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domingo, 3 de dezembro de 2017

IN MEMORIAM DE MÁRIO NETO (1942-2017)



O engenheiro e professor Mário Neto, cuja morte surpreendeu amigos e admiradores, partiu discretamente, como sempre rendilhou a sua vida, faz esta noite uma semana. Este nosso querido amigo, dedicado companheiro e mestre, não consentiu – na sua proverbial humildade – a homenagem pública que fraternalmente se impunha à admiração e respeito das suas avultadas qualidades humanas e que os figueirenses sabiamente lhe reconheciam. Partiu de rosto levantado, com a honrada obrigação do dever cumprido.

O falecimento do Mário Neto, leitor atento (e crítico) do Almanaque Republicano [como antes, do Almocreve das Petas], deixa-nos profundamente consternados: pelo saber que irradiava, na inteligência, bondade e generosidade intelectual que repartia e o engrandecia. Mário Neto, como tão bem disse [in Diário das Beiras, 30/11/ 2017] o nosso comum amigo Guedes Correia era “uma figura quase renascentista, ao estilo de Leonardo da Vinci ou de Pico della Mirandola, capaz de ter um discurso motivante e encorajador sobre a humanidade e sobre o mundo a partir da sua experiência pessoal, das suas leituras, das suas viagens”.

Mário Neto foi nosso distinto professor na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e, na lei que regula os destinos, tivemos o privilégio de nos ter honrado com a sua amizade e companheirismo. A sua intensa luz soube-nos aproveitar este tempo de utopias, essa “grande paz exterior das coisas” [H.H.] com a serenidade prudente que o sentimento de liberdade exige. E que Mário Neto tão ciosamente buscava, na sua perfumada independência e na benevolência do seu pensamento. O seu legado pela igualdade e dignidade dos Homens, de que era cultor irredutível, eleva-se admirável e eloquentemente. E não será esquecido.

Até sempre, Mário Neto.

Mário António Figueiredo Neto nasceu na Figueira da Foz a 19 de Fevereiro de 1942. Fez os seus estudos no liceu da Figueira da Foz até ao 2º ano, terminando depois o ensino secundário no Liceu D. João III (actual José Falcão). Entretanto foi um curioso desportista, do futebol à prática de ténis de mesa, representando nesta última modalidade o Ginásio Clube Figueirense. Partiu para Lisboa, matriculando-se no Instituto Superior Técnico [IST], em engenharia de máquinas, ou engenharia mecânica [o Núcleo de Estudos de Engenharia Mecânica data de 1960 e foi o primeiro e único a trabalhar até 1975].

Em Lisboa, residiu numa das várias “repúblicas” que pululavam à volta do IST, onde conviveu (e se fez amigo) com uma geração de estudantes messiânicos [dos católicos progressistas aos futuros membros da FAP/CMLP], intransigente contra a ditadura e o Estado Novo. O cinema (sua grande e eterna paixão) e a vida associativa moldaram-lhe o dom e o ornamento do seu carácter, assumidamente combativo contra a impetuosa repressão cultural e política do seu tempo. Frequentou, então, o movimento do cineclubismo, que dava os seus passos, assumindo a direcção (1964) do Cineclube Universitário de Lisboa [CCUL].  

A crise de 1964-65, consequência dos movimentos estudantis de 1956 e de 1962, torna-o activista consciente dos valores da democracia e da liberdade. O Partido Comunista, então em movimento de rectificação contra o “desvio de direita” [antes, Álvaro Cunhal, que se tinha evadido, com outros camaradas seus, do Forte de Peniche, foi nomeado secretário-geral do partido, em Janeiro de 1960], aprova, em Abril de 1964, o importante relatório, elaborado por Álvaro Cunhal, “Rumo à Vitória. As tarefas do Partido na Revolução Democrática e Nacional”, que marca uma nova linha política de combate e derrube do fascismo. A importância dada à conquista da direcção de movimentos culturais e associativos (caravanismo, cineclubismo, associação de estudantes e associações culturais em geral) é notória, visando politizar amplos sectores da população e em especial, mobilizando os estudantes, então ávidos de liberdade e modernidade [sobre este curioso assunto, veja-se: Guya Accornero, Efervescência Estudantil. Estudantes, acção contenciosa e processo político no final do Estado Novo (1956-1974), 2009]. Assim, Mário Neto integra-se nesse movimento, que irrompe à escala nacional (e sabe-se o efeito que teve na greve académica de 1969, em Coimbra; de outro modo, tenha-se em conta o começo dos protestos contra a guerra do Vietname, na Universidade de Berkeley, também em 1964) e, particularmente, no Instituto Superior Técnico     

