sexta-feira, 17 de novembro de 2017

[18 DE NOVEMBRO * CENTRO CULTURAL DE BELÉM] – RAUL BRANDÃO REVISITADO – NOS 150 ANOS DO SEU NASCIMENTO E NO CENTENÁRIO DO LIVRO “HÚMUS”


Nos 150 Anos do Nascimento de Raul Brandão e no Centenário da publicação do livro “Húmus” – DIA LITERÁRIO RAUL BRANDÃO

DIA: 18 de Outubro (15,00 horas);
LOCAL: Centro de Congressos e Reuniões do Centro Cultural de Belém [Piso 1], Lisboa;
CONFERÊNCIA: Raul Brandão Revisitado;
ORADOR: António Valdemar (Academia das Ciências);

INTERVENIENTES: Leitura de Interpretação de Textos da obra “Húmus” por José Fanha; Ilustrações de Álvaro Carrilho.  

ORGANIZAÇÃO: António Valdemar / Centro Cultural de Belém.

“A personalidade e a obra de Raul Brandão estão associadas, em 2017, a dois acontecimentos relevantes: a comemoração dos 150 anos do nascimento do escritor e o centenário da publicação do livro Húmus.
 
 

As duas efemérides vão ser assinaladas com uma intervenção de António Valdemar sobre a criação do escritor, as figuras da época, os movimentos políticos, militares, sociais e culturais e ainda os locais do Porto, de Guimarães, de Lisboa, dos Açores e da Madeira, mencionados nos seus livros. Haverá, ainda, a leitura de textos de Húmus, por José Fanha.

A sessão será ilustrada com uma apresentação concebida pelo designer Álvaro Carrilho, autor de outros trabalhos  que tem efetuado, na última década, para a Academia das Ciências,  para o Grémio Literário, para a Biblioteca Museu da Resistência e da República e outras instituições culturais e cívicas.

Raul Brandão nasceu a 12 de março de 1867, na Foz do Douro, estudou no Colégio São Carlos e no liceu do Porto, frequentou o Curso Superior de Letras (1888) e matriculou-se na Escola do Exército, em 1891. Concluiu o curso, em 1894, tendo sido colega dos futuros Presidentes da República Sidónio Pais e Óscar Carmona.

Exerceu funções em Lisboa, no Porto e em Guimarães. Quando se encontrava nesta cidade, casou, em 1897, com Maria Angelina. Reformou- se do posto de capitão em junho de 1911.

Adquiriu, em 1912, a casa do Alto da Nespereira, na periferia de Guimarães, onde passava parte do ano (dedicando-se à agricultura) e a outra parte em Lisboa, primeiro na York House, depois em casa própria na Rua de São Domingos à Lapa, onde faleceu a 5 de dezembro de 1930.

Desde 1902, ao radicar-se em Lisboa, teve intensa atividade no jornalismo, no Correio da Manhã, no Dia e no República, dirigido por António José de Almeida.

Muitos dos textos das suas memórias foram redigidos, em forma definitiva, a partir de notícias, reportagens e crónicas publicadas naqueles e noutros jornais e revistas.
 
 

A sua relação com Teixeira de Pascoais data de 1914, colaborando na revista Águia e no movimento Renascença Portuguesa. Publicou Húmus, a sua obra principal, em novembro de 1917. Fez parte do Grupo da Biblioteca, quando Jaime Cortesão era diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa. Pertenceu ao núcleo dos fundadores da Seara Nova. Frequentou o ateliê de Columbano, que lhe fez vários retratos, e as tertúlias da Brasileira do Chiado e da Bertrand.

Atualmente, a Relógio d’Água tem estado a reeditar Raul Brandão – em edições críticas e prefaciadas por especialistas na matéria – na série Obras Clássicas da Literatura Portuguesa, iniciativa da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, com o patrocínio do Ministério da Cultura” [AQUI].
 
 

A não perder.

J.M.M.

domingo, 12 de novembro de 2017

ALLEGAÇÃO EM GRÁO DE REVISTA A FAVOR DOS MARTYRES DA PATRIA BENEMERITOS DELLA EM GRÁO HEROICO … POR MANOEL JOSE GOMES DE ABREU VIDAL



LIVRO: Allegação em gráo de revista a favor dos Martyres da Patria Benemeritos della em gráo heroico: condemnados a morte, e a degredos, e confiscos pelas nullas e barbaras sentencas proferidas em 15 e 17 de outubro de 1817: Com o relatorio que os espioes, e denunciantes mandarao para o Rio de Janeiro, e com a certidão extrahida do livro secretissimo da intendencia, offerecido aos homens que tem patria;

AUTOR: Manoel Jose Gomes de Abreu Vidal;
EDIÇÃO: Lisboa, Impressão Liberal,1822, p. 43.

