domingo, 10 de março de 2019

[EXPOSIÇÃO] CIDADÃOS ILUSTRES. MAÇONS DA LOJA “A REVOLTA” DE COIMBRA


EXPOSIÇÃO: Cidadãos Ilustres. Maçons da Loja “A Revolta” de Coimbra

DE: 9 de Março a 30 de Junho 2019;
LOCAL: Casa da Escrita [R. Dr. João Jacinto, nº8], Coimbra;

A exposição Cidadãos Ilustres, maçons d’A Revolta Coimbra, dá a conhecer a importância desta Loja e de seus prestigiados membros na história do Grande Oriente Lusitano e do país. Para compreender bem o presente é preciso conhecer e entender o passado, no caso da Loja d’A Revolta e dos seus membros, um passado de reflexão e conhecimento, de contributos para formação de homens e cidadãos mais livres, e de uma sociedade liberta de toda a sorte de tiranias, mais justa, mais igualitária, mais fraterna.

Hoje, guardiã desse rico passado, a Loja A Revolta mantém a sua idiossincrasia de mais de um século, em luta constante pela divisa Liberdade, Igualdade, Fraternidade, sempre e cada vez mais actual num mundo de sombras ameaçadoras de retrocessos político e sociais, mais, contribuindo para o conhecimento e pensamento das questões que as mudanças de paradigma civilizacional colocam prementemente sobre novas leituras do mundo, seja sobre o que os jovens hoje por esse mundo fora se indignam e revoltam quanto às questões ambientais, seja sobre a intensificação da crise de confiança e forma de pensar a democracia e os sistemas económicos e sociais, seja em novas controvérsias sobre o trabalho, o rendimento universal, u numérico, as novas tecnologias de comunicação, a inteligência artificial, o transhumanismo, as relações sociais e afectivas.

A exposição e o que nela se contém e sugere é a garantia que os maçons continuarão a trabalhar para o bem da Humanidade” 

[Fernando Lima, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, in folheto da Exposição]      

 


► [LOJA “A REVOLTA” – PEQUENA ANOTAÇÃO]

 A Loja “A Revolta” foi [conforme já AQUI dissemos] inicialmente fundada em Coimbra, justamente em 1909 [6 de Março] na “condição de independente”. A Loja teve, desde a sua instalação, um importante papel na constituição das estruturas carbonárias em Coimbra e na região (como em Soure, Cantanhede e na Figueira da Foz), dado principalmente o trabalho organizativo de um dos fundadores e seu primeiro Venerável, Amílcar da Silva Ramada Curto [Irmão Elysée Réclus, iniciado em 1903 na Loja Elias Garcia, de Lisboa]. Ramada Curto era possuidor das credenciais da Alta Venda da Carbonária e tinha plenos poderes para organizar, na cidade e na Academia, um grupo revolucionário que trabalhasse para o derrube da monarquia.

A Loja "A Revolta", do RF, instalada em Coimbra em 1909, na "condição de independente" integra-se, mais tarde, na Obediência do Grande Oriente Português [que nasce, em 1908, da dissidência de várias lojas do GOL, em Coimbra e que se mantém em atividade até Maio de 1911, sendo Grão Mestre, Francisco José Fernandes da Costa; a desinteligência das lojas com o GOL e que constituíram o Grande Oriente Português – lojas Perseverança, Portugal e Pro-Veritate - resultou da não aceitação da regularização do dr. Hermano de Carvalho, membro do partido franquista, na loja Gomes Freire, de Leiria e que, no mesmo ano se torna Venerável da loja de Coimbra, Estrela de Alva; diga-se que existia entre 1908 e 1910, nove lojas maçónicas a trabalhar na cidade de Coimbra, tendo duas delas abatido colunas já em 1909 – voltaremos mais tarde a este curioso assunto].

Em 3 de Maio de 1911, a loja “A Revolta”, pelo Decreto nº100, é regularizada no Grande Oriente Lusitano, com o nº 336. Torna-se Augusta e Benemérita pelo Decreto nº27, de 26 de Novembro de 1925, e durante a ditadura foi objeto de assaltos e perseguições várias, mas sobrevive à clandestinidade, mantendo-se em trabalho até aos dias de hoje.

