. - Série 1, ano 1, n.º 1 (Jan.1911) - série 7, n.º 1-2 (Jan./Fev. 1916). - Figueira da Foz: Grupo Studium: Biblioteca Pública Municipal, 1911-1916 Figueira desportiva / Director Dr. José Rafael Sampaio; administrador e editor Joaquim Alfredo Anjos Pedro; secretario da redacção Constantino Nunes da Silva. - Ano 1, n.º 1 (25 Dez. 1924) -ano 3, n.º 141 (1 Set. 1927). - Figueira da Foz: Tipografia Popular, 1924-1927 Figueira reclame: jornal independente, litterario, sportivo, ilustrado e annunciador/ Directores e proprietários M. Cardoso Martha e Eloy do Amaral. - Época 1, n.º 1 (Jun. 1907) -época 1, n.º 4 (Out. 1907). - Figueira da Foz: M. C. Martha: E. Amaral, 1907 A messe / Director Lucas Freire d'Abreu Pessoa. - Ano 1, n.º 1 (14 Fev. 1889) -ano 1, n.º 4 (1 Abr. 1889). - Figueira da Foz: [s.n.], 1889. - 24 cm. - Semanal. - Publicação reproduzida em fotocópia Noticias da Figueira/ Propriedade e direcção técnica de Carlos Baptista; director e editor J. Vasco Martins Baptista. - Ano 1, nº 1 (24 Maio 1941) -ano 31, n.º 1164 (24 Dez. 1972). - Figueira da Foz : J.V.M. Baptista, 1941-1972 O operariado: folha semanal / [Redactores Delfim Gomes... et al.]. - Ano 1, n.º 1 (14 Mar. 1889) - [ano 1, n.º 31 (6 Nov. 1889)]. - Figueira da Foz: [s. n.], 1889 O operario: folha da classe operaria / [dir. Ernesto Fernandes Tomás]. - Ano 1, n.º 1 (25 Ago. 1889) -ano 3, n.º 121 (15 Out. 1893). - Figueira da Foz: [E. F. Tomás], 1889-1893. - 40 cm. - Semanal. - A partir do n.º 104 passa a denominar-se O Operário Figueirense Pela Republica : numero unico commemorativo do 31 de Janeiro de 91. - Número único (31 Jan. 1905). - Figueira da Foz: [Centro Eleitoral Republicano Dr. José Falcão], 1905. - Continuação de: Glória aos Vencidos, 1904 O Petiz / Redactores Adelino Veiga, Raymundo E. P. Junior, Augusto Veiga. - Ano 1, n.º 1 (Mar. 1905) -ano 1, n.º 3 (Maio 1905); série 2, n.º 1 (3 Ago. 1909). - Figueira da Foz : Imprensa Lusitana, 1905 A Praia: revista quinzenal / Editor J. H. Santos; propriedade da Casa Havaneza. - Ano 1, n.º 1 (23 Jul. 1917) -ano 1, nº 5 (18 Out. 1917) ; [nova série], n.º 1 (21 Ago. 1921) -nº 8 (9 Set. 1923). - Figueira da Foz: J. H. Santos, 1917-1923 A Praia elegante / Redactor principal e editor Antonio Correia Pinto d'Almeida. - Série 1, n.º 1 (28 Jul. 1918) -[série 1, n.º 10 (29 Set. 1918)]. - Figueira da Foz: A.C.P. Almeida, 1918. - 36 cm. – Irregular O raio x : quinzenario humoristico / Director M. de Sousa ; propriedade do Grupo d'O Raio X. - Ano 1, nº 1 (5 Fev. 1924). - Figueira da Foz : Tip. Peninsular, 1924. - 39 cm. - Quinzenal. - Foi apenas editado o ano 1, n.º 1 O Rancho do Vapor : homenagem a Manuel Dias Soares / organizado pela Comissão Promotora da Homenagem a Manuel Dias Soares. - Nº único (1 Jun. 1935). - Figueira da Foz: Tip. Popular, 1935 A Redenção: política, literatura, arte, noticiario, anuncios, etc. / Dir. José Rafael Sampaio, Raimundo Esteves Pereira Júnior; redator Augusto Veiga Junior ; propriedade Anibal Cruz. - Ano 1, nº 1 (1 Maio 1909)-ano 1, nº 19 (1 Fev. 1910). - Figueira da Foz : Tipografia Popular de Manuel J. Cruz, 1909-1910 Revista da Figueira : publicação mensal de arte, sciencia elitteratura / Redactores João Templario, Manoel d'Almeida, Cardozo Marto. - Vol. 1, nº 1(Abr. 1903) - nº 2 (Out. 1917). - Figueira da Foz : Imprensa Lusitana, 1903-1917. - il. ; 25 cm. - Irregular. - Publicado em 1903 e 1917 Revista litteraria. - N.º 1 (Jul. 1904) - n.º4 (Abr. 1906). - Figueira da Foz : Gazeta da Figueira, 1904-1906. - il. ; 22 cm. - Irregular. - Suplemento à Gazeta da Figueira Tribuna Literária : secção quinzenal de O Figueirense / Director Belarmino Pedro. - Ano 1, nº 1 (10 Abr. 1940)-ano 11, nº 296 (24 Nov. 1951). - Figueira da Foz : O Figueirense, 1940-1951.
 
