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quarta-feira, 11 de março de 2026

REVISTA DE MAÇONARIA N.º 9

 


Revista de Maçonaria n.º 9 (Semestral, Abril 2025); Propriedade: Fine Mirabilis Consulting, Lda; Administração e Redacção: Av. 5 de Outubro, 31, 6.º Andar, Lisboa; Editor: Manuel Pinto dos Santos; Director: Fernando Marques da Costa; Impressão: Europress, Indústrias Gráficas (Lisboa); Lisboa, 201 p.

► Publicação semestral independente, dirigida por Fernando Marques da Costa [FMC] e editada por Manuel Pinto dos Santos, “centrada na investigação” e no estudo da Maçonaria “enquanto fenómeno social, nos seus diversos aspectos”; acolhe “trabalhos que vão da História à contemporaneidade, do ritual ao simbólico, do individual ao coletivo, da espiritualidade ao ceticismo” (in Estatuto Editorial, n.º1, p. 1).

Este projecto cultural é um lugar de reflexão e debate acerca da diversidade maçónica, aquela que, segundo FMC, “nos liberta do dogma, de visões estreitas, que tantas vezes se arrogam uma autoridade que decorre apenas de não aceitar o Outro na sua identificação diversa” (in Estatuto Editorial, n.º 2, p. 3). Por isso, esta atitude na orientação da revista, será o caminho de “aceitar que toda essa diversidade deve ser estudada como fenómeno social, cultural e iniciático” [ibidem].

No seu quinto ano de publicação, este seu nº 9, mantém o debate e a reflexão dos confrontos, numa escrita que procura as palavras num tempo que parece “escoar-se entre as nossas mãos”.    

REVISTA AQUI



TÁBUA: Fake New; A presença do grande Oriente Lusitano e do Grémio Luso-Escocês em Moçambique (1872-1935) [Joaquim Greve dos Santos] | Os processos sobre maçons e a maçonaria no Arquivo Nacional da Torre do Tombo [Manuel Pinto dos Santos] | Pensar Livremente [Fernando Marques da Costa] | O Templo, o poder da Palavra e o Nome Inefável: anotações [José Manuel Martins] | O humor, o riso e a espiritualidade: o caso do grau 20 do REAA [Luís Natal Marques] | Uma abordagem à Justiça: Graus 1º ao 8º [Carlos Anjos] | (Recensões) Lisboa Maçónica [Manuel Pinto dos Santos] | (Alfarrábios) O diabo a quatro de rabo alçado e o grande segredo publicado para desengano de toda a gente que ate’gora vivia enganada (1823) | (Alfarrábios) Memoria semestral de los trabajos de la Log Capitular Fraternidad Ibérica al valle de Sevilla, 1869 | O Grande Oriente Lusitano é agora uma organização Maçónica plural.  

J.M.M.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

ANTÓNIO VENTURA – SEMEAR TRIÂNGULOS DO MINHO E TIMOR. A EXPANSÃO MAÇÓNICA EM PORTUGAL (1893-1935)

 


LIVRO: Semear Triângulos do Minho a Timor. A expansão maçónica em Portugal (1893-1935)

AUTOR: António Ventura;
EDIÇÃO: Âncora, Janeiro 2026, 223 pags.

LANÇAMENTO:

DIA: 24 de Fevereiro 2026 (17,00 horas);
LOCAL: Grémio Lusitano (Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa);
ORADORES: Fernando Marques da Costa

ORGANIZAÇÃO: Âncora Editora | Grémio Lusitano

► “[…] Em Portugal, ao longo de mais de 150 anos, nas diferentes fases da existência, enquanto funcionou com Lojas independentes, como a partir do início do século XIX, com a formação e posterior proliferação de Obediências, a Maçonaria considerou sempre a Loja enquanto centro fundamental. Pode haver Maçonaria sem Obediências, mas não há Maçonaria sem Lojas.

Percorrendo a História da Maçonaria em Portugal, encontramos centenas de Lojas e um número significativo de Obediências, em contexto de dispersão e, posteriormente, a partir de 1869, num sentido inverso, de unificação. Nas respectivas constituições e regulamentos ficaram plasmadas as condições necessárias à formação de novas Oficinas, podendo a autorização depender dos critérios definidos pelas Obediências e pelas Câmaras Litúrgicas que dirigiam os ritos; também estabeleciam o número mínimo de Mestres no processo fundacional. Aqui residia a principal dificuldade […]

A criação de novas Lojas em Lisboa ou em localidades onde existissem Oficinas não constituía problema, uma vez que, como sucedeu na maior parte dos casos, resultavam do desdobramento amigável de uma estrutura pré-existente, ou de cisões ditadas por incompatibilidade entre os membros. A dificuldade residia na constituição de Lojas de raiz, noutras localidades. Como seria possível reunir treze Mestres num local onde não existiam maçons?

