sexta-feira, 24 de junho de 2016

LEITURA, SOCIABILIDADE E OPINIÃO PÚBLICA: O CASO DO GABINETE DE LEITURA DE LOULÉ, 1835-1848: CADERNO DO ARQUIVO

No próximo sábado, 25 de Junho de 2016, no Arquivo Municipal de Loulé, pelas 15 horas, procede-se à apresentação do 10º Caderno do Arquivo.


Desta vez, resulta da conferência feita pela Doutora Patrícia Jesus Palma sobre a questão do Gabinete de Leitura de Loulé e com título completo de: Leitura, Sociabilidade e Opinião Pública: o caso do Gabinete de Leitura de Loulé, 1835-1848.

Pode ler-se na nota de divulgação da obra:

Geralmente, tendemos a considerar que as conjunturas revolucionárias são contrárias ao desenvolvimento cultural. As dificuldades de comunicações, os exílios, as prisões e a insegurança formam um pano de fundo aparentemente pouco favorecedor. O estudo empírico das fontes documentais demonstra, porém, uma realidade mais porosa e complexa, como se torna patente no caso da Sociedade do Gabinete de Leitura de Loulé, fundada a 29 de Dezembro de 1835, pouco depois da Convenção de Évora-Monte (26.5.1834) ter posto termo à guerra civil portuguesa. 
O acervo documental desta Sociedade revela-nos um dos modos como tais contextos, movidos por elevado fervor ideológico, podem desencadear um efeito potenciador de atividades culturais. Ancoradas na reflexão e na discussão pública de ideias, tais práticas revelaram-se suficientemente sólidas para introduzir desvios nas relações entre o Estado e a sociedade civil.” 
Ao longo deste estudo, evidenciar-se-á o modo como a Sociedade do Gabinete de Leitura de Loulé representou um autêntico laboratório da cidadania contemporânea com ramificações em outros concelhos algarvios, em Lisboa e em Mato Grosso, no Brasil. Lia-se para agir e agir era já ler. Neste sentido, propõe-se a integração desta Sociedade no amplo quadro de instituições e de agentes que, no Portugal oitocentista, contribuiu ativa e diversamente para o longo e, por vezes, doloroso processo de valorização cultural, que estabeleceu o acesso ao livro e à leitura como um dos pilares fundamentais das sociedades livres e democráticas. 




Patrícia de Jesus Palma É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – variante Estudos Portugueses, pela Universidade do Algarve (2003), é mestre em Estudos Portugueses – especialidade de Literatura Portuguesa Contemporânea, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Sobre a temática dos Gabinetes de Leitura recomenda-se o seguinte trabalho:
- Ribeiro, Manuela Tavares, "Livros e Leituras no Século XIX", Revista de História e Teoria das Ideias, vol. 20,  Coimbra, FLUC, 1999;


Esta iniciativa tem entrada livre.

A.A.B.M.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

TRAIDOR OU PATRIOTA? JOSÉ DIOGO MASCARENHAS NETO (UM NOTÁVEL ALGARVIO NO LADO ERRADO DA HISTÓRIA)

No próximo dia 25 de Junho 2016, pelas 16 horas, João Nuno Aurélio Marcos apresenta a sua nova obra  "Traidor ou Patriota? José Diogo Mascarenhas Neto (Um notável algarvio no lado errado da história)", editado pela Arandis Editora e com apresentação de Maria João Raminhos Duarte.

Pode ler-se na nota de divulgação do lançamento da obra:
«Traidor ou Patriota? – José Diogo Mascarenhas Neto (Um notável algarvio no lado errado da história)», é o mais recente trabalho do escritor e investigador algarvio João Nuno Aurélio Marcos, autor de obras como «Os Viscondes de Lagoa» e «A caridade e as Instituições de Assistência Pública no Concelho de Lagoa», entre outras.

Nesta sua nova obra, de cariz histórico e biográfico, o investigador dá a conhecer a vida e obra de um dos mais notáveis algarvios de sempre, natural de Alcantarilha. 

Nascido no seio de uma destacada família algarvia, José Diogo Mascarenhas Neto foi inaugurar o Colégio dos Nobres, em Lisboa, onde estabelece ligações de amizade com vários membros da nobreza nacional. 

Frequentou a Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito. Ingressou na Magistratura, tornando-se Juiz-de-Fora de Leiria, onde viria a casar (desse casamento descende, entre outros, Mouzinho de Albuquerque), foi igualmente corregedor de Amarante e de Guimarães e Desembargador da Casa da Suplicação. No entanto, não é enquanto magistrado que José Diogo adquire o seu maior prestígio e dimensão histórica. 

Em 1791 foi Superintendente Geral das Calçadas e Estradas, tendo dirigido a construção da primeira estrada Lisboa/Porto. 

Foi, igualmente, Superintendente Geral dos Correios e Postas do Reino, sendo por muitos considerado como o fundador dos correios em Portugal. Foi por iniciativa sua que foram colocadas nas ruas as primeiras placas de toponímia e atribuído um número de polícia a cada casa, facilitando a distribuição postal.

Liberal, com ligações à Maçonaria, Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa e sócio correspondente da Sociedade do Museu de Paris, foi preso em 1810, sendo exilado em Inglaterra e na França, onde se manteve até 1821.

A apresentação da obra, publicada pela Arandis Editora, irá realizar-se na casa onde José Diogo Mascarenhas Neto nasceu, em 1752, a Quinta da Cruz, actual «Hotel Capela das Artes», em Alcantarilha, no próximo sábado, dia 25 de Junho, pelas 16 horas. O espaço escolhido para a apresentação foi o Lagar de Azeite da antiga quinta, o primeiro a funcionar a vapor em Portugal.

A apresentação da obra estará a cargo da Professora Maria João Raminhos Duarte.

