sexta-feira, 17 de março de 2017

CONFERÊNCIA – CRATO. MAÇONARIA E SUA HISTÓRIA


 
 
 
ORADOR: António Ventura (professor da FLUL);
 
DIA: 17 de Março 2017 (21,00 horas);
LOCAL: ARPIC [Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do Crato]
ORGANIZAÇÃO: Câmara Municipal do Crato.
 
J.M.M.

quinta-feira, 16 de março de 2017

ANTÓNIO ARNAUT - BIOGRAFIA


 
LIVRO: António Arnaut - Biografia;
AUTORES: Ana Luísa Delgado e Luís Godinho;

LANÇAMENTO EM COIMBRA:

DIA: 17 de Março (18,00 horas);
LOCAL: Casa Municipal da Cultura (Sala José Sebastião da Silva Dias).

Biografia escrita pelos jornalistas Luís Godinho e Ana Luísa Delgado, a partir de uma série de entrevistas com António Arnaut, realizadas em 2016, do depoimento de diversas personalidades e de uma longa investigação onde se cruzam documentos oficiais e intervenções cívicas do biografado” [AQUI]

J.M.M.

sexta-feira, 10 de março de 2017

MULHERES DA CLANDESTINIDADE



LIVRO: Mulheres da Clandestinidade;
AUTOR:
Vanessa Almeida;
EDIÇÃO: Parsifal, 2017, p. 212

“Uma obra fundamental para conhecer um tema pouco estudado do combate aos regimes de Salazar e Caetano.

Ao longo de todo o Estado Novo, a oposição a Salazar e Marcelo Caetano foi também feita por mulheres que com enorme sacrifício pessoal abandonaram as suas casas, a sua família, as suas terras, até o seu nome, para mergulhar na clandestinidade e a partir dali combater o regime.

Actuando na sombra, levando uma vida silenciosa e correndo inúmeros riscos todos os dias, a sua conduta constituiu um extraordinário exemplo de bravura, de sacrifício e de dedicação a uma causa cívica e política que contribuiu de forma decisiva para a queda de um regime ditatorial e para o advento da Democracia.

Recolhendo testemunhos de vida de mulheres que passaram por experiências tão marcantes, ‘Mulheres da Clandestinidade’ resgata do silêncio vozes fundamentais de um combate singular e constitui, ao mesmo tempo, um merecido tributo a uma militância norteada por uma abnegação e por uma coragem que continuam a surpreender.” [AQUI]


J.M.M.

sexta-feira, 3 de março de 2017

JOSÉ LIBERATO FREIRE DE CARVALHO - EXPOSIÇÃO E CONFERÊNCIA EM CONDEIXA

Inaugura-se no próximo sábado, 4 de Março de 2017, pelas 16 horas, na Galeria Manuel Filipe, em Condeixa-a-Nova, a exposição documental de homenagem a José Liberato Freire de Carvalho.

No momento da inauguração da exposição o Dr. João Pinho profere uma conferência subordinada ao título José Liberato Freire de Carvalho: retratos da vida e obra (1772 -1855) na tela de uma homenagem (2013-2017).

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:
Muitos dos vultos do liberalismo português do século XIX continuam bastante desconhecidos. Tal como Rodrigo Fonseca Magalhães, seu contemporâneo, José Liberato Freire de Carvalho, de Coimbra, dedicou a sua vida à luta contra a tirania absolutista e pela liberdade, pelo direito, independência e progresso de Portugal. O seu jornal "O Campeão Portuguez em Londres" foi um dos mais importantes instrumentos para a ocorrência da Revolução Liberal de 1820. 

Para divulgar a sua vida e a sua obra, vai estar em exibição em Condeixa uma exposição bio e bibliográfica sobre " LIBERATO - vida e obra de um liberal de oitocentos", patrocinada pela Comissão Liberato e acolhida pela CM de Condeixa. 

Um evento que recomendamos para se conhecer melhor um dos homens do Liberalismo em Portugal que passou por Coimbra e foi contemporâneo de Rodrigo da Fonseca Magalhães, foi perseguido pelos absolutistas e refugiou-se em Inglaterra onde publicou um dos mais conhecidos jornais da emigração O Campeão Português em Londres. 

Sobre José Liberato sugerimos a leitura do que já se escreveu AQUI.

A informação sobre o evento pode ser consultada AQUI ou AQUI.

A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

quinta-feira, 2 de março de 2017

QUOTIDIANOS E SOCIABILIDADES PORTUENSES NO CONTEXTO DA GRANDE GUERRA

Realiza-se amanhã, 3 de Março de 2017, pelas 17 h, nas instalações do Arquivo Distrital do Porto, uma conferência evocando o Centenário da Grande Guerra, subordinada ao título, Quotidianos e Sociabilidades Portuenses no Contexto da Grande Guerra.

A conferência conta com três participantes:
- Alexandra Anjos (Museu Militar do Porto), Evocação do Centenário da Grande Guerra - para uma contextualização;
- Sónia Gomes (Arquivo Distrital do Porto),  O Porto e as suas sociabilidades na transição de 1916 e 1917 -  A Casa da Roda do Porto - pistas para uma compreensão.
- Sérgio Veludo (Escola Superior de Educação), O Porto e os seus quotidianos.

Uma interessante iniciativa que divulgamos aos potenciais interessados no período da 1ª Guerra Mundial, na região do Porto e de como era a vida quotidiana da cidade durante essa época.

Com os votos do maior sucesso para a iniciativa.

A.A.B.M.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

[POLÉMICA] QUADROS: “VISTA DO CHAFARIZ D’EL REI” E “VISTA DA RUA NOVA DOS MERCADORES”

 
 
A curiosa polémica iconográfica em torno da autenticidade histórica da datação do quadro a óleo representando “O Chafariz d’El Rei” - quadro revelado na Exposição “Os Negros em Portugal: século XV a XIX” (1999-2000, Mosteiro dos Jerónimos) -, a que se seguiu idêntica controvérsia no actual quadro presente na novíssima Exposição do Museu Nacional de Arte Antiga [“A cidade global. Lisboa no Renascimento”, 2017], denominado “Rua Nova dos Mercadores”, tem uma indiscutível importância nos seus argumentos historiográficos protestatórios. O debate actual, no que é valioso como narrativa para a temática olisiponense, revela por si só uma dificuldade formal e historiográfica, que é visível na identificação e autentificação dos pormenores iconográficos ali presentes – e que pode servir (presumidamente) como prova documental memorialista, artística (arquitectónica, urbanística, etnográfica) e económico-comercial de uma Lisboa (presumidamente) do século XVI.    
 