Pela loja de Coimbra “A Revolta” (que teve um dos seus templos na rua Borges Carneiro,15) passaram ao longo destes 110 anos um rol de combativos cidadãos, merecedores de reconhecimento público, como Ramada Curto (Elysée Réclus), Agatão Lança (Robespierre), Emílio Maria Martins, Manuel Pestana Júnior (Bakunine), Bissaya Barreto (Saint Just), Francisco Lino Gameiro, João Garraio da Silva, Carlos Amaro, José Frederico Serra (foi VM 1912, 1914), José Diogo Guerreiro (foi VM em 1912), Zacarias da Fonseca Guerreiro (foi VM em 1916), António Nunes de Carvalho (Mendes da Maia), José Alves Ferreira Neves (Buiça), Manuel de Sousa Coutinho Júnior (Elmano), Eduardo Rodrigues Dias Correia (Koch), Joaquim de Carvalho (Guyau), António Lúcio Vidal, Henrique Videira e Melo (Afonso Costa), Basílio Lopes Pereira (Fernão Vasques), Luís Gonçalves Rebordão (João de Barros; foi GM entre 1957-75), Aurélio Quintanilha (Brotero), Gustavo Nolasco da Silva (Jean Jacques), Armando Celorico Drago (Karl Marx), Carlos Cal Brandão (Manuel de Arriaga), Mário Cal Brandão (Antero de Quental), Silo José Cal Brandão (Olislac), António Ribeiro dos Santos, Luís Baeta de Campos (Antero de Quental), Fernando Valle (Egas Moniz), Vitorino Nemésio (Manuel Bernardes), Manuel Luís da Costa Figueiredo (Ruy Barbosa; fundador da loja Silêncio e Combate, em Estarreja), Jaime Alves Tomaz Agria (Egas Moniz), José Maria de Castro Freire de Andrade (João de Deus), António Augusto Pires de Carvalho, António de Freitas Pimentel, Mário de Azevedo e Castro (Abraham Lincoln), Meliço Silvestre (Santiago da Beira), Fernando Nolasco da Silva (Sun Yat Sen), Emídio Guerreiro (Lenine), Artur Santos Silva (pai) (Camille Desmoulins), Mário Dias Coimbra (Magalhães Lima), António César Abranches (Spinozza), Flausino Esteves Correia Torres (Protágoras), Albano Correia Duque de Vilhena e Nápoles (Vigny; marido de Cristina Torres e um dos fundadores da loja Germinal, da Figueira da Foz), Raul Soares Pessoa (António José de Almeida), Frutuoso Soares Pessoa (Adamastor), Fausto Pereira de Almeida (D. Fuas), Manuel Lontro Mariano (António José de Almeida), Francisco de Freitas Lopes (José Relvas), Turíbio de Matos (João de Deus), César Alves (Magalhães Lima), Raul Gaspar de Oliveira (Fernandes Tomás), Manuel Mendes Monteiro (Teófilo Braga), Henrique da Silva Barbeitos Pinto, António Pais de Sousa, Abílio Fernandes, José de Barros Pinto Bastos, António de Sousa, Rodrigo Rodrigues dos Santos, António Arnaut (Jeaneanes), Fausto Correia (Gomes Freire), António Luzio Vaz (Domingos) e outros tantos mais.

J.M.M.

terça-feira, 5 de março de 2019

A IMPORTÂNCIA DE SE CHAMAR PORTUGUÊS: JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO NA DIRECÇÃO DO INVESTIGADOR PORTUGUÊS EM INGLATERRA, 1814-1819



LIVRO: A importância de se chamar português: José Liberato Freire de Carvalho na direcção do Investigador Português, 1814-1819;

AUTORA: Adelaide Maria Muralha Vieira Machado;
EDIÇÃO: Lema d´Origem, Março de 2019.

NOTA: Trata-se da publicação do estimado e importante trabalho de Adelaide Maria Muralha Vieira Machado, para obtenção do grau de Doutor (Abril de 2011) em História e Teoria das Ideias, sob orientação científica da professora doutora Zília Osório de Castro.   

LANÇAMENTO:

DIA: 7 de Março (18,00 horas);
LOCAL: Casa da Escrita (Coimbra);
ORADORA: Profª Doutora Isabel Nobre Vargues;

ORGANIZAÇÃO: Lema d’Origem, C. M. de Coimbra, Comissão Liberato

“Em Fevereiro de 1819, há 200 anos, encerrou definitivamente o jornal "O INVESTIGADOR PORTUGUEZ EM INGLATERRA", dois meses/números depois da saída de José Liberato Freire de Carvalho da sua direcção e redacção.

Assinalar este facto é igualmente sublinhar a importância de [José] Liberato à frente dos destinos deste jornal, o que apenas aconteceu entre 1814 e 1819. José Liberato, recém exilado em Londres, fugindo da perseguição movida pelo "trono e pelo altar", viria a descobrir nesta sua nova ocupação de publicista/jornalista o meio ideal de difusão das novas ideias e ideais do tempo, bem como de denúncia e combate ao (des)governo da corte no Rio de Janeiro e do consulado persecutório de Beresford em Lisboa.

Um jornal que nasceu para utilidade da corte portuguesa viria a transformar-se, pela pena de Liberato, num dos seus mais incómodos admoestadores” [Comissão Liberato]

A Europa, na viragem do século 18 para o 19, fazia o primeiro balanço das revoluções norte-americana e francesa. Reunidos em Viena, após a derrota de Napoleão, o poder político e a diplomacia europeia procuravam a melhor forma de garantir um justo equilíbrio entre nações, e com ele, novos rumos para a paz na Europa. Ligando a actualidade com as heranças intelectuais dos séculos anteriores, várias propostas foram surgindo, mas cedo se percebeu uma nova realidade, que obrigava a ter em conta as nacionalidades e as respectivas opiniões públicas.

O debate em torno da restauração francesa extravasou largamente o âmbito do congresso e percorreu a imprensa europeia. Com larga expressão nessa imprensa, destacava-se uma corrente moderada e reformista, nascida da primeira fase da revolução francesa e da discussão em torno da Constituição de 1791, que entendia os despotismos, reais ou revolucionários, como algo a evitar. Inserindo-se nessa linha o Investigador Português em Inglaterra, ao abrigo da liberdade de imprensa vigente em Inglaterra, divulgou e participou nesse debate procurando transmitir uma mensagem propedêutica aos portugueses, consubstanciada na defesa da segurança e liberdade individuais, no quadro da monarquia constitucional e sob o império da lei.

Da autonomia do político e do seu discurso, foram-se formando as correntes políticas contemporâneas surgidas precisamente da ligação entre pensamento e acção, entre práticas e teorias políticas. Independente da validade de genealogias futuras, liberais e conservadores vão-se legitimando na procura de respostas moderadas aos desafios que se colocavam à construção de uma sociedade civil livre e participativa, cujas desigualdades sociais e económicas tinham agora a mobilidade de uma justificação moral e política”. [in Resumo da Tese]  

J.M.M.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

COIMBRA – VITORINO NEMÉSIO! 40 ANOS DE SAUDADE (20 FEVEREIRO 2019)



VITORINO NEMÉSIO! 40 ANOS DE SAUDADE

DIA: 20 de Fevereiro 2019 (17,30 horas);
LOCAL: Coimbra (Penedo da Saudade);

Vitorino Nemésio nasceu na Praia da Vitória nos Açores a 19 de dezembro de 1901, tendo falecido em Lisboa no dia 20 de fevereiro de 1978. Foi um poeta, romancista, cronista, académico e intelectual, cuja alma mater foi Coimbra!

