sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

CARTAS PARA HOJE – POR ANTÓNIO VALDEMAR


Cartas para hoje” – por António Valdemar, in Revista do Expresso

[Segunda edição das cartas que Manuel Teixeira Gomes mandou a João de Barros, selecionadas por Manuela de Azevedo. Fragmentos de umas memórias que não chegaram a existir] 

“As memórias de Teixeira Gomes fizeram parte de vários projetos. Memórias políticas com a militância partidária republicana, a carreira diplomática e o exercício da Presidência da República. Memórias literárias resultantes do convívio com escritores, poetas, pintores e músicos. Em Coimbra, onde fez o secundário. No Porto, onde estudou Medicina sem concluir o curso. Em Lisboa, onde frequentou as principais tertúlias do fim do século XIX e começo do século XX. Somem-se as memórias familiares do Algarve — as relações difíceis com o pai e ainda mais difíceis com a mãe, que o deserdou, por viver maritalmente e ter filhos de uma empregada; e as do comerciante de figos com meios para passar metade do ano em viagens através da Europa. Finalmente, as memórias do exílio voluntário, após a renúncia à Presidência da República em 1925, que lhe permitiu retomar com intensidade a escrita. Nunca concretizou o grande livro de memórias que prometeu, mas deixou em correspondência pessoal, política e literária reminiscências de 80 anos de existência repleta de contrastes.

Desde sempre as cartas foram para Teixeira Gomes um modo de comunicar. Publicou em vida três livros de cartas: “Cartas Sem Moral Nenhuma”, “Cartas a Columbano” e “Miscelânea”, com relatos de viagens e reflexões literárias e estéticas. Castelo Branco Chaves também recolhera, no âmbito das edições promovidas em 1960, no centenário do nascimento, outros volumes de correspondência. Mas além da epistolografia coligida em livros existia correspondência inédita e dispersa para amigos, em especial o poeta João de Barros e que o seu filho Henrique de Barros selecionou, incumbindo Manuela de Azevedo da edição. A investigação tem prosseguido com António Barros, o neto de João de Barros, que ficou a cuidar do espolio do avô para novas edições.

Ficamos a saber, através do próprio Teixeira Gomes, o que pensava dessa literatura de testemunho que praticou com abundância: “Eu tive sempre, mais ou menos, a mania epistolar, e pouca gente terá havido que escrevesse tantas cartas como eu, no decorrer desta minha agitada, longa, e curiosa vida. (...) Talvez porque o meu temperamento se compraz no desalinho da conversação despretensiosa, e repugna às composições oratórias; seja qual for a razão o certo é que, escrever uma carta nunca me foi pesado.”

Confidenciou nas cartas a João de Barros: “Como sabe, nunca fui popular, mas a Presidência da República tornou-me detestado. Situação que abrangeu também, um pouco, os meus amigos pessoais. (…) Sem ter feito nada de bom, nem de mau, limitei-me ao estreito cumprimento das minhas obrigações de mestre de sala — levantei, no meu país, contra mim, os ódios que só costumam levantar os grandes benfeitores da Humanidade.”

Em vida e depois da morte, Teixeira Gomes foi muito criticado. Sem nunca lhe ter falado, Miguel Torga, no “Diário”, ao registar a morte de Teixeira Gomes não hesitou a chamar-lhe “manjerico”. Antes e depois do exílio, tinha inimigos de estimação, como Bernardino Machado, por incompatibilidades políticas recíprocas; João Chagas, que o insultou no “Diário”; ou Augusto de Vasconcelos, que despreza por motivos de carácter e ausência de lealdade política. Fez comentários arrasadores a Ginestal Machado, chamando-lhe “o seráfico Ginestal Machado a quem os rapazes de Santarém cognominaram o cu frouxo”. Mas um dos grandes ódios de estimação foi Cunha Leal, que lhe movera uma campanha sistemática na tribuna de São Bento ao ler, quando era Presidente da República, as passagens dos livros com referências sexuais. A divulgação provocou os efeitos desejados: Teixeira Gomes não perdoou a Cunha Leal.
 
 
Era com desdém que o antigo Presidente se pronunciava acerca de intelectuais portugueses que, em vida, o lisonjearam e depois o atacavam e de forma insultuosa. Júlio Dantas, além da ferocidade do manifesto de Almada Negreiros, não escapou à sátira de Teixeira Gomes. Chamou-lhe “merdiflor”. E acrescentava, entre outras considerações fulminantes: “Deve-se-lhe um invento genial: a aplicação dos pastéis de nata em supositórios. Uma vez na confeitaria Marques, engoliu, por ‘ali’ uma grande bandeja cheia deles.”

Augusto de Castro é outro visado, e com extrema contundência. Refere que lhe devia, quando Presidente da República, favores políticos, ao desejar interromper a direção do “Diário de Notícias” para ingressar na carreira diplomática, em Inglaterra e em Itália, junto do Papa. Outra crítica virulenta atingiu Afonso Lopes Vieira, com quem tivera, aliás, relações muito cordiais e expressas em correspondência. A opinião alterou-se quando Lopes Vieira derivou para a exaltação de Fátima, de que terá sido o primeiro poeta oficial.

