quinta-feira, 16 de abril de 2015

O PAPEL DE BRITO CAMACHO E DOS UNIONISTAS PERANTE A GUERRA: CONFERÊNCIA

No ciclo de conferências que estão a realizar-se no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, ao longo deste ano, vai ter lugar uma nova conferência na próxima sexta-feira, pelas 21.30 horas.

Desta vez a convidada é a Professora Doutora Maria Fernanda Rollo, que vai falar sobre "O Papel de Brito Camacho e dos Unionistas perante a Guerra",

Cumpre lembrar que Brito Camacho desempenhou um complexo papel como opositor às ideias de Portugal entrar na Guerra, era «antiguerrista» e essa situação trouxe-lhe alguns dissabores e acusações. Os seus artigos publicado no jornal A Lucta, com a acutilância que lhe ra reconhecida tinham impacto na opinião pública. Segundo a sua perspectiva Portugal só devia responder em caso de ataque. Havia um grupo de intelectuais e políticos como Manuel de Arriaga, Machado Santos, D. Manuel II, António José de Almeida ou Sidónio Pais que não eram germanófilos, eram sim contra a presença dos portugueses em França. Defendiam sim a aproximação à Inglaterra e a defesa dos interesses portugueses, sobretudo em termos coloniais.

Um tema aliciante e certamente polémico que a Professora Fernanda Rollo vai analisar e explicar na próxima sexta-feira.

Uma actividade muito interessante e que não podemos deixar de recomendar a todos os que se interessam pelo temática da Grande Guerra.

Com os votos do maior sucesso.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

ANTÓNIO FERRO: 120 ANOS DEPOIS DO SEU NASCIMENTO


Amanhã, terça-feira, 14 de Abril de 2015, vai promover um colóquio, na Sociedade de Geografia de Lisboa, Auditório Adriano Moreira, Rua das Portas de Santo Antão, 100. 1150-269 Lisboa. 
Serve este colóquio para assinalar a data de nascimento do escritor e do político nos meandros da relação de proximidade que manteve com António de Oliveira Salazar conforme documenta a fotografia acima.

Entrada Livre. 

ANTÓNIO FERRO. O TEMPO. AS IDEIAS. O MODO.

Com uma COMISSÃO CIENTÍFICA E EXECUTIVA constituída por Ana Cristina Martins; Guilherme d’Oliveira Martins; Madalena Ferreira Jordão; Mafalda Ferro; Vítor Escudero

 O Programa é o seguinte:
09.40 – Recepção de participantes e público. 
10.00 – Abertura e saudações institucionais de Luís-Aires Barros, presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa; Ana Cristina Martins, presidente da Secção de Estudos do Património; Benito Martinez, presidente da Secção de Genealogia, Heráldica e Falerística; Mafalda Ferro, presidente da Fundação António Quadros; Ana Filomena Figueiredo, vereadora da cultura da Câmara Municipal de Rio Maior. 

1.º Bloco, moderado por Ana Cristina Martins 
10.40 – Madalena Ferreira Jordão: António Ferro: quem foi?
11.10 – António Cardiello: Orpheu acabou. Orpheu continua: António Ferro e a geração de Orpheu – elementos para uma exposição
 11.30 – Pausa para café 2.º Bloco, moderado por Vítor Escudero
11.50 – Guilherme Oliveira Martins: António Ferro: Um jornalista num mundo perigoso…
12.10 – Jorge Ramos do Ó: António Ferro e a Politica de Espírito
12.30 – Raquel Henriques da Silva: O Museu de Arte Popular, uma herança à procura de futuro 
12.50 – Ernesto Castro Leal: António Ferro: Tempo político e imaginário social (1915-1933)

13.10 – Pausa para almoço 3.º Bloco, moderado por Mafalda Ferro 
14.30 – José Guilherme Victorino: António Ferro e o turismo como programa político 
14.50 – Vasco Rosa: António Ferro e os artistas: uma reavaliação
 15.10 – Rosa Paula Rocha Pinto: António Ferro: Os Verde Gaio
 15.30 – Teresa Rita Lopes: Sem António Ferro, não haveria “Mensagem”

15.50 – Pausa para café 4.º Bloco, moderado por Madalena Ferreira Jordão
16.10 – José Carlos Calazans: António Ferro e Mircea Eliade: encontro de identidades
16.30 – Maria Barthez: Da Utopia à Distopia: representações de arte popular em António Ferro (1935-1948)
16.50 – Mafalda Ferro/Paulo Baptista: António Ferro e o pós-guerra: o exílio em funções e em vida 17.10 – Vítor Escudero: Ao Mérito de António Ferro – um peculiar estudo de Falerística
17.30 – Debate moderado por Ana Cristina Martins.
18.30 – Encerramento ANTÓNIO FERRO: A IMAGÉTICA DA MEMÓRIA.
Mostra de Fotografias, Livros, Cartas, Manuscritos e Falerística evocativa da Vida e Obra de António Ferro.

A ARTE DO EX-LIBRIS.
Apresentação de ex-libris, peças de autor, criadas para as bibliotecas da Fundação António Quadros, de António Ferro, de Fernanda de Castro e de António Quadros.

Local e data: Sábado, dia 18 de Abril de 2015, pelas 15h, nas instalações da Academia Portuguesa de Ex-Libris, Rua do Jasmim, n.º 14, 1.º, ao Príncipe Real.

