quinta-feira, 28 de julho de 2016

A PRIMEIRA REPÚBLICA. NA FRONTEIRA DO LIBERALISMO E DA DEMOCRACIA, POR MIRIAM HALPERN PEREIRA

Foi editado este mês uma obra que o Almanaque Republicano não pode deixar de divulgar junto de todos os que seguem este nosso espaço de divulgação de bibliografia, de eventos (conferências, colóquios e cursos) e de alguma investigação (ainda que pouca, com muita pena nossa) que se vão fazendo pelo País e que nos vão fazendo chegar ou que vamos tendo conhecimento.

Desta vez a Professora Miriam Halpern Pereira que já tinha realizado vários estudos parcelares sobre o período da I República Portuguesa decidiu investigar e avançar com novos elementos para a compreensão da época. Em boa hora o fez, pois a obra foi publicada e apresenta uma análise muito bem fundamentada, com bibliografia recente e criticamente analisada.

Pode ler-se na sinopse da obra:

Mais de um século decorrido sobre o início da Primeira República e este período da história recente do país continua a suscitar forte interesse. A instabilidade governamental e a vio­lência na rua não impediram o êxito de reformas decisivas na educação, na cultura, nas relações laborais, no estatuto da mulher e na relação en­tre o Estado e a população. Contu­do, a mudança não foi isenta de difi­culdades. Nunca é. Esta obra é uma síntese desse período e uma por­ta aberta para perceber as déca­das que se seguiram. Permite a um público não especializado aceder a uma interpretação actualizada dos principais problemas desta épo­ca, e, desse modo, contribui para entender o presente. 

Primeira República é uma época que surpreende pelos contrastes paradoxais.

A cidadania limitada à população masculina e alfabetizada coexistiu com uma vigorosa intervenção cívica extraparlamentar. A instabilidade governamental e a violência na rua não impediram o êxito de decisivas reformas na educação, na cultura, nas relações laborais, no estatuto da mulher e na relação entre o Estado e a população. O crescimento económico, embora moderado, permitiu a recuperação da crise finissecular oitocentista e beneficiou da retoma internacional dos anos 20. Recuperou-se o equilíbrio financeiro. A consolidação do espaço colonial foi alcançada, aqui a quase totalidade da população africana foi excluída da cidadania, em consonância com as outras colónias europeias. A vontade de mudança esbarrou com frequência crescente no conservadorismo e o desfecho desse confronto violento foi dramático. Seguiram-se várias décadas de regressão educativa, cultural, social, cívica e política. Como se explica esta evolução? Nesta síntese atualizada encontrará a resposta. 

O objectivo deste livro é proporcionar essa visão sintética que permita a um público não especializado o acesso a uma interpretação actualizada dos principais problemas desta época.

Sobre a Autora pode ler-se:

Miriam Halpern Pereira é Professora Emérita do ISCTE/IUL. Principais livros: O Gosto pela História (2010), Diversidade e Assimetrias (2001), Das Revoluções Liberais ao Estado Novo (1994), Livre-câmbio e Desenvolvimento Económico: Portugal na Segunda Metade do Século XIX, 1971/1983. Fundadora do CEHC/ISCTE, o primeiro centro de História Contemporânea em Portugal, e da revista Ler História, foi diretora-geral dos Arquivos (IANTT). Foi-lhe atribuída a medalha de mérito científico, MCTES, 2016.

Uma excelente leitura para férias que podemos sugerir aos que nos visitam neste espaço virtual.

A.A.B.M.

terça-feira, 26 de julho de 2016

ANTÓNIO JOSÉ, AS SEIS PALAVRAS




António José, as seis palavras” – por António Valdemar, in Público

[Tem monumentos à sua memória em Lisboa, Coimbra, Penacova e Vale da Vinha. Falta a consagração que merece no Panteão Nacional]
“A personalidade humana e o percurso político de António José de Almeida – uma das mais notáveis figuras da história da República, da implantação e consolidação do regime e da sua defesa em momentos de adversidade, de controvérsias violentas, de combates ferozes, de atentados terroristas – identificaram-se com os valores e os princípios políticos e a responsabilidade cívica adoptados pela sua geração.

Enquadram-se na semente lançada por Henriques Nogueira, prosseguida por Teófilo Braga e outros fundadores do Partido Republicano e que, após o centenário de Camões de 1880 e do centenário de Pombal de 1882, mobilizou inúmeros jovens de Lisboa, Porto, Coimbra e outros pontos do país. Associaram-se ao movimento de indignação contra o Ultimatum de 1890 e à revolta republicana do Porto de 1891. Revitalizam o Partido Republicano e vão ser os protagonistas de um tempo de mudança, da transição do século XIX, para o século XX, das várias formas de lutas que envolveram várias tendências de republicanos e monárquicos e movimentos radicais.
António José de Almeida é uma dessas grandes figuras. Há, todavia, no perfil de António José de Almeida aspectos que o distinguiram de outros Presidentes da República como Teófilo Braga, Manuel de Arriaga, Bernardino Machado e Manuel Teixeira Gomes e que o singularizariam perante Afonso Costa e Brito Camacho, para mencionar dois chefes partidários seus contemporâneos.
 
António José de Almeida nasceu em Penacova (Vale da Vinha, São Pedro de Alva, a 17 de junho de 1866 – há 150 anos); e faleceu em Lisboa (31 de Outubro de 1929). Está salvaguardada a casa onde nasceu, mas a casa de Lisboa, onde residiu e faleceu, em Lisboa, na Avenida António Augusto de Aguiar – esquina com São Sebastião da Pedreira – foi demolida. Existem monumentos à sua memória em Lisboa, em Coimbra, em Penacova e em Vale da Vinha. Falta, há muito, e volto a sugerir, a consagração que merece no Panteão Nacional.
A formação intelectual de António José de Almeida decorreu em Coimbra — Liceu e Faculdade de Medicina. Terminou o curso em 1895. Exerceu a Medicina em Angola, São Tomé e em Lisboa. Entrou no Partido Republicano ainda estudante da Universidade em Coimbra. Ingressou no Parlamento como deputado e, por exemplo, com Afonso Costa, Brito Camacho e João de Menezes formou o núcleo duro que combateu a monarquia e acelerou a implantação da República.

