domingo, 24 de maio de 2015

JUBILAÇÃO DO PROFESSOR DOUTOR FERNANDO CATROGA


Cerimónia de Jubilação do Professor Doutor Fernando Catroga

DATA: 25 de Maio 2015 (a começar a partir das 9,30 horas | Lição: 17,30 horas);
LOCAL: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra [Anfiteatro II];
ORGANIZAÇÃO: F.L.U.C. | H.E.E.A.A. | C.H.S.C.


9,30 Horas: Sessão de Abertura;

10h/11 Horas: Mesa Redonda

 - INTERVENIENTES: Francisco de Azevedo Mendes (“A condição da subjetividade na teoria da história de Fernando Catroga: historicidades intempestivas”) | Paulo Archer (“História, anamnésis e filosofia. Uma via para a sagesse”) | Joana Bernardes Duarte (“Na orla do mundo, a peregrina sede: phantasia e narrativa historiográfica” | Rui Cunha Martins (moderador);

11,30h/12 Horas: Mesa Redonda

 - INTERVENIENTES: Maria Lúcia de Brito Moura (“Igreja suspeita no estado vigilante” - um projeto de laicização à portuguesa”) | Maria de Fátima Cunha Moura Ferreira (“Ideários e ação política: a pretexto da 3ª via”) | Ana Cristina Araújo (moderador);

12h/12,30 Horas: Conferência

 - ORADOR: Luís Reis Torgal (“História, memória e ideologia. O caso dos Divodignos e das lutas liberais”) | João Gouveia Monteiro (moderador);

ALMOÇO

14,30h/16 Horas: Conferências

 - ORADOR: António Sampaio da Nóvoa (“O compromisso do historiador”) | Guilherme d’Oliveira Martins (“Democracia, identidade aberta e complexa”) | Norberto Ferreira da Cunha (“A problemática histórica da ‘ordem pública’ na I República” | João Maria André (moderador);

16,30h/17,30 Horas: Conferências

 - ORADOR: Pedro Tavares de Almeida (“Política, Estado e Território no Portugal Contemporâneo: Revisitando a obra de Fernando Catroga”) | Anselmo Borges (“Morte, Secularização, Tempo”) | João Maria André (moderador);

17,30 Horas: LIÇÃO de Fernando Catroga

19 Horas: Sessão de Encerramento

 
Amanhã assinala-se a jubilação do Professor Doutor Fernando Catroga [nasce em 1945], Mestre e amigo fraterno, o que muito nos honra.

O doutor Fernando Catroga ministrou “a história da palavra”, com total merecimento. O seu trabalho e a sua linguagem elevada, de todo incontornável, formou toda uma dilatada geração de historiadores e de cidadãos animados pelo estudo da história das ideias e da res pública.

O copioso trabalho que nos ofertou sobre o republicanismo, a história da República, o Positivismo, o Laicismo, a História das Ciências e das Ideias, torna-o credor de todos nós. A sua reconhecida inteligência, o seu vivo entusiasmo pela argumentação e o debate, a sua enorme generosidade, como professor e amigo, consagra-o como um dos mais elevados espíritos deste Portugal de Abril e um dos seus mais respeitados professores.

Amanhã assinala-se a jubilação do Doutor Fernando Catroga: a sua última Lição terá á sua volta antigos alunos, docentes universitários, camaradas, companheiros e amigos. Todos e cada um jamais poderão olvidar a honra de ouvir o Mestre, na sua derradeira Lição. Lá estaremos!

J.M.M.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

MAIO DE 65, O ENCERRAMENTO DA SOCIEDADE DE ESCRITORES

 
Maio de 65, o encerramento da Sociedade de Escritores” – por António Valdemar, in jornal Público
 
Na última década de salazarismo, Maio de 65 ficou assinalado por um dos maiores atentados à cultura e à liberdade nas suas várias dimensões: o encerramento da Sociedade Portuguesa de Escritores. O pretexto legal foi a atribuição do Grande Prémio da Novela a Luandino Vieira, autor da obra Luuanda. O ministro Inocêncio Galvão Teles, no despacho que exarou, classificava Luandino Vieiraum individuo condenado criminalmente a 14 anos de prisão maior por actividades de terrorismo na província de Angola”.
 
Luandino Vieira encontrava-se, com efeito, no Tarrafal, a cumprir 14 anos de prisão. Era um dos implicados no “processo dos 50” julgado pelo Tribunal Territorial de Angola. Provou-se, contudo, que não fabricava bombas, nem colocava explosivos para concretizar ações armadas. Limitara-se a participar com outros intelectuais e políticos na elaboração e difusão de documentos para as bases futuras de uma “nova Angola”.
 
