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terça-feira, 30 de janeiro de 2024

COMEMORAÇÕES DO 31 DE JANEIRO DE 1891

 Assinalando o 133º aniversário da Revolta Republicana do Porto, em 31 de Janeiro de 1891, vão realizar-se alguns eventos que rememoram os acontecimentos, os  protagonistas e as circunstâncias que rodearam a efémera proclamação da República na cidade invicta.

O primeiro tem lugar em Lisboa, com organização do Centro de História, da Universidade de Lisboa, e coordenação científica do Prof. Doutor António Ventura e da Prof. Doutora Teresa Nunes.

Participam ainda Maria da Conceição Meireles Pereira, Sónia Rebocho, Vanessa Batista e João Lázaro.



Por seu lado, no Porto, far-se-á também a evocação do acontecimento, promovida pela Associação Cívica e Cultural 31 de Janeiro, em parceria com o Ateneu Comercial do Porto e conta com a romaria ao Monumento aos Heróis do 31 de Janeiro de 1891 e conta com intervenções de Luís Cameirão, António Lima Coelho e Rui Moreira.

A acompanhar e a participar civicamente, com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.


terça-feira, 4 de outubro de 2022

[PORTO] – EVOCAÇÃO DO 5 DE OUTUBRO DE 1910

 

EVOCAÇÃO DO 5 DE OUTUBRO DE 1910 

PROGRAMA:

10,30 Horas: Campo 24 de Agosto (Edifício da Junta de Freguesia do Bonfim): Hastear da Bandeira Nacional

10,45 Horas: Deposição de Coroa de Flores junto à Estátua de Afonso Costa

11,00 Horas: Sessão Evocativa no Salão Nobre da Junta de Freguesia do Bonfim *

ORADORES: Luís Cameirão (Pres. da Direcção da ACC 31 de Janeiro) | Luís Parreirão (Advogado e Gestor de Empresas) | João Aguiar (Pres. da Junta de Freguesia do Bonfim) | Carlos Nunes (GM Adjunto do Grande Oriente Lusitano) | Sebastião Feyo de Azevedo (Presidente da Assembleia Municipal do Porto)

 * Momento Musical 

ORGANIZAÇÃO: Associação Cívica e Cultural 31 de Janeiro


J.M.M. 

sábado, 2 de outubro de 2021

[PORTO] – COMEMORAÇÃO DO 5 DE OUTUBRO DE 2021




PROGRAMA:

10,30 Horas: Campo 24 de Agosto (Edifício da Junta de Freguesia do Bonfim): Hastear da Bandeira Nacional

10,45 Horas: Deposição de Coroa de Flores junto à Estátua de Afonso Costa

11,00 Horas: Sessão Evocativa no Salão Nobre da Junta de Freguesia do Bonfim

ORADORES: Luís Cameirão (Pres. da Direcção da ACC 31 de Janeiro) | António Cândido de Oliveira (Prof. da Univ. do Minho | José Manuel F. Carvalho (Pres. da Junta de Freguesia do Bonfim) | Rui Moreira (a confirmar)

 * Momento Musical (por Margarida Rego Costa e Francisco Monteiro)

 

J.M.M. 

domingo, 14 de março de 2021

A IMPRENSA LIBERAL DO PORTO (BORBOLETA CONSTITUCIONAL E BORBOLETA DURIENSE) E JOÃO NOGUEIRA GANDRA

Periódico fundado e redigido por João Nogueira Gandra, surge na sequência do jornal Borboleta Constitucional, fundado em 12 de Maio de 1821 e que se publica até 31 de Dezembro de 1822 (295 números).

Seguiu-se entretanto a Borboleta dos Campos Constitucionais, que se publicou entre 14 de Maio e 25 de Agosto de 1821 (89 números), portanto houve uma alteração de nome neste período. Posteriormente publicou-se o Borboleta Duriense, entre 2 de Janeiro de 1823 e 30 de Junho de 1823 (144 números).

Por fim, já noutro contexto, mas ainda com o mesmo redactor, vamos ter A Borboleta, que se publicou entre 16 de Julho de 1826 e 5 de Março de 1828 (90 números). Foi neste jornal que pela primeira vez, no Porto, se apresentou uma ilustração xilogravada.