A Confederação Maçónica Portuguesa, na Constituição de 1850, mantinha os 13 Mestres, como número mínimo de fundadores, porém, abria excepção para localidades distantes, em pelo menos, duas léguas de Lisboa, onde podiam ser instaladas Lojas com apenas sete Mestres […] A Constituição de 1868, do Grande Oriente Lusitano (Conde de Paraty), já não estabelecia diferença de localização, exigindo 13 fundadores, mas apenas sete com o grau de Mestre […]

Apesar de tudo, era difícil criar uma Loja fora de Lisboa, do Porto e de Coimbra, porque seriam necessários sete Mestres fundadores. As viagens eram morosas e não se afigurava exequível a maçons oriundos de uma determinada localidade distante, residentes em grandes centros urbanos, a possibilidade de ajudarem a fundar uma Loja na terra natal e participarem regularmente nos trabalhos […] Perante esta dificuldade, a Constituição do GOLU de 1878, embora mantendo as condições gerais anteriores, retomava a excepcionalidade:

«Fora das localidades onde existam estabelecidas uma ou mais Lojas, poderão ser instaladas outras apenas com sete obreiros, dos quais cinco pelo menos se achem investidos no grau de Mestre. As Lojas assim constituídas serão consideradas perfeitas, e o carácter de regulares só se adquire quanto tenham preenchido o número de treze irmãos nos termos do antecedente. Estas Lojas, contudo, gozarão das mesmas regalias das Lojas regulares».  

A redução do número de Mestres, para cinco, constituía um avanço, mas persistiam dificuldades. Impunha-se aos cinco fundadores a formação noutras Lojas […]

Importava encontrar outa solução, mais expedita, para permitir a desejável expansão maçónica, inverter a evolução pouco positiva do GOLU, quanto ao número de Lojas, mas, principalmente, de reforço à débil implantação regional […]

Foi este panorama desolador que levou o GOLU a tomar medidas para inverter a situação, com a criação de núcleos maçónicos mais pequenos, os Triângulos [formados por um mínimo de três Irmãos regularmente iniciados]. O fundamental deste nosso livro incide sobre o GOLU, no âmbito do qual foi fundada a imensa maioria dos Triângulos maçónicos. Mas também abordaremos outras situações, embora de menor importância, em que também existiram Triângulos: O Grande Oriente de Portugal, o Grémio Luso-Escocês e a Ordem Maçónica Mista Internacional Le Droit Humain […] [in Introdução. Da Loja ao Triângulo – sublinhados nossos]

No total, estão referenciados 391 Triângulos fundados, para além de algumas dezenas, cuja instalação foi autorizada, mas que não se concretizou. Este livro pretende ser um contributo para o estudo e compreensão da expansão da Maçonaria em Portugal, nos espaços continental, insular e ultramarino, entre 1893 e 1935 [AQUI - com sublinhados nossos]

J.M.M.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

GRÉMIO LUSITANO – REVISTA, ANO 14, N.º 29, 2025

 


Grémio Lusitano – Ano 14, nº 29, 2025, p.80; Propr. Grémio Lusitano; Editor: Grémio Lusitano; Director: Pedro Luiz de Castro; Director-Adjunto: Henrique Monteiro; Coord.: Pedro Luiz de Castro, Álvaro Carrilho, Inês Marques; Grafismo: Álvaro Carrilho; Redacção: Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa.

► TÁBUA: Maçonaria Inglesa versus Francesa

Editorial: A Universalidade Maçónica [Pedro Luiz de Castro] / Maçonaria Inglesa versus Maçonaria Francesa [Fernando Cabecinha] / Da Religião Natural à Religião Revelada – Pensar livre e plural [José Manuel Martins] / História da Maçonaria Inglesa [John Hamill] / História da Maçonaria francesa no final do século XVIII [Pierre Menvielle Tichadel] / O GADU na Tradição Maçónica Francesa: Dificuldades e Incompreensões Históricas [Roger Dachez] / O Versus e o Paradoxo. Rito Francês versus Rito Escocês. A Maçonaria versus partidos políticos [Inácio Ludgero] / Os arquitetos da maçonaria inglesa (1720-1740) [Richard Andrew Berman] / Dois Ritos: REAA e RF. Dois Caminhos, uma mesma Luz, um só ideal [António Maria da Fonseca] / Regulares Ingleses contra Liberais Franceses. Um panorama atual da Maçonaria Mundial [Jean-Moïse Braitberg] / Representações da Maçonaria Portuguesa na Cultura Popular [Paulo Mendes Pinto & Isabel Landeiro] / Só reconhecidos por todos como livres e iguais [Francisco Carromeu] / Versus. Algumas ideias sobre a convergência das Maçonarias e Ritos Maçónicos [Manuel Pinto dos Santos] / Para lá do canal da mancha. É tudo diferente! [Joaquim Grave dos Santos].

Revista à venda no Grémio Lusitano.

► “… A Maçonaria sempre pugnou pelas conquistas sociais, num clima de Liberdade, de Igualdade e de Fraternidade entre os Homens. Sempre foi, por isso mesmo, uma ameaça para aqueles que pretendiam a perpetuação de um determinado «status quo» baseado no controle da sociedade por elites religiosas, políticas, sociais ou económicas.

Não admira, portanto, que a Igreja, e governos totalitários tenham e continuem a perseguir a Maçonaria, exatamente pelos nobres ideais que representou e continua a representar.

Este número da Revista do Grémio Lusitano dedica-se, pois, a uma análise sob vários ângulos do que foram e têm sido, as duas principais correntes de pensamento maçónico existentes no mundo: a inglesa e a francesa.

