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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

[EXPOSIÇÃO] CENTENÁRIO DO JORNAL “A BATALHA”



Centenário do jornal “A Batalha”

DIA: 9 de Outubro de 2019 (17,00 horas) a 27 de Dezembro de 2019;

LOCAL: Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal (Campo Grande, 83, Lisboa);

ORGANIZAÇÃO: Jornal A Batalha.

PROGRAMA do dia 9 de Outubro

17,00 horas – Inauguração da Exposição;

18,00 horas – Lançamento da obra  [reedição] de Jacinto Baptista, “Surgindo vem ao longe a nova Aurora... Para a história do diário sindicalista A Batalha / 1919-1927" (1ª ed., Lisboa, Livraria Bertrand, 1977, 214 p.)

Apresentação do Prof. António Ventura

► “No âmbito das comemorações do centenário do jornal A Batalha, inaugura no próximo dia 9 de Outubro uma exposição na Biblioteca Nacional, com curadoria de António Baião (CEPS), António Cândido Franco (UÉvora) e João Freire (ISCTE-IUL), patente até ao dia 27 de Dezembro.

Através de material em boa medida inédito ou inacessível, esta exposição dará conta de uma história rica em acontecimentos e transformações, desde o período em que o jornal foi órgão da Confederação Geral do Trabalho e principal voz do anarco-sindicalismo em Portugal (1919-1927) até ao ressurgimento no pós-25 de Abril e ao momento presente, em que, renovado, se assume como «jornal de expressão anarquista».

Ocorre também este ano a efeméride dos 45 anos de criação da revista A Ideia, recordando-se aqui igualmente a sua trajetória, desde Paris, em abril de 1974, até ao atual n.º 84/85/86 como «revista de cultura libertária».

A inauguração terá lugar a partir das 17h00 no Auditório da Biblioteca Nacional, com entrada livre, seguindo-se, às 18h00, a apresentação da reedição de "Surgindo vem ao longe a nova Aurora...", uma história dos primeiros anos deste jornal da autoria de Jacinto Baptista, uma edição conjunta entre a Letra Livre e A Batalha.

Esperamos por ti! Saudações libertárias”

VER O PROGRAMA AQUI

J.M.M.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

LANÇAMENTO DA REVISTA “A IDEIA” Nº 84/86 (2018) E EVOCAÇÃO DO JORNAL “A BATALHA”




Pastas Temáticas: Surrealismo em Portugal & Agostinho da Silva;

Colaboração/Textos: Agostinho da Silva, António Cândido Franco, Carlos Mota de Oliveira, Cruzeiro Seixas, E. de Melo e Castro, Guy Girard, Grupo Surrealista de Madrid, Grupo Surrealista de Paris, Laurens Vancrevel, Manuel da Silva Ramos, Maria Paiva, Mário Botas, Mário Cesariny Rimbaud, …  

LANÇAMENTO & EVOCAÇÃO DO CENTENÁRIO DO JORNAL “A BATALHA”


DIA: 26 de Janeiro (15,00 horas);

LOCAL: Museu do Aljube - Resistência e Liberdade (R. Augusto Rosa, 42), Lisboa;
ORADORES: Pedro Martins | António Ventura (prof. FLUL) | António Baião
 
"O volume 84-86 (2018) da revista A Ideia  tem as mesmas características do volume anterior e será apresentado na tarde do dia 26 de Janeiro de 2019 no Museu do Aljube, em Lisboa, numa sessão em que evocaremos a dimensão libertária de Agostinho da Silva e o centenário de nascimento do jornal operário A Batalha, com uma palestra do historiador António Ventura e uma intervenção dum dos actuais redactores da folha, António Baião.” [AQUI]
 
 
J.M.M.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

UM HOMEM LIVRE, SEVERINO DE CARVALHO E O MOVIMENTO CULTURAL ANARQUISTA



LIVRO: Um Homem Livre, Severino de Carvalho e o Movimento Cultural Anarquista na transição do século XIX para o século XX  (1887-1914);
AUTOR: Carlos Moura-Carvalho;


EDIÇÃO: Alêtheia Editores, 2018, 160 pp.

Um Homem Livre aborda a participação de Severino de Carvalho, bisavô do autor, no movimento cultural anarquista do começo do século XX, em especial na criação do Teatro Livre (1902-08), cujo mote era “Redimir pela Arte, vencer pela Educação”, e na implementação, a partir de 1910, de um modelo de ensino inovador na Escola Oficina n.º 1 na Graça, em Lisboa.
 
Explorando as semelhanças entre o contexto político, económico, social e cultural e as soluções para a mudança, do começo do século XX com a actualidade, o autor descreve a inspirada estratégia de atuação do movimento anarquista da altura e a enorme coragem e liberdade dos seus membros, que descrentes do sistema, escolheram a cultura como ferramentas para a mudança, com resultados surpreendentes.
 