A sentença com base nos fatos apurados não mencionava “actividades de terrorismo”. Mas em telegramas das agências ANI e Lusitânia e textos de opinião do Diário de Noticias, do Diário da Manha, de A Voz e outros órgãos ligados ao regime passou Luandino Vieira a ser denominado terrorista e, como tal, votado ao ostracismo e à execração pública. Era – lhe interdito receber o grande Premio da Novela da Sociedade Portuguesa de Escritores.
 
Uma das muitas notícias que o Diário de Noticias logo publicou intitulava-se “Estranheza em Angola”, pela atribuição de Prémio. Seria possível? Um dos principais jornais diários de Luanda- Visados pela Censura como, aliás, todos os outros - o ABC fizera elogiosas referências à obra. O mesmo livro, também em Luanda, tivera o Prémio Mota Veiga, por se tratar de um contributo “excelente, (…) «uma nova corrente literária, revelando notável poder de criação.” O júri em Luanda integrava personalidades idóneas que representavam outras tantas instituições conceituadas. A atribuição do Prémio, em Lisboa, pela Sociedade Portuguesa de Escritores era susceptível de causar “estranheza” em Angola?
 
Contudo, a partir de 21 de Maio de 1965, data da decisão do ministro Galvão Teles, o Diário de Noticias e outros jornais, com o reforço contínuo das rádios e da Televisão, desencadearam, todos os dias, um «movimento de indignação» para que se fizesse sentir o repúdio ao Prémio, ao júri e à Sociedade Portuguesa de Escritores. Ficou expresso em textos individuais ou em documentos colectivos de protesto. A Gulbenkian, em comunicado subscrito por Azevedo Perdigão, retirou os patrocínios financeiros para os Prémios anuais da Sociedade Portuguesa de Escritores. Mas, também se verificou o contrário. Radicalizaram – se os extremos.´
 
 
FOTO da 1ª DIRECÇÃO DA SPE [tomada de posse na Casa do Alentejo, Julho de 1956]:  Na 1ª fila, da esquerda para a direita: Aquilino Ribeiro, Manuela de Azevedo, João de Barros, General Luís Augusto Ferreira Martins, Adelaide Felix, Assis Esperança e Leão Penedo. Na 2ª  fila: Jaime Lopes Dias, Alexandre Cabral, Cruz Filipe*, Alves Redol, Adão e Silva e Mário Dionísio* (encoberto por Assis Esperança) * não fazendo parte dos Corpos Gerentes, assistiram ao acto de PosseviaBreve Memorial da SPE e da APE …”, 1983, p. 2
A sede da Sociedade Portuguesa de Autores, na rua Escola Politécnico, foi assaltada e destruída. Recordo-me, como se fosse hoje. Fui incumbido, no DN, de fazer a reportagem. Apesar das cautelas exigidas e em fecho da edição, o texto foi retalhado pela censura. Mas saiu nas “últimas notícias”. Restou apenas o retrato a óleo de Aquilino Ribeiro, da autoria do pintor Rui Filipe, realizado para a Sociedade Portuguesa de Escritores e para homenagear o fundador e primeiro presidente.
 
 
O assalto e a destruição resultaram da intervenção de elementos do Jovem Portugal e dos Centuriões com a cobertura da Legião Portuguesa e da PIDE. Houve a cumplicidade de escritores e jornalistas afectos ao regime. Consta de documentos que permanecem na Torre do Tombo, alguns transcritos no Livro Negro do Fascismo. Vem pormenorizada por Riccardo Marchi em Império, Nação, Revolução–as direitas radicais no fim do Estado Novo, 1959- 1974.
 
Entretanto, a PIDE prendia membros do júri que haviam atribuído o Prémio, mesmo os que votaram contra ou não votaram: João Gaspar Simões, Augusto Abelaira, Fernanda Botelho, Manuel da Fonseca, Alexandra Pinheiro Torres. Tive oportunidade de recolher depoimentos, de alguns deles, para um inquérito Diário de Notícias (19 de Maio de 1985) e que revela parte do que se passou nos bastidores.
 
Falta, todavia, um rigoroso e exaustivo levantamento da imprensa da época, incluindo a de Angola e das posições assumidas pelas instituições culturais. Juntamente com a documentação policial e política na Torre do Tombo, permitirá avaliar clivagens muito profundas na sociedade portuguesa, em especial nos círculos intelectuais e que perduram até depois do 25 de Abril.
 
