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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

SALAZAR, 40 ANOS?




«Aproximava-se o ano de 1966, quando passavam quarenta anos do 28 de Maio de 1926 e a ideia surgiu naturalmente. Era necessário participar mais directa e empenhadamente na denúncia de um regime que parecia eternizar-se no poder; que, apesar do desgaste e do isolamento internacional, continuava a enviar milhares de jovens para as matas africanas e encarcerar todos aqueles que tinham ideias divergentes. Os desenhos começaram a sair envolvidos por vezes num sorriso mordaz, ou apressadamente esquematizados num discurso incipiente. Para organizar um texto justificativo e coerente recorri ao meu pai, Flausino Torres, já então exilado em Argel, onde colaborava com a Frente Patriótica de Libertação Nacional. Foi dele a ideia de seleccionar dos discursos de Salazar algumas frases e afirmações que, de certa forma, enquadrassem os desenhos.» [Cláudio Torres]

Salazar, 40 Anos? - Cláudio Torres (desenhos) & Flausino Torres (colaboração). Edições Afrontamento, 2008.

J.M.M.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

DIÁRIO DA BATALHA DE PRAGA - POR FLAUSINO TORRES



Diário da Batalha de Praga – por Flausino Torres

"(...) este Diário… é o de uma “Batalha”, batalha não só do povo checoslovaco contra o invasor e as forças obscuras que reemergiram da sombra e do passado recente para barrar o “novo curso” de Dubcek e da sua equipa de “reformadores”. Batalha também, e para tantos decisiva e derradeira, de muitos militantes comunistas portugueses (desde logo os exilados nos países do leste) pela coerência de um ideal que deles e das suas vidas tinha feito quase tudo o que eram, um ideal que sentiam resgatado, renascido, pelo “socialismo de rosto humano”anunciado pela “Primavera de Praga”, isto é, pelas mudanças operadas na direcção e no programa do PC da Checoslováquia a partir de Janeiro de 1968, quando Dubcek, a face da mudança, assume a direcção do partido, e na prática, do Estado. Batalha que mobiliza totalmente o intelectual comunista Flausino Torres, então leitor de Cultura e Língua portuguesa na Universidade de Karlova, em Praga, e vários dos seus camaradas de um exílio feito de muitas dúvidas e desilusões com a experiência do “socialismo real”. Estava ali, afinal, a alternativa, o reencontro do socialismo consigo próprio, com o que entendiam, como nestes textos nos dá conta Flausino Torres, ser a sua essência de humanitarismo, democracia, participação operária e cidadã, liberdade, independência nacional, dignidade, em suma. Por tudo isto, combate que os faz chocar de frente, e no caso de Flausino usando uma violência verbal e escrita sem precedentes, com a direcção do PCP e o próprio Álvaro Cunhal, designadamente numa decisiva e tempestuosa reunião que se realiza, em Novembro de 1968, em Praga, da qual resultará o seu afastamento das fileiras do partido em que militava desde o final dos anos trinta. (...)"

[Fernando Rosas, in pref. Diário da Batalha de Praga Socialismo e Humanismo, de Flausino Torres, Edições Afrontamento. Apresentação e notas de Paulo Torres Bento]

J.M.M.

terça-feira, 1 de abril de 2008

ARQUIVO PESSOAL DE FLAUSINO TORRES


Arquivo Pessoal de Flausino Torres no Centro de Documentação 25 de Abril

"O arquivo pessoal do professor, jornalista, historiador e militante contra o Estado Novo Flausino Torres vai passar a integrar o espólio do Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra.

No dia 27 de Março, em cerimónia que decorrerá pelas 12H00, na Reitoria da Universidade de Coimbra, o historiador e arqueólogo Cláudio Torres, filho de Flausino, e outros membros da família Torres, entregarão ao director do Centro de Documentação 25 de Abril, Boaventura de Sousa Santos, mais este importante arquivo, que integra documentos fundamentais para o estudo da história política do século XX, com especial destaque para história das elites políticas portuguesas das décadas de 30 a 60.