J.M.M.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O SÉCULO XX EM REVISTA(S)



O Século XX em Revista(s)” – por Luís Miguel Queirós, in Jornal “Público
As quatro principais revistas históricas do movimento anarco-sindicalista português juntam-se este sábado a outras importantes publicações já colocadas online pelo portal Revistas de Ideias e Cultura, uma gigantesca base de dados que abre à navegação digital aquelas que foram as grandes montras culturais do século XX.
As duas séries d’A Sementeira (1908-19), a Germinal (1916-17), o suplemento d’A Batalha (1923-27) e a Renovação (1925-26), quatro revistas fundamentais para a história da disseminação do ideário anarquista e do desenvolvimento do movimento anarco-sindicalista português ao longo das primeiras décadas do século XX, já podem ser integralmente consultadas e pesquisadas online. É a mais recente expansão do portal Revistas de Ideias e Cultura (RIC), um ambicioso projecto dirigido por Luís Andrade e desenvolvido pelo Seminário de História das Ideias do Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em parceria com a Biblioteca Nacional e a Fundação Mário Soares.
O objectivo, explica Luís Andrade, professor de Filosofia da Universidade Nova, é “fazer o mapeamento da cultura portuguesa do século XX a partir da análise sistemática do conteúdo das revistas tidas por mais significativas”.
Mais do que um arquivo digital, o RIC é uma base de dados dotada de sofisticadas ferramentas de pesquisa e que permite ao leitor ou investigador não apenas aceder ao conteúdo integral das diferentes publicações, mas também consultá-lo a partir de uma série de critérios que podem cruzar-se numa mesma busca e que incluem índices de autores (quer de textos, quer de ilustrações), conceitos (por exemplo, anarquismo), assuntos (por exemplo, I Guerra Mundial), nomes citados (distinguindo os singulares e os colectivos), obras citadas ou nomes geográficos.


Suponhamos que o leitor está interessado em textos que abordem a I Guerra Mundial: se fizer uma pesquisa geral no portal, encontrará 2153 artigos, distribuídos por várias revistas, que incluem quer as publicações anarquistas já referidas, quer outras como A Águia, a Seara Nova ou a Atlântida, para citar apenas algumas. Mas também pode pesquisar o mesmo assunto apenas numa revista específica, ou cruzá-lo com outros critérios. E se a Grande Guerra é um assunto de que naturalmente trataram todas as publicações da época, se procurar um tópico bastante menos óbvio, como, digamos, o haxixe, descobrirá com provável surpresa que Sampaio Bruno discorreu sobre esta substância num artigo intitulado O Tabaco… em Heródoto, publicado em 1913 n’A Águia.


(…) Com uma pequena equipa permanente – que inclui, além do seu coordenador, um editor executivo, um documentalista, um informático, uma analista de dados estatísticos e uma webdesigner –, mas contando com o auxílio de investigadores especializados para cada uma das revistas a publicar, a estratégia do portal tem sido a de se focar em sucessivos movimentos culturais ou ideológicos para dar prioridade às principais revistas que lhes estão associadas. Antes de se debruçar sobre as publicações anarquistas, o site já disponibilizara online as revistas relacionadas com o movimento cultural da Renascença Portuguesa, como a Nova Silva, A Águia ou A Vida Portuguesa, ou ainda as principais publicações associadas ao primeiro modernismo, como Orpheu, Portugal Futurista, Sphinx, Exílio, Centauro e Eh Real!.
E por vezes não se trata apenas de poupar aos investigadores, ou a simples curiosos, muitas horas a preencher pedidos em bibliotecas. Alguns dos números agora digitalizados e consultáveis estão em falta nas várias bibliotecas públicas. Exemplo disso mesmo é a célebre e raríssima edição 11/12 da 4.ª série d’A Águia, de 1929, que foi apreendida ainda na tipografia porque denunciava um plágio de Gustavo Cordeiro Ramos, ministro da Instrução Pública em sucessivos governos da ditadura militar e no início do Estado Novo. “Só está representado na Biblioteca Nacional por um postal onde se informa que este número não foi posto à venda por motivos imprevistos”, diz Luís Andrade.


