segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

[TEXTO] CELEBRAÇÃO OFICIAL DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820 E DE HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS, NA FIGUEIRA DA FOZ


TEXTO LIDO NA CELEBRAÇÃO OFICIAL DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820 E DE HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS NO DIA 24 DE AGOSTO DE 2014, NA FIGUEIRA DA FOZ, pela Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto

Celebrando mais um aniversário da alevantada jornada que raiou no dia 24 de Agosto de 1820 na cidade do Porto, esse grito memorável da regeneração da Pátria levado a cabo por homens livres e virtuosos, cumpre-me, em nome da Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto, evocar a memória desse auspicioso dia e laurear o nosso patrício, o ilustre e venerando Manuel Fernandes Tomás.  

Neste dia de júbilo, que hoje exaltamos, a Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto tem, e terá sempre, o grato prazer de se associar à Homenagem a Manuel Fernandes Tomás, o primeiro dos regeneradores, e exaltar a sua luminosa memória, avivando a sua “recta consciência” e virtudes cívicas, o seu “inabalável apego aos ideais da liberdade” [José Luís Cardoso, 2011], linhas gerais da política vintista para a felicidade do povo e do amor à Pátria.

E é esse o exemplo benemérito e civilizador de Manuel Fernandes Tomás que vale hoje a pena e vale sempre a pena rememorar.

Na verdade - Senhoras e Senhores – o patriótico movimento libertador de 1820, o pronunciamento para a salvação da Pátria, iluminou o país de novas ideias, palavras e máximas políticas, traçando sinais esperançosos para uma nova era, anunciando, consagrando e tornando público as venturosas tríades: “Princípios, Direitos e Deveres”; “Razão, Lei e Moral”; “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

Assim, onde anteriormente domina uma “administração inconsiderada”, uma “opressão traiçoeira”, o “despotismo”, a “arbitrariedade”, “o egoísmo”, o “fanatismo” e onde a “intervenção férrea do estrangeiro esmagava todo um povo” – para citar Magalhães Lima –, o vintismo triunfante consagrou novas realidades, doutrinas, linguagens, palavras, pensamentos, afectos e novos valores morais.

Na verdade, a inquietude revolucionária de 1820 (nas palavras de Joaquim de Carvalho) foi o termo da “dissolução moral do antigo regime” e o inicio da alvorada para uma “nova visão do homem, da sociedade e do Estado”, uma nova demanda.

E Manuel Fernandes Tomás, “a alma e o cérebro” da revolução de 1820, o reivindicador das “liberdades denegadas”, com o seu pensamento e labor foi o herói dessa revolução: pela sua probidade intelectual, arrebatamento pátrio, honradez. Foi, é e será um exemplo restaurador das inteligências, um legado para todos nós.  

Hoje, num tempo de desinspirado gosto, num ruir de valores em que a verdade, a razão e a lei, denunciam a crise da palavra e da honra, constitui um dever e um tributo de todos e de cada um de nós lembrar o elevado pensamento dos homens de 1820 e, especial, do nosso confrade Manuel Fernandes Tomás, tão generoso no seu idealismo, altivo na exortação da respeitosa liberdade e no zelo do bem público.

É portanto - Senhoras e Senhores - a figura do ilustre regenerador da Pátria, Manuel Fernandes Tomás, o literato ilustre, o autor do “Reportório das Leis Extravagantes”, o magistrado, o membro fundador do Sinédrio em 1818, o “estratega político”, a “alma e o cérebro da revolução de 1820” e seu primeiro obreiro, o redactor do “Manifesto da Junta Provisional do Supremo Conselho do Reino” e da “Proclamação da Junta Provisional”, o Ministro dos Negócios do Reino, o Deputado e Orador às Constituintes, o jornalista e o polemista fervoroso (o “Compadre de Belém”), aquele que “legou uma página à história das idades” [no dizer de Almeida Garrett], que cumpre hoje, a todos e a cada um de nós, aqui evocar, para jamais nos esquecermos do seu contributo, influência e Obra no pensamento político português.

Termino, relembrando as sábias e justas palavras do patriarca figueirense e seu filho mais querido, Manuel Fernandes Tomás:

quando o coração não toma parte nas expressões do sentimento, nenhum verniz é bastante para lhe fazer ganhar o poder da ilusão” [M.F.T., inRelatório de apresentação da Constituição a D. João VI”]

Fazendo nossa a causa que tão virtuosamente abraçou, com gratidão e saudade, dizemos bem alto:

Honra a Manuel Fernandes Tomás!                                      

Viva a Liberdade!

[Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto, Figueira da Foz, 24 de Agosto de 2014]

FOTO de M.C., com a devida vénia

J.M.M.

sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

DIA 24 DE AGOSTO – HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS – FIGUEIRA DA FOZ

 

FIGUEIRA DA FOZ - 24 de Agosto de 1914 - HOMENAGEM a Manuel Fernandes Tomás e à Revolução Liberal de 1820
 
PROGRAMA GERAL:
18,00 Horas – Cerimónia Oficial de Homenagem a Manuel Fernandes Tomás, junto à sua estatua, na Praça 8 de Maio [Figueira da Foz]:

- Deposição de uma Coroa de Flores junto ao túmulo, em homenagem a Manuel Fernandes Tomás
 
INTERVENÇÕES:

  • Vice-Presidente da Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto;
  • Presidente da Associação Manuel Fernandes Tomás;
  • Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Dr. João Ataíde.
 
ORGANIZAÇÃO – Câmara Municipal da Figueira da Foz, Associação Manuel Fernandes Tomás e Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto
J.M.M.

sábado, 9 de Agosto de 2014

LEITE DE VASCONCELOS – O PEREGRINO DO SABER


As raízes de Portugal em tempo de crise” – por António Valdemar, in Público

“Uma das maiores figuras portuguesas de todos os tempos, Leite de Vasconcelos, num recente ciclo de conferências na Assembleia da República, foi revisitada nos múltiplos aspetos da sua obra que, duas ou três gerações de discípulos e colaboradores, disseminaram através do País. Tomei parte na sessão de encerramento que se deveria intitular Leite de Vasconcelos, Homem de Letras, mas, por minha sugestão, passou a denominar-se Peregrino do Saber.

Leite de Vasconcelos, em meu entender, não é nem um poeta, nem um escritor. Há um abismo entre fazer versos e criar poesia. E há outro abismo entre redigir prosa e ser escritor. Leite de Vasconcelos publicou livros de versos que constituem, apenas, testemunhos autobiográficos, fragmentos de estados afetivos, memórias da Pátria e da pequena pátria, inventário de princípios e virtudes que orientaram a sua vida e a sua obra.