 

Manoel José Gomes de Abreu Vidal foi Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra e advogado da Casa de Suplicação em Lisboa. Liberal, pertencente à facção exaltada da revolução de 24 de Agosto de 1820 [redigiu O Amigo do Povo, entre 1820-1821], em breve passou, com igual fervor, a defender os “princípios absolutistas” [cf. Diccionario historico, chorographico, heraldico, biográfico, …, vol7, de Esteves Pereira]. Escreveu em 1828 uma “acalorada diatribe” contra o Marquês de Palmela, Pedro de Sousa Holstein, numa curiosa Carta publicada só em 1829 [Carta primeira ao Marquez de Palmela, D. Pedro de Sousa Holstein, 1829], em que defendia a “legitimidade do infante D. Miguel”, porque entendia que D. Pedro “perdera por estrangeiro o direito á coroa portuguesa” [cf. Dicionário Bibliográfico, de Inocêncio F. Silva, tomo VI].
Não deixa de ser curioso o facto de o mesmo Gomes de Abreu Vidal ter, a 13 de Abril de 1821, apresentado um projecto para a redacção de um jornal “dirigido a formar unidade de opinião a favor do sistema actual”. E argumenta o mesmo Manuel José Gomes de Abreu Vidal em seu abono o não existir nenhum periódico a favor da situação, bem pelo contrário. O parecer, segundo a Comissão de Instrução Pública, foi remetido à Regência do Reino, para conhecimento. Ainda no decorrer das sessões das Cortes Gerais e Extraordinárias, Manuel José Gomes de Abreu Vidal foi preterido no recrutamento para redactor do Diário das Cortes [ver minuta do parecer da Comissão de Redacção do Diário das Cortes de 26 de Julho de 1821, apresentada na sessão de 27 de Julho], tendo sido considerado que os dois candidatos vencedores [Teotonio José de Oliveira e Inocêncio da Rocha Galvão] foram, entre os seis pretendentes, os que ela [Comissão de Redacção do Diário das Cortes] considerou "mais dignos, à vista dos documentos que juntaram”. Por sua vez, a 30 de Abril de 1829, Manuel José Gomes de Abreu Vidal, em audiência por D. Miguel, recebeu a medalha “com a sua real efigie” (com fita encarnada e orla branca) [cf. Gazeta de Lisboa, 1829, nº 103].
 
Manoel José Gomes de Abreu Vidal publicou, além do opúsculo acima referido, o seguinte: “O Amigo do Povo” (periódico político, 1820-21); Analyse da sentença proferida no Juizo da Inconfidencia em 15 de Outubro de 1817, contra o tenente-general Gomes Freire de Andrade, o Coronel Manoel Monteiro de Carvalho e outros, pelo crime de alta traição, Lisboa, Typ. Morandiana, 1820, p. 36; Os Homens de 1820 (?) / Carta primeira [e única ?] ao Marquez de Palmela D. Pedro de Souza Holdstein, Lisboa, Typ. Morandiana, 1829.
  
J.M.M

sábado, 11 de novembro de 2017

ALLEGAÇÃO DE FACTO, E DE DIREITO FEITA POR FILIPPE ARNAUD DE MEDEIROS NO PROCESSO, EM QUE POR ACCORDÃO DO JUIZO DA INCONFIDENCIA …



LIVRO: Allegação de facto e de direito feita no processo, em que por acórdão do juízo de Inconfidência, e Comissão, especialmente constituída, foi nomeado para defender os Pronunciados, como Reos da Conspiração, denunciada em Maio de 1817;

AUTOR: Fillipe Arnaud de Medeiros;
EDIÇÃO: Lisboa, Impressão Régia,1820, p. 158.

Filipe Arnaud de Medeiros [n. 1771 ?] foi Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, advogado da Casa de Suplicação em Lisboa e, nessa qualidade, foi “escolhido para defensor oficioso dos acusados da Conspiração de 1817, denominada de Gomes Freire”, e entre eles o do próprio general, tendo ganho certa notoriedade [ver AQUI]. 

