quarta-feira, 23 de Julho de 2014

CARBONÁRIOS E OUTROS REVOLUCIONÁRIOS



EDITORA: Arandis, 2014.

“Carbonários e Outros Revolucionários resulta de uma investigação completamente inédita sobre esta temática, com uma visão geral da Carbonária Portuguesa e uma análise do caso da Carbonária Portimonense.

Uma obra de cariz histórico, mais um contributo para a elaboração de uma História de Portimão.

Quem foram os carbonários e revolucionários portimonenses, que vestígios há da sua presença em Portimão e que relação havia entre eles são algumas questões que terão resposta nesta obra”. [AQUI]

J.M.M.

terça-feira, 22 de Julho de 2014

O DESPONTAR DO MOVIMENTO OPERÁRIO PORTUGUÊS NA ESFERA PÚBLICA, DE JOÃO LÁZARO


No próximo dia 27 de Julho, pelas 17 horas, vai ser apresentada a obra de João Lázaro, O Despontar do Movimento Operário Português na Esfera Pública. Das Práticas ao Debate Parlamentar (1850-1860), com edição da Chiado Editora.

A apresentação vai estar a cargo da Doutora Maria Alice Samara e vai decorrer na Livraria Desassossego, situada na Rua de São Bento, 34, em Lisboa.

Pode ler-se no prefácio da obra, da autoria da Professora Doutora Fátima Sá e Melo Ferreira (CEHC-Instituto Universitário de Lisboa):

Ao revisitar as práticas, os conceitos e os discursos que a partir dos anos de 1850 estiveram na origem da formação do operariado como sujeito político em Portugal, o autor deste livro resolve de forma feliz este aparente dilema ao convocar autores clássicos destas matérias como César Oliveira, Carlos da Fonseca ou José Manuel Tengarrinha, entre outros, para, a partir das suas obras mas sem a elas ficar preso, proceder a um inquérito próprio sobre o “despontar do movimento operário na esfera pública.

Pode consultar-se também o Índice da obra acima, para verificar os assuntos tratados ao longo da obra.

Com os votos do maior sucesso para esta iniciativa.

A.A.B.M.

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

O SR. DANTAS ... (JÚLIO DANTAS) - POR JOAQUIM MADUREIRA (BRAZ BURITY)


… Lugubre e funereo, o sr. Dantas …

Joaquim Madureira (Braz Burity), in “Impressões de Theatro. Cartas a um Provinciano & Notas Sobre o Joelho”, 1º Série (1903-1904), Lisboa, Ferreira & Oliveira, L.da Editores (Rua do Ouro, 132-138), 1905, p. 228

J.M.M.

A TOLERÂNCIA – RAUL PROENÇA


Em Portugal não há tolerância, nem governamental nem pessoal. Num certo sentido, Portugal é uma nação de correligionários

… a tolerância (…) é a contra-partida da liberdade de pensamento. É reconhecermos nos outros o que nós queremos e exigimos para nós. É aceitar nos diferentes um igual direito à vida. Se A não tolera as opiniões de B, é porque não reconhece em B a liberdade de pensamento; isto é: A é um reacionário. Direi: o direito de pensar livremente é a liberdade vista por dentro; a tolerância a liberdade vista por fora. Na essência, uma única e uma mesma coisa.

Quem é contra a tolerância é contra a liberdade. E quem me pregar a liberdade, contanto que essa liberdade seja a de defender as sua opiniões e de não tolerar as dos outros, pode ir passear: a liberdade de alguns é a escravidão do resto, e o mais que se pode dizer de s. ex.ª é que é um belo estofo de ditador …

Raul Proença, "Opiniões de Depoimentos – A Tolerância", in “Alma Nacional”, nº 12, 28 de Abril de 1910, p. 189

FOTO: Raul Proença, em 1939, “isto é, após a provação do exílio e da doença”, in “O Pensamento especulativo e agente de Raul Proença”, de Sant’Anna Dionísio, Seara Nova, 1949

J.M.M.

domingo, 20 de Julho de 2014

BISSAIA BARRETO … E A COMISSÃO DISTRITAL DE COIMBRA DA UNIÃO NACIONAL

 
 

Curioso(s) documento(s), em que Augusto Cancela de Abreu [Anadia, 1895-1965; engenheiro civil, administrador de empresas (caminhos-de-ferro da Beira-Alta), deputado, ministro das Obras Públicas e do Interior, procurador à Câmara Corporativa, durante o estado Novo; monárquico e Presidente da Comissão Executiva da União Nacional, entre 1957 a 1961] pede a Fernando Bissaia-Barreto [ver  uma anotação nossa AQUI] que se pronuncie [15 de Abril de 1952] sobre a sua inclusão na Comissão Distrital de Coimbra … a que se segue a não menos curiosa resposta de Bissaia-Barreto [18 de Abril de 1952] - clicar nas FOTOS

[do nosso Arquivo]

J.M.M.