Uma oportunidade para os participantes conhecerem a Quinta da Cruz, actual Hotel Capela das Artes, podendo-se apreciar a vertente arquitectónica de uma casa senhorial cujas origens remontam ao Século XV, que integra uma capela consagrada no Século XVIII pelo Bispo Avelar. A rodear a casa, além de um vasto património histórico, como o poço medieval que abasteceu de água Alcantarilha até meados do Século XX, encontram-se peças do lagar de azeite e inúmeras oliveiras, a mais antiga das quais com 1.500 anos de idade. 

Uma iniciativa louvável de divulgação de uma figura ilustre do Algarve com uma acção importante na imprensa da época e como autor de uma obra muito respeitável ao nível do desenvolvimento das comunicações em Portugal durante o século XIX, em especial a publicação Annaes das Sciencias, das Artes e das Letras.

Para saber mais sobre a figura de José Diogo de Mascarenhas Neto recomendamos um conjunto de sugestões abaixo:

MOURA, Fernando , José Diogo Mascarenhas Neto- O Homem da Mudança, Códice, nº2, 2005, p. 22-33;
- CARNEIRO, Maria Isabel S., As casas dos cantoneiros do Algarve: da conservação das estradas a património a conservar, vol I, Departamento de Ciências Sociais e de Gestão, Universidade Aberta, Lisboa, 2011.
- REIS, Fernando José Egídio, Os Periódicos Portugueses de Emigração (1808-1822). As Ciências e a Transformação do País, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, Lisboa, 2007.

Uma novidade bibliográfica que contribui para divulgar a  personalidade e a acção que promoveu em prol do desenvolvimento do País.

A.A.B.M.

domingo, 19 de junho de 2016

AS MULHERES NA MAÇONARIA (PORTUGAL 1864-1950)



LIVRO: As Mulheres na Maçonaria (Portugal 1864-1950);
AUTOR: Fernando Marques da Costa;
EDIÇÃO: Editora Âncora (Campo da Comunicação), 2016, p. 41

Este trabalho de investigação tem como objectivo a história das diversas lojas maçónicas que, entre 1864 e 1950, contaram com a presença de mulheres, identificando o seu percurso, objectivos e membros que as compunham. Procura-se, também, identificar o modo como os diferentes intervenientes interpretaram a questão da igualdade de género dentro da maçonaria, seja do ponto de vista dos direitos de admissão, seja na autonomia administrativa e de igualdade ritual. São analisados, ainda, os momentos de conflito que puseram em causa essa igualdade e que terminaram sempre com o afastamento das mulheres da maçonaria, bem como aqueles em que se ensaiaram experiências inovadoras. O estudo está complementado com um conjunto de anexos onde se publicam alguns documentos inéditos existentes, quer em arquivos privados, quer em bibliotecas estrangeiras”  [AQUI]
 
“ … Confesso que não tinha intenção de refazer o livro [NOTA: Fernando Marques da Costa publicou a obra pioneira “A Maçonaria Feminina”, Editorial Veja, Colecção Janus, 1978, p.181, com base em documentação inédita e da “luta constantes pela igualdade de direitos face ao homem dentro e fora da Maçonaria” – obra completamente esgotada. É desse livro que se refere o autor]. Mas, a aquisição recente de vários espólios, onde se incluíam, designadamente, documentos sobre a presença de mulheres na maçonaria, estimulou a vontade de o fazer. Os novos documentos puseram-me em contacto com um processo respeitante a uma disputa no seio da Loja Afonso Costa, de Lisboa, em 1950, onde, com surpresa descobri referências à existência de uma loja feminina denominada 'Alvorada'. Noutro conjunto documental, encontrei dados desconhecidos sobre a Loja Direito e Razão, da Confederação Maçónica Portuguesa, de 1864. Por último, a doação à Biblioteca Municipal da Figueira da Foz do espólio da Loja Fernandes Tomás, da qual dependia a loja de adopção 8 de Dezembro, completou a lista de incentivos de que, aparentemente necessitava para escrever.
 
 
À data, pouca coisa existia escrita sobre a história da maçonaria em Portugal e ainda menos sobre a sua componente feminina. Hoje, sobre a primeira, existem diversos trabalhos de qualidade, por isso se eliminaram os capítulos iniciais do livro, que faziam um enquadramento histórico, inútil e ultrapassado pelas obras de vários historiadores.
 
(…) A história da maçonaria é um território de equívocos. Equívocos que incorrem os maçons, os antimaçons, os historiadores militantes ou mesmo os mais frios profissionais. Para a que a culpa não morra solteira é bom referir que tanto equívoco foi criado pela maçonaria.
 
(…) a maçonaria teve sucessivamente de fazer e refazer, quer a sua história, quer a dos graus que compunham os seus diversos ritos  e, tal  como as Corporações de Pedreiros, de que se reclama herdeira (…) de igual modo se perdeu no acto de se recrear e mitificar a sua história. A ‘ideia’ essencial que dá corpo às Constituições de 1717 dilui-se no meio de uma exuberante bibliografia pró e antimaçónica. Essa exuberância é, ela própria, sinal de uma prolixidade de sentidos e propósitos em que a maçonaria se desdobrou ao longo dos séculos XVIII e XIX … “ [pp. 14-17 - sublinhados nossos]
 
J.M.M.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

BENTO DE JESUS CARAÇA: RECORDADO NO MUSEU DO ALJUBE

Bento de Jesus Caraça vai ser recordado amanhã, 17 de Junho de 2016, pelas 18 horas no Museu do Aljube em Lisboa, com uma exposição bibliográfica e testemunhas de quem o conheceu e investigou o seu percurso biográfico, como Helena Neves, João Caraça, Cristina Antunes e Diana Andringa. No âmbito do ciclo Intelectuais e Artistas da Resistência que tem vindo a ser promovido nos últimos meses com organização do Professor Luís Farinha.

Pode ler-se na nota de divulgação:

No dia 17 de junho, às 18 horas, temos uma evocação de Bento de Jesus Caraça - vida e obra: com Helena Neves e João Caraça e a presença de Cristina Antunes e Diana Andringa, realizadora e autora, respetivamente, do documentário «Bento de Jesus Caraça. Matemático Cidadão». O Museu do Aljube reúne ainda um conjunto de documentos originais, numa mostra biobibliográfica de Bento Caraça, que estará patente ao público até 30 de junho´.