 
 

Filipe Arnaud de Medeiros foi um liberal que abraçou a política em 1820. No fim da guerra civil retirou-se à vida privada, tendo falecido na “obscuridade, em Lisboa, a 9 de Novembro de 1838. [cf. Diccionario historico, chorographico, heraldico, biográfico, …, vol1, de Esteves Pereira]. Amigo de António Feliciano de Castilho, cuja casa frequentava, tomou parte da Comissão encarregada da Nova Reforma Judicial (pelo Decreto de 22 de Novembro de 1835); era Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.  
De referir [ver AQUI] que Filipe Arnaud de Medeiros trabalhou arduamente em defesa de todos os réus, não lhe sendo possível fazer, em tão pouco tempo, o trabalho de tantos processos. Cumpre dizer que, relativamente ao general Gomes Freire não foi consentido que pudesse chamar outro advogado. Sabe-se o que ditou a sentença.


Filipe Arnaud de Medeiros publicou: Memória sobre a possibilidade e meios de pagar a dívida do Estado, Lisboa, 1820; Reflexões sobre os acontecimentos do dia 11 e noute do dia 17 do corrente mez de novembro de 1810 offerecidas à Nação, Lisboa, 1820.

J.M.M.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

NOS 11 ANOS DO ALMANAQUE REPUBLICANO


Assinalou-se ontem, 6 de Novembro, os 11 anos de existência do blogue Almanaque Republicano, conforme se pode confirmar AQUI.

Foram 11 anos de publicações mais ou menos regulares, feitas por dois cidadãos livre e democratas que tinham um objectivo de fundo começar por relembrar alguns eventos, figuras e organizações que estiveram na génese da República em Portugal.

Demos e vamos continuar a dar o nosso contributo para se compreender o Portugal contemporâneo: os escritores, os jornalistas, os intelectuais que marcaram o nosso País entre os finais do século XIX e o início do século XX. Divulgamos centenas de lançamentos de livros, centenas de colóquios, conferências, esboçamos biografias, recomendamos dezenas de jornais que se encontram disponíveis online e chamamos a atenção para a sua importância enquanto fontes históricas.

Foram feitas 3177 publicações. 
O contador interno do blogger informa-nos que até hoje houve 1 177 680 visualizações de páginas.  No último mês tivemos 11 000 visualizações de páginas.
Recebemos até ao momento 585 comentários que estão publicados nos milhares de artigos publicados.
O artigo mais visitado foi "Os Homens que Realizaram o 25 de Abril", publicado AQUI, com mais de 5600 visitas.

Para quem está profissionalmente activo por vezes não é fácil sustentar e actualizar o blogue e para nós também não. Civicamente activos e envolvidos nos meios onde residimos procuramos, dentro do que nos é possível, colocar informação que nos parece útil e actualizada sobre os mais variados assuntos de temática histórica. 

Em comunicações científicas surgem algumas referências ao Almanaque Republicano que nos honram, como AQUI, em trabalhos científicos como AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI ou AQUI só a título de exemplo.

O Almanaque Republicano continua a manter a sua actividade, divulgando, assinalando, evocando episódios e personalidades que foram caindo no esquecimento e que devemos relembrar. Por vezes a disponibilidade para actualizar o blogue não é muito grande mas, desde há alguns anos que, através da rede social Facebook, partilhamos e divulgamos em vários grupos, eventos e apontamentos sobre algumas personalidades, livros e temas que se correlacionam com as preocupações que manifestamos inicialmente.

Relembramos o texto que serviu de mote e apresentação ao blogue e que se mantém pleno de actualidade:

"O Almanaque Republicano é um álbum onde se vai perfilar uma geração sonhadora, generosa e messiânica, que é afinal o nosso costumado fadário, o nosso "eterno retorno". Da República de 1891 e da outra de 1910 há uma imensa viagem de encantos e desencantos, de "coisa esquecidas e mortas", um itinerário de bondade, pessimismo, ironia e sarcasmo. Há nele todo um movimento que "carecia de alma", como diria Pascoes. Essa Alma Republicana, seja ela qual for, será sempre essa jornada emotiva e social, espiritual e libertária, de encantos e desencantos vários, crença ou saudade do Encoberto, reformadora e socialista, liberal e popular, que da decadência à regeneração marcam para sempre o "espírito lusitano". A "Nova Era" redentora, quer fosse construída no cantar antiquíssimo da Renascença Portuguesa ou ressurgida pela demanda da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ou intencional na exaltação da luta pela emancipação das classes trabalhadoras e em redor do movimento operário e sindical, não deixa de ser, sem dúvida alguma, um dos momentos mais interessantes da história da sociedade portuguesa contemporânea. Afinal, "Ubi libertas, Ibi Patria".

