quarta-feira, 29 de julho de 2015

EXPOSIÇÃO "O POETA ALEIXO VISTO POR ARTISTAS PLÁSTICOS"


A Fundação Manuel Viegas Guerreiro, em Querença, concelho de Loulé vai inaugurar no próximo sábado, 1 de Agosto, pelas 19 horas, a Exposição O Poeta Aleixo visto por Artistas Plásticos.

Para abrilhantar o evento Afonso Dias vai interpretar fados com letra de António Aleixo.

Servindo-nos de quadras do próprio António Aleixo para se referir aos artistas:

Ser artista é ser alguém!
Que bonito é ser artista...
Ver as coisas mais além
do que alcança a nossa vista!

Um evento que se recomenda neste período de Verão, no Algarve e dando uma escapadela até à bonita aldeia de Querença, no início da serra do Caldeirão e visitando as instalações desta fundação que se dedica à cultura fora dos grandes centros urbanos.

A.A.B.M.

terça-feira, 28 de julho de 2015

SAHIDAS AO SUL


Vai-te ao longo da costa discorrendo / E outra terra acharás de mais verdade” [Luiz de Camões]
O Almanaque Republicano veste-se para o respeitável veraneio, beijado pelo sopro das brisas do Mondego (com mar ao fundo) e está de saída. Cumprindo os mistérios & as delicias do defeso, sem dispensar o olhar para estes calamitosos tempos paroquiais, caminha para o sul, sussurrando em húmida língua. Liberdade de razoar.

Apartados de deveres profanos, estes Vossos Caval(l)eiros não atendem ao domicilio. Amodorrados estamos! De fugida, a uso de banhos e outras gramáticas, estaremos atentos ao luzeiro da Alma Republicana, como que a “fazer apetite para o chá” [Machado de Assis]. No nosso remanso, não dormimos que o silêncio não sustenta os braços. Voltaremos ao recesso do lar e ao V. patrocínio. Até lá … um derradeiro Vale!

Saúde, Paz e Fraternidade!

[traçado algures no Alentejo, à sombra da noute]


J.M.M.
A.A.B.M.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A RAZÃO. SEMANÁRIO REPUBLICANO - PARTE II


Teve o periódico figueirense, "A Razão", como primeiro editor José Maria Roque dos Reis [era oficial-encadernador e já antes (21 de Janeiro de 1900) tinha sido editor do jornal bi-semanal “O Figueirense”, na sua 2ª série], vulto republicano e católico, pertencente ao Centro Republicano José Falcão.

Acontece que ao nº4 do jornal (19/02/1904) publica-se um artigo [sob o título “Verdade”] relativo à substituição do seu editor, José Maria Roque dos Reis [JMRR]. Nesse artigo [assinado por Eduardo Fernandes, José Soares Cornelo, José Augusto Germano Alves, Custodio de Moura, Joaquim Gaspar Martins, João Guerra Duarte e António da Silva], é publicada uma carta – transcrita d’O Século e assinada pelo seu correspondente na Figueira da Foz -, onde [JMRR] diz que “o Centro José Falcão faltou aos compromissos contraídos” com ele, enquanto editor do semanário “A Razão”.

O jornal, como replica à notícia produzida, considera, no mesmo artigo, que se trata de uma calúnia de JMRR e publica um “Desagravo” à notícia saída n’O Século.
Consideram que JMRRse ofereceu muito espontaneamente para editar o jornal” porque “nenhum medo tinha”, pelo que pediu um cargo no periódico. Como estava decidido que não figurasse nenhum nome de sócio do Centro no semanário (a não ser o proprietário, que lhes parecia ser de todo necessário legalmente), foi proposto que JMRR figurasse, então, como proprietário “in nomine”, o que foi aprovado pelos associados do Centro Republicano. Como se constatou – continuam - não se verificar a questão legal da “declaração de propriedade” suprimiu-se o cargo, ficando então JMRR como editor.

Ainda na mesma reunião, debateu-se se se devia “abordar assuntos religiosos”, entendendo-se que tal não era aceitável por “sistema”, mas que o assunto não devia ser “descurado”. Ora – continua a mesma nota ao artigo que estamos a citar, publicada ao nº 4, 19/02/1904 – no número inicial do semanário foi apresentado uma “engraçada e curiosa” transcrição de “Os Mandamentos dos Padres”, que (citamos) “excitou o zelo catholico do snr” JMRR. Este último envia uma carta à direcção sobre o teor do artigo publicado, dizendo que se o “tivesse visto, não consentiria na sua publicação”.
 
