quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

MEMÓRIAS ESQUECIDAS. A VIDA DO CAPITÃO ANTÓNIO BRAZ


AUTORA: Isabel Braz;
EDITORA: Chiado Editora, 2014, 526 p.

“Dizem que as crianças de hoje têm muita facilidade em lidar com as tecnologias, mas Isabel Braz lembra-se de, desde muito pequenina, saber exactamente como pôr a funcionar aquele gravador de bobines, de o rebobinar para voltar a ouvir o bisavô António Braz a falar das suas histórias passadas na Primeira Guerra Mundial, em Angola e depois em França. 'Os miúdos gostam de ouvir histórias' (…)

Assim começa o livro as Memórias Esquecidas - A vida do capitão António Braz (Chiado Editora) … : “O que eu mais temia concretizou-se praticamente três anos depois de ter iniciado a Grande Guerra. A ordem para mobilizar para França estava escrita nas minhas mãos (...) Parti de Elvas no dia 7 de Agosto de 1917”, escreve a bisneta, recriando os acontecimentos vividos por ele.

Quando terminou o livro, é como se Isabel Braz tivesse finalmente conseguido fazer a vontade ao bisavô que queria muito que alguém da família lhe escrevesse a vida, com princípio, meio e fim. Ele deixou muita coisa escrita em apontamentos, cartas, portais, mas achava-se sobretudo homem de factos, não se via capaz de contar uma história. O que deixou escrito em forma de livro, em 1936, fê-lo porque sentiu, naquele momento, que se impunha “repor a verdade”. O livro Como os Prisioneiros Portugueses foram Tratados na Alemanha, editado em 1935 pela Tipografia Popular de Elvas, é feito em resposta a Aquilino Ribeiro. Admirador do escritor, estava um dia a ler-lhe um escrito intitulado Alemanha Ensanguentada, sobre as impressões do escritor beirão durante uma viagem na Alemanha, no pós Primeira Guerra Mundial, quando, de repente, lê o testemunho de um alemão que tinha sido intérprete no campo de prisioneiros onde ele tinha estado, Breesen.

O alemão a quem Aquilino dava voz dava “a entender que entre nós havia rixas e desarmonias, o que não são factos verdadeiros. As horas tristes que passámos em cativeiro só nos permitiram ter sentimentos de solidariedade, estabelecendo elos de amizade que se vincularam pela vida fora. Quanto muito havia uma má disposição natural entre homens que tinham fome. Posso efectivamente testemunhar que a fome dá mau estar psicológico e uma irritabilidade difícil de disfarçar.”

Um dos documentos que deixou e que a família guardou documenta essa experiência no campo alemão, dando conta de como era meticuloso o capitão Braz. Criou um “gráfico da fome” onde diariamente foi apontando a sua perda de peso. O seu peso antes de ser preso era de 86 quilos. “A primeira vez que me pesei, no dia 10 de Julho, tinha 72 quilos, menos 14 quilos que o meu peso normal. Pesei-me de novo 16 dias depois e já só pesava 68 quilos.” (…)

Em vida, acabou por ver reposta “a verdade” sobre a realidade dos prisioneiros portugueses nos campos alemães pela pena do próprio Aquilino Ribeiro. Em Abóboras no Telhado, o escritor acaba por contar a versão dos presos portugueses, das condições difíceis lá vividas. Isabel Braz termina assim o livro que escreve como se fosse o bisavô: “Fiquei satisfeito com o que li e tranquilo por se fazer justiça. Aquilino era um homem de bem e não podia deixar em branco tamanha imprecisão.” O escritor repôs a verdade em vida, a bisneta contou-lhe a história.

[Ler TUDO AQUI]

J.M.M.

CONFERÊNCIA – ANTI-MAÇONISMO. PERSEGUIÇÕES E INCOMPREENSÕES


CONFERÊNCIA: Anti-Maçonismo. Perseguições e Incompreensões;

DATA: 19 de Dezembro 2014 (19,00 horas);
ORADOR: J. Xavier de Basto;
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, nº 25, Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Sextas da Arte Real”]

“As sociedades humanas expressam, periodicamente, a necessidade de catalisar as suas frustrações sobre um grupo determinado. Este triste papel de expiatório, que na Europa foi essencialmente desempenhado pelas comunidades hebraicas, passou a ser, a partir do século XVIII, partilhado pela Maçonaria.

O Anti-Maçonismo acompanhou, desde a sua nascença, a história da Maçonaria especulativa mas, os motivos de disputa e os locais de afrontamento deslocaram-se constantemente, em função dos paradigmas religiosos e políticos que as sociedades foram assumindo, nos últimos trezentos anos da vida da Humanidade.

Se a Grã-Bretanha, país de origem da Ordem Maçónica, escapou em grande parte à maior virulência desta confrontação, a França, a Itália, a Península Ibérica, uma boa parte da Europa Protestante e os Estados Unidos, foram contemplados, desde o séc. XVIII, por este fenómeno.

Os excessos da Revolução Francesa, as condenações repetidas da Igreja e, enfim, a difusão dos Protocolos dos Sábios de Sião contribuíram para “satanizar” os Maçons, atraindo sobre eles campanhas sucessivas persecutórias e difamatórias.

A situação agravou-se, no séc. XIX, com a repetição das sucessivas condenações pontifícias contra uma instituição que congregava nela todos os males do mundo.

Este problema recrudesce no mundo contemporâneo, agravado pela rapidez incontrolável das reacções em massa, sensível às possibilidades de circulação de informação e de manipulação de opinião, que os meios de comunicação actualmente potenciam.

É sobre toda esta anátema que importa reflectir, procurando-se na presente conferência analisar as causas que suscitaram as principais perseguições e incompreensões associadas a este fenómeno e as possíveis formas de as evitar.