Uma iniciativa a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

CAMÕES, JUSTIFICAÇÃO DO 10 DE JUNHO


Camões, justificação do10 de Junho” – por António Valdemar, in Público


“A polémica em redor dos feriados nacionais não atingiu o 10 de Junho. Sejam quais forem os aproveitamentos de governos e governantes de vários regimes (monarquia absoluta e monarquia liberal, Iª república, salazarismo e IIª república) Camões não se pode reduzir aos jogos partidários e aos expedientes da retórica política.
A leitura d’Os Lusíadas e outras obras que nos legou ultrapassa as manipulações arbitrárias e circunstanciais. O homem – tal como o retrataram os que o conheceram – manifestou-se com frontalidade e independência. Não recorreu – como era habitual na época – a um prefaciador para fazer a apresentação d´Os Lusíadas, nem escondeu o protesto contra a situação que o País vivia.

A Inquisição estava instalada desde 1536. A Censura encontrava-se em pleno funcionamento. Os livros eram submetidos à leitura prévia e só podiam ser impressos e postos a circular depois da autorização do Santo Oficio. Assim aconteceu, em 1572, com Os Lusíadas. Sousa Viterbo e Aquilino Ribeiro analisaram hipóteses do que terá sido truncado no manuscrito. Também se pronunciaram acerca de intervenções do censor – em cumplicidade negociada com o Poeta - que fabricou versos atribuídos a Camões, para deixar passar outros.
Mesmo assim, em sucessivas estrofes d’Os Lusíadas, deparamos um sentido crítico em torno de questões teológicas, políticas e sociais. Apelos contínuos para a urgência da liberdade e justiça para uma sociedade construída nos princípios da honra e nos valores da solidariedade.

Nas horas de crise e de recuperação de identidade nacional, Os Lusíadas acompanharam a resistência ao domínio filipino, as lutas liberais no século XIX, a formação do Partido Republicano, a aproximação de Portugal das exigências e solicitações da Europa. Incorporaram, na síntese de Jaime Cortesão, os factores democráticos da constituição de Portugal, o humanismo universalista dos portugueses, a abertura para o mundo e a invenção da modernidade. Gago Coutinho – também um estudioso de Camões que se envolveu em controvérsias sobre a dupla rota de Vasco da Gama - levou uma edição d’Os Lusíadas, na travessia aérea do Atlântico.
Transpondo em múltiplos aspectos as outras grandes epopeias, Camões coloca - nos perante um Portugal conquistado palmo a palmo, com homens inteiros, que olham de frente, na terra e no mar, os impulsos cósmicos da natureza. Viveram a aventura e a descoberta e partilharam a fatalidade e a apoteose.

Toda esta energia cívica incentivou o entusiasmo de Teófilo Braga, numa campanha de opinião pública, para celebrar, em todo o País, o III centenário da morte de Camões. A informação existente indicava o dia 10 de Junho, como data da morte. Foi exatamente nesse dia que se realizaram, em 1880, as comemorações com a participação de intelectuais e políticos e significativa mobilização popular. Permaneceram memoráveis as cerimónias que decorreram em Lisboa. Marcaram a coesão do Partido Republicano conciliando tendências e os grupos dispersos no pensamento e na acção.
Proclamada a Republica, a 5 de Outubro de 1910, o Governo Provisório, presidido por Teófilo Braga, e para afirmar a supremacia do poder civil sobre o poder religioso, deixou de reconhecer os dias santificados inscritos no calendário litúrgico. Decretou, logo a 12 de Outubro, os seguintes feriados nacionais e assim designados: 1 de Janeiro, consagrado à Fraternidade Universal; 31 de Janeiro, consagrado aos precursores e aos Mártires da Republica; 5 de Outubro, consagrado aos Heróis da Republica; 1 de Dezembro, consagrado a autonomia e independência e restauração da Pátria; 25 de Dezembro, consagrado à Família. Além destas efemérides cada município, segundo o critério das respectivas Câmaras, podia assinalar o seu feriado. Lisboa escolheu o 10 de Junho que, sob a égide de Camões, em 1880, uniu o Partido Republicano.

A Constituição de 1933 revogou a legislação existente nesta matéria. Todavia, para Salazar o 10 de Junho começou por ser o dia da raça, uma das expressões salientadas no discurso proferido na inauguração do Estádio Nacional do Jamor, em 1944, ainda em plena Guerra Mundial, quando os ódios raciais continuavam a enviar judeus para os campos de concentração. Terminada a guerra, em Maio de 1945, perdurou a denominação dia da raça. O decreto 34. 596, de 4 de Janeiro de 1952, determinou um reajustamento com base na Concordata estabelecida com a Santa Sé, repondo, tal como no tempo da monarquia, nos feriados nacionais, dias santificados impostos pela igreja católica.
No pós-II Guerra Mundial e no pós entrada de Portugal para as Nações Unidas procurou-se retirar estigmas do Acto Colonial, proclamar virtudes da colonização portuguesa, ausência de racismo, evidência de sociedades multiculturais inseridas no todo nacional. Os movimentos de emancipação africana, nos anos 50, anunciavam a iminência de guerrilhas em três frentes de combate Angola, Guiné e Moçambique.

A partir de 1963, Salazar transformou o 10 de Junho no Dia de Portugal para exaltar as Forças Armadas e prosseguir a Guerra Colonial. Marcelo Caetano manteve a tradição. Durante dez anos, o Terreiro do Paço, foi o grande palco das condecorações de vivos e mortos que se distinguiram em operações militares. Com o 25 de Abril, a independência de Angola, Guiné e Moçambique e outros territórios ultramarinos, o 10 de Junho ficou a chamar-se não só Dia de Portugal, mas também de Camões e das Comunidades Portuguesas.
 
