sábado, 12 de outubro de 2019

TRÊS VEZES ROGÉRIO RODRIGUES


Três vezes Rogério Rodrigues” – por Henrique Monteiro, in Expresso online, 12 de Outubro de 2019

O jornalista Rogério Rodrigues, que faleceu esta semana e é cremado este sábado, depois de uma cerimónia simples, como foi sempre toda a sua vida, tem sido alvo de várias homenagens. Aqui fica a despedida do seu amigo de sempre, cronista e ex-diretor do Expresso Henrique Monteiro.
Penso nele, neste momento, a discutir com São Pedro os méritos da entrada no céu. Mas, de acordo com a ética do Rogério, é ele que defende que lhe faltam qualidades e São Pedro que insiste em lhas lembrar.

O Rogério era assim. Já muitos o escreveram, mas poucos, talvez, o tenham conhecido tão bem quanto eu nas várias dimensões que teve. Foi um tremendo jornalista (torpedo, chamava-lhe a Fernanda Mestrinho); foi um poeta e escritor, que apenas a humildade natural e a vontade de se apagar e de ser crítico de si próprio não levou mais longe; foi um maçon exemplar, incorruptível e fraterno que adotou como nome simbólico Antero de Quental, com quem se há-de encontrar na mão direita de Deus (o de quem o substitua).

Conheci-o há mais anos do que é justo dizer aos jornalistas novos. Nos tempos em que as redações tinham dinheiro, vagar e alegria. Sabíamos notícias à segunda e podíamos guardá-las três, seis, 10 dias. E se o Rogério tinha notícias. De todos os lados, de toda a gente. As suas fontes eram diversificadas e a sua escrita rigorosa. Um dia fomos ambos em reportagem ao Alentejo profundo, lá onde ainda não chegara o alcatrão, nem a luz, nem a água canalizada. Difícil, sabem, é o começo do texto que assinaríamos ambos. O Rogério virou-se para mim e disse-me: "escreve aí (eu escrevia à máquina mais depressa do que ele) ": “Naquelas terras cujo pó nem as sandálias do diabo conheceram…” - e eu, que era já aquiliano, virei-me para ele e disse: “De onde te vem isso?”. E ele respondeu: “Da cultura."
Ah, sim! Porque o Rogério era poeta. Em 1972 publicara ‘Livro de Visitas’, um livro de poesia com uma dedicatória arrepiante ao seu irmão morto na guerra colonial, em Angola: “Ao Anísio Manuel Rodrigues - vivo; pelo Anísio Manuel Rodrigues – morto”.

A morte não lhe era mais estranha do que a vida. O seu outro irmão, que ficara cego, morreria atropelado, em Lisboa. E ele, que estudara no seminário, em Macau, por mor de contos que não vêm ao caso, e que mais tarde se fizera à Filologia Românica, deu o salto para Paris, a fugir à tropa. Voltou quando um decreto permitiu que não fosse para a guerra quem fosse amparo de mãe, ou seja, tivesse já um irmão morto nas Forças Armadas.
Andou com Afonso Praça, da mesma terra do que ele – Torre de Moncorvo (o concelho, porque ele era de Peredo de Castelhanos) e com o Assis Pacheco. E com o Cardoso Pires e com tanta gente da cultura – da Graça Morais ao Herberto Hélder. Sempre sem fanfarra nem gabarolices. Caramba! Conheço-os todos graças ao Rogério e talvez por isso a Ana Sá Lopes lembrasse as palavras que eu, mais velho, lhe dissera quando, como estagiária, entrou em ‘O Jornal’: “Aqui somos todos rogeriodependentes!

Escreveu outros livros, o último dos quais de poemas, que assinou com o nome de Pedro Castelhano, em homenagem à sua terra, e me entregou para que eu o apresentasse. Fi-lo com gosto e recomendo-o: "(Re) Cantos d’Amar Morto".
Não! A morte não lhe era estranha. Ele aprendeu a morrer e, como Sócrates disse, quando tomou a cicuta, agora que chegou a hora de nos separarmos – ele para a morte e nós para continuar a vida – qual tem o melhor caminho? “Eis algo que só Deus sabe”.

Na mão de Deus / Na sua mão direita / Descansou afinal meu coração, escreveu o Antero, que era também o Rogério. “Os meus dias tiveram o pão duvidoso e a fome avara dos humildes”, escreveu o Rogério, que era também Antero.

Penso que nunca fez mal a ninguém, salvo a ele próprio. A mulher, a Arlete, médica de quase todos nós na Casa da Imprensa, os filhos Tiago e Diogo, eram a sua luz. Mas entre mim e ti, Rogério, havia sombras. O que nós dizíamos mal e gozávamos com tantos (e tantas) que andam por aí. Dizíamos mal até nos fartarmos e passarmos a dizer mal um do outro e depois mal cada um de si próprio. Qual psiquiatria, como tu dizias alto e bom som, com a tua voz inesquecível: “Eu não tenho problemas pessoais!”.