SOCIEDADE PROMOTORA DAS BELAS-ARTES


FOTO de Grupo da Sociedade Promotora das Belas-Artes (fundada a 8 de Agosto de 1861, em Lisboa) [que na sua fusão com o Grémio Artístico (1890) – ex-Grupo do Leão (1880) – deu origem à Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), aprovada pelo Alvará de 16 de Março de 1901. Sobre a Sociedade Promotora das Belas-Artes, ver os “Estatutos da Sociedade Promotora das Bellas Artes em Portugal”, Lisboa, Typ. Universal, 1876. A primeira exposição da Sociedade é datada de 1862. Curiosamente, Rafael Bordallo Pinheiro faz a sua estreia nos salões da Sociedade, em 1868]:

Zacarias d’Aça (1839-1908), escritor | José Maria Alves, médico | Joaquim Pedro de Sousa, artista plástico | Francisco Lourenço da Fonseca (1848-1902), pintor | José Ferreira Chaves (1838-1899), pintor | Luís Ascêncio Tomasini (1823-1902), pintor | José Rodrigues (1828-1887), pintor | Júlio de Castilho (1840-1919), 2º visconde de Castilho, escritor e olisipógrafo | Francisco de Assis Rodrigues (1801-1877), escultor | Domingos de Sousa e Holstein Beck (1897-1969), 5º duque de Palmela | Carlos Krus, artista plástico / Joaquim Nunes Prieto (1833-1907), pintor | José Gregório da Silva Barbosa.

via Arquivo Municipal deLisboa, com a devida vénia]

J.M.M.

sábado, 19 de Julho de 2014

[PORTO] PAPINIANO CARLOS … O T.E.P.


Saudades de um certo Porto

Na FOTO: na frente (pernas flectidas), Luís Veiga Leitão e Vasco da Lima Couto. De pé, a partir da esquerda: Papiniano Carlos [1918-2012] e esposa (Olívia), Fernando Gaspar (sogro do dr. Alberto Castro Ferreira) … e actores do T.E.P. [Teatro Experimental do Porto - refira-se que Papiniano Carlos fez parte dos dirigentes do T.E.P.]

FOTO e TEXTO via Alberto Castro Ferreira Facebook, com a devida vénia
 
 
Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas,
caminhemos serenos.

De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniquidade,
caminhemos serenos.

Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
dos que nem com a morte podem vencer-nos,
caminhemos serenos.

O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia connosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.

No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas,
caminhemos serenos.
 
[Papiniano Carlos, “Caminhemos Serenos”]
 
J.M.M.
 

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

[FORMULÁRIO] MEMORIAL DOS PRESOS POLÍTICOS DE PENICHE


O Município de Peniche e a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) apresentam para consulta pública a lista provisória dos presos que estiveram na Fortaleza de Peniche durante a ditadura fascista, época em que este monumento albergou uma prisão política.

Esta listagem conta actualmente com 2491 nomes e dela resultará a edificação de um memorial a inaugurar naquele local em Abril de 2015, no âmbito das comemorações do 40º aniversário da Revolução de Abril.

Com este projecto pretende-se homenagear publicamente os cidadãos que estiveram presos nesta prisão política, enquanto testemunho da luta pela Liberdade e pela Democracia. A introdução de novos nomes, alterações e/ou rectificações à lista devem ser apresentadas através do preenchimento de formulário abaixo, até 30 de Junho de 2014.

Agradecemos o seu contributo para a preservação da Memória de todos aqueles que, por resistirem à Ditadura do Estado Novo, estiveram presos na Fortaleza de Peniche” [AQUI]

MEMORIAL DOS PRESOS POLÍTICOS DE PENICHE [FORMULÁRIO] AQUI

J.M.M.

AS ELEIÇOES DE 1969 ...


“Para os mais novos. Este era o ambiente …

Eleições de 1969. Papel afixado na porta de uma casa particular de onde saía a propaganda da CDE (lista da oposição democrática). Muito provavelmente, da responsabilidade do movimento estudantil fascista Jovem Portugal” [clicar na FOTO]

FOTO & TEXTO via António Hespanha Facebook, com a devida vénia

J.M.M.

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

A MEMÓRIA FAMILIAR DO CONTRA-ALMIRANTE JAIME DANIEL LEOTTE DO REGO


Jaime Daniel Leotte do Rego, Contra-Almirante e Chefe da Divisão Naval Portuguesa, é um daqueles nomes que não se esquece e cuja história se reflecte em inúmeras entradas de enciclopédia, referências bibliográficas, memórias, jornais... Na imprensa por exemplo, são muitas, quase incontáveis, as referências ao Contra-Almirante Leotte do Rego, à sua intervenção na instauração da República, ao seu papel após o 5 de Outubro, e até mesmo ao que sucedeu durante a Primeira Guerra Mundial, visto que ocupou lugar cimeiro na Marinha Portuguesa, não sem depois ter caído em desgraça, aquando da chegada ao poder de Sidónio Pais.

Não se poderá afirmar que é uma figura amada por todos. Por certo é admirada por muitos. Mas as grandes personagens da História não reúnem consensos. São polémicas e duradouras. E Luís Leote, seu neto, sabe bem como o seu avô foi importante, assim como sabe das suas tristezas, problemas, resoluções e ambições. É um pouco dessa história, esse lado menos conhecido, que aqui se partilhará, tanto quanto, no futuro, se mencionará a memória e a história de seus dois filhos, Jaime Daniel e Luiz Daniel, ambos capitães de cavalaria e ambos membros do Corpo Expedicionário Português.

Como bem refere Luís Leote, a espada de seu avô e as suas condecorações encontram-se expostas no Museu da Marinha. Foram objectos ofertados pela família ao museu, e assim, encontram-se há anos num domínio mais público. Naquele domínio, onde circulam as notícias e as entradas de dicionário. Ainda assim, existem sempre objectos que nos surpreendem, pela sua aparente insignificância material cheia de história. Demonstram ainda um grau de intimidade que nos permite vislumbrar facetas da vida de alguém que não conhecemos pessoalmente, à qual não temos vínculos afectivos, mas do qual lemos e sobre o qual aprendemos… E dessas facetas os livros tantas vezes não nos falam.