No dia 24 (ou 25?) de Novembro de 1964, Mário Neto é preso na rua pela PIDE. Então na direcção do CCUL [cf.Liberdade para os Estudantes Presos”, 1º informação das Comissões de Apoio; antes já tinham sido detidos inúmeros estudantes de várias Faculdades, entre os quais Saldanha Sanches, Rui Faure da Rosa, …], Mário Neto (pseudónimo Cândido) é acusado de ser dirigente do PCP no IST, não tendo prestado à PIDE qualquer declaração [outros dirigentes então presos e acusados de ligação ao PCP, seriam: José Crisóstomo Teixeira (pseud. Gonçalo; controlaria superiormente as actividades da Faculdade de Ciências, IST, RIA, Belas-Artes, ISCEF, liceus e escolas técnicas), Humberto António Caria Lucas (pseud. Hugo; juntamente com o Mário Neto seria quem orientava as actividades do IST) – ver jornal República 28/01/1965, p.2 e 15].

No Aljube partilha a mesma cela com Mário Lino (Milo), Fernando Rosas (Rui) e outros mais, quase todos presos na sequência da vaga de prisões verificadas a 21 de Janeiro de 1965, por delação do controleiro do PCP para o sector estudantil Nuno Álvares Pereira [NAP] (pseud. Moreira – ver sobre este assunto, Irene Pimentel, “Vitimas de Salazar”). Refira-se que o caso NAP não esta completamente esclarecido, colocando-se a hipótese de ter sido, ele próprio, um infiltrado da PIDE. Por último, diga-se que a vaga de prisões verificada decapitou o sector estudantil de Lisboa do PCP e curiosamente, como AQUI referimos, deixou incólume o sector de Coimbra, então sob direcção de Valentim Alexandre, ou Vieira. Mário Neto é julgado em 11 de Agosto de 1965, no Plenário Criminal Auxiliar da Boa-Hora, tendo sido absolvido, saindo em liberdade (cf. Diário de Lisboa, 12/08/1965, p. 2).   

Lecciona na Escola Emídio Navarro (Setúbal) em 1965/66 e na Escola Afonso Domingues  (Lisboa) no ano de 1966/67, tendo sido afastado compulsivamente desta Escola a 14 de Junho de 1967, por motivos políticos, pelo Despacho do Conselho de Ministros de 13 de Junho desse ano.  

Cumpre, depois, serviço militar, tendo sido incorporado a 12 de Julho de 1971, saindo a 27 de Setembro de 1974 ( esteve às ordens de Vasco Gonçalves).  Termina o curso em engenharia e, de imediato, matriculou-se e frequentou, com aproveitamento, Economia no ISCEF   

 


No regresso à Figueira da Foz, no ano letivo de 1974/1975, lecionou na Escola Industrial Bernardino Machado. Depois do 25 de Abril, manteve-se militante do PCP, integrando como deputado a Assembleia Municipal. Demitiu-se, em discordância política com o Partido, ainda quando era deputado pela Assembleia.

Mário Neto teve ensejo de integrar o grupo inicial desse curioso projecto figueirense, o periódico “Barca Nova” [semanário democrático progressista;1, 10 de Novembro de 1977 ao nº 241, de 3 de Junho de 1983], sob impulso (principalmente) de Joaquim Namorado e José Fernandes Martins, em torno da Empresa Jornalística do Mondego, SARL, tendo colaborado com textos e pertencido desde a constituição da sociedade, ao seu Conselho de Administração [juntamente com Carlos Neto, presidente, e Wilson dos Santos, que foi, ao mesmo tempo, o primeiro director].