Carlos Moura-Carvalho (1967) nasceu em Lisboa, é licenciado em Direito, pós-graduado em Estudos Europeus e em Direito da Sociedade da Informação e trabalha há mais de 20 anos na área da cultura, dos direitos humanos e da propriedade intelectual. Foi advogado, gestor cultural, director geral das artes, administrador da Tóbis Portuguesa, director da Câmara Municipal de Lisboa responsável pelo projecto Alta de Lisboa, membro da Comissão de Classificação de Espetáculos, da Comissão Nacional de Direitos Humanos e de diversas organizações cívicas e movimentos de cidadãos.[AQUI]

J.M.M.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O SÉCULO XX EM REVISTA(S)



O Século XX em Revista(s)” – por Luís Miguel Queirós, in Jornal “Público
As quatro principais revistas históricas do movimento anarco-sindicalista português juntam-se este sábado a outras importantes publicações já colocadas online pelo portal Revistas de Ideias e Cultura, uma gigantesca base de dados que abre à navegação digital aquelas que foram as grandes montras culturais do século XX.
As duas séries d’A Sementeira (1908-19), a Germinal (1916-17), o suplemento d’A Batalha (1923-27) e a Renovação (1925-26), quatro revistas fundamentais para a história da disseminação do ideário anarquista e do desenvolvimento do movimento anarco-sindicalista português ao longo das primeiras décadas do século XX, já podem ser integralmente consultadas e pesquisadas online. É a mais recente expansão do portal Revistas de Ideias e Cultura (RIC), um ambicioso projecto dirigido por Luís Andrade e desenvolvido pelo Seminário de História das Ideias do Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em parceria com a Biblioteca Nacional e a Fundação Mário Soares.
O objectivo, explica Luís Andrade, professor de Filosofia da Universidade Nova, é “fazer o mapeamento da cultura portuguesa do século XX a partir da análise sistemática do conteúdo das revistas tidas por mais significativas”.
Mais do que um arquivo digital, o RIC é uma base de dados dotada de sofisticadas ferramentas de pesquisa e que permite ao leitor ou investigador não apenas aceder ao conteúdo integral das diferentes publicações, mas também consultá-lo a partir de uma série de critérios que podem cruzar-se numa mesma busca e que incluem índices de autores (quer de textos, quer de ilustrações), conceitos (por exemplo, anarquismo), assuntos (por exemplo, I Guerra Mundial), nomes citados (distinguindo os singulares e os colectivos), obras citadas ou nomes geográficos.


Suponhamos que o leitor está interessado em textos que abordem a I Guerra Mundial: se fizer uma pesquisa geral no portal, encontrará 2153 artigos, distribuídos por várias revistas, que incluem quer as publicações anarquistas já referidas, quer outras como A Águia, a Seara Nova ou a Atlântida, para citar apenas algumas. Mas também pode pesquisar o mesmo assunto apenas numa revista específica, ou cruzá-lo com outros critérios. E se a Grande Guerra é um assunto de que naturalmente trataram todas as publicações da época, se procurar um tópico bastante menos óbvio, como, digamos, o haxixe, descobrirá com provável surpresa que Sampaio Bruno discorreu sobre esta substância num artigo intitulado O Tabaco… em Heródoto, publicado em 1913 n’A Águia.


(…) Com uma pequena equipa permanente – que inclui, além do seu coordenador, um editor executivo, um documentalista, um informático, uma analista de dados estatísticos e uma webdesigner –, mas contando com o auxílio de investigadores especializados para cada uma das revistas a publicar, a estratégia do portal tem sido a de se focar em sucessivos movimentos culturais ou ideológicos para dar prioridade às principais revistas que lhes estão associadas. Antes de se debruçar sobre as publicações anarquistas, o site já disponibilizara online as revistas relacionadas com o movimento cultural da Renascença Portuguesa, como a Nova Silva, A Águia ou A Vida Portuguesa, ou ainda as principais publicações associadas ao primeiro modernismo, como Orpheu, Portugal Futurista, Sphinx, Exílio, Centauro e Eh Real!.
E por vezes não se trata apenas de poupar aos investigadores, ou a simples curiosos, muitas horas a preencher pedidos em bibliotecas. Alguns dos números agora digitalizados e consultáveis estão em falta nas várias bibliotecas públicas. Exemplo disso mesmo é a célebre e raríssima edição 11/12 da 4.ª série d’A Águia, de 1929, que foi apreendida ainda na tipografia porque denunciava um plágio de Gustavo Cordeiro Ramos, ministro da Instrução Pública em sucessivos governos da ditadura militar e no início do Estado Novo. “Só está representado na Biblioteca Nacional por um postal onde se informa que este número não foi posto à venda por motivos imprevistos”, diz Luís Andrade.