 
 
Sobre o assunto pronunciaram-se em diversos artigos e opiniões avulsas, Annemarie Jordan Gschwend (comissária da Exposição que abriu dia 23 de Fevereiro no MNAA; historiadora), Anísio Franco (historiador de arte, conservador do MNAA), António Filipe Pimentel (presidente do MNAA), Diogo Ramada Curto (historiador), Fernando António Baptista Pereira (historiador de arte), Hugo Crespo (Centro de História da FLUL), Irisalva Moita, João Alves Dias (historiador), Joaquim de Oliveira Caetano, Julia Dudkiewicz, Vítor Serrão (historiador de arte; descobriu os quadros num antiquário de Madrid; publicou “O Chafariz D’El Rei da Ribeira Velha, em Lisboa, numa valiosa pintura do século XVI”, 1998).

 
[consultar, ainda, os artigos de Vítor Serrão (“Sobre as polémicas tábuas com trechos da Lisboa antiga” e de Diogo Ramada Curto (“Três quadros falsos não dão um verdadeiro”), publicados na revista E, revista do jornal Expresso, de 26 Fevereiro de 2017, pp.54-57]
 
 
J.M.M.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

PROMONTÓRIA MONOGRÁFICA Nº3 - APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DAS CULTURAS DE ESCRITA: DA IDADE DO FERRO À ERA DIGITAL

Amanhã, quinta-feira, dia 23 de Fevereiro de 2017 vai ser apresentado o novo número da revista Promontória Monográfica nº 3, pelas 17.30h, na sede da Direcção Regional de Cultura do Algarve na Auditório da Direção Regional de Cultura do Algarve - Rua Prof. António Pinheiro e Rosa, 1 (antiga sede da Direção Regional de Economia).

Vai proceder à apresentação da revista a Professora Doutora Alexandra Rodrigues Gonçalves.
Em formato de imagem segue a capa do mais recente volume da revista e os títulos dos artigos e os investigadores que nela colaboram com as suas investigações. 


Com os votos do maior sucesso para a iniciativa e contribuindo para a sua melhor divulgação junto de potenciais interessados.

A.A.B.M.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

PARA A MESA: PRODUÇÃO, TRANSFORMAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO ALIMENTAR NOS SÉCULOS XIX, XX E XXI


Realiza-se nos próximos dias 23, 24 e 25 de Maio de 2017, no Instituto de História Contemporânea,da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa,  um congresso a todos os títulos louvável, procurando reflectir sobre a indústria de transformação, a produção e a distribuição alimentar sobretudo em Portugal desde os finais do século XIX até ao século XXI.

Pode ler-se na nota de divulgação do congresso:
23, 24 e 25 de Fevereiro de 2017
Instituto de História Contemporânea
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa 

O abastecimento de produtos alimentares tem sido uma preocupação da sociedade contemporânea. Com a Revolução Industrial, o paradigma da alimentação sofre uma profunda alteração, quer em termos nutricionais, quer na eleição e na seriação de bens essenciais. Assim, a inovação tecnológica permitiu ao Homem dar uma resposta eficiente às sucessivas mudanças políticas, económicas, sociais e culturais no decorrer dos séculos XIX, XX e XXI. Os métodos de transformação e distribuição de alimentos levaram ao aparecimento de redes de distribuição à escala global. A partir da segunda metade do século XX, as exigências da sociedade de consumo potenciaram tais processos de transformação e distribuição, com vista a uma alimentação variada e de melhor qualidade, a preços mais acessíveis e disponível em qualquer altura do ano.

À mudança de hábitos alimentares, Portugal aderiu tardiamente e lentamente. Hoje, numa altura em que a discussão sobre a origem e o tipo de alimentos que consumimos está na ordem do dia, importa compreender como evoluíram os hábitos alimentares desde a segunda metade do século XIX até à actualidade. Neste congresso pretende-se assim reflectir sobre: a) a implementação e o desenvolvimento de processos de transformação, designadamente moagens, conservas, secagem, pasteurização, fermentação, torrefacção, refinação, liofilização, refrigeração e congelação; e sobre b) os meios e plataformas de distribuição, designadamente redes de frio, mercearias e mercados municipais.

O programa do congresso pode ser consultado AQUI:

Dia 23 de Fevereiro de 2017 
9.00: Registo e recepção 
9.15-9.30: Sessão de Abertura 
9.30-10.30 | Sala Multiusos 2 | Conferência inaugural The Stomach for Fighting: British Soldiers, Food and the Great War, Rachel Duffett [Universidade de Essex] Moderação: Teresa Nunes [FLUL/UL & IHC-FCSH/UNL] 
10.30-12.00 | Sala Multiusos 2 | Painel I: Trilogia mórbida: Fome, Peste e Guerra 
Moderação: João Moreira Tavares [IHC/FCSH-UNL] 
10.30: Alimentação em tempos de cólera: os médicos perante a alimentação dos portugueses entre as primeiras vagas da epidemia de cólera. André Pita [FCSH-UNL] 
10.45: “Um dos mais valiosos serviços prestados ao exército”. A fundação da Manutenção Militar de Lisboa (1886-1897). Inês José [IHC/FCSH-UNL] 
11.00: Sob o signo da «Memória Alimentar» da I Guerra Mundial: alguns hábitos dos combatentes portugueses. Margarida Portela [IHC/FCSH-UNL] 
11.15: As consequências da crise dos abastecimentos em Setúbal durante a Grande Guerra: a erupção do “vulcão” operário. Diogo Ferreira [IHC/FCSH-UNL] 
11.30: A Configuração do Conjunto Industrial Alimentar da Manutenção Militar de Lisboa. Carla Gonçalves [FAUL] 

11.45 -12.00: Debate Sessão Paralela 
10.30-12.00 | Sala Multiusos 3 |

Painel II – Território e Paisagem Alimentar 
Moderação: Pedro Fidalgo [IHC/FCSH-UNL] 
10.30: Crescimento urbano e modernização do consumo: dados para uma geografia da distribuição de bens alimentares em Lisboa entre 1890 e 1910. Daniel Alves [IHC/FCSHUNL]
10.45: O abastecimento alimentar como motor da forma urbana: o caso da paisagem alimentar de Lisboa. Mariana Sanchez Salvador [DINÂMIA’CET-IUL] 
11.00: O abastecimento de água a Lisboa Oitocentista – A transformação dos hábitos higiénicos e alimentares. Bárbara Bruno [EPAL – Museu da Água] 
11.15: Cidades e práticas alimentares: as padarias em São Paulo, Brasil, 1900-1920. Ana Lanna [FAUUSP] 
11.30: Tem a agricultura biológica futuro? Fernando Reboredo, Maria Fernanda Pessoa, Fernando Lidon [FCT-UNL/GeoBioTec] 
11.45 -12.00: Debate 