Nessa perspectiva, o seu neto trouxe até nós três magníficos objectos, todos diferentes, todos representativos de momentos da vida do Contra-Almirante, momentos de vida mais ou menos conhecidos. Assim, Luís Leote revela-nos o gosto tão pessoal pela pintura que tinha seu avô, trazendo-nos um quadro de sua lavra, e que hoje faz parte do conteúdo expositivo que se encontra na sala do seu familiar. É igualmente com orgulho, e com a consciência de revelar uma imagem congelada de um momento histórico, porém triste para o Contra Almirante, que Luís Leotte nos apresenta uma fotografia. Uma simples fotografia que nos revela dois homens, um com farda do Exército, outro com a da Marinha. Juntos, com ar abatido mas firmes e resolutos, encontram-se, à direita, Leotte do Rego e à esquerda, Norton de Matos. Amigos de longa data, são aqui fotografados no dia em que foram forçados a partir para o exílio, poucos minutos antes de embarcarem num navio inglês, rumo a outras terras, outras vidas, outras gentes. Sidónio Pais tinha chegado ao poder e, como consequência, não mais existia em Portugal lugar para estes dois republicanos, que se tornaram assim estrangeiros em locais como a cidade de Paris.

Por fim, e lembrando exactamente esses tempos de exílio, um singelo cartão-de-visita. Talvez não tão singelo se observarmos todos os títulos que contêm. Mas esconde este pequeno pedaço de papel uma realidade sombria na vida do Contra Almirante. Como não possuía nenhuma fortuna, teve Leotte do Rego de aceitar empregos diversos, para conseguir o sustento essencial, e entre eles contou-se o de venda de enciclopédias ao domicílio. Este era o cartão-de-visita que o mesmo apresentava nesses momentos. As iniciais que se seguiam ao nome do avô, refere Luís Leote, significavam “Knight Commander of the Bath”, título com que foi agraciado pela influência do Príncipe de Battenberg, de quem se tornara amigo e oficial às ordens, quando da visita de Eduardo VII a Portugal. Concessão de dignidade essa que lhe permitira utilizar o título de “Sir”.

Estas são histórias que ficaram encerradas na memória familiar e que, agora, por ocasião das evocações do Centenário da Grande Guerra, Luís Leote nos trouxe, sobre aquele que, para si, para lá da figura pública e quiçá mediática no seu tempo, é simplesmente o seu avô.” [Margarida Portela (I.H.C./FSCH-UNL), LER/VER TUDO AQUI]

FOTO: Norton de Matos e Jaime Leote do Rego; TEXTO: Margarida Portela (I.H.C./FSCH-UNL), retirado do site Portugal 1914.org, com a devida vénia - sublinhados nossos]

SOBRE Jaime Daniel Leote do Rego ver NOSSA bibliografia AQUI

J.M.M.

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

14 DE JULHO – LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE

 
 

“A natureza diz a todos os homens: Fiz todos vós nascerem fracos e ignorantes, para vegetarem alguns minutos na terra e adubarem-na com vossos cadáveres. Já que sois fracos, auxiliai-vos; já que sois ignorantes, instruí-vos e tolerai-vos. Ainda que fôsseis todos da mesma opinião, o que certamente jamais acontecerá, ainda que só houvesse um único homem com opinião contrária, deveríeis perdoá-lo, pois sou eu que o faço pensar como ele pensa. Eu vos dei braços para cultivar a terra e um pequeno lume de razão para vos guiar; pus em vossos corações um germe de compaixão para que uns ajudem os outros a suportar a vida. Não sufoqueis esse germe, não o corrompais, compreendei que ele é divino e não troqueis a voz da natureza pelos miseráveis furores da escola.
 

(…) Com minhas mãos plantei os alicerces de um prédio imenso; ele era sólido e simples, todos os homens nele podiam entrar com segurança; quiseram acrescentar os ornamentos mais bizarros, mais grosseiros e mais inúteis; e o prédio começa a desmoronar por todos os lados; os homens pegam as pedras e as atiram uns contra os outros; grito-lhes: Parai, afastai esses escombros funestos que são vossa obra e habitai comigo em paz no prédio inabalável que é o meu.”

VOLTAIRE, in Tratado Sobre a Tolerância, Ed. Martins Fontes, S. Paulo, pp. 136-137

J.M.M.

GRANDE GUERRA EM ÁFRICA: CONGRESSO



A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa vai levar a efeito hoje, 14 e amanhã 15 de Julho de 2014, um congresso sobre as incidências, leituras, análises, interpretações e apresentação de novos elementos de investigação sobre a I Guerra Mundial em África.

O programa que chegou ao nosso conhecimento vem em inglês e que a seguir apresentamos para os potenciais interessados:

Monday 14 July
9.30 Registration and welcome
10.30 Session 1: East Africa
Chair: Ana Paula Pires
The involvement of India in the Great War East African Campaign - Harry Fecitt
The fate of the Konigsberg - Christopher Hill
The Faridkot Sappers and Miners: an online resource - Anne Samson for Richard Sneyd

12.00 LUNCH
13.30 Session 2: West Africa (Nigeria)
Chair: Anne Samson
World War 1 and socio-political rights in Nigeria - James Olusegun Adeyeri
Nigeria' s involvement in WWI and impact on postwar changes - Fewzi Borsali

BREAK

15.15 Session 3: Portugal's war
Chair: Aniceto Afonso
O Projecto Geopolítico Alemão para África até à Grande Guerra e o Interesse no Espaço de Angola - Marisa Fernandes
Reflexos da 1ª Guerra Mundial em Angola: das Campanhas de Pacificação às Revoltas Indígenas - Anabela Silveira
A Justiça Militar durante a Grande Guerra: Autos de Corpo de Delito da Expedição Militar a Moçambique - Graça Barradas
16.45 Close of Day 1

Tuesday 15 July
9.30 Session 4 West Africa (Cameroons)
Chair: Fernanda Rollo
The Great War Sepultures in Cameroon, a heritage questioned - Saliou Abba and Atteba Ossende
The role of neutral Cameroon German refugees in Spanish Guinea - Carlos Gavira
Le Service de santé colonial de l'armée française dans la Grande Guerre - Rémy Porte