A opinião de Teixeira Gomes acerca da literatura portuguesa era radical. Considerava-a “um mito” e insistia: “Nós parecemos tudo menos o que na realidade somos, isto é, plagiários inveterados, do princípio ao fim, de uma literatura de décima ordem.”

Mesmo assim, demonstrou apreço por algumas obras e escritores, como Camões — “o melhor exemplo de uma repentina e salutar renascença, de pureza de formas e claridade de ideias e de estilo”. “No entanto”, advertia, “o publico pouco se importa com o genuíno Camões, que não distingue senão pelo nome (e por ventura pelo olho de menos) dos demais poetas dos tempos idos”. Era Fernão Mendes Pinto a figura que “sempre exerceu fascinação irresistível”, sobretudo “pela graça e cristalina simplicidade do seu estilo, que parece de agora”. Eça não o satisfaz tanto como Camilo, que apontou como o maior escritor português do século XIX. Bernardes e Castilho são referências assíduas e cita Bernardim Ribeiro quando pretende justificar estados de alma.

Perante os seus contemporâneos, Teixeira Gomes é um clássico. Condenava o desalinho e a confusão. Rejeitava a forma rebuscada e pomposa, a frase seca e o “estilo embaçado como se fosse temperado com sumo de marmelo cru”. Para ser espontâneo teria de haver um trabalho de “ferreiro, que passa da forja à bigorna, e daí à lima”.

A Republica desiludiu-o: “Sabia muitíssimo bem que, na incapacidade de resumir os seus ideais em princípios, o nosso povo os havia encarnado em meia dúzia de figuras representativas da Republica, e avaliava o que ela sofria em desdoiro e desonra, com os insultos infâmias que esses homens, sem o menor rebuço e desbragadamente, se assacavam e lançavam uns aos outros.” O modo como foi tratado quando exerceu a Presidência da República magoou-o profundamente. Em abril de 1927, escrevia a João Barros: “É, ou parece, um país de réprobos, onde todos vociferam, ardendo em ódio, consumidos de inveja.”
De país em país encontrou, finalmente, em Bugia (Argélia francesa) o local para se instalar nos últimos dez anos de vida. Passara já os 70 anos de errância contínua. Por diversas vezes, Teixeira Gomes falou do envelhecimento, das doenças que o atingiram. Porém, manteve até ao fim uma espantosa memoria. Na reta final, não deixou de confidenciar: “Estas cartas já se vão dando ares de ‘capítulos de memórias’, que não é intenção minha escrever. (...) Eu sigo, tanto quanto possível, saboreando este resto de vida, como criança que come o seu último bolo, às migalhas.
Ao corresponder-se com João de Barros, Teixeira Gomes sabia que as cartas não seriam destruídas e, mais cedo ou mais tarde, seriam publicadas. Construiu a imagem que fazia de si próprio e que teria sido adulterada, a propósito da ação que exerceu na vida publica. Escreveu sempre para a posteridade
Cartas para hoje – por António Valdemar [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências] – E revista do Expresso - 22 de Fevereiro de 2020, pp. 69 – com sublinhados nossos.com sublinhados nossos.

J.M.M.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

JOÃO ATAÍDE, MEMÓRIA E EXEMPLO – POR ANTÓNIO VALDEMAR



João Ataíde, memória e exemplo” – por António Valdemar, in Publico online
 
Magistrado, autarca e deputado, de grande integridade, absteve-se na Assembleia da República na votação da eutanásia e faleceu ao chegar a casa.

«Há viver e há morrer. Sempre nas circunstâncias mais diferentes e, muitas vezes, mais insólitas. Foi o que se verificou agora com João de Ataíde. Homem do seu tempo, com posições ideológicas inequívocas para enfrentar a atualidade e uma clara visão integradora do futuro. Marcou a sua presença como advogado, como magistrado (membro do último governo) e, entre várias outras funções, como Presidente da Câmara da Figueira da Foz.

Em todos estes e outros cargos João Ataíde distinguiu-se pela dedicação, pela competência e abertura às situações concretas do quotidiano. Entendeu, também, a Figueira da Foz na sua extensão poliédrica: o conjunto natural, o mar, o rio e a serra; a realidade social, política e humana; o legado histórico, as solicitações do presente e os imperativos do futuro.

João Ataíde não se limitou à defesa e à valorização da paisagem, à urgência de viabilização de estruturas e infraestruturas fundamentais para assegurar as necessidades e as condições de vida da população. Evidenciou– se pelo respeito que lhe merecia a cidade, o concelho, o distrito e a própria região, no âmbito de um património material e imaterial incomum em relação ao País e também abrange um excecional conjunto de personalidades tão significativas e tão diversificadas; umas, naturais da cidade e do concelho; e outras, das suas periferias geográficas.

Há poucos dias, João de Ataíde marcou um almoço comigo – sem horas de acabar e discussões a propósito de quem iria pagar a conta –, a fim de elaborarmos uma proposta a submeter ao atual presidente da Câmara, Carlos Monteiro, e ao vereador da cultura, Nuno Gonçalves, para incluírem ou acrescentarem na agenda de 2020: os 60 anos da morte do poeta João de Barros e, também, os 60 anos da morte de Jaime Cortesão, cujo último texto que escreveu – e encontrei no espólio – foi dedicado à Figueira da Foz. O almoço – no qual deveria estar o nosso comum amigo António de Barros – foi adiado em consequência de ocupações inadiáveis.