Integrou o I Governo Provisório, fez parte da Constituinte de 1911, foi ministro e Presidente da República. Numa época de paixões exacerbadas, de instabilidade política, económica e social caracterizou-se fundamentalmente pelo espírito de tolerância e abertura, pela defesa das liberdades constitucionais, entre as quais a liberdade religiosa. Promoveu a concórdia, a convergência com outros partidos, em torno de objectivos nacionais e internacionais. Insurgiu-se contra o favoritismo e a corrupção. Em várias campanhas no jornal República,  de que foi fundador e director, alertou para o ‘bando esfaimado e criminoso’ que denegria a República com oportunismos, carreirismos, nomeações de cargos públicos e outros favoritismos partidários.
Empenhou-se na operacionalidade da Justiça, na dignificação da magistratura, na eficácia e funcionamento dos Tribunais em todas as instâncias. A defesa das regiões e a descentralização administrativa foi outra das suas preocupações. ‘Fazer regionalismo’ – escreveu ‘é a melhor maneira de fazer patriotismo, porque sempre a política nacional foi tímida e frouxa onde lhe faltou a acção local, que é a única e verdadeira força para estimular as energias de um povo e dar consistência as aspirações de uma nacionalidade’.

Permaneceu sempre no espírito e na vontade política de António José de Almeida a autonomia da Cultura, o reconhecimento dos intelectuais e artistas e o prestígio das instituições que os representavam. Durante a presidência do governo da União Sagrada (de 15 de março de 1917 a 25 de Abril de 1917 e como Presidente da República (de 5 de outubro de 1919 a 5 de outubro de 1923), o único presidente da República que concluiu o mandato, António José de Almeida organizou manifestações junto dos principais monumentos para despertar valores culturais e cívicos. Na sequência destas iniciativas Nuno Simões, enquanto ministro, decretou a classificação dos monumentos históricos, instituindo a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, com quatro secções: Lisboa, Porto, Coimbra e Évora.
 
A cultura europeia constituiu uma das referências primordiais de António José de Almeida. Ao deixar São Tomé e antes de se estabelecer em Lisboa decidiu aprofundar a sua formação intelectual e profissional em Paris, junto de médicos insignes como Guyon, Tuffier, Cathlin e Pinard. Encontrou-se, casualmente, com o jovem Reinaldo dos Santos que havia concluído o curso na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.
Contou-me este episódio Reinaldo dos Santos acrescentando que, também, frequentava o mesmo estágio Alexis Carrel, alguns anos depois, Prémio Nobel, pioneiro da cirurgia experimental e do transplante de órgãos e tecidos. (Tive o privilégio de publicar –  Diário de Notícias de 5 de Dezembro de 1980 – correspondência inédita de Alexis Carrel e de Afonso Lopes Vieira para Reinaldo dos Santos).
Contudo, o projecto político e cultural de António José de Almeida – objecto de um relevante estudo de investigação de Luís Reis Torgal – também abrangeu o Atlântico. Era (e continua a ser) um dos vínculos de Portugal com a Europa e com o Mundo. Basta citar a relação de António José de Almeida com o Brasil, a viagem presidencial que efectuou em 1922, ano do centenário da independência do Brasil e da travessia do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Marcou a descoberta da navegação aérea transoceânica, guiada pelos ‘regimentos das estrelas’, a ‘pesar o sol pelo astrolábio’ e, ao mesmo tempo, um ato político, repleto de carga simbólica, para a aproximação entre os dois povos.

Toda a trajectória de António José de Almeida se resume a uma afirmação de equanimidade contida em seis palavras – que continuam a ganhar amplitude e significado – liberdade, tolerância, justiça, pátria, europa, atlântico. Seis palavras que, para o ‘esplendor de Portugal’, lhe encheram a vida, iluminaram a consciência, moldaram o carácter e orientaram a acção.
António José, as seis palavras – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], jornal Público, 26 de Julho de 2016, p.46 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

terça-feira, 19 de julho de 2016

VISITA - EXPOSIÇÃO BIBLIOGRÁFICA E DOCUMENTAL JOAQUIM DE CARVALHO



VISITA - EXPOSIÇÃO BIBLIOGRÁFICA E DOCUMENTAL JOAQUIM DE CARVALHO

DIA:
20 de Julho de 2016 (19,00 horas);
LOCAL: Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Sala do Catálogo);

VISITA GUIADA pelo prof. Paulo Archer;

Está patente na Sala do Catálogo da Biblioteca Geral da UC a exposição bibliográfica e documental Joaquim de Carvalho, originalmente organizada pelo Departamento de Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz.
Amanhã, dia 20 de Julho, pelas 19 horas, haverá uma visita guiada pelo Doutor Paulo Archer de Carvalho, do CEISXX.
Joaquim de Carvalho (Figueira da Foz, 10 de junho de 1892 - Coimbra, 27 de outubro de 1958) foi um professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde regeu cadeiras de Filosofia e de História da Cultura.
Foi diretor da “Revista da Universidade de Coimbra”, da Biblioteca Geral (1926-1931) e da Imprensa da Universidade. No desempenho destas funções, promoveu a publicação de centenas de livros resultantes da investigação académica. Instituiu igualmente diversas linhas de pesquisa, em particular na história da ciência e do pensamento português e europeu. Em registo de invulgar abrangência, consagrou também ensaios a alguns dos escritores mais representativos do cânone literário português: Gil Vicente, Luís de Camões, Eugénio de Castro, Teixeira de Pascoaes e Antero de Quental.

Dirigiu, ainda, a prestigiada Biblioteca Filosófica (da livraria Atlântida, em Coimbra) e a “Revista Filosófica” (cujo último número sairia postumamente, em 1959). Acalentou o projeto de escrever uma história da Filosofia em Portugal.