2018 assinalou a efeméride dos 40 anos do falecimento de Vitorino Nemésio. Coimbra, cidade de cultura e conhecimento, com forte tradição literária, não pode deixar de celebrar e recordar este conimbricense numa data especialmente importante e simbólica.

Justifica esta pretensão a forte ligação de Nemésio a Coimbra, onde chegou em 1921, terminou os estudos secundários e iniciou os universitários, publicou o seu primeiro romance, onde casou, viveu e nasceram os seus filhos, integrou o Orfeão Académico de Coimbra e a ACE (actual ACM), dirigiu o Centro  Republicano, disputou as eleições académicas, fundou e colaborou em revistas culturais decisivas no panorama português, conviveu com grandes figuras e referências intelectuais daquele tempo - Joaquim de Carvalho, José Régio, Sílvio Lima, Paulo Quintela, Fernando Vale, Miguel Torga e mais -, e mesmo quando lecionava já em Lisboa como professor catedrático, manteve residência em Coimbra. E, como se não bastasse, fez questão de aqui ficar definitivamente em repouso, estando sepultado no cemitério dos Olivais em Coimbra.

Por ser um dos mais importantes escritores e comunicadores do século XX português e por tudo o que foi descrito referente à sua relação com Coimbra, o GAAC - Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, decidiu promover uma série de iniciativas que marquem esta efeméride de uma forma honrosa e adequada, reavivando a memória de Vitorino Nemésio na nossa cidade com o objetivo de celebrar e homenagear a sua obra. Deste modo, o GAAC tomou a iniciativa de congregar esforços e vontades para a mesma se realizar no próximo dia 20 de fevereiro com o seguinte programa:

PROGRAMA

COIMBRA, 20 de Fevereiro de 2019

17h30:PENEDO DA SAUDADE

- Ponto de encontro, seguido de momento evocativo com a instalação de uma escultura simbólica de Vitorino Nemésio.

- Distribuição do jornal “Viva Nemésio!.

- Declamação de poesia!”.

A não perder.

J.M.M.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

HISTÓRIA DA CULTURA EM PORTUGAL NO SÉCULO XX. INDUSTRIALIZAÇÃO, MASSIFICAÇÃO, MEDIAÇÕES - CONGRESSO


Nos dias 7, 8 e 9 de Fevereiro de 2019 realiza-se um importante congresso dedicado à questão da História da Cultura em Portugal no Século XX. Industrialização, massificação e mediações.

Ao longo de três dias alguns dos especialistas vão tratar de temas que vão desde os livros, ao cinema, à música, entre outros aspectos.

O evento decorre na Biblioteca Nacional.

Pode ler-se na nota de abertura do congresso aqui:

"O congresso “História da Cultura em Portugal no Século XX” procura recensear pesquisas recentes e abrir novos campos de investigação na história cultural contemporânea em Portugal. A amplitude temática dos painéis, que inclui questões políticas e de periodização cultural, circulações do objecto escrito e o desenvolvimento das indústrias audiovisuais, entre outras, será uma oportunidade para estabelecer novas relações entre a história da cultura e outras dimensões, porventura melhor conhecidas, da história de Portugal no século XX.

Por outro lado, o conjunto de abordagens que teremos oportunidade de discutir, reflectirão criticamente sobre algumas das categorias menos questionadas do campo cultural – a cultura nacional, o cânone erudito, o estatuto da autoria – abrindo assim a análise para a circulação de objectos culturais, para a cultura popular e para as formas de apropriação e convívio culturais, na linha dos cortes transversais operados pela viragem cultural das últimas décadas. O objectivo do congresso é o de procurar, na diversidade das apresentações, encontrar uma perspectiva de conjunto das muitas formas que a cultura e a vida cultural assumiu no sociedade portuguesa ao longo do século XX."

Na comissão organizadora do congresso encontram-se dois especialistas com trabalhos e publicações científicas sobre o tema de grande valor: Luís Trindade e Luís Augusto da Costa Dias.

O programa completo pode ser consultado AQUI.
Os resumos das comunicações e as notas biográficas dos comunicadores podem ser consultadas AQUI.

Um excelente programa, tocando as mais variadas áreas e temas actualizando conhecimentos e descobrindo que existe ainda muito mais para se investigar em Portugal.

Muitas felicidades para a iniciativa e que corra tudo pelo melhor, até porque estão vários amigos com quem nos temos cruzado pelos congressos, bibliotecas e eventos científicos.

A.A.B.M.




[DIA 8 FEVEREIRO] - ALVES DA VEIGA (1849-1924). UMA PROPOSTA DE ORGANIZAÇÃO FEDERATIVA DA SOCIEDADE PORTUGUESA



AUTORA: Sónia Rebocho;
EDITORA: Caleidoscópio, 2017;

NOVA APRESENTAÇÃO DA OBRA:

DIA: 8 de Fevereiro de 2019 (19,00 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano (Rua do Grémio Lusitano, 25), Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português;

ORADORES: Professor Amadeu Carvalho Homem (FLUC) | Jorge Ferreira (Editor da Caleidoscópio) | Fernando Sacramento (Moderador)

► “Na chuvosa e fria madrugada do dia 31 de Janeiro de 1891, por volta das duas horas, começam a sair para a rua militares aquartelados no Porto, dando início à primeira tentativa de instaurar a República no país.

