Mostrar mensagens com a etiqueta Algarve. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Algarve. Mostrar todas as mensagens

sábado, 12 de outubro de 2019

120 ANOS DE MAÇONARIA NO ALGARVE (1816-1936)


LIVRO: 120 Anos de Maçonaria no Algarve (1816-1936);
AUTOR: António Ventura;
EDIÇÃO: Sul, Sol e Sal, Setembro de 2019, 520 p.

Este último trabalho do professor António Ventura compreende e descreve - desde a instalação da 1ª Loja de pedreiros-livres no Algarve (Loja Filantropia, 1816) até um ano depois da promulgação da célebre Lei nº 1901 de 21 de Maio de 1935 (Lei José Cabral), que ilegalizou e dissolveu as “sociedades secretas” - a fundação, expansão e consolidação da Ordem Maçónica na região algarvia. Obra copiosa, publicação virtuosa e recenseadora das oficinas neste período, está ornamentada com breves biografias dos seus obreiros, acompanhada de competentes fotografias. Pena é que o livro não apresente um imprescindível Índice Analítico, para uma necessária e rápida consulta.

Neste trabalho (considerado pelo autor “em aberto”) é possível observar que estamos presentes um conjunto de simples e desconhecidos cidadãos que viveram, amaram e souberam engrandecer os locais que habitaram. E por isso, alguns encontram-se evocados na “toponímia ou equipamentos públicos locais” e deste modo “reconhecidas na sua terra”. Outros, como o curioso caso do advogado republicano Basílio Lopes Pereira (o Irmão Fernão Vasques), natural de Mortágua e combatente contra a Ditadura e o Estado Novo, abundantemente referenciado como instalador do triângulo nº 333 de Castro Marim (pp. 84-92), estiveram na região para instalar oficinas da Obediência ou em trabalhos profissionais esporádicos. Por fim, a obra dá-nos conta de um vasto e importante grupo de maçons que pertenceram a oficinas fora da região algarvia, de proveitosa consulta. 

   


“Este livro começou a ser esboçado há anos atrás, numa conversa com o Engenheiro Luís Guerreiro, que entusiasticamente acarinhou o projecto. Infelizmente as Parcas não o deixaram ver a sua concretização.

Creio que é desnecessário salientar a importância dos estudos regionais e locais no contexto dos estudos históricos. Tendo um objecto mais limitado, em termos geográficos e eventualmente cronológicos, possibilitam um aprofundamento que pode e deve contribuir para o melhor conhecimento da História em geral. No que concerne à História da Maçonaria, fazer incidir o seu estudo sobre uma localidade ou uma região permitirá reconstituir as estruturas, as biografias e a acção dos maçons nas comunidades onde estavam inseridos e, a partir daí, traçar uma perspectiva mais ampla e precisa da Maçonaria a nível nacional. Essa dimensão local, já a encontrámos nos estudos pioneiros de Cabral do Nascimento [“Os Pedreiros-Livres na Inquisição e Corografia Insulana”, Lisboa, Arquivo Histórico da madeira, 1959], Aníbal de Passos e Sousa [“Subsídios para o estudo do movimento maçónico em Elvas”, Arquivo Transtagano, 2º ano, nº16, 30 de Agosto de 1934; “Devassas em Elvas no ano de 1823. A Devassa à conspiração de Agosto”, idem, nº 19, 30 de Outubro de 1934] e António Loja [A Luta do poder contra a Maçonaria. Quatro perseguições no Século XVIII, INCM, 1986] para citarmos apenas os mais antigos.

Para essa reconstituição, é fundamental a investigação e o cruzamento da documentação existente nos arquivos distritais e noutros arquivos locais, públicos e privados, familiares, de instituições como câmaras municipais, misericórdias, associações sindicais, religiosas, políticas, desportivas, mutualistas, de bombeiros, de beneficência, recreativas e culturais. Partindo do levantamento das estruturas maçónicas locais, com elementos normalmente sintéticos, imprecisos e até equívocos, o grande desafio é completar o mais possível as informações biográficas com recurso não só às fontes documentais mas também à bibliografia local, com destaque para as numerosas monografias publicadas nos finais do século XIX e primeiras décadas do seguinte, e a imprensa periódica. Com uma dificuldade acrescida: na sua maior parte, os maçons eram pessoas comuns que não ficaram na História, estando por isso mesmo ausentes das enciclopédias e dos dicionários biográficos. Muitas vezes, as únicas informações que encontramos são pequenas notas necrológicas publicadas num obscuro semanário regional […]

[…] Este é um livro em aberto, aguardando o contributo dos leitores para que, no futuro, se possam completar os percursos de vida aqui plasmados. Muitas das figuras consideradas neste trabalho notabilizaram-se nos mais diversos campos da vida nacional e local, ou simplesmente porque foram consagradas na toponímia local; no entanto, tratam-se na sua grande maioria, de pessoas desconhecidas. É totalmente errada a ideia de que a Maçonaria era formada por pessoas muito importantes política, social e economicamente. Na sua maior parte, eram comerciantes, caixeiros, empregados, funcionários públicos, ferroviários, tipógrafos, militares, professores do ensino primário, industriais, assalariados de todo o tipo que tinham de ter, entre outras, uma condição indispensável para a admissão: saber ler e escrever. Note-se gue o analfabetismo em Portugal era de 73% em 1900 e de 69% em 1911... […]

[…] Uma justificação para o título deste livro e para as suas balizas cronológicas: 1816 é o ano de levantamento de colunas da primeira Loja maçónica no Algarve; 1936, um ano após a proibição da Maçonaria em Portugal, porque comprovámos a existência de actividade maçónica documentada da Loja Estrela do Sul, de Olhão e dos Triângulos de Tavira, Castro Marim, Portimão e Loulé.



A primeira Loja algarvia surgiu em Lagos, em 1816, seguindo-se outra em Faro em 1822. Porquê naquelas duas localidades? Porque Lagos era uma importante praça militar e Faro a sede do bispado. Ambas desaparecem em 1823. Só a partir de 1841 voltamos a encontrar actividade maçónica na região, muito esporadicamente e com escassas informações. De facto, se temos elementos sobre as duas primeiras Lojas, o mesmo não acontece as 11 seguintes, identificadas entre 1841 e 1860, em Faro, Tavira, Lagos e Vila Real de Santo António. Sobre elas pouco mais sabemos além do nome e da data provável de fundação. É uma época volátil, com a proliferação de Obediências, algumas de curta duração, cisões e fusões, e, acima de tudo, uma falta tremenda de documentos que nos permitam reconstituir quadros de membros e acção. Por isso, as informações sobre essas Lojas são limitadas e muito incompletas, ficando a aguardar que, no futuro, aparecimento de novos documentos permita preencher vazios que não dizem em respeito apenas às Lojas do Algarve ...