Outra façanha de monta deste portal foi a digitalização integral da Seara Nova, abarcando todas as suas (muito) diversas fases, desde a fundação, em 1921, até 1984, num total de 1604 números, correspondentes a 31.500 páginas e a cerca de 21.500 peças de mais de três mil autores.
Para cada uma das revistas publicadas, o interessado encontra não apenas a reprodução digital de todos os números, mas também apresentações que procuram caracterizá-la e situá-la no seu contexto histórico, secções que reúnem os seus manifestos e outros textos de dimensão programática, uma antologia de literatura passiva sobre a publicação em causa e alguns estudos reproduzidos em texto integral.
Há também uma secção autónoma dedicada às polémicas, um modo de discussão pública aliás muito característico das revistas, e que só por aproximação corresponde àquilo a que hoje se chama uma polémica na imprensa ou nas redes sociais. Luís Andrade recorda, por exemplo, a famosa controvérsia entre António Sérgio e Pascoaes, nas páginas d’A Águia, a propósito do saudosismo, ou “a discussão entre Álvaro Cunhal e José Régio acerca do significado social da literatura”, na Seara Nova. Mas também nas revistas anarquistas agora digitalizadas se encontram polémicas, designadamente as que ilustram o confronto de posições perante a Grande Guerra ou a Revolução de Outubro.
A barra de navegação inclui ainda um “magasin”, que joga foneticamente com “magazine” (revista), mas que aqui alude mais a um tipo de armazém comercial ecléctico, onde se vende um pouco de tudo. É nesta secção que se acumulam todos os materiais que, não pertencendo formalmente às revistas em causa, a elas estão directamente ligados, como as separatas, ou que permitem conhecer melhor a respectiva história, como a correspondência travada entre os seus fundadores, testemunhos diversos e outros documentos. No magasinda Seara Nova é possível encontrar, salienta Luís Andrade, “vários dossiers do seu arquivo editorial, até agora inéditos”.
Obra em aberto e em constante expansão, o portal anuncia já também na sua homepage os vários títulos que deverão ficar disponíveis ainda este ano e que incluem a magnífica Contemporânea, dirigida por José Pacheko entre 1922 e 1926, com um primeiro número isolado saído em 1915. Ilustrada por artistas como Almada Negreiros, Stuart Carvalhais, Eduardo Viana ou Dórdio Gomes, contou entre os seus colaboradores literários com nomes como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro ou Aquilino Ribeiro
Outra importante publicação prometida para este ano é O Tempo e o Modo, fundada em 1963 por um grupo de católicos progressistas como Alçada Baptista, Bénard da Costa, Pedro Tamen ou Nuno de Bragança. Está ainda prevista a digitalização de Alma Nacional, uma revista republicana lançada literalmente nas vésperas da queda da monarquia, e de outras publicações do início do século XX, como Dionysos, dirigida em Coimbra por Aarão de Lacerda, ou A Renascença, de Lisboa. Sol Nascente, dos anos 30, ligada ao neo-realismo, e a mais recente Raiz e Utopia, já do pós-25 de Abril, são outros títulos previstos para 2018. E o Revista de Ideias e Cultura pretende começar a apostar também em publicações com motivações mais específicas, como a revista feminista Sociedade Futura, dirigida por Ana de Castro Osório, ou A Construção Moderna, que considera “uma peça fundamental da cultura arquitectónica e urbana das duas primeiras décadas do século XX”.
Já a decisão de criar estes quatro novos sites agora consagrados às revistas anarquistas ficou também a dever-se ao desejo de “repor a memória de uma das correntes principais do pensamento e da intervenção social do século XX, remetida ao esquecimento de forma pouco inocente após a revolta da Marinha Grande de 18 de Janeiro de 1934”, diz Luís Andrade, numa provável alusão ao modo como o PCP veio a reescrever a história desse levantamento, que acabaria por marcar o fim da predominância do anarco-sindicalismo no movimento operário.
Mas não só os que se interessam pelo anarquismo terão boas razões para consultar estas revistas. Uma rápida consulta aos dados estatísticos que acompanham, em secção própria, cada um destes títulos, permite verificar, por exemplo, que os apreciadores de Ferreira de Castro encontrarão aqui nada menos do que 181 artigos dispersos assinados pelo romancista, a maior parte no suplemento d’A Batalha, mas também na Renovação. E os apaixonados pela ilustração podem deliciar-se com as dezenas de trabalhos criados para as mesmas revistas por Stuart Carvalhais ou pelo notável Roberto Nobre, que acumulava as artes gráficas com a crítica de cinema.
Estes levantamentos de ocorrências estão também cheios de surpresas: quem diria, por exemplo, que o nome mais citado nas duas já referidas revistas da Confederação Geral do Trabalho é o de Jesus Cristo, ou que a obra mais citada n’A Águia foi a revista Mercure de France? Mas estes resultados imprevistos, se podem ser mais ou menos anedóticos, ou ter explicações prosaicas, também “fornecem a informação necessária quer para testar as leituras correntemente aceites, quer para suscitar interrogações até hoje não formuladas” sobre estas revistas e movimentos, observa Luís Andrade. O que torna este portal uma ferramenta doravante indispensável para quem queira estudar umas e outros.
O Século XX em Revista(s) – por Luís Miguel Queirós, Jornal Público, 31 de Março de 2018, pp. 24/25 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

REVISTA DE CULTURA LIBERTÁRIA - “A IDEIA” Nº81/83



A IDEIA. Revista de Cultura Libertária. II Série, Outono de 2017, nº 81-83 (número triplo, Dezembro 2017); Director: António Cândido Franco; Consultor Editorial: Artur Cruzeiro Seixas; Editor Gráfico: Luís Pires dos Reys; Impressão: Europress; Lisboa; 2017, 320 p.

“A Ideia regressa em 2017 reafirmando a sua marca identitária entre as publicações portuguesas, até da área em que nasceu e se situa, através da atenção que consagra ao surrealismo como “caso de estudo” mas também como prática actuante e “modo de vida”. Além dos documentos e dos textos que o leitor pode encontrar neste número que se prendem com o conhecimento activo desse movimento e das suas figuras portuguesas, republicamos na secção “Leituras & Notas” o editorial do número duplo 30/31 d’ A Ideia (Outono, 1983), consagrado à criação picto-poética e que contou com o empenho de Mário Cesariny. Escrito e publicado há 34 anos, o texto não assinado mas redigido por Miguel Serras Pereira mostra a continuidade entre o passado e o presente desta revista e ilustra a seu modo o entusiasmo que desde há muito votamos ao surrealismo e às suas aspirações indeléveis de liberdade, de amor, de imaginação e de poesia.