O regresso de Camões, exemplo de uma vida pelo mundo em pedaços repartida, veio reforçar um símbolo do imaginário colectivo. Os Lusíadas representam motivo de reflexão para vencer a impaciência e sacudir o fatalismo em qualquer de tempo de angústia e incerteza. Camões celebrou as memórias gloriosas de Portugal, sem virar as costas às tensões políticas e às realidades sociais. Daí a actualidade das suas advertências. Para reencontrar o homem que, em cada dia, se revela, se oculta e se afirma, na aspiração da liberdade. Para romper o medo, banir a superstição e quebrar as algemas das tiranias passadas, presentes e futuras.

Camões, justificação do 10 de Junho – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Academia das Ciências], jornal Público, 10 de Junho de 2015, p.57 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

domingo, 5 de junho de 2016

UMA HISTÓRIA MAL CONTADA OU A TEORIA DO APAGÃO - PARTE II



Uma história mal contada ou a teoria do apagão” – por Diogo Ramada Curto, in Público
 
"Todos estes pontos de um inventário mais vasto são minudências que não dão conta do argumento principal que nesta biografia se defende. Um argumento, de resto, que não é inédito. Já Fradique dissera, acerca desse personagem cheio de talento que era Pacheco, deputado, ministro da Marinha, presidente do Conselho e conselheiro de Estado, que ele e Portugal se completavam: “sem Portugal – Pacheco não teria sido o que foi entre os homens; mas sem Pacheco – Portugal não teria sido o que é entre as nações”. No fundo, Pacheco era uma espécie de microcosmos, um Portugal em ponto pequeno, um laboratório para se compreender algo de mais vasto, uma mini-pátria.

Ora, MFB, no momento em que põe de lado o seu método narrativo, também se alcandora à grande teoria sobre a pátria. E lá vem, então, a ideia sobre Portugal, formulada com clareza, para que não restem dúvidas, nem apelos à complexidade: “A história contemporânea de Portugal assemelha-se a uma série de apagões” (p. 146). Sem mais, para que os “indígenas” – essa massa ignara e analfabeta de portugueses, referidos ao longo do livro com uma proverbial condescendência – possam entender o sentido da história. Ou seja, o Liberalismo e a República apagaram o absolutismo e o miguelismo. Seguiu-se o Estado Novo, a “revanche de um país profundo, católico e conservador que durante cem anos (1834-1926) não tivera a oportunidade de se manifestar”; Salazar pôde, então, “apagar esses cem anos ‘heréticos’ e ‘anárquicos’; por sua vez, “o 25 de Abril apagou o Estado Novo” e, a partir de então, todo o país foi dominado pela esquerda, até que em Maio de 2014 se começou a fazer luz, com o aparecimento de um novo diário electrónico (pp. 144-146).

Um novo apagão se anuncia, perguntar-se-á no estilo profético de quem anuncia a boa nova? Haja esperança! E pouco importa, a este último respeito, que MFB acabe por constatar, acerca das últimas décadas: “sob o aspecto da liberdade e diversidade intelectuais, Portugal mudou muito. Desde logo desapareceu a hegemonia comunista assim como o império da cultura e língua francesas” (p. 508). O certo é que a teoria histórica do “apagão” fica demonstrada no acto da sua enunciação. Talvez mesmo se imponha a essa outra tese de um escritor e crítico exímio: “desde 1820 a 1988 a Direita governou, em números redondos, cento e quinze anos e a Esquerda cinquenta e dois” (Vasco Pulido Valente, Às avessas, Assírio & Alvim, 1990, p. 248). Acredito mesmo que, nos círculos mais devotos, a nova tese transformar-se-á em argumento de autoridade e, a partir daí, em dogma.

Essa mesmíssima teoria histórica do apagão é projectada, pela própria autora, na vida que toma por objecto de análise. Isto é, a mesma descontinuidade do Portugal contemporâneo – aquela que é própria de um apagão eléctrico – encontra-se plasmada na trajectória biográfica de AB. Da infância e adolescência em Vila Realficou pouco”, pois deu-se uma “mudança abrupta de direcção sem ficar a olhar para trás” (p. 36). Da saída do PC e da sua experiência de controleiro do Partido na Suíça, na década de 1960, também nada ficou, sendo de notar que já “não era o primeiro nem seria o último corte que Barreto operava na vida sem guardar angústias ou recordações nostálgicas” (p. 68). A mesma descontinuidade fez-se sentir, de novo, no que escreveu em 1973, relativamente ao que publicara apenas dois anos antes: Barreto era, então, um homem diferente, o seu pensamento tinha mudado (p. 92). O rol dos momentos de ruptura poderia continuar, mas para compreender todo esse paralelismo entre Portugal e AB – mundo grande e mundo pequeno, Portugal e Portugalete, ambos com os seus sucessivos e simultâneos apagões – é inevitável referir, novamente, esse figurão: o Pacheco de Fradique.

Claro que nem tudo são descontinuidades na vida de AB narrada por MFB. Há, pelo menos, um momento de autêntica antecipação. Foi quando AB expôs a sua tese acerca do Estado Novo, nos idos de 1970. Nada mais, nada menos do que 24 anos antes daquela que parece ter sido “a primeira ruptura historiográfica sobre o tema”, estabelecida por Fernando Rosas (MFB dixit, p. 82). Mais concretamente, a arte de fazer durar atribuída a Salazar, um sábio político capaz de estabelecer equilíbrios e formas de arbitragem, envolvendo monopólios e pequenos grupos, grandes agrários e pequenos proprietários, toda essa teoria do “equilíbrio arbitrado”, que atrasou o progresso capitalista, já se encontrava num texto de AB. Ou seja, a grande ruptura nas interpretações do Estado Novo, se existe, foi ideia de AB.

Mas terá sido mesmo assim? É normal que dois intelectuais de esquerda da mesma geração, em momentos diferentes do seu radicalismo, tivessem procurado disputar a interpretação canónica do Estado Novo, em última análise, da autoria de Álvaro Cunhal e de outros. Porém, considerar que a transformação em tese de análise historiográfica da auto-representação do equilíbrio corporativo do Estado Novo, encimado por Salazar no papel de árbitro, foi capaz de criar uma ruptura de interpretação é contribuir para a formação de um mito historiográfico. E, acrescente-se, não haverá em tudo isto um toque de déjà vu? Até parece, sobretudo no confronto com as interpretações historiográficas dos anos 1950 e 1960, mais informadas pelas ciências sociais – bem longe dos caminhos da história narrativa –, sobre como os ditadores integraram as elites nos seus regimes e criaram instituições para regular conflitos e tensões entre grupos de interesse?

