
Nasceu em Lisboa a 9 de Junho de 1918, filho de
Vitorino Henriques Godinho, oficial do Exército e político republicano.
Estudou nos Liceus de Gil Vicente e de Pedro Nunes, em Lisboa. Ingressou depois na
Faculdade de Letras de Lisboa, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas (1940), com a tese
Razão e História.
Casa com
Maria Antonieta Ferreira, em 1942.
Torna-se professor extraordinário nesta faculdade, entre 1941 e 1944. Aí lecciona quase todas as «histórias», como referiu o Prof. Romero Magalhães: "oriental, clássica, moderna e contemporânea, geral da civilização, numismática" [
Luís Reis Torgal;
José Amado Mendes;
Fernando Catroga,
História da História em Portugal. A História através da História, vol. 1, Temas e Debates, Lisboa, 1998, p. 370].
Porém, apontado como elemento da oposição ao
Estado Novo foi impedido de continuar a carreira universitária em Portugal. Desenvolve então actividade como professor do ensino livre no
Ateneu Comercial de Lisboa (1944-1946). Segue então para Paris, onde se torna investigador no
Centre National de la Recherche Scientifique. Na capital francesa, estuda, pesquisa, publica e priva com os grandes nomes da
École Pratique des Hautes Études, entre os quais
Lucien Febvre,
Fernand Braudel e
Ernest Labrousse, tendo deles bebido as novas metodologias de análise histórica desenvolvidas em volta da revista
Annales. Assim, entre 1947 e 1960, permanece neste centro de excelência da historiografia europeia.
Em 1959, recebe o título de doutor pela Faculdade de Letras de Paris e exerce funções como professor na Faculdade de Ciências Humanas da
Universidade de Clermont-Ferrand (1970-1974), onde viria a receber depois o título de
Doutor Honoris Causa. No curto período de 1960-1962, permanece em Portugal, tendo desempenhado funções de professor no
Instituto Superior de Estudo Ultramarinos, mas foi demitido devido ao seu envolvimento na crise académica de 1962. Participa ainda no Congresso Republicano de Aveiro e continua a actividade oposicionista, que se manifesta na publicação de livros como
O Socialismo e o Futuro da Península (1970) e
Um Rumo para a Educação (1974).
Durante a década de sessenta desenvolve uma considerável acção política e cultural. Colabora na imprensa, publica diversas obras, dirige várias colecções e escreve vários ensaios onde defende uma mudança da sociedade portuguesa, em especial no âmbito do ensino.
Com a revolução de Abril de 1974, regressa a Portugal e participa activamente na política interna integrando o II Governo Provisório, liderado por Vasco Gonçalves, onde permanece durante alguns meses. Regressa à vida académica e como professor catedrático, lecciona na
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Desempenha ainda funções como coordenador de departamento de Sociologia (1975-1988) e ocupa as funções de Director da Biblioteca Nacional (1984).
Em 1988 alcança a jubilação como catedrático da Universidade Nova de Lisboa e é alvo de uma homenagem nacional. Considerado um dos mais reputados historiadores portugueses do século XX, foram seus discípulos outros importantes historiadores como
Jorge Borges de Macedo,
Julião Soares de Sousa,
Joel Serrão,
Joaquim Romero Magalhães,
David Justino e muitos outros.
Como afirma
José Amado Mendes , "Magalhães Godinho contribuiu muitíssimo para «democratizar» a História, ampliando as temáticas a investigar, procurando superar a história tradicional, de tendências erudita, política e factual"[
ob. cit., p. 377].
Em 2003, no âmbito de um colóquio realizado em Paris, que lhe é dedicado, subordinado ao título
Portugal e o Mundo. Leituras da Obra de Vitorino Magalhães Godinho surge novamente a público concedendo algumas entrevistas. Tendo sido também publicada uma obra
Estudos e Ensaios em Homenagem a Vitorino Magalhães Godinho.
Era sócio correspondente da
Academia Brasileira de Artes e Letras, da
Royal Academy , de Londres, entre outras instituições científicas.
Recebeu diversos prémios ao longo da sua extensa carreira de onde destacamos o Grande Prémio da Académie de Marine (1970) e o Prémio Balzan (1991).
Os seus trabalhos cietíficos versam sobretudo sobre problemas económicos, dedicando particular atenção ao período da Expansão Marítima, como
A Economia dos Descobrimentos Henriquinos (1962); Os Descobrimentos e a Economia Mundial (1963-1971), Estrutura da Anttiga Sociedade Portuguesa (1971); Mito e Mercadoria, Utopia e Prática de Navegar, Séculos XII-XVIII (1990).
Colabora em múltiplos órgãos da imprensa escrita, além das numerosas revistas de carácter científico, que nos dispensamos de apontar neste espaço, porque foram inúmeras como:
O Diabo (1934-1940),
Gládio (1935),
Revista do Porto (1940),
Síntese (1939-1941),
Bulletin des Études Portugaises (1931-1972),
Critério (1975-1976),
Gazeta Musical e de Todas as Artes (1950-1957),
Horizonte (1942-1943),
Jornal de Letras Artes e Ideias (1981 - ),
Mundo Literário (1946-1948),
Nova Renascença (1980 - ?),
Ocidente (1938-1973),
Seara Nova (1921-1979),
O Tempo e o Modo (1963-1977), Vértice (1942- )entre várias outras.
Acerca de
Vitorino Magalhães Godinho recomendamos a visita ao texto do Dr.
Mário Soares, seu antigo aluno
AQUI, o texto de homenagem do Doutor Diogo Ramada Curto, publicado
AQUI ou a homenagem que lhe é feita
AQUI.
Faleceu a 26 de Abril de 2011, com 92 anos.