Programa
Sérgio Avelar Duarte
Saudações institucionais.
David Fernandes Silva
Apresentação do ex-libris da Biblioteca de Fernanda de Castro, de sua autoria.
José Colaço
Apresentação do ex-libris Biblioteca de António Quadros, de sua autoria.
Mafalda Samwell Diniz
Apresentação do ex-libris da Biblioteca da Fundação António Quadros, de sua autoria.
Segismundo Ramires Pinto
Apresentação do ex-libris da Biblioteca de António Ferro, de sua autoria.
Mafalda Ferro
Agradecimentos.

Será servido um porto de honra.
Entrada Livre.

O programa detalhado do congresso pode ser consultado AQUI.

A.A.B.M.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

"OS ULTIMOS DIAS DA PIDE" - DOCUMENTÁRIO DE JACINTO GODINHO: ANTE-ESTREIA NA FUNDAÇÃO MANUEL VIEGAS GUERREIRO



Realiza-se no próximo sábado, dia 11 de Abril de 2015, pelas 16 horas, no Auditório da Fundação Manuel Viegas Guerreiro, em Querença, concelho de Loulé, a ante-estreia do documentário realizado pelo jornalista e investigador Jacinto Godinho.

Na mesma ocasião vai também ser apresentada a obra de Luísa Tiago de Oliveira, Os Militares e o 25 de Abril que já aqui se divulgou.

O tema é, como o título sugere, polémico mas aliciante para uma visita à Fundação Manuel Viegas Guerreiro e conhecer o excelente espaço para estas iniciativas fora dos grandes centros urbanos.

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:

Em Portugal, no dia 25 de Abril de 1974, os homens da camaras cinematográficas e fotográficas convergiram para dois locais que se tornaram os palcos mediáticos da revolução militar. Ao longo de 40 anos a narrativa histórica oficial concentrou-se nesses dois locais de Lisboa -Terreiro do Paço e Largo do Carmo - privilegiando a história do capitão Salgueiro Maia. Maia tornou-se no herói romântico do 25 de Abril desde manhã quando pôs em fuga os Ministros do Terreiro do Paço até tarde quando obteve a rendição do presidente do Conselho Marcelo Caetano no Largo do Carmo por volta das 18 horas. Ao longo de 40 anos a memória comemorativa dos média e a historiografia oficial não só não fugiram desta narrativa como a ainda a foram aprofundaram tornando-a icónica da revolução.

Mas uma investigação alternativa da historiadora Luísa Tiago Oliveira realizada por alturas dos 40 anos do 25 Abril mostra que houve outros acontecimentos tão os mais decisivos para a revolução e cujo conhecimento altera a história conhecida.

Assim os homens fieis ao Estado Novo quando se renderam aos revoltosos, entregaram-se ao general Spínola. Para eles o regime não caia apenas mudava de mãos.

-A verdadeira revolução não foi planeada, iniciou-se no próprio 25 de Abril, fora dos locais mediáticos. Aconteceu na Rua António Maria Cardoso, a sede da Pide/Dgs a temida policia politica do Estado Novo, apenas a 500 metros do Largo do Carmo, onde estavam os militares e se concentravam praticamente todas as objectivas de filmar e fotografar .

Na rua António Maria Cardoso, desde a madrugada do dia 24 até ao fim do dia 26, aconteceram inúmeros casos dramáticos mas para espanto actual não ficaram praticamente registadas em filmes e fotos apesar de nesse dia todos os profissionais credenciados estarem na rua a filmar e fotografar sem censura.

Houve duas tentativas de ocupação da sede da PIDE/DGS por parte das forças de fuzileiros. Aconteceram três manifestações populares que terminaram num massacre com 5 mortos e 45 feridos. Naquela rua revolução não foi dos cravos. O vermelho era mesmo do sangue que escorreu nas ruas e da muita violência exercida pela polícia. No entanto contam-se pelos dedos de uma mão as fotos que registam de forma fugaz estes incidentes.

Esta investigação colocou-se perante o seguinte dilema. Podem as mesmas imagens do arquivo audiovisual e fotográfico contar uma narrativa diferente e ajudarem a desvelar a história oculta do 25 de Abril?

Esta investigação decidiu usar e cruzar todas as fontes possíveis para recolher o máximo de informações. Isto só foi possível devido aos recentes processos de digitalização no arquivo audiovisual da RTP, tanto de televisão como de rádio. Recorreu-se também ao espólio digitalizado dos fotógrafos que se destacaram no 25 de Abril. Usámos também os jornais e revista da época digitalizados. Só assim foi possível fazer este trabalho inédito de cruzar imagens, fotos, reportagens radiofónicas, páginas de jornais, documentos recolhidos por historiadores e testemunhos dos protagonistas.

No interface do computador foi possível cruzar imagens e fotos para reconhecer protagonistas. Imagens e sons para afinar horas melhor em que ocorreram efectivamente os acontecimentos e resolver dilemas da memória pessoal.

Descobriram-se imagens inéditas dos mortos momentos antes dos massacres, identificaram-se manifestantes feridos, desconhecidos durante 40 anos. Refez-se uma história oculta que permite interpretar os acontecimentos do 25 de Abril através de novas linhas de interpretação. Percebe-se todo o processo que foi de um golpe militar e acabou numa revolução se deve à inesperada queda dos serviços secretos portugueses e especialmente a tomada dos seus preciosos arquivos.

Com os votos do maior sucesso para esta iniciativa que com todo o gosto divulgamos a todos os amigos que nos visitam.