João Ataíde deslocou-se na última quinta-feira à Assembleia da República, como deputado do Partido Socialista. Não era uma sessão igual às outras. Estava na ordem do dia a eutanásia, uma questão cercada de controvérsias e repleta de manipulações. Ao exercer o direito de voto absteve-se. Tanto quanto presumo, agora, depois de votar confrontou-se, possivelmente, com sucessivas e dilacerantes interrogações.

Tinha-lhe recomendado, há meses, a leitura obrigatória do Drama de Jean Barois, de Roger Martin Du Gard, Prémio Nobel da Literatura, que, feitas algumas descircunstancializações pontuais e atualizadas as notas de pé de página, mantém a maior das atualidades. A reeditar, é de manter a escrupulosa tradução de António Lobo Vilela.

Pouco depois de chegar a casa, João Ataíde sentiu-se mal. As interrogações, porventura, voltaram a acentuar-se através da noite e da madrugada. As pulsações aceleraram. Parou o coração. Os fantasmas persistiram. E estrangularam-no. Nunca conseguiu libertar-se da interioridade secreta de rotinas ancestrais, desvincular-se de superstições e erradicar os terrores incutidos na infância e na adolescência. Estes estados de incerteza e dúvida precipitaram-lhe o fim.

Mas um facto é certo. Em face do irremediável, da viagem sem regresso do amigo querido e fraterno João Ataíde, que não voltarei a ouvir e a ver, cumpre apresentar condolências à família, e à Figueira da Foz, através do Presidente e vereadores da Camara Municipal, pelo muito que fez pela terra. Sempre de mãos limpas.
 

Resta apresentar, ainda, condolências a titulares de cargos judiciais, aos que dignificam e honram a profissão, num momento em que se assiste a uma crise da mais extrema gravidade, trazendo para o ruído  da praça pública os mais lamentáveis episódios pessoais, profissionais e institucionais: a denúncia da existência e do funcionamento próspero  de uma ou mais empresas pertencentes e  associadas a juízes aposentados e que alegadamente faturam milhões de euros por ano,  para efetuarem – em condições a averiguar pelas instâncias competentes, e  até aos mais pequenos pormenores e implicações –, as  peritagens e avaliações que terão prestado.

Será possível esquecer o espetáculo, também público do ódio indisfarçável – que ferve, uiva e explode – nos depoimentos proferidos por juízes e procuradores e que invadiram as televisões, os jornais, as rádios e as redes sociais? Será ainda possível assistir sem indignação, sem repulsa e sem perplexidade à lavagem de roupa suja de elementos de uma classe que é um dos órgãos de soberania e que, diante de todos nós, não hesitam a manifestar-se uns contra os outros?

No mínimo, e se forem apuradas todas as responsabilidades, estamos a assistir à generalização da máscara corroída e leprosa da Justiça. Perante isto – que suponho ainda no princípio –, a personalidade humana, a raiz ética e a autenticidade moral de todo o percurso de João de Ataíde constituem um exemplo. Raro. Edificante. Presente.

João Ataíde, memória e exemplo – por António Valdemar [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências] – com sublinhados nossos.

J.M.M.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

IN MEMORIAM DE VASCO PULIDO VALENTE (1941-2020)


Morreu VPV. Inútil falar nas qualidades intelectuais patenteadas nos seus diferentes escritos, compêndios que gulosamente lambiscávamos e soletrávamos, a fermosa estrivaria rinchava e o raminho da fazenda púbica caluniava. Eles aí estão, curveteados à falta de liberdade, para contar. Tomem lá arremedos, Ó mestres d’aldeia.

Obrigado VPV. Obrigado pela prosa no Almanaque. Obrigado pelo receituário no Tempo e o Modo. Obrigado pelas diatribes no Indy e na Kapa. Obrigado pelas mil crónicas & outros tantos artigalhos. Definitivamente … Obrigado! [J.M.M.]