Um século depois da revolução russa de 1917, com certeza o evento que mais marcou o desenvolvimento da história mundial no século XX, pareceu-nos indispensável, mais ainda numa publicação que teve como referencial de origem a cultura operária, reflectir sobre este acontecimento com as perspectivas e as ideias que nos são próprias. Ao longo das várias secções deste volume apresentamos um conjunto diverso de materiais sobre o evento, uns amplamente divulgados internacionalmente, mas deficientemente conhecidos entre nós, como os respeitantes à figura de Nestor Makno e aos sucessos de Cronstadt de Março de 1921, outros quase desconhecidos, como os que documentam o impacto da revolução russa na imprensa operária portuguesa da época – e numa altura em que o jornal A Batalha ainda juntava Bakunine, Kropotkine, Lenine e Trotsky. Neste capítulo, além dos estudos de Paulo Eduardo Guimarães e Gabriel Rui Silva, chamamos a atenção para o levantamento feito por António Baião, incidindo na revista A Sementeira, barómetro afinadíssimo dos eventos russos então em curso. Cumpre destacar a figura do operário caldeireiro Hilário Marques, director da publicação, de quem se republicam alguns dos editoriais então dados à estampa. São peças notáveis de independência, de espírito crítico e de perspicácia analítica, valores aliás comuns ao escol operário da época, formado nos valores emancipadores do sindicalismo libertário e todo notavelmente auto-didacta.

Por fim queremos assinalar a republicação do texto de José Pedro Zúquete, publicado pela primeira vez na revista Análise Social (n.º 221, vol. LI, 4.º trimestre, 2016, pp. 966-989), não por estarmos de acordo com tudo o que diz – estamos longe até dalguns enfoques – mas por nos parecer que pela primeira vez, ao menos nos tempos mais recentes, um texto exterior ao movimento, escrito por um jovem politólogo, a quem agradecemos a autorização que nos deu para reproduzir e comentar o seu trabalho, mostra um genuíno interesse pela história das nossas ideias e um rico e actualizado acervo de informações sobre uma parte do anarquismo contemporâneo, podendo assim tornar-se num ponto de reflexão interna. Daí o pedido que fizemos a dois históricos da revista, João Freire e Jorge Leandro Rosa, para comentarem o texto, que levanta porém questões – nas relações do anarquismo com a violência – que os dois comentários aqui publicados, que só comprometem os autores, não esgotam. É pois possível que a ele regressemos em próximo número. Os libertários bateram-se por uma sociedade livre e sem coacções e por isso há 100 anos não puderam seguir os rumos da revolução russa. Continuam hoje a desejar uma sociedade livre e cooperante, sem coacções, sem guerras, sem violências e por isso não podem aceitar a violência – a desobediência civil como Thoreau, Gandhi e Luther King a praticaram, mesmo quando ilegal, valendo por isso aos seus autores a cadeia, é eticamente irrepreensível – como ponto de partida da sociedade a que aspiram” [in Limiar, p. 7, da revista].

[Alguns Anotações Nossas]: António Baião [A Revolução Russa na Imprensa Operária e Libertária da I República - bibliografia], António Cândido Franco [Henry David Thoreau e a Moderna Tradição Libertária], [Conversa com Cruzeiro Seixas], [Correspondência de Fernando Alves dos Santos para Cruzeiro Seixas], [Correspondência de Luiz Pacheco para Fernando de Paços], [Correspondência Mário Cesariny/Natália Correia], Dossier Portugal Surrealismo, Emma Goldman [Recordações de Kropotkine], Gabriel Rui Silva [Manuel Ribeiro, Eduardo Metzner e a Revolução Russa de 1917], [Memorial de Cronstadt], Fernando J. B. Martinho [Virgílio Martinho: Poeta], Hilário Marques [Editoriais D’A Sementeira], Jaime Brasil [A Rússia dos Sovietes], Jaime Salazar Sampaio [textos … inéditos], João Freire [A Acção Anarquista Hoje e há um Século], João de Sousa [poema], José Maria Carvalho Ferreira [Contradições e Equívocos Históricos da Revolução Russa], José Pedro Zúquete [O Anarquismo está de volta?], Manuel da Silva Ramos [Baptista-Bastos Vivo e Indispensável], Miguel Real [Virgílio Martinho entre o surrealismo e o neo-realismo], Paulo Eduardo Guimarães [O Iconoclasmo Acrata e a Crise da Consciência Revolucionária em Portugal nos Anos 20], Risoleta C. Pinto Pedro [Jaime Salazar Sampaio – O Homem Drama].
J.M.M.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A UNIVERSIDADE LIVRE DE COIMBRA. DISCURSO PRONUNCIADO NA SUA SESSÃO INAUGURAL POR AURÉLIO QUINTANILHA




LIVRO: A Universidade Livre de Coimbra (reed. 1925);
AUTOR
: Aurélio Quintanilha; Prefácio de Paulo Archer de Carvalho
EDIÇÃO: Editora Lema d’Origem (2017); 

APOIOS: Pró-Associação 8 de Maio | União das Freguesias de Coimbra | GAAC | Ateneu de Coimbra




LANÇAMENTO DA OBRA:

DIA: 12 de Outubro 2017 (18,00 horas);
LOCAL: Casa Municipal da Cultura de Coimbra (R. Pedro Monteiro, 64);
ORADOR: Professor Doutor Carlos Fiolhais.

“A formação da Universidade Livre de Coimbra – Instituto de Educação Popular (ULC, 1925-1933) obedeceu ao estratégico desiderato de efectiva instrução pública complementar, gratuita, voluntária e demopédica que anima a acção programática das similares universidades populares que, entre nós e após a instauração da República, se possibilitaram e expandiram. Acção inscrita num movimento europeu muito vasto (Bélgica, França, Inglaterra) de congéneres universidades populares e livres (em rigor, não sinónimas, por vezes mesmo dicotómicas), originado após os meados do século XIX, do qual manterá no fundamental a matriz democrática e laica.