Um dia, no Grémio Lusitano, sede da Maçonaria, encontrámo-nos. Nem ele foi pela minha mão nem eu pela dele. Pura e simplesmente encontrámo-nos onde se podem encontrar homens bons. Crentes na humanidade (apesar de haver por lá muito quem não mereça); crentes na vida que supera a morte, porque como a semente morre para que nasça a árvore e o fruto, assim nos encontraremos no que chamamos Eterno Oriente. A última publicação em que estivemos juntos foi a da Maçonaria, a pedido do saudoso António Arnaut, que nos desafiou, com aquele ar dele sempre ingénuo: vocês é que podiam… e tal. E nós pudemos. E fizémos. Algumas vezes os dois sozinhos, porque outros tinham sempre muito que fazer e, por muito que nós tivéssemos também, sempre guardámos um espaço para o mistério do espírito, da vida e da morte.

Conheci-te, Rogério, nas tuas várias dimensões. Como diz o nosso ritual funerário, partiste um pouco antes de nós. Lá nos encontraremos, com aqueles que estivemos: o Nunes de Almeida, o Gabriel Viegas, o Luís Conceição, o Óscar Gois.

E com todos os camaradas de profissão – da nossa profissão a sério – que fomos perdendo e aqueles que hão de chegar, como eu, o Castanheira, o Garcia, o Adelino, a Fernanda, o Grego Esteves e todo o pessoal da ‘cozinha’ de ‘O Jornal’. E com o mundo todo, porque como dizia o Assis, a puta da vida é pior do que a puta da morte, mas não temos mais nada a que nos encostar. Talvez aí o Praça, que representou tão bem o papel de padre num filme, nos abençoe a todos e nos conduza ao pé do Antero e de ti; à mão direita de Deus.

Até já!”

 Três vezes Rogério Rodrigues” – por Henrique Monteiro, in Expresso online, 12 de Outubro de 2019 – com sublinhados nossos

 
J.M.M.

120 ANOS DE MAÇONARIA NO ALGARVE (1816-1936)


LIVRO: 120 Anos de Maçonaria no Algarve (1816-1936);
AUTOR: António Ventura;
EDIÇÃO: Sul, Sol e Sal, Setembro de 2019, 520 p.

Este último trabalho do professor António Ventura compreende e descreve - desde a instalação da 1ª Loja de pedreiros-livres no Algarve (Loja Filantropia, 1816) até um ano depois da promulgação da célebre Lei nº 1901 de 21 de Maio de 1935 (Lei José Cabral), que ilegalizou e dissolveu as “sociedades secretas” - a fundação, expansão e consolidação da Ordem Maçónica na região algarvia. Obra copiosa, publicação virtuosa e recenseadora das oficinas neste período, está ornamentada com breves biografias dos seus obreiros, acompanhada de competentes fotografias. Pena é que o livro não apresente um imprescindível Índice Analítico, para uma necessária e rápida consulta.

Neste trabalho (considerado pelo autor “em aberto”) é possível observar que estamos presentes um conjunto de simples e desconhecidos cidadãos que viveram, amaram e souberam engrandecer os locais que habitaram. E por isso, alguns encontram-se evocados na “toponímia ou equipamentos públicos locais” e deste modo “reconhecidas na sua terra”. Outros, como o curioso caso do advogado republicano Basílio Lopes Pereira (o Irmão Fernão Vasques), natural de Mortágua e combatente contra a Ditadura e o Estado Novo, abundantemente referenciado como instalador do triângulo nº 333 de Castro Marim (pp. 84-92), estiveram na região para instalar oficinas da Obediência ou em trabalhos profissionais esporádicos. Por fim, a obra dá-nos conta de um vasto e importante grupo de maçons que pertenceram a oficinas fora da região algarvia, de proveitosa consulta. 

   


“Este livro começou a ser esboçado há anos atrás, numa conversa com o Engenheiro Luís Guerreiro, que entusiasticamente acarinhou o projecto. Infelizmente as Parcas não o deixaram ver a sua concretização.

Creio que é desnecessário salientar a importância dos estudos regionais e locais no contexto dos estudos históricos. Tendo um objecto mais limitado, em termos geográficos e eventualmente cronológicos, possibilitam um aprofundamento que pode e deve contribuir para o melhor conhecimento da História em geral. No que concerne à História da Maçonaria, fazer incidir o seu estudo sobre uma localidade ou uma região permitirá reconstituir as estruturas, as biografias e a acção dos maçons nas comunidades onde estavam inseridos e, a partir daí, traçar uma perspectiva mais ampla e precisa da Maçonaria a nível nacional. Essa dimensão local, já a encontrámos nos estudos pioneiros de Cabral do Nascimento [“Os Pedreiros-Livres na Inquisição e Corografia Insulana”, Lisboa, Arquivo Histórico da madeira, 1959], Aníbal de Passos e Sousa [“Subsídios para o estudo do movimento maçónico em Elvas”, Arquivo Transtagano, 2º ano, nº16, 30 de Agosto de 1934; “Devassas em Elvas no ano de 1823. A Devassa à conspiração de Agosto”, idem, nº 19, 30 de Outubro de 1934] e António Loja [A Luta do poder contra a Maçonaria. Quatro perseguições no Século XVIII, INCM, 1986] para citarmos apenas os mais antigos.