A partir de 1975/1976, Mário Neto é assistente convidado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, ministrando a disciplina de Microeconomia. Aposentou-se em Dezembro de 2008.   
 
Mário Neto era membro do Grande Oriente Lusitano há mais de duas dezenas de anos, fazendo parte da Loja Fernandes Tomás, da Figueira da Foz.

Faleceu no final do dia 26 de Novembro de 2017.

J.M.M.

domingo, 10 de janeiro de 2016

PRESO POLÍTICO - A LEI E A CONDIÇÃO: MUSEU DO ALJUBE

O Museu do Aljube realiza na próxima terça feira, dia 12 de Janeiro de 2016, pelas 15 horas, uma sessão com a presença de Irene Pimentel para explicitar a questão do Preso Político - a lei e a condição.

Pode ler-se na nota de divulgação que partilhamos abaixo a todos os interessados:

CONVITE
Preso Político – a lei e a condição
Com Irene Pimentel
12.1.2016
Auditório do Museu do Aljube - 15 horas

A Ditadura Militar e o Estado Novo procuraram criar um quadro legal de exceção para os «delinquentes políticos», com fundamento na situação de ilegalidade que aqueles  próprios regimes criaram, prendendo e deportando milhares de opositores «à ordem do governo», numa primeira fase, e depois recorrendo a tribunais especiais e a «medidas de segurança».
No entanto, este quadro legal foi constantemente violado pela venalidade da justiça e pela discricionariedade e poder ilimitado das polícias políticas e do governo.
O quadro legal existente serviu apenas para criar um estado aparente de normalidade, muito conveniente à manutenção do regime? Assim parece.
Contamos com o contributo de Irene Pimentel para discutir o uso da «legalidade» em estados ditatoriais e totalitários.
Um convite ao debate de uma questão fulcral em quadros políticos ditatoriais, mas também em estados democráticos.

Uma sessão a não perder, pela temática a abordar que muitos ainda recordam e sentiram na pele e pela convidada para a sessão que é sem qualquer dúvida uma das grandes especialistas no tema.

Com os votos do maior sucesso para a iniciativa.
A.A.B.M.

domingo, 25 de outubro de 2015

UMA TARDE NO MUSEU DO ALJUBE: MIGUEL TORGA - PRISÃO, CENSURA E OBRA PRISIONAL

No próximo dia 28 de Outubro de 2015, a partir das 18 horas, no Museu do Aljube Resistência e Liberdade, vai ser possível assistir a uma interessante sessão acerca da obra de Miguel Torga.

Pode lêr-se no cartaz:
" A partir de 1928, a Ditadura Militar alojou na prisão do Aljube os seus "presos políticos", a aguardar deportação ou julgamento.
É o caso de Miguel Torga, escritor e poeta maior da cultura portuguesa que foi encarcerado na prisão do Aljube em Dezembro de 1939. Aí permaneceu por três meses, tendo continuado a escrever alguns dos seus mais belos poemas".

Uma iniciativa em parceria entre o Centro de Estudos Comparatistas e Fundação José Saramago no âmbito do colóquio internacional Criação, Repressão e Censura no contexto Ibérico e Ibero-Americano.

Para acompanhar e divulgar o cartaz que acima se apresenta.

A.A.B.M.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

[FORMULÁRIO] MEMORIAL DOS PRESOS POLÍTICOS DE PENICHE


O Município de Peniche e a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) apresentam para consulta pública a lista provisória dos presos que estiveram na Fortaleza de Peniche durante a ditadura fascista, época em que este monumento albergou uma prisão política.

Esta listagem conta actualmente com 2491 nomes e dela resultará a edificação de um memorial a inaugurar naquele local em Abril de 2015, no âmbito das comemorações do 40º aniversário da Revolução de Abril.

Com este projecto pretende-se homenagear publicamente os cidadãos que estiveram presos nesta prisão política, enquanto testemunho da luta pela Liberdade e pela Democracia. A introdução de novos nomes, alterações e/ou rectificações à lista devem ser apresentadas através do preenchimento de formulário abaixo, até 30 de Junho de 2014.