12.00 – 12.15: Coffee Break 
12.15 – 13.30 | Sala Multiusos 2 
Painel III – Moagem e Abastecimentos
Moderação: Cláudia Duarte [IHC/FCSH-UNL] 
12.15: Moagens, Ferroviais e Silos no Alentejo: um projecto de inventário e valorização. Ana Cardoso de Matos e Armando Quintas [CIDEHUS-Universidade de Évora], e João Soares e João Lopes [Departamento de Arquitectura/ChAIA-UÉ] 
12.30: Entre cerealicultores e moageiros: as percepções de Veríssimo d’Almeida sobre a crise cerealífera portuguesa (1878-1902). João de Almeida Barata [FLUL] 
12.45: O sector industrial no Portugal Contemporâneo – A Indústria da Panificação em Lisboa (1933-1950). Joana Santos [FCSH-UNL] 

13.00 - 13.15: Debate Sessão paralela 
12.15 – 13.15 | Sala Multiusos 3 | 

Painel IV – Abastecer e Alimentar 
Moderação: José Vale [IHC/FCSH-UNL] 
12.15: Silos. Armazenamento, controlo e distribuição de cereais em Espanha no século XX. Alejandro Bocanega Cayero [Associação “Proyeto Silos. Patrimonio Industrial”] 
12.30: Os bens alimentares no comércio local: um estudo de caso – o negócio de Francisco João Beato (1960-1890). Joana Ribeiro [FCSH/UNL] 
12.45: Produzir, abastecer e alimentar: a actividade da Junta Nacional das Frutas durante a segunda guerra mundial. Leonardo Aboim Pires [IHC/FCSH-UNL] 

13.00 – 13.15: Debate 
13.15 - 14.30: Almoço 

14.30 – 15.15 | Sala Multiusos 2 | 
Videoconferência Lo recolectado, ahumado y secado: Un entramado de rutas simbólicas en los mercados de Iquique, y Talcahuano, Maximiliano Sotto [Instituto de Sociología, Universidad de Valparaíso, Chile] 
Moderação: Susana Domingues [IHC/FCSH-UNL] 

15.15-16.15 | Sala Multiusos 2 |
Mesa Redonda – Histórias e Memórias 
Moderação: Luísa Seixas [IHC/FCSH-UNL] Florinda Cruz [Conserveira de Setúbal] 
Maria Isabel Mano [Latoaria “O Sol”, Setúbal] Maria Ramos Gonçalves [Latoaria “O Sol”, Setúbal] António Gomes [Moageiro, A Portuguesa, Tomar] Cláudia Duarte [IHC/FCSH-UNL] 

16.15 – 16.30: Coffee Break 
16.30 – 17.30 | Sala Multiusos 2 | 

Painel V - Padrões de consumo em Portugal
Moderação: Maria de Fátima Nunes [IHC/ FSCH-UNL & UÉ] 
16.30: a designar. Miguel Vargas 
16.45: Testemunhos arqueológicos da produção e consumo de açúcar. Rosa Varela Gomes [FCSH-UNL] 
17.00: Alimentação e identidades culinárias territoriais na era da globalização. José Manuel Vidal [ICS-Universidade de Lisboa] 

17.15 – 17.30: Debate 
17.30 – 19.00 | Sala Multiusos 2 | 

Painel VI – A Condição Pós-Industrial da Arquitectura e do Design da Indústria alimentar portuguesa 
Moderação: Inês Moreira [IHA-FCSH-UNL, FBAUP] 
17.30: Projecção de curta metragem: “Rota do Pó” de Nuno Braumann e Pedro Koch, 2016 (Produzido no âmbito da disciplina de Comunicação Urbana, responsável Professor Doutor Mário Caeiro, Curso de Som e Imagem da ESAD.cr) 
17.45: Conservar para além do prazo de validade – A arqueologia do design de produto alimentar. Nuno Coelho [designer, CEIS20, Univ. Coimbra] 
18.00: Arquivos Vivos. A revitalização de marcas tradicionais Portuguesas em contexto da prática, investigação e ensino em design. Pedro Carvalho de Almeida [designer, ID+, Univ. Aveiro] 
18.15 - A reconversão arquitectónica da antiga Companhia Real Vinícola (Matosinhos). Guilherme Machado Vaz [arquitecto, C. M. Matosinhos] 
18.30 - A reconversão arquitectónica do Matadouro Industrial do Porto. Jorge Garcia Pereira [sócio, Garcia & Albuquerque Arquitectos, Porto] 

18.45-19h: Debate 20.00: Jantar convívio no restaurante “Sol e Pesca”, Cais do Sodré, Lisboa

Dia 24 de Fevereiro de 2017 
9.00-9.50 | Sala Multiusos 2 | 

Conferência Inventarios de Patrimonio Industrial en España: el caso de la Agroindustria Miguel Ángel Areces [INCUNA/ TICCIH] 
Moderação: Elisa Pinheiro [IHC-FCSH/UNL & UBI] 

10.00-11.00 | Sala Multiusos 2 | 
Painel VII – Desporto e Alimentação 
Moderação: Rita Nunes [IHC-UNL & Comité Olímpico de Portugal] 
10.00 – a designar Bruno Pereira [Nutricionista no CAR Jamor] 
10.25 - Erros alimentares comuns em frequentadores de ginásiosRui Jorge [ISCSEM & IP Santarém] 

10.50- 11.00: Debate 
11.00 – 11.15: Coffee break 
11.15 - 12.30 | Sala Multiusos 2 | 

Painel VIII – Museus e equipamentos culturais em espaços do sector agro-alimentar 
Moderação: Maria da Luz Sampaio [CIDEHUS/Universidade de Évora] 
11.15: Tipologias de equipamentos culturais em antigos espaços do sector agro-alimentar. Maria da Luz Sampaio [CIDEHUS/Universidade de Évora] 
11.30: Projecto de valorização do património industrial da moagem e do arroz de Ponte de Sor. Ana Isabel Silva [Município de Ponte de Sôr/FLUC] e Carlos Faísca [Município de Ponte de Sôr/U.Extremadura] 
11.45: Lagar de varas do fojo, saber fazer azeite. Marisa Bacalhau [Câmara Municipal de Moura] 12.00: O Ecomuseu de Barroso: identidade e território. David Teixeira [Câmara Municipal de Montalegre] 