Sobre João Nogueira Gandra:

Nasceu na paróquia de Santo Ildefonso, na cidade do Porto, a 17 de Julho de 1788, e morreu a 5 de Dezembro de 1858. Frequentou, por ter realizado a matrícula na Faculdade de Matemática, na Universidade de Coimbra, em 15 de Outubro de 1806, mas não consta nada mais a partir daí, pelo que se conclui que não continuou os seus estudos. Consta que na sua mocidade pretendera seguir a profissão de medicina, porém contrariedades sobrevindas o impediram de concluir os estudos respetivos. Foi um defensor da ideias liberais na cidade do Porto, onde contribuiu para a divulgação dessas ideias através da publicação de diversos jornais.

Foi membro da Sociedade Patriótica Portuense (1822/1823) e da Sociedade Patriótica Instrutiva da Juventude Portuense (1823). Chegou a ser acusado de pertencer à Maçonaria, mas refutou sempre essa acusação.

Comendador da Ordem de Cristo, Cavaleiro da N. S. da Conceição, condecorado com a medalha n.º 2 da Campanha Peninsular. Foi em 1821 e 1822 redator principal do periódico Borboleta Constitucional, publicado no Porto; e depois em 1833 colaborador da Crónica Constitucional, do Artilheiro, e de outros jornais. Publicou ainda Diário do Porto. Porto: Gandra & Filhos, suplemento ao n.º 1 (16 de janeiro de 1835); n.º 1 (19 de janeiro de 1835) a n.º 128 (11 de julho de 1835).

Na sua tipografia foram impressos pelo menos 9 periódicos portuenses, a que se juntam mais 9 na Gandra & Filhos.

Sobre o início da sua actividade como tipógrafo, no Porto, deve consultar-se aqui, onde consta um requerimento para instalar uma oficina na referida cidade, apresentado em Março de 1821. Consultar AQUI.

Com João António Ribas, em 1828, que compõe a musica para "Il Giubilo Nazionale", tendo por base um texto de João Nogueira Gandra.

Devido ao apoio prestado à causa liberal, foi preso e condenado ao degredo, em 1829, durante o consulado miguelista, tendo sido ordenada a sua saída para Moçambique, segundo ofício do Ministro Assistente ao Despacho e Secretário de Estado da Guerra, Duque do Cadaval, D. Nuno Caetano Alves Pereira de Melo, para o então Secretário de Estado da Marinha e Ultramar, Conde de Basto, José António de Oliveira Leite de Barros.

Dedicou-se à tradução do libreto da ópera Ana Bolena, escrito por Felici Romani, com música de Caetano Donizetti, em 1837. 

Começou por ser 2.º bibliotecário da Biblioteca Pública do Porto e, em 24 de Maio de 1842, por Decreto, passou a 1.º Bibliotecário interino. 

Em 7 de dezembro de 1858, realizou-se o funeral, com responso, à noite, na Igreja do Terço para João Nogueira Gandra, com música oferecida pela orquestra nacional (i.e. italiana) do Teatro S. João, em reconhecimento dos inúmeros serviços prestados pelo sr. Gandra ao teatro, assistindo mais de 400 pessoas, sendo depois conduzido o cadáver ao Prado do Repouso, sendo as honras militares prestadas pela Infantaria n.º 5, porque o finado fora secretário do Governo Militar da província (jornal “O Porto e a Carta”, 9 dez.1858, p. 3 e retificação no dia 10, p. 3).

Conhecem-se ainda, publicados na sua tipografia:

- Hymno Patriotico que se cantou em 24 de Agosto e se ha de cantar na praça da Constiuição. Porto: Imprensa do Gandra,1821.

- Hymno Constitucional cantado no Real Theatro do Porto em Julho de 1826. A Letra he de J.N.Gandra. A Musica he de A.J.Nunes. Porto

- Hymno Imperial-Constitucional da composição do Senhor D. Pedro, em 1822.(Porto): Imprensa do Gandra. 1826

- Hymno dedicado à Senhora Infanta D. Izabel Maria, pela música do Hymno Imperial do Senhor D. Pedro.. Porto:Imprensa do Gandra. 1826

- Hymno à vinda de S.A. o Serenissimo Senhor Infante D. Miguel, para reger estes Reinos (A musica he do Hymno Imperial-Constitucional do Sr. D. Pedro IV (sic).Porto: Imprensa do Gandra.1828.Com licença da Commissão de Censura.