A situação altera-se a partir de 1869, com a fundação do Grande Oriente Lusitano Unido Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa (GOLU). Se bem que não sejam abundantes os documentos dos seus primeiros anos, existe um Boletim, publicado com regularidade a partir daquele ano, e alguns textos impressos e manuscritos, nomeadamente mapas com as Lojas, estatísticas sobre entradas e saídas. Tudo o que sabemos da Loja Democracia, de Faro, fundada em 1872 e que laborou até 1877,encontramo-lo no Boletim. Infelizmente, não se conhecem registos de admissões, para essa época; o assento sistemático e centralizado dessas informações só começou a ser feito a partir de 1892, embora alguns retroactivamente. Por outro lado, os arquivos das Lojas perderam-se na sua quase totalidade, foram destruídos deliberadamente por razões de segurança, por incúria, ou então jazem olvidados em algum sótão, à espera de serem descobertos e salvos, como sucedeu em Olhão...

Entre 1892 e 1914,os registos são relativamente completos e fiáveis. Com a cisão de 1914,que provocou a saída de diversas Lojas do Rito Escocês do GOLU, perde-se a informação sobre essas Lojas dissidentes. Alguns elementos foram recuperados em 1926, data do regresso da grande parte dessas estruturas ao Grande Oriente Lusitano Unido em vésperas do 28 de Maio. Depois desta data, mais precisamente após 1928, com o endurecimento da Ditadura Militar, as revoltas contra ela e a repressão que se abateu sobre os que a contestaram de armas na mão e não só, perturbaram a vida da Maçonaria, o que provocou novas falhas nos registos até 1935, data da sua proibição em Portugal.

No que respeita às Oficinas do Algarve - Lojas e Triângulos - os elementos informativos são fiáveis a partir de 1899, com a tentativa falhada de criação de um Triângulo em Portimão. Depois, a partir do grande surto de 1904-1905, segue-se um novo momento de crescimento com a proclamação da República. Existiram estruturas maçónicas nos concelhos de Albufeira. Castro Marim, Faro, Lagos, Lagoa, Olhão, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António. Foram instaladas Lojas em Faro, Lagos, Loulé, Olhão, Silves, Tavira, e Vila Real de Santo António bem como Triângulos em Albufeira, Paderne, Castro Marim, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Olhão, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Algoz, Pera, S. Bartolomeu de Messines, Tavira e Vila Real de Santo António. Todas estiveram ligadas ao Grande Oriente Lusitano Unido Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa, com uma deriva: os Triângulos de Silves, Pera, Portimão e Tavira aderiram à cisão de 1914. Abordamos cada uma dessa; estruturas por ordem alfabética e cronológica, com as informações que foi possível reunir, quanto a fundação e extinção, actividade e membros. Neste último caso, as dificuldades em recolher dados biográficos é manifesta por se tratarem, como já referi, na maior parte dos casos, de pessoas que não ficaram na História. O mesmo sucedeu com as fotografias, mais fáceis de encontrar quando se trata de militares do Exército e da Marinha, mas mesmo assim com algumas falhas.

Finalmente, incluímos uma relação de algarvios que pertenceram a Lojas ou Triângulos fora do Algarve, apresentados por ordem alfabética do concelho de naturalidade. Haveria ainda a considerar outras situações muito mais difíceis de detectar: maçons naturais de outras regiões do país que se fixaram no Algarve, onde viveram e trabalharam. Um caso exemplar é o do Dr. Arnaldo Cardoso Vilhena (1907-1968), médico em Faro, onde deixou marca profunda como clínico e homem de cultura, consagrado na toponímia local. Pertenceu à Loja A Revolta, de Coimbra, onde ingressou em 15 de Janeiro de 1928, enquanto estudante de Medicina, com o nome simbólico de «Cristo».

Esperemos que este livro possa contribuir para o melhor conhecimento do Algarve e da sua História na época contemporânea"

[António Ventura, in Introdução ao livro, pp. 11-15]


J.M.M.
 
 

 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

[CONFERÊNCIA] “NOTAS SOBRE A PARTICIPAÇÃO DOS ALGARVIOS NA 1ª GUERRA MUNDIAL" – POR ARTUR BARRACOSA MENDONÇA


Notas sobre a participação dos Algarvios na 1ª Guerra Mundial


DIA: 28 de Junho de 2018 (18,00 horas);
LOCAL: Universidade do Algarve (Campus Universitário das Gambelas), Faro;
ORGANIZAÇÃO: CEPAC | Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.

► A Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve tem realizado nos últimos anos, com muito esclarecimento e vigor, o seu Curso Livre de História do Algarve, marco generoso para a divulgação da história local e regional. Os excelentes temas e trabalhos ali firmados - como foram, p.expl., “O Algarve e a I República” (2010), “Os centros históricos do Algarve” (2011), “O Algarve Rural” (2012), “Intelectuais no Algarve (Séculos XVIII e XIX)“ (2013), “As pescarias no Algarve” (2014), “O Património Industrial” (2015), “Património Islâmico“ (2016), “O Algarve e os descobrimentos” (2017) -  são subsídios incontornáveis e valiosos para o estudo, projeção e progresso da região.

Este ano, no seu XV Curso Livre de História do Algarve - que decorre ao longo do mês de Junho - o tema proposto foi “O Algarve e a Guerra”. As comunicações apresentadas têm sido dignas da consideração e interesse.

No próximo dia 28 de Junho (Quinta-Feira), pelas 18 horas, cumpre assistir ao curioso e estimado estudo do nosso correligionário de blog, Artur Barrocosa Mendonça, com o título “Notas sobre a participação dos Algarvios na 1ª Guerra Mundial”. O nosso companheiro irá proferir, decerto, uma lição sobre uma temática que lhe é muito grata e pelos seus dotes de investigador e comunicador será uma excelente jornada.   

A não perder.

J.M.M.

sexta-feira, 23 de março de 2018

VÍTIMAS DA DITADURA NO ALGARVE, POR IDALÉCIO SOARES


Amanhã, 24 de Março de 2018, na FNAC, em Faro, pelas 21.30 h, vai ser apresentada a obra de Idalécio Soares, com algumas notas sobre várias Vítimas da Ditadura no Algarve.