Assim sendo JMRR abandona os quadros do jornal e ao nº 4, surge já como Editor-Responsável, Amadeu Sanches Barreto [Curiosamente, ainda nas replicas ao assunto do “Desagravo”, atrás referido, no nº 5 do semanário (25 Fevereiro 1904) há uma nota, intitulada “Pela última vez” sobre o caso que levou á substituição de JMRR, sob a pena de Gustaf Adolf Bergstrom, e na sequência de uma notícia saída no “Povo Figueirense”, que reza assim: “o Snr. Roque dos Reis, em carta que o Povo Figueirense gostosamente publica, diz ter pena de um ‘melro negro’ não assinar o desagravo. Não sendo meu intuito discutir o valor do inofensivo epíteto, declaro ao snr Roque que quando quiser estou às suas ordens …”].



O jornalista Amadeu Sanches Barreto, o novo editor, natural de Vila Real mas “filho adoptivo da Figueira” (como afirmava) era um “velho” republicano, tendo pertencido ao grupo carbonário que se estava a organizar na Figueira da Foz [cf. carta  de Amadeu S. Barreto a Bernardino Machado, 29/05/1911], era amigo pessoal do dr. Afonso Costa e um indefectível admirador do dr. Bernardino Machado, viveu na Figueira da Foz, em Coimbra e em 1914 está na administração do concelho da Baía dos Tigres (Angola). Muito tempo antes tinha sido o responsável redactorial d’O Povo da Figueira [jornal fundado pela comissão republicana municipal da Figueira da Foz, em 1895], e, mais tarde, também editou e colaborou n’O Figueirense (II série), bi-semanário (1900-1902; curiosamente esta série era editada por José Maria Roque dos Reis) que de algum modo vinha em substituição daquele.

Diga-se que Amadeu Sanches Barreto foi proprietário do jornal “Voz do Tua” (8 de Agosto de 1886, Mirandela), publicou [Fevereiro de 1897] o bi-semanário democrático e republicano “Aurora da Liberdade” de Vila Real, comemorativo do 31 de Janeiro e é director do bissemanário dedicado ao professorado, “O Ensino”, publicado em Coimbra, em 1903. Como curiosidade refira-se que Amadeu Sanches Barreto publica o estimado e raro livro do poeta de Alte, Cândido Guerreiro, “Sonetos” (Coimbra, 1904, p. 67).
 
A partir do nº 8, no cabeçalho do semanário aparece José Soares Coronel como editor, mantendo-se até ao seu fim

Os artigos publicados são, no fundamental, de interesse local, mas bem curiosos, caso da “Homenagem aos Vencidos do 31 de Janeiro” (nº2) que relata a comemoração dessa data na Figueira da Foz pela gente republicana; e o comício promovido pelo Centro Eleitoral Republicano José Falcão no Teatro Chalet [presidido por Amadeu Sanches Barreto, em substituição do dr. Bernardino Machado, impossibilitado por motivo de doença; foi lida inúmeros telegramas, do dr. Afonso Costa, António Luís Gomes, Pádua Correia, Malva do Vale, França Borges, tendo participado e usado da palavra republicanos de vulto, como Fausto de Quadros, Adriano do Nascimento, Joaquim Cortesão] e a “grandiosa” manifestação que se lhe seguiu (nº7, 10 de Março 1904).

[Algumas assinaturas] Colaboração: “A. Roinuj”, “Aber”, [Manuel Augusto] Cardoso Marta, Artur de Oliveira Santos, Artur Ribeiro, Cândido Guerreiro, Constantino Gomes Tomé, Cyro Ferreira, Domingos Albariño, Duarte Lima, Fausto de Quadros, Gustavo Adolf Bergstrom, “Index”, J. Astoc, João de Barros, Joaquim Cortesão, José Augusto de Medeiros, Matias d’Alverca, Maurício Aguas Pinto, “Mortsrgreb”, “Neto” (António Fernandes Silva?), “Phaon”, Tavares de Almeida, Tomás da Fonseca, Reynaldo de Carvalho, Simões Ferreira.

J.M.M.

A RAZÃO. SEMANÁRIO REPUBLICANO - PARTE I


A RAZÃO. Semanário Republicano [ao nº 9, Órgão do Centro Republicano José Falcão]. Ano I, nº I (27 Janeiro 1904) ao nº XVII (22 Maio 1904); Administração e Redacção: Rua do Estendal, 33, 3º [depois, ao nº7, Rua de Santo António, 9], Figueira da Foz; Editor: José Maria Roque dos Reis [ao nº4, Amadeu Sanches Barreto; ao nº8, José Soares Coronel]; Redactor Principal: Gustaf Adolf Bergstrom; Impressão: Typographia Democratica (Coimbra); Figueira da Foz; 1904, 17 numrs