Break
11.15 Session 5 East Africa (Mozambique)
Chair: José Luís Assis
“Recordar é o trabalho que a mim próprio impus”. Norton de Matos e a memória da Grande Guerra em África - Sergio Neto
Morrer em Kionga, convalesce rem Goba. O desastre sanitaria da “Expedição a Moçambique de 1916 - Rui Pereira and Carla da Silva
The scrambles that provoked the World Wars - Jeannick Vangansbeke

12.45 LUNCH
14.00 Session 6 Other
Chair: Rémy Porte
Morts pour la France ? Indigenous Veterans and the Process of Claims-making in Interwar Algeria - Donal Hassett
'To our Colonial Troops, Greetings from the Far-away Homeland': Race, Imperial Anxieties and the Mobilization of Colonial Soldiers in the Belgian Empire during the First World War - Amandine Lauro
When two bulls clash, the grass suffers: the impact of the Great War in Africa - Anne Samson
Lettow-Vorbeck's raid into PEA and the end of the war - Dan Whitaker

16.00 Close
Conference organisers
Anne Samson, Great War in Africa Association http://gweaa.com
Ana Paula Pires, IHC-FCSH-UNL, International Network for the Study of the Great War in Africa
Maria Fernanda Rollo, IHC-FCSH-UNL, International Network for the Study of the Great War in Africa
Steering Committee of the International Network for the Study of the Great War in Africa Ana Paula Pires (IHC-FCSH-UNL) Anne Samson (Great War in Africa Association) Maria Fernanda Rollo (IHC-FCSH-UNL) Melvin E. Page, East Tennessee State University Michael Neiberg (US Army War College) Michelle Moyd (Indiana University – Bloomington) Pierre Purseigle (Yale University) Rémy Porte (Service Historique de la Défense) Richard Fogarty (University at Albany – SUNY) Santanu Das (King’s College – University of London)
Venue
Instituto de História Contemporânea at NOVA University of Lisbon
Faculdade de Ciências sociais e humanas
Universidade Nova de Lisboa Av. Berna, 26 C 1069-061 LISBOA

Mais informações podem ser obtidas consultando AQUI.

Com os votos do maior sucesso para mais esta iniciativa que assinala o Centenário da Grande Guerra e as investigações que estão em curso sobre o tema.

A.A.B.M.

sexta-feira, 11 de Julho de 2014

LUÍS AUGUSTO FERREIRA MARTINS (Parte III)

Por proposta do Ministro da Guerra,  recebeu a condecoração para o Grau de Oficial, de 5 de Agosto de 1920. Esteve ainda como chefe de Estado-Maior da Guarda Nacional Republicana entre 25 de Maio e 19 de Outubro de 1921. Foi um dos elementos da comissão que elaborou as bases para a reforma do Exército Colonial em 1924. Ainda nesse ano participou também na comissão de estudo das bases do cadastro geodésico da propriedade.