 “ … Deus sabe que eu nunca fui assim. Não falo do corpo. O corpo está lá, sei perfeitamente. E já não está tão bom como era, concedo. Há sinais de que, por cerimónia, omito a descrição. Uma vez por ano, resolvo meter o corpo na ordem. O ano passado, por exemplo. Não lhe dei de comer e, sobretudo, de beber. Tirei-lhe quarenta cigarros por dia. Dobrei-o e estiquei-o, com método e persistência, em várias direcções. Corri com ele à borda do rio. Introduzi-o numa piscina que tresandava a desinfectantes e lá o fiz andar de um lado para o outro até o pôr de rastos.
O sofrimento que estas coisas lhe causaram, e me causaram a mim, não se descreve. Se ele não ficou melhor, ficou, pelo menos, diferente. Alguns íntimos e amigos pareceram apreciar as modificações. Presumo que os traços da tortura física auto-infligida indicam elevação moral. Ignoro se indicam saúde. Sobre essa matéria o meu corpo não se pronunciou.
Estes acessos de loucura não tendem, normalmente, a durar. E eu torno a cumprir os meus deveres. Um corpo da idade do meu já merece que o deixem em sossego e o poupem a cenas ridículas. Ele não quer ser mais novo. Eu, às vezes, quero que ele seja. Mas sou eu, não é ele, coitado. Ele nasceu em 1941 e não tem vergonha nenhuma. Até aqui, aliás, não se portou mal. Houve uma época em que me inquietava. Perdi muito tempo a exibi-lo inutilmente a médicos. Hoje não me inquieta. Ele que decida o que lhe apetecer, quando lhe apetecer. Eu parto do princípio de que ele não existe. Evito incomodar-me. Dali não me virá com certeza nada de bom. Nestes casos, a melhor política é a indiferença. Uma indiferença fingida, escuso de esclarecer. Afinal, a qualquer momento, ele pode acabar comigo.
Depressa ou devagar, com alguma dignidade ou impensáveis humilhações. Eu assisto à óbvia incompetência dele, calado e quieto. Para não o provocar e para não lhe ceder. Recuso-me a tratá-lo como se ele fosse um velho; com mimos e cuidados de velho. Ele que se aguente. Ou não se aguente.


[DESTINOS] Deus sabe que eu nunca fui assim e eu também sei que não fui. Só não sei o que fui. Falta à minha vida ordem e finalidade e, por isso, não posso dizer «fui assim» e, a seguir, «assim». Uma carreira ajudava. Fui tenente, major e capitão; deputado e ministro; assistente e catedrático. Uma vocação ajudava: fui filho, pai e avô. Uma obra ajudava; o meu primeiro livro, o segundo, o terceiro. Tudo isso ou parte disso talvez me permitisse dividir, arrumar, organizar o passado. Até uma grande ambição ajudava: estive mais longe ou mais perto, ganhei mais dinheiro ou ganhei menos. A mim, infelizmente, as coisas sucederam-me sem nexo ou deliberação. Comecei e desisti. Desisti e recomecei. Desejei e não desejei. Dei meia volta ou a volta inteira.
Se me obrigassem a escrever a minha biografia, não era capaz de escrever uma história coerente. Nem sequer com alguma arrumação de superfície. Mesmo pelas regras mais simples: infância, adolescência, juventude, maturidade, velhice. Era velhíssimo na adolescência, adolescente na maturidade e toda a gente me acha simultaneamente infantil e soturno. E não me lembro de períodos fixos, de mudanças drásticas, lembro-me de acontecimentos. De uma noite, à saída de Lineacre College, em Oxford, com muito frio e uma neve brilhante, em que me senti, por qualquer razão trivial, a mais admirável criatura terrestre. Do elevador em que me levaram à sala de operações subterrânea de uma clínica de Biarritz, inerme e nu, como pura carne. De um café vazio, à noite, no Luso, com mesas de fórmica e o chão molhado, onde de repente verifiquei que não havia motivo plausível para sair dali.

Quando penso na minha vida, penso nestes episódios e noutros como estes, que não permitem a separação em «antes» e «depois» e não revelam qualquer curso, honroso ou não. Em cinquenta anos, não notei indícios de um destino manifesto ou de um destino humildemente necessário. o que eu escolhi, ou que me sucedeu sem eu escolher, foi um acaso e eu próprio sou um produto de coincidências improváveis, de circunstâncias efémeras, de emoções sem substância. Os factos consumaram-se sempre por mecanismos obscuros, totalmente estranhos à minha vontade. «O que é que eu estou aqui a fazer?», perguntava eu, desastre após desastre. «Como é que eu vim aqui parar?». Péssimas perguntas.
Durante muito tempo supus que viver bastava, por simples acumulação, para me definir uma personagem e um caminho. Definiu, excluindo, como com toda a gente. O poder físico e o poder intelectual diminuem. Algumas pessoas acreditam que nos conhecem e retiram-nos o benefício de certas dúvidas. E, principalmente, numa sociedade doméstica como a portuguesa, cresce o número dos nossos inimigos, tácitos ou confessos. Se eu me defini, defini-me a coleccionar inimigos. Eles mostram o que eu sou e eu sou o que eles mostram. Mas que as possibilidades se reduzem à medida que se roda para o fundo do funil é um antigo lugar--comum e nem sequer se distingue por ser verdadeiro. Descontado o irremediável (já de si relativo e ambíguo), sobra ainda quase tudo. O caos persiste.