É consensualmente reconhecido pela seriedade e fundura do seu labor intelectual.

Obediente à sua própria consciência, foi tenazmente perseguido pelo Estado Novo, a ponto de ter visto extinta a Imprensa da Universidade, que dirigia. No seu tempo, os próprios colegas universitários mais conservadores se referiam a Joaquim de Carvalho como o “sábio”. De entre os discípulos que formou, destaca-se Eduardo Lourenço, que foi seu assistente, entre 1947 e 1953” [AQUI]
J.M.M.

ENCARCERAMENTO COLONIAL NO SÉCULO XX: UMA ABORDAGEM COMPARATIVA - CONFERÊNCIA INTERNACIONAL

Nos próximos dias 21, 22 e 23 de Julho de 2016, no Museu do Aljube, em Lisboa, vai realizar-se a Conferência Internacional Encarceramento Colonial no Século XX: Uma abordagem comparativa.

Ao longo de três dias vários especialistas internacionais vão analisar os vários casos de encarceramento colonial, quando é importante recordar que se assinalam os 80 anos da abertura do Campo do Tarrafal. Na nota de divulgação desta conferência internacional pode ler-se:

A historiografia sobre o encarceramento colonial no período do colonialismo europeu moderno, de finais do século 19 até às independências do século 20, tem manifestado uma vitalidade assinalável nos últimos anos, com uma explosão de estudos empíricos e novas abordagens teóricas. Um dos casos mais estudados é o da África do Sul, onde se criaram os primeiros campos de detenção de prisoneiros políticos no seguimento da guerra Anglo-Boer. A investigação sobre outros contextos coloniais europeus no império britânico, francês, holandês, belga e Italiano também revelou a utilização frequente de campos em África e Ásia para o encarceramento de membros da oposição política perseguidos em contextos metropolitanos e coloniais.
No caso do III Império Português, o encarceramento de opositores é geralmente identificado com a Ditadura Militar e o Estado Novo, que criou campos especiais de detenção para este efeito nas colónias de então. O campo de prisioneiros do Tarrafal na Ilha cabo-verdiana de Santiago é o caso mais notório, denunciado internacionalmente como o primeiro campo de concentração português. Pese embora os africanos que também aí estiveram detidos já em plena guerra colonial, é a sua ligação à política metropolitana que lhe tem conferido um maior peso simbólico e visibilidade. Se alargarmos o foco a todo o império, verificamos que, exceptuando alguns estudos recentes, a história dos campos coloniais portugueses de detenção política no século XX se encontra ainda largamente por explorar. A historiografia crescente do encarceramento colonial tem-se sobretudo focado outros impérios europeus em África e Ásia.
O Instituto de História Contemporânea (Universidade NOVA de Lisboa) e o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade pretendem marcar o 80º aniversário da abertura do campo do Tarrafal em Cabo Verde através da organização de uma conferência sobre o encarceramento político em colónias europeias durante o século XX. São bem-vindas propostas com investigações em curso sobre prisões e prisioneiros políticos nos impérios britânico, francês, holandês, belga, alemão e português, bem como olhares transversais e transnacionais sobre o encarceramento político em situação colonial. Uma selecção das comunicações apresentadas será incluída num número especial de uma revista internacional de revisão por pares.
A Conferência terá lugar no Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, Lisboa, Portugal

Rua Augusto Rosa, 42, 1100-059 Lisboa.

Contactos

Endereço electrónico: colonialincarceration20century@gmail.com

Telefones: (351) 218 172 400 | (351) 218 170 983

O programa detalhado pode ser consultado/descarregado AQUI.

Entrada é livre, mas é necessária inscrição.

A página da conferência deve ser consultada AQUI.
Uma iniciativa que o Almanaque Republicano não pode deixar de divulgar e de recomendar a todos aqueles que se interessam pelo estudo da oposição ao Estado Novo, aos que combateram a Ditadura e que conheceram as terríveis consequências para a maioria daqueles que conheceram a prisão e as torturas no Campo do Tarrafal.

Para que não se apague a memória!!!

A.A.B.M.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

HÁ 80 ANOS COMEÇAVA A GUERRA CIVIL DE ESPANHA (1936-1939)


Por estes dias, em meados do mês de Julho (17) de 1936, iniciavam-se os confrontos em Marrocos. O País mergulhava num crescendo de instabilidade. Os políticos fomentavam a instabilidade desde as eleições realizadas em Fevereiro de 1936. Alcalá Zamora foi destituído por Azaña em Maio de 1936. As forças republicanas que tinham ganho as eleições confrontavam-se com os militares nacionalistas liderados por Francisco Franco. Nos primeiros momentos, o pronunciamento que permitiu o controlo das regiões insulares de Espanha e a parte oeste do território continental espanhol. A partir de 21 de Julho os combates alastram, os intervenientes estrangeiros tomam posição e os episódios bélicos sucedem-se.

Para se conhecer e saber mais sobre a Guerra Civil de Espanha recomendamos a audição deste programa de rádio emitido ontem, 17 de Julho, na Antena 1, "Sons e Tons da Guerra Civil de Espanha".

Para começar a abordagem ao tema sugere-se a leitura da entrada sobre a Guerra Civil de Espanha na wiki AQUI.

A Fundação Mário Soares tem também um conjunto de ligações interessantes sobre a Guerra Civil de Espanha que convém explorar para se conhecer mais sobre este conflito que também acabou por afectar e influenciar Portugal. Sobre este assunto aconselhamos uma visita AQUI.

Em castelhano existem múltiplos locais sobre o tema, mas com informação rigorosa sugerimos uma visita AQUI, AQUI ou AQUI.


Também em video é possível encontrar informação útil sobre os acontecimentos: AQUI (série que se inicia hoje à noite), outra sugestão de uma série AQUI (em castelhano), outra sugestão AQUI (em português), ou AQUI.


Para que a memória dos acontecimentos não seja esquecida e sobretudo as suas consequências para a população durante aqueles três anos (1936-1939) terríveis.