Augusto Manuel Alves da Veiga, advogado e professor nesta cidade, paga o seu envolvimento como chefe civil desta intentona falhada com duas décadas de exílio e o afastamento da ribalta da política nacional.

Com a implantação do regime republicano, Alves da Veiga vê o seu sonho de décadas cumprido e como patriota que se afirmava, e demonstrou ser, procura dar o seu contributo para a construção de um outro Portugal, ao escrever e enviar à Assembleia Nacional Constituinte o texto Política Nova: Ideias para a reorganização da sociedade portuguesa. Nesta obra apresenta um projecto de organização federalista e municipalista do Estado Português. Muitas das ideias defendidas por Alves da Veiga neste volume, apesar de não virem a ser adotadas pelos constituintes de 1911, são emblemáticas das opções ideológicas mais expressivas e vanguardistas do movimento republicano oitocentista português

Estamos em crer que o pensamento e os temas abordados pelo Dr. Alves da Veiga no seu projeto federativo de sociedade ainda, hoje em dia, mantém o fulgor e a inquietação intelectual propício à riqueza de um proveitoso debate, nomeadamente aos modelos a adotar na União Europeia, suscitado por este livro” [Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

A não perder. 

J.M.M.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

IMPORTANTE LEILÃO DE LIVROS, MANUSCRITOS, CAMILIANA E GRAVURA

Amanhã, 5 de Fevereiro e depois, dia 6, vai realizar-se no Palácio da Independência, em Lisboa, a partir das 21 horas, um IMPORTANTE LEILÃO  DE LIVROS, MANUSCRITOS,  CAMILIANA E GRAVURA promovido  por José Vicente.

Ao longo de dois dias vão a leilão algumas obras, com particular destaque para as obras/publicações de Camilo Castelo Branco, mas também algumas obras com interesse bibliográfico.
A Camiliana estende-se entre os lotes nº 142 e 249.

Encontram-se também muitas publicações e obras sobre o Liberalismo em Portugal bem como um interessante conjunto de epistolografia de Virgínia Castro e Almeida, Família Bocage, coronel Faria e Maia, Inocêncio Francisco da Silva, com elementos biobibliográficos de várias personalidades que merecem particular atenção, bem como as ligações maçónicas de alguns deles (Lotes nº 545  a 551).
Vários títulos de Vitorino Nemésio (Lotes 609 a 616) entre muitas outras obras de interesse para bibliófilos.

O catálogo completo pode ser consultado/descarregado AQUI.

Com os votos do maior sucesso.
A.A.B.M.







sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

[DIA 4 FEVEREIRO] CONFERÊNCIA – “A INICIAÇÃO DE [VITORINO] NEMÉSIO”



DIA: 4 de Fevereiro de 2019 (17,00 horas);
ORADOR: Luiz Fagundes Duarte;

LOCAL: Academia das Ciências de Lisboa (Rua da Academia das Ciências, 19);
ORGANIZAÇÃO: Academia das Ciências de Lisboa

No decorrer do Ciclo de Conferências “100 Anos de Prosa”, a Academia da Ciências de Lisboa promove, no dia 4 de Fevereiro, uma curiosa Conferência sobre Vitorino Nemésio, sendo ilustre orador o Professor Luiz Fagundes Duarte  


 
► “No seu romance de estreia –  Varanda de Pilatos  (1926) –, Nemésio descreve uma suposta iniciação maçónica: o 'iniciado', que adoptou Bartolomeu dos Mártires como nome simbólico, é a personagem Venâncio, na qual se identificam traços biográficos do autor – que por sua vez, pouco tempo antes (1923), fora iniciado como Manuel Bernardes na Loja ‘A Revolta’, de Coimbra. 

Mais tarde (no ensaio 'Da Poesia', 1961), Nemésio considera que o soneto de BaudelaireCorrespondances’ – de forte simbologia maçónica –, se viria a transformar em ‘um dos pretextos capitais da teoria da essência poética, senão o seu fundamento’.

Finalmente, na dedicatória de Limite de Idade (1972) a Aurélio Quintanilha, Nemésio aplica a este seu amigo – cientista, professor e maçon, além de conterrâneo da Ilha Terceira –, e à sua obra científica, o conceito maçónico do ‘eterno retorno’.

Sigamos, pois, o trilho de Nemésio pela «floresta de símbolos» que é a sua obra literária” [AQUI]

A não perder. 
 
J.M.M.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

[PORTO] COMEMORAÇÃO DO 31 DE JANEIRO DE 1891




DIA: 31 de Janeiro 2019 (10,00 horas);
LOCAL: Cemitério do Prado do Repouso;
ORGANIZAÇÃO: Associação Cívica e Cultural 31 de Janeiro.


10h00m – Cemitério do Prado do Repouso. Concentração na entrada do Largo Soares dos Reis;
 
10h30m – Cortejo com destino ao monumento aos Heróis 31 de JANEIRO de 1891 (portão do Largo Padre Baltazar Guedes);
 
11h00m – No monumento aos Heróis 31 de JANEIRO de 1891
 
Içar da bandeira e canto do Hino Nacional pelo Tenor João Miguel Gonçalves | Colocação de coroas de flores
 
Abertura da sessão pelo Presidente da Assembleia Geral da Associação 31 de JANEIRO, Dr. Carlos Nunes
 
Evocação dos “Heróis 31 de JANEIRO de 1891 pelo Prof. Doutor José de Faria Costa, Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e ex Provedor de Justiça (2013/17).
 