Contando com a vossa participação, apresentamos os nossos cumprimentos”.

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

VERITAS - LEILÃO DE LIVROS, MANUSCRITOS E FOTOGRAFIAS


DIA: 18 de Dezembro 2014 (21 horas);
LOCAL: Av. Elias Garcia, 157 A/B, Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: Veritas Art Auctioneers

CATÁLOGO ONLINE – AQUI  

No próximo dia 18 de Dezembro há lugar ao interessante Leilão de Livros, Manuscritos e Fotografias, estimado conjunto de obras antigas, raras e valiosas que diz respeito a assuntos literários, históricos, científicos ou artísticos, e que vão a prego pela Leiloeira Veritas Art Auctioneers. O Catálogo – decerto sobre o judicioso e competente parecer do livreiro Luís Gomes (Artes & Letras) - é belo, profusamente ilustrado e de interesse bibliográfico. Está online para glória do amador de livros & outros distintos bibliófilos.

[ALGUMAS REFERÊNCIAS NOSSAS]: Almanach dos Caçadores (Zacarias d’Aça) / [Alcorão manuscrito Mughal Iluminado (sec. XVII/XVIII) / Almanaques [conjunto curioso] / Memoria sobre os Chafarizes, Bicas, fontes, … (José Sérgio Velloso de Andrade) / Luz da Liberal e Nobre Arte da Cavalaria, …, 1790 [estimada e valiosa obra de Manuel Carlos Andrade) / Manual de confessores & peninentes, …, 1552 (rara ed. de Martin Azpilcueta) / La chiere nuictee d’amour, …, de Balzac / Aguarelas do Comandante Pinto Basto … / Vocabulario portuguez e latino, …, de Bluteau / Ode a Charles Fourier (1947), de André Breton / MANUSCRITOS de interesse genealógico / Lote de obras de Camilo Castelo-Branco / Oaristos (1890), de Eugénio de Castro / Diario ecclesiastico, histórico, e astronómico para o reyno de Portugal, …, anno de 1744 / Historia e Genealogia (1923-26), por Afonso Dornellas / Poemas Lusitanos (2º ed.), de António Ferreira / interessante e valioso conjunto de Fotografias / A Arte e a Natureza em Portugal (1902-08), por Emilio Biel / Lote de (8) obras de Henrique Galvão / Folhas Cahidas (1853), de Garrett / Gazeta de Lisboa (1788-1797) / Critik der Urtheilskraft (1790), de Immanuel Kant / Portugal Antigo e Moderno, de Pinho Leal / Ortigões (1876-77), de Urbano Loureiro / (4) invulgares Aventais Maçónicos do sec. XIX, do REAA (emoldurados) / Le Capital (1ª ed. francesa, 1875), de Karl Marx / Les Essais de Michel, Seigner de Montaigne (1659, III vols) / Obras autografadas (e ms) de Vitorino Nemésio [conjunto muito raro e valioso] / Obras de António de Vasconcelos, Bernardim Ribeiro, Camilo Pessanha, Garcia de Resende, João do Rio, José Leite de Vasconcelos, José Queiroz, Manuel Teixeira-Gomes, Reinaldo dos Santos, Sousa Viterbo, Vítor Pavão dos Santos, Wenceslau de Moraes.

J.M.M.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

OS PORTOS E A GUERRA - CONFERÊNCIA INTERNACIONAL

Inicia-se amanhã e prolonga-se até sexta-feira, a conferência internacional dedicada ao tema: Os Portos e a Guerra, que vai ter lugar na Administração do Porto de Leixões, numa organização do Instituto de História Contemporânea em parceria com o E-Geo.

No nota de divulgação do congresso pode ler-se:
Esta conferência visa promover a partilha de conhecimento e de investigações em curso e suscitar um debate pluridisciplinar sobre a problemática “Os Portos e a Guerra”.

Interfaces entre terra e mar, é vasta a rede de relações que, nos portos e a partir deles, se estabelece com a política, a sociedade, a economia, o mercado interno, e os circuitos, comunicações e as rotas de comércio internacionais.

A evolução portuária pode e deve ser compreendida no seu contexto e em todas as suas dimensões. Considerando os portos, desde a sua génese, enquanto parte integrante da evolução social e económica encontramo-nos perante um produto e produtor dessa mesma evolução, com uma importância crescente que se desenvolve a par da complexificação das relações entre as sociedades.

Os portos constituem um elemento fulcral em contexto de guerra. São pontos essenciais em matéria de estratégia militar, fundamentais em termos de defesa, porta essencial de entrada e saída de passageiros, combatentes e refugiados, elementos-chave no processo de importação e exportação de matérias e produtos, enfim, absolutamente determinantes num quadro de guerra mundial. Do seu apetrechamento, das suas condições de acostagem, da profundidade das suas águas, da sua organização e orgânica, da existência ou não de armazéns e entrepostos, e da preparação das suas infraestruturas, depende a eficácia e eficiência de todo o seu funcionamento e operacionalidade.

O propósito desta conferência é promover a partilha de conhecimento e de investigações em curso e suscitar um debate pluridisciplinar sobre a problemática “Os Portos e a Guerra”, considerando a diversidade e a complexidade dos contextos emergentes ao nível internacional e interno em situações de guerra, tendo em atenção as múltiplas relações e interdependências entre espaços e o papel central desempenhado pela actividade portuária e a forma como esta influência o próprio perfil e curso dos conflitos.

Mas também se pretende perceber o impacto provocado pelas Guerras ao nível do sector portuário, e compreender o modo como, no pós-guerra, se avaliaram as debilidades e potencialidades dos portos e se programaram respostas para os problemas e limitações identificados no sector. O sector e as actividades portuárias estão por outro lado intimamente relacionadas aos actores económicos e sociais tanto da esfera privada como pública, que dinamizam estas zonas, pelo que se torna imprescindível perceber as transformações que os contextos conflituais fazem incidir sobre estes actores.