Entre todos os acontecimentos, o que teve mais graves consequências, ocorreu com o Jornal da Fundão. O texto assinado por Alexandre Pinheiro Torres, membro do júri, (apesar de Visado pela Censura) provocou a suspensão do jornal por seis meses, a uma multa pesada e um regime especial de censura: o envio dos textos, das páginas de composição, títulos e ilustrações para a direcção da censura, em Lisboa, em vez de mandar, como era costume, para a delegação Castelo Branco. Será um dos temas das comemorações do centenário do nascimento de António Paulouro fundador e director do Jornal do Fundão. Também será, porventura, um dos capítulos da obra de investigação de Fernando Paulouro Neves acerca da História da Censura (1926-1974).
 
A reconstituição de alguns aspectos deste processo, de Maio de 65, do encerramento da Sociedade Portuguesa de Escritores, (objecto de notável contestação jurídica de Eduardo Figueiredo, grande advogado e resistente à ditadura), não pode deixar de ser assinalado, 50 anos depois, quando, noutra conjuntura, se deparam múltiplos factores de crise que, em qualquer momento, pode atingir o direito de reunião e de associação, mediante as conveniências, os interesses e o arbítrio do poder politico”.
 
 
 
Maio de 65, o encerramento da Sociedade de Escritores – por António Valdemar [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], jornal Público, 20 de Maio de 2015, p.47 – com sublinhados nossos.
 
J.M.M. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

CENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO DO 14 DE MAIO DE 1915 NA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

Amanhã, 19 de Maio, a Câmara Municipal de Lisboa realiza um colóquio evocativo da Revolução de 14 de Maio de 1915.

O programa que acima se apresenta com alguns reputados historiadores que vão analisar o acontecimento nas suas múltiplas dimensões. Entre os conferencistas destacam-se:
- António José Telo;
- Sérgio Campos Matos;
- Teresa Nunes;
- Alice Samara;
- António Ventura;
- Bruno Navarro;
- Luís Bigotte Chorão.

Um evento a acompanhar com toda a atenção e a merecer a melhor divulgação junto dos potenciais interessados nos temas em análise.
Com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

JORNADAS MODERNISTAS – CENTENÁRIO DA PUBLICAÇÃO DA REVISTA ORPHEU


JORNADAS MODERNISTAS: Centenário da publicação da revista Orpheu

DIA: 19 de Maio 2015 (14,00 – 19 horas);

ORADORES: Carlos Reis | António Apolinário Lourenço | Osvaldo Silvestre | Manuel Portela | Diego Giménez | José Vieira | Rita Catania Marrone | Ana Paula Arnaut | José Augusto Cardoso Bernardes | Eduardo Lourenço;


ORGANIZAÇÃO: FLUC, Centro de Literatura Portuguesa e FCT.
 
PROGRAMA AQUI

J.M.M.

HISTÓRIA E HISTORIADORES NO ICS: JORNADA

Amanhã, 18 de Maio de 2015, o Instituto de Ciências Sociais vai dedicar a sua atenção à História e Historiadores na instituição, analisando os diferentes contributos dos variados investigadores que passaram pela mesma.

Uma organização de  Isabel Corrêa da Silva e Nuno Gonçalo Monteiro.

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:
Ao longo de quase meio século, os historiadores e outros investigadores do ICS deixaram uma marca incontornável na produção académica sobre a História do Portugal Moderno e Contemporâneo. Numa altura em que muitos deles se retiram da vida académica activa, é altura de discutir as suas contribuições. Propondo-se reflectir sobre o quanto, na sua pluralidade, os seus legados foram determinantes para a historiografia e para a universidade portuguesas, estas jornadas pretendem constituir, simultaneamente, uma reflexão crítica e uma justa homenagem.  

O programa da jornada que se inicia pelas 9.30h com uma intervenção do Professor José Luís Cardoso segue depois com as seguintes intervenções:

Manhã
Presidente da mesa e comentador: António Costa Pinto
1. Manuel de Lucena, por Luciano Amaral
2. Fátima Patriarca, por Álvaro Garrido
3. Maria Filomena Mónica, por Paulo Silveira e Sousa
4. Manuel Braga da Cruz, por António Araújo

Tarde
Presidente da mesa e comentador: Rui Ramos 
1. Manuel Villaverde Cabral, por Fátima Sá
2. Maria de Lourdes Lima dos Santos, por Augusto Santos Silva
3. Vasco Pulido Valente, por Paulo Jorge Fernandes
4. Fátima Bonifácio, por José Miguel Sardica

Final da tarde
Presidente da mesa e comentador: Jorge Pedreira
1. Jaime Reis, por Leonor Freire Costa
2. António Hespanha, por Pedro Cardim
3. Valentim Alexandre, por Cristina Nogueira da Silva

O encerramento da sessão será feito pelo Professor  Pedro Lains.