Pode ler-se na sinopse do livro:
Este é um livro sobre a ditadura que vigorou em Portugal entre 1926 e 1974 e sobre a polícia política que a serviu durante quase quarenta e oito anos. Manuel Paula Ventura, João Feliciano Galvão, José da Mónica e outros, cujas histórias se contam neste livro, foram alguns dos muitos milhares que viram as suas vidas prejudicadas, quando não abruptamente interrompidas por este regime. Com origens sociais, personalidades e percursos de vida muito diferentes, eles tiveram, todavia, algo em comum: o terem, em determinado momento das suas vidas, e independentemente das escolhas políticas que fizeram (ou não fizeram), sido apanhados pela malha apertada da ditadura e marcados com o seu ferrete. Quando ideias assentes no preconceito e no ódio ao outro, responsáveis por tragédias humanas inenarráveis, ganham de novo, perigosamente, lastro na Europa e noutras partes do mundo, quando essas mesmas ideias chegam ao poder na maior potência mundial, o combate pela preservação da memória histórica dos que delas foram vítimas é um ato de urgência, uma forma de não deixar que se repita. De dizer: NUNCA MAIS! Porque a ditadura existiu! Porque a polícia política existiu! Em Portugal. Entre 1926 e 1974.

Vai apresentar a obra o professor Joaquim Vieira Rodrigues.

Fica o convite para comparecer e aprender um pouco mais sobre estas figuras ainda hoje bastante esquecidas.

Com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

VÍTIMAS DA DITADURA NO ALGARVE, POR IDALÉCIO SOARES

Amanhã, sábado, dia 10 de Fevereiro de 2018, na Casa do Professor, em Pechão, pelas 15 horas, vai ser apresentada a obra de Idalécio Soares, Vítimas da Ditadura no Algarve, editada com a chancela da editora Sul, Sol e Sal, com três relatos de situações ocorridas com personalidades algarvias: Manuel Paula Ventura, João Feliciano Galvão e José da Mónica.

Na apresentação da obra vai estar o Prof. José Carlos Vilhena Mesquita.

Pode ler-se na sinopse da obra:
Este é um livro sobre a ditadura que vigorou em Portugal entre 1926 e 1974 e sobre a polícia política que a serviu durante quase quarenta e oito anos. Manuel Paula Ventura, João Feliciano Galvão, José da Mónica e outros, cujas histórias se contam neste livro, foram alguns dos muitos milhares que viram as suas vidas prejudicadas, quando não abruptamente interrompidas por este regime. Com origens sociais, personalidades e percursos de vida muito diferentes, eles tiveram, todavia, algo em comum: o terem, em determinado momento das suas vidas, e independentemente das escolhas políticas que fizeram (ou não fizeram), sido apanhados pela malha apertada da ditadura e marcados com o seu ferrete. Quando ideias assentes no preconceito e no ódio ao outro, responsáveis por tragédias humanas inenarráveis, ganham de novo, perigosamente, lastro na Europa e noutras partes do mundo, quando essas mesmas ideias chegam ao poder na maior potência mundial, o combate pela preservação da memória histórica dos que delas foram vítimas é um ato de urgência, uma forma de não deixar que se repita. De dizer: NUNCA MAIS! Porque a ditadura existiu! Porque a polícia política existiu! Em Portugal. Entre 1926 e 1974.

Com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

CURSO BREVE DE PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL


A Direcção Regional de Cultura do Algarve vai levar a efeito durante o próximo mês de Janeiro de 2018, um Curso Breve de Património Cultural Imaterial, num total de 35 horas, que conta com a coordenação científica da Prof. Doutora Carla Almeida, a ter lugar às segundas e terças-feiras.

Pode ler-se na nota de divulgação do curso:

A Direção Regional de Cultura do Algarve vai promover durante o mês de janeiro de 2018 um Curso Breve sobre Património Cultural Imaterial, focado na região e que visa difundir os conhecimentos científicos sobre o Património Cultural Imaterial, bem como os processos necessários para o seu registo e salvaguarda. 

Terá a duração de 5 dias e conta com a coordenação científica da Profª. Dra. Carla Almeida. O curso terá início no dia 15 de janeiro.

As sessões terão uma parte expositiva, teórica, sendo facultados materiais de apoio aos formandos. Procurar-se-á relacionar os conhecimentos transmitidos com as experiências dos participantes, incentivando o trabalho em conjunto, de modo a estimular e potenciar a troca de experiências, enquadradas pela relação teoria/prática. 

Cada uma das sessões contará com a presença de diversos especialistas convidados que apresentarão trabalhos por si desenvolvidos nos seguintes domínios:

Espaço – rural, urbano e marítimo.

Pesquisa – histórica, interação direta e registos audiovisuais.

Património Cultural Imaterial – proponentes e candidaturas registadas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial/INPCI. 

Este Curso destina-se a todos os que estiverem interessados nesta temática.

As inscrições são gratuitas, podendo ser feitas até ao dia 10 de janeiro através do email: cristina.santos@cultalg.gov.pt indicando os seguintes dados: nome e entidade a que pertence. 

Solicitamos a vossa colaboração na divulgação.


Uma iniciativa louvável e que merece a melhor divulgação junto das entidades locais e dos interessados  na temática do Património.

A.A.B.M.

sábado, 12 de dezembro de 2015

ALGARVIOS PELO CORAÇÃO - ALGARVIOS POR NASCIMENTO


LIVRO: Algarvios pelo Coração - Algarvios por Nascimento;
AUTOR: Glória Maria Marreiros;
EDIÇÃO: Edições Colibri, 2015, p. 434.

Colectâneas biográficas regionais são escassas entre nós. Glória Marreiros reincidiu, brindando-nos agora - depois do estimulante “Quem foi Quem? 200 algarvios do Séc. XX" (Colibri, 2000), fonte biográfica de necessária consulta – com mais 141 figuras algarvias, adornadas com os respectivos retratos.

Trata-se de um contributo inestimável para a historiografia local e regional, um estudo sério e de interesse, sendo obrigatório numa algarviana que se preze.     

Com um intenso carinho e no âmbito de uma continuada e persistente investigação própria, têm sido elaboradas as notas biográficas e comentários que compõem esta nova obra, inserida no seguimento da já publicada no ano 2000, Quem Foi Quem? – 200 Algarvios do Século XX, mas agora dedicada a mais algarvios, e com o título Algarvios pelo Coração – Algarvios por Nascimento.

Para além dos que nasceram no Algarve outros houve que embora não nascidos nesta região – dedicaram ao Algarve uma vida inteira tendo defendido esta terra de tal modo como se fora sua, tanto que foram adoptados por ela, tendo dado origem à feliz expressão Algarvios pelo Coração, que ora surge incluída no título. (...)