Para essa reconstituição, é fundamental a investigação e o cruzamento da documentação existente nos arquivos distritais e noutros arquivos locais, públicos e privados, familiares, de instituições como câmaras municipais, misericórdias, associações sindicais, religiosas, políticas, desportivas, mutualistas, de bombeiros, de beneficência, recreativas e culturais. Partindo do levantamento das estruturas maçónicas locais, com elementos normalmente sintéticos, imprecisos e até equívocos, o grande desafio é completar o mais possível as informações biográficas com recurso não só às fontes documentais mas também à bibliografia local, com destaque para as numerosas monografias publicadas nos finais do século XIX e primeiras décadas do seguinte, e a imprensa periódica. Com uma dificuldade acrescida: na sua maior parte, os maçons eram pessoas comuns que não ficaram na História, estando por isso mesmo ausentes das enciclopédias e dos dicionários biográficos. Muitas vezes, as únicas informações que encontramos são pequenas notas necrológicas publicadas num obscuro semanário regional […]

[…] Este é um livro em aberto, aguardando o contributo dos leitores para que, no futuro, se possam completar os percursos de vida aqui plasmados. Muitas das figuras consideradas neste trabalho notabilizaram-se nos mais diversos campos da vida nacional e local, ou simplesmente porque foram consagradas na toponímia local; no entanto, tratam-se na sua grande maioria, de pessoas desconhecidas. É totalmente errada a ideia de que a Maçonaria era formada por pessoas muito importantes política, social e economicamente. Na sua maior parte, eram comerciantes, caixeiros, empregados, funcionários públicos, ferroviários, tipógrafos, militares, professores do ensino primário, industriais, assalariados de todo o tipo que tinham de ter, entre outras, uma condição indispensável para a admissão: saber ler e escrever. Note-se gue o analfabetismo em Portugal era de 73% em 1900 e de 69% em 1911... […]

[…] Uma justificação para o título deste livro e para as suas balizas cronológicas: 1816 é o ano de levantamento de colunas da primeira Loja maçónica no Algarve; 1936, um ano após a proibição da Maçonaria em Portugal, porque comprovámos a existência de actividade maçónica documentada da Loja Estrela do Sul, de Olhão e dos Triângulos de Tavira, Castro Marim, Portimão e Loulé.



A primeira Loja algarvia surgiu em Lagos, em 1816, seguindo-se outra em Faro em 1822. Porquê naquelas duas localidades? Porque Lagos era uma importante praça militar e Faro a sede do bispado. Ambas desaparecem em 1823. Só a partir de 1841 voltamos a encontrar actividade maçónica na região, muito esporadicamente e com escassas informações. De facto, se temos elementos sobre as duas primeiras Lojas, o mesmo não acontece as 11 seguintes, identificadas entre 1841 e 1860, em Faro, Tavira, Lagos e Vila Real de Santo António. Sobre elas pouco mais sabemos além do nome e da data provável de fundação. É uma época volátil, com a proliferação de Obediências, algumas de curta duração, cisões e fusões, e, acima de tudo, uma falta tremenda de documentos que nos permitam reconstituir quadros de membros e acção. Por isso, as informações sobre essas Lojas são limitadas e muito incompletas, ficando a aguardar que, no futuro, aparecimento de novos documentos permita preencher vazios que não dizem em respeito apenas às Lojas do Algarve ...

A situação altera-se a partir de 1869, com a fundação do Grande Oriente Lusitano Unido Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa (GOLU). Se bem que não sejam abundantes os documentos dos seus primeiros anos, existe um Boletim, publicado com regularidade a partir daquele ano, e alguns textos impressos e manuscritos, nomeadamente mapas com as Lojas, estatísticas sobre entradas e saídas. Tudo o que sabemos da Loja Democracia, de Faro, fundada em 1872 e que laborou até 1877,encontramo-lo no Boletim. Infelizmente, não se conhecem registos de admissões, para essa época; o assento sistemático e centralizado dessas informações só começou a ser feito a partir de 1892, embora alguns retroactivamente. Por outro lado, os arquivos das Lojas perderam-se na sua quase totalidade, foram destruídos deliberadamente por razões de segurança, por incúria, ou então jazem olvidados em algum sótão, à espera de serem descobertos e salvos, como sucedeu em Olhão...