Quanto à prosa de Leite de Vasconcelos é a escrita clara e concisa de um investigador, modelo de texto vernáculo, próprio do mestre das Lições de Filologia Portuguesa. É a linguagem simples e correta que o Peregrino do Saber utiliza para se pronunciar em vários domínios da cultura erudita e da cultura popular.

Ao reler a revista Sudoeste de Almada Negreiros e Dario Martins (para completar um trabalho acerca de Almada Negreiros e os Painéis), voltei a refletir nesta advertência de Fernando Pessoa que tanto se aplica à avaliação dos poetas como à dos escritores: “O poeta superior diz o que efetivamente sente. O poeta médio diz o que decide sentir. O poeta inferior diz o que julga que deve sentir."

Se Leite de Vasconcelos não foi, na aceção rigorosa, um poeta ou um escritor, permaneceu ao longo da vida um companheiro solícito, um amigo dileto e até um mestre respeitado de escritores e de poetas. Todos e cada um, mesmo com divergências ideológicas, tinham uma ideia de Portugal e uma ideia para Portugal. Alguns exemplos: quando Leite de Vasconcelos fazia estudos universitários no Porto conheceu Antero de Quental. Descreveu, no Mês de Sonho, as relações pessoais e culturais que tiveram. Era o Porto erudito e republicano (com um projeto para a cidade e para a região do Norte) de Basílio Teles e Sampaio Bruno; o Porto de Camilo, já sem paixão por Ana Plácido, a caminho dos editores e oftalmologistas. Era o Porto boémio e literário de Teixeira Gomes, que procurava concluir o curso na Escola Médico Cirúrgica; o Porto do pintor Marques de Oliveira, que retratou Teixeira Gomes e o mar e o areal da Póvoa de Varzim. Era o Porto laborioso, recetivo às solicitações da cultura e ao sentido da universalidade. Deu alguns dos médicos que lecionaram no Curso Superior de Letras e na sua transformação em Faculdade de Letras de Lisboa: Queiroz Veloso, Leite de Vasconcelos e João Barreira. Vão juntar-se a outros médicos de outras proveniências: Silva Teles, Francisco Reis Santos e Matos Romão.

Fixemo-nos agora nos discípulos: Afonso Lopes Vieira orgulhava-se de ter recebido, na Biblioteca Nacional, lições particulares de Leite de Vasconcelos. Com ele aprofundara o conhecimento da língua portuguesa e o entendimento das raízes de Portugal. De um Portugal lido e refletido, visto, ouvido e saboreado, ao contrário de outros contemporâneos de Lopes Vieira que buscaram um perfil nacionalista e político extraído dos paradigmas de Maurras e de Barrés.

Vitorino Nemésio não foi aluno de Leite de Vasconcelos mas ainda privou com ele. Considerava-se seu discípulo. Analisou a obra, o homem e o mestre que classificou "um interpelador de esfinges". Entre tantos, recordo mais dois escritores que não passaram pelas aulas de Leite de Vasconcelos mas que se consideravam seus discípulos – Aquilino Ribeiro e João de Araújo Correia. A dedicatória de Aquilino no pórtico do livro Avós dos Nossos Avós, à memória de Leite de Vasconcelos destaca a amplitude de uma obra que recuperou o percurso de um povo, através dos séculos.

O ciclo efetuado na Assembleia da República tornou-se extensivo a colaboradores de Leite de Vasconcelos, os que preconizaram os conhecimentos e métodos da época e adotados pelo mestre e os que transpuseram o mestre e a sua obra introduzindo perspetivas inovadoras: Manuel Heleno, Luís Chaves; Paulo e Alda Soromenho Orlando Ribeiro e Manuel Viegas Guerreiro. Este restrito núcleo é suscetível de se alargar a muitos outros alunos (ou meros leitores) que se distribuíram em cidades e vilas de norte a sul do País, na Madeira, nos Açores, nos territórios de Africa e do Oriente. Até no Brasil, sendo eleito para a Academia Brasileira de Letras.

Citar é sempre omitir, mas avanço os nomes de Rodrigues Lapa, João da Silva Correia, Hernâni Cidade, José Saraiva, José Pereira Tavares, Fidelino de Figueiredo, António do Prado Coelho, Pedro Serra, José Henriques Barata, Cortes Rodrigues. Cada qual – a seu modo e na esfera das suas possibilidades e recursos – a desempenhar funções em universidades, liceus, escolas técnicas, museus e bibliotecas, deu projeção e sequência ao magistério de Leite de Vasconcelos na arqueologia, na etnografia, na etnologia, na filologia, na numismática, na antropologia...

Já alvitrei na Academia das Ciências na sessão comemorativa dos 150 anos de Leite de Vasconcelos, que se deveria proceder a nova edição dos dois volumes de De Terra em Terra, incluindo o Mês de Sonho e alguns dispersos nos Opúsculos. (De 28 de Maio a fins de Junho de 1924, completaram-se, agora, 90 anos, houve uma viagem de intelectuais aos Açores, uma visita de ilha em ilha, num contexto politico complexo, já estudado numa tese universitária de Luiz de Menezes. Sem se aperceber dos intuitos para derrubar a I República e, em especial, o Partido Democrático, Leite de Vasconcelos foi integrado nesse grupo e reuniu notas de viagem no livro Mês de Sonho.)

Os possíveis três ou quartos volumes com o título genérico De Terra em Terra requerem, contudo, novo tratamento gráfico e iconográfico, um índice de cidades, vilas, aldeias, lugares, grandes e pequenos tesouros; e outro índice de nomes de pessoas, de assuntos, de ofícios, de instituições, da religião, de formas de culto, de alfaias litúrgicas, da alimentação, de vestuário e acessórios, de médicos, cirurgiões e de curandeiros, de remédios e de mezinhas. E mais, muito mais...

De tudo o que pode promover os vários patrimónios que constituem o património material e imaterial. Tal como ensinou Leite de Vasconcelos indo ao encontro dos fatores de identidade de Portugal e dos portugueses. Dos vínculos que, sobretudo em tempos de crise, resistem às ameaças de massificação que procura anular as diferenças e singularidades de uma cultura que se impõe defender e se deve valorizar”.

As raízes de Portugal em tempo de crise – por António Valdemar [Jornalista e investigador], jornal Público, 8 de Agosto de 2014, p.41 - sublinhados nossos.