Um interessante sessão que não podemos deixar de recomendar aos que tiverem possibilidade de assistir, permitindo conhecer melhor os trabalhos desenvolvidos e publicados por reputados historiadores, mais ou menos polémicos e com percursos de vida e carreira mais ou menos sinuosos, mas com um traço comum o interesse pela História. Quase todos os historiadores que são recordados desenvolveram importantes trabalhos no âmbito da História Contemporânea, onde o Instituto de Ciências Sociais tem deixado importantes contributos.

O programa do evento pode ser descarregado AQUI.

Com os votos do maior sucesso para esta excelente iniciativa, pouco vulgar entre nós e que merece a melhor divulgação.

A.A.B.M.

domingo, 17 de maio de 2015

ALFREDO ERNESTO DE SÁ CARDOSO (1864-1950) E O 14 DE MAIO DE 1915 (Parte II)


Durante o seu percurso militar e depois do regresso de Angola, em 1901, apresenta-se no Ministério da Guerra e no Quartel-General da 1ª Divisão. Em Fevereiro desse ano foi incumbido de realizar uma pequena tarefa na fábrica de armas. Em Julho de apresentou-se no Regimento de Artilharia nº 5, e no final de Dezembro apresentou-se no Grupo de Artilharia de Guarnição nº4.

Transferido em 1902 para o Estado-Maior de Artilharia e foi nomeado adjunto da 2ª Repartição da Direcção-Geral do Serviço de Artilharia. Em Dezembro desse ano foi transferido para o Campo de Tiro de Alcochete onde se manteve até Maio de 1907, tendo realizado diversas tarefas como o exame dos terrenos e dependências do Campo, inventariar as construções e material ali existentes. Estudando a forma mais económica e prática de juntar a Escola Prática de Artilharia com a instrução do Exército.

Com a extinção do Campo em Maio de 1907, passou a desempenhar as funções de vogal da comissão de serviço balístico e da comissão encarregada de proceder à elaboração de um regulamento de tiro e armamento, para armas portáteis e à redacção do respectivo manual.

Em Outubro de 1910, após a implantação da República foi nomeado Chefe Interino de Repartição do Gabinete da Secretaria da Guerra. Participou nos acontecimentos da Rotunda, mas quando soube do suicídio de Cândido dos Reis acabou por fazer uma retirada estratégica. Integrou também a comissão encarregada de reunir num único diploma legal as directivas sobre uniformes do Exército, procurando simplificar e adaptar às novas realidades, em especial em caso de guerra.

Promovido a major e nomeado Chefe de repartição do Gabinete do Secretariado da Guerra em 29 de Junho de 1911. Exonerado destas funções foi transferido para o comando do Grupo do 2º Batalhão de Artilharia de Costa. Em 1913 foi colocado na Repartição Técnica do Arsenal do Exército e nomeado vogal da comissão técnica de fortificações.

Em 1914 presta serviço no Regimento de Artilharia nº2, exercendo as funções de comandante do 1º Grupo e, em 1915, foi transferido para o Regimento de Artilharia nº1, tendo nessa altura sido promovido a tenente-coronel. Foi nomeado Inspector do Material de Guerra do Arsenal do Exército. Em Setembro de 1915 passou a integrar o quadro de Artilharia de Campanha, assumindo em Dezembro de 1916 o comando do 1º Batalhão de Obuses de Campanha.

Em correspondência de João Chagas para Sá Cardoso, em Janeiro de 1915, é possível encontrar uma recomendação ao militar no sentido de se conseguir o reforço do poder governamental. Mas o político republicano [João Chagas], referia que não era partidário de uma ditadura, antes seu adversário e Sá Cardoso, sendo militar, sabia as dificuldades e conflitualidades que se faziam sentir no seio da instituição militar a favor e contra a intervenção dos mesmos na vida política.

Participou na preparação do 14 de Maio de 1915, fazendo parte da Junta Revolucionária que preparou a revolução onde pontuavam António Maria da Silva [único civil], Norton de Matos e Sá Cardoso [majores] além de Freitas Ribeiro [capitão-tenente] e Álvaro de Castro [capitão].

Parte para França, integrado no Corpo Expedicionário Português, em Março de 1917. Durante esta fase é promovido a coronel para o Estado-Maior de Artilharia e, em Outubro de 1917 passa a desempenhar as funções de Comandante-Geral de Artilharia e Comandante de Artilharia da 1ª Divisão, mas em Janeiro de 1918 regressa a Portugal, porque entretanto tinha subido ao poder Sidónio Pais.