12.15 - 12.30: Debate
 12.30 – 13.45 | Sala Multiusos 2 |

 Painel IX - Gastronomia 
Moderação: Susana Filipa Gonçalves [ESHTE] 
12.30: What do we talk about when we talk about food? Outline of a new method for data collection in the study of food and culture. Rhian Atkin [Universidade de Cardiff] 
12.45: De João da Matta aos Chefs da atualidade: a cozinha portuguesa entre o final do século XIX e o início do século XXI. Raquel Moreira [ESHTE e CRIA/FCSH-UNL] 
13.00: O Direito e a tradição gastronómica: conflitos ou não na Comensalidade. Rui Pinto de Almeida [CLEPUL/GESCO52] 
13.15: Socialist Consumerism? Food distribution in Czechoslovakia during Normalization. Pavel Sozbi [European University Institute] 

13.30 – 13.45: Debate sessão paralela 
12.30 – 13.45 | Sala Multiusos 3 |
Painel X – Indústria conserveira 
Moderação: Diogo Ferreira [IHC/FCSH-UNL] 
12.30: Da calda ao concentrado – cultura intensiva e produção industrial do tomate em Portugal (1940-1970). Jorge Fernandes Alves [CITCEM/FLUP] 
12.45: A pesca da sardinha em Peniche: 1900-1950. Jorge Russo [CINAV/IHC/FCSH-UNL] 
13.00: As conservas de peixe do Algarve à mesa e nos campos de batalha (1865-1945). Joaquim Vieira Rodrigues [IHC-FCSH/UNL] 
13.15: «Entre latas»: indústria conserveira figueirense. Guida Cândido [Câmara Municipal da Figueira da Foz] 

13.15 – 13.30: Debate 
13.30 – 14.30: Almoço 

14.30 – 15.25 | Sala Multiusos 2 | 
Conferência A nacionalização do bacalhau: pesca, negócio e economia política Álvaro Garrido [FEUC] 
Moderação: Paula Borges Santos [IHC-FCSH/UNL] 
15.25 – 16.40 | Sala Multiusos 2 | 
Painel XI – Sustentabilidade e padrões de consumo 
Moderação: Dulce Freire [ICS-UL] a confirmar 
15.25: Are consumers ready to distinguish sustainable salts from others? Katia Hueso [IPAISAL] 15.40: O que estamos a fazer com os nossos mercados? Sheila Palomares Alarcón [CIDEHUSUniversidade de Évora] 
15.55: Alimentação saudável e sustentável, um imperativo para o futuro: Contributos de actividades de um museu. Ana Dias [IEFP] Margarida César [University of Neuchâtel] 
16.10: O papel da criatividade dos chefs de cozinha na definição de novos padrões alimentares. Rita Marques [UFMG] 

16.25 – 16.40: Debate 
Sessão Paralela 15.25 – 16.40 | 
Sala Multiusos 3 | 
Painel XII – Condicionamento alimentar 
Moderação: Margarida Portela [IHC/FCSH-UNL] 
15.25: Da carestia de vida ao contrabando: O impacto económico da Primeira Guerra Mundial no concelho de Elvas. Mariana Castro [IHC/FCSH-UNL] 
15.40: Os Comissariados Gerais de Abastecimento nos anos 20: a intervenção de Francisco Peres Trancoso. Pedro Leal [FLUL] 
15.55: Abastecimento e condicionamento alimentar no Grande Porto durante a Iª Guerra Mundial. Pedro Reis [FLUP] 
16.10: A agronomia como defesa contra a fome no ideário de António Câmara. João Joaquim [FCSH-UNL] 

16.25 – 16.40: Debate 
16.40-17.00: Coffee break 
17.00 – 17.30 | Sala Multiusos 2 | Lançamento da EatLab 
17.30-19.00 | Sala Multiusos 2 | 
Business Networking Com a presença da Sr.ª Secretária de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, Professora Doutora Maria Fernanda Rollo, Delta (a confirmar) Central de Cervejas e Bebidas (a confirmar), Coca-Cola (a confirmar) Conserveira de Lisboa, Tiago Cabral Ferreira

Dia 25 de Fevereiro de 2017 
9.30h - visita à área de produção da panificação de S. Roque (R. Rosa, 190 - Lisboa) 
10.00h - pequeno-almoço na panificação de S. Roque, Lisboa (http://panifsroque.pt/) 
11.30h - visita ao Reservatório da Patriarcal, museu da Água, Lisboa (Praça Príncipe Real) 
13h – almoço (Adega típica da Tia Rosa, Beato, Lisboa) 
15h - visita à Manutenção Militar, Beato, Lisboa 


Com os votos do maior sucesso para a iniciativa.
A.A.B.M.

CHEFES DE GOVERNO MAÇONS. PORTUGAL (1835-2016)



LIVRO: Chefes de Governo Maçons. Portugal (1835-2016);
Autor
: António Ventura;
EDIÇÃO:
Nova Vega, 2017.

“A Maçonaria exerceu uma influência marcante na vida do nosso país, desde a sua implantação, no século XVIII. A ela pertenceram militares e professores, comerciantes e funcionários públicos, clérigos e artistas, proprietários e trabalhadores. E também políticos de diversas orientações, fazendo jus ao pluralismo de opiniões que sempre caracterizou a Maçonaria. É assim natural que nos últimos trezentos anos muitos governantes tivessem ligações à Maçonaria. O presente álbum incide sobre os chefes de governo que pertenceram à Maçonaria, desde a implantação definitiva do Liberalismo em 1834.

Englobando, em número de 34, os que foram comprovadamente Maçons, e não os que a tradição considerava como tal, a obra contém as biografias genéricas de cada um, dando um especial enfoque à vertente maçónica com o maior pormenor possível, as quais são acompanhadas de documentos, na maior parte inéditos, comprovativos dessa filiação. Por outro lado, é profusamente ilustrada com retratos, obras de arte diversas – esculturas, pinturas, monumentos – e reprodução fac-similada de documentos originais. No conjunto, uma obra pois reveladora de aspectos desconhecidos da vida de algumas figuras que marcaram profundamente a nossa vida política nos últimos dois séculos, que, pela sua qualidade, carácter inédito e não especulativo, irá constituir uma referência incontornável para quem queira conhecer melhor a nossa História Contemporânea” [AQUI]

LANÇAMENTO DA OBRA:

DIA: 21 de Fevereiro (18,00 horas);
LOCAL: Torre do Tombo (Auditório), Alameda da Universidade de Lisboa;
ORADORES: Professor Doutor António Reis;

J.M.M.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

CONFERÊNCIA – MAÇONARIA. SUA HISTÓRIA COM ALGUMA REFERÊNCIAS AO CONCELHO DE MONFORTE


 
 

DIA: 18 de Fevereiro 2017 (15,00 horas);
LOCAL: Biblioteca Municipal de Monforte [Monforte];



J.M.M.