Nomeado para chefe da 5ª Repartição da 2ª Direcção-Geral do Ministério da Guerra em Agosto de 1925 e no final do ano seguinte (Dezembro) ascendeu a chefe da 2ª repartição da referida Direcção Geral. Foi também o 2º subchefe do Estado-Maior do Exército a partir de Junho de 1927. Em Maio de 1929 foi nomeado, interinamente, Inspector da 1ª Inspecção de Artilharia, cargo que desempenhou até 11 de Setembro desse ano quando assumiu as funções de Comandante da Escola Central de Oficiais.
Comandou a escola Central de Oficiais de 1929 a 1933, ascendendo ao posto de general em 22 de Novembro de 1930. Entretanto, em 1924, fez parte da Comissão de Estudo da Organização do Exército Colonial. Foi depois administrador geral do Exército entre 1936 e 1940, vogal do Conselho Superior do Exército, presidente do Conselho de Recursos entre 1941 e 1945, presidente do Conselho Fiscal dos Estabelecimentos Produtores do Ministério da Guerra entre 1944 e 1945. Foi ainda Presidente do Conselho Superior de Disciplina Militar. Passou à reserva em 7 de Abril de 1940 e à reforma no mesmo dia em 1947.
Envolveu-se aos meios de oposição ao Estado Novo a partir de 1950, tendo participado nas campanhas eleitorais e em Novembro de 1950, presidiu a uma sessão comemorativa da Grande Guerra Mundial que teve lugar nas instalações do Centro Republicano António José de Almeida. Subscreveu também um pedido de autorização, em 10 de Outubro de 1956, para permitir a criação da Frente Nacional Liberal Democrata, mas acaba por ver a sua pretensão de se formar como associação tendo os seus estatuto sido indeferidos e a mesma agremiação dissolve-se em 1 de Julho de 1957, por decisão dos seus fundadores. Entre eles constavam, para além do General Ferreira Martins, o Prof. Vieira de Almeida, Alberto Madureira, Nuno Rodrigues dos Santos, Agostinho Sá Vieira, Fernando Mayer Garção e Augusto Casimiro [Sobre este assunto consultar a documentação que existe AQUI]. Em 1957, nas eleições realizadas em 4 de Novembro, apresentou-se ainda como candidato  a deputado da oposição, por Lisboa.
Desempenhou também as funções de chefe da Delegação da Liga dos Combatentes da Grande Guerra a vários congressos da Federação Internacional dos Antigos Combatentes (F.I.D.A.C.), sendo também membro do Conselho Supremo da Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Exerceu funções como membro da Comissão Central da Cruz Vermelha Portuguesa. Presidiu ainda ao Círculo de Estudos Históricos de Olivença, em 1949.
Desenvolveu também intensa actividade cívica e cultural, tendo sido autor de diversos livros, que mais abaixo indicaremos. Colaborou, ainda, com numerosas instituições, como o Sport Algés e Dafundo, a Sociedade de Geografia de Lisboa, a Cruz Vermelha, a Sociedade Portuguesa de Escritores, da Sociedade de Propaganda de Portugal, do Instituto, de Coimbra, entre outras.
Publicou entre outras obras:
Jogo de Guerra Exemplificado, em 1911; Avaliação das Distâncias em Campanha, Lisboa, 1913; Portugal na Grande Guerra (direcção e colaboração), 1935; O poder militar da Grã-Bretanha e a aliança anglo-lusa, 1939; Glórias e Martírios da Colonização Portuguesa, (colaboração), 4 vols, Lisboa, 1939; História da Expansão Portuguesa no Mundo (colaboração), Lisboa, 1942; A Cooperação Anglo-Portuguesa na Grande Guerra, 1914-18 e História do Exército Português, 1945; A Psicologia de Mouzinho: O Homem e o Chefe.
Colaborador regular em jornais e revistas, nacionais e estrangeiras como: Revista Militar, Revista de Artilharia, Boletim da Sociedade de Geografia, Boletim do Arquivo Histórico Militar, onde deixou publicados mais de meia centena de artigos, além de dezenas de artigos na imprensa como o Diário de Notícias, Primeiro de Janeiro, República, Século, entre outros.
Entre os artigos publicados nas revistas localizaram-se alguns que podem ilustrar a sua biobibliografia que abaixo se indicam:
- Britânica : o espírito colonial como base do sentimento patriótico, Lusocolonial. - Nº 18 (1929), p. 277-278
- Governadores coloniais, Boletim da Sociedade Luso-Áfricana do Rio de Janeiro. - nº 12 (1935), p. 3-8
- Uma história da acção dos portugueses na Grande Guerra, [S.l. : s.n.], 1935 ( Lisboa : -- Emp. Nac. de Publicidade), 7 páginas;
- Boletim do Instituto: Assembleia Geral de 14 de Fevereiro de 1936,  O Instituto : jornal scientifico e litterario. - Volume XC (1936), p. 1-3.
[Quando foi admitido como sócio correspondente nacional no Instituto de Coimbra]
- Glórias e martírios da colonização portuguesa : I / por General Ferreira Martins. - Lisboa : Agência Geral das Colónias, 1939. - 60, [1] p. ; 20 cm. - Pelo império. 53)
- Glórias e martírios da colonização portuguesa : II / por General Ferreira Martins. - Lisboa : Agência Geral das Colónias, 1939. - 93 p. ; 20 cm. - Pelo império. 54)
- Glórias e martírios da colonização portuguesa : III / por General Ferreira Martins. - Lisboa : Agência Geral das Colónias, 1939. - 99 p. : il. ; 20 cm. - Pelo império. 55)
- Glórias e martírios da colonização portuguesa : IV / por General Ferreira Martins. - Lisboa : Agência Geral das Colónias, 1939. - 73 p. : il. ; 20 cm. - Pelo império. 56)
- Cavaleiros em África / Ferreira Martins. - Ilustrado In: Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. - Série 60, nº 1-2 (1942), p. 26-29
- O intercâmbio intelectual, O Instituto : jornal scientifico e litterario. - Volume C (1942), p. 47-49.
- O coronel Bento Roma (1884-1953) : homenagens e consagrações em 1954 e 1955 / pref. Ferreira Martins. - Lisboa : Gazeta dos Caminhos de Ferro, 1955. - [12], 234, [6] p. : il. ; 22 cm
- Um grande exemplo / Ferreira Martins. - Artigo destinado à imprensa, mas que não chegou a ser publicado.In: O Coronel Bento Roma (1884-1953) : homenagens e consagrações em 1954 e 1955 / pref. Ferreira Martins. - Lisboa : [S.N.], [1955?]. - P. 148-149.
- Olivença na Guerra Peninsular, Boletim da Casa do Alentejo, Fevereiro de 1955, Ano XX, nº 214, p. 1, col. 1 a 3 e ss.
- Mousinho e a génese da sua acção de Chaimite,  Revista militar, Lisboa, A.7,nº 10 (Out. 1955), p. 639-650;
- A psicologia de Mouzinho : o homem e o chefe, Separata da Revista Ocidente, vol. LI, 1956;
- João Albasini e a colónia de São Luís : subsídios para a história da provincia de Moçambique e das suas relações com o Transval / Alexandre Lobarto. -Lisboa : Agência Geral do Ultramar, 1957. - 149 p. - Pelo império. 126)
- Portugal e a actual política ultramarina, Infantaria, Ano 28, nº 176 (1961), p. 438-442
-Mousinho : herói reflexivo - carta a José Osório, O mundo português : revista de cultura e propaganda arte e literatura colonias.- Lisboa : A.G.C.S.P.N., 1934-1947.- v. 7 n. 73 (Jan.) p. 39-40
- O Infante Dom Henrique na Inclita Geração, Lisboa : [s.n., D.L. 1960], Sep. Ocidente, v. 58, p. 234-244;
O General Luís Augusto Ferreira Martins casou em 31 de Agosto de 1901 com D. Baptistina Maria de Aguiar Craveiro Lopes, de quem teve duas filhas.
Faleceu a 26 de Setembro de 1967 em Lisboa.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
Eduardo da Costa, Ed. da Divisão de Publicações da Agência Geral das Colónias, Lisboa, 1938;
- Os Generais do Exército Português, vol. III, Tomo I, coord. Coronel António José Pereira da Costa, Biblioteca do Exército, Lisboa, 2008, p. 349-350;
- Quem é Alguém. Dicionário Biográfico das Personalidades em Destaque no nosso tempo, Portugália Editora, Lisboa, 1947, p. 315-316;
Ribeiro, Ângelo , “A implantação da República”, História de Portugal, vol. VII, Barcelos, Portucalense Editora, 1935, p. 508-509;
Silva, Armando Malheiro da, Sidónio e o Sidonismo. Vol. 2, História de um caso político, Imprensa da Universidade, Coimbra, 2006.
- Teixeira, Nuno Severiano, O Poder e a Guerra. 1914-1918, Col. Histórias de Portugal, Editorial Estampa, Lisboa, 1996
A.A.B.M.