J.M.M.

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

SAHIDAS AO SUL


O Almanaque Republicano, cumprindo as ordenações de veraneio, com ou sem a benevolência do Espírito Santo, altíssimo protector da paróquia (dizem!), está de saída. Fugindo aos afagos das doces brisas das Terras do Mondego, com Mar ao fundo, seremos viageiros serenos e esclarecidos em terras do sul. Pela Luz! Mais Luz! Sublime cante!

Libertos dos trabalhos profanos, estes Vossos Cavalleiros devotos da alma republicana estarão ausentes do V. agasalho. Partimos a caminho do Sul, a uso de banhos. É assim que (a)mar nos diz. Voltaremos ao recesso do lar e ao V. patrocínio. Até lá … um derradeiro Vale!

Saúde, Paz e Fraternidade!

[traçado algures no Alentejo, à sombra da noute]

J.M.M.
A.A.B.M.

quarta-feira, 30 de Julho de 2014

BIBLIOGRAFIA PORTUGUESA DA I GRANDE GUERRA



Vitoriano José César, Bibliografia da Grande Guerra (resenha das publicações portuguesas), Lisboa, Tip. da Escola Militar, 15 de Outubro de 1923 .

Escreveu-se muito, em toda a parte, durante a guerra e depois; ainda se continuará a escrever. Do que na língua portuguesa e escrito por portugueses tem sido publicado, é lúcida ementa o trabalho a que essas linhas servem de prefácio". Estas palavras do prefacionador, o vice-almirante Vicente Almeida d'Eça (1852-1929), definem o âmbito desta Bibliografia da Grande Guerra (resenha das publicações portuguesas), editada em 1922, da autoria do então coronel Vitoriano José César (1860-1939), militar de carreira e autor de história militar, sócio da Academia de Ciências de Lisboa e lente na Escola Naval, promovido a General em Outubro de 1926.

Ao longo de 102 páginas, é elencada mais de uma centena de títulos de tipologia diversa, ordenados alfabeticamente por autor, considerados como fonte para a história da I Guerra Mundial. A maioria das entradas é complementada por um curto texto descritivo dos conteúdos, que biografa o seu autor ou chama simplesmente a atenção para aspetos concretos sobre os quais a obra se debruça. O volume surge complementado por uma listagem, ordenada cronologicamente, dos artigos publicados na Revista Militar, "que devem ser consultados por quem se proponha a escrever a história da grande guerra". De referir ainda que o produto da venda deste exemplar revertia, como se lê na folha de rosto, para a "Subscrição Nacional dos Padrões, Consagração do esforço da Nação Portuguesa e Glorificação dos nossos Mortos na Grande Guerra".

João Carlos Oliveira | Lisboa, HML, julho 2014]  


"Simples e despretensiosas ‘notas’ dum curioso de coisas bibliográficas que à Grande Guerra deu o melhor da sua alma no sacrifício voluntário e consciente do seu sangue e do seu espírito". Assim se apresentam estas Notas subsidiárias para uma bibliografia portuguesa da Grande Guerra, organizadas e publicadas em 1926 (depois de apresentadas em rubrica própria, entre 1922 e 1925, na III série da Alma Nova) pelo capitão miliciano de artilharia José Augusto Brandão Pereira de Melo (1890-1974).

Nascido em Soure, integrou o Corpo Expedicionário Português no 2.º Grupo de Bataria de Artilharia enviado para a frente europeia, onde foi gaseado, voltando do conflito com a Cruz de Guerra da Flandres. Depois de uma experiência como autarca de Penela, foi nomeado governador da Ilha do Príncipe, cargo do qual seria destituído após um polémico relatório, sendo passado à reserva, e integrando os Serviços de Censura.

O ambicioso plano de obra apresentado no prefácio pretendia organizar os conteúdos em torno de 3 categorias: obras originais de autores portugueses (incluindo prosa, verso, teatro, ensaio, obras técnicas, publicações periódicas e outros materiais diversos  - folhas volantes, discursos, manifestos, programas, relatórios, …  -, bem como informação relativa a novos títulos em preparação; traduções portuguesas; e obras estrangeiras impressas em Portugal. O volume que disponibilizamos, de 58 páginas, referencia cerca de 300 títulos, correspondentes a obras originais de autores portugueses, nos géneros prosa e poesia. Não temos conhecimento de o projeto editorial ter sido concluído.

João Carlos Oliveira | Lisboa, HML, julho 2014

J.M.M.

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

I GUERRA MUNDIAL – 100 ANOS – HEMEROTECA MUNICIPAL DE LISBOA


 
 
“Em 28 de julho de 1914, a ocupação da Sérvia pelas forças do Império Austro-Húngaro marcava o início de um conflito que rapidamente se propagou, num esquema de alianças que dividiu o mundo em dois, alterou o curso da história e constituiu, para muitos autores, a verdadeira entrada na contemporaneidade.

Portugal acabou por abandonar a neutralidade inicial, em parte pela necessidade de afirmação da jovem República (proclamada 4 anos antes) no contexto internacional, em parte pela necessidade de defesa dos seus interesses coloniais em África. África foi, de resto, o primeiro palco de guerra das tropas portuguesas, que desde setembro de 1914 se viam envolvidas em combates fronteiriços no Sul de Angola e no Norte de Moçambique, embora só em 9 de março de 1916 a Alemanha nos declarasse oficialmente guerra.


Só em princípios de 1917 se inicia o envio de tropas portuguesas para a Flandres, com o primeiro contingente do Corpo Expedicionário Português (C.E.P.) a embarcar, em janeiro, a bordo de três vapores ingleses. Este exército, composto por cerca de 30.000 homens, foi sujeito a uma instrução preparatória intensiva de nove meses, sob a direção do então ministro de Guerra, o general Norton de Matos. Ficaria conhecida como "Milagre de Tancos". Visivelmente mal preparado e equipado, o C.E.P. sofreu pesadas baixas, sendo tristemente célebre a data de 9 de Abril de 1918, que assinala a Batalha de La Lys.

No ano em que se assinala o 1.º Centenário da I Guerra Guerra Mundial, a Hemeroteca Municipal de Lisboa prepara este dossier digital, que será alimentado com novos conteúdos até 11 de Novembro de 2018, data que assinala a assinatura do Armistício.