Muito poderia ser dito de outras antecipações, mas MFB arrisca pouco. Confesso que, ao ler as páginas acerca do modo como, em 1973, AB teorizou acerca de Portugal, situado entre capitalismo atrasado e desenvolvimento subalterno, esperei em vão pela óbvia conclusão: uma antecipação das teses da “semi-periferia” formuladas, mais tarde, por Boaventura de Sousa Santos (p. 109-111). Porém, são as constantes referências e insinuações galantes às namoradas e às mulheres, a começar pela falta delas no Portugal lúgubre de Vila Real, que tornam de novo inevitável recapitular o que Eça escreveu acerca de Fradique: “a influência deste ‘feminino’ foi suprema na sua existência”. Impossível, também, deixar de apontar o momento em que, ao ser nomeado ministro, AB acorreu a comprar os fatos escuros no Lourenço & Santos (pp. 154, 156). É que também Fradique Mendes escreveu a Sturmm, o célebre alfaiate de Conisberga, dizendo-lhe que punha “no dorso de toda a sociedade essa casaca de conselheiro, lisa, insípida, rotineira, pesabunda – (...) criando um país de conselheiros”.

Mais importante, ainda, é perceber o sentido do conjunto da obra escrita de AB. As suas desconfianças em relação à teoria, desde que rompeu com o marxismo, a sua atracção pelos factos e estatísticas, no fundo a evidência de uma almejada realidade, e depois a insatisfação pelo trabalho já feito, a indicar uma enorme expectativa nessa obra de interpretação sobre a pátria – uma espécie de novo Portugal contemporâneo – a publicar um dia. No Verão de 2006 ou 2007, nos três meses passados em Oxford, “longe do mundo e das tentações que em Lisboa encontra sempre ao voltar da esquina”, AB esteva quase a alcançar esse objectivo (p. 380). Chegou, então, às 260 páginas! Infelizmente, todo esse trabalho “não serve para nada”, segundo as próprias palavras de AB (id.). Entretanto, meteu-se o governo de Sócrates, a crise internacional e a Troika. Os trabalhos de recolha estatística, agora com o apoio profissional da PORDATA, também se interpuseram, impedindo que o livro chegasse ao fim. Porém, AB não desistiu: em Março de 2014, “estava decidido a iniciar precisamente essa prova final – o livro da sua vida” (p. 381).

O leitor não pode deixar de se comover ao ler essas páginas. Um autêntico combate em nome da escrita de um livro, uma súmula interpretativa, a que AB chamou em tempos a “suma teológica” (p. 381). Mordidos de curiosidade, apetece perguntar: estará AB, ainda, a escrever essa tal grande obra? E se assim não é, o que lhe falta? Quais os obstáculos? Excesso de distracções? O turbilhão dos media? Informação em excesso? Não sei, e o livro de MFB promete uma explicação, mas acaba por não fornecer resposta certa. É que é preciso evitar que um dia – esperemos que seja daqui a muitos anos – se venha a discutir se a obra sempre existe ou se apenas desapareceu. De qualquer modo, mais uma vez, é impossível esquecer a discussão póstuma sobre a obra de Fradique. Este, com a sua superior inteligência, deixara apenas o poema intitulado Lapidárias e, em latim, o Laus Veneris Tenebrosae. A Ramalhal figura considerou que os seus papéis, enviados primeiro para a “vala comum” e, depois, à guarda dos príncipes de Palidoff, na Carcóvia, continham apenas memórias. Todavia, Eça concluiu que, afinal, “nesse cofre de ferro, perdido num velho solar russo, não existe uma obra – porque Fradique nunca foi verdadeiramente um autor”.

Uma leitura da biografia de AB atenta aos pontos de contacto com uma série de figuras criadas por Eça de Queiroz pode ser discutível, mas tem a vantagem de alertar para a necessidade que existe de qualquer autor de uma narrativa, historiador de ofício ou não, conseguir controlar melhor o que escreve e os vários sentidos da sua prosa. É que a ingenuidade narrativa de MFB não resiste ao confronto com a escrita de um Eça, que sabe tirar partido da ironia, das ambiguidades e dos duplos sentidos. A falta de cruzamento de fontes, de instrumentos de prova, também debilita o livro. AB não tem responsabilidade, pois não escreveu, nem quis autorizar, apenas “deu sinais de que no essencial se revia no que eu escrevera” (MFB dixit, p. 19). Foi MFB, sem dúvida com boas intenções e com uma admiração genuína por AB, que alcançou um resultado inesperado, pois acabou por aproximar, injustamente, AB de Cornuski, Pacheco, Fradique e Sturmm.

Enfim, segundo MFB, “António Barreto tinha tudo para ser tudo o que há para ser em Portugal” (p. 18). O mesmo se passava com Pacheco, na célebre carta VIII de Carlos Fradique Mendes ao Senhor Mollinet: ‘Portugal todo, moral e socialmente, está repleto de Pacheco. Foi tudo, teve tudo’.