A.A.B.M.

III ENCONTRO DE "O HERALDO" NO CLUBE FARENSE: CONFERÊNCIA






Assinalando os 120 anos do nascimento do pintor Carlos Porfírio e a publicação no semanário farense O Heraldo, da notícia sobre a inauguração da exposição do movimento futurista na capital algarvia.

IIII Encontro de «O HERALDO» no Club Farense, sexta-feira, 10 de Abril de 2015, às 18.30h.



Programação:


- Prof. João Minhoto Marques (UALG):« Um Heraldo poético : a "Gente Nova", o "Futurismo" e os "outros" »

- Arq. Vítor Reis Cantinho, (membro da "Faroon" e investigador); « Outro Pintor-poeta : 120 anos de Carlos Porfírio ».

Alguma informação sobre este tema pode ser encontrada aqui:
- José Carlos Vilhena Mesquita
- Patrícia de Jesus Palma e AQUI.




No ano do centenário do Orfeu, uma iniciativa que merece a pena acompanhar com toda a atenção e merecendo a melhor divulgação.

A.A.B.M.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

CONFERÊNCIA – OS RITOS ANGLO-SAXÓNICOS


CONFERÊNCIA: Os Ritos Anglo-Saxónicos;

DATA: 10 de Abril 2015 (19,00 horas);
LOCAL: Escola Oficina nº1 [Largo da Graça, nº 58, Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Grandes Ritos Maçónicos”]

ORADOR: Prof. dr. Joaquim Pinto Coelho

“No universo simbólico da Maçonaria sobressaem palavras que escapam, por vezes, à semântica comum revestindo-se, no seio das Lojas ou do discurso maçónico, de sentidos específicos.
Tal é o caso da palavra rito a qual, em Maçonaria, tanto pode designar uma certa forma de prática ritual, assente num conjunto de ideias que lhe são inerentes, como a sequência e natureza específica dos graus, que compõem um dado sistema maçónico.

De uma exuberante variedade de ritos maçónicos, gerada no decurso do século XVIII, praticam-se na actualidade, principalmente, os Ritos Franceses, o RER, o REAA, os Ritos Egípcios e os Ritos Anglo-Saxónicos.

Estes últimos derivados do Ritual resultante do Ato de União de 1813, entre as duas Grandes Lojas rivais, a dos Modernos e a dos Antigos, que deu origem à formação da atual Grande Loja Unida de Inglaterra, configuram um sistema em três graus, que se basta a si mesmo.

O Maçon dos Ritos Anglo-Saxónicos pode, ainda, complementar a sua formação através de uma plêiade de “Side Degrees”, tais como o Santo Arco Real, que lhe permitem uma abordagem de outros temas, em complemento do seu percurso iniciático no “working”.

Caracterizados por uma orientação teísta, estes Ritos desenvolvem-se numa tradição de oralidade, através de uma sobrevalorização do ritual, que se constitui como cerne e essência da própria prática Maçónica.

A tradição da oralidade em que assenta a prática destes ritos em relação, por exemplo, aos ritos franceses (sem qualquer desmerecimento para estes), configura, nos Anglo-Saxónicos, uma ”cultura” maçónica herdeira da arte da memória, como “máquina da memória universal”, legatária da retórica da antiguidade clássica, passando pela Escolástica Medieval e, inclusivé, pela assimilação da tradição Hermético-Cabalística do Renascimento, nomeadamente, com os modelos dos Teatros da Memória de Robert Fludd e do Globe Theatre de William Shakespeare.
É curioso notar, embora noutro plano completamente distinto, as consequências da erradicação nas actuais metodologias de ensino escolar da memorização da tabuada, da gramática, da geografia, da história e de textos e poemas de referência da cultura lusa e ocidental, com as implicações decorrentes na construção  psicológica e cultural dos nossos jovens, cidadãos do futuro.

São estes temas que se pretendem desenvolver na presente conferência, discutindo-se a História, o universo simbólico e a base filosófica dos “Side Degrees” dos Ritos Anglo-Saxónicos.
Contando com a vossa participação, apresento os meus cumprimentos.”

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do Museu Maçónico Português]

J.M.M.

EVOCAÇÕES DO 9 DE ABRIL: DIA DO COMBATENTE E DA BATALHA DE LA LYS

Assinala-se amanhã, 9 de Abril, as evocações da Batalha de La Lys (8 e 9 de Abril de 1918) que se transformaram também nas comemorações do Dia do Combatente.
As cerimónias repetem-se um pouco pelo país, desde norte a sul, pelas ilhas, dinamizadas em particular pelos vários núcleos da Liga dos Combatentes espalhados por Portugal. Entre as várias evocações que tivemos oportunidade de encontrar destacamos:

- Oliveira de Azemeis
A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, parceira do nosso portal IHC, anuncia que a 10 de Abril de 2015 ocorrerá a conferência "Erros e Ilusões normais sobre o CEP e o 9 de Abril", dedicada ao 9 de Abril de 1918 e à batalha de La Lys.
Integrada no plano evocativo do centenário da Grande Guerra, a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, promove a 10 de Abril, a conferência "Erros e Ilusões Normais Sobre o CEP e o 9 de Abril", proferida por António José Telo, professor catedrático de História na Academia Militar que, tendo também lecionado na Faculdade de Letras de Lisboa, é autor de uma vasta obra no campo da História, Defesa e Relações Internacionais, onde se contam cerca de 20 livros e mais de 120 artigos e colaborações em obras coletivas, publicados em cinco países.