Muita coisa as une, algumas coisas as separam. Rituais, formas distintas de olhar e interpretar ou interagir com a sociedade, fazem destes «primos», amigos colaborantes e unidos, num desejo comum de tornar o mundo um lugar substancialmente mais decente para se viver, do que aquele em que atualmente nos encontramos” [Pedro Luiz de Castro, p. 3]

 


► “A Maçonaria Inglesa tem as suas ra1zes na fundação da Grande Lo1a de Londres em 1717, considerada o berço da Maçonaria especulativa moderna. Desde então, a influência inglesa espalhou-se pelo mundo, estabele­cendo o que é conhecido como o modelo das Grandes Lojas Regulares.

A Maçonaria Francesa, por sua vez, consolidou-se a partir da criação do Grande Oriente de França em 1773. O contexto iluminista francês e a influência revolucionária moldaram fortemente o seu carácter, tornan­do-a mais aberta a reformas e ao debate filosófico.

Enquanto a Maçonaria Inglesa mantém uma postura trad1c1onaltsra, exigindo a crença num Ser Supremo (o Grande Arquiteto do Universo) como requisito fundamental para a iniciação, valorizando a espirituali­dade, a moralidade e a filantropia, com forte ênfase na discrição e no simbolismo, a Maçonaria Francesa, especialmente após 1877 aboliu a obrigação da crença num Ser Supremo, tornando-se mais secular e racionalista. O foco deslocou-se para a liberdade de consciência, o laicismo, o progresso social e o debate filosófico.

[…] Ambas, no entanto, partilham valores fundamentais como a frater­nidade, o aperfeiçoamento pessoal e o compromisso com a socie­dade, refletindo as suas respetivas culturas e contextos históricos.

Esta Revista convida, pois, à leitura e reflexão dos textos nela inseridos, na procura de conhecimento capaz de nos consciencializar para que serve a Maçonaria, quais as suas principais valências e a mensagem que pretende transmitir.

A bem da dignidade do ser humano e do humanismo” [Fernando Cabecinha, Grão-Mestre GOL, p. 5]

J.M.M.

terça-feira, 8 de abril de 2025

GRÉMIO LUSITANO – REVISTA, ANO 13, N.º 28, 2024

 


Grémio Lusitano – Ano 13, nº 28, 2º Semestre 2024, p.28; Revista Grémio Lusitano; Propr. Grémio Lusitano; Editor: Grémio Lusitano; Director: Pedro Luiz de Castro; Director-Adjunto: Henrique Monteiro; Coord.: Pedro Luiz de Castro, Álvaro Carrilho, Inês Marques; Grafismo: Álvaro Carrilho; Redacção: Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa.

A revista do Grémio Lusitano n.º28 [Ano 13, nº 28, 2º Semestre 2024] tem a “Iniciação e Transformação” como tema, isto é, «tem o propósito simples, mas arrojado, de saber o ‘quanto’ e o ‘como’ a Maçonaria transformou os homens e mulheres que acolheu» [Do Editorial]. Dito de outro modo: após o «chamado processo iniciático» a «maçonaria transforma-nos? Modifica-nos? Altera o nosso comportamento, a nossa visão do mundo? Passamos a ser pessoas mais cumpridoras, mais comprometidas com a nossa positiva transformação, e por arrastamento com o melhoramento da própria sociedade onde nos inserimos?» [Do Editorial]. Eis, portanto, um balanço sobre a “Iniciação e Transformação" de modo a que «nunca se diga de nós: Entrou na Maçonaria, mas a Maçonaria nunca entrou nele …!» [Do Editorial].

De salientar as notáveis e estimulantes ilustrações do designer Álvaro Carrilho que acompanham e exploram cada artigo da revista, peças únicas da afirmação de uma interioridade e espiritualidade surpreendente, que ao recorrer “à geração de imagens com IA” filtram o leitor para “uma imersão profunda nas questões éticas, filosóficas, oferecendo uma nova dimensão de leitura”.    

► TÁBUA: Iniciação e transformação

Editorial. Nós e a Maçonaria, a Maçonaria e Nós [Pedro Luiz de Castro] / A minha inexorável viagem em direcção ao Oriente [Jaime Pina] / Despido e Despojado [Paulo Mendes Pinto] / Um segredo não partilhável [Henrique Monteiro] / A cultura de grupo [Prometeu n.s.] / Eu estou aqui … porquê [António Maria da Fonseca] / Glorificação do trabalho [Carlos Mardel n.s.] / In Claris, Fiat Interpretatio [José Adelino Maltez] / Involuir para Evoluir [António Ventura] / O caminho da Luz [Henrique n.s.] / Porque sou maçom? [Luís Conceição] / “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena” [Manuel Pinto dos Santos] / Três grandes pancadas [Joaquim Grave dos Santos] / Um outro olhar, ou desejo de «pensar mais» [José Manuel Martins] / Uma outra relação com o mundo [Luís Parreirão] / Viagem [João Alves Dias] / Ser Maçom [Anselmo Bravule n.s.] / O Impulso da Construção [Álvaro Carrilho].

Revista à venda no Grémio Lusitano

J.M.M.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

A INICIAÇÃO DE VOLTAIRE NA LOJA DAS NOVE IRMÃS

 


LIVRO: A Iniciação de Voltaire na Loja das Nove Irmãs;
AUTOR: A. Germain;
EDIÇÃO: BMBM | R’.’ L.’. “8 de Maio”, Janeiro de 2025, 52 p.