Os documentos que agora serão entregues à Universidade de Coimbra foram cuidadosamente analisados e arrumados por Paulo Torres Bento, neto de Flausino Torres e também ele historiador. O arquivo é constituído por cinco caixas, contendo documentos políticos e correspondência, organizados por épocas, originais de muitos dos livros que publicou e um CD-Rom com fotografias digitalizadas, agrupadas também por épocas"

[via Universidade de Coimbra]

J.M.M.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

FLAUSINO TORRES (1906-1974)


Flausino Torres (1906-1974)

Na passagem do Centenário do Nascimento de Flausino Torres, lançamento de Livro (Edições Afrontamento) e abertura da Exposição (documentos e fragmentos biográficos).

Quinta-feira, 7 de Dezembro às 18.00h, na ACERT (Associação Recreativa e Cultural de Tondela), com o apoio da Câmara Municipal de Tondela e Edições Afrontamento.

J.M.M.

FAZER HISTÓRIA - ESCREVER HISTÓRIA


"Escrever é agir. Mas só pode agir aquele que conhece o ambiente e que é capaz, dentro dele, de nadar como peixe na água. Poderá escrever uma história da Física quem não conheça as leis do pêndulo ou os processos de medir a velocidade da luz ou a matemática necessária para compreender alguma coisa das relações entre o espaço, o tempo e a velocidade? E quem pode ser físico senão aquele que trabalhe nos laboratórios e saiba servir-se do cálculo de forma eficiente e prática?

Ora o escritor é como o físico. Um Balzac poderia ter falado da mulher de 30 anos, ou do amor se tivesse vivido numa sociedade imaginaria, em vez da realíssima sociedade do período em que lhe decorreu a vida?

(...) Aquele que pretende escrever a história da sua época, embora limitada a um pequeno sector da vida da humanidade, tem de ser um activista como foi Herculano (...)

Escrever História é fazer História. Não se pode hoje escrevê-la - referimo-nos sobretudo à História dos nossos dias - simplesmente alimentados com o pó dos arquivos (...)

O historiador de escol, o historiador da visão superior dos acontecimentos, terá de ver as coisas de cima para baixo, tal como deus; e os deuses vêem tudo sub specie aeternitatis ..."

[Flausino Torres, in pref. História Contemporânea do Povo Português, Prelo, s.d., I vol, 2ª ed. 1974 - sublinhados nossos]

J.M.M.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

OS CAMPOS, A ARTE E A LITERATURA



"Os artistas plásticos e os poetas deixaram-se em todos os tempos influenciar pela vida do campo (...)

... ainda hoje se mantém, quase inabalável, um ruralismo literário bastante primitivo; ainda há poetas que cantam o pôr-do-sol quase nos mesmos termos e moldes dos românticos mais característicos. Quem um dia folhear os actuais jornais de província, aí encontrará ainda o deslumbramento pelo regato que corre murmurante, pelas folhas amarelecidas e avermelhadas pelos últimos raios de sol de Outono, pelo rebentar da vegetação na Primavera, pelo canto da passarada; e igualmente pela saúde e alegria dos camponeses, pelo que há de são e forte na vida do trabalhador e por mil e outros aspectos que somente descobre o olho azul daquele que não tem as mãos calejadas, a barba de oito dias, os filhos a choramingar à noite à espera do caldo e da cama. Que somente descobre, em toda a sua pobreza, aquele que não é camponês de vida e de trabalhos ..."

[Flausino Torres, in Os Campos, a arte e a literatura, Vértice, vol 213, nº 234/236 (Março-Maio 1963), p. 164]

J.M.M.

FLAUSINO TORRES ... SOBRE STUART MILL



[in pref. "Memórias" de Stuart Mill, Editorial Gleba, s.d., p.IX]

J.M.M.

sábado, 2 de dezembro de 2006

FLAUSINO TORRES - ARTIGOS NA VÉRTICE


Os problemas do ensino, vol 19, nº 188 (Maio 1959), p. 231-233 / A propósito de 'Amorim Viana e Proudhon', de Victor de Sá, vol 21, nº 209 (Fev. 1961), p. 103-110 / Breve nota acerca da 'Teoria do Ser e da Verdade', de José Marinho, vol 21, nº 212 (Maio 1961), p. 338-341 / Chuva, lume e resposta ao Régio, vol 21, nº 218/219 (Nov-Dez. 1961), p. 694-700 / Acerca de Oliveira Martins: Conclusões de um trabalho a publicar, vol 22, nº 221 (Fev. 1962), p. 107-120 / Os Campos, a arte e a literatura, vol 213, nº 234/236 (Março-Maio 1963), p. 164-167 / A propósito de a Revolução Francesa, vol 24, nº 246/247 (Março-Abril 1964), p. 160-164 / A propósito da Historia do Povo Português, vol 24, nº 250/2451 (Julho-Agosto 1964), p. 412-425 / A propósito das Origens do Povo Português, vol 24, nº 254/255 (Nov-Dez 1964), p. 587-594 / A propósito de o dinheiro e o pão, vol 25, nº 260 (Maio 1965), p. 337-364

J.M.M.