Sendo oposicionista da revolta sidonista de 5 de Dezembro de 1917, tendo sido preso em 1918 em situações degradantes que provocaram mesmo a sua queixa junto das autoridades. Segundo relato que nos chegou através do testemunho do seu filho, Carlos Ernesto Sá Cardoso, seu pai teria sido preso em sua casa e conduzido ao Governo Civil de Lisboa. Ali foi detido numa enxovia com outros detidos e depois transferido para o Castelo de São Jorge, tendo depois sido novamente transferido para o forte da Graça, em Elvas. Só viria a ser libertado durante o período conhecido como Traulitânia, comandando nesse período das forças republicanas em operações pelo Alentejo.

Em 1919, fiel à sua índole republicana, participou na ofensiva contra a Monarquia do Norte. Nesse mesmo período foi eleito presidente da Câmara dos Deputados. Em Junho desse mesmo ano assumiu a presidência do governo, acumulando as pastas do Interior e dos Negócios Estrangeiros até 1920. Nessa fase afasta-se do Partido Republicano e, juntamente com Álvaro de Castro, funda o Partido Reconstituinte. Em 1923, transita para os Nacionalistas, que resultaram da fusão com os liberais. Voltou a ser Ministro do Interior entre 18 de Dezembro de 1923 e 6 de Julho de 1924. Participa ainda com Álvaro de Castro na criação da Acção Republicana, onde desenvolve actividade até 1925.

Em 1926, com a Ditadura Militar instaurada em Portugal, Sá Cardoso foi preso e deportado. Inicialmente neutral face ao movimento de 28 de Maio, acaba pouco tempo depois por se manifestar claramente contrário à Ditadura Militar. Combatendo-a com firmeza acaba por ser preso, primeiro para Cabo Verde e depois para os Açores. 

[em continuação]

A.A.B.M.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

ALFREDO ERNESTO DE SÁ CARDOSO (1864-1950) E O 14 DE MAIO DE 1915


Alfredo Ernesto de Sá Cardoso nasceu em Lisboa a 6 de Junho de 1864, filho de Carlos Ernesto Freire d’Aguiar Cardoso e de D. Adelaide Leopoldina de Sá Cardoso.

Assentou praça em 1880, no Regimento de Cavalaria nº 2. Prosseguindo a carreira de oficial do exército (alferes, 1886; tenente, 1888; capitão, 1900; major, 1911; tenente-coronel, 1915; coronel, 1917) que o levou em 1924, ao posto de general. Fez os estudos para a arma de Artilharia, prosseguindo para a Escola Politécnica onde estudou. De seguida passou para a Escola do Exército onde termina os seus estudos em 13 de Janeiro de 1886.

Foi mobilizado para a campanha da Lunda e, em 1888, assumiu a secretaria do Governo Distrital de Angola. Foi governador da for­taleza de S. Francisco do Penedo e, nos anos de 1917-1918, pertenceu ao Corpo Expedicionário Português. Desempenhou também o cargo de vogal do Conse­lho de Trabalhos Balísticos.

Filiado no Partido Republicano Português (PRP) desde muito jovem conspirou activamente no derrube da monarquia, participando nos acontecimentos de 31 de Janeiro de 1891 e de 28 de Janeiro de 1908. Fez também parte da comissão militar que preparou a revolução de 5 de Outubro de 1910, desempenhando papel de destaque na implantação da República, foi designado chefe de gabinete do ministro da Guerra, Correia Barreto (1910-1911). Foi eleito deputado em 1913, tendo depois sido nomeado Governador Civil do Distrito Autónomo do Funchal. Foi membro da Junta Consultiva do Partido Republicano Português (1913) e chefe indigitado do partido (em 1919). Passou também pelo Partido Reconstituinte, que fundou com Álvaro de Castro, e pela Acção Republicana, de que foi presidente.

Alfredo Sá Cardoso foi iniciado na Maçonaria em 1893, com o nome simbólico de Alaíde, na loja Portugal, em Lisboa. Passou a coberto em 1898, sendo regularizado em 1911, na loja Acácia. Alcançou os altos graus ascendendo ao grau 33. O que não impediu de abjurar o facto, assinando em 1934 uma declaração de honra, na qual afirmava não pertencer a qualquer organização secreta. Chegou a fazer parte do seu Supremo Conselho a partir de 1934.