A.A.B.M.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

CENSURA CONTINUA A SER TEMA DE INVESTIGAÇÃO NO MUSEU BERNARDINO MACHADO

No âmbito do ciclo de conferências A Censura na Ditadura Militar e no Estado Novo realiza-se amanhã, 15 de Julho de 2016, pelas 21.30h, no Museu Bernardino Machado uma nova sessão.

O convidado será Henrique Barreto Nunes.

O tema desta conferência é Estes Escritores Morreram.

Sobre o conferencista Henrique Barreto Nunes podemos dizer que nasceu em Monção, em 1947. Fez o curso de História na FLUC, que terminou em 1972, frequentando depois o curso de Bibliotecário-Arquivista, que terminou em 1974. Desde 1986 foi Assistente Convidado do Curso de Especialização em Ciências Documentais da Faculdade de Letras do Porto e docente da disciplina de Leitura Pública em cursos similares das Universidades de Lisboa e de Coimbra. Dedicou-se à defesa da causa do Salvamento da Bracara Augusta, fundador e dirigente da ASPA (Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural) e envolveu-se na luta  por outras outras causas cívicas.

Desempenhou as funções de director da Biblioteca Municipal de Braga até 2010, quando se aposentou.

Foi ainda membro da Assembleia da Universidade do Minho, foi eleito para o referido Senado Universitário, membro do  Conselho Cultural e da Comissão Instaladora da Casa-Museu de Monção, ainda do Conselho Científico da Sociedade Martins Sarmento (Guimarães), Conselho Consultivo da associação literária “Autores de Braga”, integrou o Conselho Superior das Bibliotecas Portuguesas, o Conselho Consultivo do Instituto Português do Livro e da Leitura e o Núcleo de Apoio do Serviço de Bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian, foi ainda membro da Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura.

Foi dirigente da BIBLIOMÉDIA, da Secção Portuguesa do IBBY e da LITTERA, pertenceu em diferentes períodos aos corpos dirigentes da BAD.
Tem colaborado regularmente na imprensa minhota, como “Notícias do Minho” (Braga), “A Terra Minhota” (Monção) e “Diário do Minho” (Braga). Dirigiu as revistas “Mínia” (ASPA) e "Bibliomédia", foi coordenador editorial da revista “Forum” (Conselho Cultural da Universidade do Minho) e director do “Solta Palavra : Boletim do CRILIJ” (Porto).

Publicou:

- “Da Biblioteca ao Leitor” (Braga : Autores de Braga, 1996; 2ª ed. 1998);
- “Tradições académicas de Braga” [coord. e co-autor], (Braga : AAUM, 2001).

O currículo do conferencista pode ser consultado AQUI.

A divulgar e participar com todo o empenho.

A.A.B.M.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

PROMONTÓRIA. FRAGMENTOS PARA A HISTÓRIA DO TURISMO NO ALGARVE APRESENTADA EM S. BRÁS DE ALPORTEL

Na próxima sexta-feira, dia 15 de Julho de 2016 vai ser apresentado nº 2, da revista Promontória Monográfica. História do Algarve, subordinada ao tema: Fragmentos para a História do Turismo no Algarve. O presente número, como já anteriormente se referiu foi coordenado por Alexandra Rodrigues Gonçalves, António Paulo Dias Oliveira e Cristina Fé Santos.

A sessão, realiza-se no Museu do Traje, em São Brás de Alportel, pelas 18.30 h.

Apresenta a revista Vítor Neto.

Uma iniciativa que se recomenda para todos aqueles que querem saber um pouco mais sobre a evolução do turismo na região portuguesa, que tem grande tradição nesta actividade e que tanta riqueza gera para o País.

A.A.B.M.


terça-feira, 5 de julho de 2016

AOS HERÓIS DO 7 DE JULHO DE 1822 * MEMÓRIA DA LIBERDADE E DO CONSTITUCIONALISMO. MADRID – LISBOA 1822



LIVRO: Memória da Liberdade e do Constitucionalismo. Madrid-Lisboa 1822

COLETÂNEA de Textos publicados no Jornal da Sociedade Literária Patriótica de Lisboa, Typographia Rollandiana, Lisboa 1822

Discurso de José Liberato Freire de Carvalho | Epicédio de João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett | Correspondência com a Sociedade Constitucional de Madrid e com o Encarregado de Negócios de Espanha em Lisboa | Estatutos da Sociedade Literária Patriótica de Lisboa

EDIÇÃO: União de Freguesias de S. Martinho do Bispo e de Ribeira de Frades, através da Comissão Liberato, em Julho de 2016 | Patrocínio: Pró-Associação 8 de Maio.

LANÇAMENTO:

DIA: 7 de Junho (18 horas);
LOCAL: Café Santa Cruz (Coimbra);
ORADORES: profª  Isabel Nobre Vargues | Profº Apolinário Lourenço



“… no glorioso dia 7 de Julho [1822] perderam as suas vidas em Madrid e suas vizinhanças depois de briosamente haverem combatido e ganho uma vitória assinalada sobre o despotismo que, temerário, ousara ainda uma vez armar-se contra a liberdade peninsular. Falo, porém, diante de portugueses e portugueses escolhidos que estimam em mais a liberdade do que as vidas e que estão mui bem persuadidos de que uma vitória alcançada a favor da liberdade nas margens do Manzanares é realmente uma vitória ganha sobre as margens do Tejo em Portugal (…)