quarta-feira, 9 de Julho de 2014

O SIMBOLISMO MAÇÓNICO EM LISBOA – O MUSEU E O PALÁCIO MAÇÓNICO. OS AZULEJOS NO CHIADO E BAIRRO ALTO


ROTEIRO - O SIMBOLISMO MAÇÓNICO EM LISBOA

DIA: 12 de Julho 2014 (15,00 horas);
LOCAL DE ENCONTRO: Largo da Misericórdia (Lisboa);

 

ORGANIZAÇÃO: Explore Latitudes (Eventos Culturais)
 
15h - Encontro no Largo da Misericórdia - Início do Roteiro visita Bairro Alto; 15,30h - Visita Guiada ao Museu e Palácio Maçónico - abertos especialmente para os Participantes; 17h - Visita aos Azulejos da Trindade - o simbolismo maçónico na cidade; 18h - Lanche na Cervejaria Trindade.
 
É uma entidade fundada em 1984, situando-se na Rua do Grémio Lusitano 25, em Lisboa, sede do Grande Oriente Lusitano, uma das mais antigas Obediências maçónicas europeias, fundada em 1802. Ao longo destes anos viu evoluir não apenas seu espólio como também as suas funções e práticas museológicas.
É uma instituição que, através das peças que tem expostas, retrata a História do país e da Europa nos últimos duzentos e cinquenta anos. Como museu tem por função de proteger, interpretar e informar sobre os objectos e ideias do passado e através deles fazer uma ponte para o presente. O Museu Maçónico Português é um Museu histórico, especializado, cujo património, raro e insubstituível, tem uma relação estreita com a História portuguesa e europeia, e daí a importância das exposições que apresenta.
Actualmente, o Museu Maçónico Português é considerado um dos melhores da Europa na especialidade.
 
Os Painéis de Azulejos na Trindade:
Também conhecidos pelos azulejos do «Ferreira das Tabuletas», foi aprendiz na Real Fábrica de Louça e desenvolveu trabalho nas fábricas da Calçada do Monte e António da Costa Lamego (mais tarde designada por Viúva Lamego), tendo sido director artístico nesta última.
É considerado o pintor ceramista de maior expressão do 3º quartel oitocentista, realizando, num período em que o revestimento de fachada se subordinava a esquemas seriados e estandardizados, composições de autor, de tendência romântica, marcadas pela gramática ecléctica. Embora a sua pintura se caracterize por uma certa ingenuidade, as composições ornamentais e figurativas que produziu denotam grande originalidade. Representam vasos floridos, figurações e alegorias, a que junta efeitos "en trompe l’oeil". Entre outros trabalhos, são de salientar a decoração interior da Cervejaria Trindade, da Rua Trindade, nºs. 28-34 (c.1864), também conhecido como Casa do Ferreira das Tabuletas
 
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J.M.M.

terça-feira, 8 de Julho de 2014

LUÍS AUGUSTO FERREIRA MARTINS (Parte II)

Complementando a informação fornecida sobre a participação de Ferreira Martins em Moçambique conseguimos apurar que a sua acção foi destacada por Eduardo da Costa, que salienta que Luís Augusto Ferreira, curiosamente não mencionava o apelido Martins, mas é certamente a personalidade em apreço, quando se refere nas operações contra a gente do Marave, em terras de Lunga e Mochélia (6 a 11 de Maio de 1897): no dia 6, “o encarregado das munições era o 1º tenente de artilharia, Luís Augusto Ferreira” [Eduardo da Costa, Ed. da Divisão de Publicações da Agência Geral das Colónias, Lisboa, 1938, p. 68]. Ainda nas operações que tiveram lugar entre 16 e 22 de Maio de 1897, Eduardo da Costa se referia que foram adjuntos no comando o tenente Ferreira de artilharia e alferes José de Barros” [Eduardo da Costa, idem, p. 79] tendo mesmo Eduardo da Costa reconhecido no seu relatório “Luís Augusto Ferreira pelo seu grande trabalho na direcção da abertura de caminho e, que na marcha de regresso acompanhou sempre a guarda da retaguarda [Eduardo da Costa, idem, p. 90-91].
Com a implantação da República, Luís Augusto Ferreira Martins, foi logo um dos 13 militares indicados para integrar a Comissão para a nova organização do Exército. Esta comissão, criada em 15 de Outubro de 1910, pelo Ministro Correia Barreto, era liderada pelo General José Estêvão de Morais Sarmento e era composta por mais 12 oficiais, entre eles o nosso biografado. A comissão viria a ser extinta em 16 de Maio de 1911 e o decreto da Reorganização Militar seria promulgado em 25 de Maio desse ano.
Em 1912, foi indicado como delegado do Governo às manobras do Exército Suíço. A partir de 1913 assumiu funções como chefe de gabinete do Ministro da Guerra, João Pereira Bastos, que ocupou a pasta entre 9 de Novembro de 1913 e 8 de Fevereiro de 1914, tendo sido uma das personalidades envolvidas no movimento de 14 de Maio de 1915.
Durante a Grande Guerra, mesmo Ângelo Ribeiro, na História de Portugal, dirigida por Damião Peres, afirmava, que Ferreira Martins tinha sido um dos poucos a manifestar a sua oposição ao acordo firmado entre portugueses e ingleses em 25 de Janeiro de 1918 que misturava os oficiais do Corpo de Artilharia Pesada ingleses e portugueses, embora se reconhecesse a sua competência técnica, mas onde as posições portuguesas eram quase sempre contrariadas pelos ingleses ferindo as nossas susceptibilidades [Ângelo Ribeiro, “A implantação da República”, História de Portugal, vol. VII, Barcelos, Portucalense Editora, 1935, p. 508-509]. Muito provavelmente fruto da sua posição critica face a este acordo Ferreira Martins que era tenente-coronel e vice chefe de Estado Maior do Corpo Expedicionário Português pediu a sua exoneração de funções em 2 de Fevereiro de 1918, embora mais tarde viesse a reconsiderar a sua decisão [Armando Malheiro da Silva, Sidónio e o Sidonismo. Vol. 2, História de um caso político, Imprensa da Universidade, Coimbra, 2006, p. 52.]