No específico contexto histórico marcado, contudo, pela derrisão da I República, a ULC representou um dos derradeiros programas práticos da militância laica e da livre solidariedade dos intelectuais com o operariado e o pequeno funcionalismo. Não admira, também por isso, que na sua plural circunstância fundadora convirja dúplice e indesmentível influência republicana e maçónica, concatenada na pedagogia, prática, dos direitos, liberdades e garantias fundamentais da cidadania: materializando reivindicações populares de acesso das mulheres à escolarização, de educação sexual, de higiene e implementação de infantários, na exigência de construção do ensino técnico profissional e na formação contínua dos formadores. Propostas estas que a Constituição da República Portuguesa de 1911 não asilara” [Paulo Archer de Carvalho, inAlgumas anotações póstumas: a apresentar a conferência e o conferencista”, p. 9-10]




Trata-se da reedição do raro e estimado opúsculo do cientista, investigador, professor, pedagogo, libertário e maçon, Aurélio Quintanilha (1892-1987) e que transcreve o discurso por si pronunciado na sessão inaugural da Universidade Livre de Coimbra, a 5 de Fevereiro de 1925, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

As Universidades Livres nascem do ideal civilizador, laico e republicano, de ser a instrução um factor, por excelência, de promoção social, moral e intelectual das camadas populares. A educação popular, o ensino e o amparo moral eram, assim, tomadas como “extensões universitárias” e onde os professores, saindo das suas “torres de marfim” uniam o intelectual ao “manual”, espalhavam conhecimentos e sábios ensinamentos, cumprindo o dever de formar e unir homens livres. De facto, os cursos livre, as conferências realizadas e as inúmeras atividades realizadas (visitas de estudo, excursões), despertaram grande interesse, e dizem que estávamos, sem dúvida, na presença do melhor e mais valioso escol intelectual da nossa Primeira República.

ANOTAÇÃO SOBRE AS UNIVERSIDADES LIVRES: a Universidade Livre do Porto aparece em Dezembro de 1903, renovando-se a partir de 1912, com o magistério de Leonardo Coimbra.

Por sua vez, após a terceira tentativa gorada, a Universidade Livre de Lisboa [que teve sede na Praça Luís de Camões, nº42, 2º, Lisboa] surge publicamente em 28 de Janeiro de 1912 [pelo esforço do deputado republicano, mutualista, associativista e benemérito Alexandre Ferreira (pai do poeta José Gomes Ferreira) e maçon (irmão “Verdade”, da Loja Montanha), e seu primeiro presidente e pela dinamização de Tomás Cabreira (propagandista da República, mais tarde ministro das Finanças, ele próprio maçon, o irmão Solon, iniciado na Loja Portugal, de Lisboa, e na altura integrando a Loja Marquês de Pombal]. A sua sessão inaugural decorreu no Coliseu de Lisboa (Rua da Palma) e contou com a presença do presidente da República, Manuel de Arriaga, Queiroz Veloso (diretor da Faculdade de Letras e que presidiu à sessão), capitão Simões Veiga, tenente-coronel Almeida Lima (da Faculdade de Ciências), Tomás da Fonseca (pelas Escolas Normais) e Carneiro de Moura (pela Escola Colonial). Usaram da palavra, além de Queiroz Veloso e Alexandre Ferreira, Agostinho Fortes, Rui Teles Palhinha e Carneiro de Moura. Publicou a Universidade Livre de Lisboa um curioso Boletim [nº1, Janeiro de 1914; em 1916 denomina-se Boletim Patriótico da Universidade Livre], tendo a dirigi-lo Alexandre Ferreira. Cessa, a Universidade de Lisboa, as suas atividades em Março de 1935. O seu valioso património foi legado à Sociedade “A Voz do Operário”.

Em Coimbra, a Universidade Livre, é fundada em 5 de Fevereiro de 1925 e tendo como fundadores, Joaquim de Carvalho, Adolfo de Freitas, Alberto Martins de Carvalho, Alcides de Oliveira, Almeida Costa, Álvaro Viana de Lemos, António Sousa, Aurélio Quintanilha, Darwin Castelhano, Floro Henriques, Manuel Reis e Tomás da Fonseca.

A Universidade Livre teve a sua delegacia na Figueira da Foz, com sessão inaugural a 5 de Abril de 1929 e realizada no salão Nobre dos Paços do Concelho. Abriu a sessão o dr. João Monsanto, lendo uma carta do dr. Joaquim de Carvalho, impossibilitado de marcar presença, estando na mesa o capitão Melo Cabral (presidente da Comissão Administrativa Municipal), José Nicolau Borges (secretário e representante do operariado figueirense) e Francisco Águas de Oliveira (pelo professorado), seguindo-se uma palestra pelo dr. Luís Carriço (figueirense e professor da UC) com o tema “Como se viajava dantes e como se viaja hoje em África”. A delegacia da Figueira da Foz teve a sua sede nas instalações da Biblioteca Municipal e a sua comissão executiva era constituída por António Vítor Guerra, Mário Dias Coimbra, Manuel Neves da Costa, Fausto Pereira de Almeida e Jaime Viana. Abriu, posteriormente, a delegacia, uma escola nocturna de Instrução Primária, bem como cursos de geometria e escrituração comercial, na sede da Associação dos Carpinteiros. Inaugurou, em 1932, uma biblioteca móvel. Comemorou, com dignidade, o 31 de Janeiro, o 5 de Outubro, o 1º de Dezembro de 1640, o centenário de João de Deus. Tomás da Fonseca, Manuel Jorge Cruz, Cristina Torres, Maurício Pinto, comandante Jaime Inso, dr. Rocha Brito, Alexandre Ferreira, Neves Rodrigues, Afonso Perdigão, Afonso Duarte, Manuel Mariano, Manuel Gaspar de Lemos, Fernando Correia, foram alguns dos palestrantes das inúmeras conferências realizadas.       

