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domingo, 29 de janeiro de 2017

SANTOS CARDOSO (HENRIQUE JOSÉ DOS) – NOTA BREVE SOBRE UM DOS REVOLUCIONÁRIOS DO 31 DE JANEIRO DE 1891


 
Henrique José dos Santos Cardoso
 
Henrique José dos Santos Cardoso nasceu em Santa Comba de Vilariça, concelho de Vila Flor (distrito de Bragança) a 21 de Abril de 1842 [cf. Memórias do Abade de Baçal, tomo VII, p. 78; no Portugal Diccionario Historico, de Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, vol VI, p. 651, é referido o ano de 1843]. Era filho de João José dos Santos Cardoso e Teresa de Jesus, proprietários, naturais de Castro (concelho de Chaves).

Teve Santos Cardoso um filho [Henrique José dos Santos Cardoso], nascido no Porto a 3 de Novembro de 1870 e assassinado em Lisboa [“atingido pelas costas” por um tiro disparado quase em frente ao teatro de S. Carlos, na rua Paiva de Andrade, por elementos hostis ao Partido Republicano Português (refira-se que um dos presos, presumível coautor do crime, o operário do Arsenal Francisco Henrique de Morais, se suicidou na esquadra da travessa das Almas) quando se dirigia (juntamente com Alexandre Braga e Artur Costa) para a sede do PRP, para uma reunião do Diretório] em 28 de Fevereiro de 1915 [o seu funeral decorreu na cidade do Porto, estando presentes, na imponentíssima manifestação fúnebre para o cemitério do Repouso, inúmeros centros e grémios republicanos, vultos republicanos nacionais, entre eles o dr. Afonso Costa e Alexandre Braga]. Foi assistente de Química no Instituo Comercial e Industrial do Porto, desempenhou diversos cargos públicos e era deputado do PRP (eleito por Vila Nova de Gaia) na data do seu assassinato. Como seu pai, era um vigoroso republicano, jornalista (no jornal A Pátria), notável polemista e estimado bibliófilo.  

Henrique José dos Santos Cardoso (pai) foi barbeiro na sua terra natal antes de partir para o Porto, onde fixa residência [cf. Memórias do Abade de Baçal, ibidem] e estabelece o seu negócio, ao mesmo tempo que se torna um dos mais vigorosos jornalistas populares. De “hercúlea corpulência, as suas barbas infinitamente compridas, o seu grosso bengalão e, sobretudo, a virulência dos seus escritos, trouxeram por muito tempo aterrada a cidade do Porto” [ibidem].

Republicano (foi eleito para o Diretório do Centro Eleitoral Republicano do Porto, em 1878; participa, publicamente nas manifestações republicanas, presidindo mesmo a um comício anti-jesuítico no ano de 1888) e jacobino, é proprietário, fundador e redactor do periódico “A Justiça Portuguesa” [nº espécimen, 2 de Agosto de 1880 ao nº 727, de 25 de Junho de 1894 – suspendeu a publicação entre 16 de Janeiro de 1891 a Outubro de 1893; impresso na Typ. Alliança, depois na Typ Occidental, Porto], onde escreveu as mais “tenazes campanhas contra as instituições monárquicas” [Portugal Diccionario Historico, ibidem]. Tal atitude carreou-lhe inúmeros inimigos e a fama dos que professavam as “ideias avançadas” do republicanismo, apesar da maledicência e truculência que exercia nos seus escritos e na acção política [sobre esta questão em torno de Santos Cardoso, ver João Chagas & Ex-Tenente Coelho, “História da Revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891”, 1978, reed., p. 67-83; consultar, também, as diversas referências a Santos Cardoso em Guilherme Martins Rodrigues Sampaio, “A ideia federalista em Augusto Manuel Alves da Veiga 1850-1924”, obra de mestrado em História Contemporânea, FLUL, 2009), principalmente p.70 e ss.; consultar, ainda, o trabalho de Fernando de Sousa, A revolta de 31 de Janeiro de 1981]