Entre 1892 e 1914,os registos são relativamente completos e fiáveis. Com a cisão de 1914,que provocou a saída de diversas Lojas do Rito Escocês do GOLU, perde-se a informação sobre essas Lojas dissidentes. Alguns elementos foram recuperados em 1926, data do regresso da grande parte dessas estruturas ao Grande Oriente Lusitano Unido em vésperas do 28 de Maio. Depois desta data, mais precisamente após 1928, com o endurecimento da Ditadura Militar, as revoltas contra ela e a repressão que se abateu sobre os que a contestaram de armas na mão e não só, perturbaram a vida da Maçonaria, o que provocou novas falhas nos registos até 1935, data da sua proibição em Portugal.

No que respeita às Oficinas do Algarve - Lojas e Triângulos - os elementos informativos são fiáveis a partir de 1899, com a tentativa falhada de criação de um Triângulo em Portimão. Depois, a partir do grande surto de 1904-1905, segue-se um novo momento de crescimento com a proclamação da República. Existiram estruturas maçónicas nos concelhos de Albufeira. Castro Marim, Faro, Lagos, Lagoa, Olhão, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António. Foram instaladas Lojas em Faro, Lagos, Loulé, Olhão, Silves, Tavira, e Vila Real de Santo António bem como Triângulos em Albufeira, Paderne, Castro Marim, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Olhão, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Algoz, Pera, S. Bartolomeu de Messines, Tavira e Vila Real de Santo António. Todas estiveram ligadas ao Grande Oriente Lusitano Unido Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa, com uma deriva: os Triângulos de Silves, Pera, Portimão e Tavira aderiram à cisão de 1914. Abordamos cada uma dessa; estruturas por ordem alfabética e cronológica, com as informações que foi possível reunir, quanto a fundação e extinção, actividade e membros. Neste último caso, as dificuldades em recolher dados biográficos é manifesta por se tratarem, como já referi, na maior parte dos casos, de pessoas que não ficaram na História. O mesmo sucedeu com as fotografias, mais fáceis de encontrar quando se trata de militares do Exército e da Marinha, mas mesmo assim com algumas falhas.

Finalmente, incluímos uma relação de algarvios que pertenceram a Lojas ou Triângulos fora do Algarve, apresentados por ordem alfabética do concelho de naturalidade. Haveria ainda a considerar outras situações muito mais difíceis de detectar: maçons naturais de outras regiões do país que se fixaram no Algarve, onde viveram e trabalharam. Um caso exemplar é o do Dr. Arnaldo Cardoso Vilhena (1907-1968), médico em Faro, onde deixou marca profunda como clínico e homem de cultura, consagrado na toponímia local. Pertenceu à Loja A Revolta, de Coimbra, onde ingressou em 15 de Janeiro de 1928, enquanto estudante de Medicina, com o nome simbólico de «Cristo».

Esperemos que este livro possa contribuir para o melhor conhecimento do Algarve e da sua História na época contemporânea"

[António Ventura, in Introdução ao livro, pp. 11-15]


J.M.M.
 
 
 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

[EXPOSIÇÃO] CENTENÁRIO DO JORNAL “A BATALHA”



Centenário do jornal “A Batalha”

DIA: 9 de Outubro de 2019 (17,00 horas) a 27 de Dezembro de 2019;

LOCAL: Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal (Campo Grande, 83, Lisboa);

ORGANIZAÇÃO: Jornal A Batalha.

PROGRAMA do dia 9 de Outubro

17,00 horas – Inauguração da Exposição;

18,00 horas – Lançamento da obra  [reedição] de Jacinto Baptista, “Surgindo vem ao longe a nova Aurora... Para a história do diário sindicalista A Batalha / 1919-1927" (1ª ed., Lisboa, Livraria Bertrand, 1977, 214 p.)

Apresentação do Prof. António Ventura

► “No âmbito das comemorações do centenário do jornal A Batalha, inaugura no próximo dia 9 de Outubro uma exposição na Biblioteca Nacional, com curadoria de António Baião (CEPS), António Cândido Franco (UÉvora) e João Freire (ISCTE-IUL), patente até ao dia 27 de Dezembro.

Através de material em boa medida inédito ou inacessível, esta exposição dará conta de uma história rica em acontecimentos e transformações, desde o período em que o jornal foi órgão da Confederação Geral do Trabalho e principal voz do anarco-sindicalismo em Portugal (1919-1927) até ao ressurgimento no pós-25 de Abril e ao momento presente, em que, renovado, se assume como «jornal de expressão anarquista».

Ocorre também este ano a efeméride dos 45 anos de criação da revista A Ideia, recordando-se aqui igualmente a sua trajetória, desde Paris, em abril de 1974, até ao atual n.º 84/85/86 como «revista de cultura libertária».