Sitio de passagem e de euforias públicas, jornada de mil caminhos que o tempo percorreu, o Almanaque Republicano é um panfleto aberto e frontal da Alma Republicana. E será, doravante, o nosso "companheiro de trabalho".
 

Esperemos que assim continue por muitos e longos anos.

A.A.B.M.
J.M.M.

domingo, 5 de novembro de 2017

[CONFERÊNCIA] O ALMIRANTE AUGUSTO EDUARDO NEUPARTH (1859-1925). CIÊNCIA E RAZÃO DE ESTADO



CONFERÊNCIA: O Almirante Augusto Eduardo Neuparth (1859 – 1925) Ciência e Razão de Estado;
DIA: 7 de Novembro 2017 (17,30 horas);

ORADOR: [Académico] Carlos Manuel Baptista Valentim;
LOCAL: Auditório da Academia de Marinha [Rua do Arsenal, porta H], Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: Academia de Marinha.

Augusto Eduardo Neuparth, ilustre oficial da Marinha, engenheiro hidrógrafo (de que foi notável especialista, com vários e valiosos trabalhos realizados e publicados), republicano e maçon, Ministro da Marinha e Colónias (pertenceu ao último governo de Bernardino Machado), Director-Geral da Marinha e das Obras Públicas, presidente da Comissão de Pesca, director da revista “Pesca Marítima”, um conhecedor e apaixonado de assunto navais e da pesca marítima, nasceu em Lisboa a 11 de Outubro de 1859 e era filho de Virgínia Júlia de Oliveira Basto e do músico Augusto Neuparth (1830-1887)

[Augusto Neuparth (1830-1887) foi músico da Real Câmara, professor do Conservatório Real de Lisboa e da Real Academia dos Amadores de Música. Presidente da Associação de Musica 24 de Junho e do Montepio Filarmónico. Era filho de Eduardo Neuparth, também músico, e da sua segunda mulher, Margarida Boehmler (cf. Esteves Pereira, Diccionario historico, chorographico, heraldico, biográfico, vol1). Augusto Neuparth seguiu os ensinamentos de seu pai e aos 17 anos, estreia-se como concertista, entrando depois (1848) para a orquestra do Teatro de S. Carlos. Extraordinário executante de diferentes instrumentos musicais e excelente compositor (estudou música em Leipzig e Paris – aqui aprendeu saxofone, tornando-se exímio nessa arte), deixou-nos um curioso livro, “Lições de Harmonia, Contraponto e Fuga, …” (1853), além de várias composições. Foi professor do Conservatório (1862), seu secretário e delegado ao Conselho Superior de Instrução Pública, proprietário de um estabelecimento de musica na rua Nova de Almada, redactor (e proprietário) da revista musical “O Amphion”. Morre a 20 de Junho de 1887 e o seu funeral foi “imponentíssimo”]  

Augusto Eduardo Neuparth tomou praça na Companhia dos Guardas-Marinhas (1879), cursou na Escola Politécnica de Lisboa, na Escola do Exercito e na Escola Naval, obtendo carta de engenheiro hidrógrafo.
 
 

Seguiu a carreira de oficial da marinha (foi promovido a contra-almirante em 1917 e a vice-almirante em 1919), estagiou nas colónias portuguesas de Africa, dedicando-se ao estudo de assunto geodésicos, hidrográficos, topográficos e de pesca marítima. Embarcou como oficial de guarnição em diferentes navios, serviu de secretário de Brito Capelo na expedição ao Zaire, tomou parte em outras várias expedições. Em todas elas apresentou trabalhos de grande competência e valia científica. Refira-se, o serviço realizado no Real Observatório Astronómico de Lisboa, na direcção dos Trabalhos Geodésicos, Topográficos, Hidrográficos e Geológicos. Fundou e dirigiu a revista “A Pesca Marítima”. A sua obra bibliográfica é importante, pelos vários estudos sobre Moçambique, sobre a implantação de “faróis” ao longo da nossa costa (foi chefe da secção de faróis no Ministério da Marinha).