Trata-se de um semanário figueirense que se dispunha a “lutar pela ideia da República, como primeira etapa a alcançar na senda do progresso”, referindo que fazem tenção de tomar o “mais humilde logar nas fileiras da democracia pela qual lutaremos sempre com serenidade, mas enérgica e intransigentemente” (in nº1, texto assinado, em nome da redacção, por Gustavo Adolf Bergstrom).
[Gustaf Adolf Bergstrom nasceu em 1892 na Ilha de Santo Antão (Cabo Verde). De ascendência sueca pelo lado do pai, residiu na Figueira da Foz e casou com Amélia Lucas de Oliveira (e, assim julgamos, casou uma segunda vez com Maria da Luz – cf. O Paiz, Rio de Janeiro, 28/12/1916) – tiveram duas filhas, Maria Regina Bergstrom (n. 1902), que se fixou em Moçambique e Fernanda Bergstrom (n. 1910). Curiosamente o seu pai, Theodoro Segismundo Bergström (1856?-1934; foi director do BNU em S. Tomé e Príncipe) e o seu avô paterno, tinham casado também com cidadãs portuguesas. Gustaf Adolf Bergstrom dedicou-se à instrução pública, foi professor de ensino livre (especialidade em língua inglesa) em Lisboa (no Novo Colégio Inglês), Figueira da Foz e Coimbra. Foi jornalista e um ardente propagandista liberal e republicano.

Como jornalista, funda (11 de Maio de 1902) e redige o jornal “A Voz da Justiça” da Figueira da Foz (a 17 de Maio de 1903, Gustaf Bergstrom, cede a propriedade do jornal para a Associação de Instrução Popular, passando o periódico a ser administrado por maçons filiados na Loja Fernandes Tomás, loja maçónica instalada a 22 de Setembro de 1900 na Figueira da Foz); escreve no jornal, “Desaffronta” (1903, Figueira da Foz - nº único) em defesa do descanso semanal dos caixeiros figueirenses – à revindicação dos trabalhadores sucede um “longo” processo judicial, tendo sido Afonso Costa o advogado dos caixeiros processados; participa (1904) no jornal comemorativo da revolta do 31 de Janeiro de 1891, “Glória aos Vencidos”, patrocinado pelo Centro Eleitoral Republicano José Falcão da Figueira da Foz; foi redactor principal do semanário “A Razão”, mais tarde órgão desse mesmo Centro Republicano.
 
 

Retira-se para Coimbra (vive numa casa nos Arcos do Jardim, ao nº52), frequenta como aluno voluntário a Faculdade de Filosofia e de Matemática na Universidade de Coimbra, exercendo a docência no Liceu da cidade, leccionando (em sua casa) um curso especial de inglês prático para alunos internos. Foi um curioso poeta e letrista (com que contribuiu para alguns estimados fados). Parte Gustaf A. Bergstrom, anos depois (1912/13?), para o Brasil. Lecciona matemática, física e química, e dá cursos particulares de inglês, no Instituto Beltrão (rua Haddock Lobo, nº 419) e no Instituto La-Fayette, do Rio de Janeiro. Discursa na sessão solene das comemorações da República Portuguesa em 1913, promovidas pelo Grémio Republicano do Rio de Janeiro (foi realizada excepcionalmente no dia 12 de Outubro) no teatro Lyrico, sob presidência do dr. Bernardino Machado. Morre a 23 de Junho de 1916 (cf. jornal Estado do Pará, 24/06/2016) no hospital da “Beneficência Portuguesa”, vítima da “tuberculose” (assim o refere, como causa da sua morte, Cardoso Martha, inJornalismo Figueirense”, 1926, p. 60)]  

Refira-se que “A Razão” foi criada por um grupo de republicanos que pretendiam reatar “os laços morais” da comissão municipal republicana, pelo que constituíram o núcleo (fundador) do Centro Eleitoral Republicano José Falcão (instalado e inaugurado no dia 31 de Janeiro de 1904, aniversário da revolta republicana do Porto e em que usa da palavra Gustaf Bergstrom, um dos principais impulsionadores do Centro e seu presidente). Antes mesmo da fundação do Centro Republicano José Falcão foi decidido pelo núcleo inicial a criação de um jornal que fosse seu órgão de imprensa. De facto, assim aconteceu, a 27 de Janeiro de 1904, o semanário “A Razão” [cf. Cardoso Martha, ibidem].
 
[A CONTINUAR]
 
J.M.M.

domingo, 19 de julho de 2015

ARTE DE PENSAR DO ABBADE DE CONDILLAC – TRADUÇÃO DE JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO

 
 
LIVRO: Arte de Pensar do Abbade de Condillac, transladada em linguagem portugueza por José Liberato Freire de Carvalho, tomo I, Impr. da Universidade de Coimbra, 1794, 132 p. (ed. fac-simile);
AUTOR: Abbade de Condillac (reed. da obra traduzida em 1794);
EDIÇÃO: Comissão Liberato, 2015.

LANÇAMENTO:

DIA: 20 de Julho de 2015 (18,00 horas);
LOCAL: Café Santa Cruz (Coimbra);
ORADORA: Professora Isabel Nobre Vargues.