A evolução histórica dos portos, em contexto de guerra, é uma temática de particular riqueza, na medida em que encerra em si mesma factos, curiosidades e reflexões fundamentais para a verdadeira compreensão do sector portuário. Neste contexto, afigura-se fundamental compreender as relações, dinâmicas, transformações, rupturas e problemáticas originadas entre os portos, a guerra, as lógicas de gestão do esforço de guerra, e o pós-guerra. E a forma como estas realidades de conflitualidade (Guerras Mundiais, Guerras Coloniais – países neutros/países beligerantes) actuam sobre os portos, análise que inclui dimensões como a sua representatividade.

Adoptando um registo pluridisciplinar, que convoca várias abordagens científicas que não se esgotam na análise histórica, a selecção das propostas será orientada pelo propósito de garantir o máximo de qualidade, originalidade e diversidade dos trabalhos. 

Os resumos das conferências podem ser encontrados AQUI.

O programa pode também ser descarregado AQUI.

A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

CIÊNCIA E CULTURA NO ALGARVE: O CONTRIBUTO DA INSTITUIÇÃO MILITAR


No próximo sábado, dia 13 de Dezembro de 2014, realiza-se em Tavira, pelas 10.30 h, no âmbito do projecto «Passeios na História de Tavira», organizado pelo Museu Municipal de Tavira, a palestra subintitulada Ciência e Cultura no Algarve: o contributo da Instituição Militar, apresentada por Patrícia de Jesus Palma (doutoranda em Estudos Portugueses - Literatura Portuguesa Contemporânea).

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:
Tendo como um dos pontos de partida o emblemático Quartel da Atalaia de Tavira, onde decorrerá esta palestra, pretende-se dar a conhecer a herança da Instituição Militar ao nível do património edificado, de que Tavira é testemunho, assim como o seu legado ao nível do património intelectual, isto é, do seu contributo no âmbito da divulgação e da promoção científica e cultural na região algarvia dos séculos XVIII e XIX.

Atividade integrada no programa de visitas ao património local - Passeios na História de Tavira -, organi-zado pelo Museu Municipal de Tavira, com a finalidade de dar a conhecer o passado da cidade, a paisa-gem urbana, os monumentos e personagens históricas, bem como sensibilizar para a necessidade de proteger e valorizar a herança patrimonial.

Visita gratuita, limitada ao máximo de 40 participantes mediante inscrição obrigatória; a actividade destina-se ao público em geral.

A inscrição é gratuita, mas obrigatória pelo email: edu.museus@cm-tavira.pt

Uma actividade que se divulga e recomenda a todos os interessados nos temas em apreço.


Com os votos do maior sucesso em mais esta iniciativa.


A.A.B.M. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

FELIZ ANIVERSÁRIO DR. MÁRIO SOARES!


Dez anos atrás – AQUI – fizemos nota da alegria que derramámos e da felicidade que tributámos ao cidadão Mário Soares, nos seus 80 anos. Cumpre-nos hoje, 10 anos depois, congratular-nos por este dia pleno de júbilo e regozijarmo-nos, fraternalmente, com os seus luminosos 90 anos. Mário Soares continua no seu posto – activo, livre, respeitado. De espírito insubmisso, a sua voz ainda ecoa entre os “muros da cidade” - para nossa súbita honra. Por isso, replicamos, reconhecidamente, o que 10 anos antes dissemos, com a maior estima e profunda gratidão. Vale!

“Mário Soares é o "avô" que estimamos ter. Um luminoso e simpático cidadão que desperta episódios admiráveis, uma alegria na alma. Que bom ficar à lareira a ouvir histórias de antanho. A luz sempre lhe alumiou o caminho. Por isso, Soares é um vigilante. Um fiador da nossa liberdade, mesmo que ela só proceda de nós. E que nos enche o coração, em dias de amargura, em tempos de tormento. Republicano por nascimento, democrata por paixão, um lutador orgulhoso. Eis um percurso de virtude nestes dias tão cinzentos. Sempre de rosto levantado, soube aproveitar a idade. Fez [90] anos. Bem bonito rol.

Saúde e Fraternidade, dr. Mário Soares” [AQUI]

J.M.M.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

CONFERÊNCIA – TERRORISMO E TOTALITARISMO


DATA: 6 de Dezembro 2014 (15,00 horas);

ORADORES: Adelino Maltez (prof. ISCSP) | Vera Cruz Pinto (prof. FDUL) | Mustafa Zekri (prof. ISMTG da Un. Lusófona)| Joshua Ruah (prés. AG da CIL) | Faranaz Keshavjee (drª. Psicologia Social) | Gabriel Catarino (juiz do STJ) | Fernando Lima (pres. Grémio Lusitano);

LOCAL: Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa);
ORGANIZAÇÃO: Grémio Universalis, do Grémio Lusitano.

“… Os ataques à liberdade de expressão praticados nas mais diversas latitudes, as arremetidas aos direitos humanos, revestindo as mais diversas formas de intolerância, controle, perseguições, detenções, prisões, torturas e assassínios, põem em risco as conquistas duramente alcançadas ao longo de séculos por homens que sabem que a ética e a cidadania se constroem e exercem na cidade no dia-a-dia e que a justiça não pode ficar à porta da cidade.

O Grémio Universalis procurando fazer jus a toda uma plêiade notável de Homens que em Portugal souberam afirmar propostas pioneiras no campo dos Direitos do Homem, da solidariedade, da filantropia e mutualismo, da abolição da escravatura e da pena de morte, enfim da luta pela liberdade e democracia, promove a realização da Conferência "Terrorismo e Totalitarismos", a realizar no Teatro D. Maria II, no dia 6 de Dezembro, sábado,  pelas 15.00H.