Uma história mal contada ou a teoria do apagão – por Diogo Ramada Curto, jornal Público / Ípsilon, 3 de Junhode 2016, p.24-26 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

UMA HISTÓRIA MAL CONTADA OU A TEORIA DO APAGÃO - PARTE I


 

Uma história mal contada ou a teoria do apagão” – por Diogo Ramada Curto, in Público

[Uma leitura da biografia de António Barreto atenta aos pontos de contacto com uma série de figuras criadas por Eça pode ser discutível, mas tem a vantagem de alertar para a necessidade de qualquer autor de uma narrativa conseguir controlar melhor os vários sentidos da sua prosa. O inventário das banalidades que resulta da leitura desta obra é extenso. Melhor seria se a autora tivesse cortado aquilo que vem à baila numa conversa oral, mas que se afigura pouco relevante numa narrativa biográfica]

A biografia de António Barreto (AB) escrita por Maria de Fátima Bonifácio (MFB), uma experiente historiadora de ofício, ocupa 527 páginas, divididas em 24 capítulos, que correspondem a duas partes distintas. Na primeira, o biografado é visto como actor político, narrando-se o seu meio familiar, educação com entrada na Universidade de Direito de Coimbra, fuga à tropa com exílio na Suíça, regresso a Portugal em 1974, relações com o PS e Mário Soares, passagem pelo Ministério da Agricultura no I Governo Constitucional (1976-78), retirada da política activa aos 49 anos e actividade de comentador político na televisão e nos jornais, etc. A segunda parte é dedicada ao exame das principais ideias daquele que se toma por objecto, com base numa leitura das suas publicações mais relevantes. No seu conjunto, o género biográfico é aquele que corresponde melhor ao projecto de uma história narrativa, tal como tem sido defendido e praticado pela autora em vários livros sobre políticos do século XIX: Costa Cabral, Duque de Palmela e Rodrigo da Fonseca Magalhães.

Na base deste trabalho estão 17 entrevistas, realizadas entre 2013 e 2015, que irão ser depositadas para consulta na instituição pública de investigação em que ambos, biógrafa e biografado, trabalharam durante décadas. As fontes de MFB são também constituídas pelos livros, artigos e discursos da autoria de AB. Assinalável é o cuidado com que MFB distingue – através de um sistema de aspas – a voz do biografado e as suas próprias opiniões. Uma distinção importante, uma vez que é assumida a proximidade, em termos de relação de amizade, de dois colegas de investigação e de uma superlativa admiração que MFB nutre por AB.
 
Mais difícil de entender é o facto de esta biografia, nas palavras da sua autora, surgir como “livro não autorizado”, com base no argumento de que AB se limitou a conceder as entrevistas e, depois, a corrigir alguns factos ou datas. Ou seja, AB não interveio, nem condicionou a autora. Ora, é justamente por se apresentar com o rótulo de biografia “não autorizada” que este livro coloca, desde logo, muitas reservas. Para merecer tal estatuto, deviam ter sido consultadas outras fontes e recolhidos mais depoimentos, pelo menos os daqueles que se cruzaram ao longo da vida com AB e com ele conviveram. A prova, o recurso ao contraditório, o cuidado para não repetir e sublinhar, por via analítica, as auto-representações do biografado são instrumentos de que nenhum biógrafo pode prescindir, mesmo quando reivindica para si, repetidas vezes, a liberdade de narrar. Tivesse Barreto escrito as suas memórias (por exemplo, sob a forma de entrevista ou de autobiografia tout court), já o estatuto deste livro não levantaria esse tipo de dúvidas. Mas, nesse caso, diga-se, teria de concorrer com as autobiografias de Rosado Fernandes e João Freire, escritas num estilo claro e enxuto, difícil de ultrapassar, sobretudo a primeira mais irónica, sendo a segunda de grande simplicidade, transparência e riqueza de informação.
 
Ainda a propósito do cruzamento de fontes, o leitor fica sem perceber, na crucial passagem de Barreto pelo Ministério da Agricultura – “a grande oportunidade da minha vida política”, segundo AB (p. 188) – , quais eram os pontos de vista dos seus colaboradores mais próximos. Nem o nome do seu Chefe de Gabinete é referido, tão-pouco o seu testemunho mencionado. A narrativa acerca da Lei Barreto é reduzida a um quadro onde AB se confrontou com as posições do antigo ministro da mesma pasta, Oliveira Baptista, e na sua esteira com os fretes feitos por Lopes Cardoso ao PC; mais tarde, com a saída do governo de AB, a mesma lei foi denunciada por Mário Soares, que a considerou mal feita. De resto, a sua formulação surge no livro completamente desinserida de um quadro onde muitos agrónomos e especialistas em economia rural tinham opinião – Henrique de Barros, Castro Caldas, Afonso de Barros, Francisco Avillez, Gomes da Silva, Sevinate Pinto, etc. Em lugar de descrever o contexto e procurar reconstitui-lo através de diferentes testemunhos, a autora limita-se a uma banal e genérica troca de opiniões entre AB e MFB sobre os limites da decisão política: “o poder de transformação da sociedade é muito reduzido”, sustenta o primeiro, acabando a autora por responder com a pergunta, mais ou menos retórica, “que tipo de líder se poderá elevar acima delas [limitações] e visionar a transformação da sociedade?” (p. 189).
 
Aliás, o inventário das banalidades que resulta da leitura desta obra é extenso. Melhor seria se a autora tivesse cortado aquilo que vem à baila numa conversa oral, mas que se afigura pouco relevante numa narrativa biográfica. Quatro exemplos, de uma vasta série. Primeiro, seria dispensável a referência aos pintores italianos do Renascimento, vistos em reproduções na infância e que, ainda hoje, motivam o gosto pelas visitas de AB a “cidades estrangeiras para ver certos quadros” (p. 29). É que também o polaco G. Cornuski, professor e crítico que escrevia na Revista Suíça, com o qual Fradique Mendes se correspondia, se deixava esmagar pelo sublime frente às telas de Ticiano (que MFB, na sua vasta cultura geral, cita com apelido e tudo – Ticiano Vecellio).
 