► Trata-se da reimpressão do tomo I, da 1ª edição da invulgar obra do Abade de Condillac [aliás. Étienne Bonnot de Condillac (1715-1780)] traduzida e publicada por José Liberato Freire de Carvalho [JLFC] em 1794, na Tipografia da Universidade de Coimbra. JLFC fez a tradução da obra de Condillac quando frequentava o Colégio de Coimbra (a revisão e correcção da obra foi realizada por seu irmão, António da Visitação Freire), tendo-se esgotada de imediato toda a edição.

A “Arte de Pensar do Abbade de Condillac translada em linguagem portugueza” (com 132 p.) por JLFC [1772-1885) contava inicialmente com um segundo tomo (segundo Inocêncio Francisco da Silva, JLFV já teria feito a respectiva tradução), porém nunca saiu a lume. Só em 1818, foi impressa uma 2ª edição (com 184 p.), agora pela Tipografia Lacerdina, onde segue a segunda parte, precedida de um prólogo. Esta segunda parte foi traduzida sem nome, mas feita por Rodrigo Ferreira da Costa (1776-1825), que assim reimprimiu a 1ª parte e lhe acrescentou uma segunda a partir da página 185, e que segue até á pagina 288 (com 1 errata no final).

J.M.M.    

sexta-feira, 17 de julho de 2015

APONTAMENTOS DAS PRELEÇÕES DO DR. AFONSO COSTA SOBRE CIÊNCIA ECONÓMICA E DIREITO ECONÓMICO PORTUGUÊS


AUTOR: Dr. Afonso Costa [coord. & prefácio de Guilherme Oliveira Martins];
EDIÇÃO: INCM (Colecção Biblioteca Res Publicana).

Trata-se da reimpressão do texto original publicado na época de 1896-1897, no âmbito das lições do Dr. Afonso Costa proferidas na Universidade de Coimbra, quando ministrou a cadeira de Economia Política
[O dr. Afonso Costa ingressa na Faculdade de Direito de Coimbra no ano lectivo de 1887/1888. Em Março de 1890 funda, com António José de Almeida, um jornal, O Ultimatum. Folha Académica, 23 Março de 1890 (António José de Almeida publica nesse número o conhecido artigo “Bragança, o último” – sobre o jornal e a questão Afonso Costa e a Economia Social, afinal matéria versada nesta edição dos seus Apontamento, consultar AQUI & AQUI os importantes artigos de Jorge Pais de Sousa) onde exprime “a opinião de que a Monarquia ou o trono eram a causa do abatimento moral do País” – cf. Luís Bigotte Chorão, “Afonso Costa”, in “A Faculdade de Direito de Lisboa no seu Centenário”, vol II, 2013, p. 16. Participa nos acontecimentos de 31 de Janeiro e adere à greve académica de 1892 (ibidem). Realiza o seu exame de licenciado a 17 de Janeiro de 1895 com a dissertação: “Os Peritos no Processo Criminal, Legislação Portuguesa, Crítica, Reformas”. Apresenta-se a concurso para lente substituto em Janeiro de 1896 com a dissertação, “Commentario ao Código Penal Portuguez”. Via então reger a cadeira de Economia Política nos anos de 1896/1897 e 1897/1898 (ibidem). “A respeito das suas lições, Paulo Merêa – acompanhando o juízo de Marnoco e Sousa e José Alberto dos Reis – escreveu que ‘revelam um grande interesse pelo movimento socialista e reflectem a forma sociológica desta escola’ (L. B. Chorão, ibidem)] 


A presente edição é uma excelente iniciativa do Tribunal de Contas e da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Portuguesa, e de muita estimação.

A presente obra, há muito detectada na biblioteca de Afonso Costa e que não tinha sido editada fora do âmbito académico e do momento em que as lições foram ministradas, oferece ao leitor as lições do Professor Doutor Afonso Costa alusivas ao ensino da ‘Economia Social’, atinente a um modelo do magistério no âmbito das ciências económicas para estudantes de Direito, no longínquo ano letivo de 1896-1897. Conforme prefaciado por Guilherme d’Oliveira Martins, ‘[a] edição que agora se apresenta corresponde à transcrição de um documento no qual encontramos não só o testemunho vivo do ensino do Doutor Afonso Costa, mas também elementos preciosos sobre o seu pensamento económico’ [AQUI]
[c/ um abraço ao dr. Rincon Peres]

J.M.M.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

CONFERÊNCIA – O PAPEL DE BRITO CAMACHO E DOS UNIONISTAS PERANTE A GUERRA


ORADORA: Professora Maria Fernanda Rollo (I.H.C.);

DIA: 17 de Julho 2015 (21,30 horas);
LOCAL: Museu Bernardino Machado (Vila Nova de Famalicão);

ORGANIZAÇÃO: C.M. de Vila Nova de Famalicão | Museu Bernardino Machado;

Integrado no “Ciclo de Conferências 2015: Portugal na I Guerra Mundial” (que decorrerá até Dezembro deste ano), o Museu Bernardino Machado promove uma conferência, subordinada ao tema, “O papel de Brito Camacho e dos Unionistas perante a Guerra”, a cargo da professora e investigadora do I.H.C. da  FCSH/U.N.L, Maria Fernanda Rollo.
 