J.M.M.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

REVISTA DE CULTURA LIBERTÁRIA - “A IDEIA” Nº75/76



 Vai sair do prelo a revista de “cultura libertária” “A Ideia”, comemorando os 40 anos do seu nascimento. A revista “A Ideia” tem, nesta sua nova fase de vida (a revista suspende a sua publicação em 1991), a direcção de António Cândido Franco e irá no seu número duplo nº75/76 recensear curiosos temas, como “Surrealismo & satanismo poético”, “Tradição Mágica e Anarquia”, assim como irá prestar homenagem ao poeta (surrealista), escritor e teatrólogo Vírgilio Martinho (1928-1994), autor em destaque nesta edição.
  
LANÇAMENTO:

DIA: 19 de Dezembro (15,00 horas);
LOCAL: Museu do Aljube (Rua Augusto Rosa, 42, Lisboa);
ORADORES: João Freire, Rui Martinho (filho de V. Martinho), José Maria Carvalho Ferreira e Manuel Parreira da Silva – Apresentação de Jorge Leandro Rosa.

J.M.M.


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

PARA UMA HISTÓRIA DA REPRESSÃO DO ANARQUISMO EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX



LIVRO: Para uma História da Repressão do Anarquismo em Portugal no Século XIX seguido de «A Questão Anarchista»,  de Bernardo Lucas;
AUTOR: Luís Bigotte Chorão;
EDIÇÃO: Letra Livre, 2015, 138+39 pp

A Letra Livre edita «Para uma História da Repressão do Anarquismo em Portugal no Século XIX», de Luís Bigotte Chorão.

O autor, historiador do direito, tem como fio condutor o percurso do ilustre advogado portuense Bernardo Lucas e a sua célebre defesa dos anarquistas acusados no Porto ao abrigo da lei de 13 de Fevereiro de 1896, e que é pela primeira vez estudada entre nós. Esta lei reproduziu em Portugal as políticas repressivas de outros países, que tinham como alvo os anarquistas e o movimento operário e que culminaram numa conferência anti-anarquista em Roma, em 1898.

A brilhante defesa de Bernardo Lucas que levou à absolvição dos militantes anarquistas veio a ser publicada na revista A Ideia, editada no Porto em 1898, sob o título «A Questão Anarchista», que se reproduz em fac-símile.

«Sem que houvesse em Portugal razões de ordem pública que o justificassem, e sendo desconhecida entre nós – diferentemente do que sucedia em França e Espanha – a propaganda pelo acto, e naturalmente desconsiderando o discurso lombrosiano sobre os riscos da repressão, o ministro apresentou a 8 de Fevereiro de 1896 uma proposta de lei na Câmara dos Deputados que foi justificada pela “exigência imperiosa da segurança das pessoas e da propriedade”.

A nova lei destinava-se a “prevenir gravíssimos atentados contra a ordem social” e a “reprimir qualquer tentativa de propaganda de doutrinas subversivas” que provocassem ou incitassem à execução desses atentados. A comissão de legislação criminal logo se pronunciou, para observar que de há muito se vinha revelando em Portugal a existência do mal anarquista, “se bem que por formas relativamente atenuadas”. Porém, os acontecimentos recentes reclamavam, no entender da comissão, a existência de leis “eficazmente repressivas”.»

Para uma História da Repressão do Anarquismo em Portugal no Século XIX, de Luís Bigotte Chorão, seguido de «A Questão Anarchista», de Bernardo Lucas à VENDA na LIVRARIA LETRA LIVRE
 
J.M.M.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

AURORA - REVISTA MENSAL DE SOCIOLOGIA, SCIÊNCIA E ARTE


AURORA. Revista Mensal de Sociologia, Sciência e Arte. Ano I, nº 1 (Setembro 1929) ao Ano II, nº XIV (Outubro 1930); Administração e Redacção: Rua Cunha Espinheira, 131 A [depois, ao nº3, Largo da Póvoa, 9], Porto; Administrador: António Teixeira de Araújo; Editor: Fernando Barros; Director: Abílio Ribeiro; Impressão: Tipo-Lito de Gonçalves & Nogueira, Limitada (Porto); Porto; 1929-30, 14 numrs

Colaboração [Alguns Escritos de …]: A. Aulard, A. Sadier, Alexandre Herculano, Alice dos Reis Mendes, Antero de Quental, Aristides Ribeiro, Arnaldo S.[imões] Januário, B. Inácio, Camilo Castelo Branco, Camilo Pert, Carlos Brandt, Constantino de Figueiredo, Daneff, Delfim de Castro, Dostoiewski, Duarte Lima, Eduardo Casela, Eliseu Réclus, Ernesto Gil, ErricoMalatesta, Fialho de Almeida, Francisco Quintal, Francisco de Sade, G. Molinari, Guerra Junqueiro, Henri Martin, Henrique Nido, Hipólito Havel, Hugo Treni, J. M. Peres, João Serra, João Xavier de Matos, Joaquim Serra, Jacinto Benavente, Jean Grave, Joaquim Dicenta, José de Arruela, Júlio Dantas, Leon Trotsky, Lingelbach, Luís Falcão, Maria Montseny, Mário de Oliveira, MaurícioLachatre, Mayer Garção, Max Nettlau, Maximiano Rica, Medeiros e Albuquerque, [Meridional], Miguel Bakunine, Miguel Hernandez Sanchez, Neno Vasco, Oldemiro César, Pinheiro Chagas, Raul Brandão, Roberto das Neves, Rudolfo Rocker, Tomás da Fonseca, Vicente Garcia, Victor Hugo.