- A APOTHEOSO DOS MARTIRES DA PATRIA. Elogio dramático para se representar no Real Theatro de S. João em 8 de Abril de 1837, por José de Sousa Bandeira. Porto. Imprensa de Gandra e Filhos. 1837. In-8º peq.º de 13 págs. B.

- O ASSEDIO DE CORINTHO. Tragedia Lirica, em 3 actos, em Musica de Joaquim Rossini, para se representar no Real Theatro de S. João na Cidade do Porto. Traducção de João Nogueira Gandra. Porto : Imprensa de Gandra e Filhos. 1837. In-8º peq. de 56 págs. B.

- HUM MEZ DE FERIAS. Drama em quatro actos, representado no R. Theatro de S. João na Cidade do Porto, na noite de 21 de Fevereiro de 1838. Porto. Na Typographia CommercialPortuense. 1838. In-8º de 141-I págs. B.

- MARIA STUART, tragedia lyrica em 4 actos. Musica do Mestre Caetano Donizetti; ‘para se representar do Real Theatro de S. João da Cidade do Porto. Porto : Typographia de Gandra & Filhos. 1842. In-8º peq. de 31 págs. B.

- SAPHO. Tragedia lyrica em três partes, ou actos. Musica do Mestre C. J. Pacini para se representar no R. Theatro de S. João na cidade do Porto. Porto : Typographia de Gandra & Filhos. 1845. In-8º peq. de 61 págs. B.

- A FAVORITA. Melodrama em 4 actos, Musica do Mestre Caetano Donizetti, para se representar no Real Theatro de S. João da Cidade do Porto. Porto : Typographia de Gandra & Filhos. 1843. In-8º peq. de 31 págs. B.

- O JURAMENTO. Melo-Drama em 3 actos; em musica de X. Mercadante. Para se representar no Real Theatro de S. João da Cidade do Porto. Porto : Typographia de Gandra & Filhos. 1846. In-8º peq. de 32 págs. B.

- ATILA. Opera séria em 1 prologo, e 3 actos. Musica do Mestre Verdi, para se representar no R. Theatro de S. João da Cidade do Porto. Porto : Typographia de Gandra & Filhos. 1849. In-8º peq. de 24 págs. B.

- CONRADO D’ALTAMURA. Drama lyrico em 3 actos, Musica do Maestro Frederico Ricci, para se representar no Real Theatro de S. João da Cidade do Porto. Porto. Typographia de J. N. Gandra & Filhos. 1851. In-8º peq. de 16 págs. B.

- LUIZA MILLER, Melodrama trágico em 3 actos, em musica do celebre compositor José Verdi, para se representar no Real Theatro de S. João da Cidade do Porto. Typographia de Gandra & Filhos. 1854. In-8º peq. de 23 págs. B.

- Soneto à primeira actriz contemporanea no theatro portuguez de declamação Emilia das Neves e Sousa, no dia do seu beneficio no R. T. de S. João do Porto em 25 de Março de 1851/ João Nogueira Gandra . - Porto: Typ. Gandra, 1851

- Sonetos ao Marechal de Saldanha recitados no Theatro de S. João do Porto, na occasião da sua despedida em 12 de Maio de 1851/ João Nogueira Gandra . - Porto: [s.n.], 1851

A gravura de João Nogueira Gandra pode ser obtida AQUI.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

- Susana Simões Moncóvio, O CENTRO ARTÍSTICO PORTUENSE (1880-1893). SOCIALIZAÇÃO DO ENSINO, DA HISTÓRIA E DA ARTE MODERNA NO PORTUGAL DE OITOCENTOS, FLUP, 2015.

- Agostinho Araújo, "Pequenas anotaçoes sobre a actividade do tipógrafo e jornalista Joao Nogueira Gandra (1788-1858)", Cadernos do noroeste, ISSN 0870-9874, Vol. 20, Nº 1-2, 2003, págs. 127-146.