Outra façanha de monta deste portal foi a digitalização integral da Seara Nova, abarcando todas as suas (muito) diversas fases, desde a fundação, em 1921, até 1984, num total de 1604 números, correspondentes a 31.500 páginas e a cerca de 21.500 peças de mais de três mil autores.
Para cada uma das revistas publicadas, o interessado encontra não apenas a reprodução digital de todos os números, mas também apresentações que procuram caracterizá-la e situá-la no seu contexto histórico, secções que reúnem os seus manifestos e outros textos de dimensão programática, uma antologia de literatura passiva sobre a publicação em causa e alguns estudos reproduzidos em texto integral.
Há também uma secção autónoma dedicada às polémicas, um modo de discussão pública aliás muito característico das revistas, e que só por aproximação corresponde àquilo a que hoje se chama uma polémica na imprensa ou nas redes sociais. Luís Andrade recorda, por exemplo, a famosa controvérsia entre António Sérgio e Pascoaes, nas páginas d’A Águia, a propósito do saudosismo, ou “a discussão entre Álvaro Cunhal e José Régio acerca do significado social da literatura”, na Seara Nova. Mas também nas revistas anarquistas agora digitalizadas se encontram polémicas, designadamente as que ilustram o confronto de posições perante a Grande Guerra ou a Revolução de Outubro.
A barra de navegação inclui ainda um “magasin”, que joga foneticamente com “magazine” (revista), mas que aqui alude mais a um tipo de armazém comercial ecléctico, onde se vende um pouco de tudo. É nesta secção que se acumulam todos os materiais que, não pertencendo formalmente às revistas em causa, a elas estão directamente ligados, como as separatas, ou que permitem conhecer melhor a respectiva história, como a correspondência travada entre os seus fundadores, testemunhos diversos e outros documentos. No magasinda Seara Nova é possível encontrar, salienta Luís Andrade, “vários dossiers do seu arquivo editorial, até agora inéditos”.
Obra em aberto e em constante expansão, o portal anuncia já também na sua homepage os vários títulos que deverão ficar disponíveis ainda este ano e que incluem a magnífica Contemporânea, dirigida por José Pacheko entre 1922 e 1926, com um primeiro número isolado saído em 1915. Ilustrada por artistas como Almada Negreiros, Stuart Carvalhais, Eduardo Viana ou Dórdio Gomes, contou entre os seus colaboradores literários com nomes como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro ou Aquilino Ribeiro
Outra importante publicação prometida para este ano é O Tempo e o Modo, fundada em 1963 por um grupo de católicos progressistas como Alçada Baptista, Bénard da Costa, Pedro Tamen ou Nuno de Bragança. Está ainda prevista a digitalização de Alma Nacional, uma revista republicana lançada literalmente nas vésperas da queda da monarquia, e de outras publicações do início do século XX, como Dionysos, dirigida em Coimbra por Aarão de Lacerda, ou A Renascença, de Lisboa. Sol Nascente, dos anos 30, ligada ao neo-realismo, e a mais recente Raiz e Utopia, já do pós-25 de Abril, são outros títulos previstos para 2018. E o Revista de Ideias e Cultura pretende começar a apostar também em publicações com motivações mais específicas, como a revista feminista Sociedade Futura, dirigida por Ana de Castro Osório, ou A Construção Moderna, que considera “uma peça fundamental da cultura arquitectónica e urbana das duas primeiras décadas do século XX”.
Já a decisão de criar estes quatro novos sites agora consagrados às revistas anarquistas ficou também a dever-se ao desejo de “repor a memória de uma das correntes principais do pensamento e da intervenção social do século XX, remetida ao esquecimento de forma pouco inocente após a revolta da Marinha Grande de 18 de Janeiro de 1934”, diz Luís Andrade, numa provável alusão ao modo como o PCP veio a reescrever a história desse levantamento, que acabaria por marcar o fim da predominância do anarco-sindicalismo no movimento operário.
Mas não só os que se interessam pelo anarquismo terão boas razões para consultar estas revistas. Uma rápida consulta aos dados estatísticos que acompanham, em secção própria, cada um destes títulos, permite verificar, por exemplo, que os apreciadores de Ferreira de Castro encontrarão aqui nada menos do que 181 artigos dispersos assinados pelo romancista, a maior parte no suplemento d’A Batalha, mas também na Renovação. E os apaixonados pela ilustração podem deliciar-se com as dezenas de trabalhos criados para as mesmas revistas por Stuart Carvalhais ou pelo notável Roberto Nobre, que acumulava as artes gráficas com a crítica de cinema.
Estes levantamentos de ocorrências estão também cheios de surpresas: quem diria, por exemplo, que o nome mais citado nas duas já referidas revistas da Confederação Geral do Trabalho é o de Jesus Cristo, ou que a obra mais citada n’A Águia foi a revista Mercure de France? Mas estes resultados imprevistos, se podem ser mais ou menos anedóticos, ou ter explicações prosaicas, também “fornecem a informação necessária quer para testar as leituras correntemente aceites, quer para suscitar interrogações até hoje não formuladas” sobre estas revistas e movimentos, observa Luís Andrade. O que torna este portal uma ferramenta doravante indispensável para quem queira estudar umas e outros.
O Século XX em Revista(s) – por Luís Miguel Queirós, Jornal Público, 31 de Março de 2018, pp. 24/25 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

PORTUGALA ESPERANTISTO: ORGÃO DO MOVIMENTO ESPERANTISTA PORTUGUÊS



PORTUGALA ESPERANTISTO. Órgão mensal do Movimento Esperantista Português. Ano I, nº 1 (Janeiro de 1936) ao nº 8 (Agosto de 1936); Propriedade: L.E.S Nova Vojo, Liga dos Esperantistas Ocidentais e L.E.S. Antauen [no nº1]; Administração e Redacção: Rua Jardim do Regedor, nº5, 4 º, Lisboa; Editor: Joaquim Costa; Director: Manuel de Jesus Garcia; Impressão: Sociedade Industrial de Tipografia (Rua Almirante Pessanha, 5, Lisboa) [ao nº3, Tip. A Montanhesa (Rua Luz Soriano, 71, Lisboa]; Lisboa; 1936, 8 numrs

Colaboração: A. Couto, Afonso de Castro, Alsácia Fontes Machado, António Alves, Carvela Ribeiro, Costa Júnior, Jacinto Benavente, José Antunes, José Vicente Júnior, Júlio Baghy, Júlio Dantas, Justinho Carvalho, L. Beaufront, Lígia de Oliveira, Luzo Bemaldo, Manuel de Jesus Garcia, Mário Pedroso de Lima, Ramiro Farinha, Saldanha Carreira [importante impulsionador do esperantismo português], [Simões Raposo – entrevista].