Os Algarvios pelo coração presentes neste livro são uma homenagem a inúmeras personalidades das mais diversas profissões que, não tendo nascido no Algarve, a ele dedicaram muito das suas vidas, do seu saber ou labor. Quanto aos Algarvios por nascimento constituem, em certa medida, a continuidade da obra referida anteriormente, que pelo seu título 200 Algarvios... era limitativa. Assim, procurámos agora actualizá-la” [AQUI]

J.M.M.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

CENTENÁRIO DO CONGRESSO REGIONAL ALGARVIO DE 1915

Esta página da revista Ilustração Portuguesa serve de ponto de partida para um conjunto de dados sobre os principais impulsionadores do Congresso Regional Algarvio, realizado em Portimão (Praia da Rocha), entre os dias 3 e 7 de Setembro.

Porque o Centenário do Congresso Regional Algarvio se assinala dentro de dias, vamos dedicar as próximas semanas a descobrir alguns dos responsáveis pela iniciativa, bem como alguns dos participantes.

Há cerca de um ano atrás referimos AQUI já o programa do evento, as teses e os congressos que posteriormente tiveram lugar.

Aguardemos pelos desenvolvimentos.

A.A.B.M

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

PRÉMIO REGIONAL MARIA VELEDA - MARGARIDA TENGARRINHA

Vai ser entregue no próximo dia 6 de Dezembro de 2014, no Teatro Municipal de Portimão, pelas 18 horas, o Prémio Regional Maria Veleda, promovido pela Direcção Regional de Cultura do Algarve.

A premiada desta primeira iniciativa foi Margarida Tengarrinha. Um prémio de reconhecimento pelo papel que desempenhou em prol da cultura e do conhecimento na região, com um percurso de vida extremamente interessante e cheio de peripécias.

Maria Margarida do Carmo Tengarrinha nasceu a 7 de Maio de 1928, em Portimão.
Estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde se licenciou em Pintura. Desde bastante jovem participa na luta política de combate ao regime salazarista. Uma das suas primeiras participações políticas ocorre em 8 de Maio de 1945, na grande manifestação que se realizou em Lisboa comemorando o final do II Guerra Mundial e a derrota do regime nazi.

Integra o Movimento de Unidade Democrática (M.U.D.) em 1949 exercendo actividade política no movimento associativo dos estudantes da ESBAL, defendendo os direitos dos estudantes e acompanhando as movimentações estudantis pela Paz, criticando o lançamento das bombas atómicas pelos Estados Unidas sobre Hiroshima e Nagasaki. Manifestou-se também contrária à realização da reunião ministerial da NATO, no Instituto Superior Técnico, motivo que a levou a ser expulsa da Escola Superior de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Em 1952, foi expulsa do seu lugar de professora da Escola Preparatória de Paula Vicente, por desenvolver actividades políticas oposicionistas em relação ao Estado Novo.

Integrou a Direcção da Comissão Nacional das Mulheres que enviou uma delegação feminina liderada por Maria Lamas, para participar no Congresso Mundial das Mulheres, que teve lugar em 1953.

Pertenceu à Comissão de Assistência aos Presos Políticos, entre 1952 e 1955.

A partir de 1952 integra o Partido Comunista Português. Em 1955 integra o quadro dos funcionários do Partido Comunista Português e passa a viver na clandestinidade. Curiosamente afirma que nunca entrou numa tipografia clandestina do jornal oficial do Partido Comunista Português, por razões de segurança. No entanto a vida dela está muito ligada ao órgão da imprensa comunista, onde participou como redactora, ilustradora e paginadora ao longo de vários períodos da existência do jornal. Mas desenvolveu colaboração com outros órgãos da imprensa como a revista Modas & Bordados, dirigida por Maria Lamas. Conhecem-se ainda colaborações com outros órgãos do Partido Comunista, como o boletim interno, intitulado A Voz dos Camaradas.

Entre 1955 e 1974 desenvolve actividades políticas na clandestinidade para o PCP. Desenvolve ainda tarefas na Oficina de Falsificações do Partido juntamente com os companheiro, o escultor José Dias Coelho. No quinto congresso do partido, realizado entre 8 e 15 de Setembro de 1957, clandestinamente, reuniram-se em São Pedro do Estoril na Casa dos Quatro Cedros, onde constava um grande painel elaborado por Margarida Tengarrinha onde se representavam as figuras de Marx, Engels e Lenine, no entanto  autora desconhecia a finalidade que fora dada à obra.

No ano seguinte, 1958, após a fuga de Álvaro Cunhal da cadeia de Peniche, Margarida Tengarrinha elabora desenhos que ilustram a fuga e que são publicados na imprensa comunista clandestina.

Em 19 de Dezembro de 1961, o seu companheiro, José Dias Coelho foi assassinado pela PIDE, quando ela tinha trinta e oito anos de idade e duas filhas menores para criar. Pode acrescentar-se que foi da sua autoria o artigo publicado no jornal Avante onde traçava o perfil daquele que tinha sido o seu marido e que segundo refere foi o mais difícil que alguma vez escreveu. Pode ler-se AQUI.

A repressão do regime salazarista aumenta fortemente no ano de 1962. Tinha-se iniciado a Guerra Colonial, houve a revolta estudantil e as perseguições políticas intensificaram-se. Margarida Tengarrinha teve que deixar de colaborar com o Avante. Em simultâneo, a Oficina de Falsificações, onde tinha trabalhado também tinha sido descoberta e apreendida e o partido incumbiu-a de refazer novamente essa oficina. O partido encontrava-se nessa altura numa situação bastante delicada e com determinação conseguiu operacionalizar as funções que tinham sido desactivadas. A sua experiência e capacidades foram determinantes nesta função. Desta oficina começam a sair novamente selos brancos, bilhetes de identidade e passaportes falsificados. Concluída esta tarefa Margarida Tengarrinha abandona Portugal.

Foi responsável pelas emissões da Rádio Portugal Livre, que emitia a partir da Roménia. Volta nessa altura a colaborar com o jornal Avante.

Desenvolveu juntamente com Álvaro Cunhal esforços no sentido de combater o regime ditatorial em Portugal enquanto ambos estiveram em Moscovo. Nessa ocasião participaram, como membros do Partido Comunista Português nas grandes comemorações do quinquagésimo aniversário da Revolução Socialista de Outubro, estávamos em 1967. Nesse período viaja pela Rússia, escrevendo as notas e observações do que encontra, conhece e entrevista várias personalidades, recolhe depoimentos que depois são publicados nos últimos números do órgão oficial do partido em 1967. Por exemplo, pode ler-se neste número e nos seguintes AQUIAQUI.