Trata-se de uma importante revista de ideário anarquista, publicada na cidade do Porto durante o tempo da Ditadura Militar, sob responsabilidade do grupo “A Comuna”, aliás do grupo “Propaganda Libertária” (grupo nascido em 1904 e que existe até 1925) que está na sua fundação. A revista – que publicou 14 números e foi encerrada pela PIDE em Outubro de 1930 – é o seguimento do periódico “A Aurora” (nascido da fusão entre o Grupo de Propaganda Libertária e o grupo Aurora Social) e do semanário “A Comuna” (Maio de 1920) e reagrupava, depois da repressão policial, os anarquistas da região do Porto.

Tinha como editor Fernando [de Oliveira Leite] Barros, serralheiro (apaixonado cinéfilo) e militante anarquista do Porto (fez parte do Comité de Propaganda e Organização Anarquista do Norte – 1923/1926), que foi preso a 3 de Outubro de 1930, e deportado [juntamente com “Aníbal Dantas, Anastácio Ramos, Manuel João, José Silva, Domingos Lopes Bibi, todos do Porto, e Mário Castelhano e outros, de Lisboa” – cf. Edgar Rodrigues, “A Oposição Libertária em Portugal 1939-1974”, Sementeira, 1982, p. 177] para os Açores, seguindo depois para Ilha da Madeira. Com o romper da revolta da Madeira (1931), tenta Fernando Barros regressar para o continente, mas, face ao fracasso da revolta, refugia-se em Espanha (Barcelona).
Como director da revista encontramos Abílio Ribeiro, dedicado militante anarquista, que tinha já antes colaborado no semanário comunista libertário do Porto com o título, “A Comuna” (1920-25?), tendo sido mesmo seu editor. Na reunião de resistência ao golpe militar de 28 de Maio de 1926, Abílio Ribeiro é o delegado da União Anarquista Portuguesa (UAP – declarada, pela Ditadura Militar, ilegal em 1929).

A qualidade de administrador está o operário gráfico (e secretário da UON e da CGT) António Teixeira de Araújo [1888-1965 – consultar a sua biografia na “Voz Anarquista”, nº17, Setembro de 1976], com intensa colaboração [usando numerosos pseudónimos] em periódicos anarquistas [como “A Batalha”, “Vanguarda Operária”, “Aurora; “A Comuna”]. Em 1908, António Teixeira de Araújo é um dos fundadores do grupo libertário “Verdade e Luz” (Coimbrões), mantendo o grupo uma escola de ensino livre [cf. Edgar Rodrigues, ibidem, p. 151], o Ateneu Sindicalista.
J.M.M.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

EDUARDO METZNER – VIDA E OBRA DE UM SEM-ABRIGO


AUTOR: Gabriel Rui Silva;
EDITORA: Licorne, 94 p.

APRESENTAÇÃO:

DIA: 20 de Fevereiro 2015 (16,00 horas)
LOCAL: Centro Cultural Casapiano (Biblioteca César da Silva), Lisboa.

Eduardo Metzner (20 de Março de 1886 – 20 de Fevereiro de 1922), aliás Eduardo Henrique  Metzner


[NOTA: fazemos ao post inicial uma importante corrigenda, da qual nos penitenciamos, no nome e na data de nascimento de Eduardo Metzner. Na verdade, as fontes oficiosaspor nós consultadas,  erradamente atribuem o nome completo de E. M. ao seu tio – Eduardo Henrique de Lima Metzner  -, o que não é verdadeiro. Gabriel Rui Silva teve a gentileza de nos chamar a atenção para tal facto, através de uma cordial missiva, que acompanhou com  o assento do (por si) biografado Eduardo H. Metzner. A nossa gratidão é total] .   
nasceu em Lisboa, foi aluno (nº 2753) da Casa Pia, jornalista, monárquico, libertário, boémio, revolucionário comunista [integrou a I Comissão Organizadora do Constituição do PCP, em Dezembro de 1920, com Manuel Ribeiro, campos Lima, Carlos Rates, António Peixe, entre outros, bem como fez parte dos Corpos Directivos do PCP, em Outubro de 1921, na sua Comissão Geral de Educação e Propaganda], iconoclasta, poeta – não necessariamente por esta ordem. Morreu com 33 anos, no Hospital de S. José, vítima da tuberculose, da cadaverização da vida, do pequeno mundo, uma vida de poesia, revolta e privações.    



Eduardo Metzner colaborou em diversos periódicos, como o jornal “A Revolta” (1909; foi seu director e proprietário), “A Pátria” (1921) e publicou prosa e versos talentosos: “O Agonizar da Monarquia” (1906, “Os Deportados” (1906), “Seditiosa Verbat” (1907), “A República é uma mentira: resposta ao opúsculo de Bernardino Machado ‘Só a República é verdade” (1908), “Herodes” (1910), “Falperra de Gorro Phrygio” (1912), “Panfletos Revolucionários” (1912), “Os Bárbaros do Norte” (1915), “Camões morto de fome; ao sr. Teóphilo Braga …” (s.d.), “A verdade acerca da revolução russa” (1919), “Diamantes negros” (Poemas, 1925, ed. póstuma)

Eduardo Metzner, para quem “a morte é uma noite de noivado” [E.M. dixit] está biografado por Gabriel Rui Silva. Agradecemos.