Vide ainda: - “Boletim dos Amigos do Porto”, 2015, p. 129-145.

A.A.B.M.


domingo, 4 de outubro de 2020

[PORTO] – COMEMORAÇÃO DO 5 DE OUTUBRO DE 2020

 



PROGRAMA:

11,00 Horas: Deposição de Coroa de Flores junto à Estátua de Afonso Costa

17,00 Horas: Casa das Artes (Rua Ruben A, 210, Porto)

- Sessão Evocativa da Revolução Liberal do Porto de 1820;

* Apresentação do Livro "Portugal Pós-Liberal. Um ensaio sob a História do Presente”, de autoria do professor José Adelino Maltez – por Francisco Teixeira

* Apresentação do Livro "1820. O Liberalismo em Portugal”, de autoria do professor Rui de Albuquerque – por António Tavares

 * Momento Musical (por Constantin Sandu)

NOTA: O ESPAÇO ESTÁ LIMITADO

J.M.M.

domingo, 23 de agosto de 2020

24 DE AGOSTO DE 1820 - 24 DE AGOSTO DE 2020: BICENTENÁRIO

Assinalando os acontecimentos de 24 de Agosto de 1820, há algumas iniciativas a decorrer durante o dia, para assinalar o evento:

- No Porto:

- Em Coimbra:

- Na Figueira da Foz:



O programa previsto para se desenvolver ao longo de vários meses [entretanto com as actividades suspensas ou adiadas] pode ser consultado na página que pode/deve ser consultada AQUI:
https://1820.porto.pt/

A.A.B.M.
J.M.M

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

CAUSAS DA ECLOSÃO E DO MALOGRO DO 31 DE JANEIRO [1891]



“A causa próxima e directa da eclosão do movimento de 31 de Janeiro de 1891 foi a consciência do contraste entre uma Pátria, forte e digna, que abrira à Europa e, em particular à Inglaterra, as estradas dos Oceanos e as portas do Oriente, e a Pátria de então, que cedeu, com humilhação e opróbrio, à brutalidade do «Ultimatum» inglês.

Mais uma vez o Porto assumiu, heroica mas isoladamente, as responsabilidades que lhe cabiam como capital cívica do país. O Porto salvou a honra da nação. Viu-se que nem tudo estava perdido. E o malogro dos precursores acendeu uma chama de esperança, que não voltou a apagar-se.

Mas a consciência nacional, despertada pelo centenário popular de Camões e pela mutilação que Portugal sofrera no seu corpo ultramarino, balbuciava apenas. Era-lhe impossível ainda mobilizar todas as energias da nação. A ideologia do partido republicano, incipiente, mostra-se por demais abstracta e desligada dos grandes problemas sociais. Os intelectuais e, em particular, os «Vencidos da Vida», amadores em política, e quase todos simples demolidores, mostraram-se, na sua maioria, inaptos para a renovação construtiva. Em vão Antero clamou que a primeira necessidade dos portugueses, incluindo os seus pares, era fazer exame de consciência e renegar corajosamente os crimes e erros próprios.

Se a história não tem sido a mestra da vida, é porque os homens são tardos e remissos em aprender as suas lições e actualizá-las em acção”.

[Jaime Cortesão, 25-1-1956] *

* Texto editado pela Comissão das Comemorações do 31 de Janeiro no Porto, em 1956, constituída por António Macedo, Armando Castro, Artur Andrade, Guedes Pinheiro, Júlio Semedo, Mário Cal Brandão, Silva Petiz, Veloso de Pinho e Oliveira Valença.

J.M.M. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

[PORTO] COMEMORAÇÃO DO 31 DE JANEIRO DE 1891




DIA: 31 de Janeiro 2019 (10,00 horas);
LOCAL: Cemitério do Prado do Repouso;
ORGANIZAÇÃO: Associação Cívica e Cultural 31 de Janeiro.