Regressando clandestinamente a Portugal, em 1968, reassume as funções na redacção do jornal Avante. Vive em Fontelos, onde se encontrava guardado o arquivo do partido e onde redigia o jornal. Eram então elaboradas duas maquetes para serem impressas nas tipografias clandestinas que o partido possuía em Lisboa e no Porto.

Em 1970 assume a relação com o camarada de partido, Carlos Costa, ficando encarregue de tarefas na Direcção Regional do partido no Porto, mantendo a sua colaboração com o jornal.

Chegada a 1974 assume funções no Comité Central do Partido Comunista Português, onde se manteve até finais dos anos 90.

Depois da sua aposentação como professora continuou a participar de forma activa e cívica na vida política e cultural da sua cidade natal, Portimão, onde leccionou na Universidade Sénior da cidade a disciplina de História das Artes. Habitualmente consideram-na amante da Natureza, da Arte e do seu Algarve, é, sobretudo, uma mulher de afectos e de ideais. Continua a surpreender com a sua jovialidade e a forma viva e inteligente como procura acompanhar e reflectir criticamente novos produtos culturais, e também fruir dos benefícios do progresso científico e tecnológico.

Irmã do historiador e político José Mendes do Carmo Tengarrinha e fundador do Movimento Democrático Português/ Centro Democrático Eleitoral (MDP/CDE).

Uma justa homenagem e merecedora de um prémio que esperemos tenha continuidade e valorize os feitos e conquistas daqueles que têm vindo a desenvolver a cultura na região.

Bibliografia consultada:
- Mendes, António Rosa; Gomes, Neto, Algarve. 100 Anos de República 100 Personalidade (1910-2010), Governo Civil de Faro, Faro, 2010, p. 213.
- Pato, Helena, Margarida Tengarrinha - Fascismo Nunca Mais
- Pereira, Pacheco, Álvaro Cunhal. Uma biografia Política. O Prisioneiro (1949-1960), Círculo de Leitores, Lisboa, 2005.

A.A.B.M.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ANTÓNIO RAMOS ROSA (1924-2013)


“Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
È um arco-iris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol”

[ARR, in A Palavra e o Lugar]

ANTÓNIO RAMOS ROSA nasce em Faro a 17 de Outubro de 1924. Fez estudos secundários, não concluindo “por questões de saúde”, e trabalha [cf. A.R.R, A Palavra e o Lugar, 1977] como empregado comercial, explicador e tradutor [traduzindo Éluard, Brecht; Pasternak, Camus, Hervé Bazin, Richard Bach, Sanguinetti, André Gide], Marguerite Yourcenar, ...]. Reside em 1945 em Lisboa, exercendo a profissão de empregado comercial, mas regressa cedo á sua terra de origem, só se radicando definitivamente na capital a partir de 1962.

A palavra é uma estátua submersa, um leopardo
que estremece em escuros bosques, uma anémona
sobre uma cabeleira. Por vezes é uma estrela
que projeta a sua sombra sobre um torso.
Ei-la sem destino no clamor da noite,
cega e nua, mas vibrante de desejo
como uma magnólia molhada. Rápida é a boca
que apenas aflora os raios de uma outra luz.
Toco-lhe os subtis tornozelos, os cabelos ardentes
E vejo uma água límpida numa concha marinha.
É sempre um corpo amante e fugidio
Que canta num mar musical o sangue das vogais” [in Acordes]

Publica (em 1958) no jornal “A Voz de Loulé” o seu poema “Os dias, sem matéria” e no mesmo ano deu inicio á sua vasta obra poética [ver AQUI] com o livro “O Grito Claro” [editado em Faro, em 1958]. Um ano antes, Adolfo Casais Monteiro faz referência [no jornal do Brasil – ACM estava exilado] à “profunda autenticidade” poética de Ramos Rosa, que aliás situa na síntese entre o surrealismo e neo-realismo [e que os Cadernos de Poesia são disso exemplo – sobre este curioso assunto ver Ana Paula Coutinho Mendes, “Poesia do Séc. XX com António Ramos Rosa ao fundo”, 2005]

 
Poeta, ensaísta e crítico literário, colabora em inúmeros periódicos [Diário de Lisboa, Diário popular, capital, O Comércio do Porto, Diário de Noticiais, Diário de Coimbra, Artes e Letras] e publicações variadas. Co-dirige as revistas literárias Árvore (1952-54), Cassiopeia (1956), Cadernos do Meio-Dia (1958-1960). Colabora na revista Seara Nova, Vértice, “O Tempo e o Modo”, Ler, Colóquio Letras, Raiz e Utopia, Silex. Está traduzido em diversas antologias no estrangeiro [ler mais AQUI]

António Ramos Rosa militou no MUD juvenil (1945), ainda em Faro [tendo como companheiros, no grupo do Algarve, Raul Martins Veríssimo e Manuel Madeira], tendo sido preso pela Ditadura [ler mais AQUI]

No nosso tempo havia cegos e surdos que falavam
e nos queria cegar e ensurdecer.
Mas nós mantínhamos nos pulsos a tensão vertical
de um fogo verde de um outra vida.
Era um horizonte de palavras novas, de árvores reverentes.
Escrevíamos panfletos que às vezes nos fugiam dos bolsos
em revoadas que se confundiam com as aves.
Acampávamos em pinhais, cantávamos e dançávamos,
saudando o sol de um novo dia
e às vezes a polícia surpreendia-nos
com as metralhadoras aperradas contra nós.
Devorávamos os livros proibidos apaixonadamente
reunidos em exíguos quartos ou solitariamente.

Não importa se muitos se enganavam adorando um déspota como um deus
porque a verdade estava na sua oposição
à tirania que nos roubava o sol,
à liberdade e à justiça da palavra viva.
Vivemos duramente com obstinada paixão
mas vivíamos solidários e lúcidos na sombra
e a fraternidade era a nossa força e o prémio da nossa luta.
Vencemos finalmente mas a madrugada da nossa liberdade
foi apenas um momento. O que se seguiu depois
é um sistema que não sabemos combater
porque a sua teia é anónima, de uma violência esparsa
que nos impede a defrontação
com os seus disfarces e os seus estratagemas.

