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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

LUÍS DE MELO E ATAÍDE (1863 – 1925) - NOTA BREVE


Luís de Melo e Ataíde nasce em Lisboa a 29 de Agosto de 1863. Assentou praça em 24 de Novembro de 1878 (tinha 15 anos), no Regimento de Infantaria 16, tendo sido promovido a alferes a 26 de Dezembro de 1895, a tenente em 22 de Junho de 1900 [in Revista Militar, 1925, Julho-Agosto, nº 7-8], terminando a sua “veneranda” figura no exército português como coronel [ibidem; ver, ainda, jornal A Luz, Junho de 1925]. Serviu na Secretaria da Guerra, comandou tropas e teve a seu cargo, já no fim da carreira, o comando do Regimento de Infantaria da Reserva nº 16. Passou à reserva em 1923.

Luís de Melo e Ataíde tinha uma sólida cultura literária e militar. Porém, não cursou, “por circunstâncias independentes da sua vontade” [ibidem], a Escola do Exército, e só mais tarde frequentou com aproveitamento o Curso Superior de Letras. A sua colaboração periodística é curiosa: foi proprietário e redactor do jornal Marte; teve colaboração no Diário Popular (de Mariano de Carvalho), no jornal Tempo (de Dias Ferreira), no Diário Popular (de Mariano Presado); foi o director do importante periódico maçónico A Luz [1918-1928; editado pelo Grémio Luso-Escocês, mais tarde pelo Grémio Lusitano; esteve na sua direcção até ao seu nº 166, Ano VI – ver AQUI]; colaborou na Revista de Infantaria e foi, ainda, sócio efectivo, director-gerente e secretário da conceituada Revista Militar.

Nessa época a sua actividade era o estudo de “técnicas militares”, tendo publicado vários artigos e opúsculos: Programma para exame de cabo esquadra, ordenado no capítulo quinto do regulamento para o serviço dos corpos do exército (1880); História do fogo da infantaria e da sua influência sobre as formações tacticas e resultado dos combates por M. J. Ortus (Gazeta Militar, 1885-86); Estudos Tacticos dum subalterno d’infantaria, II tomos (Typ. Universal, 1902 e 1904), trabalho distinguido pelo então ministro da guerra; e o trabalho Combate de Infantaria contra a Cavalaria (1904), premiado como 2º prémio no concurso promovido pela antiga Revista de Infantaria.

Em 1906 afastou-se da imprensa política, arrendou uma propriedade urbana e rústica, dedicando-se à agricultura, ao mesmo tempo que cumpria “pontualmente” os seus deveres no Ministério da Guerra. Os seus estudos sobre agricultura estão espalhados na imprensa da especialidade, tendo-lhe sido atribuído, em 1909, a comenda de Mérito Agrícola [A Luz, ibidem].

Em 1910 faz uma comissão de serviço (“julga-se a seu pedido”) na África Ocidental, como capitão-mor das Ganguelas e Ambuelas e comandante da 13.ª Companhia Indígena de Infantaria, ali permanecendo até Março de 1912, regressando à metrópole, sendo colocado em Chaves e depois vindo para Lisboa. Nesse período escreveu vários artigos sobre Angola [veja-se, principalmente, “O Perigo de Despovoamento de Angola”], no Diário de Notícias e no Boletim da Sociedade de Geografia

Luís de Melo e Ataíde era republicano, situando-se na área do partido evolucionista de António José de Almeida. Foi iniciado na maçonaria na poderosa loja Liberdade [Oficina de Lisboa instalada em 1896 e que acompanhou a dissidência do Supremo Conselho do Grau 33 – ou Grémio Luso-Escocês, como foi conhecido no mundo profano – tendo regressado ao GOL em 29 de Maio de 1820, mantendo-se ativa durante a clandestinidade] em Julho 1913 e, como já dissemos, foi o principal fundador, orientador e diretor do jornal A Luz, tendo apresentado (1917) a proposta da sua publicação - como “órgão de combate à reação” - nos trabalhos do Grémio Liberdade, não sem algumas dificuldades e muitas descrenças. Fez Melo e Ataíde inúmeras e importantes conferências sobre estudos filosóficos e livre-pensamento (como a que teve o título “Equação da Felicidade”], deixando escrito, sob o nome de Luiz de Camões (possivelmente o seu nome simbólico), o opúsculo “Aspirações de um Maçon” (Tip. Comércio e Industria, 1915, p. 34) e “Primeiros Passos”. Foi diretor do Asilo S. João, criando o Prémio em homenagem ao benemérito [Augusto Frederico] Gazul dos Santos.

Luís de Melo e Ataíde faleceu no dia 2 de Junho de 1925. O seu funeral partiu da sua casa na Rua da Saudade, 13, para o cemitério Oriental de Lisboa. Tinha a comenda de Avis e a medalha de ouro da classe de Comportamento Exemplar.