Integrando o denominado grupo Jovens Turcos da República, de que foi fundador, acompanhado por Álvaro de Castro e por outros jovens militares da República, chefiou o movimento de 14 de Maio de 1915, contra a ditadura de Pimenta de Castro. Foi um dos grandes responsáveis pela defesa da participação de Portugal na Grande Guerra. Quando da participação portuguesa, partiu para França, onde combateu, tendo ascendido a comandante-geral de artilharia. Assumiu depois as funções de presidente da Câmara dos Deputados.

[Em continuação]

A.A.B.M.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

CONFERÊNCIA – CENTENÁRIO DO 14 DE MAIO: A REVOLUÇÃO MAIS SANGRENTA DA 1º REPÚBLICA E A GRAVE CISÃO NA MAÇONARIA PORTUGUESA


CONFERÊNCIA: Centenário do 14 de Maio: A Revolução mais sangrenta da 1ª República e a grave cisão na maçonaria portuguesa;

DIA: 14 de Maio 2015 (16,00 horas);
ORADOR: António Valdemar (jornalista e membro da Academia das Ciências) | Álvaro Carrilho (imagens);

LOCAL: Biblioteca-Museu República e Resistência (Rua Alberto de Sousa, 10 A, Lisboa);
ORGANIZAÇÃO: Biblioteca-Museu República e Resistência.

"Conferência por António Valdemar - Jornalista, Investigador e Membro da Academia das Ciências e imagens sistematizadas e recriadas pelo designer Álvaro Carrilho.

Por ocasião do centenário do 14 de Maio, o académico António Valdemar vai falar-nos deste episódio da história do nosso país aquando da queda da 1ª Ditadura da República para a reposição da constituição e legalidade democrática".


J.M.M.

terça-feira, 12 de maio de 2015

ANTÓNIO ALEIXO UM LIVRE PENSADOR: COM LUÍS GUERREIRO - TERTÚLIA EM LOULÉ


 
TERTÚLIAAntónio Aleixo um livre pensador

DATA13 de Maio 2015 (19 horas);
LOCAL: Café Calcinha [Loulé];
ORGANIZAÇÃO: Fundação António Aleixo

ORADOR: Eng. Luís Guerreiro

Pode ler-se na nota de divulgação:

Em Junho de 1922 António Aleixo adquire o estatuto de sócio da Associação do Registo Civil e do Livre Pensamento.
Este facto até hoje desconhecido da generalidade dos seus biógrafos leva-nos a questionar porque é que o Poeta ocultou esta realidade aos seus amigos mais próximos e em particular ao seu “secretário” Professor Joaquim Magalhães e que tipo de associação é que falamos. Serão estas as questões centrais a abordar na Conferência de amanhã, Quarta - feira, 13 de Maio pelas 19 horas, no Café Calcinha - Loulé, numa iniciativa da Fundação António Aleixo.

Com os nossos votos de muito sucesso para esta iniciativa da Fundação António Aleixo, com o nosso particular amigo Luís Guerreiro.

A.A.B.M.

DR. AFONSO COSTA - A NOSSA HOMENAGEM



 
O dr. Afonso Costa morre a 11 de Maio de 1937, em Paris
 
J.M.M.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

JOAQUIM MARIA DE OLIVEIRA SIMÕES (1880-1946)


JOAQUIM MARIA DE OLIVEIRA SIMÕES nasceu a 13 de Abril de 1880 em Salreu (Estarreja, Aveiro), filho de Francisco Maria Simões
[no inicio do século XX, em 1914, Francisco Maria Simões é proprietário do palacete, de Arte Nova, no Largo da Igreja de Salreu, construído sob projecto do arquitecto Ernesto Korrodi - de origem suíça mas naturalizado português e que deixou importantes obras arquitectónicas; Korrodi foi maçon, tendo sido iniciado na Loja “Trindade Leitão, nº 297, de Alcobaça, com o n.s. de Helvécio, passando para a Loja Gomes Freire, de Leiria (onde foi Venerável), terra onde veio a falecer em 1944 - o mesmo arquitecto que projectou a Casa–Museu Egas Moniz, em Avanca, construção de 1915],
de profissão negociante, e de Ana Rosa de Oliveira Rodrigues.
 