Trata-se de um periódico esperantista (bilingue), que se dizia “órgão do movimento esperantista”, que se publicou em 1936, em Lisboa. Foram fundadores e proprietários três organismos esperantistas: a “L[aboristas] E[sperantistas] S[ocieto] Nova Vojo”, a “Liga dos Esperantistas Ocidentais” e a “L.E.S. Antauen”.
PORTUGALA ESPERANTISTO AQUI DIGITALIZADO
► «Esta "língua internacional auxiliar", cuja história remonta (também em Portugal) aos finais do século XIX, conhece um ressurgimento na década de 30 do século XX, e é nesse contexto que este jornal, bilingue, se apresenta em editorial: "Ao publicarmos o primeiro número (...), cumpre-nos dizer duas palavras sobre o seu aparecimento. É muito difícil, quási impossível, por nos faltarem elementos, determinar com precisão as causas do desenvolvimento do Esperanto no país, depois de 1931. Certo é que, dessa data em diante, as sociedades, as secções e cursos de Esperanto se multiplicaram de uma maneira assombrosa, não só na capital como na província, num ritmo com tendência a acelerar-se. Só em Lisboa, o número de esperantistas filiados nas organizações citadinas duplicou e, constatando êsse número salta logo à vista que, paralelamente, nada estava feito que pudesse unificar e coordenar os esforços de todos, dando-lhes consciência de uma finalidade a atingir."
Essa coordenação, lê-se no editorial do número seguinte, fazia parte da missão do Portugala Esperantisto, que se propunha como "instrumento de aproximação entre as sociedades esperantistas e consequentemente entre os esperantistas", com vista à futura constituição de uma entidade coordenadora, não um "organismo de carácter associativo ou federativo", antes uma "comissão que interrelacione os grupos".
Saiba mais na ficha histórica da publicação, por Rita Correia, aqui.
 
Em paralelo, disponibilizamos, aqui, a Grammatica da lingua internacional auxiliar Esperanto, editada no Porto em 1907, da autoria de José Augusto Proença e o Curso completo (elementar, médio e superior) de Esperanto, aqui, em 16 fascículos, editado pelo Portugala Instituto de Esperanto entre 1934 e 1935.
Para assinalar a disponibilização destes materiais, iremos realizar na Hemeroteca, amanhã, 7 de dezembro, pelas 17:30h, a sessão O Esperanto como veículo de paz e amizade entre os povos : do Portugala Esperantisto aos nossos dias. Rita Correia falará do passado do Esperanto e Miguel Boieiro, orador convidado, falará do seu presente e das perspetivas de futuro. Mais informações aqui» [via Hemeroteca]

J.M.M.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

REVISTAS DE IDEIAS E CULTURA: APRESENTAÇÃO DE WEBSITES


Amanhã, 5 de Outubro de 2016, pelas 17 horas, no Auditório José Gomes Mota, nas instalações da Fundação Mário Soares vão ser apresentados os websites de quatro revistas importantes do início do século XX, que agora permitem vários tipos de abordagem, com funcionalidades muito úteis aos investigadores como: índices diversificados (autores, conceitos, assuntos, nomes citados, obras citadas, nomes geográficos), bem como as recolhas documentais específicas.

Esta iniciativa resulta da parceria entre a Fundação Mário Soares, o Seminário Livre História das Ideias, do Centro de História d'Aquem e d'Além Mar,  a Biblioteca Nacional de Portugal, e sido apoiadas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a Assembleia da República, o Centro Nacional de Cultura e a Fundação Calouste Gulbenkian.

As revistas que passam a dispor deste serviço são:
- Nova Silva, 1907:
- A Águia, 1907-1932;
- Vida Portuguesa, 1912-1915;
- Atlântida, 1915-1920.

Estão já previstos novos processos para outras revistas durante o ano de 2017 e seguintes.

Recomenda-se uma visita e uma pesquisa pelos diferentes formulários que por lá se podem encontrar.
Por outro lado, existem dados complementares muito interessantes e importantes para que se dedica a estes assuntos.

A.A.B.M.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

ARQUIVO GRÁFICO DA VIDA PORTUGUESA (1913-1918)



ARQUIVO GRÁFICO da vida portuguesa. [fascículo specimen] Ano I, nº 1 (1903) ao nº VI (1907); Administração e Redação: Travessa da Condessa do rio, 27, Lisboa; Impressão: Bertrand & Irmãos; 1933, 1+6 numrs

Trata-se de uma publicação póstuma (em fascículos e ilustrada) que, a partir do valioso espólio fotográfico de Joshua Benoliel (1873-1932) – “o mais aclamado fotógrafo do início do século XX, considerado por muitos o pai do foto-jornalismo português” - pretende apresentar a “história da vida nacional em todos os seus aspectos, de 1903 a 1918”. A publicação de Joshua Benoliel, que tem como mentor do projecto Rocha Martins, seu biógrafo em 1933 [“Os grandes objectivos duma objectiva célebre”, fasc. nº1], termina abruptamente (por “circunstâncias políticas da época” ou por “dificuldades económicas” – cf. Alexandre Pomar) no final do sexto fascículo, não cumprindo o seu plano inicial de seleccionar a sua colectânea de fotografias até ao ano de 1918.