CONFERÊNCIA / DEBATE – CORRUPÇÃO, TRANSPARÊNCIA E DEMOCRACIA


 


DIA: 18 de Fevereiro 2017 (15,00 horas);
LOCAL: Casa do Infante [Rua Alfandega, 10, Porto];
ORADORES: José Adelino Maltez; Ricardo Cardoso; Rui Moreira e Alberto Martins;

ORGANIZAÇÃO: Associação 31 de Janeiro, Associação Promotora do Livre Pensamento e Ateneu Comercial do Porto.

J.M.M.

LOULÉ E A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL: CONFERÊNCIA


Realiza-se no próximo sábado, 18 de Fevereiro de 2017, pelas 15 horas, no Arquivo Municipal de Loulé, uma conferência sobre Loulé e a Primeira Guerra Mundial inserida no ciclo de conferências regulares subordinadas ao tema "O Documento que se segue".

A conferencista convidada é a Doutora Ana Paula Pires.

Uma excelente iniciativa do Arquivo Municipal de Loulé, assinalando o Centenário da I Grande Guerra e a participação dos louletanos em todo o processo.
Num rápido levantamento realizado encontram-se referências a mais de uma centena e meia de combatentes com particular destaque para Pedro de Freitas, que nos deixou um relato memorialístico da sua participação nos acontecimentos. Também Manuel António do Olival, Joaquim Espadinha Corpas, Francisco José de Barros, Joaquim de Brito Vinhas Júnior, José Francisco Barros, Joaquim dos Santos Correia, entre muitos outros

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:

A 4 de Agosto de 1914 a notícia da declaração de Guerra da Inglaterra à Alemanha, chegou a Portugal envolta em tristeza e consternação. A posição geo-estratégica dos territórios portugueses em África, aliada à dimensão periférica, económica e financeiramente débil da República, obrigou o poder político a acompanhar, logo após o assassínio de Sarajevo, de forma atenta a evolução da situação internacional. Na verdade, a eclosão de uma guerra na Europa implicaria, desde logo, que se equacionasse o reforço das guarnições militares em Angola e Moçambique.

Em Setembro de 1914 partiram para África as primeiras tropas portuguesas. Três anos mais tarde, a 26 de Janeiro de 1917, na sequência da declaração de guerra da Alemanha a Portugal, a 9 de Março do ano anterior, partiu para França o primeiro contingente do Corpo Expedicionário Português (CEP). Esta intervenção procurará analisar, criticamente, os objectivos, as consequências e os legados da Participação de Portugal na Grande Guerra em Loulé, sublinhando a importância da “frente interna” como suporte à campanha militar, novidade introduzida, de resto, pelo conflito mundial.   

Ana Paula Pires é doutorada em História, especialidade História Económica e Social Contemporânea, pela Universidade Nova de Lisboa. Realiza actualmente um pós-doutoramento na Universidade de Stanford e na Universidade Nova de Lisboa.
É membro da direcção do Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL e coordenadora do grupo “Economia, Sociedade, Património e Inovação” da mesma instituição.
Autora de diversos livros e artigos científicos é co-fundadora da International Network for the Study of the Great War in Africa e é editora de 1914-1918 online, International Encyclopedia of the First World War, projecto coordenado pela Universidade Livre de Berlim.

Com os votos do maior sucesso e participação nesta iniciativa de tanto interesse.
Para acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

IN MEMORIAM DE JOSÉ FERREIRA VICENTE

 
José Ferreira Vicente

José Ferreira Vicente, alfarrabista de ofício, livreiro e "marcador" de livros e gravuras raras e estimadas, proprietário da livraria Olisipo [Largo Trindade Coelho, Lisboa] deixou-nos em Janeiro. Partiu no mês de Janus, divindade da luz, depois das festas solsticiais. A corporação dos livreiros ficou mais pobre. Os amantes dos livros e papéis velhos restaram emudecidos e desolados. Nós, para quem José Vicente era um irmão, ficamos perpassados no afecto e na dor.

José Vicente, cujo passamento passou quase ignorado, deixa-nos uma vasta erudição na catalogação de peças bibliográficas, ao longo dos anos publicadas em preciosos Catálogos da sua Livraria e em diversos Leilões, e no estudo do livro antigo, como é o caso da sua incontornável obra “O Valor do Livro Antigo em Portugal”. O seu elevado carácter, o brilho da sua admirável qualidade de cidadão livre, a distinção e merecimento literário que dispunha aos amigos e clientes, faziam-lhe um modelo de um profissional ilustrado, uma alma generosa, um coração leal.     
 

O Almanaque Republicano, em meu nome pessoal, cumpre prestar um preito de homenagem ao José Vicente e deixar exarado um tributo sincero de cordial gratidão e saudade. À família, apresentamos sentidos pêsames e o nosso profundo respeito.

Que descanse em paz.

J.M.M.

PARIS SEMPRE [NO REGRESSO DE JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS]


Paris Sempre” – por António Valdemar, in Caderno E, revista do Expresso
A França constituiu o paradigma cultural de várias gerações de artistas, escritores, cientistas e políticos portugueses. Muitos jovens, na primeira e segunda década do século XX, dirigiram-se para Paris. Uns, formados nas Escolas de Belas-Artes de Lisboa e do Porto e a usufruir de bolsas de estudo; outros, a beneficiar da generosidade de mecenas; outros, a receber mesadas das famílias; outros, ainda, à sua própria custa. Foi este o caso de Almada Negreiros, durante pouco mais de um ano. Repleto de contrariedades incidentes.
Antes, porém, da viagem que lhe permitiu um contacto direto com artistas, galerias e a realidade quotidiana de Paris e outras cidades, José de Almada Negreiros já se considerava fruto da irradiação da cultura francesa. A 16 de novembro de 1917, em “A Engomadeira”, uma das mais prodigiosas ficções da língua portuguesa, Almada Negreiros afirmou, ao concluir a dedicatória a José Pacheko, numa carta prefácio:

“Escuso de repetir-me neste assunto que o nosso Mário de Sá-Carneiro sabia tão justamente classificar:
— Nós três somos de Paris!
E somos. Temos esta elegância, esta devoção, este farol da Fé”.
A correspondência de Mário de Sá-Carneiro para Fernando Pessoa refere, em 1914, em 1915 e em 1916, projetos de viagens de Almada a Paris. Queria viver por dentro a viragem introduzida no desenho, na pintura, na escultura, na literatura, no teatro, na dança, no bailado e outras áreas, não apenas por franceses mas personalidades originárias de países diferentes, tais como Picasso, Brancusi, Modigliani, Chagall, Apollinaire ou Blaise Cendrars.