 

De referir que a conferência sobre Brito Camacho, inicialmente agendada para o passado mês de Abril (dia 17 de Abril) – conforme AQUI sinalizamos –, não se realizou por diversos motivos e foi aprazada, deste modo, para o próximo dia 17 de Julho.  

A não perder.

J.M.M.

terça-feira, 14 de julho de 2015

AFONSO COSTA E O REVISIONISMO EM HISTÓRIA


Afonso Costa e o revisionismo em história” – por Jorge Pais de Sousa, in jornal Público

Sou leitor assíduo da crónica Consoantemuda, que Rui Tavares assina no jornal PÚBLICO, a qual, normalmente, expressa pontos de vista singulares sobre a complexa realidade política que nos envolve.

Todavia, no dia 24 de junho, escreveu uma crónica histórica que intitulou de “Tempos elétricos.” E nela abordou dois episódios da vida de Afonso Costa (1871-1937) que, na sua leitura, caraterizavam a sua personalidade: a cobardia política, referindo-se ao episódio da queda do elétrico em andamento que lhe causou um traumatismo craniano e o impediu de assumir de imediato a presidência do governo, pois julgou estar a ser alvo de um atentado à bomba, em resultado de um curto-circuito que produziu um clarão e um estrondo; e a corrupção, que estaria na origem da sua prisão, na Fortaleza de Elvas, entre dezembro de 1917 e 30 de março de 1918. Neste último caso, para lembrar, alegadamente, que não seria a primeira vez que os portugueses tiveram um ex-primeiro-ministro detido por corrupção.

Considero muito infeliz a escolha destes dois episódios para caraterizar o perfil moral do político Afonso Costa. Será que o ministro da Justiça do Governo Provisório, enquanto autor da Lei da Separação do Estado das Igrejas (1911), não teve coragem política para promulgar e aplicar esta lei, típica de um Estado moderno, causadora de enormes clivagens políticas na sociedade portuguesa, mas que nem o ditador Salazar se atreveu a revogar?

E se Afonso Costa, ainda hoje, é o único presidente do Governo e ministro das Finanças português que, em contexto democrático, obteve dois superavites 1912-13 e 1913-14 (cf. Nuno Valério - Os Orçamentos no Parlamento Português, 2001), isso é típico de um político corrupto? É que se os conseguiu foi porque os preparou com, entre outras medidas, a chamada “Lei Travão”, pela qual nenhum deputado, em sede de discussão do OGE, poderia propor medidas que aumentassem a despesa pública ou diminuíssem as receitas sem pedir, previamente, a autorização da Comissão de Finanças e do ministro das Finanças. Esta defesa acérrima, e sobretudo a sua concretização, de políticas de finanças públicas equilibradas caraterizam o comportamento de um político corrupto? Nessa altura, o que dizer das dezenas de ministros das Finanças que de então para cá ocuparam o cargo e só conseguiram défices?

Importa recordar que no final do ano de 1917, Portugal participa na I Guerra Mundial e tem a combater mais de 100 mil homens. Cerca de metade defendiam, desde  o verão de 1914, as fronteiras das colónias de Angola e Moçambique. Enquanto os outros 50 mil portugueses combatiam na Flandres. Nesta altura, Afonso Costa é presidente do Governo e regressa a Portugal depois de ter participado na Conferência dos Aliados de Paris, quando em Lisboa, entre 5 e 7 de dezembro, Sidónio Pais chefia um golpe de Estado que instaura a ditadura “dezembrista” durante um ano, o tempo necessário para realizar a sua política de contramobilização que conduziu ao desastre militar em La Lys. Suspendeu, de imediato, a Constituição da República de 1911, exila o presidente Bernardino Machado e detém no Porto, no dia 8, Afonso Costa, o presidente legítimo do Governo. Na véspera, as autoridades sidonistas tinham sido cúmplices no assalto e destruição em Lisboa, pela populaça, da casa onde vivia a sua família e também do seu escritório. O ditador Sidónio Pais vai manter Afonso Costa detido no Forte de Elvas durante mais de três meses sem nunca lhe ter promovido um inquérito, feito uma acusação, instaurado um processo, político ou criminal, e, portanto, nunca o levou a julgamento. Tudo na mais flagrante violação dos mais elementares direitos humanos e das leis de um qualquer Estado de direito. Onde estão, pois, as provas de que Afonso Costa era um presidente do Governo corrupto?