Foi Santos Cardoso o “braço direito” de [Augusto Manuel] Alves da Veiga

[advogado, publicista, militante republicano federalista, fundador da primeira agremiação republicana do Porto (1876: trata-se do Centro Republicano Democrático do Porto, com sede na rua de S. Bento da Vitória, curiosamente no rés-do-chão da casa de habitação de Sampaio Bruno; refira-se que o Centro mudou de nome, passando a denominar-se Centro Eleitoral Republicano Democrático do Porto, em 1877, onde passou a pontificar Rodrigues de Feitas; aliás, Alves da Veiga foi o autor do seu “Manifesto” – sobre Alves da Veiga e o Centro Republicano, consultar, ainda, Guilherme Martins Rodrigues Sampaio, ob. cit.), importante maçon portuense e o chefe civil da revolta republicana do 31 de Janeiro de 1891],

tendo entrado com ele, no dia 31 de Janeiro de 1891, no edifico da Câmara Municipal, onde Alves da Veiga declara deposta a monarquia. Na verdade, foi (a partir de Agosto de 1890) na casa comercial do Santos Cardoso que muitos elementos da guarda-fiscal foram instruídos para a revolta republicana do Porto, aliciados pelo jornal “O Sargento” [Órgão dos Oficiais Inferiores do Exercito Português]. Diga-se que por detrás desse movimento republicano conspirativo estava João Chagas - que cedo compreendeu a importância moral e cívica de Alves da Veiga para coordenar a revolta - e o seu jornal “A Republica Portuguesa”. Por último, diga-se que terá sido o próprio João Chagas que “teve a ideia em Setembro (1890) de encarregar Santos Cardoso da agremiação dos sargentos – vide Guilherme Martins Rodrigues Sampaio, op. cit., p. 72].
 
   
Foi, portanto, Santos Cardoso um dos instigadores da revolta, um elemento valioso num certo período de tempo, muito embora com as limitações, demagogia, erros e a postura pouco moral - que lhe foi apontada por João Chagas, in História da Revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891, ibidem - e passe os termos depreciativos com que o virulento [Francisco] Homem Cristo [então tenente e chefe do Diretório Republicano de Lisboa, aliás líder da facção conservadora dos republicanos; Homem Cristo, que era contra a tentativa de rebelião do Porto, inclusive considerava-a como uma “provocação monárquica”, ao ponto de publicar no jornal “Debates” de 27 de Janeiro de 1891 um artigo em que atacava Alves da Veiga e Santos Cardoso, pedindo aos republicanos para que não dessem créditos aos dois – citado por Guilherme Martins Rodrigues Sampaio, op. cit., p. 79; idem por Fernando Sousa, ob. cit.] o apodou - como ter praticado actos cobardes e denunciando camaradas -, no seu livro “Os Acontecimentos de 31 de Janeiro e a minha prisão, Lisboa, 1891, que aliás carecem de ser confirmados.

Na brutal “ressaca” da revolta frustrada do 31 de Janeiro de 1891, de que resultou inúmeros mortos e estropiados entre os revoltosos, tendo que os melhores quadros republicanos sofrido pesadas humilhações entre o exílio (caso de Alves da Veiga, António Claro, Basílio Teles, Sampaio Bruno), a prisão e o degredo (João Chagas, Santos Cardoso, capitão Leitão, tenente Coelho e outros mais).

Santos Cardoso foi condenado, no conselho de guerra de Leixões a uma pena de prisão maior celular, por quatro anos, seguidos de degredo por oito. Pela amnistia de Fevereiro de 1893 regressou a Portugal e retomou o seu jornal, A Justiça Portugueza, agora fustigando os antigos correligionários.    

Escreveu Santos Cardoso: “Verdades de Sangue, com dois juízos críticos pelos Exmos Snrs. Drs Alves da Veiga e Pedro Amorim Viana (tem o retrato do autor), Porto, Tip. Ocidental, 1877, p. 92; “Verdades de Sangue. Escândalo Bancário, história dos acontecimentos da crise monetária e bancária de 1875 a 1877. Porto, Tip. de Alexandre da Fonseca Vasconcelos, 1878, p. 128 [ um anunciado 3º volume, não saiu].