O simbolismo da escolha do Teatro D. Maria II para a realização desta Conferência, edificado sobre o lugar onde antes se situava o antigo Palácio dos Estaus, Tribunal e Sede da Inquisição, pretende assinalar a necessidade de combater e transmutar o fanatismo, a superstição, a ignorância, a mentira, os erros e os preconceitos, em esperança no futuro, “Esperanças de Portugal”, como referia o Padre António Vieira …”

J.M.M.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

PRÉMIO REGIONAL MARIA VELEDA - MARGARIDA TENGARRINHA

Vai ser entregue no próximo dia 6 de Dezembro de 2014, no Teatro Municipal de Portimão, pelas 18 horas, o Prémio Regional Maria Veleda, promovido pela Direcção Regional de Cultura do Algarve.

A premiada desta primeira iniciativa foi Margarida Tengarrinha. Um prémio de reconhecimento pelo papel que desempenhou em prol da cultura e do conhecimento na região, com um percurso de vida extremamente interessante e cheio de peripécias.

Maria Margarida do Carmo Tengarrinha nasceu a 7 de Maio de 1928, em Portimão.
Estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde se licenciou em Pintura. Desde bastante jovem participa na luta política de combate ao regime salazarista. Uma das suas primeiras participações políticas ocorre em 8 de Maio de 1945, na grande manifestação que se realizou em Lisboa comemorando o final do II Guerra Mundial e a derrota do regime nazi.

Integra o Movimento de Unidade Democrática (M.U.D.) em 1949 exercendo actividade política no movimento associativo dos estudantes da ESBAL, defendendo os direitos dos estudantes e acompanhando as movimentações estudantis pela Paz, criticando o lançamento das bombas atómicas pelos Estados Unidas sobre Hiroshima e Nagasaki. Manifestou-se também contrária à realização da reunião ministerial da NATO, no Instituto Superior Técnico, motivo que a levou a ser expulsa da Escola Superior de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Em 1952, foi expulsa do seu lugar de professora da Escola Preparatória de Paula Vicente, por desenvolver actividades políticas oposicionistas em relação ao Estado Novo.

Integrou a Direcção da Comissão Nacional das Mulheres que enviou uma delegação feminina liderada por Maria Lamas, para participar no Congresso Mundial das Mulheres, que teve lugar em 1953.

Pertenceu à Comissão de Assistência aos Presos Políticos, entre 1952 e 1955.

A partir de 1952 integra o Partido Comunista Português. Em 1955 integra o quadro dos funcionários do Partido Comunista Português e passa a viver na clandestinidade. Curiosamente afirma que nunca entrou numa tipografia clandestina do jornal oficial do Partido Comunista Português, por razões de segurança. No entanto a vida dela está muito ligada ao órgão da imprensa comunista, onde participou como redactora, ilustradora e paginadora ao longo de vários períodos da existência do jornal. Mas desenvolveu colaboração com outros órgãos da imprensa como a revista Modas & Bordados, dirigida por Maria Lamas. Conhecem-se ainda colaborações com outros órgãos do Partido Comunista, como o boletim interno, intitulado A Voz dos Camaradas.

Entre 1955 e 1974 desenvolve actividades políticas na clandestinidade para o PCP. Desenvolve ainda tarefas na Oficina de Falsificações do Partido juntamente com os companheiro, o escultor José Dias Coelho. No quinto congresso do partido, realizado entre 8 e 15 de Setembro de 1957, clandestinamente, reuniram-se em São Pedro do Estoril na Casa dos Quatro Cedros, onde constava um grande painel elaborado por Margarida Tengarrinha onde se representavam as figuras de Marx, Engels e Lenine, no entanto  autora desconhecia a finalidade que fora dada à obra.

No ano seguinte, 1958, após a fuga de Álvaro Cunhal da cadeia de Peniche, Margarida Tengarrinha elabora desenhos que ilustram a fuga e que são publicados na imprensa comunista clandestina.

Em 19 de Dezembro de 1961, o seu companheiro, José Dias Coelho foi assassinado pela PIDE, quando ela tinha trinta e oito anos de idade e duas filhas menores para criar. Pode acrescentar-se que foi da sua autoria o artigo publicado no jornal Avante onde traçava o perfil daquele que tinha sido o seu marido e que segundo refere foi o mais difícil que alguma vez escreveu. Pode ler-se AQUI.

A repressão do regime salazarista aumenta fortemente no ano de 1962. Tinha-se iniciado a Guerra Colonial, houve a revolta estudantil e as perseguições políticas intensificaram-se. Margarida Tengarrinha teve que deixar de colaborar com o Avante. Em simultâneo, a Oficina de Falsificações, onde tinha trabalhado também tinha sido descoberta e apreendida e o partido incumbiu-a de refazer novamente essa oficina. O partido encontrava-se nessa altura numa situação bastante delicada e com determinação conseguiu operacionalizar as funções que tinham sido desactivadas. A sua experiência e capacidades foram determinantes nesta função. Desta oficina começam a sair novamente selos brancos, bilhetes de identidade e passaportes falsificados. Concluída esta tarefa Margarida Tengarrinha abandona Portugal.

Foi responsável pelas emissões da Rádio Portugal Livre, que emitia a partir da Roménia. Volta nessa altura a colaborar com o jornal Avante.

Desenvolveu juntamente com Álvaro Cunhal esforços no sentido de combater o regime ditatorial em Portugal enquanto ambos estiveram em Moscovo. Nessa ocasião participaram, como membros do Partido Comunista Português nas grandes comemorações do quinquagésimo aniversário da Revolução Socialista de Outubro, estávamos em 1967. Nesse período viaja pela Rússia, escrevendo as notas e observações do que encontra, conhece e entrevista várias personalidades, recolhe depoimentos que depois são publicados nos últimos números do órgão oficial do partido em 1967. Por exemplo, pode ler-se neste número e nos seguintes AQUIAQUI.