Para além de publicações periódicas da coleção da Hemeroteca, integram este dossier materiais de outra natureza, que resultam da identificação de recursos na coleção da Rede de Bibliotecas de Lisboa (com natural destaque para a coleção da Biblioteca-Museu República e Resistência) ou de outras entidades. Pretendemos, desta forma, contribuir ativamente para os trabalhos de investigação que se esperam no âmbito deste centenário, bem como corresponder ao natural interesse do público em geral em conhecer mais sobre este conflito.

Destaque ainda para os recursos iconográficos alusivos à I Guerra Mundial que  temos vindo a disponibilizar na plataforma web Flickr, e que pode visitar AQUI”.

J.M.M.

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

EVOCAÇÃO DO CENTENÁRIO GRANDE GUERRA EM VALENÇA


Amanhã, 26 de Julho de 2014, em Valença do Minho, realiza-se a inauguração de uma exposição I Guerra Mundial - Valencianos nas trincheiras, recordando os soldados da terra que participaram em combate na guerra que estava a começar pela Europa, nestes dias, há 100 anos atrás.

As cerimónias contam ainda com a actuação da Banda Militar do Porto, do Exército Português, conforme se pode ver no cartaz supra.

Uma  iniciativa de homenagem aos que combateram e morreram nos mais diferentes palcos de batalha da Grande Guerra.

A visitar e a divulgar.

A.A.B.M.

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

OS CRIMES DA FORMIGA BRANCA …


[PUBLICAÇÃO SEMANAL EM FOLHETOS]: Os Crimes da Formiga Branca. Confidências verídicas e sensacionais d’um Juiz de Investigação; Editor: J. Rocha Junior [J. Diogo Peres, ao nº3; Victor Alcantara, ao nº4]; Tabacaria Liberty, Typ. Lamas & Franklin, Lisboa [Officinas Graphicas, Rua do Poço dos Negros, Lisboa – ao nº4 ]; Lisboa, 1915, V numrs, p. 80

Nascido para difamar, o que faz deste folheto um pasquim, pouco revela sobre a sua identidade e a dos seus promotores. Aparentemente, isto é, tomando como verídicas as informações que ostenta em capa, bem como a data do editorial presente no primeiro número, «2 de Fevereiro de 1915», terá aparecido em Lisboa, pouco tempo depois [Na folha de rosto do primeiro número o ano referenciado é o de 1914, mas provavelmente não significa mais do que um erro tipográfico, pois não se repetiu nas edições seguintes].

Como se afirmava uma «Publicação semanal em folhetos de 16 páginas» e apenas saíram 5 números, a sua existência não terá ido além do mês de março. Nesse breve período, o pasquim teve três editores diferentes, sobre os quais não se encontrou qualquer notícia biográfica ou referência bibliográfica: J. Rocha Júnior, que depois de associar o seu nome aos dois primeiros números pediu escusa do cargo [Cf. ‘O nosso editor’, in Os Crimes da Formiga Branca, n.º 3, p. 48. Nessa altura foi identificado como João Rocha Júnior]; J. Diogo Peres, que assumiu o terceiro; e Victor Alcantara, que se responsabilizou pelos dois últimos números. O «juiz» manteve a sua identidade na sombra, assim como o(s) ilustrador(es) que colaboraram na produção do pasquim (n.º 2, 3 e 4). Parece(m) ser artista(s) da escola moderna. Também se publicam as fotografias dos rostos de algumas vítimas e de formigas [Rita Correia, CONTINUAR A LER AQUI]


Ficha Histórica, por Rita CorreiaLER AQUI

J.M.M.

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

CARBONÁRIOS E OUTROS REVOLUCIONÁRIOS



EDITORA: Arandis, 2014.

“Carbonários e Outros Revolucionários resulta de uma investigação completamente inédita sobre esta temática, com uma visão geral da Carbonária Portuguesa e uma análise do caso da Carbonária Portimonense.

Uma obra de cariz histórico, mais um contributo para a elaboração de uma História de Portimão.

Quem foram os carbonários e revolucionários portimonenses, que vestígios há da sua presença em Portimão e que relação havia entre eles são algumas questões que terão resposta nesta obra”. [AQUI]

J.M.M.

terça-feira, 22 de Julho de 2014

O DESPONTAR DO MOVIMENTO OPERÁRIO PORTUGUÊS NA ESFERA PÚBLICA, DE JOÃO LÁZARO


No próximo dia 27 de Julho, pelas 17 horas, vai ser apresentada a obra de João Lázaro, O Despontar do Movimento Operário Português na Esfera Pública. Das Práticas ao Debate Parlamentar (1850-1860), com edição da Chiado Editora.

A apresentação vai estar a cargo da Doutora Maria Alice Samara e vai decorrer na Livraria Desassossego, situada na Rua de São Bento, 34, em Lisboa.

Pode ler-se no prefácio da obra, da autoria da Professora Doutora Fátima Sá e Melo Ferreira (CEHC-Instituto Universitário de Lisboa):

Ao revisitar as práticas, os conceitos e os discursos que a partir dos anos de 1850 estiveram na origem da formação do operariado como sujeito político em Portugal, o autor deste livro resolve de forma feliz este aparente dilema ao convocar autores clássicos destas matérias como César Oliveira, Carlos da Fonseca ou José Manuel Tengarrinha, entre outros, para, a partir das suas obras mas sem a elas ficar preso, proceder a um inquérito próprio sobre o “despontar do movimento operário na esfera pública.

Pode consultar-se também o Índice da obra acima, para verificar os assuntos tratados ao longo da obra.

Com os votos do maior sucesso para esta iniciativa.

A.A.B.M.

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

O SR. DANTAS ... (JÚLIO DANTAS) - POR JOAQUIM MADUREIRA (BRAZ BURITY)


… Lugubre e funereo, o sr. Dantas …

Joaquim Madureira (Braz Burity), in “Impressões de Theatro. Cartas a um Provinciano & Notas Sobre o Joelho”, 1º Série (1903-1904), Lisboa, Ferreira & Oliveira, L.da Editores (Rua do Ouro, 132-138), 1905, p. 228

J.M.M.

A TOLERÂNCIA – RAUL PROENÇA


Em Portugal não há tolerância, nem governamental nem pessoal. Num certo sentido, Portugal é uma nação de correligionários

… a tolerância (…) é a contra-partida da liberdade de pensamento. É reconhecermos nos outros o que nós queremos e exigimos para nós. É aceitar nos diferentes um igual direito à vida. Se A não tolera as opiniões de B, é porque não reconhece em B a liberdade de pensamento; isto é: A é um reacionário. Direi: o direito de pensar livremente é a liberdade vista por dentro; a tolerância a liberdade vista por fora. Na essência, uma única e uma mesma coisa.