Henrique José dos Santos Cardoso viveu algum tempo em Lisboa, regressando ao Porto quando a doença o atingiu. Morreu em Vizela, a 5 de Agosto de 1899.

J.M.M.

terça-feira, 30 de junho de 2015

LA REPUBLIQUE PORTUGAISE

Encontra-se disponível para consulta uma publicação sobre Portugal nos meses imediatos à implantação da República, intitulada La République Portugaise, somente com um número disponível, datado de 13 de Maio de 1911.

Esta publicação semanal foi dirigida por Xavier de Carvalho (ver nota biográfica deste autor AQUI). Era publicação ilustrada, com quatro páginas, com o texto organizado em seis colunas, escrita em francês. Conta com colaborações de Camille Fróes, Marc Gaudos, A. de Lacerda e um extenso artigo sobre Antero de Quental, da autoria de Virgile Rossel, e algumas notas sobre Viriato, Camões. Além disso fornece informações sobre João Chagas, sobre a Lei de Separação do Estado e da Igreja, de Sebastião de Magalhães Lima  na União Colonial Portuguesa, Afonso Costa (ilustrado com fotografia), de  o vice-cônsul de  Portugal em Rouen (Henry Turpin), de Manuel Teixeira Gomes como novo embaixador em Inglaterra e informa quem seriam os correspondentes do jornal em diferentes localidade de Portugal e do estrangeiro. Depois aborda questões como a participação de Portugal nas festas do milénio na Normandia, do vigésimo aniversário da morte de José Elias Garcia, os estudantes portugueses em Paris e as comemorações do 1º de Maio em Lisboa.

A publicação em epígrafe pode ser consultada na Gallica AQUI.

Vale a pena a visita e a leitura desta publicação.

A.A.B.M.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

JOÃO CHAGAS: ESCRITA COMO ARMA

Foi há alguns meses colocada à disposição dos leitores pela Imprensa da Universidade de Coimbra a nova obra do Professor Doutor Joaquim Romero Magalhães, João Chagas: A escrita como arma, onde o distinto historiador, mais reconhecido pelos seus trabalhos sobre os Descobrimentos, se dedica à investigação da República e das suas figuras.

Depois de ter publicado em 2009, Vem Aí A República, o historiador aborda a figura de João Chagas e o seu papel como propagandista da causa republicana sobretudo através da imprensa e das obras de propaganda que publicou.

Nos dias que avizinham a data da implantação da República, este pequeno opúsculo de 90 páginas permite conhecer um pouco melhor as questões e os grandes momentos do combate dos republicanos para conquistar o poder, bem como os mecanismos que foram utilizando no tempo.


Podemos ver na sinopse da obra que a seguir se transcreve

No dia 5 de Outubro de 1910 a monarquia portuguesa caía sem quase haver quem a defendesse. E não porque as forças revolucionárias fossem tão poderosas que a derrocada se tivesse mostrado impossível de deter. Porém, poucos e pouco empenhados foram os defensores. Porque era geral o sentimento de que a monarquia já não servia o País. Fora esse o trabalho dos propagandistas, divulgando as ideias democráticas e convencendo os cidadãos da bondade das propostas republicanas. Muitos foram os que se empenharam na propaganda, não apenas pela palavra oral mas sobretudo pela escrita.
Entre eles o mais notável terá sido João Chagas – como escritor e como divulgador de ideias destrutivas arremessadas contra a monarquia. Através de toda a sua obra, desde A Republica Portugueza jornal publicado no Porto em 1890-1891 até às Cartas Politicas saídas em Lisboa em 1908-1910, foi a escrita usada como arma contra a dinastia e contra o que o regime representava de atraso para o País.
Escrita de alta qualidade, empregando modos de expressar muito vibrantes e directos, mas ao mesmo tempo caprichando em elegância formal e usando a ironia e a boa disposição de um modo destruidor para os visados. A escrita de João Chagas é por si mesma a lição de um modo de fazer política. Transformando a prosa num como que projéctil. Que resultou eficaz, multiplicando o apoio popular que o regime republicano já tinha no momento da queda da monarquia. Pelo que João Chagas tem de ser tido como um dos principais agentes da revolução do 5 de Outubro.