A inauguração terá lugar a partir das 17h00 no Auditório da Biblioteca Nacional, com entrada livre, seguindo-se, às 18h00, a apresentação da reedição de "Surgindo vem ao longe a nova Aurora...", uma história dos primeiros anos deste jornal da autoria de Jacinto Baptista, uma edição conjunta entre a Letra Livre e A Batalha.

Esperamos por ti! Saudações libertárias”

VER O PROGRAMA AQUI

J.M.M.

sábado, 5 de outubro de 2019

QUE VIVA O 5 DE OUTUBRO!




O mundo inteiro não é senão uma grande República, da qual cada nação é
uma família e cada indivíduo, um filho” [Cavaleiro de Ramsay]

O 5 de Outubro de 1910 – dia de muita Luz - foi projecto de Soidade, um alicerce claro da Alma Lusitana, uma paixão aberta de virtude e generosidade espiritual. A Hora dessa gente assinalada, o seu antiquíssimo cantar em prol da Liberdade, Igualdade e Fraternidade ainda não nos consumiu, que no seu Cântico ainda temos esse Sonho por cumprir.

O Almanaque Republicano em testemunho e memória dessa Gente Sonhadora, Livre e Fraterna, cumprindo o que não acaba nem começa, em sentida Homenagem e de coração ao alto grita … PRESENTE! 

VIVA O 5 DE OUTUBRO!
VIVA A REPÚBLICA!

SAÚDE E FRATERNIDADE!

J.M.M.
A.A.B.M.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

[VIAJANDO COM LIVROS] CAMÕES. O QUE ESTÁ VIVO N’OS LUSÍADAS



O que está vivo n’Os Lusíadas” – por António Valdemar, in Tempo Livre
Camões, além da consagração da história, da geografia e da mitologia e da narrativa da expansão portuguesa através dos mares, aprofundou as questões fundamentais da condição humana      

Camões não se pode reduzir aos jogos partidários e aos expedientes da retórica política, aos aproveitamentos de governos e governantes de vários regimes para justificação de exacerbações nacionalistas. Deparamos, passo a passo, n’Os Lusíadas, um sentido crítico, uma perspetiva humanista e uma visão ampla e diversificada em torno das grandes questões políticas, sociais e filosóficas. Ao pronunciar-se acerca da máquina do mundo, do argumento perentório da existência de Deus não hesita interrogar: «é Deus? mas quem é Deus, ninguém o entende/ que a tanto o engenho humano não se estende?» Faz apelos contínuos para a urgência da liberdade e a reposição da justiça, a fim de construir uma sociedade assente nos princípios da honra e nos valores da solidariedade.
Sucessivas gerações de eruditos portugueses e estrangeiros continuam a recapitular hipóteses formuladas desde os mais antigos biógrafos e comentadores, o chantre Severino de Faria, o licenciado Manuel Correia, o arbitrário Manuel Faria de Sousa e o memorialista João Soares de Brito.

Perduram as controvérsias acerca do local e dia do nascimento, da identificação dos pais; dos estudos na Universidade de Coimbra, do serviço militar em Ceuta, do que ocorreu na passagem na Índia e em Macau; da residência em Constância; do valor da tença atribuída e da sua equivalência em dinheiro atual; do dia da morte, da sepultura em Lisboa e, ainda, da autenticidade dos ossos trasladados para o túmulo nos Jerónimos. Estes e outros aspetos continuam por esclarecer e, na maior parte dos casos, repletos de lendas e fantasiosas conjeturas.
Todavia, a leitura d’Os Lusíadas, das líricas, dos sonetos, dos autos e das cartas colocam-nos perante reflexões e advertências profundas. O homem, o Camões de carne e osso, – tal como o retrataram os que o conheceram – manifestou-se com frontalidade e independência. Não recorreu – como era habitual na época – a um prefaciador para o panegírico tradicional na apresentação d’Os Lusíadas, nem se esquivou a enfrentar poderosos, a contrariar opiniões dominantes, a insurgir-se contra a grave situação que o País vivia

A Inquisição estava instalada desde 1536. A censura encontrava-se em pleno funcionamento. Os livros eram submetidos à leitura prévia e só poderiam ser impressos e postos a circular depois da autorização do Santo Ofício. Assim aconteceu, em 1572, com Os Lusíadas. Estudiosos camonianos – Sousa Viterbo e Aquilino Ribeiro, por exemplo – formularam hipóteses acerca do que terá sido truncado no manuscrito e, também, acerca das possíveis intervenções do censor ao fabricar versos, para condescender na publicação de outros.
 