J.M.M.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

PELA LIBERDADE! NO DEALBAR DA REVOLUÇÃO DE 1820



Pela Liberdade! No dealbar da Revolução de 1820” [Extracto] – por Maria Otilia Pereira Lage, in Público, 18 de Agosto de 2020
[…] 1. Quais os antecedentes da Revolução de 1820?
Estruturalmente, Portugal ocupava já no sistema-mundo capitalista e na economia-mundo europeia um lugar semiperiférico em que se reflectiam as disputas interestaduais pelo domínio e posição hegemónica. A França e a Inglaterra, lutando entre si pela supremacia, desde 1682 a 1815, procuraram afastar das redes comerciais mundiais os países que sucessivamente as dominaram: Portugal, Espanha e Holanda, alterando a geografia política do comércio mundial, radicalmente reestruturada. Do conflito social generalizado nas lutas pelo poder resultou, no século XVIII, o abalo das revoluções americana e francesa e o caos do sistema políticosocial do Antigo Regime, só se encontrando novo equilíbrio, mais tarde, com o Tratado de Viena (1815) que marcou, ao tempo, um período de paz na Europa. A hegemonia passará a ser do imperialismo britânico de livre comércio, todo o sistema interestados será reorganizado e uma única potência, a inglesa, passaria a dominar quase todo o mundo.

Entrecruzava-se nessa estrutura uma adversa conjuntura político-económica nacional e internacional de Portugal, marcada pelo impacto das três invasões napoleónicas (1807-1810), tendo-se verificado em 1808, a fuga da família real e da corte, de Lisboa para o Rio de Janeiro, enquanto as forças britânicas comandadas pelo duque de Wellington aqui desembarcaram para conduzir militarmente a resistência contra os invasores franceses até à sua expulsão definitiva e derrota da política imperial francesa na Península Ibérica. Outros factores agudizavam as contradições e conflitos internos do país agravando as dificuldades financeiras do Estado: ameaça de perda dos mercados brasileiros, gastos e prejuízos da Guerra Peninsular (1808-1814), uma quase imobilidade produtiva do país, aliada à persistente presença e manutenção entre nós do Exército britânico.
Após a expulsão das tropas francesas de Portugal (1812-1813), a conjuntura política portuguesa continuava marcada por grande fragilidade devido à dependência e pressões externas, contradições e dissensões internas de ordem governativa, e factores adversos, de ordem económico-financeira, militar, jurídica e social. Eram múltiplos e de diversa natureza os condicionalismos existentes: permanência da corte no Rio de Janeiro, indesejada na metrópole, relegada a estatuto subalterno; comando militar do Exército português a cargo do marechal britânico Beresford; despesas com as tropas nacionais financiadas pela potência aliada; implicações do cumprimento obrigatório das cláusulas dos tratados de Comércio e Amizade de 1810, favoráveis a Inglaterra; frustração dos interesses portugueses nas negociações do Congresso de Viena (1815).

Tudo isso e a constante interferência britânica na política governativa do Reino, tornava a Regência luso-britânica em Lisboa incapaz de tomar decisões em matérias fulcrais, dado o seu poder limitado nas esferas política, financeira, militar e judicial, e a dependência quer das orientações do príncipe regente e do Governo instalados no Rio de Janeiro, quer das obrigatórias consultas aos agentes políticos e diplomáticos britânicos. O facto sui generis de Portugal estar a ser governado por uma regência dual constituída por Beresford e pelos governadores nomeados em Lisboa espartilhava o poder político, mantendo-o instável e enredado em contradições, sob os olhares complacentes da corte sediada no Rio. A polarização destes poderes paralelos afectava os seus interesses pecuniários, influía nas questões financeiras e impedia o desenvolvimento do país com urgência de grandes mudanças.
 
2. Que papel tiveram as sociedades secretas e a imprensa liberal no exílio londrino?
A conturbada e contraditória atmosfera político-económica e sociocultural da época, marcada por férrea censura repressiva e ausência de expressão pública e de liberdade de imprensa em Portugal eram debatidas nas sociedades secretas que conspiravam em prol do constitucionalismo e se encontravam já em formação na Península Ibérica depois da Guerra Peninsular. Desde 1808-09 que emergiam na Península Ibérica tendências liberais, que em Espanha irão desembocar na Constituição de Cádis que viria depois influenciar a nossa Constituição vintista e, em Portugal, em 1808, se traduziram numa “súplica” redigida por um grupo de notáveis da cidade de Lisboa que pedia “uma constituição e um rei constitucional”.

Entretanto, “o desmantelamento sofrido pela instituição maçónica, devido às perseguições dos anos 1809, 1810 e 1811, não lhe permite já desempenhar qualquer papel, quer como veículo ideológico, quer como congregação de forças. […] Fácil se torna agora à facção jacobina apoderar-se dos comandos da ordem maçónica. É então que a maçonaria muda em Portugal, trocando, para sempre, a bandeira da Inglaterra pela bandeira da França.” (Dias, 1980: 402). A partir de 1812, a maçonaria reorganizou-se, embora a reacção antimaçónica não tivesse abandonado a sua propaganda em panfletos e outras publicações, sucedendo-se deportações e perseguições que levaram muitos maçons a emigrar para Inglaterra.
De 1813 a 1815, os trabalhos maçónicos foram reincentivados, alguns deportados e exilados regressaram, fundaram-se outras lojas e tentou-se reorganizar o Grande Oriente Lusitano. Mas esse empenho maçónico partilhando ideais iluministas e jacobinos da Revolução Francesa, viu-se comprometido pelas agitações políticas de 1817 no Brasil, com a revolta republicana de Pernambuco e, em Portugal, com a designada conspiração de Gomes Freire de Andrade, cuja repressão feroz acabaria por levar à proibição de todas as sociedades secretas declaradas criminosas por alvará real de 30 de Março de 1818, de D. João VI.