Augusto Eduardo Neuparth foi um republicano independente (porém perto de António José de Almeida, que curiosamente acompanha em missão ao Brasil, em 1922, na qualidade de representante da Marinha), adversário de Sidónio Pais, tendo sido preso, por isso, quando se encontrava a chefiar o cruzador Vasco da Gama (ao que parece, estaria integrado na revolta de 8 de Dezembro). Ao longo da sua carreira prestou importantes serviços à República desempenhando cargos navais nos Açores e na India, foi presidente da Comissão de Pescas, Ministro da Marinha e Colónias (1914), chefiou a base Naval dos Açores (1918), comandou o cruzador Vasco da Gama e foi diretor-geral da Marinha e Obras Públicas. Teve inúmeras condecorações pelos serviços distintos que realizou [ver Esteves Pereira, ibidem]

Augusto Eduardo Neuparth integrou o Grande Oriente Lusitano Unido, tendo sido iniciado na loja “Cruzeiro do Sul”, nº211 [Lourenço Marques; a loja praticava o REAA e foi fundada em 1900, mantendo-se em atividade até á clandestinidade; a loja maçónica “Cruzeiro do Sul” foi importante, tendo tido uma valiosa atividade profana, nomeadamente na fundação da Associação dos Velhos Colonos (1919), no criar da Escola Industrial de Artes Decorativas, ao patrocinar a Escola Comercial, bem como no fomento de associações de caracter social relevante] a 10 de Janeiro de 1900, passando a coberto no final desse mesmo ano [cf. António Ventura, A Marinha de Guerra Portuguesa e a Maçonaria, p. 79]

Morre em 24 de Agosto de 1925, na sua residência (rua Rodrigues da Fonseca) em Lisboa.        
 
J.M.M.

sábado, 4 de novembro de 2017

[CONGRESSO INTERNACIONAL] LUTERO – TESES – 500 ANOS



CONGRESSO INTERNACIONAL: 500 Anos - Lutero - Um Construtor da Modernidade;
DIAS: 9, 10 E 11 de Novembro 2017;

LOCAL: Fundação Calouste Gulbenkian [Avenida de Berna], Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: Universidade Lusófona | Sociedade Portuguesa da História do Protestantismo.

Na Comemoração dos 500 Anos da fundação do “movimento da reforma protestante”, a Universidade Lusófona e a Sociedade Portuguesa da História do Protestantismo promovem um importante CONGRESSO, de âmbito internacional, sobre "Lutero: um Construtor da Modernidade”.

Durante três dias, na Fundação Calouste Gulbenkian, há lugar à apresentação e debate de um “conjunto de abordagens críticas sobre a relevância da Reforma Protestante como bem cultural e sobre a pertinência do seu pensamento na construção das identidades e representações da cultura europeia, em geral, e portuguesa, em particular” [AQUI], a partir de V Eixos Temáticos: Os percursos do longo século XVI; Teologia(s) da(s) Reforma(s); As Novas Fronteiras da Epistemologia; Reforma, Sociedade, Cultura; A Reforma para cá dos Pirenéus e para lá do Atlântico.

 
 

- "A 31 de outubro de 2017 passam 500 anos sobre o que pode ser considerada a fundação do movimento reformador do século XVI. Ficou para a história que nessa data em 1517 o monge alemão Martinho Lutero (1483-1546) afixou na porta da igreja do castelo de Vitemberga as suas 95 teses sobre as indulgências. Este momento veio a funcionar como arranque da Reforma Religiosa na Europa contribuindo para o subsequente surgimento do protestantismo e reorganização política, social e cultural do continente.

A Reforma Protestante não mudou apenas a história da religião cristã, transformou a Alemanha, influenciou a Europa e os outros continentes. Ainda que devedora a diversos movimentos precursores, enquanto mundivisão, plasmada tanto no espaço sagrado como no universo profano, sem ela não é possível compreender o seu próprio tempo mas também o que daí advém em termos de pensamento filosófico e mesmo da geocultura europeia que se desenvolveu nos últimos quinhentos anos. Da modernidade à contemporaneidade, o pensamento teológico mas também a literatura, a música, as artes plásticas, a educação, a economia, o direito e as ciências foram impregnadas pelo pensamento da Reforma. Quinhentos anos depois, que herança ficou da dinâmica reformadora? Que legado recebemos em nossas mãos? Que influência permaneceu viva até hoje?