Agradecemos o seu contributo para a preservação da Memória de todos aqueles que, por resistirem à Ditadura do Estado Novo, estiveram presos na Fortaleza de Peniche” [AQUI]

MEMORIAL DOS PRESOS POLÍTICOS DE PENICHE [FORMULÁRIO] AQUI

J.M.M.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

SESSÃO DE HOMENAGEM AOS ADVOGADOS DOS PRESOS POLÍTICOS NOS TRIBUNAIS PLENÁRIOS

Promovido pelo Movimento Cívico Não Apaguem a Memória e pela Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, realiza-se amanhã, 28 de Janeiro de 2014, na Sala do Senado da Assembleia da República, pelas 9.30h, a Sessão de Homenagem aos Advogados dos Presos Políticos nos Tribunais Plenários.

Na sessão estarão presentes com intervenções:
- Irene Pimentel;
- Francisco Teixeira da Mota;
- Mário de Carvalho;
- Jorge Sampaio;
- Elina Braga;
- António Borges Coelho.

Uma sessão a acompanhar com toda a atenção.
Quem não puder estar presente pode acompanhar a sessão no Canal Parlamento que vai transmitir o evento.

A.A.B.M.

sábado, 18 de janeiro de 2014

18 DE JANEIRO DE 1934 – MILITANTES DA CGT PRESOS EM PENICHE


Militantes da CGT presos na Fortaleza de Peniche pela sua acção no movimento do 18 de Janeiro de 1934

Na sequência das prisões que acompanharam e sucederam ao movimento do 18 de Janeiro de 1934, foram presos muitos militantes confederais.

NA FOTO: Sentado ao centro, encontra-se "Manuel Joaquim de Sousa. À sua esquerda, José Francisco; à direita, António Inácio Martins. De pé, da esquerda para a direita: José António Machado, José Vaz Rodrigues e José Meste Vargas Júnior, este morto na Guerra Civil de Espanha." (No verso da fotografia)

via Arquivo Histórico-Social/ProjectoMOSCA
J.M.M.
 

 

18 DE JANEIRO DE 1934 – MILITANTES PRESOS EM PENICHE


Militantes presos na Fortaleza de Peniche pela sua acção no movimento do 18 de Janeiro de 1934

José Francisco, fogueiro da marinha mercante e posteriormente empregado de escritório, e militante anarco-sindicalista, aqui num grupo de presos políticos na fortaleza de Peniche.
 
[Fotógrafo não identificado. No verso: “Ao meu amigo (*) Joaquim Montes ofereço esta fotografia tirada no dia 25-12-1934 na Fortaleza de Peniche. (assina) José Bernardo”. (Nota de JF: Morto no Tarrafal). Adenda no verso, coluna à direita (autógrafo de JF): “Militantes presos em Peniche pela sua acção no 18 de Janeiro de 1934].
 
Ao centro [está] a mãe de José Francisco, 80 anos, de visita ao filho".
 
Alguns dos OUTROS PRESOS: Raposo, Vaz Rodrigues, Quaresma, Indeo (?) Martins, Barnabé, Le Pequeno (sic). Camponeses e trabalhadores de conservas, construção civil e marítimos. Estavam representadas todas as províncias de Portugal de Norte ao Sul”.
 
Texto dactilografado de J. Francisco (?) em folha A4 que acompanha as fotos: “Fortaleza de Peniche – 1936. Um dia de visita. Os presos que fazem parte desta foto, na sua maioria militantes cegetistas, cumprindo penas várias ou detidos sem culpa formada, após o 18 de Janeiro de 1934, pertencem a todas as regiões de Portugal, desde o Algarve ao Norte do país e das mais variadas profissões: camponeses, conserveiros, construção civil, alfaiates, comércio, etc.
 
Entre os que puderam ser identificados encontram-se: José Francisco, ao lado de sua mãe, que por unanimidade de todos resolveram que figurasse na foto, com os seus 83 anos de idade; Barnabé Fernandes, do Barreiro; José Quaresma, de Setúbal, Jorge Viancad R Raposo, da Juventude Libertária de Lisboa; António Inácio Martins, anarquista do Porto; José Bernardo, de Setúbal".
 