Do plano inicial faziam parte textos/apontamentos/legendas - e além dos escritores/jornalistas que abaixo referimos - como os de Fernando de Sousa (“Nemo”), general Domingues de Oliveira, Bento Carqueja, Cristiano de Carvalho, Matos Sequeira, Norberto de Araújo, Joaquim Manso, Fidelino de Figueiredo, Albino Forjaz de Sampaio, Rogério Peres, Vasconcelos e Sá, Jorge de Faria, Augusto Pinto, Nobre Martins, Gomes Monteiro, Salazar Correia, Adelino Mendes, Carlos Rates, Manuel Joaquim de Sousa, Alfredo Marques, Costa Júnior, Ribeiro dos Reis.
Joshua Benoliel
 
Não deixa de ser curioso o “raminho” de jornalistas/escritores que (decerto) Rocha Martins escolheu para colaborar nesta homenagem a Joshua Benoliel, que vai de fundibulários monárquicos, integralistas, sindicalistas anarquistas, a aderentes do Estado Novo.  

De facto, alguns dos artigos são muito curiosos: “O que será o Arquivo Fotográfico” (nº specimen), “Os Grandes Objectivos duma Objectiva Celebre” (nº1, Rocha Martins), “O Movimento Operário em Portugal” (ao fasc.nº3, de Ramada Curto), “Procissões” (nº3, pelo padre Miguel de Oliveira), “Reinado de D. Carlos é a base onde assenta o moderno exército português” (fasc.nº4 e ss, com a pena do monárquico e conspirador contra a República, Eurico Satúrio Pires), “A revolta do cruzador D. Carlos”, 8 de Abril de 1906 (6º fasc.), “Os Intransigentes de 1907” (6º fasc., por Mário Monteiro, ex-intransigente da greve de 1907 e violentamente anti-republicano).
Colaboração: Mário Monteiro [aliás, Fortunato Maria Monteiro de Figueiredo, 1885-X; personagem violentamente anti-republicana; participou na Greve de 1907, em Coimbra; advogado, dirigiu o semanário “A Alvorada”, esteve implicado na insurreição militar de 27 de Abril de 1913, razão por que se hominizou no Brasil, perorando em várias conferências monárquicas (curiosamente com Homem Cristo, também ele em fuga no Brasil), regressando por breve tempo a Portugal, tendo regressado ao Brasil, onde se radicou, não sem uma vida complicada, acusado e levado por diversas vezes a tribunal. Mário Monteiro é, de facto, um estranho individuo, desde a publicação (em Coimbra, 1904), dos seus panfletos “Pavões”], Joshua Benoliel (1873-1932), (padre) Miguel A.[Augusto] de Oliveira (1897-1968), Ramada Curto (1886-1961), Rocha Martins (1879-1952), [Eurico] Satúrio Pires (1881-1952).

Arquivo Gráfico da Vida Portuguesa AQUI digitalizado.

J.M.M.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PÃO NOSSO... SEMANÁRIO REPUBLICANO PORTUENSE


PÃO NOSSO... Semanário Republicano Portuense. Ano I, nº I (19 de Abril de 1910) ao nº XXIII (28 de Setembro de 1910); Editor: Empresa do Pão Nosso (Rua de Santo Ildefonso, 260, 1º, Porto); Administração e Redacção: Rua de Santo Ildefonso, 260, 1º, Porto; Director: António de Pádua Correia (1873-1913); Impressão: Tipografia Mendonça, (Rua da Picaria, nº30, Porto); Porto; 1910, XIII numrs, 368 p.

Importante e rara revista panfletária de cunho republicano, desse muito curioso combatente pela República, jornalista enérgico, irónico e talentoso, panfletário destemido, orador incisivo, anticlerical assumido, antigo director do valioso jornal portuense “A Voz Pública”, jornalista n’A Montanha, deputado às Constituintes e que era, na data da sua morte, deputado eleito pelo círculo de Lamego [região a que votava imensa paixão], António de Pádua Correia [a revisitar oportunamente, aqui, no Almanaque Republicano].

«A República não vem por seu pé. A República nunca vem, se nós, republicanos, a não trouxermos. Isto é: para termos a República, é necessário que nós a façamos. Como se derrubam regimes? Conspirando e batendo-se.»