[INTIMAÇÕES DE MORTALIDADE]. Não há transição. A infalibilidade e a confiança perdem-se de repente. Ontem corria tudo bem, hoje corre tudo mal. Ontem não se fazia um erro, hoje só se fazem erros. A pessoa é a mesma: o corpo e a cabeça. As circunstâncias são as mesmas, os outros são os mesmos. Por mais que se procure nada mudou. Só mudou o efeito que se produz no mundo. Um homem deita-se com o mundo aos pés e acorda com ele às costas. As mulheres fogem, os amigos desaparecem, os telefones desligam-se. Dantes andava-se e esquecia-se. Agora, a vida pára. Repete-se. Um mês é igual ao anterior e ao próximo e ao seguinte. Não acontece nenhuma coisa diferente, só acontecem coisas indiferentes. Por qualquer razão obscura, na° se consegue descobrir o sítio onde as coisas acontecem; e elas 0 na° acontecem onde aconteciam.
Um pequeno pânico instala-se. Ao princípio, pensou-se que era um estado passageiro, uma época de azar ou de mau jeito. Mas depois o estado não passa, a sorte não vem e o mau jeito continua. Conta-se com angústia o tempo para trás e, a certa altura, conta-se com terror o tempo que sobra. Deixa-se de ter quarenta e três ou quarenta e sete anos e têm-se treze anos até aos sessenta ou dezoito até aos sessenta e cinco E não será optimismo os sessenta e cinco? E vale a pena? Acontecem coisas aos sessenta e cinco? Não com certeza as coisas que acontecem aos trinta.
Eu penetrei na impropriamente chamada meia idade desta maneira: ou seja, aflito. O céu caiu-me em cima sem aviso. Nestas crises, segundo o costume, as pessoas agarram-se: à família, ao trabalho, às ambições. Reparei que os meus amigos se agarravam. Um a um, consoante a sua natureza, transformaram-se em secretários de Estado, políticos respeitáveis, académicos triunfantes, altos funcionários ou pais extremosos. Vários preferiram a virtude, ideológica ou sexual. Com meritórias excepções, quase todos se encaminharam. Mas precisamente eu não pretendia encaminhar-me Deus sabe que eu nunca fui assim”

Eu Sempre fui Assim: Auto-retrato aos 50 anos” – por Vasco Pulido Valente, in Retratos me Auto-Retratos, Assírio e Alvim, 1992 (aliás in revista Kapa, Fevereiro de 1992) – com sublinhados nossos.
J.M.M.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

1820 – O LIBERALISMO EM PORTUGAL



LIVRO: 1820 O Liberalismo em Portugal;
AUTOR
: Rui de Albuquerque;
EDIÇÃO: Aletheia Editora, 2020, 332 p.

“ … Subjaz a todas estas convulsões revolucionárias e iluminista, antes de qualquer outra convicção ou dogma, a ideia da liberdade. Uma liberdade que era, por essa altura, perspectivada de um modo mais negativo do que positivo, fundada que estava sobre os axiomas do «laissez-faire» económico e do individualismo filosófico, antes dos Estados a assumirem como desígnio seu. E uma liberdade que se definia, no âmago do que lhe era essencial, em oposição e contraponto aos regimes antigo dos estamentos nobiliárquicos e clericais, dos vínculos de vassalagem e servidão, onde o privilégio distinguia as castas e os homens, caracterizando, desse modo, o sistema vulgarmente dito de «feudal», que agora se pretendia erradicar na sua forma sobreviva de um quase-feudalismo tardio.

Esse mundo antigo, que era sinónimo de servidão para aqueles que não cabiam nas elites sociais de sangue e de condição, foi o alvo primordial das revoluções liberais. Mais do que simples reacções contra o despotismo de reis e soberanos, os liberalismos iluministas europeus ambicionaram abrir espaço politico e social às novas classes laboriosas do comércio e da indústria nascentes, permitindo-lhes alcançar as hierarquias mais elevadas da sociedade e do Estado, de que tinham sido arredadas no Ancien Régime por razões de berço, mas que uma inevitável ascensão económica, alcançada pelo esforço, pelo risco e pelo mérito individual, tornava uma imperiosa e urgente fatalidade.

Esta ideia liberal de liberdade foi, por conseguinte, primordialmente, uma efabulação burguesa erigida contra um Estado e um aparelho de poder que há muito estavam detidos pelas velhas ordens sociais privilegiadas da alta aristocracia e do clero superior. Por isso, ela pressupôs, como primeira condição da sua exequibilidade, o fim de todos os privilégios ainda provenientes do feudalismo, e foi sinónimo de direitos individuais garantidos pela lei e da igualdade de todos, ou melhor, de quase todos perante ela. Mas também trouxe consigo a criação do Estado de direito, quer isto dizer, a submissão dos poderes públicos à lei, e a estruturação e ordenação do político através de uma Lei Fundamental declarada pela vontade comum soberana, a cujos ditames o próprio Estado se sujeitaria, pondo termo ao ancestral axioma romanístico de que o «princeps legibus solutus est». Foi, por isso e neste tempo, uma ideia revolucionária e transformadora.

A filosofia ou filosofias politicas que em seu torno se criaram, no fim do século XVIII e nos primórdios do que se lhe seguiu, tomaram o nome genérico, e num primeiro momento indiferenciado, de «Liberalismo». Mais tarde, esse Liberalismo transformar-se-ia em vários Liberalismos entre si profundamente diferentes e em certos aspectos até antagónicos, sendo, contudo, possível delinear, na sua expressão inicial, dois ramos matriciais: o Liberalismo Inglês e Escocês e o Liberalismo Francês e Continental […]

Este livro, a que demos o nome de 1820 - O Liberalismo em Portugal, pretende conhecer em que consistiram, nas suas raízes filosóficas, históricas, ideológicas e factuais, essas duas tão diversas tradições liberais, procurando entender como, em que medida e por via de que acontecimentos, factos e personagens influenciaram elas o primeiro liberalismo português, nesse período da nossa história que vai da Regeneração do 24 de Agosto de 1820 à Regeneração de Rodrigo da Fonseca Magalhães e de Fontes Pereira de Melo.