Esta fotografia foi conservada pelo próprio, e por ele entregue ao Arquivo Histórico-Social, criado pelo Centro de Estudos Libertários, reunido em Lisboa nos anos 1980-1987 e depositado na Biblioteca Nacional, o qual foi depois doado a esta instituição e posteriormente acrescentado de mais alguns espólios e doações.


J.M.M.

domingo, 24 de novembro de 2013

[ALJUBE, MARÇO DE 1933] CARTA ABERTA AO EX.MO SR. MINISTRO DO INTERIOR

 
CARTA ABERTA ao Ex.mo Sr. Ministro do Interior pelos PRESOS POLÍTICOS , na cadeia do Aljube [30 de Março de 1933]

via Torre do Tombo, com a devida vénia

J.M.M.

sábado, 23 de novembro de 2013

CADEIA DO ALJUBE


Entrada da Exposição "A Voz das Vítimas"
 
Fotografia da entrada da Exposição "A Voz das Vítimas", com reconstituição do gradão original da antiga cadeia do Aljube  [Quinta, 14 de Abril de 2011]

Foto de António Coelho, in Aljube/Exposição "A Voz das Vítimas"

via Casa Comum

J.M.M.

PRESOS POLÍTICOS – DOCUMENTOS DA C.N.S.P.P.




PRESOS POLÍTICOS – Documentos 1970/1971 e 1972/1974Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos

 “Publicam-se agora em livro os documentos da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos referentes aos dois primeiros anos da sua actividade: circulares, exposições, cartas e telegramas, enviados às entidades oficiais ou aos interessados, suficientemente claros para permitirem ajuizar dos ses objectivos e intenções, da sua acção e dos seus limites …”


J.M.M.

domingo, 31 de março de 2013

OS ÚLTIMOS PRESOS DO ESTADO NOVO



LIVRO: Os Últimos Presos do Estado Novo;
AUTORA: Joana Pereira Bastos;
EDITORA: Oficina do Livro.
Depois de uma curta 'Primavera Marcelista', o País assistiu a uma escalada da repressão contra os portugueses que enfrentavam a ditadura. Entre 1973 e 1974, mais de 500 pessoas, pertencentes a vários movimentos políticos e oriundos de diferentes classes sociais, do operariado à alta burguesia, foram presas e violentadas pela PIDE.

No forte de Caxias, os presos eram sujeitos às mais sofisticadas formas de tortura, ensinadas à polícia política portuguesa pela CIA, enquanto lá fora se preparava a revolução de 25 de Abril. Depois de meses de sofrimento, os homens e mulheres encarcerados em Caxias enfrentaram momentos de angústia e incerteza quando souberam que houvera um golpe militar em Lisboa – seria um golpe da esquerda ou, tal como acontecera pouco antes no Chile, da direita radical? De trás das grades, privados de informação credível, os prisioneiros enfrentaram essa dúvida insuportável durante horas a fio.

Alguns temeram pela própria vida, esperando que um pelotão de fuzilamento os viesse buscar às celas. Sofrendo até ao fim, os últimos presos políticos do Estado Novo só conheceram a liberdade na madrugada de 27 de Abril de 1974 – dois dias depois da revolução que acabou com 48 anos de ditadura [AQUI]
 
J.M.M.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A FOTO E O REENCONTRO MEIO SÉCULO DEPOIS (II)



DA FOTO (clicar para aumentar): [seguimos a foto/nomes publicada pelo jornal Público, 11 Junho 2012]

fila (esquerda para a direita): António Alves Redol (IST), Luís Bénard da Costa (IST; já falecido), Fernando Rosas (estudante liceal; o "Rui", mais tarde preso em 1965), Marília Morais (estudante liceal), Paula Mourão (Ciências), Noémia Simões (hoje Ariztía; estudante liceal; teve de se exilar), Teresa Tito de Morais (estudante liceal; presa; exilada), João Resende (IST; preso; passou á clandestinidade), Albano Freire Nunes (IST; passou à clandestinidade), João Santos Marques (IST; preso; passou á clandestinidade), Mário Neto (IST; preso em finais de 1964 acusado de ser o organizador das acividades do partido no IST; pseud. "Cândido")

fila (esquerda para a direita): Jaime Mendes (medicina; exilado), Raimundo Narciso (IST; passou à clandestinidade; membro da ARA), Mário Lino (IST; preso em 1965; pseud. "Milo"), Rui Martins (IST), Carlos Marum (IST; preso; exilado), José Gomes de Pina (IST), Joaquim Letria (estudante liceal), Ernâni Pinto Basto (Ciências), José Gameiro (IST, já falecido).