O Congresso Um Construtor da Modernidade: Lutero – Teses – 500 anos pretende refletir sobre as múltiplas dimensões do movimento da Reforma, suas consequências e sua influência atual no mundo. Queremos ajudar a contribuir para (re)visitar o pensamento de Lutero como um dos construtores da modernidade, sendo esta uma oportunidade para inspirar tanto a memória coletiva europeia como o imaginário nacional. Além do seu capital religioso, sob forma de conhecimento e experiência humana, não podemos perder de vista os valores filosóficos e estéticos que nos ajudam a compreender tanto a presença como a ausência da Reforma Protestante no percurso intelectual, artístico ou cívico da cultura e sociedade portuguesa. Reconhecendo o pensamento de Martinho Lutero como um excecional objeto de estudo, a realização de um encontro científico visa promover o estudo sobre o papel e a influência da Reforma Protestante para a compreensão da nossa contemporaneidade.

O Congresso conta com a intervenção de teólogos, biblistas, exegetas, historiadores, filósofos, sociólogos e outros cientistas sociais que contribuam para a promoção de um olhar interdisciplinar sobre as marcas do pensamento que advém da Reforma, revisitando os seus princípios e valores, pelo que se assume como um exercício de cidadania que torna visível a nossa autocompreensão como indivíduos mas também “comunidade imaginada” [AQUI]
 
 

No que ao Almanaque Republicano diz particularmente respeito, registemos as seguintes comunicações / intervenções:

DIA 9: “Revisitando a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber — ou sobre o interface da ideologia com o real” [Onésimo Teotónio de Almeida] | Reflexos da teologia de Lutero na cultura e literatura [Eduardo Lourenço] | “Martinho Lutero - Justiça e Liberdade” [Michael Knoch] | Protestantismo e judaísmo: Bíblia, Antigo Testamento e mecânicas de refundação e de eleição” [Paulo Mendes Pinto] | “As ordens religiosas e o espírito de reforma: a Reforma Luterana no quadro das reformas do cristianismo” [José Eduardo Franco]

DIA 10: “O Espírito da Reforma em Portugal” [Guilherme d’Oliveira Martins] |  “Padres e Educadores Católicos nas malhas do proselitismo protestante em Portugal” [Luís Machado de Abreu] | “Educação para todos na Reforma: Direito e Liberdade” [Wilson do Amaral Filho] | “Instituição-Escola e Reforma Protestante: Lutero e Plano Secular de Ensino” [Justino Magalhães] | “The Age of Mercy: Savonarola and Luther” [Luigi Lazzerini] | “Uma modernidade antiluterana: Nietzsche e a crítica ao espírito do capitalismo” [Gianfranco Ferraro] | “Protestantismo e Maçonaria em Portugal” [António Ventura] | “Protestantismo e Maçonaria em Espanha” [José-Leonardo Ruiz Sánchez] | “O Manuscrito contra os Protestantes do P.e João Baptista de Castro” [Manuel Curado] | “Escutismo e formação do cidadão: reflexões em torno da introdução do escutismo em Portugal no contexto republicano” [Joaquim Pintassilgo] | “Influências protestantes no movimento da Escola Nova” [Rita Balsa de Pinho]

DIA 11: “1517: A arquitetura e o discurso de poder em Portugal no tempo de Lutero” [Ricardo Silva] | “Protestantes e Jesuítas em confronto de doutrinas e representações: a visão paradigmática do Padre António Vieira” [José Eduardo Franco] | “Lutero e o jovem Marx” [Marcos José de Araújo Caldas] | “A cultura portuguesa e o protestantismo” [Miguel Real] | “Refrações do protestantismo na literatura portuguesa” [Annabela Rita] | “Lutero, Junqueiro, uma Vinha e um Senhor” [Henrique Manuel Pereira] | “1917 e Lutero. Há cem anos, coisas do diabo... ou do Pe. Júlio Maria De Lambaerde” [Alexandre Honrado] |  “A legitimação da autoridade segundo Lutero” [Rui Oliveira] | “ A Misericórdia e as 95 Teses de Lutero” [Teresa Toldy &  Rui Estrada] |  “Impactos de Lutero e da Reforma no Império Português: a Ásia e o Brasil (1520-1580)” [José Pedro Paiva].