Conspirar e bater-se ativamente para derrubar o regime era pois o mote do Pão Nosso... (como o foi de toda a ação política do seu autor), linha programática que acompanhava, não por acaso, o grande desígnio consolidado no 11º Congresso do Partido Republicano que, a 29 e 30 de abril de 1910, se realizou no Porto. De facto, ainda que sem ligação orgânica formal entre o periódico e a reunião partidária, é no quadro de um profundo imbricamento entre ambos que a missão do Pão Nosso… ganha pleno significado…» [Pedro Teixeira Mesquita – ler MAISAQUI]


Ficha Histórica, LER AQUI

FOTO [arquivo nosso]: capa de brochura que acompanha os exemplares do periódico

J.M.M.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

BIBLIOGRAFIA PORTUGUESA DA I GRANDE GUERRA



Vitoriano José César, Bibliografia da Grande Guerra (resenha das publicações portuguesas), Lisboa, Tip. da Escola Militar, 15 de Outubro de 1923 .

Escreveu-se muito, em toda a parte, durante a guerra e depois; ainda se continuará a escrever. Do que na língua portuguesa e escrito por portugueses tem sido publicado, é lúcida ementa o trabalho a que essas linhas servem de prefácio". Estas palavras do prefacionador, o vice-almirante Vicente Almeida d'Eça (1852-1929), definem o âmbito desta Bibliografia da Grande Guerra (resenha das publicações portuguesas), editada em 1922, da autoria do então coronel Vitoriano José César (1860-1939), militar de carreira e autor de história militar, sócio da Academia de Ciências de Lisboa e lente na Escola Naval, promovido a General em Outubro de 1926.

Ao longo de 102 páginas, é elencada mais de uma centena de títulos de tipologia diversa, ordenados alfabeticamente por autor, considerados como fonte para a história da I Guerra Mundial. A maioria das entradas é complementada por um curto texto descritivo dos conteúdos, que biografa o seu autor ou chama simplesmente a atenção para aspetos concretos sobre os quais a obra se debruça. O volume surge complementado por uma listagem, ordenada cronologicamente, dos artigos publicados na Revista Militar, "que devem ser consultados por quem se proponha a escrever a história da grande guerra". De referir ainda que o produto da venda deste exemplar revertia, como se lê na folha de rosto, para a "Subscrição Nacional dos Padrões, Consagração do esforço da Nação Portuguesa e Glorificação dos nossos Mortos na Grande Guerra".

João Carlos Oliveira | Lisboa, HML, julho 2014]  


"Simples e despretensiosas ‘notas’ dum curioso de coisas bibliográficas que à Grande Guerra deu o melhor da sua alma no sacrifício voluntário e consciente do seu sangue e do seu espírito". Assim se apresentam estas Notas subsidiárias para uma bibliografia portuguesa da Grande Guerra, organizadas e publicadas em 1926 (depois de apresentadas em rubrica própria, entre 1922 e 1925, na III série da Alma Nova) pelo capitão miliciano de artilharia José Augusto Brandão Pereira de Melo (1890-1974).

Nascido em Soure, integrou o Corpo Expedicionário Português no 2.º Grupo de Bataria de Artilharia enviado para a frente europeia, onde foi gaseado, voltando do conflito com a Cruz de Guerra da Flandres. Depois de uma experiência como autarca de Penela, foi nomeado governador da Ilha do Príncipe, cargo do qual seria destituído após um polémico relatório, sendo passado à reserva, e integrando os Serviços de Censura.

O ambicioso plano de obra apresentado no prefácio pretendia organizar os conteúdos em torno de 3 categorias: obras originais de autores portugueses (incluindo prosa, verso, teatro, ensaio, obras técnicas, publicações periódicas e outros materiais diversos  - folhas volantes, discursos, manifestos, programas, relatórios, …  -, bem como informação relativa a novos títulos em preparação; traduções portuguesas; e obras estrangeiras impressas em Portugal. O volume que disponibilizamos, de 58 páginas, referencia cerca de 300 títulos, correspondentes a obras originais de autores portugueses, nos géneros prosa e poesia. Não temos conhecimento de o projeto editorial ter sido concluído.

João Carlos Oliveira | Lisboa, HML, julho 2014

J.M.M.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

I GUERRA MUNDIAL – 100 ANOS – HEMEROTECA MUNICIPAL DE LISBOA


 
 
“Em 28 de julho de 1914, a ocupação da Sérvia pelas forças do Império Austro-Húngaro marcava o início de um conflito que rapidamente se propagou, num esquema de alianças que dividiu o mundo em dois, alterou o curso da história e constituiu, para muitos autores, a verdadeira entrada na contemporaneidade.

Portugal acabou por abandonar a neutralidade inicial, em parte pela necessidade de afirmação da jovem República (proclamada 4 anos antes) no contexto internacional, em parte pela necessidade de defesa dos seus interesses coloniais em África. África foi, de resto, o primeiro palco de guerra das tropas portuguesas, que desde setembro de 1914 se viam envolvidas em combates fronteiriços no Sul de Angola e no Norte de Moçambique, embora só em 9 de março de 1916 a Alemanha nos declarasse oficialmente guerra.


Só em princípios de 1917 se inicia o envio de tropas portuguesas para a Flandres, com o primeiro contingente do Corpo Expedicionário Português (C.E.P.) a embarcar, em janeiro, a bordo de três vapores ingleses. Este exército, composto por cerca de 30.000 homens, foi sujeito a uma instrução preparatória intensiva de nove meses, sob a direção do então ministro de Guerra, o general Norton de Matos. Ficaria conhecida como "Milagre de Tancos". Visivelmente mal preparado e equipado, o C.E.P. sofreu pesadas baixas, sendo tristemente célebre a data de 9 de Abril de 1918, que assinala a Batalha de La Lys.