NOTA: alguns dos estudantes foram posteriormente presos. O caso das prisões de 1965 (21 Janeiro ?), pelo elevado número de detenções (40), e que desarticulou o sector estudantil do PCP, teve uma enorme repercussão na imprensa da época [foram publicadas Notas Oficiosas do Ministério Público em vários jornais, com os nomes, actividades e as funções dos estudantes presos. A situação agavou-se, ainda, pela situação então verificada com preso Fernando Baeta, que, sofrendo "maus tratos", tentou o suicídio]. Depois do caso da "traição" de Rolando Verdial [foi preso em 24 de Maio de 1953, evadiu-se do Aljube, foi recapturado, de novo fugiu e depois de preso em 1963, denunciou todo o sector intelectual do PCP - vidé Irene Flunser Pimentel, A História da PIDE, 2007, p. 173 e segs], uma nova "traição" [ou "infiltração], esta levada a cabo por Nuno Álvares Pereira ["Moreira", controleiro do PCP para o sector estudantil e intelectual, sob dependência de António Gervásio; foi preso a 6 de Dezembro de 1964], fez decapitar todo o sector estudantil de Lisboa do PCP [curiosamente o sector de Coimbra fica incólume, dado o seu controleiro - Valentim Alexandre, "Vieira" - nunca lhe ter divulgado o nome dos seus militantes].

Voltaremos a esta questão.

J.M.M.

segunda-feira, 20 de abril de 2009


PRESOS POLÍTICOS ALGARVIOS EM ANGRA DO HEROÍSMO E NO TARRAFAL

No próximo dia 24 de Abril, pelas 18 h, no Museu de Portimão, vai ser apresentada a obra de Maria João Raminhos Duarte.

Nesta obra, que agora divulgamos, podemos ler a sinopse que de seguida se transcreve:

Em Portugal, com o golpe militar de 28 de Maio de 1926 teve início uma Ditadura Militar que culminou num novo regime, o “Estado Novo”, também de cariz ditatorial, que se institucionalizou com a aprovação da Constituição de 1933 e que se manteve até 25 de Abril de 1974.
Este regime foi sempre marcado por um acentuado autoritarismo do Estado, que impôs aos portugueses um forte dirigismo político, económico e social, mantido por diversas instituições repressivas e policiais. Desde o seu início, o regime foi combatido por uma oposição proveniente de vários sectores da sociedade portuguesa.
Este estudo versa sobre a oposição regional nos primeiros tempos da ditadura e, particularmente, sobre os presos políticos algarvios nas colónias penais de Angra do Heroísmo e do Tarrafal, os mais sacrificados para que hoje possamos viver em liberdade e democracia.
A expulsão da função pública, os despedimentos, as torturas, as prisões e o desterro prolongado fazem parte da memória colectiva da região que aqui se pretendeu preservar.


Mais uma publicação desta autora, que se tem dedicado ao estudo da oposição no Algarve durante o Estado Novo, tendo mesmo concluído a sua tese de doutoramento sobre esta mesma temática. Agora trás ao conhecimento geral quem foram os algarvios que, na oposição, foram perseguidos e presos durante o regime salazarista.

Uma iniciativa que o Almanaque Republicano não podia deixar de divulgar junto de todos os interessados pelas questões da História de Portugal.

Com os votos de grande sucesso para mais esta iniciativa, até porque nos unem laços de amizade com a autora.

A.A.B.M.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

LEILÃO de MANUSCRITOS, AUTÓGRAFOS e FOTOGRAFIAS


LEILÃO de MANUSCRITOS, AUTÓGRAFOS e FOTOGRAFIAS - 13 Dezembro (15horas)

Amanhã na Rua de Sacramento à Lapa, nº24, realiza-se um invulgar Leilão de Manuscritos, Autógrafos e Fotografias, sob realização conjunta de Luis Burnay e Silva’s Leiloeiros.