Este trabalho acompanha os escritos de João Chagas desde o Ultimato inglês até à queda da Monarquia Constitucional analisando as diversas obras que este autor publicou sobre os temas desde a prisão e deportação após o 31 de Janeiro de 1891, passando pelo exílio em Paris, pelo regresso a Portugal, pela Ditadura de João Franco e pelos tempos difíceis nas vésperas da República.

Uma obra que se recomenda aos nossos ledores que se interessam pelo estudo e análise da I República e das suas personalidades fundamentais e João Chagas é uma dessas personalidades.

A.A.B.M.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

CARICATURA - MANUEL DE ARRIAGA E JOÃO CHAGAS



BILHETE-POSTAL com a caricatura representando o Presidente da República, Manuel de Arriaga, e João Chagas, Chefe de Governo entre Setembro e Novembro de 1911.

O Chefe do Governo surge capturando ratos que trazem um chapéu de cura, em alusão aos símbolos do anterior regime e à gorada incursão monárquica levada a cabo por Paiva Couceiro na fronteira norte de Portugal (em 4 de Outubro de 1911).

via Casa Comum, com a devida vénia

J.M.M.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

JOÃO CHAGAS NA “REPUBLICA PORTUGUEZA”


“Estou convencido a serio, porque pertenço ao grande numero dos indisciplinados republicanos que querem a Republica – de que uma revolução se fará dentro em breve, a mais nobre, a mais generosa, a mais simpática de quantas revoluções tem tentado um povo ofendido, em nome da sua dignidade e da sua honra.

Quero-a, desejo-a, promovo-a e disso me ufano. Com a minha consciência vivo na mais perfeita beatitude. Da minha inteligência faço o uso mais nobre. Estou tranquilo por mim, porque pratico uma boa acção. Como convencional, fiz comigo próprio um pacto que vai desde a liberdade à morte. Ao serviço da minha causa pus todo o meu pensamento, todo o meu sentimento, toda a minha acção (…)

Vivemos sobre lama. Os pés enterram-se-nos no solo. Quanto esforço, quanto trabalho, quanta coragem para consolidar o chão que nos foge! … Pois bem! Batidos, vencidos, eu, nós, os meus companheiros de combate, recomeçaremos em qualquer ponto onde estejamos, aqui ou na terra estrangeira, dando o nosso sacrifício pessoal, entregando a nossa felicidade, a nossa vida à causa da pátria e da liberdade. A opinião e a historia condenarão os que prevaricarem e, se algum de nós os julgar um dia, dirá inexoravelmente como Manuel falando do rei de França: ‘Um traidor de menos, não é um homem de menos

João Chagas, in artigo na "Republica Portugueza"

J.M.M.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

JOÃO CHAGAS - "AS MINHAS RAZÕES"


JOÃO CHAGAS, "As Minhas Razões", Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, MCMVI, p. 462

 "... Colectânea de crónicas publicadas n' O Primeiro de Janeiro, onde aparecem citados importantes personalidades da época. Camiliano."  

via Livraria Manuel Ferreira

J.M.M.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O BERRO - FOLHA HUMORÍSTICA


O BERRO: Ano I, nº 1 (9 Fevereiro 1896) ao nº 18 (27 Junho de 1896); Adm: J. Nápoles (depois, Joaquim Meira Souza); Editor: Paulo da Fonseca; Adm/Redacção: Rua da Barroca, 60, 1º (depois, Rua dos Fanqueiros, nº262), Lisboa; Impresso no Atelier Photo-Chimigraphico», de P. Marinho & C.ª (e na Tipografia Guedes, ao Arco da Bandeira, 64); 1896, 18 numrs [o último numero d’ O Berro deveria sair a 4 de Junho, mas a edição foi apreendida, pelo que so reaparece no dia 27 do mês – ver AQUI]

Colaboração: Arnaldo Fonseca, Celso Hermínio (caricaturista), Gomes Leal, João Chagas (a partir 4º numr).