No contexto europeu do combate entre as forças pró-revolução e contra– revolucionárias, teve grande influência no alastrar das ideias liberais e pró- constitucionais a imprensa portuguesa londrina resultante da primeira vaga de exilados liberais. Entre os periódicos em língua portuguesa editados em Londres mas que circulavam clandestinamente em Portugal, destacam-se O Correio Brasiliense, precursor dos chamados “jornais de Londres” e um dos mais importantes, publicado de Junho de 1808 a Julho de 1822, O Investigador Português, periódico influente entre os exilados em Londres e elites portuguesas, sendo inclusive lido em Trás-os-Montes, O Portuguêz e O Patriota […]
 
3. Em que consistiu a “Conspiração de Gomes Freire de Andrade”?

Na complexa realidade de Portugal à época, para a qual a resposta política encontrada foi a da criação em 1815, pelo então príncipe regente D. João de Bragança (futuro Rei D. João VI), do “Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves”, com capital no Rio de Janeiro, numa tentativa fruste de remodelação do império português em desagregação, mantinha-se uma grande instabilidade política, fazia-se sentir a insatisfação de certos interesses corporativos face à influência privilegiada dos britânicos, bem como o descontentamento de sectores sociais, económicos e mercantis (mormente negociantes ingleses cujos interesses colidiam com os privilégios da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, cuja extinção defendiam).
Esta atmosfera político-económica e social foi registando progressiva expressão pública na imprensa portuguesa em Londres, designadamente em O Investigador Portuguez em Inglaterra, ou Jornal Literário, Político, &., periódico dirigido desde 1814 pelo jornalista liberal maçónico, exilado em Inglaterra, José Liberato Freire de Carvalho, que aí polemizou, a propósito da Conspiração Gomes Freire, com “Frei Mateus de Assunção Brandão cuja obra fazia defesa acérrima do absolutismo”.

Nesse cenário de um Portugal velho de Antigo Regime em crise e processo de transição para o Portugal Liberal, teve lugar em Lisboa, em 1817, a chamada “Conspiração de Gomes Freire de Andrade”, afloramento desses conflitos do poder político cujo desenlace trágico se traduziu na “primeira manifestação violenta da contra-revolução“ (M.H. Pereira, 2018: 219). Este acontecimento político-militar, na sua dupla face de instrumento do poder vigente e propulsor da memória liberal, fundador do constitucionalismo oitocentista, prenunciou a Revolução de 1820 que instituiu o regime constitucional português, quando nobres e burgueses, civis e militares, exigiram o regresso do rei e expulsaram Beresford e os comandos militares ingleses.
De 1816 a 1820, a situação geral do reino degradara-se e o relacionamento na metrópole entre os governantes portugueses e a autoridade investida de Beresford atingira o seu ponto crítico. Germinavam por outro lado, anseios de “Regeneração”, o que poderia significar o confronto entre o “partido da França” e o “partido da Inglaterra” e a luta entre três correntes: conservadores; liberais favoráveis a reformas por “graça” de um soberano dador outorgante de liberdades; partidários românticos de uma radical “regeneração”, ideia que andava no pensamento dos liberais portugueses e se expandia nesses anos.

Em 1817, a “Conspiração” de Gomes Freire de Andrade, alegadamente encabeçada por Gomes Freire, venerável da loja maçónica dita “Regeneração” e pelo organismo secreto “Conselho Supremo Regenerador de Portugal, Brasil e Algarves”, foi evidente manifestação, com desenlace trágico, desses conflitos e confrontos (ibidem). Conhecem-se as reacções e os debates que desde logo a envolveram, designadamente pelos periódicos da época publicados em Inglaterra, como O Investigador Portuguez, que assim começou por se lhe referir: “Reino de Portugal. Demos principio neste N.º á publicação da Sentença e Acordaons proferidos contra os reos de alta traiçaõ, justiçados em Lisboa no memorável dia de I8 de Outubro, de 1817. Este facto hé importantíssimo, e deve formar uma grande epocha na interessante historia de Portugal desde os fins de 1807 até nossos dias; e por isso merece ficar perpetuado em todos os escriptos do tempo.”
Tratou-se de um intrincado processo político violentamente repressivo levado a cabo contra duas dezenas de militares e civis liberais, suspeitos conjurados e focado na figura de Gomes Freire que “visou a desarticulação de um movimento liberal, essencialmente militar, centrado na capital, com ramificações no Porto e outras zonas do país” (M.H. Pereira, 2018:149-150).

Tal acontecimento, “decorridos apenas três anos, vai ocupar um lugar destacado na construção da memória do novo regime liberal em Portugal”, vindo a configurar um acontecimento histórico nacional “fundador do liberalismo oitocentista” (M.H. Pereira, 2018:149-150) de grande significado e repercussão prolongada. Após a fase apologética do período vintista, a construção dessa memória consolidou-se com a “estabilização da monarquia constitucional e atravessou o século XIX, sendo retomada pela República no primeiro centenário, em 1917” (ibidem).
Pela Liberdade! No dealbar da Revolução de 1820 – por Maria Otilia Pereira Lage, jornal Público, 18 de Agosto de 2020, pp. 34/35 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

sábado, 15 de agosto de 2020

ÁLVARO SOARES ANDREA (1864 – 1939) - NOTA BREVE


“… Álvaro Soares Andrea acredita ter aprendido a navegar antes de o mar ter nascido. Durante décadas vagueou ao longo da costa africana e desbravou rios que estão ainda por nomear. E foram tantas as viagens que não há noites que bastem para contar as suas aventuras. Daí o seu desdém pelos caprichos de Mouzinho de Albuquerque.