A iniciativa, destinada a ex-combatentes e público em geral, acontece no Arquivo Municipal e procura abordar a participação portuguesa no conflito através da análise da batalha de "La Lys", integrada na ofensiva "Georgette", através da qual o exército alemão pretendia forçar as linhas aliadas e dividir os exércitos britânico e francês. Com esta ofensiva o general Ludendorff esperava obter uma vantagem que possibilitasse uma vitória militar antes da entrada nos campos de batalha das unidades do exército dos Estados Unidos da América.

A Informação foi retirada DAQUI.


- Vila do Bispo
11 de abril: 15h00 terá lugar no Centro de Interpretação de Vila do Bispo a palestra Algumas Curiosidades na História Naval Portuguesa, pelo técnico municipal Artur de Jesus.

Na próxima quinta-feira, dia 09 de abril, cumprem-se 97 anos sobre um episódio marcante na História de Portugal: a Batalha de La Lys, travada em França entre as forças aliadas e o império alemão, em 1918, no curso da 1.ª Guerra Mundial. Portugal entrara no conflito dois anos antes ao lado da Inglaterra e da França. No dia 09 de abril de 1918 o Exército Alemão atacou violentamente as posições portuguesas. As forças do Corpo Expedicionário Português foram devastadas apesar de terem conseguido proteger os aliados. Sofrem pesadíssimas baixas: cerca de 1300 mortos, 4600 feridos, 2000 desaparecidos e 7000 prisioneiros. Duas das baixas foram de Vila do Bispo e, mais, especificamente, da localidade de Burgau: Carlos Sequeira (natural) e José Joaquim Abelum (residente), ambos militares do Regimento de Infantaria n.º 1 do Exército Português. O primeiro despareceu no dia da batalha, o outro foi feito prisioneiro de guerra, falecendo 3 dias depois.

Estes dois soldados, bem como todos os restantes que deram a sua vida ao serviço do nosso país, naturais ou em trânsito pelo nosso Concelho (2 deles militares britânicos, tendo outros 5 perecido em terras de África) serão recordados no próximo dia 09 de abril numa homenagem que terá lugar no Cemitério da Freguesia de Barão de São Miguel, às 11h00, organizada pela Câmara Municipal de Vila do Bispo e que conta com os apoios da Junta de Freguesia de Barão de São Miguel, da Associação de Ex-Combatentes do Concelho de Vila do Bispo e da Paróquia de Barão de São Miguel, associando-se, deste modo, à homenagem nacional que anualmente tem lugar no nosso país, conhecida por “Dia do Combatente”.

As iniciativas são abertas a todos os interessados e todos estão, desde já, convidados a participar. Recordar os protagonistas e as efemérides da nossa História são a melhor forma de a preservar.

A informação foi retirada DAQUI.


- Escola Superior de Educação do Porto
No próximo dia 9 de Abril, 5ª feira, aniversário da Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918) e no âmbito da programação comemorativa dos 30 Anos do Instituto Politécnico do Porto, irá ser realizada uma conferência com o título "Portugal e a Grande Guerra - De África às Trincheiras", que terá lugar na Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto, pelas 18.00 horas. É meu privilégio partilhar esta conferência com Professora Doutora Maria Helena Guimarães Ustimenko, do Instituto Superior de Contabilidade e Administração, também do Politécnico do Porto e será a nossa forma de evocar esse dia e o sacrifício do Corpo Expedicionário Português, para além das tropas que se bateram em África desde 1914 e até 1918.

A Informação foi retirada DAQUI.

Com os votos do maior sucesso para estes eventos e todos os outros que não nos é possível dar conhecimento neste espaço.

A.A.B.M.

terça-feira, 7 de abril de 2015

HUMBERTO CARLOS BAQUERO MORENO (1934-2015): IN MEMORIAM

Nascido em Lisboa em 16 de Outubro de 1934, Humberto Carlos Baquero Moreno estudou no Instituto Espanhol até 1952 e licenciou-se depois em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1961. Leccionou durante dois anos no Liceu Camões, onde ensinou História de Portugal e Filosofia e Organização Política da Nação. Foi contratado, em 19 de Dezembro de 1963, como professor assistente nos Estudos Gerais Universitários de Moçambique, depois Universidade de Lourenço Marques, onde permaneceu até à descolonização. Começou por leccionar Introdução à Psciologia e Pedagogia e Didáctica. Em 1969 começa a leccionar no curso de História, tendo sido professor de áreas como História da Civilização Romana, História da Civilização Grega, História Medieval de Portugal e História da Idade Média.


Entre 1966 e 1968 esteve na situação de equiparado a bolseiro preparando o seu trabalho de doutoramento. Nesse período percorre diversos arquivos nacionais e estrangeiros (Espanha, França, Itália e Bélgica, entre outros). Regressando ao ensino em Lourenço Marques (Maputo), conclui a dissertação de doutoramento que veio a defender em Janeiro de 1974, na Universidade de Lisboa, tendo sido aprovado por unanimidade, por todos os elementos do júri com distinção e louvor. Tinha esse trabalho por título A Batalha de Alfarrobeira.Antecedentes e Significado Histórico. Em Março de 1974 passou a professor auxiliar na Universidade de Lourenço Marques. Com a independência do território moçambicano volta a Portugal e, em 1975, ingressa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no grupo de História Medieval. Em 1978 passa a professor extraordinário e no ano seguinte atinge a posição de professor catedrático.