A partir desse momento, o país colocará por algum — pouco - tempo as questões ideológicas e pessoais de parte e procurará recuperar o tempo perdido da sua modernização, voltando costas a um mundo demasiadamente antigo para poder sobreviver aos desígnios do porvir […]”

Rui de Albuquerque, in Introdução, pp.14 e ss (sublinhados nossos)

J.M.M.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

[DIA 7 DE FEVEREIRO - FIGUEIRA DA FOZ] – EVOCAÇÃO A MANUEL FERNANDES TOMÁS



CONFERÊNCIA: Evocação a Manuel Fernandes Tomas;
DIA: 7 de Fevereiro de 2020 (21,30 horas);
LOCAL: Assembleia Figueirense (Avenida Saraiva de Carvalho 140), Figueira da Foz;

PALESTRANTE: Professor Doutor Rui de Albuquerque  

ORGANIZAÇÃO: Ass. Manuel Fernandes Tomás | Ass. 24 de Agosto 

A Figueira da Foz inicia os seus trabalhos de Comemoração do Bicentenário da Revolução Liberal de 24 de Agosto de 1820 com a “Evocação a Manuel Fernandes Tomás”, um dos regeneradores da Pátria, o varão ilustre que soltou o grito da nossa emancipação política, contra o terror do despotismo e a defesa da Augusta Liberdade. Ao cidadão figueirense, Manuel Fernandes Tomás, a dívida de todos aqueles que aprenderam a semear a palavra “Liberdade” é enorme. Assim saibamos merecer o seu fecundo trabalho.

J.M.M.

MANUEL SÁ-MARQUES (1923-2020): MEDICINA E HUMANISMO


Manuel Sá-Marques (1923-2020): Medicina e Humanismo” – por António Valdemar, in Público   

“A Medicina ao longo de 70 anos representou para Manuel Sá Marques um compromisso integral com os imperativos da profissão, as solicitações da cultura e a intervenção politica, para um exercício permanente da cidadania. Na Ordem dos Médicos, no Sindicato dos Médicos e outros organismos empenhou – se no confronto de ideias, na concretização de projetos e reivindicações para dar resposta aos desafios e interrogações do presente e às solicitações do futuro.
Manuel Sá Marques que acaba de falecer com 97 anos era um dos últimos sobreviventes das históricas lutas profissionais que marcaram a segunda metade do seculo XX: a defesa e valorização dos problemas médicos e hospitalares, no âmbito do Programa das Carreiras Medicas. Completavam a sua intervenção no Movimento de Unidade Antifascista, (MUNAF); no Movimento de Unidade Democrática, (MUD); nas campanhas presidenciais de Norton de Matos, Rui Luís Gomes e Humberto Delgado e outros combates possíveis á repressão salazarista. Após o 25 de Abril, Manuel Sá Marques prosseguiu as lutas desenvolvidas para a concretização dos objetivos prioritários e da estruturação associativas

Pertenceu Manuel Sá Marques ao último curso da Faculdade de Medicina de Lisboa (1942- 1947) regido por mestres da envergadura científica e profissional de Pulido Valente, Cascão de Anciães e Fernando Fonseca, expulsos da cátedra por motivos políticos. Nos Hospitais Civis de Lisboa completou os ensinamentos recebidos, até optar pela especialização.
Discípulo de Ernesto Roma (1886- 1978) - criador da Diabetologia Social que, ao estagiar nos Estados Unidos, se inteirou da «revolução da insulina» e fundou, em 1926,a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, a mais antiga de todas estas instituições existentes no mundo - Manuel Sá Marques deu significativa continuidade à lição do mestre, atualizando – a com as novas contribuições que foram surgindo. Influenciou várias gerações nos grupos de trabalho que chefiou, incutindo a luta contra a rotina e a burocracia, estimulando o espírito crítico, o rigor e a probidade que se devem conjugar para a eficácia do desempenho da medicina.

No tratamento da Diabetes, Manuel Sá Marques, durante sucessivas décadas, salvou a vida e restituiu a saúde a milhares de crianças, de jovens e adultos que recorreram aos seus cuidados e orientação. Em vez de dietas rígidas, recomendava um regime e uma educação alimentar para a garantir o equilíbrio das funções corporais e mentais, a fim de insuflar a energia e a vitalidade, reduzindo a fadiga, a depressão e a ansiedade.
Quase até aos últimos momentos manteve, na internet, um blog, sob a égide de seu avô, Bernardino Machado. Consultando documentos manuscritos e informação publicada em diversas fontes relativas ao fim da Monarquia, à vigência da Republica e à resistência ao salazarismo, Manuel Sá Marques reconstituiu, passo a passo, um perfil universitário e político que principiou a ser analisado nas Farpas de Ramalho Ortigão e, a seguir, estudado e divulgado por historiadores e críticos como Lopes de Oliveira, Jaime Cortesão, António Ramos de Almeida e, presentemente, Norberto Cunha, catedrático da Universidade do Minho e coordenador cientifico do Museu Bernardino Machado, em Famalicão.