Ferreira Martins manteve a sua posição até 1919, tendo sido condecorado pela sua acção como vice-chefe do Estado Maior do CEP, seguindo depois para Chefe do Estado Maior do Campo Entrincheirado de Lisboa, função que desempenhou entre 1919 e 1926. Foi ainda, em 1923, comandante do Regimento de Infantaria nº 5.
[Em continuação]
A.A.B.M.

ANTÓNIO BORGES COELHO


“Bela entrevista que li agora, a António Borges Coelho, por Luciana Leiderfarb (Supl. Atual, Expresso, de 8 de Março). Estava enterrada na pilha dos papéis para ler, mas devorei-a hoje, à hora do almoço. Declaração de intenções: A.B.C. foi meu professor, um dos melhores, pelo que peço desculpa por qualquer entusiasmo desmedido.

Cinco ideias a reter:

1.ª A prática de uma história que se detém no omitido ou banido, nas minorias que fizeram a nação, nas gestos que partiram de baixo, "do chão humano humano onde toda a história assenta".

Acrescenta o historiador, a propósito da sua nova História de Portugal: "Quis olhar para todos os lados: para baixo, para o centro e para cima. Não tratar apenas dos poderosos";

2.ª "A história não é um plano ou uma amassadeira, tem gradações. Podemos enganar-nos na escolha do que foi marcante, mas não podemos apenas ir enumerando - como quem faz um colar - os factos. A história não é um colar, tem uma orgânica que é preciso descobrir";

3.ª Sobre o historiador como manipulador do tempo, embora "não no sentido de forçar os factos a serem outra coisa. O historiador tem de saber que, se não for consciente da sua capacidade de manipular, ele manipula. Falamos de camponeses que não querem pagar, e sabemos isso porque o funcionário do bispo o disse num documento. Ao retirar do documento esta informação, estamos a construir um facto. Existem montanhas de factos construídos, e o maior perigo para o historiador é reutilizar factos já feridos de vícios ou até falsos. Como se apercebe disso? Com traquejo. Ele tem de viver, quase, na época sobre a qual escreve";

4.ª Sobre as escolhas, nunca inocentes, do historiador e do discurso histórico: "A história não é o que se viveu. É um discurso [narrativa] sobre o que se viveu e, por muita objectividade que se pretenda, é sempre subjectivo. É do homem que se escreve, das suas ideias, da sua experiência [acumulada]. Estamos sempre a fazer escolhas, e eu sempre escolhi temas de que ninguém queria falar.";

5.ª ideia, e última, que põe em causa a facilidade associada à história contemporânea, e da paixão pelo ofício: "Sabe, fazer história recente é mais dificil, por isso ainda não sei qual é o caminho. Só sei uma coisa: vou fazer isto até morrer".

Uma lição magistral de epistemologia da história...”
 
[ÁLVARO DE MATOS, via Alvaro Matos Facebook - sublinhados nossos]
 
J.M.M.

sábado, 5 de Julho de 2014

LUÍS AUGUSTO FERREIRA MARTINS (Parte I)

Nasceu em Lisboa, na freguesia de Santo André, a 7 de Abril de 1875, filho de Francisco Odorico Ribeiro Martins e D. Maria Firmina das Neves Ferreira Martins.
Frequentou o Colégio Militar entre 1885 e 1890, transitando depois para a Escola Politécnica de Lisboa, onde realizou os estudos preparatórios de Engenharia e de Artilharia.
Alistou-se, voluntariamente, no Regimento nº 5, de Caçadores de El-Rei, em 6 de Agosto de 1890. De seguida frequentou a Escola do Exército, onde frequentou o curso de Artilharia, entre 1893 e 1895. Concluiu o curso com excelentes resultados, sendo segundo classificado entre os diferentes candidatos. Foi promovido a 2º tenente e seguiu para o Regimento de Artilharia nº 5, em 27 de Fevereiro de 1896. Depois foi colocado nos Regimentos de Artilharia nº 3 e nº 4. Ascende na hierarquia militar, recebendo as divisas de tenente a 4 de Janeiro de 1897, seguindo nessa altura para o Regimento de Artilharia nº6, onde permanece só alguns dias e, no final desse mês de Janeiro consegue ser colocado na Brigada de Artilharia de Montanha.
Participa na expedição a Moçambique em 1897-1898, permanecendo em Angoche entre 12 de Setembro de 1897 e 29 de Setembro de 1898, participando nas operações militares que aí tiveram lugar, depois dos episódios e confrontos que envolveram Mouzinho de Albuquerque e a prisão de Gungunhana em Dezembro de 1895.
Regressa a Portugal e foi colocado no Regimento de Artilharia nº3, onde já tinha passado antes de seguir para Moçambique. Até 1903, desenvolve a sua actividade normal, sem nota de destaque. Em 12 de Outubro de 1903 consegue autorização para efectuar o curso de Estado Maior, que veio a concluir com sucesso em 26 de Outubro de 1905, tendo obtido também a segunda posição entre os oficiais que frequentaram o referido curso. Alcançou então a colocação no serviço de Estado-Maior, tendo ingressado na Direcção-Geral do dito serviço.