Quem é contra a tolerância é contra a liberdade. E quem me pregar a liberdade, contanto que essa liberdade seja a de defender as sua opiniões e de não tolerar as dos outros, pode ir passear: a liberdade de alguns é a escravidão do resto, e o mais que se pode dizer de s. ex.ª é que é um belo estofo de ditador …

Raul Proença, "Opiniões de Depoimentos – A Tolerância", in “Alma Nacional”, nº 12, 28 de Abril de 1910, p. 189

FOTO: Raul Proença, em 1939, “isto é, após a provação do exílio e da doença”, in “O Pensamento especulativo e agente de Raul Proença”, de Sant’Anna Dionísio, Seara Nova, 1949

J.M.M.

domingo, 20 de Julho de 2014

BISSAIA BARRETO … E A COMISSÃO DISTRITAL DE COIMBRA DA UNIÃO NACIONAL

 
 

Curioso(s) documento(s), em que Augusto Cancela de Abreu [Anadia, 1895-1965; engenheiro civil, administrador de empresas (caminhos-de-ferro da Beira-Alta), deputado, ministro das Obras Públicas e do Interior, procurador à Câmara Corporativa, durante o estado Novo; monárquico e Presidente da Comissão Executiva da União Nacional, entre 1957 a 1961] pede a Fernando Bissaia-Barreto [ver  uma anotação nossa AQUI] que se pronuncie [15 de Abril de 1952] sobre a sua inclusão na Comissão Distrital de Coimbra … a que se segue a não menos curiosa resposta de Bissaia-Barreto [18 de Abril de 1952] - clicar nas FOTOS

[do nosso Arquivo]

J.M.M.

SOCIEDADE PROMOTORA DAS BELAS-ARTES


FOTO de Grupo da Sociedade Promotora das Belas-Artes (fundada a 8 de Agosto de 1861, em Lisboa) [que na sua fusão com o Grémio Artístico (1890) – ex-Grupo do Leão (1880) – deu origem à Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), aprovada pelo Alvará de 16 de Março de 1901. Sobre a Sociedade Promotora das Belas-Artes, ver os “Estatutos da Sociedade Promotora das Bellas Artes em Portugal”, Lisboa, Typ. Universal, 1876. A primeira exposição da Sociedade é datada de 1862. Curiosamente, Rafael Bordallo Pinheiro faz a sua estreia nos salões da Sociedade, em 1868]:

Zacarias d’Aça (1839-1908), escritor | José Maria Alves, médico | Joaquim Pedro de Sousa, artista plástico | Francisco Lourenço da Fonseca (1848-1902), pintor | José Ferreira Chaves (1838-1899), pintor | Luís Ascêncio Tomasini (1823-1902), pintor | José Rodrigues (1828-1887), pintor | Júlio de Castilho (1840-1919), 2º visconde de Castilho, escritor e olisipógrafo | Francisco de Assis Rodrigues (1801-1877), escultor | Domingos de Sousa e Holstein Beck (1897-1969), 5º duque de Palmela | Carlos Krus, artista plástico / Joaquim Nunes Prieto (1833-1907), pintor | José Gregório da Silva Barbosa.

via Arquivo Municipal deLisboa, com a devida vénia]

J.M.M.

sábado, 19 de Julho de 2014

[PORTO] PAPINIANO CARLOS … O T.E.P.


Saudades de um certo Porto

Na FOTO: na frente (pernas flectidas), Luís Veiga Leitão e Vasco da Lima Couto. De pé, a partir da esquerda: Papiniano Carlos [1918-2012] e esposa (Olívia), Fernando Gaspar (sogro do dr. Alberto Castro Ferreira) … e actores do T.E.P. [Teatro Experimental do Porto - refira-se que Papiniano Carlos fez parte dos dirigentes do T.E.P.]

FOTO e TEXTO via Alberto Castro Ferreira Facebook, com a devida vénia
 
 
Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas,
caminhemos serenos.

De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniquidade,
caminhemos serenos.

Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
dos que nem com a morte podem vencer-nos,
caminhemos serenos.

O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia connosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.

No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas,
caminhemos serenos.
 
[Papiniano Carlos, “Caminhemos Serenos”]
 
J.M.M.
 

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

[FORMULÁRIO] MEMORIAL DOS PRESOS POLÍTICOS DE PENICHE


O Município de Peniche e a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) apresentam para consulta pública a lista provisória dos presos que estiveram na Fortaleza de Peniche durante a ditadura fascista, época em que este monumento albergou uma prisão política.

Esta listagem conta actualmente com 2491 nomes e dela resultará a edificação de um memorial a inaugurar naquele local em Abril de 2015, no âmbito das comemorações do 40º aniversário da Revolução de Abril.

Com este projecto pretende-se homenagear publicamente os cidadãos que estiveram presos nesta prisão política, enquanto testemunho da luta pela Liberdade e pela Democracia. A introdução de novos nomes, alterações e/ou rectificações à lista devem ser apresentadas através do preenchimento de formulário abaixo, até 30 de Junho de 2014.

Agradecemos o seu contributo para a preservação da Memória de todos aqueles que, por resistirem à Ditadura do Estado Novo, estiveram presos na Fortaleza de Peniche” [AQUI]

MEMORIAL DOS PRESOS POLÍTICOS DE PENICHE [FORMULÁRIO] AQUI

J.M.M.

AS ELEIÇOES DE 1969 ...


“Para os mais novos. Este era o ambiente …

Eleições de 1969. Papel afixado na porta de uma casa particular de onde saía a propaganda da CDE (lista da oposição democrática). Muito provavelmente, da responsabilidade do movimento estudantil fascista Jovem Portugal” [clicar na FOTO]

FOTO & TEXTO via António Hespanha Facebook, com a devida vénia

J.M.M.

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

A MEMÓRIA FAMILIAR DO CONTRA-ALMIRANTE JAIME DANIEL LEOTTE DO REGO


Jaime Daniel Leotte do Rego, Contra-Almirante e Chefe da Divisão Naval Portuguesa, é um daqueles nomes que não se esquece e cuja história se reflecte em inúmeras entradas de enciclopédia, referências bibliográficas, memórias, jornais... Na imprensa por exemplo, são muitas, quase incontáveis, as referências ao Contra-Almirante Leotte do Rego, à sua intervenção na instauração da República, ao seu papel após o 5 de Outubro, e até mesmo ao que sucedeu durante a Primeira Guerra Mundial, visto que ocupou lugar cimeiro na Marinha Portuguesa, não sem depois ter caído em desgraça, aquando da chegada ao poder de Sidónio Pais.