- Quem sabe do mar sabe dos céus -proclama o comandante enquanto percorre, para cá e para lá, toda a extensão da sua corveta.

Está alvoroçado, não pregou olho toda a noite. Foi visitado por sonhos, estranhos presságios. Sonhou que se tinha convertido num prisioneiro negro e que viajava no porão do seu próprio navio. No mesmo sonho, Mouzinho desamarrava-lhe os pulsos e agitava um caderno em frente do seu rosto: É isto que andas a escrever contra mim, meu filho da puta? No cano das botas ia roçando uma nervosa vergasta. Depois ia roçando uma nervosa vergasta. Depois atirava-lhe o caderno para o colo. Queria que o lesse em voz alta. Andrea segurava as folhas com mãos trémulas. Dava conta de que aquela era a sua caligrafia. Mas logo se apercebia de que escrevera tudo aquilo numa língua que não entendia. Parecia-lhe zulu, não tinha a certeza. E despertava, estremunhado.

- Quem sabe do mar sabe dos céus -repete Andrea, como se o mote o ajudasse a permanecer desperto. Volta a olhar as nuvens escuras por cima do oceano. Sujeita-se, enfim, ao comando das insondáveis forças da natureza. Confia mais nessa estrela interior - que alguns designam de intuição - do que em mapas e bússolas que se mostram imprestáveis nos mares tropicais …”

[Mia Couto, in As Areias do Imperador – Livro Três. O Bebedor de Horizontes]

 


Álvaro Simões de Oliveira Soares Andrea nasce em Lisboa em 31 de Agosto de 1864. Era filho do contra-almirante liberal Tomás José de Sousa Soares de Andrea (1824-?) e de Maria Luísa Virgínia de Sequeira e Oliveira. O avô paterno, Tomás José de Sousa Soares de Andrea (1777-1826) era oficial do exército e esteve a Guerra Peninsular e lutado ao lado das forças liberais durante a guerra civil, comandando os esquadrões do Regimento de Cavalaria N.º 7 de Vila Viçosa, tendo morrido por ferimentos em combate em 1826 [ver livro de Álvaro Soares de Andrea, O Systema decimal mundial e o Relogio decimal, Typografia e Papelaria Corrêa & Raposo, Lisboa, 1909].

Álvaro Soares Andrea foi um distintíssimo oficial da marinha, servindo nas Colónias, onde participou (1895) na Campanha de Gaza, em 1895 e no Combate de Macontene (1897, Moçambique). Foi na campanha de Moçambique que se distinguiu, principalmente na operação e prisão de Gungunhana, o último imperador de Gaza, comandando a Capelo.

Tinha elevadas condecorações: o Colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito; era Cavaleiro e Oficial da Ordem Militar de Avis, Oficial da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa; tinha as Medalhas de Valor Militar, de Comportamento Exemplar, e da Campanha do Tungue (1889), de Moçambique (1894-1895), e do Niassa (1899).

Em 1905 é iniciado como maçon, na Loja Simpatia e União, com o nome simbólico de Tomás Andrea [possivelmente em memória do seu avô]. Pertenceu à Carbonária, sendo na época um republicano radical, integrando, após o 5 de Outubro, a denominada Federação Republicana Radical. Em 1910, no levantamento do 5 de Outubro, teve Soares Andrea uma importante intervenção, na tomada do Quartel de Marinheiros, de Alcântara.

Reformou-se a 18 de Novembro de 1910. Participou, a 27 de Abril de 1913, no que será a primeira revolta republicana, de civis e militares [Curiosamente a revolta integrava vários elementos da maçonaria] contra o governo da Republica, então dirigido pelo dr. Afonso Costa. Foi preso e enviado para os Açores com residência fixa.

Morre a 14 de Agosto de 1939, estando sepultado no cemitério dos Prazeres. Era casado com Elisa Sofia Pinto Andrea.
 
J.M.M.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

REVISTA DO GRÉMIO LUSITANO ANO 9, Nº 21 – 1º SEMESTRE 2020


Grémio LusitanoAno 9, 21, 1º Semestre 2020, p.87; Editor: Grémio Lusitano; Dir: António Lopes; Coord: António Lopes e Álvaro Carrilho; Red.: Rua do Grémio Lusitano, 25, 1200-211 Lisboa.

«Uma revista como Grémio Lusitano pretende constituir-se como um espaço de livre debate de ideias, tendo por base os valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, como de resto se assinala no seu Estatuto Editorial. Com este número assumimos uma viragem no sentido de dar à nossa revista um caráter mais académico e de instrumento de trabalho para todos nós.

Defendendo, como de resto sempre foi timbre da Maçonaria, a existência de uma opinião pública informada, ativa e interveniente, condição essencial para o exercício pleno da cidadania, compatibilizamos o livre pensamento, o refletir sobre as ideias em debate e o equacionar novas questões, com a Tradição, considerada esta como uma memória do passado, fundada na transmissão, onde estão presentes sinais, símbolos ou outras formas de registo, que desembocam no enriquecimento intelectual.

