Mostrar mensagens com a etiqueta Eugenio Aresta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eugenio Aresta. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

EUGÉNIO RODRIGUES ARESTA (Parte II)


O militar, filósofo e intelectual era figura reconhecida nos meios culturais portuenses e nacionais. Eugénio Aresta acompanha um conjunto de antigos alunos da Faculdade Letras da Universidade do Porto, liderados por Leonardo Coimbra, “cujo pensamento sobre eles exercera decisiva influência”. Conhece e convive com grande parte das figuras da cultura portuense da primeira metade do século XX como Delfim Santos, José Marinho, Álvaro Ribeiro, Sant'Anna Dionísio, Agostinho da Silva e Augusto Saraiva, que estiveram na origem da Revista Portuguesa de Filosofia, conforme assinala António José de Brito AQUI.

Na sua obra Algumas Considerações sobre Propriedade Literária e o Plágio Apoiadas num exemplo Elucidativo [Edições Marânus, Porto, 1943] tece duras considerações sobre a obra de Raul Leal, intitulada Repetidor de Filosofia, Livraria Educação Nacional, Porto, 1942. Segundo Eugénio Aresta, “trata-se na verdade de um livro de texto, com 364 páginas, compacto, bem ordenado, sobretudo na parte que diz respeito à Psicologia, ilustrado, apresentado enfim de maneira a não comprometer as responsabilidades de um Bidour que na Sorbonne, teve ocasião de ouvir as lições dos grandes mestres e pensadores franceses, tais como Bergson” [p. 29]. Mas mais adiante, inicia o seu rol de criticas ao livro “propomo-nos verificar se poderá lançar-se fundamentadamente uma acusação de plágio e de invasão abusiva da propriedade literária alheia, sem respeito pelos direitos reservados” [p. 29]. Na parte final, depois de tentar demonstrar as várias formas de plágio que encontrou, termina de forma cortante, “o livro que o sr. Leal pretende misturar com este muitos que por aí circulam, é um intruso, é um livro desonesto, é um livro pirata, cuja camaradagem não pode ser aceite pelos outros sem um veemente protesto” [p. 181].

Em 1949, Eugénio Aresta participa de forma ativa na campanha do General Norton de Matos, tendo sido um dos oradores convidados para o famoso comício de 23 de Janeiro, no Centro Hípico da Fonte da Moura, na cidade do Porto. Porém, segundo o comunicado enviado à imprensa pelos Serviços da Candidatura, acabou por não discursar “devido ao adiantado da hora” [“O Sr. General Norton de Matos manifesta a sua satisfação pela forma como decorreu o comício de ontem”, Diário de Lisboa, Lisboa, 24-01-1949, Ano 28, nº 9395, p. 7, col. 3, consultável AQUI.]. Nessa mesma época concede uma entrevista ao jornal Diário Popular onde se manifesta contra o entendimento entre a Oposição Democrática e o Partido Comunista e revelava a sua preocupação com o interesse demonstrado pela Rádio Moscovo pela candidatura de Norton de Matos.

Faleceu a 24 de Agosto de 1956 na cidade do Porto, após uma doença prolongada resultante dos gaseamentos sofridos na campanha da 1.ª Guerra Mundial. Era casado com Maria Manuela Aragão Mendes Aresta e pai de Manuel Borges Rodrigues Aresta e de Eugénio Borges Aresta.

Colaborou nas seguintes publicações:
Águia [Porto, 1910-1932], Portucale [Porto, 1928-1945], Prisma [Porto, 1936-1941], Luta [Lisboa, 1906-1923], República [Lisboa, 1911-1927; 1930-1975], Universidade [Porto, 1924]

Publicou:
- A guerra de sempre: (novela dum soldado), A.J. d'Almeida, 19??;
- O Existencialismo como filosofia do desespero;
- Ensaio sobre o Bergsonismo;
- Primeiras Noções de Filosofia, Livraria Tavares Martins, 1933;
- Uma liçao de psicologia a-propósito da obra de Júlio Deniz, Câmara Municipal do Pôrto, 1939;
- Algumas considerações sobre a propriedade literária e o plágio apoiadas num exemplo elucidativo, Ed. Marânus, 1943;
- “Características da Colonização Portuguesa na conquista, na ocupação e na valorização do indígena”, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Volume 63, Parte 1, 1945.