Trata-se da interessantíssima edição, agora em tradução portuguesa, do conhecido livreto (1874) de A. Germain, Initiation de Voltaire dans la Loge des Neuf-Soeurs. A curiosa iniciação de Voltaire, aliás François-Marie Arouet, em 1778, presidida por Jérôme Lalande (invulgar astrónomo e um dos enciclopedistas de renome) e assistida por Benjamin Franklin foi um acontecimento triunfante da história da franco-maçonaria francesa. A Loja das Nove Irmãs (1776), de que fizeram parte numerosos homens de letras, foi herdeira da “Loge des Sciences”, fundada pelo filósofo Claude Adrien de Helvétius (1715-1771) e pelo próprio Lalande (1732-1807).

Esta edição magnifica, de elevado merecimento literário e de que somente se imprimiram 100 exemplares numerados, está ornada na sua capa com uma formosa ilustração, contém uma Introdução dos editores e apresenta um estimado prefácio pelo curador adjunto no Instituto e Museu Voltaire, em Genebra, Flávio Borda D’Água.

► Um pensador, um filósofo que se tornou escritor – dramaturgo, ensaísta, historiador, poeta e romancista – como forma de se comprometer consigo e compreender os outros.

Nascido no ocaso do século dezassete, ele é a personificação do homem-razão iluminista, o tolerante, o insubmisso panfletário cultor do direito e da justiça, intransigente da liberdade e anticlerical convicto. Dir-se-ia que François-Marie Arouet nasceu para ser maçon, pois sobreviveu apenas um mês à sua irradiante iniciação na querida Loja das Nove Irmãs, em Paris, sob o malhete sagrado de Lalande, em 7 de Abril de 1778.

É por isso que, 330 anos após o nascimento de Voltaire em Paris, a BMBM – Biblioteca Maçónica do Baixo Mondego – decide estrear a sua bibliogenia com uma obra que, nas palavras de Hubert, pertence à Maçonaria mais do que a qualquer Loja ou maçon preferido. Mais, associa-se à R⸫L⸫ “8 de Maio”, a Or⸫ de Coimbra, nas celebrações do seu 25º aniversário.

A INICIAÇÃO DE VOLTAIRE, hoje amável e fraternalmente prefaciada pelo conservador-adjunto do Instituto e Museu Voltaire de Genève, a quem muito agradecemos, é um duplo privilégio que queremos partilhar.

Ao Vale do Mondego, no 330º aniversário de Voltaire, Novembro de 6024.

[Os Editores]

► Voltaire e a Maçonaria: uma exploração dos laços entre o pensamento do Iluminismo e o compromisso da fraternidade

Voltaire tornou-se, ao longo dos séculos, um símbolo e um farol da luz intelectual, do pensamento crítico e da afirmação das liberdades. A sua influência ultrapassa fronteiras e transcende épocas, marcando profundamente o panorama da literatura e da filosofia, o desenrolar da história e das sociedades. Por trás dessa figura emblemática do Século das Luzes esconde-se, um tanto negligenciado ainda, um legado singular da sua herança: a sua afiliação tardia à maçonaria.

A brochura que nos é oferecida hoje permite-nos aventurar nos labirintos da história para explorar os laços que Voltaire mantém com a Maçonaria: duas forças imponentes que moldaram o tecido da sociedade europeia do século XVIII e além. As páginas que se seguem servirão como uma exploração aprofundada que desmistifica essa relação, muitas vezes incompreendida e mal transmitida, e esclarecerão as áreas de sombra ao fazer o leitor descobrir, ao longo do tempo, influências mútuas entre o homem e o movimento do pensamento.

Voltaire, conhecido pela sua pena afiada e o seu espírito livre, não pode ser limitado ao papel de escritor. Homem de ideias, homem de convicções, pensador engajado nos debates da sua época, e fundamentalmente contemporâneo, ele encontra na maçonaria um quadro para nutrir e desenvolver as suas ideias. No seio da companhia fraterna, ele encontra um refúgio para o livre-pensamento, um espaço onde as fronteiras da sociedade podem ser empurradas e onde a igualdade, a fraternidade e a tolerância não são meras palavras, mas ideias a serem vividas, promovidas e desenvolvidas.

A partir daí, ao retomar os arquivos e os escritos de Voltaire, bem como os arquivos maçónicos da sua época, o investigador detecta fios invisíveis que tecem, juntos, uma história comum. As descobertas mostram como a entrada de Voltaire na maçonaria influenciou, mesmo que tardiamente, o seu pensamento, as suas acções e, por vezes, o seu estilo literário. Ele deixa, assim, uma marca indelével e misteriosa na maçonaria do seu tempo.

Ao longo desta brochura, a palavra é deixada aos textos que documentam directamente a iniciação de Voltaire e que abrem para o futuro através do fascinante aspecto da história intelectual e social. Espera-se que essa exploração suscite a curiosidade e o desejo de ir mais longe, estimulando a reflexão, incitando talvez as reconsiderações, a uma (re)descoberta de Voltaire como homem, como pensador e como irmão maçom.

Que estes documentos possam ilustrar a última evidência: que a verdadeira luz reside na busca incessante do conhecimento e da verdade, à imagem do historiador frente ao passado dos homens e da grande sociedade humana.