FLAUSINO TORRES - BIBLIOGRAFIA


Civilizações Primitivas, Edições Cosmos, 1943 / Religiões Primitivas, Edições Cosmos, 1944 / Sociedades Primitivas [co-autor com Antonino de Sousa], Emp. Contemporânea de Edições, 1945 / O Mundo Mediterrânico do séc. XII a.C. ao séc. III d.C.: introdução geográfica-económica, Cosmos, 1945 / Civilizações de Nómadas Sedentarizados [co-autor com Antonino de Sousa], Emp. Contemporânea de Edições, 1946 / Civilizações Fluviais [co-autor com Antonino de Sousa], Emp. Contemporânea de Edições, 1946 / O Império Comercial [co-autor com Antonino de Sousa], Emp. Contemporânea de Edições, 1946 / Primeiro Império Comercial: Evolução Política e Social [co-autor com Antonino de Sousa], Emp. Contemporânea de Edições, 1946 / Memórias Stuart Mill [trad. e pref.], Gleba, s.d. / Recordações da infância e da juventude de Ernest Renan [trad. e pref.], Gleba, s.d. / As Origens da República: leituras históricas, Prelo, 1965 / Notas Acerca da Geração de 70, Portugália, 1967 / Portugal, uma perspectiva da sua história, Afrontamento, 1970 / História Contemporânea do Povo Português, Prelo, s.d. (2ª ed. 1974), III vols

Flausino Torres colaborou, ao que sabemos, na Seara Nova, Vértice e Independência de Águeda, onde publicou alguns artigos, que daremos referência.

J.M.M.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

A propósito de mais um centenário


Flausino Torres
Encontramos, nas suas quase duas dezenas de obras, alguns elementos de estudo sobre a temática que nos vem ocupando. Assim, nos seus estudos sobre o mundo contemporâneo dedicou várias obras à questão da formação da sociedade portuguesa actual. Destacamos estas obras:

História Contemporânea do Povo Português, col. Cadernos de Hoje, Editora Prelo, 1965, 3 vols.

Leituras Históricas. As Origens da República, col. Cadernos de Hoje, Editora Prelo, 1965, 152 pags.

Particularmente, nesta última última obra, tecem-se algumas apreciações muito curiosas sobre a bibliografia consultada. Como é obvio, sendo ele na altura um membro reconhecido do Partido Comunista, as leituras que realiza são muito centradas nesta área política. Assim, comenta ele sobre outro comunista, Fernando Piteira Santos: "foi buscar novas pedras, como bom arquitecto, deu arranjo novo, pondo em foco principalmente os sectores da burguesia que intervêm no movimento de 1820".

Descobrimos, na blogosfera, que Flausino Torres se dedicou também à tradução das Memórias de Stuart Mill, publicadas pela editora Gleba, Lisboa, 1945, onde se encarregou de elaborar o prefácio e a tradução da obra.

Sobre a historiografia de influência marxista [onde se incluía Flausino Torres], afirma José Amado Mendes, na História da História em Portugal (Sécs. XIX e XX), Temas e Debates, Lisboa, 1998, vol. I, p. 361-362: "Quanto a influências mais directas e profundas - as quais passam também pela adesão à ideologia e ao próprio sistema explicativo, assente no princípio segundo o qual a «luta de classes constitui o motor da história» - elas foram mais evidentes no pós-25 de Abril (1974). Isto sem esquecer, obviamente, o contributo de outros autores cuja investigação já se iniciara no período anterior, como, por exemplo: Flausino Torres, Augusto da Costa Dias, José Tengarrinha, António Borges Coelho [...] e Vítor de Sá".

Sobre a actividade oposicionista de Flausino Torres, especialmente a que desenvolveu na antiga Checoslováquia, veja-se o trabalho de Linda Kundrátóva.

AABM