As questões ligadas ao Liberalismo são a base de uma sociedade social e politicamente democrática, participativa civicamente e tolerante na diversidade de opiniões e onde o enriquecimento intelectual é a ferramenta a que a Maçonaria sempre recorreu. São igualmente a base da sociedade que hoje conhecemos e de que usufruímos. Por isso, nada melhor do que recordar estes 200 anos da Revolução Liberal como tributo àqueles que em 1820 abriram a porta para a existência de uma Constituição. Com raízes no Iluminismo do século XVIII, estruturante das sociedades europeias e do continente americano do século XIX, pressupõe o Liberalismo, a existência de Liberdade, de um consentimento e representatividade dos governados e da igualdade perante a Lei. Pressupõe também a liberdade de escolha política, alternância de poder e, naturalmente a liberdade de pensamento. Valores e princípios que facilmente hoje admitimos como “naturais”, mas que infelizmente nem sempre foi assim e dos quais nunca nos devemos esquecer. Lembremo-nos de um dos grandes detratores da Maçonaria, José Agostinho de Macedo, que considerava que a Igualdade era contrária à “ordem natural das coisas” e como tudo na natureza era desigual, referindo como exemplo os dedos de uma mão, as árvores ou os homens, logo a desigualdade era, em seu entender, natural e indispensável à sociedade.

Por isso, o ano de 1820 e a revolução então ocorrida, constitui um marco histórico na História de Portugal, no qual muitos maçons tiveram um papel ativo. Inspirados em Locke, Adam Smith, Rousseau ou Montesquieu construíram o primeiro texto constitucional em 1822, primeiro de vários onde se discutiu se uma Constituição deveria sair dos representantes do povo ou concedida pelo monarca, se era um texto construído diligentemente pelos deputados ou se apenas plebiscitado, um debate que em todas as épocas atravessou a Maçonaria, como interveniente ativo na construção de uma sociedade melhor, mais justa e fraterna» [António Lopes]

TÁBUA: A Revolução em diferido: os Açores e a primeira experiência liberal (José Damião Rodrigues); Soberania Nacional, Monarquia e República: do 24 de Agosto de 1820 ao 5 de Outubro de 1910 (Rui Albuquerque); Vintismo e espaço público (Maria de Fátima Nunes); Transformações da propriedade fundiária: do Antigo Regime ao Liberalismo (Duarte Leite); A Crise do sistema liberal e o advento do novo regime (Amadeu Carvalho Homem); Maçonaria nos Açores: Tipografia e Jornalismo (António Valdemar); O Liberalismo visto pelos seus opositores (António Lopes); Teotónio de Ornelas – a sombra da juventude (Jorge A. Paulus Bruno); Um herói na revolução – Manuel Borges Carneiro (Albino Matos); O Jornalista Conimbricense Joaquim Martins de Carvalho (1822-1898) (José Manuel Martins); Museu Maçónico Português: Acervo do Liberalismo 

Revista à venda no Grémio Lusitano

J.M.M.

sábado, 20 de junho de 2020

ELIAS ASHMOLE (1617-1692) ... MEMOIRS OF THE LIFE OF THAT LEARNED ANTIQUARY ...



Memoirs of the life of that learned antiquary, Elias Ashmole, Esq; drawn up by himself by way of diary. With an appendix of original letters, Ed. Charles Burman, publisher J. Roberts, London, 1717

Elias Ashmole (1617-1692) "nasceu em Lichfield em 23 de maio de 1617, às 3 horas, 25 minutos e 49 segundos da manhã" ... pelo que escreveu nas suas Memórias (publicadas em 1717).  
Os distintos e inesgotáveis interesses de Elias Ashmole são virtuosos: astrologia, alquimia [escreveu Theatrum Chimicum Britannicum, London, 1652; aqui estão compilados os mais famosos filósofos ingleses que se dedicaram ao hermetismo], magia, botânica, foi historiador [parte da sua colecção e biblioteca - com raros manuscritos - foi doada à Universidade de Oxforf  Ashmolean Museum], fundador da Royal Society, rosa-cruz e, ao que é possível apurar nas suas Memórias, o primeiro maçon especulativo a ser admitido numa loja operativa.

«De acordo com o seu diário foi recebido (accepted) maçon em 1646.10.16, em Warrington, no Lancashire, no noroeste de Inglaterra a cerca de 325 Km de Londres, sendo considerado o primeiro – porque não há outros registos coevos - maçon especulativo a ser admitido numa loja operativa.
O testemunho é de extrema importância porquanto afasta por completo a tese de que a maçonaria especulativa teria origem com Christopher Wren, o reconstrutor da Grande Londres após o incêndio de 1666. Provavelmente, aconteceria em Londres com Wren o que se passou com Ashmole em Lancashire. Por outro lado, prova que a maçonaria estava difundida pelo território inglês e não se cingia a Londres.

Em 1682.03.11 Ashmole fazia parte de uma loja maçónica em Londres em Masons-Hall, localizada na Mason's Alley Basinghall Street, rua ainda hoje existente.
Estudioso da alquimia escreveu Theatrum Chimicum Britannicum, London, 1652. A obra revela influências dos trabalhos de Robert Fludd (1574.01.17-Londres, 1637.09.08) médico paracelsista, alquimista, astrólogo, matemático, cosmologista, esoterismo, tendo escrito tratados sobre o macrocosmo e o microcosmo.
 