"Publicado em Lisboa, estreou-se a 9 de Fevereiro de 1896, para berrar somente até 27 de Junho do mesmo ano. Com caricaturas de Celso Hermínio, e crónicas de João Chagas, foi uma das folhas humorísticas mais violentas que se publicaram na época. Os alvos predilectos d’O Berro eram o rei, João Franco e os partidos políticos monárquicos em geral, em linha com o seu programa de apresentação: 'Isto não é um jornal é um Berro!' (...)

Berre-se: que a orientação moral tem a levedação pútrida das dignidades mercenárias. Berre-se: que a orientação política tem o cunho das cínicas torpezas; (…) Berre-se… e berre o escorraçado! Se não… senão, todo o vigor evitado dessa fúria transmutar-se-á no crime: haverá que estrangular a família no ímpeto, e evitar que os filhos sejam míseros' (Arnaldo Fonseca). Nos rugidos, além de Hermínio e Chagas, contaram ainda com a “colaboração de todos os escritores sem trabalho e com muitíssimo talento”. Porque “há que rir!”, colocámos na Hemeroteca Digital esta extraordinária publicação, aqui; para saber mais sobre a história d’O Berro leia, aqui, a ficha história que Rita Correia lhe dedicou..." [via Hemeroteca Digital]

O BERRO - FOLHA HUMORÍSTICA digitalizado AQUI.

J.M.M.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

14 DE MAIO DE 1915



A revolta de 14 de Maio de 1915, começou por ser uma tentativa de reposição da Constituição de 1911, levada a efeito por um conjunto de militares que vão ser conhecidos como os Jovens Turcos, entre eles destacavam-se Álvaro de Castro, Freitas Ribeiro, Sá Cardoso, entre outros. Este grupo procurava acabar com a ditadura do General Pimenta de Castro, que tinha chegado ao poder ao fracasso das iniciativas governativas lideradas por Bernardino Machado (10-02-1914 a 11-12-1914) e por João de Azevedo Coutinho (12-12-1914 a 25-01-1915) que enfrentou graves problemas como o denominado “movimento das espadas”, quando os militares de várias unidades pelo País, numa atitude de protesto, devido à transferência do então major João Carlos Craveiro Lopes da Figueira da Foz para Lisboa a pedido dos líderes locais do Partido Republicano Português, entregaram aos superiores hierárquicos, as suas espadas e criando assim um ato de indisciplina contra a transferência deste camarada de armas. O Governo liderado por Vítor Hugo Azevedo Coutinho ficou conhecido como Os Miseráveis, e segundo Rocha Martins, era extremamente impopular. Era então presidente da República Manuel de Arriaga, que, secretamente, estabeleceu um acordo com o general Pimenta de Castro. Este, entretanto, em 28 de Janeiro de 1915, inicia uma ditadura que conduziu ao encerramento do Parlamento, iniciou uma encarniçada perseguição aos republicanos desafectos do regime e passou a proteger muitos dos monárquicos. Curiosamente, este governo liderado por Pimenta de Castro “foi bem recebido pela comunidade internacional, particularmente pela Inglaterra e pela Espanha”, conforme assinala Noémia Malva Novais.

Por outro lado, o Partido Republicano Português (vulgo Democrático) organizou um congresso no Palácio da Mitra, em Lisboa, em 4 de Março de 1915, declarou o presidente Manuel de Arriaga e o governo instalado, como fora da constitucionalidade vigente e, portanto, apelou à participação das populações para resistir aos desmandos governativos e organizar revoltas para derrubar o governo de então.