[PREFACIANDO - Flávio Borda D’Água, p. 9 e ss - sublinhados nossos]

 


► A. Germain (1801-1882) foi um voltairiano entusiasta, fiel e ilustrado. Em tributo de admiração e reconhecimento ao Mestre, deixou escrito uma interessante notícia sobre a iniciação de Voltaire - que agora apresentamos - nesse memorável dia de 7 de Abril de 1778 e que iluminou a “serena luz maçónica” dos trabalhos da loja Des Neuf Soeurs.

A[thanase] Germain licenciou-se em direito (1821) em Paris, foi advogado da corte, diretor de assuntos argelinos do Ministério da Guerra, mestre de solicitações ao Conselho de Estado, diretor do jornal Le Progrés de l’Eure e membro da loja maçónica, La Sincerité de l’Eure, em Evreux. Foi preso por delito de imprensa em 24 de Fevereiro de 1871. Entre as suas obras impressas, está a curiosa Martyrologe de la presse (1789-1861) e a vigorosa e polémica Réponse à une lettre de M. L. Morin, curé de La Couture-Boussey (1866).

A. Germain integrou o quadro fundador da loja de Evreux (22 de Julho de 1872), La Sincerité de l’Eure, tendo sido seu Venerável entre os anos de 1873 a 1876. A loja, a segunda instalada em Evreux, no final do século entra em “dormência” e só seria de novo erguida em 1925, curiosamente com o título distintivo: Tolérance et Sincerité. A 8 de Julho de 1875, teve Germain ocasião de pedir a palavra na cerimónia solene de iniciação de Émile Littré, na loja La Clémente Amitié, fazendo-lhe oferta do seu livro Initiation de Voltaire dans la Loge des Neuf-Soeurs.

[Da contracapa]

J.M.M.

terça-feira, 14 de maio de 2024

GRÉMIO LUSITANO – REVISTA, ANO 12, N.º 26, 2023


Saiu a revista nº26 (2 semestre de 2023) Grémio Lusitano [Propr. Grémio Lusitano; Editor: Grémio Lusitano; Director: Pedro Luiz de Castro; Director-Adjunto: Henrique Monteiro; Coord.: Pedro Luiz de Castro, Álvaro Carrilho, Inês Marques; Redacção: Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa].

► TÁBUA: Editorial. Ética, Moral e Religião [Pedro Luiz de Castro] / Ética e Liberdade [Fernando Cabecinha (GM do GOL)] / Ética na Maçonaria [Do Congresso da GLFP]] / “A insustentável leveza das fronteiras: Clero Católico na Maçonaria e a questão do Anticlericalismo e do Antimaçonismo em Portugal” [Fernanda Santos & José Eduardo Franco] / A Maçonaria, o Indivíduo e a Reforma Protestante. Um Caminho no Sentido do Despertar da Liberdade de Consciência [Paulo Mendes Pinto] / Desafios éticos no mundo atual. Da nebulosa da vida à universalidade de uma ética universal [Alexandra Mota Torres] / Do trono de Salomão à soleira do Papa. Um ensaio sobre Liberdade e Tolerância Religiosa na Maçonaria [Edgard da Costa Freitas Neto] / Entre o Esquadro e o Compasso [Joaquim Grave dos Santos] / Entrevista com Ferrer Benimeli. Católicos e Maçons / Ética da Maçonaria, da Obediência, da Loja ou do Maçon? (Manuel Pinto dos Santos) / Ética Franco-Maçónica? [Francisco Carromeu] / O Compasso e a Cruz – Uma narrativa histórica (António Maria Fonseca] / O papel da Maçonaria na criação da contemporaneidade (Orlando Martins e Pedro Nogueira-Simões) / Teófilo Braga, Magistério e Cidadania (António Valdemar) / Maçonaria e Carbonária (António Valdemar) / Tod@s (Fernando Marques da Costa) / Maçonaria, Religião ou Seita? (Pedro Luiz de Castro)

J.M.M.

segunda-feira, 13 de maio de 2024

[12 de MAIO DE 2024] 222 ANOS DO GRANDE ORIENTE LUSITANO

 




Salve Grande Oriente Lusitano - 222 Anos; Edição BMBM, Vale do Mondego, Edição Fora de Mercado (nº Único).

► Trata-se de um curioso folheto publicado pela Biblioteca Maçónica do Baixo Mondego, relembrando os 222 Anos do nascimento do Grande Oriente Lusitano (GOL), considerando-se o dia fundacional do GOL, o 12 de Maio de 1802, data da assinatura do Tratado do reconhecimento pela Grande Loja de Inglaterra desse centro único de união de lojas lusitanas.

TÁBUA: Salve Grande Oriente Lusitano; [extrato] Narrativa da Perseguição de Hipólito José da Costa; O Grande Orador.