Esta foi, contudo, apenas a primeira de uma série longa e continuada no tempo de violações dos direitos, garantias e liberdades, em relação ao primeiro português que não só foi fundador (1920), mas também, na qualidade de representante de Portugal, foi eleito para presidir a uma assembleia da Sociedade das Nações (1926). É que, em 1927, por exemplo, a Ditadura Militar demite-o, sem a instauração de qualquer inquérito disciplinar, de diretor e de professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, dando origem a um exílio e a uma longa luta antifascista que marcaram os seus últimos onze anos de vida, numa altura em que integra a Junta Diretiva da Liga de Defesa da República.

Não foi por acaso que Salazar o declarou, na nota oficiosa de 1934, seu inimigo político e do Estado Novo, mas em momento algum desse extenso texto o acusa de cobarde e de corrupto. E não obstante, quando Afonso Costa morre no exílio de Paris, em maio de 1937, era o único político que tinha capital e prestígio político para conseguir a formação da Frente Popular Portuguesa e aglutinar nela o PCP.
 
 
 

Se Afonso Costa é apresentado como um político cobarde e corrupto é porque a história contemporânea é objeto, nos tempos que correm, de um processo acelerado de revisionismo. Isto porque Rui Tavares cita, e recomenda, a “curta e ótima” biografia “Afonso Costa” de Filipe Ribeiro de Meneses. Porém, e se não encontrou lá esta e muita outra informação sobre Afonso Costa, eu pensaria duas vezes em a recomendar publicamente. Tenho grandes dificuldades em perceber, por exemplo, como se pode recomendar um livro que nem sequer compila a bibliografia da autoria do biografado, enquanto professor universitário, advogado, deputado, governante e lutador antifascista? É que pelo menos aquela que é conhecida e foi publicada pelo historiador Oliveira Marques, desde os anos de 1970-8O, ali deveria constar.

No entanto, estou à vontade para escrever sobre esta matéria, pois no passado dia 9 de abril tive a oportunidade de debater em público sobre Afonso Costa, enquanto investigador, que o elege como tema de Pós-Doutoramento, com o historiador Filipe Ribeiro de Meneses, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, em sessão repleta e muito participada. E ali, tal como no seu livro, ficou claro que desconhece a natureza socialista integral do seu pensamento jurídico-político e a programática pela qual orientou toda a sua ação política, expressas, sobretudo, nas teses universitárias que apresentou em 1895 à Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Nesta começou por lecionar Economia Política para assumir, entre 1899 e 1910, a cátedra de Organização Judiciária. O mesmo se diga para os quinze títulos de livros jurídicos que entretanto identificámos, bem como o teor doutrinário dos mais de 300 artigos, também da autoria de Afonso Costa, que estão publicados em diferentes jornais republicanos.

Em suma, está por fazer com Afonso Costa - e o mesmo é valido, entre outros, para figuras centrais da 1.ª República como António José de Almeida e Brito Camacho - um trabalho semelhante ao que, de há muito, o historiador Norberto Ferreira da Cunha desenvolve no Museu Bernardino Machado em Vila Nova de Famalicão, ou seja, criar uma unidade de interpretação que reúna, conserve e difunda, para o grande público e para a investigação, a memória documental e iconográfica, que com ele se relaciona, e que, entre outras iniciativas, organize a publicação das suas “Obras”.

Afonso Costa e o revisionismo em história – por Jorge Pais de Sousa [bolseiro de pós-doutoramento na FCT], jornal Público, 13 de Julho de2015, p.46 – com sublinhados nossos.
 
J.M.M.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

VISITA GUIADA – ROTEIRO MAÇÓNICO: PALÁCIO E MUSEU MAÇÓNICO, AZULEJOS NA TRINDADE


VISITA GUIADA – ROTEIRO MAÇÓNICO: PALÁCIO E MUSEU MAÇÓNICO, AZULEJOS NA TRINDADE

DIA: 18 de Julho 2015 (15,00 horas);

LOCAL DO ENCONTRO: Largo Trindade Coelho, Quiosque frente Igreja S. Roque (Lisboa);
ORGANIZAÇÃO:
Explore Latitudes.

Museu Maçónico Português é uma entidade fundada em 1984, situando-se na Rua do Grémio Lusitano 25, em Lisboa, sede do Grande Oriente Lusitano, uma das mais antigas Obediências maçónicas europeias, fundada em 1802. Ao longo destes anos viu evoluir não apenas seu espólio como também as suas funções e práticas museológicas.

É uma instituição que, através das peças que tem expostas, retracta a História do país e da Europa nos últimos duzentos e cinquenta anos. Como museu tem por função de proteger, interpretar e informar sobre os objectos e ideias do passado e através deles fazer uma ponte para o presente. O Museu Maçónico Português é um Museu histórico, especializado, cujo património, raro e insubstituível, tem uma relação estreita com a História portuguesa e europeia, e daí a importância das exposições que apresenta. Actualmente, o Museu Maçónico Português, é considerado um dos melhores da Europa na especialidade.

Painéis Azulejos na Trindade, também conhecidos pelos azulejos do «Ferreira das Tabuletas», que foi aprendiz na Real Fábrica de Louça e desenvolveu trabalho nas fábricas da Calçada do Monte e António da Costa Lamego (mais tarde designada por Viúva Lamego), tendo sido director artístico nesta última.