Palacete de Francisco Maria Simões, em Salreu
Em Coimbra, na Universidade, é bacharel em Filosofia e Matemática [cf. A.H.de Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol II, col. 1352], seguindo a carreira militar, onde atinge o posto de coronel de infantaria, com o curso do Estado Maior. Foi um oficial dos mais “distintos”, com várias comissões de serviço público, tendo sido chefe de gabinete do Ministro da Guerra, em diversos governos. Esteve presente no CEP, em França, entre 1917-1919.
Foi eleito deputado pelo círculo de Aveiro, nas eleições legislativas de 8 de Novembro de 1925, como democrático independente [foram eleitos, então, pelo círculo de Aveiro, além de Oliveira Simões (6365 votos), o Conde de Águeda (Cauda Monárquica, com 6153 votos), Alberto Vidal (Partido Democrático, com 5793 votos) e Manuel Alegre]. Foi nomeado Comendador em 1926, sendo agraciado com a Ordem de Torre e Espada.
Na construção do monumento ao Marquês de Pombal, Oliveira Simões teve lugar proeminente, fazendo parte da Comissão Executiva do Monumento [com Estevão da Silva, Custódio José Vieira e José Pedro Moreira], integrou a romagem ao túmulo do Marquês, realizada a 10 de Maio de 1933 [sobre o Monumento ao Marquês de Pombal, ver AQUI] e esteve presente [com Norton de Matos e outros] na inauguração do monumento a 13 de Maio de 1934 [dia que foi a última grande manifestação pública do GOL, Maçonaria Portuguesa, antes do decreto da sua proibição, datado de 25 de Maio de 1931]. Deixou algumas palavras [ver Diário de Lisboa, 27 de Fevereiro de 1934, p. 5] sobre o Monumento ao Marquês de Pombal, num curioso artigo, onde além de fazer a história do monumento, debate e insurge-se contra as acusações feitas de “atentado á estética” e outras mais críticas, entre as quais a existência de um erro de proporção entre a figura do Marquês e o leão.   
Joaquim Maria de Oliveira Simões foi iniciado na Maçonaria, em 1921, na Loja Liberdade, nº 197 do REAA, instalada em Lisboa [a Loja, fundada em 1896, seguiu em 1914 o Supremo Conselho de Grau 33, ou Grémio Luso-Escocês, regressando à Obediência em 1920], com o n.s. de José Estevão. Em 1928 atingiu o Grau 33 [cf. Oliveira Marques, ibidem] , desempenhando ao longo do tempo cargos relevantes no Grande Oriente Lusitano: pertenceu ao Grande Tribunal Maçónico e foi Grão-Mestre Adjunto (em exercício) entre 1928-30.
De facto, com a morte de Magalhães Lima (7 de Dezembro de 1928) sucedeu-lhe, por eleição no Grão-Mestrado, António José de Almeida, tendo como Adjunto, o coronel Oliveira Simões [eleição validada pelo presidente da Grande Dieta, António Augusto Curson, o dia 18 de Maio de 1928 – cf. António Ventura, “Maçonaria em Portugal”, p. 670]. No pedido de dispensa de António José de Almeida do cargo, dado se encontrar muito debilitado pela doença (morre a 31 de Outubro de 1929), os corpos gerentes do GOL dão posse [20 de Maio de 1929] ao coronel Oliveira Simões, ficando com o cargo de assegurar a direcção a Ordem. Na noite de 16 de Abril de 1929, quando o Grão-mestre Adjunto Oliveira Simões se preparava para dar uma conferência no Grémio Lusitano, em substituição do Grão-mestre Norton de Matos, o palácio maçónico é assaltado pela polícia e a GNR, a soldo da ditadura militar, sendo presos e identificados todos os maçons, dando-se início á “grande perseguição” [cf. Oliveira Marques, “A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo”, 2ª ed. 1983, p. 59]. A 1 de Julho desse ano, o coronel Oliveira Simões, na qualidade de Grão-mestre Adjunto dirige uma mensagem ao povo maçónico.  
 