Com a vitória ganha em Madrid a favor da liberdade no dia 7 do corrente, ganhámos nós em Lisboa, nesse mesmo fausto dia, outra vitória decisiva sobre nossos inimigos que talvez nos tenebrosos antros do silêncio já estivessem aguçando seus pérfidos punhais e deles houvéssemos de ser vítimas sem esta vitória assinalada. Será, pois, Senhores, o assunto principal do meu discurso mostrar-vos que os heróicos mártires espanhóis da liberdade, derramando o seu sangue e dando as suas vidas generosas para conservarem constitucionalmente livre a ilustre terra em que nasceram, igualmente derramaram seu sangue e perderam as suas vidas em favor da Constitucional causa portuguesa. E a final vos mostrarei que o mais nobre e mais precioso tributo, que podemos ofertar à sua memória, é seguir-lhes tão magnífico exemplo; e é desde este instante preparar-nos também para briosamente resistirmos aos nossos inimigos, determinando-nos já e até jurando de bom grado e coração - ou que viveremos livres, ou morreremos todos defendendo a nossa liberdade …

[Discurso de José Liberato Freire de Carvalho, na Sessão Extraordinária da Sociedade Literária Patriótica de Lisboa, na noite de 24 de Julho de 1822 – Do livro]

 J.M.M.

terça-feira, 28 de junho de 2016

MAIS FIGURAS DO JUDICIÁRIO (SÉCULOS XIX -XX), COORD. LUIS ELOY AZEVEDO

Depois da apresentação da obra Figuras do Judiciário (séculos XIX-XX), resultando da realização de um congresso dedicado ao tema, considerou-se necessário avançar para o conhecimento mais aprofundado de outras figuras, desta pesquisa resultou esta nova obra:

Mais Figuras do Judiciário (séculos XIX-XX).

Esta obra vai ter o seu lançamento no dia 29 de Junho de 2016, pelas 18h00, nas instalações da Almedina, de Lisboa, ao Atrium Saldanha.

Pode ler-se na nota de divulgação da obra:


A segunda edição do encontro “Figuras do Judiciário XiX-XX” que agora se publica ocorreu no dia 19 de Junho de 2015, na sala de audiências do Tribunal da Relação de Lisboa, sob a titulação mais alargada de O direito, a justiça e a polícia (XIX-XX) pelo olhar da biografia. Não encaramos este género nem como maldito, nem como bendito. Cumprirá sempre ao leitor descortinar as envolventes de cada abordagem e perceber se foram ultrapassados os limites da empatia e da análise crítica.  Tendo como mote uma individualidade concreta, mais conhecida nalguns casos (José Magalhães Godinho e Paulo Merêa) e praticamente desconhecida noutros (Joaquim Bernardo Soares, Francisco Medeiros, Jerónimo da Cunha Pimentel, Augusto de Oliveira e Passos de Esmeriz) os estilos e os ângulos encontrados, nos diferentes trabalhos, são naturalmente muito diversos. Numa área em que os encontros de investigadores de diferentes proveniências e as publicações continuam escassas, parece-nos que esta edição encerra úteis instrumentos de trabalho, mais descritivos ou mais explicativos, sobre os quais poderá repousar, certamente, uma história da justiça mais frutuosa e sabedora.

 A obra será apresentada pelo Doutor Luís Bigotte Chorão, Jurista e Historiador.

Com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

OS IRMÃOS PASSOS – DA POLÍTICA AO PODER LOCAL


Recebemos e divulgamos a todos os investigadores interessados, o período de abertura de propostas para comunicações sobre os irmãos Passos, a realizar no início de 2017, assinalando os 180 anos das reformas administrativas de 1836. Os investigadores que tenham interesse nas figuras de Passos Manuel ou de seu irmão José da Silva Passos e o seu tempo, sobre a chamada Revolução de Setembro (que acabou por dar origem ao jornal cuja ligação se apresenta), a Constituição de 1838, o Código Administrativo de 1836, podem e devem apresentar propostas de comunicação através dos contactos que abaixo se apresentam:

A Fundação Passos Canavarro, em colaboração com outras instituições que, em breve, serão anunciadas, vai levar a efeito um colóquio cujo objetivo é assinalar a passagem dos 180 anos da Revolução de Setembro e das subsequentes transformações políticas, administrativas, sociais e culturais, designadamente a publicação do 1º Código Administrativo e a reorganização concelhia de 1836. O local de realização do evento será oportunamente anunciado, prevendo-se que ocorra no Norte. 

Convidam-se historiadores, investigadores e demais interessados nestas matérias a apresentarem comunicações, nos termos seguintes: 
Temáticas gerais 
1 – Política e Sociedade  (Revolução de Setembro; Constituição de 1838; Código Penal; Ensino; Saúde). 
2 – Poder Local (Reforma concelhia de 6 de Novembro de 1836 e contestações locais; Reorganização territorial dos concelhos; Código Administrativo de 1836 e sua aplicação). 

Datas 
- Até 31 de Agosto de 2016 : Manifestação de interesse e envio dos temas/títulos provisórios - Até 30 de Setembro de 2016: Envio dos resumos das comunicações 

Os materiais deverão ser enviados à Comissão Executiva do Colóquio, através do e-mail: 
  coloquiopassos2017@gmail.com   

As comunicações serão apreciadas e aprovadas pela Comissão Científica do Colóquio, que se pronunciará sobre os resumos até 17 de Outubro. 

A preparação e organização do colóquio podem ser acompanhadas através do blogue: http://osirmaospassos.blogspot.pt/  

Apela-se à divulgação entre os potenciais interessados e com os votos do maior sucesso.

(NOTA: A imagem acima, com a devida vénia, foi retirada do blogue http://osirmaospassos.blogspot.pt/)


A.A.B.M.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

LEITURA, SOCIABILIDADE E OPINIÃO PÚBLICA: O CASO DO GABINETE DE LEITURA DE LOULÉ, 1835-1848: CADERNO DO ARQUIVO

No próximo sábado, 25 de Junho de 2016, no Arquivo Municipal de Loulé, pelas 15 horas, procede-se à apresentação do 10º Caderno do Arquivo.


Desta vez, resulta da conferência feita pela Doutora Patrícia Jesus Palma sobre a questão do Gabinete de Leitura de Loulé e com título completo de: Leitura, Sociabilidade e Opinião Pública: o caso do Gabinete de Leitura de Loulé, 1835-1848.