Regressando clandestinamente a Portugal, em 1968, reassume as funções na redacção do jornal Avante. Vive em Fontelos, onde se encontrava guardado o arquivo do partido e onde redigia o jornal. Eram então elaboradas duas maquetes para serem impressas nas tipografias clandestinas que o partido possuía em Lisboa e no Porto.

Em 1970 assume a relação com o camarada de partido, Carlos Costa, ficando encarregue de tarefas na Direcção Regional do partido no Porto, mantendo a sua colaboração com o jornal.

Chegada a 1974 assume funções no Comité Central do Partido Comunista Português, onde se manteve até finais dos anos 90.

Depois da sua aposentação como professora continuou a participar de forma activa e cívica na vida política e cultural da sua cidade natal, Portimão, onde leccionou na Universidade Sénior da cidade a disciplina de História das Artes. Habitualmente consideram-na amante da Natureza, da Arte e do seu Algarve, é, sobretudo, uma mulher de afectos e de ideais. Continua a surpreender com a sua jovialidade e a forma viva e inteligente como procura acompanhar e reflectir criticamente novos produtos culturais, e também fruir dos benefícios do progresso científico e tecnológico.

Irmã do historiador e político José Mendes do Carmo Tengarrinha e fundador do Movimento Democrático Português/ Centro Democrático Eleitoral (MDP/CDE).

Uma justa homenagem e merecedora de um prémio que esperemos tenha continuidade e valorize os feitos e conquistas daqueles que têm vindo a desenvolver a cultura na região.

Bibliografia consultada:
- Mendes, António Rosa; Gomes, Neto, Algarve. 100 Anos de República 100 Personalidade (1910-2010), Governo Civil de Faro, Faro, 2010, p. 213.
- Pato, Helena, Margarida Tengarrinha - Fascismo Nunca Mais
- Pereira, Pacheco, Álvaro Cunhal. Uma biografia Política. O Prisioneiro (1949-1960), Círculo de Leitores, Lisboa, 2005.

A.A.B.M.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

1º DE DEZEMBRO – FESTA DA AUTONOMIA DA PÁTRIA PORTUGUESA


“Podeis vos embarcar que tendes vento
E mar tranquilo, para a pátria amada” [Luís de Camões]

“Somos navegadores pr’além da Morte:
temos a Índia eterna da saudade
rumando para sempre a nossa sorte.
Ó grande mar espúmeo de bondade,
que a nossa alma portuguesa aporte,
entre no reino da Serenidade” [António Patrício]

Se a República não for mais do que a continuação da Monarquia sob outro nome, a Monarquia menos o monarca; se representar as mesma tradições administrativas e financeiras; as mesmas influências militares e bancárias; se fizer causa comum com a agiotagem capitalista contra o povo trabalhador; se não for mais do que uma oligarquia burguesa e uma nova consagração dos privilégios pelos privilegiados – em tal caso diremos que nos é cordialmente antipática essa pretendida república de antropófagos convertidos” [Antero de Quental]   

“É preciso, para que haja um Portugal Novo, haver uma Nova Alma Portuguesa. Para que possa haver uma política nacional, seja o que for, o primeiro passo a dar é espiritual, é criar aquela fonte nacional donde essas coisas, todas, depois inevitavelmente partirão” [Fernando Pessoa]   

Somos hoje um pingo de tinta secca da mão que escreveu Imperio da esquerda à direita da geographia. È difícil distinguir se o nosso passado é que é o nosso futuro, ou se o nosso futuro é que é o nosso passado. Cantamos o fado serio no intervalo indefinido. O lyrismo, diz-se, é qualidade máxima da raça. Cada vez cantamos mais um fado” [Fernando Pessoa  
J.M.M.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

SOLDADOS COM ROSTO


LIVRO: “Soldados com Rosto. A 1ª Grande Guerra os seus reflexos em Esposende";
AUTOR: Manuel Penteado Neiva;
EDITORA: Câmara Municipal e Esposende, Novembro 2014.

“Uma 'obra excecional', foi como o Presidente da Câmara Municipal classificou o livro “Soldados com Rosto”, que materializa mais uma acção do vasto programa evocativo preparado pelo Município para lembrar e homenagear todos os esposendenses que estiveram envolvidos na 1.ª Grande Guerra.

Benjamim Pereira disse mesmo que não evocar o centenário deste acontecimento da História, no qual participaram dezenas de esposendenses, alguns dos quais perderam a vida em combate, “seria uma omissão muito grave”.
O Autarca recordou as iniciativas já realizadas e anunciou as ações que irão decorrer, destacando a intenção do Município de erigir um Monumento aos Mortos da 1.ª Grande Guerra, como forma de “não deixar cair no esquecimento essas pessoas” [AQUI]


J.M.M.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

PORTUGAL FACE À GRANDE GUERRA EM 1914-1915

 
AUTOR: João Freire;
EDITORA: Colibri, Novembro 2014, 188 p.
 
“O presente livro reúne quatro ensaios de análise histórica, numa perspectiva sociopolítica, sobre o período que antecede imediatamente a entrada oficial de Portugal na Grande Guerra. A partir da eclosão do conflito armado na Europa em Agosto de 1914, as autoridades portuguesas colocaram-se numa situação diplomática ambígua, não assumindo uma posição de beligerância perante a Alemanha mas também não se declarando como país neutral, esperando que fosse a Inglaterra a solicitar expressamente a nossa intervenção, nos termos dos velhos tratados de aliança entre as duas nações.
 