Intervenções das entidades:
 
Associação Nacional de Sargentos | Presidente da Direcção Associação Cívica e Cultural 31 de JANEIRO, Dr. Luís Cameirão | Presidente do Conselho da Área Metropolitana do Porto (a confirmar)  | Presidente da Assembleia Municipal do Porto, Dr. Miguel Pereira Leite
 
Hino NacionalVivas aos Heróis do 31 de JANEIRO e à República
 
J.M.M.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

ELOGIO DO PROF. DOUTOR JOAQUIM ROMERO MAGALHÃES


Tendo sido publicado na página da Associação Portuguesa de História Económica e Social, o elogio proferido pelo Doutor Álvaro Garrido nas cerimónias fúnebres do Professor Doutor Joaquim Romero Magalhães, realizado na Capela de S. Miguel da Universidade de Coimbra, 26 de Dezembro de 2018 e que pode ser consultado/descarregado AQUI, toma-se a liberdade de o partilhar e divulgar junto dos seguidores deste espaço virtual.
A.A.B.M.
…….
Querem-se bem ponderadas as palavras que compõem este elogio, que não é só meu, mas de todos nós aqui presentes, Colegas, Amigos e Familiares de Joaquim Romero Magalhães.
Este é um elogio da FEUC, escola em que JRM sempre ensinou e que muito ajudou a construir, mas sobretudo da sua alma mater, a Universidade de Coimbra, que por vezes fustigava com o seu humor mordaz, mas que amava muito, bem o sabemos.
De uma certa forma, esta oração é um tributo da comunidade académica, em geral, a um dos grandes Professores que a Universidade portuguesa conheceu nas últimas décadas; uma homenagem a um dos melhores historiadores portugueses de sempre, não tenho dúvidas em afirmá-lo.
Para mim que ainda não tenho a sabedoria dos anciãos, é uma honra profundamente triste evocar aqui, neste dia e lugar, a perda de um Amigo e de um Mestre a quem devo tanto.

A Morte Chega Cedo, diz o poeta. Cedo demais, sempre.
Elogiar um Amigo muito querido, dizer das suas qualidades, expressar-lhe uma vez mais o nosso profundo afecto e admiração, parece um ofício redundante; um desafio daqueles que a vida nos traz, que o rito da despedida nos pede, e de cujo encargo me quero ocupar com a dignidade e a elevação que sempre nos exigiu JRM.
Fazê-lo em pleno Natal, festejando a natividade de um Redentor de cuja existência histórica e revelação o nosso Querido Amigo nunca se convenceu, parece ainda mais cruel, algo contraditório até. Mas talvez tudo isso nos faça compreender que a Vida apenas nos condena a sermos fortes. 

Neste particular momento, para estarmos mais próximos de JRM, devemos evitar dramatismos e olhar para diante, com saudades do futuro, como dizia Teixeira de Pascoaes.
A prosa dos dias belos, como a dos momentos tristes, quer-se limpa; habitada por boas palavras, rente ao sentido das coisas, dizendo-as na sua justa medida, criando com elas algo que nos anime a prosseguir o caminho. Era assim que JRM entendia essa relação difícil entre as palavras e as coisas, buscando simplificá-la pela prosa cristalina que, em tantos e tantos textos, nos ofereceu.

Todos sabemos e recordamos, já com Saudade e com um carinho sem limites, o talento quase literário de JRM, a sua ironia fina, a sua erudição histórica e a vasta cultura com que nos deliciava, a sua palavra claríssima e nunca excessiva.
Um Amigo, um Mestre, Professor de muitos de nós, também de mim, quando por ele fui deliciosamente orientado sem um único momento difícil ou de desencontro, tendo nascido aí, nessas longas horas de conversa do doutoramento, uma profunda Amizade que muito me lisonjeia e que de resto se estende aos colegas do grupo de História Económica e Social da FEUC e a todos quantos tiveram o privilégio de terem o Prof. Romero como orientador científico.
Recentemente, no seu Algarve, numa cerimónia de mão-cheia que o fez Feliz e que nos encheu de felicidade a todos, JRM confessou com excessiva modéstia que nunca pôde ser o escritor que gostaria de ter sido, talvez porque lhe faltasse talento para isso, ainda que fosse Filho de Pai... Modéstia dos grandes…, parece-me.

Não quero iludir a tristeza que todos sentimos, mas julgo que devemos encontrar na Vida e na Obra de JRM motivos de alegria e de exemplo que enformem uma vida académica em cujo quotidiano, mil vezes fragmentado e cada vez mais longe da leitura e da escrita, possamos achar novos significados e redescobrir o essencial.
JRM tinha um apurado sentido do que interessava e do que não interessava, deitando borda fora o acessório, o trivial e o efémero. Daí o seu gosto por memórias, opúsculos, história na primeira pessoa e aberta a múltiplas interpretações, sem andaimes nem artifícios teoréticos.
Quantas vezes o vi, no seu Gabinete de maravilhoso cheiro a verdadeiros livros, interromper uma conversa que entretanto seguira por trivialidades, buscando na estante um bom livro que nos recolocasse no caminho do essencial.
Livros de tudo ele tinha e tem (até uma bela colecção de policiais), fazendo jus à sua natureza de extraordinário bibliófilo, visitante regular de alfarrabistas, ainda que a visita a alguns deles, sobretudo do Porto, fosse também destinada a rever amigos da Invicta ou a fugir por horas da morna Coimbra...

Num breve excurso, vou valer-me de informações colhidas da lauda proferida pela Professora Maria Leonor Costa no doutoramento em honra de JRM realizado no Algarve, e do texto assinado pela Professora Maria Eugénia Mata e pelo Professor Nuno Valério no volume de Estudos em Homenagem publicado pela Almedina, em 2012, para sintetizar o percurso académico e cívico de JRM:

Joaquim Romero Magalhães nasceu em Loulé em 1942. 
Filho do Professor de liceu e escritor Joaquim Magalhães e de Célia Romero, Professora do Conservatório de Faro, progenitores que muito admirava.