Permaneceu na Faculdade de Letras da Universidade do Porto até ao ano 2000, onde desempenhou variadas funções, desde Presidente do Conselho Directivo (1979-1980), presidente do Conselho Científico (1980-1981) até coordenador da Secção de História (1990-1995).

Baquero Moreno foi autor de pelo menos 14 livros e 239 artigos, sendo apontado como um reputado especialista em História da Baixa Idade Média em Portugal.
Foi director do Arquivo Distrital do Porto, em diferentes fases, e do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, que também dirigiu, nomeadamente entre 1988 e 1990.
Baquero Moreno era sócio correspondente da secção de História e Geografia, da Academia de Ciências de Lisboa desde 3 de Junho de 1993, membro da Academia de Marinha e da Associação de Professores de História, entre outros institutos e associações, como a dos Amigos dos Castelos.
A sua actividade de historiador valeu-lhe vários galardões, entre eles, o Prémio Augusto da Costa Veiga, da APH.
Em 1994 foi agraciado pelo Presidente da República com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e no ano seguinte condecorado pelo Brasil com a Ordem de Mérito de Tamandaré.

A produção historiográfica do Professor Doutor Humberto Baquero Moreno pode ser consultada AQUI.

Sobre a vida e o seu percurso de historiador consultar o interessante artigo AQUI do Professor José Marques ou de Maria Fernanda Mendes Ferreira Santos AQUI.

Humberto Carlos Baquero Moreno faleceu a 6 de Abril de 2015

A.A.B.M.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

CONFERÊNCIA – AFONSO COSTA: VIDA E OBRA


CONFERÊNCIA: Afonso Costa: Vida e Obra;

DIA: 9 de Abril 2015 (21,30 horas);
ORADORES: Prof. Filipe Ribeiro de Menezes (National University of Ireland | Prof. Jorge Pais de Sousa (Universidade de Coimbra);

LOCAL: Biblioteca Municipal da Figueira da Foz (Figueira da Foz);
ORGANIZAÇÃO: Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás | Divisão de Cultura CMFF.

No âmbito do programa de actividades evocativas do Centenário da I Guerra Mundial, a Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz promove uma CONFERÊNCIA sobre o Dr. “Afonso Costa – Vida e Obra”, a realizar na próxima Quinta-Feira (dia 9 de Abril, pelas 21.30 horas), com a presença do professor Filipe  Ribeiro de Menezes  e do prof. Jorge Pais de Sousa.

“Afonso Augusto da Costa foi um dos políticos dominantes durante a Primeira República. Foi Presidente do Ministério de Portugal por três vezes, Ministro da Justiça e Cultos, Ministro das Finanças, dirigente do Partido Republicano e do Partido Democrático.

Em outubro de 1917 visitou as tropas do Corpo Expedicionário Português na Flandres, acompanhado por Bernardino Machado. Em 1919, após o assassinato de Sidónio Pais e o fim do Sidonismo, passou a chefiar a delegação portuguesa à Conferência de Paz, assinando em representação de Portugal o Tratado de Versalhes. Foi também o representante português na primeira assembleia da Sociedade das Nações” [via Biblioteca Municipal da CMFF].

J.M.M.

sábado, 4 de abril de 2015

II CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA DO MOVIMENTO OPERÁRIO E MOVIMENTOS SOCIAIS EM PORTUGAL

Realiza-se nos próximos dias 7 e 8 de Abril, na sala Multiusos 2 e 3, no Edifício I&D, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o II Congresso Internacional de História do Movimento Operário e Movimentos Sociais em Portugal.

Este congresso conta com alguns nomes já conhecidos da historiografia portuguesa dedicada à História dos Movimentos Sociais e à História do Movimento Operário, contando entre outros com a presença de Raquel Varela, Paula Godinho, Rui Bebiano, João Madeira, Maria Inácia Rezola, João Arsénio Nunes, Constantino Piçarra, David Luna de Carvalho, João LázaroAlbérico Afonso Costa, entre muitos outros que vão apresentar as respectivas comunicações.

O programa do congresso segue abaixo [Recomenda-se que clique na imagem para aumentar ou, em alternativa, guarde a imagem no computador e aumente-a a partir do visualizador de imagens]:

Uma excelente iniciativa que se repete e que continua a necessitar de novos contributos, perspectivas de análise, interpretações pluralistas e descobrindo novas situações para análise e interpretação.

Com os votos do maior sucesso para todos os participantes.

A.A.B.M.

Armando Adão e Silva (1909-1993)


Armando Adão e Silva nasceu em Lisboa, em 24 de Fevereiro de 1909 [cf. “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo, 1945-1973 – Um Dicionário", Texto, 2009]. Depois dos estudos liceais no Gil Vicente, frequenta a Universidade de Direito de Lisboa, onde se forma [em 1931; foi colega de curso de Acácio Gouveia, Fernando Olavo, José Magalhães Godinho, Teófilo Carvalho dos Santos e Nuno Rodrigues dos Santos – cf. José Ribeiro dos Santos, “Memórias da memória, Rolim, 1986, p. 109], seguindo a profissão de advogado, especializado em questões de matéria comercial.
Adão e Silva é iniciado na maçonaria [n.s.Mestre de Avis!?] a 27 de Janeiro de 1935, na Loja Liberdade, nº 197, do qual foi Venerável durante a clandestinidade [a Loja Liberdade foi das poucas lojas que se manteve em actividades durante a clandestinidade – sobre a Loja Liberdade ver AQUI; consultar Adão e Silva e a Loja Liberdade no livro “Uma História da Maçonaria”, de António Ventura, 2013]