As peças a vender são curiosas e pela sua qualidade, estimação e raridade de grande interesse. Sugere-se a sempre agradável consulta e leitura do seu Catálogo (magnifico), ele próprio de interesse bibliográfico. [via Almocreve das Petas]

Foto: Presos políticos (Monárquicos) em Coimbra, datada de 27/19/1913, com a curiosidade de todo o grupo estar identificado e ter uma dedicatória.

J.M.M.

sábado, 28 de abril de 2007

27 ABRIL DE 1974: OS TRÊS ÚLTIMOS PRESOS POLÍTICOS


Os três últimos presos políticos

"A liberdade definitiva só chegou às 20 e 45 de ontem [27/04/74] para três dos presos políticos da Cadeia do Forte de Peniche. A essa hora, o major Azevedo, mandatário da Junta de Salvação Nacional, comunicou a Francisco Martins Rodrigues, Rui Pires de Carvalho d’Espinay e Filipe Viegas Aleixo que podiam abandonar livremente a casa onde lhes fora fixada residência (…)

Francisco Martins Rodrigues e Rui d’Espinay, de 46 e 31 anos, respectivamente, foram condenados a 19 anos e a 17 anos de prisão maior por serem dirigentes do Comité Marxista-Leninista Português e da Frente de Acção Popular, as primeiras organizações clandestinas que em Portugal seguiram uma linha política de tendência maoista. Exercendo a sua actividade política na clandestinidade, no interior do País, Francisco Martins Rodrigues e D’Espinay identificaram como agente provocador um elemento da PIDE, Mário Mateus, que procurava infiltrar-se naquelas organizações, e executaram-no a tiro, em Outubro de 1965. Foi o então chamado «crime de Belas». Mário Mateus, que trabalhava em ligação com o agente da PIDE de nome Cleto, lograra dar à polícia secreta pista para a prisão de João Pulido Valente, também dirigente daquelas organizações políticas revolucionárias, e libertado ontem (…)

Condenado à revelia num tribunal comum por ter participado com o capitão Henrique Galvão no assalto ao «Santa Maria», em Fevereiro de 1961, Filipe Viegas Aleixo exilou-se em França, donde partiu com Hermínio da Palma Inácio, no grupo da Liga de União e Acção Revolucionária que pretendia, em Agosto de 1968, tomar a cidade da Covilhã. Este grupo foi interceptado na zona de Moncorvo, pouco de pois de entrar em território nacional, e os seus componentes entregues à Direcção-Geral de Segurança. Torturado na Rua António Maria Cardoso, Filipe Aleixo foi condenado pelo Plenário do Porto a 19 anos de prisão maior, recolhendo depois ao Forte de Peniche donde, devido à sua idade, já não esperava sair com vida: saiu com 59 anos (…)"

[in, Diário de Lisboa, 28 de Abril de 1974 - via Almocreve das Petas]

J.M.M.

27 ABRIL DE 1974: LIBERTOS DOS PRESOS DA PRISÃO DE PENICHE



Na madrugada do dia 27 de Abril: Ângelo Veloso / António Cândido Coutinho / António Gervásio / António Gonçalves Tomás / António Metelo Perez / Carlos Cardoso Gonçalves / Carlos Domingos Soares da Costa / Carlos Saraiva da Costa / Dinis Miranda / Filipe Viegas Aleixo (*) / Francisco Manuel Cardoso Braga Viegas / Francisco Martins Rodrigues (*) / Garcia Neto / Horácio Rufino / João Duarte de Carvalho / João Eurico Bernardo Fernandes / João Pulido Valente / Joaquim Duarte «Alfaiate» / José Brasido Palma / José Manuel Caneira Iglésias / José Pedro Correia Soares / José Simões de Sousa / Licínio Pereira da Silva / Luís Filipe Fraga da Silva / Luís Miguel Vilã / Manuel Drago / Manuel Pedro / Nelson Rosário dos Anjos / Pedro Campos Alves / Pedro Mendes da Ponte / Raul Domingos Caixinhas / Rui Benigno Paulo da Cruz / Rui d'Espinay (*) / Rui Teves Henriques / Sebastião Lima Rego

Nota: os presos políticos assinalados com (*) só ficaram em liberdade definitiva já na noite desse dia, sendo que até esse momento estiveram em residência fixa em casa dos seus advogados.