Pode ler-se na nota de divulgação da obra:

Geralmente, tendemos a considerar que as conjunturas revolucionárias são contrárias ao desenvolvimento cultural. As dificuldades de comunicações, os exílios, as prisões e a insegurança formam um pano de fundo aparentemente pouco favorecedor. O estudo empírico das fontes documentais demonstra, porém, uma realidade mais porosa e complexa, como se torna patente no caso da Sociedade do Gabinete de Leitura de Loulé, fundada a 29 de Dezembro de 1835, pouco depois da Convenção de Évora-Monte (26.5.1834) ter posto termo à guerra civil portuguesa. 
O acervo documental desta Sociedade revela-nos um dos modos como tais contextos, movidos por elevado fervor ideológico, podem desencadear um efeito potenciador de atividades culturais. Ancoradas na reflexão e na discussão pública de ideias, tais práticas revelaram-se suficientemente sólidas para introduzir desvios nas relações entre o Estado e a sociedade civil.” 
Ao longo deste estudo, evidenciar-se-á o modo como a Sociedade do Gabinete de Leitura de Loulé representou um autêntico laboratório da cidadania contemporânea com ramificações em outros concelhos algarvios, em Lisboa e em Mato Grosso, no Brasil. Lia-se para agir e agir era já ler. Neste sentido, propõe-se a integração desta Sociedade no amplo quadro de instituições e de agentes que, no Portugal oitocentista, contribuiu ativa e diversamente para o longo e, por vezes, doloroso processo de valorização cultural, que estabeleceu o acesso ao livro e à leitura como um dos pilares fundamentais das sociedades livres e democráticas. 




Patrícia de Jesus Palma É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – variante Estudos Portugueses, pela Universidade do Algarve (2003), é mestre em Estudos Portugueses – especialidade de Literatura Portuguesa Contemporânea, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Sobre a temática dos Gabinetes de Leitura recomenda-se o seguinte trabalho:
- Ribeiro, Manuela Tavares, "Livros e Leituras no Século XIX", Revista de História e Teoria das Ideias, vol. 20,  Coimbra, FLUC, 1999;


Esta iniciativa tem entrada livre.

A.A.B.M.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

TRAIDOR OU PATRIOTA? JOSÉ DIOGO MASCARENHAS NETO (UM NOTÁVEL ALGARVIO NO LADO ERRADO DA HISTÓRIA)

No próximo dia 25 de Junho 2016, pelas 16 horas, João Nuno Aurélio Marcos apresenta a sua nova obra  "Traidor ou Patriota? José Diogo Mascarenhas Neto (Um notável algarvio no lado errado da história)", editado pela Arandis Editora e com apresentação de Maria João Raminhos Duarte.

Pode ler-se na nota de divulgação do lançamento da obra:
«Traidor ou Patriota? – José Diogo Mascarenhas Neto (Um notável algarvio no lado errado da história)», é o mais recente trabalho do escritor e investigador algarvio João Nuno Aurélio Marcos, autor de obras como «Os Viscondes de Lagoa» e «A caridade e as Instituições de Assistência Pública no Concelho de Lagoa», entre outras.

Nesta sua nova obra, de cariz histórico e biográfico, o investigador dá a conhecer a vida e obra de um dos mais notáveis algarvios de sempre, natural de Alcantarilha. 

Nascido no seio de uma destacada família algarvia, José Diogo Mascarenhas Neto foi inaugurar o Colégio dos Nobres, em Lisboa, onde estabelece ligações de amizade com vários membros da nobreza nacional. 

Frequentou a Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito. Ingressou na Magistratura, tornando-se Juiz-de-Fora de Leiria, onde viria a casar (desse casamento descende, entre outros, Mouzinho de Albuquerque), foi igualmente corregedor de Amarante e de Guimarães e Desembargador da Casa da Suplicação. No entanto, não é enquanto magistrado que José Diogo adquire o seu maior prestígio e dimensão histórica. 

Em 1791 foi Superintendente Geral das Calçadas e Estradas, tendo dirigido a construção da primeira estrada Lisboa/Porto. 

Foi, igualmente, Superintendente Geral dos Correios e Postas do Reino, sendo por muitos considerado como o fundador dos correios em Portugal. Foi por iniciativa sua que foram colocadas nas ruas as primeiras placas de toponímia e atribuído um número de polícia a cada casa, facilitando a distribuição postal.

Liberal, com ligações à Maçonaria, Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa e sócio correspondente da Sociedade do Museu de Paris, foi preso em 1810, sendo exilado em Inglaterra e na França, onde se manteve até 1821.

A apresentação da obra, publicada pela Arandis Editora, irá realizar-se na casa onde José Diogo Mascarenhas Neto nasceu, em 1752, a Quinta da Cruz, actual «Hotel Capela das Artes», em Alcantarilha, no próximo sábado, dia 25 de Junho, pelas 16 horas. O espaço escolhido para a apresentação foi o Lagar de Azeite da antiga quinta, o primeiro a funcionar a vapor em Portugal.

A apresentação da obra estará a cargo da Professora Maria João Raminhos Duarte.

Uma oportunidade para os participantes conhecerem a Quinta da Cruz, actual Hotel Capela das Artes, podendo-se apreciar a vertente arquitectónica de uma casa senhorial cujas origens remontam ao Século XV, que integra uma capela consagrada no Século XVIII pelo Bispo Avelar. A rodear a casa, além de um vasto património histórico, como o poço medieval que abasteceu de água Alcantarilha até meados do Século XX, encontram-se peças do lagar de azeite e inúmeras oliveiras, a mais antiga das quais com 1.500 anos de idade. 

Uma iniciativa louvável de divulgação de uma figura ilustre do Algarve com uma acção importante na imprensa da época e como autor de uma obra muito respeitável ao nível do desenvolvimento das comunicações em Portugal durante o século XIX, em especial a publicação Annaes das Sciencias, das Artes e das Letras.