Depois, sem sair das comparações com esse mundo tão irónico quanto sardónico de Eça, talvez valesse a pena repensar uma das tensões que atravessa este livro: a preocupação com a nação, com Portugal e os seus problemas, em contraste com a sua ‘irrelevância’ ou pequenez quando visto a partir do estrangeiro (pp. 38, 107, 117). Sobre esta questão, há uma passagem que merece destaque, quando MFB diz que AB ‘pensou em naturalizar-se suíço, para transformar o país de exílio numa segunda pátria’ (p. 118). É que também a Fradique Mendes ocorreu o mesmo pensamento, quando sentiu vontade ‘em se nacionalizar nas terras alheias’.
Uma terceira banalidade surge quando MFB regista que, desde o 28 de Setembro de 1974, se tornou “cristalino para António Barreto‘ que o PC 'quer tomar conta da situação’; que o ‘PS, ou uma parte do PS, vai consentir’” (p. 123). Terá AB sido mesmo o único a constatá-lo? Creio que não, pois essa foi uma ideia partilhada por muitos. E como pode o papel da extrema-esquerda ficar de fora da referida visão cristalina? Não será isso o resultado de um anticomunismo feroz apenas preocupado com o PC e que, por isso mesmo, não presta atenção às outras esquerdas mais radicais?
 
Por último, não menos banal é apresentar o estatuto académico de AB como uma espécie de “apêndice curricular” (p. 211). Ao trivializar um dos proventos de AB – que de tão banal passa a funcionar como um acessório – , a afirmação acaba por ser chocante nos tempos que correm, em que uma nova geração extremamente bem preparada não tem condições para prosseguir uma carreira de investigação. Pior ainda é que tal constatação vem acompanhada, no livro, de uma celebração dos “anos dourados” da instituição académica que acolheu AB, onde “reinava total liberdade e independência do espírito” (pp. 403-404). É que, não se esqueça, AB ali trabalhou durante mais de um quarto de século, porventura em regime de dedicação exclusiva. A liberdade para fazer o que bem lhe aprouvesse – num quadro de liberalismo suportado pelo Estado –, foi-lhe concedida pela tranquila estabilidade do orçamento, com o objectivo de proporcionar condições para a pesquisa e obra que lhe correspondesse.
 
[CONTINUA]
 
Uma história mal contada ou a teoria do apagão – por Diogo Ramada Curto, jornal Público / Ípsilon, 3 de Junho de 2016, p.24-26 – com sublinhados nossos.
 

[J.M.M.]

sábado, 4 de junho de 2016

CONFERÊNCIA - OS ESCRITORES PORTUGUESES E A MAÇONARIA



CONFERÊNCIA: “Os Escritores Portugueses e a Maçonaria”;

ORADOR: AntónioVentura;
DIA:
4 de Junho (16 horas);
LOCAL: Casa da Escrita (Rua Dr. João Jacinto, 8), Coimbra;
ORGANIZAÇÃO: Casa da Escrita – C.M. de Coimbra


J.M.M.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

GUERRA NA BPMP


Na Biblioteca Pública Municipal do Porto esteve patente uma exposição que encerrou no passado dia 31 de Maio de 2016. Sobre a documentação presente na exposição pode ler-se a nota de Adriano Silva (bibliotecário na referida biblioteca):

Sabia o leitor que há guerra na Biblioteca Pública Municipal do Porto? Na verdade, o leitor pode visitar a exposição “Em tempo de Guerra” na BPMP até ao fim do mês de maio de 2016.
A exposição consiste numa mostra bibliográfica de duas revistas rodeadas de livros. Gostaríamos de saber quantos livros sobre a I Grande Guerra, mas para isso os catálogos tinham de ter assuntos… Quanto às revistas na exposição, há imensos exemplares da “Ilustração Portuguesa” e da “Portugal na Guerra”, onde um jornalista esteve a dormir com as tropas em França, décadas antes da Guerra do Iraque, como ficamos a saber ao ler o subtítulo: «serviço photographico especial junto das tropas portuguezas em França a cargo de Arnaldo Garcez».
Se os leitores quiserem saber quais as 350 publicações militares na BPMP, podem pesquisar no nosso catálogo online (disponível em:http://bibliotecas.cm-porto.pt/), por assuntos: Militares – Periódicos. Podem depois ordenar a listagem resultante, no canto superior direito, pelo ano de publicação ou pelo título.
Mas se os leitores quiserem saber quais as publicações da Primeira Grande Guerra na BPMP, podem pesquisar no nosso catálogo online (disponível em: http://bibliotecas.cm-porto.pt/), por assuntos: Guerra mundial – 1914-1918. Encontra quase 30 títulos de revistas, muito mais do que as presentes na exposição, muitas humorísticas (Miau, O Século Cómico, O Thalassa e O Zé), propaganda francesa (Boletim da Aliança Francesa e Documentos sobre a Guerra), propaganda inglesa (jornal O Espelho), os relatórios da Cruzada das Mulheres Portuguesas, interessantíssimos pelo papel de assistência prestado nesta época, além de vários jornais do Porto, alguns com o título “9 de Abril”, data da Batalha de La Lys, onde podem ser lidos relatos de militares do Porto, além do jornal “O Mutilado da Guerra”, do Porto, onde Paulo Samuel descobriu um inédito de Fernando Pessoa, como publicou na revista literária As Artes Entre As Letras, etc. Algumas destas revistas foram disponibilizadas online pela Hemeroteca Digital (da Câmara Municipal de Lisboa). E muito mais há para descobrir nos assuntos do catálogo online da BPMP….
Texto: Adriano Silva

A.A.B.M.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

AS ENGRENAGENS DO TEMPO: EXPOSIÇÃO E APRESENTAÇÃO DE CATÁLOGO EM SÃO BRÁS DE ALPORTEL

Hoje, em que se assinala o 102º aniversário da fundação do concelho de São Brás de Alportel, em que decorrerão várias iniciativas pela localidade, mas na sexta-feira, dia 3 de Junho de 2016, pelas 18 horas vai ser inaugurada a Exposição As Engrenagens do Tempo e, em simultâneo, a apresentação do catálogo da exposição que procura traçar uma visão histórica e social da localidade entre 1900 e 1930, com alguns dos seus protagonistas, episódios e transformações. O evento decorre no Museu do Trajo, de S. Brás de Alportel.

Pode ler na nota de divulgação do evento na página do municipio de São Brás de Alportel:
Uma visão social de 30 anos da história de São Brás de Alportel

1900-1930

A abertura de uma nova exposição e a apresentação do seu catálogo constitui sempre um momento especial na vida de um Museu. Desta vez demos-lhe o nome de “As Engrenagens do Tempo”, constituindo esta, uma abordagem social das décadas que ladearam o nascimento do concelho de São Brás de Alportel, em 1914, e as suas repercussões nos nossos dias.