Num tempo de perplexidade e angústia, Camões reforçou a identidade coletiva e defendeu a autonomia política de Portugal. Quando voltamos a estar confrontados com problemas de extrema complexidade, Os Lusíadas representam uma fonte de energia para transpor a impaciência e o fatalismo. Camões celebrou as memórias gloriosas de Portugal e de portugueses, mas sem virar as costas à crise política e à degradação humana, em tantos aspetos, com analogias com a época em que vivemos.

Numerosas passagens d’Os Lusíadas aplicam-se à atual realidade portuguesa; a uma classe política, sedenta de poder e de elogios públicos, sem dignidade e sem carácter e sem qualquer projeto voltado para o futuro: nenhum ambicioso, que quisesse/subir a grandes cargos, cantarei, /só por poder com torpes exercícios/usar mais largamente dos seus vícios.
Deplora os fatores de insegurança e a precaridade dos vínculos laborais: nenhum que use de seu poder bastante/para servir a seu desejo feio/a despir e roubar o pobre povo! Manifesta apreensão por tudo quanto gera o desespero, multiplica a violência, aumenta a criminalidade e intensifica a apagada e vil tristeza.

E a crise na saúde? E as listas de espera nos hospitais que aumentam de forma vertiginosa e assustadora? Faz recordar Camões ao deplorar a morte nos hospitais em pobres leitos/os que ao rei e à lei servem de muros.
E a crise na justiça? O sistema judicial que não funciona, as reformas essenciais por fazer, por estudar e por decidir? A obrigação de restabelecer a normalidade para impedir a generalização do caos. A recomendação de Camões continua oportuna: quem faz injúria vil e sem razão/ com forças e poder em que está posto, /não vence, que a vitória verdadeira/é saber ter justiça, nua e inteira.

E a crise moral? A venalidade, o suborno e a corrupção aos mais diversos níveis? Camões revoltou-se contra as honras e dinheiro que a ventura forjou. Para concluir que não lava o muito dinheiro/ a nódoa da desonra.

Por tudo isto e muito mais seguiu de perto as grandes inquietações e os problemas do seu tempo e de todos os tempos. Enfrentou o fantasma do medo: a vida que se perde e que periga/que, quando ao medo infame não se rende/ então se menos dura, mais se estende. Resistiu aos profetas da desgraça que anunciam sempre o pior como se estivéssemos sempre às portas do fim do mundo.
O que está vivo n’Os Lusíadas – por António Valdemar [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], Tempo Livre, Maio/Junho de 2019, pp. 8 – com sublinhados nossos

J.M.M.

[CONVERSA E DEBATE] MITOS E FIGURAÇÕES DO DIABO


 
 
[Conversa e Debate] Mitos e Figurações do Diabo
 
 
DIA: 13 de Setembro de 2019 (21,30 horas);


ORGANIZAÇÃO: Museu Municipal Santos Rocha | Divisão da Cultura da CM Figueira da Foz

Palestrantes: José Manuel Anes (Investigador e Professor Universitário) | Saliu Djau (Cientista Político e membro da Mural)

Moderação: Paulo Mendes Pinto (Investigador e Professor Universitário)

No âmbito da  Exposição  «A [F]figueira tem o Diabo à beira! Anjos Caídos, Figuras Demoníacas e Seres Infernais", patente de 13 de julho a 02 de novembro 2019, no Museu Municipal Santos Rocha da Figueira da Foz, realizar-se-ão diversos momentos de conversa e debate em torno da temática da exposição e abordando a questão DO MITO RELIGIOSO À CRENÇA POPULAR.

O primeiro momento, no próximo dia 13 de setembro, sexta-feira, versará sobre o tema MITOS E FIGURAÇÕES DO DIABO, com três convidados de excelência, e cujo cartaz remetemos em anexo para a V/ melhor divulgação”

[Anabela Bento, da Divisão de Cultura da CMFF]

J.M.M.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

[CURSO LIVRE] A MAÇONARIA, HOJE: DESAFIOS E ATUALIDADE




DIAS: 12 a 14 de Setembro de 2019;
LOCAL: Livraria-Galeria Municipal Verney – Oeiras (Rua Cândido dos Reis, 90);
ORGANIZAÇÃO: Universidade Lusófona (Ciências das Religiões) | CM de Oeiras.

12 Setembro | 18h30

Apresentação: Paulo Mendes Pinto

CONFERÊNCIA DE ABERTURA: Um olhar histórico para o caminho das Obediências Maçónicas em Portugal (António Ventura)

DEBATE: "Unitas Multiplex", a diversidade de olhares numa metodologia comum

Fernando Lima (Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano) | José Manuel Anes (Past Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal/Grande Loja Regular de Portugal) | Maria João Figueira (Ordem Maçónica Mista Internacional «Le Droit Humain») | Rogélia Neves (Grã-Mestra da Grande Loja Feminina de Portugal)

13 Setembro | 18h30

O ideal da Fraternidade, atualidade

José Eduardo Meira da Cunha | Francisco Queiroz | Luís Natal Marques | Jaime Ramos | Introdução e moderação: Rui Lomelino de Freitas