O Palácio Maçónico ficou encerrado entre Maio e Março de 1930, tendo o Conselho da Ordem do GOL, sob presidência de José da Costa Pina [acompanhado por Inácio Pedro Quintela Emauz, Augusto de Matos Cid, Adolfo Jaime Sampaio da Luz e João Nunes dos Santos – cf. António Ventura, op. cit, p. 671], “determinado a triangulação imediata de todas as lojas” [Circular nº1, de 11 de Junho de 1929]. No dia 31 de Dezembro de 1929 a Maçonaria portuguesa elegia como Grão-mestre o general Norton de Matos, tendo como Grão-mestre Adjunto o coronel Oliveira Simões. Com Norton de Matos, ausente do país por motivos políticos [regressa em Agosto de 1932], a direcção do GOL coube inteiramente a Oliveira Simões e ao Conselho da Ordem. 
Na sequência da Lei nº1901 sobre as “Sociedades Secretas”, promovido pelo deputado monárquico e integralista José Cabral, no dia 4 de Abril de 1935, “antecipando-se à aprovação pela Assembleia [Nacional] do projecto, o Grão-Mestre Norton de Matos transmitia todos os seus poderes e funções ao Grão-Mestre Adjunto, Oliveira Simões” [cf. Oliveira Marques, ibidem]. No dia 18 de Maio, desse ano, é a vez do Grão-Meste Adjunto [ibidem, p. 62] “transferir todos as sua funções e poderes ao presidente da Grande Dieta [António Augusto Curson] que por seu turno, no dia imediato, os transmitia ao Conselho da Ordem, presidido pelo dr. Maurício Costa” [com a morte deste a 19 de Maio de 1937, passou a exercer a direcção do GOL, na qualidade de presidente do Conselho da Ordem, o dr. Luís Gonçalves Rebordão, deste o dia 12 de Junho, desse ano, até ao 25 de Abril de 1974]. Por sua vez, trianguladas as Lojas, o Conselho da Ordem confere [Decreto nº36] ao seu presidente “a plenitude dos poderes legislativo, executivo e judicial”, possibilitando a “operacionalidade da ordem em regime clandestino” [ibidem].
Joaquim Maria de Oliveira Simões viria a falecer, em Lisboa, na Rua D. Estefânia, nº 21, 1º andar (Arroios) a 24 de Maio de 1946. Era casado com Gracinda Lopes dos Santos Simões. O seu funeral foi acompanhado até ao cemitério do Alto de S. João por muitos cidadãos, amigos e correligionários, antigos deputados, oficiais de Exercito e da Armada, fazendo-se representar a Liga dos Combatentes da Grande Guerra por um grupo expressivo de companheiros de armas. O seu corpo ficou sepultado no talhão dos antigos combatentes da Grande Guerra [cf. Diário de Lisboa, 25/05/1946]
FOTO (no alto) via Junta de Freguesia de Salreu (Facebook), com a devida vénia

J.M.M.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

PÁTRIA E REPÚBLICA - 14 DE MAIO DE 1915

 
 
 
 
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CONFERÊNCIA – SIDÓNIO, O SIDONISMO E A 1ª GUERRA MUNDIAL


CONFERÊNCIA: Sidónio, Sidonismo e a 1ª Guerra Mundial;

DATA: 8 de Maio 2015 (21,30 horas);
LOCAL: Museu Bernardino Machado [Vila Nova de Famalicão];
ORGANIZAÇÃO: Museu Bernardino Machado

ORADOR: Prof. dr. Armando Malheiro da Silva 

“… O Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, promove mais uma conferência do ciclo “As Grandes Questões da I República”, dedicada ao tema “O republicanismo autoritário e a posição dos católicos: uma leitura do caso singular de Sidónio Pais e do Sidonismo (1917-1918) ”. O debate terá como orador convidado o investigador Armando Malheiro [da Silva], historiador com diversas obras publicadas sobre Sidónio Pais e o Sidonismo.

Doutorado pela Universidade do Minho, onde a 17 de Maio de 1999, defendeu a dissertação de doutoramento, sob orientação do Professor Doutor Luís Reis Torgal, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, intitulada “Sidónio e Sidonismo. História e Mito”, tendo sido aprovado com distinção e louvor. É professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e docente na Licenciatura em Ciência da Informação desde Outubro de 2002, sendo ainda colaborador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra.


Nos últimos anos, Armando Malheiro tem proferido diversas conferências em estabelecimentos de ensino e de cultura, para além de uma participação intensa em vários seminários, colóquios, encontros e congressos no âmbito das Ciências Sociais e Humanas.


Dos diversos trabalhos publicados destaque para “Síntese do Projecto Sidónio e Sidonismo. História e Mito”. Itinerarium, Braga (1999); “António Cândido, Sidónio Pais e a elite política amarantina 1850-1922”; “Egas Moniz e a Política. Notas avulsas para uma biografia indiscreta”, entre muitos outros.


Refira-se que o ciclo de conferências “As Grandes Questões da I República” insere-se nas comemorações municipais do Centenário da República. Depois do Verão, as conferências regressam no dia 17 de Setembro, com o convidado Sérgio Campos Matos e o tema “Alternativas à esquerda da I República: Os seareiros” [AQUI]


J.M.M.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

CONFERÊNCIA – JAIME CORTESÃO: O CIDADÃO E O ESCRITOR


CONFERÊNCIA: Jaime Cortesão: o Cidadão e o Escritor;

DATA: 10 de Maio 2015 (17,30 horas);
LOCAL: Centro Paroquial de Solidariedade de Ançã [Ançã - Cantanhede];
ORGANIZAÇÃO: Patrimonium


J.M.M.