Diz-me meu querido Manuel, os nossos sonhos diluíram-se apagaram-se
ou resta ainda um tronco verde com duas ou três folhas
e a nossa sede não morreu, ela é a nascente viva
tal como eu te procurava para partilhar o meu fogo ansioso
entre as anelantes aranhas da minha angústia obscura?
Será que resta uma centelha insubmissa
desse lume fascinante que nos deslumbrava como se fôssemos náufragos
que procuravam um madeiro ou uma giesta incendiada
para que sentíssemos que a vida era a vida com o seu horizonte azul?”

[António Ramos Rosa, in Manuel Madeira, No Encalço do Real Inalcançável, Editorial Minerva, 2004 - ler AQUI]
 
J.M.M.

terça-feira, 28 de maio de 2013

III ENCONTRO DE ARQUIVOS DO ALGARVE

Realiza-se nos próximos dias 31 de Maio e 1 de Junho, em Olhão, no Auditório Municipal desta cidade algarvia, um interessante congresso reunindo alguns dos especialistas nacionais e internacionais em arquivo e gestão da informação, contando também com a presença do Sr. Subdirector da Direcção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas o Dr. Silvestre Lacerda, bem como do Director do Arquivo Distrital de Faro, Dr. João Sabóia.

Uma iniciativa que se saúda, pela perseverança e pela dinâmica que se mantendo, reforçando laços, trocando experiências e dinamizando iniciativas em comum, procurando sobretudo preservar a memória documental do que existe no Algarve.

PROGRAMA

31 de maio de 2013 (sexta feira)

14:00 Entrega da documentação e receção aos participantes
14:15 Sessão de Abertura e Boas vindas
Presidente da Câmara Municipal de Olhão (Engº Francisco Leal)
Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (Dr. Pedro Penteado)
Direção Regional de Cultura do Algarve (Dr. Rui Parreira)
... Diretor do Arquivo Distrital de Faro (Dr. João Sabóia)
Presidente da Associação de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas – Delegação do Sul (Dra. Margarida Vargues)


Moderadora: Conceição Feliciano

14:30 Dr. Pedro Penteado (Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas – DGLAB): Políticas e programas para a informação pública: o desafio da interoperabilidade
15:05 Prof. Doutor Carlos Guardado da Silva (Câmara Municipal de Torres Vedras): Para um novo paradigma na gestão da informação arquivística da Administração Local: o Plano de Classificação
15:40 Dr. Nuno Marques (Câmara Municipal de Vila do Bispo), Dr. Tiago Barão (Câmara Municipal de Faro) e Dra. Helena Vinagre (Câmara Municipal de Olhão): Macroestrutura Funcional: Abordagem Prática ao Sistema de Gestão Documental da AIRC
16:15 Engº Davide Rosa e Técnico de Informática David Lopes (Câmara Municipal de Olhão): O Município de Olhão na Era Digital
16:30 Debate
16:45 Coffee Break

Moderadora: Dra. Helena Barreto

17:00 Prof. Dr. André Porto Ancona Lopez (Universidade de Brasília – Faculdade de Ciência da Informação. Brasil): DigifotoWeb: programa piloto para construção de repositório digital de materiais fotográficos de arquivo
17:35 Dr. João Sabóia (Arquivo Distrital de Faro): O Arquivo da Escola do Magistério Primário de Faro: uma proposta de classificação
17:55 Dras. Luísa Pereira e Vera Gonçalves (Câmara Municipal de Silves): Classificações: o trabalho desenvolvido pelo Arquivo Municipal de Silves
18:15 Dra. Isabel Salvado e Dr. António Monteiro (Câmara Municipal de Tavira): Análise à Classificação da Câmara Municipal de Tavira
18:35 Dr. Nelson Vaquinhas (Câmara Municipal de Loulé - CIDEHUS/UÉ): A gestão da informação nas habilitações do Santo Ofício e das Ordens Militares
18:50 Debate


1 de junho de 2013 (Sábado)

9:30 Workshop pelo Prof. Doutor Carlos Guardado da Silva intitulado A Macroestrutura Funcional (MEF) e a sua aplicação na Administração Local
11:30 Coffee Break

Moderador: José João Cabaço

11:45 Prof. Doutor António Rosa Mendes (Universidade do Algarve): Arquivos e memória
12:05 Dra. Marisa Caixas (Hospital de Faro EPE): Produção Documental no Sanatório Carlos Vasconcelos Porto: os registos clínicos
12:25 Dra. Vanda Germano (Câmara Municipal de Portimão): O Fundo documental da Administração de Concelho: case study de Portimão
12:45 Dra. Andreia Fidalgo (Universidade do Algarve): O Fundo Documental Francisco Fernandes Lopes do Arquivo Histórico Municipal de Olhão: a visão de uma investigadora
13:00 Debate
13:15 Sessão de Encerramento
Director do Arquivo Distrital de Faro (Dr. João Sabóia)
Directora de Departamento de Administração Geral da Câmara Municipal de Olhão (Dra. Carla Martins)
Vice-Presidente da Câmara Municipal de Olhão (Dr. António Pina)

15:00 Passeio de Caíque pela Ria Formosa

Aos profissionais do ramo, aos interessados no tema e a todos os potenciais interessados em aprender alguma coisa sobre o funcionamento dos arquivos locais e distritais, esta pode ser uma interessante oportunidade. 

Uma iniciativa que já anteriormente divulgamos e a que desejamos o maior sucesso, desejando antecipadamente que o evento se mantenha com regularidade e continue a reunir um conjunto de participantes tão interessante.

A.A.B.M.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O ALGARVE NOS PRIMEIROS GUIAS TURÍSTICOS


Numa organização da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António / Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela vai realizar-se amanhã, 20 de Maio, em Cacela Velha, uma conferência do Eng. Luís Guerreiro, intitulada: O Algarve nos primeiros guias turísticos: da propaganda à promoção turística.

Pode ler-se na sinopse de divulgação do evento:

No ano em que se assinala o centenário do Turismo institucional – a Repartição de Turismo foi criada em 1911 – pretende-se evocar esta efeméride, analisando a evolução turística do Algarve, numa perspectiva histórica, desde a inauguração do caminho-de-ferro até aos nossos dias. Iremos falar sobre a propaganda da região, nos seus diversos aspectos, como foi sendo feita ao longo dos tempos, os suportes utilizados, o Iº e IIº Congresso Regional do Algarve, órgãos locais de turismo e principais medidas adoptadas pelo sector nos últimos 100 anos.

Serve esta primeira conversa, para assinalar Centenário da Institucionalização do Turismo em Portugal 1911-2011, de que o Algarve acaba por ser um dos expoentes da actividade no País.