10h00m – Cemitério do Prado do Repouso. Concentração na entrada do Largo Soares dos Reis;
 
10h30m – Cortejo com destino ao monumento aos Heróis 31 de JANEIRO de 1891 (portão do Largo Padre Baltazar Guedes);
 
11h00m – No monumento aos Heróis 31 de JANEIRO de 1891
 
Içar da bandeira e canto do Hino Nacional pelo Tenor João Miguel Gonçalves | Colocação de coroas de flores
 
Abertura da sessão pelo Presidente da Assembleia Geral da Associação 31 de JANEIRO, Dr. Carlos Nunes
 
Evocação dos “Heróis 31 de JANEIRO de 1891” pelo Prof. Doutor José de Faria Costa, Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e ex Provedor de Justiça (2013/17).
 
Intervenções das entidades:
 
Associação Nacional de Sargentos | Presidente da Direcção Associação Cívica e Cultural 31 de JANEIRO, Dr. Luís Cameirão | Presidente do Conselho da Área Metropolitana do Porto (a confirmar)  | Presidente da Assembleia Municipal do Porto, Dr. Miguel Pereira Leite
 
Hino Nacional | Vivas aos Heróis do 31 de JANEIRO e à República
 
J.M.M.

domingo, 30 de setembro de 2018

IN MEMORIAM FERNANDO FERNANDES [1934-2018]



Partiu de entre todos nós, FERNANDO FERNANDES, livreiro da mítica livraria portuense “Leitura” (com uma entrada na rua de Ceuta e outra pela rua José Falcão; foi fundada em Setembro de 1968 por Fernando Fernandes e José Carvalho Branco, silenciando-se só em 1999), um espaço de encontro, esperança e luta contra a ditadura, um local de culto que uma geração conheceu e venerou. Anos antes (1958) já Fernando Fernandes, o guardião dos livros, tinha decidido entrar no mundo dos livros, criando a livraria “Divulgação”.
Fernando Fernandes nasceu em Águeda e vem residir [em 1941; cf. Pedro Pereira Leite, Pela estrada larga: O Livreiro Fernando Fernandes e as memórias duma geração – texto que seguimos de perto e para qual remetemos a sua gostosa leitura] para a cidade do Porto, que muito amou. Órfão muito cedo, acedeu ao convite para dirigir a sessão de livros da papelaria Aviz. Tinha 18 anos e um especial assombro e entusiasmo pelo papel impresso. Estava traçado o seu destino nessa nobre “arte de vender livros”, da qual muitos dos livreiros herdaram muito do que sabem. O “poeta dos livros” marcou, seguramente, toda uma geração de livreiros.

Fernando Fernandes não era, porém, um simples e erudito livreiro, era um cidadão íntegro e de corpo inteiro, que vivia intensamente o seu tempo, por isso não espanta que tenha (em 1953) integrado o MUD Juvenil [idem, ibidem], combatendo com determinação a ditadura. Foi aí, porventura, pelas tertúlias culturais organizadas pela oposição, e onde participa, que lhe nasce esse gosto e entrega pelo serviço público cultural, ornamento do seu negócio do livro.    

Foi preso (1955), internado no hospital psiquiátrico [Conde Ferreira; idem ibidem] e julgado no célebre processo [o seu advogado era Alexandre Babo] que levou à prisão 52 democratas do Porto, na violenta repressão salazarista que se abateu contra os estudantes universitários do Porto, e que culminou na proibição legal (1957) do MUD Juvenil. Sai em liberdade e regressa à sua secção de livros da papelaria Aviz.   
Em 1958, na sequência da sua colaboração com o movimento cívico “Convívio” [que editava os cadernos Convívio, como depois publicava livros; tinha os bons auspícios de Afonso Cautela], vendendo no seu estabelecimento as suas edições, foi-lhe feito a proposta de criar uma livraria, convidando Fernando Fernandes para a sua direção. Fernando Fernandes depois de muita hesitação [“foi a decisão mais difícil da minha vida” – ibidem] deixou o trabalho na papelaria Aviz (com alguma tristeza, pela sua grande amizade com o proprietário, Manuel Camanho) e funda em Junho a livraria “Divulgação”, “na esquina da rua de Ceuta nº 88, com a rua José Falcão. Como novidade, a nova livraria organizava-se com secções temáticas, publica um boletim bibliográfico mensal, patrocinava sessões de autógrafos com escritores, tinha uma galeria de arte e secção de discos, organiza exposições bibliográficas [como aquela organizada em 1963, por José Augusto Seabra, sobre o vate Fernando Pessoa, e que ficaria célebre pelo incidente verificado com o dr. Pedro Veiga (Petrus), e que não cumpre aqui referir]. Tudo isso era notoriamente inovador, pelo que desde o seu início foi um centro dinamizador cultural da cidade e um local conotado com o reviralhismo conspirativo e a oposição à ditadura. A Divulgação abriu mesmo duas livrarias mais, uma (1964) em Lisboa e outra em Viana do Castelo, o que de certo modo originou problemas financeiros que se foram agravando, levando ao encerramento da livraria em 1968 [sobre este assunto ver Pedro Pereira Leite, ibidem].