Integrava-se Manuel Sá Marques na grande tradição que Ribeiro Sanches, em 1763, no Método para aprender a estudar a Medicina definiu nesta síntese lapidar: «nenhum médico foi célebre na sua arte se não teve o entendimento alimentado com o estudo das humanidades. Se assim não for- observou ainda Ribeiro Sanches - «convertem-se apenas em obreiros da Medicina, mas nunca serão médicos».
Tinha, assim, pleno cabimento a proposta da secção sul da Ordem dos Médicos e do Sindicato dos Médicos ao indicarem Manuel Sá Marques para o Prémio Miller Guerra. A proposta era merecida e justa, porque comtemplava um médico exemplar e também uma personalidade humana, igualmente, exemplar.

Manuel Sá Marques faleceu no Hospital Garcia de Orta em Almada. O corpo, a partir das 17 horas desta quarta-feira, encontra-se na casa mortuária da igreja de Santa Joana Princesa. O funeral realiza-se esta quinta-feira, diz 6 de Fevereiro, no cemitério do Alto de São João, onde, às 16h30, será cremado
Manuel Sá-Marques (1923-2020): Medicina e Humanismo – por António Valdemar [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], jornal Publico, 5 de Fevereiro de 2020 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

IN MEMORIAM DE MANUEL SÁ-MARQUES (1923-2020)



Manuel Sá-Marques deixou-nos ontem (dia 4 de Fevereiro), cumprindo em virtude, assombro e profissionalismo, sem mácula, uma vida plena de muita luz.
O dr. Manuel Sá-Marques, que nos deu a subida honra de ser nosso precioso Amigo, era exemplarmente bondoso nos sentimentos, de uma gentileza desassossegadora no trato, estimulante no alto valor da sua grandeza humana.

O Almanaque Republicano apresenta as sentidas condolências à família e curva-se perante a grandeza desse Querido Amigo, tão grato ao nosso coração. Vale!

 Até sempre dr. Manuel Sá-Marques
José Manuel Martins
Artur Barracosa Mendonça

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

CAUSAS DA ECLOSÃO E DO MALOGRO DO 31 DE JANEIRO [1891]



A causa próxima e directa da eclosão do movimento de 31 de Janeiro de 1891 foi a consciência do contraste entre uma Pátria, forte e digna, que abrira à Europa e, em particular à Inglaterra, as estradas dos Oceanos e as portas do Oriente, e a Pátria de então, que cedeu, com humilhação e opróbrio, à brutalidade do «Ultimatum» inglês.

Mais uma vez o Porto assumiu, heroica mas isoladamente, as responsabilidades que lhe cabiam como capital cívica do país. O Porto salvou a honra da nação. Viu-se que nem tudo estava perdido. E o malogro dos precursores acendeu uma chama de esperança, que não voltou a apagar-se.

Mas a consciência nacional, despertada pelo centenário popular de Camões e pela mutilação que Portugal sofrera no seu corpo ultramarino, balbuciava apenas. Era-lhe impossível ainda mobilizar todas as energias da nação. A ideologia do partido republicano, incipiente, mostra-se por demais abstracta e desligada dos grandes problemas sociais. Os intelectuais e, em particular, os «Vencidos da Vida», amadores em política, e quase todos simples demolidores, mostraram-se, na sua maioria, inaptos para a renovação construtiva. Em vão Antero clamou que a primeira necessidade dos portugueses, incluindo os seus pares, era fazer exame de consciência e renegar corajosamente os crimes e erros próprios.

Se a história não tem sido a mestra da vida, é porque os homens são tardos e remissos em aprender as suas lições e actualizá-las em acção”.

[Jaime Cortesão, 25-1-1956] *

* Texto editado pela Comissão das Comemorações do 31 de Janeiro no Porto, em 1956, constituída por António Macedo, Armando Castro, Artur Andrade, Guedes Pinheiro, Júlio Semedo, Mário Cal Brandão, Silva Petiz, Veloso de Pinho e Oliveira Valença.

J.M.M. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

[COIMBRA] JAIME CORTESÃO: CORRESPONDÊNCIA DO EXÍLIO COM O IRMÃO ARMANDO – EXPOSIÇÃO/MOSTRA DOCUMENTAL



DIA: 15 de Janeiro 2020 (18,00 horas) – Sessão Inaugural
LOCAL: Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra [Sala da Livraria do Colégio de São Pedro], Coimbra;

ORADOR: Professor Daniel Pires.

► “A partir do próximo dia 15 de janeiro, a Sala da Livraria do Colégio de São Pedro na BGUC receberá uma nova exposição, intitulada "Jaime Cortesão: Correspondência do exílio com o irmão Armando". Nela serão divulgadas mais de sete dezenas de cartas trocadas entre os dois irmãos e historiadores Jaime Cortesão e Armando [Cortesão].

A troca de correspondência durante a ditadura não se apresentava fácil, sendo por vezes necessário recorrer a artifícios de contorno da censura. Ao longo desta viagem que vos propomos fazer, é possível contactar diretamente com a dimensão humana da sobrevivência e da separação de dois irmãos, a partir do exílio.