Cursou o liceu em Faro e seguiu para Coimbra em 1959. No ano seguinte preteriu o Direito em favor da História, percurso comum a diversos historiadores de renome.
Nos tempos de estudante, em plena ditadura de Salazar e guerra nas colónias africanas, participou activamente no movimento associativo estudantil de Coimbra.
Ao reprimir a crise académica de 1961-62 por meio de forças policiais e comissões administrativas, a ditadura acabou por estimular dissidências e novas dinâmicas de compromisso entre o movimento estudantil e as oposições ao Estado Novo.
Membro da República do Prakistão, onde conviveu com outras notáveis figuras da vida democrática do país, o estudante Romero Magalhães foi presidente do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra, em 1963, e presidente da Associação Académica de Coimbra, em 1964.

Defendeu a sua tese de licenciatura na FLUC em 1967, intitulada Para o Estudo do Algarve Económico durante o século XVI, publicada em 1970 pelas Edições Cosmos.
Em 1973, após um brevíssimo período como professor do ensino secundário e metodólogo, iniciou a sua carreira de docente na FEUC.
Tivera, entretanto, um longo interstício imposto pelo cumprimento do serviço militar em África, que realizou entre 1967 e 1970, assunto sobre o qual reivindicava um certo e compreensível direito ao silêncio.

Na FEUC, prestou provas de Doutoramento em 1984 ampliando o trabalho que iniciara na Faculdade de Letras. A Tese prosseguiu os estudos sobre o Algarve económico da Época Moderna; ampliou as leituras de Pierre Vilar, de Albert Silbert e do orientador Vitorino Magalhães Godinho e intitulou-se O Algarve Económico, 1600-1773. Viria a ser publicada na Editorial Estampa em 1988. Um marco da historiografia portuguesa.
Vitorino Magalhães Godinho, figura notável da cultura portuguesa, revolucionou a historiografia, enfrentou os poderes provincianos e o historicismo balofo promovido pelo Estado Novo e viu em Romero Magalhães o seu principal discípulo e herdeiro intelectual.

JRM fez provas de Agregação na FEUC em 1993, apresentando um notável relatório para uma cadeira de História da Europa, a sua oportuna paixão académica desse período.
Alcançou posição de Catedrático em 1994 e jubilou-se em 2012.

Exultante com o desfecho democrático da Revolução de 25 de Abril de 1974 e com a mudança de rumo que Portugal conheceu, JRM foi chamado a participar em decisões públicas de tremenda importância para a transformação da sociedade portuguesa e das instituições.

Portugal conheceu em 1976 uma nova Constituição política. Consolidara-se a Democracia.
Então com 34 anos, JRM deu um contributo decisivo ao país nesta fase da vida nacional, como deputado eleito pelo Partido Socialista à Assembleia Constituinte. Nessa condição, em março de 2016 recebeu o título de Deputado Honorário à Assembleia da República.

Além de deputado, Joaquim Romero Magalhães deu outros notáveis contributos para a causa pública.
Foi Secretário de Estado da Orientação Pedagógica entre 1976 e 1978 no Governo minoritário do Partido Socialista presidido por Mário Soares e cujo Ministro da Educação era Mário Sottomayor Cardia, personalidade que muito admirou.
As qualidades pessoais e académicas de JRM e a sua viva militância socialista fizeram-no ponderar as possibilidades de prosseguir a vida política. Optou, porém, por regressar plenamente à vida académica, mas teve ainda uma intervenção destacada na vida do Município de Coimbra, como Presidente da Assembleia Municipal, entre 1986 e 1998.

Joaquim Antero Romero Magalhães cedo descobriu, na sua adolescência, em Faro, os olhos finos com que observou a sociedade portuguesa, ontem como hoje marcada por vincadas desigualdades sociais e por assimetrias regionais persistentes.
O Algarve deve-lhe uma escala de observação e uma história atenta a essas desigualdades, bem como à geografia económica dos espaços, às estruturas sociais e de poder. Trouxe também um novo olhar relativamente ao papel de regiões periféricas na expansão marítima portuguesa. Outros haviam de seguir o mesmo caminho.

JRM sabia Geografia como poucos e nunca se esqueceu dela como saber aliado da História, mesmo quando muitos começaram a buscar no indefinido horizonte das “Ciências Sociais” um aparato teórico que amiúde resulta na des-historicização da própria História.

JRM tem uma vastíssima bibliografia publicada, que se traduz em análises históricas fecundas. Devemos salientar o volume terceiro da História de Portugal dirigida por José Mattoso, por si coordenado e por muitos considerado o mais equilibrado dos sete volumes desse grande empreendimento editorial.

Facilmente descobrimos na obra de JRM um apurado sentido didáctico e tão provocador como o foram alguns dos intelectuais portugueses republicanos que lia e admirava, e cujas memórias coleccionou.
Muitos dos seus trabalhos destinavam-se a incentivar discípulos e a rasgar novos horizontes. Era um Professor que fazia investigação e que nunca se quis ver na pele de um investigador que aulas não desse, ou que as achasse supérfluas para melhor escrever História.
Os largos milhares de páginas impressas que nos deixa – livros, capítulos de obras coletivas, ensaios e mais de uma centena de artigos – são o testemunho da sua fina prosa, reflectem a sua admirável erudição.
Era um notável historiador de frases curtas e escrita irónica. Conjugava rigor e qualidade literária, mesmo quando descrevia matos, gados ou sardinhas, ou quando interpretava paisagens económicas.