Elabora em 1910 um relatório de um projecto de defesa dos Açores, para o Supremo Conselho da Defesa Nacional e publica a sua primeira obra: Jogo da Guerra Exemplificado.
[Em continuação]
A.A.B.M.

quinta-feira, 3 de Julho de 2014

MÁRIO SOARES – “ESCRITOS POLÍTICOS” (1969)


Mário Soares, “Escritos Políticos”, Edição do Autor [Depositária Editorial Inquérito, Travessa da Queimada, 23, 1º Dto, Lisboa], Tip. do Jornal do Fundão, Lisboa, 1969

«Uma das palavras que melhor caracteriza a Censura portuguesa é "inconveniente". A palavra não implica um julgamento de valor sobre o conteúdo de um livro ou de um artigo, apenas que pode pôr em causa aquilo que é o interesse da ordem estabelecida.

"Inconveniente" é perturbador e, se há coisa que a Censura toma como sua missão, é impedir qualquer perturbação, seja política, seja social, seja cultural, seja nos costumes. Acresce que há um significado conexo, o de mal-educado, malcriado. "Não sejas inconveniente" diziam as mães para os filhos no passado longínquo em que a linguagem não era gutural como é agora. É esta a classificação que a Censura dá aos Escritos Políticos de Mário Soares, uma antologia de textos de circunstância escritos ao sabor das actividades oposicionistas do autor, publicado em 1969.

A PIDE não se limita a mandar o livro para que a Censura o proíba - coisa que faz quase sempre quando lhe é solicitado pela PIDE, o que nem sempre acontece quando o recebe do SNI ou de outras instituições da ditadura - mas, como anota o autor do despacho, faz uma admoestação implícita aos censores por terem deixado passar alguns destes textos "quando apresentados para jornais diários". A PIDE mostra o desconforto com a publicação, o censor dos livros puxa as orelhas aos censores da imprensa. O que é que explica ser esta obra "um puro ataque político mal intencionado e inoportuníssimo", em plena primavera marcelista?

O despacho da Censura explica-o em termos bem mais calmos do que rebarbativos, "inoportuníssimo": trata-se de "um ataque ao Governo e às bases orgânico-políticas do actual sistema político-social". De facto, é disso mesmo que se trata. Mário Soares, então uma personagem em ascensão na oposição moderada, onde ainda compete com um conjunto de velhos dirigentes vindos da República, ou do MUD, ou do Directório, está a deslocar-se com os seus amigos progressivamente de um republicanismo oposicionista para um socialismo que nem sempre é moderado. Fá-lo em competição com o PCP, com quem, nesse ano eleitoral de 1969, demasiado importante porque eram as primeiras eleições sem Salazar, rompe a unidade, apresentando-se a CEUD e a CDE em listas separadas.


Os escritos de Mário Soares são um retrato do que era a actividade da oposição não comunista, muito limitada, operando muitas vezes na semilegalidade, ou na legalidade permitida e vigiada, ao sabor de jantares, pequenos comícios, abaixo-assinados, e artigos no República. Há textos biográficos e políticos sobre os vultos da velha oposição republicana ou da República, como é o caso de Mário de Azevedo Gomes, de Fernão Boto Machado ou dos revolucionários do 31 de Janeiro; há teses enviadas às reuniões republicanas e oposicionistas, entrevistas e intervenções em colóquios censurados ou proibidos, e um ocasional artigo numa publicação estrangeira.

No seu conjunto, revelam o pensamento de Soares tal como ele se tinha estabilizado depois da sua saída do PCP no início dos anos cinquenta, ainda muito preso ao peso do republicanismo histórico, mas já apresentando-se como a sua ala esquerda socializante, organizada na ASP e depois no PS. Essa tendência socializante e mesmo nalguns casos esquerdizante veio a acentuar-se nos anos seguintes, influenciado ele também pelo Maio de 1968, pelas lutas estudantis e pela sua experiência mais tardia no exílio europeu onde pôde contactar pela primeira vez com outros socialistas europeus.

Esta deriva para a esquerda faz o caminho entre a ruptura eleitoral com os comunistas em 1969, até aos acordos frentistas de 1973 entre o PS e o PCP. Mas não é esse ainda o tempo dos Escritos Políticos. À data da publicação deste livro, como se pode ver nos seus anexos, Mário Soares enfileira numa atitude atentista e, por isso mesmo, benévola, em relação à liberalização caetanista, atitude essa duramente criticada pelo PCP como "ilusória" e perigosa. Num dos abaixo-assinados transcritos no livro, os signatários apresentam-se como "socialistas democráticos" e não como "socialistas totalitários", dispostos a ajudarem Marcelo Caetano a criar o "clima novo" que este anunciava. Conhecendo-se como se conhece, após a leitura de milhares de despachos, a cabeça dos censores é este abraço da oposição moderada a Marcelo Caetano que era "mal intencionado e inoportuníssimo".

Proíba-se pois o livro»

FOTO 2:“Mário Soares em campanha pela CEUD, Outubro 1969” – via Casa Comum

[José Pacheco Pereirain jornal PÚBLICO (02/07/2014), sublinhados nossos]

J.M.M.