O conferencista, Luís Guerreiro, é Presidente da Fundação Manuel Viegas Guerreiro e Chefe de Divisão da Cultura e Museus da Câmara Municipal de Loulé. Engenheiro de formação, desde cedo se interessou pela área da História. A par das funções que exerce na Autarquia, é também investigador da História local e regional.

Em Cacela Velha, ao ar livre, entre a Igreja e a Fortaleza, às 18 horas.

Uma actividade a acompanhar com todo o interesse.
A.A.B.M.

II ENCONTRO DE ARQUIVOS DO ALGARVE


Vai realizar-se, na cidade de Portimão, amanhã, dia 20 e 21 de Maio, o II Encontro de Arquivos do Algarve, subordinados ao tema "Sistemas de Gestão Integrada da Informação".

Pode ler-se na sinopse de divulgação do Encontro:
O século XXI traz aos arquivistas grandes desafios, tais como a necessidade de centrar o serviço de arquivo numa única unidade orgânica, de promover a implementação da Gestão de Qualidade e de apoiar o progresso do Sistema Electrónico de Gestão de Arquivo nas diversas instituições algarvias. Estando já algumas instituições, entre outras iniciativas, a implementar o Sistema Electrónico de Gestão de Arquivo há que integrar no planeamento destes projectos os arquivistas, já que para além da tecnologia, os procedimentos a adoptar são arquivísticos.
Estamos a lidar com a mesma informação que já possuíamos, a diferença é o suporte do documento e a tecnologia associada, de resto temos as mesmas tipologias documentais, tais como os ofícios, as actas, as certidões, os processos e os contratos. No entanto, será necessário ter Planos de Preservação Digital para prevenir, entre outras complicações, a obsolescência tecnológica e a durabilidade dos suportes electrónicos, de modo a que o acesso à informação não nos fique a prazo inacessível e irremediavelmente perdido.

Dr. João Sabóia, Director Arquivo Distrital de Faro

Conta o encontro com um conjunto de palestras a proferir por alguns responsáveis pela arquivística local como:
- Dr. João Sabóia;
- Dr. João Henriques;
- Dra. Sílvia Duarte;
- Dr. Maranhão Peixoto;
- Dra. Gabriela Salgado;
- Dra. Luísa Pereira;
- Dra. Isabel Salvado;
- Dra. Dora Pereira;
- Eng. João Barbosa;
- Dra. Marta Nogueira;
- Dra. Isabel Dias, Dr. Nuno Marques, Dr. António Monteiro;
- Dr. Pedro Penteado.

Um tema interessante para discutir entre os participantes:
- Como preservar muita da documentação que hoje é produzida online sobretudo pelos dirigentes políticos e da administração?

Para um historiador é fundamental ter acesso a documentação para poder comprovar determinadas hipóteses que só podem ser validadas com recurso a documentos. Ora, se hoje conhecemos alguma coisa mais sobre o modo de pensar dos nossos políticos dos séc. XIX e XX foi porque se conseguiu salvaguardar as cartas pessoais. Aí exprimiam-se dúvidas, problemas, abordavam-se questões delicadas que hoje conhecemos melhor.

O problema, coloca-se agora com toda a sua dimensão, porque quase ninguém utiliza cartas, mas mails, que são pessoais, mas onde se trocam informações, se pedem opiniões, conselhos, se reflecte sobre determinado comportamento ou personalidade, mas tudo num mundo virtual que cada vez desaparece com grande rapidez, não só devido à evolução tecnológica, mas também devido a outros problemas. No futuro vamos ter dificuldade em conhecer o pensamento, as dificuldades, as dúvidas dos nossos dirigentes.

Uma situação preocupante que urge reflectir e procurar dentro do que é possível tentar resolver.

O programa deste encontro pode ser descarregado AQUI.

A.A.B.M.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

PORTIMÃO E A REVOLUÇÃO REPUBLICANA


TÍTULO: Portimão e a Revolução Republicana;
AUTOR(es): José Tengarrinha (coord.) et al;
EDITOR: Texto Editora;
ANO: 2010.

Esta interessante peça bibliográfica da história local de Portimão, que teve o apoio da sua Câmara Municipal e edição via Texto Editora, "é um notável trabalho de investigação … feito por especialistas" [Manuel da Luz, in Nota Introdutória, p. 9] que nasceram ou aí viveram e “vem revelar muito do que foi, em Portimão, esse tempo que precedeu a República e as grandes transformações a que assistiu nos anos subsequentes” [ibid.].

E assim, de facto, é. O estudo aqui reunido – sob organização e coordenação escrupulosa do dr. José Tengarrinha – reconstitui, como nota o Coordenador [in Prefácio],"com bastante intensidade", a revolução e o ideário republicano, acompanha a organização do Partido Republicano no Algarve e o papel influente do notável cidadão e figura intelectual que foi Manuel Teixeira Gomes, regista a relevância da actividade de propaganda e a resistência da imprensa algarvia, distingue a importância e implantação das associações secretas (Carbonária e Maçonaria). Por outro lado, as profundas "mudanças estruturais" verificadas, e que desde finais de Oitocentos se observa pelo agonizar da monarquia, em particular a indelével presença de "novas elites" comerciais, industriais, sociais e políticas que dominam e revitalizam a sociedade local [veja-se, em pormenor, o texto "A Elite Política Local" (pp. 129-145) do nosso camarada de blog, Artur Mendonça e os contributos estimáveis de Valdemar Coutinho sobre a estrutura económica, o associativismo, a educação e as actividades culturais], acentuam uma curiosa "continuidade e ruptura", a que não foi de todo alheio a "clientela", justamente criada pelos "benefícios" dessa mesma elite. Assim, a melhoria das condições de vida das populações ocorrida desde os "primeiros anos da revolução" - e que estão consagradas nos trechos apresentados na II parte da obra -, revelam o empenho dos republicanos locais e marca a integração activa de Portimão (e do Algarve) "num projecto nacional que configurou, para o futuro, uma nova dimensão da relação entre região e nação" [José Tengarrinha, p.16].

Parabéns pela surpreendente iniciativa que, em boa hora, a C. M. de Portimão, proporcionou aos seus munícipes e a todos nós.