14 Setembro | 15h30

A Maçonaria como leitura do Mundo

Carlos Dugos | Rui Lomelino de Freitas | Anabela Cravinho | Carlos Wahnon | Francisco Teixeira | Introdução e moderação: Paulo Mendes Pinto


J.M.M.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

A MAÇONARIA PORTUGUESA E A GRANDE GUERRA (1914-1918)



LIVRO: A Maçonaria Portuguesa e a Grande Guerra 1914-1918;
AUTOR
: António Ventura;
EDIÇÃO: Edições Vega, 2019

Trata-se da última obra do professor António Ventura, onde se estuda “a posição oficial face ao conflito e à participação portuguesa das duas Obediências maçónicas portuguesas então existentes [o Grande Oriente Lusitano, por um lado, e o Supremo Conselho do Grau 33.º, dissidente da anterior e que tomou o nome profano de Grémio Luso-Escocês, tendo como representante o seu Soberano Grande Comendador, o general Luís A. Ferreira de Castro]. Inclui diversa documentação inédita.

O livro contém ainda uma relação de militares portugueses maçons mortos durante a guerra nas três frentes - França, Angola e Moçambique - com as respectivas biografias e outra documentação iconográfica e documentos inéditos. Alguns desses nomes são bem conhecidos e foram consagrados na toponímia [AQUI]

   “ …. Quando procuramos compreender o envolvimento de Portugal na Grande Guerra, resultam de grande utilidade os estudos sectoriais, incidindo sobre instituições, organizações e entidades particulares. O recurso a esses estudos monográficos ajudam a elaborar um quadro mais completo da forma como a sociedade portuguesa reagiu perante o conflito nas suas diferentes fases, desde as primeiras manifestações, em Julho de 1914, a discussão sobre o apoio a dar aos Aliados, a participação ou não na guerra no teatro europeu, o evoluir dos acontecimentos dentro e fora do país e, finalmente, as negociações de paz e suas consequências. Já foram produzidos alguns trabalhos significativos, mas muito há a fazer. Refiro-me a estudos sobre os partidos republicanos, o movimento monárquico, as associações sindicais e patronais, a Igreja Católica e as igrejas protestantes, as associações de carácter cívico, cultural e de instrução, etc.

 A Maçonaria ganhou um cunho republicano depois de 1910, mas não pode ser considerada no seu todo como uma organização de pressão, com uma agenda determinada de cariz político e até partidário, dada a pluralidade de opções dos seus membros, o que inviabilizava, à partida, o alinhamento com um agrupamento determinado. Basta comprovarmos que a ela pertenceram políticos dos mais diversos partidos, o que desmente qualquer intuito de controlo e manipulação por parte daquela instituição.

De facto, a ela pertenceram dirigentes do Partido Republicano Português como Afonso Costa e António Maria da Silva, do Partido Republicano Evolucionista como António José de Almeida e Simões Raposo, da União Republicana como Brito Camacho e o almirante Tasso de Figueiredo, do Partido Centrista Republicano como o general Simas Machado e Alberto Osório de Castro, do Partido Nacional Republicano (sidonista) como João Tamagnini Barbosa e José Alfredo de Magalhães, do Partido Republicano Conservador como os capitães José Marcelino Carrilho e João Sarmento Pimentel, do Partido Republicano Liberal como António Granjo e Tomé de Barros Queirós, da Federação Nacional Republicana como Machado Santos e o capitão-de-fragata José de Freitas Ribeiro, do Partido Republicano de Reconstituição Nacional como o general Sá Cardoso e José Barbosa, do Partido Republicano Nacionalista como o comandante José Mendes Cabeçadas e Alberto de Moura Pinto, da União Liberal Republicana como Constâncio de Oliveira, da Esquerda Democrática como José Domingues dos Santos e Manuel Gregório Pestana Júnior, do Partido Socialista como Ramada Curto e José António da Costa Júnior, e até o primeiro secretário do Partido Comunista Português, Carlos Rates, foi maçon… Os exemplos são infindáveis, mas atestam bem que, tendo como denominador comum os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, cada um assumia individualmente posições distintas sob o ponto de vista partidário ….”