Não se poderá afirmar que é uma figura amada por todos. Por certo é admirada por muitos. Mas as grandes personagens da História não reúnem consensos. São polémicas e duradouras. E Luís Leote, seu neto, sabe bem como o seu avô foi importante, assim como sabe das suas tristezas, problemas, resoluções e ambições. É um pouco dessa história, esse lado menos conhecido, que aqui se partilhará, tanto quanto, no futuro, se mencionará a memória e a história de seus dois filhos, Jaime Daniel e Luiz Daniel, ambos capitães de cavalaria e ambos membros do Corpo Expedicionário Português.

Como bem refere Luís Leote, a espada de seu avô e as suas condecorações encontram-se expostas no Museu da Marinha. Foram objectos ofertados pela família ao museu, e assim, encontram-se há anos num domínio mais público. Naquele domínio, onde circulam as notícias e as entradas de dicionário. Ainda assim, existem sempre objectos que nos surpreendem, pela sua aparente insignificância material cheia de história. Demonstram ainda um grau de intimidade que nos permite vislumbrar facetas da vida de alguém que não conhecemos pessoalmente, à qual não temos vínculos afectivos, mas do qual lemos e sobre o qual aprendemos… E dessas facetas os livros tantas vezes não nos falam.

Nessa perspectiva, o seu neto trouxe até nós três magníficos objectos, todos diferentes, todos representativos de momentos da vida do Contra-Almirante, momentos de vida mais ou menos conhecidos. Assim, Luís Leote revela-nos o gosto tão pessoal pela pintura que tinha seu avô, trazendo-nos um quadro de sua lavra, e que hoje faz parte do conteúdo expositivo que se encontra na sala do seu familiar. É igualmente com orgulho, e com a consciência de revelar uma imagem congelada de um momento histórico, porém triste para o Contra Almirante, que Luís Leotte nos apresenta uma fotografia. Uma simples fotografia que nos revela dois homens, um com farda do Exército, outro com a da Marinha. Juntos, com ar abatido mas firmes e resolutos, encontram-se, à direita, Leotte do Rego e à esquerda, Norton de Matos. Amigos de longa data, são aqui fotografados no dia em que foram forçados a partir para o exílio, poucos minutos antes de embarcarem num navio inglês, rumo a outras terras, outras vidas, outras gentes. Sidónio Pais tinha chegado ao poder e, como consequência, não mais existia em Portugal lugar para estes dois republicanos, que se tornaram assim estrangeiros em locais como a cidade de Paris.

Por fim, e lembrando exactamente esses tempos de exílio, um singelo cartão-de-visita. Talvez não tão singelo se observarmos todos os títulos que contêm. Mas esconde este pequeno pedaço de papel uma realidade sombria na vida do Contra Almirante. Como não possuía nenhuma fortuna, teve Leotte do Rego de aceitar empregos diversos, para conseguir o sustento essencial, e entre eles contou-se o de venda de enciclopédias ao domicílio. Este era o cartão-de-visita que o mesmo apresentava nesses momentos. As iniciais que se seguiam ao nome do avô, refere Luís Leote, significavam “Knight Commander of the Bath”, título com que foi agraciado pela influência do Príncipe de Battenberg, de quem se tornara amigo e oficial às ordens, quando da visita de Eduardo VII a Portugal. Concessão de dignidade essa que lhe permitira utilizar o título de “Sir”.

Estas são histórias que ficaram encerradas na memória familiar e que, agora, por ocasião das evocações do Centenário da Grande Guerra, Luís Leote nos trouxe, sobre aquele que, para si, para lá da figura pública e quiçá mediática no seu tempo, é simplesmente o seu avô.” [Margarida Portela (I.H.C./FSCH-UNL), LER/VER TUDO AQUI]

FOTO: Norton de Matos e Jaime Leote do Rego; TEXTO: Margarida Portela (I.H.C./FSCH-UNL), retirado do site Portugal 1914.org, com a devida vénia - sublinhados nossos]

SOBRE Jaime Daniel Leote do Rego ver NOSSA bibliografia AQUI

J.M.M.

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

14 DE JULHO – LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE

 
 

“A natureza diz a todos os homens: Fiz todos vós nascerem fracos e ignorantes, para vegetarem alguns minutos na terra e adubarem-na com vossos cadáveres. Já que sois fracos, auxiliai-vos; já que sois ignorantes, instruí-vos e tolerai-vos. Ainda que fôsseis todos da mesma opinião, o que certamente jamais acontecerá, ainda que só houvesse um único homem com opinião contrária, deveríeis perdoá-lo, pois sou eu que o faço pensar como ele pensa. Eu vos dei braços para cultivar a terra e um pequeno lume de razão para vos guiar; pus em vossos corações um germe de compaixão para que uns ajudem os outros a suportar a vida. Não sufoqueis esse germe, não o corrompais, compreendei que ele é divino e não troqueis a voz da natureza pelos miseráveis furores da escola.
 

(…) Com minhas mãos plantei os alicerces de um prédio imenso; ele era sólido e simples, todos os homens nele podiam entrar com segurança; quiseram acrescentar os ornamentos mais bizarros, mais grosseiros e mais inúteis; e o prédio começa a desmoronar por todos os lados; os homens pegam as pedras e as atiram uns contra os outros; grito-lhes: Parai, afastai esses escombros funestos que são vossa obra e habitai comigo em paz no prédio inabalável que é o meu.”

VOLTAIRE, in Tratado Sobre a Tolerância, Ed. Martins Fontes, S. Paulo, pp. 136-137

J.M.M.

GRANDE GUERRA EM ÁFRICA: CONGRESSO



A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa vai levar a efeito hoje, 14 e amanhã 15 de Julho de 2014, um congresso sobre as incidências, leituras, análises, interpretações e apresentação de novos elementos de investigação sobre a I Guerra Mundial em África.