A análise histórica produzida por JRM, sempre preocupada em explicar narrativamente, nunca perdeu de vista as estruturas, as conjunturas, os complexos histórico-geográficos e outras categorias heurísticas difundidas pela Escola dos Annales. No entanto, essas influências nunca se mostraram contraditórias em relação a um estilo muito próprio de quem pensava e escrevia por cabeça própria. Dele nos fica um estilo inconfundível, assente na intuição explicativa do historiador, numa memória invejável e numa cultura imensa.
A história produzida por JRM evidencia um profundo conhecimento das instituições que regulam a vida social, política e económica das populações que estudou ou entreviu nas fontes. 
Alguns desses magníficos trabalhos dispersos, sobre temas tão relevantes para a História Moderna quanto os Concelhos, a Inquisição e a fiscalidade no império do Brasil, encontram-se reunidos no título genérico de Miunças, em quatro volumes publicados recentemente na Imprensa da Universidade, editor que muito prezava e a que destinou outros projectos, já em fase manuscrita.
Comuns a todos os espaços que estudou são os Concelhos, enquanto unidades de base da organização política do Reino, mas também de integração social e económica. Com Joaquim Romero Magalhães, o municipalismo tomou um novo alento e voltou a ser um tema importante para os historiadores da Época Moderna e mesmo da contemporaneidade.

As qualidades e o reconhecimento de historiador que JRM rapidamente alcançou, não o impediram de abraçar funções que dele exigiram decisão equilibrada, bom-senso e algum realismo. Era um reformista que acreditava nas instituições e que nunca as deixou tal como as recebera.

Entre 1985 e 1989 foi Presidente do Conselho Directivo da FEUC, cargo que voltou a exercer entre 1991 e 1993. Foi ainda Presidente do Conselho Científico da mesma Faculdade entre 1989 e 1991.
Devemos ainda salientar o seu papel na coordenação do primeiro gabinete de mobilidade de estudantes no âmbito do programa Erasmus, criado na FEUC em meados de oitenta, cujos horizontes e práticas abriram caminho a uma internacionalização pioneira da Faculdade.

A sua familiaridade com os temas do Brasil-colónia, a colaboração extensa que teve em obras dirigidas por historiadores de renome internacional, beneficiou claramente do papel e das redes que construiu na Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, onde assumiu o cargo de Comissário Geral entre 1999 e 2002.
Esta entidade comemorativa, dependente da Presidência do Conselho de Ministros, reforçou claramente o sentido da sua missão durante o comissariado de Joaquim Romero Magalhães.
Coube-lhe dirigir o programa das comemorações do Descobrimento do Brasil, procurando o envolvimento conjunto dos dois países e de outros Estados, nomeadamente das ex-colónias portuguesas.
A tarefa não era fácil. Os projetos comemoracionistas dirigidos por JRM foram um êxito reconhecido por diversos interlocutores nacionais e estrangeiros. Evidência que confirma as qualidades diplomáticas e a reputação académica que construíra, nomeadamente no meio académico e intelectual brasileiro.

A notabilidade da acção de Joaquim Romero Magalhães foi igualmente reconhecida por organismos públicos brasileiros e pelo Estado português, através de um conjunto significativo de distinções honoríficas:
Foi Comendador da Ordem do Mérito Cultural do Brasil desde 1999.
Em 2000, recebeu o grau de Grande Oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul, o mais alto agraciamento do Estado brasileiro a cidadãos estrangeiros.
Obteve ainda a medalha de mérito da Fundação Joaquim Nabuco e foi distinguido como Grande Benemérito do Real Gabinete de Leitura do Rio de Janeiro em 2001.
Em 2002, o Estado português reconheceu a dimensão da sua obra académica e cívica, concedendo-lhe a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, uma das ordens nacionais de maior prestígio.

No caminho trilhado como cidadão e historiador, JRM adiou muitas vezes a escrita de um livro, que acabou por ver a luz do dia no momento mais certo. Discorreu sobre a República em Vem aí a República, 1906-1910, dado à estampa em 2009 na Almedina. Sabemos do prazer que a escrita deste livro lhe deu.
O momento histórico da emergência das forças republicanas falava especialmente a Joaquim Romero Magalhães dadas as suas raízes familiares. O seu próprio modelo de cidadania, os valores republicanos que subscrevia, eram uma herança desse período intenso da vida nacional.
O conhecimento histórico e a afinidade cívica que JRM tinha sobre a I República e seus antecedentes, bem como a experiência que tivera na Comissão dos Descobrimentos, foram razões óbvias para a sua integração na Comissão de Projectos para a Comemoração do 1.º Centenário da República Portuguesa, em 2005, e na Comissão Consultiva das Comemorações do Centenário da República, entre 2009 e 2011.

Nunca deixando de ser Professor, a sua reputação de Historiador e de Docente universitário conquistaram um alcance internacional.
JRM leccionou em prestigiadas Universidades estrangeiras.
Foi professor convidado da École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris (1989 e 1999); da Universidade de São Paulo (1991 e 1997) e da Yale University (2003).

Queridos Colegas, Amigos e Familiares do Professor JRM:
Por todas as razões, e sobretudo pelos nossos sentimentos de enorme admiração e afecto por JRM, creio que devemos lembrar sempre, no nosso trabalho quotidiano, hoje fragmentado em mil tarefas que pouco reflectem a Universidade que ajudou a construir, a obra ímpar e a ética de um grande historiador.
Tal como a história, a Vida é contingente; ganha-se e perde-se. Rapidamente.