 [António Ventura, in A Maçonaria Portuguesa e a Grande Guerra, Actas do Colóquio Internacional “A Grande Guerra – Um Século Depois”, Academia Militar, 2015, pp. 33-34 - sublinhados nossos]

J.M.M.

sábado, 31 de agosto de 2019

“A ESSÊNCIA DO TRÁGICO” OU “ANTERO, PORTUGAL COMO TRAGÉDIA”


"A essência do trágico” – por António Valdemar, in Caderno E, Expresso

Para Eduardo Lourenço, Antero de Quental, marcou o início da modernidade literária no nosso país

"Todos os ciclos da criação poética, todos os ensaios filosóficos, todas as interpelações cívicas e todos os textos políticos de Antero de Quental (1842-1891) foram objeto de estudo e interpretação de Eduardo Lourenço, ao longo de mais de 50 anos. Encontram-se agora reunidos num único volume com o título genérico Antero, Portugal como Tragédia. Destaca-se, em apêndice, um relatório da PIDE — arquivado na Torre do Tombo — acerca da conferência que Lourenço fez sobre Antero, em 1971, no Teatro Gil Vicente, em Coimbra, mencionando nomes de professores e alunos da Universidade de Coimbra que assistiram.

Para Eduardo Lourenço, Antero é “a maior referência intelectual portuguesa” e “o primeiro português que teve uma consciência trágica do destino humano”. E justifica que vários ensaístas, para retirar Antero do “lote dos suicidas anónimos”, atribuem a procura desesperada da morte a depressões patológicas, a uma peripécia subjetiva ou, ainda, a uma tragédia sentimental, quando se trata do “último ato de uma vida que desejou tocar a face de Deus e não a encontrou”. A essência do trágico resulta do “combate a rosto descoberto que destrói uma por uma, com uma espécie de raiva triste, todas as flores da ilusão, todas as esperanças que o nascer do dia oferece à alma humana”.
Antero — considera Eduardo Lourenço — marcou o início da nossa modernidade, representa “o seu próprio ato fundador”. Verificou-se na criação poética — e esta é a primeira leitura literária profunda que se faz a partir de “Odes Modernas” — não apenas ao nível da ideia, das incursões no universo da filosofia; na poesia social, na “poesia revolucionária do futuro”, mas ao abrir caminho ao imaginário de Cesário Verde, de Camilo Pessanha e de Fernando Pessoa. Teve, contudo, maior impacto na afirmação da modernidade o discurso inaugural das Conferências do Casino (1871): “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares”. Introduziu uma revolução cultural que “nem é de natureza literária, nem política, nem mesmo ideológica ou banalmente filosófica, embora se traduza em todos estes planos, mas religiosa”. Proposta sem precedentes em Portugal, “no círculo da religião, não abstratamente visada, mas concreta, institucional”, abrangendo todos os valores intocáveis, desde os da pátria aos da justiça, desde os da ordem aos da família.

Estabeleceu, pela primeira vez em público, um separar das águas, “um ajuste de contas da nossa cultura com ela mesma”. Atingiu o legado doutrinário imposto pelo Concílio de Trento, que amordaçava a liberdade de consciência e todas as outras liberdades e instaurou o Tribunal da Inquisição, implantando o catolicismo dogmático e intolerante. Antero avançou, entretanto, com a urgência de uma rutura frontal. As Conferências do Casino foram proibidas pelo Governo e encerradas pela polícia.

Decorridos 150 anos, apesar dos Concílios do Vaticano e das encíclicas que surgiram, a polémica não perdeu atualidade. Continua a ser — acentua Lourenço — uma questão “recalcada, diluída, escamoteada, não apenas na ordem das ideias (que é essencial) mas nos efeitos delas, no plano dos sentimentos, dos afetos, dos rituais privados e públicos que os encarnam”.
Posto isto, Eduardo Lourenço observou, em 1991, e volta a repetir hoje: “A cem anos da sua voluntária morte, Antero ainda tem inimigos. E merece tê-los. O horror seria que os não tivesse. (…) A visão unanimista da Geração de 70 que tem nele o seu ícone cultural esconde mal os conflitos, os antagonismos, as rivalidades, surdas ou clamadas, que, com matéria viva, o atravessaram.” Antero deixou uma obra que “é a estrela negra, fascinadora e repulsiva. (...) A configuração trágica da obra e da vida de Antero — a primeira entre nós que assumiu esse perfil — é odiosa a gregos e troianos”.

Nestes ensaios, Eduardo Lourenço apresenta-nos uma visão original e clarificadora da problemática anteriana do “prosador e do poeta de génio” e outro aprofundamento do homem múltiplo e trágico. A exigência da palavra verifica-se nos mais diversos textos. Aliás, Vitorino Nemésio, mal saiu a “Heterodoxia”, livro de estreia de Eduardo Lourenço, em 1949, alertou para “um nervo e uma elegância que farão a inveja de muitos prosadores”. Confirmou-se. Eduardo Lourenço, que integra uma geração de escritores consagrados (Vergílio Ferreira e Carlos de Oliveira são exemplos incontestáveis), é também um dos grandes escritores da língua portuguesa”



Antero, Portugal como tragédia, Eduardo Lourenço, FCG, 2019, 666 pp.
 
A essência do trágico – por António Valdemar [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], revista E, Expresso, 31 de Agosto de2019, pp. 64 – com sublinhados nossos

 
António Valdemar