Devido ao aumento do descontentamento popular com o governo de Pimenta de Castro, na madrugada de 14 de maio de 1915 desencadeou-se um grande alvoroço nas ruas de Lisboa. Membros da Carbonária, militares da GNR e do Exército, totalizando, mais de 7000 homens, ocuparam o Arsenal da Marinha, seguindo-se tiros de artilharia do cruzador "Vasco da Gama", no Tejo, às ordens de Leote do Rego, e de outras embarcações de guerra. Leote do Rego, como comandante da insurreição na Marinha, e força principal na revolta, sustentou um importante duelo de artilharia. Esta guarnição, apoiada pelos navios de guerra ancorados no Tejo defenderam o Arsenal do ataque do Regimento de Infantaria n.º 16, comandado pelo coronel Gomes da Costa. Álvaro de Castro fora para Santarém para suster uma eventual ida de tropas fiéis ao governo para Lisboa.

A revolução, que durou até dia 19 fez cerca de 200 mortos e mais de 1.000 feridos, conseguiu a demissão do governo do general Pimenta de Castro e a nomeação de um governo do partido democrático chefiado por João Chagas, que não tomou posse por ter sido ferido com 3 três tiros por um senador de um outro partido republicano. Os tiroteios foram inúmeros e acesos em Lisboa. No Porto registaram-se dois mortos e mais de duas dezenas de feridos e noutras capitais de província também se registaram alguns confrontos menores. Apesar das tréguas na tarde de 14, só três dias depois, a 17, o fogo acabou.

Na capital foi de grande importância a actuação dos revolucionários civis. O governo, que procurara protecção no Quartel do Largo do Carmo, perante a desproporção de forças que não estava a seu favor demitiu-se ao fim da tarde de dia 14. Assistiu-se, durante essa revolta a uma vaga de assaltos a estabelecimentos comerciais.

A 14 de Maio formou-se logo uma Junta Revolucionária, que era presidida por João Pinheiro Chagas (que vinha de Paris e fora convidado a formar executivo na fronteira portuguesa), à frente de um governo onde pontificavam, entre outros, José de Castro, Paulo Falcão, Francisco Costa, Teixeira de Queiroz, Manuel Rodrigues Monteiro, José Jorge Pereira, Sebastião de Magalhães Lima e Tomé de Barros Queirós. Este movimento revolucionário de 14 de maio de 1915 motivou também a demissão do presidente Manuel de Arriaga, substituído pouco tempo depois em eleições por Teófilo Braga.

Durante a revolta, João Chagas, indigitado para chefe do governo, foi atingido a tiro no Entroncamento, pelo senador João José de Freitas, ficando gravemente ferido e cego de um olho. O agressor foi linchado pela multidão

Bibliografia Consultada:
- David Ferreira, “Catorze de Maio”, Dicionário de História de Portugal, vol. II, org. Joel Serrão, Livraria Figueirinhas, Porto, 1992, p. 25-26;
- Noémia Malva Novais, João Chagas. A Diplomacia e a Guerra (1914-1914), Minerva História, Edições MinercaCoimbra, Coimbra, 2006;
- Rocha Martins, Pimenta de Castro, Oficinas Gráficas do ABC, Lisboa, s.d.

Também sobre este assunto consultar o texto disponível no link que se segue:
http://aviagemdosargonautas.blogs.sapo.pt/1492159.html


A.A.B.M.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

JOÃO CHAGAS - TRABALHOS FORÇADOS


TRABALHOS FORÇADOS por JOÃO CHAGAS [1863-1925], Typ. da Folha do Povo (Biblioteca da Folha do Povo, com capa alegorica de Moraes), Lisboa, II vol., 1900, 288+322 pgs [saiu uma edição definitiva em 1926-27, pela Aillaud & Bertrand (Lisboa), em III vols, 261+245+266 pgs]