Entretanto, desenvolveram-se desde logo operações de guerra nos territórios alemães do Sudoeste Africano e do Tanganica, fronteiriços a Angola e a Moçambique, entre tropas coloniais germânicas e do Império Britânico, bem como no oceano Atlântico norte, obrigando as forças portuguesas de mar e terra a reforços de vigilância e preparação para fazer respeitar a soberania nacional e os seus interesses mais imediatos.
 
São estas “frentes de guerra” – ainda não declarada, mas já motivo de diversos incidentes e perdas humanas – que aqui são apresentadas criticamente em três ensaios distintos, antecedidos de um outro texto onde se analisam as controvérsias e conflitos internos entre forças sociais e políticas acerca da eventual participação portuguesa, no período que antecede a declaração de guerra de Março de 1916”  [AQUI]
 
J.M.M.

A FOTOGRAFIA NOS ARQUIVOS: UM OLHAR INTEGRADO - CONFERÊNCIA


Realiza-se no próximo dia 29 de Novembro de 2014, a 9ª sessão do Entre Arquivos, na Biblioteca Municipal de Lagoa, pelas 15 horas, subordinada ao título: A Fotografia nos Arquivos: Um olhar integrado.

O tema da sessão serão os arquivos fotográficos e terá como convidada a Dra. Sónia Casquiço.

O projecto Entre Arquivos é pioneiro e tem como propósitos a descentralização e a deslocalização de conferências, na área da arquivística. Desde Janeiro de 2014 que se têm vindo a realizar conferências em várias localidades, passando por Loulé, Albufeira, Olhão, Vila do Bispo, Faro, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António.

A entrada é gratuita e confere Certificado aos participantes.

Resumo da conferência:
A introdução da fotografia nos centros de informação surge pouco tempo após a apresentação pública da sua invenção em Paris no mês de Agosto de 1839.
Na segunda metade do século XIX encontramos já documentos fotográficos um pouco por toda a parte; num período de reconhecimento da importância da investigação e das fontes para a História a fotografia era a ferramenta perfeita: para ilustrar o desenvolvimento do conhecimento científico, para documentar o património arquitetónico e artístico, para comprovar a existência de lugares longínquos, para documentar as evoluções tecnológicas, etc.
Mas a utilização quotidiana da fotografia, nem sempre resultou na sua validação enquanto documento arquivístico, pois dificuldades associadas à identificação correta das técnicas fotográficas, ao reconhecimento do contexto funcional de produção, a ausência de documentação textual associada, a dúvidas suscitadas pelos problemas de conservação, fizeram com que a fotografia demorar-se a encontrar o seu lugar nos arquivos, foram as evoluções tecnológicas, nomeadamente a digitalização que acelerou este processo.

Atualmente os problemas subsistem, mas já não se questiona o valor dos documentos fotográficos, o que conta é informação veiculada para além da materialidade do suporte, assim pretende-se nesta palestra expor algumas destas problemáticas assim como sugerir algumas pistas para as ultrapassar.


Breve nota biográfica da conferencista:
Licenciada em Conservação e Restauro, Instituto Politécnico de Tomar, 2000.
Pós-Graduada em Ciências Documentais, variante Arquivo, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2005.
Doutoranda em História (ramo Arquivística Histórica), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Colaboradora da empresa Luís Pavão Lda desde 1998, tendo integrado diversas equipas de conservação, incluindo a da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.

Docente da disciplina de Arquivos Fotográficos no mestrado das Ciências da Informação e Documentação da Universidade Nova de Lisboa e de Conservação de Fotografia na Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra.

Uma sessão que se recomenda aos que se interessam pela História da Fotografia, a Conservação e a Arquivística.

A acompanhar com toda a atenção.
A.A.B.M.

CONFERÊNCIA – MARTINEZISMO, MARTINISMO E FRANCO-MAÇONARIA


CONFERÊNCIA: Martinezismo, Martinismo e Franco-maçonaria;

DATA: 28 de Novembro 2014 (19,00 horas);
ORADOR: Emilio Lorenzo [Grão-Mestre da Ordem Martinista];
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, nº 25, Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Sextas da Arte Real”].

“Em pleno contexto iluminista, o universo maçónico francês oitocentista viu nascer correntes teosóficas que influenciaram alguns sistemas emergentes nessa época.

Na sua origem encontramos Martinez de Pasqually, cujas doutrinas gnósticas, cabalistas e teúrgicas muitos discutíveis, e ainda hoje discutidas, estiveram na origem da Ordem dos Eleitos Cohen.

É numa loja deste Rito que é iniciado Louis Claude de Saint-Martin, o “Filósofo Desconhecido”, o qual através de uma via mais interna, publica obras de elevado valor espiritual, dando início a uma tradição mística, da qual ainda subsistem ideias presentes em alguns sistemas maçónicos contemporâneos.

É pois toda esta temática se pretende desenvolver na conferência “Martinezismo, Martinismo e Franco-Maçonaria”, com o inestimável contributo de Emilio Lorenzo, Grão-Mestre da Ordem Martinista, e uma das maiores autoridades mundiais nesta matéria.

A conferência será apresentada em Castelhano.

Contando com a vossa participação, apresentamos os nossos cumprimentos

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

XVII ENCONTROS DE OUTONO EM FAMALICÃO


Nos próximos dias 28 e 29 de Novembro, a cidade de Vila Nova de Famalicão vai levar a efeito os XVII Encontros de Outono, que decorrerão na Casa das Artes.

As comunicações andam em torno do tema central Colonialismo, Guerra Colonial e Descolonização. Dos Fins do Século XIX ao Último Quartel do Século XX .