 
Correspondia-se com os rosa cruzes Dr. John Moore (1595?-1657), Bispo de Norwick e Ely, John Booker (1603–1667), astrólogo, William Lilly (1602.05.01- 1681.06.09), astrólogo e ocultista, que previu 14 anos antes o grande incêndio de Londres de 1666, Dr. Thomas Wharton (1614–1673) médico e anatomista, autor de Arcanum, or the Grand Secret of Hermetic Philosophy, publicado no Theatrum Chemicum Britannicum, amigo de Ashmole, e Dr. William Currer (+1668.09.16), médico e químico, o melhor amigo de Ashmole, segundo o próprio …» [via M.P.S.]
As Memórias cobrem os 75 anos de vida de Ashmole, à volta de pouco mais de uma página por ano. Ocupa-se de diferentes assunto da sua vida, mas há a curiosa referência ao seu segundo casamento, com a rica e três vezes viúva Lady Mainwaring, ocorrido em 1649. Ora tal possibilitou-lhe uma vida tranquila,  deixando-o livre para se ocupar dos interesses em alquimia, classificação botânica ou maçonaria, surgindo com alguma frequência nas suas Memórias.

Alguns brevíssimos locais: Royal Society | Elias Ashmole (Archive.org)


J.M.M.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

ANTÓNIO NUNES DE CARVALHO (1786-1867) – NOTA BREVE

 
Ao August Seichas, porque sim.

Em 16 Junho de 1786, nasceu em Viseu, António Nunes de Carvalho, aliás, António Nunes de Carvalho da Costa Monteiro de Mesquita. Era filho de Inácio Nunes de Carvalho e de Maria Angélica da Costa. Frequentou os Oratorianos de Filipe de Nery e, em 1804, é nomeado professor substituto da cadeira de latim na cidade.
Pouco depois, pelo honroso convite de Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas, lecionou (1806) Humanidades em Évora, revelando-se um dos mais “doutos e esclarecidos espíritos” desse tempo; em 1808 teve de fugir da cidade, por causa das invasões francesas, salvando a vida do seu protetor Frei Manuel do Cenáculo (incorrendo nos ódios da população), que anos depois, em agradecimento, lhe oferece a maior parte da sua valiosa biblioteca

[Sobre António Nunes de Carvalho consulte-se, com proveito: Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno, 1886, vol. 12, p. 1806 e ss; Dicionário Popular de Manuel Pinheiro Chagas (Suplemento), 1886, Vol 15, p. 159; José Maria de Abreu, Breves Apontamentos …, in O Conimbricense, 1867, nº 2077, 2080/81; Silvestre Pinheiro, Historia dos Estabelecimento …, vol. XVI, pp. 220-222 (acrescentos ao verbete d’O Conimbricense); José Júlio César, Doutor Nunes de Carvalho, in revista Beira Alta, Ano V, ano I a III; Rute Massano Rodrigues, Pitoresco e Romântico: premissas para a conservação do sítio da Arrábida, segundo o doutor António Nunes de Carvalho …, in Artison, 2015, nº1, pp. 223-230].
Em 1813, António Nunes de Carvalho, é nomeado professor interino de Lógica no Real Colégio das Artes de Coimbra e, em 1817, provido definitivamente; matriculando-se na Universidade, conclui a formatura em Cânones (1820) e em Leis (1821), recebendo o grau de doutor em Leis, em 1822, sendo nomeado, por Francisco de S. Luís (futuro Cardeal Saraiva), professor efetivo. Presume-se que tivesse sido iniciado na maçonaria, numa oficina em Coimbra [cf. A. H. de Oliveira Marques, História da Maçonaria em Portugal], que curiosamente reunia (1823) na sua própria habitação (aponta-se a loja como sendo aquela estabelecida na "Rua do Norte", pertencendo as casas à Imprensa da Universidade; a loja seria constituída por muitos lentes e doutores).

A sua adesão à causa liberal levou a que fosse incluído na lista de proscritos, feita pela junta expurgatória de Coimbra, mas a ténue tolerância após a Abrilada evitou a sua (e de outros) expulsão do ensino. A mesma perseguição se passou com vários lentes, estudantes e outros opositores ao absolutismo. Na devassa então feita a António Nunes de Carvalho, refira-se que no dia 7 de Agosto de 1828, os elementos miguelistas “procederam a uma exame nos livros que ele havia deixado”, tomando-se nota dos “trechos considerados impios à doutrina miguelista (Pinho Leal, ibidem). Mais ainda: transcreveram-se cartas dele para Frei Francisco de S. Luís onde estava presente as suas ideias liberais e renovaram a “velha acusação que lhe faziam de pedreiro livre, e de ter em sua casa a loja maçónica dos jardineiros, o que não foi confirmado pelas minuciosas pesquisas nela feita em 1823” (Pinho Leal, ibidem, p. 1809)

António Nunes de Carvalho era um liberal esclarecido e, em 24 de Junho de 1828, no decorrer da sua participação nas lutas liberais, depois do combate perdido em Cruz de Morouços (Antanhol), pelos partidários de D. Pedro, sob comando do general Francisco Saraiva Refoios, deixou Coimbra, “a pé e doente”, acompanhando a tropa liberal a caminho do Porto. Por pouco tempo, dado que o antigo apoiante da revolução de 24 de Agosto de 1820 e ex-deputado constituinte, agora assumido miguelista, o general Póvoas, entra com as suas forças militares na cidade e instala o governo de D. Miguel em todo o país.
Pronunciado por rebelião (o seu nome consta da Lista de Ausentes que foram citados por Cartas de Editos da Alçada a 11 de Julho de 1829) teve que se homiziar, em 1828, partindo para a Galiza e depois seguindo para Inglaterra e, mais tarde, reside em França.