É considerado o pintor ceramista de maior expressão do 3º quartel oitocentista, realizando, num período em que o revestimento de fachada se subordinava a esquemas seriados e estandardizados, composições de autor, de tendência romântica, marcadas pela gramática ecléctica. Embora a sua pintura se caracterize por uma certa ingenuidade, as composições ornamentais e figurativas que produziu denotam grande originalidade. Representam vasos floridos, figurações e alegorias, a que junta efeitos “en trompe l’oeil”. Entre outros trabalhos, são de salientar a decoração interior da Cervejaria Trindade, painéis da Rua Trindade, nºs. 28-34/Largo Rafael Bordalo Pinheiro, também conhecida como Casa do Ferreira das Tabuletas”.

PROGRAMA:

18.07.2015 (sábado) – 15H

Vamos realizar a visita guiada ao Palácio e Museu Maçónico Português e aos painéis de azulejos no antigo Convento da Trindade, revelando o papel da Maçonaria na história de Portugal, assim como, a sua iconografia, simbólica e linguagem.

15,00h – Encontro no Largo Trindade Coelho, Quiosque frente Igreja S. Roque – Início do Roteiro visita Bairro Alto

15,30h – Visita Guiada ao Museu e Palácio Maçónico – abertos especialmente para os Participantes

17,00h – Visita aos Azulejos da Trindade – o simbolismo maçónico na cidade

18,00h – Lanche na Cervejaria Trindade”

 

J.M.M

quinta-feira, 9 de julho de 2015

PRÁTICAS DA HISTÓRIA


Teve lugar hoje, quinta-feira, dia 9 de Julho de 2015, pelas 17h30 o lançamento do primeiro número de uma nova revista académica, a Práticas da História. O evento teve lugar na Biblioteca Nacional onde se realizou uma conferência do Professor António Hespanha sobre os usos da teoria na história. 


Mais informação sobre a revista (sumário do primeiro número, conselho editorial, conselho científico, como submeter uma proposta de comunicação, etc.) pode ser encontrada no site. Os textos do primeiro número estão disponíveis sem restrições de acesso.


A revista Práticas da História é apoiada pelo Instituto de História Contemporânea (Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Évora) e pelo Centro de História d’Aquém e Além Mar (Universidade Nova de Lisboa e Universidade dos Açores).

Segue o Índice do primeiro número da revista:

Práticas da História 1, nº 1 (2015)

Nota Editorial

Nota de Apresentação


Artigos

Metahistory: Notes Towards a Genealogy
Herman Paul
Mariana Pinto dos Santos

Ensaio

L’excès des mots: pratiques de desidentification et logiques heterogènes de la culture
Entretien avec Jacques Rancière réalisé par Maria-Benedita Basto et José Neves

Testemunho

Marta Faustino
Recomenda-se uma visita regular ao site da revista AQUI.

A.A.B.M.

VISÃO HISTÓRIA - EDIÇÃO DE JULHO DE 2015





















Encontra-se disponível um novo número da revista  Visão História, desta vez dedicada à II Guerra Mundial, tendo por tema de fundo a posição de Portugal face à Batalha do Atlântico.

Com um conjunto de artigos muito interessantes, bem ilustrada e com alguns textos a merecerem uma leitura atenta. Organizada em seis subtemas:
- A Guerra;
- Portugal;
- Águas portuguesas;
- Afundamentos de barcos portugueses;
- Açores;
- Frota do Bacalhau.

Uma iniciativa louvável e que deve ser divulgada junto de todos os interessados.

A.A.B.M

quarta-feira, 8 de julho de 2015

JOSÉ TENGARRINHA: O PASSADO QUE ILUMINA O FUTURO


LIVRO: “José Tengarrinha: o Passado que Ilumina o Futuro. Diálogo com José Jorge Letria";
EDITORA: Guerra e Paz, 2015, 152 p.

LANÇAMENTO:

DIA: 15 de Julho 2015

Nessa altura a PIDE irrompe pela redacção, de pistolas em punho, uma coisaassim meio bárbara. Os redactores insurgiram-se contra aquilo, alguns levantaram a voz (…) Insurgiram-se, foram ameaçados de prisão. Aquilo foi um grande rebuliço (…) De maneira que os pides acabaram por agarrar-me e arrastar-me para fora da redacção até à António Maria Cardoso, onde fiquei preso, onde fui torturado e fui para o Aljube”

Corria o ano de 1961, em meados de Dezembro, quando José Tengarrinha conheceu os calabouços do Antigo Regime. Com a sua personalidade e determinação, marcou a vida política e cultural da segunda metade do séc. XX português.