Fernando Fernandes não desiste e, com o apoio de Jaime Castelo Branco (que se torna seu sócio) reabre a livraria [recuperando-a da tutela da Bertrand], agora com o nome de “Livraria Leitura”. De novo impera o mesmo espírito de amor aos livros e tributo aos seus ledores, a mesma “referência da elite intelectual do Porto”, pelo que floresce e alarga-se a outras zonas e regiões (caso de Aveiro).  Até ao 25 de Abril de 1974, foi objeto contínuo de vigilância da PIDE, mas mesmo assim lá se encontravam os inúmeros opúsculos, textos e livros proibidos de circular pela censura, continuando a ser um local de paragem obrigatória ao cidadão democrata e livre, uma espaço de tertúlia cultural e de fraternidade. Em 1998 Fernando Fernandes reforma-se, “descontente com o rumo que estava a ser seguido pelo mercado livreiro, com a emergência de novos espaços comerciais, onde nem sempre o livro é tratado com a devida deferência”. Em 2017, Fernando Fernandes leiloa a sua estimada biblioteca (o Catálogo com a colaboração de Armando Alves e Albano Martins) e sua colecção de Arte.
Morre a 30 de Setembro de 2018.

[NOTA: agradecimento especial a Pedro Baptista]
J.M.M.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

GLÓRIA AOS REVOLUCIONÁRIOS DE 31 DE JANEIRO DE 1891



 
Glória ao 31 de Janeiro de 1891
 

A revolução republicana de 31 de Janeiro de 1891, na cidade do Porto, foi a primeira das várias “manifestações revolucionárias” visando implantar a República. Essencialmente militar (contando com o apoio de civis), a revolta republicana foi, passe o seu insucesso, um dos muitos “gritos patrióticos” erguidos contra a degradação da situação política, social e económica do final da monarquia, sendo, sem dúvida, uma data histórica de luta e paixão pelo ideário republicano em Portugal. Como tal faz parte do vasto património revolucionário republicano e democrático.

 
“Eu meu Senhor, não sei o que é a República, mas não pode deixar de se uma coisa santa. Nunca na Igreja senti calafrio assim. Perdi a cabeça então como os outros todos. Todos a perdemos. Atirámos então as barretinas ao ar. Gritámos todos: Viva, Viva, Viva a República” [testemunho, em tribunal, de um soldado implicado no movimento]
J.M.M.

domingo, 21 de janeiro de 2018

22 DE JANEIRO DE 2018 - VIVA O SINÉDRIO - BICENTENÁRIO DA SUA FUNDAÇÃO


 
VIVA O SINÉDRIO
 
*
 
22 Janeiro 1818/2018 - Bicentenário da Fundação do Sinédrio
 
Jornal publicado pela Editorial Moura Pinto | Pró-Associação 8 de Maio
a ser distribuído gratuitamente no dia 22 de Janeiro de 2018, na cidade do Porto
 
[clicar nas imagens para ler]
 
J.M.M.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

CONFERÊNCIA / DEBATE – CORRUPÇÃO, TRANSPARÊNCIA E DEMOCRACIA


 


DIA: 18 de Fevereiro 2017 (15,00 horas);
LOCAL: Casa do Infante [Rua Alfandega, 10, Porto];
ORADORES: José Adelino Maltez; Ricardo Cardoso; Rui Moreira e Alberto Martins;

ORGANIZAÇÃO: Associação 31 de Janeiro, Associação Promotora do Livre Pensamento e Ateneu Comercial do Porto.