J.M.M. 

quarta-feira, 8 de maio de 2024

[COIMBRA – LANÇAMENTO] A LUZ VINHA DO ORIENTE. COMUNISTAS E MAÇONS EM PORTUGAL (1919-1936)

 


LIVRO: A Luz vinha do Oriente. Comunistas e Maçons em Portugal (1919-1936);

AUTOR: António Ventura;

EDITORA: Âncora Editora


LANÇAMENTO EM COIMBRA


DIA: 9 de Maio de 2024 (18,00 horas);

LOCAL: Casa Municipal da Cultura de Coimbra (Rua Pedro Monteiro);

ORADOR: António Pedro Pita

A não perder

J.M.M.

sábado, 21 de outubro de 2023

GRÉMIO LUSITANO – REVISTA, ANO XII, N.º 25, 2023


Saiu a revista nº25 (2 semestre de 2022) Grémio Lusitano [Propr. Grémio Lusitano; Editor: Grémio Lusitano; Director: Pedro Luiz de Castro; Director-Adjunto: Henrique Monteiro; Coord.: Pedro Luiz de Castro, Álvaro Carrilho, Inês Marques; Redacção: Rua do Grémio Lusitano, 25, Lisboa].

A revista n.º25 é totalmente dedicada à Maçonaria no Feminino, procurando “trazer à luz tanto as diferenças como as semelhanças e compreender os desenvolvimentos que sobre este tema vão suceder no futuro” [do Editorial]. Trata-se de um assunto que, no dizer do Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, “está na ordem do dia na Obediência" no sentido de procurar encontrar "as vias que correspondam aos caminhos do futuro do GOL, sempre no mais puro e autêntico espirito de Liberdade, Fraternidade e Tolerância [Fernando Cabecinha]

TÁBUA:

Editorial [Pedro Luiz de Castro] / Maçonaria Feminina - um Pouco de História [Fernando Cabecinha, Grão-Mestre do GOL] / Iniciação, Adopção, Maçonaria no Feminino [Joaquim Grave dos Santos] / A Maçonaria no Feminino [Inácio Ludgero, Grão-Mestre do Grande Oriente Ibérico] / Maçonaria de Adoção Versus Maçonaria Ibérica no Século XIX [Manuel Rajo] / A Maçonaria no Feminino [Maria Odete Isabel, Grã-mestre da Grande Loja Feminina de Portugal] / Mixidade em loja - opção ou imposição categórica? [Joaquim Grave dos Santos] / Iniciação ou Regularização de Mulheres no GOL [Respeitável Loja Simões Coimbra] / O Regresso da Mulher ao Grande Oriente Lusitano [Manuel Pinto dos Santos] / Mulheres na Maçonaria - A responsabilidade histórica do GOL [Ricardo Alves] / Está lá fora uma senhora! [Respeitável Loja Mithras Solar] / O género na franco-maçonaria universal [José Eduardo Meira da Cunha] / As mulheres e a maçonaria [Philip Carter] / A admissão de senhoras nos templos [reprodução do Boletim Oficial do GOLU de 1877]  

J.M.M. 

terça-feira, 20 de junho de 2023

O PEDREIRO LIVRE – NOS 200 ANOS DA CARTA DE LEI CONTRA AS SOCIEDADES SECRETAS

O Pedreiro Livre (200 Anos da promulgação da Carta de Lei, por D. João VI, contra as Sociedades Secretas); Edição BMBM; Redação: Todos Manos; Vale do Mondego, Edição Fora de Mercado (tiragem de 33 exemplares)

► Trata-se de uma curiosa revista, de tiragem muito reduzida e fora de mercado, publicada pela Biblioteca Maçónica do Baixo Mondego, relembrando os 200 Anos da Carta de Lei contra as Sociedades Secretas, no seguimento do golpe contrarrevolucionário miguelista anti-liberal e a poucos dias da auto-suspensão das Cortes Extraordinárias (2 de Julho 1823).

TÁBUA: O Antimaçonismo, Nota sobre o Antimaçonismo, Eu queria dizer-te … (Almeida Garrett), Algumas Efemérides do Antimaçonismo, A Carta de Lei … um caso prático, Carta de Lei de 20 de Junho de 1823 (transcrição), Proclamação de D. Miguel, Sobre as Associações Secretas (Fernando Pessoa).

 J.M.M. 

quarta-feira, 14 de junho de 2023

[GRÉMIO LUSITANO – 16 DE JUNHO] – 200 ANOS DE PROIBIÇÃO DA MAÇONARIA PORTUGUESA

 


200 ANOS DE PROIBIÇÃO DA MAÇONARIA PORTUGUESA OU SOBRE O ANTIMAÇONISMO

DIA: 16 de Junho de 2023 (18,00 horas);

LOCAL: Grémio Lusitano;

ORADOR: José Adelino Maltez;

APRESENTADOR: Manuel Pinto dos Santos;

ORGANIZAÇÃO: Instituto Português de Estudos Maçónicos | Grémio Lusitano 

“Proibição da Maçonaria? Ou dos Maçons? Ou dos hereges e criminosos de lesa-majestade?  

O trajecto persecutório das autoridades portuguesas sobre os maçons não foi sempre igual, adaptando-se conforme as conveniências dos tempos.

No século XIX e no XX, já não se perseguiam propriamente os maçons, mas sim as sociedades secretas, e em 1935, as associações.