O programa como consta no cartaz acima é o seguinte:

9h30
Abertura
Dr. Paulo Cunha
Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão

Doutor Norberto Ferreira da Cunha
Coordenador Científico do Museu Bernardino Machado

10h00 Economia e império africano (do último quartel do séc. XIX ao limiar da I República)
Doutor António José Telo
Academia Militar

10h30 A questão colonial no século XIX
Doutor Paulo Jorge Fernandes
Instituto de História Contemporânea
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa


11h00 Debate

Intervalo

11h30 Doutrina e Acção: o lugar das colónias e da antropologia na I República
Doutora Patrícia Ferraz de Matos
Instituto de Ciências Sociais
Universidade de Lisboa

12h00 A Questão Colonial no Parlamento da Primeira República
Doutora Maria Cândida Proença
Instituto de História Contemporânea
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa

12h30 Debate

Almoço

15h00 O Estado Novo e a questão colonial
Doutor Fernando Rosas
Instituto de História Contemporânea
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa

15h30 A questão colonial na política externa do Estado Novo
Doutor Miguel Jerónimo
Instituto de Ciências Sociais
Universidade de Lisboa

16h00 Debate

Intervalo

16h30 Constitucionalismo e Império. A cidadania no Ultramar Português
Doutora Cristina Nogueira da Silva
Faculdade de Direito
Universidade Nova de Lisboa

17h00 Debate


29 de Novembro (Sábado)

10h00 Angola, os brancos e a independência durante o Estado Novo
Doutor Fernando Tavares Pimenta
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa

10h30 A guerra colonial (1961-1974)
Coronel Aniceto Afonso
Instituto de História Contemporânea
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa

11h00 Debate

Intervalo

11h30 O processo da descolonização portuguesa (1974-1975)
General Pezarat Correia
Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

12h00 Debate

Encerramento

NOTA: As inscrições e a participação nas conferências são gratuitas e dão direito
a Certificado de Participação.
Acreditação pelo CFAE (Centro de Formação de Associação de Escolas de Vila Nova de Famalicão).

A ficha de inscrição no Colóquio pode ser encontrada AQUI.

Uma excelente iniciativa, que temos vindo a divulgar nos últimos anos, que merece o melhor apoio e participação de todos os interessados.

A.A.B.M. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

GERMANO LOPES MARTINS (Parte I)

A personalidade de Germano Martins acompanha o republicanismo desde o período da propaganda, na década de 1890, até ao final da I República Portuguesa, desempenhando cargos de confiança e ocupando ainda durante algum tempo a pasta de Ministro do Interior.

Nascido no Porto, em São Martinho de Aldoar, filho de Joaquim Lopes da Silva e de Rosa M. Lopes da Silva, em 7 de Janeiro de 1871.

Estudou no Porto, onde aderiu ao movimento republicano na cidade em 1890, sendo um dos elementos que acompanhou os preparativos para a revolta de 31 de Janeiro de 1891. Sendo um dos membros da chamada "Geração Activa" do Partido a que pertencia juntamente com António José de Almeida e Afonso Costa, entre outros. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1889, onde permanece até 1897, quando conclui o bacharelato. Defendia as suas causas com grande eloquência, manifestando firmeza nas opiniões políticas que defendia. Quando termina o curso de Direito manteve o entusiasmo e o ardor na oratória que o caracterizavam. Ingressa de seguida na vida forense, como advogado. Estabelece-se no exercício da advocacia no Porto e em Lisboa. Amigo próximo de Afonso Costa, cria uma sociedade de advocacia que conquista reputação no tempo. Entretanto colabora na imprensa republicana com regularidade conforme veremos mais à frente.

Considerado um dos causídicos distintos do seu tempo nos tribunais do Porto, tendo participado em múltiplos processos políticos onde conquistou grande reputação.

Na cidade do Porto assume também funções de gerente do jornal republicano do Porto, O Norte. Em 1906, nas eleições municipais da cidade invicta desempenha as funções de vereador na lista apoiada pelos republicanos e onde se integravam entre outros Duarte Leite, Nunes da Ponte, António da Silva e Cunha, Xavier Esteves, Napoleão da Mata, Henrique de Oliveira e Machado Pereira.

[em continuação]
A.A.B.M.

domingo, 23 de novembro de 2014

A GRANDE GUERRA: UM SÉCULO DEPOIS - COLÓQUIO INTERNACIONAL NA ACADEMIA MILITAR





Realiza-se na próxima quarta-feira, dia 26 de Novembro de 2014, na Academia Militar, a terceira parte do colóquio internacional A Grande Guerra: Um Século Depois.

O programa deste dia conta com múltiplos especialistas da área militar e destaca-se a presença do Professor António José Telo a moderar uma das sessões.

A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

CARICATURAS PESSOAIS – FRANCISCO VALENÇA [NOTA BREVE]


CARICATURAS PESSOAIS, de F.[rancisco] Valença, Edição da Renascença Gráfica, Lisboa, 1931, p. 216
“Colecção de caricaturas publicadas no periódico Sempre Fixe, com amáveis legendas do próprio desenhador, que, partindo de uma inspiração de 1900 subsidiária de Rafael Bordalo Pinheiro (O Chinelo, Varões Assinalados, etc.), ganha o seu elã precisamente nesta época” [AQUI]

FOTO via FRENESI


[NOTA BREVE] SOBRE FRANCISCO VALENÇA:
Francisco Valença [1882-1963] foi um notável desenhador, ilustrador, figurinista e caricaturista. Feroz crítico dos “costumes” nacionais, “comentador” satírico e implacável, deixou uma obra copiosa, desde que se estreou no quinzenário humorístico “O Chinelo” (1900), passando pelo seu incontornável “Varões Assinalados”, espécie de reprise do “Álbum das Glórias” de mestre Bordallo Pinheiro.