J.M.M.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

COLECÇÃO “A NOVELA VERMELHA” DO JORNAL “A BATALHA”


A NOVELA VERMELHA (Colecção): I Série, nº 1 ao nº X; II Série, nº 1 (Maio de 1922) ao nº II (Julho 1922); Editor: Secção Editorial d’A Batalha, Calçado do Combro, 38º-A, 2º, Lisboa, 1921-22, 12 numrs

Trata-se da mítica e rara (quando completa, 12 numrs) colecção de novelas do ideário anarquista, justamente denominada “A Novela Vermelha”, publicada na cidade do Lisboa, nos anos vinte, pela Secção Editorial do periódico “A Batalha”. Vendia-se ao preço avulso de $25 centavos e a série de 10 numrs 2$50.


Colaboração: Aquilino Ribeiro, Manuel Ribeiro, Nogueira de Brito, Mário Domingues, Sobral de Campos, Augusto Machado, Perfeito de Carvalho, Julião Quintinha, Jesus Peixoto, Gonçalves Correia, Cristiano Lima, etc.

NÚMEROS PUBLICADOS:
 
I Série:

Nº1 – A Expiação, por Manuel Ribeiro.
Nº2 – Sangue Fidalgo, por Nogueira da Brito.
Nº3 – Hugo, o Pintor, por Mário Domingues.
Nº4 – Dois Tiros, por Sobral de Campos.
Nº5 – Impossível Redenção, por A. Machado.
Nº6 – A Escola Nun’Álvares, por Cristiano Lima.
Nº7 – Anastácio José, por Mário Domingues.
Nº8 – A Sciência Redentora, por José Benedy.
Nº9 – O Mestre Geral, por Jesus Peixoto.
Nº10 – Dor Vitoriosa, por Julião Quintinha.

II Série:

Nº1 – Poder Redentor, por Manuel Ribeiro.
Nº2 – Não! Diz a lei, por Nogueira de Brito.

FOTO via Livros Antigos Gabriela Gouveia, com a devida vénia.
 
J.M.M.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A MENTIRA MONARCHICA - ALFREDO PIMENTA


ALFREDO PIMENTA, “A Mentira Monarchica: Analyse do Momento Actual da Politica Portugueza”, Centro Republicano de Coimbra, Coimbra, Imprensa Academica, 1906, 19-I p.

Este opusculo é o desenvolvimento logico d’um artigo na Resistencia publicado, em 25 de novembro d’este anno, sob o titulo — O bloco monarchico. O Centro Republicano de Coimbra, publicando este trabalho do sr. Alfredo Pimenta, não alimenta vaidades pessoais, mas manifesta tão só a sua vontade em contribuir, na medida das suas forças, para a reorganização nacional baseada em principios scientificos e progressivos. A decadencia politica a que chegamos, caracterisada tão claramente nas indecizões da realeza, está pedindo um ataque cerrado e constante, para que o velho regime dê logar ao advento de uma organisação nova e completamente harmonica com a s aspirações do paiz. Esse ataque ha-de ser feito, mesmo pelo seu caracter preparatorio para um movimento decisivo, pela imprensa, pelos comicios, pelos livros. Servindo-se d’esta occasião, o Centro Republicano de Coimbra, julga prestar um serviço ao paiz, publicando o presente trabalho

via In-libris   

Trata-se de um dos opúsculos, de juventude, do irrequieto Alfredo PimentaAQUI por nós referido -, nascido em terras de Penouços, alguns anos depois da sua aventura literária e de poetastro (o “EU” data de 1904). Alfredo Pimenta passou, sucessivamente, do anarquismo ao republicanismo radical

[esteve presente no Congresso Republicano de Coimbra de 1904, pertenceu aos estudantes “intransigentes” da greve académica de 1907 em Coimbra, foi chefe de gabinete do Ministro do Fomento no Governo Provisório da República chefiado por Duarte Leite, torna-se apoiante (1908) de António José de Almeida, redigindo o Manifesto Evolucionista de 1912, está, curiosamente, no centro de uma pendência entre o ofendido Afonso Costa e o director do jornal “República”, António José de Almeida, pelo artigo (12 de Junho de 1914) publicado nesse jornal, “O partido dos escândalos”, (cf. Política e Justiça na I República, de Luís Bigotte Chorão, vol 1, p. 389), é candidato a deputado nas eleições de 1913, abandona o partido em 1915],

muda para o campo monárquico (de que é um dos seus doutrinários), é deputado sidonista (1918), adere ao Integralismo (de que se afasta, mantendo a fidelidade a D. Manuel II e fundando a Acção Tradicionalista Portuguesa, depois Acção Realista), manifesta admiração confessa por Mussolini, torna-se germanófilo assumido e salazarista convicto [delicioso é a sua correspondência com venerado Oliveira Salazar – vide “Salazar e Alfredo Pimenta. Correspondência (1931-1950)”, com curioso prefácio de Manuel Braga da Cruz, Verbo, 2008].

Este opúsculo deve juntar-se outros publicados na sua idade libertária, como “O Fim da Monarchia” (1906) e “Factos Sociais” (1908).

FOTO via In-Libris

J.M.M.