Não, não vamos despedir-nos hoje, nem nunca, de Joaquim Romero Magalhães porque o seu exemplo vai perdurar e será por nós seguido e evocado na FEUC, na UC, em numerosas universidades portuguesas espalhadas pelo mundo fora, em Portugal, no Brasil, em Espanha, em França, nos EUA.
Recebi entre ontem e hoje, nestes dias esquisitos em que praticamos muitas convenções, inúmeras mensagens de colegas de diversas universidades, em especial de Lisboa e do Porto, do Brasil e de Espanha. Encontram-se muitas mensagens publicadas nas redes sociais e noutros lugares de escrita e todas as invocações vão no mesmo sentido: era o Mestre, sabia tudo de História, gostávamos muito dele, grande sentido de humor, mesmo quando mal-humorado; quero estar convosco e juntar-me a essa e a outras homenagens, disseram muitos colegas.

Há um claro denominador comum nessas mensagens quentes: o que mais importa é salientar o que JRM nos deixou, agradecer a sua amizade e o saber com que tanto nos enriqueceu.
Não sendo possível nomear todas essas afectuosas invocações, quero destacar o voto de pesar e a sentida homenagem que a Associação Portuguesa de História Económica e Social prestou, no respectivo site, a JRM, através do seu Presidente, Luciano Amaral. Foi salientado aí o seu enorme contributo de JRM como sócio fundador dessa imensa rede de historiadores e economistas criada por Vitorino Magalhães Godinho em 1980 e de cuja primeira Direcção JRM fez parte.

Devemos ao Professor Joaquim Romero Magalhães um elogio à Vida que connosco viveu, ao seu papel inestimável na FEUC, na Universidade de Coimbra, na Universidade Portuguesa, na sociedade portuguesa em geral.
Na cerimónia do doutoramento honoris causa que teve lugar na Universidade do Algarve a 12 de Dezembro, JRM mostrou toda a sua vitalidade intelectual e o brilho invulgar do seu pensamento, apoiado numa vastíssima cultura e num fino recorte literário.
Leu-nos um texto lindíssimo, onde está quase tudo o que melhor o define. Ficámos todos encantados de o ouvir e será essa uma das melhores memórias que connosco guardaremos. Não para a arquivar, mas para fazermos uso dela, dando conta do seu exemplo aos mais novos.

Recentemente também, em Novembro de 2018, a Câmara Municipal de Loulé comemorou os 25 anos da revista Al Ulya anunciando a criação de um prémio de estudos algarvios com o nome de JRM. Sentiu essa honra com justificado orgulho.

Estes últimos reconhecimentos públicos, de grande significado não apenas sentimental, acabaram por religar as diversas escalas do trabalho historiográfico de JRM e da sua própria vida.
JRM era uma grande personalidade académica que alcançou um justíssimo reconhecimento público.
No plano cívico, era um homem interveniente e comprometido com o socialismo democrático e com a ética republicana; acreditava muito na construção europeia e nas suas instituições, inclusivamente na construção paulatina de uma Europa federal.
Acreditava no reformismo, na Razão e nas Instituições democráticas. Tinha uma personalidade emotiva, desassombrada e sempre comprometida com a causa pública. Vamos ter muitas, muitas saudades dele. 

Sabemos todos que gostava muito de Miguel Torga e de José Régio, de Eça e de Aquilino. Mas é do Cancioneiro de Pessoa que lhe quero deixar, em nome de todos nós aqui presentes e de inúmeros amigos que não puderam estar aqui, este Poema:

A morte chega cedo, 
Pois breve é toda a vida 
O instante é o arremedo 
De uma coisa perdida. 

O amor foi começado, 
O ideal não acabou, 
E quem tenha alcançado 
Não sabe o que alcançou. 

E tudo isto a morte 
Risca por não estar certo 
No caderno da sorte 
Que Deus deixou aberto. 

F. Pessoa, Cancioneiro


Muito obrigado.

Coimbra, 26 de Dezembro de 2018
Álvaro Garrido


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

A REPÚBLICA – POR ANTERO DE QUENTAL



“ … Mas o que é a Republica? ou antes, como se apresenta ela hoje a este mundo velho e sem coragem, e de que modo pretende rejuvenescer e reconstruir as sociedades segundo o seu plano de justiça e de bem? Como há perto do cem anos, a Republica apresenta-se ainda hoje sendo a enérgica revindicação do eterno direito humano, proscrito ou desconhecido por governos opressores ou por instituições artificiosas: mas o instrumento dessa revindicação não é já hoje, como então foi, a luta e a paixão, mas a ciência, o pensamento. Falava então ás consciências indignadas: fala hoje aos espíritos esclarecidos. Então era um plano de campanha: hoje é um código de leis […]
A Republica é, no estado, liberdade; nas consciências, moralidade; na indústria, produção; no trabalho, segurança; na nação força e independência. Para todos, riqueza: para todos, igualdade; para todos, luz.

Que há de mais prático? e de mais praticamente imediato, necessário? Não é só a reorganização do estado nas instituições; é ainda a reorganização do individuo nos sentimentos, por que se a república assenta sobre o direito, o direito republicano esse assenta sobre a moral. Aos outros governos bastam-lhe súbditos: este (e é a sua maior gloria) precisa de homens. O cidadão deixa de ser uma abstração legal para se tornar enfim uma realidade humana. Só homens são dignos da Republica, e fora dela ninguém pode também chamar-se verdadeiramente homem.

Em nome pois da República apelamos não somente para os interesses do país, mas também para os seus sentimentos. Enganar-nos-emos acreditando que há nos portugueses de hoje a virilidade antiga, o caracter e a hombridade de seus avós? Mas que nobre e alta glória para o povo que fez o seu aparecimento na história abrindo à Europa o caminho de um novo mundo, concluir agora a sua missão apresentando às nações maravilhadas não já um novo continente, mas um novo mundo social, um nundo de justiça, a Republica! Como portugueses, queremos ainda espera-lo”

[A República, por Antero de Quental, in A REPUBLICA, Jornal da Democracia Portugueza, nº1, 11 de Maio de 1870]

J.M.M.