Em Inglaterra tinha residido já o seu irmão, José Nunes de Carvalho, que foi oficial da embaixada portuguesa e cujo lugar, curiosamente foi recomendado ao então conde (depois Duque) de Palmela por José Liberato Freire de Carvalho. José Nunes de Carvalho foi, também um letrado notável e, ao que nos diz Inocêncio F. da Silva (Dicionário Bibliográfico), teve parte ativa na impressão das Odes de António Dinis (Londres, 1820), na Nova Edição da Carta de Guia de Casados (Londres, 1820) e, talvez, na edição de Londres da obra anónima “Arte de Furtar”. No verbete citado de Inocêncio surge-nos José Nunes de Carvalho como “partidário apaixonado do governo do infante D. Miguel” (sem que o sábio bibliógrafo cite a fonte a que recorreu), o que não sendo de todo impossível, nos parece questionável pela documentação oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, principalmente um oficio, datado de Maio de 1834, assinado por Agostinho José Freire onde é possível verificar que José Nunes de Carvalho continuava a trabalhar como oficial da secretaria de Estado, o que nos tempos difíceis que se seguiram à guerra civil, com os ressabiamentos existentes, não seria muito credível.    

Ainda em Londres, António Nunes de Carvalho passa a maior parte do seu tempo no Museu Britânico, recolhendo elementos e trabalhando em estudos sobre Portugal. Não por acaso encontra um inédito do Roteiro de D. João de Castro que sai, posteriormente, precedido de uma introdução e notas, em 1833, em Paris, com o título

Roteiro em que se contem a Viagem que fizeram os portuguezes em 1541: partindo da nobre cidade de Goa até Soez, que he no fim, e stremidade do mar Roxo … pelo doutor Antonio Nunes de Carvalho da cidade de Vizeu; À custa de huma sociedade de Portuguezes”, Officina Typographica de Casimir (rue de la Vieille-Monnaie, n0 12), Paris, 1833, L-334-I pags
Contou a obra, que é dedicada ao “honrado Amigo e Benfeitor na Adversidade” senhor Adrião Ribeiro Neves

[1783-1858; importante negociante, assumido liberal, grande admirador de Manuel Fernandes Tomás, membro da Sociedade Literária e Patriótica de Lisboa; tem o seu retrato (1825), feito por Domingos Sequeira, no Ashmolean Museum of Art and Archaeology, de Oxford, curiosamente fundado por Elias Ashmole, no século XVII],

com o auxílio pecuniário de outros portugueses exilados, cujos nomes vêm no final do prefácio, a saber: Marquesa de Nisa, de Palmela, Condessa de Vila Real, D. Leonor da Câmara, D. Ermelindo Monteiro de Almeida, o Marquês do Lavradio, Marquês de Nisa, Conde do Funchal, Conde de Sampaio, D. Francisco de Almeida Portugal, D. Luís da Câmara, Domingos de Saldanha de Oliveira e Daun, José Joaquim da Gama Machado, Nuno Barbosa de Figueiredo, Bernardo Daupias, Adrião Ribeiro Neves, Anselmo José Braamcamp, Custódio Pereira de Carvalho, Domingos de Oliveira Maia, Henrique de Sampaio Osborne, João Ferreira Pinto, Joaquim José de Azevedo, Manuel Inácio da Silveira, Manuel Joaquim Soares e Teodoro Ferreira Pinto Basto.

De Londres partiu para o exílio em França, onde ensina literatura à filha de D. Pedro IV, a futura rainha D. Maria II. No final da guerra civil, regressa a Portugal e a Coimbra, onde lecciona, sendo ao mesmo tempo deputado da Real Junta da Directoria Geral dos Estudos. Em 1835 é nomeado Bibliotecário-Mor da Casa Real. Passos Manuel, em 1836, homenageando o erudito liberal e bibliófilo, fê-lo 41.º Guarda-Mor do Real Arquivo da Torre do Tombo, lugar deixado vago pelo ilustre e erudito Frei Francisco de S. Luís, acumulando a função com o da Comissão de Depósito das Livrarias dos Conventos (cf. José Júlio César, ibidem). António Nunes de Carvalho era de grande erudição (mesmo que tenha sido uma figura excêntrica), versado em diferentes ciências, em linguística e foi “talvez o 1º bibliógrafo que teve Portugal no seu tempo” (cf. Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno, vol. 12, p. 1806)

Anos depois regressa ao ensino e à Universidade de Coimbra, tendo-se jubilado a 25 de Abril de 1861. Em 28 de Setembro de 1864, por escritura pública, doou a sua erudita, copiosa (perto de 9 mil obras) e muito valiosa biblioteca à cidade de Viseu, sua terra natal, em testemunho do seu afecto e amor. Foi comendador da Ordem de Cristo e Cavaleiro da Nossa Senhora da Conceição.
Faleceu, em Coimbra, em 5 de Junho de 1867, estando sepultado no cemitério público local, em mausoléu que lhe foi erigido pelo seu dedicado criado e amigo José Maria Lila que para isso sacrificou todos os seus haveres.