Numa carta a Pessoa, Sá-Carneiro, conhecedor da energia revolucionária de Almada, manifestava o desejo de o ter, a seu lado, em Paris. Estava bastante só. (Cinquenta anos depois, Almada definiu esse isolamento e angústia, num desenho, que também viria a inspirar Lagoa Henriques no monumento a Pessoa no Chiado...). Sá-Carneiro sentava-se horas e horas no café, a ver passar as horas. Emergia o tédio e o mal-estar. Despertava obsessões que o conduziram, dia após dia, ao suicídio.
“Seria muito agradável” — escreveu Sá-Carneiro — “ver aqui Almada, quanto mais não fosse para fazer escândalo nos cafés”. A virulência torrencial de “A Cena do Ódio” de Almada destinada ao “Orpheu 3” invadiu e empolgou Sá-Carneiro que não hesitou em reconhecê-la como “soberba”. Pessoa já classificara Almada de “homem de génio. Ele é mais novo do que os outros, não só em idade como também em espontaneidade e efervescência. Possui uma personalidade muito distinta — para admirar é que a tivesse adquirido tão cedo”.
DELAUNAYS E BAILADOS RUSSOS
Desde junho de 1915 a janeiro de 1917, instalaram-se em Portugal Sonia e Robert Delaunay, a fugirem à guerra. Também o pintor russo Daniel Rossiné e o pintor americano Samuel Halpert. A eles se juntaram Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Pacheko e Almada. Pretenderam formar a Corporation Nouvelle, incluindo Apollinaire e Blaise Cendrars, para “expositions mouvantes” e outras ações culturais. O objetivo não se realizou. No entanto, permitiu um convívio estimulante em torno das estéticas da vanguarda. Vivendo cá, Almada sabia o que se passava em Paris. Os textos que inseriu no “Portugal Futurista” refletem o domínio que já possuía da cultura europeia contemporânea.
Intensificou essa amplitude, na relação pessoal, em Lisboa, com Serguei Diaguilev e Massine, seu coreógrafo e bailarino, quando a companhia dos Bailados Russos se deslocou a Portugal, em fins de 1917 e princípios de 1918, no auge da revolução de Sidónio Pais. A propósito deste acontecimento memorável, Almada lançou um manifesto com aplausos exuberantes e realizou um conjunto de desenhos de figuras e cenas dos espetáculos que decorreram no Coliseu dos Recreios e no Teatro de São Carlos. Foram publicados na revista “Atlântico”. Para “O Século da Noite”, Jorge Barradas fez, com o seu estilo, outra série de desenhos. Quase 50 anos depois, quer Almada quer Barradas, evocaram-me — ainda fascinados — o impacto dos Bailados Russos na arte e na literatura portuguesas.
Estes dois acontecimentos, o contacto com os Delaunays e a vinda dos Bailados Russos a Portugal, trouxeram a Almada o universo de Paris.
CONCRETIZAÇÃO DO DESEJO
A concretização do desejo de ir a Paris só ocorrerá de janeiro de 1919 até abril de 1920. Recusou-se, então, a procurar o pai, o jornalista António Lobo de Almada Negreiros, que se radicara, definitivamente, em 1900, em França para organizar o Pavilhão das Colónias Portuguesas, na Exposição Universal de Paris. Depois ficou como correspondente de “O Século”. Falecera a mulher, em 1896, com 24 anos, em São Tomé, quando esperava um terceiro filho. Casou-se com uma francesa. Almada e um irmão mais novo foram internados dez anos no Colégio de Campolide dos Jesuítas. Concluídos os estudos secundários, ficou entregue ao seu destino. Visitava, de vez em quando, os avós e tios maternos que moravam, em Lisboa, na Rua Castilho e tinham casa em Cascais. Pai e filho, após longa ausência, só se viram e falaram uma única vez, em Sevilha. Almada ganhara o 1º Prémio do cartaz da representação portuguesa naquela exposição. O pai estava como jornalista. “Havia muita gente à volta. Limitaram-se a muito poucas palavras” — contou-me Jorge Barradas — “alta tensão recíproca”.
Almada enfrentou inúmeras dificuldades, apesar dos amigos disponíveis para o ajudar nos momentos maus e no acolhimento quotidiano. “Os amigos pela vida fora” — disse-me — “valem mais do que uma universidade”. Sem meios de fortuna, vivendo de ilustrações em jornais, da realização de cartazes e outras situações precárias, habituou-se, muitos anos, à dura experiência dos quartos de aluguer.
HOMEM CRISTO FILHO
Ao permanecer em França, em Paris, Biarritz e outras cidades, Almada trabalhou como bailarino de salão e empregado de armazém. Teve, contudo, apoios de Francisco Homem Cristo (1892-1928), o admirado e detestado jornalista, filho de Homem Cristo, o implacável panfletário que tanto era contra a monarquia e a República, e bisavô de Guy-Manuel de Homem-Christo, do duo de música eletrónica francês Daft Punk.
Em Paris e em Lisboa, Homem Cristo Filho desenvolveu intensa conspiração monárquica. Esteve ligado ao jornal “Autorité”, dos irmãos Cassagnac, porta-voz da extrema-direita, numa França ainda eletrizada pelo caso Dreyfus. Escrevia artigos de combate, ora com o seu nome, com as iniciais HCF, ora com os pseudónimos Alithinos e Libertador. Assumirá protagonismo político no consulado de Sidónio Pais. Pertencerá, em Itália, ao círculo íntimo de Mussolini e contribuiu para a construção do fascismo, com o livro “Mussolini Bâtisseur d’Avenir” que obteve projeção internacional. Ao falecer, a caminho de Roma, num desastre de automóvel, Mussolini ordenou honras fúnebres a Homem Cristo Filho (in Miguel Castelo Branco, “Homem Cristo Filho — Do Anarquismo ao Fascismo”, edição Nova Arrancada, 2001).
Homem Cristo Filho privou com artistas e intelectuais que participaram na aventura do modernismo. Almada trabalhou na revista “Ideia Nacional”, da qual Homem Cristo Filho era diretor. Era uma publicação monárquica e bissemanal. O primeiro número tem a data de 18 de março de 1915. Foi suspensa, pouco depois, devido à grave crise política que depôs a ditadura de Pimenta de Castro. Reaparecerá a 4 de abril de 1916 e vai prosseguir até 15 de junho de 1916. A orientação artística é de José Pacheko, autor da capa do “Orpheu 1”.
A GRANDE AFRONTA
Almada já se comprometera como diretor artístico do “Papagaio Real”, revista satírica, ilustrada por modernistas, em oposição frontal não só à estética de Bordalo e seus epígonos, mas fundamentalmente à República e aos republicanos, aos chefes dos três partidos — António José de Almeida, Partido Evolucionista; Brito Camacho, Partido Unionista; e, sobretudo, Afonso Costa, Partido Democrático. Também já ilustrara “Republicaníadas”, um verrinoso panfleto monárquico, em verso, subscrito por Marco António, pseudónimo de António Correia Pinto de Almeida.
Se a presença de Almada no primeiro número do “Orpheu” não provocou a controvérsia suscitada por Fernando Pessoa/Álvaro de Campos e Mário de Sá-Carneiro, uma das colaborações de Almada para a “Ideia Nacional” desencadeou forte polémica nos sectores religiosos e políticos. Foi quando desenhou a capa da edição de 20 de abril de 1916 — “Semana Sancta”, ao representar, no auge das celebrações da Quaresma, um Cristo verde, esquálido, sem rosto. E sem lágrimas.
Acossado por católicos e monárquicos, a reagirem à blasfémia onde menos esperavam, numa revista que subsidiavam para combater uma República jacobina e ateia que atacava a Igreja, desterrava o cardeal-patriarca e outros bispos, agredia padres, boicotando atos de culto, Homem Cristo Filho resolveu intervir no debate. Procurou separar-se dos modernistas. Apontou-os como “novos arautos da Anarquia”, “iconoclastas impenitentes sem Fé nem Pátria”.
Perante estas acusações, José Pacheko, em carta para o pintor Eduardo Viana, classificou-as como “tudo quanto há de mais intransigente sobre a arte moderna”; e Almada Negreiros, em carta a Sonia Delaunay disse, muito indignado, que se afastava da Ideia Nacional”. Acentuou, perentoriamente: “Je suis sorti de cette chose ignoble”. Saí desta coisa ignóbil.
Contudo, a relação de Almada Negreiros e Homem Cristo Filho caracterizou-se por distanciamentos e aproximações. Ao ir para França, em 1919, voltou a ligar-se a Homem Cristo Filho. Tanto mais que ele tivera com o pai de Almada um conflito de grande repercussão e que terminou num duelo. “Almada (pai) assestou um golpe, ferindo-o no antebraço e no cotovelo”. O embaixador João Chagas exigiu a expulsão de Homem Cristo. A imprensa francesa impediu (in Miguel Castelo Branco, idem).
 