Em 1943, Adão e Silva, é membro fundador da União Democrato-Socialista
[UDS – núcleo antifascista, que é criado após a formação do NDAS (Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista, que tem como apoiantes, entre outros, António Macedo, Artur Santos Silva, Costa e Melo, Fernando Valle, Gustavo Soromenho, Manuel Mendes, Mário Cal Brandão, Mário Castro, Paulo Quintela, Teixeira Ribeiro, Vitorino de Magalhães Godinho), de que faziam parte, além de Adão e Silva, Fernando Mayer Garção, José Joaquim Gaita, Carlos Sá Cardoso. Publicou o periódico clandestino “V” – ver “Socialistas na Oposição ao Estado Novo, de Susana Martins, 2005],
que fundindo-se com o NDAS, dá origem, em 1944 [ou finais de 1943?], à União Socialista, mantendo-se em actividade até à década de 50 [cf. “Socialistas …, ibidem]. Refira-se que surge Adão e Silva [juntamente com Teófilo Carvalho dos Santos, Vasco da Gama Fernandes, Carlos Vilhena e Mayer Garção] como filiado num “Partido Trabalhista Português”, que segundo José Pacheco Pereira [citado no "Socialistas …”, ibidem, p. 50] resulta de “uma mistura entre uma organização política clandestina e um grupo de inspiração maçónica   
Armando Adão e Silva integra o MUNAF (1943-44), participa na célebre reunião de 8 de Outubro de 1945, no Centro Escolar Republicano Almirante Reis, que origina a constituição do MUD


[é um dos subscritores do requerimento ao governador civil de Lisboa a pedir autorização para essa célebre reunião, juntamente com Afonso Costa (filho), Alberto Candeias, Guilherme Canas Pereira, Gustavo Soromenho, José Magalhães Godinho, Luís da Câmara Reis, Manuel Catarino de Castro, Mário Lima Alves, Manuel Mendes, Teófilo Carvalho dos Santos; a reunião, num sala repleta, foi presidida pelo prof. Barbosa de Magalhães - na FOTO acima Adão e Silva é o 3º, a contar da direita, de braços cruzados; a FOTO marca a presença da Comissão Central do MUD na saída do governo civil, a 6 de Novembro de 1945, onde foi apresentar as listas de apoiantes - via Casa Comum],
fazendo parte da sua primeira comissão central. Na campanha de Norton de Matos (1949) apoia o “grupo dos 24” [pró-atlantista e pró-americano], que rompe com o PCP. Participa em 1949, ainda, no Directório Democrato-Social [grupo de republicanos, conhecidos por “Os Barbas”, onde se integravam Acácio Gouveia, António Sérgio, Azevedo Gomes, Carlos Sá Cardoso, Jaime Cortesão, Nuno Rodrigues dos Santos, Raul Rego].
Em Maio de 1953 é um dos fundadores da “Comissão Promotora do Voto”, uma “iniciativa de António Sérgio [e de Luís de Almeida, Manuel Duarte, Mayer Garção, João Pedro dos Santos, Nuno Rodrigues dos Santos], em vésperas da eleições legislativas de Novembro desse ano e quando a oposição de encontrava profundamente dividida” [cf. José Pacheco Pereira, in Ephemera] e que contava com “o apoio do Directório Democrato-Social” [ibidem].
Em 1954, é Adão e Silva um dos subscritores da tentativa de fundação da associação política “Causa Republicana”, que foi indeferida pelo Estado Novo [fez parte da sua comissão fundadora, que integrava, entre outros, Barbosa Magalhães, Azevedo Gomes, Cunha Leal, Marques Guedes, José Domingos dos Santos, Ramada Curto, Câmara Reis, Ramon De La Feria, Dias Amado, Mayer Garção, Casais Monteiro, Sá Cardoso, Acácio Gouveia, Nuno Rodrigues dos Santos, Gustavo Soromenho; do mesmo modo integrava, a 5 de Outubro de 1954, o Secretariado da projectada associação - ver TUDO AQUI]
Curiosamente, Adão e Silva, não integra a Acção Socialista, nem adere à fundação do Partido Socialista. Apoia, sempre, as campanhas eleitorais contra a ditadura, tendo sido candidato nas eleições de 1953, 1965 e 1969.
Foi preso em 1959 e, na sequência de ter sido um dos 62 signatários do “Programa para a Democratização da República” [1961], é de novo levado para a prisão [cf. “Candidatos da Oposição …, ibidem]. Pertenceu à Liga Portuguesa dos Direitos do Homem [fundada em 1923 por Sebastião Magalhães Lima], fazendo parte do seu directório, bem como fez parte dos corpos directivos da Ordem dos Advogados. Foi por diversas vezes advogado dos presos políticos do Estado Novo, nos tribunais plenários.   
Após o 25 de Abril, a 15 de Julho de 1974, faz parte, com Adelino da Palma Carlos [e Almeida Ribeiro, Norberto Lopes, António Waldemar, Paradela de Abreu], do denominado “Partido Social-Democrata Português”, de raiz humanista racionalista, que desaparece, sem êxito. Adere ao Partido Socialista, demitindo-se em 1978, seguindo os “renovadores”, integrando o “Grupo de Acção Renovadora”. É eleito deputado pela Aliança Democrática, nas eleições intercalares de Dezembro de 1979, pelo círculo de Aveiro. Ainda, como curiosidade, registe-se que fez parte do “conselho jurisdicional do Sport Lisboa e Benfica e foi presidente da Associação de Futebol de Lisboa”.
Após o 25 de Abril de 1974, Armando Adão e Silva esteve presente na reorganização do GOL [acompanhando nessa missão outros dedicados maçons, como A. H. de Oliveira Marques, Carlos Sá Cardoso, o comandante Simões Coimbra, Luís Dias Amado, Luís Gonçalves Rebordão, entre outros] e foi importante na restituição do Palácio Maçónico [ver, p. expl., os jornais de 7 de Maio de 1974, onde é apresentado um comunicado assinado por Adão e Silva, Dias Amado e o comandante Simões Coimbra, como representantes do “Grémio Lusitano”. O Palácio Maçónico tinha sido ocupado - como resultado da Lei 1901 contra as Associações Secretas - pela Legião Portuguesa, em 1937, com o confisco dos seus bens. A Lei 1901 foi anulada a 4 de Novembro de 1974 e o Palácio foi restituído aos seus legítimos proprietários]. Foi, Adão e Silva, Presidente do Conselho da Ordem do GOL e em 1981, sucedeu a Dias Amado como Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, mantendo-se no cargo até 1984.
Morre, em Lisboa, a 1 de Abril de 1993.