J.M.M.

26 ABRIL DE 1974 - JORNAL "DIÁRIO DE LISBOA"



Capa do Jornal Diário de Lisboa (Lisboa) do dia 26 de Abril de 1974 (Sexta-Feira).

Título: Caxias caiu - Libertos os presos - Detida a DGS/PIDE

De facto, pelas 23,30 horas, o Tenente Nunes chega à prisão-forte de Caxias com a ordem de libertação de todos os presos políticos, que ali estavam detidos. O que se verificou ao longo da madrugada do dia 27 de Abril.

Presos em Caxias: Abel Henriques Ferreira / Acácio Frajono Justo / Albano Pedro Gonçalves Lima / Álvaro Monteiro Rodrigues Pato / Amado de Jesus Ventura Silva / António Luís Cotri / António Manso Pinheiro / António Manuel Gomes Rocha / António Pinheiro Montero / António Vieira Pinto / Armando Mendes / Carlos Alberto da Silva Coutinho / Carlos Biló Pereira / Carlos Manuel Oliveira Santos / Carlos Manuel Simões Manso / Ernesto Carlos Conceição Pereira / Eugénio Manuel Ruivo / Ezequiel Castro e Silva / Fernando Piedade Carvalho / Fernando Domingues Roque / Fernando José Penim Redondo / Fernando Nunes Pereira / Fernando Pinheiro Correia / Figueiredo Filipe / Henrique Manuel P. Sanchez / Hermínio Palma Inácio / Horácio Crespo Pedrosa Faustino / Ivo Bravo Brainovic / João Boitout de Resende / João Duarte Pereira / João Filipe Brás Frade / João Pedro de Lemos Santos Silva / Joaquim Brandão Osório de Castro / Joaquim Gorjão Duarte / José Adelino da Conceição Duarte / José Alberto Costa Carvalho / José Casimiro Martins Ribeiro / José Ferreira Fernandes / José Luís Saldanha Sanches / José Manuel Martins Estima / José Manuel Tengarrinha / José Oliveira da Silva / José Rebelo dos Reis Lamego / Liliana de São José Teles Palhinhas / Luís Filipe Rodrigues C. Guerra / Luís Manuel Vítor dos S. Moita / Manuel Gomes Serrano / Manuel José Coelho S. Abraços / Manuel Martins Felizardo / Manuel Miguel Judas / Manuel Policarpo Guerreiro / Manuel Santos Guerreiro / Marcos Rolo Antunes / Margarida Alpoim Aranha / Maria Fátima Pereira Bastos / Maria Elvira Barreira Ferreira Maril / Maria Fernanda Dâmaso de Almeida Marques Figueiredo / Maria Helena Neves / Maria Helena Vasconcelos Nunes Vidal / Maria Manuela Soares Gil Maria Rodrigues Morgado / Maria Rosa Pereira Marques Penim Redondo / Maria Ventura Henriques / Maria Vítor Moita / Mário Abrantes da Silva / Mateus Branco / Miguel António Jasmins Pereira Rodrigues / Norberto Vilaverde Isaac / Nuno Teotónio Pereira / Orlando Bernardino Gonçalves / Pedro Mendes Fernandes Rodrigues Filipe / Rafael dos Santos Galego / Ramiro Antunes Raimundo / Ramiro Gregório Amendoeira / Vítor Manuel Caetano Dias / Vítor Manuel Jesus Rodrigues / Vítor Serra Lopes

Presos na Prisão-Hospital de Caxias: António Dias Lourenço / José Alves Tavares Magro / Miguel Camilo / Rogério Dias de Carvalho

J.M.M.

terça-feira, 24 de abril de 2007

OS TRIBUNAIS PLENÁRIOS


Os Tribunais Plenários

Um Tribunal Plenário no julgamento de um preso político.

Desenho de Dias Coelho, com a devida vénia da Fundação Mário Soares

J.M.M.