RELAÇÃO ATRIBULADA
José de Almada Negreiros convergia em muitas opções ideológicas com Homem Cristo Filho. Ambos coincidiam na exautoração da maçonaria e dos judeus por serem “forças do cosmopolitismo apátrida, contra os fundamentos da civilização cristã e ocidental, que teria nas pátrias, na religião católica e na família tradicional os seus alicerces mais sólidos”. Ambos dividiam Portugal entre os ‘homens dignos’ e os ‘bandidos’. Este critério derivava, aliás, de Homem Cristo Pai que rotulava,por exemplo, António José de Almeida de “pulha de bem” (in Miguel Castelo Branco, ibidem).
Provocador incorrigível, com um sentido inveterado do risco e da aventura, Homem Cristo Filho fazia vida faustosa. Morava na Rue Royalle. Sá-Carneiro, numa carta a Pessoa pormenorizou: “Vive em casa atapetada, com telefone, chaufage central e cigarros de luxo. (...) Ergue-se na verdade em Europa, essa figura do Homem Cristo Filho, nascido em Aveiro!”. Tinha um salão que recebia com aparato personalidades políticas e literárias de nomeada. Uma delas, o escritor Maurice Barrès, nacionalista integral. Este ambiente confortável, opulento, sensual, gastronomia requintada, vinhos e champanhes dos melhores, mulheres sedutoras e a imaginação magnética do anfitrião, cativaram Almada Negreiros. Declarou-se rendido: “As circunstâncias fizeram-me o maior amigo do Homem Cristo Filho” (in “Escritor nº 2”, APE, 1993).
Deixou-se envolver e agarrar nos projetos e guerrilhas de Homem Cristo Filho, conforme se verifica em duas cartas, de 13 e 15 de setembro de 1916, enviadas ao poeta e advogado Acácio Leitão a solicitar-lhe, e com a máxima urgência, seis mil francos. O empréstimo destinava-se a encerrar um negócio de Homem Cristo Filho e José de Almada Negreiros e que implicava, na outra parte, o advogado e professor universitário Martinho Nobre de Melo (1891-1985) e o banqueiro José Espírito Santo (1895-1968), gerente em Paris e filho do fundador do clã Espírito Santo, e que também dava “apoio moral”. (in “Escritor”, idem)
O ARRASO A MARTINHO
Martinho Nobre de Melo (diretor do “Diário Popular” de 1958 até 27 de abril de 1974), natural de Cabo Verde, era, na época, o mais jovem catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa. Tinha sido, aos 26 anos, ministro da Justiça, no consulado de Sidónio Pais. Almada e Martinho conheciam-se desde a revista “Sátira”, antecâmara dos Salões dos Humoristas, efetuados, em 1912 e 1913, no Grémio Literário. Martinho andara na roda do “Orpheu”. Fora colega de liceu de Alfredo Guisado e depois seu professor na Faculdade de Direito. Publicara o livro “Ritmos do Amor e do Silêncio” (que Vitorino Nemésio enalteceu no “Jornal do Observador”). Colaborara na “Exílio”, com Pessoa, Alfredo Guisado, Cortes Rodrigues e António Ferro, uma revista, como a “Centauro”, entre o “Orpheu” e o “Portugal Futurista”.
Também se encontrava associado aos primórdios da dança e bailado em Portugal, promovidos por Helena Castelo Melhor e ativa participação de Almada Negreiros. O bailado “Princesa de Sapatos de Ferro”, representado em 1918, no Teatro de São Carlos, baseava-se num poema de Martinho Nobre de Melo. Tinha música de Rui Coelho e cenários de José Pacheko. O próprio Almada realizara os figurinos, a coreografia e dançava com os outros intérpretes.
Apesar de todos os vínculos literários, estéticos, geracionais e até políticos e ideológicos, a insólita operação financeira concebida por Homem Cristo Filho, que enredou Almada, também lhe incutiu um ódio de estimação a Martinho Nobre de Melo. Até ao fim da vida. Nas cartas a Acácio Leitão, mostra-se revoltado por deparar em Paris “surpresas que um raciocínio puro como o meu não pode prever. É o facto de que em Paris, também havia portugueses, mas portugueses, d’aqueles portugueses que não me perdoarão nunca que eu os não admire (eles que nada têm para que eu admire). Um d’estes portugueses, o meu maior inimigo, chama-se Martinho Nobre de Mello”. (in “Escritor” ibidem)
Promete, então, uma desforra e envia, para sair nos jornais, um manifesto a desancar Martinho Nobre de Melo. É um ataque cruel. Pessoal. Intelectual. Considera Martinho Nobre de Melo “pulha” e “safado”. Almada, nascido em São Tomé, na Roça Saudade, e cuja mãe Elvira Freire Sobral era filha de uma angolana negra, não se coíbe de reduzir Martinho Nobre de Melo, a um “desclassificado” e a rebaixá-lo por ser “cor de café com leite”; a desprezá-lo por ser importador do batuque mulato, a morna de Cabo Verde. Insiste: como se poderá chamar “Nobre”? Mais ainda: “verdadeira demonstração da nossa competência intelectual d’ além-mar”. (in “Escritor” ibidem)
O manifesto que tencionava “publicar brevemente”, intitulava-se ‘PA-TA-POOM’. Presumo ser o último manifesto de Almada após o outro arraso impetuoso do “Manifesto Anti-Dantas”. Esta versão manuscrita, na posse da escritora Leonoreta Leitão, filha de Acácio Leitão — autora do recente livro de memórias “Era Uma Vez Uma Boina” — foi por ela entregue, em 1993, e para publicação na revista “Escritor”, da Associação Portuguesa de Escritores.
Todavia, o semanário “O Domingo Ilustrado”, divulgará outra versão, sem especificar o nome de Martinho Nobre de Melo: “Uma Novela da Minha Vida PA-TA-POOM — Recordação de Paris — Capítulo III por Almada Negreiros”. Leitão de Barros, diretor do semanário, inseriu a seguinte nota: “Almada, o maior nome da arte modernista, dá-nos hoje uma novela na sua forma originalíssima. O público tem ali de saborear um estilo pessoal e uma prosa cujo bas-fonds é sempre valioso e tem qualquer coisa de subtil e filosófico. ‘O Domingo’, fiel ao seu programa, vai renovar-se de dia para dia.”
A edição de “O Domingo Ilustrado” é de 8 de agosto, de 1926. A 28 de maio fora implantada a Ditadura Militar, chefiada pelo general Gomes da Costa. Martinho Nobre de Melo (antigo ministro na ditadura de Sidónio), tinha 35 anos incompletos e fez parte do governo, como ministro dos Negócios Estrangeiros. Salazar também fora convidado mas só entrará em 1928. Para durar até 27 de setembro de 1968.
 