Foi um inquebrantável militante político, que viveu a clandestinidade, sofreu prisão política e contribuiu para a construção da democracia. Foi também jornalista, publicitário e escritor. E edificou uma carreira académica prestigiada, em Portugal e no estrangeiro. Uma história para ouvir e ler na primeira pessoa, em diálogo com José Jorge Letria, neste novo exemplar da colecção 'o fio da memória', José Tengarrinha: o Passado Que Ilumina o Futuro

J.M.M.

terça-feira, 7 de julho de 2015

IN MEMORIAM MARIA BARROSO [1925-2015]


Leva-me onde as estradas me pertençam.
Porque as vozes viris que me conduzem
Ninguém, melhor do que eu, sabe dizê-las;
Porque eu não temo as livres solidões,
Onde habitam os ventos e as estrelas
.”
[Jaime Cortesão, “Ode à Liberdade”]

Maria de Jesus Simões Lopes Barroso, nasceu a 2 de Maio de 1925, na freguesia da Fuzeta (Olhão). A mãe, Maria da Encarnação Simões (nasceu em Coimbra), era professora oficial do ensino primário e o seu pai, foi o capitão do exército, Alfredo José Barroso

[1887-1970; nasceu em Montes de Alvor, Portimão; segue a carreira militar, nos regimentos de Tavira e Setúbal; republicano democrata e reviralhista, participa na revolta de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura; é preso (por diversas vezes mais; a última acontece quando é detido pela PIDE em 1961, onde é severamente torturado), mantém as actividades conspirativas, tendo sido detido e deportado para o Forte de Angra do Heroísmo; passa à reforma no posto de capitão]

Maria Barroso frequenta o Curso de Arte Dramática do Conservatório Nacional, conclui o Curso de Teatro (1943), tendo sido figura de relevo em diversas peças teatrais de estimados autores (Frei Luís de Sousa, Garrett; trabalha na peça “Benilde ou a Virgem Mãe”, de Régio ou na peça “Casa de Bernarda Alba”, de Lorca), mas é demitida e afastada dos palcos, pela sua, determinada, oposição à ditadura do Estado Novo. As suas intervenções culturais, declamando poesia (os poemas do Novo Cancioneiro, estavam sempre presentes) e textos (com rara sensibilidade poética) em diversas associações (caso da Academia dos Amadores de Música) e reuniões públicas, tornavam-na persona non grata ao regime fascista. Em 1947, num sarau do “Grupo de Acção Cultural” (no Teatro Rosa Damasceno, Setúbal), ao ler poesias de intervenção social, é detida pela polícia política.

Entretanto frequenta (1944-45) o Curso de Ciências Históricas e Filosóficas da Universidade de Lisboa - onde conhece e casa (2 de Fevereiro de 1949) com Mário Soares, então detido no Aljube -, licenciando-se, em 1957, com a tese “Valentim Fernandes e a sua obra”. Nunca pode leccionar no ensino público (e privado), dado a sua proibição pelo governo de Salazar. Em 1961, dirige o Colégio Moderno (fundado por João Soares, seu sogro). A sua vertente de pedagoga (e de liderança) foi muito importante para fazer frente aos soezes e intolerantes ataques do salazarismo ao Colégio, e é um testemunho de gratidão de toda uma geração que por lá estudou e leccionou.  

Integrou o MUD, fez parte da Associação Feminina para a Paz, apoiou (e organizou) as campanhas presidenciais de Norton de Matos e Humberto Delgado, fez a campanha da CDE (foi candidata, em 1969, a deputada pelo círculo de Santarém). Em 1972, ao subscrever o manifesto “A Situação Política Portuguesa e o Fracasso do Reformismo” (logo apreendida pela PIDE) é de novo detida. Em 1973, integra a Comissão do III Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro, usando da palavra na sua sessão de abertura. No dia 19 de Abril de 1973, em Bad-Münstereifel (Alemanha) participa na fundação do Partido Socialista. O 25 de Abril de 1974 (dia tanto esperado) encontra-a, com Mário Soares, em Bona. Em democracia, foi deputada, pelo PS, á Assembleia da República pelos círculos do Algarve (1976) e Porto. E em 1985, com a eleição de Mário Soares à Presidência da República, desenvolve intensa actividade de apoio aos mais desfavorecidos e contra a exclusão social.
 
 
Funda a “Emergência Moçambique”, a “Associação para o Estudo e Prevenção da Violência, a Emergência Infantil” e a Pro Dignitate (Fundação para os Direitos Humanos e Contra a Violência), preside à Cruz Vermelha (1997-2003), é presidente honorária da UNICEF, e do mesmo modo, preside à Fundação Aristides de Sousa Mendes (2000).

Foi uma mulher independente, destemida, de grande ternura, tolerante, solidária e fraterna, lutadora contra as tiranias, uma mulher de causas, guiada por um entusiasmo e luz radiante, que a todos contagiam. Uma vida de coerência, verticalidade e verdade.

Morre a 7 de Junho de 2015.

J.M.M.