J.M.M.

sábado, 6 de junho de 2020

APONTAMENTOS PARA A BIOGRAPHIA DO CIDADÃO JOSÉ DA SILVA PASSOS


Apontamentos para a biographia do cidadão José da Silva Passos por o seu amigo particular e politico ALG. SYDNEY (aliás, Manuel Joaquim Pereira da Silva) C. R. C., Typographia de S. J. Pereira (Praça de Santa Theresa), Porto, 1848, 38 p.

Manuel Joaquim Pereira da Silva (1801 – Porto, 8 de Janeiro 1863), lente da cadeira de Comércio da Academia Politécnica do Porto (Decreto 19 de Outubro de 1836), professor da Academia Real de Marinha e Comércio do Porto (1836-1837), esteve emigrado no Brasil (1832), onde publicou uma “nova edição” do Dicionário de Algibeira, Filosófico, Político, Moral; depois, esteve no exílio em França, onde (cf. A.H.O.M.) integrou a loja maçónica, “Disciples de St. Vincent de Paule

[loja maçónica, de Rito Francês, instalada em 1813 a Oriente de Paris, sob os auspícios do GOdF; seja dito que os Irmãos tinham antes (1811) escolhido como título distintivo da oficina, “La Polyglotte” (pensando trabalhar em dois idiomas, francês e alemão), mas tal pretensão foi recusado pelo Grande Oriente, pelo que a nova Loja começa os seus trabalhos já em 27 de Julho de 1813; era fundamentalmente uma poderosa loja de beneficência e de filantropia; por isso mesmo e pelo seu curioso título, foi de grande incómodo nos meios clericais locais; em 23 de Julho de 1869, pelas profundas alterações constitucionais no seio do Grande Oriente, a loja muda o seu título distintivo, agora para “La Justice” nº133; foi sempre uma importante, singular e poderosa loja ao longo destes mais de 200 anos de vida e anos atrás comemorou o seu bicentenário - cf. AQUI].

Foi M. J. Pereira da Silva um exaltado liberal, um setembrista, amigo de Passos José (José da Silva Passos), tendo em 1848 publicado uns apontamentos biográficos sobre esse combatente ao Cabralismo e personagem marcante do liberalismo português. O opúsculo foi publicado sob pseudónimo [ALG. SYDNEY] e a seu propósito, a revista Popular (1849) diz que “ele contem a narração de factos mui importantes, e que lançam grande luz sobre a historia contemporânea, escriptos com urbanidade e decência, que nem sempre se encontram nas publicações politicas do tempo.” 

Manuel Joaquim Pereira da Silva foi Cavaleiro da Ordem de N. Sr.ª da Conceição. Faleceu no Porto a 8 de Janeiro de 1863. 

J.M.M.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A MAÇONARIA NO ALTO ALENTEJO (1821-1936) - LANÇAMENTO EM PORTALEGRE



LIVRO: A Maçonaria no Alto Alentejo (1821-1936);
AUTOR
: António Ventura;
EDIÇÃO: Caleidoscópio.

LANÇAMENTO:

DIA: 11 de Janeiro 2020 (16,30 horas);
LOCAL: Centro de Congressos da Câmara Municipal de Portalegre (R. Guilherme Gomes Fernandes, 28 - Portalegre);
ORADOR: Maria de Fátima Nunes (Universidade de Évora).

Apontamento Musical: Escola de Artes do Norte Alentejano

Trata-se de uma nova edição, revista e muito aumentada do estimado livro «A Maçonaria no Distrito de Portalegre», do professor António Ventura, publicado em 2007, pela Editora Caleidoscópio, e desde há muito esgotado.

Esta reedição, de manifesto interesse regional, conta com o patrocínio de diversas instituições: autárquicas, académicas, culturais, económicas e associativas [cf. António Ventura].

Tem, desde logo, o apoio de “todas as 15 câmaras municipais do distrito de Portalegre: Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteiro, Gavião, Marvão, Monforte, Nisa, Ponte de Sor, Portalegre e Sousel”, numa unanimidade que honra a historiografia local e regional, pelo que julgamos estar na presença de um outro olhar e um novo pensar em torno das investigações históricas locais. O que, e não poucas vezes, pela recuperação da memória histórica podem corrigir e enriquecer mesmo a história geral.   

J.M.M.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

[SANTA COMBA DÃO] COLÓQUIO JOSE DA SILVA CARVALHO E O BICENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820 - PARTE II




DIA: 26 de Outubro de 2019;
LOCAL: Casa da Cultura de Santa Comba Dão (S. Comba Dão);

INTERVENÇÕES/ORADORES:

- Nuno Camarinhas [José da Silva Carvalho na Magistratura Territorial, entre a sua Formatura e a Revolução de 1820];

- Samuel de Paiva Pires [José da Silva Carvalho e o pensamento económico-filosófico britânico];

- António Ventura [José da Silva Carvalho e a Maçonaria];

… e ainda

- Apresentação do livro de BD sobre a Vida e a Obra de José da Silva Carvalho, de Santos Costa e António Neves

A não perder esta excelente iniciativa da Câmara Municipal de Santa Comba Dão a um dois seus mais ilustres filhos e dedicado obreiro da revolução liberal de 1820.
 
J.M.M.