Para conversar e esclarecer-nos sobre o tema, o PROF. DR. ADELINO MALTEZ disponibilizou o seu tempo numa conferência aberta a todos, organizada pelo Instituto Português de Estudos Maçónicos do Grémio Lusitano

[Rua do Grémio Lusitano, nº 25,  Lisboa, dia 16 de junho de 2023, pelas 18h00] 

► “Estamos neste mundo, divididos por natureza em sociedades secretas diferentes, em que somos iniciados à nascença; e cada uma tem, no idioma que é o seu, a sua própria palavra de passe (Fernando Pessoa). Por isso, vamos revisitar um alvará de 30 de março de 1818, que proíbe associações não autorizadas, declarando criminosas e proibidas todas e quaisquer sociedades secretas e lembrar os duzentos anos da carta de lei de 20 de junho de 1823, do governo Palmela/Subserra, referendada pelo ministro da justiça Falcão de Castro, onde se diz que são formalmente extintas as sociedades secretas, proibindo-se a adesão dos funcionários públicos a tais associações. Recordaremos outros projetos parlamentares de 1844-1845 no mesmo sentido. Ou quando os jesuítas, em 1884, desencadeiam uma campanha antimaçónica, na sequência da encíclica Humanum Genus, de 20 de abril. O Geral dos jesuítas emite carta convidando todos os membros da congregação a combater a maçonaria; o provincial Vicente Ficarelli, divulga-a, em circular de 15 de julho, apelando à criação de uma cruzada nesse sentido. Mas não esqueceremos a famosa bula de Moscovo, emitida a partir de Trotski, de 25 de novembro de 1922, base teórica das decisões antimaçónicas do IV Congresso da Internacional Comunista, a chamada Bula de Moscovo, com argumentos usados pelo nazi-fascismo e certos contrarrevolucionários da extrema-direita e a nossa querida lei de 1935. Só é moda aquilo que passa de moda. Só é novo aquilo que se esqueceu” [José Adelino Maltez]

J.M.M.

sábado, 10 de junho de 2023

JOSÉ BOAVIDA PORTUGAL – DA LIBERDADE À DEMOCRACIA. CENTENÁRIO DE UMA CONFERÊNCIA MAÇÓNICA

 


LIVRO: José Boavida Portugal – Da Liberdade à Democracia. Centenário de uma conferência maçónica;

AUTOR: José Boavida Portugal, com texto de José Herculano e capa de Sara Sampaio.

► Trata-se da reprodução de uma Conferência – Da Liberdade à Democracia - proferida pelo jornalista republicano e maçon José Boavida Portugal (1885-1931), a 10 de Junho de 1823, em Sessão Magna da Loja Irradiação (Lisboa) e que saiu em competente opúsculo, pela livraria Central Editora. Esta memória apresenta com uma curiosa biografia do conhecido jornalista do jornal República e amigo do poeta Fernando Pessoa.    

“ Em Sessão Magna da Loja Irradiação, do Grande Oriente Lusitano Unido, a 10 de Junho de 1923, José Boavida Portugal apresenta a conferência Da Liberdade à Democracia, que nesta data de centenário recuperamos para a memória viva dos homens e mulheres livres e de bons costumes. A transcrição é fiel ao original em tudo menos na ortografia, onde optámos por utilizar uma norma ortográfica um passo mais à frente no caminho da contemporaneidade.

Um Século está naquele ponto em que o nosso olhar encontra tanto de familiar quanto de estranho. O passado ainda não está no ponto em que tudo nos parece um conjunto disperso de pedras desgastadas, deslavadas de todas as suas cores originais, de quotidianos perdidos, mas a sua interpretabilidade já nos obriga a estudos e cautelas.

A República ainda é jovem de doze anos, a Grande Guerra acabou ainda não há cinco anos. Na Rússia a vitória bolchevista na guerra civil ainda está a seis dias de distância. Mussolini chegou ao poder em Itália há apenas oito meses. Na Alemanha os que se crerão senhores do mundo ainda discursam o ódio pelas cervejarias da Baviera e se envolvem em pancadarias pelos becos. Em Nova Iorque vivem-se os loucos anos 20 e a euforia bolsista, que durará ainda mais seis anos.

Em Portugal a promessa da República tarda em se cumprir; facções lutam com outras facções, há golpes e assassinatos. Mas há também vigor de ideias, e o tempo está prenhe de imensas possibilidades.

Como ler este tempo? Como ver esta época? Comecemos por ler quem a viveu, quem a sonhou. Criticamente, sim, mas tendo a noção plena que os homens não nascem nem se desenvolvem num vazio social, e que por muito que queiram iluminar os cantos mais sombrios da sua época, por muito que abracem o progresso e as causas progressistas, são ao mesmo tempo fruto vivo dessa mesma época e das suas convenções. Leitores críticos, sempre, juízes, nunca. A estranheza que sentimos ao olhar estes cem anos de distância sentirão em relação a nós os vindouros. A vida não é uma sequência de portos, mas uma infindável viagem”.

[José Herculano]


“Eu não sei em que altura da vida o homem exerceu a sua inteira liberdade. E, se liberdade também quer dizer possibilidade, o problema torna-se mais obscuro: o exercício pleno da vontade só devia ter sido possível ao homem selvagem, ao homem isolado e ainda a sua fantasia – a sua vontade não inteiramente subordinada à razão – o havia de torturar, pondo-lhe muitas vezes diante o impossível.

Todavia, a palavra mágica Liberdade resume toda a história do homem. E é hoje a sobrevivência do primeiro grande sonho do homem. Se existiu, pouco durou o estado de liberdade pura e independência absoluta, porque o instinto de sociabilidade, para a família, para a grei, cedo fez que a Liberdade se transfundisse no Direito.