FOTO de Adão e Silva, via António Ventura Facebook, com a devida vénia.

J.M.M.

segunda-feira, 30 de março de 2015

25 DE ABRIL DE 1974 NO ARQUIVO RTP


Assinalando os 40 anos, quase 41 anos da Revolução dos Cravos, a RTP, através do seu arquivo de imagens colocou disponíveis online quase quatro dezenas de videos sobre o tema.

Contando com um conjunto de reportagens de duração diversificada podemos rever alguns dos temas da revolução:
- Reunião da Junta de Salvação Nacional;
- Entrevista a Sá Carneiro;
- Documentário Retratos duma Revolução;
- Comunicado sobre a Rendição do Quartel do Carmo;
- Ocupação da RTP pelos Militares;
- Conferência de Imprensa da Junta de Salvação Nacional;

Estes e muitos outros vídeos ficam disponíveis a todos os interessados e vale a pena uma visita demorada consultando AQUI.

A.A.B.M.


sexta-feira, 27 de março de 2015

ATÉ SEMPRE DR. AMÉRICO CASEIRO [1947-2015]


Até Sempre Américo Caseiro [n. 27 Maio 1947 - m. 26 Março de 2015]

Só morremos de nós mesmos” [Herberto Helder]

Américo Caseiro partiu, ainda o sol não mostrava o brilho dos raios. Deixou-nos o tesouro da palavra, os nomes e rostos da claríssima luz, a ternura do tempo e da noite sem fim, o prazer e a rebelião da viagem, a lealdade fraternal, a requintada oferenda do “discurso do acordar e do adormecer” [A.C.]. Ele, que amou e viveu a vida, com radiante paixão, partiu (avançou) no seu próprio jogo. Pôs-se a caminho para urdir a sua própria sombra. E deixou-nos no nosso trivial remanso. 

À sua esposa, Mariana Alface, à sua estimada família e a todos os amigos, o nosso pesar. 

Ao Américo a eterna Saudade … e até Sempre!

Nota: o seu funeral segue hoje de Coimbra para o Crematório da Figueira da Foz, onde deverá chegar antes das 18 horas, desta sexta-feira.

Américo José Lopes Caseiro nasceu a 27 de Maio de 1947, na cidade de Coimbra, lugar que amava como poucos. Era filho de Adriano Maria Caseiro, escrivão e solicitador em Ansião e de Fernanda Godinho Lopes Caseiro

Cresci, único homem (o meu pai so chegava à noite), no seio de seis mulheres, a minha irmã muito conta como tal, e este facto traz as mais agradáveis consequências - a maior relevância para o meu pai, homem belo de 120 quilos, de humor afável e irritável, terno, dócil, violento, brutal incontestável - o meu ideal de beleza era ter 120 quilos e sentir-me belo e sedutor como em muitos dias reparei que se via” [cf. Américo J. L. Caseiro, Curriculum Vitae, 1982].

Fez a escola primária em Avelar, depois estudou no colégio de Ansião (onde frequentou brilhantemente a Biblioteca Itinerante da Gulbenkian e ali conheceu o Maia Alcoforado, “poeta, revolucionário civil”, republicano de têmpera, combatente contra a ditadura), passando depois para Coimbra para fazer o “complementar dos liceus” 

Em Coimbra, moço arribado ao liceu D. João III, conhece o “velho Gomes Jacobino” que lhe revela o caminho da biblioteca (vício nunca abandonado), encontra e percorre Freud e Nietzsche, deslumbra-se com Marx & Engels, invoca Camus, aparece-lhe Sartre. O coração alumia-se. Entra em 1964 para a Faculdade de Medicina da U.C. Três anos depois tem o seu primeiro casamento, de que resulta um filho encantador. Na candura de uma vida de estudo, de tentações de espelho e outros rendez-vous, foi “incapaz de passar os Arcos do Jardim” e “subir acima da Almedina”: quatro anos de “dedicação exclusiva do prazer doutras matérias” (o “sítio do pica-pau amarelo”). Licencia-se aos 27 anos. De permeio esteve “em todas as lutas de estudantes e nas outras”, ali, vertical, com o Alfredo Misarela, o Joaquim Namorado, o Orlando de Carvalho, Lousã Henriques, outros mais.    