Do Sumário:

I: Portimão e a República - A Monarquia e os Monárquicos [Maria João Raminhos Duarte] / O Algarve no virar do século: o despertar [idem] / A Recepção da Revolução [Valdemar Coutinho] / A República e os Republicanos [M.J.R.D.] / Os Monárquicos no novo regime [idem] / A Igreja, os católicos e o movimento anticlerical [idem] / A Maçonaria em Portimão [António Ventura] / Topografia e Toponímia portimonense. Lugares de memória republicanos [Alberto Piscarreta; Luís Vidigal; M.J.R.D.; Artur Mendonça];

II: As mudanças estruturais – A elite política local [Artur Mendonça] / A evolução na estrutura da sociedade [Valdemar Coutinho] / A estrutura económica: agricultura, pescas, oficinas, fábricas e comércio [V.C.] / Os meios de comunicação marítimos e terrestres. A circulação de mercadorias, pessoas e ideias [V.C.] / Ensino oficial e particular. As actividades culturais [V.C.] / O Associativismo em Portimão [V.C.] / Urbanismo e Património Arquitectónico [V.C.];

III: Política – O quadro político: Análise comparativa dos resultados eleitorais antes e depois do 5 de Outubro (a nível nacional e local) [Luís Vidigal] / Os deputados do Algarve na Constituinte de 1911 [Artur Mendonça];

IV: Manuel Teixeira Gomes e a oposição ao Estado Novo [Maria João Raminhos Duarte].

J.M.M.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

LAGOA LIBERAL, REPUBLICANA E MAÇÓNICA



LIVRO: LAGOA LIBERAL, REPUBLICANA E MAÇÓNICA
AUTOR: João Nuno Aurélio Marcos
EDITORA: Câmara Municipal de Lagoa

Vai ser apresentado no próximo dia 1 de Outubro, no Convento de S. José, em Lagoa, a obra de João Nuno Aurélio Marcos, onde trata localmente a questão da República e da influência maçónica na História Local.

Não conhecendo nós o autor ou a obra, certamente que será possível estabelecer a rede de influência republicana e maçónica no concelho. Certamente que será possível encontrar referências a personalidades incontornáveis do republicanismo no Algarve, que desenvolveram acção de destaque neste concelho como José Carvalho de Azevedo Lobo, Domingos Féria, Joaquim Eugénio Júdice, Virgílio Negrão Calado ou Luís Amaro Marques, entre vários outros.

Aguardamos com muita curiosidade e expectativa a oportunidade de folhear a obra.

A.A.B.M.

sábado, 5 de dezembro de 2009

TOMÁS ANTÓNIO G. CABREIRA


Tomás António da Guarda Cabreira (1865 – m. 4 Dezembro 1918)

"Morre na Praia da Rocha Tomás António da Guarda Cabreira, militar, republicano e lenta da Escola Politécnica. Iniciado em 23 de Fevereiro de 1893, na Loja Portugal nº 178 do RF, de Lisboa, com o nome simbólico de «Sólon». Atingiu o grau 33º em 18 de Junho de 1907. Foi presidente do Conselho da Ordem do Grande Oriente Lusitano Unido em 1899 – 1902 e 1907 – 1908" [via G.O.L. - sublinhados nossos]

Breves notas biográficas a consultar:

- Vida de Obra de Tomaz Cabreira – AQUI;
- Tomás António da Guarda Cabreira – AQUI;
- Tomás Cabreira: um economista político num país de "finanças avariadas" – ler AQUI;
- Thomaz Cabreira. Um Notável maçonler AQUI.

J.M.M.

terça-feira, 28 de abril de 2009


DICIONÁRIO TOPONÍMICO: CIDADE DE LOULÉ

Chegou ao nosso conhecimento que vai ser apresentado publicamente, em Loulé, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, no próximo dia 2 de Maio de 2009, pelas 10 h.

Uma obra editada com o apoio do município e que se integra nas comemorações do centenário do nascimento do professor Joaquim Magalhães. Personalidade incontornável da cultura no Algarve do século XX, que se destacou pela divulgação que fez da poesia de António Aleixo, embora não podendo ser esquecida a sua actividade pedagógica e de oposição ao regime Salazarista, entre múltiplas facetas da sua vida.

Com autoria de Jorge Palma, este dicionário pretende registar a toponímia que existe actualmente na cidade de Loulé.

A toponímia é o estudo da origem e significado do nome dos lugares e esta, é reconhecido, uma das áreas que sofre sempre alterações ao longo do tempo e com a mudança de regime político, bem como depende muito de quem exerce o poder na localidade.

Neste caso, parte-se do caso de Loulé, mas era importante outros trabalhos deste género para a maioria dos concelhos portugueses, até para muitas vezes as pessoas perceberem o porquê da designação dada a uma artéria, local ou praça numa determinada localidade, e, sobretudo quem são as personalidades muitas vezes homenageadas através da afixação de placas em ruas que grande parte das vezes não se sabe a ligação que tiveram à terra, porque já entraram no domínio do esquecimento.

Uma obra que se saúda e aguarda com expectativa para podermos consultar.

A.A.B.M.

terça-feira, 17 de junho de 2008

CURSO LIVRE DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO ALGARVE


Após a realização, no ano transacto, de uma primeira experiência, bem sucedida, do Curso Livre de História Contemporânea do Algarve, promovido pela Fundação Manuel Viegas Guerreiro, logo surgiu a ideia de voltar a repetir o evento, agora dedicando particular atenção à questão da República, uma vez que se aproxima a comemoração do centenário da República.

Este curso pretende contribuir para um conhecimento mais aprofundado e abrangente do período da Primeira República no Algarve, traçando um retrato de época ao nível dos quadrantes social, económico, político, mental e cultural, na senda da política de formação e difusão de conteúdos ligados à História Contemporânea algarvia que a Fundação Manuel Viegas Guerreiro tem vindo a seguir nos últimos anos.

Para este curso foram convidados os principais especialistas nacionais ligados às questões do republicanismo, bem como vários estudiosos sedeados na região algarvia, que têm desenvolvido um aturado e continuado trabalho de investigação nessa área.
O curso é ainda complementado por uma exposição documental e iconográfica subordinada à temática da Primeira Republica no Algarve, com especial ênfase para o caso de Loulé, a qual estará patente ao público no átrio do Arquivo Municipal de Loulé durante o mês de realização do curso.


O programa do Curso é o seguinte:



A todos os interessados em participar neste curso devem fazê-lo através de pedido feito à Fundação Manuel Viegas Guerreiro (Querença, 8100-129 Loulé), podendo também ser feitas através do telefone 289 422 607, telemóvel 91 699 04 65 ou pelo site www.fundacaomanuelviegasguerreiro.com.

Ao Eng. Luís Guerreiro, rosto mais visível e presidente da Fundação Manuel Viegas Guerreiro e ao Dr. Paulo Pires, coordenador desta actividade, os votos de muito sucesso para mais esta iniciativa em prol do Algarve, da cultura e da história da região.

Saúde e Fraternidade.

A.A.B.M.