No ano em que se assinala o 1.º Centenário da I Guerra Guerra Mundial, a Hemeroteca Municipal de Lisboa prepara este dossier digital, que será alimentado com novos conteúdos até 11 de Novembro de 2018, data que assinala a assinatura do Armistício.

Para além de publicações periódicas da coleção da Hemeroteca, integram este dossier materiais de outra natureza, que resultam da identificação de recursos na coleção da Rede de Bibliotecas de Lisboa (com natural destaque para a coleção da Biblioteca-Museu República e Resistência) ou de outras entidades. Pretendemos, desta forma, contribuir ativamente para os trabalhos de investigação que se esperam no âmbito deste centenário, bem como corresponder ao natural interesse do público em geral em conhecer mais sobre este conflito.

Destaque ainda para os recursos iconográficos alusivos à I Guerra Mundial que  temos vindo a disponibilizar na plataforma web Flickr, e que pode visitar AQUI”.

J.M.M.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

OS CRIMES DA FORMIGA BRANCA …


[PUBLICAÇÃO SEMANAL EM FOLHETOS]: Os Crimes da Formiga Branca. Confidências verídicas e sensacionais d’um Juiz de Investigação; Editor: J. Rocha Junior [J. Diogo Peres, ao nº3; Victor Alcantara, ao nº4]; Tabacaria Liberty, Typ. Lamas & Franklin, Lisboa [Officinas Graphicas, Rua do Poço dos Negros, Lisboa – ao nº4 ]; Lisboa, 1915, V numrs, p. 80

Nascido para difamar, o que faz deste folheto um pasquim, pouco revela sobre a sua identidade e a dos seus promotores. Aparentemente, isto é, tomando como verídicas as informações que ostenta em capa, bem como a data do editorial presente no primeiro número, «2 de Fevereiro de 1915», terá aparecido em Lisboa, pouco tempo depois [Na folha de rosto do primeiro número o ano referenciado é o de 1914, mas provavelmente não significa mais do que um erro tipográfico, pois não se repetiu nas edições seguintes].

Como se afirmava uma «Publicação semanal em folhetos de 16 páginas» e apenas saíram 5 números, a sua existência não terá ido além do mês de março. Nesse breve período, o pasquim teve três editores diferentes, sobre os quais não se encontrou qualquer notícia biográfica ou referência bibliográfica: J. Rocha Júnior, que depois de associar o seu nome aos dois primeiros números pediu escusa do cargo [Cf. ‘O nosso editor’, in Os Crimes da Formiga Branca, n.º 3, p. 48. Nessa altura foi identificado como João Rocha Júnior]; J. Diogo Peres, que assumiu o terceiro; e Victor Alcantara, que se responsabilizou pelos dois últimos números. O «juiz» manteve a sua identidade na sombra, assim como o(s) ilustrador(es) que colaboraram na produção do pasquim (n.º 2, 3 e 4). Parece(m) ser artista(s) da escola moderna. Também se publicam as fotografias dos rostos de algumas vítimas e de formigas [Rita Correia, CONTINUAR A LER AQUI]


Ficha Histórica, por Rita CorreiaLER AQUI

J.M.M.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

ARGUS. REVISTA MENSAL ILLUSTRADA (1907)



ARGUS. Revista Mensal Illustrada; Ano I, nº 1 (Maio 1907) nº 3 (Julho 1907); Propr. e Adm.: Mário Antunes Leitão; Adm/Redacção: Rua de D. Pedro, 184, Porto; Director: [Abílio de] Campos Monteiro; impressa nas Officinas da Empresa Litterária e Tipographica Graphicas (Rua de D. Pedro, nº 178, Porto – o seu propr. era Joaquim Antunes Leitão); Porto, 1907, 3 numrs

[Alguma] Colaboração/textos assinado: A. Lemos, Alexandre da Conceição, Álvaro, António Ferreira, António Garcia, Campos Monteiro, Eduardo Noronha, Francisco Braga, G. Rolando, Gomes Leal, Gonçalves Cerejeira, Guilherme, J[osé]. Ramos Coelho, João Ramos, dr. Looch, Ruy Barbosa, Simplorio.


Publicou-se na cidade invicta, em 1907, mas teve uma duração efémera, com apenas 3 números, provavelmente devido ao quadro político da época e ao controlo legal exercido sobre a imprensa. Abundantemente ilustrada, a Argus foi dirigida pelo monárquico Abílio de Campos Monteiro (1876-1933), também o seu principal redator, enquanto a propriedade e administração era assegurada por Mário Antunes Leitão. Apesar da matriz literária, a revista procurou ser eclética, mergulhando noutros assuntos, no teatro, na música, no desporto, nas ciências, a par dum registo temático, que se evidencia logo no primeiro número, com fotografia de Guerra Junqueiro. Politicamente, adivinha-se um posicionamento antifranquista. A Argus contou com a colaboração literária de Gomes Leal (1848-1921), Alexandre da Conceição (1842-1889), Eduardo de Noronha (1859-1948), Gonçalves Cerejeira e do poeta brasileiro J. Ramos Coelho (1832-1914). A maioria da produção artística não está assinada, mas sempre conseguimos identificar alguns desenhos de Manuel Monterroso (1875-1967), na secção “Comédia Humana”. Os 3 números da Argus ficam agora disponíveis em linha, na Hemeroteca Digital, AQUI. Para saber mais sobre a revista, ler AQUI o estudo que Helena Roldão lhe dedicou”.