J.M.M.

domingo, 29 de janeiro de 2017

SANTOS CARDOSO (HENRIQUE JOSÉ DOS) – NOTA BREVE SOBRE UM DOS REVOLUCIONÁRIOS DO 31 DE JANEIRO DE 1891


 
Henrique José dos Santos Cardoso
 
Henrique José dos Santos Cardoso nasceu em Santa Comba de Vilariça, concelho de Vila Flor (distrito de Bragança) a 21 de Abril de 1842 [cf. Memórias do Abade de Baçal, tomo VII, p. 78; no Portugal Diccionario Historico, de Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, vol VI, p. 651, é referido o ano de 1843]. Era filho de João José dos Santos Cardoso e Teresa de Jesus, proprietários, naturais de Castro (concelho de Chaves).

Teve Santos Cardoso um filho [Henrique José dos Santos Cardoso], nascido no Porto a 3 de Novembro de 1870 e assassinado em Lisboa [“atingido pelas costas” por um tiro disparado quase em frente ao teatro de S. Carlos, na rua Paiva de Andrade, por elementos hostis ao Partido Republicano Português (refira-se que um dos presos, presumível coautor do crime, o operário do Arsenal Francisco Henrique de Morais, se suicidou na esquadra da travessa das Almas) quando se dirigia (juntamente com Alexandre Braga e Artur Costa) para a sede do PRP, para uma reunião do Diretório] em 28 de Fevereiro de 1915 [o seu funeral decorreu na cidade do Porto, estando presentes, na imponentíssima manifestação fúnebre para o cemitério do Repouso, inúmeros centros e grémios republicanos, vultos republicanos nacionais, entre eles o dr. Afonso Costa e Alexandre Braga]. Foi assistente de Química no Instituo Comercial e Industrial do Porto, desempenhou diversos cargos públicos e era deputado do PRP (eleito por Vila Nova de Gaia) na data do seu assassinato. Como seu pai, era um vigoroso republicano, jornalista (no jornal A Pátria), notável polemista e estimado bibliófilo.  

Henrique José dos Santos Cardoso (pai) foi barbeiro na sua terra natal antes de partir para o Porto, onde fixa residência [cf. Memórias do Abade de Baçal, ibidem] e estabelece o seu negócio, ao mesmo tempo que se torna um dos mais vigorosos jornalistas populares. De “hercúlea corpulência, as suas barbas infinitamente compridas, o seu grosso bengalão e, sobretudo, a virulência dos seus escritos, trouxeram por muito tempo aterrada a cidade do Porto” [ibidem].

Republicano (foi eleito para o Diretório do Centro Eleitoral Republicano do Porto, em 1878; participa, publicamente nas manifestações republicanas, presidindo mesmo a um comício anti-jesuítico no ano de 1888) e jacobino, é proprietário, fundador e redactor do periódico “A Justiça Portuguesa” [nº espécimen, 2 de Agosto de 1880 ao nº 727, de 25 de Junho de 1894 – suspendeu a publicação entre 16 de Janeiro de 1891 a Outubro de 1893; impresso na Typ. Alliança, depois na Typ Occidental, Porto], onde escreveu as mais “tenazes campanhas contra as instituições monárquicas” [Portugal Diccionario Historico, ibidem]. Tal atitude carreou-lhe inúmeros inimigos e a fama dos que professavam as “ideias avançadas” do republicanismo, apesar da maledicência e truculência que exercia nos seus escritos e na acção política [sobre esta questão em torno de Santos Cardoso, ver João Chagas & Ex-Tenente Coelho, “História da Revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891”, 1978, reed., p. 67-83; consultar, também, as diversas referências a Santos Cardoso em Guilherme Martins Rodrigues Sampaio, “A ideia federalista em Augusto Manuel Alves da Veiga 1850-1924”, obra de mestrado em História Contemporânea, FLUL, 2009), principalmente p.70 e ss.; consultar, ainda, o trabalho de Fernando de Sousa, A revolta de 31 de Janeiro de 1981]