Para saber mais sobre a figura de José Diogo de Mascarenhas Neto recomendamos um conjunto de sugestões abaixo:

MOURA, Fernando , José Diogo Mascarenhas Neto- O Homem da Mudança, Códice, nº2, 2005, p. 22-33;
- CARNEIRO, Maria Isabel S., As casas dos cantoneiros do Algarve: da conservação das estradas a património a conservar, vol I, Departamento de Ciências Sociais e de Gestão, Universidade Aberta, Lisboa, 2011.
- REIS, Fernando José Egídio, Os Periódicos Portugueses de Emigração (1808-1822). As Ciências e a Transformação do País, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, Lisboa, 2007.

Uma novidade bibliográfica que contribui para divulgar a  personalidade e a acção que promoveu em prol do desenvolvimento do País.

A.A.B.M.

domingo, 19 de junho de 2016

AS MULHERES NA MAÇONARIA (PORTUGAL 1864-1950)



LIVRO: As Mulheres na Maçonaria (Portugal 1864-1950);
AUTOR: Fernando Marques da Costa;
EDIÇÃO: Editora Âncora (Campo da Comunicação), 2016, p. 41

Este trabalho de investigação tem como objectivo a história das diversas lojas maçónicas que, entre 1864 e 1950, contaram com a presença de mulheres, identificando o seu percurso, objectivos e membros que as compunham. Procura-se, também, identificar o modo como os diferentes intervenientes interpretaram a questão da igualdade de género dentro da maçonaria, seja do ponto de vista dos direitos de admissão, seja na autonomia administrativa e de igualdade ritual. São analisados, ainda, os momentos de conflito que puseram em causa essa igualdade e que terminaram sempre com o afastamento das mulheres da maçonaria, bem como aqueles em que se ensaiaram experiências inovadoras. O estudo está complementado com um conjunto de anexos onde se publicam alguns documentos inéditos existentes, quer em arquivos privados, quer em bibliotecas estrangeiras”  [AQUI]
 
“ … Confesso que não tinha intenção de refazer o livro [NOTA: Fernando Marques da Costa publicou a obra pioneira “A Maçonaria Feminina”, Editorial Veja, Colecção Janus, 1978, p.181, com base em documentação inédita e da “luta constantes pela igualdade de direitos face ao homem dentro e fora da Maçonaria” – obra completamente esgotada. É desse livro que se refere o autor]. Mas, a aquisição recente de vários espólios, onde se incluíam, designadamente, documentos sobre a presença de mulheres na maçonaria, estimulou a vontade de o fazer. Os novos documentos puseram-me em contacto com um processo respeitante a uma disputa no seio da Loja Afonso Costa, de Lisboa, em 1950, onde, com surpresa descobri referências à existência de uma loja feminina denominada 'Alvorada'. Noutro conjunto documental, encontrei dados desconhecidos sobre a Loja Direito e Razão, da Confederação Maçónica Portuguesa, de 1864. Por último, a doação à Biblioteca Municipal da Figueira da Foz do espólio da Loja Fernandes Tomás, da qual dependia a loja de adopção 8 de Dezembro, completou a lista de incentivos de que, aparentemente necessitava para escrever.
 
 
À data, pouca coisa existia escrita sobre a história da maçonaria em Portugal e ainda menos sobre a sua componente feminina. Hoje, sobre a primeira, existem diversos trabalhos de qualidade, por isso se eliminaram os capítulos iniciais do livro, que faziam um enquadramento histórico, inútil e ultrapassado pelas obras de vários historiadores.
 
(…) A história da maçonaria é um território de equívocos. Equívocos que incorrem os maçons, os antimaçons, os historiadores militantes ou mesmo os mais frios profissionais. Para a que a culpa não morra solteira é bom referir que tanto equívoco foi criado pela maçonaria.
 
(…) a maçonaria teve sucessivamente de fazer e refazer, quer a sua história, quer a dos graus que compunham os seus diversos ritos  e, tal  como as Corporações de Pedreiros, de que se reclama herdeira (…) de igual modo se perdeu no acto de se recrear e mitificar a sua história. A ‘ideia’ essencial que dá corpo às Constituições de 1717 dilui-se no meio de uma exuberante bibliografia pró e antimaçónica. Essa exuberância é, ela própria, sinal de uma prolixidade de sentidos e propósitos em que a maçonaria se desdobrou ao longo dos séculos XVIII e XIX … “ [pp. 14-17 - sublinhados nossos]
 
J.M.M.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

BENTO DE JESUS CARAÇA: RECORDADO NO MUSEU DO ALJUBE

Bento de Jesus Caraça vai ser recordado amanhã, 17 de Junho de 2016, pelas 18 horas no Museu do Aljube em Lisboa, com uma exposição bibliográfica e testemunhas de quem o conheceu e investigou o seu percurso biográfico, como Helena Neves, João Caraça, Cristina Antunes e Diana Andringa. No âmbito do ciclo Intelectuais e Artistas da Resistência que tem vindo a ser promovido nos últimos meses com organização do Professor Luís Farinha.

Pode ler-se na nota de divulgação:

No dia 17 de junho, às 18 horas, temos uma evocação de Bento de Jesus Caraça - vida e obra: com Helena Neves e João Caraça e a presença de Cristina Antunes e Diana Andringa, realizadora e autora, respetivamente, do documentário «Bento de Jesus Caraça. Matemático Cidadão». O Museu do Aljube reúne ainda um conjunto de documentos originais, numa mostra biobibliográfica de Bento Caraça, que estará patente ao público até 30 de junho´.

Uma iniciativa a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

CAMÕES, JUSTIFICAÇÃO DO 10 DE JUNHO


Camões, justificação do10 de Junho” – por António Valdemar, in Público


“A polémica em redor dos feriados nacionais não atingiu o 10 de Junho. Sejam quais forem os aproveitamentos de governos e governantes de vários regimes (monarquia absoluta e monarquia liberal, Iª república, salazarismo e IIª república) Camões não se pode reduzir aos jogos partidários e aos expedientes da retórica política.
A leitura d’Os Lusíadas e outras obras que nos legou ultrapassa as manipulações arbitrárias e circunstanciais. O homem – tal como o retrataram os que o conheceram – manifestou-se com frontalidade e independência. Não recorreu – como era habitual na época – a um prefaciador para fazer a apresentação d´Os Lusíadas, nem escondeu o protesto contra a situação que o País vivia.