Sobre Eugénio Aresta:
- Manoel D'AragÃoEugénio Aresta. Apontamentos de Biografia e de Bibliografia Subsídios para a História da Escola Filosófica Portuense, Porto, Edição do Autor, 1980, 29 p.

[NOTA: A fotografia apresentada acima é uma imagem panorâmica do comício realizado pelo general Norton de Matos, em 13 de Janeiro de 1949, no Centro Hípico da Fonte da Moura, na cidade do Porto.]

A.A.B.M.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

EUGÉNIO RODRIGUES ARESTA (Parte I)


Filho de Manuel Aresta Jorge e de Inácia Rodrigues Aresta, nasceu em Moura, distrito de Beja, a 23 de Maio de 1891. Escolhendo a carreira militar como futuro profissional, realizou os seus estudos na Escola do Exército, tendo sido promovido na arma da Infantaria: a Praça (1909), a Alferes (1914) e a Tenente (1917); e nomeado Oficial instrutor de metralhadoras pesadas e adjunto da Comissão Técnica da Arma da Infantaria. Sob comando do General Pereira da Eça, integrou a Coluna Expedicionária a Angola, em 1915, distinguindo-se na campanha para a ocupação da região do Cuanhama.

Com a eclosão da 1.ª Guerra Mundial e subsequente participação de Portugal, foi mobilizado para o Corpo Expedicionário Português e enviado para a frente da batalha na Flandres, sendo agraciado pela sua acção militar com duas condecorações da Cruz de Guerra e as "fourragères" da Torre e Espada e do Valor Militar.

De regresso a Portugal após a assinatura do Armistício, a par da vida militar iniciou a sua incursão na vida política filiando-se no partido da União Republicana, de Brito Camacho. Assim, para além da colaboração no jornal A Lucta, foi eleito deputado por esse partido pelo círculo de Beja entre 1921-1922 [Partido Liberal] e entre 1922-1925. Colocado numa unidade militar do Porto, onde veio a constituir família, decidiu então retomar os estudos universitários, matriculando-se na 1.ª Faculdade de Letras do Porto, no curso de Ciências Filosóficas.

Membro da Maçonaria na Loja Progredior, agraciado com o grau de Mestre Maçon em 1926, passou à oposição na sequência do triunfo da Ditadura Militar, sendo um dos conspiradores da frustrada Revolta de 3 de Fevereiro de 1927, no Porto, o primeiro dos golpes "reviralhistas". Esta participação ditou a sua prisão e julgamento, sendo sentenciado à exoneração do Exército e à deportação por um ano para S. Tomé e Príncipe. Concluiu a licenciatura em Ciências Filosóficas em 19 de Julho de 1928, após o seu regresso ao Porto, defendendo uma dissertação sobre o método filosófico de Bergson, com a qual obteve a classificação de 20 valores.

Em 1933 foi reintegrado no Exército como capitão do Quartel-General da 1.ª Região Militar; contudo, recusado o grau de Coronel devido ao seu ideário político, quatro anos mais tarde solicitou a passagem à reserva, optando pela carreira como docente no ensino liceal privado nos Colégios de Almeida Garrett e de João de Deus, ambos na cidade do Porto. De resto, a sua ligação aos movimentos de oposição ao Estado Novo vedaram-lhe integralmente o ingresso nos ensinos liceal oficial e universitário, para o qual fora recomendado pelo Dr. Aarão de Lacerda, embora sem inviabilizar a publicação de manuais para o ensino liceal da Filosofia, através da Editora Marânus. [Sobre a importância dos seus manuais de Filosofia, consultar a tese Luísa Margarida de Mendonça Freire Nogueira, intitulada A Filosofia no Espaço Escolar, disponível AQUI].

Como professor falava com vivacidade, sedução e brilho dos grandes filósofos. Um dos seus alunos foi o pensador Agostinho da Silva conforme se afirma AQUI.

(em continuação)
A.A.B.M.