O Direito […]”

[in Da Liberdade à Democracia - sublinhados nossos - LER AQUI]

J.M.M.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

A MAÇONARIA PORTUGUESA 1926-1974

 


LIVRO: A Maçonaria Portuguesa. As suas ideias e a sua relação com a sociedade e as forças políticas;
Autor: António Lopes;
EDIÇÃO: Âncora Editora, Maio de 2023, 744 p.

LANÇAMENTO:

DIA: 2 de Junho de 2023 (18,00 horas);
LOCAL: Feira do Livro de Lisboa, Parque Eduardo VII (Palco Praça Amarela);
ORADOR: Dr. Fernando Marques da Costa;

► “ … Este estudo é o resultado de uma investigação e reflexão sobre a relação da Maçonaria com as oposições ao Estado Novo, num período pouco abordado, lacuna cujas causas tanto podemos ver no seu tempo recente, como no facto do assunto ser frequentemente remetido para um certo nicho de secretismo, como ainda por uma nítida dificuldade em o abordar pela escassez de documentação e também pela cristalização de alguns mitos. Temos, portanto, consciência da dificuldade de enfrentar esta temática num território relativamente virgem, com todas as desvantagens de que tal se reveste.

Pretende-se, mais do que apresentar nomes, ainda que estes sejam importantes, refletir sobre as ideias que circulavam nas lojas maçónicas ou entre os maçons e as suas relações com os movimentos de oposição à Ditadura, contribuindo para a emergência de uma ideia global sobre o pensamento e a prática maçónica durante este período. Visíveis na correspondência das diversas Lojas, nos trabalhos desenvolvidos pelos maçons e, mais raramente, nos já muito poucos testemunhos orais, essas informações permitem colmatar espaços e traçar um quadro da atividade da Maçonaria numa época que à primeira vista se afigura desértica. Pretende-se ainda perceber os momentos de maior mérito, de vivida dificuldade ou de ausência e de presença nas grandes questões sociais e políticas do país ou ainda as flutuações ou mesmo alterações no discurso dos dirigentes maçónicos enquanto tal ou no âmbito da sua atividade política. Por isso não é uma abordagem desapaixonada.

[…] Ainda que o Estado Novo tenha o seu início em 1933, por motivo de contextualização, o período cronológico abrangido vai do golpe de 28 de maio de 1926 à revolução de 25 de abril de 1974. Período longo, mas que interessa abordar de forma única, permitindo por isso verificar linhas dominantes que justificam coerências ideológicas ou posições conjunturais decorrentes de fenómenos políticos momentâneos e que possibilitam a justificação de alguns acontecimentos. E esta é outra dificuldade inerente a este projeto, que por ser um espaço temporal longo e acrescido da necessária contextualização, implica uma gestão que oscila entre o seu gigantismo e o evitar de quaisquer riscos de superficialidade.

Dividimos a história da Maçonaria e da sua relação com os movimentos oposicionistas ao Estado Novo em três grandes períodos: o primeiro, a Ditadura Militar, entre 1926 e 1933, porque nos permite compreender o ambiente antimaçónico persistentemente construído, com as propostas e anseios da direita republicana, boa parte presente nas Lojas do GOLU (Grande Oriente Lusitano Unido), e ainda porque nos permite perceber as bases ideológicas e estruturais do regime, assim como as convulsões políticas vividas no início da década de trinta e, naturalmente, o trabalho desenvolvido nas Lojas, incluindo as suas próprias contradições ou derivas.

[…] O segundo período vai de 1933 ao início da década de sessenta. É um período longo, e ainda que diferente antes e depois da II Guerra Mundial, em que o regime persiste em nada mudar, mesmo vindo a ser obrigado a fazê-lo face às contingências da Guerra Fria. É um período onde não são claras as fronteiras entre os movimentos republicanos e socialistas e a Maçonaria, onde a ilegalização da Maçonaria constitui um momento marcante, e onde muitos protagonistas atuam simultaneamente em papéis, estruturas e funções diferentes.

[…] O terceiro período, a década de sessenta e a década de setenta até à Revolução de 1974, é aquele em que o regime se mostrou mais desadaptado às novas realidades políticas, sociais e económicas, do país e do mundo, enfrentando novas formas de oposição, que desconhecia e para as quais não estava preparado, nomeadamente por novas camadas sociais, por novas forças políticas e recorrendo com mais frequência a ações de confronto direto.

[…] Este trabalho tem também por intenção que não se percam nas brumas do esquecimento todos aqueles que lutaram pela Liberdade, à sua maneira, de acordo com as suas ideias, numa tarefa árdua e persistente, almejando uma sociedade melhor. Por isso, complementarmente são elencados muitos dos nomes que construíram esse pensamento e as ações de oposição ao regime.

[…] A Maçonaria atravessa todo o período da Ditadura com momentos diferenciados. Mais viva, mais discreta, mais ou menos organizada, até mais ou menos interventiva, mas em todos eles conspirando para mudar o regime e trazer a Portugal a chama da Liberdade. Por isso, a este propósito, em entrevista concedida à RTP em 1988, Adelino da Palma Carlos lembrava que o que faz alguém entrar para a Maçonaria é o amor à Liberdade e a vontade de lutar pela Liberdade.

[in Nota Prévia – sublinhados nossos]

J.M.M.