O programa que chegou ao nosso conhecimento vem em inglês e que a seguir apresentamos para os potenciais interessados:

Monday 14 July
9.30 Registration and welcome
10.30 Session 1: East Africa
Chair: Ana Paula Pires
The involvement of India in the Great War East African Campaign - Harry Fecitt
The fate of the Konigsberg - Christopher Hill
The Faridkot Sappers and Miners: an online resource - Anne Samson for Richard Sneyd

12.00 LUNCH
13.30 Session 2: West Africa (Nigeria)
Chair: Anne Samson
World War 1 and socio-political rights in Nigeria - James Olusegun Adeyeri
Nigeria' s involvement in WWI and impact on postwar changes - Fewzi Borsali

BREAK

15.15 Session 3: Portugal's war
Chair: Aniceto Afonso
O Projecto Geopolítico Alemão para África até à Grande Guerra e o Interesse no Espaço de Angola - Marisa Fernandes
Reflexos da 1ª Guerra Mundial em Angola: das Campanhas de Pacificação às Revoltas Indígenas - Anabela Silveira
A Justiça Militar durante a Grande Guerra: Autos de Corpo de Delito da Expedição Militar a Moçambique - Graça Barradas
16.45 Close of Day 1

Tuesday 15 July
9.30 Session 4 West Africa (Cameroons)
Chair: Fernanda Rollo
The Great War Sepultures in Cameroon, a heritage questioned - Saliou Abba and Atteba Ossende
The role of neutral Cameroon German refugees in Spanish Guinea - Carlos Gavira
Le Service de santé colonial de l'armée française dans la Grande Guerre - Rémy Porte

Break
11.15 Session 5 East Africa (Mozambique)
Chair: José Luís Assis
“Recordar é o trabalho que a mim próprio impus”. Norton de Matos e a memória da Grande Guerra em África - Sergio Neto
Morrer em Kionga, convalesce rem Goba. O desastre sanitaria da “Expedição a Moçambique de 1916 - Rui Pereira and Carla da Silva
The scrambles that provoked the World Wars - Jeannick Vangansbeke

12.45 LUNCH
14.00 Session 6 Other
Chair: Rémy Porte
Morts pour la France ? Indigenous Veterans and the Process of Claims-making in Interwar Algeria - Donal Hassett
'To our Colonial Troops, Greetings from the Far-away Homeland': Race, Imperial Anxieties and the Mobilization of Colonial Soldiers in the Belgian Empire during the First World War - Amandine Lauro
When two bulls clash, the grass suffers: the impact of the Great War in Africa - Anne Samson
Lettow-Vorbeck's raid into PEA and the end of the war - Dan Whitaker

16.00 Close
Conference organisers
Anne Samson, Great War in Africa Association http://gweaa.com
Ana Paula Pires, IHC-FCSH-UNL, International Network for the Study of the Great War in Africa
Maria Fernanda Rollo, IHC-FCSH-UNL, International Network for the Study of the Great War in Africa
Steering Committee of the International Network for the Study of the Great War in Africa Ana Paula Pires (IHC-FCSH-UNL) Anne Samson (Great War in Africa Association) Maria Fernanda Rollo (IHC-FCSH-UNL) Melvin E. Page, East Tennessee State University Michael Neiberg (US Army War College) Michelle Moyd (Indiana University – Bloomington) Pierre Purseigle (Yale University) Rémy Porte (Service Historique de la Défense) Richard Fogarty (University at Albany – SUNY) Santanu Das (King’s College – University of London)
Venue
Instituto de História Contemporânea at NOVA University of Lisbon
Faculdade de Ciências sociais e humanas
Universidade Nova de Lisboa Av. Berna, 26 C 1069-061 LISBOA

Mais informações podem ser obtidas consultando AQUI.

Com os votos do maior sucesso para mais esta iniciativa que assinala o Centenário da Grande Guerra e as investigações que estão em curso sobre o tema.

A.A.B.M.

sexta-feira, 11 de Julho de 2014

LUÍS AUGUSTO FERREIRA MARTINS (Parte III)

Por proposta do Ministro da Guerra,  recebeu a condecoração para o Grau de Oficial, de 5 de Agosto de 1920. Esteve ainda como chefe de Estado-Maior da Guarda Nacional Republicana entre 25 de Maio e 19 de Outubro de 1921. Foi um dos elementos da comissão que elaborou as bases para a reforma do Exército Colonial em 1924. Ainda nesse ano participou também na comissão de estudo das bases do cadastro geodésico da propriedade.