Nasceu Francisco Valença, em Lisboa, a 2 de Dezembro de 1882. Frequentou [cf. Diário de Lisboa, 18 de Janeiro 1963; “Os Comics em Portugal”, Bedeteca, 1997; “Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal, 1999] o Instituto Comercial e Industrial. Começa, como se referiu, n’O Chinelo [que funda com André Brun e o escritor Carlos Simões], apresentando depois um curioso álbum, “Salão Cómico” (1902), publicando [ibidem] trabalhos avulsos n’A Comédia Portuguesa (1902), “Brasil-Portugal” (1902-1909), “A Crónica” (1903-1904) e na revista infantil “O Gafanhoto” (1903-1904).  
A partir de 1904, com a colaboração em “O Século – Suplemento Humorístico” [sob a “orientação artística” do assumido ilustrador, monárquico, Jorge Colaço] Francisco Valença, com as suas “ilustrações de sátira político-social” que marcaram decisivamente o periódico, toma lugar de relevo entre os desenhadores, caricaturistas e o público. Espalha [ibidem], ainda, a sua genialidade artística n’A Tribuna (1904), “Tiro e Sport” (1905-1911), “Ilustração Portuguesa” (1906), “Novidades" (1907), “Arte Musical” (1907-1908), “O Raio” (1909 – curioso semanário ilustrado, sob direcção de Joaquim Guerreiro), “Alma Nacional” (1910), ou na “Límia” (1910).


Mas é entre 1909 e 1911 lança um conjunto de gravuras humorísticas - caricaturas sobre personalidades da época - que publica com o título de os “Varões Assinalados”. A técnica, a execução e o brilhantismo do traço, a ironia e a versatilidade humorística e satírica, conheceu enorme sucesso entre o público. Colabora [ibidem] no “Diário de Notícias Ilustrado" (1912), “O Zé” (1919), “O Comércio do Porto Ilustrado” (1919), “Diário de Lisboa” (1924).
   
Dirige [ibidem] o semanário “O Espectro” (nº espécime data de 18 de Maio1925), publica “Os Meus Domingos” [com André Brun], “A Semana do Chiado” [com Anibal Soares, monárquico], desenha (de 1920-1952) para o Museu Etnológico Português, publica no “Lírios” (1932), no “Miau” (1934), no “Diário dos Açores”.

Ao mesmo tempo colabora [ibidem] no “Le Rire” (Paris), “La Nación” (Madrid), “Boletin Fermé" (Barcelona) e outros periódicos brasileiro. Trabalhou para teatro, como na comédia de André Brun e Carlos Simões, “O Tabelião do Pote das Almas” e ilustra um vasto conjunto de livros, publicados por Armando Ferreira, Emília de Sousa e Costa, Henrique Marques Júnior, Julieta Ferrão. Encontra-se representado em vários museus, caso do Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu Soares dos Reis

Em 1927 (até 1959) colabora no “Sempre Fixe" mas a ditadura não lhe permite manter a sua crítica política social, pelo que retrata “unicamente os hábitos e costumes nacionais”. A Câmara Municipal de Lisboa faz-lhe uma homenagem, promovendo uma Exposição do Palácio de Galveias (Maio 1962) sobre os seus trabalhos.
Francisco Valença morre a 17 de Janeiro de 1963, na sua casa da Rua Latino Coelho (nº21, 4º andar), em Lisboa.

J.M.M.  

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

CONFERÊNCIA – HERMETISMO E ROSACRUZ NO PENSAMENTO HUMANISTA OCIDENTAL


CONFERÊNCIA: Hermetismo e Rosacruz no Pensamento Humanista Ocidental;

DATA: 21 de Novembro 2014 (18,30 horas);
ORADORES: prof. Rui Lomelino de Freitas | prof. Pedro Victor Rodriguez;
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, nº 25, Lisboa];

ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português | Fundação Rosacruz | apoio científico da Un. Lusófona (Ciência das Religiões)

Os documentos sapienciais mais importantes atribuídos a Hermes são o Asclepios, a Tábua de Esmeralda e o grupo de textos que foi designado como Corpus Hermeticum. As ideias e concepções aí presentes tiveram profunda influência no ocidente, na Idade Média e no Renascimento, auspiciando a moderna mentalidade científica através, nomeadamente, da alquimia, da astrologia, da magia ou da medicina. Actualmente, em diversas áreas da ciência, chega-se a conclusões e pontos de vista similares aos apresentados nos preceitos herméticos, como base sólida de conhecimento.

O movimento rosacruz teve a sua origem histórica há 400 anos, no início do século XVII, fruto da reflexão espiritual de um grupo de eruditos, místicos e teósofos do sul da Alemanha, que conceberam a história de uma personagem, Cristão Rosacruz, sobre a qual escreveram três Manifestos. Neles, os sábios e eruditos da Europa eram convidados a empreender uma reforma geral do mundo, através do cristianismo hermético e de uma investigação aprofundada das leis da natureza.

É notável a influência do pensamento rosacruz na tradição ocidental. Pensadores como Jacob Böhme, Robert Fludd, René Descartes, Francis Bacon, Jan A. Comenius, Isaac Newton, Robert Boyle, Gottfried W. Leibniz, Karl von Eckartshausen, ou Johann W. Goethe, mantiveram uma orientação humanista Rosacruz. A Maçonaria, o Martinismo ou a Teosofia, só para citar alguns exemplos, são considerados herdeiros do seu legado.

Diversos humanistas do séc. XVIII – esse crisol de ideias em que se formou a Maçonaria moderna –, numa perspectiva rosacruz procuraram beber das fontes clássicas da sabedoria perene, para no seu próprio interior encontrar a chave da transformação capaz de reconduzir a vida humana ao lugar que lhe é próprio no seio da manifestação universal. 

Contando com a vossa participação, apresento os meus cumprimentos

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.