ARGUS. Revista Mensal Illustrada AQUI DIGITALIZADA
J.M.M.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

JORNAIS DIGITALIZADOS NA BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL

A Biblioteca Nacional colocou online mais um conjunto de jornais. Facto que se saúda!

Desta vez foram disponibilizados um conjunto de jornais sobretudo de pendor operário e socialista, alguns deles muito importantes para acompanhar a evolução das organizações, associações, sindicatos e cooperativas criadas pelo movimento socialista português desde finais do século XIX até quase à implantação da República.

Os jornais agora disponibilizados são:
- Ilustração Mundial, Londres, 1918 [publicação inglesa, em português, muito ilustrada com fotografias e gravuras sobre a 1ª Guerra Mundial]
A federação : orgão das associações federadas e do povo operario em geral. - A. 1, nº programa (17 Dez. 1893)-a. 7, nº 328 (15 Abr. 1900). - Lisboa : [s.n.], 1893-1900.
O pensamento social : não mais deveres sem direitos, não mais direitos sem deveres / [dir. José Fontana e Antero de Quental]. - A. 1, nº 1 (Fev. 1872)-a. 2, nº. 51 (5 Abr. 1873). - Lisboa : Typ. do Futuro, 1872-1873. [Semanário da Fraternidade Operária. Contava como colaboradores Nobre França, José Fontana, Oliveira Martins, Eduardo Maia, Azedo Gneco, entre outros.]
O protesto operario : orgão do Partido Operário Socialista. - A. 1, nº 1 (5 mar. 1882) - a. 10, nº 596 (22 abr. 1894). - Lisboa. - Porto : P.O.S., 1882-1894.[Dirigido por Luís Figueiredo e contando com colaboradores como Angelina Vidal, Azedo Gneco, Nobre França, Gedes Guinhones, Fernando Alves, Viterbo de Campos, Manuel José da Silva, Ramos Lourenço, etc.]
O revolucionario : folha socialista / ed. resp. Paulo da Fonseca. - A. 1, nº 1 (18 Mar. 1893)-s. 2, a. 4, nº 17 (18 Out. 1896). - Lisboa : P. da Fonseca, 1893-1896. [Órgão do Partido Socialista Português, ligado à tendência marxistas de Azedo Gneco. Editor: António Augusto Marques; Dir. Azedo Gneco; Redactor: Sousa Neves; Colaboradores: Bartolomeu Constantino, Sotomayor Júdice, Angelina Vidal, entre outros]. 

Mais uma excelente notícia de um organismo público, ao colocar à disposição de todos um conjunto muito significativo de fontes de informação.

Vale a pena uma visita demorada pelos diferentes jornais.

A.A.B.M.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

DOSSIER DIGITAL - O 25 DE ABRIL DE 1974 NA IMPRENSA DA ÉPOCA

 
 

Nos 40 Anos que se assinalam sobre o 25 de Abril de 1974, a Hemeroteca Municipal de Lisboa associa-se ao ciclo de comemorações com um dossier digital que evoca os dias quentes da Revolução.

A par da cobertura televisiva (cuja emissão noticiosa do dia 25 de Abril pode ver no separador Televisão), a imprensa portuguesa, em formato Jornal ou Revista, cobriu os acontecimentos de forma entusiástica, como fica expresso nas edições integrais que disponibilizamos. Isenta de censura prévia, a liberdade de imprensa - que viria a ser sancionada pela Lei 85-C/75 - promoveu a imprensa deste período à condição de parceira ativa no debate em torno dos destinos do País.

Mas também no estrangeiro a revolução portuguesa fez manchete na imprensa: "Revolução asseada" (The New York Review of Books, 13 de junho), "Cavalheiresco golpe de estado" (Newsweek, 6 de maio), "Perder um império, ganhar respeito" (International Herald Tribune, 27 de Maio), são algumas das notícias que encontrará nos 3 títulos que integram a secção Monografias, que compilam ecos do impacto internacional do 25 de Abril: "Um livro, uma canção e depois uma revolução" (Time, 6 de maio).

O "livro" alude ao Portugal e o Futuro : análise da conjuntura nacional, do general António de Spínola, editado em fevereiro de 1974. Já a "canção" remete para as duas senhas do movimento que, com intervalo de menos de duas horas, foram emitidas na rádio: "E depois do adeus", de Paulo de Carvalho (canção vencedora do Festival RTP da Canção de 1974) e "Grândola, vila Morena", de Zeca Afonso. Esta circunstância serve de mote para a homenagem que, na secção Música, e com a colaboração do Serviço de Fonototeca da Biblioteca Orlando Ribeiro, prestamos ao canto de intervenção, representado por cinco canções que se impuseram na história da música portuguesa como a arma de combate mas também de celebração da Democracia.

DOSSIER DIGITAL AQUI - HEMEROTECA MUNICPAL DE LISBOA
J.M.M.