Foi Santos Cardoso o “braço direito” de [Augusto Manuel] Alves da Veiga

[advogado, publicista, militante republicano federalista, fundador da primeira agremiação republicana do Porto (1876: trata-se do Centro Republicano Democrático do Porto, com sede na rua de S. Bento da Vitória, curiosamente no rés-do-chão da casa de habitação de Sampaio Bruno; refira-se que o Centro mudou de nome, passando a denominar-se Centro Eleitoral Republicano Democrático do Porto, em 1877, onde passou a pontificar Rodrigues de Feitas; aliás, Alves da Veiga foi o autor do seu “Manifesto” – sobre Alves da Veiga e o Centro Republicano, consultar, ainda, Guilherme Martins Rodrigues Sampaio, ob. cit.), importante maçon portuense e o chefe civil da revolta republicana do 31 de Janeiro de 1891],

tendo entrado com ele, no dia 31 de Janeiro de 1891, no edifico da Câmara Municipal, onde Alves da Veiga declara deposta a monarquia. Na verdade, foi (a partir de Agosto de 1890) na casa comercial do Santos Cardoso que muitos elementos da guarda-fiscal foram instruídos para a revolta republicana do Porto, aliciados pelo jornal “O Sargento” [Órgão dos Oficiais Inferiores do Exercito Português]. Diga-se que por detrás desse movimento republicano conspirativo estava João Chagas - que cedo compreendeu a importância moral e cívica de Alves da Veiga para coordenar a revolta - e o seu jornal “A Republica Portuguesa”. Por último, diga-se que terá sido o próprio João Chagas que “teve a ideia em Setembro (1890) de encarregar Santos Cardoso da agremiação dos sargentos – vide Guilherme Martins Rodrigues Sampaio, op. cit., p. 72].
 
   
Foi, portanto, Santos Cardoso um dos instigadores da revolta, um elemento valioso num certo período de tempo, muito embora com as limitações, demagogia, erros e a postura pouco moral - que lhe foi apontada por João Chagas, in História da Revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891, ibidem - e passe os termos depreciativos com que o virulento [Francisco] Homem Cristo [então tenente e chefe do Diretório Republicano de Lisboa, aliás líder da facção conservadora dos republicanos; Homem Cristo, que era contra a tentativa de rebelião do Porto, inclusive considerava-a como uma “provocação monárquica”, ao ponto de publicar no jornal “Debates” de 27 de Janeiro de 1891 um artigo em que atacava Alves da Veiga e Santos Cardoso, pedindo aos republicanos para que não dessem créditos aos dois – citado por Guilherme Martins Rodrigues Sampaio, op. cit., p. 79; idem por Fernando Sousa, ob. cit.] o apodou - como ter praticado actos cobardes e denunciando camaradas -, no seu livro “Os Acontecimentos de 31 de Janeiro e a minha prisão, Lisboa, 1891, que aliás carecem de ser confirmados.

Na brutal “ressaca” da revolta frustrada do 31 de Janeiro de 1891, de que resultou inúmeros mortos e estropiados entre os revoltosos, tendo que os melhores quadros republicanos sofrido pesadas humilhações entre o exílio (caso de Alves da Veiga, António Claro, Basílio Teles, Sampaio Bruno), a prisão e o degredo (João Chagas, Santos Cardoso, capitão Leitão, tenente Coelho e outros mais).

Santos Cardoso foi condenado, no conselho de guerra de Leixões a uma pena de prisão maior celular, por quatro anos, seguidos de degredo por oito. Pela amnistia de Fevereiro de 1893 regressou a Portugal e retomou o seu jornal, A Justiça Portugueza, agora fustigando os antigos correligionários.    

Escreveu Santos Cardoso: “Verdades de Sangue, com dois juízos críticos pelos Exmos Snrs. Drs Alves da Veiga e Pedro Amorim Viana (tem o retrato do autor), Porto, Tip. Ocidental, 1877, p. 92; “Verdades de Sangue. Escândalo Bancário, história dos acontecimentos da crise monetária e bancária de 1875 a 1877. Porto, Tip. de Alexandre da Fonseca Vasconcelos, 1878, p. 128 [ um anunciado 3º volume, não saiu].

Henrique José dos Santos Cardoso viveu algum tempo em Lisboa, regressando ao Porto quando a doença o atingiu. Morreu em Vizela, a 5 de Agosto de 1899.

J.M.M.