Trata-se do raro e estimado livro de João Chagas, valioso testemunho para a história política da época, um "libelo revolucionário republicano do período em que o mais acérrimo opositor de João Franco – João Pinheiro Chagas – foi deportado para Angola" [ler AQUI]


" ... Fruto dos artigos acutilantes que entretanto tinha [João Chagas] escrito, foi alvo de diversos processos que o levaram à prisão por dez dias, em 26 de Janeiro de 1891, sentença esta que estava cumprindo aquando da revolta no Porto, sendo considerado um dos promotores e cúmplices da revolta. Foi julgado e condenado a 4 anos de prisão ou 6 anos de degredo. Em Setembro de 1891 embarca para Angola (Moçamedes), para cumprir a sua pena, lá tentou pôr em prática um plano de evasão que se gorou. Consegue evadir-se do seu cárcere no dia 1 de Novembro, chegando a Paris a 15 de Janeiro de 1892, após diversas peripécias narradas no seu livro 'Trabalhos forçados'. Sendo uma pessoa de espírito irrequieto e bastante audacioso, em Fevereiro, vem para Portugal, onde se manteve alguns dias sem ser descoberto pela polícia. No mês de Setembro voltou clandestinamente a Portugal, onde foi feito preso e enviado para África, onde permaneceu até ao ano de 1893 ano em que, fruto de uma amnistia para presos políticos, regressou à cidade do Porto. Os trabalhos forçados a que foi sujeito no degredo não o vergaram nem o desalentaram dos seus intuitos ... [ler TUDO AQUI - sublinhados nossos]

capa via FRENESI

J.M.M.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

REVOLTA DO PORTO DE 31 DE JANEIRO DE 1891


"… O movimento do Porto [Revolta do 31 de Janeiro] teve a cumplicidade de todo o partido republicano, que nele cooperou, e da maioria dos seus chefes, que lhe deram o seu apoio, o seu aplauso e a sua sanção. Não foi uma aventura, e se o foi, foi uma aventura de muitos …

O dia seguinte das revoluções não pertence aos revolucionários. Mal concluída a sua obra, trémulos de emoção, tintos de sangue, cobertos de fumo, eles olham em torno, e surpreendidos, encontram-se já em outras mãos. O soldado volta à caserna e à disciplina que o subjugava na véspera, o operário regressa à sua antiga miséria, o funcionário à sua mediania, o estudante à sua classe, e aqueles mesmo que se supuseram predestinados para orgulhosas missões, são por seu turno forçados a ceder o seu lugar, tão penosamente conquistado, a outros que, se não partilharão d sua glória, se apropriarão da sua obra …
"

João Chagas, in História da Revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891: depoimento de dois cumplices (João Chagas & Ex-Tenente Coelho), Lisboa, Empreza Democrática de Portugal, 1901.

FOTO via Ephemera [url ?]

J.M.M.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

JOÃO CHAGAS - "CARTAS POLÍTICAS"



JOÃO CHAGAS - CARTAS POLITICAS, Lisboa, MCMVIII-MCMX. 5 séries ou volumes. 16,5x24 cm. 320, 320, 320, 320 e 240 págs. E.

«Indispensável para a história dos importantes acontecimentos políticos da época. Inclui, entre outras, missivas dirigidas “ao Rei D. Manoel”; “aos senhores da liga monarquica”; “ao Doutor Bernardino Machado sobre a Revolução”; “à Imprensa Estrangeira a propósito do 1º anniversário do Regicídio”; “Carta ao Povo de Coruche depois do Comício Monarchico de 14 de Fevereiro”; “Carta a D. Miguel de Bragança em seguida à notícia da sua renuncia e do seu reconhecimento da Monarchia Liberal”; “Carta a um provinciano sobre a crise da semana e sobre o que se lhe vae seguir” etc. de um total de 95 documentos As cartas, em brochura, encontram-se conservadas em pastas cujas lombadas (decoradas a ouro) e cantos são em pele e apertadas com atilhos de seda»

via CATÁLOGO DE JANEIRO DA LIVRARIA IN-LIBRIS

J.M.M.