A sucessão de lapsos de tempo (1900-1930) apresentados sob a forma de encenações que ocorrem ao longo da exposição, transmitem deliberadamente sensações contraditórias: a harmonia inquieta dos últimos anos da monarquia, os Tempos Revoltos da República e os momentos de euforia pela criação do novo concelho. Ao tempo das trincheiras da Grande Guerra, onde pereceram alguns são-brasenses, sucedem os Tempos de Esperança e Incerteza que, acompanhando a degradação política e económica do país, culminaram na Ditadura e no Estado Novo. Apesar de tudo, uma “engrenagem” relativamente consensual, cronológica, pacífica...

Em determinado momento do longo processo que durou a conceção e montagem da exposição (pouco mais de 1 ano), cerca de uma dezena de jovens artistas plásticos associaram-se ao projeto. Fácil será de perceber que desde então viu-se esfumada a harmonia museológica e instalada a dúvida, a polémica e o confronto. Foi assim, por esta deriva (mais ou menos) cega, que a exposição ganhou novos significados e interpretações, geradores de perplexidades e interrogações que, a nosso ver, constitui um exercício de Museologia Social que há muito exercitamos.

O projeto, a produção e os trabalhos subsequentes devem-se à pequena equipa e aos meios técnicos do próprio Museu a que se juntou um grupo muito vasto de voluntários com competências variadas e uma generosidade sem limites.

O catálogo - o que irá para além do tempo passageiro que durará a exposição é dedicado ao fundador do Museu, o Padre José da Cunha Duarte - que continua a ser, ainda hoje, um dos seus principais sustentáculos.

Quanto ao Museu, os seus últimos anos foram marcados por uma deriva sem destino certo. Este, deixou-se levar pelas suas pessoas que, ignorando definições, foram-lhe descobrindo novas funções, utilidades, conceitos e significados.

À Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel, entidade tutelar, somos devedores da liberdade de ação que sempre nos foi concedida – condição maior para que um museu seja um verdadeiro instrumento de mudança. Da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, sempre o Museu contou com a maior disponibilidade e colaboração.

Texto: Emanuel Sancho

A informação foi retirada DAQUI.

Para conhecer melhor catálogo fica a ficha técnica e o índice do mesmo (Clicar na imagem para aumentar).
Uma iniciativa para a acompanhar  e que se recomenda.

A.A.B.M.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

A CENSURA NO ESTADO NOVO SOBRE O TEATRO UNIVERSITÁRIO: CONFERÊNCIA

Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, tem vindo a realizar ao longo deste ano um ciclo de conferências dedicado ao tema da Censura na Ditadura Militar e no Estado Novo, desta vez tem como convidado o Professor José Oliveira Barata.

Título da conferência: A Censura do Estado Novo sobre o Teatro Universitário.

ConferencistaJosé Oliveira Barata

Local: Museu Bernardino Machado

Contactos
Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79
4760 - 114 Vila Nova de Famalicão


Telefone: 252 377 733
E-mail: museu@bernardinomachado.org
Vila Nova de Famalicão

Entrada Livre

Data: 27 de Maio de 2016

Horário: 21:30 h

Uma iniciativa a que desejamos o maior sucesso.

A.A.B.M.

VISITA GUIADA – CONFRARIA DOS CALDEIREIROS E IGREJA DE S. LUIS DOS FRANCESES



VISITA GUIADA – Confraria dos Caldeireiros e Igreja de S. Luís dos Franceses

DIA:
28 de Maio 2016 (10,45 horas);

LOCAL ENCONTRO: Rua das Portas de Santo Antão/Beco São Luís da Pena [Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Explore Latitudes

No seguimento da procura das Confrarias que constituíram A Casa dos Vinte e Quatro, visita guiada à Confraria dos Caldeireiros - Igreja São Luís dos Franceses de Lisboa, na Rua Portas Santo Antão e Baixa Pombalina

Confraria dos Caldeireiros, os primeiros comerciantes franceses e os caldeireiros oriundos da Bretanha, residentes em Portugal no Séc. XV, estão na origem da Confraria que pretendia prestar solidariedade, encontros sociais e cuidados aos mais necessitados, por isso foi construído um hospital para esta Confraria.
 
 
Igreja S. Luís dos Franceses de Lisboa, a igreja foi fundada em 1552 sob a invocação de São Luís, rei de França, destinada a servir de local de culto à comunidade francesa residente em Lisboa. Em 1622 concluem-se as obras, e no primeiro quartel do século XVIII colocam-se os altares marmóreos de fabrico italiano, bem como a pintura de um deles segundo encomenda de Luís XV de França.

Em 1755, a Igreja, situada nas portas de Santo Antão, sofre grandes danos com o terramoto e com o incêndio subsequente. Em 1768 colocam-se os três altares marmóreos, executados pelo escultor genovês Pasquale Bocciardo, segundo encomenda de Luís XV de França. No século XIX o imóvel passa para a posse do Estado Francês e em 1882 é instalado o órgão realizado em Paris por Aristide Cavaillé-Coll. No andar superior, em três salas, funcionava o hospital de São Luís, da Confraria do Bem-aventurado São Luís, que socorria todos os franceses pobres e necessitados de auxílio médico. Actualmente o hospital situa-se no Bairro Alto [AQUI]

 PROGRAMA:

  • Visita orientada à Confraria dos Caldeireiros - Igreja São Luís dos Franceses de Lisboa, na Rua Portas Santo Antão e Baixa Pombalinaa

  • 10,45h | Encontro na Rua das Portas de Santo Antão / Beco São Luís da Pena - Lisboa

  • 11,00h | Pontualmente, início da visita guiada àConfraria dos Caldeireiros, Igreja S. Luís dos Franceses e Baixa Pombalina

  • 12,30h | Café na Baixa Pombalina

Condições de Inscrição - VER AQUI

J.M.M.