Nomeado para chefe da 5ª Repartição da 2ª Direcção-Geral do Ministério da Guerra em Agosto de 1925 e no final do ano seguinte (Dezembro) ascendeu a chefe da 2ª repartição da referida Direcção Geral. Foi também o 2º subchefe do Estado-Maior do Exército a partir de Junho de 1927. Em Maio de 1929 foi nomeado, interinamente, Inspector da 1ª Inspecção de Artilharia, cargo que desempenhou até 11 de Setembro desse ano quando assumiu as funções de Comandante da Escola Central de Oficiais.
Comandou a escola Central de Oficiais de 1929 a 1933, ascendendo ao posto de general em 22 de Novembro de 1930. Entretanto, em 1924, fez parte da Comissão de Estudo da Organização do Exército Colonial. Foi depois administrador geral do Exército entre 1936 e 1940, vogal do Conselho Superior do Exército, presidente do Conselho de Recursos entre 1941 e 1945, presidente do Conselho Fiscal dos Estabelecimentos Produtores do Ministério da Guerra entre 1944 e 1945. Foi ainda Presidente do Conselho Superior de Disciplina Militar. Passou à reserva em 7 de Abril de 1940 e à reforma no mesmo dia em 1947.
Envolveu-se aos meios de oposição ao Estado Novo a partir de 1950, tendo participado nas campanhas eleitorais e em Novembro de 1950, presidiu a uma sessão comemorativa da Grande Guerra Mundial que teve lugar nas instalações do Centro Republicano António José de Almeida. Subscreveu também um pedido de autorização, em 10 de Outubro de 1956, para permitir a criação da Frente Nacional Liberal Democrata, mas acaba por ver a sua pretensão de se formar como associação tendo os seus estatuto sido indeferidos e a mesma agremiação dissolve-se em 1 de Julho de 1957, por decisão dos seus fundadores. Entre eles constavam, para além do General Ferreira Martins, o Prof. Vieira de Almeida, Alberto Madureira, Nuno Rodrigues dos Santos, Agostinho Sá Vieira, Fernando Mayer Garção e Augusto Casimiro [Sobre este assunto consultar a documentação que existe AQUI]. Em 1957, nas eleições realizadas em 4 de Novembro, apresentou-se ainda como candidato  a deputado da oposição, por Lisboa.
Desempenhou também as funções de chefe da Delegação da Liga dos Combatentes da Grande Guerra a vários congressos da Federação Internacional dos Antigos Combatentes (F.I.D.A.C.), sendo também membro do Conselho Supremo da Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Exerceu funções como membro da Comissão Central da Cruz Vermelha Portuguesa. Presidiu ainda ao Círculo de Estudos Históricos de Olivença, em 1949.
Desenvolveu também intensa actividade cívica e cultural, tendo sido autor de diversos livros, que mais abaixo indicaremos. Colaborou, ainda, com numerosas instituições, como o Sport Algés e Dafundo, a Sociedade de Geografia de Lisboa, a Cruz Vermelha, a Sociedade Portuguesa de Escritores, da Sociedade de Propaganda de Portugal, do Instituto, de Coimbra, entre outras.
Publicou entre outras obras:
Jogo de Guerra Exemplificado, em 1911; Avaliação das Distâncias em Campanha, Lisboa, 1913; Portugal na Grande Guerra (direcção e colaboração), 1935; O poder militar da Grã-Bretanha e a aliança anglo-lusa, 1939; Glórias e Martírios da Colonização Portuguesa, (colaboração), 4 vols, Lisboa, 1939; História da Expansão Portuguesa no Mundo (colaboração), Lisboa, 1942; A Cooperação Anglo-Portuguesa na Grande Guerra, 1914-18 e História do Exército Português, 1945; A Psicologia de Mouzinho: O Homem e o Chefe.
Colaborador regular em jornais e revistas, nacionais e estrangeiras como: Revista Militar, Revista de Artilharia, Boletim da Sociedade de Geografia, Boletim do Arquivo Histórico Militar, onde deixou publicados mais de meia centena de artigos, além de dezenas de artigos na imprensa como o Diário de Notícias, Primeiro de Janeiro, República, Século, entre outros.
Entre os artigos publicados nas revistas localizaram-se alguns que podem ilustrar a sua biobibliografia que abaixo se indicam:
- Britânica : o espírito colonial como base do sentimento patriótico, Lusocolonial. - Nº 18 (1929), p. 277-278
- Governadores coloniais, Boletim da Sociedade Luso-Áfricana do Rio de Janeiro. - nº 12 (1935), p. 3-8
- Uma história da acção dos portugueses na Grande Guerra, [S.l. : s.n.], 1935 ( Lisboa : -- Emp. Nac. de Publicidade), 7 páginas;
- Boletim do Instituto: Assembleia Geral de 14 de Fevereiro de 1936,  O Instituto : jornal scientifico e litterario. - Volume XC (1936), p. 1-3.
[Quando foi admitido como sócio correspondente nacional no Instituto de Coimbra]
- Glórias e martírios da colonização portuguesa : I / por General Ferreira Martins. - Lisboa : Agência Geral das Colónias, 1939. - 60, [1] p. ; 20 cm. - Pelo império. 53)
- Glórias e martírios da colonização portuguesa : II / por General Ferreira Martins. - Lisboa : Agência Geral das Colónias, 1939. - 93 p. ; 20 cm. - Pelo império. 54)
- Glórias e martírios da colonização portuguesa : III / por General Ferreira Martins. - Lisboa : Agência Geral das Colónias, 1939. - 99 p. : il. ; 20 cm. - Pelo império. 55)
- Glórias e martírios da colonização portuguesa : IV / por General Ferreira Martins. - Lisboa : Agência Geral das Colónias, 1939. - 73 p. : il. ; 20 cm. - Pelo império. 56)
- Cavaleiros em África / Ferreira Martins. - Ilustrado In: Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. - Série 60, nº 1-2 (1942), p. 26-29
- O intercâmbio intelectual, O Instituto : jornal scientifico e litterario. - Volume C (1942), p. 47-49.
- O coronel Bento Roma (1884-1953) : homenagens e consagrações em 1954 e 1955 / pref. Ferreira Martins. - Lisboa : Gazeta dos Caminhos de Ferro, 1955. - [12], 234, [6] p. : il. ; 22 cm
- Um grande exemplo / Ferreira Martins. - Artigo destinado à imprensa, mas que não chegou a ser publicado.In: O Coronel Bento Roma (1884-1953) : homenagens e consagrações em 1954 e 1955 / pref. Ferreira Martins. - Lisboa : [S.N.], [1955?]. - P. 148-149.
- Olivença na Guerra Peninsular, Boletim da Casa do Alentejo, Fevereiro de 1955, Ano XX, nº 214, p. 1, col. 1 a 3 e ss.
- Mousinho e a génese da sua acção de Chaimite,  Revista militar, Lisboa, A.7,nº 10 (Out. 1955), p. 639-650;
- A psicologia de Mouzinho : o homem e o chefe, Separata da Revista Ocidente, vol. LI, 1956;
- João Albasini e a colónia de São Luís : subsídios para a história da provincia de Moçambique e das suas relações com o Transval / Alexandre Lobarto. -Lisboa : Agência Geral do Ultramar, 1957. - 149 p. - Pelo império. 126)
- Portugal e a actual política ultramarina, Infantaria, Ano 28, nº 176 (1961), p. 438-442
-Mousinho : herói reflexivo - carta a José Osório, O mundo português : revista de cultura e propaganda arte e literatura colonias.- Lisboa : A.G.C.S.P.N., 1934-1947.- v. 7 n. 73 (Jan.) p. 39-40
- O Infante Dom Henrique na Inclita Geração, Lisboa : [s.n., D.L. 1960], Sep. Ocidente, v. 58, p. 234-244;
O General Luís Augusto Ferreira Martins casou em 31 de Agosto de 1901 com D. Baptistina Maria de Aguiar Craveiro Lopes, de quem teve duas filhas.
Faleceu a 26 de Setembro de 1967 em Lisboa.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
Eduardo da Costa, Ed. da Divisão de Publicações da Agência Geral das Colónias, Lisboa, 1938;
- Os Generais do Exército Português, vol. III, Tomo I, coord. Coronel António José Pereira da Costa, Biblioteca do Exército, Lisboa, 2008, p. 349-350;
- Quem é Alguém. Dicionário Biográfico das Personalidades em Destaque no nosso tempo, Portugália Editora, Lisboa, 1947, p. 315-316;
Ribeiro, Ângelo , “A implantação da República”, História de Portugal, vol. VII, Barcelos, Portucalense Editora, 1935, p. 508-509;
Silva, Armando Malheiro da, Sidónio e o Sidonismo. Vol. 2, História de um caso político, Imprensa da Universidade, Coimbra, 2006.
- Teixeira, Nuno Severiano, O Poder e a Guerra. 1914-1918, Col. Histórias de Portugal, Editorial Estampa, Lisboa, 1996
A.A.B.M.