J.M.M.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

[COIMBRA] SESSÃO EVOCATIVA DOS 150 ANOS DA PUBLICAÇÃO DO I VOLUME DE “O CAPITAL” DE KARL MARX


 
 
CONFERÊNCIA: Sessão Evocativa dos 150 Anos da Publicação do I Volume de "O Capital" de Karl Marx

ORADOR: Doutor António Avelãs Nunes
DIA: 27 de Outubro de 2017 (21,00 horas);
LOCAL: Casa Municipal da Cultura [Rua Pedro Monteiro], Coimbra;
 
ORGANIZAÇÃO: Ateneu de Coimbra;

Karl Marx publica o volume I de “O Capital”, em Hamburgo, em 1867. Obra importante e estimada - que continua o seu trabalho anterior de crítica da Economia Política (saída em 1859) - publicada em III volumes, ainda hoje é bibliografia incontornável para uma análise do capitalismo e um legado de referência para o pensamento operário e socialista. A influência de Marx no pensamento contemporâneo é enorme, contribuindo para um intenso debate (ainda hoje conceptualmente presente) que vai da Economia (Política) às Ciências Sociais. O que é (ou foi) considerado como "marxismo" [curiosamente e segundo Engels, numa carta escrita a Conrad Schmidt, Marx teria dito: “Tudo o que sei é que eu não sou um marxista”; na verdade o “marxismo”, na sua prática de luta de classes, surge-nos bem antes da sua recepção teórica, que é quase sempre desconhecida] suporta ao longo do tempo reinterpretações sucessivas, controvérsias insanáveis, dando-lhe no entanto, pelas características ideológicas da sua metodologia de análise filosófica, económica e social, um significado ideológico e político distinto e, no tempo presente, uma continuidade, duradoura e intensa, na vida política e partidária em diferentes países do mundo.  



Com a morte de Karl Marx (1883), o seu amigo Friedrich Engels edita, a partir dos seus manuscritos (muitos ainda hoje inéditos), os volumes seguintes de ”O Capital” (o volume II, em 1885 e o III em 1894), não sem alguma polémica. De notar que a 1ª tradução d’O Capital, em português, foi feita a partir da sua tradução francesa, (Agosto de 1883, em França), saindo das Oficinas da Imprensa Lucas, em 1912, e onde surge, curiosamente, o nome do autor, como Carlos Marx.

Abra-se um parêntesis para dizer que os acontecimentos de França de 1848 [Karl Marx, sobre este particular assunto publica “As Lutas de Classe na França de 1848 a 1850“] e que varreram toda a Europa, chegaram a Portugal de forma ainda incipiente, a que não era estranho o relativo atraso do desenvolvimento capitalista em Portugal [por exemplo, a greve dos metalúrgicos de Lisboa, em 1849, é a primeira greve no sector industrial; e até então só se tinha feito sentir os protestos dos operários dos têxteis da Covilhã, em 1846; no entanto, é bom de reter, a importância que teve o movimento social e político, fortemente contestatário, da “Janeirinha” (1868), contra o Fontismo (e que levou à queda do governo), que de algum modo revelava já mudanças significativas da estrutura produtiva e, principalmente, é de destacar o conturbado período de 1871 em diante, em que a questão social se torna objecto económico e socialmente analisável].

Será interessante salientar a importância nessa geração, para a difusão das ideias libertárias ou revolucionárias, o trabalho proporcionado pela imprensa, com foi o caso do aparecimento de alguns periódicos operários combativos [principalmente com “O Eco dos Operários” (1850; fundado por Lopes de Mendonça e Sousa Brandão, Henriques Nogueira Vieira da Silva Júnior e J. Maria Chaves); refira-se, porém, que antes disso já tinha saído do prelo jornais de classe, como “O Cortador”, de 1837; a “Alvorada”, jornal republicano de 1848, não propriamente operário; “Eco Metalúrgico”, em 1850]. Curiosamente, o mesmo é possível de verificar em artigos de revistas académicas, como, por exemplo, as polémicas sobre a “questão social” traçadas na revista do Instituto de Coimbra (1853). Por outro lado, não terá sido indiferente a fundação da Associação Operária Mutualista Portuguesa (1839), o aparecimento do Centro Promotor de Melhoramentos das Classes Laboriosos (1852), as “Conferências Democrática do Casino” (1871), o surgimento da associação de trabalhadores “Fraternidade Operária” (1872), a fundação do Partido Socialista (1875; com José Fontana, Azedo Gneco, José Correia Nobre França e José Tedeschi) ou a criação do núcleo português da AIT, que contribuem decisivamente para o impulso do associativismo dos trabalhadores e para uma curial reflexão nacional sobre a “questão operária” e a “miséria” do proletariado.
 