De entrada livre, estará disponível até finais de fevereiro”



“A sessão de inauguração decorrerá no próximo dia 15, pelas 18h00 e que contará com a presença do Dr. Daniel Pires, um especialista e quase "amigo de longa data" de Jaime Cortesão”

A não perder!

J.M.M.

domingo, 12 de janeiro de 2020

[FIGUEIRA DA FOZ] CARTAS DE MANUEL TEIXEIRA GOMES A JOÃO DE BARROS

LIVRO: "CARTAS DE MANUEL TEIXEIRA GOMES A JOÃO DE BARROS"

APRESENTANTE: António Valdemar

DATA: 16 de Janeiro de 2020

HORÁRIO: 18 horas

LOCAL: Auditório Municipal da Figueira da Foz - Rua Calouste Gulbenkian

Um evento que se recomenda a todos os potenciais interessados, com interesse pelas informações trocadas entre os dois intelectuais portugueses que marcaram a primeira metade do século XX.

Com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A MAÇONARIA NO ALTO ALENTEJO (1821-1936) - LANÇAMENTO EM PORTALEGRE



LIVRO: A Maçonaria no Alto Alentejo (1821-1936);
AUTOR
: António Ventura;
EDIÇÃO: Caleidoscópio.

LANÇAMENTO:

DIA: 11 de Janeiro 2020 (16,30 horas);
LOCAL: Centro de Congressos da Câmara Municipal de Portalegre (R. Guilherme Gomes Fernandes, 28 - Portalegre);
ORADOR: Maria de Fátima Nunes (Universidade de Évora).

Apontamento Musical: Escola de Artes do Norte Alentejano

Trata-se de uma nova edição, revista e muito aumentada do estimado livro «A Maçonaria no Distrito de Portalegre», do professor António Ventura, publicado em 2007, pela Editora Caleidoscópio, e desde há muito esgotado.

Esta reedição, de manifesto interesse regional, conta com o patrocínio de diversas instituições: autárquicas, académicas, culturais, económicas e associativas [cf. António Ventura].

Tem, desde logo, o apoio de “todas as 15 câmaras municipais do distrito de Portalegre: Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteiro, Gavião, Marvão, Monforte, Nisa, Ponte de Sor, Portalegre e Sousel”, numa unanimidade que honra a historiografia local e regional, pelo que julgamos estar na presença de um outro olhar e um novo pensar em torno das investigações históricas locais. O que, e não poucas vezes, pela recuperação da memória histórica podem corrigir e enriquecer mesmo a história geral.   

J.M.M.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

VOTOS DE UM 2020 FRATERNO



A Bondade com a Justiça ou (o que equivale a dizer o mesmo) a Justiça sob a Bondade tira à fórmula coordenante a rigidez teórica. Ela assume, desde então, um carácter humano, que é o final e conclusivo, completando-se a Liberdade e a Igualdade com a Fraternidade, a qual seja a Bondade coexistindo enfim com a Justiça
 
[Sampaio (Bruno), O Encoberto, p. 330]

 
Aos estimados leitores, companheiros & amigos destas viagens de encantos & desencantos vários,  deste itinerário e fragmentos da Grande Alma Republicana, aceitai os nossos VOTOS de um Ano de 2020 Solidário, Próspero e Fraterno.

 
Saúde, Paz & Fraternidade

Vale!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

HISTORIOGRAFIA CONTEMPORÂNEA PORTUGUESA DE 2019 – A NOSSA ESCOLHA

HISTORIOGRAFIA CONTEMPORÂNEA PORTUGUESA DE 2019


1. O Reyno das Letras. A Cultura letrada no Algarve: o lugar do impresso (1759-1910)Patrícia de Jesus Palma (Direcção Regional de Cultura do Algarve), Faro, 694 pp. ,

2. A Sombra dos Heróis. A história desconhecida dos resistentes portugueses que lutaram contra o nazismo – José Manuel Barata-Feyo (Clube do Autor), Lisboa, 320 pp. 

3. A Maçonaria Portuguesa e a Grande Guerra 1914-1918António Ventura (Nova Vega), 160 pp. | 120 Anos de Maçonaria no Algarve. 1816-1936António Ventura (Sul, Sol, Sal), Olhão, 520 pp.

4. Os Cinco Pilares da PideIrene Flunser Pimentel (A Esfera dos Livros), 504 pp. | «Morte á PIDE». A Queda da Polícia Política do Estado NovoAntónio Araújo (Tinta da China), 208 pp. | A PIDE e os seus informadores. O Caso de Inácio - Paulo Marques da Silva (Palimage), Coimbra, 350 pp.





9. Mulheres e EleiçõesAna Paula PiresIvo Veiga e Fátima Mariano (Edições Almedina), 256 pp. | O Activismo Estudantil no IST (1945-1980)Luísa Tiago de Oliveira (Edições Fenix), 829 pp.

10. Livros que tomam partido - Flamarion Maués (Parsifal), 684 pp. | O Cavador que Lia Livros no Tempo de SalazarFrancisco Cantanhede (Edições Colibri), 238 pp.