A Inquisição estava instalada desde 1536. A Censura encontrava-se em pleno funcionamento. Os livros eram submetidos à leitura prévia e só podiam ser impressos e postos a circular depois da autorização do Santo Oficio. Assim aconteceu, em 1572, com Os Lusíadas. Sousa Viterbo e Aquilino Ribeiro analisaram hipóteses do que terá sido truncado no manuscrito. Também se pronunciaram acerca de intervenções do censor – em cumplicidade negociada com o Poeta - que fabricou versos atribuídos a Camões, para deixar passar outros.
Mesmo assim, em sucessivas estrofes d’Os Lusíadas, deparamos um sentido crítico em torno de questões teológicas, políticas e sociais. Apelos contínuos para a urgência da liberdade e justiça para uma sociedade construída nos princípios da honra e nos valores da solidariedade.

Nas horas de crise e de recuperação de identidade nacional, Os Lusíadas acompanharam a resistência ao domínio filipino, as lutas liberais no século XIX, a formação do Partido Republicano, a aproximação de Portugal das exigências e solicitações da Europa. Incorporaram, na síntese de Jaime Cortesão, os factores democráticos da constituição de Portugal, o humanismo universalista dos portugueses, a abertura para o mundo e a invenção da modernidade. Gago Coutinho – também um estudioso de Camões que se envolveu em controvérsias sobre a dupla rota de Vasco da Gama - levou uma edição d’Os Lusíadas, na travessia aérea do Atlântico.
Transpondo em múltiplos aspectos as outras grandes epopeias, Camões coloca - nos perante um Portugal conquistado palmo a palmo, com homens inteiros, que olham de frente, na terra e no mar, os impulsos cósmicos da natureza. Viveram a aventura e a descoberta e partilharam a fatalidade e a apoteose.

Toda esta energia cívica incentivou o entusiasmo de Teófilo Braga, numa campanha de opinião pública, para celebrar, em todo o País, o III centenário da morte de Camões. A informação existente indicava o dia 10 de Junho, como data da morte. Foi exatamente nesse dia que se realizaram, em 1880, as comemorações com a participação de intelectuais e políticos e significativa mobilização popular. Permaneceram memoráveis as cerimónias que decorreram em Lisboa. Marcaram a coesão do Partido Republicano conciliando tendências e os grupos dispersos no pensamento e na acção.
Proclamada a Republica, a 5 de Outubro de 1910, o Governo Provisório, presidido por Teófilo Braga, e para afirmar a supremacia do poder civil sobre o poder religioso, deixou de reconhecer os dias santificados inscritos no calendário litúrgico. Decretou, logo a 12 de Outubro, os seguintes feriados nacionais e assim designados: 1 de Janeiro, consagrado à Fraternidade Universal; 31 de Janeiro, consagrado aos precursores e aos Mártires da Republica; 5 de Outubro, consagrado aos Heróis da Republica; 1 de Dezembro, consagrado a autonomia e independência e restauração da Pátria; 25 de Dezembro, consagrado à Família. Além destas efemérides cada município, segundo o critério das respectivas Câmaras, podia assinalar o seu feriado. Lisboa escolheu o 10 de Junho que, sob a égide de Camões, em 1880, uniu o Partido Republicano.

A Constituição de 1933 revogou a legislação existente nesta matéria. Todavia, para Salazar o 10 de Junho começou por ser o dia da raça, uma das expressões salientadas no discurso proferido na inauguração do Estádio Nacional do Jamor, em 1944, ainda em plena Guerra Mundial, quando os ódios raciais continuavam a enviar judeus para os campos de concentração. Terminada a guerra, em Maio de 1945, perdurou a denominação dia da raça. O decreto 34. 596, de 4 de Janeiro de 1952, determinou um reajustamento com base na Concordata estabelecida com a Santa Sé, repondo, tal como no tempo da monarquia, nos feriados nacionais, dias santificados impostos pela igreja católica.
No pós-II Guerra Mundial e no pós entrada de Portugal para as Nações Unidas procurou-se retirar estigmas do Acto Colonial, proclamar virtudes da colonização portuguesa, ausência de racismo, evidência de sociedades multiculturais inseridas no todo nacional. Os movimentos de emancipação africana, nos anos 50, anunciavam a iminência de guerrilhas em três frentes de combate Angola, Guiné e Moçambique.

A partir de 1963, Salazar transformou o 10 de Junho no Dia de Portugal para exaltar as Forças Armadas e prosseguir a Guerra Colonial. Marcelo Caetano manteve a tradição. Durante dez anos, o Terreiro do Paço, foi o grande palco das condecorações de vivos e mortos que se distinguiram em operações militares. Com o 25 de Abril, a independência de Angola, Guiné e Moçambique e outros territórios ultramarinos, o 10 de Junho ficou a chamar-se não só Dia de Portugal, mas também de Camões e das Comunidades Portuguesas.
 
O regresso de Camões, exemplo de uma vida pelo mundo em pedaços repartida, veio reforçar um símbolo do imaginário colectivo. Os Lusíadas representam motivo de reflexão para vencer a impaciência e sacudir o fatalismo em qualquer de tempo de angústia e incerteza. Camões celebrou as memórias gloriosas de Portugal, sem virar as costas às tensões políticas e às realidades sociais. Daí a actualidade das suas advertências. Para reencontrar o homem que, em cada dia, se revela, se oculta e se afirma, na aspiração da liberdade. Para romper o medo, banir a superstição e quebrar as algemas das tiranias passadas, presentes e futuras.

Camões, justificação do 10 de Junho – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Academia das Ciências], jornal Público, 10 de Junho de 2015, p.57 – com sublinhados nossos.

J.M.M.