 

Refira-se que a produção teórica sobre o “miserabilismo das classes trabalhadoras” e a sua emancipação eram (então) sufragados pelo movimento proudhoniano, anarquista e libertário e pelo curioso sindicalismo revolucionário [sobre o assunto ver, Alfredo Margarido, “A Introdução do Marxismo em Portugal 1850-1930"; ver, ainda, António Pedro Pita, "A recepção do marxismo pelos intelectuais portugueses 1930-1941"]. Na verdade a influência do pensamento de Proudhon na história das ideias em Portugal, nessa época, é incontornável.

De facto, a recepção ao pensamento de Proudhon [principalmente a partir da sua obra, “O Que é a Propriedade”, de 1840, a que se seguiu o cintilante “Sistema de contradições econômicas ou Filosofia da Miséria”, 1846, que, aliás, sofre uma violenta crítica de Karl Marx, em a “Miséria da Filosofia”, 1847; mas também, foi relevante, pela controvérsia anticlerical que proporcionou, o seu livro, datado de 1858, “A justiça na Revolução e na Igreja”] abre um curioso debate em Portugal, entre figuras de grande valia, como Pedro Amorim Viana (1882-1901), José Júlio de Oliveira Pinto Moreira (um inconfessável adepto de Bastiat e dos poucos que leu Marx), João da Silva Ferrão de Carvalho Mártens, J. J. Rodrigues de Freitas, José Frederico Laranjo, Batalha Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, Sebastião Magalhães Lima, Silva Mendes, entre outros, de boa memória e interessante de acompanhar.   

 J.M.M.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

CONFERÊNCIA – O CENTENÁRIO DO “PORTUGAL FUTURISTA”


CONFERÊNCIA: O Centenário do “Portugal Futurista”;

ORADOR: António Valdemar (Academia das Ciências);

DIA: 25 de Outubro (19,30 horas):
LOCAL: Grémio Literário [Rua Ivens, 37 – ao Chiado], Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: Grémio Literário

Integrado no Ciclo de Literatura Portuguesa, sob organização do Presidente do Conselho Literário do Grémio Literário, Dr. António Aires Gonçalves, o Grémio Literário realiza uma Conferência sobre a estimada, importante e rara revista literária do nosso modernismo, “Portugal Futurista” (Novembro de 1917, nº único), no próximo dia 25 de Outubro.

 
O Orador será António Valdemar, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências, jornalista, investigador, olisipógrafo e autor de vários livros sobre história, literatura, arte e património e um sério conhecedor da obra de Mestre Almada Negreiros. Diga-se que António Valdemar privou com elementos do “grupo e da geração do Orpheu” e ainda privou “com Armando Cortes–Rodrigues, Raul Leal, Alfredo Guisado, destacando–se, contudo, o convívio e a amizade com Almada Negreiros, durante muitos anos. Este concede-lhe entrevistas acerca da sua vida e obra, parte das quais reunidas no livro “Almada, os Painéis, a Geometria e Tudo[in Boletim do Grémio Literário].

A conferência, a realizar no Salão Nobre do Grémio Literário, que terá início às 19 e 30 horas, “será acompanhada com a projeção de fotografias da época”, a cargo do designer Álvaro Carrilho, “de personalidades e acontecimentos culturais, políticos e sociais”.

A não perder.



«O centenário da publicação do primeiro e único número, da revista Portugal Futurista, uma das referências obrigatórias do modernismo, e que em 1917, provocou grande escândalo e foi apreendido pela Policia, vai ser assinalado, no próximo dia 25, no Grémio Literário, com uma conferência proferida por António Valdemar, que tem realizado, nos últimos anos, investigações em bibliotecas e em arquivos, a propósito dos vários aspectos daquele movimento literário e artístico.

Participaram no Portugal Futurista, Almada Negreiros, Fernando Pessoa, Santa Rita Pintor, Carlos Filipe Porfírio, Rebelo Bettencourt, Amadeo de Sousa Cardoso, Raúl Leal, e, ainda, Guillaume Apolinaire, Blaisse Cendras através de Sonia e Robert Delaunay, ao tempo refugiados em Portugal, devido á eclosão da Iª Grande Guerra Mundial.

O Portugal Futurista incluiu, também, montagem de textos de Boccionni, Carra, Russolo e Severini, e as traduções do manifesto futurista ‘Le Music-Haal’, de Marinetti e o ‘Manifesto Futurista da Luxuri’», de Valentine de Saint Point.

J.M.M.