SEMPRE PARIS
Regressou Almada Negreiros de Paris, a 7 de abril de 1920. No dia em que completava 27 anos. Só voltará, numa rápida passagem, em 1950, mas continuou a ter Paris dentro de si. Porventura, sem a exacerbação carnal e possessiva do seu amigo Mário de Sá-Carneiro: “Paris da minha ternura/(...) Minha cidade com rosto,/ minha fruta mal madura.../ Mancenilha e bem-me-quer./ Paris — meu lobo e amigo — /quisera dormir contigo,/ ser todo a tua mulher”.
Almada, em certos dias da semana, depois do almoço, na sua casa de família, no Rato, antes de se refugiar no ateliê ia, a pé, em direção ao Rossio. Acompanhei-o, muitas vezes. Em especial, entre janeiro e junho de 1960, quando me concedeu as entrevistas para o “Diário de Notícias”, recuperadas no recente livro “Almada, os Painéis, a Geometria e Tudo” (edições Assírio & Alvim). Entrava na tabacaria Mónaco para comprar jornais e revistas franceses. Seguia-se um café, de saco, tomado ao balcão, na Casa Chinesa, no início da Rua do Ouro. Via logo os títulos. Começava pelo “Paris-Match”. Uma das suas leituras obrigatórias. Lembro-me, de olhar e exclamar: “Horrível este acidente de automóvel que matou Albert Camus. Repare nesta fotografia trágica...”.
Noutra ocasião, no mesmo local, folheando vagarosamente o “Paris-Match”, exclamava: “Morreu Georges Braque. Merece honras nacionais. Não pode ficar eclipsado por Picasso”. (Pouco depois, no Louvre, prestaram-lhe a homenagem devida. André Malraux, ministro da Cultura, proferiu um discurso histórico). E Almada prosseguia: “Penso muito em Braque...” E repetia a diretriz enunciada por Braque: “‘J’aime la règle qui corrige l’emotion. J’aime l’emotion qui corrige la règle’. Penso nisto todos os dias. Talvez várias vezes por dia. Diante de Nuno Gonçalves, da obra-prima da pintura primitiva portuguesa”.
Estas e outras circunstâncias, demonstram o interesse e o conhecimento de Almada a propósito do que se passava em Paris. Recolhia informação nas revistas, nos jornais, nos livros, nos catálogos que lhe ofereciam ou comprava. Via com atenção os principais filmes. Assistia aos espetáculos de teatro de companhias francesas que vinham a Lisboa. Escutava, com atenção crítica, notícias que ouvia de amigos que chegavam de Paris: Vieira da Silva, Júlio Pomar, Merícia de Lemos, Manuel Cargaleiro. Tudo isto conjugava e recriava a imaginação transfiguradora em contínuo estado de alerta. Assim conseguia Almada Negreiros sentir e estar em Paris, residindo em Portugal
Paris Sempre – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], revista E, Expresso, 4 de Fevereiro de 2017, pp. 33/35 – com sublinhados nossos.
 
 
António Valdemar

J.M.M.