O acordar da noite ensinou-o a gostar de Resnais, Fellini, Bergman & tantos outros (o dr. Orlando adornava o alvoroço), enfaixa-se em Lacan em seminários no café Tropical e na Brasileira, Levi-straussa na baixinha em passeatas peripatéticas. A vontade de saber escorre-lhe interminavelmente. Foucault ilumina-o, tal como o vinho e o tabaco com que teorizava e vigiava. Althusser identifica-lhe os “órfãos teóricos” (os do sem pai teórico). Deuleuze & Guattari, empresta-lhe o inevitável. A psiquiatria – que pratica, usa e abusa - é para ele como a escrita de Leonardo, “para ser lida ao espelho” [A.C.]. Esteve no serviço médico à periferia (Soure, Manteigas), transita para a Clínica Psiquiátrica dos HUC (1979), faz-se exímio na profissão, (re)constrói o (im)possível. Com inquietação, mas solidamente.

O dr. Américo Caseiro, “o passáro sarapintado”, era um eterno apaixonado. Da literatura (Joyce, Thomas Mann, Dostoievski, os clássicos sempre presentes, com pontualidade e zelo), da música (que não aprendeu com “grande arrependimento e mágoa"), do cinema e teatro, tudo o movia, sempre numa respiração insubordinada, que a outros transmitia. Das suas últimas paixões deve-se referir o seu aprofundado estudo & os seus apontamentos sobre o “Cão de Parar”, espaço de “conversação e do elogio do cão”, por nós (re)escrito a partir da narrativa assombrosa e encantadora do Mestre Caseiro.      
      
O “pássaro sarapintado” morreu porque muito amou. 

Na madrugada de 26 de Março de 2015, com toda a serenidade. 

Até sempre, dr. Américo Caseiro.

[José Manuel Martins - publicado também no Almocreve das Petas e no O Cão de Parar]

quinta-feira, 26 de março de 2015

CONFERÊNCIA – TEOSOFIA E MAÇONARIA


CONFERÊNCIA: "Teosofia e Maçonaria

ORADOR: dr. Vítor Quelhas;

DIA: 27 de Março 2015 (19,00 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano [Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa];
ORGANIZAÇÃO: Museu Maçónico Português [Ciclo “Sextas da Arte Real”]

“Teosofia, do grego, significa, literalmente, “conhecimento de Deus”, não de um Deus externo ao Homem, mas do divino no Homem, vivido e autorrealizado por experiência directa, sem a mediação de figuras de autoridade “espiritual”, supostamente iluminadas, ou de doutrinas ditas reveladas, dogmáticas e sectárias.

Embora seja o substrato de todos os sistemas iniciáticos e de todas as grandes religiões e filosofias geradoras de sabedoria do mundo, tanto ocidentais como orientais, portanto uma sageza ensinada e praticada desde o início da humanidade pensante, não se confunde nem se pode confundir com nenhum deles.

A sua natureza é um corpus de saber e de prática autónomos, e primordiais, cuidadosamente guardado e transmitido por teósofos, ou conhecedores de Deus, em todas as épocas, e não se deve confundir, tal como não se pode confundir com religiões e filosofias, com doutrinas e sistemas iniciáticos, esotéricos e ocultistas que se manifestam pontualmente nas várias culturas do planeta.

Por ser ponto de convergência de saberes e práticas da Teosofia universal, sob a forma de uma linguagem e de uma simbólica iniciáticas, a Maçonaria pode considerar-se como uma das herdeiras modernas dessa Teosofia perene, pelo que importa saber qual é a relação entre ambas.   

O termo Teosofia aparece no terceiro século da nossa era, associado a Amónio Sacas, pai do Neoplatonismo (síntese do platonismo com a sageza iniciática egípcia e judaica) e tem um seu equivalente, na gnose hindu, sob a designação de Brahma-Vidya (ou ciência de Deus), mas o conceito e a sua prática são muito mais antigos. Modernamente está identificado com Helena Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, em 1875, e ao revivalismo maçónico dos séculos XIX e XX, a que a Teosofia contemporânea não é de modo algum estranha.

Como Ordem do Átrio, como referia Fernando Pessoa, procurar-se-á analisar até que ponto a Maçonaria se pode considerar como uma das herdeiras modernas da Teosofia perene.

Se no decurso do século XVIII, se assistiu à transição de uma fase pós-operativa, na qual os trabalhos das Lojas constituíam apenas formas de sociabilidade, para um estádio verdadeiramente iniciático, em que as cerimónias dão corpo à vivência de psicodramas fundados em mitos de conteúdo intemporal, os rituais continuaram a sofrer evoluções posteriores, adaptando-se aos novos paradigmas, que foram entretanto surgindo.

Nos finais do séc. XVIII a aristocracia a as classes intelectuais rendem-se ao deslumbramento da descoberta do universo maçónico e revestem-na de novas roupagens simbólicas e toda uma estrutura de graus que são posteriormente ordenados e  devidamente estruturados ao longo do séc. XIX e início do séc. XX.

São estes os aspectos que se pretende aprofundar e discutir na presente conferência.

Contando com a vossa participação, apresentamos os nossos cumprimentos"

[Fernando Castel-Branco Sacramento - Director do MuseuMaçónico Português]

J.M.M.